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"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
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"

(Carlos Drummond de Andrade)

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sábado, 5 de setembro de 2009

Piadas Machistas : A questão da formação imaginária nas produções de humor - Por: Carla Maluf Tomazella (UFSCar)

"ano de 1969 marca o surgimento simbólico da ciência conhecida como Análise do Discurso, com a publicação de duas obras, em terrenos franceses, que revolucionaram o cenário desta nova disciplina em ascensão: o número 13 da revista Langages intitulado “A Análise do Discurso”, difundido no âmbito das pesquisas realizadas pela Universidade de Nanterre, e a “Análise Automática do Discurso”, de Michel Pêcheux. Neste momento histórico todos os tipos de produções culturais e manifestações artísticas eram pensadas enquanto texto, na medida em que todas, sendo ela a pintura, a literatura, a escultura, a moda, por meio de seus textos verbais, imagéticos ou audiovisuais, tinham um propósito, eram engendradas segundo algumas condições de produção e produziam sentidos e significações diversas.

A disciplina em questão surge como uma teoria que tem por finalidade prover mecanismos de leitura destes textos, mais especificamente daqueles impregnados de um discurso político. A este respeito, Althusser, citado por Maingueneau, aponta para a redundância presente no termo “análise do discurso político”, já que, segundo o autor, “o discurso só é discurso se ligado a interesses políticos” (MAINGUENEAU, 1990, p.72). Neste sentido é possível afirmar que a Análise do Discurso pode ser aplicada à praticamente todos os tipos e gêneros textuais, uma vez que todos, tomados enquanto discurso e impregnados de ideologia, são, em maior ou menor intensidade, dotados de certo caráter político.

Bem como a grande maioria das ciências e filosofias surgidas na década de 60, a Análise do Discurso não logrou se dissociar dos três campos que permeavam as produções intelectuais na época, o materialismo ou marxismo, a psicanálise e o estruturalismo lingüístico. São de extrema importância os papéis desempenhados por Marx, Freud, Lacan e Z. Harris, bem como os de seus estudos e trabalhos, no contexto da Análise do Discurso. Assim sendo, no âmbito discursivo, o texto é resultado de um trabalho ideológico tal qual o sonho resulta de um labor psíquico no âmbito da psicanálise. A respeito da influência que estas três áreas exercem sobre a disciplina em questão, Maingueneau afirma que a Análise do Discurso “é a materialização de uma certa configuração do saber em que o mesmo termo ‘análise’ funciona ao mesmo tempo sobre os registros lingüístico, textual e psicanalítico” (MAINGUENEAU, 1990, p.69)

Diferentemente da filologia, que em uma visão simplista trata-se da ciência que se ocupa da língua primordialmente por um viés histórico e documentário, a Análise do Discurso se propõe a fugir de uma análise lingüística que se prenda basicamente a questões históricas e à estrutura dos textos, considerando, para tanto, outras “estruturas” postuladas por Michel Pêcheux, como os conceitos de “discurso”, “formação imaginária”, “formação discursiva”, “interdiscurso” e “heterogeneidade enunciativa”. Estes conceitos, que devem estar sempre atrelados em uma análise discursiva, de uma maneira generalizada, levam em conta a relação existente entre ideologia e linguagem, a inscrição da língua na história e o papel fundamental do sujeito na significação dos elementos que compõem a língua enquanto sistema.

O conceito de “formação imaginária” (ponto fundamental da disciplina “Análise do Discurso” que será mobilizado ao longo do presente artigo) desenvolvido por Pêcheux pressupõe outras três categorias (antecipação, relações de força e relações de sentido), através das quais este conceito é capaz de se manifestar no processo discursivo. A primeira destas categorias, a antecipação, aponta para a presença de um enunciador que idealiza uma figura mental (representação imaginária) de seu interlocutor e, por meio desta figura mental, determina as condições de produção das quais poderá se utilizar e quais serão suas estratégias discursivas. As relações de força no discurso são determinadas pelos lugares sociais ocupados pelos sujeitos enunciadores: aquele que ocupa o lugar social de maior prestígio e poder, detêm, ao menos em teoria, maior força no processo discursivo. Já as relações de sentido estabelecem interdiscursividades com outros textos, uma vez que os discursos estão em contato constante uns com os outros.

Portanto, o conceito de “formação imaginária” não se manifesta com base em sujeitos empíricos, mas sim apoiado em representações mentais do que possivelmente aquele interlocutor simbolizaria no mundo real, ou seja, quais suas funções neste mundo, qual o lugar social ocupado por este indivíduo, quais discursos ele já conhece ou desconhece. Este conceito, aliado às condições de produção do discurso, é quem determinada qual linguagem será utilizada, quais idéias estarão presentes, qual a intensidade e agressividade do discurso, já que todos estes fatores dependerão da imagem mental que o enunciador terá formado de seu interlocutor. A formação imaginária ocorre em ambos os lados: o emissor faz uma imagem do receptor que, por sua vez, também formará determinada opinião sobre o emissor.

Em todos os tipos e gêneros textuais o papel da “formação imaginária”, sem desconsiderar a importância dos outros conceitos que compõem a teoria de Pêcheux (como a interdiscursividade, formação discursiva, heterogeneidade enunciativa e ideologia) é decisivo e determinante para o sucesso do discurso, sobretudo no caso das piadas, material de análise do presente artigo. Sendo este um estudo de mecanismos de produção de humor permeada pelo viés da disciplina Análise do Discurso, mais especificamente de um ramo desta disciplina filiado a uma fundamentação teórica de Orientação Francesa, não se pode desconsiderar a imensa importância desempenhada também pelo conceito de “memória discursiva”.

Memória discursiva diz respeito aos enunciados presentes na memória e no imaginário dos indivíduos que partilham de uma mesma cultura que se atualizam no momento da enunciação. Este se relaciona com o conceito de interdiscursividade, que em linha gerais defende que todos os discursos são reproduções de outros discursos já existentes, produzidos anteriormente em outro tempo e espaço.

A respeito dos estudos que envolvem a análise de piadas, Possenti afirma que “a maioria das obras sobre o assunto versa sobre questões filosóficas, psicológicas e sociológicas, enquanto muito poucas referem-se aos aspectos lingüísticos envolvidos no humor” (1998, p.13). O presente artigo procura envolver em uma única análise não só aspectos filosóficos, psicológicos e sociológicos, exaustivamente já estudados, como assinala Possenti, mas também os lingüísticos e discursivos, considerando a influência e a finalidade de cada aspecto na produção do humor. Neste sentido, haverá uma tentativa de explicar tanto o “como” (pertencente ao campo lingüístico discursivo) quanto o “porquê” (inerente ao campo filosófico e sociológico) da produção de humor, não constituindo, dessa forma, uma análise puramente lingüística tampouco essencialmente filosófica, já que a dissociação destes campos não produziria o resultado pretendido.

A análise lingüística de piadas tem por finalidade explicar como estas funcionam (qual ou quais elementos lingüísticos torna engraçado algo que dito de outra forma não teria graça) e não o que elas significam. Ou seja, o simples fato de alguém afirmar que todas as loiras são burras não produziria humor, podendo até gerar reações negativas; ao passo que uma piada, a partir de uma combinação de elementos lingüísticos que apenas sugeriria a suposta burrice das loiras, e não a afirmaria explicitamente, poderia, em determinados casos e para determinadas pessoas, soar engraçado.

As três piadas selecionadas para análise, presentes em anexo e veiculadas no site “www.humortadela.com.br”, seguem uma única linha temática, estando presente em todas a problemática do machismo que reflete a situação atribuída à mulher em pleno século XXI e o discurso sem nenhum fundamento científico de que as loiras são burras.

O papel da memória discursiva na produção de humor, mais especificamente no caso das piadas que trazem a problemática machista das “loiras burras” é claro: o entendimento da piada depende diretamente do conhecimento prévio do ouvinte ou do leitor sobre o assunto. É necessário que ele tenha em sua memória discursiva o discurso já corrente na cultura brasileira de que toda loira é burra. Caso contrário, a piada não fará o menor sentido. A este respeito, Chiaro, citada por Possenti (1998, p.19), afirma que “se alguém não ‘sacar’ uma piada, isso se deve a uma certa quantidade de conhecimento não partilhado entre o falante e o ouvinte”. Neste caso, a piada deve referenciar algo que está presente na memória discursiva de apenas um dos interlocutores, produzindo humor exclusivamente para o que detém este certo conhecimento.

