Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Fortaleza,cidade linda do Nordeste ! - por Heládio Teles Duarte

Night
Orla Marítima

Praia do Futuro

Fotos de Heládio

Da chegada do amor- Elisa Lucinda

Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.


Poesia extraída do livro "Euteamo e suas estréias", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999,

Leon Tolstoi



Leon Tolstoi
(Escritor russo)
9/9/1828, Yasnaia Poliana, Rússia
20/11/1910, Astapovo, Rússia



"Dormia no terraço, ao ar livre, e os raios oblíquos do sol matinal me despertavam. Vestia-me às pressas, punha debaixo do braço uma toalha, um romance francês, e ia-me banhar no riacho, à sombra de um bétula que ficava a meia versta de casa. Depois, estirava-me e lia, parando às vezes para contemplar o lilás sombrio da superfície do riacho que começava a se agitar ao sopro da brisa da manhã, ou o campo dourado de centeio que ficava na margem oposta."

Essa deliciosa descrição da juventude do escritor Leon Tolstoi está registrada nas suas "Memórias".

Nascido numa família nobre, Leon Tolstoi ficou órfão aos nove anos e foi educado por preceptores.

Em 1843, iniciou o curso de letras e direito na Universidade de Kazan. Depois de formado, passou um período em Moscou e logo se alistou na guarnição do Cáucaso, seguindo seu irmão Nicolenka, oficial do exército russo.

No Cáucaso, escreveu o livro "Infância" e a primeira parte de "Memórias". "Infância" foi publicado em 1852 e alcançou grande êxito.
Depois de nomeado suboficial, em 1854, Tolstoi voltou brevemente a sua terra natal, mas retornou à vida militar, participando da Guerra da Criméia.

Em 1856, abandonada a carreira militar, Leon Tolstoi passou a viver em sociedade, ampliando suas relações pessoais. Viajou à Europa, visitando diversos países. Ao regressar, isolou-se em sua propriedade rural, determinado a dedicar-se à literatura. Casou-se nesse período com Sofia Bers, com quem teve nove filhos.

Em 1865, iniciou a elaboração de "Guerra e Paz", uma das maiores obras literárias de todos os tempos. Trata-se de um extenso romance que aborda as guerras napoleônicas e traça um quadro da sociedade russa do início do século 19.

Em fins da década de 1870, Leon Tolstoi escreveu o romance psicológico "Ana Karenina", que também obteve grande repercussão.
Aos poucos suas inclinações voltaram-se para a religião. Leon Tolstoi tornou-se pouco a pouco um cristão evangélico, uma espécie de apóstolo, pregando para os seus. Ao renegar a religião ortodoxa, acabou excomungado pela Igreja.

Suas posições políticas também se radicalizaram, tendendo ao anarquismo. Tolstoi criou uma escola alternativa, para a qual chegou a redigir os livros didáticos.

Suas convicções cada vez mais exaltadas atraíam a atenção de místicos do mundo inteiro. Ao mesmo tempo, ampliava-se sua fama de grande romancista.

Distanciando-se cada vez mais de sua família, Tolstoi decidiu entrar para um mosteiro. Planejou a fuga e, no dia 31 de outubro de 1910, finalmente embarcou num trem, acompanhado apenas da filha Alexandra e de um criado. Com a saúde abalada, foi obrigado a descer na cidadezinha de Astapovo, sendo acolhido pelo próprio agente da estação.

O fato tornou-se público e telegramas e visitas começaram a chegar de toda a Rússia e de outras partes da Europa. Leon Tolstoi resistiu apenas alguns dias, falecendo pouco depois.


Net Saber

Leon Tolstoi - Pensamentos




Aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil.

Os homens distinguem-se entre si também neste caso: alguns primeiro pensam, depois falam e, em seguida, agem; outros, ao contrário, primeiro falam, depois agem e, por fim, pensam.

A arte é um dos meios que une os homens.

Aquilo que foi e que será, e até mesmo aquilo que é, não somos capazes de saber, mas quanto àquilo que devemos fazer, não apenas somos capazes de saber, como também o sabemos sempre, e somente isso nos é necessário.

Não é possível ser bom pela metade.

A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família.

A condição essencial para a felicidade é ser humano e dedicado ao trabalho.

Mas a verdade é que não só nos países autocráticos como naqueles supostamente livres - como a Inglaterra, a América, a França e outros - as leis não foram feitas para atender à vontade da maioria, mas sim à vontade daqueles que detêm o poder.

Os que se chamam grandes homens são etiquetas que dão o seu nome aos acontecimentos históricos; e assim como as etiquetas, não têm relação com esses acontecimentos.

A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova.

O homem não tem poder sobre nada enquanto tem medo da morte. E quem não tem medo da morte possui tudo.

Falar mal dos outros agrada tanto ás pessoas que é muito difícil deixar de condenar um homem para comprazer os nossos interlocutores.

