Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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domingo, 8 de janeiro de 2012

PAUSA PARA UM DOMINGO DE SOL - Por Claude Bloc

Encantadora Liberdade

Não sei mais dizer o que são férias. Faz tempo que estou sempre trabalhando em alguma coisa ou outra... Não sei mais o que é “fazer nada”, ter nada marcado. Se nada me resta a fazer, encho meu tempo de poesia.

... E sigo em frente, pois meu percurso sempre anda sujeito a alterações... Posso até eliminar alguma escala nessa trajetória, por falta de tempo para ir aos tantos locais que desejo ver, conhecer, revisitar.

Às vezes, sinto vontade de conduzir a noite e reverter o dia. Seguir viagem com mala pequena, reduzida ao mínimo essencial: óculos escuros, livros, coisas que me prendem o pensamento.

Finalmente, quero sentir esse momento de abrir os braços e sorrir para essa encantadora liberdade, essa vontade de dormir sob um céu estrelado e cancelar essas idas e regressos que já me cansam. Fazer pausas e ganhar forças. Dar novos passos e ter descansos. E nunca, deixar o Crato fugir de mim. Mesmo se vou por outro caminho. 

Claude Bloc

Os Santos: Dom de Deus ao Mundo – por Ângela de Fátima Coelho (*)


Na sequência: Os pastorinhos de Fátima, Madre Teresa de Calcutá, a menina Benigna Cardoso da Silva, de Santana do Cariri e João Paulo II 

Santos – santidade: talvez as palavras já estejam gastas ou tenham perdido força. O desgaste do uso e a desvalorização daquilo para que remetem banalizou referências de que precisamos e apelos que não podemos dispensar. Num mundo cinzento pela ausência de ideais, os santos – amigos de Deus na história humana –  iluminam o nosso caminho pelo seu testemunho de amor a Jesus Cristo e de confiança na presença transformadora do Ressuscitado.

Podemos dizer que cada um deles viveu, sob a ação do Espírito Santo, um traço específico do Senhor, como se em cada um deles uma página do Evangelho se transformasse em vida, até chegarem “à medida completa da plenitude de Cristo” (Ef 4,13). Os santos fizeram caminho antes de nós, viveram uma realidade semelhante à nossa, partilharam as dificuldades e seduções da nossa condição humana e aprenderam a ler os sinais de Deus na história.

Agora, junto de Deus, acompanham-nos no percurso de vida que cada um de nós tem de fazer: com eles aprendemos a ler os sinais de Deus e da Sua presença na nossa história pessoal.

(*) Ângela de Fátima Coelho, postuladora da causa de canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, a quem Nossa Senhora apareceu em Fátima

sábado, 7 de janeiro de 2012

As tietes do Vale do Silício - Emerson Monteiro

Vale do Silício, nos Estados Unidos, se trata de região privilegiada em termos de avanços tecnológicos, espalhando inventos novos pelo mundo afora numa velocidade supersônica. Nesse lugar, a partir de 1950 que inúmeras empresas da área da Informática pesquisam e ampliam o leque das opções de mecanismos, sobretudo da eletrônica e das comunicações. O Vale do Silício abrange várias cidades do estado da Califórnia, ao sul de São Francisco, como Palo Alto e Santa Clara, estendendo-se até os subúrbios de San José.

Com isto, desde essa matriz da tecnologia de ponta, chegam ao mercado todo tipo que mais imaginaram as pessoas dos componentes de transmissão do conhecimento humano de artes, cinema, fotografia, edições, música, arquitetura, telefonia, televisão, computação, internet, educação, gravações, etc. Porém, no mesmo perído, cresceu quase em nada o espírito da criatividade dessa gente bronzeada que ora ocupa postos de elaboração das redes avançadas de produção de imagens, peças artísticas em geral, pois verdadeira e avassaladora crise de qualidade dominou os setores dos bens simbólicos, quais sabotadores da informação moderna.
Na música, por exemplo, existem ótimas peças e grupos maravilhosos, oferecidos aos milhares nas lojas, em forma de cds e dvds, contudo, na grande maioria, obras dos talentos das décadas anteriores. Recentemente quase nada apareceu de revolucinário quanto aos valores da estética e do sentido inovador.