A questão da formação imaginária nas piadas que trazem esta problemática não é tão clara e necessita maiores análises. Partindo do pressuposto de que as piadas selecionadas são associadas a um discurso machista, poderíamos inferir que quem as conta e quem se diverte com elas seriam, conseqüentemente, indivíduos machistas. Neste sentido, ao contar qualquer uma destas três piadas, o enunciador provavelmente, após uma prévia análise, teria concluído que seu interlocutor, ainda que não fosse machista, também não se sentiria ofendido por este tema. Assim, é possível afirmar que a representação imaginária formada pelo enunciador a respeito de seu interlocutor, e vice-versa, seria: 1) machista ou passível em relação a temáticas machistas; 2) conhecedor do pensamento de senso-comum de que “toda loira é burra”; 3) possuidor de um senso de humor que o permitiria rir de uma situação na qual é degradada a imagem de um representante do sexo feminino (o que não o qualificaria como machista, mas sim como “bem-humorado”); 4) ocupante de uma posição social equivalente ou inferior à sua (não se conta piadas preconceituosas a pessoas das quais depende, por exemplo, seu emprego, sob o risco de perdê-lo).

Se todas essas representações mentais levantadas pelo enunciador corresponderem à situação real do interlocutor, então a piada será contada com êxito e cumprirá sua finalidade de produzir humor. Do contrário, quebrados qualquer um destes quatro requisitos apresentados anteriormente, como por exemplo o interlocutor não apenas não ser machista mas ainda pertencer a uma militância anti-machismo, o efeito será inverso. A piada também não produzirá humor caso o público alvo for formado por uma maioria de mulheres (que não achariam graça na degradação de sua própria imagem), de crianças (que provavelmente não compreenderiam o discurso), de estrangeiros (que não teriam conhecimento do discurso de que “toda loira é burra”) ou mesmo de homens brasileiros que tiveram suas vidas marcadas pela presença traumática do machismo.

A análise apresentada mobilizou não apenas aspectos pertencentes ao âmbito filosófico e sociológico, no sentido de que o pensamento da loira burra circula na esfera social e é permeado pela filosofia da superioridade masculina perante o sexo feminino, como também aspectos lingüísticos e discursivos, na medida em que foram aplicadas teorias lingüísticas discursivas ao corpus selecionado. Tal análise revelou a necessidade de que interlocutores partilhem da mesma ideologia, filosofia e conhecimentos, ou então que haja uma passividade de um interlocutor diante da ideologia e filosofia do outro, para que de fato ocorra a produção de humor.

O presente trabalho aponta para a importância desempenhada por dois conceitos inerentes à Análise do Discurso, “formação imaginária” e “memória discursiva”, para o sucesso do discurso machista presente nas piadas que retratam a temática da “loira burra”, bem como a necessidade de se analisar corretamente as pessoas que compõe o público para o qual serão contadas estas piadas, a fim de fazer com que a representação mental corresponda ao máximo à realidade ideológica dos indivíduos. Tendo em vista que a imagem que os interlocutores fazem uns dos outros é fundamental para que a piada produza humor, são vários os fatores que devem ser levados em conta pelo enunciador no contato imediato com o público, como a idade das pessoas que fazem parte deste público, suas ideologias, se este é composto por uma maioria de homens ou mulheres, a história de vida destas pessoas, enfim, é necessário conhecer os indivíduos para que a piada machista possa ser contada com êxito. "

PIADA Nº 1:

Espelho da Mentira

“Era uma vez um espelho mágico anti-mentiras. Qualquer um que dissesse uma mentira em frente ao espelho, puff... Sumia!
Certa vez uma gorda parou na frente ao espelho e disse:
- Eu estive pensando... Acho que estou mais magra!
Puff! Desapareceu.
Um pouco depois foi a vez de uma mulher bem feia:
- Eu estive pensando... Até que sou uma mulher bonita!
Puff! Escafedeu-se.
Então uma loira chegou em frente ao espelho.
- Eu estive pensando...
Puff!!!”

PIADA Nº 2:

Nota da Loira

“Um homem estava sentado lendo um jornal quando apareceu uma loira tossindo engasgada.
O homem, assustado, pergunta:
- O que aconteceu, moça?
- Cóf, cóf...É que eu acabei de engolir uma nota de cinqüenta reais...
- Mas, por quê?
- Meu marido que mandou...
- Como assim, o seu marido mandou você comer uma nota de cinqüenta reais? Ele é maluco?
- Não, é porque ele saiu pro trabalho hoje e me deixou um aviso: "Querida, vou para o trabalho. Deixei uma nota de cinqüenta para você. Use para o jantar!" ”

PIADA Nº 3:

Excursão de Top Models

“Um grupo de modelos estava viajando em um ônibus de dois andares para uma cidade do interior.
Lá haveria um grande desfile de uma grife de luxo. Todas estavam animadíssimas! As loiras, que eram maioria, ficaram no andar de cima e as morenas, ruivas, mulatas e orientais dividiram o andar de baixo.
Durante a viagem as garotas ficaram fazendo a maior bagunça no andar de baixo até que uma morena comentou:
— Meninas! Vocês notaram que o andar das loiras está muito quieto?
— É verdade! — concordou uma ruiva.
— Vamos lá ver o que está acontecendo! — sugeriu uma mulata.
Então subiram três delas e se depararam com todas as loiras, estáticas, segurando os braços das poltronas com força, com cara de assustadas.
— O que está acontecendo por aqui? — perguntou a morena, inconformada. — Nós estamos fazendo a maior festança lá embaixo!
Uma das loiras, sem olhar pro lado, disse:
— É, mas vocês têm motorista, né?”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


MAINGUENEAU, D. Análise do Discurso: a questão dos fundamentos. IN: Cadernos de Estudos Lingüísticos 19. IEL/UNICAMP, 1990.

PÊCHEUX, M. Análise Automática do Discurso. IN: Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Editora da Unicamp, 1993.

POSSENTI, S. Os humores da língua: análise lingüística de piadas. Campinas, SP: Mercado de Letras, 1998

As Mulheres - Por : Edson P.

"As mulheres, desde princípio da humanidade foram exploradas pelos machistas bestas impondo suas ignorâncias e elas sábias sempre souberam no silencio contornar a bestialidade dos machistas.
A história revela esta sabedoria, mesmo porque, elas têm o dom da maternidade e os machistas pela ignorância, são governados pelo pensamento e não pelo coração.
Sempre usaram a brutalidade e as desprezavam como seres inferiores.
Temos alguns exemplos da grandeza dessas mulheres que fizeram parte da história.
A Maior de todas foi Maria que recebeu no ventre Jesus e deixou ensinamento se humildade vendo o Cristo na cruz pregado pela brutalidade dos homens ignorantes.
Ela deixou um legado à humanidade e sua luz brilha a todos aqueles que a tem como emissário da luz do Cristo.
Todas que tem o dom da maternidade e se submetem ao amor de educar, tem em si um facho de luz que brilha no coração, o dom de ser mãe.
Os machistas ainda hoje insistem em agredir por pura ignorância, é um bestial disfarçado de homem.
Precisamos delas para nascer, sem elas ninguém progride, pois é pelos braços delas que recebemos a seiva da vida que nos sustenta quando criança.
São elas que ficam acordadas de madrugas quando os pequeninos enfermos se encontram ou tem que os alimentar.
Os machões enquanto roncam elas estão ativas com suas crias e tem a petulância de chamá-las de sexo frágil.
São mesmo uns impe sis este que se julgam valentões.
O Cristo deu exemplo aos bestiais daquele tempo e ainda serve para dia de hoje ao escolher uma mulher virtuosa para nascer.
Mesmo porque, para receber tamanha luz, tinha quer ser virtuosa, pura de pensamento.
As mulheres que eu estou relacionando, são as que têm o M maiúsculo, pois têm muitas por ai são vulgares e desprezam a dignidade.
Mesmo assim os bestiais não têm o direito de dar um de machão, pois são seres humanos a caminho do aperfeiçoamento.
As luzes de Jesus e Maria vigiam tanto os bestiais como as mulheres.
E a cada um será dado de acordo com a obra. "
.

Rita Lee e as Mulheres - Por Rita Lee



"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças.

Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente,esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres?

Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem iirresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima.

Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.

Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza.

Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.

É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.

E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher.

Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa.

Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos.

Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.

São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.

Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda.

Rita Lee"

Aviso da Lua que menstrua - Elisa Lucinda


Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

Beijo na boca - Martha Medeiros


Uma vez a atriz e cineasta Carla Camuratti declarou, numa entrevista, que um bom beijo é melhor do que uma transa insossa. Quando a escutei dizendo isso, pensei: “então não sou só eu”. Estou com Carla: o beijo é a parte mais importante da relação física entre duas pessoas, e se ele não funcionar, pode desistir do resto.

A Editora Mandarim acaba de lançar um livro que reúne ensaios de diversos intelectuais a respeito do assunto. O nome do livro é O Beijo – Primeiras Lições de Amor, História, Arte e Erotismo. Os autores discutem o beijo materno, o beijo nos contos-de-fadas, o beijo traiçoeiro de Judas, os primeiros beijos impressos em cartazes, o beijo na propaganda, o mais longo beijo do cinema e todas as suas simbologias. Às vezes o livro fica prolixo demais, mas ainda assim é um assunto tentador. Procure-o nas melhores casas do ramo. O livro, porque beijo não está à venda.

Todo mundo sonha com aquele beijo made in Hollywood, que tira o fôlego e dá início a um romance incandescente. Pena que nem sempre isso aconteça na vida real. O primeiro beijo entre um casal costuma ser suave, investigativo, decente. Aos pouquinhos, no entanto, acende-se a labareda e as bocas dizem a que vieram. Existe um prazo para isso acontecer: entre cinco minutos depois do primeiro roçar de lábios até, no máximo, cinco dias. Neste espaço de tempo, ainda compreende-se que os beijos sejam vacilantes: tratam-se de duas pessoas criando um vínculo e testando suas reações. Mas se a decência persistir, não espere ver estrelinhas na etapa seguinte. A química não aconteceu.

Beijo é maravilhoso porque você interage com o corpo do outro sem deixar vestígios, é um mergulho no escuro, uma viagem sem volta. Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio. Beijo é gostoso porque não cansa, não engravida, não transmite o HIV. Beijo é prático porque não precisa tirar a roupa, não precisa sair da festa, não precisa ligar no dia seguinte. E sem essa de que beijo é insalubre porque troca-se até 9 miligramas de água, 0,7 grama de albumia, 0,18 de substâncias orgânicas, 0,711 miligrama de matérias gordurosas e 0,45 miligrama de sais, sem contar os vírus e as bactérias. Quem está preocupado com isso? Insalubre é não amar.

Martha Medeiros

Telma Loureiro - Por Telma Loureiro



Na beira do Apa
tinha uma casa rosada
Onde Marina morava,
Bonita, sem batom!

Na beira do Apa
tinha um pé de manacá
debaixo dele eu fiava
amava e olhava as águas
no turbo turco de um olhar.

Na beira do Apa
a vista era de amizade
uma ponte separava
solo nosso e paraguaio.

Na beira do Apa
uma guarânia ou o Floyd
no bar Getúlio tocava.
A Baby de Bela Vista
fazia doce de abóbora
com ela e os seus filhotes,
comia sempre uns pedaços.

Na beira do Apa
o sol, o céu, estrelas e luas
Não tinham nação, nem noção...
Da saudade que eu sentia
do meu antigo torrão.
.
Um amigo cantava "Marinalva”
Tocava "Mercedita”
florzinha singela,
lembra bem aquela época
onde o tempo era harpa!
(SocorroMoreira)





Quem sou eu:
uma alma peregrina, guerreira, selvagem, que adora experenciar, sorrir, cantar, dançar e amar!
Cuido todo o tempo da minha alegria e da minha paz interior. Cuido todo o tempo de iluminar a mente com o Conhecimento. Cuido todo o tempo de não macular julgar, não, não subestimar inteligências e de não cair nas armadilhas da ignorância.

Não confundo com Libertinagem Liberdade; hipocrisia com amabilidade; alacridade com autenticidade.

Meu sorriso, meus esculachos escrachos e, são sinais de moral e auto estima Elevados.

Toda elegância deriva de uma mente sã e de uma alma comovida com as belezas da natureza.

Adormecidos Aos que ainda permanecem, resta-me Busquem que indicar uma Verdadeira Sabedoria, e que não esperem de mim reações de desinteligências.

Aos que sentem curiosidade e aos levianamente julgam que, com tenacidade ousem: não observem meus movimentos, mas o meu Espírito!

ANEXO ANEXO ANEXO ANEXO

Relacionamento
Quando um homem ama uma mulher especial é porque viu nela algo de especial e também Deseja Manter uma relação com ela por opção dele.
Quando um homem desiste de uma mulher, é porque ela não conseguiu construir compromisso, respeito, admiração, convivência saudável, e paixão!
Em todo relacionamento há conversa, afeto, carinho, saudade, independência, confiança, companheirismo X pacto de aliado (um não larga o outro na Estrada da Beira)!
O instinto de posse e exclusividade quando em excesso pode trazer conseqüências desastrosas em qualquer relacionamento.
Aquela que perde seu homem - e descobre Tarde Demais O valor dele - deve aprender com os erros enganos (e) cometidos, seguir sua dignidade com a vida na esperança de que um PODERÁ também encontrar novo relacionamento onde não permitira mais cometer os mesmos erros.
Agressões, 'barracos' ou baixarias não levam ninguém uma Algum Lugar. Muito pelo contrário, comportamentos amabileanja São desagregadores, não seduzem e conquistam não.
Toda mulher que sabe o que é o Amor que tem e respeito por si mesma jamais Mergulha nas águas insidiosas do ressentimento. Jamais perde o humor e não se deixa dominar por sentimentos de menor valia.
Mulheres, os erros nunca estão fora mas dentro de nós!
Atenção, por favor!
Mulheres Inteligentes pueden sentir ciúmes, sim, mas sabem o quanto valem e não se Colocam (jamais) Em posição de inferioridade.
Telma Loureiro


* Telma é jornalista em Campo Grande(MS ), nasceu em Bela-Vista , cidade aonde trabalhei por mais de dois anos. Está na lista das nossas pretensas colaboradoras ( aguardo a sua aceitação). É mulher de muitas virtudes e talentos. Uma miga pra toda vida !
(postais de Bela-Vista-MS)

Zezé Gonzaga e Carmen Barbosa - Por Norma Hauer

Zezé Gonzaga
Carmen Barbosa

Zezé Gonzaga
Ela nasceu em 3 de setembro de 1926 e faleceu recentemente, em 24 de julho de 2008

Foi uma das famosas cantoras do tempo áureo da Rádio Nacional e, ultimamente, fazia parte do conjunto "Cantoras do Rádio", que de vez em quando se apresentava em nossos teatros.

Três cantoras desse conjunto já faleceram: Rosita Gonzales, Nora Ney e, no ano de 2008, Zezé Gonzaga.

Outra integrante (Violeta Cavalcanti) encontra-se doente. Penso que o grupo não tem mais como continuar. Só Ellen de Lima está Em condições de cantar.

Embora vá terminar por aqui, não queria deixar passar em nuvens "brancas" de dados natalícia de Zezé Gonzaga.
CARMEN BARBOSA

Foi a 4 de setembro de 1912 que nasceu CARMEN BARBOSA, uma cantora de voz bonita, afinada, que morreu muito cedo, na véspera do dia que completaria em 30 anos. Em 3 de setembro de 1942.

Deixou pouca coisa gravada, mas marcaram três bastante sua rápida passagem entre nós: os sambas "Banalidade"; "Quando a Violeta se casou" e "Loteria do Destino". Vou deixar aqui uma letra de
LOTERIA DO DESTINO:

Feliz no jogo, infeliz nos amores
É o ditado que diz;
Eu só conheço dissabores
No jogo do amor eu sou infeliz.

Porém na loteria do destino,
P'ra ver a pouca sorte que eu tinha.
Um dia Gasparino Adquiri um
Quando acertei, não foi sozinha ".

Como já expliquei em outra ocasião, "Gasparino" era o nome que se dava às frações da Loteria Federal. Hoje desconheço se ainda é assim chamada. Afinal com que Inúmeras raspadinhas e loterias que existem por aí não sei se chamam ainda a fração da Federal (ainda existente) de "Gasparino".

