Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011


Correnteza

- Por Claude Bloc –

Acredito que poesia exista na alma de cada pessoa, e quando ela enche a alma da gente e quase parece querer transbordar, parece também querer afogar-nos numa correnteza incessante. As palavras, então, vão nos assessorando no escape dessa enxurrada, que mal sabemos explicar ou como conter.

Quando comecei a escrever poesia foi nesse exato intento. Mal sabia o que me afligia, mas sentia que tinha de tentar descrever essa sensação de alguma forma. Eu tinha então 16 anos, ainda brincava de roda, peteca, bicicleta, mas também nessa época já sentia cá dentro a efervescência dos amores juvenis, que, timidamente, e só com a caneta, os conseguia acalmar e revelar nas páginas dos meus cadernos.

Foi assim que muitos destes poemas foram escritos. A poesia, então, para mim foi sempre essa vazão, essa fuga e é certamente assim, que deve ser para muitos também...

É sempre nesses momentos de reflexão que a poesia melhor se desenvolveu nas minhas mãos. Cada verso conta a história de um momento singular, cada estrofe faz um relato poético de tantos e tantos e muitos dias da minha vida, vividos assim, dessa mesma maneira, como qualquer um de nós vivemos. Um verso por tudo, por vezes, por nada, porém bem assentado dentro de mim descendo na vazão da vida.

Claude Bloc

Teste de Saúde - Veja se você tem a idade que imagina...

 Vale a pena fazer este teste, porque é muito engraçado e educativo...

Clicar em:
http://www.idadeinterior.com.br/

É um teste da UNIMED - para saber a sua idade interior

domingo, 25 de setembro de 2011

As cidades de Chico Buarque - Emerson Monteiro


Cristina Couto reuniu em livro (As cidades de Chico Buarque) fragmentos de uma época histórica do Brasil recente e intercalou-os com páginas das músicas de Chico Buarque de Holanda e. deste modo, criou belo painel que bem representa a fase crítica dos anos de chumbo. Nas marcas que anotou dos passos do poeta nos bastidores da convulsa vida nacional, a escritora conta em linguagem eficiente o que vencíamos do medo e da censura feroz para trazer ao povo os espelhos urbanos que alimentavam apreensivas esperanças e resistência.

Perante o jeito que exercita, Cristina de Almeida Couto, membro da Academia Lavrense de Letras, professora universitária e jornalista, consolidou no seu trabalho a escritura poética de Chico Buarque na visão acadêmica suficiente de dizer o que aconteceu no imaginário da criação artística, contradições e vislumbres doridos, na fase extrema, totalitária. Caminhava-se pelas ruas deserdados; atravessavam as lamúrias de um modelo econômico de época, à força dos poderes internacionais na república ansiosa de algum crescimento material.

Talhes profundos, no entanto, feriam por dentro a alma, sobretudo de jovens da classe média embalados nos sonhos imaginários de liberdades civis ideais, frustradas na quebra institucional da luta brasileira.

Trabalhou com êxito o tema desse encontro das duas vertentes, do real no cotidiano, e das letras que o interpretavam através palcos e discos, a transmitir vozes gritadas ao enlevo dos ritmos novos – misturas de samba do morro, bossa nova e inventividade nativa.

Feliz a executar o projeto estabelecido, Cristina nos permite viver ou reviver a composição popular no mister desses acontecimentos, versão do coração de quem atendeu consignar a poética na história dos vencidos daqueles instantes.

Uma viagem técnica e sentimental, pois, através das letras das cantigas... exercício de fixação salutar e digno de quem deseja guardar as lições amargas da nossa geração urbano-industrial.

Culpa no cartório ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Falta de respeito, imoralidade, descaso e safadeza explícita para com todos nós, pobres mortais-comuns. É o mínimo que se pode deduzir das imagens veiculadas pela TV e que mostram o absurdo e surreal “teatro chinfrim” armado por dois “respeitáveis” (???) deputados federais quando de uma das sessões da Comissão de Constituição e Justiça (???) da Câmara Federal, em Brasília, na quinta-feira passada, 22.09.11.
Presidida pelo deputado federal César Colnago (PSDB-ES), tendo como votante apenas e tão somente o também deputado Luiz Couto (PT-PB) e sob os olhares incrédulos de alguns assessores, a mambembe e escabrosa “palhaçada” não durou mais que três (03) minutos, ao final dos quais foram aprovados incríveis cento e dezoito (118) projetos (entre os quais concessões de radiodifusão, projetos de lei e acordos internacionais). Acontece que, como lá ninguém quer mesmo nada com a vida (só comparecem em plenário às terças e quartas e folgam de quinta a segunda), àquela hora todos os demais deputados já se encontravam nos respectivos estados a fim de curtir o final de semana, depois de assinarem a lista de presença pela manhã.
Nas imagens veiculadas, o presidente da sessão, numa cena deprimente. já que dirigindo-se a um plenário vazio e entregue às moscas, é enfático: “...Em discussão. Não havendo quem queira discutir, os deputados que concordam com a aprovação em bloco dos pareceres permaneçam como se encontram. Aprovado”. E atentem que os dois “nobres” deputados integram a Comissão de Constituição e Justiça (???) da Câmera Federal e deveriam zelar pelo bom nome do Legislativo.

