Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

HUMBERTO TEIXEIRA - Por Marcos Barreto de Melo


Como surgiu a imortal dupla do baião
Os primeiros sucessos de Luiz Gonzaga, como cantor, surgiram em 1943, dois anos após ter sido contratado pela RCA.No início de sua carreira, Gonzaga atuou apenas como solista, por uma imposição da própria gravadora.As primeiras músicas cantadas por ele compostas em parceria com o fluminense Miguel Lima logo se tornaram conhecidas do público.São dessa época músicas famosas como Cortando o Pano, Dezessete e Setecentos, Penerô Xerém e Mangaratiba, entre outras.
Apesar do êxito, a parceria com Miguel Lima não durou muito tempo. Luiz, de formação genuinamente sertaneja, queria gravar músicas que falassem de sua gente, do seu longínquo pé-de-serra. Ele tinha a melodia e precisava de alguém que fosse capaz de colocar a letra. Miguel Lima, no entanto, não se integrava muito bem com o projeto artístico de Luiz Gonzaga de querer lançar, no Rio de Janeiro, as músicas brejeiras do Norte. Por isso ficaram juntos somente até 1945.quando Gonzaga viu-se obrigado a procurar um outro parceiro que, como ele, estivesse disposto a cantar o Nordeste.E foi na poesia do jovem advogado cearense, Humberto Teixeira que Gonzaga encontrou a sua nova parceria.
Vencedor de Concurso
Humberto Teixeira nasceu em Iguatu, cidade do sertão cearense, a 5 de janeiro de 1916, de onde, aos dois anos de idade, saiu para residir em Fortaleza.Aos seis anos, aprendeu a tocar musete (uma versão francesa da gaita de foles) com o seu, o maestro Lafaiete Teixeira.Tocava flauta e bandolim e, com 13 anos, fazia parte da Orquestra Iracema, a qual regida pelo maestro Antônio Moreira, musicava os filmes mudos no Cine Majestic, de Fortaleza. Em 1931 o garoto Humberto Teixeira radicou-se no Rio de Janeiro, onde, aos 18 anos, em 1934, descobriu que a sua vocação estava indiscutivelmente voltada para a música.Venceu, neste mesmo ano, o concurso de música carnavalesca promovido pela revista “O Malho”, com a música “Meu Pedacinho”.A sua música foi classificada ao lado de outras compostas pó gente famosa, como Ari Barroso e Cândido das Neves.Em pouco tempo, Humberto foi se tornando amigo de Lamartine Babo, Benedito Lacerda, José Maria de Abreu e de outros cantores e compositores daquela época.
Quando, em 1943, formou-se advogado pela Faculdade Nacional de Direito, Humberto Teixeira já havia composto sambas, xotes, marchas e toadas. Sua primeira música a ser gravada foi “Sintonia do Café” lançada por Déo, em 1944.Outras composições de Humberto foram gravadas nessa mesma época: Só uma Louca Não Vê (Orlando Silva); Deus me Perdoe (Ciro Monteiro; Meu Brotinho (Francisco Carlos) e Natalina (Quatro Ases e Um Comigo).

Encontro com Luiz Gonzaga

Desfeita a parceria com Miguel Lima, Gonzaga estava agora à procura de um novo parceiro. Admirava muito as músicas compostas pelo cearense Lauro Maia, interpretadas com sucesso pelo conjunto “Quatro Ases e Um Coringa”. Decidiu, então, procurar Lauro Maia, que se mostrou pouco interessado na proposta apresentada. No entanto, disse conhecer a pessoa certa para ser seu parceiro e apresentou Luiz Gonzaga ao seu cunhado, Humberto Teixeira.
O encontro do pernambucano Gonzaga com o cearense Teixeira deu-se numa tarde de agosto de 1945, no escritório do bacharel, na Avenida Calógeras, no Rio. A conversa, animada, prolongou-se até à noite e.ao fim de algumas horas, já haviam acertado os detalhes da nova empreitada. Nesta primeira conversa, concluíram que o baião era o mais urbanizável e estilizável dentre todos os ritmos de música do Nordeste.
Logo no primeiro encontro destes dois nortista surgiu o esboço do que veio a ser xote No Meu Pé-de-Serra.
“(...) Solfejei a música, Humberto olhou-me meio descrente e perguntou-me:
-Já tem algum começo, um principiozinho de letra?
Cantei:
“Lá no meu pé de serra
Deixei ficar meu coração”...
Fez sinal de que parasse.
-Ótimo.Agora solfeje a música, bem devagarinho...
Rabiscava umas coisas num papel pra repetir.
Quando terminei dei uma espiadela no papel. Admirei-me de vê-lo coberto de versos.
-Mas que beleza!Exclamei entusiasmado.
Com que rapidez você faz letra rapaz!
Riu e adiantou:
-Às vezes faço música ainda mais depressa, embora cante pior que todos os cisnes do Capitólio. mas o que fiz agora não é a letra ainda não.
Isso é só o “monstro”. A letra faço depois. Eu, que lera por alto e gostara, protestei:
-Tá conversando!Nesse aqui você não bole mais. Tá muito boa, Humberto.
-Calma Luiz. É uma letra provisória, pra me basear. Faltam os retoques, mudar umas coisas. Quando vier, vem outra”(1).
E assim teve início a parceria de Humberto Teixeira com Luiz Gonzaga, onde as qualidades poéticas de um foram aliadas à capacidade melódica e interpretativa do outro. Dessa união resultou um grande incremento à nossa música, devido à excelente qualidade do que produziram.
“A minha parceria com o Humberto Teixeira foi perfeita, assim como uma luva que se encaixa na mão de uma pessoa” (2).Assim se expressou Luiz Gonzaga ao ser interrogado a respeito do parceiro.Ainda segundo Luiz Gonzaga “Humberto Teixeira era um grande poeta. Juntava sertão e asfalto numa mesclagem muito bem bolada, de onde saíram coisa bonitas”(2). De fato, Luiz precisava mesmo de alguém como Humberto Teixeira, que, além de ser um poeta dotado de uma capacidade indubitável, era também instrumentista e profundo conhecedor da vida e dos costumes sertanejos.