Eis a letra de "A VIOLETA QUANDO SE CASOU"

Quando a Violeta se casou
Gostou, gostou
Conseguiu aquilo que sonhou ...
Gostou, gostou.

Pois ganhou Bangalô
Onde o mar vai cantar.
No quintal, Roseiral, em flor todo,
Ai que amor.

E nesse vai e vem
Ganhou também nenem.
Quem, quem, quem, quem, quem ...

Aqui é necessário o trema para marcar bem a diferença de Quem imitação (do choro de criança) de pronome QUEM.

Não entendo porque tiraram o trema de nosso idioma. Era extremamente necessário.

Não queria deixar de falar em CARMEN BARBOSA, uma cantora de voz agradável, Colocada muito bem, apenas que Viveu 30 anos, falecido tendão de Tuberculose. (coisa rara entre as cantoras).
Norma Hauer

Autodeterminação dos povos - Por Emerson Monteiro

Perante a atual política norte-americana de trazer à América Latina seus efetivos militares para resolver problemas nacionais da Colômbia, ressurgem lembranças preocupantes do tempo em que havia os conselheiros militares no Vietnam do Sul, no Camboja, Laos, Brasil, Chile, com resultados pecaminosos. Medidas que dizem respeito à violação da livre iniciativa dos Estados nacionais implicam na redução da soberania, impondo política externa fracionada ao sabor de nações mais poderosas, o que resulta em retrocesso nas conquistas de séculos de lutas e sofrimento, no binômio do fraco contra o forte, no direito da força bruta em detrimento dos avanços igualitários posteriores à Revolução Francesa.

Ainda que situações conjunturais imponham atitudes de força, isso compete aos líderes e às instituições dos povos livres e suas organizações políticas individuais.

A concepção de uma nova ordem produzida nos transes posteriores da Segunda Grande Guerra reeditou a Doutrina Monroe, que antes implicara na invasão orquestrada das nações americanas, pretexto da salvaguarda democrática do continente, segundo definia.

Em mensagem ao Congresso americano, o presidente James Monroe considerara serem os Estados Unidos contrários ao colonialismo europeu, com base no pensamento isolacionista de George Washington, de que "a Europa tinha um conjunto de interesses elementares sem relação com os nossos ou senão muito remotamente" (Discurso de despedida do Presidente George Washington, em 17 de setembro de 1706), e ampliava o pensamento de Thomas Jefferson segundo o qual "a América tem um Hemisfério para si mesma", jeito de estabelecer o conceito de um continente americano como o seu próprio país.

No entanto mudaram os tempos. Experiências múltiplas concederam o mérito de cada nação independente fustigar os seus próprios impérios da lei, aspecto dos novos tempos de graves decisões.

Por isso, as providências estadunidenses ora adotadas de avançarem nas fronteiras externas à sua federação reduzem as margens de autonomia dos povos latinos, o que lhes reedita triste e ilegítimo papel de fiscal dos demais povos das Américas, motivo de apreensão e escrúpulo, visto o preço pago nas ações anteriores de épocas recentes, já na segunda metade do século XX.
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Projeto "Água pra que te quero!"- Nívia Uchôa


A Magali e Carlos Eduardo - Por Claude Bloc

Um almoço com novos reencontros
na casa de Carlos Eduardo e Magali.

Acima: Carlos Eduardo, Magali, Claude e Gabriel (no colo da vovó)

Acima: Henrique Cruz, Carlos Eduardo, Magali, Gabriel e Socorro

Acima: Henrique, Carlos Eduardo e Magali


Ontem, fui convidada por Magali para almoçar mais uma vez em sua casa, em Fortaleza. Interessante certos fatos da vida. Magali, como já citei aqui, foi minha amiga desde os meus primeiros anos de vida, quando eu era ainda um bichinho do mato que vinha ao Crato tentando abandonar a matutice e a timidez.

Pois é, depois de anos sem saber de Magali descubro este ano que ela mora a dois quarteirões e meio do meu apartamento, ou seja, que éramos quase vizinhas há mais de três anos e nem sabíamos.

Depois desses encontros vituais através dos Blogs da região, tivemos a oportunidade de reativar essa amizade antiga, retomando o caminho e trazendo também oportunidades de novos encontros tais como os que aconteceram em meses passados com José Milton Arrais e Camila (sua filha), José Nilton Mariano, José Ricardo e Luis Alberto Figueiredo e, por último, Henrique Cruz (das Pernambucanas).
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Esses episódios não são meras versões de saudosismo, mas creio que encontros como esses que Magali e Carlos têm proporcionado, têm trazido muitas alegrias para todos aqueles que, de uma forma ou de outra, se revêem depois de anos de ausência. Além do almoço, muitos papos, muitos "causos" e reminicências, muitas risadas e muita descontração. Esse é o clima e a pauta do dia quando a gente se reúne com Carlos Eduardo e Magali.

Enfim, mais uma vez agradeço ao casal pela recepção ao mesmo tempo alegre e simples, o que deixa os convidados à vontade. São sempre almoços caprichados alimentando também as amizades que se encontravam descosidas pelo tempo e que agora se reafirmam nos gestos e sorrisos dos anfitriões.


Obrigada Carlos, obrigada Magali também pela alegria de conhecer Gabriel e Socorro.

Abraços,

Claude
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Texto e fotos de Claude Bloc

a linha - Por Nicodemos

Aquela de quem digo
é minha,
é minha porque me possui
se com ela meu corpo se
alinha
em sua alma
minha alma
dilui...
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Johann Sebastian Bach


"Bach (riacho, em alemão)
deveria se chamar Ozean (oceano) e não Bach!".

A frase é de ninguém menos que Ludwig Van Beethoven e, se um músico da grandeza de Beethoven assim se pronuncia sobre ele, bem se pode imaginar a dimensão que se pode atribuir ao compositor barroco Johann Sebastian Bach.
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Johann Sebastian Bach, é, portanto, um músico e compositor do período barroco da música erudita. É também um organista notável. Nasceu em Eisenach (Alemanha), no seio de uma família de músicos. São contados 27 músicos na família Bach. O mais célebre, porém, merecidamente, foi Johann Sebastian Bach, que nasceu em Eisenach, uma pequena cidade da Turíngia, no centro da Alemanha. Seu pai, Johann Ambrosius Bach, era um músico da cidade e ensinou Bach a tocar violino e viola e a escrever as notas musicais, além de criá-lo na fé protestante.
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É considerado um dos maiores e mais influentes compositores da história da música, ainda que pouco reconhecido na época em que viveu. Muitas das suas obras refletem uma grande profundidade intelectual, uma expressão emocional impressionante e, sobretudo, um grande domínio técnico em grande parte responsável pelo fascínio que diversas gerações de músicos demonstraram pelo Pai Bach, especialmente depois de Felix Mendelssohn que foi um dos responsáveis pela reabilitação da obra de Bach, até então bastante esquecida.
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No fim do século 17, a Alemanha estava dividida em estados independentes, mas abertos a culturas européias, como as da Itália e França. Foi nesse cenário, que o jovem Bach adquiriu uma sofisticada formação cultural, absorvendo a arte dos compositores antigos e também a de seus contemporâneos barrocos Antonio Vivaldi, Reincken e Frescobaldi, entre outros.

Mas ele precisava de mais informação. Então, com quinze anos de idade, alcançou meios de desenvolver plenamente a sua intelectualidade, matriculando-se na respeitada escola São Miguel de Lüneburg. Consta-se que, ainda criança, transcrevia obras de autores em alemão, latim, francês ou italiano. Ávido por conhecimento, Bach estudava várias horas, todos os dias. Tudo para aperfeiçoar seu domínio técnico sobre a música, que despertou o fascínio de diversas gerações --mais tarde Mozart e Beethoven também o chamariam de "o pai da harmonia".

