Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Escola de Arte Violeta Arraes

Confecção de bonecos para manifestação pública

foto: Nívia Uchôa

Vista do Crato pelos olhos de Monalissa Figueiredo

Feliz por nada

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Martha Medeiros

Geralmente, quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.

Fonte: Jornal “Zero Hora” nº. 16323, 2/5/2010.

COMPOSITORES DO BRASIL


“Felicidade afogada morreu
A esperança foi fundo e voltou
Foi ao fundo e voltou
Foi ao fundo e ficou”
(Lamento, samba de 1958)

ASSIS VALENTE

Por Zé Nilton

Baiano do campo da Pólvora, Salvador, Assis Valente é considerado um clássico na Música Popular Brasileira. Inspiradíssimo, fez canções que encantaram os grandes cantores e cantoras do rádio na década de 1940. Uma delas, Carmem Miranda, que também foi sua paixão secreta, dizem, gravou muitas músicas suas.

Seu começo nas lides musicais data da década de 1930, mais precisamente em 1932, quando conhece o exímio sambista (e mais tarde pintor primitivo) Heitor dos Prazeres. Impressionado com a facilidade de Assis fazer versos, Heitor encoraja-o a compor sambas.

De saída Assis Valente mostra sua verve satírica e, como naqueles tempos era “elegante” falar francês ou usar termos franceses (essa influência observava-se também nas artes, particularmente na literatura), Assis parte para a crítica a esse maneirismo e compõe um clássico da MPB chamado “Tem francesa no morro”, gravado por Araci Cortes.

Assis Valente deixou sua marca na panteão da Música Popular Brasileira pela expressividade de suas composições ora de alegria ora de tristeza. Isto reflete uma inseparável angústia que o fez tirar a vida depois de três tentativas.

Tinha a obstinação dos suicidas que foi potencializada pelo esquecimento popular de que muitos dos grandes compositores padeceram.

Num texto escrito para a coleção da Música Popular Brasileira é narrado assim o fim de sua vida:

“Sozinho, separado da mulher desde 1942, amargurado pelo esquecimento popular, Assis mergulha cada vez mais num poço de angústia.

Por fim, o menino que sempre viveu em Assis junta os cacos de sua vida: passa pela SBACEM (órgão arrecadador de direitos autorais), telefona ao editor Vitale, dá instruções para seu laboratório e vai para a praia do Russel. Perto de um parque infantil, ingere uma garrafa de guaraná com formicida. Eram 6 horas da tarde do dia 10 de março de 1958”.

A homenagem do programa COMPOSITORES DO BRASIL desta quinta-feira a Assis Valente. Vamos comentar algumas de suas composições, como:

ESTE SAMBA FOI FEITO PRA VOCÊ, de Assis Valente com Mário Reis o conjunto Diabos Do Céu.
UVA DE CAMINHÃO, de Assis Valente com Carmem Miranda.
FEZ BOBAGEM, de Assis Valente com Aracy de Almeida.
ALEGRIA, de Assis Valente e Durval Maia, com Tadeu Franco.
TEM FRANCESA NO MORRO, de Assis Valente com Aracy Cortes
CAI, CAI, BALÃO, de Assis Valente, com Francisco Alves e Aurora Miranda.
BOAS FESTAS (Papai Noel), de Assis Valente com Hebe Camargo e Os 4 amigos.
CAMISA LISTADA, de Assis Valente com Carmem Miranda.
BRASIL PANDEIRO, de Assis Valente com o conjunto Anjos do Inferno.
BONECA DE PANO, e Assis Valente com Os Demônios da Garoa.
E O MUNDO NÃO SE ACABOU, de Assis Valente com Carmem Miranda
MARIA BOA, de Assis Valente com Maria Alcina.

Quem ouvir verá !

COMPOSITORES DO BRASIL
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Quintas-feiras, de 14 às 13 horas
Apoio: Centro Cultural Banco do Nordeste – Cariri
Retransmissão: www.cratinho.blogspot.com

Escolhendo candidatos - por Marcos Coimbra

Hoje fiz uma postagem em que identificava os elementos estratégicos da Campanha da Oposição ao Governo Lula. Chamava a atenção para o fato de que ela se basearia exclusivamente no perfil do candidato pois este seria o único preparado para promover avanços nas políticas públicas. Contava a experiência política do candidato Serrra. No final da tarde vi este artigo do Marcos Coimbra, um dos sócios da Vox Populi, em que abordava, com base em pesquisa esta questão. Não estou postando o artigo todo, apenas um trecho em que apresenta os resultados. A matéria inteira se encontra no Correio Brasiliense.