Daí se pensar que os vivos das gerações atuais permaneceram marcando passo, de olhos abertos só para as criações tecnológicas, sem, no entanto, corresponder ao mesmo peso de desenvolvimento material dos circuitos eletrônicos em moda. Qual dizem os provérbios populares, é muita galinha para pouco ovo. Escreveu não leu, surgem, nas belas rotinas do aparelhos magníficos, algo moderno que merece alguns minutos de atenção, pouco ou quase nada. Enquanto que violência, pornografia, mediocridade, zoada muita, mau gosto em profusão, embromação mil, parecem querer forçar a porta e invadir as casas onde os aparelhinhos sofisticados vivem bolando pelo chão, nos tapetes, quatos de despejo, nesse período que corresponde às novas ofertas e aquisições dos jovens consumidores, que, queira Deus, ainda não sejam peças alienadas de tanta fome do que é bom, feitos índios descalços apenas admirando as distantes estrelas do progresso verdadeiro.

APRENDENDO A DIRIGIR - Por Edilma Rocha

Ele estava bem ali, estacionado.
A chave na ignição, como que me esperando. O jeep 51 do papai.

Limpo, reluzente depois da pintura de Moreirinha, que fazia qualquer carro velho, ficar novo. Era verde oliva, com a capota de vinil preta. Os bancos novinhos, a direção grande e a alavanca das marchas com uma bola de acrílico colorido, comprada no Juazeiro. No retrovisor central, o terço com Jesus dependurado para livrar-nos do perigo. Os pneus eram zero com os biscoitos bem definidos no polimento à óleo. Os três pedais, a embreagem, freio e acelerador, eu já tinha treinado bastante.
Agora era só colocar uma almofada nas costas para compensar a distância entre o banco  eles.

Vesti um jeans, cabelos presos num rabo de cavalo, pés descalços e me lancei na aventura. Seria uma volta só até o Pimenta. Olhei para os lados da rua e a vi vazia ao meio dia. Seria rápido e ninguém iria perceber a saída do jeep da porta da casa.

Dei partida na chave e pegou de primeira, acelerei três vezes e fui soltando o pé da embreagem aos solavancos com três  pulos inesperados...
Tinha logo que passar a segunda marcha para manter minhas mãos firmes na direção.
_ Consegui ! Agora era só acelerar e seguir o prumo da rua vazia. Alcancei a rua Duque de Caxias e dobrei na Praça da Sé. Passei pelo bar do Alagoano e senti alguns olhares em minha direção, mas não desviei à atenção no calçamento. No caminho fui desviando bicicletas, pedestres e deixando alguns carros para trás. Não existia semáforo na cidade para alguma parada brusca. E tome pé no acelerador!
Sentada no volante, dominava o jeep fazendo-o ir para onde eu quiezesse. Era o máximo ! Eu estava dirigindo pela primeira vez.

Ouvia o chiado dos pneus correndo rápido na virada da curva da Praça do Pimenta e logo depois senti um frio na barriga quando avistei o Aero Willis de Cândido Figueiredo. Enfiei a mão na buzina, mas graças a Deus o carrão dobrou no Parque Municipal a tempo.
_ Ufa ! Foi por pouco !

Precisava chegar logo em casa, antes que notassem a falta do jeep. Contornei a Praça da Sé, entrei na rua Duque de Caxias e depois entrei na rua da Vala. Estava indo rápido demais e não  conseguia diminuir a marcha. Na minha frente estava o perigo da Vala aberta, já tinham caído muitos carros por lá e do outro lado as casas dos vizinhos.
Numa virada só quis colocar o carro dentro da garagem, mas esqueci que o portão de ferro estava fechado. Senti os cabelos balançando pra lá e pra cá no sacudir do meu corpo franzino e levei o portão nos "peito". ou melhor, no para-choque. E só deu para parar porque eu soltei o pé da embreagem e estancou...
Com o estrondo, todos saíram para ver o que tinha acontecido.
Me encontraram ao volante, o muro quebrado, o portão por baixo dos pneus do jeep e eu com um sorriso amarelo no rosto...
_ Cheguei !

Edilma Rocha

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Momento da poesia - Por Claude Bloc


Plumas



As palavras surgem em mim
Em meus sonhos e desejos
Saltam fazendo acrobacias
Como plumas, como o vento
E correm pela ribanceira
Leves , suaves  e soltas...
Depois, só depois
Se traduzem em versos
Como uma cantiga de amor.
 