Também, fazer o quê, se o próprio poder Judiciário brasileiro é um antro de corrupção, roubalheira e falcatruas, conforme sugeriu recentemente o deputado estadual do Ceará, Moésio Loiola, numa sessão pública, ao dirigir-se diretamente ao presidente da OAB-CE Valdetário Monteiro e afirmar com todas as letras que “... o poder Judiciário pouco difere dos poderes Executivo e Legislativo em matéria de mordomia, nepotismo, fisiologismo já que as maracutaias são tantas que tornam praticamente impossível identificar os envolvidos”; na oportunidade, acusou ainda, peremptoriamente, a existência de “...desvio de conduta, fraude, estelionato, negociação de sentenças, venda de liminares, manipulação na distribuição de processos, grilagem de terras, favorecimento na liberação de precatórios, contratos ilegais e malversação de dinheiro público”; e complementou, contundentemente: “...muitos juizes não se dão ao trabalho de sequer ler os processos, manusear os autos, a fim de emitir as sentenças respectivas, dependendo do figurão que está por trás e da propina liberada.”
Como não se tem notícia que o deputado Moésio Loiola haja sido sequer advertido pela OAB-CE, pergunta-se: admissibilidade de rabo preso, culpa no cartório, reconhecimento da podridão que lá impera ???
Afinal, o que esperar de um Judiciário onde o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (Gilmar Mendes, que nunca sequer foi Juiz), atropela ritos e o andamento normal da lide processualística, a fim de conceder dois hábeas-corpus (em um só dia) a um reconhecido bandido (Daniel Dantas) ??? A trôco de quê ???
Elementar, meu caro Watson !!!

Crônica de Domingo - A decadência do Crato e os Políticos Canalhas

E finalmente chegamos ao domingo. Dia de parar para refletir e colocar em órdem nossos pensamentos e ações. Conforme os leitores poderão verificar logo abaixo dessa postagem, publicamos a "notícia-surprêsa" de que o SESI pretende instalar unidades nas cidades de Sobral e Iguatu.

Isso é uma notícia que para qualquer cratense que ama esta cidade é uma verdadeira punhalada nas costas empreendida pela FIEC, pelo fato de que esta mesma FIEC recentemente desativou a unidade do SESI do Crato, que funcionava e trazia benefícios há mais de 30 anos, e era um dos símbolos da nossa cidade. Mas não perdemos apenas o SESI, perdemos também nos últimos tempos dezenas ou centenas de investimentos e órgãos que funcionavam aqui.

Porque será que o Crato tem tantos inimigos ?

Tantos "homens", para não dizer outra palavra, que só vem aqui para tirar o que é nosso e levar para outras cidades ? Não me esqueço da reunião em 2010 quando veio o Pres. da FIEC comunicar lá no salão nobre da prefeitura, que a decisão de desativar o SESI do Crato era em caráter irrevogável, e que o prédio seria vendido, não havendo nada que o município poderia fazer. Aliás, o prédio está lá para ser vendido nesse momento. E agora vão ativar em Iguatu e Sobral ? Qual é a lógica disso ?

É preciso que os Cratenses façam uma retrospectiva do que a cidade já perdeu nos últimos tempos: Perdemos diversas universidades, perdemos grandes investimentos, que foram levados para a cidade vizinha ou pior, estavam funcionando e foram RETIRADOS do Crato. Vocês sabem quem está por trás de tudo isso, não sabem ??? Pensem um pouco...

Há poucos meses publicávamos mais um golpe que viria, dessa parte, do Governo do Estado do Ceará, da Secretaria das cidades, e denunciado pelo então secretário de Meio Ambiente de Controle Urbano do Crato, Sr. Nivaldo Soares, de que estava em andamento um plano macabro para a construção de um grande centro que funcionaria no local do "Centro de Apoio aos Romeiros" em Juazeiro do Norte, e que iria levar os últimos órgãos do Crato e da região do Cariri, centralizar tudo. A truculência foi descoberta a tempo e o engodo não se concretizou porque a voz da imprensa e do povo foi mais alta contra a secretaria das cidades, e a coisa toda estava escancarada demais, mas temos as provas documentais de tal atrocidade que pretendiam fazer.