"Uma pesquisa recente da Vox Populi permite ver isso com clareza. Usando uma lista com oito atributos desejáveis para um candidato a presidente (baseada em pesquisas em profundidade anteriores), pediu-se aos entrevistados que escolhessem os três mais importantes. De todos, os dois mais mal colocados foram “ter experiência administrativa” e “ter experiência política”.

Em primeiro lugar, ficou a honestidade, algo que não surpreende ninguém, haja vista nossa experiência nos últimos anos. Em segundo, “conhecer e entender os problemas do povo”, acompanhado, em terceiro, por seu irmão gêmeo “ter condições de resolver os problemas do povo”. Em quarto lugar, estava “ter ideias novas para o Brasil” e, daí em diante, os restantes foram igualmente desimportantes. Segurando a lanterna, “ter experiência política”.

O sucesso popular de Lula, em comparação à percepção de fracasso de Fernando Henrique está, muito provavelmente, na raiz do que se vê hoje em dia. Se aquele que não tinha curso superior e “nunca tinha sido nada” deu tão mais certo que um dos mais ilustres intelectuais de sua geração, o problema é o critério.

Ser “mais preparado” saiu de moda. Será que a campanha Serra consegue reabilitá-lo?"

Jamelão - por Norma Hauer

JOSÉ BISPO CLEMENTINO DOS SANTOS
Ele nasceu no dia 12 de maio de 1913, no bairro de São Cristóvão, aqui no Rio de Janeiro. Recebeu o nome de José Bispo Clementino dos Santos.
Mas quem é essa pessoa?
Nada mais do que o grande cantor JAMELÃO.
Como todo menino pobre começou a trabalhar aos 9 anos, como pequeno jornaleiro, mas, vivendo ali perto do morro da Mangueira, bem cedo ingressou na respectiva Escola, tocando tamborim e aprendendo cavaquinho. Começou cantando, na linha de Ciro Monteiro, que já era famoso.
Em 1930 já se apresentava em gafieiras, como o Fogão, a Cigarra e a Tupi.
Mas faltava o principal: o rádio. E assim fez várias tentativas no famoso "Calouros em Desfile", que Ari Barroso mantinha na Rádio Tupi, mas não foi aprovado. No mesmo ano de 1940 conseguiu um contrato na Rádio Clube do Brasil e teve como "padrinho" artístico o cantor Onéssimo Gomes.
Em 1945 já se aprensentava com a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo e com ele cumpria contratos em rádio e boates.
Em 1949 gravou, com Antenógenes Silva "A Gibóia Comeu".
Gravando e se apresentando no rádio passou a ser um nome conhecido no meio e daí o resto foi mais fácil
Mangueirense de coração, gravou "Exaltação à Mangueira".

Adotando o repertório de Lupicínio Rodrigues lançou vários sucessos, sendo os mais famooso, os sambaas "Foi Assim"; "Meu Natal" ;"A Vida é Isso"e "Ela Disse-me Assim", sucesso eterno.
Em 1969, quando as escolas passaram a gravar seus sambas em LPs, gravou o samba-enredo da Mangueira "Mercadores e Suas Tradições".

Em 1972 e 1987 gravou, acompanhado por Severino Araújo dois LPs.
só com músicas de Lupicínio e, em 1994, lançou o LP "Minhas Andanças".
.
Em 2003, por ocasião de seu 90º aniversário foi lançado o "Baile da Mangueira", com vários cantores, dentre eles Zeca Pagodinho.

Até 2006 foi o "puxador " do samba da Mangueira. Ele não gostava desse nome. Ele se considerava (e era) o intérprete. Ele dizia que "puxador" é ladrão de automóvel

Em seus últimos anos de vida, já adoentado, foi proibido (pelo médico! de continuar com suas atividades normais, mas estava firme até os seus 95 anos!

Mesmo longe do desfile, ainda acompanhava "sua" Mangueira, vindo a falecer em 14 de junho de 2008, exatamente com 95 anos, com cuja idade ainda queria desfilar , mas que não lhe foi permitido.
Ficou aborrecido, mas não teria mesmo condições.

