Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 9 de agosto de 2011

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO SONORIDADES – 10/08/2011

Conexões musicais: Tim Maia, o síndico da MPB

Sebastião Rodrigues Maia, popularmente conhecido como Tim Maia, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de setembro de 1942, e faleceu em Niterói, no dia 15 de março de 1998. Cantor e compositor, Tim Maia foi um dos pioneiros na introdução do estilo soul na MPB e um dos maiores ícones da música no Brasil. Suas músicas eram marcadas pelo seu vocal grave e afinadíssimo, composições bem elaboradas, letras inteligentes e arranjos inovadores, executados sempre com o auxílio luxuoso de um time de músicos competentíssimos.

O programa Cariri Encantado Sonoridades, desta quarta-feira, 10 de agosto de 2011, apresentará uma seleção de composições de autoria de Tim Maia ou por ele interpretadas, compilada a partir de três discos antológicos do cantor: o de estréia, lançado em 1970; o segundo, de 1971, e o ainda raríssimo e pouco compreendido disco Tim Maia Racional Vol. 01, de 1975.

Vale a pena ouvir sempre que se possa esse monstro sagrado da MPB a quem Jorge Ben Jor trata de carinhosamente de o “síndico” do Brasil.

Serviço
O programa Cariri Encantado Sonoridades é transmitido todas as quartas-feiras, das 14 as 15 horas, pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e pela Internet: www.radioeducadoradocariri.com.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

kariri das Tradições:Celebrar a Vida é Celebrar a Morte...Traduções-Wilson Bernardo.


A vida e a morte, se conflita no que se diz ao seu existencialismo,no medo do que apavora que é o novo,que na verdade é tão antigo como o fato de se fecundar.Velório:Nas grandes cidades e medias cidades,essa tradição de se velar o corpo em casa,esta sendo plastificado pela velocidade do urbanismo e nos confraternizando em ambientes climatizados de quanto o capitalismo pode pagar.No Sertão e na cabeça de pessoas rudes e humildes,velar o corpo em casa é uma aproximação do ultimo sacramento,do culto ao corpo e a confirmação do espírito.Um cafezinho de pó amanhecido no pilão,um caldo de carne fresca,bolachas e fatias de guloseimas,irmanados pelos vizinhos,pitar um bom cigarro de palha,piadas desavisadas e conversas hilariantes do falecido,amanhecer a relva da manhã ao pé de uma fogueira de Imburana,e a boca travada de uns goles de cachaça.É o sertão e o Kariri,ainda vai sim resistir a ultima despedida,ao plasticamento dos nossos mortos,o que temos mesmo é festejar a morte e não o somente a vida.
Nas escadaria da casa grande,a noite confabula com o sentimento da penumbra do que é a morte
Festejar a vida...A morte se faz necessário,e seremos os próximos amanhecidos de contemplações
O medo...O riso...A vida é tão orgânica o quanto a morte!
A luz de um túnel,só é escura pra quem esquece de que a vida é um único processo.
Wilson Bernardo(Texto & Fotografia)

PENSAMENTOS - Por Edilma Rocha


"Não tente carregar mais do que o necessário. Lembre-se de que sobrecarregado ninguém sai do lugar. E, se sair, não conseguirá ir muito longe. Alivie sua carga."

domingo, 7 de agosto de 2011

A semente dos dias - Emerson Monteiro


Bom gosto é a cultura e o conhecimento que define as gerações deste imenso Universo. Nem todo mundo sabe o que melhor lhe atenderá, pois precisa aprender um tanto mais até chegar a agir, com naturalidade, e cumprir, com sabedoria, os praticados desta vida de aprendizado constante.

Descobrir disso o jeito certo de caminhar significa as longas experiências, às vezes tristes, outras agradáveis. Sendo que, dos dois jeitos de adquirir conhecimento, pela dor ou pelo amor, a grande maioria escolhe, em primeiro lugar, sofrer antes para, só então, aprender e valorizar a tranquilidade da consciência em paz com os outros e consigo mesmo.

Sempre, no entanto, as oportunidades se repetem, e as pessoas desfrutam da de refazer os passos, ou pelo arrependimento das ações equivocadas que praticou, ou pelo interesse de obter novas marcas de sucessos, e crescer.

