Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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sábado, 21 de junho de 2014

Artilheiros - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Futebol é um esporte que parece ter sido inspirado nas guerras de antigamente. Termos como linha de defesa, ataque, artilheiro, matador, penetrar pelos flancos, entre outros, são frequentemente usados pelos entendidos nessa modalidade de jogo. O pior de todos é esse tal de "arena" que arranjaram recentemente para denominar as praças onde se pratica esse esporte e que faz as delicias dos locutores da televisão. 

Para quem acompanha futebol somente em época de Copa do Mundo, artilheiro é a denominação que se dá para o jogador que marca o maior número de gols numa competição.

Todos escutam pela TV e Rádio que o nosso Ronaldo "Fenômeno" é o maior artilheiro de todas as copas com 15 gols. Isto significa que ele assinalou este total de gols em três das quatro copas das quais participou. E ainda acrescentam  que ele poderá ser superado pelo alemão Kloser que até agora já marcou 14 gols. Besteira muita! O maior artilheiro de todas as copas foi aquele que assinalou o maior número de gols numa única copa do mundo. E esta façanha foi conseguida pelo francês Just Fontaine na Copa do Mundo de 1958. Ele é portanto o artilheiro recordista de todas as copas. Suplantou grandes jogadores de sua época como Pelé, Maradona, Platini e Zidane, tendo sido considerado o melhor jogador francês nas comemorações dos cinqüenta anos da UEFA (Union of European Football Associations)

Just Fontaine nasceu no Marrocos em 18 de agosto de 1933. Como na época, o Marrocos era colônia francesa, portanto Fontaine é cidadão francês. Encerrou sua carreira em 1962, por haver fraturado a tíbia e o perônio da perna direita, vivendo desde então do seguro que fez para suas pernas.

Somente Ademir Menezes do Brasil com 8 gols em 1950;  Kocsis da Hungria com 11 gols em 1954; Eusébio de Portugal com 9 gols em 1966; Müller da Alemanha Ocidental com 10 gols em 1970 e Ronaldo, o "Fenômeno" do Brasil em 2002 com 8 gols se aproximaram do recordista Just Fontaine, o maior goleador de uma única Copa do Mundo. E com esses rígidos sistemas de jogo empregados atualmente pelas seleções de cada país, dificilmente a marca do francês em uma única copa será superada.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 15 de junho de 2014

A Avidez humana! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Desculpem-me o assunto ou a falta dele. Estamos em clima de Copa do Mundo e o tema não poderia ser outro. Sei que muitos dos leitores não gostam de futebol. Mas o que eu pretendo repartir com os amigos é o desejo insaciável que ser humano tem por lucros, vitórias e glória. Para isso, ignora-se os sentimentos de afetividade que nutre e engrandece as relações de amor. Chega-se ao extremo de escravizar o homem, se possível for. Que tem o futebol a ver com tudo isso?

Apesar das relações de trabalho de um jogador de futebol profissional terem evoluído para melhor nos últimos vinte anos, houve época em que o atleta era um verdadeiro escravo. Preso definitivamente ao clube, não lhe era facultado o direito de livre transferência ou escolha da equipe em que gostaria de jogar. Submetia-se a dias seguidos de confinamento, sem contatos com a família e o mundo exterior, numa ociosidade a que ainda hoje os dirigentes de futebol teimam denominar de concentração.

Em 1946, Ávila era um esforçado jogador de meio de campo do Botafogo, uma das quatro grandes equipes de futebol do Rio de Janeiro. Não chegou a integrar a seleção brasileira, mas era muito importante para o esquema de jogo do seu time. Era um desses jogadores que desarmam os ataques da equipe adversária e ajudam a empurrar o seu time para frente. Geralmente esse tipo de jogador passa despercebido aos olhos da torcida.

O time de Ávila estava concentrado desde a noite da segunda-feira anterior à partida do domingo seguinte, num casarão da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Preparava-se para um jogo decisivo do campeonato. A mulher de Ávila fora hospitalizada naquele mesmo dia, com uma estranha doença. Mas os dirigentes do clube não consideraram esse fato como um motivo justo para dispensá-lo da concentração. Não podiam prescindir daquele jogador na equipe.

A rotina na concentração era de treinos à tarde e o restante do dia na mais completa ociosidade. Naquele confinamento desumano, a nenhum atleta era dado o direito de sair à rua, visitar a família, ou pelo menos usar o telefone para um contato, saber como passavam os familiares. Era uma clausura absoluta!

No domingo pela manhã, dia do jogo decisivo, uma freira que trabalhava no hospital onde estava internada a mulher de Ávila, telefonou para a concentração procurando falar com o jogador. Disseram-lhe que ele não podia atender.
- “Por favor, digam a ele que o estado de saúde de sua esposa se agravou e ela pede desesperadamente para falar com ele.” - Insistia a irmãzinha reforçando a urgência da presença do jogador.

Os dirigentes da equipe acharam por bem nada comunicar ao seu atleta para que nenhuma preocupação viesse prejudicar seu rendimento no jogo. Afinal, iriam enfrentar o Vasco da Gama, um dos mais fortes rivais.

Na tarde daquele ensolarado domingo, Ávila se esforçou como sempre era seu costume, contribuindo para vitória do seu time, que se sagrou campeão.

