Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Transbordar - Por Claude Bloc



Encho-me
Transbordo
Sofro como qualquer um,
Batom borrado,
Olhar sem jeito,
Olhar sem luz.

Mas sigo,
desço,
subo,
entre todos os passantes:
eu no todo...

No entanto, quero respirar.
Apenas acordar,
guardar o sentimento
e então
surgir,
sentir
e (re)partir.

... Texto e foto por Claude Bloc ...

Pela esquerda ou pela direita?

Sem arrodeios, existem duas regras, básicas, de trânsito que são desrespeitadas diariamente e que sozinhas devem representar a maior parte os acidentes em nossos dias: ultrapassagens proibidas pela direita; e guardar a faixa da esquerda sem pretender nenhuma ultrapassagem. Todos nós, dirigindo carros, motos ou dentro de algum transporte coletivo, por algum tempo, durante o dia estamos expostos a este tipo de situação.

De maneira geral, ultrapassar exclusivamente pela esquerda é regra NUNCA obedecida pelos motoqueiros. É impressionante! A motocicleta deve passar esta “impressão” ao condutor de “donos da situação”, seres intocáveis, perfeitos, incapazes de cometer erros de cálculo no tempo de uma ultrapassagem ou até mesmo da capacidade de reagir a um movimento inesperado de um motorista que será ultrapassado. Não é raro encontrarmos motoristas de carros, grandes ou pequenos, cometendo a mesma séria infração. O fato é que, exceto raríssimas exceções e ai me incluo, TODOS ultrapassam pela direita! Levados, talvez, pela impaciência de esperar infinitamente a hora em que o “magnífico” motorista à sua frente resolva tomar à faixa da direita e liberar a via, de ultrapassagem, para ultrapassagem.

Já deu pra notar que, atribuo parte dos problemas de trânsito aos que guiam veículos de 2 rodas, mas tenho meus argumentos. Quantos motoqueiros, em cada 10 que você conhece, têm carteira? Não conheço a estatística oficial, mas já ouvi dizer que seriam 4, ou até mesmo 5, “sem habilitação” na região do CRAJUBAR. Se partimos para cidades vizinhas esse número deve subir para 6 ou 7! Ou seja, não passaram pelos exames, muito menos pela preparação necessária ao entendimento de todas as regras de legislação e primeiros-socorros no trânsito. Quem nunca viu uma moto deitada no chão ao lado de algum desatento ou desafortunado motoqueiro? Estes são levados a conhecerem seus limites quando são abalroados e caem vítimas de sua própria imprudência ou imperícia. A desvantagem das motos é que não há cintos de segurança, nem air-bags, e que o pára-choque normalmente é a cabeça, tórax ou os membros do condutor e garupeiro.

Quero deixar uma mensagem aos, nobres, motoristas “proprietários das faixas da esquerda” dizendo: “Deixem-nos passar!”. Vocês também precisarão disto uma hora! Deixem o orgulho de lado, digo a ignorância, e entendam que não tem direito exclusivo do uso da faixa, apenas porque chegou ali primeiro! Quer chegar em primeiro lugar? Vá a um autódromo! Lá você pode ter sua chance. Arrisco dizer que, esse gesto evitaria pelo menos metade dos acidentes com moto que ocorrem, muitas vezes, da desatenção do motorista que trafega pela esquerda e devido à imprudência de motoqueiro que insiste em ultrapassar pela direita. Apelo também aos gestores do trânsito local que promovam campanhas educativas! Divulguem as estatísticas de acidentes e infrações. Fiscalizem veículos e condutores. Punam os infratores! A educação é ponto fraco de nossa nação. A educação no trânsito, ou a FALTA de educação, vem fazendo vítimas a todo instante. Não sejamos as próximas.

Dimas de Castro e Silva Neto

Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária



Dia 10/11, terça-feira

Música - CULTURA DE TODO MUNDO
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.

Artes Cênicas - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Arara Azul. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Cinema - 100 CANAL
18h30 Mulheres Rurais. 5min.

Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
18h35 Estorvo. 95min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Acreditando Mais em Deus - Por Liduina Vilar.



Essa semana que passou, minha mãe se submeteu em Fortaleza a uma cirurgia de reversão (retirada de uma colostomia) por conta de um câncer que teve há mais de um ano. E quando recebeu alta, eu tive vontade de subir lá em cima da Serra, abrir meus braços, tal as asas de uma borboleta quando cheira a flor, e gritar bem alto e com toda força do meu ser pro mundo inteiro ouvir: -minha mãe ficou curada, minha mãe está funcionando normal, gente!!!!!!!!!!

Ai entra o Criador, a quem eu só devo louvar e agradecer. Logo eu, que não sou muito chegada a comparecer às missas obrigatórias(domingos e dias Santos). Embora reze muito em meu Oratório particular...Agora acredito mais e conheço melhor O Senhor Nosso Deus! Como Ele foi Pai para minha mãe, como foi Amigo para minha pessoa. Como minha família respira aliviada! Dobrar meus joelhos, elevar meus Olhos pro alto e dizer: Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o Vosso nome é o mínimo e obrigação constante que tenho a cumprir para com Ele.Além de praticar mais o que Ele tanto apregoa: Amar ao próximo como a ti mesmo.Somando ao exercício da caridade, da compaixão e do perdão.

Obrigada Senhor dos mares,
Obrigada Senhor das aves,
Obrigada Senhor das Montanhas,
Obrigada Senhor dos Homens!!!!