O Signo de Peixes



Em 2010 os nativos do Signo Peixes têm influência da Carta de Tarot o Imperador, que significa Concretização. Isto quer dizer que estão preparados para agir corretamente perante as situações e é essa a sua função e o seu dever. Embora Peixes seja caracterizado pelo sonho e pelo idealismo, quem nasceu sob este signo andará este ano "com os pés mais assentes na terra", e isso se manifestará em progressos importantes na sua vida a todos os níveis. As mudanças não estão aconselhadas, pois a evolução ao longo deste ano irá no sentido de preservar a estabilidade que já alcançou.
Num relacionamento amoroso poderá sentir-se mais seguro em relação aos sentimentos do seu par e às suas próprias emoções, o que permitirá uma maior facilidade de expressão daquilo que sente.
Na vida profissional poderá alcançar resultados notáveis, que não passarão despercebidos aos olhos dos seus superiores.
No que diz respeito à saúde deve melhorar a sua postura para evitar dores nas costas e problemas de coluna.
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Maria Helena Martins

Sobre o signo

Peixes


19 de Fevereiro a 20 de Março

Peixes é tradicionalmente regido pelo planeta Júpiter, entretanto o Neptuno também foi nomeado regente desde a sua descoberta em 1846. Fisicamente é relacionado aos pés e o sistema linfático.

Dizem que tem uma natureza feminina, pois é mais reactivo na forma como a sua energia é expressada. Por ser um signo de Água preocupa-se com as emoções, particularmente com esses sentimentos universais que são associados com o sofrimento na Terra. Por ser um signo Mutável, o Peixes dissemina energia esporadicamente e sem direcção específica. Peixes vai onde os sopros de vento o levam.

Os Planetas que se localizam em Peixes, expressam-se sensivelmente e de uma forma bastante difusa. O signo encarna impulsos intangíveis, e planetas aqui são muito receptivos aos sinais a um nível etéreo. Há uma tendência forte para sonhar e fantasiar, e uma inclinação para sentir uma sensação de martírio.

A sensibilidade emocional que o Peixes expande é canalizada freqüentemente em saídas criativas, particularmente com relação a música e filmes, mas também em relação à Natureza, e às pessoas que precisam de cuidados sociais. Peixes é o signo dos sonhos, decepções e enriquecimento espiritual.
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Lacana

Djavan- Seduzir



Seduzir
Djavan
Composição: Djavan
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Cantar, é mover o dom
do fundo de uma paixão
Seduzir, as pedras, catedrais, coração
Amar, é perder o tom
nas comas da ilusão
Revelar, todo o sentido
Vou andar, vou voar, pra ver o mundo
Nem que eu bebesse o mar
Encheria o que eu tenho de fundo

Dia da Sedução - 23 de fevereiro

Amor, Mulher, Homem e Jogos de Sedução

Algumas feministas consideram lamentáveis os jogos de atracção e sedução promovidos pelos mulheres. Algo que Germain Greer denunciou como sendo próprio da «mulher eunuco»:

Podem ver agora a Fêmea Eunuco por todo o mundo… por todo o lado onde exista jeans azuis e coca-cola. Onde quer que vejam verniz nas unhas, baton para os lábios, braceletes e colares, a Eunuco está presente.
Germain Greer, feminista australiana, The Female Eunuch

Algo que é muito antigo, se levarmos em conta as palavras de Epicteto, um dos grandes filósofos romanos do passado: «Depois dos catorze anos, as mulheres não almejam mais do que a tornarem-se parceiras de cama do homem, e começam a alindar-se e a pôr nisso todas as suas esperanças».

A própria biologia e a psicologia evolucionista parecem confirmar os comportamentos femininos, acima descritos. Há instintos e reflexos primários que levam as mulheres a praticarem jogos de sedução, e a sentirem-se atraídas pelos homens poderosos, ricos (ou bonitos). Faz parte do património genético feminino.

É no entanto possível ler de uma forma menos pesada e acusativa os jogos de sedução femininos. O amor romântico é largamente um jogo assumido, ou é-o em certas ocasiões:

Infeliz de mim! Que olhos o amor pôs na minha cabeça, tão opostos à verdadeira realidade?

Tu, cego louco, que fizeste tu, Amor, aos meus olhos?
William Shakespeare, 1564-1616, poeta e dramaturgo inglês, Sonho de Uma noite de Verão

E o mesmo acontece com o amor libertino, ou mesmo com certas amores fetichistas e sádicos. A questão não se restringe nestes casos a comportamentos femininos, nem resultam da incultura e da falta de informação. Em certa perspectiva eles são apenas parte de um jogo mais amplo, próprio do amor e de certas relações sociais.
Ensaios sobre o amor

Significado das cartas no amor-


Tem dias que um tarólogo se sente meio cupido. Não que traga a pessoa amada ou arranje uma na mesma hora ao seu consulente, mas geralmente por tratar de suas questões amorosas, que não se resolvem da noite para o dia. Os atributos das cartas, no entanto, seguem uma tradição simbólica, um padrão de significados que se enquadra a cada área da vida. Identificá-los é o primeiro passo para se conscientizar de suas atitudes e melhorá-las em respeito à pessoa amada e a si mesmo. Veremos, em seguida, como os sete primeiros arcanos maiores se comportam quando o assunto é amor. O segundo passo, portanto, é reconhecer aquele mais próximo de suas atitudes afetivas e responder às questões com a maior sinceridade possível.


