Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

70 anos da ordenação sacerdotal de Dom Vicente Matos -- por Armando Lopes Rafael

   Busto de Dom Vicente Matos -- colocado por iniciativa de seus admiradores --  na Praça da Sé. Nenhuma rua de Crato foi denominada em homenagem ao maior benfeitor desta cidade.

   O calendário das pequenas efemérides do Cariri assinala neste 2012 – mais precisamente  no dia 29 de novembro – os 70 anos da ordenação sacerdotal de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, terceiro bispo de Crato. Recém-ordenado,  o jovem padre Vicente Matos recebeu a missão de ser o primeiro administrador da recém-criada Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, da cidade de Capistrano, à época pertencente à Arquidiocese de Fortaleza.
  

Em Capistrano, o padre Vicente Matos encontrou como igreja-matriz uma capela singela e de pequenas dimensões, embora dotada de um tradicional cruzeiro a sua frente (foto à esquerda). Naquela cidade, ele demonstrou os primeiros sinais do espírito empreendedor de que era dotado. Deve-se ao padre Vicente Matos a construção da nova e imponente igreja-matriz da paróquia de Capistrano, (foto abaixo,  à direita) hoje integrando a diocese de Quixadá.
  
Logo,  o arcebispo dom Antônio de Almeida Lustosa percebeu as virtudes do jovem padre Vicente Matos, dentre as quais sobressaiam os dotes de um pastor zeloso, prudente, dinâmico, firme e compreensivo. Por isso convocou-o para dirigir o Colégio Arquidiocesano, em Fortaleza, o que ele fez com responsabilidade e competência entre  1947 e meados de 1955.
Dom Vicente Matos (penúltimo à direita) é visto nesta foto de 1960, sendo recebido pelo então Presidente da República, Juscelino Kubitschek,juntamente com outros bispos brasileiros,  nos primeiros dias de Brasília como nova capital.

    Em 21 de abril de 1955 foi eleito bispo. A edição do jornal “O Povo” de Fortaleza, do dia 26 do mesmo mês,  abaixo da manchete “Pio XII nomeia sacerdote cearense”, publicava a seguinte notícia: “Mais um sacerdote cearense acaba de ser distinguido pelo Papa Pio XII. Trata-se do virtuoso padre Vicente de Paulo Araújo Matos, que, pela nomeação papal, recebeu o título honorífico de bispo titular de Antioquia no Meandro. Irá coadjuvar dom Francisco de Assis Pires na Diocese de Crato”.

     Como sucessor dos Apóstolos, adotou o lema – sugerido por dom Antônio de Almeida Lustosa –, Vicenti Dabo Manna” (Ao vencedor darei o maná). Este lema, retirado do livro do Apocalipse, é uma alusão ao prenome do novo bispo, “o qual, fortalecido pela Eucaristia e com as bênçãos da Virgem Maria, vivamente deseja vencer, na terra, e chegar ao banquete celeste de que é símbolo o maná”.

   Dom Vicente Matos chegou a Crato, como bispo-auxiliar, em 15 de agosto de 1955. Em 22 de janeiro de 1961 foi nomeado terceiro bispo desta diocese, sucedendo a Dom Francisco. Aqui permaneceu até 1º de junho de 1992, quando renunciou à Diocese por motivo de saúde. Foram, portanto, 37 anos de doação, sofrimentos e vitórias de um  fecundo episcopado em terras do Cariri.

    O que dom Vicente Matos realizou na diocese de Crato lembra a obra de um gigante! Dentre as suas muitas realizações podemos lembrar: criou dezoito paróquias; ordenou trinta e sete sacerdotes. Deve-se a ele a fundação do Instituto de Ensino Superior do Cariri, mantenedor da Faculdade de Filosofia de Crato e embrião da atual Universidade Regional do Cariri.

Foram, também,  iniciativas de Dom Vicente a construção do imponente Centro de Expansão Educacional (localizado no bairro Grangeiro) que hoje leva seu nome; a Rádio Educadora do Cariri; a Empresa Gráfica Ltda., que editava o jornal “A Ação”; a criação da Fundação Padre Ibiapina, instituição de amplo alcance social que desenvolve trabalho de Evangelização, Cursos de Treinamento e as Pastorais da Criança, da Educação e da Saúde, além de mantenedora da  atual Faculdade Católica do Cariri, criada recentemente por dom Fernando Panico. A Dom Vicente se deve ainda a criação dos primeiros Sindicatos dos Trabalhadores Rurais no Sul do Ceará; a criação e construção do Ginásio Madre Ana Couto e do Colégio Pequeno Príncipe; a criação da  Escola de Líderes Rurais; da Organização Diocesana de Escolas Profissionais, dentre outras iniciativas.
Um grande bispo!
O maior benfeitor do Crato ao longo da quase tri secular existência desta cidade...

(Texto: Armando Lopes Rafael)

A virada do ano - Por Claude Bloc


Sabemos que a virada de ano não passa de um limite cronológico, mas movidos pela tradição damos a essa passagem o clima que almejamos: fazer brindes, vestir o branco, comer lentilha, distribuir louros, dentre outras crendices e simpatias.

Movidos por superstições e contagiados pela oportunidade de um novo começo, consideramos muitas vezes que talvez seja a hora de mudar. E a mudança vai brotando pouco a pouco da consciência que se concretiza na química que nasce da união: coração e mente.


Para muitos, quem sabe, seja a hora de parar de fumar, de recuperar a boa forma, de buscar o novo trabalho, de comprar um carro, de encontrar a cara-metade, de morar na casa própria... Tanta coisa! Melhor seria, porém, que, ao mesmo tempo, tivéssemos olhos para as conquistas abstratas, para a renovação dos nossos valores e prioridades.

Sabemos que a felicidade tão buscada não é um bem material como muitos insistem em imaginar, mas um estilo de vida que se adota e se preserva em cada atitude, em cada pensamento, em cada palavra. Seguimos, no entanto, nossa estrada, muitas e muitas vezes, como meros passageiros rumo a destinos incertos, imaginando que essa felicidade esteja fora dos nossos domínios, esquecendo-nos de olhar para dentro de nós mesmos onde poderíamos percebê-la tão próxima e tão emaranhada em nossas emoções.

Que o Ano Novo exerça essa magia e esse poder de nos induzir à reflexão e que o respeito seja a moeda essencial nas nossas relações humanas. Que o mundo resgate o dom de se renovar e se reinventar em suas verdadeiras evoluções, sem maquiar as atitudes que nos fazem reféns de sonhos vazios.