***

Dostoievski - uma das maiores personalidades da literatura



Fiodor Mikhailovich Dostoievski foi uma das maiores personalidades da literatura russa, tido como fundador do Realismo.

Sua mãe morreu quando ele era ainda muito jovem e seu pai, o médico Mikhail Dostoievski, foi assassinato pelos próprios colonos de sua propriedade rural em Daravoi, que o julgavam autoritário. Esse fato exerceu enorme influência sobre o futuro do jovem Dostoiévski e motivou o polêmico artigo de Freud: "Dostoiévski e o Parricídio".

Em São Petersburgo, Dostoiévski estudou engenharia numa escola militar e se entregou à leitura dos grandes escritores de sua época. Epilético, teve sua primeira crise depois de saber que seu pai fora assassinado. Sua primeira produção literária, aos 23 anos, foi uma tradução de Balzac ("Eugénie Grandet"). No ano seguinte escreveu seu primeiro romance, "Pobre Gente", que foi bem recebido pelo público e pela crítica.

Em 1849 foi preso por participar de reuniões subversivas na casa de um revolucionário, e condenado à morte. No último momento, teve a pena comutada por Nicolau 1o e passou nove anos na Sibéria, quatro no presídio de Omsk e mais cinco como soldado raso. Descreveu a terrível experiência no livro "Recordações da Casa dos Mortos" e em "Memórias do Subsolo".

Suas crises sistemáticas de epilepsia, que ele atribuía a "uma experiência com Deus", tiveram papel importante em suas crenças. Inspirado pelo cristianismo evangélico, passou a pregar a solidariedade como principal valor da cultura eslava. Em 1857 casou-se com Maria Dmitrievna Issaiev, uma viúva difícil e caprichosa. Dois anos depois retornou a Petersburgo. Em 1862 conheceu Polina Suslova, que viria a ser o seu romance mais profundo. Em 1864, viúvo de Maria, terminou seu caso com Polina e em 1867 casou-se com Anna Snitkina.

Entre suas obras destacam-se: "Crime e Castigo", "O Idiota", "O Jogador", "Os Demônios", "O Eterno Marido" e "Os Irmãos Karamazov".

Publicou também contos e novelas. Criou duas revistas literárias e ainda colaborou nos principais órgãos da imprensa russa.

Seu reconhecimento definitivo como escritor universal surgiu somente depois dos anos 1860, com a publicação dos grandes romances: "O Idiota" e "Crime e Castigo". Seu último romance, "Os Irmãos Karamazov", é considerado por Freud como o maior romance já escrito.

http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u719.jhtm

A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além da analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio; seus escritos são chamados por isso de "romances de idéias", pela retratação filosófica e atemporal dessas situações. O modernismo literário e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciados por suas idéias.

Com a morte do pai, assassinado pelos próprios colonos, teve um ataque de epilepsia e a partir daí freqüentou prisões e foi condenado à pena de morte. Alguns autores crêem que esses problemas particulares auxiliaram Fiódor a produzir uma das maiores literaturas do planeta, mas de fato seu reconhecimento definitivo como "escritor universal" veio somente depois dos anos 1860, com a publicação dos grandes romances: O Idiota e Crime e Castigo. Seu último romance, Os Irmãos Karamazov, foi considerado por Sigmund Freud como o melhor romance já escrito.



... Memórias do Subsolo ...

"Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos seus amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio, e, em cada homem honesto, acumula-se um número bastante considerável de coisas no gênero. E acontece até o seguinte: quanto mais honesto é o homem, mais coisas assim ele possui" (…)

Fiódor Dostoiévski, Memórias do Subsolo, pg. 52 – (Editora 34)