O MAGO – a pessoa busca sempre o melhor, o que explica o fato de estar sempre investindo em fórmulas mágicas de sedução consideradas infalíveis para um relacionamento dar certo. Por mais que tente se sentir vitoriosa, bolando planos e até mesmo mentindo para conseguir o que deseja, sua criatividade contribui para momentos de alegria e prazer a dois. Porém, costuma desacreditar no amor quando não tem alguma de suas expectativas plenamente atendida. Quando consegue o que quer, parte para outra. Qual é o relacionamento ideal para mim? O que eu quero encontrar em outra pessoa?
A SACERDOTISA – de natureza silenciosa e reservada, simboliza uma pessoa que não está acostumada a demonstrar seus sentimentos. Indica passividade sentimental – “os outros fazem e eu observo, sinto e interpreto do meu jeito e pra mim mesmo”. Devido a carências de estímulo e auto-estima para viver o amor, prefere se manter fechada e não confiar totalmente nos outros para não sofrer mais tarde. É uma pessoa que se apenas se entrega se tiver total segurança interior para isso. Como posso me livrar da timidez e construir um relacionamento sadio?
A IMPERATRIZ – este arcano simboliza o pleno domínio e conhecimento de suas emoções. É aquela pessoa que não enxerga os impasses afetivos como obstáculos, mas sim como oportunidades de crescimento com o parceiro. Concede segurança emocional à pessoa amada, que geralmente retribui com honestidade e paixão declarada. Jamais deixa o desejo de lado e não tem papas na língua: sua vontade impera. Quais as minhas principais qualidades amorosas? Como torná-las mais nítidas aos outros?


O IMPERADOR – quando a pessoa se coloca acima dos sentimentos e de seu papel na relação amorosa, suas atitudes podem ser interpretadas como altruístas, secas e egocêntricas demais. É o que ocorre com este arcano: prático, responsável e objetivo, mas também controlador e até mesmo insensível. Indica uniões duradouras carregadas de vaidade, status e racionalização do plano afetivo, muitas vezes deixado em segundo plano num casamento “perfeito”. O que devo aprender com a pessoa que amo? O que devo melhorar no meu relacionamento?
O PAPA – segundo a própria figura, simboliza a tradição, a moral e a família como elementos importantes ao afeto. Existe respeito, diálogo, amizade e honra com o parceiro. Uma característica fundamental deste padrão é a fidelidade, já que o amor é para toda a vida. No meio social, passa uma imagem de cumplicidade com a pessoa amada, mesmo que saiba manter sua individualidade intacta e sempre forte. É o padrão de comportamento daqueles que se dedicam verdadeiramente a alguém. O que eu aprendo com a pessoa que amo?
O ENAMORADO - tradicionalmente ligada ao romantismo e ao amor idealizado dos contos de fada e mitos antigos, este arcano simboliza as escolhas que se deve fazer diante das dúvidas e dos desejos. Significa a indecisão, os temores sobre a pessoa amada, a hesitação em se prender ao outro; mas indica também o desejo de se relacionar de forma sincera e sem questionamentos sobre o que é certo e quando é certo. São boas as perspectivas – ainda que deva haver concentração no momento de optar pelo amor. Quais são minhas opções para o amor? O que devo levar em conta antes de tomar minhas decisões no amor?
O CARRO – todo o entusiasmo, a expectativa e o desejo para com a pessoa amada são atributos desta carta de natureza precoce: vai tão rápido no ponto almejado que costuma confundir a atração física do momento com amor verdadeiro. Mas toda essa ansiedade por chegar num lugar só seu, quando transformada em determinação, pode gerar a autêntica afetividade numa relação despojada, sincera e satisfatória em todos os níveis. Enquanto ela durar, é claro. Qual a importância da pessoa que eu amo em minha vida? O que devo fazer para essa união durar por muito tempo?

Você se identificou com alguns padrões das cartas acima? Lembre-se que questionando-os você pode trabalhar esses aspectos que talvez incomodam a você ou a quem você gosta. Pense nisso como um exercício de consciência e evolução ao bem-estar a dois. A cada dia que passa, respeite a pessoa ao seu lado e confie nos seus desejos. Afinal, uma boa relação não se constrói com incertezas e inseguranças emocionais, mas com verdadeira dedicação e reconhecimento de seus próprios exageros. Confie no amor. Mas seja verdadeiro com ele; senão, como ele poderá ser verdadeiro pra você?