O CONTO DA REGIÃO METROPOLITANA DO CARIRI

O Crato e as outras cidades do Cariri cairam no conto da "região metropolitana do Cariri", aonde se pensava que o desenvolvimento regional seria igualitário. Pensava-se que todas as cidades sairiam beneficiadas. Hoje vemos que fomos enganados, apenas UMA cidade se desenvolve, as outras entraram pelo cano nessa "estória". Nós mesmos fomos grandes apoiadores na época, da iniciativa, pois acreditávamos piamente que uma região metropolitana seria bem vinda. Quando recebi do Deputado Ely Aguiar uma mensagem dizendo que os políticos de Juazeiro queriam mudar o nome para "Região Metropolitana do Juazeiro" ao invés do "Cariri" em plena sessão da Assembléia Legislativa com o aval de toda a "turma do Cid Gomes", igual à época em que quando foram decidir aonde ficaria a Universidade ( UFC ) , se em Crato ou em Juazeiro, os políticos daquela cidade, mesmo inimigos, se cotizaram para levar a Universidade para lá, eu pensei com meus botões: "Estamos perdidos!". Graças ao Dep. Ely Aguiar que se movimentou na época, o nome hoje não é "Região Metropolitana do Juazeiro", e assim a coisa vem se arrastando. Temos tudo documentado. Aqui não é conto da carochinha nem falácias. O Blog do Crato funciona há 6 anos e temos todas as notícias amplamente registradas e guardadas. Todo mês, o Crato tem recebido uma verdadeira machadada, um duro golpe da parte de políticos que foram inclusive eleitos com o voto dos próprios cratenses.

MEA CULPA - A Culpa é dos Cratenses

Como sempre faço questão de frisar nas minhs crônicas, que não devemos ficar a culpar as outras cidades pela retirada dos órgãos do Crato. Eles fazem a parte deles, que é ir para o corpo-a-corpo e tentar ganhar. Vence quem tiver mais força. Na verdade, grande parte da culpa é dos cratenses que não votaram em quem defenda a cidade. Nosso eleitorado daria para eleger vários deputados Estaduais e Federais, mas os Cratenses sempre votaram em candidatos de fora. É preciso que as pessoas se conscientizem de que por pior que sejam os candidatos locais, é SEMPRE melhor votar num local do que votar em Políticos de fora. Num forasteiro. Porque os forasteiros não tem qualquer compromisso com nossa terra, eles só precisam do nosso voto e vão embora.

O Crato hoje amarga sem defêsa e à mercê de verdadeiros bandidos, que vem aqui e fazem o que querem. Ficam aí agora antes das eleições pulando de partidos, já preparando o próximo golpe, porque para eles, só interessa se dar bem no plano pessoal, nunca pensam no coletivo. São egoístas por natureza.

Crato precisa acordar e fazer uma lista dos órgãos que já foram levados da cidade e POR QUEM. Quem está por trás de tudo isso, caso a caso, e NUNCA votar nos mesmos canalhas daqui pra frente. E aliás, cuidado, porque os canalhas são os mesmos, eles apenas mudam de partidos para confundir a população. Essa é a dura realidade que precisamos compreender se quisermos ainda salvar o que resta da cidade do Crato - Outrora cognominada "Coração do Cariri".

Por: Dihelson Mendonça

1º ANIVERSÁRIO DO TERRAÇUS BAR E PETISCARIA




O TERRAÇUS - Bar e Petiscaria está fazendo um ano. Um ano apenas e já se mostra como um local bacana, super agradável e com boa estrutura para receber pessoas de bom gosto. Um local que tem se mostrado com bastante identidade em realizar eventos de qualidade e que conta com a presença marcante de um público maravilhoso. Para comemorar a data, o TERRAÇUS chamou a SERTÃO POP PRODUÇÕES para fazer a festa. Juntos estão trazendo duas maravilhosas bandas: a NIGHTLIFE, que, indiscutivelmente é a banda Pop-Rock mais festejada e amada do Cariri, e a fantástica cover do Pink Floyd CACO DE VIDRO, a sensação do TERRAÇUS no primeiro semestre.
Como é o primeiro aniversário do TERRAÇUS, achamos que essas duas bandas irão coroar a festa. Se você não pôde ver a CACO DE VIDRO da outra vez, esse é o momento. Os caras são simplesmente sensacionais. É você fechar os olhos e sentir o Pink Floyd tocando ao vivo no Cariri.
Vamos comemorar juntos esta data querida!

PS: A festa será de um ano do TERRAÇUS, mas será também em homenagem à memória do nosso grande amigo-irmão SAMUEL GRAVATINHA que nos deixou recentemente.

sábado, 24 de setembro de 2011

Quatro cantos

- Claude Bloc -


Fico quieta...
Deixo que a tarde
inunde a casa.
Retiro dos quatro cantos
a saudade acumulada,
as flores abandonadas
e então, livre de tanta espera,
olho o tempo, quando anoitece
quando o relógio bate apenas
as horas de alegria
e estampa nossos sorrisos
em volta da mesa
nossos passos pelo tabuado,
todos os sinais que ficaram
onde os sonhos
entrelaçam as mãos. 

Claude Bloc

Benigna, a Santa de Santana do Cariri -- por Armando Lopes Rafael


Inhumas é um povoado do município de Santana do Cariri. Localizado a 2 km do centro da cidade, lá ocorre um fenômeno da religiosidade popular, fato comum no chão dos místicos nordestinos. Trata-se da devoção à memória de uma jovem – Benigna Cardoso – alvo da veneração pelo povo simples de Inhumas e sítios vizinhos a este povoado.