Casanova de casa nova


-- Aquilo não é uma mulher, é um cão perdigueiro !
Esta talvez tenha sido a mais perfeita definição da mulher de Salustiano, feita por um de seus amigos, numa mesa de bar. Salu ( como era conhecido na patota) sempre fora chegado a uma gandaia. O bordel sempre tinha sido o templo maior de suas oferendas. Seu oratório era preenchido pelos deuses pagãos: Dionísio, Baco e Vênus. Parece que tinha sido castigo! Já entrado nos quarenta, terminara por casar com D. Guilhermina: mulher madurona, sistemática, cuja maior diversão era ir para quermesses e assistir às reuniões de casais com Cristo que Salu acompanhava, a contragosto. Não bastasse tudo isso, a patroa de Salu era extremamente ciumenta. Parecia um cão farejador. Ligava para a repartição do marido inúmeras vezes ao dia, como se estivesse fazendo chamada. Quando o pobre retornava para casa, procedia-se uma revista rigorosa, digna de Sherlock Holmes, em todos os seus pertences e vestes. D. Guilhermina olhava atentamente a Agenda, em busca de telefones suspeitos, ou bilhetes. Revistava ainda cuidadosamente todas as roupas externas e íntimas procurando fragrâncias estranhas, cabelos femininos ou marcas de Batom. Algumas vezes, chegou a examinar, com atenção quase urológica, o próprio corpo de Salu, fingindo-se de mulher envolvente e carinhosa.
Apesar de todo cerco impingido por D. Guilhermina, nosso D. Juan não havia perdido de todo o espírito aventureiro. Como, por mais de uma vez, tinha sido flagrado, com uma ou outra prova material, foi desenvolvendo um ritual digno da CIA ou do MOSSAD. Carregava no porta malas, escondida, uma maleta fechada com um sem número de utilitários : soluções para retirada de manchas, aromas vários para disfarçar perfumes, óleo e graxa para simular “pregos”no carro e justificar atrasos , bateria descarregada( sempre) para justificar celular fora de área e por aí vai...Não bastasse isso, tinha uma rede de auxiliares digna de nota, capaz de falsear vozes, inventar histórias/desculpas mirabolantes, forjar documentos e álibis. A mulher tinha, porém, pacto com o demo: devia ir para o Afeganistão procurar o Bin Laden, diziam os amigos. Um dia, suplicante, pediu que ele a contasse sobre qualquer aventura após o casamento, jurando calma e compreensão, pois, dizia, sua fobia não era de chifre, mas de ser enganada sem saber. Salu, para testar, começou a falar sobre alguns namoricos da infância e, mal tinha passado do segundo, já D. Guilhermina ia quebrando todos os pratos da cozinha no tubo de imagem da TV. Imagina se falo os do pós-matrimônio, pesou Salu, aliviado em meio aos destroços da III Guerra Mundial.
O período de maior aflição passado por Salu aconteceu depois do caso Diana Bobitt. Vocês lembram ! Sim, foi aquela que, numa crise de ciúmes, cortou o pinto do marido com uma faca de pão, como se fosse salaminho. D. Guilhermina, imediatamente, a tomou como ídolo e até andava com um retrato da emasculadora senhora na bolsinha de dinheiro. Salu entrou em pânico quando descobriu no guarda roupas da esposa ( imaginem o quê !): uma faca Gin Su ! Passou mal, terminou por internar-se em clínica para esgotados mentais. Voltando, inventou , prontamente, que o médico prescrevera comida chinesa típica , para toda a família e, a partir daí, deu fim às cortantes lâminas da casa e passaram a comer com pauzinhos ( para alívio derradeiro dos países baixos e melindrosos de Salu).
A vida assim ia se escoando em meio a esta Guerra Fria. Tamanha perseguição parecia ir dando um tempero todo especial às perigosas escapulidas de Salu. Dia desses, no entanto, o homem voltou a sobressaltar-se. Aparecera nova arma de contra-espionagem no mercado. Ele soube ,através de sua especial rede de informação. No Bar de Seu Louro, os amigos, aflitos, lhe mostraram o recorte de Jornal. Os japoneses inventaram um spray que borrifado na cueca da pessoa, em contato com qualquer resquício de sêmen, torna-se verde e aí, a patroa –perdigueira, ao examinar, poderá ter uma prova concreta da traição cometida. Não bastasse isso ainda desenvolveram um tipo de meia que muda de coloração ,se por acaso for retirada do pé, o que poderia dar evidência de visitas sorrateiras a motéis. Salu gelou! Aquilo nas mãos de Guilhermina seria uma arma perigosíssima. Na sua visão de Casanova, a atitude dos japonas só podia ser despeita com os ocidentais. Inventar uma porcaria destas, só pode ser complexo de inferioridade: por terem um pingolim do tamanho de um alfinete !Por via das dúvidas, no entanto, desde aquele dia, Salu só anda de chinela, só compra cueca verde-camaleão e ,pra dormir, é com um olho só fechado : o outro “pastora” Guilermina!

J. Flávio Vieira

ÉTICA - MAURÍCIO C. DELAMARO

PARTE DA TESE DE DOUTORADO DEFENDIDA, EM 1997 NA COPPE/UFRJ,
POR MAURÍCIO CÉSAR DELAMARO:

“Numa primeira aproximação, digo que a Ética surge como ciência do ethos. Ou, como saber racional sobre o ethos. Nela está presente a centralidade do logos discursivo.

Para Aristóteles - que, seguindo Sócrates e Platão, se propõe a constituir a Ética com um estatuto de saber autônomo - a existência do ethos é indiscutível. O ethos se apresenta, primeiramente, como “costume, esquema praxeológico durável, estilo de vida e ação”. Neste sentido, ethos é morada do homem. Torna o mundo habitável, pois rompe com o reino da natureza ou physis - caracterizado pela regularidade e onde impera a necessidade - para abri-lo ao reino da liberdade, onde imperam os costumes, os hábitos, as normas, os interditos, os valores e as ações significantes. O ethos é “morada a partir da qual a realidade se descobre como dotada de significação e valor”. A sua característica de durabilidade não significa que o ethos em tanto que espaço existencial humano possa vir a ser, em qualquer tempo, uma morada pronta e acabada. Cabe ao homem, incessantemente, reconstruí-la.

Num segundo sentido, ethos diz respeito aos hábitos apreendidos pelo sujeito singular, graças à repetição. O ethos, aqui, manifesta-se como constância no agir que se contrapõe aos impulsos do desejo e das paixões. A constância, adquirida pela repetição dos mesmos atos, não advém do reino da necessidade que é a physis, mas, sim, do ethos, em tanto que costume.

Uma questão fundamental. O ethos como costume, estilo de vida e ação; enfim, como morada; embora construído e incessantemente reconstruído, não é pura invenção e criação da arbitrariedade humana. Ele é o espaço, por excelência, onde se manifesta o finalismo do Bem. É um espaço teleológico. É na morada do ethos “que o logos torna-se compreensão e expressão do ser do homem como exigência radical do dever ser ou do Bem”. O ethos, então, não é pura e simplesmente construção do homem tal qual ele se apresente, casuisticamente, nas diversas épocas histórico-culturais; é, antes, espaço de auto-construção do homem segundo uma finalidade que é sua: o Bem.
A articulação entre ethos como morada e ethos como hábito pode, então, aparecer. O primeiro é o conjunto de princípios, normas e estilos que plasmam o segundo. Quando a praxis humana - não acidental, mas regida pela constância do hábito - está conforme ao ethos como morada - ela pode ser chamada ética. E o hábito, aí, é virtude.