Clarice Lispector - Há Momentos

HÁ MOMENTOS


Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

Vídeo:http://mais.uol.com.br/view/vgt0bb5411qy/clarice-lispector--ha-momentos-04023266CCC93366?types=A&

A oposição avançou suas posições - por José do Vale Pinheiro Feitosa

A oposição resolveu prolongar o governo Lula. Como é oposição tem de mostrar-se mais contundente no continuísmo. Como fará isso?

Convencendo a sociedade que o Governo Lula é o acerto do Governo FHC. O Lula só é sucesso porque FHC aplainou o terreno, tirou os obstáculos e deixou o país prontinho para ir adiante com qualquer governo. Aliás, o Lula está repetindo este mantra ao dizer que não interessa quem ganhe, nada poderá mudar a reta ao destino virtuoso do país cujo curso já foi traçado.

A oposição usará as seguintes teses da terra aplainada: a Lei de Responsabilidade Fiscal é deles e ainda teve a oposição do PT; Alain Touraine, filósofo francês, disse que os “períodos de FHC e Lula são parte do mesmo projeto; as privatizações trouxeram benefícios para o país; os programas sociais foram uma continuidade de FHC e serão melhorados pela oposição.

O interessante é que a oposição considera injúria ao candidato Serra coisas ditas pelos petistas do tipo “Serra vai privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica”. Ou mentem para não perder votos, ou se colocam exatamente no mesmo espectro do que é o Governo Lula.

Explorar as contradições do adversário é comum em política, mas usar em campanhas da oposição a continuidade do governo adversário não é comum. Tentarão, em estilo estruturalista, “desconstruir” o conceito de “continuidade” com outro que é o “avanço”. Aqui as digitais de esquerda do PSDB, enevoando o DEM, pois “avanço” é tido como “salto qualitativo”.

Pretendem usar a referência empresarial do mérito entre os dois candidatos: quem estaria mais preparado para o “avanço” entre os dois? Mas isso seria pelo PSDB, existe o dedo do DEM, quando avanço será: “não haverá hipótese alguma para transgressão à Lei de Responsabilidade Fiscal, festival de boquinhas aos companheiros e nem a entrega dos fundos de pensão aos ex-sindicalistas amigos.”

O conteúdo é frágil como a “moralidade” de esquina, dobrou-a é outra. Não toca nas questões principais do “avanço”. Para a situação o Mendonça de Barros, ícone do PSDB, não pode ser excluído com suas “consultorias de mercado” da categoria de amigos ou de boquinhas.

A chave do “avanço” levar Serra mais à esquerda do DEM e de FHC. Isso é interessante, na tese da “continuidade”, desconstruída em “avanço”, pois torna o “avanço” dependente do Serra. Na oposição dizem: Serra não se ajusta ao figurino de vilão que o PT aplicou a FHC; Serra, assim como Dilma, não se origina da classe rica, é classe média; Serra não pode ser rotulado como direitista, reacionário, candidato dos ricos que irá privatizar o patrimônio público do país.

Quem ouviu a entrevista de Serra na CBN é isso o que ocorreu. Parece que vão tirar o candidato da oposição do conforto do “centro” e jogá-lo mais para a “esquerda”, com o objetivo de confundir a situação e o eleitor. Isso vai desencadear contradições nos tradicionais aliados do candidato, especialmente os grupos políticos mais à direita e a grande mídia que o apóia. Mas terá o papel de levar a candidata da situação a um movimento pendular, ou mais para a direita ou para um discurso mais à esquerda do que o Serra.

Enfim a campanha parece que será mesmo toda ela de esquerda, e não adianta a direita roer as unhas de raiva, dizendo que esquerda e direita não existe.

Pensamento para o Dia 12/05/2010


“No jardim de seu coração, você deve plantar e cuidar da rosa da Divindade, do jasmim da humildade e do lírio da generosidade. Em seu armário de remédios, você deve manter em prontidão os comprimidos do discernimento, as gotas de autocontrole e três talcos indispensáveis da fé, da devoção e da paciência. Através do uso desses medicamentos, você pode esquivar-se da doença grave chamada ignorância (Ajnana).”
Sathya Sai Baba

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“Um bom caráter é a jóia preciosa da vida humana. O próprio nascimento humano é a conseqüência de inúmeras boas ações e não deve ser desperdiçado. Essa chance deve ser utilizada em toda sua extensão. Com um anseio profundo e disciplina firme, você deve esforçar-se para experimentar a divindade e redimir-se.”
Sathya Sai Baba
Zangado na cabeça

De Renato Maurício Prado:

Mestre, Feliz, Soneca, Atchim e Dengoso se danaram. Na lista de Dunga, deu Zangado na cabeça. O técnico ignorou solenemente os apelos de um país inteiro por Ganso e Neymar, os meninos-prodígios do Santos, e repetiu a insossa convocação do último amistoso, contra a Irlanda, optando por Grafite no lugar de Adriano — substituição que, aliás, já fizera, durante o amistoso.

