
Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
PÉROLAS DE SENSIBILIDADE: EU GOSTAVA TANTO DE VOCÊ (PADRE FÁBIO DE MELO) - TEXTO RECEBIDO PELA INTERNET

Eu acho que a gente vive tão mal, que às vezes a gente precisa perder as pessoas pra descobrir o valor que elas têm. Às vezes as pessoas precisam morrer pra gente saber a importância que elas tinham, e isso aconteceu uma vez na minha vida.
Estava eu na minha casa, de manhã, quando recebi um telefonema dizendo que minha irmã estava morta. Minha irmã mais nova, cheia de vida... de repente não existe mais.
Fico pensando assim, que às vezes, na vida, o ensinamento mais doído seja esse: quando na vida nós já não temos mais a oportunidade de fazer alguma coisa, o inferno talvez seja isso - a impossibilidade de mudar alguma situação. E quando as pessoas morrem, já não há mais o que dizer, porque mortos não podem perdoar, mortos não podem sorrir, mortos não podem amar, nem tão pouco ouvir de nós que os amamos.
Eu me lembro que uma semana antes de minha irmã morrer, ela havia me ligado. Foi a última vez que eu falei com ela, e eu me recordo que naquele dia eu estava apressado, com muita coisa pra fazer, e fiz questão de desligar o telefone rápido. Sabe quando você fala, mas fala na correria, porque você tem muita coisa pra fazer? E foi assim... se eu soubesse que aquela seria a última oportunidade de ver minha irmã, de olhar nos olhos dela, de falar com ela, eu certamente teria esquecido toda a pressa, porque quando a vida é assim, e você sabe que é a ultima oportunidade, você não tem pressa pra mais nada. Já não há mais o que eu fazer, e essa é a beleza da última ceia de Jesus.
Não há pressa, o momento é feito para celebrar, a mística da última ceia está ali, Jesus reúne aqueles que pra ele tinha um valor especial, inclusive o traidor estava lá.
E eu descobrir com isso, com a morte da minha irmã, que eu não tenho o direito de esperar amanhã pra dizer que amo, pra perdoar, para abraçar, dizer que é importante que é especial.
O amanhã eu não sei se existe, mas o agora eu sei que existe, e às vezes, na vida, nos perdemos... Eu me lembro quantas vezes na minha vida de irmão com ela, nós passávamos uma semana sem nos falarmos, porque houve uma briga, uma confusão. A gente se dava o luxo de passar uma semana sem se falar, e hoje eu não tenho mais nem 5 minutos pra conversar com alguém que foi importante, que foi parte de mim.
Não espere as pessoas morrerem, irem embora, não espere o definitivo bater na sua porta. Nós não conhecemos a vida e não sabemos o que virá amanhã. Viva como se fosse o último dia da sua história. Se hoje você tivesse que realizar a sua última ceia, porque é conhecedor que hoje é o último de sua vida, certamente você não teria tempo pra pressa. Você celebraria até o fim, e gostaria de ficar ao lado de quem você ama.
Viver o cristianismo é fazer a dinâmica da última ceia todos os dias. Viva como se fosse o último dia da sua vida; viva como se fosse a última oportunidade de amar quem você ama, de olhar nos olhos de quem pra você é especial.
E depois que minha irmã morreu, um tempo bem passado, eu descobrir porque eu gostava tanto dessa música que vou cantar agora. Ela não fala de um amor que foi embora; o compositor fez para a filha que morreu em um acidente; então, fica muito mais especial cantá-la e descobrir o cristianismo que está no meio das palavras, porque é assim, quando o outro vai embora é que a gente descobre o tamanho do espaço que ele ocupava.
Não sei por que você se foi,
Quantas saudades eu senti,
E de tristezas vou viver,
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou a minha vida
Viveu, morreu
Na minha história;
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...
Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado,
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato.
Não quero ver pra não lembrar,
Pensei até em me mudar...
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...
Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!
Eu gostava tanto de você!
Agora o triste da música é que a gente precisa conjugar o verbo no passado, a pessoa já morreu, já não há mais o que fazer. Mas não tem nenhum sofrimento nessa vida que passe por nós sem deixar nenhum ensinamento...
Tem que nos ensinar, não dá pra sofrer em vão. Alguma coisa a gente tem que extrair...
Extraia o sofrimento e descubra o ensinamento. Se ele algum dia me tocou e me deixou algum ensinamento, eu faço questão de partilhá-lo com você agora. Depois da morte da minha irmã eu faço questão de viver a vida como se fosse o último dia.
Já que o passado é coisa do inferno, e a gente não está no passado, muito menos no inferno, resta a possibilidade de mudar o verbo, de trazê-lo para o presente e de cantá-lo olhando para as pessoas que são especiais. Quem sabe cantando pra ela nesse momento...
Se ela está ao seu lado, se você tem algum amigo que mereça ouvir isso de você, alguém que faz diferença na sua história...
Ao invés de você dizer que gostava, você diz que gosta!
Vamos mudar o verbo! Vamos amar a vida! Vamos amar as pessoas antes que elas vão embora!
E eu...
EU GOSTO TANTO DE VOCÊ! EU GOSTO TANTO DE VOCÊ!