Claude Bloc

domingo, 1 de janeiro de 2012

Atitudes - Emerson Monteiro

Trabalhar propósitos neste início de ano corresponderá ao planejamento do novo período em formas que melhor signifiquem os ideais do bom viver. Saber traçar programas para o exercício da liberdade. Dominar ao máximo os caprichos do destino através dos meios disponíveis. Fixar as metas do sucesso até onde haja as possibilidades, neste chão comum, através dos métodos dados pela humana sabedoria.

Contudo as tais postulações exigem providência inevitável desse procedimento. São as atitudes. Sim, atitudes que representam a seriedade como encarar os individuais planejamentos. Elaborar planos sofisticados, mirabolantes, raiando por vezes pretensões além das forças, enfraquece a energia dos seus autores.

Dizer isso e imaginar que planejar estabelece metas e objetivos; condiciona itens de sinceridade consigo próprio, semelhante a prometer, empenhar a palavra, com relação aos propósitos estabelecidos. E a tradição dos tempos indica o peso das promessas. Promessa é dívida, qual sempre afirma a população. Simboliza palavra empenhada, enquanto palavra equivale à expressão de quem dela faz uso. Dívida tanto pessoal quanto coletiva. Homem sem palavra é ser inexistente que habita fora da realidade.

Isso de encher o tempo de conversa pelo ar passa distante das produções necessárias e dos resultados práticos. Atitude vale a vida dos propósitos. Escutar isto no princípio deste novo calendário acordará os brios internos da gente, conquanto atenda às vontades formuladas (quem sabe?) décadas atrás. Desejos fortes ainda no berço que agora vêm à luz, neste começo de história.

Bom praticar o planejamento qual norma de respeito para com a verdade dos propósitos firmados dentro de si, a busca dos valores importantes da personalidade valiosa.

Que os objetivos traduzidos nas promessas deste novo ano encontrem respaldo nas atitudes, daqui em frente, que virão facilitar os passos de todos. No instante quando acontecem tais realizações positivas, as portas abrirão de jeito natural e obter-se-ão os frutos da Paz nos corações.

Um país tocado pela improvisação e demagogia

Transposição cada vez mais cara

 
(Artigo publicado no Estadão, edição de 01 de janeiro de 2012)

Decidida e iniciada às pressas por interesse político-eleitoral, sem que houvesse estudos que dirimissem dúvidas quanto à sua viabilidade econômica nem projetos executivos para assegurar a boa execução dos trabalhos, a transposição do Rio São Francisco está ficando cada vez mais cara para os contribuintes e ainda não se sabe quanto, afinal, custará nem quando estará concluída. Responsável no governo pelo projeto, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, agora anuncia que, mesmo depois de licitadas todas as obras necessárias e assinados os respectivos contratos, nova licitação terá de ser feita, ao preço de pelo menos R$ 1,2 bilhão, para recuperação do que se deteriorou e execução do que deveria ter sido feito, mas não foi.

O custo de R$ 5 bilhões, anunciado quando as obras foram iniciadas, em 2007, vem sendo revisto desde então. Se as novas obras a serem contratadas ficarem no valor previsto pelo governo, o total alcançará R$ 6,9 bilhões. Mas ainda não se sabe quanto mais será gasto com a nova licitação. "Só vamos ter certeza do valor quando concluirmos o processo licitatório e fecharmos o contrato", disse o ministro ao Estado. Isso ainda levará algum tempo, pois o ministro pretende lançar a licitação em março.

Certamente, quando o contrato for fechado, o ministro e todos os brasileiros saberão quanto mais custará esse projeto eleitoreiro idealizado pelo ex-presidente Lula e que sua sucessora Dilma Rousseff se comprometeu a concluir. Mas nem depois de fechados os novos contratos se terá certeza de que não haverá outros custos adicionais.

A transposição do São Francisco é uma amostra exemplar do padrão de gestão petista. Decisões são tomadas não com base em cálculos econômico-financeiros ou estudos sobre a importância e a urgência do projeto para a região e para o País, mas tendo em conta os interesses do PT e de seus aliados de ocasião.

Em obras essenciais, projetos são mal elaborados - às vezes nem existem projetos executivos -, o que abre espaço para renegociações de preços, que o Tribunal de Contas da União (TCU) vem acompanhando com atenção, tendo vetado várias delas, e para a execução de serviços em condições inadequadas, e que por isso precisam ser refeitos, com custos adicionais para o contribuinte.
No início de dezembro, a reportagem do Estado percorreu trechos das obras da transposição em Pernambuco e constatou a existência de estruturas de concreto estouradas, vergalhões de aço abandonados e enferrujados, paredes de contenção rachadas e canteiros de obras fantasmas. Muito do que havia sido executado estava se perdendo, por falta de continuidade das obras - outra característica do governo petista, que, por deficiência administrativa, não tem conseguido assegurar o ritmo normal de execução de vários projetos. Na ocasião, o ministro disse que a recuperação não implicaria custos adicionais para o governo.

Agora, reconhece que haverá novas licitações. "Não diria que foi erro de projeto, mas o projeto básico não estava detalhado e foi incapaz de identificar as situações de campo", disse, ao tentar justificar a paralisação dos trabalhos em diversos setores, a revisão de contratos e a realização de nova licitação. É uma confissão de que não havia projetos adequados para uma obra das dimensões da transposição.

Para o objetivo político-eleitoral a que se destinava, a obra já cumpriu seu papel, pois o projeto de transposição foi um dos maiores responsáveis pela esmagadora vitória que a então candidata do PT obteve nos municípios que serão diretamente beneficiados - e, por dever de gratidão eleitoral, ela assumiu o compromisso de concluir a obra.

Tendo chegado ao estágio que chegou, é importante que a obra seja concluída, no menor prazo e ao menor custo possíveis. Mesmo usada como peça de propaganda eleitoral, a obra está muito atrasada. O ex-presidente Lula queria inaugurar o Eixo Leste em seu mandato, mas faltam 30% das obras. A nova previsão é a inauguração no fim do mandato da presidente Dilma Rousseff. O Eixo Norte tem menos de metade das obras pronta e não estará concluído antes de dezembro de 2015.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O último "delírio" de Hugo Chávez -- por Armando Lopes Rafael

Durante seu chato e entediante programa semanal de rádio, o semiditador venezuelano Hugo Chávez, foi acometido de novo delírio. O bufão bolivariano, após prestar solidariedade à presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que iniciará um tratamento de combate a um câncer de tireoide, afirmou estranhar o fato de cinco chefes de Estado da América Latina estarem sofrendo do mesmo mal: tumor maligno.

