Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 5 de julho de 2011

Programa Cariri Encantado Sonoridades – 06/07/2011

J. Flávio Vieira: Mistério e Encantamento na Literatura Infantil Regional

O conhecido escritor, que também é renomado médico, J. Flávio Vieira, ou simplesmente Zé Flávio, é um velho guerreiro da contemporânea Tribo Kariri. E como membro antigo desta neo-tribo, José Flávio é uma espécie de xamã, pois faz o papel de repositório do saber, da tradição e da memória locais. Desta forma, Zé Flávio vem, de longo tempo, escrevinhando uma profícua e interessante obra relacionada com estas temáticas culturais.

Ele iniciou-se na carreira de escriba no jornal “Vanguarda”, já nos anos de 1960; passando pelos jornais “A Ação” e Folha de Piqui e pelas revistas “A Província” e “Itaytera”, todos do Crato, até se firmar como um assíduo colaborador da Rádio Educadora do Cariri, para onde escreve, aos sábados, desde 1997.

Sua biografia relacionada à produção cultural e artística é extensa, com destaque para sua participação nos festivais regionais da canção do Cariri, na década de 1970, como autor de poemas musicados, e pela sua incursão na dramaturgia, como autor da peça “A terrível peleja de Zé Matos com o bicho babau nas ruas do Crato”. Além do mais, Zé Flávio lançou o elogiado livro de crônicas “Matosinho vai à guerra”.

Agora, Zé Flávio “aprontou” mais uma (numa boa). Contemplado com o Prêmio Rachel de Queiroz de Literatura Infantil, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, Zé Flávio produziu e publicou um arrojado projeto lítero-musical que vai ser lançado amanhã, quinta-feira, às 19 horas, no Teatro Municipal Salviano Saraiva Arraes. Trata-se do livro infantil “O mistério das treze portas no castelo encantado da ponte fantástica” que vem acompanhado de dois Cds: um disco contendo a versão musical do livro, trazendo poemas de Zé Flávio musicados por compositores da região; e outro, um áudio livro, com a narração interpretada da estória.

O programa Cariri Encantado Sonoridades desta quarta, 6 de julho de 2011, antecipará para os ouvintes uma seleção das músicas que integram o projeto musical do livro, com destaque para a participação de compositores, músicos e intérpretes da região do Cariri, a exemplo de Abidoral Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel, Lifanco, Leninha Linard, Pachelly Jamacaru, João do Crato, Ibbertson Nobre, Ermano Moraes, Maestro Bonifácio Salvador, João Neto, Fatinha Gomes, Luis Fidélis, Zé Nilton Figueiredo, André Saraiva, Amélia Coelho, João Nicodemos, Elisa Moura, Ulisses Germano e mais alguns.

Onde ouvir
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com

Humor...leve

O “OVIGOPÓLIO” (De: Luis Fernando Veríssimo)

O ladrão(L) foi flagrado roubando galinhas do vizinho e o levaram para a delegacia, onde se deu o seguinte papo com o Delegado(D):
D- Que vida mansa, hein, vagabundo sem vergonha? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai ficar um bom tempo enjaulado, seu escroque!
L- Não era pra mim não, doutor. Era pra vender.
D- Pior, muito pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha, fdp !
L- Mas eu vendia mais caro.
D- Mais caro, como ?
L– É que eu espalhei o boato que as galinhas do vizinho eram bichadas e as minhas galinhas, não. E que as do galinheiro dele botavam ovos brancos, enquanto as minhas botavam ovos marrons.
D- Mas eram as mesmas galinhas, seu marginal ordinário.
L- É que os ovos das minhas eu pintava.
D- Que grandessíssimo pilantra. Ainda bem que te capturamos. Já pensou se o dono do galinheiro te pega ???
L- Já me pegou, já me pegou, doutor. Fiz um acerto com ele. Comprometi-me a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um “ovigopólio”.....
D- E o que você faz com o lucro do seu negócio, mestre ? (olha só a mudança no tratamento).
L- Bem, doutor, eu especulo com dólar, euro e libra. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas e também comprei alguns deputados e uns oito ministros do Supremo Tribunal Federal. Com isso, consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação escolar do governo e, claro, superfaturo os preços.
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Nisso, deu-se a guinada definitiva: intrigado, o delegado mandou pedir um cafezinho para o preso, perguntou-lhe se estava bom de açúcar, se a cadeira em que ele estava sentado tava confortável, se ele não queria uma almofada e tal, e depois indagou:
D- “Doutor” (olha a reversão na mudança de tratamento), não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
L- Trilionário, doutor, trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
D- E com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
L- Às vezes. Sabe como é...
D- Não sei não, excelência. Por favor, se não for incômodo, explique-me.
L- É que em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, doutor, daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. E só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão de verdade, atuante; e isso é excitante, indescritível. Mas, como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia, ver o sol nascer quadrado. Vai ser uma experiência nova.
D- O que é isso, excelência? Que conversa sinistra é essa ??? O doutor não vai ser preso, não. Só se for por cima do meu cadáver.
L- Mas eu fui pego em flagrante, pulando a cerca do galinheiro!
D- Sim, sim, tudo bem. Mas o “Doutor” é primário. E com esses antecedentes, então...
Aceita um cigarrinho, uma cervejinha gelada, um wyskie ???

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CLASSIFICADOS DOS “CASADOS”

01) Um homem anunciou nos classificados; Procura-se esposa.
Dia seguinte recebeu centenas de cartas, num mesmo teor: Pode ficar com a minha.
02) Filho: Pai, quanto custa para casar??? Pai: Não sei, filho, ainda estou pagando.
03) Filho: Pai, é verdade que na Arábia o homem não conhece sua esposa antes de casar? Pai: Aqui também é assim filho.
04) Marido: Se não fosse pelo meu dinheiro, essa casa não estaria aqui. Esposa: Querido, se não fosse pelo seu dinheiro, EU não estaria aqui.
05) Judite: Fui eu que fiz o meu marido milionário. Clarice: E o que seu marido era antes ? Judite: Bilionário.
06) Alberto: Eu tinha tudo – dinheiro, casa bonita, carro esporte, o amor de uma linda mulher e, então...tudo acabou. Joaquim: O que aconteceu ? Alberto: Minha mulher descobriu.
07) Sérgio entra em casa correndo e grita: Marta arrume suas coisas. Acabei de ganhar na loteria. Marta: Você acha melhor que eu leve roupas para frio ou calor ? Sérgio: Leve tudo, você vai embora.
08) Pense bem: se não fosse pelo casamento os homens viveriam pensando que nunca erram. Pessoalmente, acho que uma das melhores coisas do casamento é que, como pai e marido, posso dizer o quer quiser lá em casa. Ninguém liga mesmo...
09) Um homem disse que o seu cartão de crédito havia sido roubado, mas que ele havia decidido não avisar à polícia; é que o ladrão gastava menos que a mulher.
10) Valter: Minha mulher é um anjo. Gonzaga: Você tem sorte; a minha ainda está viva.
11) Qual a semelhança entre a Av. Paulista e o casamento ? É que ambos começam no Paraíso e terminam na Consolação.
12) Dois tipos de pessoas felizes: homens solteiros e mulheres... casadas.
13) Semelhança entre um casamento e um submarino: ambos bóiam, bóiam, mas foram feitos mesmo pra afundar.
14) Casamento: o dobro da despesa com a metade da diversão.

Lua e Vênus, a conjunção cósmica do AMOR – Por Heládio Teles Duarte

Foto: Heládio Teles Duarte

SERRA VERDE - MISSA DE DOMINGO.

Local: Serra Verde.

Nada é mais como nos tempos áureos. O movimento cessou, o turbilhão movido a trabalho entrou em colapso, mas nossa alma se enche ainda de emoções e de alegria quando nos reunimos nessa terrinha abençoada. Parece até que conseguimos captar aqui e ali as palavras de Hubert e Janine Bloc Boris - nossos pais - fazendo delas um eco e com elas nos (re)vestindo de uma energia forte e transbordante. Tony Bloc falou uma coisa séria e que nos faz refletir: "Depois que esta nossa geração Bloc-Boris se for, a Serra Verde se perderá." Nossos descendentes não mais se ligam à terra, não têm amor àquilo ali. Então, vai ficar sem jeito. 

E hoje a Serra Verde continua lá sofrendo o abandono e as ranhuras do tempo. Mas somos conscientes de que no momento em que pisamos lá, é lá que queremos estar para absorver a sinfonia serena do nosso passado e para entender as dificuldades que nos vêm com a chegada destes dias de hoje.