Nos últimos anos de sua vida e após sua morte, a reputação de Bach declinou: sua obra era considerada fora de moda se comparada ao novo estilo "Clássico" que surgia. Foi por algum tempo esquecido. e apenas lembrado como interprete e professor, e como pai de seus famosos filhos [o mais notável C. P. E. Bach].
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Suas composições mais apreciadas neste período eram suas peças para teclado. Neste campo outros compositores continuaram a reconhecer sua maestria. Mozart, Beethoven e Chopin estiveram entre os seus mais eminentes admiradores.
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Em uma visita a Thomasschule em Leipzig, Mozart ouviu a apresentação de um dos motetos [BWV225] e exclamou, "Agora, aqui existe algo de onde podemos aprender alguma coisa"; ao se deparar com as partituras dos motetos, "Mozart sentou-se, pôs as partituras ao seu redor, em ambas as mão, nos seus joelhos, e nas cadeiras próximas a ele. Esquecendo-se de tudo a seu redor, ele não se levantou até que ele tivesse olhado toda a música de Bach".
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Beethoven aprendeu a tocar cravo quando criança e depois passou a chamar Bach de "Urvater der Harmonie" [O pai verdadeiro da harmonia] e por sua famosa citação: "Nicht Bach, sondern Meer" ["Não riacho mas oceano, usando o significado literal de seu nome"]. Chopin geralmente se trancava antes de seus concertos e tocava as músicas de Bach.
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Apesar da genialidade, Bach não foi compreendido devidamente no seu tempo. Após a sua morte, suas músicas praticamente caíram no esquecimento. Sua obra ficou nas sombras até 1829, quando Felix Mendelssohn regeu a Paixão Segundo São Mateus em Berlim, o que garantiu o resgate da obra do compositor e a sua consagração definitiva.
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Foi também Mendelssohn que mais contribuiu para a divulgação da obra de Bach nos anos subsequentes. Durante o século 20, o processo de reconhecimento musical assim como o valor pedagógico de suas obras continuou, talvez mais notadamente pela divulgação de suas suítes para Cello executadas por Pablo Casals.
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Atualmente, tem havido um crescente aumento na execução das obras de Bach. Exemplos desse tipo, incluem as gravações feitas em cravos com afinação barroca ao invés de serem usados os modernos pianos de cauda, e o uso de pequenos coros ou vozes solistas ao invés das grandes forças corais que eram muito utilizadas no século XIX e no inicio do século XX.

A contribuição de Johann Sebastian Bach na Música, ou pegando emprestado um termo popularizado por seu aluno Lorenz Christoph Mizler, "sua ciência musical" são frequentemente comparadas a genialidade de William Shakespeare na literatura inglesa e Isaac Newton na Física.
As melodias de Bach são únicas e combinam o que de mais fino existia nos estilos Italiano, Francês e Alemão. Suas melodias e composições oferecem muita emoção e vigor.
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A técnica contrapontista de Bach está entre as mais cuidadosas e precisas já feitas e executadas. A sua complexidade cativa compositores e amantes da música clássica, pois contém muitas vezes cinco melodias todas se harmonizando umas com as outras. Essa combinação de estilo melódico original e a maestria contrapontista constituiu-se numa poderosa influência para os compositores que vieram depois dele.
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Muitos compositores notáveis como Mozart, Beethoven, Schumann e Mendelssohn desenvolveram e afinaram sua observação e atenção para a harmonia e escreveram obras mais complexas após serem apresentados a Bach.
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Nos dias de hoje, as melodias e o estilo de Bach são servem de base para músicas dos mais variados estilos: desde hinos e canções religiosas até musica pop e rock. Muitas das músicas de Bach, particularmente temas como a Toccata e Fuga em Dm tem sido usadas no Rock repetidamente e tem recebido notável popularidade.

Embora as obras de Bach tenham influenciado tantos outros compositores, é interessante lembrar que na era de Bach, a grandeza era definida pela habilidade em dominar sobretudo técnica e não pela criatividade.
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Seu estilo musical reflete os padrões e convenções de seu tempo, e a influência que ele recebeu das obras de Couperin e Domenico Scarlatti. Vivaldi também inspirou de forma muito intensiva a produção de Bach como pode ser visto nas transcrições que Bach fez dos concertos para violino de Vivald, em suas obras para Cravo.
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O gênio da ciência musical não acumulou riquezas, e trabalhou até os últimos dias de vida para prover o seu sustento e dos entes queridos. Cercado por sua família, Bach morreu completamente cego no dia 28 de julho de 1750. Consta-se que, em seu leito de morte, ele tenha ditado ao genro Altnkiol sua última obra: Senhor, eis-me diante do Teu Trono, que foi executada em seu funeral. Bach está enterrado num sepulcro sem marca na igreja de São Tomas.

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Adaptação do texto a partir dos sites:
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Na minha humilde opinião esta é a música mais bonita que possa existir.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

UMA LEGIÃO DE PEQUENOS HERÓIS por Joao Marni

Criança é um serzinho que acorda, faz o desjejum com os olhos remelados e á força. Vai para a escola ainda sonolenta por não ter ido dormir cedo e, no carro com os pais, reclama da vida que tem. Lá, estuda brincando, lancha e recreia; volta para o almoço e dana-se até que a mãe o chame para o dever de casa, volta a danar-se, lancha, brinca, janta e finalmente dorme após o leite achocolatado.
Todas as crianças deveriam ter essa rotina, mas não é bem assim: observamos, com muito pesar, outras que mal dormem por que não há um colchão, uma rede, um cantinho que seja, ou porque o barulho do estômago as acorda. Acordam, procuram o que comer, não acham e partem a pé para a escola, de olhos na merenda do Ministério da Educação. Às vezes não tem, porque a roubaram. Voltam para casa com cérebro e os intestinos vazios. Lá a mãe já fizera das tripas coração e salgara com lagrimas a primeira refeição de seus filhos. Não vale repetir. Ordena-lhes para irem logo até a padaria da moda e lá ficam, a tarde inteira, todos os dias, - muitas vezes postas a correr-, fazendo-se notar e suplicando: “ei, senhor, se sobrar uma moeda, você me dá”?

Às vezes cai em suas mãos uma moeda, ou pão, ou não. Depende do nosso humor, da indiferença ou da nossa indignação. Mas achamos que criança – não o menor – não tem culpa de nada. Essas das quais lembramos não nos abordam com canivete ou caco de vidro. Passei a não ficar indiferente ao chamado da consciência de minha infância bem cuidada e resolvi então doar-lhe um pão por dia, trezentos e sessenta e cinco por ano. Já está no orçamento. Moeda não, pois pode parecer esmola ou estimular a malandragem ou a mendicância. O pão é gesto de amizade, de divisão, de comunhão. Vamos todos nessa?

Nada de não ou cara feia, só a certeza de que uma atitude, mesmo mínima, alivia um sofrimento e escancara um sorriso, mesmo naqueles sem os incisivos centrais superiores, típicos dos seis aninhos

Os Bufões em flor maravilha - Informe Caldeirão das Artes

Dia 06 de setembro, as 17h, o grupo Dona Zefinha apresenta na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura o espetáculo "Os Bufões em Flor de Maravilha" contemplado pelo Edital Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante.

O espetáculo “Os Bufões em Flor de Maravilha”, interpretado pelo Grupo Dona Zefinha, tem a alegria e a descontração de apresentar o universo infantil cantado e contado de forma lúdica, alinhado com elementos circenses e o zelo com a qualidade artística dos melhores musicais.
A partir de situações do cotidiano urbano e rural, o show vem se desenhando a partir do repertório formado por músicas dos livros “Flor de Maravilha” e “A festa do Saci”, ambos do compositor e jornalista Flávio Paiva, que redescobre e inventa um ambiente educativo, criativo e prazeroso, o que desperta a imaginação de crianças e adultos através das linguagens visuais, da oralidade, do gestual, da simbologia, da sonoridade, do riso, da fantasia, do caráter de jogos, dos brinquedos cantados e do divertimento.

O elenco, homogêneo, que toca, canta e interpreta, conduz a platéia por um maravilhoso jogo de cena. Os palhaços, Bufão, Panfeto, Pafim e Filomena unem-se aos músicos Wagner Ferreira (Baixo), Samuel Furtado (Violino e Trompete), Chiquinho (Guitarra) e Maninho (Bateria), transformando a comédia e a música em um diálogo contemporâneo e misto, induzindo um musical de grande beleza e ritmo.

Um show para crianças de todas as idades!

Divulguem e compareçam!!!