Esses dois momentos do ethos é que possibilitam Platão a edificar a ciência do ethos não apenas como ciência da Justiça e do Bem, mas, também, como ciência da ação boa e justa, que é ação segundo o hábito que é virtude. É justamente a ação humana - que, repito, é o percurso entre o que o agente é e o que o agente tende a ser, segundo o finalismo da ação - que representa a instância mediadora entre a universalidade abstrata do ethos como costume e a universalidade singularizada do agente no ethos como hábito.

A concepção do ethos como espaço teleologicamente orientado para o Bem - ou “como a face da cultura que se volta para o horizonte do dever-ser ou do Bem” - é congruente com a formulação de uma ciência do ethos como ciência do Bem. Mas, para tanto, a Ética deferia ser fundada sobre um tipo de conhecimento ou saber absolutamente primeiro: uma ontologia. Ela depende da possibilidade de se chegar ao conhecimento do logos do ser, a uma arqué panton - um princípio de tudo -, um Absoluto transcendente, eterno, imutável. A forma de se chegar a tal conhecimento seria a contemplação, ou teoria. Então - entendendo teoria como era entendida por Platão e Aristóteles, ou seja, como contemplação do Absoluto - podemos perceber a Ética como instância mediadora entre a teoria e a praxis.

A teoria e a praxis expressam dois modos do homem ser, com posturas específicas frente ao mundo. A teoria está “voltada para as coisas, aliás, em última análise, para aquilo que, nas coisas, (é) imutável, eterno, divino. Ela pretende articular um saber apodíctico da ordem universal de todas as coisas em suas estruturas essenciais. Através desse saber, o homem entrava em sintonia com a harmonia da ordem cósmica e se assemelhava ao ser divino, pensando como contemplação pura”. A praxis, em contrapartida, refere-se à ordem do contingente e do condicionado: aos modos concretos de viver institucionalizados na convivência dos homens através dos costumes e estilos que regulam e sustentam as formas concretas de ser homem. No entanto, é dentro desse mundo condicionado que está em jogo a conquista da humanidade do homem: a praxis é “ação através de que o homem se faz homem, isto é, através de que suas potencialidades se atualizam e ele conquista seu ser,(...) é a ação dos homens na busca de si mesmos, e o realizar-se do homem na ação pela mediação da ação, é, em última análise, auto-construção do homem segundo a ordem cósmica universal”. E, como a teoria tematizava a ordem universal, perante a qual o homem situa sua ação, o papel primeiro da Ética como ciência era o de oferecer ao saber prático os pressupostos gerais da ação, sempre adequados à teoria.

Eis, aqui, o porquê da Ética não ser pura e simplesmente a codificação racional do ethos histórico vivido por uma comunidade. Mais que codificadora, ela tem um papel de crítica, de reforma, de atualização e revigoramento dos costumes e instituições vigentes em determinado momento histórico, pois que busca adequá-los aos pressupostos gerais advindos das intuições da teoria e, em suma, do Absoluto eterno, a-histórico, transcendente.

Faço notar, ainda, que o fundamento primeiro - o Absoluto, que é origem de tudo, princípio absoluto, causa inicial - é também causa final ou objetivo último da vida humana. Tal concepção foi trabalhada filosoficamente de distintas formas na história do ocidente, mas permaneceu uma constante em diversas de nossas modernidades. Por exemplo, o Bem platônico, a Natureza aristotélica e o Deus cristão são, ao mesmo tempo, causa inicial e final. A busca humana desse Bem fundamental último está articulada a bens que lhe são subalternos, cuja vivência concreta pelo sujeito singular e histórico dá-se como exercício de virtudes. Cada uma dessas vivências é “... como uma atualização de uma excelência segundo um fim não redutível ao indivíduo-tal-como-ele-é, mas que o molda, através da moral, para ser tal-como-ele-deve-ser-segundo-o-fim-que-é-seu”.

Quimera

Enquanto tu não vens
faço tricô com meus cílios.

Portanto
será longo o tempo

até endurecer a lágrima
no canto esquerdo.

Como podes vir
se és um sonho?

Que eu saiba
todo sonho
é lagarta
descuidada
no meio da praça.

Pronto.
Lá se foi seu abdome.

A andorinha
tem olhos inocentes
mas um bico frio e cortante.

Suntuosa Indolência

Amontoam-se cuecas
no balaio de roupas sujas.

Fico no osso
mas não lavo.

Nem tiro a barba.
Nem corto as unhas.

Do sepulcro
contemplo quem passa,
hesita, tenta empurrar a pedra:
"Em nome de Jesus, vem pra fora Lázaro!"