Personare

Projeto água pra que te quero !- Poesia da Luz







Fotos: Nívia Uchôa

SagaraNagens Fulinaímicas - Artur Gomes

Guima
meu mestre Guima
em mil perdões eu te peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da Hygia Ferrreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais Sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu Grande Sertão vou cumer

nem João Cabral severino
nem Virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do mestre Drummundo
que o diabo giramundo
é o Narciso do meu Ser

Artur Gomes
http://juras-secretas.blogspot.com
Ele
- Claude Bloc -


Eis que retorno ao ponto de partida pois que vivemos em direções opostas. Não por acomodação, mas por precisar especificamente desse retorno posterior. Mesmo pensando que a história poderia ter sido outra qualquer.
.
Não sei como explicar o tanto que ele sabe de mim, ainda que o silêncio nos ronde e nos falemos tão pouco. Vemo-nos, entre distâncias e (in)quietudes. Ele é o cessar dessa ardência sufocada e o caleidoscópio dos sonhos vencidos. O fim dos engodos, das cobranças, das (in)conveniências. E se ele é o fim (?), é por ele que me (re)faço e (re)inicio minha jornada.
.
E ainda assim, eu me ausento e ele me faz voltar. Ele que poderia ter-me esquecido, mas não fechou a porta, porque não dá pra explicar o que nos acontece nos dias em que as flores se adornam e se entregam e o sonho se faz farto, mesmo que doído.
.
Eu poderia dizer que o vejo quando a lua crescente dança e se descortina no meu purgatório. Poderia afirmar igualmente que entendo as ambições de sua alma. As suas querências. Mas me calo a cada anoitecer, vencida pela saudade.
.
Ele já poderia saber que gosto de me deitar numa rede quando o sono me procura. Ou poderia imaginar os malabarismos que faço para segurar as coisas entre os lábios cerrados quando me faltam as mãos. Pois ele sabe que possui o que é meu também e chora pelo que choro.
.
Ele sabe de mim. Sabe quem eu sou, num reflexo sem distorções. Está nele minha polaridade feminina, pois ele é a terra que acolhe meus pousos e eu sou o fogo que dissipa sua solidão. Somos solitários e solidários. E certamente quando nos negamos, não é rejeição: é proteção.
.
Por isso guardo os beijos que não dei. Beijos sem reservas. Olhos nos olhos, como deve ser. Sem condenação, sem disfarce. Vastos dentro de mim.
.
Por isso, não dá pra explicar essa (in)constância entre nós e muito menos essa (in)conveniência de pedir sempre mais da vida por acharmos que ela nos deve tudo e, no entanto, o que temos abrevia-se em nós mesmos.
.
Assim sendo, eu poderia escrever linhas e mais linhas sobre ele, todas cheias de parênteses. Trechos e mais trechos, todos sem reticências. Porque escrever sobre ele é discursar sobre mim mesma, e eu (nos) resguardo no silêncio. Por tudo isso ele está em mim: ele, meu passado.
.
Texto e foto por Claude Bloc

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sedução Feminina é Marketing- por Ari Lima

O marketing nasceu com as mulheres. Naquela época, havia só Adão e Eva, e nesse marketing intuitivo, Eva vendeu o paraíso a Adão utilizando uma arma bem simples, mas infalível a sedução.

A partir daí muita coisa mudou. Criou-se a civilização, o relacionamento homem-mulher foi se tornando cada vez mais complicado, confuso, complexo.

Surgiram os psicólogos, terapeutas, Freud, que tentou de todas as maneiras entender verdadeiramente as mulheres. Inútil, elas continuam e continuarão sendo absolutamente competentes em duas artes:

Primeiro, na arte da sedução coitados dos homens, que estão predestinados a serem agradavelmente dominados por aquelas mulheres maravilhosas que os seduzem, tal qual um consumidor fica embevecido pela atração infalível de um produto que nem mesmo saberia dizer porque queria tanto possuir.

Segundo, a arte tão bem explorada pelas mulheres, que é sua maneira feminina de ser, intransponivelmente enigmática.

Um homem minimamente inteligente entende o seguinte: mulher, é preciso amar, cortejar, sentir e aproveitar todo seu encanto. Entender jamais. Perderia o encanto.

A mulher que se revela demais, perde o encanto, é esta sua maior força de marketing.

As mulheres são profissionais do marketing quando o assunto é o homem de quem elas gostam ou que pretendem conquistar. Teríamos muito os homens - a aprender com elas.