A cada vez que atravessamos o portal da Fazenda, voltamos um pouco a ser crianças, e nos pomos a recordar os bons momentos que lá vivemos e a fazer da saudade apenas um alento.

Domingo foi dia de missa. A capela da Serra Verde foi doada à diocese de Caririaçu há algum tempo para que fosse cuidada e não caísse no abandono total. Tony cobrou a atenção a esse acordo tácito: a celebração da missa. A capela idealizada por Hubert Bloc - inclusive as imagens desenhadas e projetadas por ele - foi devidamente cuidada e os maribondos que povoavam o seu interior foram enxotados devidamente.
.
Para assistir à missa, vieram pessoas do Sítio Jardim (da família Botelho), de Caririaçu e da própria Serra Verde. Tony veio com Dominique de Sobral, Francois, Regina e eu (Claude Bloc) fomos de Crato.

Atenções à palavra de Cristo. Reflexão e paz de espírito.

Flagrante. Contrição. Sorriso contido.
Momento íntimo de encontro com Deus. Lembrança presente dos ausentes.

Unidos num só pensamento. Serra Verde acolhe a todos.


Claude Bloc

O conflito das duas naturezas - Emerson Monteiro

Vezes outras e imaginava o que aconteceria no íntimo dos que escolhem trilhar a vida religiosa. Deixar de lado o glamour desse filão do corpo e da carne, e entrar nos universos do imponderável absoluto. Largar as paixões, as imprevisões saborosas dos sentidos, os devaneios da satisfação imediata, e mergulhar, sem retorno, sob o manto desconhecido das aspirações profundas, inescrutáveis, do mistério divino.

Poucos dias atrás, numa folhinha de calendário li citação do jornalista e político Artur da Távola de que opção não é escolha, é renúncia. Dada tal veracidade, repito a frase, pois noto quanta renúncia existirá nas opções que se fazem no decorrer das jornadas deste chão. Ninguém trocará de lugar que não tenha de largar o sonho dos lugares antigos, pois optar implica abandonar as outras possibilidades deixadas para trás.

Ao resolver seguir o percurso da renúncia, há méritos. A prática do casamento, por exemplo, define bem tais avaliações. Ali nubentes fecham as portas das histórias individuais do que poderiam ser e abrem as portas do que acontecerá, viagem só de ida, conquanto zerem o passado a fim de começar outro presente.

Nisso, as duas naturezas, de voltar os olhos para as virtudes, que significará desistir das ilusões e dos vícios, e decidir andar certo; adeus às torturas. Eis o motivo da afirmação bíblica que ninguém servirá a dois senhores.

A alegria da carne cumpre apetites físicos fugazes, charmes da juventude, nas altas voltagens dos fliperamas das festas. Ao passo que a alegria do religioso traz o pouso das luzes suaves nas afastadas capelas, longe do burburinho de multidões infebrecidas.

Parte-se do princípio de que a virtude cruzará portas estreitas, ao tempo em que largas são as portas da perdição... Perdição face ao panorama espiritual fervoroso do outro aspecto. Duas alegrias distintas, o preço da vida física e suas emoções fantasiosas e velozes, e o custo sacrificante da imaterialidade, nos propósitos ideais da perfeição, desistência de tudo o que alimentava as saudades vencidas, escolha em si dos termos físicos rejeitados. Assunto semelhante a depositar tesouro onde a traça e a ferrugem não possam destruir, das orientações de Jesus.

A fronteira destas duas alegrias estabelece de modo particular as leis dos dois países vizinhos no campo das batalhas individuais. Padrões diferentes de práticas exigem, pois, autenticidade nos momento da grave decisão de seguir. E após o passo definitivo, a sorte resta lançada. Ainda lembro, para concluir, destas palavras: O castigo do vício é o próprio vício; o mérito da virtude é a própria virtude. Adeus às ilusões, em nome da Luz superior.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pôr-do-sol




O sangue e o leite alimentam a noite.
Bois e vacas mugem no alto do monte.
Eu contemplo a primeira estrela.
Tenho uma vela
na mão
e a face iluminada.
O meu coração bate devagar.
Uma mulher abre a janela
e grita o nome do marido.
Por mais claro que tenha sido o grito
só se ouve o eco: “ido, ido, ido”.
Depois, o silêncio.
Poderia se ouvir a queda de um lágrima.
Por que estou tão aflito?
O que me angustia?
As luzes da terra bebem as luzes do céu.
O mundo está em paz,
as coisas bocejam com sono.
O dia se põe como um cão.



Qual o melhor caminho? - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

As histórias de contos de fada que ouvimos de nossos pais e professores na nossa infância foram de grande importância para a nossa formação. Os contos de fadas além de despertarem a criatividade e a imaginação, transmitem os valores morais, além de incentivar o hábito da leitura. A convivência da criança com fadas e bruxas, com a bondade e a maldade e recebendo mensagens que lhes dão toda a esperança de que o bem sempre triunfa sobre o mal. Quando éramos crianças não percebíamos o verdadeiro sentido dessas histórias. Entendíamos como diversão, passa tempo ou brincadeira. Depois de adultos, é que descobrimos qual o verdadeiro objetivo dessas interessantes histórias. Através delas compreendemos que no mundo existe a bondade e a maldade.

Quando ouvíamos aquelas histórias, absorvíamos a verdadeira mensagem que os contos de fadas nos passavam. Esses contos ajudam a formar pessoas com valores morais e a transmitir para cada criança que ler ou escuta, a existência do bem e do mal. O melhor é escolher o caminho da bondade e, combater a maldade.

É triste saber que o mundo está cheio de pessoas que preferem trilhar pelo caminho da maldade e se afastam de Deus para fazer o mal aos outros e ao mundo. O egoísmo humano e a ambição distanciam o ser humano de Deus e o leva a praticar todo tipo de maldade contra o seu próximo: calúnias, fofocas, discriminação, preconceito e as maiores injustiças com quem não merece.

Quem deixa o coração disponível à Graça de Deus, esse sim, escolherá o caminho da bondade. Abrindo a Bíblia no Livro do Eclesiástico (27,25-27) encontraremos a seguinte mensagem “Jogue uma pedra para o alto, e ela cairá em sua própria cabeça; dê um golpe por traição, e você receberá o golpe de volta. Quem cava um buraco, nele cairá; quem prepara uma armadilha ficará preso nela. O mal se volta contra quem o pratica, e sem que a pessoa saiba de onde ele vem.” Através desse precioso ensinamento poderemos concluir que Deus nos julga de acordo com os nossos atos na vida e na história. E que a justiça é a presença do próprio Deus entre nós. Nesse caso é muito melhor seguir o caminho da bondade e nos aproximarmos de Deus. Promover a paz, a harmonia e o bem entre as pessoas, nos dará a certeza que encontraremos a felicidade.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A República proclamada por acaso -- Por Carlos Chagas (*)




O saudoso e incomparável Hélio Silva, dos maiores historiadores brasileiros, titulou um de seus múltiplos livros de "A República não viu o amanhecer". Contou em detalhes, fruto de muita pesquisa, que a República foi proclamada por acaso. As lições daquele episódio não devem ser esquecidas. Vale lembrá-las com outras palavras e um pouquinho de adendos que a gente colhe com o passar do tempo, junto a outros historiadores e, em especial, pela leitura dos jornais da época.

Desde junho que o primeiro-ministro do Império era o Visconde de Ouro Preto. Vetusto, turrão, exprimia os estertores do chamado "poder civil" da época, muito mais poder do que civil, porque concentrado nas mãos da nobreza e dos barões do café, com limitadíssimas relações com o cidadão comum. O Brasil havia saído da Guerra do Paraguai com cicatrizes profundas, a começar pela dívida com a Inglaterra, mas com novos personagens no palco. O principal era o Exército, composto em maioria por cidadãos da classe média, com ênfase para os menos favorecidos. Escravos aos montes também haviam sido libertados para lutar nos pântanos e charcos paraguaios. Nobres lutaram, como Caxias e Osório, mas a maioria era composta daquilo que se formava como o brasileiro médio.

Ouro Preto, como a maior parte da nobreza, ressentia-se daqueles patrícios fardados que começavam a opinar e a participar da vida política. Haviam sido peça fundamental na abolição da escravatura, em 1888. Assim, com o Imperador já pouco interessado no futuro, o governo imperial tratou de limitar os militares. Foram proibidos de manifestações políticas, humilhados e punidos, como Sena Madureira e tantos outros.

