Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 5 de janeiro de 2010


A fatoração existencial de Matriuska


São poucos os títulos de livros que se permitem ao mesmo tempo a secura e o êxito. “Matriuska” é um deles. Esse é o título do livro de contos do caririense Sidney Rocha, cuidadosamente editado pela Iluminuras. Eis um sítio arqueológico encravado bem no meio do deserto cotidiano das altas tecnologias de mercado. De dentro dos dezoito pequenos contos brotam mulheres únicas, mas uma como contigüidade da outra, e todas carnavalizadas diante do inusitado que é o des-significado da vida.

A linguagem de Sidney Rocha é absurdamente adulta, adúltera, adulterada. A descontinuidade; a fragmentação; a vertigem; o desvão; o abismo; a circularidade dos labirintos; a plenitude do asfalto; a exoneração categórica do compartilhamento dos armários de rodoviária; a solidão esquizóide de uma camisinha desencolhida pela descompressão de um saco de lixo; a inutilidade premente e sem culpa da última vulgata desapropriada pelo sagrado em rota de fuga; e muito mais, além do fetiche, é claro, fazem parte do universo literário que brota aos punhados nos contos de “Matriuska”.

A sintaxe particular de Sidney Rocha na realidade não é única, ela é um desdobramento arquitetônico em fluxo que atravessa também a sintaxe de uma gama de outros desconstrutores, tais como, entre tantos, Robbe-Grillet, Claude Simon e Philippe Sollers. Mas, o que de fato isso importa? Nada. Mesmo porque a abordagem temática é outra e as intenções de descarnar o enredo até o osso passam necessariamente por outras vias. Restam aí, pois, a esfinge das pequenas narrativas como texturas refinadas da grande história e a dessacralização da eloqüência temática como fonte única da grande literatura.

O tema recorrente de “Matriuska” é a inserção da mulher no seu cotidiano, sem afetações heróicas ou humanistas. São sonhos, desilusões, desejos e fetiches, expostos sem truques teatrais ou arcabouços monumentais. Apenas o ser e o estar, sem maquinações de laboratórios ou defesas brilhantes de teses que não servem absolutamente para nada. A ambientação é urbana. Demasiadamente urbana. O livro tem cheiro de ferro, aço, vidro, plástico e asfalto. A cor predominante é o cinza chumbo do concreto. As arestas, as janelas, o riso tímido e os ruídos, ficam por conta do imenso tráfico de humanidade que existe em cada metrópole, mesmo que a província esteja registrada na carteira de identidade.

O sotaque de Sidney Rocha é extremamente simpático e envolvente. Suas pequenas histórias são rápidas, mas são duradouras. São novas trilhas abertas nesse emaranhado literário contemporâneo. São contos pequenos na quantidade de linhas, mas são enormes em seu feitio artístico. Nem os maneirismos de vitrine, as soluções programadas dos Best-sellers, os mistérios cinematográficos e nem as patéticas claquetes da chamada cultura alternativa você encontrará aqui. Também não espere a natureza ser salva, a corrupção ser extinta, o capitalismo ser desmascarado, o povo ser celebrado através do resgate das raízes culturais. Muito menos a confissão mirabolante dos sete anões no caso de estupro da panaca branca de neve.

Sugiro que a sua leitura comece exatamente pelo conto que dá título ao livro, exatamente na página 23. Quando a personagem começa retirar da bolsa todas as suas importâncias, o leitor é apresentado a um escatológico desfile de objetos e fetiches. Eis o valor de uma lembrança. Eis o ser inserido em sua significativa insignificância. É só um lampejo. É só um fôlego. A partir daí, então, você terá um universo inteiro aos seus pés, pois literalmente o seu mundo será colocado de cabeça para baixo. Esse é um livro próprio para quem tem o hábito da leitura. Mais definitivamente: é um livro impróprio para quem não largou o hábito e vive de antigas sagrações.
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Paisagem de interior - Jessier Quirino

Marcelo Mourão nos enviou um texto interessante para postar no Cariricaturas. A introdução é de sua lavra. O restante de nosso genial Jessier Quirino

Das leitura na praia
longe do computadô
uma viage as orige doutô
num causa nenhum muxoxô
em quem pensa que agauchô
só proque faiz churrasco
e torce pro Internacional
lê os versu do Jessier
nesse estilu de trova
que o amigo Piru uma veiz me apresentô
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Marcelo

Paisagem de interior

Jessier Quirino

Matuto no mêi da pista
menino chorando nu
rolo de fumo e beiju
colchão de palha listrado
um par de bêbo agarrado
preto véio rezador
jumento jipe e trator
lençol voando estendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Três moleque fedorento
morcegando um caminhão
chapéu de couro e gibão
bodega com surtimento
poeira no pé de vento
tabulêro de cocada
banguela dando risada
das prosa do cantador
buchuda sentindo dor
com o filho quase parido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Bêbo lascando a canela
escorregando na fruta
num batente, uma matuta
areando uma panela
cachorro numa cadela
se livrando das pedrada
ciscador corda e enxada
na mão do agricultor
no jardim, um beija-flor
num pé de planta florido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Mastruz e erva-cidreira
debaixo dum jatobá
menino querendo olhar
as calça da lavadeira
um chiado de porteira
um fole de oito baixo
pitomba boa no cacho
um canário cantador
caminhão de eleitor
com os voto tudo vendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Um motorista cangueiro
um jipe chêi de batata
um balai de alpercata
porca gorda no chiqueiro
um camelô trambiqueiro
avelós e lagartixa
bode véio de barbicha
bisaco de caçador
um vaqueiro aboiador
bodegueiro adormecido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Meninas na cirandinha
um pula corda e um toca
varredeira na fofoca
uma saca de farinha
cacarejo de galinha
novena no mês de maio
vira-lata e papagaio
carroça de amolador
fachada de toda cor
um bruguelim desnutrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Uma jumenta viçando
jumento correndo atrás
um candeeiro de gás
véi na cadeira bufando
radio de pilha tocando
um choriço, um manguzá
um galho de trapiá
carregado de fulô
fogareiro abanador
um matador destemido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Um soldador de panela
debaixo da gameleira
sovaqueira, balinheira
uma maleta amarela
rapariga na janela
casa de taipa e latada
nuvilha dando mijada
na calçada do doutor
toalha no aquarador
um terreiro bem varrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.

