Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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claude_bloc@hotmail.com

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Hoje é Dia de Cleivan Paiva


CLEIVAN PAIVA NO CARIRI ENCANTADO DE HOJE, A PARTIR DAS 14 HORAS NA RADIO SOCIEDADE EDUCADORA, AM 1020, E NO IV FESTIVAL BNB DE MÚSICA INSTRUMENTAL, A PARTIR DAS 19 HORAS, NO CCBNB-CARIRI, EM JUZEIRO

Hoje, literalmente, é Dia de Cleivan Paiva. O instrumentista e compositor cratense (apesar de ter nascido em Simões, Piauí), será duplamente atração no meio musical da região.

Às 14 horas, Cleivan será o entrevistado do programa Cariri Encantado (Rádio Educadora AM, 1020), quando apresentará ao vivo novas composições suas, bem como comentará sua rica obra que será veiculada a partir de triagem dos seus três discos. Cleivan falará também sobre sua longa, respeitada e profícua carreira artística, iniciada nos anos de 1970, quando foi projetado pelos festivais regionais da canção e pela sua participação na antalógica banda de baile Azes dos Ritmo (é com "z" mesmo).

Depois, às 19 horas, Cleivan Paiva fará o espetáculo de hoje do IV Festival BNB da Música Instrumental, no teatro do Centro Cultural BNB Cariri, em Juazeiro do Norte. Entrada franca.

O programa Cariri Encantado de hoje será apresentado por Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias. Se ligue!

Atenção para este "ANÚNCIOS", por Pachelly J.

Chegou: “ANÚNCIOS” o CD de Célia Dias!



Indescritível surpresa! Uma das mais conceituadas e refinada compositora cratense, lança o seu primeiro CD!

Escreveu Xico Sá, (Jornalista e Escritor). “Com um lirismo pra lá de autêntico, a cantora e compositora, dupla militância sempre rara, Célia Dias é um recorte luxuoso da nova música brasileira”.
E diz mais: “A moça dos olhos atlânticos sabe ser do Crato e do mundo todo, não obrigatoriamente nessa ordem em tempos de “desglobalizações”.

Eu apenas afirmo: Ta tudo azul com Celinha!
Músicas leves, soltas, cor do mar, cor do céu, cor do encarte, cor da arte, a cor dos seus olhos. Um CD à sua imagem!

Ta ZEN, ta de MALAS PRONTAS para o sucesso, Ta no TEMPO, Na BR, ta nos ANÙNCIOS, na LUZ de UMA VARANDA, ta no SINAL, vai ALÉM DO ÔNIBUS, emite uma NOTA, canta na TERRA, Mas Célia, não está SÓ NO CRATO, Porque HOJE, com estas 13 belíssimas canções, posso dizer: Célia Dias está em dia! Em dia com as novas tendências da musica!
Eu recomendo,
Pachelly Jamacaru

Contatos da cantora:
www.myspace.com/celiadias
céliadiascantora@ig.com.br
88. 3521.0198
88. 9965.7314

Diário do Nordeste 16.10.09
(Uma entrevista com Manoel Ricardo de Lima)

Carlos Augusto Lima

Uma conversa: poesia número 7

Acho que insistir no poema tem a ver um pouco com o desequilíbrio. E isto, talvez, só se torne possível fora das imposições cotidianas de uma vida normatizada. Poeta é também o que não conforma. Estamos diante de uma espécie de ruína plena do afeto, como se as coisas todas do mundo estivessem atomizadas.
Com esta conversa poesia, a de número 7, encerro cá um ciclo, um estiramento de papo com alguns bons poetas de cá, ou de cá ao longe, este melhor lugar de ficar. Sete conversas que me deixaram feliz, escolhas certeiras, precisas, inteligentes. Que outras venham, de outra forma, outros lugares do saber e conhecer. Ou que seja apenas silêncio, quem sabe.
Para este último papo, convido Manoel Ricardo de Lima, que nasceu no Piauí, mas é cearense, e anda nos longes de uma ilha, fincando lastros, conexões, conversas das mais variadas, que esticam o dedo de prosa para além da literatura (por ela mesma), e prefere criar um território de saber, contemporâneo, sem mesmo a ideia de território, como você vai ler e verá. Manoel é uma das vozes críticas mais contundentes e espertas da literatura contemporânea brasileira. Voz aguda, diversa, filosófica, de mil referências e saberes atuais que tanto o empolgam. Entre tantas e outras coisas, Manoel Ricardo foi articulista deste jornal, é doutor em Literatura e Textualidades Contemporâneas, pensando Joaquim Cardozo, pela UFSC, e retomou a escrita do poema no seu mais recente livro "Quando todos os acidentes acontecem" (Editora 7 Letras, 2009). Com vocês, Manoel. Que esteja presente.


1) Por que escrever poesia, essa insistência?

Ontem assisti a um documentário simples, O equilibrista, sobre o cara que andou entre as torres do WTC, Philippe Petit, não pelo filme, nada pelo filme, mas pelo ato poético, este ato que não tem porquê. 45 minutos num cabo, pra lá e pra cá, entre os terraços das torres, solto no tempo e com um imenso sorriso aliviado no rosto. Então é óbvio que Petit se irrite com a pergunta que todos lhe fazem: "mas por que você fez isso?", e se irrita porque defende o gesto de uma vida mais perto do perigo, uma vida que possa provocar uma rebelião. Acho que insistir no poema tem a ver um pouco com isso, com o desequilíbrio do corpo lançado sobre um fio de vida alegre. Poesia, acredito, é lançamento. E isto, talvez, só se torne possível fora das imposições cotidianas de uma vida normatizada. Esta insistência passa um pouco por aí, por uma certa ética para o fanciullo, para a imaginação, para o amor, para o acidente que é o amor (descontrole, fúria, rasgo, acesso, distração, comum etc, e o que mais você quiser incluir aí, acho que cabe). E este ato não tem a ver com a palavra, apenas, isto me parece pobre e muito cristão, mas tem a ver com os modos de uso dos corpos com a vida, das operações do corpo e seus gestos políticos mais tensos. Quando escrevo, escrevo assim, como uma responsabilidade para nada, como "um território de luta", uma recusa e um lance com uma história aberta. E tenho tido cada vez mais vontade de escrever pra nada, num caráter insustentável do sentido.

2) Me faça um paralelo entre poesia/mundo. O que é ser poeta na condição de hoje?

Poeta é o que está expulso, Carlos, mas é também o que não conforma. Estamos diante de uma espécie de ruína plena do afeto, como se as coisas todas do mundo estivessem atomizadas. E estas mesmas coisas, me parece, de fato, todas elas, sem exceção, não tem mais saber histórico, não tem história, mas apenas um ajuste de emergência para o progresso. Uma história pré-fabricada, a que chamamos de poder, é a lei única e definitiva. O que nos sobra, a angústia? Esta pergunta é a marca feita com água a partir de uns versos de Alexandre Barbalho, "só o que me salva é a / angústia"; versos que vem como afirmativa, inclusive. A questão para o poeta agora, imagino, ainda pode ser retomar a utopia como um campo desejante, um campo para o desejo. Sempre com uma imprecisão interrogativa: como furar o campo da necessidade, que é o da política, com um poema, para armar um estado de utopia? Eu insisto nisso do poema porque preciso de um sonho, Carlos, ao menos um. Fazer a flor que posso ou tocar com a ponta do meu nariz num ponto furo de alguma ou qualquer imagem do mundo.

