Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

Mostrando postagens com marcador crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de julho de 2014

A Força dos Meios de Comunicação - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

No inicio do ano de 1965, um comentarista esportivo de uma emissora de rádio de Salvador, conhecido por Cléo Meireles, torcedor fanático do Bahia e por isso mesmo critico feroz do rival Vitória, foi violentamente surrado, segundo "diz que me diz", por ordem de dirigentes do Vitória. O fato gerou uma crise no futebol baiano, com a proibição de jogos de clubes locais pela Conselho Nacional de Desportes até a apuração dos fatos. Entretanto os clubes baianos estavam autorizados a realizarem partidas amistosas. Mas houve uma unânime omissão de toda crônica esportiva, que nada noticiava sobre os amistosos que os clubes baianos realizavam, nem mesmo sobre o campeonato estadual, quando esse foi reiniciado.

A atitude tomada pela crônica esportiva gerou um esvaziamento das arquibancadas. Mas colocava em risco o emprego de muitos que dependiam do futebol para continuarem no rádio e jornal. Não tardou que uma saída honrosa fosse encontrada. Promoção semanal de jogos com equipes do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, todas às quintas-feiras, seguida de um bingo, cujo premio era um automóvel fusca zero km.  

Naquela época, eu cursava o 2° ano do Curso Científico no Colégio Central da Bahia, distante do Estádio da Fonte Nova pouco mais de um quilômetro e meio, quando muito. Morava com uma tia, que comprava os cartões dos bingos e pedia que eu fosse marcar.  Graças a isso, mesmo tendo que marcar o bingo após as partidas até duas horas da madrugada, pude assistir a jogos do Santos, São Paulo, Vasco da Gama, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, Palmeiras, Grêmio, Portuguesa de Desportos, enfim, somente times de ponta. Oportunidade que tive de ver jogar os consagrados campeões Pelé, Belinni, Mauro, Tostão, Piazza, Raul, Jairzinho, Gerson, e tantos outros craques. O jogo que mais me impressionou foi a partida Santos X Cruzeiro. Havia chovido e o campo estava muito molhado. Dava gosto ver a tabelinha de Pelé e Coutinho, sempre municiados pelo jogador de meio campo Mengálvio, alto, magro e muito elegante. O restante dos jogadores dos Santos estavam com as camisas todas encharcadas de lama. Somente Mengálvio estava impecavelmente limpo.

A promoção executada pelos profissionais da imprensa esportiva quase falia os clubes baiano. Mas foi um grande exemplo como os meios de comunicação usam a enorme força de que são possuidores,  força essa que pode ser construtiva, mas muitas vezes destrutiva. A Rede Globo sabe bem como usar essa força, eleger quem ela quer e derrubar num golpe qualquer presidente. O exemplo de Fernando Collor de Melo jamais deverá  ser esquecido.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 6 de julho de 2014

Será armação? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Primeiramente houve o tal "Não vai ter copa", campanha de cunho aparentemente fascista, promovida sabe-se lá por quem. Iniciada a Copa, ela somente tem recebido elogios, segundo a própria imprensa nacional e internacional. Até o Secretário Geral da Fifa, Jerôme Volcke, aquele que reclamava dos atrasos nas obras prometendo chute no traseiro dos brasileiros, declarou ser essa "a melhor Copa de todos os tempos".

Com a bola rolando, tenho cá minhas suspeitas, que espero sejam infundadas. A violenta contusão sofrida pelo atleta Neymar, nada mais foi que outra campanha articulada por aqueles cuja miopia política, fazem-no acreditar que a conquista dessa Copa influenciará nas eleições do corrente ano. E principalmente suspeito dos interesses publicitários das empresas patrocinadores do evento.  

Desde o inicio da Copa, tenho assistido pela televisão a todos os jogos. E sinceramente não vi nenhuma falta violenta cometida contra os jogadores de outras seleções, como os extraordinários Robben da Holanda e Lionel Messi da Argentina, para citar apenas dois exemplos de jogadores fora de série como Neymar. Pois se observarem as reprises dos lances de jogos anteriores, verificarão que os melhores jogadores da Holanda, Alemanha, França  e Argentina, entre outros, não tiveram sobre eles nenhuma falta desleal, como as que foram cometidas contra Neymar, desde as partidas contra a Croácia, México, Camarões, Chile e Colômbia. Observei pelas repetições, que houve um lance no qual um jogador chileno cometeu uma falta quase idêntica àquela do colombiano, só que o chileno foi mais incompetente, atingiu somente a coxa do jogador, enquanto o colombiano seguiu à risca as supostas instruções recebidas sem nenhuma preocupação de deixar o outro sem condições de algum dia voltar a praticar futebol. Nesse aspecto, a mordida do jogador uruguaio no italiano foi menos danosa, pois não causou nenhuma lesão.

Acredito firmemente que o resultado dessa Copa, qualquer que seja ele, não influenciará na eleição de quem quer que seja. Em 1950, numa Copa do Mundo também realizada no Brasil, quando a seleção brasileira foi derrotada na partida final pelo Uruguai, não houve nenhuma influência no resultados das eleições daquele ano.

Deus permita que minhas suposições sejam falsas. Mas até a atuação dos juízes se voltam contra o Brasil. Gostaria que alguém me convencesse do contrário.

Esperamos que todos os brasileiros unidos, formem uma corrente positiva  e possamos comemorar mais um título. Um grande abraço!              

