Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Uma Ingratidão? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nesta quarta-feira, dia 11 de junho, Dom Vicente de Araújo Matos estaria aniversariando se  vivo fosse e também completando anos de sua sagração como Bispo da Diocese do Crato.

Dom Vicente foi um grande benfeitor da cidade do Crato, tendo carreado para nossa terra uma grande relação de benefícios. Graças a ele fomos pioneiros do ensino superior no interior do Estado do Ceará, com a implantação da Faculdade de Filosofia do Crato, que possibilitou anos mais tarde a viabilização da Universidade Regional do Cariri - URCA, com sede na nossa cidade. São ainda iniciativas de Dom Vicente a Rádio Educadora do Cariri, a expansão do Hospital São Francisco, o desenvolvimento estrutural da Fundação Padre Ibiapina, a construção do Centro de Expansão da Diocese, único centro do gênero nas dioceses do Estado e quiçá do Nordeste, a Vila Jubilar no bairro Pimenta, além de tantas outras realizações, impossíveis de resumi-las em poucas palavras.

Infelizmente o Crato, através de sua representação política tem demonstrado uma incompreensível falta de reconhecimento à ação desenvolvida por Dom Vicente, não somente no Crato, mas em toda a área da Diocese. Precisamos urgentemente corrigir essa ingratidão!  Por que não dar o nome de Dom Vicente Matos a uma rua do Crato? É uma proposta para qual nossos vereadores continuam insensíveis.

Gostaria de lembrar o argumento de uma senhora cratense que apelou aos vereadores para mudar o nome da rua em que ela reside de Machado de Assis para o nome do seu falecido sogro. Em seus argumentos aos vereadores ela assegurou que aquele escritor jamais tomou conhecimento da existência do Crato, e que portanto nenhum beneficio fizera para receber tal homenagem.

Com o mesmo raciocínio daquela senhora apelo aos nossos vereadores refletiram o que representou para o Crato João Pessoa, Santos Dumont, Senador Pompeu e tantos outros vultos que não sabemos quais os benefícios trazidos por eles à cidade? Por que não encontrar uma ampla avenida para denominá-la de Dom Vicente Matos. Ele merece a principal rua do Crato! Faz-se necessário uma urgente urbanização do bairro onde se situa a imagem de nossa senhora de Fátima recentemente inaugurada. E poderia ser construída uma ampla avenida de acesso com o nome de Dom Vicente Matos. Pensem nisso para corrigir uma grande ingratidão!
 
Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Presente! - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Em fins de 2012, instalou-se aqui em Fortaleza uma filial de uma grande loja com sede em São Paulo, dessas que colocam suas filiais pelo país afora, até em Capim Grosso de Santo Onofre. Coincidindo com a inauguração dessa filial, recebi pelo correio um bonito pacote, cujo remetente foi a tal loja recém instalada. No interior do pacote um mouse sem fio. E nada mais a acrescentar. Pronto, eles faziam a festa e nós pobres e explorados consumidores recebíamos o presente! Procurando  uma justificativa, comentei com Magali que eu recebera aquele presente do tal magazine, por que na certa o comércio possuía dados que poderiam estar me colocando entre os "clientes em potencial". Coitadinho deles, se dependessem de gente como eu, suas lojas estariam todas quebradas...

Alguns dias depois, precisávamos passar um vídeo de alta definição e para tanto tivemos de comprar um tal de "blu-ray disc". Desculpem a expressão, mas é como chamam um novo tipo de videocassete. Após pesquisarmos em algumas lojas, entre as quais o tal magazine, disse a Magali que iríamos comprar nessa nova loja, pois além do preço ter sido menor alguns míseros centavos, tivemos por lá uma recepção um pouquinho mais acalorada. E além do mais, havia recebido dessa loja um presente, fator que mais pesou na decisão de compra.

Três dias depois, meu primeiro filho veio com sua família passar o Natal conosco. Logo ao chegar perguntou se eu havia gostado do presente que ele havia mandado para mim.
- Qual foi? Perguntei
- Um mouse sem fio que comprei pela internet e pedi que fosse remetido diretamente para o seu endereço.

Todos aqui em casa fizeram a festa com a minha "boa fé". Bem feito! Onde já se viu grandes capitalistas se preocuparem com a existência de pessoas tão desprovidas de importância como eu? Mas como a esperança é a última a morrer, quem sabe se eu não ganharei o edifício que essa loja alardeia em seus anúncios que vai ofertar aos seus fregueses?

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 25 de maio de 2014

Nas ondas do Rádio - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Acredito que eu seja um dos poucos ouvintes de rádio que troca alguns programas televisivos pelo rádio. Sou viciado em rádio desde os anos de 1959-60, pouco depois da época de ouro do rádio brasileiro. Ainda não existia para nós cratenses a imagem da televisão. Somente nos restava as ondas do rádio para nos conectar com o mundo.

Sinceramente, eu acredito que o rádio nos possibilita desenvolver a criatividade, coisa que não ocorre com a televisão, que já nos trás tudo pronto. Um locutor de rádio de voz bonita, ou um cantor que a gente ouve, mas não vê sua imagem, deixa-nos a imaginar como seria o seu tipo físico. Durante muito tempo eu ouvia as transmissões esportivas com Oduvaldo Cozzi pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Depois, pela facilidade de sintonizarmos no Crato a Rádio Globo, passei a ouvir Waldy Amaral e admirava muito os comentários de Rui Porto. Nas emissoras paulistas lideravam as transmissões esportivas excelentes locutores: Geraldo José de Almeida ("Brasil patrão da bola"),  Edson Leite, Pedro Luis e Fiori Giliotti. Não via as imagens deles e imaginava como eles deveriam ser pelo timbre de suas vozes. Achava que Oduvaldo Cozzi fosse um homenzarrão, pois sua possante voz não nos deixava qualquer dúvida. Quando vi numa revista uma fotografia dele, me decepcionei: era um homem magro e de estatura mediana.

Atualmente permaneço ligado no rádio. Logo ao despertar, sintonizo a CBN no meu radinho portátil de cabeceira para me informar do que se passou no dia anterior por esse Brasil e pelo mundo. Um pouquinho mais tarde, após uma hora de caminhada, acompanho pela internet as noticias do Crato, através do Jornal da Radio Educadora do Cariri comandado pelo competente Antônio Vicelmo, a quem escuto há mais de 40 anos.