Para Chávez, há uma estratégia liderada por norte-americanos para minar os líderes latino-americanos que se identificam com a ideologia esquerdista. Além do próprio, o caudilho lembrou que fizeram – ou estão fazendo – tratamento contra câncer: Dilma Rousseff, Fernando Lugo, Lula e Cristina Kirchner.
Muitas vezes me pergunto o que fez o povo venezuelano para merecer um governante do naipe do coronel Hugo Chávez. Há quase quinze anos no poder, onde implantou um regime socialista e vem se “reelegendo” – por meio de eleições fraudulentas e amordaçamento da mídia, além da perseguição aos dissidentes –, o caudilho Chávez vem destruindo a economia da Venezuela, que só conheceu retrocesso e nenhum avanço em termos econômicos, apesar de aquela nação ser uma das maiores produtoras mundiais de petróleo.

Despreparado, prepotente, colérico e por vezes irascível, Chávez promove – em meio às bravatas e demagogia – o culto a sua personalidade. É comum o culto à personalidade dos dirigentes de governos ditatoriais – como ocorre em Cuba e na Coreia do Norte – ou populistas, como é o caso da Venezuela. Culto à personalidade – define a Wikipédia – é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes – reais e/ou supostas – do governante, bem como da divulgação positivista de sua figura. Esse culto inclui constante bajulação ao chefe do governo, por parte dos meios de comunicação – por ele controlados – além de perseguição às pessoas que não rezam pela cartilha do caudilho. Isso ocorre no cotidiano da Venezuela.

Enquanto isso as instituições democráticas da Venezuela passaram pelo processo da deterioração. Além do mais, o petróleo responde hoje por 95% das receitas de exportação daquele País, por 55% do orçamento federal e por cerca de 30% do PIB, configurando-se em uma economia primária e pouco desenvolvida, que importa a maior parte de seus bens e serviços. A inflação está na casa dos 30%, apesar de manipulação dos dados – para menos – feitas pelas autoridades bolivarianas. Falta hoje praticamente de tudo nos supermercados, a começar por papel higiênico, gêneros alimentícios e produtos de limpeza.

Como se não bastasse, a Venezuela, desde 2009 vem sofrendo com apagões sistemáticos, tendo em vista que o governo não investe em infraestrutura, fazendo com que as suas principais usinas hidrelétricas - que fornece mais de 35% da eletricidade do país - estejam quase fechando.

Enquanto isso, as seguidas estatizações feitas por Chávez estão levando a Venezuela rumo ao abismo. Pior: outros dirigentes latino-americanos estão seguindo os caminhos desastrosos de Chávez, como é o caso dos presidentes da Bolívia, Equador e Nicarágua. Como bem definiu a Sagrada Escritura, "Quando um cego conduz o outro, os dois vão para o abismo".

Para desviar a atenção do infeliz povo venezuelano para a sua tragédia, toda semana Hugo Chávez apresenta um programa de rádio onde destila suas loucuras. Esta semana acusou os Estados Unidos de provocar o câncer em líderes latino-americanos...
Conta outra, Chávez!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Esperança significativa - Emerson Monteiro

Sob as irradiações do ano que se aproxima há tendência de falar palavras doces a quem resistiu incólume os derradeiros 365 dias que, pouco a pouco, mergulharam no silêncio do passado. Contraditórios, entretanto, qual esta raça aventureira que habita as léguas deste chão desde o início. Tintos de sangue, troados de canhões, sacudidos de fenômenos naturais. Idos e vividos, transcorrem esses dias no coração das pessoas. Nalgumas, porres homéricos; noutras, fervorosas preces da contrição mais fiel. Raça esquisita, às vezes calculista, supersticiosa. Lava as mãos aos desmandos de elites dominantes, porém chora aos barris quando seu time sofre as derrotas dos campeonatos suburbanos. Ri às gargalhadas diante dos... Ih! quase esquecia que o bom humor anda em baixa e não caberia bem numa comparação. Chora e ri de tudo, ainda que o riso custe caro lá adiante. Bom, isso compõe o enredo das peças encenadas nos palcos dos dias acinzentados ora sofridos. Ninguém queira mover uma palha, pois reagiríamos a ferro e fogo na busca dos direitos negados.

No entanto, vamos nós pelos caminhos do mundo na busca firme dos novos períodos legislativos, novas possibilidades de lucro, outros jornais de manchetes parecidas na relação dos séculos, ruas esburacadas, carros reluzentes, descidas e subidas dos ídolos de barro, flores vivas nos jardins das praças, progressos e civilizações armadas.

Nada melhor, por isso, do que palavras férteis, ricas das fortes doses de imaginação positiva. Florescimento de amores. Luzes de revelações agradáveis. Descobertas de medicamentos poderosos para vencer males do corpo e do espírito. Gostos refinados em músicas inspiradas, ritmos animando as ruas dos movimentos revolucionários. Justiça aprimorando costumes a toda velocidade. Governantes honestos das janelas dos palácios comandando as coletividades em fases incríveis de intensa felicidade; boas administrações públicas afinal. Trabalho envolvente das massas na construção de cidades bonitas, sonhos de morar e passear. Jovens estudiosos a substituir, com sabedoria, os avós e os pais, na festa coletiva da renovação, plena de tranquilidade e paz. Tudo prenúncio, portanto, deste ano que começa cheio de transformação verdadeira na mentalidade humana rumo aos valores brilhantes que adquirimos nas horas anteriores, com sobra de mantimentos. Só a esperança da virtude que supera os erros abandonados. Só o amor em todos, nos dias e meses desta data que logo envolverá de bênçãos o futuro e a história, assim desejo a todos, comigo aqui também.

GRANDE ESPERANÇA PARA 2012


Pedro Esmeraldo

Final de ano queira Deus que não se repitam os mesmos acontecimentos negativos que ocorreram ultimamente.

Infelizmente, nesta pequena grande cidade esquecida pelos políticos da capital que a abandonam, deixando o cratense atoleimado, pois não houve solução que fosse favorável e o Crato caiu no estaleiro da desinteligência política. Não foi coberta com bons procedimentos devido à morosidade dos políticos da terra, visto que entregaram facilmente os pontos da linha enfiada em dois furos pela agulha, não percorrendo os pontos unidos do progresso equilibrado. Não houve nenhuma ligação favorável ao desenvolvimento do progresso financeiro.

Dizemos que os nossos políticos aparvalhados vagam ao acaso irreprimível, visando palavras más e querendo enganar o nosso povo com gestos abomináveis, caindo na constância do desprezo do povo.

De vez em quando, aparecem uns querendo ser agradados com cortesias bajulatórias ou querendo receber distinções honoríficas prometendo reagir e o Crato não é contemplado com obras igualitárias ao seu desenvolvimento.