Havia, nos quartéis e em certos círculos políticos, um anseio por mudanças. Até o Partido Republicano tinha sido criado no Rio e depois em São Paulo, mas seus integrantes estavam unidos por um denominador comum: República, só depois que o "velho" morresse, pois era queridíssimo pela população. E quem passaria a mandar no Brasil seria um estrangeiro, o Conde d'Eu, francês, marido da sucessora, a princesa Isabel.

Cogitava, aquele poder civil elitista, de dissolver o Exército, restabelecendo o primado da Guarda Nacional, onde os coronéis e altos oficiais careciam de formação militar. Eram fazendeiros, em maioria. Os boatos ganhavam a rua do Ouvidor, no Rio, onde localizavam-se as redações de jornal.

Na tarde de 14 de novembro movimentam-se um regimento e dois batalhões sediados em São Cristóvão. Com canhões e alguma metralha, ocupam o Campo de Santana, defronte ao prédio onde se localizava o ministério da Guerra, na região da hoje Central do Brasil. Declararam-se rebelados e exigiam a substituição do primeiro-ministro, que lá se encontrava com seus companheiros. Comandados por majores, estava criado o impasse: não tinham como invadir o prédio, por falta de um chefe de prestígio, mas não podiam ser expulsos, já que as tropas imperiais postadas nos fundos do ministério não se dispunham a atacá-los. O Secretário-Geral do ministério da Guerra era o marechal Floriano Peixoto, que quando exortado por Ouro Preto a investir à baioneta contra os revoltosos, pois no Paraguai haviam praticado feitos muito mais heróicos, saiu-se com frase que ficou para a História: "Mas no Paraguai, senhor primeiro-ministro, lutávamos contra paraguaios..."

Madrugada do dia 15 e os majores, acampados com a tropa revoltada, lembram-se de que ali perto, numa casinha modesta, morava o marechal Deodoro da Fonseca, há meses perseguido pelo governo imperial, sem comissão e doente. Dias atrás o próprio Deodoro recebera um grupo de republicanos, com Benjamim Constant, Aristides Lobo e outros, aos quais repetira que não contassem com ele para derrubar o Imperador, seu amigo.

Acordado, Deodoro ouve que dali a poucas horas Ouro Preto assinaria decreto dissolvendo o Exército. Não era verdade, mas irrita-se, veste a farda e dispõe-se a liderar a tropa. Não consegue montar a cavalo, tão fraco estava. Entra numa carruagem e acaba no pátio fronteiriço ao ministério da Guerra. Lá, monta um cavalo baio e invade o prédio, com os soldados ao lado, todos gritando "Viva Deodoro! Viva Deodoro!" Saudando-os com o agitar o boné na mão direita, grita "Viva o Imperador! Viva o Imperador!". Apeia e sobe as escadarias, para considerar Ouro Preto deposto. Repete diversas vezes : "Nós que nos sacrificamos nos pântanos do Paraguai rejeitamos a dissolução do Exército." Estava com febre de 40 graus. O Visconde, corajoso e cruel, retruca que "maior sacrifício estava fazendo ele ouvindo as baboseiras de Vossa Excelência!" Foi o limite para Deodoro dizer que estava todo mundo preso.

O marechal já ia voltando, o sol ainda não tinha nascido e os republicanos, a seu lado, insistem para que aproveite a oportunidade e determine o fim do Império. Ele reluta. Benjamin Constant lembra que se a República fosse proclamada naquela hora, seria governada por um ditador. E o ditador seria ele, Deodoro. Conta a lenda que os olhos do velho militar se arregalaram, a febre passou e ele desceu ao andar térreo, onde montou outra vez o cavalo baio. A tropa recrudesceu com o "Viva Deodoro! Viva Deodoro!" e ele agradeceu com os gritos de "Viva a República! Viva a República!"

Não havia populares nas proximidades, muito menos operários. Aristides Lobo escreverá depois em suas memórias que "o povo assistiu bestificado a proclamação da República."
Preso no Paço da Quinta da Boa Vista, com a família, o Imperador teve 48 horas para deixar o Brasil. Deodoro quis votar uma dotação orçamentária para que subsistissem no exílio. D. Pedro II recusou, levando apenas pertences pessoais. A República estava proclamada.
A História do Brasil é feita de episódios como esse...
(*) Carlos Chagas é jornalista

domingo, 3 de julho de 2011

A terapia do sentido - Emerson Monteiro

Viver precisa de sentido, caso contrário a jornada terrena exigirá bem maior disposição e esforços, transformada quase numa desistência permanente. A esta conclusão chegou, como matéria científica, o psiquiatra austríaco Viktor E. Frankl, judeu que fora prisioneiro em três dos tantos campos de concentração nazistas durante a Segunda Grande Guerra.

Esse sentido para viver alimenta o ânimo qual nutriente de extrema necessidade. Isso que deverá vir das aspirações inúmeras. Do gosto de aguardar alguém que se ama. Adorar a Deus com os vigores da alma. Empregar a esperança na realização dos sonhos vários. A viabilização de projetos pessoais. Uma obra social. Concretização das ideias vitalizadoras do desejo de seguir em frente, ainda que perante vultosos desafios. Reencontrar entes queridos. Rever amores inesquecíveis. Criar condições de sentir a presença dessa potencialidade, mesmo enquanto permanecer sob pressões, insalubridades e limitações.

Dr. Frankl experimentou de perto tais restrições de sobrevivência, ele e os outros companheiros de campos, nas atrocidades nazistas. Em seu papel de observador perspicaz, analisava sistematicamente o comportamento manifesto dos milhares de prisioneiros, configurando a tese do sentido qual motivo justo de continuar a vida. Eram temperaturas abaixo de zero, péssimos agasalhos, fome, maus tratos, estados psicológicos deprimentes, expostos às surpresas da patologia gratuita da guerra; e resistiam desde que houvesse uma razão para isto em cada qualquer deles.

Quando alguém sabia das notícias da morte dos familiares que aguardava de novo encontrar, logo perdia as forças. O cientista notava que aquele se entregava ao desânimo. Desistia de sair para trabalhar. Permanecia estirado no alojamento em que dormia. E dentro de pouco tempo sucumbia às misérias das circunstâncias que até ali suportara.

Perante os quadros que estudou, Viktor Frankl reuniu elementos suficientes de avaliação do contexto radical extremo para a existência humana sadia, os quais lhe forneceram meios de criar a Terapia do Sentido, ou Logoterapia, conforme denominou. Logos, termo grego que significa razão, sentido.

O fruto dessas vivências de um psiquiatra em um campo de concentração durante a Segunda Guerra hoje possui ampla divulgação em muitos países do mundo, e forma escola de importante valor no tratamento das dificuldades mentais de grandes contingentes que a ele recorrem.

Há um livro de sua autoria, editado no Brasil com o título de Em busca de sentido, publicação da Editora Vozes, ora na 20ª. Edição, que permite conhecer mais de perto informações a respeito desse importante instrumento de ampla utilidade a quem pretende aprofundar o assunto.

Ainda existem políticos honestos no Brasil – por Armando Lopes Rafael




Dias atrás o escritor e cronista Emerson Monteiro publicou um artigo com o título: “Ainda existem juízes em Berlim”. Pois hoje, fazendo uma analogia ao escrito de Emerson, eu escrevo: Ainda existem políticos honestos no Brasil.
O ex-presidente da República, senador Itamar Franco, era um deles...

E tal era a irradiação da sua honestidade pessoal, que sua família recusou a oferta do Palácio do Planalto de disponibilizar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para trasladar o corpo do ex-presidente da capital paulista, onde morreu, até a cidade de Juiz de Fora, onde está sendo velado. Neste domingo, o corpo de Itamar Franco foi transportado em voo comercial, com as despesas desse transporte pagas por sua família, que também recusou o velório no Palácio do Planalto, em Brasília.

Itamar Franco foi Presidente da República por apenas dois anos, em face do impeachment de Collor de Melo. Mesmo assim deixou duas marcas profundas quando de sua curta passagem como titular do Palácio do Planalto. Primeiro, foi sua coragem de implantar – em 1994 – o Plano Real, o qual acabou com inflação brasileira, que vinha se arrastando desde a Proclamação da República, esta feita através do golpe militar de 15 de novembro de 1889. Segundo, foi o fato de não só no exercício da Presidência da República, mas em todos os cargos que exerceu ao longo de sua vida pública, nunca se envolveu em roubalheiras nem foi acusado de corrupção.

