Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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quinta-feira, 1 de abril de 2010

A verdade dentro do olhar- por Socorro Moreira


Quando eu era pequena minha mãe procurava uma manchinha nos meus olhos pra testar a verdade , nas minhas respostas. Arregalava os olhos pra ela, sem perceber a sua armadilha, e que ela mentia pra mim.
" Os olhos não ficam manchados, quando estamos mentindo..." Ou será isso verdade?
É difícil mentir, olho no olho... Mas alguns conseguem!
O fato é que, desde cedo, a mentira me intimida. Pra evitar gaguejo, e a vergonha de ser desmascarada, aprendi a dizer sempre a “verdade”.
Hoje a minha mãe diz:" não precisa ser tão sincera. Ser sincera demais é grosseria, crueldade..."
Minha mãe continua me ensinando a mentir, com mentiras delicadas e meias verdades. Não aprendo, nunca aprendo... A verdade me atrai, e eu a procuro dentro e fora de mim... Mas gosto de velá-la. Deixo-a escondida nas entrelinhas, no rabisco que amasso. Ela é sempre clara...
Por que permanece encantado, o que sinto por ti?
- Porque é muito bom amar no anonimato !
Samba do Grande Amor
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque de Hollanda

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim
O grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão
Pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua de mel
Em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé
No grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

REFLEXÃO PARA A QUINTA FEIRA SANTA: ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

Senhor,
Fazei de mim instrumento de vossa paz.

E que eu encontre primeiro, em mim,
a harmoniosa aceitação de meus opostos.

Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Aceitando o ódio que possa existir em mim e compreendendo todas as faces com as quais o amor pode se expressar.

Onde houver ofensa que eu leve o perdão
E que me permita ofender para ser perdoado

Onde houver discórdia que eu leve a união.
E que eu aceite a discórdia como geradora da união

Onde houver dúvidas que eu leve a fé.
Podendo humildemente, encarar minhas próprias dúvidas

Onde houver erros, que eu leve a verdade.
E que a "minha verdade" não seja única, nem os erros sejam alheios.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
E possa, primeiro, conviver com o desânimo sem me desesperar.

Onde houver tristeza, que eu leve alegria.
E possa suportar a tristeza minha e dos outros sendo alegre ainda assim.

Onde houver trevas que eu leve a luz.
Após ter passado pelas "minhas trevas" e ter aprendido a caminhar com elas.

Oh, Divino Mestre...
Fazei que eu procure mais: consolar que ser consolado.

E que eu saiba pedir e aceitar consolo quando precisar.

Compreender que ser compreendido,
E me conhecer antes, para ter melhor compreensão do outro.

Amar que ser amado,
Podendo me amar em princípio,para não cobrar o amor que dou.

Pois é dando que recebemos.
E sabendo receber é que se aprende a doar.

É perdoando que se é perdoado.
E não se perdoa a outro enquanto não há perdão por si mesmo.

E é morrendo que se nasce para a vida eterna.
E é bem vivendo e amando a vida que se perde o medo de morrer!



Obs.: recebi hoje por email e achei muito oportuno postar aqui no Cariricaturas convidando todos os leitores a este momento de reflexão sobre a paz, o perdão e o amor pregados por São Francisco em consonância e harmonia com o Amor de Jesus.
Stela Siebra Brito
Mentira
Marcos Valle

Diga sim pra mim primeiro
Diga sim eu vi primeiro
Diga sim de corpo inteiro
Diga sim...

Mas é mentira... tchup tchu, é mentira
Ira... tchup tchu, é mentira

Eu não quero ter ciúmes
Eu não quero ter queixumes
Quero é ter...

Você na mira... tchup tchu, sem mentira
Mira... tchup tchu, sem mentira

Diga qué qué quem pó podem
Diga em quem qué quem pó podem
Diga qué qué quem pó podem
Diga em quem...

Mas é mentira... tchup tchu, é mentira
Ira... tchup tchu, é mentira

Eu não quero ter ciúmes
Eu não quero ter queixumes
Quero é ter...

Você na mira... tchup tchu, é mentira
Mira... tchup tchu, sem mentira

Mentira tem pernas curtas - por Eugênio Mussak

Todo mundo mente para evitar sofrimento. Mas a mentira acaba gerando um desgaste enorme e, no fim das contas, vale a pena ser evitada


Dizemos que a mentira tem pernas curtas porque sabemos que ela não costuma ir muito longe. Cedo ou tarde, ela cambaleia, tropeça e acaba sendo alcançada pela verdade. Isso acontece por, pelo menos, dois motivos: primeiro, porque quando mentimos fazemos mais esforço do que quando dizemos a verdade, em função do dilema moral envolvido na questão, ainda que inconsciente. Segundo porque, quando precisa ser repetida, a mentira perde força, sendo contaminada por fragmentos da verdade ou por outra mentira, pois sua base não é a realidade, e sim a ficção.