Por Carlos Eduardo Esmeraldo 

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A Quem Interessa o Golpe? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O histórico de Golpes de Estado no Brasil é extenso e vem desde os tempos do Império, para decretar maioridade de Dom Pedro II antes dele completar 14 anos, no que ficou conhecido como "golpe da maioridade de Dom Pedro II ".

Em seguida houve o golpe militar da Proclamação da República, liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. A mudança do sistema de governo foi realizada sem nenhuma participação do povo que ficou totalmente indiferente aos acontecimentos daquele 15 de novembro de 1899.

Os primeiros anos da República foram de muitas dificuldades, tanto econômicas, quanto administrativas. O país viveu sucessivas crises. O Marechal Deodoro, que assumira o cargo de chefe de governo, tentou solucionar essas crises impondo autoritarismo: dissolveu o Congresso e decretou Estado de Sítio, suspendendo todos os direitos individuais e políticos dos cidadãos. A reação a esse golpe foi intensa em todo o país e a crise se agravou a tal ponto que ao Marechal Deodoro, velho, doente e cansado, somente restou a renúncia em 23 de novembro de 1891. Seu conterrâneo, o também alagoano Marechal Floriano Peixoto, vice-presidente, assumiu o governo.
 
Em 1964, há 50 anos portanto, um governo legitimamente constituído foi deposto através de um golpe militar. Naquela época, temia-se a implantação de uma ditadura comunista, a exemplo da revolução acontecida em Cuba no ano de 1959. Partidos políticos  conservadores há mais de vinte anos na oposição, aliados aos meios de comunicação social, articularam a deposição do presidente João Goulart, pois segundo justificavam, o país  estava na iminência de um golpe de esquerda, às portas de uma ditadura sindicalista de inspiração comunista. Alguns setores conservadores do clero amedrontavam toda a classe média brasileira, com receio de que nos tornássemos vítimas de um regime comunista e ateu, no qual haveria a proibição de cultos religiosos e o fechamento das igrejas. A gestação do golpe foi lenta e contínua, com alguns períodos de calmaria. Mas resultou numa ditadura militar que durou 21 longos anos, camuflada para fins externos, como sendo um regime "democrático" de faz de conta. Mas internamente com censura à  imprensa, muitas prisões e torturas.

O histórico desse golpe teve início há mais de três décadas, nas eleições presidenciais de 1930, que como todas as eleições realizadas anteriormente, foram fraudadas e repletas de vícios. Júlio Prestes, o presidente eleito à "bico de pena", não chegou a tomar posse. Um golpe militar colocou no poder Getúlio Vargas, o candidato derrotado naquela eleição. A denominada "Era Vargas" durou 15 anos, incluído nesse período a "Ditadura do Estado Novo", que vigorou de 1937 até de outubro de 1945, quando Vargas foi deposto. Antes disso, pressentindo que o seu tempo se expirava,  Getúlio Vargas preparou o retorno do país à democracia permitindo a criação de novos partidos políticos, entre os quais: a UDN, o PSD, o PTB, entre outros, inclusive legalizando o Partido Comunista.   

Em dezembro de 1945 ocorreu o que se denominou como a "primeira eleição realmente democrática do país", tendo sido eleito o General Eurico Gaspar Dutra, cujo governo destacou-se pelo respeito à constituição.

A partir de 1950, com novas eleições presidenciais, quando então Getúlio Vargas foi reconduzido à presidência da república, intensificou-se a reação da UDN, sob a liderança de Carlos Lacerda. Havia acusações de corrupção, principalmente com relação ao empréstimo efetuado pelo Banco do Brasil ao jornalista Samuel Wainer, empréstimo esse autorizado pelo Presidente Vargas, para que seu amigo fundasse o jornal "Última Hora", cuja finalidade era defender o governo das constantes acusações da imprensa conservadora, acusações essas, cujo objetivo principal era a deposição de Getúlio.   

Em sua campanha para derrubar Vargas do poder, Lacerda usava o seu próprio jornal "Tribuna da Imprensa", fazia aparições na televisão, palestras em colégios, em associações de classe, onde quer que fosse possível. Por isso mesmo temia sofrer atentados. Então solicitou segurança ao Ministro da Justiça, na época, o Sr. Tancredo Neves. O Ministro colocou a policia à disposição de Lacerda e sugeriu que ele escolhesse o pessoal de sua confiança. Mas Lacerda preferiu cercar-se de amigos militares. E no inicio de agosto de 1954, ao chegar à sua residência em Copacabana, Lacerda sofreu um atentado à bala que atingiu o seu pé. Um outro tiro ceifou a vida de um de seus amigos, o major da aeronáutica, Rubens Vaz. Comandantes militares das três armas se revoltaram contra o presidente. A crise desencadeada com esse atentado, sob suspeitas de ter sido perpetrado pela guarda pessoal do presidente, levou Getúlio Vargas a optar pelo suicídio em 24 de agosto de 1954.

Em 1955, novas eleições presidenciais foram realizadas, com nova derrota da UDN e vitória de Juscelino Kubtschek do PSD.  Houve um breve período de crise, pois Carlos Lacerda desejava impedir a posse do presidente Juscelino, felizmente sem obter êxito.

A quem interessa um Golpe de Estado como o ocorrido em 1964? Em primeiro lugar aos políticos conservadores, submissos aos interesses das grandes potencias internacionais. Políticos esses  contrários ao combate à pobreza e à redução das desigualdades sociais. "Qualquer política voltada para extinção da pobreza é prontamente combatida pelos que detêm o poder econômico". Conclusão essa a que chegaram os bispos latino-americanos reunidos na III Conferencia Episcopal Latino-americana, realizada em Puebla no México em fevereiro de 1979.