Isto a gente só adquirir à medida que cumpre os dias nas folhas deste chão. Portas abertas nas madrugadas às novas oportunidades se refazem simplesmente ao sol surgir, independente que quaisquer das limitações individuais. Estas sementes são, no entanto, as ofertas da natureza aos que souberem usufruir da perfeição infinita dos seus fenômenos. E bom gosto dependerá dos que os utilizam no crescimento próprio, pela dor ou pelo prazer de cumprir o dever com alegria.

Plantar o que é bom a fim de colher frutos bons, eis a Lei.

Ao descobrir tal segredo, caberá aos pensantes selecionar as sementes a germinar no solo dos corações. O plantio alimenta o futuro, porquanto essa Lei de Ação e Reação não escolhe pessoas, mas delas é escolhida.

Que quer ser feliz deve, sem discriminação, plantar sementes boas, originárias das chances de todo dia. Ninguém melhora apenas para os outros. Quem desfruta das práticas são os autores do bem que possa praticar, nisto há justiça eterna, em tudo, por tudo.

Prof. Virgílio Arraes, da UNB, faz palestra na URCA


O Salão de Atos Prof. José Newton Alves de Souza, no Campus do Pimenta da URCA, em Crato, estava completamente lotado, ainda com algumas dezenas de pessoas em pé nas alas de passeio laterais. O motivo de tanta gente reunida era a palestra do renomado especialista em relações internacionais contemporâneas e política externa do Brasil e catedrático de História da Universidade de Brasília, professor Virgílio Caixeta Arraes. O público era formado basicamente por alunos e professores do Curso de História da URCA, mas também por alunos de outros cursos da IES, como os de Ciências Econômicas, além de interessados em geral.

Pontualmente as 19 horas do dia 1 de agosto, o prof. Virgílio Arraes começou a sua palestra sobre a política externa dos EUA, no período compreendido entre 1991 até o presente momento. Portanto, uma época de intensa atuação dos norte-americanos no campo bélico, vide a Guerra do Golfo, a intervenção dos Estados Unidos na guerra civil que dilacerou a antiga Iugoslávia e os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, que motivaram o Império Ianque a invadir o Afeganistão e o Iraque, na pretensa luta do bom americanismo contra o “Eixo do Mal”, como assim justificou o então presidente George W. Bush aquelas expedições militares que reuniu uma coalizão de até 45 países.

Com a preocupação de se fazer entendido pela eclética platéia, o prof. Virgílio Arraes usou de muito didatismo para explicar as complexas relações internacionais do mundo contemporâneo, com equilíbrio nas opiniões que complementavam os precisos dados apresentados. Também, vez por outra, engraçadas tiradas de humor.

Ao final, instaurou-se um profícuo debate, onde o palestrante respondeu a todos os questionamentos advindos do público. A sensação culminante foi de plena satisfação entre todos os presentes.

O evento foi promovido pelo Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA, a partir de proposta do cratense, hoje residente em Recife, Joaquim Pinheiro.

sábado, 6 de agosto de 2011

NO DOMINGO...

SERRA VERDE - PARTE II

O sábado entrou pela noite até clarear o dia e no outro dia, ninguém descansou... 
Ninguém, queria ir pra casa. Tinha restado da véspera carne de sol e linguiças para assar. Pra que melhor? Baião já tinha pronto. Era só ir pra beira do açude, na famosa "Ilha de Jacques", que na verdade está mais pra península. 

Nem parecia que a maioria ali tinha virado a noite dançando, cantando, proseando. Botando o atraso em dia. Com o mesmo ânimo todos se puseram a entrar em uma nova sintonia. Era domingo de sol.

Rodinhas de conversa foram se fazendo e o carvão no ponto de acender.
Onde tem Dantas, tem risada. Se Toinho estiver no meio da prosa, pode contar que você não sai impune. 
O pessoal insiste que eu toco violão, mas nem comecei ainda minhas aulas!! O que aprendi ainda foi com o nosso grande Nélio, eu ainda era adolescente... Faz tempo!!
Mundinha sentiu saudade de quando cuidava de Bertrand ainda bebezinho. Deu-lhe colo!!
Os churrasqueiros comiam mais do que assavam. Olhem a cara deles!
Tamanha empolgação de Lorena e Toinho, nem imagino o que possam estar confabulando... Regina e Tetê só de botica...
Os Othon - Melo, nem queriam mais voltar pra Forateza. Adiaram a data até não mais poder.
Aqui muita prosa e muita cantoria. Beleza total!