Pensamento para o Dia 10/11/2009



“O homem é uma parte da comunidade humana. A humanidade é uma parte da natureza. A natureza é um membro de Deus. O homem não reconhece essas inter-relações. Hoje, os homens estão esquecendo suas obrigações. O Cosmo é um organismo integral de partes inter-relacionadas. Quando cada um executa seu dever, os benefícios estão disponíveis para todos. O homem tem direito somente a cumprir suas obrigações e não aos frutos delas. O homem é uma espécie de diretor de palco do que acontece na natureza. Mas esquecendo de suas responsabilidades, o homem luta por direitos. É tolice lutar por direitos sem cumprir suas obrigações. Todo o caos e todos os conflitos no mundo devem-se ao fato de os homens terem esquecido suas obrigações. Se todos cumprirem seus deveres diligentemente, o mundo será pacífico e próspero.”
Sathya Sai Baba

Insônia

O lençol é curto
mas faz um barulho
asas de albatroz

é o ventilador
com sua ventania própria

levanta almas,
desnuda corpos -

[a muriçoca aproveita
e me atinge as costas]

Stela - Parabéns!



Stela, hoje o tempo dança-te, canta-te, extravasa-te sorrisos. Não percebes estas palavras livres, redondas com as cores dos amores? Na verdade, não sabes. Por que eu não criei ainda a resposta. Esperei que as visses (as cores) e que as encontrasses nos abraços dos amigos(as) no dia da tua festa.



Definitivamente não esperei pelo término do teu sonho, mas quis te ver alimentando a amizade nos olhos de Socorro, de Rosineide, de Nilo, de Joaquim e de tantas outras pessoas que nem conheço, mas que te querem bem. Sei que aí em Recife tua expressão acalenta as saudades dos que a sentiram, pois que tua presença é sempre amiga e doce.

Que para sempre as estrelas te contemplem, pois que te seguem, são tuas. Mas a lua, esta seguirá perdida, vagando entre espaços, ofuscada por tua gentileza.

Não pude ir mirar-te nesses abrolhos, estrela-Stela, mas me deliciarei de longe, apenas isso, pois sei que te fizeste feliz com os amigos de sempre . E daqui te verei sorrir com esses teus amigos que também são meus.

     Texto por Claude Bloc    

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Guerrilha do Ato Dramático Caririense



Programação
PEÇAS PARA CRIANÇAS:

09/11 (segunda-feira), 19:30h: “ANIMARTISTAS”, adaptação de Flávio Rocha do conto Os Músicos de Bremen, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.
10/11 (terça-feira), 19:30h: “O MÁGICO DE OZ”, de Victor Fleming, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.

11/11 (quarta-feira), 19:30h: “PATATIVA E SALOMÃO”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Jean Nogueira.

12/11 (quinta-feira), 19:30h: “MARIA ROUPA DE PALHA”, teatro de bonecos, de Lourdes Ramalho, com o Grupo de Teatro da Associação dos Artistas e Amigos da Arte – AMAR, direção de Stênio Diniz.


PEÇAS PARA JOVENS E ADULTOS DE TODAS AS IDADES:

13/11 (sexta-feira), 19:30h: “FOGO FÁTUO”, de Lourdes Ramalho, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.
“
14/11 (sábado), 19:30h: “O PECADO DE CLARA MENINA”, de Cacá Araújo, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante e Grupo Cênico do Crato, direção de Cacá Araújo.

15/11 (domingo), 19:30h: "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO”, de Cacá Araújo, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante e Grupo Cênico da SCAC, direção de Cacá Araújo.

16/11 (segunda-feira), 19:30h: “DESMISTIFICANDO TABUS”, de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos, direção de Joylson John Kandahar.

17/11 (terça-feira), 19:30h: “COQUETEL”, de Wanderley Tavares, com a Cia. Wancylus Gat Produções, direção de Wanderley Tavares.

18/11 (quarta-feira), 19:30h: “DENTRO DA NOITE ESCURA”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Jean Nogueira.

19/11 (quinta-feira), 19:30h: “AS IRMÃS CASTANHOLAS”, de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos, direção de Joylson John Kandahar.

20/11 (sexta-feira), 19:30h: “ESPERANDO COMADRE DAIANA”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Renato Dantas.

21/11 (sábado), 19:0h: “BR 116”, de Allysson Amancio, com a Allysson Amancio Cia. de Dança, direção de Allysson Amancio.

22/11 (domingo), 19:30: “BÁRBARO”, com o Grupo Ninho de Teatro


1ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE - TROFÉU JUSCELINO LOBO JÚNIOR
DE 07 A 21 DE NOVEMBRO DE 2009
TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
Rua Dom Quintino, 913 – Pimenta – Crato – Ceará

Por que fazemos bagunça


[...] A bagunça ocorre quando não temos visão e motivação suficientes para lidar com os resíduos do que fazemos. Pode envolver também valores: quando alguém na rua produz um lixo, pode jogá-lo em uma lixeira se achar importante dar uma contribuição. Pode também envolver gerência de riscos: joga na lixeira se tiver medo de algo ruim acontecer se não o fizer.

Assim, se você acha que faz bagunça porque se considera bagunçado, bagunceiro, desorganizado, preguiçoso, reafirmamos que todos esses rótulos são miragens: de fato, ou você não vai precisar de algo, ou não tem um filme do futuro em que a coisa é necessária, ou tem essa visão mas avalia que não é importante, ou segue um valor pessoal, ou está prevenindo algum risco. Ou combinações desses fatores. Se ainda restar alguma dúvida, faça um teste: verifique como ficaria sua motivação se você, mantendo suas coisas organizadas por uma semana, fosse - com absoluta certeza - ganhar um milhão de dólares. Ou o que você mais quer na vida.

Só tem um porém: as crenças-miragem por vezes aparentam ser tão reais que condicionam nossas escolhas, e pensamos coisas como: "Ah, sou bagunçado mesmo, não vou arrumar". Pelo menos ter consciência de que é miragem já ajuda a ter mais opções. E ter consciência de que tudo é parte de um processo de decisão mais ainda: podemos decidir caso a caso o que fazer. Mais e melhor consciência, mais e melhores opções.

