Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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sábado, 27 de março de 2010

Dia mundial do Teatro - 27 de março !




Vinte e sete de março é internacionalmente comemorado como o Dia Mundial do Teatro. Retrocedendo no tempo, anterior ao período cristão e que marca o nosso atual calendário, vamos encontrar a Grécia Antiga, palco florescente de todas as artes, em especial a arte cênica. Talvez por falta de um material mais consistente que remonte aos tempos de Téspis, encenador e dramaturgo que se ocupava de uma carroça para concretizar seus espetáculos em praças públicas, de uma cidade para outra, os grandes historiadores do teatro se concentram na tragédia grega como o ponto inicial dessa arte que até hoje sobrevive a todas as guerras e dificuldades.
Para alguns desses historiadores, a tragédia teria nascido de um culto, junto ao altar de algum deus, e que seria uma das maravilhas espirituais do mundo marcando a união de drama e povo, afirmando e fortalecendo a Grécia de então. Para eles, drama tem o significado de ação e, entre todas as ações dramáticas, a tragédia seria a jóia de maior preço. Dificilmente existirá um poeta, um filósofo, um estadista ou um sábio, que não se tenha detido alguma vez, demoradamente, com seu pensamento, analisando a essência da tragédia, porque com certeza sentiu na própria vida os perigos que enfrentou quando, ao se empenhar em grandes tarefas, cruzou com a incerteza, a contingência de uma idéia em que se empenhara.
Sentiram, que não chega aquilo que na terra nos é oferecido como compensação de aflições íntimas. Sentiram muito mais: a divindade que não responde ao suplicante, por que não se pode colocar em palavras aquilo que ela poderia nos responder, já que as palavras não passam de uma invenção humana, e nada mais são do que metáforas. A divindade nos deixa apenas pressentir que existe, quer seja através das palavras elevadas dos fundadores das várias religiões e dos profetas, da linguagem dos poetas e escultores, da música e seus compositores ou do sucesso de um feito concretizado com coragem e amplitude de responsabilidade, ou mesmo, de um fracasso resultante da extravagância e da irresponsabilidade humana.
Tudo isto alimentou a tragédia antiga, a cujo campo pertencem os conflitos entre a moral e a paixão, a lei e o direito natural, a medida e o orgulho, entre o conhecimento e um impulso inconsiderado que nos tenta levar às estrelas. Da hipertrofia do eu, que resultam as exigências que visam o mundo e raras vezes serão satisfeitas. E, de contrários duros e inexoráveis, nasce a tragédia, a flor escura e turva onde as gotas do orvalho são lágrimas de um deus compassivo.
Na decorrência desta criação artística do homem, seguiram-se as várias nuances da arte cênica, desenvolvidas através da comédia grega, do teatro greco-romano, dos mistérios medievais, o drama do renascimento e a comédia dell´arte, o drama pastoril e os dramas populares, o drama shakespeariano, o mimo, a ópera barroca, o teatro popular do barroco, a dramaturgia francesa de Racine, Corneille, Moliére, o drama alemão do iluminismo, a dramaturgia revolucionária do romantismo e do realismo, a dramaturgia burguesa, o drama social, o expressionismo e tantas outras vertentes desta arte que retrata o cotidiano das nações e da raça humana.
Pelo tanto de história, e pelo valor que representa na formação e educação cultural da sociedade, brindemos neste 27 de março a mais um Dia Internacional do Teatro, aproveitando para orar aos nossos governantes no sentido de que, dediquem parte do seu tempo a promover a produção cultural deste país. Como dizia Garcia Lorca, "um povo que não ajuda ou não fomenta seu teatro, se não está morto, está moribundo."
by: Carlos Pinto Jornalista Presidente do Instituto Cultural de Artes Cênicas do Estado de São Paulo e Secretário de Cultura de Santos.

Cores do Picadeiro por Keyla Crisina Silva




Encanto, magia, sonho. Ele faz a alegria não só das crianças, como também dos adultos. Não tem local certo, porque o artista vai onde o povo está. 15 de março, dia do circo.

Os artistas circenses surgiram na China, onde foram descobertas pinturas de quase cinco mil anos em que apareciam acrobatas, contorcionistas e equilibristas. A acrobacia era o treinamento dos guerreiros que necessitavam desenvolver agilidade, força e flexibilidade. Com o passar do tempo, as qualidades se uniram ao charme, a beleza e harmonia.

Este é o exemplo da acrobata aérea e bailarina, Valéria Farfan. Ela é da quarta geração do circo. Desenvolvendo toda habilidade e força que possui em seu corpo, Valéria desenvolve um número de contorcionismo nas alturas, só que sem a rede de proteção. Uma verdadeira demonstração de equilíbrio econcentração, em que tudo neste espetáculo depende dela, da sua força. É um número perigoso, onde mãos, corpo e cabeça devem estar firmes, pois a vida está em risco.

O circo no Brasil existe desde o fim do século 19. Ele começou com ciganos que vinham da Europa para fugir de perseguições. Entre suas especialidades incluiam-se a domadora de ursos, o ilusionismo e as exibições com cavalos. Especialidades do artista Luciano Portugal que é adestrador, cavaleiro e trapezista, e um dos motoqueiros do globo da morte. Antes de falarmos sobre Luciano, que no show apresenta quatro espetáculos, vale explicar como acontece o adestramento dos animais. Existe um certo tipo de mito em relação a estes serem machucados para que possam aprender os números que apresentam. Luciano nos explica que o adestramento ocorre através do carinho e da recompensa que o animal recebe ao estar fazendo o seu número, no caso dos cachorros que andam e se apresentam vestidos de heróis da ficção, a carne é o agradecimento do seu domador pela tarefa cumprida. Não há agressões aos animais, que para o artista Luciano são como parte da família.

Uma das grandes atrações é o globo da morte. O circo Estoril, que está em Uberaba até o dia 22 de março, se atreveu e coloca a sexta moto, o que é inédito, dentro de um globo de 4,30 x 4,30 metros de circunferência. Quando se apresentam com as seis motocicletas chegam a ficar a dois palmos uns dos outros. É um número muito perigoso. Luciano e seu irmão Tiago Portugal, que apresentam um número de dança de cavalos juntos, são motoqueiros do globo. Eles nos conta como é arriscado, é o mínimo de espaço e depende das máquinas, porque se elas falham tudo pode acontecer. E já aconteceu. Uma vez estavam apresentando e a corrente de uma das motos arrebentou, três delas chegaram a bater e os motociclistas caíram. Em outra vez choveu e, o globo pegou umidade. Se tornou escorregadio, a quarta e quinta moto caíram. Mas independente disso, para eles o que vale é a adrenalina do momento. Luciano diz que no início dava medo, mas que depois a emoção supera tudo.

A pessoa que participa e quer fazer parte do globo da morte começa de bicicleta, rodando em horizontal, até que consiga se acostumar, porque de início fica-se tonto.