Finalmente, um golpe como o de 1964 interessa diretamente às grandes potências mundiais que desejam para si as riquezas da nossa Amazônia e o nosso lençol petrolífero à águas profundas.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 15 de junho de 2014

A Avidez humana! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Desculpem-me o assunto ou a falta dele. Estamos em clima de Copa do Mundo e o tema não poderia ser outro. Sei que muitos dos leitores não gostam de futebol. Mas o que eu pretendo repartir com os amigos é o desejo insaciável que ser humano tem por lucros, vitórias e glória. Para isso, ignora-se os sentimentos de afetividade que nutre e engrandece as relações de amor. Chega-se ao extremo de escravizar o homem, se possível for. Que tem o futebol a ver com tudo isso?

Apesar das relações de trabalho de um jogador de futebol profissional terem evoluído para melhor nos últimos vinte anos, houve época em que o atleta era um verdadeiro escravo. Preso definitivamente ao clube, não lhe era facultado o direito de livre transferência ou escolha da equipe em que gostaria de jogar. Submetia-se a dias seguidos de confinamento, sem contatos com a família e o mundo exterior, numa ociosidade a que ainda hoje os dirigentes de futebol teimam denominar de concentração.

Em 1946, Ávila era um esforçado jogador de meio de campo do Botafogo, uma das quatro grandes equipes de futebol do Rio de Janeiro. Não chegou a integrar a seleção brasileira, mas era muito importante para o esquema de jogo do seu time. Era um desses jogadores que desarmam os ataques da equipe adversária e ajudam a empurrar o seu time para frente. Geralmente esse tipo de jogador passa despercebido aos olhos da torcida.

O time de Ávila estava concentrado desde a noite da segunda-feira anterior à partida do domingo seguinte, num casarão da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Preparava-se para um jogo decisivo do campeonato. A mulher de Ávila fora hospitalizada naquele mesmo dia, com uma estranha doença. Mas os dirigentes do clube não consideraram esse fato como um motivo justo para dispensá-lo da concentração. Não podiam prescindir daquele jogador na equipe.

A rotina na concentração era de treinos à tarde e o restante do dia na mais completa ociosidade. Naquele confinamento desumano, a nenhum atleta era dado o direito de sair à rua, visitar a família, ou pelo menos usar o telefone para um contato, saber como passavam os familiares. Era uma clausura absoluta!

No domingo pela manhã, dia do jogo decisivo, uma freira que trabalhava no hospital onde estava internada a mulher de Ávila, telefonou para a concentração procurando falar com o jogador. Disseram-lhe que ele não podia atender.
- “Por favor, digam a ele que o estado de saúde de sua esposa se agravou e ela pede desesperadamente para falar com ele.” - Insistia a irmãzinha reforçando a urgência da presença do jogador.

Os dirigentes da equipe acharam por bem nada comunicar ao seu atleta para que nenhuma preocupação viesse prejudicar seu rendimento no jogo. Afinal, iriam enfrentar o Vasco da Gama, um dos mais fortes rivais.

Na tarde daquele ensolarado domingo, Ávila se esforçou como sempre era seu costume, contribuindo para vitória do seu time, que se sagrou campeão.

Somente quando a partida terminou, entre tapinhas nas costas, os dirigentes comunicaram a Ávila para ir ao hospital com urgência, pois o estado de saúde da sua mulher havia se agravado. Ele imediatamente enxugou o suor do corpo com uma toalha, trocou de roupa, sem ao menos tomar banho e foi de taxi, o mais depressa quanto possível, ao hospital. Lá chegando, recebeu uma reprimenda da irmãzinha:
- “O senhor não tem coração? Telefonei várias vezes desde a manhã de hoje. Sua mulher passou o tempo todo querendo lhe falar e somente agora o senhor chega aqui?”
 - “Mas eu vim assim que me disseram. Estava no jogo e tão logo este terminou, vim o mais rápido possível.” - Disse-lhe Ávila preocupado.
- “Agora é tarde! Sua mulher faleceu às três horas da tarde.” -  Respondeu a freira.

Ao saber dessa notícia, Ávila desmaiou, voltando a si, alguns minutos depois.  O desespero tomou conta dele. Voltou ao casarão da concentração e não encontrou mais ninguém do clube, somente o caseiro e sua mulher. Então, munido de uma barra de ferro, destruiu tudo que havia pela sua frente, mesas, cadeiras, camas, armários, não sobrando nem portas e janelas.

No dia seguinte, durante o enterro, diante dos companheiros do Botafogo e dirigentes do clube, Ávila desabafava, acariciando o rosto frio da sua amada:
- “Não me deixaram te dar um último beijo, mas você está vingada!”


(Adaptado de "Os subterrâneos do futebol" de João Saldanha, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1980)

Por Carlos Eduardo Esmeraldo  
 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Uma Ingratidão? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nesta quarta-feira, dia 11 de junho, Dom Vicente de Araújo Matos estaria aniversariando se  vivo fosse e também completando anos de sua sagração como Bispo da Diocese do Crato.