Mentir significa “inventar” uma verdade que não existe, e não “relatar” a verdade como ela é. A mentira começa com a pessoa, a verdade é anterior a ela. Quando mentimos criamos uma realidade que não se baseia em nenhum outro fato, a não ser nossa própria criatividade, o que não é suficiente para sustentar o que foi dito, caso o assunto não se esgote rapidamente. O candidato a emprego que mente sobre sua experiência e qualificações será desmascarado pela inconsistência do currículo ou pela incapacidade de atender às expectativas que criou. E por aí vai. Fatos que demonstram o insustentável peso da mentira podem ser colhidos aos montes na história de vida de quase todas as pessoas – de adolescentes a presidentes da república.

Mas, afinal, por que mentimos, se todos sabemos que existe a chance de sermos desmascarados mais cedo ou mais tarde? Que força é essa que nos impele a não sermos sempre fiéis aos fatos? Há mentiras justificadas ou não? A verdade, doa a quem doer, sempre é a melhor opção?
Por que mentimos?
Essas são questões da ética humana que interessam a várias correntes do pensamento. A psicologia explica a mentira pelo mecanismo de defesa, a sociologia pela busca do poder, a filosofia pela imperfeição humana e a religião pela compulsão ao pecado. As explicações, entretanto, quase nunca justificam a mentira ou desculpam o mentiroso.

As motivações são diversas, o que pode ser percebido até na literatura. Podemos examinar um filme e uma novela que abordam bem essa faceta do ser humano, com suas conseqüências. O filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, dirigido por Jean Pierre Jeunet – uma versão moderna de Poliana, a garota que sempre via o lado bom das situações. Em uma das cenas, Amélie conta a Joseph que Georgette está apaixonada por ele e, para Georgette, afirma que Joseph também está interessado nela. Duas mentiras, pois eles não haviam dito nada disso, mas nossa heroína percebeu a possibilidade de aproximar os amigos que sofriam, ambos, do medo da rejeição. A conseqüência foi que essa “mentira amorosa” encorajou o casal a se relacionar, o que acabou interferindo, para melhor, no clima do bar que todos freqüentavam.

A novela: Beto Rockefeller, escrita por Bráulio Pedroso e produzida pela TV Tupi em 1968, marcando o início da moderna teledramaturgia brasileira. O personagem, Beto, interpretado por Luis Gustavo, é um rapaz suburbano de São Paulo, inconformado com sua pobre condição social. Por ser simpático e bem falante, consegue ser aceito por grupos de jovens da elite paulistana, que desconhecem sua origem. Durante toda a trama ele se faz passar por filho de uma família rica e aristocrata. Inventa histórias, mente descaradamente, arma tramas incríveis e, dessa forma, vai se dando bem. Até que, é claro, a casa cai, os amigos descobrem sua verdadeira identidade e o anti-herói sofre as conseqüências de sua impostura.

Quais as semelhanças e as diferenças entre essas duas histórias? A semelhança é que os dois personagens-tema usam mentiras para atingir seus objetivos. A diferença fica por conta da qualidade dos objetivos. Enquanto Amélie inventa lorotas com a intenção de ajudar seus semelhantes, Beto só quer se dar bem. Nos dois casos, ambos foram desmascarados, com a diferença que Amélie foi ainda mais querida por seus amigos, enquanto Beto foi defenestrado por todos.

Além de ser uma obra de ficção, ou seja, uma mentira por si só, o filme de Amélie brinca com falsas afirmações de uma forma doce e benéfica. Ela mente para as pessoas ao seu redor com a intenção de lhes proporcionar coisas boas. O seu objetivo, portanto, é nobre – trata-se de uma forma positiva de encarar a mentira. Isso quer dizer que estamos autorizados a faltar com a verdade, pois ela é relativa? Não, por favor, não me entenda mal. O que é relativo é a percepção que temos dos fatos, e a mentira grande ou pequena, danosa ou inconseqüente, piedosa ou maldosa, sempre será uma mentira e, como tal, poderá ferir alguém.
Mecanismo de defesa
Desde a infância mentimos para nos isentar de culpas ou para alcançar o que queremos, com a finalidade de obter prazer ou evitar sofrimento. Estudos indicam que apenas até os 3 meses de idade um bebê é incapaz de mentir. Após essa idade, aprende a se utilizar artifícios para chantagear seus pais. E somente quando a criança atinge cerca de 7 anos passa a ter a capacidade de diferenciar com clareza o falso do verdadeiro.