O circo necessita inovar, superar limites, para que o público não perca o interesse pelo espetáculo. E foi por isso, que o circo Estoril em suas apresentações inseriram mais uma moto, apesar do perigo. Normalmente os outros circos têm por costume que o globo fique em um canto, eles o trouxeram para o centro do picadeiro. Antes da apresentação montaram uma coreografia de abertura e no tão esperado espetáculo, a música que se ouve é o ronco dos motores. Inovação que não pára por aí, eles ainda se arriscam mais e sem as mãos fazem suas manobras dentro daquele círculo.

Mas a vida no circo não é nada fácil. É necessário superar todos os problemas existentes e com o abrir das cortinas, o sorriso também é necessário aparecer. A cada dia um novo público, e depois outras cidades. E não pense que o cansaço abate estes jovens não, no domingo, por exemplo, eles fazem três sessões e ao finalizar, retoma os ensaios. No outro dia o processo é o mesmo, e apesar de ser um mundo de sonhos, os nossos artistas são pessoas comuns que trabalham arduamente, mas que vão às compras, apresentam e saem à noite para aproveitar e fazer novas amizades.

Amizades que nem sempre perduram, como nos conta a relações públicas Margareth Pereira. Toda semana estão em um local diferente, o que dificulta um pouco os relacionamentos duradouros, devido as distâncias. Mas eles podem contar uns com os outros e o bom relacionamento é imprescindível, pois é o que os tornam uma grande família. E como em uma família, intrigas acontecem, mas como passam todo o dia juntos é necessário ser superado.

O circo é apaixonante, prova disso são as pessoas que não são de famílias tradicionais circenses, mas que se encantaram e vieram trabalhar nele. É o caso de Margareth. O circo foi em sua cidade, a irmã dela conheceu um rapaz que lá trabalhava. Namoraram, casaram e ela foi passear com a irmã, se deslumbrou e hoje acompanha esta vida há quatorze anos.

Para estes artistas o circo significa mais do que uma forma de viver, é amor. Não trocariam esta vida por nada. A acrobata aérea Valéria uma vez tentou mudar de profissão, mas o convencional não lhe agradou. Estava de férias e foi para a casa da prima em São Paulo, começou a trabalhar de balconista em uma loja. A brincadeira era geral, enquanto os outros trabalhavam parados de qualquer jeito, a trapezista, como era chamada, levou a postura do picadeiro para o balcão. E não conseguiu imaginar parada em um só local, logo voltou ao circo.

E que seja assim. Que o circo possa continuar a nos encantar com o mundo de sonhos, onde as luzes acendem, as cortinas se abrem e a fantasia acontece. Aplausos, que é a maior recompensa de um artista, a todos os circenses pelo dia mundial do circo.

Festivais em honra a Deusa Atena




Durante as Panathenaias, festas solenes dedicadas a Deusa Atena, todos os povos da Ática, corriam a Atenas. Essas festas, a princípio só duravam um dia, duração que mais tarde, a partir de 565 a.C, passou para cinco dias, de 19 (dezenove) a 23 (vinte e três) de março.

Distinguiam-se as Grandes e as Pequenas Panathenaias: as primeiras se celebravam de quatro em quatro anos, e as outras anualmente. Nessas cerimônias disputavam-se três espécies de prêmios: os de corrida, os de luta e os de poesia ou música. Os ganhadores recebiam vasos pintados cheios de azeite de oliva puro, produto da árvore sagrada da Deusa Atena.

Os gregos antigos realizaram um "lampadedromia" (palavra grega para o condução da tocha), onde os atletas competiram passando com a tocha em uma corrida na condução à reta final. Em Atenas antiga o ritual era parte importante da Festa Panathenaia.
A grande atração desses festivais era uma procissão em que uma veste nova e bordada era confeccionada por um seleto número de mulheres atenienses, era carregada pela cidade em um navio ornado. Essa procissão estava representada nos frisos do Paternon.

Os magistrados de Atenas ofereciam sacrifícios para Deusa e todos os serviços de seu santuário eram conduzidos por duas virgens eleitas por um período e um ano.
A FILHA DO PAI
Talvez o maior diferenciação da Deusa Atena está em não ter conhecido e não ter convivido com a mãe, Métis. Na verdade Atena parecia não ter consciência de que tinha mãe, pois considerava-se portadora de um só genitor, Zeus. Na qualidade de tão somente "filha do pai", Atena tornou-se uma defensora dos direitos e dos valores patriarcais.

Ela era o "braço direito" de Zeus, com crédito total para usar bem sua autoridade e proteger as prerrogativas dele. Muitas dedicadas secretárias executivas, que devotam suas vidas a seus patrões, são bons exemplos das convicções da Deusa Atenas.
ATENA COMO DEUSA DA SABEDORIA

Levando-se em conta que as Deusas e Deuses são arquétipos que todo ser humano tem acesso, parece que o mito de Atena explora antes de tudo a qualidade da reflexão. Suas histórias constituem uma meditação sobre o valor do pensamento minucioso e pausado, o de ver muito além da reação imediata ante à um acontecimento. A Deusa encarna a virtude da contenção, e seus olhos "resplandecentes" são o emblema de uma inteligência lúcida que poder ver além da satisfação imediata.

Atena oferece a seus protegidos o bom conselho, o pensar cuidadoso ou a previsão prática: a capacidade de refletir. A essa virtude se denomina "metis", derivado do nome de sua mãe e que podemos traduzir como "conselho" ou "sabedoria prática".
Quando o arquétipo de Atena está ativo em uma mulher, ela mostrará uma tendência natural de fazer todas as coisas com muita moderação para viver em "justo equilíbrio", que era o ideal ateniense. O "justo equilíbrio" é também mantido pela tendência que possui a Deusa Atena de conduzir acontecimentos, notar efeitos e mudar de curso da ação tão logo ele pareça improdutivo.

Além disso, é interessante notar que Atena chega ao cenário olímpico com esplêndida couraça dourada. Estar "encouraçada" é um traço marcante dessa Deusa. Foi seu grande desenvolvimento intelectual que a deixou longe do sofrimento, tanto seu como dos outros.

No mundo competitivo em que vivemos o arquétipo de Atena tem indiscutível vantagem, pois a mulher-Atena (arquétipo ativo) não é uma mulher que é pessoalmente atingida por qualquer hostilidade ou decepção. Toda a mulher quando ferida ou insultada, pode tornar-se emotiva e menos efetiva. Na mesma condição, a mulher-Atena avalia friamente o que está acontecendo.

Todas as mulheres que desejam desenvolver as qualidades da Deusa Atena, devem dar especial atenção à educação. Toda a instrução estimula o desenvolvimento desse arquétipo. Aprender fatos objetivos, pensar claramente, preparar-se para concursos e exames são todos excelentes exercícios que evocam Atena.
CONCILIANDO-SE COM A "MÃE"

Na mitologia, a Deusa Atena era órfão de mãe e sentia orgulho por ter apenas Zeus como pai. Metaforicamente as mulheres tipo Atena também são "órfãos de mãe" de muitos modos. Mas é muito importante redescobrir a mãe e valorizá-la.

