Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O pensamento de Anais Nin


A vida contrai-se e expande-se proporcionalmente à coragem do indivíduo.

A carne conta a carne produz perfume, mas o contato com as palavras apenas engendra sofrimento e divisão.

Penso que se escreve para um mundo onde se possa viver.

A origem da mentira está na imagem idealizada que temos de nós próprios e que desejamos impor aos outros.

O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia.

A única anormalidade é a incapacidade de amar.

A nossa vida em grande parte compõe-se de sonhos. É preciso ligá-los à ação.

O único transformador, o único alquimista que muda tudo em ouro, é o amor. O único antídoto contra a morte, a idade, a vida vulgar, é o amor.

Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos

"Um homem jamais pode entender o tipo de solidão que uma mulher experimenta. Um homem se deita sobre o útero da mulher apenas para se fortalecer, ele se nutre desta fusão, se ergue e vai ao mundo, a seu trabalho, a sua batalha, sua arte. Ele não é solitário. Ele é ocupado. A memória de nadar no líquido aminótico lhe dá energia, completude. A mulher pode ser ocupada também, mas ela se sente vazia. Sensualidade para ela não é apenas uma onda de prazer em que ela se banhou, uma carga elétrica de prazer no contato com outra. Quando o homem se deita sobre o útero dela, ela é preenchida, cada ato de amor, ter o homem dentro dela, um ato de nascer e renascer, carregar uma criança e carregar um homem. Toda vez que o homem deita em seu útero se renova no desejo de agir, de ser. Mas para uma mulher, o climax não é o nascimento, mas o momento em que o homem descansa dentro dela."

A vida se espande ou se encolhe de acordo com a nossa coragem.


Eu escolho
um homem
que não duvide
de minha coragem
que não
me acredite
inocente
que tenha
a coragem
de me tratar como
uma mulher.


O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições . Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho

A Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades - é a isto que eu chamo respirar.


Imaginei por um momento um mundo sem Henry. E jurei que no dia que perder Henry, eu matarei minha vulnerabilidade, minha capacidade para o verdadeiro amor, meus sentimentos, com a devassidão mais frenética. Depois de Henry não quero mais amor. {…} Depois de não ver Henry por cinco dias por causa de mil obrigações, não pude suportar. Pedi a ele para se encontrar comigo durante uma hora entre dois compromissos. Conversamos por um momento, então fomos para um quarto do hotel mais próximo. Que necessidade profunda dele. Só quando estou em seus braços as coisas parecem direitas. Depois de uma hora com ele, pude continuar o meu dia, fazendo coisas que não quero fazer, vendo pessoas que não me interessam.

Me nego a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária.
A estabelecer relações ordinárias.Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Me adapto a mim mesma.

Subtraia a superintensidade, o chiado das idéias, e você tem uma mulher que ama a perfeição.

Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela.

Anaïs Nin

Lembranças - por Socorro Moreira

Impossível traduzir a tua alma
Ela é uma esfinge para mim
Para outros,
sempre clara !
Nesse cartão escuro
eu juro que vou escrever
letras douradas.
Dobro-me às tristezas
Pago na íntegra ,
pingo por pingo,
o beijo que provei.
----------------------
Mar que avistei
que senti,
e nele me banhei
barulho na concha do ouvido
canção nunca esquecida
solfejo e grito !
------------------
Vivo nas entrelinhas
Minha cabeça vive uma poética enxaqueca
No meu coração ainda moram estrelas
Elas brilham no dia,
encantadas em natureza !
-----------------------------
olhos no teto
papo pro ar
alma solta
querendo te achar
coração batuca um verso
boca reza um mistério
nariz fareja jasmim
volta pra mim?
---------------------
Molhar a grama do jardim
é forrar a cama de esperança.
-------------------------------
Cheirinho de alfazema,
bala de mel,
papagaio de papel...
Colo de avó !
Lembranças bordadas
por mãos de fadas
-alegria infantil !
-----------------
Céu rosado
vento trancado
segura folhas douradas

Lágrimas soltas
escorrem caudalosas,
no leito solitário.
--------------------

Desejo- Cassiano Ricardo


Desejo


As coisas que não conseguem morrer
Só por isso são chamadas eternas.
As estrelas, dolorosas lanternas
Que não sabem o que é deixar de ser.


Ó força incognoscível que governas
O meu querer, como o meu não-querer.
Quisera estar entre as simples luzernas
Que morrem no primeiro entardecer.


Ser deus — e não as coisas mais ditosas
Quanto mais breves, como são as rosas
É não sonhar, é nada mais obter.


Ó alegria dourada de o não ser
Entre as coisas que são, e as nebulosas,
Que não conseguiu dormir nem morrer.



Caminhando - por Socorro Moreira

Caminhando ...
Uns caminhos voam, outros se colam
aos nossos pés cansados.

Caminhando...
Que importa o transporte,
a hora da chegada?

Caminhando ...
O nosso olhar cumpre etapas,
que nos sonhos se mostravam

Caminhando ...
Chegamos na linha do horizonte
e o limite é além, muito além !

Vida ... - por Socorro Moreira

No caminho da liberação
o pódio é o infinito.
É saltar para o futuro
sem lembranças doídas
É apostar na paisagem depois da curva
É tomar banho de chuva
e sentir que somos nuvens
É ficar nua
e descobrir o próprio corpo
brocado e bordado...
costurado pela vida.
É um voo em companhia de garças
É o amor divino selando alianças
É viver com simplicidade !

Molhada de chuva - por Socorro Moreira

O mar ficou no seu lugar.
O sertão me acolhe
com pingos de chuva
num pensamento árido
Estou de volta
com o coração assanhado
Vivi tão grande distãncia ,
que aposto no ficar perto ,
vivendo em separado.
Desligo a tomada
Descarto o filme
que deixei queimar

Rabiscos da saudade- por Socorro Moreira

rasguei cartas e retratos
toquei fogo
no papel da paisagem
renasci mil vezes
o tempo cura
mas não apaga
a vida paga
o gozo das lembranças
que ficam adormecidas
em páginas amareladas
você dorme
enquanto escrevo
você sonha
enquanto acordo
tudo nos desencontra ...
e eu quis tanto ,
aportar em tua alma !

só peço à minha caixinha
de trecos,
uma borracha e um lápis...
pra apagar os conflitos
e rabiscar
um verso de saudade
por tudo que não vivemos
ou por um único momento,
em que fiquei nos teus traços.