....Virgílio Vasconcelos Vilela....



http://www.possibilidades.com.br/objetivos/porque_fazemos_bagunca.asp

O que é conversão? - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Muitas vezes somos levados a pensar que conversão é mudar de uma igreja para outra ou de religião. O que estou querendo ressaltar aqui, é que conversão é uma mudança radical de vida. Se decidirmos seguir Jesus e fizermos uma adesão total a Ele, temos que permitir que Deus nos transforme interiormente e possa surgir dentro de nós, um novo homem, ou uma nova mulher.

Nesse mundo impregnado de materialismo, fica muito difícil a conversão. As pessoas são levadas pela sociedade de consumo, a ganhar cada vez mais dinheiro, esquecendo dos valores mais importantes da vida. Vivemos numa sociedade do ter, do poder e do prazer e, esquecemos os valores espirituais, o ser gente, o amor ao próximo e a fé em Deus. O amor de Deus por nós é tão grande que Ele quer que a decisão de mudar de vida seja nossa. Abrir o nosso coração e deixar a Graça de Deus entrar na nossa vida, só vai nos beneficiar. Hoje o coração do homem está tão fechado para o amor, que o mundo estar repleto de violência, guerras e desunião.

Aderir a Jesus Cristo, nos obriga a conhecer a Palavra de Deus e aplicá-la na nossa vida. Entretanto, para a conversão, a palavra de Deus tem que ser lida e entendida com os olhos da fé. De nada vale dizer que leu a Bíblia toda, que está por dentro de tudo, só para citar versículos e capítulos do Evangelho. A mensagem de Jesus Cristo é transformadora. Se cada pessoa no mundo conhecesse Jesus, o mundo teria mais paz, justiça e igualdade social.

Um grande exemplo de conversão foi a do Apostolo Paulo, que era um fariseu perseguidor dos cristãos e teve uma experiência com Jesus Cristo que mudou totalmente a sua vida.

Paulo nasceu em Tarso, na região da Cilícia, Ásia Menor, atual Turquia. Apesar de judeu, era cidadão romano, título herdado do pai, um homem de posse, que comprou esse título.

Paulo, filho de judeus foi educado dentro das exigências da lei de Deus e das tradições paternas. No ambiente judeu ele adotava o nome Saulo e entre os gregos era conhecido por Paulo.

Como todos os meninos judeus da época, Paulo recebeu os ensinamentos básicos na casa dos pais em Tarso, na Sinagoga do bairro e na escola ligada a Sinagoga. Posteriormente ele obteve formação superior em Jerusalém, tendo sido aluno de Gamaliel. O próprio Paulo relata nos Atos dos Apóstolos 22,3-5, “Eu me formei na escola de Gamaliel seguindo a linha mais rigorosa dos nossos antepassados.”

O eixo da formação dos judeus era a leitura da Bíblia, e era a mãe em casa que tratava de passar para os filhos todos os ensinamentos.

Tudo leva a crer que Paulo e Jesus nunca se encontraram. Jesus era de cinco a oito anos mais velho do que Paulo. Tanto Jesus quanto Paulo receberam a mesma formação básica. Porém Jesus vivia em Nazaré, era pobre e trabalhou como carpinteiro para sobreviver. Já Paulo era rico e não precisava trabalhar. Só depois da sua conversão é que trabalhou para sobreviver construindo tendas, oficio que aprendeu com o pai.

No capítulo nove dos Atos dos Apóstolos encontra-se o relato da conversão de Paulo. Saulo perseguia e ameaçava os discípulos de Jesus. Ele foi à presença do sumo sacerdote para lhe pedir cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco. Tinha como objetivo levar presos para Jerusalém todos os homens e mulheres seguidores de Jesus. Quando ele estava próximo de Damasco, se viu cercado por uma intensa luz que vinha do céu. Caindo por terra ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, porque me persegue”? Saulo perguntou: “Quem és tu Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer.” Os homens que estavam acompanhando Paulo, ficaram espantados porque só ouviam a voz e não viam ninguém. Saulo se levantou e não estava enxergando nada. Os homens o levaram até Damasco. Lá ele ficou três dias sem enxergar e nem comeu nem bebeu nada.

O Senhor em visão mandou Ananias à casa de um homem chamado Judas, onde Saulo estava hospedado. Ananias lhe falou dos poderes que Saulo possuía de prender todos que invocassem o nome de Jesus. Mas Jesus lhe disse: “Vá, porque esse homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do meu nome.”

Ananias foi encontrar com Saulo, impôs a mãos sobre ele dizendo que o Jesus que apareceu a ele no caminho de Damasco, o enviou ao seu encontro para que ele recuperasse a visão e ficasse cheio do Espírito Santo. Dos olhos de Saulo caiu alguma coisa parecida com escamas, e ele recuperou a visão. Saulo se levantou e foi batizado.

Após passar alguns dias com os discípulos em Damasco, Saulo foi pregar nas sinagogas afirmando que Jesus Cristo é o filho de Deus. Todos se admiravam da pregação, pois sabiam que tinha sido perseguidor de Jesus.