A mulher-Atena, geralmente deprecia sua própria mãe. Ela precisa descobrir as energias de sua mãe, muitas vezes antes que possa valorizar quaisquer semelhanças entre a mãe e ela mesma. Ela necessitará da conexão com esse arquétipo materno para experienciar a maternidade e sentir-se mãe profunda e instintivamente.

É muito útil para mulher tipo Atena aprender que os valores femininos matriarcais, que existiam muito antes da mitologia grega. Adquirindo conhecimento de tais conceitos, ela poderá começar a pensar diferentemente sobre sua própria mãe e outras mulheres, e depois de si própria. Mudando seu modo de pensar, poderá também melhorar seu relacionamento com outras pessoas.

MEDO DO FEMININO

Toda a ideologia do patriarcado concebe o "feminino" como uma força irracional destrutiva. Entretanto, a desvalorização do Feminino deve ser entendida como uma tentativa de superação do medo do Feminino e de seu aspecto perigoso como a "Grande Mãe" e como a "anima".

No patriarcado, o inconsciente, o instinto, o sexo e a terra, enquanto coisas terrenas, pertencem ao "feminino negativo", ao qual o homem associa a mulher, e que todas as culturas patriarcais, até o presente momento, a mulher e o Feminino têm sofrido sob a atitude defensiva e o desprezo masculinos.

Essa avaliação negativa não se aplica apenas ao caráter elementar e ao aspecto matriarcal, mas igualmente ao seu transformador. Para o homem, que considera-se "superior", a mulher se torna feiticeira, sedutora, bruxa, e é rejeitada em virtude do medo associado ao Feminino irracional. O homem denuncia o Feminino como escravizador, como algo confuso e sedutor, que pode colocar em risco a estabilidade de sua existência. Ele rejeita o feminino, especialmente porque ele o prende no casamento, na família e na adaptação à realidade, e o confunde quanto o pensar de si próprio. Como o indivíduo do sexo masculino é dominado pelo elemento espiritual superior, ele foge da realidade da terra e prefere ascender rumo ao céu.

O resultado dessa postura unilateral, torna o homem não integrado que é atacado por seu lado reprimido e em muitas vezes sobrepujado por ele.

A negativização do Feminino não deixa que o homem experiencie a mulher como uma igual, mas com características distintas. A conseqüência da altivez patriarcal leva à incapacidade de fazer qualquer contato genuíno com o Feminino, isto é, não apenas com a mulher real, mas também com o Feminino em si, com o inconsciente.

Enquanto o indivíduo do sexo masculino não deixar desenvolver o Feminino (anima) em uma psique interior, jamais chegará a alcançar a totalidade. A separação da cultura patriarcal do Feminino e do inconsciente torna-se assim, uma das causas essenciais da crise de medo que agora se encontra o mundo patriarcal.

VIVER DE ACORDO COM A DEUSA ATENA

Viver sob a influência do arquétipo Atena, significa viver inteligentemente e agir premeditadamente no mundo patriarcal. A mulher que vive desse modo, leva uma vida unilateral e vive quase que exclusivamente para seu trabalho. Ainda que aprecie a companhia dos outros, falta-lhe a carga emocional, atração erótica, intimidade, paixão ou êxtase.

A exclusiva identificação com a racional Atena desliga toda a mulher da cadeia e intensidade da emoção humana. Seus sentimentos são bem modulados por Atena, limitados ao meio-termo.

Agindo intelectualmente, a mulher-Atena pouco sabe sobre a sensualidade, pois Atena a mantém acima do nível instintivo, e portanto ela não sente a força total dos instintos maternais, sexuais ou procriativos. Não há possessão no amor de Atena e inclusive quase nenhum desejo sexual.
A mulher-Atena pode ainda, produzir o "efeito medusa", ou seja, afastar as pessoas que não sejam como ela.
Em seu peitoral, a Deusa Atena usava um símbolo do seu poder, a égide, uma pele de cabra decorada com a cabeça de uma Gógona, a cabeça da Medusa. A Górgona é também um aspecto da mulher tipo Atena.

No nível psicológico, Atena é o arquétipo da mulher artisticamente criativa. Para homens e mulheres, é o espírito da realização, da competência e da ação.

RITUAL DA SABEDORIA

Atena é a mais sábia das Deusas e todos nós podemos nos beneficiar atraindo algo de sua sabedoria e percepção para nossas vidas.

Os antigos gregos quando iam honrar a Deusa Atena em sua festividade, usavam roupas novas, como se assim se revestissem a si mesmo com sua sabedoria. Portanto, a primeira coisa que devemos fazer é comprar uma roupa nova digna de uma Deusa.

Púrpura é a cor tradicional da sabedoria, sendo assim, é melhor que escolha algo dessa cor, ou pelo menos um detalhe ou bordado em púrpura. Quando vestir seu traje novo pela manhã, pense que está se vestindo com a sabedoria de Atena.

As azeitonas estão consagradas à Atena, assim que ao final do dia se sente com uma vasilha de azeitonas e invoque-a dizendo:

-"Ao comer essas azeitonas, peço-lhe que me enchas de sabedoria e astúcia, e que essas qualidades se mantenham durante todo o ano."

Coma as azeitonas uma a uma, e ao mesmo tempo reflita sobre as áreas de sua vida que podem se beneficiar com a sabedoria de Atena.


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Atena , Deusa da Guerra , da Sabedoria e das Artes




Atena era a Deusa grega da sabedoria e das artes conhecida como Minerva pelos romanos. Atena era uma Deusa virgem, dedicada a castidade e celibato. Era majestosa e uma linda Deusa guerreira, protetora de seus heróis escolhidos e de sua cidade homônima Atenas. Única Deusa retrata usando couraça, com pala de seu capacete voltada para trás para deixar a vista sua beleza, um escudo no braço e uma lança na mão.

Contradizendo com seu papel como uma Deusa que presidia às estratégias da batalha na época de guerra e às artes domésticas em tempo de paz, Atena era também apresentada com uma lança em uma das mãos e uma tigela ou roca na outra.

Era protetora das cidades das cidades, das forças militares, e Deusa das tecelãs, ourives, oleiras e costureiras. Atena foi creditada pelos gregos ao dar à humanidade as rédeas para amansar o cavalo, ao inspirar os construtores de navios em sua habilidade, e ao ensinar as pessoas a fazerem o arado, ancinho, canga de boi e carro de guerra. A oliveira foi seu presente especial a Atenas, um presente que produziu o cultivo das azeitonas.

A Deusa Atena foi retratada com uma coruja, ave associada a sabedoria e de olhos proeminentes, duas de suas características. Cobras entrelaçadas eram apresentadas como um modelo no debrum de sua capa e escudo.

