I
Agora o fetiche
não é mais sonho -
vejo lagartas de fogo
traçando minha borboleta
dos olhos de mel.
II
Minha língua tem um sinal
na bifurcação da serpente -
ao mesmo tempo
sente o cheiro da presa
faz cócegas na maçã
e ao solitário promete
um adocicado inferno.
.
Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
Origens do Haiku I - Por Cesar Augusto
O Haiku Japonês tem suas raízes nas velhas religiões do oriente (Taoísmo, Confucionismo e Budismo). As duas primeiras tomam forma durante o século V a.C. na China. A terceira, procede da India e, ainda que seu nascimento possa ser considerado simultâneo, não chega a China até o século I a.C. aproximadamente com a dinastia HAN. Assim mesmo, consideraremos como uma fonte remota da poesia clássica chinesa. A influência é portanto, muito mais antiga no tempo, e se introduz de um modo geral na temática através de conceitos globais (religiosidade, filosofia, etc).
TAOÍSMO - Fundado pelo mítico Lao Tse (velho professor), gira em torno da ideia fundamental do Tao, o princípio do universo em que se confluem uma série de opostos como a vida e a morte, o bem e o mal, o todo e o nada. Deste princípio, emanam os conceitos contrapostos e, por sua vez, complementários: o YIN e o YANG (a mulher e o homem, a terra e o céu). A filosofia TAO é a grande origem de tudo, mas é também o grande vazio. É uma doutrina de não-ação, e preconiza de alguma forma, a inserção harmônica do homem na construção da natureza, do universo...
CONFUCIONISMO - Moral filosófica que devemos a Confúcio (Kung-Fu-Tzu), falecido 480 a.C. Sem pensar em seres superiores, Confucio estabelece uma moral ao alcance de todos,orientada para o mundo; proporciona ao povo uma ética que abarca todas as facetas e circunstâncias da vida. Altera certos conceitos do Taoísmo, pois podemos considerar agora três princípios básicos: o céu, a terra e o homem, que unifica ambos conceitos. Muito conhecido é este aforismo de Confúcio "Os peixes foram criados para a água e o homem para o caminho" isso se enlaça com certos conceitos Taoístas e com o próprio "caminho do haiku" que seguiriam grande autores de haiku como Bashô, e que consiste em uma vida ascética e frugal, de observação, e identificação com a natureza e com o mundo. O Confucionismo é uma influência que contribuiu para culturizar a poesia japonesa tingindo-a de espontaneidade e de moralidade confuciana, e no aspecto formal, de concisão e simplicidade.
BUDISMO - No século VI a.C. vivia na Índia o criador do budismo, Buda, um príncipe Hindu cansado do mundo que se retira a meditar . Buda então tem uma iluminação: vê o mundo em que vivemos como uma série de enganos e falsidades materiais. Partindo desse princípio, considera que a nossa vida ignorando o verdadeiro valor das coisas. Para superar esse desconhecimento, nos propõe um caminho de meditação que, e no final, nos conduz ao nirvana ou iluminação (satori em Japonês). Alcançar o nirvana é desprender-se por completo das ataturas da vida, criar um vazio interior e "preencher" o espírito de verdade e de coisas boas. A compreensão e o perdão de Buda estão ao alcance de todos os seres humanos. Uma menção aparte, merece o ZEN, herdeiro de uma das correntes budistas que são formuladas pelas revelações de Buda, o budismo Mahayana e da tradição taoísta. O ZEN se desenvolve na China e desde o século XII, se introduz com normalidade no Japan. Sua espiritualidade influi decisivamente no haiku. Para o zen, assim como para o budismo, tudo é sagrado, tudo tem sua dimensão: um montinho de poeira, contém a terra enteira. Enlaça neste sentido com o panteísmo sintoísta, a verdadeira religião do Japão anterior as influiências chinesas. O zen, portanto, preenche o haiku de simbolismo, de mistério, de amor por uma vida simples e ascética.

POESIA CLÁSSICA CHINESA - O século VIII é uma época de consolidação da influência chinesa no Japão que começou no século VI. É uma influência que se extende a todos os aspectos da vida cotidiana; desde a religião, como já vimos, até a literatura. Nesta última, os temas de influência serão, a tristeza, o passar do tempo e o cansaço do mundo. São temas, em geral, bastante pessimistas. Como reação, chega a produzir no povo japonês certo repúdio a influência chinesa por medo de perder a identidade japonesa mais tradicional. Uma conhecida peça de teatro Noh (teatro típico japones de linguagem muito arcaica) chamada Harurakuten, nome de um grande poeta chines com muita fama no Japão, o tema da peça é a expulsão deste poeta do Japão por medo de sua grande influência. Em quanto a forma, a poesia chinesa se estrutura frequentemente em grupos de versos curtos que podem se tomados separadamente e nela, na poesia chinesa, encontramos antecedentes diretos do haiku como os "jueju" da dinastia Tang (século VII - X) quartetos de versos de 5 e 7 sílabas que persiguem uma poesia sintética do momento, da percepção sensitiva, tal e como encontraremos alguns séculos mais tarde. São denominadores comuns entre as poesias chinesas e japonesas a espiritualidade herdada da tradição religiosa e a comunhão com a natureza. Consideraremos como tais, as próprias fontes literárias da cultura japonesa, antecedentes do haiku na sua pauta formal e no seu conteúdo. É imprescindível citarmos o Manyoshu (coleção de dez mil folhas) a primeira grande antologia medieval nipônica que remonta do século VIII que recolheu os gêneros poéticos que se praticavam na época. Os primitivos Katauta, ainda anteriores ao Manyoshu, eram estruturas poéticas formadas por um só poema ou canto com duas possíveis pautas silábicas: 5-7-7 ou 5-7-5 (esta última é a mesma do haiku). Os katauta em forma de pergunta e resposta formavam um "mondô", um gênero poético bem mais superior. Já no próprio Manyoshu não aparecem Kakauta mas outras formas evoluidas como são os "Sedoka", "choka" (canto comprido) e "tanka" (canto curto). O canto maior constava de versos de 5 e 7 sílabas alternando constantemente sem uma medida pre-fixada de todos os poemas. Os tanka, por sua parte, eram duas estrofes de 3 e dois versos na forma 5 -7 - 5 e 7 - 7. Por último, sedoka eram poemas de dois estrófes idênticas: 5-7-7 e 5-7-7.
Pouco a pouco, conforme a mudança dos hábitos dos poetas, vão desaparecendo os gêneros como sedoka e choka convertendo então a Tonka, forma dominante, en waka (canção japonesa) por excelência. O konkishu, a nova antologia surgida no século X contém sómente 5 chokas e 4 sedoka, sendo o resto exclusivamente tankas (uns 1100 poemas). A evolução ao haiku tem seu primeiro estágio na separação paulatina da primeira estrófe da tanka (chamada hukku de medida 5-7-5) do resto do poema. Mas existe um gênero poético que se encaixa entre a tanka e o haiku, surgio no princípio do século XII no período REIAN, chgamado renga (que significa canção ou poema encadeado). Renga consiste em uma sequência de tankas compostas por vários poetas que, en um ambiente festivo e relaxado, em competição se querem, vão formando a poesia. Nesta obra conjunta, o hokku tinha muita importância, pois era a base do resto do poema e deveria sugerir um tema aos poetas que iriam compor o poema renga. Esta primeira estrófe começou a cobrar pouco a pouco certa independência e nas sucessivas antologias poéticas, foram criando sessões dedicadas inteiramente ao hokku e poetas como Sôgi , já no século XV, se dedicariam a compor hokku independentes.
Como último passo, ao conceito do hakku tal como nos chegou, nos encontramos com o HAIKAI, designação essa que chegou a considerar-se sinônimo de haikku e que consiste em um giro que alguns poetas jovens, no final do século XV, dão ao renga en resposta a sua rigidez formal e conceitual. Haikai é uma palavra que já aparece no Konkishu em referência aos versos cômicos e ligeiros. Haikai renga é, portanto, um conjunto de poemas divertidos, sem muita transcedência, de linguagem simples, sentido irônico e, diga-se de passagem, (rsssss), com pouca qualidade literária. Assim, nessas circunstâncias, se formam outras escolas que fomentam a criatividade poética do Japan, algumas partidárias de certa rigidez em suas premissas poéticas e outras de carater mais flexivel.
Cabe fazer, por último, uma nota sobre o sentido que aparenta dominar o haikku clássico. E como um empurrão que se dá espor'adicamente em outras formas poéticas japonesas como sedoka e chokae que começa a ser algo mais corrente no tanka. Sogi é o primeiro poeta que insiste em incluir como algo necessário uma palavra que referêncie a estação do ano no hokku e se dedica, inclusive, a relacionar certos eventos e objetos naturais com estações do ano determinadas, para que o leitor possa, depois de identificar a estação do ano colocar o haikku em um ambiente particular. O costume de incluir no poema a palavra relativa a estação (popularmente chamada kigo) se converterá no futuro na senha de identidade do haikku no mesmo nível que a sua medida formal 5-7-5
traduzido por Cesar Augusto
author L.C. Vasco
Crato - Educação, nos anos 60 - Por Socorro Moreira


Naqueles tempos tínhamos figuras representativas , em demasia.
Monsenhor Montenegro no Colégio Diocesano ; Fátima e Irmã Siebra no Colégio Santa Teresa; Dona Stela e Chiquinha Piancó , no Pio X; Dona Anilda Arraes no Instituto São Vicente Férrer; Dr. Luiz de Borba Maranhão no Colégio Estadual ; Madre Feitosa no Colégio Madre Ana Couto, além de um ensino público de excelente qualidade. No Colégio São João Bôsco tínhamos os nossos especiais e dedicados educadores: Dr.José Newton Alves de Sousa e Dona Rute Barreto de Sousa. Dr.José Newton era também Diretor da Faculdade de Filosofia , quando esta foi criada.No seu desempenho educacional nunca poupou nenhum sacrifício para fomentar e otimizar o ensino .
A Aliança Francesa , por exemplo, no seu primeiro ano de atividade é reflexo da sua administração.