Claude Bloc

Um grande livro sobre Iguatu -- por Armando Lopes Rafael


Dentre os presentes que recebi neste fim de ano, um alegrou-me sobremaneira. De minha ex-colega do BNB, Gecinelda Ribeiro, ganhei o livro-álbum O conciso inventário do patrimônio histórico e arquitetônico de Iguatu, de autoria da historiadora e fotógrafa Gardevânia Farias.

Trata-se de um resgate – através da imagem fotográfica – de igrejas, prédios públicos e privados, casarões e residências que foram edificadas ao longo da existência de Iguatu, muitas das quais desaparecidas pela insensibilidade da população, pela omissão das autoridades municipais e pela ganância da  especulação financeira.
“Eu queria que as pessoas conhecessem os casarões que existiram em nossa cidade”, disse a autora. “É preciso reconhecer a nossa história e, com urgência, preservar os imóveis ainda existentes”.

Impressão primorosa, pesquisa feita com primor e rigor, o livro O conciso inventário do patrimônio histórico e arquitetônico de Iguatu, motiva uma leitura agradável, além da inevitável comparação com o que ocorreu com o patrimônio histórico e arquitetônico da cidade de Crato. Aqui tínhamos (e felizmente, ainda temos) muito mais imóveis que deviam (e ainda devem) ser preservados, do que os existentes naquela simpática metrópole do centro-sul cearense.

Entretanto, a omissão com a conservação patrimônio histórico e arquitetônico de Crato é bem maior do que em Iguatu. Lá tem um imóvel tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional–IPHAN: a Igreja-Matriz de Senhora Santana. Aqui temos imóveis do porte do Seminário São José, Catedral de Nossa Senhora da Penha, Capela de Santa Teresa de Jesus, Estação Ferroviária, prédio da antiga Prefeitura/Cadeia Pública, Casa de Caridade, Casa onde foi julgado Pinto Madeira, Crato Tênis Clube, dentre outros, que nunca foram tombados. Pior: alguns continuam passando por “reformas internas” que os descaracterizam por dentro.

Aqui temos ainda casarões que deveriam ser tombados, como o que pertenceu à família de Pedro Gonçalves Norões, além de vários outros localizados na Praça da Sé e no bairro Pimenta, importantes heranças arquitetônicas, bens culturais e históricos do Crato e do Cariri.

O livro O conciso inventário do patrimônio histórico e arquitetônico de Iguatu, de autoria da historiadora Gardevânia Farias é um “grito de alerta” contra as destruições criminosas, como ocorreu em anos recentes com os imóveis de fachada com azulejos portugueses que existiam na Rua Miguel Limaverde, no centro de Crato.

Procissão tradicional de 26 de julho em Iguatu

DIA DE REIS _ Por Edilma Rocha

Não é fácil imaginar o que se passava na cabecinha de uma criança que dançava em frente a "Lapinha", no dia de "Reis".
Era magrela, pernas finas, cabelos lisos e olhos atentos. Possuía muita energia e não tinha inibição.

Tudo começava na cozinha da casa grande, na Serra Verde, quando ao catar o arroz para o almoço, ia separando as "escolhas", como chamavam os grãos com casca. Dentro de uma caixinha, juntava as pequenas sementes para fazer a decoração do "Presépio".

Chegando o dia da montagem, a alegria tomava conta dos pequenos como uma grande brincadeira e desembalavam uma a uma as pequenas estatuetas: São José, a Virgem Maria, o Menino Deus, os animais do estábulo, os Reis Magos e depois os pastores e carneirinhos. Era o momento de colocar as sementes de arroz numa bandeja sob uma fina camada de algodão e regar todos os dias. Ao final de uma semana ,tinha no "Presépio" um capim verdinho e brilhante.

No canto da sala, sobre uma mesinha, a gruta estava montada e era a hora de começar os ensaios da dança para o dia de "Reis". Tudo muito simples, no improviso, uma saia de papel crepom, uma blusinha comum, mas na cabeça uma linda corôa de cartolina recortada com aplicações em arreia brilhante que representava a homenagem no "Dia de Reis".