Senão vejamos:


Conhecimento do produto as mulheres conhecem os homens, suas atitudes, suas intenções, seus desejos mais do que os homens às mulheres numa proporção de dez para um.
Conhecimento do mercado as mulheres observam e conhecem profundamente a concorrência, as outras mulheres de uma maneira detalhada e minuciosa.
Conhecimento dos benefícios que estão oferecendo as mulheres conhecem bem suas vantagens, as coisas que os homens nunca poderiam ter sem elas, a não ser num relacionamento.
Venda adicional as mulheres sabem que só elas podem dar a um homem o poder da paternidade.
A embalagem quem melhor do que as mulheres estão aptas a apresentar-se de uma forma tão apresentável, maquiadas, vestidas, cheirosas, pintadas, adornadas.
Preço bom... neste item elas costumam cobrar caro... mas, pensando bem, vale a pena!
Concluo dizendo o seguinte: se todo profissional de marketing e vendas puder observar melhor o comportamento das mulheres daqui pra frente, com certeza, conseguiria extrai muitas idéias poderosas e de aplicação fácil e prática em suas atividades comerciais.

Receita de Rusty Nail





4 cl. de whisky
2 cl. de Drambuie
gelo



Preparação de Rusty Nail:

Junte os ingredientes no copo, adicione gelo e mexa.

Utensílios:
Copo on the rocks

Decoração:
Colocar no bordo do copo 1 cereja com um raminho de hortelã.

Drambuie - " The Spirit Lives On"




Sua história está diretamente ligada a da Escócia. Em 1745, o príncipe inglês Charles Edward Stewart, conhecido como Bonnie Prince Charlie, liderou uma revolta (chamada Jacobite) para tentar recuperar o trono britânico. Derrotado o príncipe e alguns seguidores fugiram e se refugiaram nas ilhas de Skye, na França. O príncipe então presenteou um de seus seguidores, o capitão John McKinnon, como prêmio por sua grande lealdade, com a fórmula secreta de seu licor pessoal, o DRAMBUIE, elaborado à base de uísque escocês e uma mistura de mel com ervas aromáticas. A palavra “Drambuie” deriva da frase Gaélica “An dram buidheach”, que significa “bebida que satisfaz”.

“on the rocks” (com pedras de gelo) ou em coquetéis, como o clássico Rusty Nail.

Mau Jeito

A dor que sinto
na caixa torácica

na costela
bem na cavidade
do osso

não é saudade
nem alma em conflito -

é apenas a insônia
personificada,

e até pode me seduzir
outra hora
tarde da noite

enquanto meu velho pégaso
come seu milho triturado
sobre o telhado

os olhos entediados,
as asas murchas

ainda assim simpático
a dividir migalhas
com as gatas prenhes.

Um cavalheiro,
este meu velho pégaso.

Ensaio sobre a foto de Edilma

A meiguice de uma menina sapeca





Ensaio por Claude Bloc

JÁ TEM DÔCE PRONTO ? - Por Edilma Rocha


Sua voz era grave e rôuca. Cabelos claros, olhos azuis, saia rodada, um enorme avental e arrastava um par de chinelos de couro pelo chão.
Uma tia avó, tradicional merendeira do pequeno lugar.
Meus olhos infantis mergulhavam no cenário diferente da casa de lanche. A cozinha no fundo, abrigava um enorme fogão à lenha e as labaredas do fogo tremiam no meu olhar de espanto. Por cima das lascas de lenha, as linguas de fogo pareciam dançar saltitantes entre amarelos e vermelhos. O calor era sentido a certa distância me deixando incomodada e curiosa. Todo o trabalho iria começar...
A merendeira trazia nas mãos com muita dificuldade e cuidado, um enorme tacho de barro onde despejava uma quantidade de leite puro e perfumado. De uma lata ao lado, enchia várias medidas de açúcar um pouco escuro e ia despejando no tacho e misturando devagar. Diante da alta e forte cozinheira eu parecia mais franzina e pequena do que era na realidade. Olhos atentos observavam o vai e vem da enorme colher de pau, que por um instante mais parecia o remo de um barco rio à baixo. As paredes eram cobertas de fuligem negra e eu via as teias de aranhas no alto do telhado, brancas e brilhantes. Aos poucos se ouvia o barulho do borbulhar do dôce que começava a encher a velha casa com um aroma delicioso que despertava a fome no meu estômago. A côr do leite se tornava caramelada e se ouvia o som da colher de pau raspando o fundo do tacho. Era o sinal de que o dôce estava ficando no ponto, e falava com sotaque e rouquidão:
_ Tá quase no ponto !
Em silencio, sentada num pequeno tamborete, aguardava à chegada dos fregueses.
Eram retirados os pedaços da lenha e por cima das brasas depositado um flande que iria manter a temperatura por um tempo. O dôce era servido quentinho. Tinha apenas uma mesa e algumas cadeiras, arrumadas sôbre o chão de tijolos vermelhos. Curiosamente observava que os fregueses eram homens e chegavam sempre no mesmo horário com a mesma pergunta:
_ Dona Hortência, já tem dôce pronto ?
Pequenos pratinhos iam saindo hum a hum cheios de dôce de leite e eu corria feliz para levar as colheres de latão.
Um sorriso agradecido e satisfeito depois de um copo dágua se estampava nos seus rostos, para retornarem no próximo dia.
Estava chegando o tão esperado momento ...
Primeiro lavar a louça, depois guardar em potes de vidro o restante do dôce, e era a hora de raspar o tacho de barro com uma colher que de tanto uso, só tinha uma banda. O dôce era escuro , diferente do da freguesia, mas o seu sabor era especial. Sentávamos à mesa e madrinha Hortência, cantalorando um bendito da igreja, fazia pequenas bolinhas das sobras e as depositava num prato grande, uma a uma. E finalmente eu saboreava o mais delicioso dôce que a minha memória de criança guardou para sempre.
Edilma Rocha