Na Semana da Música ... " A Orquestra de Ray Conniff "
RAY CONNIFF ( 06/11/1916 - 12/10/2002 )
No inicio dos anos 50, houve uma grande virada na carreira de Ray Conniff e isto ocorreu quando ele conheceu Mitch Miller da Columbia Records, que o contratou como arranjador. Em 1955, Ray consegue sua primeira chance para provar sua teoria musical. A gravação foi com Don Cherry, "Band Of Gold". Tornou-se sucesso instantaneamente. Desta forma tem inicio uma série de gravações "Conniff-arranged" para a Columbia, que resultaram em muitos discos de sucesso. Entre os quais podemos destacar Johnnie Ray, "Just Walking In The Rain", Frankie Laine "Moonlight Gambler", Guy Mitchell, "Singing The Blues" e Marty Robbins' "A White Sport Coat". Ray também foi responsável pelos arranjos espetaculares de Johnny Mathis em "Chances Are", Wonderful, Wonderful", e "It's Not For Me To Say".
O sucesso de Ray Conniff como arranjador e maestro para outros artistas, levou a Columbia a permitir que ele gravasse um disco com seu próprio nome. Ele foi o primeiro artista a usar vozes e arranjos vocais como uma seção da orquestra como se fossem instrumentos, for exemplo, as vozes femininas juntamente com trompetes, saxes alto ou clarinetas; as vozes masculinas com trombones ou saxes nas notas baixas. O primeiro disco de Ray Conniff, "'S Wonderful", esteve entre as 20 mais durante nove meses. A revista Cash Box elegeu Ray como "o mais promissor maestro de 1957". He ganhou o mesmo prêmio novamente em 1958. Em 1959, os DJs elegeram a orquestra e côro de Ray Conniff " a melhor orquestra de estúdio." Lá pelo início dos anos 60 , as vendas dos discos de Ray Conniff explodiram. A orquestra e côro de Ray Conniff eram bastante solicitados. Ray, que se orgulha de ter conseguido reproduzir o som em seus shows ao vivo da mesma forma que em estúdio, trouxe ao público o primeiro show ao vivo em estéreo, "Concert in Stereo", no mundo.
As platéias experimentaram a sensação de três canais de som sendo transmitidos pelo teatro com o auxilio de um sofisticado sistema se som estéreo. A crítica aclamou estes concertos como o "evento musical dos anos 60".
Ray Conniff também apresentou o seu "Concert In Stereo" na TV Americana e, em sucessivas tournês pelos Estados Unidos, Alemanha, Áustria e Suíça. Ele também tocou com grande aclamação no Sahara-Tahoe Hotel em Lake Tahoe e no Sahara Hotel em Las Vegas. Durante este período, Ray tinha o coral destacado da orquestra e que ganhou fama por cantarem as letras das músicas tornando-se conhecidos como os "Cantores de Ray Conniff". Durante os anos 70 Ray apresentou o seu show "Happiness Is Music" por toda a América do Sul, Japão e Inglaterra (incluindo o famoso Royal Albert Hall em Londres). Ele também se apresentou na Casa Branca durante a guerra do Vietnã.
Em 1974, Ray foi o primeiro artista popular do ocidente a ser convidado pela então União Soviética a gravar um disco em Moscou. Ray Conniff que agora está com 80 anos, ainda grava aproximadamente um novo álbum ao ano. Além disso excursiona anualmente com seu show pelo Brasil com sai orquestra e coral completos tendo sempre casa cheia com pessoas de todas as idades, canta, dança e corre para cima e para baixa no palco como um jovem de 20 anos, regendo cantando, conversando com a platéia e tocando seu trombone - Fazendo o que mais sabe. O repertório de Ray Conniff inclui clássicos da era das "Big Bands", adaptações de temas clássicos, temas de filmes e de peças da Broadway hits da atualidade e música latina.
Ray tem sobrevivido no mercado musical por mais de 60 anos e já gravou mais de 90 discos até o momento e, já vendeu mais de 65 milhões de discos. Ele foi agraciado com o Grammy Award por sua gravação de "Somewhere My Love", duas indicações para o Grammy, mais de 10 discos de ouro, CBS Records - Prêmio de melhor artista em vendas em 1962 e um sem número de prêmios internacionais.
Além de seu trabalhos nos discos "Ray Conniff Live In Rio" e "I Love Movies", Ray Conniff lançou um disco com musicas exclusivas de Roberto Carlos, chamado “ De Ray para o Rei ”, como Amigo, Emoções, Cama e Mesa, Café da Manhã, Lady Laura, Nossa Senhora, Amor a Moda Antiga, entre outros. Alguns dos grandes sucessos de Ray Conniff no Brasil: La Mer, Love Is A Many Splendored Thing, Only You, Besame Mucho, Perfidia, Aquellos Ojos Verdes, Cheek to Cheek, New York New York, Cuando Calienta el Sol, Tammy, Trhee Coins in The Fountain, Midnight in Moscou, Taste of Haney, Red Roses for a Blue Lady, Y’ve Got You under My Skin,etc.
Ray Conniff morreu no dia 12/10/2002, na cidade de Escondido, Califórnia (EUA), vítima de um derrame, poucos dias antes de completar 86 anos.
Fonte
Imagens - Google Imagens
http://encontrodeorquestras.com/Biografia-de-Ray-Conniff.php
Serenar - Por Claude Bloc

Então, viajava simplesmente em ansiedades acumuladas... Correções umas atrás das outras, intermináveis trabalhos para o Mestrado, o ir e vir de uma cidade à outra, enfim, minha vida corrida de todas as horas.