Um forró de pé de serra
fogueira milho e balão
um tum-tum-tum de pilão
um cabritinho que berra
uma manteiga da terra
zoada no mêi da feira
facada na gafieira
matuto respeitador
padre, prefeito e doutor
os home mais entendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.


Jessier Quirino é paraibano de Campina Grande, arquiteto por profissão, poeta por vocação, vive atualmente em Itabaiana. É o autor dos livros "Paisagem de Interior", "A Miudinha", "O Chapéu Mau", "O Lobinho Vermelho" e "Agruras da Lata D'Água", além de cordéis, causos, musicas e outros escritos.
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O crítico do Jornal do Commércio - Recife fez o seguinte comentário, quando do lançamento de seu último livro: "A poesia matuta já é um estilo consagrado da literatura brasileira. Nomes como Patativa do Assaré, Catulo da Paixão Cearense e Zé da Luz são conhecidos em todo o país como os principais representantes do gênero.
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Um pouco menos famoso que os três, mas podendo ser considerado tão importante quanto, é Jessier Quirino, poeta paraibano que vem se destacando por seu estilo humorístico."
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Primeira chamada! Convite Exposição fotográfica e show!

Aguardo vocês!


Gibran khalil Gibran

Prefácio

"Vim para dizer uma palavra e devo dizê-la agora.Mas se a morte me impedir, ela será dita pelo amanhã,porque o amanhã nunca deixa segredos no livro da Eternidade.Vim para viver na glória do Amor e na luz da Beleza, que são reflexos de Deus.

Estou aqui, vivendo, e não me podem extrair o usufruto da vida,porque, através da minha palavra atuante,sobreviverei mesmo após a morte.Vim aqui para ser por todos, e com todos,e o que faço hoje na minha solidão,ecoará amanhã entre todos os homens.

O que digo hoje com apenas meu coração,será dito amanhã por milhares de corações."

Gibran Khalil Gibran

Seu nome completo é Gibran Kahlil Gibran.Assim assinava em árabe.Em inglês, preferiu a forma reduzida e ligeiramente modificada: Khalil Gibran e é mais comumente conhecido com o simples nome de Gibran.

1883- Nasceu em 06 de janeiro em Bsharri,nas montanhas do Líbano,a uma pequena distância dos cedros milenares.Tinha oito anos, quando um dia,um temporal se abate sobre sua cidade.Gibran olha fascinado,para a natureza em fúria e. estando sua mãe ocupada,abre a porta e sai a correr com os ventos.

Quando a mãe, apavorada, o alcança e o repreende,ele lhe responde com todo ardor de suas paixões nascentes:

" Mas mamãe, eu gosto das tempestades! Gosto delas, gosto!"(Um de seus livros em árabe será intitulado 'Temporais").

1894-Emigra para os Estados Unidos,com a mãe, o irmão Pedro e a irmã Sultane.Vão morar em Boston.O pai permanece em Bsharri.

1898-1902-Volta ao Líbano para completar seus estudos árabes.Matricula-se no Colégio da Sabedoria, em Beirute.Ao Diretor, que procura acalmar sua ambição impaciente,dizendo-lhe que uma escada deve ser galgada degrau por degrau,Gibran responde:

"Mas as águias não usam escadas."

1902-1908-De novo em Boston.Sua mãe e seu irmão morrem em 1903.Gibran escreve poemas e meditações para Al-Muhajer ( O Emigrante ),jornal árabe publicado em Boston. Seu estilo novo, cheio de música,imagens e símbolos,atrai-lhe a atenção do Mundo Árabe.Desenha e pinta numa arte mística que lhe é própria.Uma exposição de seus primeiros quadros, desperta o interesse de uma diretora de escola americana, Mary Haskell,que lhe oferece custear seus estudos artísticos em Paris.

1908-1910-Em Paris estuda na Académie Julien.Trabalha freneticamente e frequenta museus, exposições, bibliotecas.Conhece Auguste Rodin.Uma de suas telas é escolhida para a Exposição das Belas-Artes de 1910.Nesse ínterim, morrem seu pai e sua irmã Sultane.Em 1910,volta a Boston,e no mesmo ano muda-se para Nova Iorque,onde permanecerá até o fim da vida.

Mora só, em um apartamento sóbrio, que ele e seus amigos chamam de As-Saumaa (O Eremitério ).Em Nova Yorque, Gibran reúne em volta de si, uma plêiade de escritores libaneses e sírios, que embora estabelecidos nos Estados Unidos, escrevem em árabe, com idênticos anseios de renovação.O grupo forma uma academia literária que se intitula Ar-Rabita Al -Kalamia ( A Liga Literária )e que muito contribuiu para o renascimento das Letras Árabes.

Seus porta-vozes foram,sucessivamente duas revistas árabes editadas em Nova Yorque: Al-Funun ( As Artes ) e As - Saieh ( O Errante ).

1905-1920-Gibran escreve quase que exclusivamente em árabe, e publica sete livros nessa língua:

1905- A Música ; 1906- As Ninfas do Vale; 1908 - Espíritos Rebeldes; 1912- Asas Partidas ;1914-Uma Lágrima e Um Sorriso; 1919-A Procissão; 1920-Temporais;(após sua morte será publicado um oitavo livro sob o título de Curiosidades e Belezas,composto de artigos e histórias, já aparecidas em outros livros e de algumas páginas inéditas.

1918-1931-Gibran deixa pouco a pouco de escrever em árabe,e dedica-se ao inglês,no qual produz também oito livros. Em 1918 - O Louco;em 1920- O Precursor;1923-O Profeta;em 1927-areia e Espuma;em 1928 - Jesus, O Filho do Homem; em 1931-Os Deuses da Terra ;( após sua morte serão publicados mais dois: em 1932- O Errante;em 1933- O Jardim do Profeta).Todos os livros de Gibran, em inglês, foram lançados por Alfred Knopf, dinâmico editor norte-americano,com inclinação para descobrir e lançar novos talentos.

Ao mesmo tempo em que escreve, Gibran se dedica a desenhar e pintar.Sua arte, inspirada pelo mesmo idealismo,que lhe inspirou os livros, distingue-se pela beleza e pureza das formas. Todos os seus livros, em inglês, foram por ele ilustrados com desenhos evocativos e místicos,de interpretação às vezes, difícil, mas de profunda inspiração.

Seus quadros foram expostos várias vezes,com êxito em Boston e Nova Yorque.Seus desenhos de personalidades históricas são também célebres.