E na hora da despedida o jeito era cantar: 

Quem parte leva saudade
de alguém que fica
chorando de dor...
... Ai, ai, ai, ai tá chegando a hora!!!!!!

Pois é, depois tem mais...

Claude Bloc



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

João Paulo II - Emerson Monteiro


Veja só como os assuntos se organizam na cabeça da gente para chegar ao papel. Ontem, no início da tarde, me preparando para rápido cochilo, no programa Forró do Povo de Deus, da Rádio FM Padre Cícero, ouvi J. Farias cantar a música Obrigado, João Paulo, de Luiz Gonzaga.

Mais tarde, ao despertar, o baião ainda persistiu rondando meus pensamentos por mais algum tempo, João Paulo II / De Deus, grande graça / O povo te abraça / Em ti, vê Jesus / Feliz te agradece / Por o visitares / E a Cristo adorares / Na Terra da Luz.

Já à noite, na casa de um amigo, me deparei com álbum editado pelo jornal O Povo, de Fortaleza, com a retrospectiva da publicação desde seus inícios em 1928, fundada que fora pelo jornalista Demócrito Rocha. Lá estavam, no meio de muitos acontecimentos que marcara o período, as andanças de João Paulo II pelo mundo, a visitar os fiéis católicos, nas inúmeras viagens que realizou, inclusive duas vezes nas terras do Brasil. Fotografias das figuras importantes que marcaram o século XX desfilavam pelas páginas, Nelson Mandela, John Lennon, Mahatma Gandhi, John Kennedy, Che Guevara, Mao-Tsé-Tung, Martin Luther King e tantos, e tantos outros.

Das personalidades mais influentes dos séculos do Catolicismo, João Paulo trouxe na divisa latina do seu papado a insígnia De labore solis, que, em português, significa Do trabalho do Sol, interpretando qual seu modo de acompanhar a Terra nos movimentos constantes de rotação e translação em volta do Sol e do próprio eixo.

Incansável, realizou excursões ao resto do mundo, descentralizado das preocupações anteriores do Vaticano, com isto demonstrando carinho imenso pelos povos e lugares onde andou a beijar o solo em que chegasse.

No Ceará, receberia a feliz homenagem nessa canção sertaneja de bela feitura. João Paulo II... / A tua visita / É graça bendita / Pro povo cristão / É felicidade / Privar da amizade / Do teu coração. / Pastor muito amado / De amor nosso brado / A Deus levarás. / E a Roma voltando / Saudades deixando / Entre nós ficarás. Letra inspirada do padre Gothardo Lemos e música do Rei do Baião, que este interpretou com alegria, expressou com propriedade o tributo dos nordestinos a quem a Igreja cogita tornar santo e o transformou em beato neste ano de 2011.

Raros papas de outra nacionalidade que não a italiana ocuparam o trono de São Pedro. Karol Jósef Wojtyla foi um desses, que deixaria lembranças imorredouras no seio da humanidade. Virtuoso, amigo, desempenhou relevante papel sociopolítico no milênio que passou, dando exemplo de bondade entre os líderes da cena mundial, agora motivo deste rápido comentário.

PARA EMÍLIA FIGUEIREDO

Emília, pouco conheci mais de perto, mas nas poucas vezes que a vi na casa de Magali ela me trouxe uma empatia imediata. Foi uma imagem doce que vi em seu olhar. Foi um sorriso dolorido que li em seus lábios, mas fluido e natural.

Suas palavras não denotavam amargura nem inconformação. Parecia encarar pacificamente a dor e o desconforto que a abordava no seu dia-a-dia.


Emilia,

Será que compreendias o limiar de tua caminhada?
Sei que te abriste para a essência divina e que ali depositaste os resultados de tua história.
Sei que viveste tuas muitas jornadas e ali lapidaste essa tua eterna alma.
Sei que na tua renúncia buscavas redimir-te pois te conhecias tão profundamente que em tuas orações mergulhavas infinitamente dentro do teu ser em busca de Deus...
Encontravas força nos desertos de tua vida e fazias dos teus sonhos um aprendizado.
Assim, sorvendo aos goles o conhecimento sublime, gravavas teus passos no livro de tua vida, para melhor entenderes os momentos vividos..
Hoje Deus te chamou para junto de Si e navegas vagarosamente em águas silenciosas. A alegria é o teu leme. A liberdade tua conquista.
Te sentes leve diante do Pai.
Hoje deste a mão para Zé Ricardo e acendeste a centelha divina. Vives finalmente e de forma absoluta o AMOR DIVINO, PURO E INCONDICIONAL.