O que mais me incomoda nesta escolha do técnico é a óbvia superposição de nomes que poderiam ser substituídos por jogadores mais talentosos, como os moleques travessos da Vila Belmiro. Um exemplo? Dou vários.

Os dois laterais-esquerdos, Gilberto e Michel Bastos, jogam no meio-campo em seus clubes. E também Daniel Alves pode ser utilizado por ali. Não dava pra tirar um dos apoiadores da lista?

O mesmo acontece em relação aos quatro volantes: Ramires, Elano e até Júlio Baptista já atuaram à frente da zaga. Não poderiam ser reservas eventuais do setor?

Em resumo, com tantos jogadores polivalentes e praticamente iguais, não seria muito mais produtivo abrir mão de dois deles para incorporar ao time o talento e o frescor desses garotos que estão gastando a bola e encantando o Brasil?

Dunga perdeu uma excepcional oportunidade de acrescentar à determinação do seu grupo, indiscutivelmente vencedor, algo que, apesar dos bons resultados, ele ainda não mostrou e pode fazer muita falta na Copa da África: doses maciças do mais puro talento do futebol brasileiro.
Os amantes da transpiração que me perdoem, mas inspiração continua a ser fundamental.

Leia a íntegra do artigo em: Zangado na cabeça

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"A humildade é virtuosa, nascida da consciência dos próprios limites. A alma, sedenta do Amor Divino, desafia-se confiante pelo rio da Vida."

DICAS PARA UMA BOA SAÚDE 12052010: Alimentos Poderosos – Os Editores



Aqui estou no maravilhoso e violento Rio de Janeiro. Hoje inicio, nesse blog maravilhoso das minhas queridas amigas e amigos do Cariri, um conjunto de textos com esse título acima. A idéia surgiu após a compra da Revista “ALIMENTOS PODEROSOS (Ano I No 1, Editora ALTO ASTRAL): Fortaleça o seu organismo e previna diversas doenças!”.

O conteúdo dessa Revista segue-se na ordem abaixo:

a) Colesterol;
b) Pressão Alta;
c) Diabetes ;
d) Câncer;
e) Osteosporose;
f) Prisão de Ventre;
g) Alimentos que emagrecem;
h) Dieta;
i) Anemia;
j) Memória;
k) Insônia e ansiedade;
l) Gripe e Resfriado;
m) Beleza;
n) Afrodisíacos;
o) Energéticos.

A idéia é publicar a cada dia uma dica desse conteúdo listado. Hoje, iniciarei com uma apresentação dos EDITORES. Acompanhem!

OS EDITORES

“Novos tratamentos e remédios são anunciados todos os dias com a promessa de prevenir e combater doenças. Com o tempo, alguns se mostram consistentes, mas a maioria naufraga rapidamente na própria ineficácia e também por conta da ganância dos laboratórios farmacológicos.

À margem das descobertas milagrosas caminham os alimentos naturais, que devem ser consumidos com regularidade e um pouquinho de disciplina, mas proporcionam uma saúde integral e permanente. Colesterol, anemia, prisão de ventre e muitos outros problemas podem ser resolvidos quando se conhece o poder dos alimentos! Boa leitura.
Os Editores” (p.3).

Bernardo Melgaço
NÚCLEO DE ESTUDOS SOBRE CIÊNCIA, ESPIRITUALIDADE E FILOSOFIA (NECEF/URCA)
HTTP://bernardomelgaco.blogspot.com
bernardomelgaco@hotmail.com

terça-feira, 11 de maio de 2010

Por João Nicodemos

Por João Nicodemos

"sopra que passa"

que tudo passa
e nada fica
e, se tudo passa,
nada passa também
e não fica ninguém
...