Mundim do Vale nos envia mais algumas do Caririês...


Impinjar, caçuar, incharcar e chaleirar.
Sabacu, cocorote e cafuné.
Inxirido, maluvido e saliente.


Se não forem caririês, são Varzealegrês.

Abraço.
Mundim.

Maria Gadu

maria Gadu, no Carnaval de Olinda - oto de Inambê



Convite ! - Reunião dos colaboradores do Cariricaturas



Local : Residência de Roberto Jamacaru
Horário: 05.03.2010 às 20 h
Teremos a presença de José do Vale Feitosa
Assunto : O Livro do Cariricaturas !

Um livro escrito por muitas mãos: uma coletânea com nossos escritores e artistas.

Detalhes :

. Release com fotografia de cada escritor ( 01 página)
• 4 textos por escritor (máximo de 7 páginas - fonte : garamond - altura : 12) - Temática livre ( crônicas, contos e poemas).
• Os textos serão escolhidos pelos próprios escritores;
• um contingente de 200,00 por escritor
• O pagamento poderá ser feito em 4 x 50,00 ( fev-mar-abr-maio)
. O livro será dedicado aos mestres de todos os tempos, representados por Dr. José Newton Alves de Sousa.
- A capa será a foto de Pachelly- essa que já caracteriza o Cariricaturas.
- O título é: "Cariricaturas em prosas e versos"
- Edição: Emerson Monteiro ( Editora de Sonhos - Crato-Ce)
- Dedicatória ( Assis Lima )
- Prefácio/ Apresentação ( José do Vale e Zé Flávio)

-Já estão confirmadas as seguintes adesões:

01. Claude Bloc *
02. Magali Figueirêdo *
03. Carlos Esmeraldo *
04. Maria Amélia de Castro *
05. Ana Cecília Bastos *
06. Assis Lima *
07. Corujinha Baiana *
08. Stela Siebra de Brito *
09. Wilton Dedê *
10. João Marni *
11. Rejane Gonçalves *
12. Rosa Guerrera *
13. Heladio Teles Duarte * /Socorro Moreira
14. Edilma Rocha *
15. Emerson Monteiro *
16. José Flávio Vieira *
17. João Nicodemos *
18. José do Vale Feitosa *
19. Liduina Vilar *
20. Carlos Rafael *
21. Armando Rafael *
22. Bernardo Melgaço *
2 3. Domingos Barroso *
24.. Roberto Jamacaru *
25.Dimas de Castro *
26.Joaquim Pinheiro *
27.Edmar Lima Cordeiro*
28.Olival Honor *
29.José Nilton Mariano*
30.Marcos Barreto *
31.Isabela Pinheiro *
32.José Newton Alves de Sousa *
33 -Jorge de carvalho Alves de Sousa *
34.Vera Barbosa . *
35. Rogério Silva *
36.Dihelson Mendonça *
37.Elmano Rodrigues *

Email : sauska_8@hotmail.com ou cbbloc@uol.com.br
Outras informações :
Tiragem : 1.000 exemplares
Distribuição entre autores : 20 para cada = 700 unidades
Saldo : será transformados em ingressos para cobrir as despesas da festa de lançamento : coquetel, convites, divulgação, banda,decoração, etc
300 x 20,00 = 6.000,00
Preço do livro por unidade : 20,00
A edição foi orçada em 6.400,00 ( já considerados todos os descontos possíveis).
Número de páginas : 260 ( aproximadamente).
O valor da contribuição por escritor ( 200,00) será depositado numa cta do Editor (Emerson Monteiro) a ser informada por e-mail. Em contrapartida será enviado respectivo recibo.
Atentar para as datas limite de pagamento : 05.05.2010

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Claude e Socorro Moreira

Fotos de Pollyana Esmeraldo e Samuel Araújo - Niver de Dr. Zé Flávio, em dez/2009- ( nunca é tarde !)

Samuka e Blandino
Fabiana, Pollyana e Flora


Abidoral, eu, Rosineide , Zé Flávio e Blandino


Filhos de Zé Flávio


Povo lindo e amado : amigos do Crato !