Abraço à família

Claude Bloc

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO PROTAGONISTAS – 05/08/2011

Lançamento radiofônico do disco “Santa Fé em Cantos”, com Emerson Monteiro e Francisco Silvino

Tem novidade no ar. Uma agradável surpresa. Um disco musical voador. Que plana fagueiro e alegre pelos céus do Cariri, anunciando coisas boas, um bom agouro de paz e fé.

Trata-se do disco Santa Fé em Cantos. Uma bem elaborada coletânea de composições musicais, reunindo músicos, compositores, letristas e intérpretes, dentre veteranos e novatos, com canções e arranjos bem urdidos e tramados.

A direção do projeto foi de Emerson Monteiro (foto ao lado). E é o próprio Emerson que o apresenta:

“Veja o que acontece quando um grupo de amigos, de apreciadores da boa música, poetas, cantores, compositores nas horas vagas, resolve somar a força da inspiração e chegar ao público com suas canções e vozes. Os meios técnicos contemporâneos permitem atitudes semelhantes. Ainda que o mercado teime em oferecer música massificada que esqueceu os tempos áureos da estética, existem as alternativas de renovação. Assim se propõe Santa Fé em Cantos, que ora lhe chega às mãos, trabalho afinado de sentimentos, acima de tudo fruto de autores que acreditam na melodia e no verso quais valores permanentes para alegrar e sentir o poder da beleza musical. Vamos cantar juntos a riqueza deste mutirão de qualidade sonora do Cariri Cearense.”

Onde ouvir
Todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas na Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.

AMIGO

AMIGO

Você já disse, obrigado meu amigo por ser meu amigo ...!?

Uma palavra fácil de dizer “amigo”

Mas verdadeiramente amigos são poucos

Um amigo é um ser altamente especial

Vejamos dessa forma, quando nascemos e temos irmãos, quer queira ou não, eles

são seus irmãos “ isso é imposto pela paternidade e ponto final”

Mas um AMIGO é escolhido, você o escolhe como amigo e ele a você

Um amigo sabe quando estamos tristes, mesmo quando nós estamos com um sorriso na boca

Um amigo chega sempre junto nas horas difíceis

Um amigo é mais um irmão

Um amigo sabe dizer não

Um amigo é um casamento inseparável

Um amigo é o primeiro caminho para paz

Obrigado meu amigo por ser meu amigo

Dedico a todos meus amigos, dizendo, amo vocês

Daniel Hubert Bloc Boris (Jacques)

Artista Plástico

Nota de Falecimento

A familia de Emilia Figueiredo Pimentel comunica o seu falecimento e convida para o sepultamento a se realizar amanhã, 05.08.2011 às 8.00h no cemitério local. Antecipadamente agradece.

Xeque-Mate


Entre 1997 e 2007 houve 41 chacinas em escolas americanas. A sociedade IANQUE ainda hoje se debruça sobre essa epidemia, sem conseguir entendê-la. Por que ? Cultura? Facilidade de acesso às armas? Desagregação familiar? Em Abril, tivemos um ataque semelhante aqui no Brasil , numa escola de Realengo, no Rio, quando treze estudantes foram trucidados. Em todos esses casos, aparentemente, personalidades psicopatas agiram como atores das tragédias. Diferente de outras tantas ocorridas no Brasil, de fundo eminentemente político-social : Carandiru (1992), Candelária(1993),Vigário Geral (1993), Eldorado do Carajás (1996), Presídio de Porto Velho (2003),Reserva Roovselt-Rondônia( 2004), Baixada Fluminense( 2005), Guaíra –Paraná (2008). Tantos e sucessivos massacres por um lado assombraram a população pela crueldade, mas de tão sub-reptícios terminaram por adquirir um estranho ar de normalidade, até porque os culpados raramente pagam penas condizentes com as atrocidades cometidas.