Notamos bem que, vez por outra, há a entrega de comendas às pessoas sóbrias que sempre merecem ser contempladas, mas ao mesmo tempo este digno povo espera retribuição, pelo menos conservar o pouco patrimônio que nos resta e não permitir mais que seja retirado daqui o resto do patrimônio que nos pertence. Acontece, porém, que aqui e ali aparecem pessoas contempladas mas com gestos irritadores que vem sempre nos deixar vagando à toa e não nos leva a lugar nenhum com gestos falsos e contraditórios.

Rogamos a Deus com muita fé que nos retorne os políticos fortes e ambiciosos como os de antigamente e que nos traga boa fatia do progresso com entusiasmo e concluído com aparência o desenvolvimento equilibrado o que tudo indica alcançaremos com esperança, o pensamento positivo dotado de qualidade técnica.

Vejam bem, pedimos que conclua as obras danificadas. Pedimos graças para que lutem em prol da casa própria e traga bons momentos referentes ao equilíbrio administrativo, unindo todas as forças vivas na campanha eleitoral com pessoas de qualidade no ano de 2012.

Vamos à frente, vamos lutar, acabem as intrigas políticas, já que oposição não significa intrigas, mas sim bom senso. Avante pessoal para bons momentos no ano de 2012.

Crato-CE, 28/12/2011

Autor: Pedro Emeraldo


Pensamento para o Dia 29/12/2011


Pensamento para o Dia 29/12/2011
“Todo mundo procura e se esforça para estar em paz consigo mesmo e com a comunidade ao redor. As pessoas têm tentado obter essa paz acumulando riqueza, o que dá poder sobre os outros e a capacidade de controlar conveniências e confortos. Alguns têm procurado posições de autoridade e influência para que possam moldar eventos adequados para seus propósitos e fantasias. Infelizmente, esses caminhos são cercados de medo e a paz que é obtida por esse modo é passível de extinção rápida e às vezes violenta. Paz Verdadeira (Shaanthi) só pode ser alcançada através do Amor! É o fruto da árvore da vida. Esse fruto de essência doce é envolto por uma casca amarga. A casca amarga simboliza as seis paixões que envolvem o coração amoroso do homem: luxúria, ira, avareza, apego, orgulho e ódio. Aqueles que removem o exterior através da disciplina dura e consistente atingem a doçura interior - a paz tão desejada; essa paz é eterna, imutável e irresistível.”
Sathya Sai Baba

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

De repente - por Claude Bloc



De repente  a Terra despiu-se de suas vaidades e de forma inesperada olhares e gestos tornaram-se confiantes.

Homens, e mulheres puderam encontrar-se com suas diferenças, com suas cores, seus credos e suas bandeiras...

Hoje o Crato inteiro conjugou-se no amor e já não mais imperam as tristezas.

Reina a Chapada e os seus deuses de pedra esculpidos pelo tempo e pelos ventos.

E de repente, a paz deixou de ser fantasia...

Claude Bloc


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Assim é o NATAL!

Este ano resolvi fazer tudo diferente. Procurei o ambiente para viver um Natal de sorrisos e prenhe de carinho e de amizade. A casa simples e a mesa farta eram os condimentos necessários para o clima natalino que eu precisava (e que todos ansiavam). Escolhi o lugar certo, a família certa, e me misturei entre os sorrisos e as brincadeiras costumeiras da casa, entre essa gente amiga de uma vida inteira.

Cresci entre essa gente, na Serra Verde, no Crato. Fiz-me madrinha, fiz-me amiga, fiz-me irmã. Crescemos juntos. Vivemos sempre unidos pelo sentimento de fraternidade. Choramos juntos, sorrimos juntos... E nos momentos difíceis, sempre soubemos com quem contar. 

É assim que protegemos uns aos outros. Confiamos. Respeitamos as diferenças e acatamos de bom grado as semelhanças e bons gostos. É assim que caminhamos de mãos dadas. Olhos atentos nessa estrada que se estende à nossa frente, onde nos conduzimos movidos pela VIDA.

Assim é o NATAL que penso e gosto: o reencontro, o convívio solidário, o renascer a cada dia.


Famílias: Dantas, Firmino, Bloc

Leitura de um texto de Mundinha Dantas - por Adriana
Zé Firmino (vovô) e Amanda - troca de presentes do "amigo secreto"
Gil curtindo a sobrinha
Altos papos (Ronaldo, Mundinha, Claude)
Claude Bloc

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Lembrando Macário de Brito Monteiro



(Palavras pronunciadas por Helder Macário de Brito na Missa de 7º dia pela Alma de Macário de Brito Monteiro)
 Em nome do grupo de amigos despretensiosos da Farmácia Gentil –  onde Macário tinha cadeira cativa – e no meu próprio nome como seu primo e amigo, desejo dizer à sua família do nosso sentimento, da nossa tristeza pelo passamento do nosso grande e inesquecível amigo. Desejo dizer que, também nós,  sentiremos muito a sua falta, a sua figura de homem bom, sério, prestativo, sereno, respeitável, calmo, responsável, digno de poucas palavras permanecerá para sempre em nossas lembranças.

   Sabemos da dor e da tristeza porque todos passam nestes dias por essa perda irreparável.
   Se conhecêssemos palavras que trouxessem conforto, nós diríamos, apressados, para confortá-los. Mas, infelizmente, palavra nenhuma tem esse poder.

   O tempo tem a capacidade de, aos poucos, ir amenizando alguns desses sentimentos, mas só a fé e a certeza de que só quem alcançará o caminho certo, rumo à luz, rumo ao lugar frente a frente com o Senhor, após a nossa partida definitiva, será quem – aqui entre nós – tiver conquistado todo esse itinerário.

    Conquistará o seu novo caminho e bom lugar:

 Quem sempre só praticou boas ações;
 Quem sempre soube se impor, sem arrogância, sem humilhar ou ter inveja;
 Quem sempre, quando necessário, soube doar-se e doar para ajudar alguém;
 Quem sempre usou de consciência e bom senso para resolver qualquer impasse;
 Quem sempre prestou favor, sem pensar no seu retorno;
 Quem sempre deixou de se apropriar de algo alheio, mesmo estando a sua disposição.
 Quem sempre foi justo, complacente, fiel e soube perdoar;
 Quem sempre foi simples, humilde e soube fazer amigos;
 Quem sempre foi paciente, compreensivo e jamais discriminou alguém;
 Quem sempre foi leal, nunca falso ou dissimulado;
 Quem sempre, mesmo sem muito falar, mas com atitudes firmes, soube dar bons exemplos.