Nasce o baião

O baião, também chamado “baiano”, teve sua origem na batida dos violeiros do sertão, conforme estudos já divulgados. Esse ritmo, no entanto, era conhecido apenas nos estados nordestinos.O que Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira fizeram, na verdade, foi urbanizar e estilizar o baião, dando-lhe um novo aspecto.Na sua versão primitiva, cantada por violeiros, o baião apresentava-se entremeado de falas, o que atrapalhava a continuidade da música.Conforme declarou Humberto Teixeira: ”Estilizamos as principais características, traduzimos os modismos do Nordeste e tornamos a música mais dançável... (3). Segundo Luiz Gonzaga:”...o baião foi estilizado para tornar-se música comercial.Aproveitamos os temas folclóricos, com letra nova e melodia estilizada...”(4).
Surgia, assim, em 1945, o baião moderno e urbanizado, com uma nova roupagem, onde os instrumentos originais (viola, pandeiro, botijão e rabeca) foram substituídos por zabumba, triângulo e sanfona.Com isso, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira promoveram uma verdadeira revolução na música brasileira, até então dividida entre o samba-canção e outros ritmos importados.
No ano de 1946, os “Os Quatro Ases e Um Coringa” gravaram a primeira composição pelo próprio Luiz Gonzaga, tempos depois.
Os primeiros frutos da parceria de Humberto com Luiz Gonzaga logo se transformaram em verdadeiros sucessos nacionais, o que possibilitou ao baião firmar-se como um novo e autêntico estilo de música, além de garantir a Luiz Gonzaga o título definitivo de “Rei do Baião”.No período de 1946 a 1950 o baião dominou 80% das execuções musicais no Brasil, o que refletia a grande aceitação tida pelas obras de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga.
Esse fenômeno, até então inédito na indústria fonográfica brasileira, fez com que as prensas da RCA trabalhassem quase exclusivamente para Luiz Gonzaga.
A primeira música da dupla a ser gravada por Luiz Gonzaga foi o xote No Meu Pé-de-Serra, em 1946. Depois vieram outros clássicos da música nordestina: Asa Branca, Paraíba, Baião, Lorota Boa, Mangaratiba, Baião de Dois, Juazeiro, Légua Tirana, Macapá, Xanduzinha, Qui Nem Jiló, Estrada de Canindé, Assum Preto e Respeita Januário.
Apesar do brilhantismo dos primeiros anos, a parceria de Humberto Teixeira com Luiz Gonzaga se desfez por volta de 1952, quando já estava em pleno vigor a parceria de Gonzaga com o poeta pernambucano Zé Dantas.Porém o que Humberto havia composto no período em que esteve com Luiz Gonzaga já era o suficiente para assegurar-lhe a posteridade.
Em 1954, Humberto elegeu-se deputado federal pelo Ceará, apoiado pelo líder paulista Adhemar de Barros, com cerca de 12.000 votos. Como deputado, ele teve destacada atuação no campo do direito autoral. Conseguiu a aprovação da lei “Humberto Teixeira”, o que permitiu uma maior divulgação da música brasileira no exterior, através de caravanas musicais subsidiadas pelo governo federal.
O baião entra em crise

Após ter dominado o mercado brasileiro por quase 10 anos, o baião, a partir de 1956, começou a dar sinais de visível declínio, tendo progressivamente cedido o seu espaço para o movimento da Bossa-Nova e os acordes da guitarra.
Durante um período de aproximadamente 15 anos (1956-1971), o baião esteve marginalizado e esquecido nas grandes cidades onde, um dia, reinou. Com isso, teve que retornar à sua terra de origem, refugiando-se no Nordeste.Assim como o baião, os seus criadores também foram condenados ao ostracismo.
No que pese o grande talento de Luiz Gonzaga, não podemos negar que a obra de Humberto Teixeira foi de uma importância inconteste na volta do baião e de seus congêneres e, conseqüentemente, na volta de seu maior intérprete maior.
Na verdade, o baião começou o seu caminho de volta em 1965, com a gravação do imortal hino nordestino Asa Branca (Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga) por Geraldo Vandré, em seu LP “Hora de Lutar”. Três anos depois, em 1968, surgiu a notícia, não-confirmada, de que os Beatles iriam gravar Asa Branca.Embora isto não tenha se efetivado, foi, sem dúvida, mais um passo para o retorno de Luiz Gonzaga.
Em 1969, Gilberto Gil incluiu em seu LP o baião 17 Légua e Meia (Humberto Teixeira/Carlos Barroso), um antigo sucesso na voz de Luiz Gonzaga.Neste mesmo ano, Gonzaga lançava mais um disco, onde o parceiro dos anos 40, Humberto Teixeira, se fazia presente através de duas novas composições: Canaã e Baião Polinário.
Dois anos depois, em 1971, quando do seu exílio em Londres, Caetano Veloso deu uma nova interpretação a Asa Branca. Mais uma vez a Asa Branca promovia a volta do baião.Ainda em 1971, Gal Costa gravou Assum Preto (Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga), outro grande sucesso da dobradinha.Com isso, abria-se definitivamente o caminho que traria o baião e seus criadores de volta ao cenário da música brasileira.

A grande volta

Para assinalar a sua volta, foi lançado em 1971 o LP “O Canto Jovem de Luiz Gonzaga”, onde ele canta músicas de Gil, Caetano, Geraldo Vandré, Tom Jobim e Humberto Teixeira, com quem lançou o baião nos anos 40.A música Bicho, Eu Vou Voltar, que conta com a participação de seu autor, Humberto Teixeira, fala exatamente deste momento histórico para os criadores do gênero (“Bicho com todo respeito/Dá licença eu vou voltar/Oh desafio pai d’égua/pra cabra macho enfrentar...”) e da enorme gratidão para com aqueles que, de alguma forma, promoveram esta volta (“Caetano muito obrigado/por me fazer lembrar/não a mim, mas a tudo que eu fiz...”).
Nesta nova fase do baião, Humberto Teixeira ainda compôs algumas músicas para o amigo Luiz Gonzaga: Ana Rosa (1972); Marilu (1972); Baião de São Sebastião (1973); Saudade Dói (1976); Chá Cutuba (1977); Menestrel do Sol (1977); Salmo dos Aflitos (1978); Dengo Maior (1978) e Orélia (1979).
No seu disco de 1979, Gil nos trouxe uma nova versão de Macapá (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira) lançada com sucesso pela cantora Mariene, em 1949.
Em 3 de outubro de 1979, aos 63 anos, em sua casa no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, morria o grande compositor e poeta Humberto Teixeira.
Após a sua morte, duas músicas ainda foram gravadas: Dança do Capilé (1982) e Xengo (1983).
Autor de mais de 400 composições gravadas (5), Humberto Teixeira compôs Kalu, para Dalva de Oliveira, e, em parceria com Sivuca, fez Adeus Maria Fulô, para Carmélia Alves. Uma de suas músicas foi gravada por Elba Ramalho no início de sua carreira (Bodocongó). Outros também gravaram músicas do poeta de Iguatu, a exemplo de Caetano Veloso, que gravou Kalu, e de Fagner, que faz uma homenagem ao poeta conterrâneo ao cantar Dono dos Teus Olhos.
Nos últimos anos de sua vida, Humberto refugiou-se em casa, num isolamento voluntário.Poucas pessoas passaram a ter acesso a ele.Só compunha para consumo próprio ou sob fogo cerrado do parceiro e amigo Luiz Gonzaga. Assistiu à distância a nova invasão do Sul pela música nordestina, quando muitos cantores da nova safra seguiam as suas pegadas.
Os nomes de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga estão íntima e irreversivelmente ligados na história do baião e da música brasileira, como um todo. Através de suas canções, o Brasil passou a conhecer Asa Branca, que, em seu vôo derradeiro, foge tangida pela seca, tal qual o retirante nordestino; o Assum Preto, que, cego dos olhos para cantar melhor, vive solto sem poder voar; a receita para um gostoso Baião de Dois; a disposição que tem o nortista, capaz de andar, sem parar, 17 Légua e Meia para ir num forró dançar e, ainda, como se dança o Baião.
Advogado, político, instrumentista, poeta e compositor. Esse é o perfil de Humberto Teixeira, um sertanejo cearense que, em um dia de agosto de 1945, uniu-se a Luiz Gonzaga para lançar o baião. Embora não seja o rei, Humberto Teixeira é, sem dúvida, um dos donos desse reinado chamado baião.
A sua morte, no ano de 1979, constituiu-se na perda de um dos maiores compositores da música brasileira. Com ela, ficaram órfãos a Asa Branca, o Assum Preto e o próprio Baião.
Marcos Barreto de Melo