Quando Atena era retratada com outro indivíduo, esse sempre era do sexo masculino. Por exemplo, era vista perto de Zeus na atitude de um guerreiro de sentinela para seu rei. Ou era reconhecida atrás ou ao lado de Aquiles ou de Odisseu, os principais heróis gregos de Ilíada e da Odisséia.

As habilidades bélicas domésticas associadas com Atena envolvem planejamento e execução, atividades que requerem pensamento intencional e inteligente. A estratégica, o aspecto prático e resultados tangíveis são indicações de qualidades e legitimidade de sua sabedoria própria. Atenas valoriza o pensamento racional e é pelo domínio da vontade e do intelecto sobre o instinto e a natureza. Sua vitalidade é encontrada na cidade. Para Atena, a selva deve ser subjugada e dominada.

Atena era a filha predileta de Zeus, que lhe concedeu muitas das suas prerrogativas. Ela tinha o dom da profecia e tudo que autorizava com um simples sinal de cabeça era irrevogável. Ora conduz Ulisses em suas viagens, ora ensina as mulheres a arte de tapeçaria. Foi ela que faz construir o navio dos Argonautas, segundo seu desenho e coloca à popa o pau falante, cortado na floresta de Dodona, o qual dirigia a rota, advertindo perigos e indicando os meios de os evitar.

Era na cidade de Atenas que seu culto foi perpetuamente honrado: tinha seus altares, as suas mais belas estátuas, as suas festas solenes e um templo de notável arquitetura, o Partenon. Esse templo foi reconstruído no período de Péricles.

NASCIMENTO MITOLÓGICO

Zeus ingere sua primeira esposa, Métis (que estava grávida), uma Titã, na esperança de prevenir o nascimento de um futuro rival. Mas esse ato de integração tem uma conseqüência imprevista: um dia, Zeus tem uma dor de cabeça lancinante e logo dá à luz, pela cabeça, o feto que estava no útero de sua primeira esposa. A criança que nasce já madura da cabeça do pai é Atena, a filha consumada do pai.

A Deusa não conheceu sua mãe, Métis.

Nesse primeiro relato do mito, o ato de engolir a esposa grávida e a filha nascer da cabeça do pai, nos faz lembrar do nascimento de Eva da costela de Adão. É bem sugestivo que tanto Atena como Eva se associem com a serpente: as vezes a serpente inclusive podia aparecer no lugar de Atena, e na Gênesis a serpente tem, as vezes, o rosto de Eva, enquanto que o significado que são dadas as essas imagens são muito diferentes. Porém, em ambos os mitos a Mãe Natureza perde força e o macho se apropria de seus poderes como doadora de vida.

Esse mito é o maior testemunho do momento histórico em o patriarcado se impõe sobre a ordem anterior (matriarcado).
Entretanto, conforme o mito vai se desenrolando, Atena torna-se uma boa companheira para seu pai e uma das mais íntimas conselheiras.

Essa história nos conta, especificamente, de como a consciência lunar desenvolve-se dentro da solar, dominante. É Atena que introduz na psique dominada por Zeus um elemento de interioridade reflexiva que suaviza o elemento opiniático-recriminador da posição solar dominante.
ATENA E PALAS

Habitualmente, considerava-se Atena e Palas como o mesma divindade. Os gregos até juntaram os dois nomes: Palas-Atena. Entretanto, muitos poetas afirmaram que essas duas divindades não poderiam ser confundidas. Palas, chamada Tritônia, de olhos verdes, filha de Tritão, fora encarregada da educação de Atena. Ambas se apraziam nos exercícios das armas.

Certa vez, conta-se que elas se desafiaram. Atena teria saído ferida se Zeus não tivesse colocado a égide diante de sua filha; Palas ao ver tal ficou aterrorizada, e enquanto recuava olhando para a égide, Atena feriu-a mortalmente. Veio-lhe depois um profundo sentimento de culpa e para se consolar fez esculpir uma imagem de Palas, tendo a égide sobre o peito. Consta que é essa imagem ou estátua que mais tarde ficou sendo o famoso Paládio de Tróia.

ZEUS E ATENA

Zeus, na mitologia grega, repete os padrões de comportamento de seu pai Cronos e de seu avô Urano. Como eles, destinatários de um oráculo segundo o qual um filho os destronará, Zeus teme por sua autoridade. Quando Métis engravida, ingere-a, imitando assim o procedimento do pai Cronos, que engolia os filhos. Se a estratégia defensiva de Cronos era cooptação das novas possibilidades de vida, já Zeus é bem mais eficiente, pois tenta incorporar o elemento feminino propriamente dito, a mãe de novas possibilidades. O que pode até parecer um ato de integração, é na verdade um inteligente golpe com a intenção de privar o inconsciente de seu poder criativo. Zeus pensava em integrar os desafios e as resistências inconscientes compondo-os em uma aliança com a atitude dominante, utilizando inclusive o inconsciente para suas metas.

Logicamente fracassa, pois não contava com a implacável hostilidade das "mães" da consciência lunar e dá à luz a Atena: o "justo equilíbrio".

Diferentemente de Zeus, Atena tem um ativo interesse pelas questões da humanidade e é ela que intervém no trágico destino de Orestes, perseguido pelas Erínias, que acabou sendo julgado por ter praticado matricídio:

"Orestes, uma vez já o salvei

Quando fui árbitro das colinas de Ares

E rompi o nó votando em seu favor.

Que agora seja lei: aquele que obtém

Um veredito igualmente repartido ganha

Sem causa."

(Eurípedes, "Ifigênia em Taurus", 1471-1475)



A nota de misericórdia nessa fala indica sua propensão a favorecer a manutenção das possibilidades de vida e a deixar transpirar a inclinação de Atena para a adoção prática da função de consciência lunar nos assuntos atinentes à justiça.
Entretanto, a Deusa Atena dentro do mundo do Olimpo é profundamente influenciada por sua inquestionável aliança com o pai. Atena pertence ao pai, Zeus. Por conseguinte, Atena é uma Deusa que representa uma versão pouco expressiva da consciência matriarcal. Ela representa, na realidade, uma tentativa de fazer com que a consciência solar (animus) incorpore alguns aspectos da consciência lunar (anima). Atena amplia os horizontes de Zeus, interioriza e suaviza o cosmo patriarcal, mas não desafia de maneira fundamental os pressupostos olímpicos. Em vez disso, ela lhe oferece apoio e introduz no seu mundo da consciência um pouco de reflexão estratégica e momentos de interioridade.
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Felipe Carone




Felipe Carone (São Paulo, 25 de julho de 1920 — Rio de Janeiro, 27 de março de 1995) foi um ator brasileiro.


Paulista, ele morava no Rio de Janeiro há 25 anos quando faleceu, e construiu sua carreira em novelas da TV Globo, onde estreou na década de 1960.