   Quem fez tudo isso como Macário fez, com muito louvor, sempre teve Deus no coração e, se ainda, com disciplina, ordem e lucidez desempenhou sublimes missões aqui entre nós, como a de filho, de irmão, de tio, de esposo, de pai, de sogro, de avô, de amigo e cidadão, ele, com certeza e merecidamente, alcançará o seu novo caminho que o conduzirá ao seu bom lugar, junto ao Senhor, com quem ele, além de tudo por ser também religioso tinha a sua aproximação.

   É exatamente esta fé, esta certeza que nos trarão alento, que nos trarão conforto!
   Apeguemo-nos a isto!
   Pelo tudo que nosso amigo foi e fez, nós o teremos sempre em nossos corações.
   A todos o abraço dos que fazem a roda de amigos da Farmácia Gentil e o meu abraço muito fraterno.
Hélder Macário de Brito
Crato, 14 de dezembro de 2011.

Um dos Netos dos Irmãos Anicetos-Wilson Bernardo.

Para minha amiga e muitas saudades Edilma Rocha...
A magia dos Pifanos anicetianos...
Wilson Bernardo-Fotografia

domingo, 25 de dezembro de 2011

MAIS FUNDO




Eu queria olhar nos seus olhos e contar reflexos, mais fundo, mais fundo.

Eu queria te encontrar um dia desses e assistir você ensaiar um discurso qualquer para uma pessoa que eu desejaria que fosse eu. Mais fundo, mais fundo.

Eu queria levar você para um outro lugar, para dentro de mim. Mais fundo, mais fundo.

Eu queria te dizer como eu realmente te vejo e contar coisas que você nem sonha imaginar. Mais fundo, mais fundo.

Eu queria flanar com você por caminhos que só você conhece, deixando você me mostrar o que há de bom nesse mundo insosso. Mais fundo, mais fundo.

Eu queria contar copos e sedas enquanto um filme qualquer passeia pela tela e nos leva para mais fundo, mais fundo.

Eu queria brincar dedos pelo seu pescoço e sentir sua pele protestar em silêncio. Mais fundo, mais fundo.

Eu queria mergulhar em você. Mais fundo, mais fundo...

Marielle Zum Bach(www.,utopiada.blogspot.com)
imagem: Internet
 *** Natal todo dia  ***

(Roupa Nova)



Um clima de sonho se espalha no ar
Pessoas se olham com brilho no olhar
A gente já sente chegando o Natal
É tempo de amor, todo mundo é igual

Os velhos amigos irão se abraçar
Os desconhecidos irão se falar
E quem for criança vai olhar pro céu
Fazendo pedido pro velho Noel

Se a gente é capaz de espalhar alegria
Se a gente é capaz de toda essa magia
Eu tenho certeza que a gente podia
Fazer com que fosse Natal todo dia

Se a gente é capaz de espalhar alegria
Se a gente é capaz de toda essa magia
Eu tenho certeza que a gente podia
Fazer com que fosse Natal todo dia

Um jeito mais manso de ser e falar
Mais calma, mais tempo pra gente se dar
Me diz porque só no Natal é assim
Que bom se ele nunca tivesse mais fim

Que o Natal comece no seu coração
Que seja pra todos, sem ter distinção
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for
O melhor presente é sempre o amor

Um Natal feliz e um 2012 espetacular!

 Este foi especial para os amigos





Abraço natalino,

Claude

O sangue dos pobres - Emerson Monteiro

Consta na relação dos fenômenos extraordinários atribuídos a São Benedito, o Mouro, santo católico de origem árabe, que, quando administrava a cozinha do Convento dos Capuchinhos onde morava, e após a ceia dos monges eremitas, ele sempre oferecia aos pobres que habitavam as comunidades próximas sopa por demais substanciosa. Famintos, saciariam a fome diante da boa vontade daquela refeição caritativa dos inícios de noite. O meio que religioso utilizava era reaproveitar as sobras que ficavam da preparação dos alimentos principais, restos de verdura, gorduras de carnes, caldos de fervuras, substâncias que de comum seriam jogadas fora.

Os noviços responsáveis pelas rotinas do estabelecimento, no entanto, nutriam pouca disposição de, além dos afazeres regulares, ainda pegarem as sobras para constituir a sopa dos necessitados, e dificultavam o trabalho que resultaria no sustento da longa fila andrajosa dos mendigos.

Com isso, aos seus modos humildes, São Benedito, repetia com insistência que eles, os auxiliares, indiferentes, derramavam o sangue dos pobres. Inúmeras vezes aconteciam os conselhos sem clara manifestação de produzirem os devidos frutos.

Até que, belo dia, o frade, utilizando a estopa de limpeza do balcão onde preparavam os pratos, nela recolheu os mantimentos que iriam a caminho da lixeira e, em seguida, com força, espremeu o tecido, às vistas de todos em volta, reafirmando o sempre dizia:

- Meus irmãos, vejam, na verdade, que o que fazem é derramar o sangue dos pobres – enquanto, na mesma hora, escorria sobre a bancada o mais puro e expressivo sangue humano, razão de espanto dos presentes, passando esta a ser uma das ocorrências analisadas com mérito quando da canonização do virtuoso santo.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Um Feliz Natal a todos os Leitores do Cariricaturas !

http://4.bp.blogspot.com/-0EgiskawHuI/TvYz2di2Z8I/AAAAAAAAcrU/b2BIMT634FI/s1600/Feliz_Natal4.jpg

Hoje, uma noite da cristandade, cuja tradição já perdura por mais de 2000 anos. É tempo de renovar alianças, de buscar viver a melhor das vidas, a vida do entendimento, da compaixão e do perdão; A vida que nos leva a amar e respeitar o próximo como a nós mesmos, seguindo os ensinamentos do nosso mestre Jesus. Tempo de pensar na nossa jornada, naquilo que fizemos e no que pretendemos realizar. É sobretudo, tempo de amor. Amor em todas as suas formas. O amor que nos leva sempre a trilhar o caminho certo e a buscar a plena realização dos nossos sonhos. É tempo de Felicidade!

O Blog do Crato deseja a todos os leitores do Blog Cariricaturas, escritores e colaboradores um Feliz Natal, e um Ano Novo de muita Saúde, Paz, Alegrias e Sucesso!