Recentemente, o mundo extasiou-se com um episódio igualmente terrível. Desta vez, na Noruega, uma das únicas/últimas ilhas de pacifismo deste mundão conturbado. Um ex-cidadão modelo, chamado Breivik, chacinou 77 pessoas , montado em obscuras idéias de um Fundamentalismo de Direita. Os massacres americanos parecem fortemente relacionados com distúrbios comportamentais de mentes psicopatas impelidas por Bulling ou pela frustração de terem perdido o bonde da história do american way of life. As brasileiras, na sua maioria, advêm de conflitos de terra, brigas do tráfico e despreparo dos órgãos de repressão. O que ocorreu na Noruega, no entanto, nos remete imediatamente a uma das maiores chagas da história do homem na terra: à Intolerância que já nos turvou a história com episódios como : As Cruzadas, as Jirard´s, a Inquisição, o 11 de Setembro, os Campos de Extermínio de Judeus, os Gulag´s, o Colonialismo em suas mais diversas facetas. A Intolerância, a impossibilidade de conviver com as diferenças, certamente é o mais profundo pântano da história da humanidade e aquele que mais nos distancia da inteligência e racionalidade.

Reflitamos sobre algumas dessas formas de Intolerância. Primeiro , a Religiosa que sempre esteve como interruptor da maioria das guerras. O Afeganistão, o Iraque, a Ásia e a África vivem sob a cortina de regimes fundamentalistas em eterno confronto com os valores ocidentais. Essa violência, no entanto, sempre teve mão dupla e os islâmicos, historicamente, sofreram perseguições e violências de toda espécie. O colonialismo ibérico, inglês, francês e americano levou junto consigo a perseguição das religiões locais e a destruição implacável de templos, objetos sacros e sacerdotes.

A Xenofobia é uma outra forma terrível de intolerância e foi aquela que tangeu Breivik na sua loucura. Grupos de Extrema Direita pululam na Europa e se opõem aos imigrantes, combatendo-os e perseguindo-os, com a estreita visão que eles irão tomar os empregos disponíveis. No Brasil, os Skinheads voltam seu ódio contra os nordestinos. A crise global do Capitalismo tende a piorar o quadro. A Direita xenófoba esquece que a imigração foi criada pelo colonialismo dos países ricos que sugaram toda a riqueza do terceiro mundo, bailando depois como ilhas de felicidade e bem-estar, esquecendo que um dia chegaria a conta para ser paga. Historicamente, o Sul e Sudeste do país fizeram o mesmo com o Norte-Nordeste e agora reclamam das levas de nordestinos que vão para lá, buscando uma parte da verba de que têm direito. Sem esquecer que vítimas do Colonialismo predatório, boa parte dos migrantes são etnicamente europeus, se avalia que 3/ 4 dos Sul-Americanos têm origem perfeitamente européia.

A Homofobia é uma das outras graves facetas da Intolerância. Enquanto juridicamente se avança no sentido de reconhecer os gays nos seus mais primais direitos , recrudesce a perseguição e só no ano passado quase 7000 denúncias foram feitas no Brasil de casos vergonhosos de homofobia. Em pleno Século XXI, os homens não conseguem sequer uma convivência minimamente educada com seus semelhantes. Recentemente , em São Paulo, um pai teve a orelha decepada por um grupo de homófobos ao beijar o filho: imaginaram se tratar de carícias entre namorados .

O Racismo , por incrível que possa parecer, tem recrudescido em todo mundo. Países como Alemanha, Reino Unido e Rússia tem presenciado grupos neonazistas em desfile e ataques a negros repetidamente. O Brasil ,que dá um exemplo ao mundo pela sua fabulosa miscigenação, ainda convive com esse tipo de intolerância cotidianamente. Esquecemos a terrível dívida que temos para com os afro-descendentes que arrancamos dos seus países e os escravizamos em terras brasileiras por mais de 300 anos. É bom lembrar que a etnia afro, padecente de todas as inimagináveis vicissitudes, talvez tenha sido a que mais marcou o Brasil culturalmente.

Toda evolução, todo modernismo, todo desenvolvimento tecnológico do planeta, a aparente queda das fronteiras físicas com a Globalização , tudo isso tem apenas tornado , estranhamente, a humanidade mais intolerante, mais inapta a conviver com as diferenças. As novas gerações poderiam apagar esse estopim, mas as escolas já os formam intolerantes, estimulando a concorrência, formando soldados e não cidadãos. Breivik é apenas um pequeno peão no grande tabuleiro da política mundial, mas sua jogada é tão previsível como a do Bispo, da Rainha e do Rei, só que nesse jogo cruel não há ganhadores; no final as peças estarão todas desarrumadas pelo chão e o tabuleiro terá incendiado.