Referências Biográficas
(1) SÁ, Sinval, in “O Sanfoneiro do Riacho da Brigada”, 5ª edição, Editora Thesaurus.Brasília, 1978.
(2) Declarações feitas por Luiz Gonzaga ao autor deste artigo em 11/08/84, no Parque Asa Branca, em Exu-PE
(3) Veja (revista semanal brasileira), São Paulo nº 01,11/09/68, Págs. 110/111.
(4) Veja (revista semanal brasileira), São Paulo nº 74,04/02/70, Pág. 5.
(5) Veja (revista semanal brasileira), São Paulo nº 579,10/10/79, Pág. 110.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ulisses Germano agradece...

Se deixar fotografar
É um ato de ousadia
No instante do clicar
Pra tirar fotografia
Revelada na loucura
De um coração que procura
Sempre estar em harmonia

Mas a sombra da vaidade
Deve ser policiada
Pra que a tal da humildade
Venha a ser manifestada
Neste ensaio fotográfico
Dihelson traçou o gráfico
De minha imagem clicada

Grato, Dihelson, pelo ensaio sem ensaio! rs

Diálogo poético - Aloísio X Claude




Se a vida é boa...
pra que sofrer
pra que pensar
é só querer
e se amar


Aloísio
============

Se a vida corre
Pra que sofrer?
Os dias passam
Sem mais porquê
As noites chegam
Sempre caladas
E as madrugadas
Não têm mais fim
E nessas horas
Nessa magia
Que vem da noite
Que vem do dia
Eu te pergunto
Sem ironia
Se a vida corre
Pra que sofrer?

........................... Claude





Pérola nos Bastidores - por Claude Bloc

Claude Bloc disse...

(sobre o poema de Walter Franco – um pensamento)



Claude

por ser que ama
por ser que queira
por ser que sofra
que pensa
se a vida é boa...

Efeitos Colaterais

Godofredo e Isabel mantiveram um casamento perfeito por quase vinte anos. Eram figuras icônicas nas brigas dos amigos: “ Você devia ser como o Godofredo!” “Por que você não se porta como a Isabel , aquilo sim é que é uma mulher”. Vencido o prazo de validade de todo matrimônio, quando o remédio fabuloso começa pouco a pouco a mostrar seus efeitos colaterais, sua reações adversas e a se transformar em veneno, o casal começou a ficar mais distante, nem discussões mais conseguiam entabular. No espaço vazio do relacionamento, terminou por surgir alguém para preencher a vaga. Godofredo, antes um esposo fidelíssimo, se enrabichou por Tamires, uma colega de trabalho, vinte anos mais nova. Como era de se esperar ,não cabia tanto pequi no baião-de-dois de Isabel , quando ela descobriu que havia ingredientes estranhos na culinária, entornou, literalmente o caldo da pequizada. Como sempre, os casamentos mais equilibrados são justamente aqueles que mais se desequilibram na hora da dissolução. O pau comeu solto. Agressões se repetiram lado a lado, culminando com sopapos generalizados, telefone em orelha de Tamires, tapa no terreiro dos olhos de Godofredo, braço quebrado de Isabel.
Terminada a guerra doméstica, estavam armados os exércitos para as batalhas judiciais. No interlúdio entre os conflitos periódicos, estabeleceu-se uma guerra fria. E nem havia tantos bens a serem partilhados: uma casa, um carro, uns terrenos na periferia: só. Mas acordo mostrou-se desde o início totalmente impossível. Simplesmente porque não estava em jogo, na realidade, a questão meramente financeira. Godofredo havia ferido Isabel no seu ponto mais sensível, no seu calcanhar de Aquiles, o amor próprio, e aí não havia patrimônio nesse mundo que fosse capaz de indenizar tanto dano, nem o de Bill Gates. Advogados de lado a lado, desde o início, Godofredo e Isabel montaram sua lavanderia pública e procederam à interminável lavagem de roupa suja. De repente veio à tona aquele varejo de incongruências e deformidades de que todos os casamentos estão prenhes. Godofredo era meio brocha, Isabel tinha mal hálito superior e inferiormente e pro aí vai.
Na impossibilidade de acordo, a pendência correu para a demorada esfera judicial. Audiências, desaforos, custas judiciais e advogados dando corda pelas beiradas. O certo é que o processo tramitou por uns oito anos e, no final, praticamente já nada tinham para partilhar. Os bens , poucos, tinham sido consumidos na própria alimentação da causa. Restaram apenas o fel, o veneno destilado lado a lado que acabaram por nublar completamente a lembrança dos verdes e doces enlevos dos primeiros dias.
Recentemente um primo dileto de Godofredo, chegando da Europa,onde residia há muitos anos, não conseguiu compreender a penúria em que viviam os dois antigos pombinhos. Eles que quando casados gozavam de uma confortável situação, agora ali estavam tocando a vida com dificuldades típicas de classe média baixa. Como se explicava a tragédia?
O pai do primo europeu foi quem conseguiu didaticamente explicar o inexplicável, utilizando os recursos da fábula.
--- Meu filho, um dia dois gatos encontraram um pedaço de queijo e começaram imediatamente a brigar. Cada um se achava dono do presente encontrado. “É meu!” “É meu, eu vi primeiro!” Começaram ,então, a se engalfinhar, numa luta sem precedentes. Foi aí que apareceu o macaco e ofereceu-se para intermediar a questão. Propôs dividir o naco de queijo no meio e, cada um ficar com sua parte. Os gatos, então, aceitaram, desde que os pedaços fossem exatamente iguais. O macaco, então, salomonicamente, pegou uma balança e cortou o queijo em duas partes. Colocou-as cada uma em um dos pratos. Notou-se, então, que um dos lados era maior e que o prato descia. O macaco, tranqüilizou-os: não tem problema! Cortou um pedacinho da parte maior e comeu e voltou a pesar as duas fatias. Agora, era a outra que estava mais pesada. O macaco procedeu da mesma maneira, cortou mais um tanto e comeu e voltou a fazer a pesagem. O problema repetiu-se e, ele, prontamente cortou mais um taquinho, comeu e pesou novamente. Repetidas as ações por várias vezes, os gatos gritaram : Pode parar, já basta ! Está bom ! Notaram que os pedacinhos que restavam agora, eram bem miudinhos, o macaco comera quase tudo. O acordo foi feito rapidamente e os gatos saíram satisfeitos. Pois ,é ! Os gatos eram Godofredo e Isabel !
--- E o macaco, papai ?
--- Era o advogado, meu filho !