Procurei alento. Deitei-me várias vezes para encostar-me no travesseiro e lhe pedir conselhos . Esvaziei a mente deste mau caminho, dessa agitação que se refletia em refluxos. Procurei distrair-me, por exemplo, com a queda das folhas no jardim do mano, com o cheiro das flores, com as abelhas pousando aqui e ali. Vi também o beija-flor sorrateiro soprando o vento com suas asas... percebi que tudo seria um refúgio se assim eu quisesse. Refuguei ao marasmo das horas tantas vezes que perdi a conta. Com isso, eu apenas me distanciava ainda mais do que teoricamente é real.
Não, absolutamente hoje não me sinto ou me julgo infeliz. Sou dessa natureza sertaneja que muitas vezes me devora mesmo sem eu saber. Adoro esse cheiro de mato entranhado em minha alma, o cheiro no chão molhado, os sons de risadas de outros tempos, o estigma da singeleza e da naturalidade.
Por isso, decidi serenar essa agonia. Peguei novamente o gosto por essas letrinhas que agora me passam pela frente e me trazem de volta outros inúmeros prazeres que a vida me traz. Voltou-me o som da música e o prazer de viver suas letras. E hoje, eis-me de novo escrevendo como uma criança que não sabe mais viver sem seu brinquedo predileto. E se vocês não sentiram minha falta, senti sim, muita falta de vocês.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Arado- Domingos Barroso
os diabinhos da dengue?
Terei forças ao dia caçá-los
e à noite escrever versos?
Sinto-me aliviado
em saber que hoje
minha dor de cabeça
é culpa do sol de novembro.
Ausentam-se da minha mente
ancestrais mediúnicos tagarelas.
De volta ao batente:
bota nova,
os tropeços de sempre.
Comum Paradoxo - Domingos Barroso
nunca está pronto
com roupa de gala
e brilhantina no cabelo.
Para minha euforia
o maltrapilho
é o mais próximo
da entrada do clube.
As faces mudando de tom
caindo ouro em pó dos bolsos
a voz manjada.
Quando percebo,
é tarde:
eis o maltrapilho
valsando no salão nobre.
O caminho possível
Caminho, na valsa calmaNo passo eterno dos doentes
Ombro a ombro com os dementes
Beijo a beijo com as mulheres
Perdidas na noite sem dentes,
Sem sonhos, sem sóis, numa eterna madrugada
Caminho ao lado do cego, do surdo, do mudo
Estudo, a voz latejante do tagarela.
Caminho nessa marcha de malsãos
Nessa madrugada eterna de quimeras reinantes
Nessa névoa de fuligens que fustigam
Meus medos, meus calos nos pés
Meus sonhos outrora tão sóbrios,
Agora delirantes
Caminho, embora o açoite,
Embora seja alvo, embora seja teste
Caminho com o cuidado de levar as mãos
Feito conchas levando os sonhos impossíveis
Embora só seja possível este corpo magro
Cheio de pestes.
Foto: Filomena
Dia da Bandeira - por Norma Hauer
HINO À BANDEIRA
Letra de Olavo Bilac
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra,
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.
Recebe o afeto que se encerra,
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!
Recebe o afeto que se encerra,
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Mais um hino que nos leva ao Aurélio para que compreendamos sua letra.
Também, escrita por Olavo Bilac!..
Este também aprendíamos no Colégio e o sabíamos quase de cor.
Na segunda estrofe, o verso certo é:
"em nosso peito VARONIL, mas como éramos estudantes, cantávamos "em nosso peito JUVENIL"
Assim, sem o conhecimento de Bilac, a palavra VARONIL foi transformada em JUVENIL.
A data era commorada no pátio do Ministério da Educação.
Já funcionária, assistia às crianças cantando o hino e hasteando a Bandeira.
E recebendo sorvete Kibon no encerramento da festa.
Nós, funcionários, descíamos ao pátio para saborear um autêntico sorvete Kibon.
(que não era para nós). Mas era tão bom voltar à juventude e saborear um Chica-Bom autêntico.
Quando a Kibon era representada por um grande K e não por esse símbolo internacional.
Será a Globalização?
norma hauer
Programa Cariri Encantado com Salete Libório
A pessoa de Salete Libório confunde-se plenamente com o Teatro. Incontáveis são os anos de sua militância na arte dramática, notadamente em benefício do teatro cratense. A sua montagem da peça Bárbara (texto de José Carvalho), quando interpretou o papel principal, é considerada como uma das eficientes produções teatrais da região. A propósito, a admiração por esta heroína da história brasileira, de quem é descendente direta, é outra paixão que motiva a atriz.
Salete Libório reside atualmente em Fortaleza, mas se encontra na terrinha por conta da realização da Mostra Sesc Cariri de Cultura, acompanhando, árdua e ardorosamente, a programação teatral.
O programa Cariri Encantado é veiculado todas as sextas-feiras, das 14 as 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri AM 1020, com apoio do Centro Cultural BNB Cariri.
Copa 2014 - Estádios brasileiros

Estádio: Cidade da Copa, Recife
Arquiteto responsável pelo projeto: não divulgado pelo Governo de Pernambuco
Características do projeto: prevê a construção de um estádio com capacidade para 46.154 lugares, um conjunto habitacional, um centro comercial e hotel.