Recebido por email





CRISE MILITAR SEU NOME É DILMA ROUSSEFF

( Reinaldo Azevedo - quinta-feira, 31 de dezembro de 2009 )


Ainda que eu tivesse cometido algumas injustiças com Lula, coisa de que discordo, de uma certamente eu o teria poupado: jamais o considerei um idiota. Nunca! Até aponto a sua notável inteligência política, coisa que não deve ser confundida, obviamente, com cultura. O governo vive, a despeito das negativas, uma crise militar. Que é muito mais grave do que se nota à primeira vista. Ela foi originalmente pensada nas mentes travessas de Tarso Genro, ministro da Justiça, e Paulo Vanucchi, titular da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Mas tomou consistência e corpo nos cérebros não menos temerários da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata do PT à Presidência, e de Franklin Martins, ministro da Comunicação Social, hoje e cada vez mais o Rasputin deste rascunho de czarina que pretende suceder Lula.

O imbróglio não deixa de ser um ensaio geral do que pode ser um governo Dilma. Se vocês acham que a ópera, com o tenor Lula, tem lá seus flertes com o desastre, vocês ainda não sabem do que é capaz a soprano. A crise atual mistura temperamento macunaímico, sordidez e trapaça. Dilma, Franklin e Vanucchi, a turma da pesada que, no passado, optou pelo terrorismo e hoje ocupa posições no alto e no altíssimo escalões da República resolveu dar um beiço nos três comandantes militares. O tiro, tudo indica, saiu pela culatra. E sobrou uma lição aos soldados. Vamos devagar.

Tratemos um pouco do que vocês certamente já sabem e um tanto do que talvez não saibam. Na semana passada, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos publicou um decreto, devidamente assinado pelo presidente Lula. Entre outras providências, instituía uma tal Comissão Nacional da Verdade para investigar crimes contra os direitos humanos cometidos durante o regime militar.

Pois bem. A questão havia sido negociada com os comandos militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. E olhem que estes senhores tinham ido bastante longe - e fica a lição: com essa gente, ceder um braço corresponde a ceder os dois, mais as duas pernas e também a cabeça. Os militares aceitaram a criação da tal comissão desde que o texto não restringisse a apuração de violações ao governo militar: também as organizações terroristas de esquerda teriam sua atuação devidamente deslindada.

É preciso dizer com clareza, não? Dilma Rousseff pertenceu a uma organização terrorista, homicida mesmo: a Vanguarda Popular Revolucionária. Franklin Martins também praticou terrorismo. O seu MR-8 seqüestrava e matava. Vanucchi foi da Ação Libertadora Nacional, o que significa dizer que era um servo do Manual da Guerrilha, de Carlos Marighella, um verdadeiro manual de… terrorismo, que pregava até ataques a hospitais e dizia por que os bravos militantes deviam matar os soldados.

Pois bem… Quiseram os fatos que estes três se juntassem, com o conhecimento de Tarso Genro, para redigir - alguém redigiu a estrovenga; falo de aliança política -, aquele decreto. E o combinado com os militares não foi cumprido: além de especificar que a Comissão da Verdade investigaria apenas um lado da batalha, há propostas singelas como estas:

- determina que as leis aprovadas entre 1964 e 1985 sejam simplesmente revogadas caso se considere que elas atentam contra a tal “verdade”;

- determina que os logradouros públicos e monumentos que tenham sido batizados com nome de pessoas ligada ao “regime” sejam rebatizados.

Vocês entenderam direito: Lula assinou um decreto que não só dá um pé no traseiro do alto comando como, ainda, anuncia, na prática, a EXTINÇÃO DA LEI DA ANISTIA - para um dos lados, é óbvio. É isto: eles tentaram rever a tal lei. Viram que isso não é possível. Decidiram, então, dar uma de Daniel Ortega, que mandou suprimir trechos da Constituição de que ele não gosta.

LULA SABIA

Já disse: não tomo Lula por idiota - porque só um idiota não saberia. Mas admito: muita coisa tem as digitais do presidente sem que ele tenha a menor idéia do que vai lá. Isso é possível, sim. É por isso que existe uma CASA CIVIL. Não há - NOTEM BEM: NÃO HÁ - decreto presidencial que não tenha a chancela desse ministério. É uma de suas funções - a rigor, é uma de suas principais tarefas.

Logo, funcionalmente, a responsável pelo texto é Dilma Rousseff. Que já se manifestou a favor da revisão da Lei da Anistia, ainda que dê outro nome ao que quer fazer. A questão é saber se Lula se comportou como um cretino ou como um irresponsável: se assinou algo dessa gravidade na inocência, sem ter sido advertido pela Casa Civil, então foi feito de bobo e tem de demitir Dilma. Se, como imagino, sabia muito bem o que ia lá e decidiu testar a elasticidade ou complacência dos militares, agiu como um irresponsável.

Demissão

Trapaceados, os três comandantes militares decidiram pedir demissão. Os generais de quatro estrelas se reuniram para tratar de um assunto não ligado à profissão pela primeira vez em muitos anos. A tal Comissão da Verdade terá de redigir um projeto de lei para ser enviado ao Congresso dando forma e caráter à tal investigação. Lula tem quatro opções:
1 - deixa o texto como está e negocia com os militares um projeto de lei que contemple a investigação dos dois lados;
2 - muda o decreto e o devolve ao que havia sido negociado;
3 - simplesmente recua do texto na íntegra;
4 - a quarta opção é dizer o famoso “ninguém manda nimim” e deixar tudo como está. Pois é… Só que o “tudo como está” pode significar uma crise sem precedentes, grave mesmo, com possíveis atos de indisciplina.

“A Lei da Anistia é um conquista do povo brasileiro, é seu patrimônio. E de milhares de pessoas que lutaram pela democracia. Por isso, mudá-la, na forma como querem fazer alguns, ou extingui-la é um atentado contra a própria democracia. É constrangedor assistirmos a cenas como essa”, afirma o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional.

Terão os comandantes militares se esquecido do modo como operam as esquerdas, de sua vocação para o ato sorrateiro, para as ações solertes? Só isso pode explicar aquela primeira concordância com a tal Comissão da Verdade. Do conjunto da obra, resta, pois, essa lição. E também há uma outra: em matéria eleitoral e nessa política que precisa de voto, Dilma é uma teleguiada de Lula: sem ele, ela não existe. Mas Dilma é quem é. e também quem foi Com um simples decreto, que passou por sua mesa de ministra da Casa Civil, criou-se o mais grave incidente militar do governo Lula. O projeto é tê-la agora na Presidência. Vimos como agem com quem tem armas. Dá para imaginar do que são capazes com quem não tem.

Encerro

O nome da comissão - “da Verdade” - só pode ser coisa de algum piadista infiltrado no grupo. Como não pensar imediatamente em 1984, de George Orwell. Essa gente tem um perfil totalitário de manual; são stalinistas do calcanhar rachado. Querem até rever o batismo de logradouros públicos, num daqueles atos típicos de reescritura da história.