J. Flávio Vieira

Colaboração de Mundim do Vale...

A origem de alguns 
Ditados Populares

JURAR DE PÉS JUNTOS:
- Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu.
A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO: 

- Nossa, que cara mais barbeiro!
No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro". Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira.

TIRAR O CAVALO DA CHUVA:  


- Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!
No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

À BEÇA:
- O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.

DAR COM OS BURROS N'ÁGUA
:
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino.
Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" pra designar algo muito bem guardado.

OK:
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK".

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas "pra inglês ver". Daí surgiu o termo.

RASGAR SEDA:
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa".

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER
:
Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver.

ANDA À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.

QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO:
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

DA PÁ VIRADA:
A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo Homem vagabundo, irresponsável, parasita.

NHENHENHÉM:
Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indìgenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".

VAI TOMAR BANHO:
Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".

ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM
:
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: Nós somos brancos, cá nos entendemos.

A DAR COM O PAU:
O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, pra isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sapa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA , TANTO BATE
ATÉ QUE FURA:DÁ MOLE 
Um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a .C.-18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses", que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase pra que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.
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A uma mestra com carinho – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Tenho muito carinho e gratidão por uma grande professora que o Crato já teve. É a saudosa professora dona Lurdinha Esmeraldo. Ela dedicou toda a sua vida ao magistério. Lembro-me muito bem do amor que ela tinha pelos alunos, sempre com o objetivo de formá-los para a vida. Por ser solteira tinha todo um carinho filial com seus alunos. Fui sua aluna de Francês e Religião. Ela era muito competente em tudo que ensinava. A bondade e o amor transpareciam nos seus gestos. A sua fé em Deus e o seguimento de Jesus eram demonstrados na sua animação ao falar de Jesus para os alunos e através do seu testemunho de vida. O comportamento dela fazia com que entendêssemos que o seu objetivo era nos levar para o caminho do bem. O bom professor, além de dar a instrução aos alunos, proporciona a educação como um todo. Dona Lurdinha era assim, cuidava da instrução e da alma, educando também para a vida, através do seu testemunho, da sua bondade e da vocação parar ajudar aos jovens. Pessoa de grande espiritualidade, vivência cristã e testemunho de fé. Freqüentadora diária da igreja e participante da Eucaristia. Lembro sempre dessa querida professora quando leio um trecho do Evangelho de Mateus: “Vocês são o sal da terra. Ora, se o sal perde o gosto, com que poderemos salgá-lo? Não serve só para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. Assim também: que a luz de vocês brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que vocês fazem, e louvem o Pai de vocês que está no céu.” (Mt 5, 13-16)

Fomos feitos para brilhar. Devemos acreditar na luz de Deus em nós, pois agindo com justiça e retidão, estaremos manifestando a beleza de Deus. Ser sal da terra é dar sabor as coisas e livrar o mundo da podridão dos costumes e da corrupção. Os discípulos de Jesus precisam dar testemunho de suas obras. A querida dona Lurdinha como seguidora de Jesus, irradiava a luz para os outros e principalmente para os seus alunos. Sabia que não devemos esconder a luz de Deus que brilha em nós, pois para sermos discípulos de Jesus, devemos nos comprometer com a construção do Reino de Deus. Essa professora a quem rendo a minha homenagem era comprometida com esse Reino e, transbordava através do seu grande coração o amor de Deus para seus alunos e para todos que a conheciam. Através dela, aproveito para homenagear todos os meus professores e professoras.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

PÉROLA NOS BASTIDRES - Por Antonio Morais

Eneas Duarte, poeta barbalhense, um dos maiores acervo da cultura caririense.

Certa feita, Eneas encontra-se com Helder França e este decepcionado com a indumentaria do poeta barbalhense, metrifica:

Responde-me,
Oh! pobre vate,
Qual foi o mal alfaiate
Que te aleijou de uma vez?

Não tradou a resposta:

Foi o alfaiate da miseria
Que pobreza
É coisa seria
Foi a miseria quem fez!

Parabens Magnolia, por resgatar um soneto de inigualável feitura.

Antonio Morais

E a ExpoCrato ficou sem um grande ícone – por Napoleão Tavares Neves (*)




Nos seus 66 anos de existência, a ExpoCrato sempre teve um grande colaborador e assíduo frequentador hoje ausente: o ínclito advogado, Dr. Raimundo de Oliveira Borges, um dos seus fundadores.
Nos anos anteriores quem quisesse ver e conhecer o Dr. Raimundo de Oliveira Borges só tinha um caminho certo: ir à ExpoCrato.
Lá ele estava sempre presente com sua simpatia e a sua proverbial jovialidade centenária. Em tudo o tempo passa e o Dr. Borges também passou com o tempo, depois de haver vivido mais de um século.
E viveu ativamente, sendo exemplo e dando exemplo. Efetivamente, os que forem à ExpoCrato neste ano 2011, sentirão, por certo, a falta deste assíduo frequentador, um pequeno grande homem que ajudou a ExpoCrato a nascer, acompanhou a sua infância e adolescência até a sua idade adulta de progresso e grandezas mil.
Com certeza, muito falarão dele e nele, sentindo a falta de sua presença como verdadeiro testemunho de sua rica história.
Os grandes homens são sempre assim: passam, como tudo passa, mas deixam para a posteridade o rico legado de sua vida!
(*) Napoleão Tavares Neves é médico, escritor, historiador, memorialista e cronista. Reside em Barbalha (CE).
(As fotos que ilustram a matéria são de autoria de Dihelson Mendonça. Na primeira foto, Dr. Borges entre o ex-governador do Ceará, Lúcio Alcântara e o vice-prefeito de Crato, Raimundo Filho. Na foto menor, Dr. Borges é abraçado pelo seu filho, Roberto Borges, em solenidade no Instituto Cultural do Cariri).