3) Simples: o que é escrever poesia em Fortaleza. Que tipo de reflexões pode apontar a partir desse dado?

Se eu começar a pensar em Fortaleza só como este lugar que tem nome de forte, posso começar a me sentir como Julio Cesar Chaves e desferir uns ganchos de esquerda, quase sem desperdício. Você deve lembrar que em 1990 Chaves ficou mais célebre ainda depois de derrubar Meldrick Taylor no último round, quando perdia por pontos, e mandou a frase: "Luta se ganha no ringue, não enquanto se discute." A frase é boba, de efeito, mas aponta pro chão, aponta pra onde o ato se constrói, pra onde é a queda, pra onde não tem porquê. Eu abandonei a discussão, Carlos, tenho me enchido de cansaço porque ela anda simplista, fora de prumo, atrás de significados e sem impertinência, e aí tanto faz se em Fortaleza ou em qualquer outro canto. Mas não abro mão de minha postura, do meu lugar político como poeta, por isso tenho a impressão de que não larguei o chão enquanto faço um pouco de silêncio e ando mais devagar, mas é só um pouco.

Desafio !!! ( Leia e Participe) - Foto de Claude

O que sentes ao olhar a imagem?

"Batida Diferente" - Canta Leni Andrade

Pensamento para o Dia 16/10/2009


“O peregrino deve atravessar e ultrapassar os extensos desertos dos desejos mundanos, superar os crescimentos excessivos, densos e sujos de raiva e ódio, e transpor os despenhadeiros do ego e da malícia, de modo que possa relaxar nos pastos verdes e exuberantes da harmonia e do amor. Assim, tendo se tornado mestre de seus inimigos internos, ele deve descansar no silêncio de seu próprio coração, com todas as agitações de seu interior apaziguadas. Quando o buscador está, dessa maneira, fixo na serenidade tranqüila de sua consciência profunda, a chama do despertar acende-se nele. Nesse momento, o buscador compreende que é uno com o Universo, que ele é o Indivisível Brahman.”

Sathya Sai Baba

Eterno Crato - Composição de Hildelito Parente


Crato cidade formosa
com seus matinais
Teus fins de semana já são tradicionais
Crato tu és princesinha do meu Cariri
Refúgio ideal da mocidade, eterno porvir
Crato ninguém te esquece, Crato divinal
Eterna lembrança que anda no meu coração
Crato cidade adorada dos namorados
Distante de ti não podemos viver separados
.
E quando é noite passeiam tuas lindas morenas
na tua praçinha nem sei quem é que não vai
Tua serra Araripe te abraça e embeleza ainda mais
Dos banhos na Nascente
a gente esquece jamais
Oh! Crato das noites de lua
de encantos mil
Sob um lindo céu azul primaveril
Crato cidade adorada dos namorados
Distantes de ti não podemos viver separados.
.
* Hildelito Parente , grande músico e compositor cratense !

"Os verdes campos da minha terra..."- por- Socorro Moreira

1967 , 1968 ... E os estudantes do meu tempo começaram a seguir rumos diversos.
Foi o tempo de ficar ou partir. Eu fiquei, depois parti, e um dia voltei.
Os reencontros agora se concretizam ...Tempos felizes voltando com as pessoas , que de novo cantam !
1967, no Colégio Estadual Wilson Gonçalves. Segundo ano científico com Vieirinha, na Língua Portuguesa; Alderico ensinando História; João de Borba, Desenho; Laerti , Física ...E os Grêmios, os Grupos Teatrais: Zé do Vale, Leni Coriolano, Josimar Leonel, Nildo Ferreira Cassundé, Aline Luna...: "O Auto da Compadecida "!
Agnaldo Temóteo fazendo sucesso. Nildo , e o repertório de Agnaldo.Nildo , meu vizinho , cantando na Escola e no banheiro de casa: "Meu Grito".
Hoje é o aniversário do Agnaldo.E eu já voltei pros verdes campos da minha terra natal.Não tinha trem, cheguei pelos ares; malota sem cadeado; não corro como em criança, mas ando por aí, despreocupada, resgatando com o olhar o que ainda existe, e com a imaginação o que sumiu, deixou de existir.
2009- Todos retornando a um ponto dos sentimentos. Herança maior , na passagem do tempo.


Eco - Ana Cecília S. Bastos


As palavras se aquietam, não me deixam dormir

Coisas vêm em fragmentos,

dança de cristais no ar.

Ando em devaneio, construindo castelos verbais.


Esviscerada, sonho.

Deixo vir o impossível.
.
Ana Cecília

Alberto Nepomuceno


Nasceu em Fortaleza no dia 6 de julho de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1920.
Filho de Vítor Augusto Nepomuceno e Maria Virgínia de Oliveira Paiva, foi iniciado nos estudos musicais por seu pai, que era violinista, professor, mestre da banda e organista da Catedral de Fortaleza. Em 1872 transferiu-se com a família para Recife, onde começou a estudar piano e violino.
Responsável pelo sustento da mãe e irmã após a morte de seu pai, em 1880, Nepomuceno empregou-se como tipógrafo e passou a ministrar aulas particulares de música, ficando impossibilitado de prosseguir seus estudos no Curso de Humanidades. Apesar do pouco tempo que lhe sobrava, conseguiu dar continuidade aos seus estudos musicais com o maestro Euclides Fonseca.
Durante sua juventude, manteve amizade com alunos e mestres da Faculdade de Direito do Recife, como Alfredo Pinto, Clóvis Bevilaqua, Farias Brito. A Faculdade, nessa época, era um grande centro intelectual do país; por lá fervilhavam idéias e análises sociais de vanguarda, como os estudos sociológicos de Manuel Bonfim e Tobias Barreto, além das teorias darwinistas e spenceristas de Sílvio Romero. Foi Barreto quem despertou em Nepomuceno o interesse pelos estudos da língua alemã e da filosofia, dando-lhe aulas de ambas as disciplinas.
Tornou-se um defensor atuante das causas republicana e abolicionista no Nordeste, participando de diversas campanhas. Entretanto, não descuidou de suas atividades como músico, assumindo, aos dezoito anos, a direção dos concertos do Clube Carlos Gomes de Recife. Atuou também como violinista na estréia da ópera Leonor, de Euclides Fonseca, no Teatro Santa Isabel.
De volta ao Ceará com a família, ligou-se a João Brígido e João Cordeiro, defensores do movimento abolicionista, passando a colaborar em diversos jornais ligados à causa. Devido às suas atividades políticas, seu pedido de custeio ao governo imperial para estudar na Europa foi indeferido.
Em 1885, Nepomuceno mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar na residência da família dos artistas plásticos Rodolfo Bernardelli e Henrique Bernardelli. Deu continuidade aos seus estudos de piano no Clube Beethoven, onde se apresentou ao lado de Arthur Napoleão. Pouco tempo depois, foi nomeado professor de piano do clube, que tinha em seu quadro funcional, como bibliotecário, Machado de Assis.
A capital do império, neste período, vivia um momento de grande efervescência social, política e cultural. No âmbito social, ocorria um vertiginoso crescimento populacional com o aumento do fluxo migratório em busca de trabalho. No plano político, sucediam-se os ataques das campanhas abolicionista e republicana à monarquia. No campo literário, os movimentos romântico, simbolista e naturalista, em voga na Europa, influenciavam diversos escritores brasileiros, como Olavo Bilac, Machado de Assis, Aluísio Azevedo e Coelho Neto.
O grande interesse de Nepomuceno pela literatura brasileira e pela valorização da língua portuguesa, aproximou-o de alguns dos mais importantes autores da época, surgindo, da parceria com poetas e escritores, várias composições como: Ártemis (1898), com texto de Coelho Neto; Coração triste (1899), com Machado de Assis; Numa concha (1913), com Olavo Bilac.