Foi isto que levou a Associação Mineira de Imprensa a inserir na sua nota de pesar pelo falecimento do ex-presidente, a seguinte frase: “Itamar Franco foi um homem público possuidor de uma trajetória honrada, pautada na ética e honestidade, com relevantes serviços prestados ao Brasil, onde destacamos a sua idealização do Plano Real, importante legado para o país. O Brasil e Minas Gerais sentirão a sua falta, mas sempre vamos tê-lo na lembrança como exemplo de homem público ideal”.

Como presidente, Itamar Franco criou o Programa de Combate à Fome, que foi entregue ao sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e ao bispo dom Mauro Morelli. E fez isso sem demagogia e sem utilizar a medida como troco de moeda eleitoral, como fizeram outros que o sucederam na Presidência da República.
O falecido ex-presidente era, enfim, um homem sério, simples e honesto. Um paradigma nesses tempos tristes e caóticos, assinalados por denúncias diárias de roubalheiras, falta de espírito público e deslavada corrupção.
Descanse em paz, honrado e digno senador Itamar Franco!
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

A "mulher" manda - José Nilton Mariano Saraiva

Pelos dados abaixo (do censo de 2010), observa-se que a MULHER ta com tudo: nos 27 estados da federação, ela já é maioria em 19 (os homens só mandam lá pras bandas da Região Norte do país). Totalizando, no Brasil tem hoje 3.951.630 mulheres a mais que homens (no Crato, especificamente - atenção marmanjos - temos 63.830 mulheres e 57.632 homens - ou 6.198 mulheres “sobrando”).

Acre: (H) 367.864 (50,20%) – (M) 364.929 (49,80%)
Alagoas: (H) 1.511.947 ( 48,45%) – (M) 1.608.975 (51,55%)
Amazonas: (H) 1.751.328 (50,31%) – (M) 1.729.609 (49,69%)
Amapá: (H) 334.674 (50,05%) – (M) 334.015 (49,95%)
Bahia: (H) 6.880.368 (49,07%) – (M) 7.141.064 (50,93%)
Ceará: (H) 4.118.066 (48,75%) – (M) 4.329.989 (51,25%)
Distrito Federal: (H) 1.225.237 (47,81%) – (M) 1.337.726 (52,19%)
Espírito Santo: (H) 1.729.670 (49,24%) – (M) 1.783.002 (50,76%)
Goiás: (H) 2.981.542 (49,66%) – (M) 3.022.503 (50,34%)
Maranhão: (H) 3.258.860 (49,60%) – (M) 3.310.823 (50,40%)
Minas Gerais: (H) 9.640.695 (49,20%) – (M) 9.954.614 (50,80%)
Mato Grosso Sul: (H) 1.220.175 (49,82%) – (M) 1.229.166 (50,18%)
Mato Grosso: (H) 1.548.894 (51,05%) – (M) 1.485.097 (48,95%)
Para: (H) 3.825.245 (50,41%) – (M) 3.762.833 (49,59%)
Paraíba: (H) 1.824.495 (48,44%) – (M) 1.942.339 (51,56%)
Pernambuco: (H) 4.229.897 (48,09%) – (M) 4.566.135 (51,91%)
Piauí: (H) 1.528.796 (49,02%) – (M) 1.590.219 (50,98%)
Paraná: (H) 5.128.503 (49,13%) – (M) 5.311.098 (50,87%)
Rio: (H) 7.626.920 (47,69%) – (M) 8.366.663 (52,31%)
R.G.Norte: (H) 1.548.731 (48,88%) – (M) 1.619.402 (51,12%)
Roraima: (H) 793.224 (50,83%) – (M) 767.277 (49,17%)
Rondônia: (H) 229.343 (50,83%) – (M) 221.884 (49,17%)
R.G.Sul: (H) 5.205.705 (48,67%) – (M) 5.489.827 (51,33%)
Santa Catarina: (H) 3.101.087 (49,62%) – (M) 3.148.595 (50,38%)
Sergipe: (H) 1.005.049 (48,60%) – (M) 1.062.982 (51,40%)
São Paulo: (H) 20.071.766 (48,66%) – (M) 21.180.394 (51,34%)
Tocantins: 702.451 (50,78%) – (M) 681.002 (49,22%).

TOTALIZANDO NO PAÍS:
Mulheres (M): 97.342.162 (51,0%)
Homens (H): 93.390.532 (49,0%).
Prezado Leitor,

Não deveria, como de praxe, parabenizá-los pela ausência de novos textos meus nos próximos três meses. Estarei ausente desta tela no período referido o que explica tudo e nada mais se poderia acrescentar por explicação.

Não tenho figuras de linguagem suficientemente fortes para expressar o prazer que tive nos últimos dois meses em bombardear diariamente as vossas telas nestes três blogs: Cariricult, Cariricaturas e Sonho Azul. Nem sempre manifesto em comentários o interesse no que escrevo, mas com a certeza que a proximidade que tenho de vocês, mesmo quando não lido, está na lista de presença quase diária nas postagens destes blogs.

Não pedirei desculpas por eventuais tédios, por certas prolixidades, especialmente por dizer coisas que se contrapõem ao que pensa o leitor. Se fosse apenas para resguardar incômodos ao leitor, não haveria motivo para se escrever: apenas se deixasse o papel em branco. O nada do branco não aluía nada. Zera o próprio fluxo das idéias.

Por estes meses quero dizer que tive muito prazer em conversar com algumas pessoas de modo direto, provocativo e outras que reativamente me respondera. E um terceiro grupo com um diálogo próximo dos poemas. No primeiro grupo lembro-me do Armando Rafael e do Zé Nilton Figueiredo. No segundo grupo incluiria o Darlan Reis, o Dihelson Mendonça e o próprio Armando Rafael. No terceiro grupo incluiria o Pachelly Jamacaru, o Zé Flávio, a Socorro Moreira, a Claude Bloc, a Stela Siebra e Lupin.

Na verdade a separação que fiz em grupos é muito mais uma tomada de memória, pois a rigor não existe tal compartimentação, afinal é para pessoas como estas que escolhemos o assunto e fazemos um esforço em desenvolvê-lo. Mas fique claro que estas pessoas nos instruem a falar, mas a fala mesmo é para algumas dezenas de leitores que diariamente lêem os referidos blogs e que não fazem comentários.

Agora fica a aliança no tempo a ser inventado, ali pelo final da primeira quinzena de setembro para novamente entrar na roda. O que não exclui eventuais postagens, em face de grandezas de assuntos, pelo menos para mim, que deseje expressar. Mas não nesta modalidade diária com que vinha nos últimos tempos.

Não sei se para alegria ou tristeza,

Logo estarei de volta.

José do Vale Pinheiro Feitosa

sábado, 2 de julho de 2011

Vida Simples‏ - Paulo Viana

É simples e agradável caminhar por entre as árvores, respirando um ar quase sem monóxido de carbono, ouvindo as melodias esparsas dos cânticos dos passarinhos, com o vento roçando nas folhas e trazendo a atmosfera do inverno. É bom sentir os primeiros raios do sol, sob um céu infinitamente azul e nuvens branquíssimas em contornos fugidios, adornando a nossa imaginação.

Aqui, nestas montanhas, onde a exuberância do verde resiste à avidez inesgotável dos homens de apropriar-se da natureza, há sinais inconfundíveis de vida legítima, sem os atropelos estressantes das metrópoles, sem os incompreensíveis anseios hedonistas e o desejo incomensurável de destacar-se pelo acúmulo de propriedades. Apenas a vida, simples e profundamente envolta na sabedoria do pensar em estratégias de exercer a destreza, a inteligência, a capacidade de construir, sem, no entanto, destruir as condições de existência.

Nestas terras, onde vivem plantas e aves, que tão belamente nos acompanham nessa maravilhosa experiência que é viver, sinto-me sob um encanto que, ao contrário de parecer primitivo, nos remetem à última aventura dos seres humanos que é idealizar um paraíso para edificar a sua morada.

Neste esplendoroso oásis de esperança, onde espécies ameaçadas se escondem bravamente, com receio de enfrentar a psicopatia da nossa espécie, tão paradoxalmente marcada pela engenhosidade, inteligência e acúmulo de conhecimentos, confrontados com a falta de critério e o desmando na condução do seu processo evolutivo, causando males irreversíveis à sua morada, ainda percebo o quanto é belo o mundo e a vida.