J. Flávio Vieira

Por quê ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Meses atrás, no transcurso e após a horripilante e pavorosa tragédia que se abateu sobre a decantada cidade do Rio de Janeiro (sem favor nenhum, uma das mais belas e sofisticadas metrópoles do mundo), pela insistência e recorrência um detalhe chamou a atenção de todos nós: quando algum sobrevivente ou membro de alguma família envolvida na tragédia provocada pelo excesso de chuvas tinha a oportunidade de manifestar-se ante as câmeras televisivas, não perdia a chance de louvar a Deus, de garantir ter sido a “mão de Deus” responsável por retirá-lo do meio da enxurrada, de reafirmar que somente a “intervenção divina” explicaria sua sobrevivência e, enfim, que por sua benevolência e magnanimidade “Ele” seria merecedor de todos os créditos e honrarias por ali se encontrar, vivo.
Mas...
Como explicar, então, às famílias enlutadas, o destino fatídico e cruel de quase mil pessoas, dentre as quais dezenas de crianças inocentes e idosos ainda saudáveis, PAVOROSAMENTE SOTERRADAS (vivas) pelos deslizamentos, ou levadas de roldão, ribanceira abaixo, sem qualquer chance de reação, pela força descomunal das águas das chuvas (vindas do céu) ??? Como justificar, de forma consistente e convincente, que a “mão de Deus” não haja guiado essas dezenas de centenas de pessoas, em meio à violência do turbilhão, a uma ilha qualquer, a um porto seguro, salvador e de águas plácidas e cristalinas ??? Como explicar que a benevolência e magnanimidade do “homem lá de cima” (como o rotulou um dos sofridos sobreviventes) hajam contemplado alguns, enquanto, desafortunada e desgraçadamente, famílias inteiras (pais, mães, filhos, parentes outros e simples conhecidos) desciam de roldão na enxurrada, evidentemente que aterrorizados, sem vislumbrar qualquer perspectiva de salvação ??? Que Deus é este que, ao tempo em que concede a “graça e salvação” a alguns, despreza ou esquece de tantos outros fervorosos adeptos ??? Ou será que a “graça e salvação” estariam no desaparecer prematuro, no ir-se mais cedo desse mundo conturbado e violento e, portanto, os que prematuramente pereceram seriam, em verdade, uns privilegiados, ou “escolhidos” de Deus ??? Quais os critérios determinantes para se esclarecer quem deve ou não deve ser salvo pela “intervenção divina”, numa tragédia de tamanha proporção e força ???
Se a chuva é uma “benção dos céus” ou uma “dádiva divina” ou "um presente de Deus", existirá um “Deus” magnânimo e benevolente e um outro cruel e maldoso, capaz de fazê-la provocar tamanha catástrofe ???
POR QUÊ ???

Coisas nossas, por Zé Nilton

Memória dos velhos.

Este é Antonio Inácio da Silva, morador no Sítio Ramada, na Serra do Araripe. Homem honrado e prestigiado por todos os moradores daqueles rincões. Ele é caladão, mas simpático. Aqui e acolá diz umas “brincadeiras” para divertir a quem o escuta.


Morou, quando adolescente, na Comunidade do Caldeirão sob o Beato José Lourenço. Acompanhava o Beato em suas andanças pela Serra. Teria sido uma espécie de “secretário” do famoso Zé Lourenço.

Antonio Inácio mantém a tradição da Renovação do Sagrado Coração de Jesus, um culto resistente do catolicismo popular, chamado ainda de festa, onde o sagrado e o profano ocupam o mesmo espaço – a residência, o lar, síntese do patrimônio da família. O oficiante da Renovação é sempre alguém letrado, vizinho e amigo da família. Neste dia a casa se reveste de elementos festivos, e os fogos são o convite para todos participarem.

Como todos os velhos habitantes da Serra do Araripe, que vieram de longe, no tempo da pressão populacional sobre Juazeiro do Norte e da fome que grassava o Nordeste do polígono das secas, suas histórias são de um heroísmo sobre-humano, com façanhas incomuns na luta para se estabelecerem nas terras que, embora devolutas, sempre estiveram nas mãos de ricos agropecuaristas.