Valor estimado do estádio com infra-estrutura: R$ 1,6 bilhão
Copa 2014 - Colaboração de José Nilton Simões
Estádio: Mané Garrincha, BrasíliaEscritório responsável pelo projeto: Castro Mello Arquitetos
Características do projeto: o estádio Mané Garrincha deixará de ser olímpico para se tornar uma arena multiuso. Apenas a fachada e a arquibancada superior originais serão mantidas. O novo projeto prevê uma cobertura de tensoestrutura sobre as arquibancadas, estacionamentos e áreas de apoio, vestiários, central médica, lojas e outros empreendimentos. A capacidade será de 60 mil lugares aos torcedores e 10 mil à imprensa, personalidades, staff e convidados.
Valor estimado da obra: R$ 522 milhões
Copa 2014 - Estádios Brasileiros

Estádio: Otávio Mangabeira (Fonte Nova), Salvador Arquitetos responsáveis pelo projeto: Marc Duwe e Claas Schulitz (Schulitz+Partner Architekten)Características do projeto: por conta das más condições do edifício, praticamente todo o estádio será reformado, desde a reformulação das arquibancadas, a instalação de cobertura e a adequação dos espaços para imprensa e áreas vip até a restauração das instalações hidráulicas e elétricas. O projeto só vai manter a forma de ferradura do estádio, com a abertura que dá para o lado sul, para o dique do Tororó. Valor estimado da obra: R$ 231 milhões

Estádio: Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), São Paulo Arquiteto responsável pelo projeto: Ruy OhtakeCaracterísticas do projeto: o novo estádio do São Paulo Futebol Clube será reformado e receberá um novo centro de imprensa, uma redação para jornalistas, novas salas VIP e vestiários. Na parte externa, será construída uma cobertura sobre as arquibancadas nas cores branco e vermelho. A capacidade será reduzida de 75 mil para 62 mil lugares para atender aos padrões da FIFA. O projeto ainda prevê um edifício-garagem para 4.800 carros.Valor estimado da obra: inicialmente em R$ 180 milhões, mas pode haver alteração
Estádio: Arena das Dunas, Natal Escritórios responsáveis pelo projeto: escritório brasileiro Coutinho, Diegues e Cordeiro Arquitetos em parceria com o escritório inglês PopulusCaracterísticas do projeto: para dar lugar ao novo estádio, o atual Machadão e o Centro Administrativo serão demolidos. O projeto da Arena das Dunas prevê a completa reurbanização do local, com a implantação do novo estádio para os jogos e de um complexo formado por uma arena multiuso, hotéis, teatro, estacionamento para seis mil veículos, prédios comerciais e um shopping, além dos novos Centros Administrativos do Estado e do município.Valor estimado da obra: R$ 300 milhões
Estádio: Jornalista Mário Filho (Maracanã), Rio de Janeiro Escritório responsável pelo projeto: Castro Mello ArquitetosCaracterísticas do projeto: para a Copa do Mundo de 2014 será construída uma nova cobertura no estádio, um prédio para estacionamento com cerca de 3.500 vagas e outras intervenções para melhorar a visibilidade nas arquibancadas. Além disso, o projeto pode ir além da reforma do estádio, incluindo a requalificação da Quinta da Boa Vista, do Museu de São Cristóvão e a reurbanização dos bairros Maracanã e Tijuca.Valor estimado da obra: R$ 460 milhões
Estádio da Copa de 2014 - Colaboração de José Nilton Simões

Estádio: Vivaldo Lima (Vivaldão), Manaus Escritório responsável pelo projeto: o alemão Gerkan Marg und Partner (GMP)Características do projeto: o atual estádio será demolido para dar lugar à nova arena do Vivaldão. O projeto prevê um teto retrátil e a cobertura será feita de forma a simular um cesto de palha e as escamas de répteis para lembrar a fauna amazônica.Valor estimado da obra: R$ 500 milhões
Estádio: Governador Plácido Castelo (Castelão), Fortaleza Escritório responsável pelo projeto: não divulgado pelo Governo do Ceará
Estádio: Governador Magalhães Pinto (Mineirão), Belo Horizonte Escritórios responsáveis pelo projeto: Gerkan Marg & Partner (GMP) e Gustavo Penna Arquiteto & AssociadosCaracterísticas do projeto: o estádio será transformado em um complexo cultural, esportivo e de lazer. No interior do estádio, as maiores intervenções serão o rebaixamento do gramado em 3,5 metros , a construção de camarotes e de uma cobertura feita de metal e membranas de policarbonato para a arquibancada. O projeto ainda prevê pavimentos subterrâneos com espaço para shoppings, centros comerciais, área de eventos, equipamentos culturais, hotéis e estacionamentos. Valor estimado da obra: não divulgado
Estádio: Governador José Fragelli (Verdão), Cuiabá (MT)Escritório responsável pelo projeto: Castro Mello ArquitetosCaracterísticas do projeto: as principais intervenções serão a criação de um grande parque ao redor do estádio, a diminuição da capacidade para 48 mil torcedores e a construção de uma área com camarotes, tribuna de honra e gabinetes de imprensa.Valor estimado da obra: R$ 350 milhões