Dom Vicente foi um grande benfeitor da cidade do Crato, tendo carreado para nossa terra uma grande relação de benefícios. Graças a ele fomos pioneiros do ensino superior no interior do Estado do Ceará, com a implantação da Faculdade de Filosofia do Crato, que possibilitou anos mais tarde a viabilização da Universidade Regional do Cariri - URCA, com sede na nossa cidade. São ainda iniciativas de Dom Vicente a Rádio Educadora do Cariri, a expansão do Hospital São Francisco, o desenvolvimento estrutural da Fundação Padre Ibiapina, a construção do Centro de Expansão da Diocese, único centro do gênero nas dioceses do Estado e quiçá do Nordeste, a Vila Jubilar no bairro Pimenta, além de tantas outras realizações, impossíveis de resumi-las em poucas palavras.

Infelizmente o Crato, através de sua representação política tem demonstrado uma incompreensível falta de reconhecimento à ação desenvolvida por Dom Vicente, não somente no Crato, mas em toda a área da Diocese. Precisamos urgentemente corrigir essa ingratidão!  Por que não dar o nome de Dom Vicente Matos a uma rua do Crato? É uma proposta para qual nossos vereadores continuam insensíveis.

Gostaria de lembrar o argumento de uma senhora cratense que apelou aos vereadores para mudar o nome da rua em que ela reside de Machado de Assis para o nome do seu falecido sogro. Em seus argumentos aos vereadores ela assegurou que aquele escritor jamais tomou conhecimento da existência do Crato, e que portanto nenhum beneficio fizera para receber tal homenagem.

Com o mesmo raciocínio daquela senhora apelo aos nossos vereadores refletiram o que representou para o Crato João Pessoa, Santos Dumont, Senador Pompeu e tantos outros vultos que não sabemos quais os benefícios trazidos por eles à cidade? Por que não encontrar uma ampla avenida para denominá-la de Dom Vicente Matos. Ele merece a principal rua do Crato! Faz-se necessário uma urgente urbanização do bairro onde se situa a imagem de nossa senhora de Fátima recentemente inaugurada. E poderia ser construída uma ampla avenida de acesso com o nome de Dom Vicente Matos. Pensem nisso para corrigir uma grande ingratidão!
 
Por Carlos Eduardo Esmeraldo

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Afinal qual foi a primeira mulher? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Jornais, Rádio e Televisão apregoam que agora nós temos a primeira mulher como Presidente da República. Que nada! Somente agora é que resolvemos mostrar a cara, nos despir de nosso encardido machismo e assumir definitivamente que há muito vivemos num reino do matriarcado. O que os meios de comunicação social deveriam propagar é que agora não temos mais necessidade de usar intermediários. A maioria dos brasileiros, cansada dos “paus mandados” resolveu colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Antes de uma mulher assumir pessoalmente pela primeira vez o cargo da Presidência da República, nós tivemos um número bastante elevado de mulheres que igualmente mandaram nesse país. Lembremo-nos de algumas daquelas senhoras que, nos últimos sessenta anos comandaram nossos destinos, quase sempre às caladas da noite: Darcy Vargas, Carmela Dutra, Sarah Kubitschek, Eloá Quadros, Maria Tereza Goulart, Iolanda Costa e Silva, Scila Médici, Dulce Figueiredo, Marly Sarney, Rosana Collor, Ruth Cardoso e Marisa Letícia. Aos respectivos maridos, a quem nós apelidávamos de Presidentes da República cabiam sempre a última palavra: “A pois tá certo, minha querida.”

A propósito desse assunto, havia na época do Regime Militar um prefeito de uma capital que além da sua própria mulher, recebia ordens da mulher do governador. Certo dia, um jornalista quis saber dele se era verdade que ele fazia tudo que a mulher do governador mandava. “É sim, se ela mandar eu faço e, antes que ela mande eu já estou fazendo.”

Agora eu acredito que assumimos de fato nossa real condição, pois uma mulher foi eleita pelo povo brasileiro como a primeira Presidenta da República. Espero que ela use a sensibilidade da qual toda mulher é possuidora para olhar pelos pobres, e reduzir ainda mais as enormes desigualdades sociais e conduzir nosso país para dias melhores ainda.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

MONGA - Roberto Jamacaru


M O N G A


Na véspera da Festa da Padroeira a meninada da cidade comemorou a chegada do parque de diversões com muita alegria.
Vendo aquele comboio de caminhões passar, transportando em cima dele um amontoado de peças coloridas, ninguém resistiu. Todos nós corremos atrás para ver o desembarque e a montagem daquilo que iria alegrar nossos sonhos Disney por algumas noites.
Para ter o direito de participar de tudo isso, fazia-se necessário conseguirmos patrocínio junto aos nossos queridos pais. Na prática, esse tipo de acordo era mais complicado do que o Plano de Paz entre palestinos e judeus. Não era fácil cumpri-lo, pois tínhamos que ir banhados, arrumados, não brigar com o irmão, administrar uma mesada de apenas três cruzeiros (dinheiro da época) e, obrigatoriamente possível, trazer o troco. Ou seja, essa missão era impossível até mesmo para os ganhadores do Nobel da Paz e da Economia!
Negociações à parte, a festa nos encantava por vários bons motivos. A animação começava com a chegada e levantamento do Pau da Bandeira. Esse enorme tronco era arrancado da mata virgem e carregado para a Praça da Matriz nas costas de quase cem homens... Claro, todos eles movidos pela fé na Padroeira e pelo efeito de muita cachaça braba!
Outro destaque dos festejos era a novena que a gente era obrigado a assistir. No entanto achávamos bonito ver o coroinha balançando o turíbulo e lançando no ar aquela fumaça cheirosa de incenso. Era um status de criança desejado por muitos de nós. Já as intermináveis ladainhas, geralmente rezadas somente pelas mulheres e o padre, elas nos faziam dormir.
Terminada a reza, todo mundo estava liberado para viver aquele mundo de luzes, cores e alegria que era o parque de diversões.
As moças também não perdiam a chance que essa ocasião lhes proporcionavam. Para incrementarem suas investidas amorosas - os chamados flertes - elas costumavam utilizar-se das amplificadoras instaladas em vários pontos do parque. Através desse som ambiente, as autoras (geralmente ocultas), mandavam declarações para seus pretendentes:

- “Esta música é de um alguém para outro alguém com muito amor e carinho.”;

- “A você que está de verde ouça esta música que lhe dedico com muito amor e paixão. Quem lhe oferece está de azul!”.