E eis que Claude Bloc foi a primeira professora do primeiro ano de francês ; o segundo ano ficou à cargo da professora Sílmia Sobreira.
Fizemos um teste para compor as primeiras turmas. Consistiu na leitura e tradução de uma página do livro "O pequeno príncipe". Graças à Dona Lurdinha Esmeraldo fui matriculada no segundo ano de francês. Entretanto , a maioria, inteligentemente, decidiu começar pelas noções. Entre muitos estava Ana Cecília.
Ana Cecília, segundo a minha irmã Verônica ( sua colega no ginásio) destacava-se pela inteligência .
Outro dia , conversando com Everardo Norões ele comentou o trabalho admirável daquela menina , já renomada poetisa.
E tratamos de localizá-la : eu e Claude. Como era de se esperar houve receptividade .Hoje , qual não foi nossa alegria , senti-la no grupo como um dos nossos.
Complementando a prosa , relembro outros grandes professores da época , a quem devemos nossa base e estímulo cultural : José do Vale Feitosa, Vieirinha, Pe. Xavier Nierhoff, Vera Lúcia Maia, Ivone Pequeno, Cira Esmeraldo, Terezinha Pinheiro, Dona Astrês, Professor Anchieta, Ana Teresa Esmeraldo, Cidália Luna, Maria de Lourdes Esmeraldo, Agnelo de Paula Damasceno, Pe. Davi Moreira, Hermógenes, Felix, Adalgisa Gomes, Lirêda, Eneida Figueirêdo, Dr. José Nilo, João de Borba , Elsa Ramos, Divani Cabral, Pe. Ágio, Mendonça, Vinícius, Eugênio, Maria do Carmo Feitosa, Nirson Monteiro, Pe. Gonçalo, Auzir, etc,etc.
Destaque especial para a genialidade do Pe.Davi Moreira.
Segundo Humberto Cabral foi professor sabatinado, em Fortaleza , pela licença do ensino científico no Crato. Brilhante representação !
Cada nome citado merece um texto, uma homenagem , uma reverência !
Socorro Moreira
Quem foi seu mestre maior ?
João Nicodemos de Araújo Neto - Por Socorro Moreira

João Nicodemos
“Descobri na viola um veículo para expressar meu sentimento de brasilidade”. Assim João Nicodemos, artista da culturalmente efervescente região do Cariri cearense, sintetiza sua musicalidade expressa por meio de uma forma peculiar de tocar a viola. Multiinstrumentista e professor, Nicodemos toca e ensina violão, cavaquinho, flauta doce, flauta transversa, rabeca, viola de dez cordas, guitarra, contrabaixo e saxofone. Como compositor, está preparando seu CD “Viola e violeiro”. Gosta de viajar Brasil afora difundindo a cultura popular, com destaque para sua “viola inxirida”, uma viola com afinação goiano-mineira, cuja execução mescla técnicas de violão e viola, resultando numa sonoridade diferenciada.
Conheci Nicodemos nos idos do ano 80. Trabalhávamos no Banco do Brasil em Uberlândia - MG, no setor de informática, como gravadores. Tínhamos a cada uma hora, um intervalo de folga de 15 minutos. Corríamos um para o outro pra falar de música : violão e cavaquinho. Mas naquela época ele estava cursando a Faculdade de Música e exercitando dois grandes instrumentos : flauta doce e violino.
Éramos bancários com a sensibilidade à flor da pele. Tínhamos alma de artista , mas na logística gravávamos balancetes.
De Uberlândia voltei uns tempos para o Ceará , e Nicodemos pegou o rumo de Petrópolis - RJ. Nas férias ele sempre chegava, ao local aonde eu estivesse. Viramos irmãos.
Ele fazendo mímicas, poemas, teatro, fotografia, dança,e tocando um instrumento.
Em 1995 deixamos de ser bancários. Voltei pro seio da Matemática , e o Nicodemos assumiu sua missão de músico , artista.
Contribuiu significativamente com a cultura da nossa Cidade , quando morou no Crato por quase uma década.
Aqui fez e concluiu o seu curso de Educação Física, tornou-se professor de Ioga, e de música.
Agora está pelas praias da Paraiba ...João Pessoa foi quem ganhou !
Mas um elo de amizade e profundo amor ainda liga Nicodemos à Chapada do Araripe. Existem por aqui as águas da nascente , uma ruma de amigos, e o cheiro do pequi.
Esse paulista de Tupã, com raízes em Brejo Santo sempre será nosso irmão.
Fiquei muito feliz com a sua adesão à nossa lista de colaboradores.
Quero do moço , o cordel; o poema e a crítica; os acordes do seu pinho , e o resto dos instrumentos. Quero sobretudo a sua amizade, pois no meu peito é vivente !
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Socorro Moreira
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P.S.
Meus filhos , quando pequenos , decoravam os poemas do Nicodemos :
" à toa , à toa
meu coração desabotoa "
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Não negocio
Nem ócio, nem cio "
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Ainda hoje são fãs incondiconais do Nico.
Caio tem gravada nos dedos, a sua caricatura; André e Victor o respeitam como um artista completo ...E eu também !
História e Música - Por Norma Hauer

ALCEBÍADES BARCELOS
Ele nasceu em Niterói no dia 25 de julho de 1902 e faleceu em 18 de março de 1975.
Já aos seis anos veio com sua família para o Rio indo residir no Estácio onde viveu a maior parte de sua vida.
Exerceu o ofício de sapateiro até incorporar-se aos sambistas do Estácio, dentre eles Ismael Silva, Brancura, Baiaco e, depois, Benedito Lacerda. À exceção de Benedito, os sambistas do Estácio fundaram, em 1928, a primeira escola de samba,dando-lhe o nome de "Deixa Falar".
Já nesse mesmo ano, teve sua primeira composição ("A Malandragem") gravada por Francisco Alves, que fez constar da etiqueta do disco apenas seu nome como autor, o que ele não era. Francisco Alves procurava os compositores do morro, como Ismael Silva e, neste caso, Alcebíades Barcelos propondo gravar seus sambas, participando como co-autor. No caso de "A Malandragem" o nome de Alcebíades Barcelos só constou da partitura musical. Eles aceitavam porque Chico Alves já era um nome conhecido, com várias gravações, e o pessoal dos morros não teria oportunidade de gravar naquela época.
Em 1932 a "Deixa Falar" desfilou pela primeira vez no carnaval com suas músicas "O Meu Segredo" e "Rir para não chorar".
Em 1934 já existiam outras escolas e Alcebíades Barcelos passou a desfilar pela "Recreio de Ramos".
Foi nesse ano que sua primeira música com Armando Marçal, formando a dupla Bide-Marçal "estourou" no carnaval e ainda hoje é conhecida, tendo sido regravada por vários intérpretes:'AGORA É CINZA".
Foi Alcebíades Barcelos quem "descobriu" Ataúlfo Alves, com ele compondo"Você não sabe, Amor", uma das primeiras gravações de Carlos Galhardo.
A dupla Bide e Marçal gravou com todos os cantores da fase de ouro do rádio, como Galhardo, Francisco Alves, Orlando Silva, Sílvio Caldas.
Compôs normalmente até o início dos anos 60, quando se aposentou, afastando-se de suas atividades. Em 1967 deu um depoimento no Museu da Imagem e do Som, registrando sua passagem por nossa música.
Em 1973 deixou o Estácio, falecendo dois anos depois cego e paralítico.
Norma Hauer
O TAO E O PONTO DE MUTAÇÃO: A PONTE ENTRE O SABER ORIENTAL E O SABER MODERNO OCIDENTAL
“Os filósofos chineses viam a realidade, a cuja essência primária chamaram tao, como um processo de contínuo fluxo e mudança. Na concepção deles, todos os fenômenos que observamos participam desse processo cósmico e são, pois, intrinsecamente dinâmicos. A principal característica do tao é a natureza cíclica de seu movimento incessante; a natureza, em todos os seus aspectos - tanto os do mundo físico quanto os dos domínios psicológico e social - exibe padrões cíclicos. Os chineses atribuem a essa idéia de padrões cíclicos uma estrutura definida, mediante a introdução dos opostos yin e yang, os dois pólos que fixam os limites para os ciclos de mudança: “Tendo yang atingido seu clímax, retira-se em favor do yin; tendo o yin atingido seu clímax, retira-se em favor do yang””(p.32-33).
CAPRA, Fritjof. O Ponto de Mutação: A Ciência, a Sociedade e a Cultura emergente, Cultrix: São Paulo, 1989, p.447.
O Tao é a espontaneidade natural
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Tao)
O conceito de Tao é algo que só pode ser apreendido por intuição. É algo muito simples, mas não pode ser explicado. É o que existe e o que inexiste. Só que nós temos demasiados conceitos dentro da cabeça para o entender como um todo uno.
O Tao é o Caminho da espontaneidade natural. É o que produz todas as coisas que existem. O Te 德 (a Virtude) é o modo de caminhar espontâneo que dá às coisas a sua perfeição.
O Tao não transcende o mundo; o Tao é a totalidade da espontaneidade ou «naturalidade» de todas as coisas. Cada coisa é simplesmente o que é e faz. Por isso, o Tao não faz nada; não precisa de o fazer para que tudo o que deve ser feito seja feito. Mas, ao mesmo tempo, tudo que cada coisa é e faz espontaneamente é o Tao. Por isso, o Tao «faz tudo ao fazer nada».
O Tao produz as coisas e é o Te que as sustenta. As coisas surgem espontaneamente e agem espontaneamente. Cada coisa tem o seu modo espontâneo e natural de ser. E todas as coisas são felizes desde que evoluam de acordo com a sua natureza. São as modificações nas suas naturezas que causam a dor e o sofrimento.