Estádio: Estádio José Pinheiro Borda (Beira-Rio), Porto Alegre Arquitetos responsáveis pelo projeto: Fernando Balvedi, Gabriel Garcia e Maurício Santos da Hype StudioCaracterísticas do projeto: com a reforma já iniciada, o projeto procura aproveitar ao máximo a estrutura já existente do estádio. Entre as poucas intervenções, estão a cobertura do complexo, a reforma e ampliação da arquibancada inferior, construção de camarotes e reformulação interna (administração, tribuna principal, restaurantes etc). A capacidade será aumentada de 56 mil para 60 mil lugares. Valor estimado da obra: R$ 150 milhões
Estádio: Arena da Baixada, Curitiba Escritório responsável pelo projeto: Vigliecca AssociadosCaracterísticas do projeto: considerado o estádio mais moderno do Brasil atualmente, a arena receberá poucas modificações para a Copa de 2014. Entre elas, o aumento da capacidade de 21 mil para 41 mil torcedores, alterações na cobertura, melhoria da iluminação, eliminação de pontos cegos e dos fossos e a abertura de novas saídas, nas esquinas do estádio.Valor estimado da obra: R$ 140 milhões Um dia em Ouro Preto ...- por Socorro Moreira

Náufragos - Por Rosa Guerrera

Na Semana da Música ... "O Karaokê "

O Karaokê é originário do Japão. Nasceu na cidade de Kobe. Em 1970, um fã do cantor japonês Inoue Daisuki pediu que ele o acompanhasse durante uma viagem empresarial e tocasse numa festa. Por estar muito ocupado, Inoue decidiu criar uma máquina que tocasse automaticamente as músicas de uma fita cassete gravada. O músico não patenteou a idéia, deixando de lucrar muito com as máquinas de karaokê, que rapidamente foram copiadas por diversas empresas – mas continuou no ramo, inventando até pesticida contra pragas que destroem máquinas de karaokê.
http://mobbrasil.wordpress.com/2009/10/27/a-origem-do-karaoke/
Pensamento para o Dia 19/11/2009

“O que precisamos salvaguardar e proteger atualmente são a Verdade e a Retidão, não a nação. Quando a Verdade e a Retidão forem protegidas, elas protegerão a nação. Portanto, a Retidão deveria ser nutrida em cada lar. Um lar não é um lugar trivial: ele é a morada da Retidão (Dharma), que protege e salvaguarda o país. O lar é o farol que ilumina e sustenta o mundo. As mulheres deveriam compreender que, independentemente de sua educação ou de sua posição, sua obrigação principal é proteger o lar. Onde as mulheres são honradas, há prosperidade e felicidade. As mulheres nunca deveriam ser menosprezadas ou tratadas com desrespeito. Um lar onde uma mulher derrama lágrimas estará privado de toda prosperidade.”
Sathya Sai Baba
COMPOSITORES DO BRASIL

Por Carlos Rafael e Zé Nilton
Luiz Carlos Salatiel é um dos mais importantes, atuantes e influentes artistas do cenário cultural cearense. Nado e criado no Cariri cearense, é desse solo, onde estão fincadas suas raízes familiares e culturais, que ele cria, recria, inova, revigora e vanguardiza sua arte extraída das entranhas multiculturais do povo cariri.
Cantor, compositor, ator de teatro e cinema, poeta, comunicador, militante e produtor cultural desde os anos de 1970, fazendo ainda incursões esporádicas no campo das artes plásticas e gráficas.
Iniciou sua carreira artística já no final dos anos de 1960 como “crooner” da banda de baile The Hunters, de Juazeiro do Norte.
Viveu intensamente os anos sessenta e setenta, antenado nas revoluções musicais (ouvia Beatles, Rollingstone, Jimmy Hendrix, Jane Joplin, Luiz Gonzaga e iniciou o gosto pela música cubana e caribenha... acompanhou daqui os ecos do Festival de Woodstock), feminina ( fazia eco aos revolucionários apelos de Bette Friedman em favor da libertação da mulher), estudantil ( maio de 1968 na Europa e seus desdobramentos no Brasil e no mundo) e, principalmente, foi um fiel admirador da contracultura hippie.
Achamos mesmo que Luiz Salatiel encarnou todas as determinações que criaram um novo mundo e suas múltiplas tendências, pela permanência dos fartos cabelos e barba, sem falar no modo de se vestir, sempre solto e descompromissado, que muito o destaca na seara humana e cultural desses Cariris.
Ao longo da década de 1970, Luiz Carlos Salatiel desponta, enfim, para toda região, como vencedor de vários festivais da canção, que aconteceram em Crato. Simultaneamente, participou do Grupo de Artes “Por Exemplo”, ao lado de Rosemberg Cariry, Cleivan Paiva, Jackson Bantim, Jefferson Júnior e outros, movimento cultural que sacudiu a cena local com a publicação de antologias de poesia e conto. O ponto alto de sua inquietação cultural foi a promoção do histórico Salão de Outubro. Esse acontecimento chamou a atenção do mundo cearense e selou o Crato como “capital da cultura”.
Ainda na década de 1970, participou como cinegrafista e produtor de vários projetos cinematográficos realizados na região, a exemplo de um documentário sobre Patativa do Assaré. Como ator, em 1992, fez papel de destaque no Filme “Corisco e Dadá”, do premiado cineasta caririense Rosenberg Cariry.