Gibran morre em 10 de abril de 1931,no Hospital São Vicente, em Nova Yorque,no decorrer de uma crise pulmonar que o deixara inconsciente.

Fontes:

www.starnews2001.com.br/kahlil2.html

Google Imagens

Sal
- por Claude Bloc -

Aguço meus sentidos
Para no mar
Deslizar
Sorver as ondas
Com os mesmos gostos
De sal
De antigamente.

Teço em meus teares
Os segredos da noite
e
Com a harmonia
De uma artesã paciente
Traço detalhes
Entalho saudades
Elaboro mais um sonho
Laboro
lampejos
Duplo desejo
De estar no mar.
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Texto e foto por Claude Bloc

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Órfãos de Padre


Nos dias de hoje, a Igreja Católica atravessa uma “entressafra” de bons Padres. A percepção é mais latente no momento da missa onde a celebração sai de sua “rotina”, o sermão. Nesta hora é que se percebe a qualidade do celebrante. No caso do Crato, e por que não do Cariri, desde a transferência de Padre Raimundo Elias para Europa, milhares de fieis ficaram órfãos de Padre.

Particularmente, como freqüentador assíduo de suas missas, achei na época do anúncio de sua ida para o Doutorado na Espanha, muito difícil encontrar um Padre que o substituísse a altura, mas guardava dentro de mim a esperança de encontrar alguém que passasse o “básico”. Básico significa para mim: alguém com formação e estudo suficientes para ter o compromisso de previamente organizar um sermão, baseado nas leituras da missa e que através destas deixasse aos presentes, dentro de um limite de tolerável de tempo, uma palavra de reflexão de uso prático. Resumindo: deixasse mensagens que eficientemente acrescentassem algo de motivante e real na vida de cada um.

Este desabafo é de alguém que buscou insistentemente um pastor. Fui a muitas paróquias, às vezes, em horários diferentes só pra saber se havia outro celebrante. Nada! Encontrei discursos vazios, mal organizados ou desorganizados mesmo! Frases superficiais e pouco, ou pouquíssimo, acrescentadoras. Faltava até credibilidade no que era dito pelo tom de descompromisso com o qual por algumas vezes se “jogavam” os trechos bíblicos. Comecei a achar que o problema era comigo! Não estava sendo tolerante o suficiente ou estava buscando uma cópia que simplesmente não iria aparecer do dito Padre. Comecei então a perguntar aos amigos e conhecidos onde eles assistiam a missas e se haviam encontrado um bom Padre. A resposta era sempre: “estamos indo a missa, mas os Padres...”

Neste mundo contemporâneo de tantas necessidades a maior delas deve ser a do alimento da alma. Principalmente num país em desenvolvimento como o nosso, a missa ou a celebração religiosa que seja, acaba por ser a única oportunidade de reflexão orientada de grande parte da população. Sem dúvida, a responsabilidade é enorme e os prejuízos podem ser igualmente profundos. Espero que com esse depoimento, alguns Padres procurem buscar o desenvolvimento de suas habilidades de oratória e renovar seus estudos bíblicos, filosóficos e psicológicos tão importantes na orientação de seu rebanho. Espero ainda que jovens vocacionados ao sacerdócio compreendam que seu público está mais atento ao que é oferecido, e que é preciso muito mais preparo e conhecimentos para alcançar os corações do povo de Deus.


Dimas de Castro e Silva Neto

Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

Até o mar

hoje me parece estranho

Águas verdes

é o sangue da esperança.

No meu calor

teu frio se aconchega

No meu peito

adormeçem os desejos

E o sol retorna

querendo fruta,pão e chão...

Pra que pensar ,

se nesta manhã ,

estamos num quadrante amoroso

sem porta para a solidão?


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quase noite no Umari - Por Emerson Monteiro


Recebi do meu primo Georges Bloc - Partilho com vocês. É sempre bom sorrir e fazer sorrir.
(Claude Bloc)

Um ano novo bem arretado pra vocês tudim !!!!

Conselhos de um cearense para um 2010 bem pai d’égua.

Sobre as suas metas para o Ano Novo

 Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.
 Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale à pena correr atrás. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.
 Se vire num cão chupando manga e mêta o pé na carreira, pois pra gente conseguir o que quer, tem é Zé.
 Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só frescando.

Sobre o amor

 Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Tome rumo, avie, se avexe
 Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você. Aperreia ela. Vai que dá certo e nasce um bruguelim réi amarelo.

 Você é um corralinda. Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.
 Não bula no que tá quieto. Num seja avexado, pois de tanto coisar com uma, coisar com outra, você acaba mesmo é com um chapéu de touro.

 As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém pai d'égua. Num devem se atracar com um cabra peba, malamanhado e fulerage. O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar. Um dia vai aparecer um machoréi da sua bitola.

Sobre o trabalho

 Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão num tem vez não.

 Se você vive fumando numa quenga, puto nas calças e não agüenta mais aquele seu chefe réi fulerage, tenha calma, não adianta se ispritar.

Se ele não lhe notou até agora é porque num tá nem aí se você rala o bucho no trabalho. Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.

 Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu. Saia com aquele magote de amigos pra tomar uns merol.

Tome umas meiotas e conte uma ruma de piadas que tudo melhora.

Sobre a sua vidinha

 Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.

 Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.

 Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se esfola um preá.

 Arrumação motivacional

 No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá gastura.

 Tome um burrim e tire o gosto com passarinha ou panelada que é prá num perder a mania.
 Prá começar o ano dicunforça:

 Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.
 Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto:

Sai mundiça !!!

Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta que vai dar tudo certo em 2010, afinal de contas você é cearense.

E para os que não são da terrinha, mas são doidim prá ser, nosso desejo é que sejam tão felizes quanto nós.
Peeeeennnnse num ano que vai ser muito bom.

Respeite como vai ser pai d’égua esse 2010!!!

(autor desconhecido, mas cabra da peste!!)

Estes também são os meus votos!!!
***

Primeira foto de MIGUEL, em 2010

Um dia a gente cresceu ... Agora é a vez de Miguel.

Abraços, amigo Joaquim !
Feliz 2010.

Feliz 2010 - por Elvis Pinheiro




Começar um texto é deparar-se com uma folha em branco. Uma folha de computador em branco, diremos hoje em dia. Se antes o perigo era faltar a tinta da caneta, o grafite do lápis ou a folha de papel, hoje um dos perigos é um vírus embaralhar as letras de tudo aquilo que você estiver escrevendo ou simplesmente não haver eletricidade na casa ou a bateria recarregada.