Somente quando a partida terminou, entre tapinhas nas costas, os dirigentes comunicaram a Ávila para ir ao hospital com urgência, pois o estado de saúde da sua mulher havia se agravado. Ele imediatamente enxugou o suor do corpo com uma toalha, trocou de roupa, sem ao menos tomar banho e foi de taxi, o mais depressa quanto possível, ao hospital. Lá chegando, recebeu uma reprimenda da irmãzinha:
- “O senhor não tem coração? Telefonei várias vezes desde a manhã de hoje. Sua mulher passou o tempo todo querendo lhe falar e somente agora o senhor chega aqui?”
 - “Mas eu vim assim que me disseram. Estava no jogo e tão logo este terminou, vim o mais rápido possível.” - Disse-lhe Ávila preocupado.
- “Agora é tarde! Sua mulher faleceu às três horas da tarde.” -  Respondeu a freira.

Ao saber dessa notícia, Ávila desmaiou, voltando a si, alguns minutos depois.  O desespero tomou conta dele. Voltou ao casarão da concentração e não encontrou mais ninguém do clube, somente o caseiro e sua mulher. Então, munido de uma barra de ferro, destruiu tudo que havia pela sua frente, mesas, cadeiras, camas, armários, não sobrando nem portas e janelas.

No dia seguinte, durante o enterro, diante dos companheiros do Botafogo e dirigentes do clube, Ávila desabafava, acariciando o rosto frio da sua amada:
- “Não me deixaram te dar um último beijo, mas você está vingada!”


(Adaptado de "Os subterrâneos do futebol" de João Saldanha, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1980)

Por Carlos Eduardo Esmeraldo  
 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

As palavras atraem? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Mais uma Copa do Mundo! Desta vez no Brasil, fato que não ocorria há 64 anos. No ano de 1950, a nossa seleção teve excelente desempenho, tendo sido vice-campeã mundial, derrotada na final pelo Uruguai, em pleno Maracanã, construído para aquela copa. Um simples empate lhe traria o título, conforme previa o regulamento da  época. Segundo declaração do extraordinário Zizinho, um dos melhores jogadores daquela copa e do Brasil, a nossa seleção perdeu simplesmente porque o Uruguai possuía um time melhor.

No intervalo de tempo decorrido entre 1950 até nossos dias, a Alemanha já promoveu duas copas, o México outras duas; Argentina, Chile, África do Sul, uma copa cada um. Esses três últimos países que se encontram no mesmo nível econômico e de desenvolvimento do Brasil nos provaram que tal competição promovida e organizada pela FIFA não quebrou suas economias. Portanto eu vejo com muita preocupação a ligação dessa copa com o momento político em que estamos vivendo. Como se o resultado da Copa do Mundo tivesse influência direta com o resultado da eleição.

Outro dia, ouvi de uma médica que ela iria torcer contra o Brasil, pois se a nossa seleção for campeã do mundo, ela não suportará mais quatro anos sendo governada pelo PT. E assim, deve ser o pensamento de muitos da nossa elite econômica. E parece que subliminarmente* está havendo um incentivo para que se proteste contra a realização da presente copa. Sendo assim, como explicar o tal de "não vai ter copa!", campanha de cunho puramente fascista? Para pensamentos assim, convém lembrar que as palavras atraem. Entretanto, quando o Brasil perdeu a copa de 1950, e aquela doutora provavelmente não havia ainda nascido, Getúlio Vargas, representante da classe trabalhadora foi eleito, sem nenhuma interferência do resultado da Copa do Mundo.

A nossa seleção participou de todas as copas, desde a primeira realizada em 1930, tendo sido campeã do mundo cinco vezes, sendo até agora a equipe que mais vezes ergueu a taça! Foi a única seleção não européia a ser  campeã em solo europeu, enquanto nenhuma seleção européia ganhou no continente americano.  

Em 1958 o jogo mais difícil para o Brasil foi aquele contra o Pais de Gales, vencido pela "canarinho" por um a zero, gol de um menino de 18 anos incompletos que assombrou o mundo. Registrou a crônica esportiva da época que o goleiro Gilmar, ao entrar em campo nesse jogo, disse para o seu companheiro Nilton di Sordi:
- "Hoje eu morro, mas não perco esse jogo!" - Ao que Di Sordi completou:
- "E eu morrerei junto com você.

Gilmar faleceu no dia 25 de agosto de 2013, às 18h15min, pouco mais de vinte quatro horas depois de Nilton di Sordi que faleceu às 16h15min. do dia 24 de agosto de 2013. Será mesmo que as palavras atraem?


Por Carlos Eduardo Esmeraldo   


Notas:
* subliminar é um tipo de mensagem que não pode ser detectável conscientemente. É rigorosamente proibida de ser veiculada pelos meios de comunicação social.
1)  Dos vice-campeões de 1950 todos os jogadores são falecidos.
2) Dos 22 jogadores campeões do mundo de 1958, apenas sete jogadores ainda estão vivos: Zito, Dino Sani, Moacir, Pelé, Mazola, Pepe e Zagalo.
3) Dos 22 jogadores campeões do mundo de 1962 dez ainda  estão vivos: Jair Marinho, Altair, Zito, Mengálvio, Jair da Costa, Zagalo, Coutinho, Pelé, Amarildo, e Pepe

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Uma Ingratidão? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nesta quarta-feira, dia 11 de junho, Dom Vicente de Araújo Matos estaria aniversariando se  vivo fosse e também completando anos de sua sagração como Bispo da Diocese do Crato.