A NOVA CONCEPÃO DA REALIDADE PERCEBIDA PELA FÍSICA QUÂNTICA: O PONTO DE MUTAÇÃO
CAPRA (1989, Idem) descreve esta questão da seguinte forma:
"A nova concepção do universo físico não foi facilmente aceita, em absoluto, pelos cientistas do começo do século. A exploração do mundo atômico e subatômico colocou-os em contato com uma estranha e inesperada realidade que parecia desafiar qualquer descrição coerente. Em seu esforço de apreensão dessa nova realidade, os cientistas tornaram-se irremediavelmente conscientes de que seus conceitos básicos, sua linguagem e todo o seu modo de pensar eram inadequados para descrever fenômenos atômicos. Seus problemas não eram meramente intelectuais; remontavam ao significado de uma intensa crise emocional e, poderíamos dizer, até mesmo existencial. Foi preciso muito tempo para que superassem essa crise, no final, foram recompensados por profundos insights sobre a natureza da matéria e sua relação com a mente humana.
Estou convicto de que, hoje, nossa sociedade como um todo encontra-se numa crise análoga. Podemos ler acerca de suas numerosas manifestações todos os dias nos jornais. Temos taxas elevadas de inflação e desemprego, temos uma crise energética, uma crise na assistência à saúde, poluição e outros desastres ambientais, uma onda crescente de violência e crimes, e assim por diante. A tese básica do presente livro é de que tudo isso são facetas diferentes de uma só crise, que é, essencialmente, uma crise de percepção. Tal como a crise da física na década de 20, ela deriva do fato de estarmos tentando aplicar os conceitos de uma visão de mundo obsoleta - a visão de mundo mecanicista da ciência cartesiana-newtoniana - a uma realidade que já não pode ser entendida em função desses conceitos. Vivemos hoje num mundo globalmente interligado, no qual os fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais são todos interdependentes. Para descrever esse mundo apropriadamente, necessitamos de uma perspectiva ecológica que a visão de mundo cartesiana não nos oferece.
Precisamos, pois, de um novo "paradigma" - uma nova visão da realidade, uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores" (p.13-14).
Nesse sentido, cabe voltar os olhos para os novos paradigmas da ciência e os velhos valores religiosos cristãos.
"A noção mecanicista segundo a qual a sociedade consiste em unidades isoladas, cada qual a perseguir cegamente seus interesses próprios, não consegue lidar as interligações. Compostos desordenadamente de partes separadas, não coordenadas e, sem embargo, impostos de todas as direções, os sistemas mecanicistas tornaram-se pesados e instáveis. Os antigos modelos de conflito e confronto precisam ceder o passo a novas estruturas de integração dinâmica: estruturas que preservem a identidade dos membros participantes ao mesmo tempo em que os integrem a um todo operante [cooperante] mais amplo.
Em termos globais, vivemos em um mundo de crescente interdependência social, política e econômica. Mesmo os pequenos desvios no interior da sociedade ou de uma parte da sociedade se fazem sentir em todo o mundo. As turbulências no mercado de ações de Tóquio refletem-se em Londres e Nova York. Uma revolução em Beijing suscita esperanças e expectativas na Europa e nas Américas. Os processos de produção das indústrias individuais ou mesmo hábitos domésticos no lar têm efeito direto e duradouro sobre o meio ambiente da Terra. Até o mais privado comportamento dos indivíduos afeta e é afetado pelos padrões sociais em larga escala na sociedade como um todo" (ZOHAR, Donah. Sociedade Quântica. São Paulo: Best Seller. 2000, p.28).
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SOBRE CONDENADOS E CONDENAÇÕES - por José do Vale Pinheiro Feitosa
No inferno ou na cadeia. Em ambas as condenações. A pagar penas. E quem cumpre pena não corrige o erro, apenas executa outra coreografia composta para interditar o erro potencialmente possível. E no calor do inferno ou na apnéia das grades o que voga não é o erro ou sua correição, mas os dias sob tutela.
Perguntou-me: isso é prisão ou inferno? Não sei, apenas uma idéia vaga das normas, dos padrões de qualidade; como uma ética profissional ou a estética dominante. Queres o exercício? Torne-se um condenado. Às grades, ao fogo que forja e à forma que modela.
A condenação é parte da educação para o coletivo, não é? Sempre foi e será. Quando se diz Deus, não é da unidade fundida, mas da unidade coletiva que se fala. E o inferno é apenas a pedagogia da palavra de Deus. A cadeia é a filial deste no arranjo dos prepostos no ordenamento cotidiano.
A qualidade, a excelência, a produtividade, o grau de satisfação, a demanda são mandamentos de Deus. Que a felicidade navegue nas tempestades de novos portos. Quando a fugacidade é parte do desejo elástico e as coisas sem limites são apenas a expressão da fronteiras móveis.
Então se o inferno e a prisão são a didática dos mandamentos de Deus, onde de fato existe o mundo? Onde fica o mundo tal e qual é? Fora da criação. Na liberdade que é o invento, pois este é o aperfeiçoamento da criação nas pernas, braços e mente do condenado.
Mas se a cada um cabe a liberdade do invento, como haverá o coletivo? Não haverá. O coletivo deixe para lá. O conjunto não será a nossa matemática. Esqueça a matemática. Nem a imitação se considerará. Não evite o erro ou se limite ao acerto, lembre que o outro neste par de danças tem o próprio ritmo.
Mas quanta anarquia! O caos é o átomo da liberdade; a incerteza as moléculas do amanhecer e a superação as proteínas da vida. Todo humano antes da condenação tem em si átomos, moléculas e proteínas. Quando a criação se impõe perante a maioria, só restam aos condenados a visão das grades e o calor da chamas.
Perguntou-me: isso é prisão ou inferno? Não sei, apenas uma idéia vaga das normas, dos padrões de qualidade; como uma ética profissional ou a estética dominante. Queres o exercício? Torne-se um condenado. Às grades, ao fogo que forja e à forma que modela.
A condenação é parte da educação para o coletivo, não é? Sempre foi e será. Quando se diz Deus, não é da unidade fundida, mas da unidade coletiva que se fala. E o inferno é apenas a pedagogia da palavra de Deus. A cadeia é a filial deste no arranjo dos prepostos no ordenamento cotidiano.
A qualidade, a excelência, a produtividade, o grau de satisfação, a demanda são mandamentos de Deus. Que a felicidade navegue nas tempestades de novos portos. Quando a fugacidade é parte do desejo elástico e as coisas sem limites são apenas a expressão da fronteiras móveis.
Então se o inferno e a prisão são a didática dos mandamentos de Deus, onde de fato existe o mundo? Onde fica o mundo tal e qual é? Fora da criação. Na liberdade que é o invento, pois este é o aperfeiçoamento da criação nas pernas, braços e mente do condenado.
Mas se a cada um cabe a liberdade do invento, como haverá o coletivo? Não haverá. O coletivo deixe para lá. O conjunto não será a nossa matemática. Esqueça a matemática. Nem a imitação se considerará. Não evite o erro ou se limite ao acerto, lembre que o outro neste par de danças tem o próprio ritmo.
Mas quanta anarquia! O caos é o átomo da liberdade; a incerteza as moléculas do amanhecer e a superação as proteínas da vida. Todo humano antes da condenação tem em si átomos, moléculas e proteínas. Quando a criação se impõe perante a maioria, só restam aos condenados a visão das grades e o calor da chamas.
PENSAMENTO PARA O DIA

Se um homem, hoje, está sob a influência da tristeza e da miséria, sua mente é a responsável por isso. Felicidade e tristeza, afetos e aversões, e os prazeres sensuais que o homem experimenta surgem da sua mente. Quando a mente está preenchida com o sentimento da dualidade, você sofre por tudo isso. Quando a mente for treinada para ver a unidade de toda a criação, não haverá perversões de qualquer tipo. Você deveria enfrentar tudo na vida com um sorriso. Nesse mundo dualista, é natural alternar ganho e perda. Você não pode evitar isso. Você não deveria desesperar quando enfrentar as adversidades e nem exultar quando a sorte sorrir para você. A adversidade é o ponto de partida para a bem-aventurança eterna.
SATHYA SAI BABA
Cariricaturas - Homenagem ao escritor Ronaldo Correia de Brito

''Todos os meus livros, mais que livros, são projetos literários, são construções de um ideário, são propostas de vida e morte. Sim, eu sempre tive este ideário, essa vontade de realizar um feito heróico, mas sou, fisicamente, um anti-herói. Com o tempo, fui descobrindo que a literatura, o teatro, a música, a dança seriam os meios de realizar esse projeto, de fazer a minha política, dentro da acepção aristotélica de que todo homem é um animal político''. Bem que poderiam estas linhas ser o princípio de um conto do Ronaldo Correia de Brito, mas é ele mesmo quem assim fala. E pensei, ao ouvir estas palavras ao mesmo tempo em que lia O Livro dos Homens, que o autor há muito passou dos fundamentos e ergue, a cada livro, mais um andar ao seu construto fabuloso - a epopéia, ainda não contada de todo, desse arquétipo primordial da brasilidade. E ele está cravado no Sertão.
Não pense o leitor que, ao afirmar isto, quero dizer que Ronaldo se circunscreva ao passado, ao arcaico ou ao regional. Muito ao contrário, o vigor de suas histórias - as outras e estas, enfeixadas em O Livro dos Homens - é precisamente a universalidade da mensagem, aliada ao sincero domínio do seu mister. Os contos de Ronaldo Correia de Brito vieram ao mundo para durar. São feitos de matéria viva, pulsante, volátil mas também dotados da rijeza irmã do chão cristalino dos Inhamuns, aonde ele nasceu.
O primeiro conto, ''O que veio de longe'', vai à longínqua fonte dos contos populares árabes, que veio desaguar na beira do rio das Onças. Foi assim que um dia apareceu o morto. ''Desceu a primeira enchente do rio Jaguaribe'', anônimo em seus atavios. Por ter aparecido no dia do santo, largado junto ao pé da oiticica velha ferida dos ferros quentes de marcar o gado, o povo do lugar champou-o de São Sebastião dos Ferros, por obra também de umas tantas graças alcançadas por sua intercessão. E mais vale a lenda que a verdade.