- “Moreno da Rua do Seminário, sei que tu não gostas mais de mim, mas continuo te amando. Assina: Morena da Vila Alta!”.

Quem era quem? Impossível saber!

Mais detalhes importantíssimos desse evento:
Lá por volta das dez da noite, sempre sob a coordenação dos Partidos Azul e Encarnado, era a vez do leilão paroquial, todo ele repleto de comidas gostosas.
Cobertas com papéis coloridos e anunciadas por divertidos leiloeiros, as galinhas assadas, por exemplo, exalavam no ar um cheiro gastronômico inconfundível.
A oferta dos bens arrematados era outra prática muito interessante nesses leilões. Quem os comprava, geralmente procurava oferecê-los a um amigo, parente, personalidade ou autoridade local. Claro, o animador da festa aproveitava a situação para fazer muita gozação e brincadeira entre as partes.
Para a criançada, no entanto (nessa época não tinha televisão) o que mais nos encantava era o mundo dos brinquedos e das guloseimas. E ele estava ali à nossa espera com trenzinho, patinhas, carrossel, roda gigante, canoas, pipoca, filhós, bombons, roletes e caldo de cana; cachorros quentes, algodão doce, amendoim assado, gelo raspado com calda de morango, quebra-queixo e tudo mais.
Esse ano, para delírio nosso, havia uma atração diferente anunciada pelo famoso Parque de Diversões Maia. Na fachada de um dos estandes, montado bem ao lado do carrossel, a figura aterrorizante de um enorme gorila, com seus dentes, unhas, pêlos e expressão de muita ferocidade, passou a mexer com a nossa imaginação e, acima de tudo, com o nosso medo.
Era o terrível M O N G A!
Para nós, assistir ao espetáculo da mulher se transformando nesse monstro, consistia num grande desafio! Era um dilema de fácil compreensão: de um lado estava o medo; do outro, nossa incontida curiosidade.
Os comentários das pessoas que assistiam a essa metamorfose eram sinistros. Em 80% dos casos eles passavam a ser auto-explicativos, ou seja, bastava ver a carreira que muita gente empreendia, de dentro para fora da casa, na hora da transformação do bicho!
Não resistimos!
Nossa turminha resolveu dar uma de “macho” indo assistir ao show. Confesso que minha “coragem” estava, acima de tudo, arrependida e estampada em minha cara.
Finalmente cada um comprou seu ingresso. Lá dentro a iluminação concentrava-se apenas na jaula. Por trás dessa frágil gaiola, ficava uma linda moça. Ela, a bela, que iria transforma-se na fera, vestia apenas um biquíni num estilo meio samba-canção. Por precaução instintiva, procuramos ficar próximo aos adultos. Eu, particularmente, antes do início das cenas, estudei previamente o roteiro da saída. Naquele momento jurei para mim mesmo que não era questão de medo... Ah! Essas juras...