Dom Vicente foi um grande benfeitor da cidade do Crato, tendo carreado para nossa terra uma grande relação de benefícios. Graças a ele fomos pioneiros do ensino superior no interior do Estado do Ceará, com a implantação da Faculdade de Filosofia do Crato, que possibilitou anos mais tarde a viabilização da Universidade Regional do Cariri - URCA, com sede na nossa cidade. São ainda iniciativas de Dom Vicente a Rádio Educadora do Cariri, a expansão do Hospital São Francisco, o desenvolvimento estrutural da Fundação Padre Ibiapina, a construção do Centro de Expansão da Diocese, único centro do gênero nas dioceses do Estado e quiçá do Nordeste, a Vila Jubilar no bairro Pimenta, além de tantas outras realizações, impossíveis de resumi-las em poucas palavras.

Infelizmente o Crato, através de sua representação política tem demonstrado uma incompreensível falta de reconhecimento à ação desenvolvida por Dom Vicente, não somente no Crato, mas em toda a área da Diocese. Precisamos urgentemente corrigir essa ingratidão!  Por que não dar o nome de Dom Vicente Matos a uma rua do Crato? É uma proposta para qual nossos vereadores continuam insensíveis.

Gostaria de lembrar o argumento de uma senhora cratense que apelou aos vereadores para mudar o nome da rua em que ela reside de Machado de Assis para o nome do seu falecido sogro. Em seus argumentos aos vereadores ela assegurou que aquele escritor jamais tomou conhecimento da existência do Crato, e que portanto nenhum beneficio fizera para receber tal homenagem.

Com o mesmo raciocínio daquela senhora apelo aos nossos vereadores refletiram o que representou para o Crato João Pessoa, Santos Dumont, Senador Pompeu e tantos outros vultos que não sabemos quais os benefícios trazidos por eles à cidade? Por que não encontrar uma ampla avenida para denominá-la de Dom Vicente Matos. Ele merece a principal rua do Crato! Faz-se necessário uma urgente urbanização do bairro onde se situa a imagem de nossa senhora de Fátima recentemente inaugurada. E poderia ser construída uma ampla avenida de acesso com o nome de Dom Vicente Matos. Pensem nisso para corrigir uma grande ingratidão!
 
Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Presente! - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Em fins de 2012, instalou-se aqui em Fortaleza uma filial de uma grande loja com sede em São Paulo, dessas que colocam suas filiais pelo país afora, até em Capim Grosso de Santo Onofre. Coincidindo com a inauguração dessa filial, recebi pelo correio um bonito pacote, cujo remetente foi a tal loja recém instalada. No interior do pacote um mouse sem fio. E nada mais a acrescentar. Pronto, eles faziam a festa e nós pobres e explorados consumidores recebíamos o presente! Procurando  uma justificativa, comentei com Magali que eu recebera aquele presente do tal magazine, por que na certa o comércio possuía dados que poderiam estar me colocando entre os "clientes em potencial". Coitadinho deles, se dependessem de gente como eu, suas lojas estariam todas quebradas...

Alguns dias depois, precisávamos passar um vídeo de alta definição e para tanto tivemos de comprar um tal de "blu-ray disc". Desculpem a expressão, mas é como chamam um novo tipo de videocassete. Após pesquisarmos em algumas lojas, entre as quais o tal magazine, disse a Magali que iríamos comprar nessa nova loja, pois além do preço ter sido menor alguns míseros centavos, tivemos por lá uma recepção um pouquinho mais acalorada. E além do mais, havia recebido dessa loja um presente, fator que mais pesou na decisão de compra.

Três dias depois, meu primeiro filho veio com sua família passar o Natal conosco. Logo ao chegar perguntou se eu havia gostado do presente que ele havia mandado para mim.
- Qual foi? Perguntei
- Um mouse sem fio que comprei pela internet e pedi que fosse remetido diretamente para o seu endereço.

Todos aqui em casa fizeram a festa com a minha "boa fé". Bem feito! Onde já se viu grandes capitalistas se preocuparem com a existência de pessoas tão desprovidas de importância como eu? Mas como a esperança é a última a morrer, quem sabe se eu não ganharei o edifício que essa loja alardeia em seus anúncios que vai ofertar aos seus fregueses?

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 25 de maio de 2014

Nas ondas do Rádio - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Acredito que eu seja um dos poucos ouvintes de rádio que troca alguns programas televisivos pelo rádio. Sou viciado em rádio desde os anos de 1959-60, pouco depois da época de ouro do rádio brasileiro. Ainda não existia para nós cratenses a imagem da televisão. Somente nos restava as ondas do rádio para nos conectar com o mundo.

Sinceramente, eu acredito que o rádio nos possibilita desenvolver a criatividade, coisa que não ocorre com a televisão, que já nos trás tudo pronto. Um locutor de rádio de voz bonita, ou um cantor que a gente ouve, mas não vê sua imagem, deixa-nos a imaginar como seria o seu tipo físico. Durante muito tempo eu ouvia as transmissões esportivas com Oduvaldo Cozzi pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Depois, pela facilidade de sintonizarmos no Crato a Rádio Globo, passei a ouvir Waldy Amaral e admirava muito os comentários de Rui Porto. Nas emissoras paulistas lideravam as transmissões esportivas excelentes locutores: Geraldo José de Almeida ("Brasil patrão da bola"),  Edson Leite, Pedro Luis e Fiori Giliotti. Não via as imagens deles e imaginava como eles deveriam ser pelo timbre de suas vozes. Achava que Oduvaldo Cozzi fosse um homenzarrão, pois sua possante voz não nos deixava qualquer dúvida. Quando vi numa revista uma fotografia dele, me decepcionei: era um homem magro e de estatura mediana.