Estreou no cinema em 1958 com Macumba na Alta e sempre fez papéis cômicos, tendo se destacado em comédias leves como Lua de Mel e Amendoim; Os Mansos; Uma Mulata Para Todos e A Árvore dos Sexos, entre outros.

Morreu em uma clínica no bairro do Botafogo vitimado por um câncer no esôfago.

Roberto Farias



Roberto Figueira de Farias (Nova Friburgo, 27 de março de 1932) é um cineasta brasileiro.

Irmão do ator Reginaldo Faria, teve um "s" adicionado ao seu sobrenome por erro do cartório . Ele foi sempre um aficcionado por cinema e desde pequeno montava um "cineminha" na sua casa usando caixas de sapatos. Do cinema para a fotografia foi um pulo fácil e ele cursou Belas Artes no Rio de Janeiro.

O começo foi na Companhia Atlântida para onde foi levado por Watson Macedo para ser assistente de direção. A estréia foi no drama Maior que o Ódio, dirigido por José Carlos Burle. Fez quase 10 filmes como assistente de direção ou de produção até estrear como diretor em 1957 com Rico Ri à Toa, uma chanchada estrelada por Zé Trindade onde além de dirigir ele também foi o autor do roteiro e dos diálogos.

Em 1960, com o policial Cidade Ameaçada, ganhou vários prêmios e se tornou um dos mais respeitados cineastas brasileiros, posição que ele viria a sacramentar com Assalto ao Trem Pagador, em 1962.

Na década de 1960 fundou com os irmãos a produtora R.F.Farias, uma das mais importantes do país. Ele se tornou um diretor popular ao filmar a trilogia de filmes com Roberto Carlos, que começou em 1968 com Roberto Carlos em Ritmo de Aventura e terminou em 1971 com A 300 km por hora.

Roberto também foi presidente do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica e o primeiro cineasta a dirigir a Embrafilme. Na TV Globo dirigiu as minisséries A Máfia no Brasil; As Noivas de Copacabana; Contos de Verão e Memorial de Maria Moura, além do programa Você Decide.
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Carlinhos Vergeiro

Renato Russo

Ben Webster

Histórico !

Macarrão à Carbonara




* Ingredientes
* 1 lata decreme de leite
* bacon picado 'a gosto
* queijo ralado
* 2 a 3 ovos
* sal, pimenta
* macarrão


* Modo de Preparo

1. Fritar bem o bacon, até ficar crocante
2. Pode-se adicionar salame picado
3. Acrescentar o creme de leite e reservar
4. Colocar o macarrão à cozinhar em água e sal
5. no refratário onde será servido o macarrão, bater bem os ovos com um garfo os ovos crus, temperar com sal e pimenta à gosto, e juntar o queijo ralado, também a gosto
6. Quando o macarrão estiver pronto, escorrer e colocar, bem quente, sobre a mistura de ovos, e misturar bem
7. O calor da massa cozinha os ovos
8. Colocar o molho de bacon e creme de leite, ainda quente, sobre o macarrão e servir

sexta-feira, 26 de março de 2010



"Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos, o que buscamos nos encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por nós. Enquanto não chegue, nada faças. Descansa. Já tu verás o que acontece enquanto isto.”
(Clarissa Pinkola)

Auto-estima - Por Elisabeth Cavalcante - Colaboração de Ismênia Maia





A falta de amor por si mesmo é a causa essencial que está por trás dos desequilíbrios na maioria dos seres humanos desajustados. Sem esta qualidade básica, ninguém pode se direcionar na vida de modo positivo.

Infelizmente, nem todos os pais possuem a consciência do quanto é importante que a auto-estima seja estimulada desde cedo nas crianças. Muitos, ao contrário, por serem excessivamente críticos e exigentes, jamais se sentem satisfeitos com o desempenho do filho e fazem questão de afirmar isto, sempre cobrando mais perfeição ou comparando-o com outros, que eles julguem mais inteligentes ou habilidosos.

E esta é uma atitude das mais devastadoras, pois acontece numa fase em que a imagem que a pessoa tem de si mesma está sendo construída. O resultado é um ser humano inseguro, incapaz de sentir-se satisfeito consigo próprio, ainda que alcance alguns resultados positivos na vida. Ou seja, ele nunca estará realizado e sempre vai ter a sensação de que poderia ter feito melhor.

Cria-se um vazio interior, que procura ser preenchido de inúmeras formas, seja através de um desejo compulsivo por comida, por bebida ou alguma outra droga mais poderosa, ou por uma dependência afetiva, algo enfim que lhe dê a sensação, por algum tempo, de que é alguém de valor.

Nada pode substituir o amor, a atenção e o estímulo às qualidades positivas de uma pessoa, como forma de garantir que ela desenvolva uma auto-confiança indestrutível.
Ensinar alguém a amar a si mesmo, não é um estímulo ao egoísmo. Ao contrário, é uma maneira de fazer com que ele desenvolva sua capacidade de amar, para que só então possa direcionar este amor ao mundo exterior.

....A primeira amizade precisa ser consigo mesmo,
mas muito raramente se encontra uma pessoa que seja amistosa consigo mesma.
.....Ensinaram-nos a condenar a nós mesmos. O amor-próprio foi considerado como um pecado. Não é.
Ele é a base de todos os outros amores, e é somente através dele que o amor altruísta é possível.
Como o amor-próprio foi condenado, todas as outras possibilidades de amor desapareceram.
Essa foi a estratégia muito ladina para destruir o amor.
É como se você dissesse a uma árvore: "Não se alimente da terra, isso é pecado.
Não se alimente da lua, da chuva, do sol e das estrelas; isso é egoísmo.
Seja altruísta, sirva outras árvores".
Parece lógico, e esse é o perigo.
Parece lógico: se você deseja servir os outros, sacrifique-se; servir significa sacrificar-se.
Mas, se uma árvore se sacrificar, ela morrerá e não será capaz de servir nenhuma outra árvore;
de maneira nenhuma será capaz de existir.
Ensinaram-lhe: "Não ame a si mesmo". Essa foi praticamente a mensagem universal das pretensas religiões organizadas.
Não de Jesus, mas certamente do cristianismo; não de Buda, mas do budismo –
de todas as religiões organizadas, este foi o ensinamento: condene a si mesmo, você é um pecador, você não tem valor.
E, por causa dessa condenação, a árvore do ser humano se retraiu, perdeu o brilho, não pode mais festejar.
As pessoas vão dando um jeito de se arrastar, não têm raízes na existência – estão desenraizadas.
Elas estão tentando prestar serviço aos outros e não podem, porque nem foram amistosas consigo mesmas.
......Eu não tenho nenhuma condenação, não crio nenhuma culpa em você.
Eu não digo: "Isto é pecado".
Eu não digo que o amarei só quando você preencher certas condições.
Eu o amo como você é, porque essa é a maneira que uma pessoa pode ser amada.
Eu o aceito como você é, porque sei que esse é o único modo que você pode ser.
É assim que o todo desejou que você fosse. É como o todo destinou-o a ser.
Relaxe e aceite-se e alegre-se - e então vem a transformação.
Ela não vem através de esforços.
Ela vem pela aceitação de si mesmo com tal profundidade de amor e felicidade, que não há nenhuma condição, consciente, inconsciente, conhecida, desconhecida.
O amor é alquímico. Se você se amar, a sua parte feia desaparece, é absorvida, é transformada.
A energia é liberada daquela forma.
Todas as coisas chamadas de pecado simplesmente desaparecem.
Eu não digo que você tenha que mudá-las; você tem que amar o seu ser, e elas mudam.
A mudança é um sub-produto, uma conseqüência.
Ame-se. Esse deveria ser o mandamento fundamental.
Ame-se. Tudo o mais se seguirá, mas este é o alicerce.