Salve a arte e a ciência que cura, porque elas evitaram que a civilização humana se transformasse em um fracasso total.

Seria bom se pudéssemos recomeçar, conscientes dos males que a revolução industrial causou, que o desmatamento generalizado provocou e as consequência da ganância pelo lucro e pelo prazer imediato. Talvez, com toda a nossa criatividade, conseguíssemos viver respeitando o mundo natural e construindo uma civilização menos irracional. Descobrindo, principalmente, que a Natureza tem as resposta para todos os problemas que ela mesma causa.

Infelizmente não é possível recomeçar, mas é possível viver de forma simples, em montanhas que ainda preservam as condições mais favoráveis para a vida. Por isso viverei até o fim dos meus dias nestas montanhas maravilhosas, convivendo com o mais prazeroso e pacífico anonimato.

CONVITE... Inauguração e Exposição...

O HOTEL ENCOSTA DA SERRA convida para a inauguração do SALÃO IRMÃOS ANICETO e EXPOSIÇÃO DE QUADROS DECORATIVOS, Artes & fotografias de: Pachelly Jamacaru. Esta brilhante iniciativa, faz parte de uma nova visão da atual administração do hotel, onde os valores culturais em seus diversos segmentos são reconhecidos e valorizados.

Data: 08 de Julho/2011
Local: HOTEL ENCOSTA DA SERRA
Av. Pedro Felício Cavalcante - Caminho do Clube Recreativo Grangeiro
Horário: 19hs


Presença dos Irmãos Aniceto

Exposição de Quadros Decorativos, Pachelly Jamacaru.

UM FUXIQUEIRO DA CORTE

Pedro Esmeraldo

Nesses últimos meses, apareceu no bloco de pessoas amigas, um cidadão de estatura mediana, gordinho, bisbilhoteiro, inconsequente, asqueroso, provocador de intrigas, causa mal-estar a sua presença no seio dos amigos.
Diz pertencer à corte dos fuxiqueiros, em sua terra natal. É um senhor qualquer, abominável, discordante e tem por finalidade provocar desordem familiar. “Possuidor de uma provocação pífia, mantém conversas destoantes a fim de vasculhar a vida alheia”.
Esse senhor horripilante causa nojo quando permanece na presença de amigos. Mantém conversações desagradáveis, pois quando deseja saber da vida de alguém é só para distorcer e humilhar seu semelhante.
Não teremos palavra alguma para favorecer esse cidadão que mete apreensão e anda às turras. Às vezes associa-se a outras pessoas da mesma estirpe com o intuito de espetar e vassourar a nossa respeitabilidade moral.
Utiliza sempre a má fé e anda bisbilhotando com palavras inócuas, contando histórias mentirosas e espantando como sempre a boa amizade.
É um ignóbil, um espantalho da natureza, traçado exclusivamente para fazer o mal.

Encontro Regional dos Bancários do Cariri acontecerá neste domingo, 3/07

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Cariri – SEEB Cariri convida todos os bancários dos bancos públicos e privados de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha para o Encontro Regional dos Bancários do Cariri que será realizado no dia 3 de julho de 2011, com início a partir das 09:00 horas, em local ainda a ser definido, com a finalidade de discutir subsídios para discussão nas conferências regionais para o emprego bancário no Brasil, como parte da pauta da Campanha Nacional dos Bancários 2011.

Participem! O sucesso da Campanha Nacional dos Bancários 2011 depende do envolvimento de todos os bancários!

Programação
08h30m: Coffee Break
09h40: Palestra sobra Conjuntura Nacional (palestrante a confirmar)
10h15m: Palestra da Dra. Sylvia Guterres (Dieese) sobre a Campanha Salarial 2011
10h55: Debate
12h30m: Encerramento com Almoço

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Gilberto Gil em Juazeiro do Norte - Emerson Monteiro

E outra vastidão de planícies oferece o tabuleiro das saudades vivas em forma de sinais acesos por dentro do peito. As portas do céu se abriram de par em par apresentando a cara dos milhões de pontos de luz que mergulharam as poças dos sabores. Frutos, flores, dores, tantos valores que as marcas do tempo fixaram quais riscos de tatuagem colorida no teto das cores, no vento que insistiu percorrer de frio morno os mesmos caminhos de si mesmo do compositor.

Houve novas alternativas de reviver e percorrera os caminhos andados, repetidos feitos de ardorosos cavaleiros dadivosos de amores e sonhos. Quantos amores extintos e nascidos outras vezes entre árvores de jardins eternos, paisagens fiel da solidão que sobrou.

Acordes e fiapos de bênçãos a percorrer o espaço azul do firmamento deram, pois, o tom das melodias. Enquanto desfilavam fantasiosos artistas de outras cenas por sobre a pele ressequida do eterno Cariri.

No palco, os músicos e seus acordes zoadeiros. O menestrel sacoleja as bases do público entregue às guitarradas que ele no passado trouxera à música popular brasileira. Gilberto Gil em Juazeiro do Norte na noite do dia final de junho de 2011 e seus retados baiões de Luiz Gonzaga, retorno aos cursos da história de quando o sertão sobrevivia só das esperanças de chuvas e poucos andavam aqui que não fosse à procura de inspiração às avessas. Poucas passagens desta fase do poeta cantor tropicalista vieram, no entanto. Ritmos, ritmos em profusão, com esmerados profissionais dos instrumentos. Isso bem no território dos romeiros, agora na fase dos melhoramento da parte do governo. O espetáculo aconteceu e agradou, porquanto a alegria envolveu todos. Festa mil das dimensões elevadas do som eletrônico de agora, força elétrica que preenche e sufoca sem deixar margem repouso ao silêncio intermediário, mania dos tempos atuais, cheio de tantas manias eletrônicas possantes.

Buscar no ele de hoje o Gil dos anos 60, tarefa quase impossível de obter sucesso. Aquele de antes, político, revolucionário, resistente, nem ele saberá dizer que mundos ou estrelas habita nos dias que chegaram no ido das suas 70 primaveras. Porém vital, coerente da própria maestria. Feliz de se saber cantado, lembrado das multidões que dançam fácil as suas composições de variação e riqueza criativa.

Mas, é isso, trazia pouca novidade posterior ao período em que ocupou o Ministério da Cultura, talvez até na época da adaptação profissional doutro momento.

Ícone, portanto, de um povo, Gilberto Gil canta no trecho intermediário do Norte ao Sul, neste Brasil de luminosidade sonora e praças abertas aos fulgores do artista popular consagrado.

Sindicato dos Bancários do Cariri convida para o Encontro Regional dos Bancários que acontecerá neste próximo domingo, 3/07

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Cariri – SEEB Cariri convida todos os bancários dos bancos públicos e privados de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha para o Encontro Regional dos Bancários do Cariri que será realizado no dia 3 de julho de 2011, com início a partir das 09:00 horas, em local ainda a ser definido, com a finalidade de discutir subsídios para discussão nas conferências regionais para o emprego bancário no Brasil, como parte da pauta da Campanha Nacional dos Bancários 2011.

Para maiores informações mantenha contato com o Sindicato através do fone 3521-2466 ou pelo E-mail seebcariri@veloxmail. com.br.

Participem! Façam as suas sugestões. O sucesso da Campanha Nacional dos Bancários 2011 depende do envolvimento de todos os bancários!

Programação

08h30m: Coffee Break
09h40: Palestra sobra Conjuntura Nacional (Palestrante a confirmar)
10h15m: Palestra da Dra. Sylvia Guterres (Dieese) sobre a Campanha Salarial 2011
10h55: Debate
12h30m: Encerramento c/Almoço

Promoção: SEEB Cariri
Data: 3 de julho de 2011 (domingo)
Local: Hotel Encosta da Serra (Av. Pedro Felício Cavalcante, 1898 – Grangeiro Crato-CE)
Fonte: Blog dos Bancários do Cariri

Pensamento para o Dia 01/07/2011


“A fé é como um vulcão em atividade. Dúvidas são como sementes. Nenhuma semente brotará em um vulcão ativo. Se suas dúvidas estão se multiplicando, significa que sua fé é fraca e instável, semelhante a um vulcão extinto. Onde há dúvidas, não pode haver fé. Suas dúvidas surgem ou desaparecem por causa de seu karma (ação) passado. Se sua fé é forte, nenhuma dúvida surgirá. Para realizar a Divindade, primeiro você deve se livrar de todas as suas dúvidas. De tempos em tempos, Deus sujeita você a vários testes. Esses não se destinam a puni-lo como você pode imaginar, mas para fortalecer a sua fé. Lembre-se sempre que o Divino age como testemunha. O Divino mostra o caminho para a auto-realização.”
Sathya Sai Baba

População quer melhorias nos serviços dos Correios




Já chegou à Internet (http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N9574), o abaixo-assinado de protesto contra a queda do padrão de serviços prestados pelos Correios. Ao final, o abaixo-assinado será enviado à presidência dos Correios, Procon e Ministério Público Federal. Abaixo o teor do documento.