Graças a Paulo, o mundo ocidental é cristão, pois ele divulgou a mensagem evangélica através das suas viagens a “todos os confins da terra”. Esse grande apóstolo de Jesus serve de modelo para todos os cristãos.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

a u s ê n c i a

onde hoje é tua ausência
criou-se uma crosta
sem o duro de uma rocha

tua ausência viva
ostra no peito
faca nos olhos
feitos para o sal

por toda essa cidade
uma procura de teu nome
numa linha de calçada
no alto dos prédios
numa fotografia p&b
em nada absolutamente
um sinal é possível

certas ausências
são para sempre
acima do querer
além de qualquer
esperança ou delírio

Pensamento para o Dia 09/11/2009


“Riqueza, educação, posição social etc. são inúteis sem o caráter. O caráter é como a fragrância da flor; dá valor e importância. Poetas, pintores, artistas e cientistas podem ser importantes em seu próprio campo, mas sem caráter eles não podem ter um prestígio verdadeiro. A pessoa pode perguntar-se se todos aqueles que, agora, são tratados com respeito pela sociedade têm um caráter que dê direito a serem considerados importantes, mas a sociedade está sujeita a modas que variam a cada dia. A natureza básica de um caráter perfeito é eterna e permanece a mesma independentemente das vicissitudes da sociedade. Entre as qualidades que compõem um caráter perfeito, estão o amor, a paciência, a calma, a firmeza, a caridade – essas são as qualidades mais elevadas e precisam ser honradas.”

Sathya Sai Baba

Carta - Carlos Drummond


Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias

(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.

ANDRADE, Carlos Drummond de. "Claro enigma". Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002

"Amor bastante" - Paulo Leminski


quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você
caminhando junto

(LEMINSKI, Paulo. La vie en close. São Paulo: Brasiliense, 1991. )

No silêncio do corpo - Por Ana Cecília S. Bastos

O campo é um centauro, dizia o professor. Uma encruzilhada hermenêutica que construo mas me incorpora definitivamente em seu intransponível horizonte de equívocos. A análise é um centauro. Eu sou um centauro, às vezes sem existência real, só mitologia, torrentes de palavras neste momento.
Contemplo minhas patas e garras, a cauda do dragão no átrio da Igreja. Seu incenso. Que me açoita e revela o meu eu, minha pertença, o mim. Algo muito fundo.
Do profundo do tempo me amaste, Senhor.
Eu vã, eu louca e ausente, mas ali estou e sou eu, e não sou, fora desse átrio, origem e destino, nenhuma dúvida jamais nesse lugar. Do profundo do tempo esse sintoma me toma e define. Asma como eu. Ana como eu. Que me trava quando contra mim para que eu talvez caminhe em meu favor, mas pelo avesso, e me silencia, me paralisa quando preciso. E como preciso, desesperadamente.
O mundo contra mim, o fluxo contra mim, o eu ignoto remoto no pátio da Igreja, no vão da porta, no átrio.
A Nave.
Asma, unha cravada na pele da alma.
Nenhum sangue.

Desenho de Ígor Souza.
por Ana Cecília

Feliz aniversário, Stela ! Abraços do Cariricaturas .

Stela estrelada , o Cariricaturas reconhece o brilho da tua amizade, e te abraça !


Espere por mim , menina ... Vou chegar, na hora de cantar os parabéns !


Flores, muitas flores para a nossa Bisaflor !

HERANÇA

Tal qual Luzilá* procurou por Thargélia em Arquivos e Museus,
Eu procuro uma Thargélia revelar-se dentro de mim.
Que Thargélia habita em mim?
Que indizível poema se escondeu na minha alma,
Se enredou no emaranhado dos meus pensamentos
E não se revelou ao meu coração?
Que dor carrega minha alma, que medo se instalou em meu corpo?
Por que Thargélia em mim está tão quieta?
Onde estão os sonetos de louvor à vida?
As ousadias e as ternuras?

Tal qual uma dor que machuca minha alma
Tal qual um medo incrustado em minha pele
Ou uma lembrança que não se faz lembrada,
Os poemas passeiam em meu sangue. Vermelhos, ardentes, vivos!
Uma herança merecida e não recebida
Células poéticas caladas, sussurrando emoções de um vulcão em aparente extinção,
Desejoso de expelir sentimentos seculares.

Por que a poesia não se materializa, se faz concreta?
Ela é uma angústia trancada em meu peito
É uma palavra que não se deixa escrever nem falar
É uma onda do mar que nunca quebra na praia
É uma lembrança escondida e antiga,
De um mundo antigo,
De uma alma antiga.
Pois são tantas as estrelas que vivem em mim
Querendo se fazer clarão...

Quantos baús de poesia carrega minha alma
Sem lembrar onde e porque escondeu suas chaves?

Thargélia, irmã, em qual constelação guardei as chaves?

* Luzilá Gonçalves Ferreira, escritora pernambucana, autora de “Em busca de Thargélia”, pesquisa sobre as mulheres escritoras pernambucanas do final do século XIX.

Rotina - por Socorro Moreira

"Curare" - por Socorro Moreira



foto de Camila by Caio

A moça e a velha...

Você consegue ver as duas?


    © www.illusionworks.com   

Natal no Cariricaturas


Cariricaturas deseja aos amigos

um Natal de Paz
*****

O Cariricaturas começa a arrumar a festa
Mas não sem antes arrumar a sala,
acrescentar detalhes, juntar amigos para CONFRATERNIZAR

*****

TOP GIFS para Orkut

Onde estão os perfis?

Vamos ver como anda sua percepção

Na figura existem escondidos três perfis de pessoas. Tente achá-los.