A mentira quase sempre é utilizada pelos indivíduos como forma de evitar o sofrimento. Ela pode ocorrer de maneira consciente ou inconsciente. Em sua forma inconsciente, acontece um processo denominado pela psicologia de mecanismo de defesa, que pode ser de três tipos: negação, projeção e introjeção. Negamos os fatos desagradáveis e as sensações dolorosas, como se não existissem. Projetamos nos outros, ou nas coisas, fatos nossos que nos são repugnantes, como se não nos pertencessem. Introjetamos objetos de desejo, que podem ser coisas ou pessoas, como se fossem nossos.

Isso significa que mentimos para nós mesmos e acreditamos em nossas mentiras para evitar a dor ou para obter prazer. Nesse caso poderíamos dizer que se trata de uma “mentira justificada”, pois seu objetivo é esconder ou falsear fatos, buscando o bem para nós mesmos e para nossos semelhantes. Portanto, se a prática da mentira não envolver o hábito, a perversidade e a hostilidade, e se não deixar seqüelas, ela pode ser útil e até necessária. O problema é estabelecer a diferença entre os tipos de mentira, pois nem sempre percebemos quando deixamos de ser Amélies e nos tornamos Betos.
Realidades subjetivas
Na exposição de Picasso realizada em São Paulo há alguns meses, além da coleção que reunia telas das diversas fases do pintor espanhol, havia também frases dele, igualmente geniais, pintadas em algumas paredes. A mais perturbadora dizia: “A arte é uma mentira. Mas é através dessa mentira que podemos enxergar a verdade”. Nesse caso Pablo Picasso usou as palavras como usava os pincéis. Justificou a importância da arte e recolocou em cena a velha discussão da convivência do homem com a verdade e com a mentira.

O pintor queria mostrar que qualquer forma de expressão – principalmente a artística – carrega uma interpretação que distorce os fatos reais. Picasso lembra que, sem a mentira, a arte não existiria em nenhuma de suas formas. Uma escultura é um corpo de mentira. As pinturas, os poemas, os romances – todos falsos em princípio, assim como o cinema, a fotografia, o teatro.

Mas, veja bem, mesmo sabendo que qualquer interpretação da realidade é subjetiva – e inevitavelmente não dá conta de toda a realidade –, isso não serve como desculpa para sair por aí contando mil e uma fábulas. A mentira consciente é aquela em que sabemos, temos a consciência plena de que estamos dando uma indicação contrária a essa realidade parcial que percebemos. Senão, não é mentira – é engano. A pessoa não mentiu, apenas enganou-se, e passou o engano adiante. Mas, quando mentimos, sabemos que estamos mentindo. Isso faz toda a diferença, por que é nesse momento que temos a possibilidade de escolher se queremos faltar com a realidade ou não.

Seria uma grande mentira dizer que você nunca mais mentirá, pois você é um ser humano. E a mentira é um desses defeitos “excessivamente humanos” – como diria Nietzsche. Mas, como ser humano, é possível cultivar o hábito de sempre se observar para constatar se sua relação com a verdade e com a mentira é saudável o suficiente para que você mantenha uma boa relação consigo mesmo. Sem se enganar.

Eugênio Mussak é professor, escritor, palestrante e ainda dirige uma empresa. Outras de suas ambições podem ser vistas em seu endereço eletrônico: www.eugeniomussak.com.br
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Dizemos que a mentira tem pernas curtas porque sabemos que ela não costuma ir muito longe. Cedo ou tarde, ela cambaleia, tropeça e acaba sendo alcançada pela verdade. Isso acontece por, pelo menos, dois motivos: primeiro, porque quando mentimos fazemos mais esforço do que quando dizemos a verdade, em função do dilema moral envolvido na questão, ainda que inconsciente. Segundo porque, quando precisa ser repetida, a mentira perde força, sendo contaminada por fragmentos da verdade ou por outra mentira, pois sua base não é a realidade, e sim a ficção.

Mentir significa “inventar” uma verdade que não existe, e não “relatar” a verdade como ela é. A mentira começa com a pessoa, a verdade é anterior a ela. Quando mentimos criamos uma realidade que não se baseia em nenhum outro fato, a não ser nossa própria criatividade, o que não é suficiente para sustentar o que foi dito, caso o assunto não se esgote rapidamente. O candidato a emprego que mente sobre sua experiência e qualificações será desmascarado pela inconsistência do currículo ou pela incapacidade de atender às expectativas que criou. E por aí vai. Fatos que demonstram o insustentável peso da mentira podem ser colhidos aos montes na história de vida de quase todas as pessoas – de adolescentes a presidentes da república.