Há alguns dias, lembrei-me que no ano de 1961 acordávamos no Crato ouvindo um programa matinal comandado pelo animado locutor Antonio Maria da Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Àquela época, para mim, havia três pessoas distintas com esse mesmo nome. O locutor de rádio, o cronista do jornal Última Hora que diariamente chegava às bancas de revistas do Crato e o compositor de tantos sucessos musicais como "Ninguém me ama", que aqueles que como eu são beneficiários do novo estatuto do idoso devem lembrar: (Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor..) "Valsa de uma cidade" (Vento do mar e o meu rosto no sol a queimar, queimar. Calçada cheia de gente a passar e a me ver passar. Rio de Janeiro, gosto de você...). Felizmente, o google esclareceu minhas dúvidas. Antônio Maria de Araújo Morais, nascido em Recife foi um radialista, que iniciou na Rádio Clube de Pernambuco, passando depois pela Ceará Rádio Clube, Rádio Sociedade da Bahia de onde se transferiu para o Rio de Janeiro. Antonio Maria era mais conhecido simplesmente pelo segundo nome Maria, e ocupou importantes cargos de direção nas emissoras de rádio e televisão dos Diários Associados e ao mesmo tempo foi um compositor inspirado. Antonio Maria foi também apresentador de programas de televisão e dizem que quando entrevistava alguma personalidade, às vezes fazia perguntas que beirava à agressão. Certa vez, entrevistava a senhora Sandra Cavalcante, secretária do governador Carlos Lacerda e candidata a deputada estadual pelo antigo Estado da Guanabara. Futricas políticas atribuíam à candidata a fama de uma pessoa "mal amada". Pois não é que numa entrevista com a secretária, Antonio Maria resolveu cutucar a onça com vara curta?
-  É verdade que a senhora é uma pessoa "mal amada"? - Indagou o entrevistador.
-  Posso até ser, senhor Maria, mas não fui eu quem compôs  aquela música "ninguém me ama."

 Cronistas da época afirmam que com essa resposta ela conseguiu os votos de que precisava para se eleger. Nos primeiros anos do golpe militar assumiu a presidência do recém criado Banco Nacional de Habitação e depois de uma tentativa como candidata a governadora do Estado na primeira eleição direta ficou em quarto lugar . Mas então não mais vivia Antonio Maria para lhe dar oportunidade de conquistar mais votos.       

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Peça de teatro no SESC Crato aborda memória do Golpe Militar de 1964



Vencedores do prêmio Shell 2013 de São Paulo na categoria melhor atriz, Fernanda Azevedo (foto) e a Kiwi Cia. de Teatro chegam ao Crato para iniciar, neste dia 23, uma curta temporada da peça "Morro como um país - Cenas sobre a violência de estado", que fica em cartaz no SESC Crato até o dia 24 de maio. Com roteiro e direção de Fernando Kinas, o solo esmiúça os elementos constitutivos da ditadura brasileira e de outras ditaduras do século XX, e os relaciona com o presente.

SERVIÇO
MORRO COMO UM PAÍS, COM A KIWI COMPANHIA DE TEATRO (S. PAULO)
HOJE E AMANHÃ (SEXTA E SÁBADO, 23 E 24/05)
NO SESC CRATO, ÀS 20 HORAS
INGRESSOS GRATUITOS

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Reunião com autoridades debate atos de racismo e direcionamentos para questões relacionadas a estudante da URCA



A Reitora da Universidade Regional do Cariri (URCA), Professora Otonite Cortez, e o Vice-Reitor, Patrício Melo, estiveram reunidos com membros da Comissão de Direitos Humanos da Universidade e o Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Subsecção de Crato, além de representante do curso de História da URCA e Pró-Reitores, para tratar sobre questão de ato de racismo praticada contra aluno da Instituição. O aluno tratado no caso justificou sua ausência da reunião e esteve representado pela estudante Vanusa Ferreira.

Na ocasião foram debatidas as ações, algumas delas já sendo executadas pela Universidade, no intuito de combater atos de discriminação e preconceito dentro da URCA, assim como promover uma política de conscientização. Segundo o membro da OAB, Frederico Lemos, é importante que sejam efetivadas as ações educativas e de conscientização, mas não compete à URCA realizar assistência judicial ou mesmo psicológica.

A Reitora destacou ações que já vêm sendo efetivas, e ressaltou a criação de uma Comissão de Sindicância para apurar o caso, além da Comissão de Direitos Humanos da URCA, cuja presidente é a Professora do Curso de Direito, Francisca Edineusa Pamplona. Na ocasião, disse que serão encaminhados ofícios para a Secretaria de Desenvolvimento Social de Juazeiro do Norte, direcionado à Coordenação da Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade, com solicitações para suporte psicológico para o aluno. O ofício será encaminhado em nome de Kátia Lopes, coordenadora de Proteção Social. Além disso, a Reitora chegou a disponibilizar o acompanhamento da assessoria jurídica da Instituição ao aluno, para registrar um Boletim de Ocorrência junto à delegacia. Mas, até o momento, o próprio alunos ainda não se manifestou nesse sentido. Ele chegou a ser recebido pela Reitora, no Gabinete da Universidade.

“A história de vida dos que compõe a Administração Superior da URCA, dentro e fora de Instituição, desautoriza a acusação de omissão em qualquer situação de ofensa ou crime contra os direitos humanos”, disse a Reitora. Desde que foi comunicada de atos de racismo, e homofobia, no ano passado, conforme a Reitora, se instalou a problemática institucionalmente. Inclusive, a URCA chegou a criar e instituir o 6 de maio como o Dia Institucional de Combate ao Preconceito e à Discriminação, inserido no calendário acadêmico.

Ações de conscientização e combate ao preconceito e discriminação

A universidade publicou no site institucional nota de repúdio ao ato de preconceito praticado contra o aluno, no final de março, além de propor um programa interdisciplinar de combate ao preconceito. O ato chegou a ser comunicado pela administração da Universidade, à Secretaria Nacional da Igualdade Racial, além de solicitar material educativo para distribuição na URCA.

 No âmbito do enfrentamento, foram realizadas reuniões para debater ações nesse sentido, com representantes de departamentos, incluindo os coordenadores de cursos. Outro aspecto importante foi a instalação de uma comissão de sindicância, que teve o seu prazo de atuação ampliado. Formada por professores e alunos, cada um dos componentes poderia solicitar reunião do grupo. O aluno vítima de preconceito e ameaças chegou a ser chamado para auxiliar nos trabalhos, mas não compareceu. A Comissão de Direitos Humanos da URCA foi restabelecida durante reunião realizada na última terça-feira, 13.