Filé a Cordon Bleu - para Glauco !



200 gr de filé mignon
100 gr de presunto magro
100 gr de emmenthal
quanto baste de óleo de soja para fritar
quanto baste de ovo para empanar
quanto baste de farinha de rosca para empanar
quanto baste de farinha de trigo para empanar
quanto baste de sal
quanto baste de pimenta-do-reino branca


Abra o filé em bifes finos e tempere com o sal e a pimenta do reino.
Ponha sobre um dos bifes uma fatia de presunto e uma fatia de queijo.
Cubra com outro bife e prenda com palitos.
Passe pela farinha de trigo, pelo ovo e em seguida empane na farinha de rosca.
Frite em óleo pré-aquecido e sirva com uma deliciosa salada mista com endívias.

Matéria assinada por:
Chef Allan Vila

Stacatto - por Ana Cecília S.Bastos



É o verão que se insinua.
É a gota de sangue na letargia da tarde.
O aconchego das nuvens ao entardecer.
Rosas e azuis.

Não vi o semblante das ruas e pessoas.
Talvez alguns passos.

Não vi o suor ou a lágrima colados ao humano.
O dia é cor de shopping e estou morta.


Publicado em A Impossível Transcrição (De tudo fica a poesia).
Abstrato. Foto de MVítor.

Reza para as quatro almas de Fernando Pessoa - Adélia Prado

Da belíssima "Ode à noite antiga"


resulta que eu entendo, limpo de esforço


e vaidade, se nos fosse possível:


da oração verdadeira nasce a força.


Ninguém se cansa de bondade e avencas.


Os rebanhos guardados guardam o homem.


Todos que estamos vivos morreremos.


Não é para entender que nós pensamos,


é para sermos perdoados.


Pai nosso, criador da noite, do sonho,


do meu poder sobre os bois,


eis-me, eis-me.


BEM LONGE DO ESPINHO

Por Pedro Esmeraldo

Às vezes, aparecem perto de nós pessoas bisbilhoteiras e, portanto, procuramos afastar desse lado mal porque não apoiamos o bisbilhoteiro.

Um dia, amigos nossos, (não citaremos nomes), advertiram-nos dizendo: em mesa de bares e em rodas de amigos surgem conversas desagradáveis. Mas procuramos desviar com altivez, pois desse quadro não podemos contornar em ambiente sombrio que nos provocam constantemente ao seu bel prazer.

Temos pavor de nos encostar em arbustos espinhentos, como é o caso de mandacaru. Não suportaremos comentários maldosos que nos podem acarretar a diferença amistosa que há entre amigos e poderão escurecer esse ambiente de paz, união e serenidade.

Mas, afirmamos, não desejaremos mais afastar dos amigos, por que temos como meta a sinceridade e freqüentamos sempre, com assiduidade, a rota amistosa com pessoas dignas e honestas.

Avisamos, com muita precisão, que o nosso maior desejo é lutar pela nossa terra. Infelizmente, nos dias atuais, vemos uma horda de mal feitores que lutam contra o Crato e não desejam conservar os bens patrimoniais de nossa cidade, já que não teem cautela e muitos são maldosos; não freqüentam um ambiente sadio em prol da nossa terra.

Avisamos, com sinceridade e desde priscas eras, o nosso maior desejo é vermos o Crato evoluir, sempre glorificado nos dias atuais, mas, para isto, é preciso afastar do meio político as pessoas fracas e falaciosas e consideramos os vendilhões desses municípios.

Não gostamos desses políticos fracos, pois tratam o município com gestos ardilosos, vivem enganando o povo, contaminando o ambiente com pessoas mal cheirosas, visto que há muitos anos teem por objetivos trabalhar só para si e o Crato que caia no esquecimento.

Desde o início da década de 1980, Crato sofre com homens despreparados para exercer cargos públicos e vem sempre administrados por pessoas inadequadas e de comportamento sóbrio, com muita maldade dominam a cidade.

Se continuarmos neste mesmo diapasão Crato não andará e sempre poderá se descontrolar, porque alguns políticos andam tocando músicas desafinadas e não compreendem que o povo não pode suportar tanto erro cometido, provocado pela ganância de alguns e pela falta de patriotismo de outros, enquanto isso a cidade percorre um caminho lento e tenebroso que faz tirar a iniciativa do povo.

Notamos que estamos percorrendo um caminho sozinho, sem nenhuma ajuda para empurrar o barco em direção das águas profundas, a fim de adquirir bons elementos que façam o Crato caminhar com dignidade em direção ao futuro.

Fujamos desse desregramento físico que nos faz arrefecer e ficar ponderando atoleimados diante das injustiças sem podermos nos controlar e seguir em frente o nosso caminho.

Antes de tudo, procuremos consertar os erros e nos afastar dessa corja trogloditiana que só nos vem provocar e trazer mal-estar dentro do nosso pensamento de homens sérios, e equilibrar o barco que anda à deriva.