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


ANGÉLICA - Angélica Archangelica - Um verdadeiro anjo em forma de planta. Usada desde a Idade Média para tratamento de muitos males, protege e conforta o coração e o espírito. Seu nome deriva do fato de, no Norte da Europa, desabrochar na época das festividades de São Miguel Arcanjo.


Arbusto aromático, atinge de 1 à 2 metros de altura. Originada do Norte da Europa e União Soviética. A Angélica foi considerada pelos antigos como presente do Arcanjo Miguel, o grande defensor da humanidade, para livrar os homens das infecções e protegê-los de todos os males.


Cultivada em solo profundo e húmido à sombra. Se estiver ao sol, o solo deve ser coberto com composto vegetal. Semear no início do Outono. As mudas devem ser transportadas na primavera. As folhas podem ser cozidas junto com frutas para reduzir a quantidade de açúcar necessário. É usada também como ingredientes de licores. As flores são usadas em arranjos florais e as folhas para aromatizar o ambiente. Tem propriedades diuréticas e estimulante do aparelho digestivo. As folhas são usadas como tônico para as constipações e a flatulência. As sementes são usadas contra a má digestão e a raiz contra acidez estomacal. O óleo essencial de Angélica é estimulante, aumenta a confiança. Pode ser usado em compressas, aromatização de ambiente, banhos, infusão, inalação e massagem. Combina bem com óleos essenciais de Bergamota, erva-cidreira, limão, junípero e sálvia-esclaréia.

Edilma Rocha
Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro





ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


Inêz Fiuza e Edilma
Sem palavras...

Sobre "anônimos X personagens" - José Nilton Mariano Saraiva

Unanimemente reconhecido como uma figura desprezível e digna de se guardar distância, o “anônimo” vive no mundo da escuridão absoluta, à espreita da chance propícia pra semear a desordem, a anarquia, o caos. Sem nunca identificar-se, quer pessoalmente ou através de seus textos (apócrifos), tem, no entanto, consciência plena das desagradáveis conseqüências advindas da mesquinhez das suas intervenções e atitudes, na perspectiva de deixar algum rastro. Não se trata, pois, de nenhum inocente ou incauto, sendo merecedor de uma penalidade severa e exemplar. Lamentavelmente, entretanto (por incrível que pareça), ainda encontra quem o aplauda, o estimule e o acolha fraternalmente, lhe disponibilizando espaço para arrotar seus devaneios e irresponsabilidades.
Mas, aqui pra nós, dada à incrível similitude do “modus operandi”, existirá alguma diferença entre essa excrescência monstruosa (o “anônimo”) e os que se prestam à patética tarefa de criar e apresentar ao distinto público - com o fito lastimável e exclusivo de lhes servir de escudo-protetor - um tal “personagem”, de forma que possam, em se escondendo por detrás dele, atentar contra as mais elementares e básicas regras de civilidade ao investir, atacar e denegrir pessoas de reputação ilibada e idoneidade moral comprovada, com o agravante de jamais com elas terem convivido no dia-a-dia ??? O deplorável “personagem”, tal qual seu irmão siamês, o “anônimo”, não é também um sem rosto, um sem identidade, um ser caricato ???
Afinal, o que leva mesmo os que criam tal anomalia a posarem de paradigma da moralidade, de defensores dos bons costumes, de últimos guardiões da decência e de ícones da retidão, se lhes falta a dignidade de assumir oficialmente aquilo que oficiosamente as pessoas sérias e de bem têm conhecimento e reprovam com extremada veemência: que o uso (até abusivo) do famigerado “personagem”, não passa de uma tentativa canhestra de personificar e enxovalhar com cidadãos dignos e pertencentes a famílias honradas, a uma outra geração, a uma outra época e que, ainda atuantes, idiossincráticos não se furtam de subscrever sem qualquer receio o que expõem didaticamente, para conhecimento público (sem a necessidade ou conveniência de esconder-se por detrás de nenhum “personagem”).
Elementar, meu caro, Watson: falta-lhes coragem de mostrar a face e se expor, responsabilizando-se civilmente por atos e escritos, porquanto sabedores que, em reconhecendo publicamente que da sua lavra são as acusações direcionadas pelo seu “personagem” a pessoas íntegras e cônscias dos seus direitos e deveres, poderão ser imediata e tempestivamente acionados na Justiça, objetivando a confirmação, ratificação e comprovação, em juízo, das graves e infundadas denúncias, veiculadas com o claro intuito de ridicularizar e de desmoralizar.
No jargão judiciário, tal ação ou causa é conhecida por “danos morais” (que abalam a honra, a boa-fé subjetiva ou a dignidade das pessoas físicas ou jurídicas), que além de detenção iminente contempla também a competente indenização (cujo objetivo é reparar a dor, o sofrimento ou exposição indevida sofrida pela vítima em razão da situação constrangedora à qual foi exposta).
Além do mais, convém que os holofotes sejam direcionados para a pedagogia embutida na decretação de uma penalidade dura e exemplar (em casos da espécie e similares), já que certamente servirá pra desestimular os ofensores (e aliados) a insistirem na conduta reprovável e mesquinha que deu origem ao dano.

um pensamento – Walter Franco

por ser que nada
por ser que voa
por ser que fala
que pensa
se aperfeiçoa...

Walter Franco – LP Revolver [1975]

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Destino do Poeta – Por Enéas Duarte.

Renata Menezes e Ananda na foto
Conduzir tanto amor, tanta amizade,
Na pequenez sutil do coração;
Desprezar o clarim da realidade
Pela sonora flauta da ilusão.

Vagar pelo silencio em direção
À desventura, às magoas, à saudade,
Menoscabando o fausto e a sedução,
Vivendo quase sempre na humildade.

Respondendo às injurias com o desdém
Sem maltratar e sem pungir ninguém,
Caminhando altivo em linha reta.

Lançando roças pelo caminho
E recebendo em troca acerbo e espinho,
Eis o destino de qualquer poeta.

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


CALÊNDULA - Maravilhas - Calêndula Officinalis. A alegria do nascer ao pôr-do-sol.
Uma planta solar cuja energia se equilibra com a força lunar. Suas cores amarelas, laranjas e vermelhas que indicam uma ligação intrínseca com Júpiter, que favorece as aptidões criativas.


Planta ornamental, atinge até 40 cm de altura. Originada do Mediterrâneo, seu nome vem do latim "Calendas" que remete à crença de que florescia sempre no primeiro dia do mês. Cultivada em solo de argila fina, mas aceita quase todos. Semear na primavera. Pode ser cultivada em vaso, desde que exposta ao sol. Floresce quase o ano todo e as flores de cores intensas, se abrem com o nascer do sol e se fecham com o pôr-do-sol. A Calêndula é muitas vezes cultivada junto às especiarias, para afastar uma praga chamada besourinho.