Tens uma fibra de artista e admirável
E tens do nosso povo o voto eterno
Que o título de artista e de notável
Não nasce dos favores do governo


No ano anterior à abolição da escravatura, compôs Dança de Negros (1887), uma das primeiras composições que utilizou motivos étnicos brasileiros. A primeira audição dessa obra, que mais tarde se tornou Batuque, da Série Brasileira, foi apresentada pelo autor no Ceará. Outras peças foram compostas na mesma época, como Mazurca, Une fleur, Ave Maria e Marcha fúnebre.

Apesar de ser visto com desconfiança pela família imperial, devido às suas posições políticas, Nepomuceno, pela sua importância no cenário musical brasileiro, chegou a ser convidado pela Princesa Isabel para tomar chá no Paço Imperial.
Viajou para a Europa na companhia de seus grandes amigos, os irmãos Henrique e Rodolfo Bernardelli, em agosto de 1888, com o objetivo de ampliar sua formação musical.

Em Roma, matriculou-se no Liceo Musicale Santa Cecilia, na classe de Harmonia, de Eugenio Terziani, e na de piano, de Giovanni Sgambatti; depois, com a morte de Terziani, prosseguiu os estudos com Cesare De Sanctis.

Em 1890 partiu para Berlim, onde aperfeiçoou seu domínio da língua alemã e ingressou na Academia Meister Schulle, tornando-se aluno de composição de Heinrich von Herzogenberg, grande amigo de Brahms. Durante suas férias, chegou a assistir em Viena a concertos de Brahms e de Hans von Bülow. Transferiu-se depois para o Conservatório Stern de Berlim, onde, durante dois anos, cursou as aulas de composição e órgão com o professor Arnó Kleffel, e de piano, com H. Ehrlich.

Nepomuceno e sua futura esposa tiveram aulas também com o famoso Theodor Lechetitzky, em cuja sala de aula conheceu a pianista norueguesa Walborg Bang, com quem se casou em 1893. Ela era aluna de Edvard Grieg, o mais importante compositor norueguês da época, representante máximo do nacionalismo romântico. Após seu casamento, foi morar na casa de Grieg em Bergen. Esta amizade foi fundamental para que Nepomuceno elaborasse um ideal nacionalista e, sobretudo, se definisse por uma obra atenta à riqueza cultural brasileira.

Após realizar as provas finais do Conservatório Stern (1894), regendo a Filarmônica de Berlim com duas obras suas (Scherzo für grosses Orcherter e Suíte Antiga), inscreveu-se na Schola Cantorum, em Paris, a fim de aprimorar-se nos estudos de órgão com o professor Alexandre Guilmant. Nessa época, conheceu Camille Saint-Saëns, Charles Bordes, Vincent D'Indy e outros. Assistiu à estréia mundial de Prélude à l'après-midi d'un faune, de Claude Debussy, obra que Nepomuceno foi o primeiro a apresentar no Brasil, em 1908, nas festas do Centenário da Abertura dos Portos. A convite de Charles Chabault, catedrático de grego na Sorbonne, escreveu a música incidental para a tragédia Electra.

Em 1900 marcou uma entrevista com o diretor da Ópera de Viena, Gustav Mahler, para negociar a apresentação de sua ópera Ártemis; porém, adoeceu gravemente, indo se recuperar em Bergen, na casa de seu amigo Edvard Grieg..

Em 1910, financiado pelo governo brasileiro, realizou diversos concertos com músicas de compositores nacionais em Bruxelas, Genebra e Paris. Durante a excursão, visitou Debussy em sua residência em Neuilly-sur-Seine, sendo presenteado com uma partitura autografada de Pelléas et Mélisande.

No dia 4 de agosto de 1895, Nepomuceno realizou um concerto histórico, marcando o início de uma campanha que lhe rendeu muitas críticas e censuras. Apresentou pela primeira vez, no Instituto Nacional de Música, uma série de canções em português, de sua autoria. Estava deflagrada a guerra pela nacionalização da música erudita brasileira. O concerto atingia diretamente aqueles que afirmavam que a língua portuguesa era inadequada para o bel canto. A polêmica tomou conta da imprensa e Nepomuceno travou uma verdadeira batalha contra o crítico Oscar Guanabarino, defensor ardoroso do canto em italiano, afirmando: "Não tem pátria um povo que não canta em sua língua".

A luta pela nacionalização da música erudita foi ampliada com o início de suas atividades na Associação de Concertos Populares, que dirigiu por dez anos (1896-1906), promovendo o reconhecimento de compositores brasileiros. A pedido de Visconde de Taunay, restaurou diversas obras do compositor Padre José Maurício Nunes Garcia e apoiou compositores populares como Catulo da Paixão Cearense.

A sua coletânea de doze canções em português foi lançada em 1904 e editada pela Vieira Machado & Moreira de Sá. O Garatuja, comédia lírica em três atos, baseada na obra homônima de José de Alencar, é considerada a primeira ópera verdadeiramente brasileira no tocante à música, ambientação e utilização da língua portuguesa. Os ritmos populares também estão presentes nesta obra, como a habanera, o tango, a marcação sincopada do maxixe, o lundu e ritmos característicos dos compositores populares do século XIX, como Xisto Bahia, além das polcas de Callado e Chiquinha Gonzaga.

Em 1907 iniciou a reforma do Hino Nacional Brasileiro, tanto na forma de execução quanto na letra de Osório Duque Estrada. No ano seguinte, a realização do concerto de violão do compositor popular Catulo da Paixão Cearense, no Instituto Nacional de Música , promovido por Nepomuceno, causou grande revolta nos críticos mais ortodoxos, que consideraram o acontecimento "um acinte àquele templo da arte".