Nos trilhos da vida- por Rosa Guerrera




O trem continua o seu rumo pelos trilhos da vida !
Meu olhar vai divisando paisagens diferentes a medida que a viagem continua .
De repente alguém senta ao meu lado , e dá início a uma conversa ( aliás , para ser sincera, dá inicio a um monólogo).
E eu vou preenchendo o tempo escutando detalhes de uma vida , até então desconhecida para mim..
Nem lembro em qual estação teria subido esse meu companheiro de viagem.
Não ouso também perguntar em que estação irá descer.
Já foram tantas as companhias que tive nesse percurso do trem da vida !
Algumas entraram e saíram sem um gesto ao menos de adeus .
Outras , deixaram marcas profundas dentro de mim , outras ainda levaram nas suas mochilas alguns pedacinhos meus em seus corações.
Existiram pessoas também que trocaram de trem numa estação qualquer .
Olho a minha bagagem no chão e nem lembro qual foi a última vez que a abrí .
Sinto no olhar do meu novo companheiro de viagem um pouco de curiosidade em saber o que teria eu guardado nela ....
Finjo não entender , e trago com os meus olhos , o seu olhar para o azul do firmamento.
A paisagem lá fora , no momento nos parece de uma beleza ímpar , enquanto o trem continua correndo pelos trilhos da vida ..
Sorrimos talvez dos nossos pensamentos .
E pouco importa se está perto ou longe a próxima estação .
E se nessa seguinte parada , desceremos para outros rumos .... ou até se continuaremos juntos ainda por mais algumas estações.

por rosa guerrera

Por Domingos Barroso

meus sonhos nunca em paz
Devo ser um peso
para as minhas paredes.

Um abismo
para o teto.

Certamente devo ser um peso enorme
para as minhas paredes

e um abismo infinito
para o teto.


por Domingos Barroso
Cacá Araújo:
A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (VERSÃO TEATRO DE RUA)
Texto e Direção de Cacá Araújo

MAIO/2010

- Dia 30 (domingo) – 19 horas – Distrito da Bela Vista (Vila Padre Cícero - Terreiro do Mestre Cirilo)
Espetáculo a “Comédia da Maldição”, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, com a participação do Maneiro Pau do Mestre Cirilo.

JUNHO/2010

- Dia 05 (sábado) – 19 horas – Bairro Muriti (Terreiro do Mestre Dedé de Luna)
Espetáculo a “Comédia da Maldição”, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, com a participação do Reisado Decolores Dedé de Luna do Muriti.

- Dia 09 (quarta-feira) – 19 horas – Bairro Gisélia Pinheiro (Batateiras)
Espetáculo a “Comédia da Maldição”, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, com a participação do Coco das Mulheres da Batateiras.

- Dia 12 (sábado) – 20 horas – Praça da Sé
Espetáculo “A Comédia da Maldição”, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, com a participação da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto.




Bebel Gilberto (Isabel Gilberto de Oliveira, Nova Iorque, 12 de maio de 1966) é uma cantora e compositora brasileiro-americana.

É filha dos cantores brasileiros João Gilberto e Miúcha. Começou a cantar cedo, participando de coros infantis em discos e musicais como Os Saltimbancos e Pirlimpimpim.

Estreou ao lado do pai, cantando Chega de Saudade, no especial João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, em 1980. Trabalhou no filme A cor do seu destino, de Jorge Durán. Era grande amiga de Cazuza e fez um dueto com o cantor na música Preciso Dizer Que Te Amo da qual era co-autora. Bebel compôs em parceria com Cazuza e Dé Palmeira, além de Preciso Dizer que te Amo, as canções Amigos de Bar, Mais Feliz e Mulher sem Razão. Participou do projeto Peeping Tom de Mike Patton (ex-vocalista do Faith No More), cantando "Caipirinha".

Atualmente reside em Nova Iorque, mas divide seu tempo entre os Estados Unidos e o Brasil, onde reside no Rio de Janeiro. Faz sucesso também na Europa, sendo uma das cantoras mais bem cotadas pelo leste europeu. Seu primeiro disco, Tanto Tempo, foi um dos discos mais bem cotados por público e crítica, sendo eleito um dos 1.000 discos que devem ser ouvidos antes de morrer. Bebel ainda lançou em 2004 seu segundo disco, Bebel Gilberto, que, apesar de ter ganho muitos prêmios pelo mundo (sobre tudo pelos singles "Aganjú" e "Simplesmente"), é considerado como seu disco mais fraco. Em 2007 lançou seu terceiro disco mundial, Momento que, mesmo não tendo atingido o mesmo sucesso de seu primeiro disco, foi um dos discos mais ouvidos do ano. Em 2009 pretende lançar novo Cd, All in One, com regravações de canções como "Bim Bom" e "Chica Chica Boom Chic".