A Calêndula é cicatrizante, anti-inflamatória, anti-séptica, bactericida, fungicida e tonificante da pele. É usada na higiene do bebê, no tratamento da acne, da gengiva, como cicatrizante de feridas e úlceras, fissuras da mama e queimaduras. Tem poderes sedativos, equilibrando o sistema nervoso central e vegetativo.
Na culinária, as flores são usadas para dar cor de açafrão e um leve gosto picante em pratos como arroz, sopas, peixes, carnes, omeletes, queijo, bolos, pães e doces. O óleo vegetal da Calêndula é usado como carreador para óleos essenciais. Aplicado em massagem, aumenta a tonicidade da pele.

Dedico esta postagem a Dihelson Mendonça . Em nossas vidas, a criatividade se manifesta de diferentes formas nas inúmeras expressões artísticas. 

Edilma Rocha

Fonte :  Jardim Interior - Denise Cordeiro

Para pensar um tema - Manuel Fernandes (Nande)

Um tema pode ser qualquer coisa que nos leve de um minúsculo pontinho até o infinito ou pode ser o minúsculo infinito que nos leve ao ponto máximo. Uma simples discussão sobre grandezas já é um tema que daria um samba matemático ou papo geográfico, por exemplo, sobre escalas. Foi com temas geradores que Paulo Freire alfabetizou um bocado de gente. As vezes a partir da palavra tijolo se construía uma cidade de palavras, um arsenal vocabular que fazia as pessoas serem capazes de ler politicamente o mundo.
Um tema não é coisa que se tema, porque ele pode nascer assim... de repente. Pode inclusive, nascer meio guenzo e ir se equilibrando devagarinho - engatinha, anda, corre. Porque a única exigência temática está em fazer as pessoas se sentirem a vontade em seu próprio universo conceitual e vocabular, posto que o fundamental mesmo é desencabular o sujeito e a sujeita; até uma palavra que não consta do dicionário pode ser motivo para se começar uma conversa.
A busca está nas associações mais diversas que podemos ser levados a fazer com os outros - entrou pelo pé do pato saiu pelo pé do pinto e por aí vai. Pato e pinto são bípedes, são aves, têm bico, põe ovos e aí, de saída, antes que um desses bichos voe, já se tem um tema penoso, mas um tema que pode dar uma história para criança ou em discussão sobre os transgênicos.
O importante é se aventurar no mundo das coisas correlatas e também das disparatadas, para fazer as associações já conhecidas e aquelas imaginárias. Para ciência e para arte, porque uma coisa imita a outra, vez ou outra ou outra e vez, e foi assim que começou a história com coisas que ás vezes a gente não acredita, porque parecem não ter pé nem cabeça, mas é tudo coisa das criações humanas e da fantástica imaginação que temos.
Em outros termos nós temos temas para quase tudo aquilo que desejamos discutir. Um tema é a ponta de um novelo. Uma nota musical. Uma data às vezes sem sentido aparente. Uma imagem fotográfica. Um risco na pedra deixada por comunidades de dez mil anos atrás. A visão primeira que os homens tiveram da lua.
Quem sabe não foi isso que nos aventuramos a voar, imitar patos e pintos, imitar peixes e dialogar com a natureza com sua imensa selva de temas e de possibilidades intermináveis? Quem sabe não começamos por onde deveríamos ter terminado e fizemos o contrário?
Um ponto de partida é exatamente a possibilidade de criar as coisas do início e não temer chegar nos lugares inatingíveis. Para os professores talvez seja começar sempre com os outros onde eles estão, por onde já se passou um dia, como um retorno paciente ao lugar das primaveras do que conseguimos aprender.
Um tema deve ser capaz de suscitar debates, levantar questões, despertar preocupações, recuperar a tradição e vislumbrar o futuro. pode ser qualquer coisa assim que aparentemente é coisa alguma.

Manuel Fernandes, filho de Maria Zélia Correia e de Antônio Arcanjo, neto de Zé Odimar e Balbina Correia.
Professor da área de teoria e método na Universidade de São Paulo (USP)

As emissoras internacionais - Emerson Monteiro

Houve um tempo quando apreciei com intensidade as transmissões da radiofonia mundial em ondas curtas, reservando horas e horas noturnas para ouvir as programações em português e espanhol, elaboradas nos mais diversos países. Esse gosto veio despertado por amigos e colegas de colégio que nutriam interesses ocasionais em colecionar selos, quadros de fitas de cinema, estudar inglês e acompanhar lançamentos cinematográficos, assuntos que preencheram a minha adolescência.
Além de seguir de perto as grades de programação, também escrevia às emissoras, dando notícias das recepções e apresentando ideias e motivos talvez a serem aproveitados pelas estações de rádio.
Era uma época de extrema efervescência e movimentação das forças políticas, na primeira metade da década de 60, auge da Guerra Fria, quando, inclusive, o rádio se prestou à divulgação e propaganda ideológica dos blocos nela envolvidos. De um lado, o capitalismo internacional do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos. Do outro, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ponta de lança do que propunha o comunismo, já instalado também na China, desde 1949, com Mao-tsé-tung no poder; em Cuba, após a revolução de Fidel Castro, em 1959; no bloco dos países da Europa Oriental, na Coréia do Norte, como alternativa ao modelo da democracia americana para as outras nações, após a Segunda Guerra.
Recordo que, nessa fase, ouvia com assiduidade transmissões da Rádio Difusão e Televisão Francesa, Rádio Canadá, BBC de Londres, Rádio Havana, Voz da América, Rádio Holanda, Rádio Suíça Internacional, Rádio Suécia, Rádio Praga, Rádio Sofia, Rádio Cairo, Rádio Espanha Internacional, Rádio Pequim, Rádio Central de Moscou, Rádio Tirana, Rádio Vaticano, Voz da Alemanha, dentre outras, que mantinham horários para o Brasil e os demais países de língua portuguesa.
Informações fervilhavam a cruzar os céus logo que chegava a noite, das 19 às 23h, horário de melhor propagação das ondas. O meu receptor, rádio a válvulas, permanecia ligado todo tempo, enquanto promovia anotações e apurava os ouvidos, nas faixas de 16 a 49m, vezes sob chiados e ruídos intensos que dificultavam as audições.
No país, eram as notícias peneiradas pelos órgãos de segurança e que, entretanto, vazavam pelos correspondentes estrangeiros, chegando ao nosso conhecimento pelos departamentos internacionais, época de clandestinidade e repressão, anos de chumbo, quais se dizem.
Remetia cartas aos endereços dessas emissoras, que as respondiam com regularidade e juntavam às respostas publicações dos países; livros, revistas, jornais, postais, selos, broches, flâmulas e outros brindes. Cada recebimento dessas respostas era um dia de festa. Abria o envelope e examinava com cuidado seu conteúdo, estimando o valor em face da distância que percorrera. Nisso, espécie de fetichismo logo invadia a alma de mistério.
Depois, novos apegos surgiriam com a descoberta do prazer da literatura e seus variados autores brasileiros e estrangeiros. Mais adiante, os filmes de Hitchock, do Cinema Novo, os clássicos da Cristandade, os faroestes inolvidáveis, o cinema de arte europeu, além dos festivais da canção, e a MPB, reunidos às emoções dos primeiros namoros, para, assim, excluir em definitivo o pouco espaço que restara entre os estudos e aqueles solitários serões radiofônicos.