Para a reunião com autoridades constituídas realizada na última terça-feira, ainda foram convidados delegado, defensor público, Ministério Público, além dos diretores de Centro de Humanidades e a chefia de Departamento do Curso de História. Segundo a Reitora, cada instituição deve atuar dentro dos marcos de sua competência. “Agiremos nesse caso, como estamos fazendo, com serenidade e a maturidade, no qual deve se pautar o gestor de um órgão público”, destaca.

Além das ações educativas realizadas por vários cursos, departamentos e grupos de pesquisa, a URCA está desencadeando ações educativas, importantes para a desconstrução do preconceito e pela afirmação dos direitos humanos. Nos dias 15 e 16 de maio, acontece o I Encontro de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos Fundamentais. O evento é promovido pela URCA, por meio do Grupo de Estudos e Pesquisas de Direitos Humanos Fundamentais e os cursos de pós-graduação em Direito Administrativo, Direito Processual Civil, Direito das Famílias, Direito Previdenciário e Trabalhista.

Fonte: URCA

Mais informações:
Telefones: (88) 3102-1212 - 8812.5525 ramal 2617
www.urca.br

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Um caixeiro cearense em Nova Iorque - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A história abaixo  relatada saiu em uma edição da Revista Exame que eu li por volta de 1977, há cerca de trinta e sete anos, portanto. Dessa edição, perdeu-se no tempo a revista e, apagou-se da minha memória todos os demais temas tratados, ficando apenas a narrativa que se segue, como prova do espírito empreendedor e inovador de uma das mais marcantes personalidades de nosso estado. 

A esposa de um jovem empresário cearense foi acometida de uma estranha doença, cujos médicos locais sugeriram tratamento em São Paulo. Lá chegando, uma junta médica aconselhou o empresário levar sua mulher aos Estados Unidos. Não era doença tão grave que, o dinheiro não pudesse resolver. Com as indicações de quem e onde procurar o atendimento em Nova Iorque e de posse do competente prontuário médico vertido para o inglês, o nosso empresário decidiu acompanhar sua esposa à terra  do "Tio Sam". Em lá chegando, sua mulher foi atendida numa das mais importantes clínica da cidade de  Nova Iorque.

Realizados novos exames, o marido foi informado de que sua esposa deveria ficar alguns dias internada, sem permissão de acompanhamento de familiares e visitas permitidas apenas nos dias de domingo.

No primeiro dia a sós na cidade, o nosso empresário resolveu dar uma volta pelo centro da cidade, examinar as lojas, verificar os avanços e as possíveis novas técnicas de vendas e marketing. Sentia-se sem saber o que fazer perambulando no meio de um verdadeiro formigueiro humano, que eram as ruas da grande metrópole, quando notou uma lojinha, espécie de chapelaria, cuja vitrine se encontrava vazia e às escuras. Como precisava comprar uma capa de chuva, entrou na loja onde o proprietário, um senhor idoso,  cujo aspecto lhe pareceu ser o de um judeu, era o único atendente. Começou uma interessante conversa com o dono da loja que lhe informou que as vendas estavam muito fracas. Então resolveu gastar seu inglês para se divertir pedindo emprego:
- O senhor não sente falta de uma pessoa para lhe ajudar? Sou brasileiro, há pouco  chegado aqui e estou precisando trabalhar. -  disse o empresário
-  Meu amigo, não posso lhe pagar um salário, pois como lhe falei, minhas vendas são fracas.
-  O senhor não precisará me pagar nada. Apenas se achar justo me conceder uma gratificação de dez por cento sobre o acréscimo das vendas que se verificarem após o inicio do meu trabalho. Se as vendas não progredirem, o senhor me despede sem nada me pagar. - Proposta mais do que tentadora para um presumível judeu. Como previra o candidato a emprego, o velhinho concordou e o jovem vendedor iniciou seu trabalho.

Sua primeira providência foi dar uma arrumação geral na disposição dos artigos da loja. As malas mais bonitas e de melhor qualidade foram convenientemente expostas na vitrine que ganhou nova iluminação, de modo a despertar a atenção das pessoas que passavam pela calçada da lojinha. Ali também foram colocados outros artigos que a loja dispunha para oferecer ao público, todos eles de grande utilidade. O interior da loja também teve as lâmpadas trocadas de modo a fornecer a sensação de se estar ao relento em uma ensolarada manhã.

Não demorou muito para o efeito se fazer notar. Logo no primeiro dia, o número de visitas à loja cresceu exponencialmente e quase cem por cento das pessoas que entravam na loja saia levando consigo algum artigo relacionado com as condições do tempo, capas e guarda-chuvas, luvas, casacos de lã, malas e sacolas para viagem, enfim, a loja conheceu um acréscimo de vendas jamais imaginado por seu proprietário. Nosso empresário cearense se divertia, à seu modo, como talvez não o fizera quando criança em suas brincadeiras. Mas contrariando um famoso dito popular, a alegria de rico às vezes também dura pouco. Um belo dia entrou na loja um engenheiro americano que estivera no Ceará projetando e montando uma das instalações industriais do empresário, agora transmutado em simples comerciário. Ele, ao avistar o engenheiro, tentou se esconder por trás de alguns artigos, mas fora notado e reconhecido pelo engenheiro que perguntou ao dono da loja:
- Quem é aquele homem que se encontra escondido por trás daquele material?
- Um imigrante brasileiro que veio me pedir emprego. É um vendedor muito esperto. Depois que muito a contra gosto eu resolvi empregá-lo, minhas vendas cresceram extraordinariamente. -  Respondeu o comerciante.
- Que imigrante, que nada! Aquele homem é um dos empresários mais rico do Brasil! E se chama Edson Queiroz. - Dito isto o ricaço brasileiro saiu de onde estava, abraçou o amigo e riram bastante da brincadeira, diante do comerciante americano admirado e intrigado. Não me recordo se a reportagem citou alguma explicação relativa a continuidade do emprego ou sobre o pagamento da gratificação estipulada o informal contrato de trabalho.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo 

domingo, 13 de abril de 2014

O que nossos vizinhos pensam do Crato? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Longe de mim o desejo de fomentar a rivalidade latente entre Crato e Juazeiro. Primeiro por que fui dirigente regional da Coelce em Juazeiro durante 15 anos. E ao retornar para Fortaleza, onde originalmente eu era lotado, sai de Juazeiro com muitos amigos e a maior das honrarias que um cratense poderá ter granjeado na vizinha cidade: o título de cidadão juazeirense. Segundo o coronel José Ronald de Brito, apenas cinco cratenses possuem tamanha distinção. Nesses 15 anos de convivência com os juazeirenses, somente ouvi deles palavras de admiração pelo Crato.