OSHO, The True Sage, # 4

Quim-Quim

Pouco tinha do estereótipo de um guru indiano. Baixinho, atarracado, cabeça de cearense com olheiras pronunciadas ; cabelo ralo com grandes entradas laterais. Parecia uma caricatura de si mesmo, uma espécie de amigo da onça. Visto ao longe , concluir-se-ia tratar-se de um chapeado, um carregador de encomendas. Tirante os olhos profundos e perscrutadores, nada havia de especial ou transcendental naquela figura. Morava num bairro pobre, a Vila Lobo, numa casinha humilde e sem muito conforto. Descendia , porém, de uma ala muito mística dos Bezerra de Menezes que teve em suas hostes meus tios João e Estácio provindos todos de uma ascendência nobre : o cultuado kardecista, do Riacho do Sangue, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes.
Chamava-se Joaquim, mas ninguém o conhecia por este nome, mas por um outro bem mais doce e artístico: Quim-Quim. A cidade , nos anos 40-60, antes do advento da TV, do Computador, do DVD, ainda vivia imersa num Big-Brother particular. O mundo , ainda sem energia elétrica, povoava-se de caiporas, duendes, pais-da-mata, sacis-peperês. As doenças deste mundo eram causadas, o mais das vezes, pela influência misteriosa de muitas forças malignas: o zodíaco, a inveja, a coisa-feita, o mau-olhado,as pragas, as maldições, o feitiço, a ziquizira, o caboje, o olho-gordo. Nossos livros populares de patologia estavam repletos de muitas moléstias perfeitamente preveníveis: o quebranto, a espinhela-caída, a apoplexia, o defluxo, o ventre-caído. Os médicos ainda se mostravam raros pelo interior do Nordeste e os rezadores, assim, num misto de pajés, encantadores de serpente, milagreiros, utilizando um ritual profundamente sincrético, atendiam à população nos seus anseios mais prementes. Quim-Quim desdobrava-se no atendimento às mordeduras de cobras de homens e animais, às infecções intestinais e respiratórias das crianças, às moléstias as mais variadas da terceira idade. Tinha orações fortíssimas para os entalados com espinhas de peixe. Nas doenças de fundo emocional, então, a força do ritual de suas preces possuía um efeito invejável na cura das neuroses mais comuns. Era de arrepiar vê-lo em transe, sussurrando as palavras milagrosas: “Gloriosos São Sebastião e São Jorge, São Lázaro e São Roque, São Benedito, São Cosme e São Damião. Todos Vós, Bem-aventurados Santos do céu, que curais e aliviais os enfermos, intercedei junto ao Senhor Deus pelo seu servo .Vinde, Gloriosos Santos, em seu auxílio. Fechem-se os olhos malignos, emudeçam as bocas maldosas, fujam os maus pensamentos e desejos.”
Um dia a luz elétrica invadiu o mundo, espantou a lua e tangeu para longe nossos mitos ancestrais. Aparentemente se desvendaram os mistérios do mundo com o telescópio, o microscópio, o computador. A Medicina utiliza-se de um sem números de modernos instrumentos para tratar moléstias antigas e fabricar a cada dia novas patologias e novos medicamentos. A morte a vista se substituiu por um longo velório em caras prestações diárias. Hoje nossos temores são bem mais objetivos e reais : a violência urbana, o stress de todos os dias, o trabalho de todas as horas. A plástica e o Viagra nos remetem ao mito da fonte da juventude. A humanidade aumentou em muito sua esperança de vida, mas consegue ser mais feliz nestes anos que lhe foram acrescentados? Quim-Quim hoje está bem presente nos livros de auto-ajuda e nos divãs dos analistas , mas já sem a mesma eficácia de outrora.

J. Flávio Vieira

O Poema do Semelhante - Elisa Lucinda

O Deus da parecença
que nos costura em igualdade
que nos papel-carboniza
em sentimento
que nos pluraliza
que nos banaliza
por baixo e por dentro,
foi este Deus que deu
destino aos meus versos,

Foi Ele quem arrancou deles
a roupa de indivíduo
e deu-lhes outra de indivíduo
ainda maior, embora mais justa.

Me assusta e acalma
ser portadora de várias almas
de um só som comum eco
ser reverberante
espelho, semelhante
ser a boca
ser a dona da palavra sem dono
de tanto dono que tem.

Esse Deus sabe que alguém é apenas
o singular da palavra multidão
Eh mundão
todo mundo beija
todo mundo almeja
todo mundo deseja
todo mundo chora
alguns por dentro
alguns por fora
alguém sempre chega
alguém sempre demora.

O Deus que cuida do
não-desperdício dos poetas
deu-me essa festa
de similitude
bateu-me no peito do meu amigo
encostou-me a ele
em atitude de verso beijo e umbigos,
extirpou de mim o exclusivo:
a solidão da bravura
a solidão do medo
a solidão da usura
a solidão da coragem
a solidão da bobagem
a solidão da virtude
a solidão da viagem
a solidão do erro
a solidão do sexo
a solidão do zelo
a solidão do nexo.

O Deus soprador de carmas
deu de eu ser parecida
Aparecida
santa
puta
criança
deu de me fazer
diferente
pra que eu provasse
da alegria
de ser igual a toda gente

Esse Deus deu coletivo
ao meu particular
sem eu nem reclamar
Foi Ele, o Deus da par-essência
O Deus da essência par.

Não fosse a inteligência
da semelhança
seria só o meu amor
seria só a minha dor
bobinha e sem bonança
seria sozinha minha esperança

(madrugada onde fui acordada pelo poema no Rio de Janeiro, 10 de julho de 1994)

Noite de sexta-feira ... Ai que me dera ser seresteira !

“As cidades atuais, mesmo as mais modernas e recentes, são espaços de conservação e de desenvolvimento”.

(José do Vale Pinheiro feitosa)

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A Próxima Vítima...