Atualmente permaneço ligado no rádio. Logo ao despertar, sintonizo a CBN no meu radinho portátil de cabeceira para me informar do que se passou no dia anterior por esse Brasil e pelo mundo. Um pouquinho mais tarde, após uma hora de caminhada, acompanho pela internet as noticias do Crato, através do Jornal da Radio Educadora do Cariri comandado pelo competente Antônio Vicelmo, a quem escuto há mais de 40 anos.

Há alguns dias, lembrei-me que no ano de 1961 acordávamos no Crato ouvindo um programa matinal comandado pelo animado locutor Antonio Maria da Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Àquela época, para mim, havia três pessoas distintas com esse mesmo nome. O locutor de rádio, o cronista do jornal Última Hora que diariamente chegava às bancas de revistas do Crato e o compositor de tantos sucessos musicais como "Ninguém me ama", que aqueles que como eu são beneficiários do novo estatuto do idoso devem lembrar: (Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor..) "Valsa de uma cidade" (Vento do mar e o meu rosto no sol a queimar, queimar. Calçada cheia de gente a passar e a me ver passar. Rio de Janeiro, gosto de você...). Felizmente, o google esclareceu minhas dúvidas. Antônio Maria de Araújo Morais, nascido em Recife foi um radialista, que iniciou na Rádio Clube de Pernambuco, passando depois pela Ceará Rádio Clube, Rádio Sociedade da Bahia de onde se transferiu para o Rio de Janeiro. Antonio Maria era mais conhecido simplesmente pelo segundo nome Maria, e ocupou importantes cargos de direção nas emissoras de rádio e televisão dos Diários Associados e ao mesmo tempo foi um compositor inspirado. Antonio Maria foi também apresentador de programas de televisão e dizem que quando entrevistava alguma personalidade, às vezes fazia perguntas que beirava à agressão. Certa vez, entrevistava a senhora Sandra Cavalcante, secretária do governador Carlos Lacerda e candidata a deputada estadual pelo antigo Estado da Guanabara. Futricas políticas atribuíam à candidata a fama de uma pessoa "mal amada". Pois não é que numa entrevista com a secretária, Antonio Maria resolveu cutucar a onça com vara curta?
-  É verdade que a senhora é uma pessoa "mal amada"? - Indagou o entrevistador.
-  Posso até ser, senhor Maria, mas não fui eu quem compôs  aquela música "ninguém me ama."

 Cronistas da época afirmam que com essa resposta ela conseguiu os votos de que precisava para se eleger. Nos primeiros anos do golpe militar assumiu a presidência do recém criado Banco Nacional de Habitação e depois de uma tentativa como candidata a governadora do Estado na primeira eleição direta ficou em quarto lugar . Mas então não mais vivia Antonio Maria para lhe dar oportunidade de conquistar mais votos.       

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Peça de teatro no SESC Crato aborda memória do Golpe Militar de 1964



Vencedores do prêmio Shell 2013 de São Paulo na categoria melhor atriz, Fernanda Azevedo (foto) e a Kiwi Cia. de Teatro chegam ao Crato para iniciar, neste dia 23, uma curta temporada da peça "Morro como um país - Cenas sobre a violência de estado", que fica em cartaz no SESC Crato até o dia 24 de maio. Com roteiro e direção de Fernando Kinas, o solo esmiúça os elementos constitutivos da ditadura brasileira e de outras ditaduras do século XX, e os relaciona com o presente.

SERVIÇO
MORRO COMO UM PAÍS, COM A KIWI COMPANHIA DE TEATRO (S. PAULO)
HOJE E AMANHÃ (SEXTA E SÁBADO, 23 E 24/05)
NO SESC CRATO, ÀS 20 HORAS
INGRESSOS GRATUITOS

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Reunião com autoridades debate atos de racismo e direcionamentos para questões relacionadas a estudante da URCA



A Reitora da Universidade Regional do Cariri (URCA), Professora Otonite Cortez, e o Vice-Reitor, Patrício Melo, estiveram reunidos com membros da Comissão de Direitos Humanos da Universidade e o Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Subsecção de Crato, além de representante do curso de História da URCA e Pró-Reitores, para tratar sobre questão de ato de racismo praticada contra aluno da Instituição. O aluno tratado no caso justificou sua ausência da reunião e esteve representado pela estudante Vanusa Ferreira.

Na ocasião foram debatidas as ações, algumas delas já sendo executadas pela Universidade, no intuito de combater atos de discriminação e preconceito dentro da URCA, assim como promover uma política de conscientização. Segundo o membro da OAB, Frederico Lemos, é importante que sejam efetivadas as ações educativas e de conscientização, mas não compete à URCA realizar assistência judicial ou mesmo psicológica.

A Reitora destacou ações que já vêm sendo efetivas, e ressaltou a criação de uma Comissão de Sindicância para apurar o caso, além da Comissão de Direitos Humanos da URCA, cuja presidente é a Professora do Curso de Direito, Francisca Edineusa Pamplona. Na ocasião, disse que serão encaminhados ofícios para a Secretaria de Desenvolvimento Social de Juazeiro do Norte, direcionado à Coordenação da Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade, com solicitações para suporte psicológico para o aluno. O ofício será encaminhado em nome de Kátia Lopes, coordenadora de Proteção Social. Além disso, a Reitora chegou a disponibilizar o acompanhamento da assessoria jurídica da Instituição ao aluno, para registrar um Boletim de Ocorrência junto à delegacia. Mas, até o momento, o próprio alunos ainda não se manifestou nesse sentido. Ele chegou a ser recebido pela Reitora, no Gabinete da Universidade.