Vi em Juazeiro um povo dedicado ao trabalho, que luta para conseguir as benesses para sua terra. Para tanto, toda a comunidade unida se faz representar pelas suas lideranças políticas e de classes. Certa vez, eu testemunhei pessoalmente, uma caravana de juazeirenses composta de todos os seus representantes: deputados federais e estaduais, prefeito, vice-prefeito, vereadores, presidente de Associação Comercial, clubes de diretores lojistas e de serviços visitando o governador do Estado, a fim de solicitar para Juazeiro a sede regional de um órgão público. Jamais tomei conhecimento de movimentação semelhante dos nossos conterrâneos em benefício do nosso querido Crato. Convém lembrar que a pressão de um grupo é muito mais produtiva do que uma voz solitária.

Desejo deixar bem claro que particularmente eu concordo com parte das opiniões de um jornalista de Juazeiro, abaixo transcrita e que espero ser um palpite isoldado.

"---- assim como o povo do Juazeiro é responsável pelo progresso do Juazeiro, o responsável pela paralisia de Crato é o próprio povo de Crato - - - Cada cidade tem sua alma, seu espírito.  Desenvolvimento é resultado do espírito de um povo. O do Juazeiro é de trabalho e progresso, enquanto o de Crato é de diversão e lazer."

Finalizando, gostaria que o povo cratense tomasse conhecimento dessa declaração e se unisse para trabalhar pela nossa terra. Para tanto temos que formar novas lideranças, esquecendo que candidatos a cargos políticos de outras regiões não têm nenhum compromisso com o Crato. Tenho certeza que a coisa não está perdida.

Conforme recente análise realizada pelo competente médico e escritor cratense Dr. José Flávio Pinheiro Vieira, o  IDH do Crato, índice que mensura os indicadores de longevidade de um povo, sua qualidade de vida, de educação e renda, somente fica atrás do de Fortaleza e praticamente empatado com Sobral, que é o segundo colocado. E o Dr. José Flavio acrescenta: "Queiramos ou não, vivemos num éden".

Finalizando sua análise, o Dr. José Flávio conclui que devemos centrar nossas atenções em nossa vocação de centro irradiador de cultura e capital ecológico. O caminho é esse ai. Vamos à luta!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Carta de um Rei para outro Rei - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A Armênia é um pequeno e milenar país da Ásia, sem saída para o mar, tendo o seu território apenas 30.000 km quadrados de área, após perder aproximadamente nove décimos de seu território original para o império otomano e também para a extinta União Soviética, que a anexou, como uma de suas repúblicas comunistas, numa prova de que os grandes países absorvem as nações mais pobres e menores em sua insaciável sede de poder, desde tempos imemoriáveis.   

Como todo país milenar, a Armênia é repleta de lendas. Entre as perdas territoriais que o país sofreu, encontra-se o Monte Ararat de 5.165m de altitude, atualmente pertencente à Turquia, que segundo o relato  bíblico foi o local onde aportou a Arca de Noé. (Gen, 8,4). Aliás, devido a fertilidade e beleza do Vale de Arax e da região de Van existe uma teoria entre o povo armênio, de que o Jardim do Éden era lá na Armênia.

No mundo artístico brasileiro, a atriz Aracy Balabanian é filha de Armênios, que fugiram do pais para o Brasil, quando houve um grande genocídio na Armênia, conseqüência da invasão do império Turco-otomano nos anos entre 1921 e 1923.

Nos primeiros anos do Século I, reinava na Armênia o rei Abgar. Segundo uma tradição armênia resgatada pelo cronista Agatangueghós, o rei foi acometido de uma doença tida como incurável pela insipiente medicina da época. Ouvindo falar de um poderoso profeta que percorria as margens do Rio Jordão, pregando o amor e curando doentes, devolvendo a visão aos cegos, a audição aos surdos e a voz aos mudos, o rei escreveu uma carta a Jesus pedindo que ele viesse até Edessa sua cidade, para curá-lo. A carta foi enviada por um mensageiro real e entregue ao destinatário poucos dias antes da paixão. Por meio do apóstolo Tomé, Jesus respondeu ao rei que não poderia ir curá-lo pessoalmente, mas que enviaria um de seus discípulos. Segundo a tradição armênia, o mensageiro retornou com essa resposta e uma imagem de Jesus estampada em um lenço.

Logo após a ressurreição de Jesus, o apóstolo Judas Tadeu chegou à Edessa e curou o rei Abgar. Em seguida, percorreu todo o país falando sobre Jesus e pregando sua mensagem. Converteu muitas pessoas ao cristianismo e realizou o batismo de adultos e crianças.   

O sucessor do rei Abgar perseguiu os cristãos, tendo mandado a assassinar apóstolo Tadeu e muitos dos que haviam aderido à nova religião, inclusive sua própria filha Sandujt, que havia se convertido ao cristianismo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Fonte: Revista Família Cristã, N° 940; pág. 79

terça-feira, 1 de abril de 2014

Maribondo - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Há pessoas, animais e objetos que passam a fazer parte de nossas famílias, como se delas fossem membros pelo grau de benquerença e adesão.

O velho Malaquias, feitor do eito, foi o primeiro colaborador e companheiro do meu pai desde quando ele se estabeleceu como agricultor no sitio São José, creio que aí por volta de 1925 e privava de nosso convívio. Na época das chuvas liderava um grupo de trabalhadores no plantio de feijão, milho, e arroz e, na moagem cuidava do canavial, fazendo o replantio da cana ou preparando a queima do palhiço.

Entre os animais, ouvia falar do cachorro Tarzan, que morreu antes do meu nascimento, mas em cujo local onde foi enterrado, minha mãe plantou um pé de pequi, hoje uma frondosa árvore sexagenária, conhecida por "Pequizeiro do Tarzan" e, encontra-se ainda produzindo deliciosos frutos, além de preservar a memória do querido cachorro.

Outro animal que era a cara da nossa casa era o cavalo "Maribondo". Não sei qual sua raça, creio que era mesmo um cavalo "pé duro", mas muito bom de "baixos" como dizíamos de cavalo marchador. Somente meu pai podia montar nele. Qualquer outro que tentasse era impiedosamente derrubado.

Lembro-me de que o cavalo Maribondo era o meio de transporte que o meu pai utilizava em suas viagens para a Fazenda Mão Esquerda que ele possuía no estado de Pernambuco, distante cerca de 100 km do Crato. Ele costumava sair às 7 horas da manhã, lá chegando antes do dia escurecer.