Eis um país com Dilma Rousseff no topo. E com Franklin Martins no topo do topo.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/crise-militar-seu-nome-e-dilma-rousseff/

CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA SEGUNDO ZÉ LIMEIRA - por Mundim do Vale

Certa vez lá em Natal
Limeira tava rimando
Todo tempo misturando
Mossoró com Portugal.
Falava de carnaval
Numa casa de farinha,
Até que Zé de Ritinha
Perguntou: - Tu é perito?
Pois rime o que estava escrito
Na missiva de Caminha.

Rimo porque sei rimar
Carta, recado, cartilha,
Tratado de Tordesilha.
E Cabral em alto mar.
Rimo o rei a reclamar
Das despesas da rainha
Gastando tudo que tinha
De Portugal pro Egito.
E agora rimo o escrito
Da missiva de caminha.

Senhor rei de Portugal
Aos vinte e nove de abril
De um tronco de pau Brasil
Escrevo a carta real.
A viagem foi normal
Com as graças de Jesus
Que nos mostrou uma luz
Para uma ação pioneira,
Onde ergui sua bandeira
Na terra de Vera Cruz.

A terra aqui é tão boa
Que até já me acostumei
Confesso para o meu rei
Que já esqueci Lisboa.
A nativa sobe à toa
Na árvore pra chupar manga
Vestida só com uma tanga
Com o peito descoberto
A gente olha bem de perto
E a danada nem se zanga.


Não vou mais voltar aí
Pra não ter que trabalhar
Pois levo o tempo em pescar
E comer índia tupy
Vou ficar mesmo é aqui
Porque não sou abestado
Me esqueça no seu reinado
Que aqui tudo é maravilha.
Já comi até a filha
Do chefe Touro deitado.

Tou fazendo um relatório
De tudo que acontece
Dos índios fazendo prece
Na frente do oratório.
Já montei meu escritório
Na taba do feiticeiro
Mas mande pena e tinteiro
E também papel pautado.
Que estou comprando fiado
A um cigano estradeiro.

Os índios querem adotar
O costume português,
O vicio da embriaguês
E a mania de trocar.
Não tenho como evitar
Essa permuta ilegal
Porque o próprio Cabral
Vive trocando arruela.
E até a índia mais bela
Já foi trocada por sal.

Quero também avisar
Pra meu rei tomar ciência
Que precisa providência
Urgente neste lugar.
Os europeus vão chegar
Mudando a religião.
Vai chegar também ladrão
Para furtar à vontade,
Daí nasce à impunidade
Para a futura nação.

Chegou aqui um Francês
Que é metido à bichinha
Ele esculhamba a rainha
E tudo que é português
Aconteceu certa vez.
Aqui no Monte Pascoal
Que ele assediou Cabral
Oferecendo o caneco.
Cabral quase teve um treco
Lá dentro do matagal.

Aqui já apareceu
O tal do esquentamento
Precisa medicamento
Que muita gente morreu.
Escute esse servo seu
Pra coisa não desandar,
A corte tem que mandar
Um médico para esse povo.
Eu mesmo já tou com um ovo
Em tempo de cozinhar.

Aqui já tem confusão
De índio com português
Já é a terceira vez
Que eu faço intervenção.
O nativo faz questão
De uma vida reservada,
Sem calçar nem vestir nada
E meu rei tem que entender
Que faz gosto a gente ver
Uma nativa pelada.

Prepare um navio cargueiro
Pra trazer equipamento,
Mande birô e acento
Pra seu fiel cavalheiro.
Passo aqui um mês inteiro
Vivendo nesse sufoco
Recebendo muito pouco
Nesta minha subvida.
Já tou com a bunda doída
De viver sentado em toco.

O meu rei deve lembrar
Que a terra foi Deus que deu,
Depois vem o europeu
Querendo se apossar.
Os índios não vão gostar
Dessa perversa invasão
E vão entrar em questão
Mas não vão levar vantagem,
Porque somente a coragem
Não pode vencer canhão.

Não é bom meu rei mandar
Jogadores nem detentos
Pois esses maus elementos
Só servem para furtar.
É bom a corte cortar
O mau cheiro pela essência,
Pra não gerar descendência,
Dessa raça malfazeja.
Evitando que um esteja
Um dia na presidência.

Sei que vossa majestade
É o nosso rei soberano
Mas desenvolvi um plano
Pra essa comunidade.
Mostre a vossa autoridade
Agindo com inteligência,
Munido de coerência
E coragem pra reinar,
Na hora de decretar
O ato da independência.

Se um dia meu rei vier
É melhor que venha só
Aqui se arranja xodó
Porque não falta mulher.
Índia não sabe o que quer
Nem manda botar baralho.
E pra findar meu trabalho
Assino na ultima linha.
Seu Pero Vaz de Caminha
Sarney Magalhães Barbalho.

Mundim do vale
V. Alegre - CE


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MARIA ALICE VAI Á ESCOLA - Por João Marni

Nossa neta Maria Alice, de apenas dois anos e três meses, pela razões habituais - os pais trabalham, os avós também, e boas babás são raras e em extinção, como as ararinhas azuis - precisa ficar pelo menos um expediente na escola. Já sabemos o que acontecerá: gripes mais fequentes, sarna, varicela, piolhos, conjuntivite...
.
E muitas orações para que não adquira coisas piores! Sim, porque há famílias que levam seus filhos doentes para o colégio, como se não tivessem nada com isso. Passará a conviver com pessoinhas pequeninas que nem ela, porém com toda a expressividade de seus traços familiares, numa babel de comportamentos e costumes. Terá coleguinhas carinhosos e simpáticos, outros tanto tímidos ou tristonhos, haverá os egoístas que não partilham nada mas querem tudo, e alguns se mostrarão vorazes feitos formigas vermelhas, da roça, "cortadeiras", que deixarão marcas em seu espírito compassivo e em seu corpinho imaculado.

De certa forma, meio a contra gosto, entendo que, a exemplo dos animais que nascem já com o instinto de correr fugindo dos predadores (alguns têm até veneno!), precisamos desde cedo aprender rapidamente os recados e lições da vida.

Maria Alice, esperamos que tenha a sorte de seus colegas tendo você como coleguinha e a felicidade de conviver com uma professora maternal, amiga, que sai de casa alegre e contente pela estrada afora, como Chapeuzinho, que tenha capacidade de amar porque sabe ouvir a todos, de aconselhar, de saber compreender com sabedoria e afeto. Pois é sabido que um único grito pode encher o espaço (a sala) de medo, desfazendo o sorriso e a confiança dos pequeninos. A escuta e o trato com o coração, compôem um bom colo para uma criança se assentar...
Seja feliz, meu amor!