Ela dançaria para o "Menino Deus".
Ao som da música suave, a menina magrela rodopiava na ponta dos pés enquanto os olhos atentos dos anfitriões, dos amiguinhos e dos moradores do lugar assistiam a representação. Repetia cada passo ensaiado, direitinho, para não fazer feio diante do "Menino Deus", afinal, no seu pequeno coração tudo era Santo e especial.

Foi a escolhida para representar a oferta dos presentes através da dança.
E dançou... dançou a Anunciação do Anjo...
Dançou em cada criança, Jesus...
Em cada mulher, Maria...
Em cada homem, a luz...
E na união de todos, a vida e a esperança...

Edilma Rocha

Reencontrar consigo mesmo - Emerson Monteiro

Isto por meio da simplicidade, neste solo cheio em demasia de heróis os mais diversos, pois chega o momento dos momentos quando as portas de saída e de entrada representam apenas o reencontro, nas bases de cada um de nós, seres viventes. As correntes do pensamento, os valores morais e as cólicas das refeições anteriores, juntos, formam essa rede valiosa de buscar, nas mínimas contradições, a essência da pura simplicidade. A gente vasculhou gavetas, despejos, estantes, e nada que representasse a paz que justificaria segurança valiosa diante de inúmeras apreensões.

Resta, por isso, o pouso da leveza original nas histórias interiores, na própria criatura de dentro, aquele foco central das existências no coração da pessoa, na alma alimento. Nessas ocasiões, os raios fortes das dúvidas perdem o furor. Pausas longas na dura caminhada sem trégua dissiparam os derradeiros bloqueios de avistar a praia suave do instante particular no simples das mil variações de objetos e significados... As palavras, com isso, deixam escorrer na pele o sentido de pisar os tetos macios do Universo. Fronteiros a nós, olhos arregalados, seres felizes brincam na forma das cores e dos movimentos quais habitantes de reinos da fantasia bem animada. Música que circula os ouvidos e penetra lavando a escuridão antiga, limpando as chaminés das veias e dos nervos. Resposta bem possível rega, enche de alegria espaços antes ocupados pelas dores desvanecidas.

Essa cura através da simplicidade caberá fiel no pátio de todos. Querer deixar acontecer e pronto, dúvidas somem, independente da fria vontade dos céticos. Ação de transformação que aguarda seus convidados nos refolhos da natureza amiga. Os agentes disso, andarilhos deste chão às vezes áspero e nunca desesperado, percorrerão os trilhos e passos dados em lugar dos cinzas dias, na saúde do tempo. Simplicidade que diz tudo o que havia de contar os personagens da inúmera jornada terrena.

Tanto disseram a respeito do assunto que aprendizes impacientes até abandonaram a crença na simplicidade, razão dos desassossegos ambulantes soltos nas ruas, e correrem, fugitivos, aos esconderijos profundos de erros e farsas, motivo das perdições que aparecem nas visagens dos filmes noturnos. Contudo cabe agir com harmonia e explicar aos passantes o valor das chances de amar o que é bom e ser feliz.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Colégio Pequeno Príncipe inaugura busto de bronze de Dom Vicente Matos


                    Este é o terceiro busto de bronze de Dom Vicente de Paulo Araújo Matos -- 3º bispo e maior benfeitor de Crato --  inaugurado nesta Mui Nobre e Heráldica Cidade de Frei Carlos. O Poder  Público foi omisso, mas iniciativas particulares vêm fazendo justiça e homenageando o
grande bispo.

(Postado por Armando Lopes Rafael)



AS FOLHAS DAS HORAS - Claude Bloc


Que poemas posso escrever
Quando o tempo se esgarça
Quando a vista se despe
Quando as folhas das horas
São folhas que me arrancaram ?

Pois é, hoje estou aqui
Venho de mãos nuas
Venho simplesmente
Em busca de meus sonhos
E são castanhos os meus olhos
Que azulam
De tanto olhar o mar

Assim revelo-me
Busco encontrar-me
E resguardar no rosto
A mensagem do tempo
O gosto de aprender-te
Sem perder o senso
Ao contar as horas

Quero poder revelar-te
E guardar no corpo
As estações do ano
A viagem que nos une
Depois
Quero poder partir sem pressa
E me repartir
Em átomos