Não sabia por que o cavalo Maribondo tinha esse nome, somente tomando conhecimento da razão há cerca de dois ou três anos. O cavalo pertencia ao Sr. Domingos Ferreira, um cidadão de Nova Olinda. Não sei se ele já era amigo de meu pai antes do cavalo ganhar o novo e definitivo nome. Muitas vezes ele visitava meu pai em nossa casa do São José.

O Sr. Domingos vinha montado em seu bonito cavalo para feira do Crato. Certa segunda-feira, amarrou o cavalo sob a sombra de um pé de ficus. Quando foi sair, o cavalo levantou a cabeça e assanhou uma caixa de maribondo, daquele tipo que a gente chamava de "boca torta." Os maribondos ferroaram cruelmente o cavalo que empinou e saiu dando pulos, atirando o pobre homem sobre o calçamento, a uma boa distância. Foi uma queda horrível que quase o deixou morto. Meu pai passava pelo local na hora e socorreu o Sr. Domingos que  precisou ser hospitalizado por vários dias. Não sei se daí surgiu a amizade entre os dois. O certo é que meu pai comprou o cavalo, pois o Sr. Domingos quis se desfazer dele. Por esse motivo, no São José ele passou a ser chamado de Maribondo.

Quando eu tinha pouco mais de doze anos e Maribondo já velho e cansado, tornara-se dócil e qualquer criança poderia montá-lo com segurança. Certo dia, Maribondo encontrava-se selado e meu pai gritou pelo meu nome, mandando que eu montasse no cavalo e fosse até o sitio Pau Seco levar um recado a uma pessoa. Pulava de contentamento, pois pela primeira vez eu iria montar o Maribondo, sem ser na garupa, como sempre acontecia quando eu acompanhava meu pai em suas andanças. De repente, ouvíamos a voz de mamãe que gritava pedindo a meu pai que não fizesse isso, porque aquele cavalo iria me matar. Meu pai virou-se para mim e disse:
- Volte! Vá lavar os pés, porque sua mãe quer você num altar"!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo   

sexta-feira, 28 de março de 2014

Duro Castigo - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A história que abaixo narrarei me foi contada por uma amigo engenheiro paraibano, já falecido. Considero-o que era um cidadão acima de qualquer suspeita e portanto uma pessoa digna de crédito, embora o fato por ele contado é de fazer tremer qualquer defensor dos direitos humanos.

Na época da ditadura Vargas, existia um interventor na Paraíba, figura equivalente a de governador, pessoa de confiança do chefe supremo da nação, nomeado conforme os compromissos com o regime imposto no chamado Estado Novo. Tratava-se o interventor de homem bastante culto, pai de escritor de renome e ele também escritor e autor de vários livros, um dos quais muito usado pelos vestibulandos nos dias de hoje. Não obstante esses atributos, o interventor era intolerante com a violência, roubos e qualquer tipo de indisciplina. Além do mais era austero nas punições que mandava aplicar.

 Num período em que todos os direitos dos cidadãos estavam suspensos, as famílias do estado da Paraíba vinham sofrendo uma onda de assaltos e roubos em suas residências. As prisões do estado estavam todas superlotadas. Então o interventor resolveu encomendar um barco que comportasse no mínimo cem pessoas.

Recebido o barco, o interventor ordenou ao chefe de polícia que escolhesse cem presos para um passeio marítimo. Em alto mar, cada preso recebia um crachá com número variando de 01 a 100, colado ao pescoço por um grosso cordão, tal qual os funcionários das repartições públicas. Numa área bem distante do continente, onde só se via água e o azul do horizonte, o grupo era reunido e comunicado de que seria realizado um sorteio. Aquele que possuísse o número sorteado deveria se apresentar ao capitão para receber o premio do passeio.

Realizado o sorteio, dois ou três guardas pegavam o sorteado e o atiravam ao mar. Após isso, o barco retornava ao porto, onde os 99 restantes eram solenemente recepcionados pelo interventor.
-  "Vocês viram o que acontece com malfeitores e aqueles que desobedecem a lei? Pois vocês serão soltos. Voltem para seus estados e digam aos seus colegas como é que os marginais são tratados aqui na Paraíba. Os que forem daqui evitem um novo passeio marítimo para não correr o risco de serem sorteados". - Avisava o interventor.

O meu amigo acrescentou que após poucos meses, a tranqüilidade retornou às famílias paraibanas, e muitas delas dormiam com portas e janelas  abertas, pois nada era roubado. 

Pessoalmente não concordo com esses métodos dignos das ditaduras mais cruéis que não respeitam a vida como um dom de Deus.

Devemos refletir nos males que uma ditadura faz às pessoas, principalmente à nossa dignidade de pessoa humana. E procurar evitar que algum dia voltemos a um novo período ditatorial.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 23 de março de 2014

O outro Brasil que vem aí - Gilberto Freire*

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil vem das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez de cores das três raças
terão as cores das profissões e das regiões.
As mulheres desse Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variantemente tropicais.
Todo brasileiro poderá assim dizer: é assim que eu quero o Brasil, todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o perto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
ânimo para viver pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores
  [ europeus e norte-americanos a serviço do Brasil]
mãos sem anéis (que anéis não deixam o homem criar nem trabalhar)
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternas de todas as cores
mãos desiguais que trabalhem por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus,
mãos Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiros cozinhando
de vaqueiros tirando leite das vacas chamadas comadres dos homens.
Mão brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.

* O outro Brasil que vem aí. Gilberto Freire, 1926.
Publicado no Livro Talvez Poesia, Rio de Janeiro, José 
Transcrito de Casa Grande e Senzala: Edição comemorativa dos 80 anos, com apresentação de Fernando Henrique Cardoso, Global, São Paulo, 2013

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Carnaval da Saudade 2014



A mais tradicional, mais carnavalesca e mais curtida festa de carnaval do Cariri, o Carnaval da Saudade vem este ano com força total, reunindo duas maravilhosas orquestras que vão animar os salões do Crato Tênis Clube. As orquestras Prisma e a Super OHARA, estão afinadíssimas para fazer ferver de emoção o nosso querido Cariri. Já estão sendo confirmados caravanas de Fortaleza e Recife com cratenses e caririenses que não perdem por nada este evento. Para a troca de orquestras foi contratada uma charanga com sopros pra não deixar a galera ficar parada. E no final da festa, vamos sair em desfile do Crato Tênis Clube até a Praça Siqueira Campos como já é tradicional. Portanto, agende-se, faça a sua fantasia e vamos fazer nossa grande festa ficar ainda melhor e maior.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Doutor dá palestras gratuitas CAMINHO DO AMOR DIVINO