Obrigado a migrar para outros centros urbanos, como Recife, Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro,- Salatiel, não obstante, sempre se manteve conectado com o que acontecia no Cariri. No final dos anos de 1970 e início dos anos de 1980, foi um dos fundadores e principais colaboradores do jornal Nação Cariri, que além de editar o referido periódico, editou discos, filmes e livros, e promoveu diversos eventos artísticos de integração dos artistas do Cariri com artistas de outras regiões.
Retornando ao Cariri, em meados dos anos de 1980, Salatiel integrou-se de corpo e alma ao movimento cultural que se desenvolveu em torno do Jornal Folha de Piqui. Apresentou o hoje lendário programa radiofônico Terra Brasilis e fundou a OCA - Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – responsável dentre outras realizações, pela gravação e edição de Avallon, primeiro disco do cantor e compositor cratense Abidoral Jamacaru.
Nos últimos vinte anos, Salatiel mantém-se incansável na sua militância cultural, mas com o diferencial de ter retornado aos palcos, atuando em eventos musicais e teatrais, a exemplo dos shows “Soy Loco por ti América Latina” e “Contemporâneo.” Eeste último tendo como base o repertório do disco homônimo que lançou em meados desta década.
Este homem de muitas faces e produto de muitas fazes é um exemplo de generosidade e de desprendimento. Debaixo dos caracóis de seus cabelos há uma cabeça voltada para viver a vida, mas, com responsabilidade. Foi, por muitos anos, um exemplo de servidor público, exercendo destacadas funções no Banco do Brasil.
Vamos estar, hoje, a partir das 14 horas, na Rádio Educadora, conversando e tocando as músicas desse excelente compositor brasileiro, no Programa COMPOSITORES DO BRASIL.
Limite (Pachelly Jamacaru e Luiz Carlos Salatiel),com Luiz Carlos Salatiel (Disco “Contemporâneo”, de Luiz Carlos Salatiel)
Dona Rute, Meu Amor (Luiz Carlos Salatiel e Geraldo urano),com Luiz Carlos Salatiel (Disco “Contemporâneo”, de Luiz Carlos Salatiel)
Luar de Oslo (Luiz Carlos Salatiel e Geraldo Urano),com Luiz Carlos Salatiel e João do Crato (Disco “Contemporâneo”, de Luiz Carlos Salatiel)
Leia na minha camisa (Luiz Carlos Salatiel e Geraldo Urano),com Pachelly Jamacaru (Disco “Com as palavras, as músicas”, de Pachelly Jamacaru)
Besame Mucho (Consuelo Velásques),com Luiz Carlos Salatiel (Disco “Fui”, de Manel D’Jardim)
Porque não cantar? (Pachelly Jamacaru),com Luiz Carlos Salatiel (Disco “Balaios da vida”, de Pachelly Jamacaru)
Visões do Paraíso (Zé Nílton),com Abidoral Jamacaru, Zé Nilton e Luiz Carlos Salatiel (Disco "De onde olho”, de Zé Nilton )
Sagração de Mateus (José Flávio Vieira e Luiz Carlos Salatiel),com Abidoral Jamacaru (Disco “Bárbara”, de Abidoral Jamacaru)
Girassóis (Calazans Callou e Geraldo Urano),com Luiz Carlos Salatiel (Disco “Perfeita mistura”, de Calazans Callou)
Limite -(Pachelly Jamacaru e Luiz Carlos Salatiel),com Banda Tchopo – RJ (Disco “Crias minhas”, inédito, de Pachelly Jamacaru)
Nossa Canção (Luiz Ayrão),com Luiz Carlos Salatiel (Disco “Timbres”, de Manel D’jardim)
Quem ouvir, verá!
Informação.
Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, Produção e Apresentação de Zé Nilton
Sempre às quintas-feiras, a partir das 14 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 klz
Apoio Cultural: CCBN
Ademar Casé - Por Norma Hauer
Vários empregos ele tentou depois que deixou a caserna, mas nada dava certo. Regressou a Pernambuco, mas também ali não conseguiu se manter,pois não encontrara, ainda, seu destino.
Seu destino era o Rio de Janeiro, onde, involuntariamente, até 171 ele foi, por trabalhar em uma firma farjuta, que vendia lotes de terrenos inexistentes.
O emprego que lhe abriu as portas foi o de agenciador de anúncios das revistas então na moda:"Careta";" Revista da Semana";"O Malho";"A Cena Muda"...
O rádio, apesar de "nascido" oficialmente em 23 de abril de 1923, durante os anos 20 pouco se desenvolveu. No início dos 30 a fábrica holandesa Philips, acreditando na possível força do veículo, passou a vender rádios importados, de sua marca.
E foi aí que Casé se deu bem.
Com sua experiência como agenciador de anúncios, passou a vender rádios, "bolando" uma idéia genial. Era um tempo em que só os mais abastados possuíam telefone.
Que fez Ademar Casé?
Selecionava possíveis clientes nas listas telefônicas e,com seus endereços, esperava o dono da casa sair. Certo que seria recebido com sua novidade, mostrava um
aparelho para a dona da casa dizendo que seu marido estava interessado nesse
aparelho. Deixava-o com a "madame", como experiência, Sintonizava-o na Rádio
Sociedade, que tinha os programas mais variados e dizia que voltaria depois de uma semana para reaver o aparelho.
Logicamente, a "madame", adorando a novidade, insistia com o marido para que
adquirisse aquele aparelho "misterioso".