De repente a cortina foi fechada dando vez a uma música aterrorizante.
Era o início da sessão!
Ao ouvir a voz cavernosa (sinistra) do apresentador, muita gente desistiu ali mesmo de presenciar a cena da transformação. Adultos e crianças que permaneceram no recinto, procuraram se juntar numa atitude inconsciente de proteção mútua.
E a metamorfose começou!
O corpo delicado da inocente mocinha passou a ser desfocado, lentamente. O narrador fez questão de dar ênfase a esse detalhe, e isso nos deixou ainda mais apreensivos.
No momento seguinte observei que as unhas dos pés e das mãos do já quase bicho iam assumindo formas maiores e grotescas. Sem perder a cena e com os olhos cada vez mais arregalados, ainda lembro que, nesse momento, busquei segurança agarrando-me às mãos de alguém que nem conhecia!
O narrador, na sua humorada experiência, investia cada vez mais no nosso medo! O destaque seguinte que ele passou a dar, foi em relação aos pêlos e tamanho da criatura. Agigantada (acho que uns dois metros), ela já estava bem próxima de virar definitivamente o ameaçador MONGA!
Se alguém tivesse filmado as expressões e medido a pulsação da platéia naquele momento, o resultado iria mostrar rostos apavorados, corpos híspidos e “baticuns” dos corações a mil por hora...
Como tática da trama, derepente a música parou e transformação se completou!
... Naquele instante, por conta do medo, o silêncio imperou em todos nós. Perdemos também os comandos da fala. Nossas pestanas, braços e pernas, ficaram tesas. Estávamos estáticos diante da descomunalidade do animal!
Ficamos assim: fera e homens se olhando, olho no olho, por um minuto que mais parecia uma eternidade...
O narrador, investindo no nosso pavor, passou a descrever o brutal com mais sensacionalismo.
A princípio ele pediu para que ninguém tivesse medo, pois a jaula era suficientemente forte para aguentar os possíveis solavancos do bicho, caso ele viesse a ficar enfurecido.
Ninguém acreditou... Principalmente eu!
E a descrição macabra continuou!
Nesse ínterim, MONGA deu uma espécie de grunhido e começou a sacolejar as barras de ferro da porta da jaula. O grito da platéia foi mais alto do que a zoada do animal. Nesse exato momento mais uma leva de assistentes saiu correndo para fora da casa de espetáculo com medo do monstro.
Novamente o locutor entrou em cena pedindo, de uma forma “desesperada”, calma ao terrível macaco.
A certa altura não teve mais jeito!
Cada vez mais enraivecido, o gorila findou quebrando o cadeado da jaula e, enlouquecido, partiu para cima do público.
Nessa hora aconteceu de tudo na sala da assistência: as mulheres gritaram histericamente. Alguns homens, assumindo o medo e outras coisas mais, deram até gritinhos de pavor. De uma forma geral, quem permaneceu ali ficou acuado no fundo da saleta.
No nosso caso (éramos cinco pirralhos), aconteceu o previsível, porém de forma espetacular! Contrariando as leis da física, ainda hoje não sabemos explicar de que maneira conseguimos passar, todos de uma só vez, por aquela porta de saída com aproximadamente um metro de largura. Lá fora a debandada foi em leque, ou seja, cada um escapando para um lado diferente. Acho que, de tão rápidos, findamos superando os recordes olímpicos mundiais nas categorias de cem e duzentos metros de distância com barreiras, isto porque, em segundos, atravessamos toda a praça pulando por cima de tudo que era tabuleta de venda existente na nossa frente... Nem nossas sombras esperaram por nós. Mas o pior, aquilo que mais queríamos evitar, o temor maior, a humilhação, por assim dizer, contra nós, “cabras machos”, aconteceu de maneira implacável: a turma da vaia, que do lado de fora vivia à espera desses momentos, foi à loucura deliciando-se com o nosso vexame e caras de pavor. Minutos depois nos reencontramos (todos pálidos de susto) num ponto bem distante daquele tenebroso local.
Em casa custei a dormir. Apavorado, enfrentei altas temperaturas embaixo do lençol, suando feito tampa de panela, até ser vencido pelo sono. Acredito que com a turminha não deve ter sido nada diferente. Medo igual àquele jamais havíamos passado.
A festa acabou.
Aquele parque colorido seguiu viagem mundo afora, encantando e assustando novas crianças e adultos. Ainda hoje comentamos o episódio que, apesar de tudo, fez-nos criar um carinho especial por MONGA. Ele continua sendo uma lenda viva em nossas mentes. Vez por outra, ao ver aquele cenário montado nas festividades populares de muitas cidades, meu pensamento reinicia uma viagem rumo ao tempo da inocência e da felicidade. Até hoje faço absoluta questão de não saber como funciona o segredo dessa transformação. Não quero permitir a mim mesmo a perda dessa saudável inocência.
MONGA, para todos nós que passamos aquele sufoco, continua sendo um grande ídolo que, embora horrendo, não atormenta mais as nossas almas.
Com o tempo, aprendemos que, os verdadeiros monstros de nossas vidas estão hoje vivos nas peles dos nossos falsos líderes; nas vozes dos religiosos mercantis, no nosso desrespeito mútuo e, acima de tudo, na nossa falta de temor a Deus.
Caros leitores, uma salva de palmas para MONGA, ele merece!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O que é conversão? - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Muitas vezes somos levados a pensar que conversão é mudar de uma igreja para outra ou de religião. O que estou querendo ressaltar aqui, é que conversão é uma mudança radical de vida. Se decidirmos seguir Jesus e fizermos uma adesão total a Ele, temos que permitir que Deus nos transforme interiormente e possa surgir dentro de nós, um novo homem, ou uma nova mulher.

Nesse mundo impregnado de materialismo, fica muito difícil a conversão. As pessoas são levadas pela sociedade de consumo, a ganhar cada vez mais dinheiro, esquecendo dos valores mais importantes da vida. Vivemos numa sociedade do ter, do poder e do prazer e, esquecemos os valores espirituais, o ser gente, o amor ao próximo e a fé em Deus. O amor de Deus por nós é tão grande que Ele quer que a decisão de mudar de vida seja nossa. Abrir o nosso coração e deixar a Graça de Deus entrar na nossa vida, só vai nos beneficiar. Hoje o coração do homem está tão fechado para o amor, que o mundo estar repleto de violência, guerras e desunião.

Aderir a Jesus Cristo, nos obriga a conhecer a Palavra de Deus e aplicá-la na nossa vida. Entretanto, para a conversão, a palavra de Deus tem que ser lida e entendida com os olhos da fé. De nada vale dizer que leu a Bíblia toda, que está por dentro de tudo, só para citar versículos e capítulos do Evangelho. A mensagem de Jesus Cristo é transformadora. Se cada pessoa no mundo conhecesse Jesus, o mundo teria mais paz, justiça e igualdade social.

Um grande exemplo de conversão foi a do Apostolo Paulo, que era um fariseu perseguidor dos cristãos e teve uma experiência com Jesus Cristo que mudou totalmente a sua vida.

Paulo nasceu em Tarso, na região da Cilícia, Ásia Menor, atual Turquia. Apesar de judeu, era cidadão romano, título herdado do pai, um homem de posse, que comprou esse título.

Paulo, filho de judeus foi educado dentro das exigências da lei de Deus e das tradições paternas. No ambiente judeu ele adotava o nome Saulo e entre os gregos era conhecido por Paulo.