Nós, abaixo assinados, usuários dos serviços dos Correios, inconformados com o nível dos serviços prestados atualmente, vimos pelo presente manifestar nossa contrariedade e exigir que sejam tomadas as medidas necessárias para que o padrão dos serviços seja elevado a níveis minimamente aceitáveis, conclamando desde já os órgãos e autoridades competentes a tomarem as providências cabíveis.

Correspondências e produtos entregues com atraso, absolutamente fora dos prazos prometidos e contratados com os Correios; extravio das postagens; não entrega efetiva; roubo de mercadorias; não satisfação ou atendimento aos usuários que façam reclamações; não pagamento dos reembolsos devidos por atrasos verificados; não resposta às reclamações quer sejam elas feitas particular ou publicamente; absoluta insensibilidade quanto à responsabilidade dos serviços que deveriam prestar, uma vez que hoje uma quantidade enorme de pessoas depende do bom funcionamento dos Correios em seus trabalhos e forma de obtenção de renda (como os artesãos e e-commerce, em geral), são apenas alguns dos problemas com os quais os usuários têm se defrontado hoje em dia.

Outro grave problema está na elevação absurda e abusiva dos valores das tarifas, especialmente no que se refere ao PAC e ao SEDEX.
Sob a desculpa de estarem criando uma nova metodologia de cálculo de postagem, os Correios elevaram os preços de postagem em mais de 100%, havendo casos de elevação superior a 300%, o que por si só já é um disparate.

Além disso, a nova metodologia, que pressupõe a necessidade de medição do pacote a ser despachado, implica em novas e extensas filas nas agências uma vez que os funcionários tiveram seus serviços enormemente aumentados, envolvidos agora com fitas métricas e cálculos matemáticos, medições e verificações, além de análises e pesquisas constantes.
Inúmeros são os relatos de usuários na internet dando conta da insatisfação e prejuízos que têm acometido a todos.

Importante dizer que esta insatisfação abrange também os próprios funcionários dos Correios, igualmente penalizados pela péssima gestão da empresa.
O presente abaixo-assinado será encaminhado à direção dos Correios, ao Ministério Público e ao Procon solicitando as providências cabíveis no âmbito da competência de cada um.
Se você estiver de acordo com os termos do presente, assine abaixo, identificando-se para que não haja dúvida sobre a nossa insatisfação.
Divulgue este manifesto o quanto possível, pois só assim poderemos colaborar para que as irregularidades hoje existentes sejam sanadas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

As Contradições Nacionais: Os Casos da Antropologia e da Saúde Pública - José do Vale Pinheiro Feitosa

Se alguém anunciar que existe uma ironia no fato de que a Antropologia seja a ciência do outro e que foi em quase toda parte fundada por estrangeiros, talvez não seja ironia, seja o espelho do nascimento da Antropologia. Como a Medicina Tropical, uma ciência forjada na expansão colonial, especialmente da Pax Brittanica. Aqui no Brasil a antropologia praticamente nasceu com Curt Nimuendaju estudando os povos indígenas por certo que o espaço das florestas era aquele propício a toda expansão, especialmente de exploração de minerais e áreas de fronteiras para a produção agrícola.

Queiramos ou não a força da Antropologia brasileira nasceu nos estudos dos povos originais das Américas. E os povos nativos não eram traduzidos em como eles se pensavam, mas como o exótico extraído da visão do outro (o estrangeiro). O famoso mapa etnológico de Curt Nimuendaju tem vastos traços de fronteira mais significativos dos vários grupos de pesquisadores e seus interesses do que propriamente dos povos estudados. O mapa continua uma referência, mas é preciso considerar tal coisa. Igualmente é assim para os estudos sobre o negro no Brasil, fundado por Nina Rodrigues que guardava o traço do outro estudado pelo “estrangeiro”.

O importante é que a antropologia e a saúde pública brasileira migraram de um “projeto” de fora para um por dentro de um projeto nacional. Entre os anos 30 e 40 a antropologia se encontra fortemente marcada pela chegada do império americano com o seu cinema sonorizado e os falares em inglês e claro da literatura nesta língua. Nos anos 50, o projeto nacional se consolidava em desenvolvimento e a antropologia andou junto com a institucionalização das ciências sociais.

A presença na USP de Lévi-Strauss e Roger Bastide não marca um momento francês absoluto da nossa antropologia. O primeiro logo após a guerra se aproxima intelectualmente dos EUA e este país, assim como fez com a saúde pública passa a ter enorme influência na formação de antropólogos brasileiros em momentos de forte influência, ora da Universidade de Chicago (Donald Pierson), noutra Colúmbia e depois Harvard. A formação do Museu Nacional no Rio de Janeiro e dos centros da USP, igualmente aconteceu com a saúde pública, com a Escola de Higiene e até mesmo a FIOCRUZ, além do Instituto Evandro Chagas, políticas e programas de controle e erradicação de doenças, são territórios de estrangeiros no mesmo ímpeto expansivo da produção industrial de produtos de base científica. Isso quer dizer: é preciso limpar a área de expansão do capital e vender as conquistas da ciência para os nativos.

No caso da Saúde Pública, logo após o momento Oswaldo Cruz, ligado ao Pasteur, tudo o mais anda tocado pela Fundação Rockfeller e a Universidade mantida por ela: John Hopkins. O mais emblemático desta interferência estrangeira no país dos anos 30 a 50 é que equipes inteiras vieram e tomaram conta de territórios completos. O nordeste destes anos ficou pelas mãos de pesquisadores americanos no controle da Febre Amarela. Os antropológicos que estudam as nossas manifestações subjetivas devem lembrar-se do Papa Figo, um mito dos sertões decorrente do hábito dos “vigilantes” da Fundação Rockfeller em coletar amostras de fígado com um necrótomo em mortos dos sertões.

Tudo muda com o tempo. E como na dialética hegeliana o movimento de mudança é um jogo de contradições entre opostos em luta. O simples surgimento de um projeto nacional a partir da revolução de 30, que leva o país a instituir idéias e estruturas para operação delas sobre o que é o interesse nacional e o que é a manifestação do brasileiro, não interpretada pelo projeto de outros povos.

Devemos tomar muito cuidado para identificar as partes em contradição. Não negar a contradição, pelo contrário interpretá-la corretamente. Duas Conferências Nacionais de Saúde têm um poder de formulação seminais para o que ocorre no Brasil de hoje. A Terceira Conferência Nacional de Saúde, realizada no final do ano de 1963 assenta as bases para uma política nacional independente e sobre a égide do interesses da população brasileira. A Oitava Conferência, realizada em 1986 no momento da redemocratização do país, retoma as bases da Terceira, como o caso da municipalização, mas comente o erro de privatizar os serviços de saúde e abdicando de um programa de estatização da fabricação de insumos, inclusive com poder regulador do mercado. Deixar que o mercado resolvesse é resolver-se pela atividade meramente mercantil ao invés da racionalidade técnico-científica e pelo discernimento político de uma base social sustentada sobre direitos universais. Direitos universais que sob operação de disputas mercantis se tornam o deserto de iniqüidades.

A outra contradição histórica, salvo melhor juízo, é a famosa disputa entre Darcy Ribeiro e Roberto Da Matta na Revista Civilização Brasileira no final dos anos 70. O conteúdo é vasto e interessante e se encontra disponível até hoje nas páginas da revista. Não vem ao caso sua repetição. Mas contemplar a contradição refletida entre o momento do “projeto de fora” e o “projeto de dentro”. Darcy Ribeiro vinha da Fundação da Universidade de Brasília, de um governo derrotado por um golpe militar que pretendia Reformas de Base que alargariam a base econômica da sociedade brasileira. Roberto Da Matta ficara no ambiente aceito da academia olhando para fora. Diversificando o objeto político da antropologia em compartilha com um “universo” dominador de um agente ditador de parâmetros, conteúdos e interesses.