Cada nome, uma referência, uma alusão ao misturado de tantas culturas revolvidas pelo tempo. Lê-se de primeira, tomado pelo encanto deste narrador de mil e uma noites. Outras leituras possibilitam mergulhos transversais, cortes, presságios. O autor abandona-se aos seus personagens, deixa-se tomar por eles, penetrar-se. Porque em ''Eufrásia Meneses'', as palavras dispostas sobre a página do livro têm a voz aguda de uma mulher. ''Minhas veias guardam um resto de vida, alimento do meu marido. Ele deita sobre mim, funga, rosna, machuca-me sem me olhar no rosto''. Serpente subjugada não perde o veneno.
Em ''Qohélet'', a voz que agora fala é a de Bibino, que saiu do mato pra cidade grande, analfabeto e sonhador. O conto, que traz trechos da transcriação de Haroldo de Campos para o Eclesiastes, é também a possível história de todos os mestres do maracatu. ''Mexicanos'' é a narrativa de um menino diante da morte. Este intransponível mistério humano ganha outras nuanças quando sob a ótica de um garoto afetado, vestido com seu novo paletó de tropical azul marinho, à beira do caixão de um tio suicida, e sua preocupação de não poder brincar o carnaval. ''Obedeci a minha mãe e atirei as flores sobre o caixão. Elas sofreram o baque e algumas pétalas caíram. Perderam o rosa perfeito, sujo pelos respingos de lama. Por último, foram tragadas, como tudo na vida''. O menino, de repente, havia envelhecido demais.
''Brincar com veneno'' trata de desejos eróticos, insatisfações, crueldades: os três ingredientes encorpam a maioria das mulheres criadas por Ronaldo, sempre entre a submissão e a revolta. ''Eu só posso resignar-me, partir ou morrer'', diz a mulher que criava cobras. O próximo conto, uma bela referência aos mitos dos índios cariris e aos Irmãos Aniceto, ''A Peleja de Sebastião Candeia''. E como um homem velho ainda pode sustentar os pilares que seguram este mundo, entre o lombo da serpente e os pés da Virgem Maria.
''Milagre em Juazeiro'' é um filme. Os rostos enrugados das beatas sobre o pau-de-arara, em primeiro plano, ao som de um coro de benditos. A promessa de Maria Antônia ao pai, na hora de sua morte. A busca por um rosto na multidão. Em ''Rabo-de-burro'', outra vez a questão da mulher, entre a vontade própria e os costumes arraigados. Num jogo de opostos, ''O amor das sombras'' é o poder sexual de Djanira sobre o jovem cunhado Laerte. ''Cravinho'' é outro dos contos que extrapola o cenário sertanejo cearense para exaltar a Zona da Mata e os subúrbios de Olinda e Recife, com a bela história de José Gonzaga dos Passos, o Mateus Cravo Branco. E de como ele quase foi uma donzela.
Os dois próximos contos, ''Da morte de Francisco Vieira'' e ''Maria Caboré'', trazem outra vez a mulher ao procênio. No primeiro, Clara Duarte, aos 90 anos, narra sua história, seus presságios, seu rancor. Em oposição a esta, temos a sina de Maria Caboré, que ''vivia de pilar arroz, a um vintém cada cinco litros''. O último conto, que dá título ao livro, ''O Livro dos Homens'', reafirma em linhas atuais o perdido código de honra do sertão. Pontuando cada conto, uma marca de ferro das comarcas cearenses, do escritor Virgílio Maia. O Livro dos Homens é para ser lido uma e outra vez, em lambidas leves e num resfolego. Que o livro é guloseima, fruta e pimenta. E ainda um veneno.
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Eleuda Carvalho
SERVIÇO
O Livro dos Homens - Contos de Ronaldo Correia de Brito. Edição Cosac Naify.
"Seu" Edmundo Ribeiro - por Pedro Esmeraldo
No início dos anos sessenta, conhecemos seu Edmundo Gonçalves Ribeiro quando aqui se instalou proveniente da cidade de Missão Velha. Era um senhor sério, de andar calmo, sorumbático, conseguiu crescer na sua loja de tecido, instalada na rua Dr. João Pessoa.
A princípio, alcançou dar seus primeiros passos, e agigantou-se, num prédio alugado pelo qual foi ativo e destemido, persuasivo, já que lutou com muita dificuldade. Foi dinâmico e suportou com altivez as barreiras econômicas durante a crise dos governos civis dos anos oitenta.
Casado com dona Elzenir Ribeiro fiel companheira, teve uma prole numerosa e soube acompanhar seus passos com dignidade e amor ao trabalho.
Seu Edmundo soube suportar os vexames ocorridos durante as perplexidades devido as fraquezas dos nossos governantes.
Começou as suas tarefas mercantis em Missão Velha, no ano de 1949. Expandiu-se e adquiriu por compra as partes dos dois irmãos, caminhando sozinho, com segurança nas suas diligências comerciais.
Foi enérgico em seus negócios, perspicaz, cauteloso, amealhou um patrimônio invejável, suportou às intempéries fiscais provocadas pelas medidas abusivas dos governantes.
Soube relevar-se procurando melhorias de qualidade e avantajou o seu império comercial instalando-se numa loja na cidade do Crato o que vem conduzindo com galhardias até os dias de hoje. Foi relevante, perseverante, corajoso, pois é ajudado pela sua filha Eugenia fez a reforma do prédio, na rua Dr. João Pessoa “em que ela, a sua filha” está gerenciando com serenidade o que vem aprimorar o crescimento comercial de sua empresa.
Neste momento de alegria enviamos nossos sinceros abraços de parabéns e que, junto com seus filhos, saibam continuar com dedicação e apreço o seu crescimento do patrimônio adquirido ao longo dos anos, com muita dedicação e firmeza no seu trabalho, com honestidade e eficácia e ao mesmo tempo pedimos a Deus que venham outros comerciantes deste mesmo quilate e que tenham a mesma capacidade e a mesma perseverança que alcançou no seu desempenho.
A princípio, alcançou dar seus primeiros passos, e agigantou-se, num prédio alugado pelo qual foi ativo e destemido, persuasivo, já que lutou com muita dificuldade. Foi dinâmico e suportou com altivez as barreiras econômicas durante a crise dos governos civis dos anos oitenta.
Casado com dona Elzenir Ribeiro fiel companheira, teve uma prole numerosa e soube acompanhar seus passos com dignidade e amor ao trabalho.
Seu Edmundo soube suportar os vexames ocorridos durante as perplexidades devido as fraquezas dos nossos governantes.
Começou as suas tarefas mercantis em Missão Velha, no ano de 1949. Expandiu-se e adquiriu por compra as partes dos dois irmãos, caminhando sozinho, com segurança nas suas diligências comerciais.
Foi enérgico em seus negócios, perspicaz, cauteloso, amealhou um patrimônio invejável, suportou às intempéries fiscais provocadas pelas medidas abusivas dos governantes.
Soube relevar-se procurando melhorias de qualidade e avantajou o seu império comercial instalando-se numa loja na cidade do Crato o que vem conduzindo com galhardias até os dias de hoje. Foi relevante, perseverante, corajoso, pois é ajudado pela sua filha Eugenia fez a reforma do prédio, na rua Dr. João Pessoa “em que ela, a sua filha” está gerenciando com serenidade o que vem aprimorar o crescimento comercial de sua empresa.
Neste momento de alegria enviamos nossos sinceros abraços de parabéns e que, junto com seus filhos, saibam continuar com dedicação e apreço o seu crescimento do patrimônio adquirido ao longo dos anos, com muita dedicação e firmeza no seu trabalho, com honestidade e eficácia e ao mesmo tempo pedimos a Deus que venham outros comerciantes deste mesmo quilate e que tenham a mesma capacidade e a mesma perseverança que alcançou no seu desempenho.
Crato, 10 de julho de 2009
Texto: Pedro Esmeraldo
Repentes - Carlos, Magali, Socorro e Claude - Foto Pachelly Jamacaru
Amigos, por caridadeMe ajudem nessa hora
Me façam criar juízo
Que eu já tô indo embora
Tô voltando pro trabalho
Já morrendo de saudade
Não me deixem sem notícia
Por favor, por caridade!
A música é um combustível,
uma linguagem, uma arte
quem canta porque tá triste,
alegre ou embebedada ,
deixa tudo muito leve
e a tristeza aperreada.
Olhando as ondas do mar
Com cheiro de maresia
Escuto ao longe um cantar
De uma bela poesia.
Princesa do Cariri
Cratinho dos meus amores
Quando me ausento daqui
A vida muda as cores
Sigo, mas meu coração
Fica preso na saudade
A vida fica vazia
e branca a felicidade.
Pessoa que sabe amar
Vive a vida com vigor
Tem tempo pra trabalhar
E também pra muito amor
Mulher é bicho veneno
pra ela não tem antídoto
se é santa ou é profana
domina quem abre o bico
Vou-me embora pro passado
Não quero sair do Crato
Queria ficar aqui
Queria fazer um trato:
Machucar esta saudade
Que me vai no coração
E nunca mais ir embora
Dessa terra, deste chão.