Curioso em conhecer esta história fui até Inhumas e ouvi de um habitante daquela localidade que á fora palco, há 70 anos, de uma tragédia. A adolescente Benigna Cardoso, nascida naquela localidade, em 15 de outubro de 1928, levava uma vida igual às demais mocinhas da zona rural naqueles recuados tempos. Fazia as tarefas de casa e era encarregada, também, do abastecimento de água da família que a criava, pois era órfã.

Para tanto se deslocava, todos os dias, até um riacho distante da sua casa e trazia – num pote de barro – a água necessária ao consumo do dia. Sua formosura atraiu a atenção de um jovem de sua idade, Raul Alves de Oliveira, também residente em Inhumas. Mas Benigna nunca alimentou a expectativa do namoro pretendido por Raul.

No dia 24 de outubro de 1941, nove dias após completar treze anos de idade, Benigna iniciou cedo seus afazeres domésticos. À tardinha, colocou o pesado pote na cabeça e, enfrentando o sol causticante, tomou o caminho da fonte de água. Antes de atingir o local, numa curva da estrada, apareceu de repente Raul que lhe fez propostas amorosas recusadas de forma categórica pela mocinha. Tresloucado, Raul sacou de uma faca que trazia e golpeou por três vezes o corpo franzino de Benigna. Um dos golpes quase decepou a cabeça da jovenzinha, tamanha a fúria que dominava o homicida.

O fato chocou a todos. Depois da morte da jovem começaram as romarias ao local onde ela foi assassinada. Até hoje, muitas pessoas da redondeza de Inhumas fazem promessas rogativas à alma de Benigna. Até pessoas ilustres nascidas em Santana do Cariri – mas residentes em outras regiões do Brasil – recorrem à intercessão da jovenzinha para obter graças.

Um modesto marco, encimado por uma pequena cruz, recebe muitos ex-votos dessas graças alcançadas. O povo de Inhumas se refere à Benigna como “A santa mártir”. Seria bom que a Prefeitura de Santana do Cariri mandasse construir no local uma capela ampla para abrigar os que ali vão rezar, acender velas e deixarem ex-votos pelas graças alcançadas por intercessão da jovem Benigna Cardoso.

Padre Christiano Coêlho, vigário por longos anos de Santana do Cariri, e já falecido, escreveu, ao lado dos dados de nascimento de Benigna, no Livro de Batizados da Paróquia: “Morreu martirizada às 4 horas da tarde do dia 24 de outubro de 1941 no sítio Oiti. Heroína da Castidade. Que sua santa alma converta a freguezia e viva de proteção às crianças e às famílias da paróquia. São os votos que faço da nossa santinha”.
O bispo de Crato, dom Fernando Panico, instalou a Comissão Diocesana para estudar a  documentação existente sobre Benigna. E um padre da diocese de Crato foi a Roma, neste mês de setembro, coletar dados para instruir a causa diocesana sobre um provável processo da heroicidade de mártir Benigna Cardoso.

Uma cruz a caminho do Rio – por Marcelo Musa (*)

O regime comunista polonês orgulhava-se de ter criado, com Nowa Huta - distrito operário próximo a Cracóvia planejado como modelo de sociedade marxista -, a "primeira cidade sem Deus" da Polônia. Na verdade, era apenas uma cidade sem igreja. Sem o prédio de uma igreja. Por isso os operários levados para povoar Nowa Huta ergueram uma simples cruz de madeira no meio da cidade. E se revezavam montando guarda a essa cruz, enquanto esperavam que sua cidade se tornasse uma paróquia.

Em 1963, o jovem bispo de Cracóvia decidiu aumentar a pressão sobre o governo comunista para que finalmente fosse permitido aos católicos de Nowa Huta erguer sua igreja. Na noite de Natal, debaixo de chuva e sob temperaturas negativas, Karol Wojtyla rezou a missa do galo em Nowa Huta pela primeira vez. Muito antes da queda do comunismo na Polônia, Nowa Huta ganhou sua igreja. Para o então futuro papa ficou uma lição que ele levaria para o seu pontificado de mais de 25 anos: a Igreja não é um edifício. Também não é a hierarquia sozinha. A Igreja é a presença dos fiéis cristãos. Onde quer que eles estejam, ali estará a Igreja. Mesmo que seja em torno de uma simples cruz de madeira em Nowa Huta. E foi confiando nisso que João Paulo II pôs a Igreja de volta no centro da discussão dos destinos da humanidade no final do século 20.
Uma cruz igualmente simples e profundamente simbólica está no Brasil. Ela é uma criação de João Paulo II e, de certa forma, é filha direta da cruz de Nowa Huta. Trata-se da Cruz dos Jovens, que iniciou em São Paulo, no domingo, dia 18, uma grande peregrinação por dioceses da América do Sul a caminho do Rio de Janeiro, sede da próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Há quem veja, mesmo dentro da Igreja, as Jornadas Mundiais como pouco mais do que uma celebração. Ou uma ótima oportunidade de "evangelizar os jovens", como gosta de dizer parte do clero. Uma espécie de grupo de jovens da paróquia em larga escala. Mas é muito mais do que isso.
A ideia da Jornada Mundial da Juventude começou a se delinear na mente do beato João Paulo II ao fim do Ano Santo de 1984. A grande cruz de madeira que ficou durante todo o ano na Basílica de São Pedro foi confiada aos jovens por ele. A tarefa, disse João Paulo II, era "levá-la para todo o mundo". Ainda não estava claro o que isso viria a significar. Os jovens levaram cruz a eventos católicos e, aos poucos, ela foi ganhando importância como símbolo. Até que o papa enviou os jovens, com sua cruz, para Praga, então parte da Checoslováquia ainda sob domínio comunista, de onde era arcebispo o cardeal Tomasek, preso pelo regime comunista nos anos 1950.
Aí, com a Cruz dos Jovens no mesmo papel da cruz de Nowa Huta, nasceu a ideia das Jornadas Mundiais da Juventude. A simples, mas eloquente, cruz de madeira seria levada pelos jovens, com a audácia e a coragem típicas da idade, a qualquer lugar do mundo. Mesmo onde não a quisessem. Fosse uma cidade além da Cortina de Ferro, como Praga, fosse para capitais de uma Europa pós-cristã, como Paris.