A contradição entre a força de “fora” e a expressão da força de “dentro” continua a ser objeto do interesse de quem encontrar disposição para tal.

Os bancos e a ética, segundo Camdessus - Mauro Santayana

Repetiram-se, ontem, na praça Sintagma, em Atenas, os protestos da população grega contra as medidas econômicas exigidas pelos governos europeus. Elas tornarão ainda mais insuportável a sua vida, com o desemprego, a aflição e a miséria. O parlamento as adotou para que os bancos recebam novos empréstimos e, com eles, paguem suas dívidas internacionais. Também ontem, El Pais divulgava declarações significativas de Michel Camdessus, que foi diretor geral do FMI durante 13 anos (de 1987 a 2000). O economista francês resumiu a crise atual “à falta de ética na atuação das grandes instituições financeiras internacionais”. A ânsia do lucro a qualquer custo – falou quem conhece as entranhas do sistema – levou ao abandono de todas as cautelas morais, além de nítidos procedimentos criminosos.

Camdessus sugere mudança revolucionária na atuação do Fundo Monetário Internacional. Propõe, de saída, que os Estados Unidos e a Europa percam o poder de veto de que dispõem na direção colegiada do organismo. E defende maior presença e efetiva decisão aos países emergentes, como são os Bric. Voltamos, assim, ao senso comum: os estados e suas instituições devem estar a serviço dos cidadãos, dos indivíduos, e não se submeterem aos interesses dos ricos e poderosos. A moeda é a expressão da soberania dos povos, mediante os governos, e não instrumento restrito ao uso e abuso dos banqueiros.

O mundo dá voltas, mas o bom senso é o mesmo. Seria interessante voltar ao início da Revolução Burguesa, ou seja, do movimento intelectual, político e insurrecional do século 18, a fim de recuperar o melhor de suas idéias e projetos. Em termos históricos, esse processo continua em andamento, e há tempo de corrigir seus desvios e prosseguir.

Um dos primeiros pensadores modernos a associar a indagação filosófica às questões sociais, Hegel, toca nas glândulas da injustiça, em um de seus textos juvenis (que, nele e em outros autores, costumam ser os mais limpos e significativos). Em seus Escritos Teológicos da Juventude, Hegel tem uma passagem, ao mesmo tempo evocativa e profética, que transcrevo, valendo-me da citação que dele faz Marcuse, em Reason and Revolution:

Em Atenas e em Roma, guerras vitoriosas, o acréscimo das riquezas e a descoberta do luxo e de diversas comodidades, fizeram nascer uma aristocracia militar e financeira que destruiu a República e acarretou a perda completa da liberdade política.

O leitor, naturalmente poderá trocar os dois impérios antigos, o ateniense e o romano, pelo grande império contemporâneo, o dos Estados Unidos, e a análise será a mesma. Já em 1797, Hegel faz outra constatação, que mostra a forte contradição interna do Iluminismo, ao apontar que a “segurança da propriedade é o eixo em torno do qual gira toda a legislação moderna”. Os legisladores não se preocupam, assim com os homens e sua felicidade.

No passado, o saqueio colonial era garantido pela violência militar e pela hipocrisia das missões religiosas. Hoje, basta a ação dos grandes banqueiros, assegurada pelo poder bélico e diplomático dos governos que eles mesmos criam e controlam.

Deixemos os páramos da inteligência em que se moviam os filósofos da teoria política, de Aristóteles a Hegel, e fiquemos no pragmatismo de Camdessus: é hora de colocar coleiras e mordaças nos banqueiros, a fim de lhes reduzir o apetite feroz de lucros imorais, e restaurar o mínimo de decência ao sistema financeiro. O melhor mesmo seria destruir todo o sistema e colocar sob o controle direto dos cidadãos, mediante instituições novas, o senhorio sobre a moeda e as operações bancárias. Para isso é preciso que os cidadãos desalojem dos Estados os que nele se encontram a serviço do dinheiro.

Uma reflexão final sobre os que deveriam ser julgados como criminosos contra a Humanidade pelo Tribunal de Haia. Talvez fosse melhor que, em lugar de Kadafi, cuja prisão foi decretada, ali estivessem os banqueiros de Wall Street e os que mandam matar civis no Iraque e no Afeganistão e torturar em Guantánamo.

Lançamento de Livro - Show !


LANÇAMENTO DE LIVRO INFANTIL




Estaremos lançando, na próxima Quinta-Feira, dia 07 de Julho , no Cine Teatro Moderno, aqui em Crato, o livro : "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica" de J. Flávio Vieira e Ilustrações de Reginaldo Farias. O livro engenhosamente faz uma tessitura dos mitos caririenses e acompanha um CD com 15 Músicas e um Audio-Livro com a narração da história. O Projeto foi vencedor do I Prêmio Rachel de Queiroz da SECULT. No evento teremos um Show com a presença de vários músicos e compositores cearenses que participaram do Projeto : Luiz Carlos Salatiel, Lifanco, Ibbertson Nobre, Luiz Fidelis, Pachelly Jamacaru, Amélia Coelho, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, João do Crato, Leninha Linard, Abidoral Jamacaru e muitos outros.

Dia- 07/07/2011 (Quinta)
Local- Cine Teatro Moderno ( Crato)
Hora- 19 H
Entrada Franca

Todos Lá !

Apoio : Secult, Governo do Ceará, Urca, Geo Park, Secretaria de Cultura do Crato, Unimed Cariri, OCA

São João dormiu?


 São João chegou e passeou pelo terreiro. Olhou pra fogueira e sorriu: "por onde andei o ano inteiro?" Pensou e pensou, sorrindo: "bem que dizem as pessoas - São João dormiu, São Pedro acordou"...

E bem acordado deu a volta ao redor da fogueira e olhou para aquele fogo incendiando as lembranças mais antigas. Faíscas brilharam mais fortemente quando ele se curvou e puxou um pedaço daquela lenha incandescente. Lembrou-se de quando era festejado lá na Serra Verde, das latadas cobertas de palha de coqueiro, do chão batido e molhado para dominuir a poeira, das fogueiras bem altas, dos bolos de Mãe Cãida, da sanfona afinada de Chico Jucá, brigando com o violão e o pandeiro de Cícero... Das brincadeiras de "pau de sebo", "corrida de saco", "passa anel", "mala" e os "contratos" de padrinhos, primos, compadres... à beira da fogueira:

"São João disse
São Pedro confirmou
Que você fosse meu compadre
Que São João mandou."

Ah, Seu Hubert. Ah, Dona Janine... Onde andam Manuel Dantas, Mãe Mina, Chiquim, Pedim, Zefinha? Cadê Cãida, Naninha, Joaquim Carlos, Seu Antonio Coelho e a dança das facas?
Cadê o povo da Serra Verde, minha gente?

E São João passou a mão nos cabelos ondulados, fechou os olhos e percebeu que naquela noite estava em um terreiro diferente, em uma casa diferente. Aquela gente era quase a mesma, mas muitos haviam partido lá pras nuvens para assistir a festa lá de cima. 

Nessa noite São João não dormiu. São Pedro foi chegando devagar, trazendo de volta a alegria pra festa. A música pipocou no ar junto com as gargalhadas, os traques, os pichites, as bombas, as chuvinhas, os fogos...

O vento frio se enroscou na fogueira e as estrelas se acenderam pra alegrar a gente.

E tome dança, quadrilha e brincadeira.
E tome graça, animação e fogueira.

Depois da festa, o dia já clareando, São João abraçou cada um. Beijou de mansinho as crianças e adormeceu...

Claude Bloc

Coisas nossas, por Zé Nilton

Macularam o meu objeto de desejo.


Para José do Vale Feitosa, adolescente.


Anseio por chegar o momento do estalo de memória tal qual ocorreu ao escritor Paulo Elpídio de Menezes. Em certa ocasião de sua vida – vupt! – qual um ponto crítico, e ele começou a rememorar o que viu e viveu em sua terra natal, desde os tempos de menino, até ser “expulso” pelos mandatários da época. Deixou tudo muito bem escrito no clássico “O Crato do meu tempo”. Já lá se vão 51 anos da primeira edição.


Aqui e ali vou me recordando de acontecimentos do passado, principalmente daqueles que mexeram com “as minhas coisas”.