A poesia do poema
existe subtendida
tem poema que perfila
uma estrofe sem poesia
poesia é o sentimento
na pena do artesão
CANELA
domingo, 26 de julho de 2009
Morning Has Broken - para um dia que começa - Diana Krall e Aaron Neville
Morning Has Broken
Autoria - Cat Stevens
Morning has broken, like the first morning
Blackbird has spoken, like the first bird
Praise for the singing, praise for the morning
Praise for the springing fresh from the world
Sweet the rain's new fall, sunlit from heaven
Like the first dewfall, on the first grass
Praise for the sweetness of the wet garden
Sprung in completeness where his feet pass
Mine is the sunlight, mine is the morning
Born of the one light, eden saw play
Praise with elation, praise every morning
God's recreation of the new day
***
Versão de Guilherme Arantes
***
Manhã que rompe
Primeiros raios
Primeiro canto
De ave ecoou
Ouve esse canto
Louve esses raios
Por todo canto o amor despertou
Jardim regado
De sol dourado
A natureza criança acordou
Por todo o campo
Brilhos de orvalho
Molham os passos do criador
Dia nascendo
Deus acendendo
A luz desse tempo
Que começou
Que se levante
Por toda parte
O sol de todos
Que a gente sonhou
Morning has broken, like the first morning
Blackbird has spoken, like the first bird
Praise for the singing, praise for the morning
Praise for the springing fresh from the world
Sweet the rain's new fall, sunlit from heaven
Like the first dewfall, on the first grass
Praise for the sweetness of the wet garden
Sprung in completeness where his feet pass
Mine is the sunlight, mine is the morning
Born of the one light, eden saw play
Praise with elation, praise every morning
God's recreation of the new day
***
Versão de Guilherme Arantes
***
Manhã que rompe
Primeiros raios
Primeiro canto
De ave ecoou
Ouve esse canto
Louve esses raios
Por todo canto o amor despertou
Jardim regado
De sol dourado
A natureza criança acordou
Por todo o campo
Brilhos de orvalho
Molham os passos do criador
Dia nascendo
Deus acendendo
A luz desse tempo
Que começou
Que se levante
Por toda parte
O sol de todos
Que a gente sonhou
Postado por Claude Bloc
Figura Exemplar - Por Joaquim Pinheiro

O destino me permitiu conhecer pessoas notáveis. Algumas conseguiram ultrapassar os limites da área que habitam, registrando seus nomes nos arquivos da história. Significar dizer que serão conhecidas por gerações futuras. Esta semana tive a satisfação de receber a visita de uma delas, Jaime Suniê Neto. Jaime, paranaense de nascimento, foi, ao lado de Henrique Mecking, quem mais projetou o xadrez brasileiro. A Fama do gaucho Mequinho veio de cima para baixo. Ganhou o título de Mestre Internacional (o 1º do pais) na época dos governos militares. As autoridades de então se aproveitaram dele como peça de propaganda, vinculando seu feito ao regime, colocando seu nome na mídia. Daí a sua projeção, por sinal, merecida.
Jaime Suniê, ao contrário, construiu sua fama de baixo para cima. À medida que acumulava títulos empregava seu tempo em prol do desenvolvimento do Xadrez. Disputou 10 finais do campeonato brasileiro, vencendo 7. Campeão sul americano, medalha de ouro na olimpíada mundial da modalidade, tem em seu currículo o 1ª lugar em 3 torneios internacionais promovidos pela FIDE (a FIFA do xadrez).
Implantou o programa “xadrez nas escolas” no Paraná, depois copiado por vários outros Estados e adotado nacionalmente pelo governo federal. Meu conhecimento com o mestre ocorreu em 1989, por intermédio de outro Mestre, Marcos Asfora, também campeão brasileiro, outro notável, tão importante para o xadrez de Pernambuco e nordestino quanto Suniê para o brasileiro.
Jaime tentou adquirir para o Paraná a maior biblioteca de xadrez existente no Brasil. Conseguiu verba, aprovação da assembléia estadual, autorização do governador mas o proprietário, Dr. Luis Tavares, preferiu doá-la ao Estado de Pernambuco. Jaime, apesar da luta perdida, deu aula de cavalheirismo vindo, como Presidente da CBX, presidir o ato da entrega do acervo.
Em 1988, atendeu ligação pedindo orientação para implantação do programa xadrez nas escolas Pernambucanas. Não se fez de rogado e dias depois desembarcou em Recife, vindo pessoalmente transmitir as dicas.
O gênio paranaense, acostumado a batalhas difíceis, enfrenta uma mais traiçoeira, contra o câncer. Felizmente, está vencendo. Na próxima semana se submeterá a última sessão de quimioterapia e deverá receber alta.
Obs. Suniê é o terceiro da direita para esquerda. Ao seu lado, o Mestre Marcos Asfora. Os outros são enxadristas da Delegacia Regional do Banco Central em Recife.
Joaquim Pinheiro
A Roda da vida.- .(Por Liduina Vilar)

A Roda da Vida.(Por Liduina Vilar)
Você já me fez o maior bem.
Eu desencantei,sai do marasmo,
Da tristeza,do que era meramente mecânico.
Amei novamente,sorri,sorri,sorri,
Cantei,dancei,vibrei.
Hoje estou pronta para o AMOR,
Posso amar o mundo inteiro,
Posso dançar,cantar,gargalhar.
Necessito porém,aguentar bem os
Dias de agora,meus minutos,
segundos,minhas manhãs,
tardes e noites...como a
praia suporta e segura as ondas
calmas e bravias do seu imenso
dono : O mar.
Todos nós podemos ser inteiramente
donos de um oceano,desde que assim
desejemos.
A felicidade , a dança da vida,
A mágica do sorriso reside numa
Única e inesgotável fonte:QUERER!
Eu quero ser feliz,amar,
chorar,cantar,brincar
me iludir mas acreditar!!
Você já me fez o maior bem.
Eu desencantei,sai do marasmo,
Da tristeza,do que era meramente mecânico.
Amei novamente,sorri,sorri,sorri,
Cantei,dancei,vibrei.
Hoje estou pronta para o AMOR,
Posso amar o mundo inteiro,
Posso dançar,cantar,gargalhar.
Necessito porém,aguentar bem os
Dias de agora,meus minutos,
segundos,minhas manhãs,
tardes e noites...como a
praia suporta e segura as ondas
calmas e bravias do seu imenso
dono : O mar.
Todos nós podemos ser inteiramente
donos de um oceano,desde que assim
desejemos.
A felicidade , a dança da vida,
A mágica do sorriso reside numa
Única e inesgotável fonte:QUERER!
Eu quero ser feliz,amar,
chorar,cantar,brincar
me iludir mas acreditar!!
Arroubo
Barba feita,
alma do sabonete
dentro das narinas.
Um novo homem
veste sua camiseta.
Não bebeu hoje
o elixir dos antepassados.
Faz força no abdômen -
a barriga encolhe,
mas pouco dura o oxigênio.
O novo homem
tira a camiseta.
Deita-se no piso
de cerâmicas rachadas.
Ao seu lado,
diante dos seus olhos -
mosquinhas de banheiro
enxugam-se com sua toalha.
alma do sabonete
dentro das narinas.
Um novo homem
veste sua camiseta.
Não bebeu hoje
o elixir dos antepassados.
Faz força no abdômen -
a barriga encolhe,
mas pouco dura o oxigênio.
O novo homem
tira a camiseta.
Deita-se no piso
de cerâmicas rachadas.
Ao seu lado,
diante dos seus olhos -
mosquinhas de banheiro
enxugam-se com sua toalha.
Flores - Por Domingos Barroso

Fecho bem os olhos
e vejo a clareza do abismo
sem volta,
sem testemunho.
Os cabelos brancos,
o coração enlouquecido.
Junto conchas,
chuto seixos
ora cabisbaixo,
ora queimando a vista.
O céu tão azulado
quanto aquele lençol
do hospital.
As xícaras da infância,
os odores dos meus avós.
Fecho bem os olhos
e tudo que vejo -
um velório na esquina,
um saco plástico cruzando a praça.
e vejo a clareza do abismo
sem volta,
sem testemunho.
Os cabelos brancos,
o coração enlouquecido.
Junto conchas,
chuto seixos
ora cabisbaixo,
ora queimando a vista.
O céu tão azulado
quanto aquele lençol
do hospital.
As xícaras da infância,
os odores dos meus avós.
Fecho bem os olhos
e tudo que vejo -
um velório na esquina,
um saco plástico cruzando a praça.
O Dólar Furado- Sessão VI- Por Zélia Moreira
Hoje é domingo!
Vivi num Crato em que domingo tinha programas garantidos pra todos os gostos, bolsos e idades.
As calçadas com suas casas de janelas altas e soleiras largas, serviam de bancos para os encontros entre amigos. Ali ouvíamos o programa de Roberto Carlos (RC primeiro e único/ Rádio Educadora/ Evandro Bezerra), no radinho de pilha,nosso mp3 .Era um sonho de consumo ter um só pra mim.
Praça Siqueira Campos à noite, pra rodar, rodar , rodar e flertar, flertar , flertar. Quem sabe por sorte , ELE, poderia até baixar!
Os cinemas (Moderno, Cassino e Eduacadora) , tinham 05 sessões, todas lotadas:10h, 13h, 16h, 18h e 20h.
Não tínhamos na época televisão, aliás acredito ter sido ela umas das responsáveis pela falência dos nossos cinemas.
Uma regrinha de Dona Valda: cinema somente depois de cumprir o preceito religioso- a missa dominical.(tivemos em família overdoses de novenas, ladainhas, terços, etc)
Além da censura em si, tínhamos como cotólicos(?), que obedecer à censura do Bispo. Essa era severa, castradora.Um simples filme livre, com uma única cena de beijo, poderia se transformar , numa censura ," adultos com reservas".
Por conta disso, muitos filmes exibidos na época, foram vistos por mim e por minhas irmãs( Socorro e Verônica), muito tempo depois, já adultas.
Que maldade existia em Feitiço Havaiano,Amores Clandestinos, O Erro de Suzana Slide...? Mas tudo bem!
As restrições na minha juventude que abortaram um programa sonhado ( bastava o coração de mamãe não está pedindo...) não abalaram meu espírito alegre. Tudo que me foi privado um dia, fiz em algum momento depois com o entusismo de uma primeira vez.
O filme de hoje tem a cara do Cassino. Era lá que passava a maioria dos foroestes. Meu pai falava: "Filme Cawboy que se preza, tem que ser feito por americanos. Esse é uma produção franco/italiano, que fez um enorme sucesso.
A música "Se tu non fossi Bella" é demais!
Até hoje sei a versão para o português de cor:
Se tu não fosses bela
Com és
Se tu não fosses
O meu sonho em vão
Felicidade então
Comigo ficaria
Se fosse ilusão
Aquele dia
Que sem querer
Olhastes para mim
Não sentiria
Esse amor
Que pra sempre levou
Toda felicidade
Deixando apenas
Um sonho
Sem fim.