Antes eu poderia perder os meus escritos vítima de cupins, da água, do fogo. Fogo e água ainda podem destruir computadores e toda a memória que eles estiverem guardando. Digamos que são Destruidores Primários Universais, o fogo e a água. Mas se salvarmos nossos textos na Rede, na grande teia chamada Internet, dentro de sua caixa virtual de "mails", as probabilidades de perdermos o que escrevemos diminui bastante. Claro que podem surrupiar minha senha, entrarem na minha conta de e-mails e apagarem tudo ou simplesmente mudarem as minhas senhas e eu nunca mais ter acesso aos meus textos... E se eu não escrever salvando de instante em instante aquilo que eu estiver digitando, pode ser que aquela grande frase de impacto fique perdida para sempre.

Se escrevemos para nos constituirmos como base mais sólida de memória e nos mantermos para mais além inscritos no Tempo, nós e nosso pensamento, escrever foi uma das maneiras desenvolvidas pelo intelecto humano mais eficazes para se fazer isso. Mas como tudo o mais, será passível de destruição. As novas tecnologias são apenas novas tecnologias lutando como as anteriores para evitar que o pensamento humano seja apagado da Terra. Foi por isso que os antigos substituiram as tábuas de pedra que podiam ser quebradas facilmente e deletar os pensamentos de Javé e substituir por outro material e depois outro e depois outro até chegarmos nestas linhas virtuais, sem materialidade, como se fossem a Alma Imortal que tanto se comenta nos textos sagrados. Existe, mas não se pode tocar.

E tudo isso é para lembrarmos que um Novo Ano acabou de chegar e queremos que ele seja novo e traga novas alegrias e conquistas. E isso acontecerá. Acontecerá sobre a nossa velha e antiga carcaça Humana. Sempre gosto de ler uns trechinhos de Erasmo em seu esplêndido Elogio da Loucura, porque sempre me espanto com a atualidade das idéias contidas nele. Daquela fresca atualidade de 1501 quando o livro foi lançado.

Eu quero continuar SENTINDO em 2010, continuar EXPERIENCIANDO os fenômenos que a vida carrega em si. É assim que se dá, em mim, a minha noção de crescimento, mudança e felicidade. Conhecendo novas pessoas, novos lugares, fazendo novas amizades... CONVERSANDO!

Desejo, portanto, a todos os meus novos e antigos amigos e conhecidos - porque qualquer pessoa que me tangencie, interfere em mim - um Novo Ano cheio de experiências epifânicas! Tenham várias e várias epifanias, tais temos na fase mais cheia de epifanias de nossa vida que é a época da Infância. Na infãncia descobrimos Tanto, tanta coisa nos mínimos elementos, que a Vida se torna maravilhosa a cada microssegundo. Então, meus queridos, tenham em 2010 esse olhar maravilhado das crianças, para aí, sim, manterem-se Novos e Atualizados.

Meu fraterno e caloroso abraço,
José Eldo Elvis Pinheiro Morais
Juazeiro do Norte, 02 de janeiro de 2010.

Pensamento Para Hoje, 4 de Janeiro/2010

Fixo Esforço.

"Para ser grande, sê inteiro: Nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Fernando Pessoa.

Água e óleo não se misturam

Por Pedro Esmeraldo

Se de nosso lado, partimos para luta com alegria e ufanismo é porque desejamos alcançar o crescimento com equilíbrio e melhoria de produtividade com aptidões técnicas, e tudo isto sendo aplicado em todas as atividades políticas.

Quando falamos que somos contra certos atos inócuos e decrescentes "que inibem o desenvolvimento" olhamos com bons olhos as maldades que ocorrem na cidade, pois somos perseguidos por pessoas indecorosas que "constantemente" vêem nos enganando "com tapinha nas costas" imitando gato e procurando esconder as unhas, visto que o maior desejo é empurrar o Crato para o atraso, fixando-se na corrente emergente da estrada sinuosa impulsionando para o atraso. Nós, os cratenses, não reagimos aos insultos e permanecemos numa via pactuai, procurando convencer que os cratenses também pertencem a mesma origem e podemos contribuir com a mesma qualidade de trabalho a fim de alcançarmos o nosso objetivo.

Avisamos portanto, que não pertencemos a uma aldeia de índios para que venham nos atirar pedra constantemente, ameaçando esse povo que vive perseguido pelas artimanhas das cidades vizinhas. Somos fortes, não temos medo de enfrentar o barco e vimos contribuir com merecimento avantajado, não desejando cair no âmago do desespero. Mostramos que temos coragem de lutar com impetuosidade.

Prevenimos que cumprimos com a obrigação de defender a nossa terra, desincumbindo-se com esforço, com o intuito de proteger a cidade dessa política desvairada que afasta os seus verdadeiros líderes das atividades públicas. Deixam-nos esquecidos, devido a falta de apoio das autoridades de Fortaleza e permanecemos sem apetite e não temos coragem de investir atualmente no Crato. Notem bem, reclamamos o desinteresse pelas construções do Centro de Convenções e da estátua de Nossa Senhora de Fátima, que estão em marcha lenta, a passo de tartaruga, sem procurar apressar para enaltecer os ânimos do povo cratense.

Desejamos portanto, que o cratense seja mais esperto e não venha aceitar essa desigualdade acometida pelas autoridades de Fortaleza e que parece que estão esmorecida em investir no Crato e o seu desejo é ver o Crato amofinado, sem luta, deixando o povo esmorecido e sem esboçar nenhuma reação.

Pensando bem, se as autoridades se interessassem pelo Crato, ganharíamos limites favoráveis e estaríamos tão adiante que jamais poderíamos ser alcançados. Se os prefeitos passados, tivessem atividades políticas, não estaríamos sofrendo essa consequência desagradável, e os cratenses cruzariam uma linha de equilíbrio de progresso percentual.