Doutor dá palestras gratuitas CAMINHO DO AMOR DIVINO em qualquer lugar veja minha história no Facebook Educação Para o Terceiro Milênio

sábado, 5 de outubro de 2013

O BONDE


venha fazer seu tempo, sua hora 
seus momentos ficarão na história
deixe tudo que é seu na memória
marque aqui a sua passagem 

o bonde do tempo não demora
e por certo, um dia vai passar
ninguém sabe bem a sua hora
nem mesmo quando vai chegar 

nada agora vejo na estação
o sentido certo, a direção
de que lado o bonde vai chegar
nem pra onde ele vai seguir
se estamos nela de chegada
ou se ainda estamos a partir
 
por isso tudo, venha agora
quem sabe faz a sua hora
viva tudo com emoção
o encontro num barzinho
certamente é bem melhor
do que depois, na estação
 

Marcos Barreto de Melo

 

 

 

sábado, 14 de setembro de 2013

Programação Completa do Cariri Cangaço 2013 !


O Cariri Cangaço 2013 tem sua noite de abertura marcada para a próxima terça-feira, dia 17 de setembro às 19 horas no Memorial Padre Cícero em Juazeiro do Norte com a Conferência da antropóloga, pesquisadora e escritora Luitgarde Cavalcanti Oliveira Barros, com o tema: Padre Cícero e o Tempo Contemporâneo.

O evento acontece até o dia 22, nos municípios de Crato, Juazeiro, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Barro e Porteiras e reunirá mais de 4 mil pessoas em seus 6 dias de realizações, tendo a confirmação de mais de 150 pesquisadores de 17 estados do Brasil. Para Manoel Severo , curador do Cariri Cangaço, "vivemos a consolidação do Cariri Cangaço como o maior evento do gênero no Brasil e para nós do cariri é uma grande honra e alegria, mas também uma grande responsabilidade que está sendo assumida e compartilhada com muito talento e trabalho por uma valorosa equipe tanto do Cariri Cangaço como dos municípios anfitriões, a todos a nossa sincera gratidão."

O Cariri Cangaço é um  evento itinerante, sua abertura será em Juazeiro do Norte na noite do dia 17, mantendo rica e dinâmica programação nos municípios de Barro, dia 18, Porteiras, dia 19, Missão Velha e Aurora, dia 20, Barbalha dia 21 e grande encerramento em Crato na noite do dia 21, sábado. Não é necessário fazer inscrições e a entrada é franca, "é só acompanhar a Programação Oficial e participar deste grande evento que orgulha o nordeste e o Brasil", destaca a diretora do GECC, advogada Juliana Ischiara.


Para conhecer a Programação completa do Cariri Cangaço visite o site oficial do evento:


Cariri Cangaço 2103, onde o Brasil de Alma Nordestina se encontra
Um evento com o apoio do Blog do Crato

Por:Manoel Severo

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O QUE APRENDI NA VIDA? HOJE (20/08/2013) COMPLETEI 61 ANOS!