Vamos aos comentários:
Filme: O Dólar Furado
Ano :1965
País: França e Itália
Gênero: Faroeste
Direção : Giorgio Ferroni
Elenco: Giuliano Gemma( Gary O'Hara ) e Ida Galli ( Juder O'Hara )
Trilha Sonora:Fred Bongusto
Sinopse:
Giuliano Gemma é um soldado que retorna da guerra para lutar uma outra em casa... Sem ele saber, seu irmão se transformou num pistoleiro infame chamado "Black Jack" que derrota os pistoleiros locais. Giuliano Gemma concorda em fazer uma emboscada para matar "Black Jack". E somente aí, que descobre quem realmente é o fora-da-lei. Com vingança no coração, ele se volta contra seus empregadores...e a luta começa.
Conferindo :
Adolescência - Por Joaquim Pinheiro

A ADOLESCÊNCIA PERMANECEU
Começamos a adolescência no período da foto, tirada em Salvador, 1964. Graças a Deus, a fase continua até hoje. Pelo menos me senti assim nos dias que passei no Crato e reencontrei colegas da época.
Vera, Socorro, Rosineide, Sérgio, Francíria, Vilani Luna, Regina e Stela, foi ótimo reencontrar vocês e, mais ainda, perceber que mudaram muito pouco. Diferenças mínimas para as imagens dos anos 60 gravadas na minha memória. A foto é uma prova disto.
Começamos a adolescência no período da foto, tirada em Salvador, 1964. Graças a Deus, a fase continua até hoje. Pelo menos me senti assim nos dias que passei no Crato e reencontrei colegas da época.
Vera, Socorro, Rosineide, Sérgio, Francíria, Vilani Luna, Regina e Stela, foi ótimo reencontrar vocês e, mais ainda, perceber que mudaram muito pouco. Diferenças mínimas para as imagens dos anos 60 gravadas na minha memória. A foto é uma prova disto.
RAZÃO E/OU SENSIBILIDADE? EDUCAÇÃO, MORAL E ÉTICA EM CRISE NO MUNDO MODERNO
“Procurando as causas, ou melhor, refletindo sobre a crise da educação brasileira, a professora de pós-graduação em Filosofia da Universidade Gama Filho e da pós-graduação em Educação da Universidade Católica de Petrópolis, professora Vera Rudge Werneck, cuja carreira foi consolidada na PUC-RJ e na própria Universidade Gama Filho, procura respostas relacionadas à falência dos valores do homem. Vera Werneck, que também é diretora do Colégio Padre Antonio Vieira, no Rio de Janeiro, já publicou outros dois livros em que procura considerar criticamente sobre a ideologia na educação e um estudo sobre a fenomelogia centrado na educação.
Segundo a autora, a crise da educação brasileira é pensada à luz dos conceitos filosóficos da educação, do valor, do papel do não valor e do contravalor, a educação da sensibilidade, a cultura como locus onde o valor é instaurado, os tempos e marcos, assim como a avaliação da educação. Em linhas gerais, Vera Werneck aponta como principal “causa” da crise da educação no Brasil outra crise: a dos valores, da ética e da moral. Segundo esse ponto de vista, as instituições sociais, como a escola, e a própria sociedade, são alvo de uma crise dos valores na sociedade brasileira.
Como filósofa, Vera Werneck utiliza categorias de pensamento típicas da filosofia, como ser, conhecimento, sensibilidade, razão, etc. Para os não-filósofos, algumas dessas categorias ganham um novo significado, tendo centralidade em processos explicativos concretos e racionalmente explicáveis. O que Vera faz é atribuir a crise da educação a uma falta ou uma carência de valores, ética e moral, que não pode ser verificada factualmente ou empiricamente. É verdade que a maior parte dos escritos dos sociólogos também carece da possibilidade de verificação e testagem empírica. Mas isso não importa tanto aqui.
Segundo a autora, as primeiras problematizações dos filósofos estariam centradas na razão e no próprio ser do homem, mas não no seu valor. Isto irá, segundo Vera, gerar toda a sorte de problemas que se verá manifestar na educação. Para a autora, o uso da razão permite ou permitiu ao homem pensar a libertação da natureza, entre outras coisas, como sua natureza, seu processo de humanização, sua autodeterminação, enfim, de tornar-se cada vez mais autônomo e livre para exercer sua vontade sem coações. Mas esse processo de conhecimento de si mesmo, ou da própria natureza,com a qual o homem mantém relações substanciais e espirituais, é prejudicado ou inviabilizado pela forma como o próprio homem trata das questões ligadas aos valores. Os obstáculos, a plena realização do homem, Vera Werneck denomina de contravalores.
A idéia de que o homem é diferente dos animais, pela sua capacidade racional, de abstração e de planejamento, não significa que seu processo de transformar-se e reconhecer-se como homem esteja concluído: não há uma etapa final, ou seja, um telos, que será alcançada pela humanidade algum dia, como pensaram muitos cientistas sociais no final e começo do século XX. O processo de pôr a sensibilidade de lado e eleger a razão como a soberana das explicações e das inter-relações humanas, como argumenta a autora, tornou os homens e suas relações em objetos e coisas.
Como argumenta a autora, acerca do predomínio da razão, este é apenas um dos níveis em que o homem pode se pensar como distinto dos outros seres vivos. Mas há outros que, tipicamente, ainda permitem uma diferenciação da natureza, sem comprometer o estatuto de homens e não animais: é a emoção e o sensível. Enfim, o que está em jogo é o sensível, a sensibilidade , a emoção, o sentimental, o componente não racional que também compõe este homem. Por exemplo, argumenta a autora, para Platão, alcançar o Bem, que traria a felicidade, seria uma questão transcendental em direção à essência que é a origem dos demais valores. O problema, para a autora, está que esse conhecimento transcendental do Bem somente seria alcançado pela razão, e não pelo sentimento ou a sensibilidade. Ainda segundo a autora, filósofos como Kant, por exemplo, admitindo os limites do conhecimento da essência dos objetos - que são múltiplos particulares quando conhecidos pelos sentidos -, fazem uso de categorias do entendimento como tempo, espaço, como a priori da sensibilidade, que é heterogênea e particular. Outros, como Bacon, propõem que os homens afastem os Ídolos, elementos capazes de interferir no processo de conhecimento da razão. O que esses filósofos têm em comum refere-se ao fato de privilegiarem a razão como forma de conhecimento que permita apreender o objeto em sua essência, ou em sua substância. A relação é entre o sujeito Segundo Vera, o mundo grego tinha como valor maior a própria noção de razão. Ainda segundo a autora, o Ocidente herdou essa idéia e a levou às últimas conseqüências.
O que Vera Werneck propõe, em poucas palavras, é dar centralidade à sensibilidade, sem descartar a razão, a fim de que os valores pelos quais os homens orientam suas ações possam reconsiderar seu próprio estatuto de homem. Ler “Razão (sic) e Sensibilidade” [“Educação e Sensibilidade] é visualizar uma outra dimensão do ser humano”(p.6).
SIQUEIRA, Euler de, “Educação, ética e moral: crise geral”, Jornal Tribuna da Imprensa, 25 de Junho de 1997, Rio de Janeiro, Caderno Livro, p.6.
Sinto falta de mim - Por Claude Bloc

Sinto falta de mim...
Dos sonhos, de querer voar,
Sinto a falta do sorriso
de sorrir ao despertar.
Sinto a falta do canto,
de embalar e adormecer,
Sinto a falta de tanto...
de não querer para não perder
Sinto a falta dos beijos
Dos mimos, das alegrias.
Sinto a falta da Vida,
De vê-la esgotar-se nos dias
em que sinto a falta de mim...
pois estive de mim tão ausente
que quase, então, me perdi.
Mas estou em mim novamente
basta que se calem as linhas urgentes
que levam pequenos seixos e canções.
Sinto falta, sim, das poesias que não escrevi
das palavras que não proferi
dos sentimentos que omiti.
Sinto falta daquela música que nunca escutei
das danças que não dancei
das pessoas que nunca amei.
Sinto falta dos erros que não cometi
das mentiras que não menti
Sinto falta, sim, das coisas que eu não fiz!
Só hoje eu sei a falta que a falta faz...
A falta de mim em ti .
Dos sonhos, de querer voar,
Sinto a falta do sorriso
de sorrir ao despertar.
Sinto a falta do canto,
de embalar e adormecer,
Sinto a falta de tanto...
de não querer para não perder
Sinto a falta dos beijos
Dos mimos, das alegrias.
Sinto a falta da Vida,
De vê-la esgotar-se nos dias
em que sinto a falta de mim...
pois estive de mim tão ausente
que quase, então, me perdi.
Mas estou em mim novamente
basta que se calem as linhas urgentes
que levam pequenos seixos e canções.
Sinto falta, sim, das poesias que não escrevi
das palavras que não proferi
dos sentimentos que omiti.
Sinto falta daquela música que nunca escutei
das danças que não dancei
das pessoas que nunca amei.
Sinto falta dos erros que não cometi
das mentiras que não menti
Sinto falta, sim, das coisas que eu não fiz!
Só hoje eu sei a falta que a falta faz...
A falta de mim em ti .
Texto de Claude Bloc
UMA CRÔNICA POÉTICA DE MÁRIO QUINTANA- Por Stela Siebra Brito

A poesia de Mário Quintana registra um profundo humanismo; seu lirismo é carregado de ternura, intimismo, melancolia e humor irônico. Quintana faz, de pequenas coisas, belos e singelos poemas. Registramos aqui um poema em que a memória do poeta o transportou para um tempo passado, de infância certamente, cheio de acontecimentos na rua, na vizinhança, na família, “pequenas vidas / pequenos sonhos”.
São os cantares de Quintana, que na visão poética de Manuel Bandeira não são cantares, são quintanares: (...) “Quinta-essência de cantares... / Insólitos, singulares... / Cantares? Não! Quintanares”.