“A história de vida dos que compõe a Administração Superior da URCA, dentro e fora de Instituição, desautoriza a acusação de omissão em qualquer situação de ofensa ou crime contra os direitos humanos”, disse a Reitora. Desde que foi comunicada de atos de racismo, e homofobia, no ano passado, conforme a Reitora, se instalou a problemática institucionalmente. Inclusive, a URCA chegou a criar e instituir o 6 de maio como o Dia Institucional de Combate ao Preconceito e à Discriminação, inserido no calendário acadêmico.

Ações de conscientização e combate ao preconceito e discriminação

A universidade publicou no site institucional nota de repúdio ao ato de preconceito praticado contra o aluno, no final de março, além de propor um programa interdisciplinar de combate ao preconceito. O ato chegou a ser comunicado pela administração da Universidade, à Secretaria Nacional da Igualdade Racial, além de solicitar material educativo para distribuição na URCA.

 No âmbito do enfrentamento, foram realizadas reuniões para debater ações nesse sentido, com representantes de departamentos, incluindo os coordenadores de cursos. Outro aspecto importante foi a instalação de uma comissão de sindicância, que teve o seu prazo de atuação ampliado. Formada por professores e alunos, cada um dos componentes poderia solicitar reunião do grupo. O aluno vítima de preconceito e ameaças chegou a ser chamado para auxiliar nos trabalhos, mas não compareceu. A Comissão de Direitos Humanos da URCA foi restabelecida durante reunião realizada na última terça-feira, 13.

Para a reunião com autoridades constituídas realizada na última terça-feira, ainda foram convidados delegado, defensor público, Ministério Público, além dos diretores de Centro de Humanidades e a chefia de Departamento do Curso de História. Segundo a Reitora, cada instituição deve atuar dentro dos marcos de sua competência. “Agiremos nesse caso, como estamos fazendo, com serenidade e a maturidade, no qual deve se pautar o gestor de um órgão público”, destaca.

Além das ações educativas realizadas por vários cursos, departamentos e grupos de pesquisa, a URCA está desencadeando ações educativas, importantes para a desconstrução do preconceito e pela afirmação dos direitos humanos. Nos dias 15 e 16 de maio, acontece o I Encontro de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos Fundamentais. O evento é promovido pela URCA, por meio do Grupo de Estudos e Pesquisas de Direitos Humanos Fundamentais e os cursos de pós-graduação em Direito Administrativo, Direito Processual Civil, Direito das Famílias, Direito Previdenciário e Trabalhista.

Fonte: URCA

Mais informações:
Telefones: (88) 3102-1212 - 8812.5525 ramal 2617
www.urca.br

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Um caixeiro cearense em Nova Iorque - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A história abaixo  relatada saiu em uma edição da Revista Exame que eu li por volta de 1977, há cerca de trinta e sete anos, portanto. Dessa edição, perdeu-se no tempo a revista e, apagou-se da minha memória todos os demais temas tratados, ficando apenas a narrativa que se segue, como prova do espírito empreendedor e inovador de uma das mais marcantes personalidades de nosso estado. 

A esposa de um jovem empresário cearense foi acometida de uma estranha doença, cujos médicos locais sugeriram tratamento em São Paulo. Lá chegando, uma junta médica aconselhou o empresário levar sua mulher aos Estados Unidos. Não era doença tão grave que, o dinheiro não pudesse resolver. Com as indicações de quem e onde procurar o atendimento em Nova Iorque e de posse do competente prontuário médico vertido para o inglês, o nosso empresário decidiu acompanhar sua esposa à terra  do "Tio Sam". Em lá chegando, sua mulher foi atendida numa das mais importantes clínica da cidade de  Nova Iorque.

Realizados novos exames, o marido foi informado de que sua esposa deveria ficar alguns dias internada, sem permissão de acompanhamento de familiares e visitas permitidas apenas nos dias de domingo.

No primeiro dia a sós na cidade, o nosso empresário resolveu dar uma volta pelo centro da cidade, examinar as lojas, verificar os avanços e as possíveis novas técnicas de vendas e marketing. Sentia-se sem saber o que fazer perambulando no meio de um verdadeiro formigueiro humano, que eram as ruas da grande metrópole, quando notou uma lojinha, espécie de chapelaria, cuja vitrine se encontrava vazia e às escuras. Como precisava comprar uma capa de chuva, entrou na loja onde o proprietário, um senhor idoso,  cujo aspecto lhe pareceu ser o de um judeu, era o único atendente. Começou uma interessante conversa com o dono da loja que lhe informou que as vendas estavam muito fracas. Então resolveu gastar seu inglês para se divertir pedindo emprego:
- O senhor não sente falta de uma pessoa para lhe ajudar? Sou brasileiro, há pouco  chegado aqui e estou precisando trabalhar. -  disse o empresário
-  Meu amigo, não posso lhe pagar um salário, pois como lhe falei, minhas vendas são fracas.
-  O senhor não precisará me pagar nada. Apenas se achar justo me conceder uma gratificação de dez por cento sobre o acréscimo das vendas que se verificarem após o inicio do meu trabalho. Se as vendas não progredirem, o senhor me despede sem nada me pagar. - Proposta mais do que tentadora para um presumível judeu. Como previra o candidato a emprego, o velhinho concordou e o jovem vendedor iniciou seu trabalho.

Sua primeira providência foi dar uma arrumação geral na disposição dos artigos da loja. As malas mais bonitas e de melhor qualidade foram convenientemente expostas na vitrine que ganhou nova iluminação, de modo a despertar a atenção das pessoas que passavam pela calçada da lojinha. Ali também foram colocados outros artigos que a loja dispunha para oferecer ao público, todos eles de grande utilidade. O interior da loja também teve as lâmpadas trocadas de modo a fornecer a sensação de se estar ao relento em uma ensolarada manhã.