Vô João e Vó Fatima
Crato, 06.01

Ócio Forçado

Mantenho um caso sigiloso
com a indolência
desde a infância

quando barro de parede
era iguaria das boas.

Ainda agora um fantasminha apático
sequer arrasta correntes

sentado no batente da cozinha
admira o vento sacudir as folhas secas.

A Arte de Calar - Gabriel Perissé


É sinal de inteligência e sabedoria falar pouco, falar bem e não falar mal de ninguém.


Contudo, calar-se é ainda mais importante quando calar-se é dizer tudo.


Há quem se cale por não ter realmente nada para nos dizer, mas há também quem se cale por omissão, quando seria um dever falar, escrever, gritar, colocar a boca no trobone, como se dizia antigamente.


Calar-se na hora certa e por motivos certos é uma verdadeira arte cujas regras um pequeno livro do Abade Dunouart quer nos transmitir. Autor francês do século XVIII, suas admoestações para que façamos silêncio, ainda hoje são pertinentes.


Sutileza não lhe falta. Ao mesmo tempo que recomenda o silêncio, lembra que há silêncios falsos, aqueles que simulam uma sabedoria, que, de fato, inexiste. Nem sempre calar-se significa profundidade de pensamentos Pelo contrário, é camada de verniz que recobre um vazio sepulcral.


Mas há ainda outros silêncios e, alguns deles, diabólicos.Há o silêncio manipulador, há o silêncio torturante, o silêncio chantagista, o silêncio rancoroso, o silêncio conivente, o silêncio de zombaria,o silêncio imbecil, o silêncio do desprezo. Há pessoas que matam com seu silêncio. Há silêncios que esmagam a justiça e a bondade na calada da noite.


Por isso, o silêncio rico de significado é, ainda mais apreciável e luminoso.


Falo do silêncio que prenuncia novas palavras.
Falo do silêncio que é solidariedade na dor.
Falo do silêncio que soluciona cisões.
Falo do silêncio que pergunta.
Falo do silêncio que perdoa.
Falo do silêncio que ama.


O silêncio mais puro é aquele que guarda confidência.Este silêncio jamais é excessivo. Não se deve apregoar aos quatro ventos, o que foi murmurado na intimidade da amizade e do amor.


O silêncio mais sábio é aquele que fazemos diante dos impertinentes, intolerantes e desbocados. É o silêncio do Cristo inocente, diante dos acusadores, o silêncio dos espaços infinitos, diante da quase infinita capacidade nossa de falar ou escrever sem razão.


Calar na maneira certa é deixar que uma voz mais profunda seja ouvida. A voz severa, a voz serena, a voz suave e firme da verdade.


O verdadeiro silêncio diz a verdade que não se pode calar.
O verdadeiro silêncio nunca será cedo demais.


Quero ouvir o silêncio que tudo explica.


A Arte de Calar, Martins Fontes, 2001

BERTHA MINHA AMIGA IRMÃ por Rosa Guerrera


Trinta e oito anos de amizade! Quanto tempo !.E a impressão que tenho as vezes é que ainda estamos nos bons tempos de faculdade quando descobrimos por um acaso que além de amigas-irmãs também eramos parentes ( primas em terceiro gráu ). Mas isso é apenas um pequeno detalhe ,não é Bertha ?porque os alicerces que solidificaram até hoje a nossa amizade ,ultrapassam o limite de qualquer coisa passageira.Muitas são as lembranças que armazenamos dos nossos verdes anos.Inúmeros os problemas que superamos juntas , mas sempre contamos uma com a outra no momento da dor e da lágrima.Construimos vidas diferentes , vivenciamos sonhos diferentes , trilhamos caminhos diferentes , mas nunca deixamos de faltar a nossa presença no momento que se fez necessário durante todos esses anos. E por incrível que possa parecer somos bem distintas uma da outra .Eu , agitada , irreverente, sem papas na língua, desaforada , um verdadeiro vendaval na hora de rodar a baiana e descer do salto alto....voce ponderada , tranquila , observadora , sem pressa, aquele tipo da mãezona que está sempre pronta a compreender o êrro de cada pessoa , e achar sempre uma razão para um conselho. Muitas vezes fico a pensar , quanto trabalho já dei a essa pessoinha tão maravilhosa , com essa minha maneira meio estabanada de ser.Mas o gostoso é que ela sabe me colocar no canto da parede , e me dá até hoje aqueles puxões nas orelhas quando estou realmente precisando.As vezes é ranzinza , chata , um porre mesmo, e discordamos totalmente de opiniões .Isso porém é como um tempêro gostoso que nos faz saborear depois a velha amizade.
.
Nesse blog , abrí um espaço para você Bertha , porque muito mais que a amiga, a irmã ,a mãezona que representa para mim , você sempre procurou mostrar que nada se constroi na vida , sem a presença de Deus no nosso coração, e mesmo nos meus dias de mágoas e revoltas , eu sempre ví no seu sorriso calmo a certeza de que : por mais escuro que nos pareça uma estrada a nossa frente , existe sempre uma luz a brilhar que nos indica a presença de um outro dia melhor a nossa espera , para ser vivido com mais verdade e confiança no coração.
.
Obrigada Bertha ,por esses trinta e oito anos de amizade e de lições recebidas . E nem pense de longe que a sua Missão comigo está completa ....Vá aumentando a sua paciência , porque , ainda tenho muito a aprender com você! .
.

MEDITANDO ... por Rosa Guerrera

Muita gente já cantou em versos, prosas e canções um resumo do que venha ser a vida. Digo resumo , porque a verdade é que até hoje ninguém soube defini-la a contento. Se para uns é um jogo de xadrez sem direito a xeque mate, para outros um passatempo,uma eterna via crucis,e ainda existem aqueles que a consideram uma grande aventura .No entanto penso eu que ninguém parou ainda para olhar a nossa posição diante da vida.!
.
Julgamos a vida , mas não nos julgamos. Basta que pensemos que somos peregrinos vindos de terras distantes onde fomos praticantes de virtudes e erros ,e onde cantamos as mesmas canções de hoje , chorando também as mesmas lágrimas de ontem, para que compreendamos que somos nós os únicos responsáveis pelo céu e pelo inferno que nos acompanha. Daí porque é pura insensatez , querermos penetrar o Universo da própria vida , pois iríamos sempre voltar ao ponto de partida. Quem de nós não vive rodeado de lembranças ? Quem não se reveste diariamente em esperanças ?
.
Faz muito tempo entendi que a esperança é o único sentimento que se encontra no processo regressivo e no movimento progressivo do desejo de cada um . E é assim que costumo me situar dentro da própria vida . Sem análises, sem sofreguidão, ora destemida , ora preguiçosa , sem planos edificados , pouco me interessando em seguir os caducos e falidos padrões impostos por regrinhas criadas por pessoas que se auto denominam de sábias , e que lá no âmago não passam de frustradas por culparem a vida da própria incapacidade em não saber vivê-la.
.
E dentro desse meu pensar e viver meio maluco, já deixei faz muito tempo de guardar mágoas ou colecionar erros cometidos . Quando me atiram tijolos, construo edifícios . Quando me presenteiam limões , aproveito para fazer um gostosa limonada ! E assim nessa hibridez que compõe o meu perfil observo no calendário as folhinhas de mais um ano que me é apresentado . Agora é só continuar a missão que um dia me foi destinada,na certeza de que depende unicamente de mim aprimorar ou deixar de lado todas as lições aprendidas .
.