Katharine Houghton Hepburn (Hartford, 12 de Maio de 1907 — Old Saybrook, 29 de Junho de 2003) foi uma importante actriz dos Estados Unidos da América. Hepburn actuou no cinema, na televisão e no teatro, e hoje é reconhecida como sendo um símbolo feminista e permanece uma das mais famosas estrelas de cinema de sempre.

Jamelão


Origem : Wikipédia, a enciclopédia livre.


Jamelão, nome artístico de José Bispo Clementino dos Santos, (Rio de Janeiro, 12 de maio de 1913 — Rio de Janeiro, 14 de junho de 2008) foi um cantor brasileiro, tradicional intérprete dos sambas-enredo da escola de samba Mangueira.

Nasceu no bairro de São Cristóvão e passou a maior parte da juventude no Engenho Novo, para onde se mudou com seus pais. Lá, começou a trabalhar, para ajudar no sustento da família - seu pai havia se separado de sua mãe. Levado por um amigo músico, conheceu a Estação Primeira de Mangueira e se apaixonou pela escola de samba.

Ganhou o apelido de Jamelão na época em que se apresentava em gafieiras da capital fluminense. Começou ainda jovem, tocando tamborim na bateria da Mangueira e depois se tornou um dos principais intérpretes da escola.

Passou para o cavaquinho e depois conseguiu trabalhos no rádio e em boates. Foi "corista" do cantor Francisco Alves e, numa noite, assumiu o lugar dele para cantar uma música de Herivelto Martins.

A consagração veio como cantor de samba. Sua primeira gravadora foi a Odeon. Depois, trabalhou para a Companhia Brasileira de Discos. Entre seus sucessos, estão "Fechei a Porta" (Sebastião Motta/ Ferreira dos Santos), "Leviana" (Zé Kéti), "Folha Morta" (Ary Barroso), "Não Põe a Mão" (P.S. Mutt/ A. Canegal/ B. Moreira), "Matriz ou Filial" (Lúcio Cardim), "Exaltação à Mangueira" (Enéas Brites/ Aluisio da Costa), "Eu Agora Sou Feliz" (com Mestre Gato), "O Samba É Bom Assim" (Norival Reis/ Helio Nascimento) e "Quem Samba Fica" (com Tião Motorista).

De 1949 até 2006, Jamelão foi intérprete de samba-enredo na Mangueira, sendo voz principal a partir de 1952, quando sucedeu Xangô da Mangueira.[1] Em janeiro de 2001, recebeu a medalha da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Diabético e hipertenso, Jamelão teve problemas pulmonares e, desde 2006, sofreu dois derrames. Afastado da Mangueira, declarou em entrevista: "Não sei quando volto, mas não estou triste."

Morreu às 4hs do dia 14 de junho de 2008, aos 95 anos, na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em sua cidade natal, por falência múltipla dos órgãos. O enterro foi no Cemitério São Francisco Xavier, no bairro do Caju, no Rio de Janeiro.
[editar] Curiosidades

* Jamelão era torcedor do Club de Regatas Vasco da Gama.
* Ele se irritava ao ser chamado de "puxador" ao invés de intérprete, pois conforme ele falava em várias entrevistas, "puxador é quem puxa carro ou quem puxa fumo".
* No dia do enterro, um carro do corpo de Bombeiros levou o caixão em cortejo fúnebre pela cidade, passando pela Marquês de Sapucaí.

Reflexão - por Fátima Figueiredo

Que mãe você é pra si mesma?

Podemos dizer que as meninas já nascem mães. Ainda pequenas,gostamos de ter os nossos bebês e bonequinhas que fazemos de filhos, ninamos, vestimos, alimentamos e até damos broncas. As mais molecas cuidam dos bichos ou das plantas. O certo é que a mulher gosta de cuidar. Crescemos observando como nossas mães e avós cuidam da família, dos amigos, da casa e de seus trabalhos.
O que é muito incomum neste cenário é que talvez poucas mulheres se lembrem de observar sua mãe cuidando de si mesma, e muito menos, de nossas mães nos ensinando a cuidar de nós mesmas. Alguém se lembra? Provavelmente um número muito reduzido. Simplesmente porque não é um hábito da nossa cultura. Ainda hoje, emancipadas e livres que somos, carregamos conosco um sem fim de tabus, medos, culpas e carências quando o assunto é autocuidado."Ainda hoje, emancipadas e livres que somos, carregamos conosco um sem fim de tabus, medos, culpas e carências quando o assunto é autocuidado." Talvez seja esta a queixa feminina número um: eu cuido de tanta gente, e quem cuida de mim?
Neste especial de Dia das Mães, gostaríamos de focar nas nossas mães internas. Pois uma das vantagens de crescer e amadurecer emocionalmente é ter a autonomia de cuidar de nós mesmas, fazer nossas escolhas e nos responsabilizar por elas. Ou seja, nos tornamos nossas próprias mães.
Então, reflita: que tipo de mãe você é para si mesma?