Não demorou muito para o efeito se fazer notar. Logo no primeiro dia, o número de visitas à loja cresceu exponencialmente e quase cem por cento das pessoas que entravam na loja saia levando consigo algum artigo relacionado com as condições do tempo, capas e guarda-chuvas, luvas, casacos de lã, malas e sacolas para viagem, enfim, a loja conheceu um acréscimo de vendas jamais imaginado por seu proprietário. Nosso empresário cearense se divertia, à seu modo, como talvez não o fizera quando criança em suas brincadeiras. Mas contrariando um famoso dito popular, a alegria de rico às vezes também dura pouco. Um belo dia entrou na loja um engenheiro americano que estivera no Ceará projetando e montando uma das instalações industriais do empresário, agora transmutado em simples comerciário. Ele, ao avistar o engenheiro, tentou se esconder por trás de alguns artigos, mas fora notado e reconhecido pelo engenheiro que perguntou ao dono da loja:
- Quem é aquele homem que se encontra escondido por trás daquele material?
- Um imigrante brasileiro que veio me pedir emprego. É um vendedor muito esperto. Depois que muito a contra gosto eu resolvi empregá-lo, minhas vendas cresceram extraordinariamente. -  Respondeu o comerciante.
- Que imigrante, que nada! Aquele homem é um dos empresários mais rico do Brasil! E se chama Edson Queiroz. - Dito isto o ricaço brasileiro saiu de onde estava, abraçou o amigo e riram bastante da brincadeira, diante do comerciante americano admirado e intrigado. Não me recordo se a reportagem citou alguma explicação relativa a continuidade do emprego ou sobre o pagamento da gratificação estipulada o informal contrato de trabalho.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo 

domingo, 13 de abril de 2014

O que nossos vizinhos pensam do Crato? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Longe de mim o desejo de fomentar a rivalidade latente entre Crato e Juazeiro. Primeiro por que fui dirigente regional da Coelce em Juazeiro durante 15 anos. E ao retornar para Fortaleza, onde originalmente eu era lotado, sai de Juazeiro com muitos amigos e a maior das honrarias que um cratense poderá ter granjeado na vizinha cidade: o título de cidadão juazeirense. Segundo o coronel José Ronald de Brito, apenas cinco cratenses possuem tamanha distinção. Nesses 15 anos de convivência com os juazeirenses, somente ouvi deles palavras de admiração pelo Crato.

Vi em Juazeiro um povo dedicado ao trabalho, que luta para conseguir as benesses para sua terra. Para tanto, toda a comunidade unida se faz representar pelas suas lideranças políticas e de classes. Certa vez, eu testemunhei pessoalmente, uma caravana de juazeirenses composta de todos os seus representantes: deputados federais e estaduais, prefeito, vice-prefeito, vereadores, presidente de Associação Comercial, clubes de diretores lojistas e de serviços visitando o governador do Estado, a fim de solicitar para Juazeiro a sede regional de um órgão público. Jamais tomei conhecimento de movimentação semelhante dos nossos conterrâneos em benefício do nosso querido Crato. Convém lembrar que a pressão de um grupo é muito mais produtiva do que uma voz solitária.

Desejo deixar bem claro que particularmente eu concordo com parte das opiniões de um jornalista de Juazeiro, abaixo transcrita e que espero ser um palpite isoldado.

"---- assim como o povo do Juazeiro é responsável pelo progresso do Juazeiro, o responsável pela paralisia de Crato é o próprio povo de Crato - - - Cada cidade tem sua alma, seu espírito.  Desenvolvimento é resultado do espírito de um povo. O do Juazeiro é de trabalho e progresso, enquanto o de Crato é de diversão e lazer."

Finalizando, gostaria que o povo cratense tomasse conhecimento dessa declaração e se unisse para trabalhar pela nossa terra. Para tanto temos que formar novas lideranças, esquecendo que candidatos a cargos políticos de outras regiões não têm nenhum compromisso com o Crato. Tenho certeza que a coisa não está perdida.

Conforme recente análise realizada pelo competente médico e escritor cratense Dr. José Flávio Pinheiro Vieira, o  IDH do Crato, índice que mensura os indicadores de longevidade de um povo, sua qualidade de vida, de educação e renda, somente fica atrás do de Fortaleza e praticamente empatado com Sobral, que é o segundo colocado. E o Dr. José Flavio acrescenta: "Queiramos ou não, vivemos num éden".

Finalizando sua análise, o Dr. José Flávio conclui que devemos centrar nossas atenções em nossa vocação de centro irradiador de cultura e capital ecológico. O caminho é esse ai. Vamos à luta!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Carta de um Rei para outro Rei - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A Armênia é um pequeno e milenar país da Ásia, sem saída para o mar, tendo o seu território apenas 30.000 km quadrados de área, após perder aproximadamente nove décimos de seu território original para o império otomano e também para a extinta União Soviética, que a anexou, como uma de suas repúblicas comunistas, numa prova de que os grandes países absorvem as nações mais pobres e menores em sua insaciável sede de poder, desde tempos imemoriáveis.   

Como todo país milenar, a Armênia é repleta de lendas. Entre as perdas territoriais que o país sofreu, encontra-se o Monte Ararat de 5.165m de altitude, atualmente pertencente à Turquia, que segundo o relato  bíblico foi o local onde aportou a Arca de Noé. (Gen, 8,4). Aliás, devido a fertilidade e beleza do Vale de Arax e da região de Van existe uma teoria entre o povo armênio, de que o Jardim do Éden era lá na Armênia.