No pontificado de Bento XVI, o comunismo - a mais duradoura e das sanguinárias experiências de engenharia social que marcaram o catastrófico século 20 - já é um monstro derrotado. O perigo, aponta o papa, é o relativismo moral que aceita apenas o cálculo de satisfações como critério e insiste em usar o poder do Estado para manter a visão religiosa dos cidadãos fora do debate público. Esse é o sentido profundo das Jornadas Mundiais da Juventude. É preciso levar a sério a análise do papa de que os jovens são os protagonistas da Jornada. Elas não servem para os padres e bispos evangelizarem os jovens. Elas servem, isso sim, para os jovens evangelizarem o mundo.
(*) Marcelo Musa é jornalista de “O Estado de S.Paulo”

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Blogger: Retábulo de Jerônimo Bosch - Todas as postagens

Blogger: Retábulo de Jerônimo Bosch - Todas as postagens: – Enviado usando a Barra de Ferramentas Google

Hannibal em Matozinho


Assilon Cananéia tremeu do topete ao dedão do pé. De repente, ante as invectivas de D. Soledade, percebeu : tinha sido pego com as cilhas da cangalha frouxas. Ficou de um lado para outro, como galinha procurando canto para pôr o ovo. Parecia que ensaiava os passos cadenciados do Raggae, feito papagaio em areia quente. E agora? Soledade tinha sido categórica, firme, definitiva: amanhã você tem que se confessar, Si-Si, senão não vai poder comungar no casamento de Zuleika! Naquele exatíssimo momento se tinha interposto a última bola que lhe formatara a sinuca de bico. Ainda tentou contra-argumentar com a mulher. Já tinha tanta gente para a fila da hóstia, carecia lá mais um pecador no pé do padre? Soledade enfureceu, fez cara de cachorro pé-duro quando sente cheiro de onça maracajá. Aquilo seria uma desfeita sem tamanho! Onde já se viu? A filha no pé do altar e o pai esborrotando de pecado, se recusando a ajustar as contas com o Salvador? Pois bem, ameaçou a esposa: Zuleika já disse, seu miserável, se o pai não se confessar, ela se recusa a entrar na igreja, prefere viver junta com Senevaldo. Filha de pecador, tem que seguir os rastros do pai. A arapuca estava armada.

Assilon saiu meio capiongo para o trabalho. Cobrador de ônibus por longos anos, atualmente esquentava o banco no escritório da “Viação Rola Cachecha”. Não lembrava a data da última confissão. Ficou pensando na ruma de pecado que ia ter que fazer desfilar nos pés do padre. Alguns cabeludos como jumento novo. Cidade pequena, todo mundo conhecia todo mundo, ficou pensando no constrangimento que iria passar. Primeiro relacionado com o tempo da entrevista que já assustaria todos da fila da confissão e depois com o tamanho da penitência que o rigoroso Padre Arcelino lhe sapecaria. Preocupava-se, sobremaneira, com um namorico escondidíssimo que entabulara com uma beata da igreja, D. Zulena, que, por uma coincidência terrível, era sobrinha logo de quem ? Do vigário da cidade: o brabíssimo Arcelino. Convenhamos que Si-Si estava carregado de muitas razões para entrar no trabalho daquele jeito: mais prá baixo que diferencial de cururu. Os colegas perceberam o carrego , mas ignoraram, não tinham intimidade suficiente para escarafunchar aquele maribondo de chapéu. Havia, no entanto, um amigo mais chegado . Pois bem, Deusamém , montado numa confidencialidade de muitos e muitos anos, cutucou o vespeiro, sem medo das ferroadas. Si-Si , então, com os problemas já vazando pelo ladrão, contou tudo. Estava preocupado com a tarefa inadiável do dia seguinte e temendo a repercussão. Deusamém, macaco velho, saltou de lá com uma idéia brilhante. Lembrou que estava na cidade, visitando o pároco, um Padre alemão, recém chegado ao Brasil. Ainda não falava direito o português, mas teimava em confessar os fiéis. Deusamém acreditava que o Padre Nossinger Radikoff seria uma ótima saída, pois se não falava bem o português, imaginem o Matozinês, um dialeto dos mais intrincados e difíceis do mundo ! Assilon respirou aliviado e voltou para casa mais tranqüilo. Deusamém arranjara uma saída genial. Primeiro a demora seria facilmente compreendida pelo choque lingüístico entre confessor e confessado, depois havia a possibilidade de absolvição plena , sem demais protocolos e burocracias.