Dihelson Mendonça
Em nome de todos os que fazem parte dessa imensa família Cratense.

www.blogdocrato.com
Há 7 Anos, o Crato na Internet

A Missa do Galo em Juazeiro há 140 anos -- por Renato Casimito

No dia de hoje, há exatos 140 anos, o reverendíssimo Pe. Cícero Romão Baptista, recentemente ordenado (Fortaleza: 30.11.1870), atendia o convite do casal Semeão Correia de Macedo (ela, Rosa Amélia de Macedo), segundo professor régio do povoado, para a celebração da missa da vigília natalina. Naquele ano, a capela do povoado não dispunha de capelão fixo, pois o Pe. Pedro Ferreira de Melo – o quinto capelão do Joaseiro, havia falecido recentemente (fora encontrado morto, sozinho, na casa em que residia, no Crato).
O prof. Semeão, então, motivado pelo desejo de que os poucos habitantes do povoado (eram, talvez, umas 30 famílias) comemorassem o Natal daquele ano, foi ao Crato para convidar o novo sacerdote para a celebração. Ele aceitou e assim aconteceu. Como resultado da grande simpatia que passou a existir entre Pe. Cícero e os residentes do povoado, ele foi convidado a voltar outras oportunidades. Até que, definitivamente, passou a residir numa casa cedida pelos habitantes para acomodar a família, a partir de 11 de abril de 1872. E nunca mais o Joaseiro foi o mesmo.
(Ilustração do Almanaque Brasil (www.almanaquebrasil.com.br/index.php?...), fotos do Arquivo do Portal)
Professor Semeão Correia de Macedo e Rosa Amélia de Macedo

Feliz Natal a todos!

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  A todos os que fazem o CARIRICATURAS  

Feliz Natal ! 
Feliz Navidad!! 
Merry Christmas! 
Joyeux Nöel!

Princesa Isabel: redentora ou santa? -- por Dom Antônio Augusto Dias Duarte (*)

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira.
Comecei a escrever esse artigo no dia 14 de novembro de 2011, sabendo que há 90 anos falecia, em Paris, a primeira mulher que governou o Brasil, a princesa Isabel Cristina Leopoldina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.

Era também uma segunda-feira, e no Castelo d’Eu, na Província da Normandia, em consequência de uma insuficiência cardíaca agravada por congestão pulmonar, a três vezes regente do Império brasileiro pronunciava o seu definitivo “sim” a Deus, aceitando a morte bem longe de sua amada pátria, o Brasil.

No seu testamento feito em Paris, no dia 10 de janeiro de 1920, encontram-se os seus três grandes amores. Assim se lê nesse documento revelador: “Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha pátria”.

Inseparáveis no coração de mulher, de mãe e de regente, esses amores, vividos com fidelidade e heroísmo, constituíram o núcleo mais profundo de seu caráter feminino, sempre presente na presença régia dessa mulher – esposa, mãe, filha, irmã, cidadã – e, sobretudo, na sua função de uma governante incansável na consecução de uma causa que se arrastava lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue.

Conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecimento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira.

Sabemos que sua atuação política, inspirada pelos ensinamentos evangélicos, não foi bem acolhida na corte e na sociedade da sua época, quando a economia brasileira dependia desse sistema escravagista tão indigno do ser humano. Sabemos que sua vida católica profunda e ao mesmo tempo muito prática incomodava, a tal ponto que comentários pejorativos – tal como acontece ainda hoje quando se é autenticamente católico – sobre sua “beatice” eram muito frequentes entre os políticos da sua época. Sabemos que as suas ações beneméritas e de caridade cristã não só a levaram a abraçar essa causa abolicionista, mas também a varrer a Capela Imperial de Glória (a Igreja do Outeiro) com as mulheres escravas e a viver com constância duas das inúmeras preocupações cristãs: rezar pelo Brasil e pela conversão dos ateus.

O que sobressai nesse saber histórico e nos permite falar e agir no sentido de abrir um processo canônico de beatificação dessa primeira mulher governante do Brasil é a sua fé firme, a sua fervorosa caridade e a sua inabalável esperança cristã, que a conduziram por um caminho muito característico das pessoas que respondem à chamada, presente no sacramento do Batismo, a santidade. O caminho da defesa da dignidade e dos autênticos direitos humanos, tão necessária para a construção de um país onde a justiça social e a paz entre os homens fortalecem as relações entre todas as classes sociais, não é apenas uma atitude política, mas é uma ação própria dos santos de todos os tempos e, principalmente, da nossa época moderna e pós-moderna.

A princesa Isabel, como católica, esposa, mãe e governante do Brasil, sabia muito bem que a fé, a esperança e a caridade cristãs não conduzem a um refúgio no interior das consciências ou não são para serem vividas somente entre as quatro paredes de uma igreja, mas comprometem os católicos na busca incansável de soluções para os grandes problemas sociais da época da história na qual vivem.
Foi por isso que a princesa Isabel mereceu a mais suma distinção da Igreja Católica, a Rosa de Ouro, conferida pelo Papa Leão XIII, em 28 de setembro de 1888, um prêmio que é análogo ao atual Prêmio Nobel da Paz, e até hoje foi a única personalidade brasileira a receber essa comenda, guardada no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro.

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira. Ontem como hoje a promoção da vida dos mais marginalizados no Brasil, a defesa do “ventre livre”, onde as crianças podem desenvolver-se sem a entrada de máquinas aspiradoras e assassinas das suas vidas, a atenção social e econômica mais urgente com os “escravos do álcool, do crack, dos antivalores” que acabam com boa parte da juventude brasileira, a tolerância e o respeito pela pluralidade religiosa e a abertura ao diálogo sincero entre as diversas camadas sociais são prioridades que devem ser atendidas num esforço comum entre católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus, seguidores das religiões africanas, enfim, por todos que têm amo r pelos seus entes queridos e pelo Brasil à semelhança da princesa Isabel.

Para que no Brasil se respire a verdadeira liberdade e haja realmente unidades pacificadoras no meio das cidades espalhadas, e não em comunidades cariocas dominadas pelo tráfico de drogas, urge ter homens e mulheres, como a princesa Isabel, o frei Galvão, a irmã Dulce, etc., que com suas vidas exemplares na fé, na esperança e na caridade, sejam testemunhas vivas da santidade, que não passou de moda, pois os santos continuam sendo os grandes conquistadores e construtores do mundo onde a humanidade pode habitar.

Vale a pena considerar com pausa e reflexão essa chamada feita no início do Terceiro Milênio pelo saudoso Papa João Paulo II para a hora em que estamos vivendo na Igreja.

“É hora de propor de novo a todos, com convicção, essa medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nessa direção (…). Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um” (cf. Carta Apostólica no início do Novo Milênio, beato João Paulo II, n. 31, 6.1.2001).
(*) Dom Antônio Augusto Dias Duarte
Bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro – RJ

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Nosso Natal Tem Brasil - DVD 4 Cantos - Bate o Sino

 Nem precisa falar, basta ver!



"Onde não está Jesus, há disputas e guerras, mas onde Ele está presente tudo é serenidade e paz" (Orígenes).

Os que fazem o blog Cariricaturas formulam
-- aos colaboradores e  leitores --,
os votos de um
Santo Natal, com as bênçãos
do Divino Infante e de sua
Virginal Mãe.
Desejamos a todos um
abençoado e próspero 2012!