Mas nada disso aconteceu! Esses prefeitos, excetuando-se Dr. Raimundo e o capitão Ariovaldo, de uma incompetência fora de série e não souberam administrar esta cidade com impetuosidade. Alguns deles foram pusilânimes, não olharam bem para o futuro. Houve tanta fraqueza desses homens que um deles teve hábito de colocar faixa com propaganda dizendo que seria o maioral: Um dia apareceu um senhor desejando investir no Crato com uma escola de ensino superior, solicitando do prefeito, um terreno para execução dessa obra universitária. Pasmem senhores, esse senhor negou o terreno para esse melhoramento, alegando que o diretor da faculdade não teria capacidade técnica de construir escola de nível superior no Crato e o Crato perdeu essa grande aquisição escolar e o povo cratense ficou andando em marcha a ré, mergulhado no caminho do atraso.

Agora mesmo, somos contrários a criação de outros municípios, já que não têm condições de jeito nenhum de se elevar à categoria de cidade. Olhem que esses pequenos municípios (sem estrutura) não marcham bem pelo caminho fértil do desenvolvimento. Acarretam a desordem administrativa, já que não têm condições de seguir as leis federais com pagamento salarial obrigatório e permanecerá com o pires na mão, pedindo ajuda ao poder central, que provocará o aumento de dívida interna, acarretando a alta de juros e a corrupção administrativa.

Para isto, publicamos aqui um recorte do Jornal Diário do Nordeste, do dia 10/12/09 na coluna de Neno Cavalcante, dizendo: Dos 184 municípios no Ceará, 162 estão na margem da lei, no que se refere ao preceito constitucional que nenhum trabalhador pode ganhar menos de um salário mínimo. O dinheiro só presta para as maiores esquisitices; principalmente para usufruto do prefeito. Não sobra nada para remunerar os funcionários com o mínimo de decência e de dignidade.

Notamos ainda, referente a área geográfica deste distrito, não tem condições de ser elevado a cidade. Também não devem invadir área de outros distritos, pois consideramos jogo sujo. Acontece também que nem toda a população é favorável e nem quer deixar de ser cratense e a maior parte diz: prefiro ser cratense do que ser serrano, outrossim, avisamos que o óleo não se mistura com água, devemos tomar cuidado para não esfarelar o nosso pensamento digno de bom cratense.

Feliz Ano Novo!


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

Para você, desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.

Para você, desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família esteja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas! Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!
(Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Cachorro doido ou vaca de bezerro novo - Por A. Morais


Esta historinha do meu pai, Jose André, eu estou vendendo pelo mesmo preço que recebi do amigo Sergio Pinto de Carvalho.

Toda tardinha Rosa Amélia Carvalho, esposa do Sergio, saía para fazer caminhada. Seguia de Várzea-Alegre em direção ao Sanharol, muitas vezes chegando ao sitio Serrote. À tardinha o Sergio seguia de carro ao encontro e juntos faziam o restante do retorno.

Certa feita Sergio passava a altura do Posto Boa Vista e, Zé André do Sanharol ia a pé e o Sergio ofereceu carona.

Zé André aceitou, se abancou na poltrona do carro, olhou para o amigo e perguntou: Sergio, você está indo pra onde? Sergio respondeu no ato: estou indo encontrar a Rosa Amélia que está voltando de uma caminhada e, neste horário, é muito perigoso andar sozinha.

Zé André disse então: Sergio, Rosa Amélia e Tonha lá de casa, só correm risco se derem de frente com um cachorro doido ou uma vaca de bezerro novo, tirando essas duas coisas não haverá nada que lhes cause algum perigo.


Por A. Morais.


Obs.: Antonio Morais nos autorizou a postar seus textos no Cariricaturas.
Contramão
- Claude Bloc -
Perco-me em tantos versos
engasgo-me em tanta prosa
tropeço nos contrapassos
sobrevenho à imensidão
hoje sinto-me triste
amanhã sinto-me gasta
quando meus sonhos
são tantos
e meu sorriso é tão pouco
quando meu olhar confuso,
já perdeu todo o sentindo...

Distingo-me
na contramão
na leve
pegada que deixas
quando me ponho
a te buscar.

Claude Bloc

Ainda sobre Ano Novo

Receita de Ano Novo
- (de Carlos Drumond de Andrade) -

Para você ganhar belíssimo Ano Novo...

Não precisa fazer lista de boas
intenções para arquivá-las
na Gaveta.

Não precisa chorar de arrependimento
pelas besteiras consumadas nem
parvamente acreditar que por decreto

da esperança a partir de Janeiro
as coisas mudem e seja claridade,
recompensa, justiça entre os homens

e as nações, liberdade com cheiro e
gosto de pão matinal, direitos respeitados,
começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça
este nome, você, meu caro, tem de
merecê-lo, tem de fazê-lo novo,

Eu sei que não é fácil mas tente,
experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
(CDA)
Simplificando
- (Cecília Meireles) -

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

(Cecília Meireles)

Sobre ESCOLHAS


Ser é Escolher-se


Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão-pouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.

Jean-Paul Sartre, in 'O Ser e o Nada'

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Escolha Inteligente

Uma vida bem sucedida depende das escolhas que fizermos. Temos de saber o que é ou não importante para nós. A escolha inteligente implica um sentido realista dos valores e um sentido realista das proporções. Este processo de escolha - de aceitação por um lado e de rejeição pelo outro - começa na infância e continua pela vida fora. Não podemos ter tudo o que ambicionamos. O homem de negócios que procura o sucesso financeiro tem muitas vezes de abandonar os seus interesses de ordem desportiva ou cultural. Os que preferem servir os interesses espirituais, culturais ou políticos da sociedade - sacerdotes, escritores, artistas, militares, homens de estado e funcionários públicos em geral - têm quase sempre de relegar para segundo plano o bem-estar financeiro.

Com uma vida limitada não podemos ser ou fazer tudo. Estamos constantemente a ter de escolher com que e com quem passar o nosso tempo. Cultivar amizades toma tempo. Às vezes temos de recusar encontros e desapontar muitas pessoas para termos tempo de alcançar os nossos fins. Todos os dias temos de escolher entre as coisas que estão à venda. Não podemos ter o mundo inteiro, tal como uma criança não pode comprar todos os rebuçados da doçaria se tiver apenas um tostão. Esta é uma das grandes lições da vida. Temos de escolher na altura própria, e o destino é a seara que cresce da semente da escolha. A fórmula para uma escolha inteligente exige não só um profundo conhecimento de nós próprios como uma afirmação da nossa própria maneira de ser.