Ainda como incentivador dos talentos nacionais, atuou junto a Sampaio Araújo para editar as obras de um controvertido compositor que surgia na época: Heitor Villa-Lobos. Nepomuceno chegou a exigir que as edições de suas obras, distribuídas pela Casa Arthur Napoleão, contivessem, na contra-capa, alguma partitura do jovem Villa-Lobos. Executou várias obras do jovem compositor em concertos com orquestras que regeu. E deixou-lhe como herança uma coleção de cerca de 80 canções populares, catalogadas e analisadas.

Alberto Nepomuceno iniciou suas atividades no Instituto Nacional de Música como professor de órgão em 1894. Após a morte de Leopoldo Miguez, em 1902, foi nomeado diretor. Devido a inúmeras pressões e divergências de ordem política e administrativa, pediu exoneração no ano seguinte. No entanto, como importante referência da música erudita local, foi designado pelo próprio Instituto para recepcionar Saint-Saëns em sua vinda ao país. Em 1906 reassumiu o cargo de diretor após o pedido de demissão de Henrique Oswald. Em sua segunda gestão, elaborou uma série de projetos visando à institucionalização da música erudita brasileira.

Um dos primeiros projetos iniciados por Nepomuceno foi a reforma do Hino Nacional Brasileiro e a regulamentação de sua execução pública. Mandou colocar no Instituto uma lápide em homenagem a Francisco Manuel da Silva, com a seguinte inscrição: "Ao fundador do Conservatório e autor do Hino de sua pátria". Foi nomeado também diretor musical e regente principal dos Concertos Sinfônicos da Exposição Nacional da Praia Vermelha, em comemoração ao Centenário da Abertura dos Portos. Nestes concertos, apresentou pela primeira vez ao público brasileiro os autores europeus contemporâneos Debussy, Roussel, Glazunow e Rimsky-Korsakov, além dos brasileiros Carlos Gomes, Barroso Neto, Leopoldo Miguez e Henrique Oswald.

Em 1909, enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional com o intuito de criar uma Orquestra Sinfônica subvencionada pelo governo. Como diretor do Instituto, recepcionou, junto com Rui Barbosa e Roberto Gomes, o pianista Paderewsky em sua visita ao Brasil. Em 1913 regeu, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o grande Festival Wagner, tendo como solista o tenor Karl Jorn, de Bayreuth.

Responsável pela tradução do Tratado de Harmonia de Schoenberg, Nepomuceno tentou, em 1916, implantá-lo no Instituto, mas encontrou forte oposição do corpo docente. Sentindo crescer as pressões contrárias da academia a seus projetos, pediu demissão no mesmo ano. Separado de Walborg e com sérias dificuldades financeiras, foi morar com Frederico Nascimento em Santa Teresa. Seu último concerto no Teatro Municipal aconteceu em 1917. Muito doente e enfraquecido, faleceu em 1920, aos 56 anos de idade. Segundo depoimento de seu grande amigo Otávio Bevilacqua, o compositor começou a cantar ao perceber a proximidade da morte: "... cantou noite adentro até o último suspiro em pleno dia" (Trevisan, João Silvério. Ana em Veneza. Rio de Janeiro: Record, 1998).
Wikipédia

16 de Outubro - Dia de Sta Edwiges


Santa Edwiges nasceu na Bavária, por volta do ano 1174. Aos 12 anos casou-se com o duque da Silésia, Henrique I. Foi mãe de seis filhos. Uma mulher marcada pelo sofrimento diante da morte, pois viu seus filhos morrerem um a um, ficando viva apenas uma filha, Gertrudes. Dedicou-se inteiramente ao serviço dos necessitados: protegia os órfãos e as viúvas, visitava hospitais, amparava a juventude carente, educando-a e instruindo-a na fé cristã, cuidando dos leprosos ... Quando seu marido morreu, ela se retirou para o convento, onde sua filha Gertrudes era abadessa. Passou os restos de seus dias na austeridade. Morreu no mosteiro de Trebnitz, no ano 1243.

Débora Kerr

Leila Pinheiro- "Acaso"

Mães- Narrado por Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro




Fernanda Montenegro, nome artístico de Arlette Pinheiro Esteves da Silva, (Rio de Janeiro, 16 de outubro de 1929) é considerada tanto pelo público como pela crítica como uma das grandes damas do teatro, TV e cinema de todos os tempos.

Recentemente foi eleita a melhor atriz do Brasil. Fernanda também é torcedora do Fluminense Football Club
Iniciou sua carreira no ano de 1950, com o espetáculo "Alegres Canções nas Montanhas", ao lado daquele que seria seu marido por toda a vida, Fernando Torres.

Sua estréia em cinema se dá na produção de 1964 para a Tragédia Carioca de Nelson Rodrigues, A Falecida, sob direção de Leon Hirszman.

Além de ter sido cinco vezes agraciada com o Prêmio Molière, ter recebido três vezes o Prêmio Governador do Estado de São Paulo e de inúmeros outros prêmios em teatro e cinema, ganhou ainda o Urso de Prata de melhor atriz e concorreu ao Óscar de melhor atriz em 1999 e ao Globo de Ouro de Melhor atriz em filme dramático [1] pelo filme Central do Brasil de Walter Salles. Recebeu também vários prêmios da crítica americana, no mesmo ano (Los Angeles Film Critics Award, National Board of Review Award).

Em televisão participou de centenas de teleteatros na extinta TV Tupi de São Paulo, telenovelas na extinta TV Excelsior e na TV Rio e na Rede Record e dezenas de produções na Rede Globo.

Tem dois filhos: a atriz Fernanda Torres e o diretor Cláudio Torres, um dos sócios da Conspiração Filmes, produtora de publicidade e cinema.

Ao longo de sua trajetória profissional, Fernanda Montenegro recebeu prêmios importantes por seus trabalhos tanto no teatro quanto no cinema. Em 1985, foi convidada pelo então presidente José Sarney para ocupar o Ministério da Cultura, mas recusou. Em 1999, foi condecorada com a maior comenda que um brasileiro pode receber do presidente da República, a Ordem Nacional do Mérito Gran Cruz, “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”. Na época, uma exposição realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, comemorou os 50 anos de carreira da atriz. Em 2004, aos 75 anos, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Tribeca, em Nova Iorque.