Eis o poema/crônica:
CRÔNICA
Sia Rosaura tirava a dentadura para comer
Por isso ela tinha o sorriso postiço mais sincero da minha rua
Dona Maruca fazia uns biscoitinhos minúsculos, estalantes e secos, chamados mentirinhas
Eduviges era pálida e lia romances lacrimosos de Perez Escrich
Tanto suspirou em cima deles que acabou fugindo com um caixeiro viajante
O tempo se desenrolava como um rio por entre as casas de porta e janela
Pequenas vidas
Pequenos sonhos
Na noite imensa as estrelas eram como girândolas brancas que houvessem parado
Sentados à porta
- dois santos, dois mágicos, dois sábios –
meu velho Tio Libório e o velho farmacêutico
propunham-se e compunham charadas
que depois orgulhosamente remetiam sob nomes supostos
para o grande anuário estatístico recreativo e literário da capital do Estado
INDAGAÇÕES PERTINENTES - Por Emerson Monteiro

Neste mundo cheio de desencontros, trastes, ranhuras, desacertos e acertos mil, defronte, agora, desta tela de computador, essa máquina bem forjada, sabida, elaborada no planeta dos seres inteligentes, fosforescentes, animados, obedientes, charmosos, sonoros, eficazes, existem lugares de resposta para quase tudo, para as mais inesperadas perguntas, exatas, aritméticas, matemáticas, filosóficas, psicológicas, históricas, futuristas, abrangentes, onipresentes, oniscientes; confesso, no entanto, algumas fraquezas das suas limitações às reações espontâneas, vindas de dentro da dimensão insondável do existir, que, às vezes, produzem a vontade mental poderosa de perguntar, querer saber de mim, por mim, não desse eu que já conheço, cheio de oscilações temporárias, às brisas cotidianas contraditórias, mas do eu de verdade, a essência do si, o cá interno, habitante dos grotões da alma, vivente nos segredos fechados a sete chaves, o chip do mistério de tudo, que repousa e movimenta a história, sozinho ou em blocos empedernidos, o dna do ser, a marca registrada do Criador primeiro, que avançou, se embutiu na criatura e ainda não veio à tona da consciência do múltiplo particular, nesta realidade de mundo de relações cá fora, da ponta dos dedos, na flor da água dos olhos, no gosto da boca de manhã, ao canto dos pássaros deste sol perto da gente, banhado na brisa fria de fim de julho, no cenário das encostas da chapada; e ouvir resultados de pesquisa junto a algum site desse planisfério on-line, que guarde nas suas páginas, em seus arquivos, os refolhos das maiores bibliotecas do universo insondável das causas primeiras, alimentados pelas melhores cabeças tecnológicas do Vale do Silício, autores circunstanciais maravilhosos; o verbete frontal do mim mesmo, a tônica que nos conduz além de todo dia, impulso voraz de sobreviver a qualquer custo diante do desafio recôndito das impossibilidades, a propulsão cibernética de marcar presença positiva junto ao trilho dourado da mídia momentânea, olho do sucesso, eu do cálice, o Graal, a chama violeta da existência, o foco definitivo do drama, na festa de moléculas das pessoas bonitas, que acham, com enorme facilidade, a ordem alfanumérica sacudida nas praias dos números das areias do Mar dos Sargaços, sem querer, com isso, usar o ponto de terminar frases ou parágrafos, a pretexto de não largar o osso e manter a interrogação expandida, permanente, no âmbito do que satisfaria todos os internautas e destinos, houvesse tamanha possibilidade para recorrer a tal programa de busca à resposta campeã, no corredor da fama, da salvação, derradeiro lance dessa partida final do torneio cotidiano, perecido quando, nos filmes de ficção, os robocops se auto consertam em pleno combate, e prosseguem a epopéia das máquinas persistirem eternas, protótipos miraculosos em formato de elementos perpétuos geniais, leves ponteiros nervosos, largados ao horizonte infinito das horas, perenes círculos sem estática, motos perpétuos, traços espiralados em fios condutores da matéria ao espírito, uma resposta que supere a dor da solidão das multidões, neutralize a melancolia do desamor, nas camas intactas na madrugada fria dos abandonados, a cólica dos corações endurecidos na saudade sem jeito, as individualidades fincadas no lixo das periferias dos eleitores enganados, andarilhos, vagabundos, mendigos de amor, eus indagadores da luz da sabedoria, vagos projetos estirados na lama dos vícios, feridas abertas em peitos de dramas familiares; e essa máquina tão perfeita ainda não sabe responder a isso, enquanto apura as peças infinitas, processa, e eu quero aprender como saber a resposta nos campos disponíveis para digitar a pesquisa.
Foto : Emerson Monteiro
Repentes - Magali, Carlos, César Socorro e Claude-(foto Pachelly Jamacaru)

Agradeço aos amigos,
Claude Bloc e Socorro,
pessoas admiráveis,
como poucas conheci,
mas neste sábado quente,
me afasto de toda gente
vou buscar meu Cariri.
Cratense que mora fora
Quando planeja viagem
Não tem jeito vai agora
Comprar logo a passagem.
Claude Bloc e Socorro,
pessoas admiráveis,
como poucas conheci,
mas neste sábado quente,
me afasto de toda gente
vou buscar meu Cariri.
Cratense que mora fora
Quando planeja viagem
Não tem jeito vai agora
Comprar logo a passagem.
Tem muita gente que pensa
Que a vida é banalidade
Que o amor não compensa
Que não há fraternidade
Mas o povo aqui do Crato
Tem amor especial
Pelos amigos de sempre
Etc e coisa e tal.
Que a vida é banalidade
Que o amor não compensa
Que não há fraternidade
Mas o povo aqui do Crato
Tem amor especial
Pelos amigos de sempre
Etc e coisa e tal.
Não sou nenhum perdulário
Dos bens eu não tenho apego
Mesmo sem grande salário
No Crato morei no Sossego
Dedo-de-moça é pimenta
Pimenta é bairro do Crato
Onde vivi na infância
Numa casa de sobrado.
Da sacada eu assistia
A matinal do domingo
No Tênis Clube dançante
Eu ouvia Mambo Espanha
dançando de todo jeito.
Dos bens eu não tenho apego
Mesmo sem grande salário
No Crato morei no Sossego
Dedo-de-moça é pimenta
Pimenta é bairro do Crato
Onde vivi na infância
Numa casa de sobrado.
Da sacada eu assistia
A matinal do domingo
No Tênis Clube dançante
Eu ouvia Mambo Espanha
dançando de todo jeito.
A tertúlia enchia a noite
De alegria e de festa
No salão dançava a vida
Com as cores da seresta.
Face a face se dançava
Pelo meio do salão
Ao ouvido se falava
Do amor e da paixão...
Dois prá lá e dois prá cá
Era grande o lero-lero
Eu quase aprendí a dançar
No rítmo de um Bolero.
Carnaval é alegria
desfile e alegoria.
lança-perfume é teu cheiro
minha doce fantasia
O samba é rítmo animado
Lá no Rio de Janeiro
Não deixa ninguém parado
Atrai turista estrangeiro
MOTE:Caridade
De alegria e de festa
No salão dançava a vida
Com as cores da seresta.
Face a face se dançava
Pelo meio do salão
Ao ouvido se falava
Do amor e da paixão...
Dois prá lá e dois prá cá
Era grande o lero-lero
Eu quase aprendí a dançar
No rítmo de um Bolero.
Carnaval é alegria
desfile e alegoria.
lança-perfume é teu cheiro
minha doce fantasia
O samba é rítmo animado
Lá no Rio de Janeiro
Não deixa ninguém parado
Atrai turista estrangeiro
MOTE:Caridade
Ascendentes e descendentes - Por João Marni
Uma das verdades dessa vida é que os avós são pais açucarados. Compete aos pais educar os filhos e aos avós cabe tudo, mas com tolerância máxima.
A regra é que os netos chegam na fase de nossas vidas em que estamos dormentes, exauridos por reclamar, apontar caminhos, - os guris preferem veredas, atalhos, - sonolentos ainda por noites mal dormidas num passado não distante, enfim, com o coração mais tolerante, mais contemplativo, ligado em coisas realmente mais importantes e belas, como observar o vôo dos beija-flores, o nascer e o por do sol, a luz do luar, um gesto de amizade...
Chegaram-nos lindos, apesar da miopia e da plesmiopia que já nos acometem.
Os avós e os netos são como arco-íris, onde a esquerda da parábola é a curva ascendente da vida e a direita a descendente, não menos bonita, ambas multicores e os extremos tocando o chão da inocência, juntos!
É por isso que os avós tratam os netos como coleguinhas de infância e aí haja traquinagens, boas gargalhadas e cumplicidade em tudo, até esconder dos titulares uma nota baixa na escola.
Estragamo-lhes os dentinhos com tantos doces que, se não nos impedem, ficariam ainda mais parecidos com a gente...!
A expectativa de vida atual permite-nos que sejamos bisavós ainda lúcidos. Lembro-me de meus quatro avós e cada um regou o meu coração com suas bondades. Faço a rima com saudade...
É assim que têm que ser os avós, lembrando que no final do arco-íris, não há um pote de ouro, mas algo muito mais valioso: um avô ou uma avó, loucos pelos netos!
Sant'Ana e São Joaquim - Dia dos Avós
São Joaquim e Santa Ana
Comemora-se o Dia dos Avós em 26 de julho, e esse dia foi escolhido para a comemoração porque é o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.
Mas o papel dos avós na família vai muito além dos mimos dados aos netos, e muitas vezes eles são o suporte afetivo e financeiro de pais e filhos. Por isso, se diz que os avós são pais duas vezes.
As avós são também chamadas de “segunda mãe”, e muitas vezes estão ao lado e mesmo à frente da educação de seus netos, com sua sabedoria, experiência e com certeza um sentimento maravilhoso de estar vivenciando os frutos de seu fruto, ou seja, a continuidade das gerações.
Celebrar o Dia dos Avós significa celebrar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas no convívio com as pessoas e com a própria natureza.
São João Damasceno escreveu de um sermão maravilhoso sobre os avós de Jesus, pais de Nossa Senhora nos mostrando a grandeza desta família que gerou e formou aquela que é a Bem Aventurada Virgem Maria.
“Ó feliz casal, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Pelo fruto de vossas entranhas sereis conhecidos, como o Senhor disse uma vez: 'por seus frutos os conhecereis'. Conservando a castidade prescrita pela lei da natureza, alcançastes de Deus aquilo que supera a natureza: gerastes para o mundo a mãe de Deus.