Como todos os meninos judeus da época, Paulo recebeu os ensinamentos básicos na casa dos pais em Tarso, na Sinagoga do bairro e na escola ligada a Sinagoga. Posteriormente ele obteve formação superior em Jerusalém, tendo sido aluno de Gamaliel. O próprio Paulo relata nos Atos dos Apóstolos 22,3-5, “Eu me formei na escola de Gamaliel seguindo a linha mais rigorosa dos nossos antepassados.”

O eixo da formação dos judeus era a leitura da Bíblia, e era a mãe em casa que tratava de passar para os filhos todos os ensinamentos.

Tudo leva a crer que Paulo e Jesus nunca se encontraram. Jesus era de cinco a oito anos mais velho do que Paulo. Tanto Jesus quanto Paulo receberam a mesma formação básica. Porém Jesus vivia em Nazaré, era pobre e trabalhou como carpinteiro para sobreviver. Já Paulo era rico e não precisava trabalhar. Só depois da sua conversão é que trabalhou para sobreviver construindo tendas, oficio que aprendeu com o pai.

No capítulo nove dos Atos dos Apóstolos encontra-se o relato da conversão de Paulo. Saulo perseguia e ameaçava os discípulos de Jesus. Ele foi à presença do sumo sacerdote para lhe pedir cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco. Tinha como objetivo levar presos para Jerusalém todos os homens e mulheres seguidores de Jesus. Quando ele estava próximo de Damasco, se viu cercado por uma intensa luz que vinha do céu. Caindo por terra ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, porque me persegue”? Saulo perguntou: “Quem és tu Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer.” Os homens que estavam acompanhando Paulo, ficaram espantados porque só ouviam a voz e não viam ninguém. Saulo se levantou e não estava enxergando nada. Os homens o levaram até Damasco. Lá ele ficou três dias sem enxergar e nem comeu nem bebeu nada.

O Senhor em visão mandou Ananias à casa de um homem chamado Judas, onde Saulo estava hospedado. Ananias lhe falou dos poderes que Saulo possuía de prender todos que invocassem o nome de Jesus. Mas Jesus lhe disse: “Vá, porque esse homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do meu nome.”

Ananias foi encontrar com Saulo, impôs a mãos sobre ele dizendo que o Jesus que apareceu a ele no caminho de Damasco, o enviou ao seu encontro para que ele recuperasse a visão e ficasse cheio do Espírito Santo. Dos olhos de Saulo caiu alguma coisa parecida com escamas, e ele recuperou a visão. Saulo se levantou e foi batizado.

Após passar alguns dias com os discípulos em Damasco, Saulo foi pregar nas sinagogas afirmando que Jesus Cristo é o filho de Deus. Todos se admiravam da pregação, pois sabiam que tinha sido perseguidor de Jesus.

Graças a Paulo, o mundo ocidental é cristão, pois ele divulgou a mensagem evangélica através das suas viagens a “todos os confins da terra”. Esse grande apóstolo de Jesus serve de modelo para todos os cristãos.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Perdão – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo.

Quem pratica o perdão tem mais condições de alcançar a paz e a felicidade. As pessoas não são perfeitas e se não soubermos aceitá-las com seus defeitos, não praticaremos o perdão e não aliviaremos o nosso coração do peso da mágoa. O coração de quem perdoa se torna mais leve. No Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus, 18, 21-35, quando Pedro pergunta a Jesus se devemos perdoar nosso irmão, até sete vezes, Jesus responde: “não lhe digo até sete vezes, mas até setenta e sete vezes sete.” O número sete na Bíblia significa a plenitude. Portanto, devemos perdoar infinitas vezes.

Depois que respondeu a Pedro, Jesus narrou uma parábola comparando o Reino do Céu com um rei que resolveu acertar a conta com seus empregados. Jesus contou que um servo devia uma quantia de dez mil talentos ao seu rei e não tinha condição de pagar a dívida. Era uma quantia muito grande, pois cada talento equivalia a 34 kg de ouro. O empregado pediu um prazo e implorou compaixão. O rei perdoou sua enorme dívida. Mas esse servo saiu e encontrou um dos seus companheiros que lhe devia uma pequena quantia e exigiu o pagamento, agarrando-o pelo pescoço. Mesmo que o companheiro de servidão lhe implorasse por compaixão, ele o entregou à prisão. O rei sabendo dos atos desse servo zangou-se, pois ele não teve a mesma compaixão com o seu companheiro. Por isso mandou entregá-lo aos torturadores, até que ele pagasse a dívida.

Não podemos comparar as ofensas que cometemos contra Deus àquelas que os outros cometem contra nós. Jesus observou que como o servo que não tinha misericórdia, o Pai não perdoará nossas faltas se não perdoarmos nosso próximo.