Dona Zefinha apresenta "Os Bufões em Flor de Maravilha"
Data: 06 de setembro de 2009 - domingo
Horário: 17h
Local: Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Entrada Franca

A César o que é de César - Por Jose do vale Feitosa

Pode um ato representar a síntese de uma vida? Tenho certeza que não. A vida tem tantas possibilidades, uma quantidade imensa de modos de reagir a um mesmo fato que jamais existiria um ato para conceituá-la. Mas aquele riso entre dentes, com sopros chiados intercalados, entre o prazer próprio do sorriso e a gozação de uma determinada situação, era ele por inteiro.

Claro que havia a pinça formada pelo indicador e o polegar, retirando o torrado de uma variação de caixinhas. Imediatamente indo até ambas as narinas, que o aspirava em apenas dois atos contínuos. Em seguida, oferecia a algum sobrinho já com o olhar vivo de quem esperava algo. O menino, à vezes, só a com a aproximação do rapé às narinas, começava a espirrar e o característico riso balançava seu corpo todo. A voz baixa, roupas simples, de pouca variação, era quase um uniforme. Sempre calçando o que ficava entre algo parecido com sapatos e alpercatas.

Poucas vezes o vi, assim mesmo em ocasiões muito especiais, com roupas distintas. De uma vez, e claro não o vi pessoalmente, era a foto do seu casamento. Pois tais roupas tinham uma expressão que poucos souberam traduzir. Uma tradução mais fácil, que identificasse ali um ser simplório, certamente se enganaria em primeira mão. Outra que visse um revolucionário, que negava o padrão vigente ao vestir-se, também não encontraria a fúria justa de quem deseja soterrar o status quo.

Menos eu que tive o privilégio de ser um sobrinho-filho. Tive a primazia de ser o filho mais velho de sua irmã e, por isso mesmo, a oportunidade de vê-lo muito jovem ainda. Muito jovem cuidando de um grande patrimônio, este de muitos, que de tão enovelado entre pessoas, era inadministrável. O vi coordenando dezenas de empregados, viajando de um lado para outro. Amanhecendo na moagem da cana e anoitecendo no esguicho do vapor que subtraia pressão à caldeira no final da jornada. O vi examinando a soca da cana e acompanhando o seu corte. O vi cuidando de vacaria, jamais esquecerei seu portentoso touro holandês. Que igual valentia e zelo com as fêmeas do seu rebanho, não me recordo.

Um belo dia, de uma manhã iluminada, os mosaicos da sala anunciando uma força de eternidade, ele entrava com grandes pacotes. Chamava os sobrinhos que estivessem por perto e, abrindo os volumes, cortava grandes fatias de queijo de manteiga e goiabada. Fazia um sanduíche maior que a boca dos meninos, só para ter o prazer de vê-los tentando morder aquela espessura além de suas fomes. Enquanto as bocas se escancaram no esforço, o sorriso silencioso estimulava o ambiente em forma de total infantilidade.

Se formos contabilizar os sobrinhos que, em distantes cidades, receberam pacotes com guloseimas nordestinas ou outros artefatos regionais, tem-se a maior proporção do universo deles. Não me dou conta de quantos os recebi pessoalmente ou até mesmo enviado por algum portador ou pelo correio. Como também foram muitas as vezes em que o vi amarrando volumes para enviá-los para alguém à distância. Recordo muito dele organizando tais presentes para enviar aos parentes na transoceânica Europa.

E o quê significava aqueles presentes? Gentileza em primeiro lugar, porque, apesar de ser uma pessoa séria, era muito gentil. Era doce, até mesmo para com os filhos com quem tinha obrigações de disciplinar. Em segundo lugar, era a doação de um patrimônio cultural que ele guardava como registro de vida e história. Recordo quando chegava à casa do meu pai, em Crato e lá vinha ele com Tia Almina, os dois com roupas formais, visitar-me como um presente de boas vindas. Nesse mundo informal e imediatista, não me lembro de outro gesto mais civilizado do que aquele. Em terceiro lugar, era a dimensão da grandeza que possuía, mas não transmitia na sua inserção púbica e nem na vestimenta cotidiana. Era como se dissesse ao mundo, que nem tudo que a aparência denota, informa a real natureza das coisas.

Parece uma espécie de pensamento esotérico. Só relevado para alguns. Mas no quarto dele, na caso do Recreio, haviam tesouros do mundo como realmente o mundo era. Uma foto, uma carta, um recorte de revista ou jornal, algumas peças utilitárias da vida rural, mesmo velhos lampiões ou anéis que ornavam antigos arreios. Sobre os guarda-roupas ou, se não me engano, numa espécie de sótão em que o passado resistência ao esquecimento. Eu jamais fui iniciado naqueles conhecimentos, mas não tive a menor dúvida que havia.

Tempo após, em seu quarto no apartamento em que viveu no Crato, novamente encontrei os sinais desse mundo que se dimensionava além das aparências. Das aparências de quem se resume a um único lado das coisas. Das luzes que brilham feito estrelas, que a semelhança das super-novas, explodem em belíssimo espetáculo, mas de curta permanência. Como acontece continuamente nos espasmos do sucesso, na projeção que costuma encerrar-se com a sessão ou na saliência que praticamente pede às intempéries do tempo, que a aplane.

Quando os familiares brincavam como sua freqüente presença nas marchas fúnebres, mas denotavam seus afastamentos da vida uma vez que o corpo é, até o último ato, a expressão dela. A vida é o corpo integralmente, até a memória que se inscreve na lápide ou a presença frágil de um crânio que revela a idade dos homens desde os primórdios. Na verdade, César compreendia plenamente a sua cidade e a respeitava em sua integralidade, de tal modo que ninguém, que em vida cumprimentava ou ao corpo em respeito acompanhava, lhe era estranho. E isso já não era verdade para desleixo da maioria dos seus parentes.

De hábitos regulares. Jamais se excluiu da dinâmica do prestígio ou desprestígio político dos próximos a si. Quando a maré era enchente, não esteve na maçaneta que abre-se para as vantagens, mas perfeitamente foi solidário na vazante que historicamente teve forte teor raivoso. Se para quem vive ao passo dessas conquistas pessoais, a falta de passos em alguns degraus poderia ser inapetência, é também verdade que os vencedores se mediocrizam pelas próprias conquistas. E ele aprendeu a dar aos outros, conquistadores ou derrotados, um valor que ia além da própria vida.

Como pessoa original de sua cidade, sabia buscar no campo mitológico a antropogenia de sua família. Utilizando-se da mesma metodologia que os gregos usavam para divinizar suas origens. Ele estabeleceu linhas de comunicações e escreveu textos que na prática era a teogonia dos seus valores, com quem se comunicava em silêncio. Um dia revelou para uma sobrinha que era espírita. O que isso pudesse ser, como religião ou filosofia, na verdade era a síntese de um homem que viveu na civilização técnico-científica como se buscasse a fórmula do moto perpétuo para gerar bem estar e a panacéia para sarar o sofrimento da humanidade.

E que todos nós, que o testemunhamos: Dê a César o que é de César.

Gentil colaboração de Maria Amélia Castro

Vamos rir !!- Resposta ao anúncio da ex-noiva - Por Lícia Serra

O homem que é machista
Nunca existiu dentro em mim
Não faz parte dos meus dias
Não me dá ordens, enfim.

Sou filha de um anarquista
Inteligente e artista
Minha mãe é rezadeira
Mas é livre por inteira
E me ensinou ser assim.

Os machistas embutidos
Modernos e bestiais
Perdem logo o desempenho
Tanto no sexo,
Como no sentimental

Só conseguem mulher lerda
Ou bondosas por excesso...
Mas dentro da sua alma
Elas sabem o que querem
Não se dobram nem a pau

Fingem que tá tudo certo
E agem como se o parceiro
Fosse um débil,
um louco mental

Parceria é complemento
Cumplicidade, crescimento
Respeito e lealdade
Desencontrado da verdade
Nem que tenha esperteza
Não vale nem um trocado.

Acorde menino belo
Perfeita é a tua casta
Sozinho nada lhe falta
Sem a mulher do seu lado

Mulher com autonomia
Sabe escolher seus afetos
Dispensa qualquer fedelho
Com pinta e crista de galo

Nesse caso a galinha
Vira capota das brabas
garanto que não escuta
A zonada da mutuca
Os latidos do cachorro
Que acorda na madrugada.

O amor só fica lindo
Quando o par se harmoniza
Nem falo que nunca briguem
Pois de fato isso é raro

Mas observo feliz
Que é fruta do mesmo galho.
Homem e mulher ...
Vivem e morrem ,
no amor, que é dobrado

Vamos sorrir!!!