Tente a seguinte estratégia (foi como consegui). Observe novamente a figura, procurando por espaços negativos. Estes são os espaços entre as coisas e objetos (tudo que não é). O espaço negativo de dois de seus dedos, por exemplo, é o vão entre eles. Em uma árvore, é o espaço entre galhos ou folhas.

Ops! Erramos...

Ops! Erramos...



Antologia de erros de um jornal

A Folha de São Paulo, em caráter didático, colecionou erros e respectivas correções. Veja se você acha tão engraçado quanto nós (de onde vieram esses, tem mais).

Poço de Descartes

"Por erro de digitação, foi grafado poço cartesiano, em vez de artesiano, na página 3-1 de sábado último." (16/2/94)

Menandro não é malandro

"Na edição do Agrofolha do último dia 15, a coluna 'A Arte de Amolar o Boi' (pág. 5-2) saiu com um erro: onde se lê 'o grego Malandro', leia-se 'o grego Menandro', em referência ao comediógrafo ateniense." (19/12/92)

Banco

"Na nota 'Balão', da coluna Joyce Pascowitch, publicada à pág. 5-2 (Ilustrada) de 18/12, onde se lê 'bando Opportunity', leia-se 'banco Opportunity';" (21/12/95)

Sr. Fracasso

"O nome do chefe de governo em Portugal no período entre 1928 e 1951 é Antonio Oscar de Fragoso Carmona e não Antonio Oscar de Fracasso Carmona, como foi publicado na Ilustrada em 22/8". (30/9/95)

Maiô usado, vestido suado

"Por um erro de digitação, na coluna 'Joyce Pascowitch', na pág. 5-2 (Mais!) de anteontem, onde se lê 'o mesmo vestido suado na praia sobre o maiô', o correto é 'o mesmo vestido usado na praia sobre o maiô'". (22/1/98)

Dilúvio

"Em alguns exemplares da edição de 30 de março de Esporte, foi informado incorretamente à pág. 4-3 que o personagem bíblico Jó criou a arca que salvou as espécies animais do dilúvio. Foi Noé quem construiu a arca." (6/4/95)

Empate de espermatozóides

"Houve um erro na reportagem 'Menstruação é enigma para meninos' do Folhateen da edição de ontem. Dois espermatozóides não 'empatam' fecundando um mesmo óvulo. Dois óvulos podem ser fecundados por dois espermatozóides, dando origem a gêmeos bivitelinos, ou um óvulo fecundado por um espermatozóide pode se dividir em dois ovos, gerando gêmeos univitelinos (idênticos)." (12/5/92)

Tatu não nasce em ovo

"Diferentemente do que foi publicado em 29/11, na pág. 5-7 (Folhinha), o tatu não nasce de um ovo. Ele é um mamífero placentário, que se desenvolve na barriga de sua mãe." (6/12/97)

Mandíbula

"O texto 'Chico Anysio deixa hospital no Rio', à pág. 4-2 (Ilustrada) de 20/2, informou que o humorista fraturou a "mandíbula direita". A mandíbula (maxilar inferior) é um osso único." (5/3/97)

Vou de "Taques"

"Diferentemente do que foi publicado na edição de ontem (São Paulo), a rodovia que passa pela cidade de Praia Grande chama-se Pedro Taques, e não Pedro Táxi." (20/11/99)

Cristo enforcado

"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7/12/94)

Fonte: www1.uol.com.br/folha/circulo/antologia_erramos.htm

PERCEPÇÃO - Desenhando com o lado direito

Você pode ser um artista e não estar sabendo disso
Virgílio Vasconcelos Vilela

Uma vez, comprei um livro chamado Desenhando com o Lado Direito do Cérebro, de Betty Edwards, e tive resultados surpreendentes e até fantásticos, considerando os desenhos que eu fazia. Antes, eu desenhava no estilo "abstrato", como este:



Após executar os exercícios iniciais do livro, fiz as seguintes ilustrações, por observação:



O que a autora descobriu foi que desenhar é muito mais uma questão de percepção do que de habilidade motora, mais especificamente de saber ver. Para desenhar, é preciso olhar para o que se está desenhando não no nível simbólico e interpretativo, mas no nível de forma, linhas e relações entre esses elementos. Como estamos muito acostumados a ficar no nível simbólico, ela sugere alguns "truques" para facilitar. Um é desenhar os espaços negativos, ou seja, o que não é, os espaços vazios entre o que é. Os espaços negativos da sua mão são os vãos entre os dedos (veja uma aplicação dessa percepção em Lazer: Ache os perfis).

Outro truque interessante é colocar o que estamos desenhando de cabeça para baixo, o que desorganiza as relações que estamos acostumados a perceber, como, no caso de rostos, cabelos sobre olhos sobre nariz sobre boca, abrindo caminho para a percepção das linhas e formas. Veja por si mesmo, olhando para as duas imagens abaixo. Note na segunda, em particular, as sombras.



Teve algo mais interessante ainda. Após algum tempo se dedicando, o desenhista entra em um estado diferente, atemporal, no qual ele pode passar horas e não perceber, o chamado estado alfa, que a autora diz que é quando o lado direito do cérebro domina. Eu tive a oportunidade de experimentar essa mudança de estado, e foi realmente algo fora do comum, uma energia muito boa circulando pelo corpo. Mais não posso dizer, porque não saberia como. Tem coisas que só experimentando para saber.


"Meu consolo é você"- Orlando Silva interpreta Roberto Martins e Antonio Nássara