Esta é pra lamentar ...- por Norma Hauer


Ele nasceu em junho e faleceu a 11 de janeiro de 1947. Seu nome JOÃO PETRA DE BARROS.

. Começou sua carreira de cantor ainda no início dos anos 30, tendo sido amigo de Noel Rosa, sendo o primeiro a gravar,de Noel, "Até Amanhã".
Foi, também o primeiro a gravar "As Pastorinhas", ainda com Noel vivo e que não fez sucesso. Naquela ocasião a música chamava-se "Linda Pequena" e alguns versos foram, posteriormente, modificados por Braguinha, que mudou o título de "Linda Pequena" para "As Pastorinhas", deu a Sílvio Caldas para gravar e é sucesso até hoje;sucesso que Noel não conheceu.

Petra também foi o primeiro a gravar "Última Inspiração", de Peterpan, que vinha a ser cunhado de Emilinha Borba.

De seu repertório constam, ainda: "Santo Antônio Amigo";"Bonequinha de Veludo";"Teatro de Revista";"Flor do Lodo";"Rosa de Veludo" e muitas outras.

Nos tempos dos bondes (dos quais temos saudades, mas que devemos recordar que não eram tão bons assim) acontecia que quando não havia lugares em seus bancos,a "moçada" viajava nos estribos, expondo suas vidas.
João Petra de Barros, viajando no estribo de um bonde Tijuca (66) que transitava pela Rua da Carioca, teve uma de suas pernas esmagadas entre o bonde e um caminhão estacionado naquela rua.

Rsultado: teve de amputá-la.

Nunca mais foi o mesmo. Caiu em depressão e, em 10 de janeiro de 1947, com apenas 32 anos,amargurado, pôs fim à sua vida terrena.

Relembrá-lo hoje, é uma grande saudade.
norma hauer

Colaboração de Edmar Cordeiro





Um jovem recém-casado estava sentado num sofá num dia quente e úmido, bebericando chá gelado durante uma visita ao seu pai. Ao conversarem sobre a vida, o casamento, as responsabilidades da vida, as obrigações da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo e lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho..
- Nunca esqueça de seus amigos, aconselhou! Serão mais importantes à proporção que você for envelhecendo.. Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura venham a ter, você sempre precisará de amigos. Lembre-se de ocasionalmente ir a lugares com
eles; faça coisas com eles; telefone para eles...
Que estranho conselho, pensou o jovem! Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza, minha esposa e a família que iniciaremos serão tudo o que necessito para dar sentido à minha vida!
Contudo, ele obedeceu ao pai. Manteve contato com seus amigos e anualmente aumentava o número de amigos. À medida que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava e foi sentindo que os amigos eram os baluartes de sua vida..

Passados mais de 50 anos, eis o que aprendeu:
O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa.
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêem.
O amor fica mais frouxo.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração se rompe.
Os pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.
Mas..... os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilômetros estejam entre vocês. Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo por você, intervindo a seu favor e esperando você de braços abertos; abençoando
sua vida! Todos nós, quando iniciamos esta aventura chamada vida, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas que estavam adiante, nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.
Remeta este texto a todos os amigos que ajudam a dar sentido à sua vida.. Eu acabei de fazê-lo.

Mulher Obediente - colaboração de Edmar Cordeiro



Era uma vez um homem que tinha passado toda a sua vida trabalhando e que juntara todos os centavos que ganhava.
Ele era realmente muito mão-de-vaca. Antes de morrer, disse à mulher:
- Ouve-me bem! Quando eu morrer, quero que pegues todo o meu dinheiro e o coloques no caixão junto comigo. Eu quero levar todo o meu dinheiro para a minha próxima encarnação.
Dito isto, obrigou a mulher a prometer que, quando ele morresse, ela colocaria todo o seu dinheiro dentro do caixão junto dele.
Um dia o homem morre.
Foi colocado dentro do caixão, enquanto a mulher se mantinha sentada a seu lado, toda de preto, acompanhada pelos amigos mais chegados.
Quando terminou a cerimônia e antes de o padre se preparar para fechar o caixão, a mulher disse:
- Só um minuto! Tinha uma caixa de sapatos com ela. Aproximou-se e colocou-a dentro do caixão, juntamente com o corpo. Um amigo disse-lhe:
- Espero que não tenhas sido doida o suficiente para meteres todo aquele dinheiro dentro do caixão!
Ela respondeu:
- Claro que sim. Eu prometi-lhe que colocaria aquele dinheiro junto dele e foi exatamente o que fiz.
- Estás me dizendo que puseste todos os centavos que ele tinha dentro do caixão com ele?
- Claro que sim! - Respondeu a mulher. - Juntei todo o seu dinheiro, depositei-o na minha conta e passei-lhe um cheque. Vai descontar lá no inferno!
A todas as mulheres inteligentes, uma ótima semana ! ! ! ! ! ! !
E NÃO ESQUEÇAM DE COLOCAR O CHEQUE DEVIDAMENTE NOMINAL E CRUZADO !

Convite !

Participe!

Interações estéticas em Ponto de Cultura

Inter-ação e realização audiovisual com o cineasta Jefferson Albuquerque

O curso acontecerá a partir deste mês no Instituto de Ecocidadania Juriti em Juazeiro do Norte no período da tarde.

Rua Eletrecitário João Rocha Matos, 01 Bairro Leandro Bezerra

(Esse endereço fica para o lado do Parque São Geraldo)

Telefones para contato: Jefferson Albuquerque 9947.0332 e Crsitina Diogo 9965.3677


Nívia Uchôa

Versos à esmo... - por Socorro Moreira

Silêncio

Quieto ou aflito?

propósitos firmes

atingem alvos

Tiros perdidos

podem ferir passarinhos ...