Wikipédia

Oscar Wilde


Esse irlandês, nascido em Dublin, era filho de um médico, Sir William Wilde, morto em 1876 e uma escritora, Jane Francesca Elgee, árdua defensora do movimento da Independência Irlandesa, fazendo com que desde criança Oscar Wilde estivesse sempre rodeado pelos maiores intelectuais da época.
Criado no Protestantismo, Oscar Wilde foi um aluno brilhante, onde sobressaiu como latinista e helenista. Ganhou depois uma bolsa de estudos para o Magdalene College de Oxford, onde se destacou sobretudo nos estudos das grandes obras clássicas gregas e pelos seus altos conhecimentos dos idiomas.
Desde cedo, sobressaía-se entre os demais estudantes, tanto pela sua inteligência quanto pelo temperamento forte e anticonvencional, levando-se em consideração a alta moralização dos costumes no século XIX. Mantinha sempre um ar de superioridade por onde ia, mas, sua forte personalidade e seu brilho natural sobrepunham-se a isso, tornando-o figura indispensável.
Casa-se com Constance Lloyd, filha de uma advogado de renome em Dublin. Muda-se para Chelsea, notoriamente um bairro de artistas, com grande influência cultural. Teve 2 filhos, Cyril em 1885, e Vyvyan no ano seguinte.

Em 1887 e 1888, foram lançados vários contos e novelas, como “O Príncipe Feliz”, “O Fantasma de Canterville” e várias outras histórias, todas fantasiosas demais, chegando a ser comparadas com Contos de Fadas, mas, como toda a amargura que residia no coração de Oscar Wilde.

Durante toda sua vida, rumores iam sendo criados em torno da suposta vida irregular que ele teria, o que dava á sua figura, um ar de encantamento e atração ainda maior. Podia-se dizer que era amado por uns, repudiado por outros. Alguns estudiosos consideram que essa má fama chegou a atrapalhar sua carreira literária, mas, seus admiradores provam que era justamente o contrário, Oscar Wilde tinha a mistura perfeita de petulância e doçura.

Em 1891, lançou o que viria a ser sua obra prima, a obra que o colocaria para sempre no hall dos grandes escritores, “O Retrato de Dorian Gray“. Livro que retrata a decadência moral humana, “O Retrato…” fez com que seu escritor torna-se ainda mais admirado e famoso.

No entanto, no seu apogeu literário, começaram a surgir os problemas pessoais. O que antes eram apenas boatos, passou a se concretizar, dando início á decadência pessoal daquele grande homem.

Suas atitudes, já um tanto quanto audaciosas para a época, ainda desafiariam muito mais a moralidade aristocrática inglesa. Rumores sobre seu homossexualismo, severamente condenado por lei na Inglaterra, apareceram, não podendo mais serem negados por ele.

Conhece o Lord Alfred Douglas (ou Bosie, como era apelidado), pivô de todo seu drama amoroso. O pai de Lord Douglas, Marquês de Queensberry, sabendo do envolvimento do filho com o escritor, envia carta á Oscar Wilde no Albermale Club, onde o ofende e recrimina toda e qualquer relação que ele venha a ter com o jovem Lord, dizendo “A Oscar Wilde, conhecido Sodomita”. O escritor decidi processar o Marquês por difamação.

Em seguida, tenta mudar de idéia e desistir do processo, visto que muitas rumores pairavam sobre sua própria conduta. Mas, é tarde demais, e as provas concretas da sua desregrada vida sexual começam a aparecer e um novo processo é instaurado contra ele. Entre as provas, a mais contundente é uma carta enviada por Wilde para o jovem Lord, peça chave no julgamento:

A 6 de abril começa o primeiro dos processos contra ele, no Tribunal de Old Bailey.

Em 11 de abril, é transferido da Prisão de Bow Street, onde estava encarcerado, para a de Holloway, como réu de crime inafiançável.

Em 1985, a sentença é decretada: Oscar Wilde foi condenado por sua relação dúbia com o Lord e suas práticas homossexuais á 2 anos de cárcere. Segue-se uma transcrição das palavras do Juíz, onde ele diz, entre outras coisas, qual seria a penalidade para o literato:

Depois desse incidente, toda sua fama e sucesso financeiro começa a desmoronar. Suas obras e livros são recolhidos das livrarias, assim como suas comédias tiradas de cartaz. O que lhe resta, acaba sendo leiloado para suas despesas do processo judicial.

Mesmo condenado, Wilde não abaixaria sua cabeça e declararia á todos que quisessem ouvir, o que se passava dentro de si:

“O amor que não ousa dizer o nome’ nesse século é a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare.

É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas duas cartas, tal como são. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome’ e por causa disso estou onde estou agora.

Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por causa dele.”

Essas foras as palavras de Wilde em seu primeiro julgamento, em 26 de abril de 1895.

Ainda assim, a poesia estava em suas veias e escreve mais duas obras: “A Balada do Cárcere de Reading“, baseado na execução do ex-sargento Charles T. Woolridge dentro da Prisão de Reading e “De Profundis”, uma longa carta ao Lord Douglas.

Wilde era o prisioneiro C-33 do presídio de Reading. E, enquanto estava preso, mais especificamente no ano de 1896, aconteceu um fato curioso: naquela madrugada de 3 de fevereiro, ele diz ter uma visão. Era o espírito de sua mãe que aparecia para ele. “Eu a convidei para sentar, mas ela só balançou a cabeça”, disse o escritor. No dia seguinte, ele recebe a notícia da morte de sua mãe.

Foi libertado em 19 de maio de 1897 e transferiu-se para a França, onde adotou o pseudônimo de Sebastian Melmouth, usando esse nome inclusive para o seu registro no Hotel d´Alsace, onde passou a maior parte do resto dos seus dias. Mesmo após sua libertação, continua a manter contato com Lord Douglas, mas, sua relação já não era mais tão íntima. E, mesmo antes do julgamento, haviam dúvidas sobre o tamanho da intimidade entre os dois.

Após toda essa decadência, mais física, econômica do que moral, conhece a pobreza, e tudo o que de pior ela pode trazer. Vive isolado em hotéis baratos, destruindo-se através do absinto, cuja cor lhe rendeu frases célebres.

Não mais veria seus filhos, que chegaram a ter a atitude absurda de trocar de nomes, visto á vergonha que seu pai teria “impingido” ás suas vidas. Sua ex-mulher morreria em 1899.

Oscar Wilde, espirituoso e brilhante escritor, morreu de meningite e uma infecção no ouvido chamada “cholesteotoma” (doença muito comum antes do advento dos antibióticos) em um quarto barato de um hotel de Paris, ás 9 hrs 50 mins do dia 30 de novembro de 1900. Morreu sozinho, mas, não desmoralizado, pois havia deixado insubstituível obra que, mesmo depois de 1 século, ainda é admirada e relembrada, tamanho á sua genialidade.

Suas últimas palavras foram “Esse papel de parede é horrível! Alguém precisa trocá-lo!”, referindo-se ao papel de parede do quarto de hotel onde se encontrava.

A obra

Wilde foi grande porque conseguiu escrever para todos as formas de expressões em palavras. Embora pouco conhecido em algumas, mesmo assim, escreveu para elas. Em seu único romance, O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde trata da arte, da vaidade e das manipulações humanas. Aliás, é considerado por muitos de seus leitores, como sua maior obra-prima, sendo rica em diálogos.