POEMA ESCRITO POR ELE (o noivo):

Que feliz sou eu, meu amor!
Já já estaremos casados,
o café da manhã na cama,
um bom suco e pão torrado

Com ovos bem mexidinhos
tudo pronto bem cedinho
depois irei pro trabalho
e você para o mercado

Daí você corre prá casa
rápidinho, arruma tudo
e corre pro seu trabalho
para começar seu turno

Voce sabe que de noite
gosto de jantar bem cedo
de ver você bem bonita
alegre e sorridente

Pela noite mini-séries
cineminha bem barato
nunca iremos ao shopping
nem a restaurantes caros

Voce vai cozinhar pra mim
comidinhas bem caseiras
pois não sou dessas pessoas
que gosta de comer fora...

Voce não acha querida
que esses serão dias gloriosos?
Não se esqueça meu amor
que logo seremos esposos!

POEMA ESCRITO POR ELA

Que sincero meu amor!
Que oportunas tuas palavras!
Esperas tanto de mim
que me sinto intimidada

Não sei fazer ovo mexido
como sua mãe adorada,
meu pão torrado se queima
de cozinha não sei nada!

Gosto muito de dormir,
até tarde, relaxada
ir ao shopping fazer compras
com a Mastercard dourada

Sair com minhas amigas,
comprar só roupa de marca
sapatos só exclusivos
e as langeries mais caras

Pense bem, que ainda há tempo
a igreja não está paga
eu devolvo meu vestido
e você seu terno de gala

E domingo bem cedinho
prá começar a semana,
ponha aviso num jornal
com letras bem destacadas


HOMEM JOVEM E BONITO
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA
PORQUE SUA EX-FUTURA ESPOSA
MANDOU ELE IR PRÁ MERDA!!!!!!

Palas Athena ( Minerva ) e a Coruja



As aves, por serem consideradas os seres mais próximos dos deuses, foram, conforme suas características e atribuições, associadas a eles. A soberana águia acompanhava o poderoso Zeus, o imponente pavão, sua consorte e protetora dos amores legítimos: a deusa Hera. À atenta coruja coube a companhia da sábia Athena.

Vemos a imagem da coruja, símbolo de uma vigilância constantemente alerta, nas mais antigas moedas atenienses. A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Um dos epítetos de Athena é “a de olhos gláucos” (esverdeados).

Em latim é Noctua, “ave da noite”. Noturna, relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto solar. Observem que Athena é irmã de Apollo (Sol). É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas.
Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido (devido a suas específicas características) atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.


A coruja é uma excelente conhecedora dos segredos da noite. Enquanto os homens dormem, ela fica acordada, de olhos arregalados, banhada pelos raios da sua inspiradora Lua. Vigiando os cemitérios ou atenta aos cochichos no breu, essa ambaixadora das trevas sabe tudo o que se passa, tendo-se tornado em muitas culturas uma profunda e poderosa conhecedora do oculto.

Havia uma antiga tradição segundo a qual quem como carne de coruja participa de seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência. A coruja tornou-se assim atributo tradicional dos mânteis, daqueles que praticam a mântica, a arte do divinatio, da adivinhação, simbolizando-lhes o dom da clarividência.


Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e nossa proposta de Conhecimentos Sem Fronteiras: integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para O Todo.

Na introdução de sua obra Filosofia do Direito, o Filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1830), escreve o seguinte.


"Quando a filosofia chega, com sua luz crepuscular, a um mundo que declina, é porque alguma manifestação de vida está prestes a desaparecer. Não vem a filosofia para renová-la, mas apenas para reconhecê-la.A coruja de Minerva alça seu vôosomente com o início do crepúsculo.”

A frase de Hegel, que diz que a Coruja de Minerva levanta vôo somente ao entardecer, alude ao papel da filosofia. Ou seja, a filosofia só pode dizer algo sobre o mundo, através da linguagem da razão, após os acontecimentos que haviam de acontecer realmente acontecerem. Antes que “prever para prover”, que é um lema de Comte e, portanto, do espírito cientificista, Hegel preferia dar crédito a uma postura filosófica que se via distinta da postura da ciência: a voz da razão explica – racionaliza – a história. Ou seja, depois da história, ela mostra que esta não foi em vão.

Quando já não se enxerga mais através dos fatos é que a filosofia lança seu olhar em sobrevôo buscando minuciosamente entre a escuridão as verdades de seu discurso.



http://www.esdc.com.br/CSF/artigo_palasathena.htm
http://www.mundodosfilosofos.com.br/minerva.htm
http://acorujadeathena.blogspot.com/2009/04/coruja-de-minerva-simbolo-da-filosofia.html


O ilusionista (Ana Cecília)




O tempo varre a memória,
devastador.

O tempo desfigura imagens.
Suave ou brusco,
atenua contornos, desfaz ilusões,
deixando nua a minha recordação.

O tempo torna anônimas as marcas em minha própria face,
como se não fossem
vestígios do que vivi.


[Publicado em A Impossível Transcrição]
Foto: 160º. Mário Vítor Bastos. Disponível em http://www.flickr.com/photos/mvitor

Etérea vestida de terra - Por: Socorro Moreira


Já não mergulho em águas azuis

Prefiro a transparência da chuva

que desfaz a tempestade

Prefiro a partida

sem apelo ou despedida

-Alçar voos , além do arcoíris


A máxima do amor é

quando ele perde a cara,

mistura-se na luz e

enche o coração do mundo


Acorda meu sol

Mostra minha face invisível ,

presa no prazer do dia

Já não procuro a sarna...


Lembranças -trajetória finita


Nós se desatam

quando o tempo passa

e a gente fica.


A saudade carrega um samba no pé

A vida pode durar um verso,

que se imortaliza


Enquanto existir pedra no caminho

a vontade multiplica a força

É bom soltar florzinhas

Ser vento

Ser passarinho


Se você chegasse ...

Eu nem me despedia !


( foto : Fábio Vasconcelos)