No mundo artístico brasileiro, a atriz Aracy Balabanian é filha de Armênios, que fugiram do pais para o Brasil, quando houve um grande genocídio na Armênia, conseqüência da invasão do império Turco-otomano nos anos entre 1921 e 1923.

Nos primeiros anos do Século I, reinava na Armênia o rei Abgar. Segundo uma tradição armênia resgatada pelo cronista Agatangueghós, o rei foi acometido de uma doença tida como incurável pela insipiente medicina da época. Ouvindo falar de um poderoso profeta que percorria as margens do Rio Jordão, pregando o amor e curando doentes, devolvendo a visão aos cegos, a audição aos surdos e a voz aos mudos, o rei escreveu uma carta a Jesus pedindo que ele viesse até Edessa sua cidade, para curá-lo. A carta foi enviada por um mensageiro real e entregue ao destinatário poucos dias antes da paixão. Por meio do apóstolo Tomé, Jesus respondeu ao rei que não poderia ir curá-lo pessoalmente, mas que enviaria um de seus discípulos. Segundo a tradição armênia, o mensageiro retornou com essa resposta e uma imagem de Jesus estampada em um lenço.

Logo após a ressurreição de Jesus, o apóstolo Judas Tadeu chegou à Edessa e curou o rei Abgar. Em seguida, percorreu todo o país falando sobre Jesus e pregando sua mensagem. Converteu muitas pessoas ao cristianismo e realizou o batismo de adultos e crianças.   

O sucessor do rei Abgar perseguiu os cristãos, tendo mandado a assassinar apóstolo Tadeu e muitos dos que haviam aderido à nova religião, inclusive sua própria filha Sandujt, que havia se convertido ao cristianismo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Fonte: Revista Família Cristã, N° 940; pág. 79

terça-feira, 1 de abril de 2014

Maribondo - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Há pessoas, animais e objetos que passam a fazer parte de nossas famílias, como se delas fossem membros pelo grau de benquerença e adesão.

O velho Malaquias, feitor do eito, foi o primeiro colaborador e companheiro do meu pai desde quando ele se estabeleceu como agricultor no sitio São José, creio que aí por volta de 1925 e privava de nosso convívio. Na época das chuvas liderava um grupo de trabalhadores no plantio de feijão, milho, e arroz e, na moagem cuidava do canavial, fazendo o replantio da cana ou preparando a queima do palhiço.

Entre os animais, ouvia falar do cachorro Tarzan, que morreu antes do meu nascimento, mas em cujo local onde foi enterrado, minha mãe plantou um pé de pequi, hoje uma frondosa árvore sexagenária, conhecida por "Pequizeiro do Tarzan" e, encontra-se ainda produzindo deliciosos frutos, além de preservar a memória do querido cachorro.

Outro animal que era a cara da nossa casa era o cavalo "Maribondo". Não sei qual sua raça, creio que era mesmo um cavalo "pé duro", mas muito bom de "baixos" como dizíamos de cavalo marchador. Somente meu pai podia montar nele. Qualquer outro que tentasse era impiedosamente derrubado.

Lembro-me de que o cavalo Maribondo era o meio de transporte que o meu pai utilizava em suas viagens para a Fazenda Mão Esquerda que ele possuía no estado de Pernambuco, distante cerca de 100 km do Crato. Ele costumava sair às 7 horas da manhã, lá chegando antes do dia escurecer.

Não sabia por que o cavalo Maribondo tinha esse nome, somente tomando conhecimento da razão há cerca de dois ou três anos. O cavalo pertencia ao Sr. Domingos Ferreira, um cidadão de Nova Olinda. Não sei se ele já era amigo de meu pai antes do cavalo ganhar o novo e definitivo nome. Muitas vezes ele visitava meu pai em nossa casa do São José.

O Sr. Domingos vinha montado em seu bonito cavalo para feira do Crato. Certa segunda-feira, amarrou o cavalo sob a sombra de um pé de ficus. Quando foi sair, o cavalo levantou a cabeça e assanhou uma caixa de maribondo, daquele tipo que a gente chamava de "boca torta." Os maribondos ferroaram cruelmente o cavalo que empinou e saiu dando pulos, atirando o pobre homem sobre o calçamento, a uma boa distância. Foi uma queda horrível que quase o deixou morto. Meu pai passava pelo local na hora e socorreu o Sr. Domingos que  precisou ser hospitalizado por vários dias. Não sei se daí surgiu a amizade entre os dois. O certo é que meu pai comprou o cavalo, pois o Sr. Domingos quis se desfazer dele. Por esse motivo, no São José ele passou a ser chamado de Maribondo.

Quando eu tinha pouco mais de doze anos e Maribondo já velho e cansado, tornara-se dócil e qualquer criança poderia montá-lo com segurança. Certo dia, Maribondo encontrava-se selado e meu pai gritou pelo meu nome, mandando que eu montasse no cavalo e fosse até o sitio Pau Seco levar um recado a uma pessoa. Pulava de contentamento, pois pela primeira vez eu iria montar o Maribondo, sem ser na garupa, como sempre acontecia quando eu acompanhava meu pai em suas andanças. De repente, ouvíamos a voz de mamãe que gritava pedindo a meu pai que não fizesse isso, porque aquele cavalo iria me matar. Meu pai virou-se para mim e disse:
- Volte! Vá lavar os pés, porque sua mãe quer você num altar"!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo   

sexta-feira, 28 de março de 2014

Duro Castigo - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A história que abaixo narrarei me foi contada por uma amigo engenheiro paraibano, já falecido. Considero-o que era um cidadão acima de qualquer suspeita e portanto uma pessoa digna de crédito, embora o fato por ele contado é de fazer tremer qualquer defensor dos direitos humanos.