Já em novelas escritas por ele, como a maioria de todos seus escritos, Wilde criticava o patriotismo da sociedade. Isso fica claro na novela O Fantasma de Canterville.

Em seus contos infantis sempre tratou da criança que vive em cada um de nós, com lições de moral na sua mais bela e pura forma com linguagens simples. O Filho da Estrela (ver em Ligações Externas), é exemplo disso.

No teatro, escreveu nove dramas, que inclusive fizeram sucesso na época.

Wilde poeta usou a poesia simplesmente talvez para ampliar sua sensibilidade para as artes, embora não seja muito conhecido nesse campo. É recomendado ler Rosa Mystica, Flores de Ouro.

Extraído da Obra “A Alma do Homem Sob o Socialismo”, de 1891

"Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes – e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe.

Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido.

Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve – o que para muitos é uma forma de roubo.

Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo.

Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender um homem que aceita as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade.

Entretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralisante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo assim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vivem e semeiam o descontentamento nele.

É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura na América não foi uma conseqüência da ação direta dos escravos nem uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças a conduta totalmente ilegal de agitadores vindos de Boston e de outros lugares, que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema. Foram eles, sem dúvida, que começaram tudo.

É curioso lembrar que dos próprios escravos eles recebiam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico da revolução francesa não foi o de que Maria Antonieta tenha sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo. "

Biografias-Vida e Obra

Loucos e Santos - Oscar Wilde


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Especulações sobre o futuro - por Antonio Sávio


(foto de Emerson Monteiro)

Quem me espera é um futuro de festim
Com aplausos ou pedradas estou chegando
Estou chegando sobre nuvens incolor
Estou chegando com uma flor no peito

Quem me espera no futuro nesses dias
Pois de noites e trevas já muito ruminei
Estarei para um trago, uma valsa, uma poesia
Estive em trevas, estou em planos e feliz estarei

Ah no futuro desse país refém de marte
Onde piras de pilantras flamejarão
Haverá o dia em que a arte
No viés do tempo me estenderá a mão

Ah, o futuro, o futuro enfim
É esse raio de sol que brinca agora
Furando o orvalho em cores de amora
Em cores verdes, amarelas, em cores sem fim.


Antonio Sávio

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O povo quer saber! E as respostas de “Joinha”– Por Carlos Eduardo Esmeraldo


Acredito que metade do Crato não sabe quem seja Ivanilde Pereira de Sousa, mas conhece Joinha, um dos tipos mais populares da cidade. Todos a chamam pelo apelido com o qual ela delicadamente trata as pessoas, seja rico ou pobre: “Oi jóia!” Ela é muito humilde, prestativa, gosta de cultivar amizades, seja com pessoas importantes, como o governador, prefeitos, médicos, bancários e muita gente do Crato e Fortaleza. Passa uma parte do ano no Crato e outra em Fortaleza onde possui muitos amigos. Não gosta que lhe façam perguntas sobre sua intimidade, como por exemplo: onde mora, ou trabalha, quando vai voltar do Crato para Fortaleza ou vice-versa, coisas assim. Gosta de andar com roupas vistosas, coloridas, com fotos dela ao lado de autoridades e algumas anotações. Ontem eu a vi com uma blusa cheia de inscrições, quase um poema, com as respostas que ela dá quando lhe dirigem tais perguntas. Consegui anotar o que segue abaixo:

“O povo me pergunta se eu peço esmola.
Por causa da minha sacola. E eu respondo:
Se quiser eu tenho para lhe dar.
O povo me pergunta onde eu como.
E eu respondo: no prato!
O povo me pergunta aonde eu durmo
E eu respondo: na rede!
O povo me pergunta o que eu faço na praça.
E eu respondo: já viu ter o que fazer na praça?
O povo me pergunta se eu levei chuva.
E eu respondo: deixei lá porque não andava com uma lata para levar a chuva!
O povo me pergunta aonde eu tomo banho.
E eu respondo debaixo da água!
O povo me pergunta se eu sou aposentada.
E eu respondo: sou expulsada!
E não tenho inveja de quem é.
O povo me pergunta se eu tenho “fio”. (filho)
E eu respondo quem tem “fio” é poste e bananeira."

Por Carlos Eduardo Esmeraldo


A religiosidade do povo cratense - por Armando Lopes Rafael


“Foi sempre muito religioso, ainda hoje o é, o povo do Cariri. Vive, como o cearense, a apelar para a misericórdia divina, no decurso de sua existência entremeada de épocas de fartura e felicidades e de misérias e morte”.
Irineu Pinheiro in “O Cariri”. Edição de 1950, página 94

O Crato, a exemplo da maioria das cidades brasileiras, também nasceu e cresceu à sombra da Cruz. A origem da cidade remonta à construção, no segundo quartel do século XVIII, da humilde capela edificada pelo capuchinho Frei Carlos Maria de Ferrara e dedicada, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha, à Santíssima Trindade e a São Fidelis de Sigmaringa.
Desde então, a religiosidade tem sido uma das características do alegre e hospitaleiro povo cratense.
As Procissões são uma das manifestações coletivas dessa religiosidade, como: as de São José, realizadas no dia 19 de março, no Bairro Seminário, a maior de todas que se promovem no decorrer do ano; a de Corpus Christi é a mais carregada de simbolismo, motivando os fiéis a decorarem as ruas centrais para este evento. As calçadas das residências são ornamentadas com pequenos altares, onde não faltam imagens de santos, sobre alvas toalhas, velas e flores.
Em 1° de setembro, temos a Procissão de N. Sra. da Penha, a padroeira da cidade. São realizadas, ainda, as procissões de São Francisco (4 de outubro), a do Domingo de Ramos (que abre os festejos da Semana Santa) e a do “Encontro”. Esta, partindo de pontos diferentes da cidade bifurca-se, quando a imagem de Jesus, carregando a cruz, se encontra com a imagem de Nossa Senhora das Dores, motivando copiosas lágrimas dos fiéis.
Quase todos os bairros do Crato, anualmente, realizam também suas procissões, ao final dos festejos do orago de suas capelas. Assim, temos as procissões de Santa Luzia, São Miguel, Sagrado Coração de Jesus, São José Operário, Nossa Senhora Aparecida, São Sebastião, Nossa Senhora de Fátima, São Vicente Férrer, dentre outras.
Durante a Semana Santa, muitas crendices populares são alimentadas. Divertimentos são evitados na quinta e sexta-feira santas. Jejuns prolongados, herança do Portugal medievo, são feitos. Sem esquecer a confissão dos pecados, que, dada a grande afluência do povo, obriga as oito paróquias da cidade a organizarem um “mutirão” de sacerdotes para atender aos fiéis.
Outra forte tradição religiosa do povo do Crato é a chamada “entronização” do Coração de Jesus. Esta solenidade ocorre no interior das residências, num ritual com orações e cânticos. Nessa ocasião, Jesus Cristo é consagrado como Rei e Soberano de cada lar que o entroniza. A cada ano, a mesma família repete a solenidade, agora com o nome de “renovação” da Consagração.Este costume foi introduzido no Sul do Ceará, no terceiro quartel do século XVIII, pelos Padres Lazaristas franceses que se fixaram no Crato como professores do Seminário São José. Eles difundiram as aparições de Jesus Cristo, ocorridas no século XVII na França, à freira Margarida Maria. Nessas aparições, Jesus pedia o estabelecimento no seio das famílias católicas da devoção ao seu Sagrado Coração. No Cariri, este apelo é atendido até os dias de hoje. Provavelmente, caso único no Brasil.