É verdade que os pequenos agricultores resistiram a toda a sorte de ameaças a expropriação, e lutaram para manterem-se como produtores livres, resultando dessas lutas não só a manutenção das comunidades baseadas nos limites das posses como também das antigas referências distintivas dos lugares. Num mundo sem “lei e nem grei”, a lógica do mais forte é usar a violência de todos os matizes para deserdar impiedosamente da terra o outro desprestigiado socialmente.

Algumas lutas narradas, hoje, vêm carregadas de todas as nuances de uma ação heróica. A rememoração de algumas resistências traz um imperativo sagrado na narrativa, misturando mito e realidade, mas nem por isto deixando de ser uma história.

Em minhas andanças pela Serra, um dia ouvi de seu Antonio Inácio, contado pausadamente, um fato inusitado por bater as portas de um milagre ou, se quiserem podem encaixá-lo no campo do realismo fantástico.

“...Eles deram pra gente se arranchar aqui. Nós tinha uma barraquinha ali, uma barroca mesmo. Aí se arranchemos lá e papai tocou umas roças. Aí depois que ele estava com esta roça, aí o dono [ das terras] botou ele pra correr. Pra nós ir embora, pra nós sair. [...] Papai disse: - não saio, não; só quando eu colher a roça. Aí ele disse: - Se não sair nós tocamos fogo, vou tocar fogo no mato... Aí ele disse: - pode tirar os troços de dentro da casa, senão eu toco fogo. Aí papai disse: - eu não tiro um lenço de dentro de casa... Aí ele veio e tocou fogo no mato ao meio dia em ponto. O fogo açoitou de cabeça afora em procura da barraca... Mamãe disse: - vamos sair de dentro de casa senão vamos morrer todos queimados. Papai disse: - daqui não tiro um lenço, e daqui ninguém sai. Aí ele entrou pra dentro do mato e o fogo veio e veio, quando chegou onde ele estava, veio um vento e açoitou o fogo todinho pra cá, pra trás. Ai ficou a lista (de carvão) no chão de fora a fora. Aí ele voltou e veio ver se a gente tinha se queimado. Ele chegou e nós estava todos dentro da barraca e o mato ao redor, que não tinha queimado. Aí nessa hora chegou o irmão do homem e disse: - olhe, com este velho aqui ninguém bole.”

Fiquei olhando para aquele senhor sem saber o que esboçar. Nessas horas, pensei comigo, é melhor a gente citar a famosa frase de Miguel de Cervantes: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay.”

E para quem gosta, hoje no programa Compositores do Brasil, na Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducadora1020.com.br) , o famoso Canhoto da Paraíba, o homem que reinventou a música.

Bom fim de semana.

Sentir a dor alheia - Emerson Monteiro



Isto já ensinam as religiões desde priscas eras, em se colocar no lugar do outro nas horas necessárias, para saber o que ele sentirá diante das circunstâncias que o levaram ao erro de comete delitos graves ou leves quais sejam. Antes dos julgamentos prévios há de haver essa formação de uma consciência da dor que ele amargura, e, só então, agir e condenar.

Tais avaliações anteriores às sentenças previnem o risco das limitações humanas; o impulso dos interesses particulares e injustos. Invés de jogar mais carga nas costas dos semelhantes pela precipitação, buscar, sim, diminuir o peso que outros carregam, porquanto, no solo comum das existências, funcionam bases maiores da justiça que predominam todo tempo.

Inúmeras vezes, o egoísmo dos desejos próprios determina as ações das criaturas, levando-as ao tribunal antes de realizar os julgamentos a que se propõem. No Evangelho, Jesus trata o assunto com extrema clareza quando fala de quem enxerga o argueiro no olho dos outros e não vê a trave que existe no olho de quem julga. Bem humano esse jeito de laborar, no transcorrer dos séculos.

Com isso, aprender a lição da transferência para si mesmo das agruras alheias, o que facilita sobremodo o gesto de viver, orientação dos campos da sabedoria. Observar na distância de algumas braças até compreender e julgar, e procurar a justiça nos armários da consciência individual, pois a lei superior mora gravada no íntimo do ser que somos, a fim de enquadrar os companheiros de viagem nos artigos em que é sujeito lá estarmos escondidos, eis uma norma de real valor, neste mundo ainda contraditório.