COLÉGIO PIO X - Por Edilma Rocha


Esta menininha de olhar sereno, narizinho pequeno e boquinha apertada não possuía cabelos cacheados, eram produzidos por um "Baby lise" artesanal as custas de brasas de carvão. A sua mãe ficava horas separando as mechas com cuidado para torná-las em lindos cachos e a menininha dura, petrificada de medo até o final do penteado. Tudo isso para depois vestir o uniforme do Colégio Pio X e sair para mais um dia na escola. Usavam saias azuis pregueadas, blusa branca de manguinhas e um enorme laço azul na altura do pescoço. Nos pés sapatinhos pretos e meias brancas. Debaixo do braço um caderno só, que ocupava todas as anotações e deveres de casa, lápis preto e borracha de bolinha.
A casa onde funcionava o educandário era grande demais para os seus pequeninos olhos e lá as primeiras letras eram aprendidas com alegria. Cadeiras e mesinhas destribuidas por salas da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries do primário, tudo tão simples e interiorano. No intervalo para o lanche que se chamava "Hora do recreio", era aguardado com ansiedade para se juntar às amiguinhas e brincar no enorme quintal em baixo das frondosas mangueiras. Cada aluna poderia levar o lanche de casa ou esperar por entre as frestas da pequena mureta que dava para a Praça da Sé a comidinha que vinha de casa. Vilanir, que chegava pontualmente às 9 horas trazendo uma canjica, uma fatia de bolo Luís Filipe acompanhado com suco de fruta, mas ela gostava mesmo era das migalhinhas de pão com leite e mel.
Durante o mês de Setembro as crianças trocavam o recreio no quintal para assistir as montagens do "Parque Maia". A enorme roda gigante  cheia de  luzinhas piscando, o carrossel dos cavalinhos, as cadeirinhas dependuradas pelas  compridas correntes que voavam aos céus. Era um mundo de fantasia montado sob os olhinhos curiosos da criançada. Havia muito respeito entre as professoras e as alunas. Se por acaso fossem chamadas na diretoria, era coisa terrível. Mas as festinhas com dança e representações, era coisa certa todo o final do ano. E assim corria a vidinha das pequenas princesinhas do Colégio Pio X.
Tudo tão diferente das escolas de hoje, com seus transportes escolares, prédios especiais, salas com ar condicionado, lanche da MC Donald com refrigerantes, mochilas nas costas para tantos cadernos e livros acompanhados de canetas e mais canetas coloridas, tudo com a estampa da moda. O comércio na exploração da volta as aulas dividido em parcelas no cartão de crédito. O uniforme, a célebre calça Jeans, ténis e apenas a blusa com o nome do Educandário estampado no peito.
Mas a doçura das pequenas princesinhas continua sendo a mesma no coração de papais e mamães corujas nos tempos atuais.

Edilma Rocha 

Ulisses Germano - Coração Louco - Por: Dihelson Mendonça

De onde nascem os corações dos poetas?
Ninguém jamais saberá responder

Ulisses Germano 04


Ulisses Germano 05

Mesmo o mais poderoso dos profetas
Vasculhando o Universo não vai ler


Ulisses Germano 02



Ulisses Germano 03

A fábula das palavras inauditas
O cheiro e o sabor das biritas

Ulisses Germano 01



Ulisses Germano 06



Ulisses Germano 09



Ulisses Germano 08

Que inverte toda a razão do querer.

Ulisses Germano - Dihelson Mendonça



Ulisses Germano 07


Ulisses Germano - Por: Dihelson Mendonça


Fotografia: Dihelson Mendonça
Poesia: Ulisses Germano ( POEMAS DE ISOPOR III )

Proibida a Reprodução sem Autorização dos Autores

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


Dr. Humberto Macário e Edilma
Sem palavras ...

AMADO NERVO - Por Armando Rafael

Amado Nervo (pseudônimo de Juan Crisóstomo Ruiz de Nervo) nasceu em Tepic, Nayarit (México) em 27 de agosto de 1870 e faleceu em Montividéu (Uruguai) em 24 de maio de 1919. Além de grande poeta, ele foi também educador, jornalista e Embaixador do México na Argentina e no Uruguai.

Dele, a poesia que mais me encante é “Em Paz”.
Apresento abaixo uma tradução livre de “Em Paz” feita por mim, mas que pode ser melhorada. A ver:

Bem perto do meu ocaso, eu te bendido ó vida
Porque nunca me deste esperança falida,
Nem trabalhos injustos, nem penas imerecidas.

Porque vejo que ao final do meu áspero caminho
Que fui o arquiteto do meu próprio destino:
Quando tirei o mel e o fel das coisas
Foi porque nelas pus fel ou mel.
Quando plantei roseiras, colhi sempre rosas.

É verdade: a minha altivez vai se seguir o inverno,
Mas tu nunca disseste que o maio era eterno!

Achei, sem dúvida, longas as noites de minhas penas.
Mas tu não me prometeste somente noites tranquilas
E em troca tive algumas plenamente serenas.

Amei, fui amado, o sol acaricicou meu rosto.
Vida, nada me deves! Vida estamos em paz!


Enviado por Armando Rafael - por e-mail

Eu vi a ExpoCrato nascer! – por Napoleão Tavares Neves (*)




Era 1944, já distante! Fazia eu o 2º ginasial no conceituado e histórico Ginásio do Crato. Certo dia, estando no patamar da Matriz de Nossa Senhora da Penha, vi passar um carro Ford preto na direção ao Pimenta.
Naquele tempo, carro era fruta rara no Crato e a simples presença de um já era sinal de fato inusitado. Assim, de relance, notei que o passageiro da frente do carro era o interventor do Ceará, Francisco de Menezes Pimentel, e os ocupantes do banco traseiro eram o prefeito municipal, Dr. Wilson Gonçalves e o professor Pedro Felício Cavalcanti.