Alfred Montapert, in 'A Suprema Filosofia do Homem'

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Escolher Para Desfrutar

A angústia invade quer o inquieto, exclusivamente deslumbrado por aquilo que arde com uma luz vaga, quer o poeta cheio de amor pelos poemas que nunca escreveu o seu, quer a mulher apaixonada pelo amor, mas incapaz de devir por não saber escolher. Eles bem sabem que eu os curaria da angústia se lhes permitisse esse dom que exige sacrifícios e escolha e esquecimento do universo. Porque determinada flor é, em primeiro lugar, uma renúncia a todas as outras flores. E, no entanto, só com esta condição é bela. É o que acontece com o objecto da troca. E o insensato, que vem censurar a esta velha o seu bordado, sob o pretexto de que ela poderia ter tecido outra coisa, demonstra com isso que prefere o nada à criação.

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"
.

O pulso - Carlos Drummond de Andrade

Lutar com palavras é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.

(Carlos Drummond de Andrade)

O ALEGRE REGRESSO - Por Mundim do Vale

Quem vive distante, da terra querida
Só pensa na vida
Em um dia voltar.
E assim vai pensando, o pobre imigrante
Que como um errante
Deixou seu lugar.

Aquele imigrante, fugiu da estiagem
Lavando coragem
Faltando alegria.
Levava na mente, saudade e lembrança
Com a firme esperança
De voltar um dia.

Chegando em São Paulo, começa o chamego
Procura um emprego
E não passa no teste.
Até que a indústria, enxerga o valor
De um lutador
Do seco nordeste.

Depois de empregado, ele sai da pendanga
E se livra da canga
Que prende o roceiro.
E o forte caboclo, pensando em voltar
Começa a guardar
Seu pouco dinheiro.

Escuta no rádio, notícia do Leste
Depois do Nordeste
E presta atenção.
O locutor fala, da chuva molhando
E o povo plantando
No verde sertão.

Naquele momento, o bom sertanejo
Sentiu o desejo
De não ficar lá.
Fez uma promessa, com Frei Damião
Para o mês de São João
No seu Ceará.

Juntou a família, E disse seguro:
- O nosso futuro
Não é mais aqui.
Já tem no sertão, legume nascendo
Nós vamos correndo
Para o Cariri.

Eu vendo o barraco,o rádio, o bujão,
A mesa e o fogão
Pra nós viajar.
Nós vamos de ônibus, Até Juazeiro
No dia primeiro
Nós vamos chegar.

A filha mais nova, pegou a falar:
- Eu quero aguar
Meu pé de roseira.
O filho mais velho, pulou de alegria
Dizendo que ia
Domingo pra feira.

Olhando a estrada, lembrou-se da ida
Da triste partida
Cantada em verso.
Chegando ao sertão, ele faz uma prece
E a Deus agradece
O alegre regresso.

Já no seu terreno, avista a casinha
E vê na cozinha
O carro de mão.
Na parede da sala, encontra pregado
O quadro arranhado
De Frei Damião.

Olhou para o quadro e fez um pedido:
- Meu santo querido!
Meu Frei Damião.
Dê fé e coragem, ao homem da roça
Para que ele possa
Viver no sertão.

O gato Mimi, do mato correu
Foi quem recebeu
A sua Cecília.
E aquela roseira, coberta de flor
Recebeu com amor
Aquela família.

Mundim do Vale

Livro de Irmã Edeltraut será lançado dia 16 de janeiro





Será no próximo dia 16 de janeiro, em Barbalha, o lançamento do livro Um pouco de perfume – Realce Editora e Ind. Gráfica, Fortaleza (CE), 242 páginas – que resgata alguns escritos de Irmã Edeltraut Lerch nas áreas da Administração Hospitalar e Religiosidade. O livro – que teve como editor, coordenador e revisor, o advogado Emerson Monteiro – recebeu apoio cultural dos empresários Raimundo Tadeu e Luiziane Alencar.
A apresentação da obra é de Armando Lopes Rafael. A capa e diagramação são de Cláudio Henrique Peixoto. Fotos da capa: Emerson Monteiro. Editora: BSG - Juazeiro do Norte CE. Gráfica: Realce - Fortaleza CE.
No final do livro constam ainda iconografia e depoimentos de Napoleão Tavares Neves, Geraldo Menezes Barbosa e Teresinha de Jesus Couto Duarte.

Trechos:
“Um japonês de 18 anos jogou-se de um rochedo, deixando como despedida este bilhete lacônico:
“Suicidei-me por não saber o sentido de minha vida”.
O que é afinal a vida?
A vida é o que dela fazemos. Cada pessoa recebe de Deus uma chance. Livres, podemos valorizar ao máximo, ou jogar fora essa oportunidade que o Criador nos enseja.
Definimos a vida de acordo com a nossa filosofia existencial, segundo nosso lucro de valores. É a nossa mentalidade que empresta as dimensões a tudo. Somos o que pensamos”.

“Torna-se velho quando se deixa de progredir na vida. Cabe a cada um interrogar-se. Não passamos a ser velhos por ter vivido certo número de anos. “Passamos a ser velhos quando abandonamos o nosso ideal de vida” (General MacArthur)
Alguém é velho quando os pesares toma nele o lugar dos sonhos...”

Release de Armando Lopes Rafael.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Plural singular
- Claude Bloc -


o papel e a caneta
buscam as mãos
a imagem, a foto
o olhar perdido
entre os sonhos
e os vãos...

escrevo
em plural singular
como mulher
menina alada
e
apresento-me
a qualquer momento:
sou
a semente
deste sentimento
que hoje carrego
seja lá onde eu for.
.
Claude Bloc
.
Serena parte
- Claude Bloc -

Vou no compasso
Descalça e confusa
Um passo na pedra,
na água, no chão.

Vou no caminho,
na estrada da vida
Na terra batida
no seixo do rio
Sou lava ou vulcão?

Vou como o sol
como a rocha
e a água
sou a serena parte
de um todo, sem fim.

Sou a profunda clareza
e a confusão
me encerro sem pressa
em infindáveis certezas
pois
sou o avesso
da noite e da vida
teu lado direito
o extremo do mínimo;
sou a menor parte
o oposto mutante
o amor constante...

Sou a pedra do rio
o sol e a lua
sou a tempestade,
da noite o clarão
e vou no compasso
descalça e cansada
um passo na pedra,
na água, no chão.