TV Assembleia grava matéria sobre Seminário São José de Crato


   A TV Assembleia canal 30, com sede em Fortaleza, é um veículo de aproximação e interlocução entre o Poder Legislativo do Estado do Ceará e a sociedade. Por meio desta emissora de televisão o povo cearense dispõe de um instrumento de acompanhamento do trabalho dos deputados estaduais, além de usufruir de programas educativos e reportagens de resgate da história cearense.

   Atualmente a TV Assembleia está produzindo uma matéria sobre o Seminário São José de Crato, educandário construído pelo primeiro bispo do Ceará, dom Luiz Antônio dos Santos, e inaugurado em 7 de março de 1875. A equipe que grava a reportagem – sob o comando do jornalista Marcelo Fraga – entrevistou dias atrás o bispo emérito de Crato, dom Newton Holanda Gurgel, o historiador Armando Lopes Rafael e o memorialista Huberto Cabral. Foram gravadas, também, imagens do interior daquele educandário.

Ideia do Seminário partiu do Padre Cícero

    O bispo emérito de Crato, dom Newton Holanda Gurgel, ao gravar sua entrevista forneceu ainda valiosas fotos retiradas do Álbum do Seminário de Crato, obra editada em 1925, por ocasião dos 50 anos de fundação daquele educandário. Dom Newton fez importantíssimas revelações – muitas colhidas do Álbum citado – dentre elas a de que a ideia para construir um Seminário Católico em Crato partira do recém-ordenado Padre Cícero Romão Batista, no ano de 1871. A sugestão foi prontamente acatada por dom Luiz Antônio dos Santos.

      Consta no Álbum do Seminário de Crato que, durante a construção do vetusto prédio, “De dias em dias, vinha uma turma de homens dos sítios vizinhos, chefiada pelo patrão que mandava na frente, uma rês e os mantimentos necessários para os jornaleiros. O Revmo. Padre Cícero veio, certa vez, de Juazeiro, com uma multidão de pessoas, e, segundo informação segura, fez encher muitos metros de alicerce, em um só dia”.

Embrião do ensino universitário

   Por sua vez, Armando Lopes Rafael – durante sua entrevista – lembrou que em 1922  o primeiro bispo de Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, tornou-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará. 

   Naquele ano, o bispo dotou  o Seminário São José do Curso Teológico. Este, subdividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos, e Curso de Teologia, em quatro anos, proporcionava aos futuros sacerdotes  receber em  Crato a licenciatura plena. Dom Quintino plantou, assim, a semente germinativa da Faculdade de Filosofia do Crato (criada em 1959) a qual,  por sua vez, foi  o embrião da atual Universidade Regional do Cariri – URCA, criada em 1986.

Crato tem noite de festa com a inauguração das Praças Centrais - Por: Dihelson Mendonça


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a noite de ontem ( 22 ) foi inaugurada a primeira etapa da reforma das praças centrais do Crato, em que o governador Cid Ferreira Gomes foi agraciado com o título de cidadão cratense pela câmara municipal. Foram firmados diversos convênios entre o Estado e o Município. A população se fez presente, lotando as dependências do teatro municipal Salviano Saraiva e logo em seguida, a praça Siqueira Campos. Mas nem precisamos falar muito, se uma imagem vale mais que 1000 palavras. Então, para todos os leitores do Blog do Crato, trago esta reportagem fotográfica que por hoje, quebra a nossa própria regra de só postar no máximo 4 ou 5 fotos, devido à importância do evento. Parabéns a todos os Cratenses que acreditaram neste projeto, que veio para beneficiar a nossa cidade, requalificando o centro.

Reportagem Fotográfica

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A noite foi de Cid, recebendo aí o título de cidadão cratense das mãos do Pres. da Câmara Florisval Sobreira Coriolano.

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Logo após a cerimônia no teatro, a comitiva percorreu o centro da cidade

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A verdade é que o centro ficou muito mais bonito com a nova pavimentação:

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No palco, além da presença da comitiva do governador, contou ainda com a presença do Dep. Sineval Roque, Secretário Camilo Santana e claro, o prefeito da cidade, Samuel Araripe e primeira dama, Mônica Araripe ( na foto abaixo ).

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Enfim, depois de tantos transtornos, o centro do Crato está mais valorizado. Como sempre se diz, os transtornos são temporários, mas os benefícios são permanentes.

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No início de 2012, as obras recomeçam, com a Praça da Sé e indo até a Quadra Bicentenário, seguindo este mesmo padrão. Na praça da Sé, haverá o retorno da fonte luminosa, cuja água "dançará" ao ritmo de música. Que chique... rs rs

Texto e Fotos: Dihelson Mendonça

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

FORTALEZA MAIS BONTIA NESTE NATAL - Por Edilma Rocha




Praça do Ferreira - Coral Infantil


Praça do Ferreira - Presépio


Praça do Ferreira


Praça do Ferreira


Arvore de Natal com redes


Abertura do Natal


Arvore durante o dia


Beira Mar


Praça Portugal

UM PASSEIO INUSITADO

Pedro Esmeraldo



No segundo quartel do século XX, ano de 1944, meu pai foi obrigado a ir ao Rio de Janeiro com a intenção de submeter-se a tratamento de olhos com grande perito na medicina relativa à vista.

Meu pai havia sofrido um conjunto de perturbações causadas por uma forte pancada traumática que afetou a parte mais delicada de sua esfera do globo ocular (deslocamento de retina).

Naquela época, a medicina não era tão evoluída como agora, por isso teve que enfrentar um sério tratamento com rigidez, visto que teve que se submeter a uma cirurgia complicada a fim de não perder a sua parte mais sensível da vista.

Seu médico era muito afamado no Rio de Janeiro. Era um cearense de grande projeção nacional, visto que esse médico era um expert do tratamento de vista de grande valor, já que meu pai recuperou quase total parte da visão, que era o seu grande anseio em permanecer com o trabalho até o último dia de sua vida.

Considero meu pai um grande baluarte da agricultura, foi arrojado em suas predileções. Não deixava acumular serviços, pois mesmo doente considerava-o herói na execução de suas tarefas.

Antes disso passou vários meses no Rio obedecendo todas as ordens médicas que lhe eram atribuídas pelo médico. Sofreu um período de sacrifício, concentrando todo o seu pensamento na sua vida agrícola, já que teve de viajar após o seu tratamento, de navio até Fortaleza e de trem até o Crato, percorrendo uma estrada de ferro poeirenta e de construção precária.

Ao chegar ao Crato o médico recomendou seis meses de grande repouso, sendo proibido de viajar em veículos que não tivessem posições de conforto exigidas pelo seu médico.