------------------------

Chuva

É a mais linda imagem

que o céu declina

Branda como a lágrima

quando expele a dor

e dela o coração se descola !

----------------------------

Preiro a terra

mas fico com o céu

Assim tenho o teu encanto,

teu perfume, tua voz...

pipa no vento !



Teu olhar - ponte de sedução

Com um deles

quando queres

o céu fica em tuas mãos.



Fujo de mim na tua busca

Encontro-te no passado

onde estavas ao alcance...

És ventania ?

----------------------------

O suor das chuvas de verão

chora nos telhados

escorre nas janelas

molha a grama

orvalha a cara



Enquanto existir vida

ainda posso lembrar



Nas folhas do trevo

desfolho o bem desejar



Folhas caídas ...

Sejam o caminho da paz !

---------------------------



beijo rápido e selado

como se fosse uma borboleta

pousando na alma !

------------------------

Alma alquebrada

Esconde a ruga sob o capuz

Firma a voz, declara-se amante

Alma amiga

ainda ontem ...

dos sonhos- a onte !

Por José Eldo Elvis



(Um amigo me enviou um texto assinado por Luís Fernando Veríssimo. Aconselho que aqueles que quiserem ler este meu e-mail, desçam primeiramente até o referido texto e só depois leiam a resposta que lhe enviei (a ele, o meu amigo). Troquei o nome dele por "Fulano" apenas porque qualquer um de nós alguma vez na vida já encaminhou o mesmo tipo de mensagem. São clichês de internet e o que interessa é que o que escrevi para ele em resposta pode sem problemas ser lido por mais gente. Por isso segue mais essa mensagem para minha rede de amigos... Super beijo em todos e todas! Elvis)


Fulano,

Adorei o texto. Muito criativo e a pessoa para escrevê-lo tem que possuir muitas informações sobre presente e passado e de áreas bem distintas, mas que de qualquer modo pertencem a nossa querida Cultura de Massa, são produtos consumidos, enfim... Mas vale para nos atentarmos que sempre o Presente é o mesmo que o Passado só que com um nome diferente. Verdadeiramente pouca coisa se cria de novo. A base é sempre a mesma.

Na noite do dia 1° de janeiro saí com dois colegas de colégo que estavam acompanhados de seus cônjuges. Minha antiga colega perguntou se a gente se lembrava do "Disparate". O assunto na hora descambou para aqueles caderninhos que as meninas organizavam com perguntas (uma pergunta por página, a começar pelo nosso nome) de todo o tipo. Perguntava-se das cores, frutas e filmes preferidos a questões mais íntimas e até obscenas. O caderno passava de mão e mão e as pessoas iam compartilhando com estranhos as suas particularidades. Na hora eu falei: "Isso é o pai do orkut, avô do twitter!".

pelo visto sempre gostamos, um pouquinho pelo menos, de compartilhar nossa vida privada com mais gente. As novas tecnologias só arranjam um jeito novo de fazermos isso.

Na época em que cursava Publicidade, a nossa professora de Marketing falava da Ditadura do Novo. Um produto não pode ficar o tempo todo do mesmo jeito de sempre. São ordens do Mercado. Por isso ele tem sempre que estampar no rótulo: Novo Rótulo ou Nova Embalagem ou Nova Fórmula ou Agora com Vitaminas A, C, D e Zinco... A Schin apropriou-se disso de forma ainda mais drástica e bombou com o Nova Schin!!! Quantas vezes o Shampoo Seda já mudou e a embalagem da Primor também? Uma das poucas mudanças que aconteceram e que foram um tremendo fracasso foi o chocolate LOLO se transformar em Milkbar. Nunca entendi a mudança e eu que era ávido consumidor de LOLO, nunca topei com o Milkbar. Parece que eu e a maioria dos consumidores, porque as vendas despencaram e acho que hoje ele nem existe mais...

Mas o bom é que eu resolvi te escrever respondendo à mensagem que você me enviou para falar de outra coisa. Outra coisa também aprendida das aulas na UFPE, no curso de Publicidade: Testemunho de Valor. Muitos produtos organizam sua campanha publicitária neste molde: Um famoso vai à público dizer que aprova tal produto. Ele não é nutricionista, nem químico, nem engenheiro mas diz que aprova tal iogurte ou tal creme dental ou seja lá o que for e por conta da força do testemunho deste famoso, o produto vende.

Na Internet acontece um fenômeno com características parecidas. Textos são escritos por anônimos, mas como são de pessoas anônimas eles parecem que não possuem força e que são bobos ou não merecem que percamos o nosso tempo em lê-los. O que fazem estes escritores anônimos então? Assinam como Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Gabriel Garcia Marques, Luís Fernando Veríssimo... Sempre são nomes de escritores bem referendados pelo senso comum. Nomes que qualquer pessoa que nunca leu nada, com certeza já ouviu falar. Então, muita gente lê o texto, fica maravilhada e empolgada e alguns chegam até a produzir camisas com frases retiradas desses textos ou colocam o texto inteiro no seu perfil do orkut.

Quando eu vou divulgar o texto de um escritor, faço da seguinte maneira: Digito (entre aspas) aquilo que encontrei de interessante e mando para as pessoas com nome do autor, livro de onde foi extraído o texto, editora, páginas e ano da publicação. Em resumo, publico as referências. Acredito ser esse o melhor selo de autenticidade para a verdadeira autoria dos escritos de internet.

Independente do texto ser ou não de Veríssimo (pode mesmo ser dele! O cara tá aí vivo, né?) é um texto bom de ser lido e que nos coloca a refletir sobre o nosso tempo, que é sempre a melhor coisa que um texto pode nos proporcionar, seja de quem for, famoso ou não.

José Eldo Elvis


E tudo mudou...


O rouge virou blush

O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair,
alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM

Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo

O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita ?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida

A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas
diferenças

Luis Fernando Veríssimo


O Livro do Cariricaturas - Edição e Lançamento

O Livro do Cariricaturas - Edição e Lançamento

Um livro escrito por muitas mãos: uma coletânea com nossos escritores e artistas.