No Crato, também se mantém a tradição das famílias acenderem velas, colocando-as nas janelas externas de suas residências, em datas especiais, como: 2 de fevereiro (Dia de Nossa Senhora das Candeias) e 13 de Maio (Aparição de Nossa Senhora de Fátima).
Todas as comunidades rurais do município possuem suas capelas. O mesmo ocorre com as diversas escolas da cidade, onde existem pequenos oratórios. No último dia do mês de maio, é realizada a solenidade da “Coroação de Nossa Senhora”. A mais famosa dessas “coroações” é feita, há 109 anos, no patamar da Sé Catedral.
Registre-se ainda a existência de diversas “Irmandades”, compostas por leigos. Uma delas, a Irmandade do Santíssimo Sacramento, possui aqui um “braço feminino”.Fato inusitado, pois é caso único no Brasil.
Mas o profano também se mistura ao sagrado. As festas de São João e São Pedro pouco possuem de caráter religioso. Elas são comemoradas com fogueiras, bebidas, comidas típicas, além das chamadas “quadrilhas juninas” (dança típica do Nordeste brasileiro).
Uma curiosidade: o túmulo mais visitado – no Cemitério Nossa Senhora da Piedade - é o de Maria Caboré, uma deficiente mental, analfabeta e muito humilde, que levou uma vida anônima, mas, após sua morte, passou a ter fama de “milagreira”. Hoje, o povo simples, nas suas dificuldades, faz-lhe “promessas” e visita sua sepultura, no dia 2 de novembro.
No Crato nasceu o famoso Padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço”, misto de guia espiritual e conselheiro das populações sertanejas, que o veneram como santo e são responsáveis pela maior romaria religiosa existente no interior do Brasil.
Texto e postagem: Armando Lopes Rafael


Curare de Bororó por João Gilberto

Bororó - por Norma Hauer


Seu nome verdadeiro era longo: Alberto de Castro Simões da Silva, mas ficou "reduzido" a BORORÓ e assim ficou conhecido no meio musical. Ele nasceu a 15 de outubro de 1898, em Botafogo, aqui no Rio e ainda menino aprendeu a tocar violão com seu pai.

Seu apelido foi dado por um professor que soube que um grupo de índios bororos foi recebido em sua casa.

Foi em 1920 que começou a compor para ranchos e, com um grupo de seresteiros, passou a se apresentar em festas, cantando modinhas e lundus então na moda.

Somente em 1939 teve seu primeiro samba gravado:"Da Cor do Pecado", com Sílvio Caldas. No ano seguinte, Orlando Silva gravou "Curare" e, em 1943 Sílvio gravou "O Que é, o que é?".

Bororó ficou conhecido apenas por essas três músicas, sendo que a primeira, "Da Cor do Pecado, serviu de tema, recentemente, para uma novela da Rede Globo.

Mas Bororó foi importante como radialista, havendo labutado em algumas emissoras como na Rádio Educadora do Brasil (que depois virou "Tamoio"). Aliás, dois "índios" se
encontraram, ali.

Como radialista ,"Bororó" "descobriu" o cantor CARLOS GALHARDO e o levou a apresentar-se naquela emissora, em 1933. Daí para se tornar aquele maravilhoso cantor, foi um passo gigantesco.

Também ORLANDO SILVA ´foi "descoberto" por Bororó, que o apresentou a Francisco
Alves que na época (1934) tinha um programa na Rádio Cajuti , onde Orlando iniciou
sua carreira. Em 1936, Orlando estava inaugurando a Rádio Nacional.

Bororó gravou pouco, mas o fato de "descobrir" dois grandes cantores, mostra sua
importância em nosso meio radiofônico. Os cantores sempre faziam questão de citar o
fato, em suas entrevistas em rádios e revistas e jornais.

BORORÓ faleceu em 7 de junho de 1986, sem completar 88 anos.
Norma Hauer

Dia do Professor - por Norma Hauer


Penso que pouco têm os professores a comemorar no dia de hoje.

Além de os governos (de qualquer nível) não darem a mínima importância ao ensino (preferem ver o povo sem instrução, para melhor manobrá-lo) os alunos não respeitam seus professores.

Professor nunca foi bem pago, mas eram respeitados como mestres.
Para manter suas famílias, trabalhavam em várias escolas. Meu pai foi professor no extinto Colégio Vera-Cruz, onde estudei e, confesso, não gostava de ser"a filha do professor". Tinha de procurar ser uma aluna 100% quando esse não era meu "perfil"

Tratávamos os professores pelo título, sempre com um "senhor" no tratamento.

Quando Brizola criou os CIEPs, idealizado por um grande mestre: DARCY RIBEIRO, o objetivo era um ensino completo, tanto intelectual como fisicamente, com tempo integral ,completado com alimentação,assistência médica e dentária.

A criança que fosse tratada como GENTE dificilmente seria um marginal. As primeiras turmas estariam hoje com a idade mais ou menos de 30 anos, provavelmente trabalhando e formando família, com filhos também freqüentando os CIEPs.

O governo que veio depois de Brizola não deu continuação ao projeto porque o povo apelidou os CIEPs de "Brizolões". Como dar prosseguimento a um BRIZOLÃO ???

Mas lembrando todos os professores, principalmente os atuais, desrespeitados, vamos à letra de
PROFESSORA
Autores: Benedito Lacerda e Jorge Faraj

Eu a vejo todo dia,
Quando o sol mal principia,
A cidade a iluminar.
Eu venho da boemia,
Ela vai, quanta ironia!
Para a escola trabalhar.
Louco de amor nos seus rastros
Vagalume atrás de um astro
Atrás dela eu tomo o trem
E no trem das professoras,
Em que outras vão sedutoras,
Eu não vejo mais ninguém

Essa operária divina,
Que lá no subúrbio ensina
As criancinhas a ler
Naturalmente condena
Na sua vida serena,
O meu modo de viver.
Condena porque não sabe
Que toda a culpa lhe cabe
De eu viver ao Deus dará...
Menino querendo ser
Para de novo aprender
Novamente o bê a bá.
Norma Hauer

OAB-Crato lança blogue


Francisco Bacurau Bento
(Presidente da OAB-Crato)


A Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção de Crato, está lançando um blogue com o objetivo de prover a classe dos advogados cratenses e a sociedade em geral de informações pertinentes, e das realizações e do dia-a-dia da instituição. Na ocasião, o presidente da OAB-Crato, Francisco Bacurau Bento, publicou a seguinte mensagem:

"Este espaço foi criado com o objetivo de manter os advogados filiados à Ordem dos Advogados do Brasil - Subsecção de Crato constantemente atualizados com as mais relevantes informações acerca do exercício do Direito e da Justiça, bem como do cotidiano de atuação e administração da nossa entidade.