Eram outros tempos. Hoje ninguém abriria as portas de suas casas para um desconhecido.
Mas foi dessa forma que Ademar Casé vendeu tantos aparelhos que o representante da Philips no Brasil quis conhecê-lo.
Já nessa época, a empresa holandesa criou a Rádio Philips, para divulgar seus produtos. Mas uma vez Ademar Casé "bolou" algo espetacular. Alugaria um horário na emissora para apresentar um programa variado.
Foi aceito e, no dia 14 de fevereiro de 1932, por sinal domingo de carnaval, entrou no ar o PROGRAMA CASÉ. Foi um sucesso! Algo diferente fora lançado naquele tempo em que tudo era monótono porque o rádio seguia o "mote" de Roquette Pinto:"para a cultura dos que vivem em nossa pátria, pelo progresso do Brasil".
Nessa época já existia na Rádio Mayrink Veiga o "Esplêndido Programa", bastante movimentado,mas Casé fez algo diferente, apesar de não entender de rádio. Como colaboradores teve um cantor de nome Sílvio Salema, que conhecia Almirante (Henrique Foreis) que se tornaria "a maior patente do rádio". Ambos levaram para o PROGRAMA CASÉ idéias novas e pessoas que já labutavam no "metiê".
O PROGRAMA CASÉ foi a porta aberta para o rádio moderno.
Na época não eram permitidos anúncios no rádio e este tinha de ser "educativo". Casé então dividiu seu primeiro programa em duas partes: a primeira popular e a segunda clássica. Durante a primeira,o telefone da emissora não parou de tocar: era o público pequeno, mas desejoso de novidades que dava sua opinião a respeito do novo programa. Na segunda parte(a clássica) os telefones emudeceram.
No segundo programa, no domingo seguinte, fortuitamente, ele eliminou a parte clássica com novos "quadrinhos", o que deixou os ouvintes entusiasmados e assim prosseguiu, mas precisava de dinheiro para manter no ar, todos os domingos, um
programa desse teor .
Que fez Casé? Um vencedor não poderia "deixar a peteca cair".
E não deixou! Mais uma idéia veio à cabeça de Casé.
É aí que Antonio Nássara entra no assunto. Casé pediu a Nássara que "bolasse" uma propaganda para tal padaria. Sem querer, Nássara compôs o primeiro "jingle" apresentado no rádio. Era assim:
Oh, padeiro desta rua,
Tenha sempre na lembrança,
Não me traga outro pão,
Que não seja o Pão Bragança"
Foi gravado pelo cantor Jorge Fernandes.
O dono da padaria adorou e Casé faturou algum para dar prosseguimento ao seu já vitorioso programa.
DRAGÃO.
Muitos foram os "jingles" feitos para o "Dragão". Assim:
Este de Noel Rosa:
No dia que fores minha,
Juro por Deus, coração.
Te darei uma cozinha,
Que vi ali no Dragão.
Este de Marília Batista:
Morros do Pinto e Favela,
São musas do violão.
Louça, cristal e panela,
Só se compra no Dragão.
O Dragão era chamado "a Fera da Rua Larga" e sempre os locutores perguntavam:"A Light fica em frente ao Dragão ou o Dragão fica em frente à Light"?
O PROGRAMA CASÉ foi transmitido por várias emissoras mas seu apogeu foi na Rádio Mayrink Veiga,onde ficou de 1938 a 1948. Aos domingos todos os rádios ficavam
ligados no Programa Casé. Foram ali lançados peças teatrais, pequenos esquetes,
teatro de mistérios, quase todos os cantores daquela época, enfim, antes de a Rádio
Nacional dominar o meio radiofõnico,o Pragrama Casé, na Mayrink Veiga era o de
maior audiência no rádio.
Em 1948 o PROGRAMA CASÉ saiu da Mayrink, indo para a Globo e depois para a Tupi.
Seu último programa foi na TV Rio, onde lançou, com grande orquestra o "Noite de Gala", já em companhia de seu filho Geraldo Casé.
Famigerado- Guimarães Rosa
Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor: um cavaleiro rente, frente à minha porta, equiparado, exato; e, embolados, de banda, três homens a cavalo. Tudo, num relance, insolitíssimo. Tomei-me nos nervos. O cavaleiro esse — o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. Sei o que é influência de fisionomia. Saíra e viera, aquele homem, para morrer em guerra. Saudou-me seco, curto pesadamente. Seu cavalo era alto, um alazão; bem arreado, ferrado, suado. E concebi grande dúvida.
Nenhum se apeava. Os outros, tristes três, mal me haviam olhado, nem olhassem para nada. Semelhavam a gente receosa, tropa desbaratada, sopitados, constrangidos coagidos, sim. Isso por isso, que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto, desprezivo, intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. Dado que a frente da minha casa reentrava, metros, da linha da rua, e dos dois lados avançava a cerca, formava-se ali um encantoável, espécie de resguardo. Valendo-se do que, o homem obrigara os outros ao ponto donde seriam menos vistos, enquanto barrava-lhes qualquer fuga; sem contar que, unidos assim, os cavalos se apertando, não dispunham de rápida mobilidade. Tudo enxergara, tomando ganho da topografia. Os três seriam seus prisioneiros, não seus sequazes. Aquele homem, para proceder da forma, só podia ser um brabo sertanejo, jagunço até na escuma do bofe. Senti que não me ficava útil dar cara amena, mostras de temeroso. Eu não tinha arma ao alcance. Tivesse, também, não adiantava. Com um pingo no i, ele me dissolvia. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. O medo O. O medo me miava. Convidei-o a desmontar, a entrar.