Vós vivendo santamente, segundo a natureza humana, destes à luz uma filha superior aos anjos de agora, rainha dos anjos.
Ó casal feliz, Joaquim e Ana. A vós toda a criação se sente agradecida. Pois por vós ofereceu a mais valiosa dádiva das dádivas ao Criador, a mão pura, única digna do Criador.”
A tradição diz que Joaquim nasceu em Nazaré, e casou-se com Anna quando ele era jovem. Ele era um rico fazendeiro e possuía um grande rebanho. Como não tivessem filhos durante muitos anos Joaquim era publicamente debochado, (não ter filhos era considerado na época uma punição de Deus pela sua inutilidade). Um dia o padre do templo recusou a oferta de Joaquim de um cordeiro e Joaquim foi para o deserto e jejuou e rezou por 40 dias.
O Pai de Ana teria sido um judeu nômade chamado Akar que trouxe sua mulher para Nazaré com sua filha Anna. Após o casamento de sua filha com Joaquim também ficou triste de não terem sido agraciados com netos. Ana chorava e orava a Deus para atendê-la. Um dia ela estava orando e um anjo disse a ela que Deus atenderia as suas preces.
O anjo disse ainda que o filho que teriam seria honrado e louvado por todo o mundo. Anna teria respondido; “Se Deus vive e se eu conceber um filho ou filha será um dom do meu Deus e eu servirei a Ele toda a minha vida”.
O anjo disse a ela para ir correndo encontrar com o seu marido o qual, em obediência a outro anjo, retornava com o seu rebanho. Eles se encontraram em um local que a tradição chama de Portão de Ouro. Santa Anna deu a luz a Maria quando ela tinha 40 anos. É dito que Anna cumpriu a sua promessa e ofereceu Maria a serviço de Deus, no templo, quando ela tinha 3 anos. De acordo com a tradição ela e Joaquim viveram para ver o nascimento de Jesus e Joaquim morreu logo após ver o seu Divino neto presente no Templo de Jerusalém.
Maria ao nascer no dia 08 de setembro de um ano desconhecido, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida no futuro para ser a Mãe do Filho de Deus.
O Imperador Justiniano construiu em Constantinopla, uma igreja em honra de Santa Ana lá pelos anos de 550. Seu corpo foi trasladado da Palestina para Constantinopla em 710 e algumas porções de suas relíquias estão dispersas no Oeste. Algumas em Duren Rheinland-(Alemanha), em Apt-en-Provence, (França) e Canterbury (Inglaterra).
O culto litúrgico de Santa Ana apareceu no sexto século no leste e no oitavo século no Ocidente. No século décimo a festa da concepção de Santa Ana era celebrada em Nápoles e se espalhou lá pelos anos de 1100 d.C e daí por diante até século 14, quando o seu culto diminui pelo crescente interesse pela sua filha, a Virgem Maria.
A princípio apenas Santa Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. Em 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. A partir de 1.584, também São Joaquim passou a ser cultuado, no dia 20 de março. Só em 1.913 a Igreja, determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de julho.
(Luís Fernando Custódio Ferreira )
Comemora-se o Dia dos Avós em 26 de julho, e esse dia foi escolhido para a comemoração porque é o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo.
Mas o papel dos avós na família vai muito além dos mimos dados aos netos, e muitas vezes eles são o suporte afetivo e financeiro de pais e filhos. Por isso, se diz que os avós são pais duas vezes.
As avós são também chamadas de “segunda mãe”, e muitas vezes estão ao lado e mesmo à frente da educação de seus netos, com sua sabedoria, experiência e com certeza um sentimento maravilhoso de estar vivenciando os frutos de seu fruto, ou seja, a continuidade das gerações.
Celebrar o Dia dos Avós significa celebrar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas no convívio com as pessoas e com a própria natureza.
São João Damasceno escreveu de um sermão maravilhoso sobre os avós de Jesus, pais de Nossa Senhora nos mostrando a grandeza desta família que gerou e formou aquela que é a Bem Aventurada Virgem Maria.
“Ó feliz casal, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Pelo fruto de vossas entranhas sereis conhecidos, como o Senhor disse uma vez: 'por seus frutos os conhecereis'. Conservando a castidade prescrita pela lei da natureza, alcançastes de Deus aquilo que supera a natureza: gerastes para o mundo a mãe de Deus.
Vós vivendo santamente, segundo a natureza humana, destes à luz uma filha superior aos anjos de agora, rainha dos anjos.
Ó casal feliz, Joaquim e Ana. A vós toda a criação se sente agradecida. Pois por vós ofereceu a mais valiosa dádiva das dádivas ao Criador, a mão pura, única digna do Criador.”
A tradição diz que Joaquim nasceu em Nazaré, e casou-se com Anna quando ele era jovem. Ele era um rico fazendeiro e possuía um grande rebanho. Como não tivessem filhos durante muitos anos Joaquim era publicamente debochado, (não ter filhos era considerado na época uma punição de Deus pela sua inutilidade). Um dia o padre do templo recusou a oferta de Joaquim de um cordeiro e Joaquim foi para o deserto e jejuou e rezou por 40 dias.
O Pai de Ana teria sido um judeu nômade chamado Akar que trouxe sua mulher para Nazaré com sua filha Anna. Após o casamento de sua filha com Joaquim também ficou triste de não terem sido agraciados com netos. Ana chorava e orava a Deus para atendê-la. Um dia ela estava orando e um anjo disse a ela que Deus atenderia as suas preces.
O anjo disse ainda que o filho que teriam seria honrado e louvado por todo o mundo. Anna teria respondido; “Se Deus vive e se eu conceber um filho ou filha será um dom do meu Deus e eu servirei a Ele toda a minha vida”.
O anjo disse a ela para ir correndo encontrar com o seu marido o qual, em obediência a outro anjo, retornava com o seu rebanho. Eles se encontraram em um local que a tradição chama de Portão de Ouro. Santa Anna deu a luz a Maria quando ela tinha 40 anos. É dito que Anna cumpriu a sua promessa e ofereceu Maria a serviço de Deus, no templo, quando ela tinha 3 anos. De acordo com a tradição ela e Joaquim viveram para ver o nascimento de Jesus e Joaquim morreu logo após ver o seu Divino neto presente no Templo de Jerusalém.
Maria ao nascer no dia 08 de setembro de um ano desconhecido, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida no futuro para ser a Mãe do Filho de Deus.
O Imperador Justiniano construiu em Constantinopla, uma igreja em honra de Santa Ana lá pelos anos de 550. Seu corpo foi trasladado da Palestina para Constantinopla em 710 e algumas porções de suas relíquias estão dispersas no Oeste. Algumas em Duren Rheinland-(Alemanha), em Apt-en-Provence, (França) e Canterbury (Inglaterra).
O culto litúrgico de Santa Ana apareceu no sexto século no leste e no oitavo século no Ocidente. No século décimo a festa da concepção de Santa Ana era celebrada em Nápoles e se espalhou lá pelos anos de 1100 d.C e daí por diante até século 14, quando o seu culto diminui pelo crescente interesse pela sua filha, a Virgem Maria.
A princípio apenas Santa Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. Em 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. A partir de 1.584, também São Joaquim passou a ser cultuado, no dia 20 de março. Só em 1.913 a Igreja, determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de julho.
(Luís Fernando Custódio Ferreira )
A SABEDORIA DIVINA - JACOB BOEHME
“28. DISCÍPULO: “Ó mestre! não posso mais suportar o que me mantém no desgarramento e no erro. Qual o caminho mais curto para encontrar esse amor?
MESTRE: “Toma o caminho mais duro. O que quer que o mundo deprecie, toma para ti. O que quer que o mundo faça, não faças tu. Faz, em tudo, o contrário do mundo. Esse é o caminho mais curto para chegar ao amor de Deus”.
29. DISCÍPULO: “Se, em tudo, tenho de caminhar na direção contrária à todo o mundo, por certo me encontrarei num estado muito intranqüilo e triste, e o mundo me tomará por louco”.
MESTRE: “Não te digo, filho meu, que deves fazer mal a quem quer que seja. Não é isto que quero dizer quando te aconselho a fazer o contrário de todo o mundo. Mas é que o mundo só ama o engano e a vaidade, e anda por caminhos falsos. Portanto, se tua inclinação é agir sempre de uma forma limpa, tens de andar apenas pelo caminho correto, o caminho da luz, que é contrário aos caminhos do mundo, pois o do mundo é propriamente o caminho das Trevas.
“Porém, se tens medo de, com isso, suscitar problemas e inquietudes, sabe que, segundo a carne, isso de fato ocorrerá. No mundo, certamente terás problemas, e tua carne muitas vezes te intranqüilizará. Porém, isso te dará oportunidade para um contínuo arrependimento; além disso, em tal angústia da alma, que provém do mundo da carne, o Amor se inflamará, e seu Fogo conquistador resplandecerá com mais força ainda para destruir tal mal. Também dizes que com isso o mundo te tomará por louco. É certo que o mundo te tomará por louco por caminhar em sentido contrário a ele, e não deves surpreender-te se os filhos do mundo rirem de ti e te chamarem de néscio ou louco. Pois o caminho que conduz ao amor de Deus é loucura para o mundo, mas sabedoria para os filhos de Deus. Por isso, quando o mundo percebe esse santo fogo de amor arder nos filhos de Deus, conclui prontamente que enlouqueceram; mas para os filhos de Deus, esse ardente Fogo de Amor de Deus é seu maior tesouro, um tesouro tão grande que vida alguma pode expressar o que é, nem língua alguma pode nomeá-lo. Ele é mais brilhante que o Sol, mais doce que qualquer doçura, mais forte que toda fortaleza, mais nutritivo que qualquer alimento, mais inebriante ao coração que o vinho, mais prazeroso que todo o gozo e todos os prazeres deste mundo. Quem quer que o obtenha é mais rico que qualquer rei da terra, mais nobre que qualquer imperador e mais forte que todo poder e autoridade” (p.101-102).
BOEHME, Jacob. A Sabedoria Divina, s.ed., São Paulo: ATTAR, 1994, p.146
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