Somos todos “a próxima vítima”, em cada um de nós desvanece o sentimento de esperança e fica o da impotência: bruta por dentro... Pergunto-me incansavelmente, quem produz esses assassinos impiedosos... o mundo está louco... estamos loucos porque não sabemos para onde vamos, não sabemos que não vamos para lugar nenhum!

O nosso lugar é aqui e agora. E num além de expectativas esperamos procurando o desvendar de mistérios, mas os mistérios são indecifráveis e não nos contentamos com isso, procuramos a cura da mortalidade inevitável como se morrer fosse uma doença, uma mal do ser humano. -O único erro de Deus?-. Como se Deus tivesse nos criados com um precoce sentido de infinitude, especulamos, em todos os lugares, procuramos algozes pela salvação de nossos corpos, nossos sentidos, nossas almas, nas igrejas, nos bares, e em todos os cantos da sala, das plantas, olhando para um mundo inexistente, criando um mundo que mata - não é tudo aquilo que não queremos? - fazendo exatamente o oposto do que somos e agora neste exato momento incansavelmente repedimos um futuro que não existe, destruindo-nos, com fantasmas e como fantasmas perambulamos por um mundo que simplesmente não tem como perdurar.

Somos nós mesmos os semeadores deste além perpétuo ludíbrio em amálgamas de sentimentos, conciliando a tortura incerta com os atos desesperados e irrevogáveis de perdão.

Apenas não transbordamos o cálice com o presente... este que aqui é agora a única existência concreta, onde podemos solidificá-lo com os afetos, os carinhos e o amor pelo próximo.

*Este texto surgiu a partir de uma citação de Zé do Vale comentando sobre os assassinatos do Cartunista Glauco e seu filho... e agora enfrentamos novamente outra atrocidade, o julgamento pela morte de Isabela....

* Obra de Hieronimous Bosch

Rogério Silva

O Crato é de todos - por José do Vale Pinheiro Feitosa

De volta ao Rio, sem a balança que penda o braço para aqui. Afinal a Praça da Sé, do Crato, era uma praça bucólica nos anos 50 e início dos anos 60. Na altura do centenário da cidade e muito tempo depois disso, era uma das praças mais bonitas do interior cearense. Assim como a Praça Francisco Sá e seus jardins trabalhados, com os pés de fícus esculpidos em imagens.

A questão não são as lentes: confesso vivo no Rio há 37 anos. Formei-me e sempre trabalhei aqui. Tive filhos e agora uma neta: todos cariocas. Isso não inibe a vontade de analisar o visual do Crato. Especialmente o Crato e sua decadência do centro da cidade, como a de Fortaleza, São Paulo e Rio às quais acompanhei de sobremaneira.

Se alguém perguntar qual o projeto de Praça da Sé mais simpático, se aquele do Centenário ou do meado dos anos 60, com o prato luminoso a guisa (poderia ser “guiza” no sentido do regionalismo de Cabo Verde) de fonte, ficarei com o primeiro, mas aí são outros quinhentos. A sujeira da madrugada, com os copos descartáveis coalhando o piso imundo da praça, diz de muita coisa, menos de que Copacabana seja mais limpa. O é, mas convenhamos são outros quinhentos. E diga-se: de vez em quando se torna em igual sujeira, mas a limpeza é rápida. Fruto, a sujeira, do uso incorreto do espaço urbano.

Acontece, como bem lembra o Zé Nilton, que a cidade é da polis, que a cidade merece o poder público que lhe convém. Que um espaço coletivo é um espaço de disputa, de visões distintas de mundo, inclusive de abandono e má condução. É aí que a nossa vontade se mostra a mais correta e ou incorreta. A falta de saneamento básico, o lixo sobre o piso do espaço público, os buracos no caminho de quem se desloca, a falta de posturas municipais (ou comunitária), não fala de comparações, é absoluta, pois é ela em si. Mas se fosse discorrer sobre este assunto com um Engenheiro Sanitarista, primeiro o ouviria, pois muito mais teria a dizer-me do que eu a ele.

O centro do Crato pode ser infinitamente melhor do que é. Não é um espaço urbano a ser inventado, ele já o foi. Não é apenas um espaço cotidiano, ele é histórico e por isso é mandatário em seu futuro. Quem irá se esquecer da Casa dos Leões, dos azulejos da Miguel Lima Verde, do próprio Grande Hotel? Ora quem não tiver o que dizer sobre isso, não tem uma cidade em seu futuro e nem futuro na cidade.

Gostaria até de abrir um espaço de discussão aqui no Cariricaturas sobre a seguinte frase: “as cidades atuais, mesmo as mais modernas e recentes, são espaços de conservação e de desenvolvimento”. A discussão viria de outras visões do que sejam as cidades e este é um assunto especial, pois as cidades já representam para a América Latina a essência hodierna: de cada cinco pessoas, quatro moram nas cidades.

Finalmente um ponto na questão: o Poder Constituído Municipal. Ele é central, tanto aquele constituído pela Câmara dos Vereadores e sua Mesa Diretora, como aquele sob o poder popular representado: Prefeito Samuel Araripe.

MUXOXO



















Quem já não deu muxoxo nessa vida?

Segundo o Mestre Oscar Ribas, de Luanda, muxoxo é um termo quimbundo que significa chio de boca. Designa o som breve e seco produzido pelo toque da língua no céu da boca, como um estalar de beiços.
Foi trazido para o Brasil pelos negros de Angola,e aqui se tornou um gesto tradicional e popular que exprime dúvida, indiferença, desdém.
O muxoxo sai voluntário, nós "tascamos" um muxoxo nas horas mais adequadas para tal, e muitas vezes ele é só o que nos resta fazer...



O escuro, no claro - Socorro Moreira


Agir compaixão
Amor sem paixão ...

Abraço o corpo que desconheço
O que mais conheço é o travesseiro
Com ele acordo todas as manhãs.

A cidade começa a zuadar
um pássaro, um carro,
um galo, um gato a miar ...

E eu pergunto ao temo
Se ele vai me esperar
E eu pergunto às palavras
se elas podem me fartar ...
Tudo claro : o quarto, o céu...
Mas as respostas gostam do escuro !

Mariah Carey



Mariah Carey (Long Island, 27 de março de 1970) é uma cantora, compositora, produtora musical, e atriz norte-americana.
Mariah Carey é elogiada pela crítica especializada por suas excepcionais habilidades vocais. Em toda a sua carreira, Mariah já recebeu mais de 250 prêmios. Recentemente, Mariah foi incorporada na seleta lista dos "100 melhores cantores de todos os tempos", realizada pela revista Rolling Stone, ocupando a 79ª posição, sendo a artista melhor colocada da atualidade

Diana Ross

Diane Ernestine Ross conhecida como Diana Ross (Detroit, Michigan, 26 de março de 1944) é uma artista americana de soul, R&B e pop, e uma das cantoras mais famosas de seu tempo. Estima-se que as vendas de seus discos e álbuns já ultrapassaram a marca de 100 milhões de cópias.