No dia seguinte, um contrito Assilon tomou piedosamente lugar na fila da confissão. Quando chegou sua vez, ajoelhou-se candidamente e esperou o palavrório de Nossinger que não demorou a ser escarrado da goela, com aquele sotaque forte de quem se entalou com farinha seca:

--- Meurr Filhorrr , digarr seusrr pecadorrrss!

--- Seu padre eu botei um “gato” na água lá de casa e no trabalho como cobrador, carrego um monte de “cabrito”no ônibus!

--- Meurr filhorrr, deixe de marvadezarrr com os bichinhosrrr de Deusrrr. Não derrr banhorr em gatorr não, viuuu? Agora carregarrr cabritooorr, meu filhoorrr, não serrr pecado não! Querr mais ?

--- Seu padre, quando eu vou para a roça, vez por outra eu como uma cabrinha que eu crio por lá.

--- Meurr filhorrr, isso não serrr pecadorrrrr, carne de vacarr, de boderrr, de porcorrr só serrr pecado na Semanarr Santarrr... Querr mais, meurrr filhorrr?

--- Quando não é a cabra seu padre, gosto de pelar uma sabiazinha...

--- Marvadezarrrr com os bichinhorrr de Deus, seu Assilonrrrr, de novorrr? Querr mais ?

--- Seu padre, eu tô comendo uma beata, é pecado?

--- o quêrrr ? Vocêrrr é caniballll, hein?

--- Não seu padre, eu tô fazendo um calamengau com ela toda noite!

--- Com elarrr quem ???

--- O calamengau é com Zulena !

--- Mingaurrr de Maizenarrr não é pecadorrr não seu Assilonrrr !

--- Mas seu padre, eu tenho feito com ela é por trás...

---- Porrr trássss? Arrrrr seurrr Assilonrrr ! Pois o senhorrr é um sujeitorrr traiçoeiroorrrr, não errrr ?...

No dia seguinte, devidamente purificado,ante os olhares de gratidão de D. Soeldade, o ex-traiçoeiro, ex-canibal, ex-judiador de gatos e sabiás , o ainda traiçoeiro Assilon lá estava pronto para papar a hóstia sagrada no casamento de Zuleika e Sonevaldo .

J. Flávio Vieira

P.S. – De uma idéia original de armando Rafael este texto é dedicado ao Capitão Ariovaldo Carvalho, Cidadão Matozense.

A CÍCERO DIAS



O mundo começa no Recife

A mulher com vaso de flores no barco
e as figuras de pescadores

A mulher com chapéu de flores
e a justiça

Tudo é a cor da memória

A moça com a mão na cabeça
e a tarde no terraço

As mulheres na varanda
e o canavial

O casamento da água de beber
com as bailarinas

Os coqueiros ao vento na praia branca
e a grande mãe

As figuras na paisagem
a graça da infância em Boa Viagem

A melancolia
da moça no pátio de São Pedro

A nostalgia
da mulher com a maçã sentada na janela

No porto
a pastoral da paisagem com o mar

Na tarde tropical
a saudade e o sonho da prostituta

Um ciclo de vida
no vaso com flores

Cícero pinta
com o diamante na boca

Cícero viu a gênese do mundo
pintado

                     J. C. Brandão



Pessoal, Vamos ter que votar tudo de novo! Chegamos a 270 votos e a enquete deu defeito.


Agora, vamos votar na nova enquete, no Canto Superior direito do Blog do Crato.

Pessoal, a Enquete original deu um defeito. Já estávamos com 270 VOTOS quando retornou a apenas 155 "ótimos". Acho que teve gente que tentou votar 2 vezes. O segundo voto anula o primeiro. Por isso, agora eu criei uma enquete mais segura na aba lateral, no topo do Blog do Crato. Votem nessa nova enquete. Sei que em 3 dias nós conseguiremos atingir até mais do que 300 votos.

Peço que votemos na nova enquete, fica no canto superior do Blog do Crato:


Conto com a sua colaboração!
Como diria o matuto: "É um sacrifício medonho..."