Detalhes :

. Release com fotografia de cada escritor ( 01 página)
• 4 textos por escritor (máximo de 7 páginas - fonte : garamond - altura : 12) - Temática livre ( crônicas, contos e poemas).
• Os textos serão escolhidos pelos próprios escritores;
• um contingente de 200,00 por escritor
• O pagamento poderá ser feito em 4 x 50,00 ( fev-mar-abr-maio)
. O livro será dedicado aos mestres de todos os tempos, representados por Dr. José Newton Alves de Sousa.
- A capa será a foto de Pachelly- essa que já caracteriza o Cariricaturas.
- O título é: "Cariricaturas em prosas e versos"
- Edição: Emerson Monteiro ( Editora de Sonhos - Crato-Ce)
- Dedicatória ( Assis Lima e Ana Cecília)
- Prefácio/ Apresentação ( José do Vale e Zé Flávio)

-Já estão confirmadas as seguintes adesões:

01. Claude Bloc *
02. Magali Figueirêdo
03. Carlos Esmeraldo
04. Maria Amélia de Castro
05. Ana Cecília Bastos
06. Assis Lima *
07. Socorro Moreira *
08. Stela Siebra de Brito
09. Wilton Dedê
10. João Marni
11. Rejane Gonçalves
12. Rosa Guerrera *
13. Heladio Teles Duarte
14. Edilma Rocha
15. Emerson Monteiro *
16. José Flávio Vieira *
17. João Nicodemos
18. José do Vale Feitosa *
19. Liduina Vilar *
20. Elmano Rodrigues
21. Carlos Rafael
22. Armando Rafael
23. Bernardo Melgaço
24. Domingos Barroso *
25. Roberto Jamacaru
26.Dimas de Castro
27.Joaquim Pinheiro *
28.Edmar Lima Cordeiro
29.Hermógenes Teixeira de Holanda
30.Olival Honor
31.José Nilton Mariano
32.Marcos Barreto
33.Isabela Pinheiro

* Escritores que já enviaram material para edição.


Lembrem-se:

O envio dos textos será até 31.01.2010.


Outras informações :
Tiragem : 1.000 exemplares
Distribuição entre autores : 20 para cada
Saldo : será transformados em ingressos para cobrir as despesas da festa de lançamento : coquetel, convites, divulgação, banda,decoração, etc
Se houver saldo de livros será redistribuído entre os autores.
Preço do livro por unidade : 20,00
A edição foi orçada em 6.000,00 ( já considerados todos os descontos possíveis).
Número de páginas : 260 ( aproximadamente).
O valor da contribuição por escritor ( 200,00) será sepositado numa cta do Editor (Emerson Monteiro) a ser informada por e-mail. Em contrapartida será enviado respectivo recibo.
Atentar para as datas limite de envio do material ,e de pagamento :
Data limite para depósito : Até maio de 2010.

Claude e Socorro Moreira

Agatha Cristie

15/9/1890, Torquay, Inglaterra
12/1/1976, Londres, Inglaterra




Agatha Christie se consolidou como uma autora de perene "best-seller".

Considerada a "Rainha do Crime", Agatha Christie aliou uma imaginação brilhante à sua grande habilidade como narradora, para conquistar gerações de público para suas histórias de mistério e suspense. Seus livros já venderam mais de 2 bilhões de exemplares.

Nascida Agatha May Clarissa Miller, ela se casou em 1914, com o Coronel Archibald Christie, um aviador da Força Aérea britânica. Com ele, teve sua única filha, Rosalind. Durante a Primeira Guerra, Agatha trabalhou como farmacêutica, o que lhe proporcionou, segundo consta, grandes conhecimentos sobre poções e veneno, que seriam mais tarde empregados em suas obras.

Deu-se em 1920 a publicação o seu livro de estréia, "O Misterioso Caso de Styles", protagonizado pelo detetive belga Hercule Poirot, que se tornaria um dos mais famosos personagens de toda a história da literatura. Poirot seria protagonista de mais 33 romances e dezenas de contos.

Em 1926, Christie desapareceu por onze dias, fato que causou comoção na imprensa e toda sorte de especulações. Agatha foi encontrada num hotel e até hoje não se sabe ao certo o motivo do desaparecimento: supõe-se que ela estivesse deprimida por descobrir um caso adúltero do marido. Nesse ano, ela escreveu uma de suas obras-primas "O Assassinato de Roger Ackroyd".

Dois anos mais tarde, Agatha Christie divorciou-se de seu primeiro marido. Em 1930, publicou o primeiro romance com a sagaz personagem Miss Marple, "O Assassinato na Casa do Pastor". Marple, uma simpática velhinha que se arvora a detetive e é uma espécie de alter-ego da autora, foi protagonista de doze romances de Agatha Christie.

Ainda em 1930 Agatha casou-se pela segunda vez, com Max Mallowan, um arqueólogo que havia conhecido numa viagem à Mesopotâmia. Com Mallowan a autora realizou uma série de expedições arqueológicas, que lhe renderam inspiração para novas histórias, como "Morte no Nilo".

Em 1934, foi lançado o célebre romance "Assassinato no Expresso do Oriente", depois transformado num filme de grande sucesso. Na década de 1930, a abundante produção literária de Agatha Christie se consolidou junto ao público, transformando a autora num perene "best-seller". Christie escreveu mais de vinte títulos de ficção, entre eles o famoso "O Caso dos Dez Negrinhos".

Em 1952, estreou em Londres sua peça "A Ratoeira" - a peça que ficou mais tempo em cartaz na história do teatro. Numa carreira de mais de meio século, Agatha Christie escreveu 79 romances e livros de contos, além de doze peças de teatro. Além das peças, contos e romances de mistério, Agatha publicou seis romances românticos, com o pseudônimo de Mary Westmacott.

A escritora recebeu a mais alta condecoração do Reino Unido em 1971, tornando-se "Dame Agatha Christie".
uoleducação

A poesia de Sandro Penna




La rosa al suo rigoglio
non fu mai cosi bella
come quando nel gonfio orinatoio
dell'alba amò l'insonne sentinella.


Pequenas crônicas de Rubem Braga


As Meninas e Eu

Estava de pé na praia. Podia ser um momento feliz, em si mesmo talvez fosse; e aquele singelo quadro de beleza me fez bem; mas uma fina, indefinível tido azul, as duas meninas rindo, saltando com seus vestidos colados ao corpo, brilhando ao sol; o vento. . .

Quando ele foi repórter da frente de batalha.

A Menina Silvana

A menina estava quase inteiramente nua, porque cinco ou seis estilhaços de uma granada alemã a haviam atingido em várias partes do corpo. Os médicos e os enfermeiros, acostumados a cuidar rudes corpos de homens, inclinavam-se sob a lâmpada para extrair os pedaços de aço que haviam dilacerado aquele corpo branco e delicado como um lírio agora marcado de sangue.

São recordações de momentos marcantes de sua infância e de sua juventude com os amigos.

A equipe

Uma velha, amarelada fotografia de nosso time. No primeiro plano, vê-se a linha intrépida, ajoelhada sobre o joelho esquerdo, prestes a erguer-se, uma vez batida a chapa, e atacar com fúria. A defesa está atrás de pé pelo Brasil.

São casos de amor e amizade com mulheres fantásticas que marcaram sua vida.