Mas, afinal, por que mentimos, se todos sabemos que existe a chance de sermos desmascarados mais cedo ou mais tarde? Que força é essa que nos impele a não sermos sempre fiéis aos fatos? Há mentiras justificadas ou não? A verdade, doa a quem doer, sempre é a melhor opção?
Por que mentimos?
Essas são questões da ética humana que interessam a várias correntes do pensamento. A psicologia explica a mentira pelo mecanismo de defesa, a sociologia pela busca do poder, a filosofia pela imperfeição humana e a religião pela compulsão ao pecado. As explicações, entretanto, quase nunca justificam a mentira ou desculpam o mentiroso.

As motivações são diversas, o que pode ser percebido até na literatura. Podemos examinar um filme e uma novela que abordam bem essa faceta do ser humano, com suas conseqüências. O filme: O Fabuloso Destino de Amélie Poulin, dirigido por Jean Pierre Jeunet – uma versão moderna de Poliana, a garota que sempre via o lado bom das situações. Em uma das cenas, Amélie conta a Joseph que Georgette está apaixonada por ele e, para Georgette, afirma que Joseph também está interessado nela. Duas mentiras, pois eles não haviam dito nada disso, mas nossa heroína percebeu a possibilidade de aproximar os amigos que sofriam, ambos, do medo da rejeição. A conseqüência foi que essa “mentira amorosa” encorajou o casal a se relacionar, o que acabou interferindo, para melhor, no clima do bar que todos freqüentavam.

A novela: Beto Rockefeller, escrita por Bráulio Pedroso e produzida pela TV Tupi em 1968, marcando o início da moderna teledramaturgia brasileira. O personagem, Beto, interpretado por Luis Gustavo, é um rapaz suburbano de São Paulo, inconformado com sua pobre condição social. Por ser simpático e bem falante, consegue ser aceito por grupos de jovens da elite paulistana, que desconhecem sua origem. Durante toda a trama ele se faz passar por filho de uma família rica e aristocrata. Inventa histórias, mente descaradamente, arma tramas incríveis e, dessa forma, vai se dando bem. Até que, é claro, a casa cai, os amigos descobrem sua verdadeira identidade e o anti-herói sofre as conseqüências de sua impostura.

Quais as semelhanças e as diferenças entre essas duas histórias? A semelhança é que os dois personagens-tema usam mentiras para atingir seus objetivos. A diferença fica por conta da qualidade dos objetivos. Enquanto Amélie inventa lorotas com a intenção de ajudar seus semelhantes, Beto só quer se dar bem. Nos dois casos, ambos foram desmascarados, com a diferença que Amélie foi ainda mais querida por seus amigos, enquanto Beto foi defenestrado por todos.

Além de ser uma obra de ficção, ou seja, uma mentira por si só, o filme de Amélie brinca com falsas afirmações de uma forma doce e benéfica. Ela mente para as pessoas ao seu redor com a intenção de lhes proporcionar coisas boas. O seu objetivo, portanto, é nobre – trata-se de uma forma positiva de encarar a mentira. Isso quer dizer que estamos autorizados a faltar com a verdade, pois ela é relativa? Não, por favor, não me entenda mal. O que é relativo é a percepção que temos dos fatos, e a mentira grande ou pequena, danosa ou inconseqüente, piedosa ou maldosa, sempre será uma mentira e, como tal, poderá ferir alguém.

Amor : abc da mentira

Envolto em meu luto,
Danço sem tocar tua mão,
Em quadro quase perfeito,
És valsa da última ilusão.

(Desata este adiado beijo).


Em arrebatados poemas,
Desvendas um sonho só teu,
Sabes princesa,
O príncipe encantado é um outro, não eu!

(Liberta-me de teu jugo).


Abrigando em mim tudo o que sou.
Finjo que parto, mas nunca vou.
E de novo me acorrento,
Em marés dissolventes,
Aguardo me vejas e me desvendes.


(Se um dia me olhares,
Para de novo me esquecer,
Serei miragem perdida,
Sem que me chegues a ver).


As letras que talho são enigmas da verdade.

Giraldoff

A poesia de Ana Cecília S.Bastos




A tarde me possui que me dissolvo.

A chuva me disseca.
Tenho que fechar os olhos para não desvairar totalmente, tomada em pleno trânsito por tal aflição.