Abraços,

Dihelson Mendonça

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

UM POUCO DE RECORDAÇÃO

PEDRO ESMERALDO

Recordamos as belezas naturais do Crato de antigamente. Era uma cidade pacata, cheia de belezas naturais e ainda um pouquinho das belezas artificiais. Recordamos as obras d’arte como a fonte luminosa da Praça Francisco Sá, o prédio da Estação Ferroviária, a Estátua da Samaritana nessa referida praça que nos deslumbrava com o farfalhar das águas da fonte luminosa. Muita gente ficava admirada pelo crescimento da sua economia, já que o homem de outrora era um gigante no seu trabalho.
Trouxeram para o Crato grande progresso que ao mesmo tempo tínhamos prestígio para adquirir melhoramentos, como: a expansão técnica da agricultura da época, éramos enaltecidos por uma cultura bem elevada e foi daqui que surgiram grandes líderes intelectuais que todos ficavam embevecidos por sua força de intelecto, que tinha poderes de sobressaírem-se, trazendo para o Crato uma força de equilíbrio moral que nos deixava bem fortalecido com a ética e prestígio.
Por essa razão, pedimos a todos que nos recordemos do passado, forçando a recuperação da antiga fonte luminosa e da estátua samaritana que foi oferecida ao município pelo ex-jogador de futebol Mundinho. Também queremos que nos tragam mais empenho e force o homem a trabalhar com galhardia e espírito de justiça.
Hoje em dia, após a permanência de políticos inadequados que invadiram a zona urbana da cidade, vimos um Crato apático com um povo desanimado, sem esperança de trabalhar permanece, com o fito de ver a cidade desrespeitada pelos algozes dos inimigos que querem levar ou já levaram em parte os nossos bens materiais que conquistamos com força, trabalho, suor e lágrimas.
Infelizmente, não estamos atentos porque fomos atingidos pelas peçonhas das cobras inimigas que invadiram a cidade com palavras mansas dizendo que todos somos iguais. Mas os maiorais só são somente eles, os perversos urubus.
Esses políticos arredios ao progresso permanecem omissos e deixam tudo correr frouxo e não levantam sequer uma palha a fim de defender a cidade das garras desses felinos predadores que vêem aqui surrupiar tudo o que é nosso.
Felizmente, encontramos pessoas corajosas que querem lutar e trabalhar para ver se ao menos conservamos em parte alguma coisa que sobra no decorrer do período.
Não queremos marchar à toa, mas queremos usufruir dos desígnios do passado porque somos humanos e queremos sobrelevar com magnificência de homem sério a fim de evitar os embustes que constantemente ocorrem no decorrer do tempo.
O que notamos é que esses homens de mente curta não se interessam pelo progresso dessa cidade, marcham sem rumo e sem ânsia de progredir.
Também queremos lembrar que o Crato sofre há anos e sempre causado pela apatia de seus filhos que pouco a pouco entregam o Crato aos inimigos. Esses homens pouco endinheirados só pensam no vil metal e deixam o Crato ao léu.

Crato-CE, Setembro de 2011.


Pela Janela
- Claude Bloc -

Vista da Serra Verde - pela janela

Sigo em frente. Ando em volta. Apresso o passo. Dobro a esquina. Vou depressa, paro um pouco. Para onde vou?

 Se eu abrir um pouco a minha janela e olhar para dentro, descubro que estou lá! Só que a janela nem sempre está aberta ou eu nem sempre me lembro de espreitar.

Então, sigo em frente. Apresso o passo. Dobro a esquina.Vou depressa. O tempo corre depressa. Ou melhor, nós corremos depressa sobre um tempo que é só um. 
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Chegam as notícias pelas frestas da porta e deixam marcas nos nossos subconscientes. Abro de novo a minha janela e olho para dentro. Eu continuo lá, espreitando com atenção, a vida passar, o tempo passar...

 E vou ficando por lá. Lá onde a felicidade se deixa espreguiçar. Estou lá. Lá onde a alegria me acena com mil cores. Com um doce, macio e cúmplice sorriso. Vários sorrisos. Milhões...


Claude Bloc

Duas faces de uma só natureza - Emerson Monteiro


A mulher e o homem são aspectos distintos, porém integrais, da natureza que os dois formam e se repetem ao infinito. Houvesse ausência de um, e deixaria vazio de não ter tamanho, a ponto da total interrupção dos acontecimentos biológicos que representam a longa história de todos nós.

No decorrer do tempo, contudo, devido aos motivos dos que buscam aprender das condições normais, invés de somar, excluem e criam divisões, a pretexto de reinar a fria competição, a concorrência desleal, da selvageria de um dos sexos, quando eles mesmos sozinhos se completam.

As características da mulher e do homem representam perfeição em termos de organização social, na elaboração da célula mãe da família e dos grupos. De sã consciência, ninguém levantará bandeira de superioridade entre esses dois aspectos essenciais do casal humano à procriação e educação das gerações, no sentido da construção ideal de uma sociedade justa.

As definições de cada um desses distintos elementos compõem a vida e pedem apenas que se respeitem no tanto certo de estabelecerem a felicidade ideal das pessoas. Exemplos haverá aos turbilhões de quem compreendeu tais características próprias da mulher e do homem, frutos da ciência universal. Isso põe a pensar no quanto ainda precisam conhecer dos segredos da paz, até rezar do jeito correto nas cartas das existências coletivas.

A riqueza dessas peculiaridades dos sexos rasga vistas dos que querem aprender o objetivo da lei da Criação, seus sabores e suas normas dignas da mais lúcida exatidão matemática.