O QUE APRENDI NA VIDA? HOJE (20/08/2013) COMPLETEI 61 ANOS! Acabei de tomar o meu café da manhã e vim para o computador escrever sobre o que aprendi na vida que passou tão rápida. E dessa forma deixar um legado para os meus netos e meus irmãos da humanidade que buscam um sentido na vida. A vida me ensinou muitas coisas com grandes personalidades da nossa história e outras que não encontrei em nenhum livro que li (a minha tese de doutorado teve 18 páginas só de bibliografia!). E eu li dezenas ou centenas de livros ao longo desses 61 anos de vida. Farei um resumo do que a vida me ensinou. A primeira lição que recebi da vida foi ter a coragem de realizar meus sonhos e enfrentar a vida mesmo que os obstáculos fossem extremamente difíceis. Eu aprendi que trabalhar era importante, mas o mais importante do que trabalhar era aprender a tecnologia nova e inédita para mim, sem pensar em ganhar mais dinheiro com isso. Eu aprendi a não competir com ninguém. E que para ser culto e inteligente eu tinha que me disciplinar em ler vários livros, revistas, jornais e textos bem diversificados. E continuar perseguindo o conhecimento aonde ninguém acreditava que ele estivesse. A minha vida me ensinou que o que chamamos de fantasia pode um dia ser real, belo, fantástico e maravilhoso. Tento lembrar do meu passado e vejo que algo extraordinário me ajudou, algo invisível poderoso e maravilhoso evitou que eu passasse por tragédias e desastres terríveis. E foram tantos acontecimentos e fenômenos que fico surpreso por ainda estar vivo e com saúde, mesmo um pouco debilitado. Aprendi na vida que a caridade é essencial e é uma virtude que devemos praticar todos os dias para com os nossos semelhantes carentes de recursos e cheios de necessidades pessoais. E foram tantos os momentos que passei que me surpreendo quando me lembro que até aos 40 anos de idade eu gostava de me misturar as crianças para saltar pipa no Aterro do Flamengo (bairro nobre e rico do Rio de Janeiro – Flamengo). Aprendi com Kafka e a minha própria vida material e espiritual de que da vida se tira vários livros, mas dos livros se tira pouco – bem pouco! – a vida. Aprendi com 16 anos de idade com Francisco Otaviano que quem nasceu em brancas nuvens e em plácido repouso adormeceu; quem passou pela vida e não sofreu, foi espectro da vida, passou pela vida e não viveu. Aprendi que o mais importante de tudo na vida é vivenciar o fantástico e deslumbrante Amor Divino que acontece no centro do peito humano. Aprendi também que o verdadeiro sábio não é aquele que sabe tudo, mas aquele que aprende a distinguir o que é essencial e o que não é para se viver pleno, feliz e livre de suas construções ou fardos psicológicos. Aprendi na vida que o tempo não existe, só existe o agora. Aprendi que a vida não tem fim e nem início, mas apenas um ou mais caminhos de aprendizagem ad infinitum no aqui e agora. Aprendi que o dinheiro é energia e tem o poder de trazer bem-estar, mas que, por si só, nunca trás a felicidade para ninguém. Aprendi na vida que o trabalho tanto dignifica quanto danifica a estrutura energética de qualquer ser humano, por isso devemos dosar nossa energia física e sutil. Aprendi, portanto, que não é a substância que mata, mas a dose. E aprendi que todos os seres humanos são irmãos e irmãs de um mesmo Pai: Deus! Aprendi também que devemos agradecer a Deus por tudo que aconteceu e está acontecendo porque Deus sabe o que faz. Aprendi na vida a me espelhar nas grandes personalidades humanas que deram suas vidas com exemplos de conduta impecável: Buda, Gandhi, Einstein, Espinoza, Charles Chaplin, Jesus Cristo, Sathya Sai Baba, Chico Xavier, Sócrates, Platão, Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, São Francisco de Assis, São Francisco Neri, Yogananda, Krisnamurti, Krishna, Lutero, Papa Francisco, Barbara Ann Brennan, Richard Gerber, Miguel de Simoni. Aprendi na vida que nossa existência humana e o mundo que nos rodeia está impregnada de três elementos essenciais interdependentes: vida-consciência-energia. Aprendi também que somos responsáveis pelo nosso próprio destino, só depende da forma como usamos nossa energia e consciência a favor ou contra as Leis Universais de Deus. Aprendi na vida que todo ser humano é um microcosmo numa relação com o macrocosmo e que tudo está interligado e interdependente. Aprendi também que não vim do macaco, mas de um poder Amoroso Criador do Universo: Deus! Aprendi também que sem fé e sem silêncio interior nunca ouviremos Deus falar conosco. E que Deus está em tudo e em todos. Aprendi a valorizar as amizades sinceras que sabem perdoar nossas falhas e não zombam de nós quando escorregamos num detalhe pequeno de ignorância. Aprendi a valorizar os bons livros e os bons filmes que com mensagens inteligentes e sensíveis nos ensinam mais um passo na longa e penosa jornada da vida. Aprendi também a ouvir e ver a natureza manifestando a beleza de Deus Criador. Aprendi também que as músicas suaves e bem feitas elevam nossos espíritos e alegram nossas almas. Aprendi também a sentir empatia pelo outro e reconhecer a criatividade do outro com seus exemplos de filosofia de vida. Aprendi que rir faz bem a saúde, mas aprendi também que rir da ignorância alheia é um pecado infantil. Aprendi que a crítica é aquele processo de reflexão que desvela e mostra o que o outro não conseguiu ver e mostrar em suas argumentações. Aprendi a respeitar a verdade de cada um, pois cada um tem um Deus interior em si mesmo, e muitas das vezes não está consciente disso. Aprendi na vida que a nossa existência aparentemente é caótica, mas que existe um poder oculto que coloca em ordem o caos. E aprendi também que devemos reconhecer o que de fato somos e não esperar o reconhecimento de ninguém. Aprendi também que mais vale um silêncio prudente do que uma palavra errada. Aprendi na vida que a evolução é um poder invisível que nos empurra para superar os obstáculos imprevisíveis colocados de propósito pelo nosso próprio Espírito Divino. Aprendi também que todo ser humano é uma esponja que absorve tudo que entra pelos seus cinco sentidos e pela razão humana. Aprendi na vida que existem outros padrões de energia em estados vibratórios que nenhum instrumento científico consegue detectar. Aprendi na vida que a sensibilidade é a mãe da sabedoria, e o que o poder não está no acumulo de conhecimento, mas no caráter burilado ou refinado a cada segundo, a cada instante em que respiramos em nossa vida cotidiana. Aprendi a valorizar o lado espiritual mais do que o lado material. E que a vida espiritual segue as mesmas leis naturais da vida material. Aprendi na vida que nossas vidas em verdade é uma grande escola que não deixa espaço para olhar para o lado e copiar do outro, temos que aprender sozinho numa relação dialógica com Deus. Aprendi na vida que devemos dar um passo em direção a Deus e que Ele dá dez passos em direção a nós. Aprendi na vida que o problema humano é o mesmo problema divino quando conseguimos responder um encontramos a resposta para o outro, ou seja, que a criatura está entrelaçada com o Criador. E aprendi também que Deus está mais perto de nós do que o elétron está girando em relação ao seu núcleo atômico. Aprendi que a força da cooperação é mais humana e divina do que o poder da competição. Aprendi também que o maior grau de conhecimento que o ser humano possa alcançar é o Amor Divino através de uma disciplina árdua e impecável de autoconhecimento. Aprendi na vida que nunca estamos sozinhos mesmo que estejamos numa ilha no meio do oceano Atlântico ou Pacífico. Aprendi na vida a separar e distinguir o sexo instintivo-animal do Amor Divino. Aprendi na vida que quando você aprende a ouvir a si mesmo ninguém mais consegue lhe entender porque a intuição transcende a razão e o instinto. Aprendi na vida que devemos morrer em vida para renascermos num outro estado de consciência transcendental, holístico, universal e inexplicável. Aprendi na vida que a sabedoria nasce num silêncio interior onde Deus fala mansamente e calmamente com doçura. Aprendi na vida que Deus quer que cada um volte a viver no paraíso dele aqui mesmo na Terra. Aprendi na vida