Talvez fosse 1966 ou 67. Num tempo qualquer, a juventude de Crato entrou no maior frisson. As rádios da cidade anunciavam o mais esperado show do ano, na Quadra Bi-centenário. Nada mais nada menos do que a famosa, a mais bonita, a boa de canto, de pernas, de tudo, a namoradinha do Brasil, a ternurinha, uma brasa, mora, a Wanderléia.


Gamei a louraça de cara logo após ouvir “já chegou já chegou, novamente a bonança, todo o mal já passou, já chegou a esperança, vamos cantar”.... (Tempo de Amor). Como também “nós somos jovens, jovens, jovens, somos exército, exército de surf.” (Exército de Surf).


Levava a sério a minha paixão pela Wandeca, e não gostava nada quando meu primo Edísio Lima, sempre afeito a paródias, cantava para me irritar: “já chegou, já chegou, Postafen na farmácia, e a bunda das moças, já não cabe nas calças”...


Naquela noite foi demais. Tomei emprestados uns trocados a Zé Lopes, meu velho amigo. Diziam que nascemos juntos. Xavier, o mais velho da turma era perverso: - vocês parecem meus ovos, só andam juntos...


Pois bem, Zé Lopes me adiantou o ingresso e descemos, à boquinha da noite, com outros amiguinhos, para ver e ouvir, de perto, o objeto de meu desejo e de todos os jovens embalados nos Beatles, no iê, iê, iê, em Roberto, Erasmo, Jerry, Ronnie Von, na turma da jovem guarda.

Meus olhos se encheram de lágrimas e o meu coração disparou quando Elton Dantas gritou do meio da quadra:


- E com vocês, ela, a rainha da jovem guarda, Waaaadeeerléééia! Delírio total. A cada canção gritos, aplausos e choros...


Nunca havia visto uma mulher de calça comprida como a dela. Era uma calça colant preta, que deixava suas generosas curvas à vista e a nossa libido em polvorosa.

Quando o show chegou ao fim, um desastre total. A turma dos sem vergonhas cerca a Wanderléia, e haja um passa- passa de mãos, de dedos... A coitada corre para o portão de saída, abraçada ao trôpego Elton Dantas, cujo corpo todo virou um receptáculo de porradas sofridas ao longo do infindável percurso.


Fiquei arrasado. Macularam o objeto de meu particular desejo... De onde estava enxerguei muito bem no meio da turba de mãos bobas e dedadas um deles, que por infelicidade, era meu colega de escola.


No outro dia, comentário geral nas ruas, nas praças e na escola. Era nego falando disso e daquilo. Fulanos diziam não terem lavado as mãos ainda. Sicranos passaram a noite cheirando as mãos. Beltranos dizendo de outras coisas feitas com as mãos, à noite toda.


Eu, puto, olhava pro meu colega, com vontade de descer-lhe a mão no pé do ouvido. Me contive. O gajo era metido a valentão. Gelava todo mundo por lá. Era o rei do parangolé.


Mas um dia fui vingado. Ah, se fui! O tal sujeito inventou de ser ator. Rosenberg Cariry o tornou cangaceiro. Lá estava ele, o valentão, enfrentando de trabuco e muito jogo de cena a soldadesca desorientada nas caatingas do sertão, ao lado do famoso Corisco, ex-bando de Lampião.


Numa dessas refregas um tiro certeiro lhe abateu. Vi o meu desafeto cair mortinho da silva bem na minha frente. Pronto, disse comigo, taí o que você queria seu fela! Ri de mim para mim, saboreando o prato frio da vingança pelo cometimento cruel sobre a deusa dos meus sonhos.


Um abraço pro Nemezinho, o sempre cangaceiro nos filmes do amigão Rosa.

Suas famosas peripécias nessa Craterdan são coisas nossas.


E para quem gosta, convido a escutar no programa Compositores do Brasil desta quinta, a partir das 14 horas, na Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducadora1020.com.br), com o grande Roberto Martins falando de sua história, e cantando suas belas músicas.


Bom fim de semana.

FESTA JUNINA EM MILAGRES...

A simplicidade era o convite principal para a festa
Mundinha cuidou da comida, Luiz cuidou da bebida...
E enquanto anoitecia, a gente virou criança...
Era Mané com Elvira, Toim com Vera, Zé com Mundinha... e a música junina troando no ar
A noite chegou com comida típica da época... (Preparar, avançar, atacar!)
Brincadeira geral...
... e a familia Dantas brindou a festa de S. João na beira da fogueira.

Fotos: Sítio nas proximidades de Milagres

Tudo muda - Emerson Monteiro


As tais voltas que dá a vida dizem isso. O eterno movimento, que carece sabedoria para acompanhar. Ninguém vanglorie dias e coisas, turbilhão de passageiros em volta do velho trem, cinema cativo em permanentes atitudes positivas. Característica por demais das existências, a mudança reclama respeito no fim de aceitar os tamanhos que se possui. Contudo, adotar compreender o tanto que cabe, de um por um, sem invadir o território alheio e querer tomar à força o que lhe pertence.

O giro da Terra no espaço em torno de seu próprio eixo demonstra o ensino desta efetiva mudança. Olhar o céu e notar nuvens, deslocamentos do ar, os astros a correr, as posições do Sol. Saber seguir no ritmo que a natureza impõe. O humor variável das pessoas. O calor das temperaturas. Lições permanentes de flutuação, que chamam à responsabilidade os protagonistas do drama da continuidade.

Quais habitantes de enorme formigueiro, exército fervilhante de criaturas cria asas e voa, perante os cenários desta representação coletiva, às vezes, com boa vontade, conhecendo os mistérios que envolvem de perguntas assustadoras. Outras, arrancando raízes da tranquilidade e chamando a si o direito de reger a orquestra do silêncio ainda que ignorando o sabor das notas musicais.

Entretanto adotar, com humildade, o funcionamento independente das peças no tabuleiro, que reclamam qualquer norma, dos princípios e das origens. Caso contrário, o formigueiro entraria em compassos de espera ou destruição, num resultado melancólico.

Conhecer o espaço que nos cabe de herança no bolo em elaboração, e ajustar os valores que precisamos adquirir na viagem dos giros que a vida oferecer.
Por maior seja nome, posição, fama, a dimensão do freguês só comporta os conceitos de Igualdade, Liberdade, Fraternidade. Todos iguais perante a Lei comum. Seres dotados de Liberdade para criar as proporções pessoais e sociais. Irmãos entre irmãos sob teto azul do Infinito.

Deveras, como tudo muda neste chão, e ninguém se vanglorie quando há um Eu que fala disso todo tempo nas ações da Natureza perene; dentro do coração das pessoas; na luz de toda consciência. Há um núcleo de perfeição em tudo isto. Um foco dominante de claridade que indica certeza e persistência. O otimismo qual razão de trabalhar os momentos com extrema habilidade, semelhante aos artistas que produzem suas telas nascidas da inspiração pura. A arte de viver, que exige, por isso, dedicação, paz e aceitação das transformações que a vida impõe, para contar histórias felizes aos nossos filhos e aos filhos deles, os novos atores vindos alegres ao mesmo palco.

Sindicato dos Bancários convoca categoria para a Assembleia Geral Extraordinária que acontecerá hoje, 30/06


O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Cariri convoca toda a categoria bancária de sua base territorial, sócios e não sócios, para participarem da Assembleia Geral Extraordinária que se REALIZARÁ NO DIA 30 DE JUNHO DE 2011, em primeira convocação às 19h00, e em segunda e última convocação às 19h30min, com qualquer número de presentes, conforme determina o Estatuto Social da Entidade. A Assembleia acontecerá em sua sede social, situada na Rua Glicério Benício Pinheiro, nº 141, Bairro Pimenta, em Crato, onde será discutida e deliberada, a seguinte ordem do dia:

1. Escolha de Delegado ao 22º Congresso dos funcionários do Banco do Brasil, que se realizará nos dias 9 e 10 de julho de 2011, em São Paulo-SP;

2. Escolha de Delegado ao 27º CONECEF, que se realizará nos dias 9 e 10 de julho de 2011, em São Paulo-SP;

3. Escolha de Delegado à Conferência Regional da FETEC/NE, que se realizará nos dias 15 e 16 de julho de 2011, em Recife-PE;

4. Escolha de Delegado à Conferência Nacional dos Bancários, que se realizará nos dias 29 a 31 de julho de 2011, em São Paulo-SP;

5. Posse dos Delegados Sindicais do BB, BNB e CEF;

6. Apreciação do Balanço Financeiro/2010 do SEEB/CARIRI.


SINDICATO DOS BANCÁRIOS DO CARIRI