Ao observar, pois, a ação amistosa entre os irmãos, o viajante das estrelas conclui que sem a mãe ou sem o pai nada existiria para merecer nome de filhos, e nenhuma história nasceria antes de tudo para se conhecer.

Eis, por isso, qual a solução das crises que sustentam a ilusão de serem opositores as duas manifestações dos que vierem morar algum tempo neste chão comum de dois.

Não Vou Sair - Celso Viáfora

Não Vou Sair - Celso Viáfora


A geração da gente
Não teve muita chance
De se afirmar, de arrasar, de ser feliz
Sem nada pela frente pintou aquele lance
De se mudar, de se mandar desse país
E aí você partiu pro Canadá
E eu fiquei no "já vou já"
Pois quando tava me arrumando
Pra ir
Bati com os olhos no luar
E a lua foi bater no mar
E eu fui que fui ficando...

Distante tantas milhas
São tristes os invernos
Não vou sair, tá mal aqui, mas vai mudar
Os velhos de Brasília
Não podem ser eternos
Pior que foi, pior que está, não vai ficar
Não vou sair
Melhor você voltar pra cá
Não vou deixar esse lugar
Pois quando tava me arrumando
Pra ir
Bati com os olhos no luar
E a lua foi bater no mar
E eu fui que fui ficando...

Postado por Aloísio

Entre “tapas e beijos” ... o “morde e assopra” - José Nilton Mariano Saraiva

Transmitido ao vivo pela TV Assembléia, semana passada (15/09/11), o plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará acolheu os participantes de um seminário abordando o tema “Um basta na corrupção”, promovido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp) e solicitado pelo Deputado Estadual Fernando Hugo (ao qual fizemos questão de comparecer).
Além do próprio, dentre os componentes da eclética mesa figuravam: a jornalista Adisia Sá, o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza Tim Gomes, o jurista Almir Pinto, a conselheira do TCE Soraia Vitor, o presidente da OAB-CE Valdetário Monteiro, o representante do Ministério Público promotor Romério Pinheiro, o bispo emérito de Limoeiro do Norte Dom Edmilson Cruz; o procurador-chefe da Fazenda Nacional Luiz Martins e o Deputado Federal Raimundo Gomes de Matos, que foram unânimes em condenar, sob aplausos, o atual estágio de corrupção vigente no país.
Vale ressaltar o reconhecimento de quase todos para com a presidenta Dilma Roussef que, segundo Tim Gomes "...dá exemplo à sociedade com a demissão sumária de ministros envolvidos em atividades irregulares”; já a jornalista Adísia Sá foi direto ao ponto, ao contundentemente declarar: "Fala-se muito de combate à corrupção. Por que não se diz onde estão? Estou cansada de ouvir a mesma coisa. Temos que dar o nome dos responsáveis. Apontar nomes, provar e punir", cobrou Adísia, elogiando a presidente Dilma Roussef, "...que já pôs na rua vários ministros. Isso é um exemplo para governadores e prefeitos".
A surpresa, entretanto, deu-se quando a palavra foi facultada a algumas pessoas que antecipadamente se haviam inscrito. Foi então que, o Deputado Estadual Moésio Loiola surpreendeu (agradavelmente) a todos. Após as saudações de praxe, manifestou seu profundo desconforto com as recorrentes acusações assacadas contra os políticos em geral e os componentes do legislativo estadual, em particular (embora nas as desmentisse), mas que estariam sendo injustiçados e, dirigindo-se diretamente ao presidente da OAB-CE Valdetário Monteiro, - olho-no-olho - chamou-o de querido, simpático, inteligente, mas...
Mas que ele tomasse providências (e urgentes) porque o poder Judiciário pouco diferia dos poderes Executivo e Legislativo em matéria de mordomia, nepotismo, fisiologismo e que as maracutaias são tantas que tornam praticamente impossível identificar os envolvidos; acusou peremptoriamente (com todas as letras, pontos, vírgulas, acentos e exclamações) a existência de desvio de conduta, fraude, estelionato, negociação de sentenças, venda de liminares, manipulação na distribuição de processos, grilagem de terras, favorecimento na liberação de precatórios, contratos ilegais e malversação de dinheiro público e – muito mais grave - que tinha conhecimento, de fontes fidedignas, que muitos juizes não se davam ao trabalho de sequer ler os processos, manusear os autos, a fim de emitir as sentenças respectivas, dependendo do figurão que estaria por trás e da propina liberada.
Não é preciso dizer que foi aplaudido de pé. Surpreso, o presidente da OAB-CE Valdetário Monteiro (que já houvera usado da palavra) pediu e conseguiu replicar (ou treplicar) e, entre “tapas e beijos, morde e assopra”, os dois se comprometeram a ter uma conversa esclarecedora, a posteriori.
Você, aí do outro lado da telinha, acredita que mudará alguma coisa ???
Ou será que os três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) que se rotulam de autônomos e independentes, aqui se igualam e continuarão, convenientemente, defecando pra humanidade ???
Façam suas apostas.