Tenesse Williams



Tennessee Williams, pseudônimo de Thomas Lanier Williams (Columbus, 26 de março de 1911 — Nova Iorque, 25 de fevereiro de 1983) foi um dramaturgo estadunidense, ganhador de muitos prêmios.

Williams nasceu em Columbus, Mississippi, na casa de seu avô materno, o pastor local. Seu pai, Cornelius Williams, era um vendedor de sapatos viajante, alcoólatra e viciado em jogos de aposta, e que se tornou extremamente abusivo à medida que seus filhos cresciam. O pai favorecia mais seu irmão Dakin, talvez devido ao fato de Tennessee ter sido mais frágil e doente; teve difteria na infância, e ficou um ano fora da escola, tornando-se um menino introspectivo, passando todo o tempo só em volta dos livros. A mãe de Tennessee, Edwina Dakin Williams, tinha o humor instável. Williams buscou inspiração para escrever, mediante os muitos problemas familiares. Segundo ele mesmo declarou em uma entrevista concedida na década de 70: "Descobri na escrita uma fuga de um mundo real no qual me sentia profundamente desconfortável". Para fugir à insensibilidade paterna, Tennessee refugiou-se em seu quarto, que pintou de branco e enfeitou com miniaturas de animais de vidro; tal fato serviu de inspiração para a peça “The Glass Menagerie”, em 1945.

Em 1918,quando Williams tinha 7 anos, a família se mudou para University City, Missouri, e ele frequentou a Soldan High School, fato que usou em sua peça The Glass Menagerie, e depois a University City High School[1]. Em 1927, aos 16 anos, Williams recebeu um prêmio de 5 dólares por um ensaio publicado no Smart Set, intitulado "Can a Good Wife Be a Good Sport?". Um ano depois, publicou "The Vengeance of Nitocris", no Weird Tales.

Nos anos 30, Williams frequentou a University of Missouri, onde se filiou à fraternidade Alpha Tau Omega. Posteriormente transferiu-se para a Washington University, em St. Louis, Missouri por um ano, e finalmente graduou-se, em 1938, na University of Iowa, onde escreveu "Spring Storm". Quando foi recusado pelo exército, sofreu nova ofensiva do pai, que era veterano de guerra; o pai o obrigou a abandonar o jornalismo e a se empregar em uma fábrica de calçados. Começou então a se viciar em bebida alcoólica, e foi internado em um sanatório. Na época, Williams escreveu Cairo, Shanghai, Bombay!, que foi a primeira produção teatral, em 1935, da comunidade de teatro Glenview, em Memphis. Estudou depois na The New School, em Nova York.

Aos 26 anos de idade, escolheu o nome “Tennessee” em função dos dois anos felizes que passou em Nashville.

Posteriormente, participou de um concurso de dramaturgia em Nova Iorque, enviando 4 peças de um ato, sob o nome de American Blues, e foi premiado com 100 dólares, além de ser convidado por uma agente de Holywood que, impressionada com seus textos, o chamou para escrever roteiros de cinema. O único roteiro que conseguiu concluir, porém, foi recusado, e ele perdeu o contrato.

Em 1944, escreve a primeira peça realmente estruturada em termos teatrais, "The Glass Menagerie", que foi encenada com estrondoso êxito de público e crítica, iniciando assim sua carreira de sucesso. Várias de suas peças seguintes alcançaram sucesso: "A Streetcar Named Desire", "Summer and Smoke", entre outras. Williams viveu por um tempo no French Quarter, de New Orleans, Louisiana, mudou-se para lá em 1939, para escrever para a WPA. Inicialmente viveu na Toulouse Street, n. 722, o ambiente de sua peça de 1977 Vieux Carré. O edifício é parte da The Historic New Orleans Collection. Começou a escrever A Streetcar Named Desire (1947) enquanto estava na St. Peter Street, n. 632, e a terminou mais tarde, em Key West, Flórida, para onde se mudou nos anos 40.

A montagem de "The Rose Tatoo", em 1951, trouxe o primeiro fracasso, em especial pelas manifestações da crítica. Seguiram-se outras peças de sucesso, e os prêmios Pulitzer e Critic’s Award, porém a crítica constantemente o repudiava.

Com a morte do pai, em 1956, e do avô, em 1958, Tennessee começou a fazer psicanálise, e a peça “Suddenly, Last Summer” é considerada a primeira peça de sua fase “psiquiátrica” ou “antropofágica”. Após a alta de sua terapia, Tennessee ingressou numa nova etapa, a partir de 1959. Após vários sucessos, a peça de 1968 “The Seven Descendents of Myrtle” foi muito criticada, e apenas em 1970 ele voltou a se expor publicamente, mas com uma linguagem mais fria. Mas “Dragon Country”, sua coletânea de peças da época, não o reconciliou com a crítica.
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Allan Sales - por Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes



CONHECI CRIANÇA NO CRATO. HOJE É ARTISTA DE TALENTO EM RECIFE.


Nos anos 60, início da Rua Dr. João Pessoa, onde hoje funciona o Mercadinho Matos, existiu uma loja especializada em máquinas e implementos agrícolas. Era administrada por “Seu Sales” e D. Francisquinha. O casal tinha dois filhos menores. O mais velho, na época com 4 ou 5 anos, vinha com os pais para a loja, mas ficava pouco tempo. Atravessava a rua e ia para minha casa, onde se divertia no quintal, brincando com meus irmãos mais novos. Meu pai, César Pinheiro Teles, simpatizava com Alan. Quando, eventualmente, os pais não o liberavam para brincar na casa “das Arraes”, meu pai ia buscá-lo. Era muito, irrequieto, inteligente, conversava bastante, sempre fazendo mil e uma perguntas.

No final da década de 60, a empresa fechou e o casal mudou-se do Crato. Não tivemos mais notícias deles. No ano passado, em uma solenidade em homenagem a D. Madalena Arraes, promovida pelo IMIP, reencontrei D. Francisquinha, que trabalha na direção do Instituto. Relembrou os anos do Crato e contou que Alan é artista, cantor, cordelista, compositor e produtor cultural e morava na capital pernambucana.

Comentei o fato com Xico Bizerra, outro artista cratense de sucesso, vivendo em Recife. Ele declarou ser amigo de Alan, fazendo elogios ao seu talento. Para minha surpresa, dias depois desta conversa, Xico Bizerra, autor do clássico “Se tu quiser”, canção recordista em número de gravações em 2004, levou Alan Sales até meu local de trabalho. Foi interessante ouvir os relatos que a memória de uma criança de seis anos guardou do Crato e do ambiente que vivenciou 36 anos antes.
Quem quiser saber mais sobre Allan Sales basta acessar o site http://www.interpoetica.com/allan_sales_gm.htm.

Joaquim Pinheiro

"O destino escolhe quem vamos encontrar na vida, as atitudes decidem quem fica nela..."