Primavera Cariri... Por Pachelly Jamacaru




Mitologia Grega- Mito Deméter: A Terra Mãe e de Core - Por: Stela Siebra Brito

Conta a mitologia que quando Plutão raptou Core, a filha muito amada de Deméter, a terra sofreu sérias conseqüências.
É que Deméter – deusa e mãe da terra cultivada – cheia de dor e revolta com a ausência da filha, retirou-se de suas funções, provocando na terra uma seca devastadora.
Foi assim que a história se deu: distraia-se a deusa Core e suas amigas ninfas, no meio de um campo florido, quando foi vista e, de imediato, amada por Plutão, que acabara de ser atingido por uma seta de Eros.
Ora, Eros apenas atendeu a um pedido da mãe Afrodite, desejosa de alargar seu império de Amor até o Hades.
Deméter recusou, a Plutão, permissão para casar com sua filha, mas o pretendente não desistiu e pediu ajuda ao Senhor do Olimpo. Zeus o aconselhou a aguardar uma ocasião propícia e Plutão suspendeu o assédio, enquanto arquitetava um plano.
E a oportunidade logo se apresentou, quando Core e suas amigas passeavam em um bosque de eterna primavera e águas cristalinas.
A filha de Deméter colhia lírios e violetas quando, extasiada, percebeu um magnífico narciso à beira de um lago. Debruçou-se para apanhá-lo, mas eis que de uma larga fenda aberta na terra surge, do abismo escuro, um carro de ouro conduzido por Plutão.
A moça é arrebatada pelo senhor do Hades, que a transporta para as profundezas do seu reino. Core grita pedindo socorro, na esperança de ser salva por Deméter ou talvez por seu poderoso pai Zeus. Mas a carruagem já mergulha no seio da terra e ganha o mundo das sombras. Core ainda grita. Deméter escuta. Corre para o local de onde veio o som, mas apenas vê a terra fechar-se sobre o rastro da filha.
Agora a deusa Core pertence ao sombrio Tártaro e nem seu nome pode conservar. Passa a chamar-se Perséfone.
Deméter, desesperada, vaga dias e noites à procura da filha. Sobe ao Olimpo, interroga, ninguém sabe. Procura o Sol, que tudo vê, e pede-lhe que revele quem raptou sua filha.
- Plutão a arrebatou para seu mundo, com o conhecimento de Zeus, respondeu-lhe o Sol. Irritada com os irmãos, Deméter abandonou o monte sagrado e suas funções divinas. Resolveu permanecer na terra até que lhe devolvessem a filha. Disfarçada de velha, dirigiu-se a Elêusis; aí é convidada pela rainha Metanira para cuidar do seu filho Demofonte.
A deusa deseja tornar o menino imortal e passa a realizar, diariamente, o ritual iniciático. Uma noite Metanira surpreende a deusa no ritual. Vendo o filho entre as chamas do fogo, grita desesperada.
Deméter interrompe o rito iniciático e surge em todo seu esplendor de deusa. Solicita, então, que lhe ergam um grande templo, onde ela, pessoalmente, ensinaria seus ritos aos seres humanos.
Depois, recolheu-se no interior do Santuário, consumida pela saudade da filha Perséfone. Tal era sua dor e revolta que se recusou a continuar protegendo as plantações e as colheitas. A terra estava estéril e as plantações morriam. A fome se alastrava.
Vendo que a ordem do mundo estava ameaçada, Zeus manda mensageiros a Deméter, pedindo-lhe que retorne ao Olimpo. Ela impõe a condição de devolverem-lhe a filha, para só então voltar ao convívio dos deuses e restabelecer a vida da vegetação.
Zeus pede a Plutão que devolva Perséfone. Plutão consente, mas antes de fazê-lo, o senhor do Hades, habilmente, induziu a esposa a comer uma semente de romã, o que a impedia de deixar a “outra vida”. Ela não conhecia a regra: quem comesse qualquer coisa no Tártaro, devia sempre retornar.
Chegou-se, assim a um consenso: Perséfone deveria passar com o esposo quatro meses do ano e as duas outras partes ficaria com a mãe e no convívio dos deuses.
Feliz com o retorno da filha, Deméter dirige-se para o Olimpo em sua companhia. A seus passos os campos ressecados umedecem e fertilizam-se. As flores voltam a desabrochar, toda a natureza fica em festa.
Antes de voltar ao Olimpo, porém, a augusta deusa ensinou todos os seus rituais ao rei Céleo e a seu filho Triptólemo. Estavam instituídos os Mistérios de Elêusis.
No Santuário de Elêusis a deusa é proclamada a “maior fonte de riqueza e alegria”. Recuperando, por dois terços do ano, a companhia de Perséfone, a deusa devolveu o grão de vida, que em sua dolorosa ira havia escondido.
Deméter, assim é a “Terra-Mãe, a matriz universal, a mãe do grão, e sua filha o grão mesmo do trigo, alimento e semente, que escondida por certo tempo no seio da Terra, dela novamente brota em novos rebentos”.

Stela Siebra

Aqui nesse mesmo lugar ...

Sobre o ensaio fotográfico- Angela Moraes- Por : Prof. Zé Nilton
















Olha só que alegria, ver a minha amiga Ângela Moraes por aqui. Sempre bonita, radiante, poeta e mulher de mil prendas. Tenho que o seu melhor e mais belo ofício é a arte de retratar as naturezas. Ela faz do que você pensa não ser nada, um buquê de zis interpretações. Tece as coisas do mundo e te mostra um novo mundo de coisas plenas de cores, vida e esperança. Ela faz dum mangará de bananeira, duma quenga de coco, duma capemba de macaúba, dum cacho de catolé, duma asa de borboleta o que a natureza não lhes afeiçoou para encher nossos olhos como obras de arte. É como se ela ajudasse ao Criador a manter a sua gloriosa estética nas partes descartáveis de sua criação.
Conheci-a no meio dos anos 70, quando eu coordenava um complexo escolar, situado entre o Arpoador e o Posto Seis, no Rio de Janeiro. Ao chegar, como professora de educação artística, logo ela empolgou um projeto de escola que tinha na arte seu principal núcleo orientador do ensino/aprendizagem. De imediato, tentou fazer uma articulação da arte nordestina com a arte cosmopolita do Rio, em seus trabalhos com adolescentes da classe média alta, que freqüentavam a Sociedade Isa de Matos Prates e o Colégio Pernalonga, escolas modelo da zona sul do Rio de Janeiro.
Por esta época, isto era feito no plano musical através do grande Belchior, do Fagner, do Quinteto Violado, de Alceu Valença e da recém chegada Elba Ramalho, entre outros. Mas, seu entusiasmo não teve a devida aceitação.
A nordestina Ângela Moraes, graduada numa das melhores escolas de formação em arte-educação do Rio, o Instituto Bennett, não logrou êxito em sua iniciativa de levar para dentre daquela escola, dirigida por três desconfiados mineiros, o que já se assimilava no plano musical, ou seja, alguns elementos embutidos nos traços, nos complexos e nos padrões culturais do outro, do diferente, que circulavam abertamente na boca e nos ouvidos dos cariocas, trazidos pelos sucessos musicais do pessoal do Nordeste.
Numa das feiras de ciências, cultura e artes, o ponto alto do calendário da escola, nervosamente coordenada pela diretora pedagógica, uma das proprietárias do complexo escolar, as idéias da profa. juazeirense, filha da grande mestra Zuíla Moraes, consubstanciadas em trabalhos sob sua orientação de artista plástica e arte-educadora foram severamente criticadas por quem não alcançava seus tirocínios e morria de medo de sua possível ascensão no comando do estratégico núcleo de artes da escola.
Como assistente da diretoria, espécie de gerente geral sou instado a fazer aquilo que mais me doeu nos meus tempos de Rio de Janeiro, principalmente por ter a consciência dos interesses em jogo e do processo histórico daquele momento: demitir, sem justa causa a professora Ângela Moraes.
Sou por demais grato à sua compreensão quanto à minha função naquele estabelecimento. Nada mudou entre ela e eu. Continuamos a nos encontrar ao lado de muitos amigos comuns que freqüentavam seu apartamento, no 12º. andar, num edifício do outro lado do cine Veneza, de frente para a baia de Botafogo.
Quantas noites ali ficávamos, quedados ao janelão, a olhar o clarão do luar que descia do Cristo Redentor e prateava as águas calmosas da praia de Botafogo.
Grande amigo sou de Ângela. E é pela confiança de uma amizade terna e respeitosa que há entre a gente, que revelo ter feito uma música pra ela, a seu pedido.
Gravei no meu primeiro CD
– De onde olho:
.
Taí o samba que fiz pra você
Taí você pediu e eu lhe dou
E tudo que existe em mim de grave e carinhoso
Está nas notas deste samba novo...

Acho que esta é a melhor parte que você guarda de mim.

Outro dia Cristina lhe encontrou e me falou de você. Ela sabe de tudo “do que houve entre nós dois”, com diria Herivelto Martins.
Zé Nilton
(Um depoimento tão lindo não poderia ficar como comentário, mas ilustrando outros ensaios fotográficos da Angela)
Socorro Moreira

Exposição Virtual Parte II - Edilma Rocha - Por Socorro Moreira

Sua arte é andarilha. Viaja , colhe, e pinta !


Um mar , pendurado nas nossas vistas. Barulho na concha do ouvido.Sabor de sal.Água azul dos sentimento - Edilma cria !




( Edilma e Ricardo )
É dourada a miragem da cidade luz. Edilma é sol...Nos olhos e na alma , e o seu pincel sabe disso.

"...Nosso barco partiu". Pela tela de Edilma , ai que linda ! "Carolina" viu !


O azul é a cortina do mar.Cortina transparente , enfeitada de ondas ou rendas?
Quando ela perde o dourado , a lua chega para prateá-la .

Enigmas - Por: Socorro Moreira


Madrugada e neblina
Esperam o nascimento do dia.

Enquanto todos dormem,
Preparo um sonho,
Mas ele brinca de esconde - esconde.
Foge do meu colo, dos meus beijos.

Ontem eu viajei no destino
Desenhei com cipó
A trilha do caminho
Chamei-te em pensamento
Você e os meus segredos

Encontrei o colo de Gaya
Senti as dores do parto
O pedido de clemência,
E a clemente oferta do amor.

Teu vento faz dançar as minhas folhas
Balança os sinos do meu corpo
Cria um mantra de nós dois.
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Fios que nos unem não teiam
Não fiam a confusão de tantas vidas
Fios que nos unem se enrolam,
No decifro dos nossos enigmas!
.
Baby,
Eu quase me declaro em todas as notas

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