Portanto, é mais um espaço do advogado cratense, que pode e deve participar nos enviando sugestões, críticas e informes que julgar importantes e necessários.

Sejam bem-vindos e mantenham contato conosco através do e-mail: oabcrato@gmail.com
."

Francisco Bacurau Bento - Presidente da OAB/Crato

Dia do Professor


" NÃO EXISTE ALGUÉM, QUE NUNCA TEVE UM PROFESSOR NA VIDA,

ASSIM COMO NÃO HÁ NINGUÉM QUE NUNCA TENHA TIDO UM ALUNO.

SE EXISTEM ANALFABETOS, PROVAVELMENTE NÃO É POR VONTADE DOS PROFESSORES.

SE EXISTEM LETRADOS, É PORQUE UM DIA TIVERAM PROFESSORES.

SE EXISTEM PRÊMIOS NOBEL, É PORQUE ALUNOS SUPERARAM SEUS PROFESSORES.

SE EXISTEM GRANDES SÁBIOS, É PORQUE TRANSCEDERAM SUAS FUNÇÕES DE PROFESSORES.

QUANTO MAIS SE APRENDE, MAIS SE QUER ENSINAR.

QUANTO MAIS SE ENSINA, MAIS SE QUER APRENDER"

(IÇAMA TIBA)

Respostas ao Desafio - Foto de Emerson Monteiro


Ângela Lôbo disse...
.
Tarde morna, sem nuvens...
O brilho da luz ofusca
um solitário coração
que geme de saudade!

Socorro Moreira disse...
.
Saudade , luz de ouro
Alvoroço em alto mar
De cá , o tempo eu apronto
Me deito para te esperar...

heladio disse...
.
O sol agonizante, tinge de púrpura o mar,
antes cerúleo.
O solitário pescador, regressa, realizado ou não,
porém chéio de devanéios.
Presenteado por tão estonteante beleza,
da mãe natureza.

Corujinha Baiana disse....

Tua Luz ilumina,
Teu Brilho nos ofusca,
Mas todos te reverenciam.

“Ra” ou “ Atum” no Egito,
“Helius” na Grécia,
“Apolo” em Roma.

Na Índia,
“Surya” ou “Sorya”,
“Tejus”,
“Savita” ou
“Vivasvan”.

No Peru,
“Inti”
para os Incas.

Não importa
Como te chamam.

Em qualquer lugar,
SOL,
És fonte de Energia
E Calor
Indispensáveis à Vida.
.
Claude Bloc disse...
.
.
(In)sol(ação)
Sol(istício)
Luz que se abre
Sobre o tempo.

Aula de matemática - Tom Jobim e Marino Pinto

Poesia Matemática - por Millôr Fernandes

Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo otogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
“Quem és tu?” indagou ele
Com ânsia radical.
“Sou a soma dos quadrados dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A almas irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar,
Uma perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como, aliás, em qualquer
Sociedade.

Do Caderno H - por Mário Quintana




A Arte de Ler
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

A Carta
Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.

A Coisa
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

As Indagações
A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.

A Voz
Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.

Ars Longa
Um poema só termina por acidente de publicação ou de morte do autor.

Arte Poética
Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.

Biografia
Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.

Cartaz para uma feira do livro
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.

Citação
De um autor inglês do saudoso século XIX: "O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro: um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente."

Citação 2
E melhor se poderia dizer dos poetas o que disse dos ventos Machado de Assis: "A dispersão não lhes tira a unidade, nem a inquietude a constância."

Contradições
... mas o que eles não sabem levar em conta é que o poeta é uma criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória, isto é, verdadeira.
E por isso, é que o bom de escrever teatro é que se pode dizer, como toda a sinceridade, as coisas mais opostas.
Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.

Cuidado
A poesia não se entrega a quem a define.

Das Escolas
Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.

Destino Atroz
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.

Do Estilo
O estilo é uma dificuldade de expressão.

Dos Leitores
Há leitores que acham bom o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais.

Dos Livros
Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.

Dupla Delícia
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.

Educação
O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.

Fatalidade
O que mais enfurece o vento são esses poetas invertebrados que o fazem rimar com lamento.

Feira de Livro
O que os poetas escrevem agrada ao espírito, embeleza a cútis e prolonga a existência.

Leitura
Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.

Leitura 2
Livro bom, mesmo, é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir — até onde? — uma entrelinha... Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira leitura continuada.

Leituras
— Você ainda não leu O Significado do Significado? Não? Assim você nunca fica em dia.
— Mas eu estou só esperando que apareça. O Significado do Significado do Significado.

Leituras 2
Não, não te recomendo a leitura de Joaquim Manuel de Macedo ou de José de Alencar . Que idéia foi essa do teu professor?
Para que havias tu de os ler, se tua avozinha já os leu? E todas as lágrimas que ela chorou, quando era moça como tu, pelos amores de Ceci e da Moreninha, ficaram fazendo parte do teu ser, para sempre.
Como vês, minha filha, a hereditariedade nos poupa muito trabalho.

Lógica & Linguagem
Alguém já se lembrou de fazer um estudo sobre a estatística dos provérbios? Este, por exemplo: "Quem cospe para o céu, na cara lhe cai". Tal desarranjo sintático faria a antiga análise lógica perder de súbito a razão.

O Assunto
E nunca me perguntes o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa.

O Poema
O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face.

O Trágico Dilema
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

Palavra Escrita
Por vezes, quando estou escrevendo este cadernos, tenho um medo idiota de que saiam póstumos. Mas haverá coisa escrita que não seja póstuma? Tudo que sai impresso é epitáfio.

Poema
Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos...

Poesia & Lenço
E essa que enxugam as lágrimas em nossos poemas com defluxos em lenços... Oh! tenham paciência, velhinhas... A poesia não é uma coisa idiota: a poesia é uma coisa louca!

Poesia & Peito
Qual Ioga, qual nada! A melhor ginástica respiratória que existe é a leitura, em voz alta, dos Lusíadas.

Refinamentos
Escrever o palavrão pelo palavrão é a modalidade atual da antiga arte pela arte.

Ressalva
Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.

Sinônimos
Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.

Sonho
Um poema que ao lê-lo, nem sentirias que ele já estivesse escrito, mas que fosse brotando, no mesmo instante, de teu próprio coração.

Tempo
Coisa que acaba de deixar a querida leitora um pouco mais velha ao chegar ao fim desta linha.

Veneração
Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.

Vida
Só a poesia possui as coisas vivas. O resto é necropsia.


Pensamentos extraídos do livro "Do Caderno H", Editora Globo - Porto Alegre, 1973, págs. diversas.