* Uma mãe exigente e sempre insatisfeita com sua filha(no caso você mesma)?
* Uma mãe excessivamente crítica, que deixa sua filha com a autoestima lá embaixo?
* Uma mãe que não olha para você e não reconhece sua autenticidade?
* Ou você é uma mãe boa e companheira, que se apoia, se aceita e acredita em si mesma?

Este exercício de reconstruir a mãe interna é muito libertador, pois podemos nos basear ou não nas qualidades das nossas mães reais. Podemos nos dar o que nossas mães não puderam, ou não conseguiram, provavelmente porque também não receberam. E assim, tomando o autocuidado nas nossas mãos, somos capazes de reconhecer nossos limites, aprender a dizer não, preencher nossos vazios e sermos mais plenas. E criar filhos e filhas que também saibam se respeitar e cuidar bem de si mesmos!






Palavras de uma jornalista depois do acidente em Angra

Filhos são do mundo!

Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos até de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.

Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.

Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo!

Três dias na cobertura da tragédia na pousada Sankay, olhos grudados em fotos, tevê e internet, vozes chorosas de mães e tios ao telefone me fizeram pensar nessa dor gigantesca que deve ser para um ser humano devolver o que mais amou nessa vida, mas nunca foi seu! E, principalmente, me fez entender que mais do que corajosos, nós, pais, somos loucos por correr o risco de amar tanto sem garantias.

Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os fllhos, olho meus pequenos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo.

O problema é que meu coração já é deles.

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O POETA MANUEL BANDEIRA NO CÉU



















Manuel Bandeira no céu (à moda de Irene no céu)



Menino Manuel
Menino Bandeira
Poeta cantando
seu desalento.

Imagino Bandeira entrando no céu:
- Licença meu santo!
E São Pedro brincalhão:
- Entre, Manuel. Dormirás com Vésper e acordarás com o beijo da estrela da manhã.
(Stela Siebra)

O Socialismo estará no futuro? - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Este texto será o terceiro e último com os quais tentei abordar as questões que envolveram profundamente a crise do socialismo, como um estágio antecipado do ainda “inacabado” das possibilidades do capitalismo. Tive dois leitores que se manifestaram. O professor Zé Nilton que bem tocou na questão do evolucionismo marxista, como uma lei determinística que levaria, necessariamente, ao socialismo (no blog cariri agora). A isso chamou utopia e o com qual, em tese, não discordo . O outro comentário foi do Germano Batista, que embora acusando que o primeiro texto não dizia “coisa com coisa”, compreendeu muito bem que o caminho para uma discussão possível do porvir socialista estaria nos limites do capitalismo como forma básica de instituir uma civilização e de organizar sua vida material.

De cara, me coloco na posição de todo aquele que tenta sintetizar questões complexas. Qual seja compor com enormes lacunas o que de fato ocorreu em três séculos do pensamento humano; tentar segurar uma linha sintética e por último procurar ser claro. Por isso peço desculpas, pois sei das dificuldades e reconheço meus limites na tarefa. Mas ousar é poder e vamos adiante.

Não se pode pensar no socialismo, no estágio atual da história, sem conhecer as bases e a dinâmica evolutiva do capitalismo. Por isso é muito apropriado o conhecimento de Economia Política e, especialmente, acompanhar a sua extensa literatura. A matriz do pensamento marxista, que escolhi como a idéia fundamental de socialismo, desde o segundo texto, é “O Capital”. A partir deste texto e toda a literatura que o analisa, criou-se o que se denominou de “instrumento científico” para avaliar a evolução capitalista, inclusive subsidiado pela questão central do Iluminismo (entre os quais Rousseau) que é a própria racionalidade.

Como imaginar o futuro do pensamento socialista, no estágio atual do capitalismo globalizado, quando ocorreu uma das maiores revoluções desde os tempos da revolução agrícola? Qual seja a urbanização da maior parte da humanidade. Vivendo em concentrações complexas, consumidoras de enormes quantidades de energia e matéria prima, promotora de volumes nunca vistos de novos materiais, rejeitados do processo de produção, distribuição e consumo de bens e serviços que se denomina corriqueiramente como lixo.