Nisto passou o Zezinho de Abdon dizendo: “Vão inaugurar a Exposição de gado do Crato” (hoje conhecida por ExpoCrato). Com alguns colegas do Ginásio subi a pés para o Pimenta e ali vi a 1ª Exposição de Gado do Crato. Fiquei maravilhado com o que vi: muito gado zebu bonito, sobretudo os dos grandes criadores: Coronel Filemon Teles, Dr. Fernandes Teles, Professor Pedro Felício e Dr. Wilson Gonçalves.
O local da 1º Feira de Gado do Crato era mais ou menos onde hoje fica a Rádio Educadora do Cariri. Naquela amostra não se via mulheres bonitas como nas exposições de hoje, mas somente gado e vaqueiros arranchados em barracas de palha. Também não havia serviço de som. O Crato era uma cidadezinha de dez mil habitantes. A atual Praça da Sé era apenas o Largo da Sé, atapetado de capim de burro somente.
Portanto, ali era a hoje pujante ExpoCrato que dormitava no seu berço no deserto sítio Pimenta, uma lonjura do centro do Crato! Pois bem, o menino daquele tempo já é quase o oitentão de hoje!
Tudo cresceu, tudo mudou, mas me ficou na lembrança tudo o que vi naquele já saudoso dia. Portanto, repito, eu vi a ExpoCrato nascer, inicialmente apenas como Exposição de Gado Crato e há 49 anos realmente como a pujante ExpoCrato de hoje...

(*) Napoleão Tavares Neves é médico, escritor, historiador, memorialista e cronista. Reside em Barbalha (CE)

A POESIA DE AMADO NERVO - (UM POETA DE LÍNGUA ESPANHOLA)



Homem-poeta, Amado Nervo foi um apaixonado pela vida, e de tanto amá-la aprendeu a despedir-se  dela. Morrer era apenas um passo para unir-se ao infinito.

 Esse foi Amado Nervo, o depositário de versos que nos acompanham agora e que se convertem em poemas atemporais... São o grito de um homem, de um poeta que soltou seu eco pela eternidade. .



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Si nadie sabe ni por qué reímos

Ni por qué lloramos;

Si nadie sabe ni por qué vinimos

Ni por qué nos vamos;

Si en un mar de tinieblas nos movemos,

Si todo es noche en rededor y arcano,

¡a lo menos amemos!

¡Quizás no sea en vano!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sabença de caboclo - Emerson Monteiro

Talvez por pretender contrariar o princípio de que cavalo ruim se vende longe, Chico Ivo tratou de camuflar muito bem a deficiência do animal com a instala-ção mais do que perfeita de outro belo rabo no baita cavalo luzidio, untado com esmero numa mistura gosmenta de breu e cola de marceneiro, disfarce primoro-so da alisada vassoura de longos fios selecionados.
Junto ao toco, implantara a nova cauda, recolhida de outros bichos no decorrer de longos meses, cabelo a cabelo, que, de firme, mostrava-se suficiente para confundir os maiores especialistas, como deixará provado. Concedia, inclusive, ao equino ginga do tanto de esboçar ligeiras e saudosas abanadas, qual nos ve-lhos tempos de inteiro.
Bom, foi assim que resolveram desafiar o furdunço da feira de Lavras da Man-gabeira, buscando o pátio dos bichos, onde não teve mesmo quem viesse de no-tar a gauribagem. Tudo limpo no céu do meio-dia.
Interessados não custaram a aparecer com suas pretendências e propostas. E-xaminavam o cardão de cima a baixo, coleando a pelagem, friccionando o lom-bo, sempre cuidando de olhar dentes, cascos, orelhas, na mania dos espertos. Porém foram, de verdade, os ciganos que primeiro se fixaram na intenção explí-cita da compra, seguindo logo, logo, saber do preço.
Conversa vai, conversa vem; regateia daqui, regateia dali; negócio realizado. Ca-bresto na mão, dinheiro no bolso, e, satisfeitos, certos de uma boa transação, restava aos negociantes pegarem estrada e buscarem o destino da tropa nas es-tradas poeirentas do sertão.
...

Passadas se foram algumas luas, ritmo obediente das coisas naturais. A tranquila cidade mudou quase nada em meio à falta de acontecimentos marcantes.
Lá noutro dia, noutra feira de grande movimento, gente muita, muita animação comercial, difícil até de se achar quem se procura entre as tantas caras, eis com quem Chico Ivo se defronta, de imediato reconhecido... Com os mesmos ciga-nos que lhe haviam adquirido o cavalo. Vinham de longe acenando, para garan-tir o encontro casual inevitável:
- Ganjão, ganjão! Aguarde um pouco que seja.
- Não quero nem saber, - reagiu enfático o antigo proprietário do animal. - Ne-gócio feito ninguém desfaz. Fechado está, assim restará.
E quão admirado ficou da resposta que lhe veio do cigano à frente dos demais:
- Se despreocupe, ganjão. Nosso objetivo é outro. O que passou tá pra trás. Vi-emos aqui foi lhe fazer uma outra proposta, de que o senhor aceite, a partir de hoje, seguir com a gente e chefiar nosso bando.

Harmonia da Tarde - Dihelson Mendonça


"Num passeio por um belo jardim, vi coisas maravilhosas"


Voici venir les temps où vibrant sur sa tige,
Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir;
Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir,
Valse mélancolique et langoureux vertige.


borboleta 08



borboleta 07



borboleta 06

Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir,
Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige,
Valse mélancolique et langoureux vertige,
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;


borboleta 05



borboleta 04



borboleta 03

Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige,
Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir!
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;
Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige...

borboleta 02

Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir,
Du passé lumineux recueille tout vestige.
Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige, -
Ton souvenir en moi luit comme un ostensoir.


borboleta 01


( tradução )

Chegado é o tempo em que, vibrando o caule virgem,
Cada flor se evapora igual a um incensório;
Sons e perfumes pulsam no ar quase incorpóreo;
Melancólica valsa e lânguida vertigem!

Cada flor se evapora igual a um incensório;
Fremem violinos como fibras que se afligem;
Melancólica valsa lânguida vertigem!
É triste e belo o céu como um grande oratório.

Freme violinos como fibras que se afligem,
Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório!
É triste e belo o céu como um grande oratório;
O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem.

Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório
Recolhem do passado as ilusões que o fingem!
O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem...
Fulge a tua lembrança em mim qual ostensório!

Fotos: Dihelson Mendonça
Poema: Charles Baudelaire - Harmonie du Soir

Estação Jovem - São Caetano do Sul SP





O Estação Jovem é o Centro de Referência da Juventude de São Caetano do Sul, um equipamento público, organizado pela Coordenadoria Municipal de Juventude, dedicado especialmente aos jovens da cidade, e idealizado como um espaço que se pudesse oferecer cultura, lazer, entretenimento e informação da melhor qualidade a este público.

O ESPAÇO
O espaço possui uma completa estrutura para melhor atender o jovem, contando com pista de skate, quadra poliesportiva, midiateca (composta por um amplo acervo de HQ´s, livros de cultura pop, cd’s, dvd’s, revistas e computadores com acesso gratuito a internet), estúdio para ensaio de bandas, salas de dança, cursos e oficinas, auditório com estrutura audiovisual e um grande espaço aberto para shows.

Fonte: Estação jovem