Disse de não, conquanto os costumes. Conservava-se de chapéu. Via-se que passara a descansar na sela — decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. Perguntei: respondeu-me que não estava doente, nem vindo à receita ou consulta. Sua voz se espaçava, querendo-se calma; a fala de gente de mais longe, talvez são-franciscano. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia, sem farroma. Mas avessado, estranhão, perverso brusco, podendo desfechar com algo, de repente, por um és-não-és. Muito de macio, mentalmente, comecei a me organizar. Ele falou:
"Eu vim preguntar a vosmecê uma opinião sua explicada..."
Carregara a celha. Causava outra inquietude, sua farrusca, a catadura de canibal. Desfranziu-se, porém, quase que sorriu. Daí, desceu do cavalo; maneiro, imprevisto. Se por se cumprir do maior valor de melhores modos; por esperteza? Reteve no pulso a ponta do cabresto, o alazão era para paz. O chapéu sempre na cabeça. Um alarve. Mais os ínvios olhos. E ele era para muito. Seria de ver-se: estava em armas — e de armas alimpadas. Dava para se sentir o peso da de fogo, no cinturão, que usado baixo, para ela estar-se já ao nível justo, ademão, tanto que ele se persistia de braço direito pendido, pronto meneável. Sendo a sela, de notar-se, uma jereba papuda urucuiana, pouco de se achar, na região, pelo menos de tão boa feitura. Tudo de gente brava. Aquele propunha sangue, em suas tenções. Pequeno, mas duro, grossudo, todo em tronco de árvore. Sua máxima violência podia ser para cada momento. Tivesse aceitado de entrar e um café, calmava-me. Assim, porém, banda de fora, sem a-graças de hóspede nem surdez de paredes, tinha para um se inquietar, sem medida e sem certeza.
— "Vosmecê é que não me conhece. Damázio, dos Siqueiras... Estou vindo da Serra..."
Sobressalto. Damázio, quem dele não ouvira? O feroz de estórias de léguas, com dezenas de carregadas mortes, homem perigosíssimo. Constando também, se verdade, que de para uns anos ele se serenara — evitava o de evitar. Fie-se, porém, quem, em tais tréguas de pantera? Ali, antenasal, de mim a palmo! Continuava:
— "Saiba vosmecê que, na Serra, por o ultimamente, se compareceu um moço do Governo, rapaz meio estrondoso... Saiba que estou com ele à revelia... Cá eu não quero questão com o Governo, não estou em saúde nem idade... O rapaz, muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado..."
Com arranco, calou-se. Como arrependido de ter começado assim, de evidente. Contra que aí estava com o fígado em más margens; pensava, pensava. Cabismeditado. Do que, se resolveu. Levantou as feições. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar.
O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do São Ão, travados assuntos, inseqüentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações, seguir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar-se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava: E, pá:
— "Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... faz-megerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?
Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta, não queria que eu a desse de imediato. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui ele se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?
— "Saiba vosmecê que saí ind'hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro..."
Se sério, se era. Transiu-se-me.
— "Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem têm o legítimo — o livro que aprende as palavras... É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias... Só se o padre, no São Ão, capaz, mas com padres não me dou: eles logo engambelam... A bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que já lhe perguntei?"
Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:
— Famigerado?
— "Sim senhor..." — e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo — apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. — Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:
— "Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho..."
Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.
— Famigerado é inóxio, é "célebre", "notório", "notável"...
— "Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?"
— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...
— "Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?"
— Famigerado? Bem. É: "importante", que merece louvor, respeito...
— "Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?"
Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:
— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado — bem famigerado, o mais que pudesse!...
— "Ah, bem!..." — soltou, exultante.
Saltando na sela, ele se levantou de molas. Subiu em si, desagravava-se, num desafogaréu. Sorriu-se, outro. Satisfez aqueles três: — "Vocês podem ir, compadres. Vocês escutaram bem a boa descrição..." — e eles prestes se partiram. Só aí se chegou, beirando-me a janela, aceitava um copo d'água. Disse: — "Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!" Seja que de novo, por um mero, se torvava? Disse: — "Sei lá, às vezes o melhor mesmo, pra esse moço do Governo, era ir-se embora, sei não..." Mas mais sorriu, apagara-se-lhe a inquietação. Disse: — "A gente tem cada cisma de dúvida boba, dessas desconfianças... Só pra azedar a mandioca..." Agradeceu, quis me apertar a mão. Outra vez, aceitaria de entrar em minha casa. Oh, pois. Esporou, foi-se, o alazão, não pensava no que o trouxera, tese para alto rir, e mais, o famoso assunto.
Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 13
um pouco de luz
um pouco de luz no coração
um pouco de luz no sonho
um pouco de luz entre os dedos
um pouco de luz no medo
um pouco de luz na cidade
para limpar as farpas do dia
sobre as calçadas nomes esgarçados
projetos mortos morta melodia
um pouco de luz é tudo o que se quer
quando os olhos mal sabem o que é poesia
poesia é dor ou será júbilo?
poesia é um grito no escuro?
poema e foto: chagas