Mais ainda, mesmo que se defronte com uma enorme crise no capitalismo central, nunca se viu tão acelerada a inclusão de camadas enormes de consumidores de bens e serviços deste sistema de produção como agora. Na Ásia se tem o maior exemplo disto, já ocorrera no Japão, depois na Coréia do Sul, a China, Tailândia, Malásia e a Índia. Não diferente ocorre no Vietnã que toda a minha geração tem como referência de uma luta revolucionária anti-capitalista. Todos, sem exceção, criando classes médias, novos ricos, mas, principalmente, engrossando o oceano que banha todas as costas da humanidade com produtos e mercadorias num mercado mundial multiforme e muito diferente de tudo que se conhecia.

Aliás, o segundo mercado mundial em termos de população e avidez por consumo se encontra na África. Os Chineses sabem disto e hoje despertam, em termos de consumo nas ruas das capitais africanas, muito mais do que os antigos países ocidentais foram capazes. Na África se abre uma segunda fronteira dinâmica de urbanização, consumo de produtos industrializados e de serviços dependentes de tecnologia de base científica.

Onde isso vai dar? Numa escala de concorrência por recursos primários e por colocação de produtos transformados. Aí temos, na primeira face, a dos recursos primários, as questões ambientais, a fragilidade do uso das energias não renováveis e por último a atitude humana de manter-se em plena capacidade criativa e inovadora. Um parêntese: mais do que nunca a humanidade depende de si mesma para se inovar e renovar no processo histórico em que vive. O novo é quase sinônimo de sobrevivência da espécie e de decadências de civilizações.

Na face da colocação de produtos transformados, o problema continua numa ampliação terrível. Não vou citar estatísticas, mas apenas realçar que existem questões centrais na estrutura do capitalismo que implicam em grandes problemas: a propriedade certamente é uma delas. A outra, decorre desta, que é a distribuição da riqueza através deste gargalo composto por acúmulo e apropriação, que em outros termos, significa poder de uma minoria decidir pela maioria. A evidência deste mecanismo é, por demais, conhecida: a produção de alimentos num ano dá para alimentar quase uma população e meia, e, no entanto, milhões morrem de fome.

A questão, por exemplo, da inovação. Tudo aquilo que significou revolução na humanidade, ocorreu com o aumento do conhecimento científico e a aplicação das leis naturais e da organização social ao progresso material das pessoas. Mas aí, este ímpeto criador, se vê cerceado pela patente, que produz milhões de efeitos ao contrário da inovação. Um exemplo clássico é o do inventor Edison quando dominou o processo de geração, distribuição e iluminação pública com a energia elétrica, tendo que enfrentar os velhos monopolistas da iluminação a gás. Isso ocorre como um verdadeiro horror na medicina científica, quando uma simples pílula, por exemplo, de hipoglicemiante, pode ser a diferença entre a vida e a morte de uma pessoa.

Agora tentando responder à pergunta que me fiz: o socialismo estará no futuro? Não necessariamente uma proposição acabada com base nos termos atuais. Mas certamente uma sociedade diferente daquele velho capitalismo centrado no pensamento ocidental com suas instituições e métodos de produção, distribuição e consumo. Ouso um pouco mais: a questão ambiental ainda ressurgirá como forma de ajuste nos três componentes citados da geração de riquezas. E ressurgirá como uma igualdade de ajuste, mais equânime e muito mais discutida por maiorias. Outro componente central é uma tese otimista.

Neste tipo de sociedade urbana que é industrial (transformadora) e que joga, essencialmente, com energia e massa, talvez o horizonte esteja em experimentos complexos como o do CERN na Suíça, quando o centro do pensamento se encontrará na natureza de partícula da matéria e em processos de altas energias. Se algo se inovar por aí, o que se terá é uma sociedade muito mais transformadora, com necessidades mais racionais de geração, distribuição e consumo. Neste ponto, teríamos, quem sabe, chegado a algo assemelhado ao que os pensadores dos séculos XVIII e XIX chamaram de socialismo.

Por fim, o texto foi longo. Tinha que acabar agora para não perder a meia dúzia de leitores que ainda tinha. Mas como promessa é dívida, acho que, pelo menos no possível a mim mesmo, disse ao Dihelson Mendonça que faria.