Claude Bloc

Senhora D


Marcílio Godoi

(...)
O que esperais de um Deus?
Ele espera dos homens que O mantenham vivo.
E os verdes, os azuis, o chumbo delicado
De umas tardes, a pureza das aves
Os peixes de verniz
Na abertura mais funda de umas águas.
(...)
(Hilda Hilst, "Passeio")


Tenho três galinhas", disse certa vez a professora de aritmética à menina Hilda Hilst. "Uma delas, enquanto eu estava caminhando, se perdeu. A outra, morreu. Quantas galinhas sobraram?". .

A garota, então, desandou a perguntar: "Mas por que a galinha morreu? E a outra? Como se perdeu?". Ela queria a história da galinha perdida, morta, não matemática. Então pediu à mãe que dissesse à freira que a filha era meio doente da cabeça. Mais tarde, a menina viraria mulher. Não temia que a chamassem de louca.

Diziam que era obscena, confundindo-a com uma de suas personagens, a Senhora D, alegando ser temerário unir o baixo calão à mais alta poesia. Mas nela isso não é nada menos que perturbador. O grotesco e o sibilino são como personagens de sua obra. Achava pensar um ato jubiloso e achou nas palavras denken ("pensar") e danken ("agradecer") a prática que as une etimologicamente no alemão e também no inglês.

Arquiteto e jornalista, autor do Pequeno Dicionário Ilustrado de Palavras Invenetas (Sagui, 2007)

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Quando partes parecem o todo

José Luiz Fiorin

Gregório de Matos tem um belo poema sobre as relações entre parte e todo (Péricles Eugênio da Silva Ramos (org.). Poesia Barroca. Melhoramentos, 1966:35):

O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo,

Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em qualquer parte,
Em qualquer parte sempre fica todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço que lhe acharam sendo parte,
Nos diz as partes todas deste todo.

Esse soneto estrutura-se sobre uma antítese (parte vs todo), que, ao longo do poema, desfaz-se, já que nele se afirma que a parte é o todo. Expõe-se uma interessante concepção medieval acerca das relações entre a parte e o todo, presente na doutrina católica sobre a Eucaristia. A parte não é fração de um conjunto, mas símbolo dele, ou ainda, mais precisamente, é equivalente ao todo, representa-o.
.
.
Assim, quando se divide a hóstia, nela não está presente um pedaço do corpo de Cristo, mas está o corpo inteiro. O que se parte é só a expressão (a hóstia) de um conteúdo incomensurável e indivisível (o corpo de Cristo). O poema mostra que a antítese existe no nível da expressão, enquanto, no do conteúdo (corpo de Cristo), a parte contém o todo, é o todo. Por outro lado, a concepção da relação entre parte e todo conduzia a outra interessante noção. Na época, não existia o conceito de individualidade..

A pessoa, enquanto tal, não tinha valor pessoal nem direitos individuais. O que lhe dava valor, direitos e privilégios era o grupo social a que pertencia. Quanto mais alto o valor do grupo, maior o da pessoa. Por outro lado, o homem representava todo o grupo a que pertencia. Se cometia um erro, praticava um crime, maculava, desonrava toda a corporação [...].

José Luiz Fiorin é professor de Linguística da USP e autor do livro Em Busca do Sentido: Estudos Discursivos (Contexto)

Fonte: http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11907

Canção das Mulheres - Lya Luft


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Lya Luft

Santa Terezinha



Teresa de Lisieux, Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, ou Santa Teresinha (1873-1897)
A francesa Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin), nasceu no dia 2 de janeiro de 1873, em Alençon, na França, filha do ourives Luis José Estanislau Martin e da artesã Zélie Guéri. era a caçula de uma família com nove (9) filhos: Maria Luisa, Maria Paulina, Maria Leônia, Maria Helena (faleceu aos 4 anos e meio de idade), José Maria Luis (faleceu aos cinco meses de vida), José Maria João Batista (faleceu antes de completar nove meses de nascimento), Maria Celina, Maria Melânia Teresa (falecida aos três meses de idade) e ela, Terezinha.

Quando nasceu, era muito franzina e doente. Desde o nascimento exigia muitos cuidados. Desde cedo, revelava-se marcada pelo senso de amor, pelo semblante de serenidade e pelo contentamento de sua alma com a grandeza de Deus. Aos 2 anos já pensava na idéia de ser religiosa, para a alegria de sua mãe, mas para o desconsolo de seu tio Isidore Guérin (seu futuro tutor sub-rogado).

A família

Pai
Em agosto de 1876, a Sra. Zelie toma conhecimento de que padece de um câncer. Quando ela falece, o Sr. Martin muda-se com as quatro filhas para Lisieux em 1877.

A prematura morte de sua mãe, quando ela tinha 4 anos fez com que ela se apegasse a sua irmã Pauline, que elegeu para sua "segunda mamãe". A repentina entrada dessa irmã no Carmelo, fez a jovem Thérèse, adoecer. Curada pela ‘Virgem do Sorriso', imagem da Imaculada Conceição que seus pais tinham afeição, tomou uma forte resolução de entrar para o Carmelo.

Entrou para ser aluna na Abadia das Beneditinas de Lisieux, e lá permaneceu por cinco anos, porém após sofrer muitas humilhações, de lá saiu e passou a receber aulas particulares.

Quase ao completar 14 anos, no Natal de 1886, Teresa passa por uma experiência que chamou de "Noite da minha conversão". Ao voltar da missa e procurar seus presentes, percebe que seu pai se aborrece por ela apresentar comportamento infantil. A menina decide então a renunciar a infância e toma o acontecido como um sinal inspirador de força e coragem para o porvir.

Carmelo..

Seis meses depois, Próximo de completar 15 anos, Teresa decide que quer entrar para o Carmelo de Lisieux -Por isso, é carinhosamente chamada de Terezinha de Lisieux - (Ordem das Carmelitas Descalças). Como a pouca idade a impede, é levada por familiares, em novembro de 1887, para uma audiência com o Papa, em Roma, para pedir a exceção. Em abril do ano seguinte é aceita. Concedida a autorização ingressou em 9 de abril de 1888 e tomou o nome de Thérèse de l´Enfant Jesus.

Fez sua profissão religiosa, em 8 de setembro de 1890, e tomou o nome de Thérèse de l´enfant Jesus et de Sainte Face, mas ficou conhecida pelos franceses após sua morte como Thérèse de Lisieux.