que o pensamento é energia pura. Aprendi também que a intuição é a base da espiritualidade. Aprendi que nunca devemos desanimar mesmo que o nosso corpo reclame de dor devido a uma doença grave e “incurável” (p.ex.: um câncer avançado). E que a esperança em Deus é a última que deve morrer e nascer em vida para sermos Filhos e Filhas de Deus. Aprendi na vida a perdoar aqueles que já foram julgados e condenados à prisão humana pelos seus pecados e estão jogados numa sucata humana que chamamos de presídio brasileiro. Aprendi a sentir piedade de qualquer ladrão, estuprador, matador que está pagando pelos seus pecados e continuarão pagando em suas encarnações futuras: eles não sabem o que fazem ou fizeram! Eu aprendi na vida que a verdadeira espiritualidade é algo tão sério que deveríamos ter o cuidado com cada pensamento ou sentimento emitido, porque a lei da natureza de Deus é um bumerangue, ou seja, ela volta para aquele que emitiu a energia inconscientemente. E também que cada um é responsável e vai pagar mais cedo ou mais tarde o pensamento, o sentimento ou o ato praticado de bem ou de mal. Aprendi na vida que devemos filtrar tudo aquilo que entra no nosso inconsciente via televisão, rádio, internet e outras tecnologias que nos induzem para um caminho fácil, mas desastroso no futuro. Aprendi que a vida espiritual é um caminho estreito e sua porta é extremamente pequena e perfeita. Aprendi na vida que ficar “positivo” não é desejar bens materiais, mas adquirir força de vontade para conquistar bens espirituais: paz, alegria, felicidade, harmonia, caridade, solidariedade, compaixão, amizade, respeito, tolerância, empatia, sinceridade, prudência, fé, coragem, autosuperação, autotransformação, autoconsciência, autocontrole, autoconhecimento, autorealização, autoconfiança, auto-estima, autoperdão. Aprendi na vida, com Alice Bayle, que homem é um ponto de luz divina, envolto por numerosos envoltórios, como uma luz escondida numa lanterna. Esta lanterna pode ser fechada e escura, ou aberta e irradiante. Tanto pode ser uma luz brilhante diante dos olhos dos homens, como uma coisa oculta, sem utilidade para os demais. Aprendi na vida, com Sir Thomas Browne, que existe em nós alguma coisa que pode existir sem nós e existirá depois de nós; alguma coisa que antes de nós não tinha história e que não se pode dizer como em nós entrou. Aprendi na vida, com o índio Dom Juan (nas histórias de Carlos Castãneda), que, para percebermos essas outras regiões [mundos ou realidades paralelas], precisamos não apenas desejá-las. Precisamos de energia suficiente para agarrá-las. Ele dizia que sua existência é constante e independe de nosso conhecimento, mas sua inacessibilidade é totalmente consequência de nosso condicionamento energético. Em outras palavras: apenas por causa de nosso condicionamento somos compelidos a presumir que o mundo de nossa vida cotidiana é o único mundo possível. Aprendi, com Sathya Sai Baba, que a luminosidade no rosto, esplendor no olhar, aparência firme, voz nobre, sentimento de caridade e bondade imutável, são os sintomas de um poder de vontade que está em desenvolvimento. Uma mente sem agitações, um olhar limpo e alegre são os sinais de uma pessoa em quem a paz se está implantada. Aprendi com uma pessoa anônima que o que caracteriza o homem, o que o diferencia dos demais seres vivos, é a sua capacidade de aspirar, de ir além da sua realidade presente, para alcançar outra realidade projetada, elaborada com a inteligência e o coração. O homem, neste sentido, é um projetista. Projetista de sua própria vida. Aliás, o homem começa a definhar e mesmo morrer quando não mais projeta e só se atem a satisfazer necessidades. Aprendi na vida que devemos colocar os princípios sagrados perto e uma meta a ser alcançada muito longe de ti. Com certeza dificilmente tu alcançarás a meta. Mas, também com certeza nunca se perderás de Deus. Se os que estão perto de ti duvidarem de suas verdades, isso não importa. O que importa é que tu em nenhum momento duvides de Deus que estará infinitamente mais perto de ti do que eles. Pois, na vida a gente se confunde (ou se funde) com os princípios daquilo que colocamos e percebemos mais perto de nós. Aprendi com Peter Russel, que enquanto nos deixamos envolver pelas inúmeras facetas da vida, perdemos o acesso à experiência da união com tudo; perdemos a ligação com o que acontece debaixo da superfície de nossas ações diárias. Justamente por isso o renascimento das tradições espirituais nos tempos modernos é tão significativo. O de que precisamos, mais do que de qualquer coisa, é uma transformação profunda e espiritual. Somente assim conseguiremos perceber e realizar a transformação dos nossos valores, da qual necessitamos para sobreviver nesse período de transição. Aprendi com Lennon/MaCartney que todos nós precisamos de Amor (“All you need is love” Lennon/MaCartney). Aprendi com Acácio Vieira (brasileiro, morador do Rio de Janeiro, amigo, compadre e irmão espiritual) que os extraterrestres se comunicam com ele e querem ajudar a humanidade terrestre em seu processo de autodestruição inconsciente. Aprendi que os extraterrestres, muitos deles estão vivendo entre nós, e nós não o reconhecemos porque estamos num nível espiritual muito pequeno. Eles são extremamente evoluídos tanto tecnologicamente quanto espiritualmente. Aprendi também que a vida é um mistério e que precisa ser revelada em cada um por si mesmo, ou seja, ninguém pode fazer esse processo por nós. Aprendi que temos um ego gigantesco que nos impede de ver a luz divina em nós mesmos. E que para tanto precisamos nos disciplinarmos para uma grande transformação existencial retirando o véu ou pano escuro da nossa visão racional-instintiva. Aprendi também que os sentimentos desequilibrados criam a maioria de nossas doenças. E que somos capazes, se assim quisermos, de alcançar a felicidade, a paz, o amor divino, a tolerância, ou seja, qualquer sentimento nobre em qualquer momento ou instante, pois só depende da nossa fé inabalável em Deus e de nossa disciplina interior (os hindus chamam de Sadhana). Aprendi que existem milhões de caminhos a seguir, mas o único que devemos dar o devido valor é o “coração” (intuição). Aprendi que podemos aprender qualquer coisa, pois só depende da força de vontade, fé, perseverança e sensibilidade desenvolvida. Aprendi que o cosmo está habitado por seres humanos extraordinários. Aprendi com um servidor, um senhor de idade avançada extremamente humilde e pobre, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/COPPE), o nome dele é “Jesus” que é possível ser analfabeto na Terra e aprender com seres humanos em outras galáxias, com conhecimentos tais que jamais ser humano terrestre daqui pode nos ensinar. Aprendi que a vida é uma grande escola de múltiplos saberes e experiências inexplicáveis e extraordinárias. Aprendi com Jesus Cristo que devemos amar uns aos outros. Aprendi com Albert Einstein que se eu pensar 99 vezes nada descobrirei, mas se mergulhar num profundo silêncio, a Verdade se revelará. Aprendi com Buda que não existe conflito entre o bem e mal, mas entre a ignorância e a sabedoria. Aprendi com a PONTE PARA LIBERDADE que as afirmações e mantras EU SOU faz com que nos aproximemos da Presença Divina do Criador. Aprendi por vivência própria que o demônio é uma criação humana e não tem nada a ver com Deus. E Deus não está em conflito com ele. E que nós temos um poder divino e não precisamos ter medo dessa força do mal do astral. Aprendi muito, mas aprendi também que terei de continuar aprendendo, conforme afirmou D. Juan nas histórias de Carlos Castãneda, até o meu último suspiro dessa vida terrena. Aprendi com a física quântica que o observador afeta o objeto observado. Aprendi com Gandhi que o único tirano que devemos aceitar em nossas vidas é uma voz doce e suave dentro de nós. Aprendi, portanto, que não existe limite que nos impeçam de conhecer a cada segundo a fantástica Consciência-de-Deus – ou seja, a vida é e sempre será.....fantástica!!!!! bernardomelgacos@gmail.com Facebook: Bernardo Melgaço da Silva/ página Educação Para o Terceiro Milênio bernardomelgaco.blogspot.com