Sabemos que o ódio somente prejudica a pessoa que não sabe perdoar. O perdão é também a outra face do amor e o mundo seria muito melhor se todos nós soubéssemos praticar o amor e perdoássemos nosso irmão infinitas vezes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O povo quer saber! E as respostas de “Joinha”– Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Acredito que metade do Crato não sabe quem seja Ivanilde Pereira de Sousa, mas conhece Joinha, um dos tipos mais populares da cidade. Todos a chamam pelo apelido com o qual ela delicadamente trata as pessoas, seja rico ou pobre: “Oi jóia!” Ela é muito humilde, prestativa, gosta de cultivar amizades, seja com pessoas importantes, como o governador, prefeitos, médicos, bancários e muita gente do Crato e Fortaleza. Passa uma parte do ano no Crato e outra em Fortaleza onde possui muitos amigos. Não gosta que lhe façam perguntas sobre sua intimidade, como por exemplo: onde mora, ou trabalha, quando vai voltar do Crato para Fortaleza ou vice-versa, coisas assim. Gosta de andar com roupas vistosas, coloridas, com fotos dela ao lado de autoridades e algumas anotações. Ontem eu a vi com uma blusa cheia de inscrições, quase um poema, com as respostas que ela dá quando lhe dirigem tais perguntas. Consegui anotar o que segue abaixo:

“O povo me pergunta se eu peço esmola.
Por causa da minha sacola. E eu respondo:
Se quiser eu tenho para lhe dar.
O povo me pergunta onde eu como.
E eu respondo: no prato!
O povo me pergunta aonde eu durmo
E eu respondo: na rede!
O povo me pergunta o que eu faço na praça.
E eu respondo: já viu ter o que fazer na praça?
O povo me pergunta se eu levei chuva.
E eu respondo: deixei lá porque não andava com uma lata para levar a chuva!
O povo me pergunta aonde eu tomo banho.
E eu respondo debaixo da água!
O povo me pergunta se eu sou aposentada.
E eu respondo: sou expulsada!
E não tenho inveja de quem é.
O povo me pergunta se eu tenho “fio”. (filho)
E eu respondo quem tem “fio” é poste e bananeira."

Por Carlos Eduardo Esmeraldo


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Também aprendi...- Rosa Guerrera


Das muitas lições colhidas e vividas no meu livro de vida, aprendi que :
O amigo verdadeiro é o encontro de duas almas.
Que um olhar é capaz de transmitir todas as sensações existentes no coração.
Que a tristeza e a lágrima se desmoronam diante de um sorriso sincero .
Que é sublime a entrega de um desejo quando acalentado por um profundo sentimento de paixão e respeito.
Que o perdão é o maior alimento para as cicatrizes do destino .
E aprendi mais ! Aprendi que a gente tem que saber amar o amor com toda intensidade a cada momento e a cada segundo .
Só assim seremos mestres no grande aprendizado da vida , e teremos algo para deixar como herança quando partirmos para o mistério dos mistérios

Sobre Blogues
"O que vem a ser realmente um blog? Um diário on line ?Anotações do dia a dia ? São inúmeros os seus objetivos , sendo na minha opinião o principal deles , aquele desejo que sentimos em nos mantermos em continuo dialogo com nós mesmos.E assim vamos transcrevendo fatos, lembranças, alegrias , homenagens , tudo direcionado a fases de nossas vidas , sejam elas boas ou tristes .São inúmeros os momentos marcantes na nossa caminhada por esse “mundão de Deus”e nada melhor do que arquivarmos alguma coisa que marca o nosso coração bem lá dentro no seu âmago."( rosa guerrera)

rosa guerrera

Blog flor da paz e cariricaturas.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Movimento-tempo-destino? – por Carlos e Magali

Quais as equações da Física que combinam movimento-tempo-destino? Algo implacável que as leis do movimento não contemplam? Será que a jovem cratense cuja vida foi prematuramente ceifada ao meio-dia de ontem teria de estar na posição de choque com um caminhão naquele exato instante, caso se atrasasse ou se adiantasse alguns segundos? De nada valem tais conjecturas quando uma vida preciosa se esvaiu. Não acreditamos em destino, coisas que alguns dizem de que temos hora marcada para o encontro definitivo com Deus. Que chegando a hora, não podemos evitar a partida definitiva. Deus é o Senhor de tudo, sabemos, mas Ele não deseja a partida prematura de uma jovem cheia de sonhos e com um extraordinário potencial de realizações em benefício da humanidade. Ele quer que todos nós tenhamos uma vida longa e cheia de realizações. De modo algum Ele iria nos privar de um dos seus inúmeros instrumentos benéficos, como a vida de uma futura médica. Uma vez que Ele nos colocou no mundo, deixou-nos como administrador do nosso próprio destino, não lhe cabendo, pois, essa missão. Entretanto não podemos evitar a irresponsabilidade de muitos ou as armas que o homem constrói, entre elas o automóvel. Ninguém está livre de uma bala perdida ou de um irresponsável que atravessa uma carreta numa rua desatentamente, sem nenhuma preocupação com o outro. Por maior cuidado que tenhamos, sempre haverá um risco, por menor que seja. O de estar vivo é um deles. Quem poderá talvez livrar-se dos instintos daqueles que se sentem fortes e potentes ao volante de um caminhão? Daqueles, como que por milagre, sentem-se imortais ao conduzir pelas estradas máquinas potentes, sem nenhum respeito ou preocupação pela vida de seus semelhantes?

A morte de uma jovem nos dói profundamente. É uma perda que todo aquele que é pai ou mãe pode compreender a sua real dimensão. E que dizer, quando essa jovem é filha de um amigo, ex-colega dos bancos escolares e companheiros do Encontro de Casais com Cristo, como o foram Walter e Elsa? Assim sendo, nos colocamos na posição dos pais da jovem para prestar nossa solidariedade e desejar que eles encontrem na confiança em Deus o esteio de que necessitam neste momento de extrema dor. E a certeza de que eles têm junto de Deus, uma filha que pedirá a Ele que abençoe, dê paz e consolação aos seus pais terrenos.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali de Figueiredo Esmeraldo