Inclinada por temperamento à calma e a tristeza, Thérèse com lindos olhos azuis, cabelos louros, traços delicados, alta e extraordinariamente bonita, quando escrevia no seu diário “Oh! Sim, tudo me sorrirá aqui na terra”, era uma época em que estava experimentando injustiças e incompreensões. Já atingida pela tuberculose pulmonar, debilitada nas forças, não rejeitava trabalho algum e continuava a “jogar para Jesus flores de pequenos sacrifícios”.

Após seis anos na ordem, em 1894, almejando o caminho da santidade, Teresa percebe que não conseguiria pelas tradicionais mortificação, disciplina e sacrifício observadas pelos santos a quem se dedica a estudar. Inspirada nas palavras de um padre, Teresa adota a "Pequena Via", um caminho pequeno e reto para a santidade, que consiste simplesmente em se entregar ao amor de Jesus Cristo, para que Ele conduza pelo caminho.

Faleceu em 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos. Disse, na manhã de sua morte: “eu não me arrependo de me ter abandonado ao amor”. No dia 4 de outubro de 1897, foi sepultada no cemitério de Lisieux.

Sua obediência era a prova de que se fazia a menor entre as menores. Sua irmã, Paulina, também carmelita, publicou em 1898 os escritos autobiográficos de Santa Teresinha, intitulados "História de uma alma".


Ficou conhecida pelo seu amor ao Menino Jesus, seguramente pelo que escreveu nos seguintes termos: “Eu havia me oferecido a Jesus Menino como um brinquedo, e lhe havia dito que se servisse de mim como uma coisa de luxo, que as crianças se contentam em guardar, mas como uma pequena bola sem valor, que ele pudesse jogar na terra, empurrar com os pés, deixar em um canto, ou também apertar contra o coração, quando isso lhe agradasse. Numa palavra queria divertir o Menino Jesus e abandonar-me aos seus caprichos infantis.”

No dia 17 de maio de 1925, Teresinha foi canonizada pelo Papa Pio XI. O mesmo Papa a declara Patrona Universal das Missões Católicas em 14 de Dezembro 1927. Por ocasião da celebração do Centenário de sua morte, em 19 de Outubro de 1997, o Papa João Paulo II a declarou “Doutora da Igreja”.
DATA COMEMORATIVA:

A memória de Santa Terezinha merece ser resgatada como exemplo cotidiano. Todavia, o nosso calendário reserva o dia 01 de OUTUBRO como data especial em sua homenagem.
ORAÇÃO DE SANTA TEREZINHA


A Vós, Santa Terezinha
Através das Vossas súplicas e do Vosso exemplo de santidade,
Intercedeis para que fiquemos sempre mais perto do Senhor Jesus,
E fazeis com que as vossas preces, sempre tão agradáveis ao Menino Jesus,
Descortine nossa visão, para que possamos contemplar a face do Justo Senhor
E para que, assim, sejamos abençoados em nossa caminhada de fé.

Assiste-nos, meiga e afetuosa eleita, para que o Senhor Jesus,
Estendendo sobre nós a resignação dos justos,
Faça prosperar em nossas almas a virtude do amor.
Rogamos, ainda, que pela força do nosso clamor,
Sejamos amparados pelo teu obsequioso auxílio
Que o Senhor Jesus, com a vossa insigne intervenção,
Mantenha-se a controlar nossas alegrias e aflições,
Dando-nos o firme impulso para a nossa vocação missionária.
Amém.

http://victorpalmeira.sites.uol.com.br/orar.htm

Parla !

Pois é , amigos ouvintes, após o capão minguado do Natal, a Cidra espumante nos copos descartáveis , o ribombar das bombas rasga-latas, os presentinhos (de coração) do “Mundão do Real” e os abraços e preces dos familiares , eis , por fim, que mergulhamos nas esperanças de 2010.O ritual de passagem adocica um pouco o amargor passado e entreabre no nosso espírito as venezianas para um novo tempo. É como se passássemos o apagador no quadro negro e o deixássemos virgem , ávido por novas aquarelas. As mãos cerradas durante todo o ano se abrem para o aperto fraternal, os cenhos graves desarmam-se. Todos, de alguma maneira, descobrem a mágica possibilidade do recomeçar. Termina-se por se fazer também um balanço de cada vida, computando-se perdas e receitas, não na área financeira, mas na nossa fina contabilidade interior. Aprende-se com as derrotas , é certo, mas antes de tudo, a passagem de ano administra-nos o bálsamo encantador do esquecimento. O passado cai em exercício findo e esvai-se perdido na sua implacável imutabilidade. O Ano que se inicia surge, sempre , brilhante à nossa frente, como um eldorado perfeitamente visível e alcançável.Esmaecem-se as agruras passadas, as decepções , os devaneios antigos, as ilusões plantadas no inverno anterior e que feneceram antes da colheita prevista. A vida apresenta-se adiante como uma massa de moldar esperando que nossas mãos sábias lhe dêem a forma e o sopro criador: “Parla !”
Este ar de início de jornada, propiciado pelo Ano Novo, torna o caminho cheio de surpresas e expectativas. Talvez, seja por isso mesmo, que medram, nesta época, as pitonisas, os videntes, os Nostradamus. Todos se arvoram de adivinhadores, como se fosse factível prever o destino de um sem número de estradas possíveis que serão abertas , pouco a pouco, por incontáveis operários , através da vária lâmina do sonho e do volúvel gume da vontade humana.Alguns ficarão inevitavelmente à beira do caminho, poucos atingirão a meta traçada e a grande maioria aguardará outros anos e outros recomeços: esta é a única previsão infalível para 2010.
O mais importante de tudo : não perder a dimensão do ritual. A essência da vida resume-se no sonho e não no despertar.O encanto da procura é bem mais completo que a visão efêmera e orgásmica do encontrar.No fundo , talvez, a existência seja apenas uma quimera, um simples devaneio, um sonho com suas fantasias , seus fantasmas, suas oníricas alegrias , vezes com seus pesadelos tremendos e que acaba quando nossa bêbada individualidade se mescla à força sonhadora de toda a natureza. Aí sonharemos junto com todo o universo.

J. Flávio Vieira

Divisórias - por Ana Cecília S.Bastos


Tenho palavras esvisceradas.
Caracóis que nada queiram contar,
para que ainda eu seja em algum lugar
secreta.
Tudo que eu sei de mim permanece
incomunicável.

Quero é ficar em desvãos
entre as telas desse micro,
navegar entre telas,
tudo sempre igual e se criando
em caracóis,
sem nunca o outro.
Ana Cecília