Na época da ditadura Vargas, existia um interventor na Paraíba, figura equivalente a de governador, pessoa de confiança do chefe supremo da nação, nomeado conforme os compromissos com o regime imposto no chamado Estado Novo. Tratava-se o interventor de homem bastante culto, pai de escritor de renome e ele também escritor e autor de vários livros, um dos quais muito usado pelos vestibulandos nos dias de hoje. Não obstante esses atributos, o interventor era intolerante com a violência, roubos e qualquer tipo de indisciplina. Além do mais era austero nas punições que mandava aplicar.

 Num período em que todos os direitos dos cidadãos estavam suspensos, as famílias do estado da Paraíba vinham sofrendo uma onda de assaltos e roubos em suas residências. As prisões do estado estavam todas superlotadas. Então o interventor resolveu encomendar um barco que comportasse no mínimo cem pessoas.

Recebido o barco, o interventor ordenou ao chefe de polícia que escolhesse cem presos para um passeio marítimo. Em alto mar, cada preso recebia um crachá com número variando de 01 a 100, colado ao pescoço por um grosso cordão, tal qual os funcionários das repartições públicas. Numa área bem distante do continente, onde só se via água e o azul do horizonte, o grupo era reunido e comunicado de que seria realizado um sorteio. Aquele que possuísse o número sorteado deveria se apresentar ao capitão para receber o premio do passeio.

Realizado o sorteio, dois ou três guardas pegavam o sorteado e o atiravam ao mar. Após isso, o barco retornava ao porto, onde os 99 restantes eram solenemente recepcionados pelo interventor.
-  "Vocês viram o que acontece com malfeitores e aqueles que desobedecem a lei? Pois vocês serão soltos. Voltem para seus estados e digam aos seus colegas como é que os marginais são tratados aqui na Paraíba. Os que forem daqui evitem um novo passeio marítimo para não correr o risco de serem sorteados". - Avisava o interventor.

O meu amigo acrescentou que após poucos meses, a tranqüilidade retornou às famílias paraibanas, e muitas delas dormiam com portas e janelas  abertas, pois nada era roubado. 

Pessoalmente não concordo com esses métodos dignos das ditaduras mais cruéis que não respeitam a vida como um dom de Deus.

Devemos refletir nos males que uma ditadura faz às pessoas, principalmente à nossa dignidade de pessoa humana. E procurar evitar que algum dia voltemos a um novo período ditatorial.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

domingo, 23 de março de 2014

O outro Brasil que vem aí - Gilberto Freire*

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil vem das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez de cores das três raças
terão as cores das profissões e das regiões.
As mulheres desse Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variantemente tropicais.
Todo brasileiro poderá assim dizer: é assim que eu quero o Brasil, todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o perto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
ânimo para viver pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores
  [ europeus e norte-americanos a serviço do Brasil]
mãos sem anéis (que anéis não deixam o homem criar nem trabalhar)
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternas de todas as cores
mãos desiguais que trabalhem por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus,
mãos Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiros cozinhando
de vaqueiros tirando leite das vacas chamadas comadres dos homens.
Mão brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.

* O outro Brasil que vem aí. Gilberto Freire, 1926.
Publicado no Livro Talvez Poesia, Rio de Janeiro, José 
Transcrito de Casa Grande e Senzala: Edição comemorativa dos 80 anos, com apresentação de Fernando Henrique Cardoso, Global, São Paulo, 2013

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Carnaval da Saudade 2014



A mais tradicional, mais carnavalesca e mais curtida festa de carnaval do Cariri, o Carnaval da Saudade vem este ano com força total, reunindo duas maravilhosas orquestras que vão animar os salões do Crato Tênis Clube. As orquestras Prisma e a Super OHARA, estão afinadíssimas para fazer ferver de emoção o nosso querido Cariri. Já estão sendo confirmados caravanas de Fortaleza e Recife com cratenses e caririenses que não perdem por nada este evento. Para a troca de orquestras foi contratada uma charanga com sopros pra não deixar a galera ficar parada. E no final da festa, vamos sair em desfile do Crato Tênis Clube até a Praça Siqueira Campos como já é tradicional. Portanto, agende-se, faça a sua fantasia e vamos fazer nossa grande festa ficar ainda melhor e maior.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Doutor dá palestras gratuitas CAMINHO DO AMOR DIVINO

Doutor dá palestras gratuitas CAMINHO DO AMOR DIVINO em qualquer lugar veja minha história no Facebook Educação Para o Terceiro Milênio

sábado, 5 de outubro de 2013

O BONDE


venha fazer seu tempo, sua hora 
seus momentos ficarão na história
deixe tudo que é seu na memória
marque aqui a sua passagem 

o bonde do tempo não demora
e por certo, um dia vai passar
ninguém sabe bem a sua hora
nem mesmo quando vai chegar 

nada agora vejo na estação
o sentido certo, a direção
de que lado o bonde vai chegar
nem pra onde ele vai seguir
se estamos nela de chegada
ou se ainda estamos a partir
 
por isso tudo, venha agora
quem sabe faz a sua hora
viva tudo com emoção
o encontro num barzinho
certamente é bem melhor
do que depois, na estação
 

Marcos Barreto de Melo