As Luvas

Só ontem o descobri, atirado atrás de uns livros, o pequeno par de luvas pretas. Fiquei um instante a imaginar de quem poderia ser, e logo concluí que sua dona é aquela mulher miúda, de risada clara e brusca e lágrimas fáceis, que veio duas vezes, nunca me quis dar o telefone nem o endereço, e sumiu há mais de uma semana.

São cenas que retratam o convívio diário com outras pessoas, os choques de opiniões e interesses, o dia-a-dia do trabalho de um jornalista que precisa escrever sua crônica diária para sobreviver.

Retalho

Assis Lima

Eu ia por um caminho
(e tu também),
avistei um passarinho
que me habitou menino,
e da memória
(seu ninho)
já não pude removê-lo,
e até o vejo
pousar no galho
(que oscila ao seu peso),
girar o bico,
inflar a graciosa coleira
e depois
voar
no arvoredo.

Gatos ... - por Ana Cecília S.Bastos

Um gato chamado Milk
Como tem gente aqui em casa reclamando - por que uma homenagem a Shake e não a Milk? - completo o registro sobre essa dupla inseparável.
Milkinho é um gato persa amarelo muito inteligente e elegante. Desde que era um filhote, ele é absolutamente convicto de que é o rei dos animais. Porisso atravessa o espaço em direção aos lugares mais altos, seus por direito natural, de onde pode nos olhar de cima e observar tudo o que se passa em seus domínios - que por vezes incluía inadvertidos versos...
E aqui termina a felina saga poética, prometo!



Definição do gato.


Contato portátil com a natureza.
Nuvem atravessando a mesa
e outros espaços imprevistos.

Nova casa se revela
na fotografia
felina,
em ângulos de precisão
e neblina.

O mundo visto em sobressaltos:
O desafio e o salto,
sempre mais alto,
sempre mais belo,
o gato amarelo.
Elo.


Imagens de Salvador sitiada

O silêncio felino nestas noites em que o absurdo nos toma.
As fotos de Salvador tomada pela violência.
Em Pituaçu, o artista palmilha silencioso e melancólico os vestígios da destruição.
Perplexo, atônito.

A criança chora sem nada compreender.
O desconexo das imagens e o longo caminho
da cidade.
A cidade submersa, a cidade ao sol.
O corpo ferido da cidade.
A cidade viva e violenta.
A morte.
Busco a sintonia possível com seu movimento sempre tão dentro
da minha própria pele.

A cidade emudece, paralisada.
Silêncio onde havia gritos e algazarra.
Gritos onde tudo era murmúrio.
O gato passa silencioso e atravessa o opaco em luvas de algodão e espinho.


Um gato chamado Shake
Sim, adoro gatos. Os meus queridos, Milk e Shake, foram desterrados, mas vou visitá-los sempre. Sinto falta de seu movimento pela casa. Hoje fui almoçar com meu pai, por seu aniversário. Meu irmão poeta fez um lindo presente para ele e o mundo ficou pura beleza e coração.
Depois visitei os gatos e o mundo ficou aveludado.
Um poeta é a alma da vida perambulando pela casa.
Um gato é contato portátil com a natureza.
Às vezes escrevi versos para eles.


A novidade


Pequeno gatinho ronronante,
bamboleante pela casa.
Ele passa, orelhas e bigode
desfazendo esse celofane de cansaço e monotonia.

O gatinho passa e em seu movimento
toda cor é bela,
todo som é festa,
toda alegria é luz.

Esse gatinho que faz do cinza
Pura beleza em mil tons.
por Ana Cecília

A poesia de Everardo Norões




São sempre linhas
as paisagens,
a cortarem geometricamente
nossas rotinas.
As curvas senoidais
das serras,
as retas dormentes
das planícies.
E nós:
pequenos pontos
num papel rasgado.
...

Enquanto a chuva cai ...- por Socorro Moreira


Madrugada chuvosa

Corpo desmaia

Encurta distância

Arte e velocidade


Tempo passa ou para?

Só escuto o silêncio

Nem avião , pensamento

sobrevoa meu espaço.

------------------

Estou num sonho

País de mascarados

Casca de beleza e bondade

Cadê você , meu palhaço?


Serpentinas no rosto

soltam-se, desenhando lágrimas


Máscara de amizade,

que esconde paixão

Máscara de humor,

que esconde a dor

Máscaras...

Descolem-se de mim !

---------------------------

Lindo é saber

que estrelas estão sempre lá

quando nuvens escorrem nas retinas

Lua se assanha pro sol

que distante brilha.


Dividir o pão quando é só pedaço

Tirar sucoo da fruta

já bagaço .


Dormir com a barriga roncando

a fome do amor

sabendo que a cura está no beijo


Ouvir a melodia

e a letra florescer na garganta


Amar descaradamente

Esperando de janela aberta

que o céu devolva

o que já foi santo.


Saber que o tempo passa

mas sempre fotografa e guarda

a doce alegria de ficar pra sempre !

socorro moreira

Enquanto o sono não chega ... - por Socorro Moreira


Sereno da noite

Perfume no ar

Sons divinos

Você chegando

Susto no olhar brilhante

É sempre encanto

o anjo que me visita !

----------------------

Vejo o mundo cortado em telas

Fascinam-me os caminhos

Entre buracos e flores

Borro a vida com tintas

Faço marinhas,

casinhas de taipa,
beija-flor beijando a flor
Vida em movimento
Curva ascndente
Apesar dos afetos distantes
estou no presente.

--------------------

Se você ainda dorme

meu sonho te acorda

Queria que o silêncio falasse comigo


Está tudo mudo

do outro lado do mar

Tudo escuro

na face oculta da lua

Se valeu?

Pergunto ao tempo!


-----------------------

Se o paraíso é colorido

pra que insistir

no preto ou no branco?

-------------------

Ao entardecer

vislumbrando o céu

misturo tintas ...

Tudo violáceo !

-----------------------

às vezes deixo todas as velas ao vento

Perco controle e velocidade

Deixo o mundo pensar

que ganhou a guerra !

------------------------
Dizeres
- Claude Bloc -


De manhã
colo pedaços de tempo
na colcha da minha vida

De manhã
coso palavras
em minha boca,
sopro silêncios
ao teu ouvido
e me calo
na tua ausência.

De manhã
colho pedaços de alegria,
esta essência cristalina
vertida em conchas do mar.

De manhã
soletro dizeres
e vontades
na síntese da poesia

e adormeço as vivências
que já tive...

De manhã
há sempre um (re)começo
e um fim

fundido em paralelas:
um dilema, um (des)encontro.
abraçando o teu silêncio.
.
Claude Bloc
.