Mais uma vez dizemos: lutaremos pelo Crato até a morte, custe o que custar, mas procuramos afastar esses políticos fracos que vivem querendo dilacerar o Crato através da intriga, e, ao mesmo tempo, continuaremos na luta de distritos importantes que nos vem causar desgosto e prejuízo ao país. Já chega de tanta cidade-distrito por que queremos crescer e mostrar que somos uma cidade destemida e voluntariosa.

Crato, 10.02.2010

Pensamento para o Dia 22/02/2010



“Insetos venenosos estarão em nosso lar somente em lugares escuros, sujos. Dentro de um quarto mantido escrupulosamente limpo, nenhuma cobra, escorpião ou inseto venenoso pode entrar. Do mesmo modo, a sabedoria sagrada não pode entrar nos corações que são escuros e sujos. Em vez disso, as características venenosas como a raiva encontrarão nesses corações um resort agradável. O significado sublime de Vidya ou Educação Superior pode ser apreendido por alguém quando a sua mente é pura. Ela pode ser comunicada a alguém somente quando a mente pura derrama sua luz reveladora.”
Sathya Sai Baba

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“Abandone os sentimentos de “eu” e “você”. Só então você pode compreender a glória daquilo que não é nem “eu” nem “meu”. Isso não significa renunciar a tudo. Lide com o mundo como o dever demanda, com um espírito de desapego. O teste de ácido pelo qual uma atividade pode ser confirmada como santa e sagrada é verificar se ela promove apego ou escravidão. A atividade é impura ou pecaminosa se surgir ou promover ganância. Com a intenção de cumprir suas funções legítimas, ore a Deus para mantê-lo vivo por cem anos. Você não incorrerá em culpa. Essa é a lição da verdadeira educação.”
Sathya Sai Baba

MANUEL DE BARROS – INCOMPLETUDE QUE COMPLETA - Por Stela Siebra Brito

Desde a primeira vez, sempre que leio Manuel de Barros fico desassossegada e quase completa, lendo tudo no deslivro da vida, alumbrada com gafanhotos e bem-te-vis. Desavessada e mais bocó ainda, bebo a água de rio e o canto de sabiás. Me poetizo toda para receber as completudes da natureza, o anteceder da noite e do dia, as conversas “profundas com as águas” .

Do “Livro sobre o nada” – Record, 1997

5.

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

9.

A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um
sabiá
mas não pode medir seus encantos.
A ciência não pode calcular quantos cavalos de força
existem
nos encantos de um sabiá.

Quem acumula muita informação perde o condão de
adivinhar: divinare.

Os sabiás divinam.


Em “O Livro das Ignorãças” – Civilização Brasileira, 1994
Terceiro Dia

Passa um galho de pau movido a borboletas:
Com eles celebro meu órgão de ver.
Inclino a fala para uma oração.
Tem um cheiro de malva esta manhã.
Hão de nascer tomilhos em meus sinos.
(Existe um tom de mim no anteceder?)
Não tenho mecanismos para santo.
Palavra que eu uso me inclui nela.
Este horizonte usa um tom de paz.
Aqui a aranha não denigre o orvalho.

Do livro “Memórias Inventadas – A Segunda Infância” – Planeta, 2006
Bocó
Quando o moço estava a catar caracóis e pedrinhas na beira do rio até duas horas da tarde, ali também Nhá Velina Cuê estava. A velha paraguaia de ver aquele moço a catar caracóis na beira do rio até duas horas da tarde, balançou a cabeça de um lado para o outro ao gesto de quem estivesse com pena do moço, e disse a palavra bocó. O moço ouviu a palavra bocó e foi para casa correndo a ver nos seus trinta e dois dicionários que coisa era bocó. Achou cerca de nove expressões que sugeriam símiles a tonto. E se riu de gostar. E separou para ele os nove símiles. Tais: Bocó é sempre alguém acrescentado de criança. Bocó é uma exceção de árvore. Bocó é um que gosta de conversar bobagens profundas com as águas. Bocó é aquele que fala sempre com sotaque das suas origens. É sempre alguém obscuro de mosca. É alguém que constrói sua casa com pouco cisco. É um que descobriu que as tardes fazem parte de haver beleza nos pássaros. Bocó é aquele que olhando para o chão enxerga um verme sendo-o. Bocó é uma espécie de sânie com alvoradas. Foi o que o moço colheu em seus trinta e dois dicionários. E ele se estimou.
ALÔ CARIRICATURAS, MANDA AÍ A CONTA BANCÁRIA PARA O DEPÓSITO DA FRANQUIA DO LIVRO !

Projeto água pra que te quero ! - Poesia da Luz






Fotos : Nívia Uchôa

João Nicodemos , no Sesc Crato, dia 26 de fevereiro, às 20 h. Não percam !