Ao chegar em Crato o meu pai submeteu-se a todos os conselhos médicos e por isso obteve sucesso em sua cirurgia.

Um dia, em pleno três de junho daquele ano teve início a moagem de cana no engenho distante de sua residência. No mesmo dia partiu a pé, às duas horas da madrugada com um amigo e dois filhos mais velhos. Este próprio que escreve e o mais novo Antonio Alcides. Ficava com a distância de doze quilômetros de sua residência e deslocou-se vagarosamente cumprindo as exigências médicas. Foi uma viagem de sacrifício e de bons momentos, visto que tivemos um dia maravilhoso pois saboreamos puro mel de engenho e o apetitoso caldo de cana.

Quando a noite chegou, impetuosamente extasiado da canseira, tivemos que fazer o mesmo percurso, já cansados e enfadados e com a fadiga dos trabalhos do dia.


Crato-CE, 20/12/2011


Autor: Pedro Esmeraldo

Histórias do Brasil Real, Brasil verdadeiro -- II

A luz do baile – por Monteiro Lobato


O juiz era honesto, se não por injunções da própria consciência, pela presença da Honestidade no trono. O político visava o bem publico, se não por determinismo de virtudes pessoais, pela influencia catalítica da virtude imperial.

As minorias espiravam, a oposição possibilitava-se: o chefe permanente das oposições estava no trono. A justiça era um fato: havia no trono um juiz supremo e incorruptível. O peculatário, defraudador, o político negocista, o juiz venal, o soldado covarde, o funcionário relapso, o mal cidadão enfim, e mau por força de pendores congeniais, passava, muitas vezes, a vida inteira sem incidir num só deslize. A natureza o propelia ao crime, ao abuso, à extorsão, à violência, à iniquidade – mas sofreava as rédeas aos maus instintos a simples presença da Equidade e da Justiça no trono.

Ignorávamos isso na monarquia.

Foi preciso que viesse a republica, e que alijasse do trono a Força Catalítica para patentear-se bem claro o curioso fenômeno.
A mesma gente, o mesmo juiz, o mesmo político, o mesmo soldado, o mesmo funcionário até 15 de novembro honesto, bem intencionado, bravo e cumpridor dos deveres, percebendo, na ausência do imperial freio, ordem de soltura, desaçamaram a alcateia dos maus instintos mantidos em quarentena. Daí, o contraste dia a dia mais frisante entre a vida nacional sob Pedro II e a vida nacional sob qualquer das boas intenções quadrienais que se revezam na curul republicana.

Pedro II era a luz do baile.
Muita harmonia, respeito ás damas, polidez de maneiras, joias d’arte sobre os consolos, dando o conjunto uma impressão genérica de apuradíssima cultura social.
Extingue-se a luz. As senhoras sentem-se logo apalpadas, trocam-se tabefes, ouvem-se palavreados de tarimba, desaparecem as joias..."
A seriedade nos negócios deixou de ser uma virtude, passando a ser considerada uma coisa do passado. O civismo desaparecera por completo. Os bons costumes haviam sido esquecidos. Alguma força misteriosa havia transformado um povo sério numa turba de pândegos? É claro que não. Só havia uma diferença: havíamos perdido o Imperador.

Histórias do Brasil Real, Brasil verdadeiro -- I

Nhá Chica, a mãe dos pobres

Imagine uma pacata cidade no interior de Minas Gerais onde uma casinha simples se destaca, apesar de muito pobre, pela grande quantidade de pessoas que dela entram e saem a todo o instante, ali se misturando ricos e pobres, doutores e até mesmo conselheiros do Imperador.

Um transeunte certamente se questionaria: “O que há de tão especial naquele local? O que atrai tanta gente?”  Ali vivia uma respeitável senhora, Francisca de Paula de Jesus, conhecida carinhosamente como “Nhá Chica”. Era analfabeta, mas possuidora de sabedoria e virtude surpreendentes. Filha de escrava, Francisca nasceu em 1808, num pequeno povoado do município de São João Del Rei. Ainda criança, mudou-se para a cidade de Baependi, próxima a Caxambu, onde aos 10 anos de idade ficou órfã.


Seguindo o conselho que sua genitora lhe dera no leito de morte, tomou Nossa Senhora da Conceição por mãe adotiva, confiando-se inteiramente à sua proteção.

A juventude de Francisca transcorreu-se na solidão, com todo o tempo livre dedicado à oração e à prática da caridade. Apesar de alta, morena e bonita, e de ter recebido várias propostas de casamento, permaneceu solteira, afirmando que queria dedicar-se inteiramente à fé e ao serviço dos irmãos.
Dava e recebia esmolas, tratando as pessoas com bondade e respeito. Por isso, em pouco tempo, ficou conhecida como “a mãe dos pobres”. Àqueles que a questionavam sobre a origem de sua reconhecida sabedoria, Nhá Chica respondia com serenidade: “É porque eu rezo com fé. Eu rezo e peço a Nossa Senhora, que me ouve e me responde”.

Ninguém ia embora de sua humilde morada sem receber uma esmola, uma promessa de oração ou ao menos um conselho, conforme a necessidade. Mas a vocação visível de Nhá Chica é que consumiu grande parte de sua existência terrena: atender “um pedido da Virgem” de construir uma capela em honra a Nossa Senhora da Conceição. Como era pobre, para realizar seu intento, percorria a vizinhança pedindo auxílio para as obras. A notícia espalhou-se e, aos poucos, as esmolas foram chegando de todas as partes.

Após muito esforço, alcançou seu objetivo e a pequenina mas vistosa capela tornou-se um lugar de peregrinação, onde os fiéis habitualmente se reuniam para rezar e celebrar o dia da Imaculada Conceição. Sem demora, o povo passou a chamá-la de “Igrejinha de Nhá Chica”.
Com a missão realizada, no dia 14 de junho de 1895, aos 87 anos de idade, Nhá Chica entregou sua alma ao Senhor. Seu velório estendeu-se por 4 dias, pois a multidão que se comprimia ao redor do corpo sentia dele exalar um agradável perfume de rosas.

Esse mesmo fenômeno repetiu-se, mais de 100 anos depois, por ocasião da exumação do corpo, em 18 de junho de 1998, na presença das autoridades eclesiásticas que se empenhavam em sua causa de beatificação. Ainda em vida, Nhá Chica era conhecida pelo povo como a “Santa de Baependi”. Em 1991 foi declarada Serva de Deus e, recentemente, em 14 de janeiro de 2011, o Papa Bento XVI assinou o decreto de reconhecimento de suas virtudes heróicas conferindo-lhe o título de Venerável.
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