O resultado dessa atitude refinada produzirá frutos bons junto ao direito universal da Natureza, nos momentos que virão depois, guardando saldos positivos de bênçãos em forma de saúde perfeita, amizades, respeito coletivo e construção definitiva das esperanças de um paz social duradoura em benefício de todos nós.

Uma jornada republicana (editorial do jornal Estado de S.Paulo)

-- postado por Armando Rafael -- O senador Alfredo Nascimento teve os seus 15 minutos de glória - vá lá a palavra - ao subir à tribuna, 27 dias depois de ser obrigado a deixar o Ministério dos Transportes, para dar o show de indignação de todo político alvejado pela revelação de ilícitos. No caso, a denúncia de contratos superfaturados e cobrança de propinas em benefício do PR que Nascimento preside e que controlava a pasta. Dedo em riste, conforme a expressão corporal dos injustiçados, o notório político amazonense se disse "julgado e condenado sem que pudesse me defender" e acusou a presidente Dilma Rousseff de não lhe ter dado o apoio que prometera quando rebentou a crise.

Aproveitou para assinalar que estava licenciado do Ministério, no ano eleitoral de 2010, quando, na gestão do secretário executivo (e atual titular) Paulo Passos, os gastos do PAC no setor saltaram de R$ 58 bilhões para R$ 72 bilhões. Ao voltar ao cargo, teria informado a presidente do que escolheu chamar de "descontrole". Mas não foi pela dupla insinuação - contra o substituto e sobre o eventual elo entre a campanha presidencial e o "descontrole" - que ele ganhou as manchetes. Foi graças ao achado de criar uma versão particular da canção de Waldick Soriano Eu não sou cachorro, não.
Reagindo com o necessário ardor à faxina empreendida por Dilma nos Transportes, que até o começo da semana já derrubara 27 servidores da área, exclamou: "Eu não sou lixo, meu partido não é lixo, nós somos homens honrados".

O PR está representado no Congresso Nacional por 47 políticos assim qualificados. Pouco depois da fala de Nascimento, os 7 com assento no Senado, decerto para fazer jus à designação, anunciaram o seu desligamento do bloco que faz parte da maioria governista na Casa, integrado pelo PT, PSB, PC do B, PRB e PDT, e liderado pelo petista Humberto Costa. No mesmo tom de ira justa do titular da legenda, o seu líder no Senado, o exuberante Magno Malta, atribuiu a saída do bloco à "execração pública de inocentes que estão sendo arrastados para o esgoto porque alguns estão se fazendo de paladinos da moralidade". Mas, na mesma veia republicana do nome da agremiação, anunciou que "daremos apenas apoio crítico" ao governo.

Ou seja, o preço aumentou. E, além disso, se bem se entendem as palavras do seu colega Blairo Maggi - "Daqui para a frente deixa-se livre quem tem mais afinidade com a matéria" -, cada membro da confraria dos homens honrados terá liberdade de praticar o preço que lhe convier. Como diria o velho Marx, "a cada um segundo as suas necessidades". Rememoram-se os melhores momentos da jornada republicana da segunda-feira porque contêm os ingredientes dessa geleia indigesta que a presidente da República não podia ignorar que lhe seria servida se desse certo o plano do patrono Lula de fazê-la sua sucessora.

Ao longo de julho, ela conquistou a opinião pública com a sua pronta resposta às denúncias da esbórnia nos Transportes. Mas até os companheiros - se não o próprio Lula, de viva voz - já a advertiram para a inconveniência de ser a palmatória do mundo político de que depende. É o que parece explicar a sua decisão de não mais se pautar "por medidas midiáticas" em face da corrupção. Ministros na berlinda devem se explicar no Congresso. Foi o que tocou ao titular peemedebista da Agricultura, Wagner Rossi, ligado ao vice-presidente Michel Temer. Depois de perder a boca na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) por autorizar um pagamento indevido, Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, também do PMDB, acusou Rossi de ser mais corrupto que o pessoal dos Transportes.

No dia em que Nascimento roubou a cena no Senado, a caciquia da legenda decidiu que o problema dos Jucás não era político, porém familiar, e que não há problema algum com Rossi. Como prova de que os costumes da política brasileira não correm perigo de melhorar, o registro se completa com a reflexão do presidente do Senado, José Sarney, sobre o episódio. "Parentes no governo", ensinou, "sempre criam problemas, ou para o governo, ou para o parente." Como se ele tivesse aprendido essa verdade olhando o entorno - e não por alentada experiência própria.