A chuva são mil vagalumes, imagens inebriantes.
A chuva é delírio, desvario em plena tarde.
Intoxico-me sem defesas.
As margens da rua são magia, pura vibração e me emociona até mesmo uma fachada de shopping onde as sombras flutuam pelo efeito das luzes dos carros que passam.
Isso a chuva faz comigo.
Querer pensar em nada.

Dissolver-se. Foto de Mário Vítor.
por Ana Cecília

Bolinhos de bacalhau


* Ingredientes
* 1 kg de bacalhau
* 2 kg de batata
* 1 maço de salsa
* 1 cebola média
* Sal e pimenta do reino a gosto


* Modo de Preparo

1. Coloque o bacalhau de molho de um dia para o outro e troque a água umas três vezes pelo menos
2. Pique a cebola bem miúda e também a salsa
3. Cozinhe o bacalhau para que fique bem macio
4. Cozinhe as batatas com casca
5. Desfie o bacalhau eliminando pele e espinhas e reserve
6. Descasque e amasse as batatas, ainda quentes
7. Junte numa vasilha o bacalhau desfiado, as batatas amassadas, a cebola e a salsa picadas e misture bem
8. Tempere com sal e pimenta do reino
9. Modele os bolinhos com as mãos
10. Frite-os em uma frigideira com óleo e azeite quentes

A última ceia





Nos evangelhos, a Última Ceia (também chamada de "Ceia do Senhor" ou "Ceia Mística") foi a última refeição compartilhada por Jesus com os doze apóstolos antes de Sua morte e ressurreição. A Última Ceia tem sido objeto de várias pinturas, sendo a mais famosa o afresco de Leonardo da Vinci em Milão, pintada em 1498.

Durante a Última Ceia, e em referência específica ao tomar o pão e o vinho, Jesus contou aos seus discípulos, "Façam isso em memória de mim", (1 Coríntios 11:23–26). Outros eventos e diálogos foram gravados nos Evangelhos Sinóticos e no de São João. Todas as igrejas cristãs interpretam o descrito como a instituição da Eucaristia.

O vaso que era usado para servir o vinho ficou conhecido também como o "Cálice Sagrado", e tem sido um dos supostos objetos da literatura do "Santo Graal" na mitologia cristã.

A Última Ceia ocorreu na véspera da morte de Jesus. O Novo Testamento narra que Jesus pegou no pão em suas mãos, deu graças e disse aos Seus discípulos: "Este é o meu corpo que será entregue a vós". Do mesmo modo, ao fim da ceia, Ele pegou o cálice em suas mãos, levantou ao alto e disse aos seus discípulos: "este é o meu sangue, o sangue da vida que será derramado por vós."

O Apóstolo Paulo foi o primeiro a mencionar sobre a Última Ceia. Ele escreveu:

Por que recebi do Senhor o que eu também vos ensinei: O Senhor Jesus, na noite que foi traído, tomou o pão e, quando ele tinha dado graças, ele o partiu e disse: "Este é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim ". Da mesma forma, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: "Esta é o cálice da Nova Aliança no meu sangue; fazei isto, sempre que bebê-lo, em memória de mim". Sempre que você comer este pão e beber este cálice, você vai estar anunciando a morte do Senhor até que ele venha. (1 Corintios 11:23-26)

Paulo afirma que aprendeu a cerimônia diretamente do Senhor, isto é, por revelação.


Segundo a tradição, a Última Ceia teve lugar no que é chamado hoje em dia de Sala da Última Ceia no Monte Sião, fora dos muros da Cidade Velha de Jerusalém, e é tradicionalmente conhecido como "O quarto de cima". Esta baseia-se no conto dos evangelhos sinóticos que afirmam que Jesus tinha instruído um par de discípulos (na Bíblia são: Pedro e João) para ir à cidade a fim de encontrar um homem transportando um jarro de água, que os levaria para uma casa, onde eles perguntariam sobre o quarto onde o mestre receberia seus convidados.(Lucas 22:7:13). Esta sala é especificada como sendo o quarto de cima, onde eles celebraram a Páscoa. Não é especificado o nome desta cidade, podendo se referir a um dos subúrbios de Jerusalém, como Betânia, o local tradicional não se baseia em nada mais específico na Bíblia, e pode facilmente estar errado. De acordo com a arqueologia, havia uma grande comunidade Essênia e esses pontos fizeram com que vários estudiosos suspeitem de uma ligação entre Jesus e esse grupo.

A Igreja de São Marcos Síria Ortodoxa de Jerusalém é outro local possível para a localização do cômodo da Última Ceia, contendo inscrições em uma pedra com dizeres cristãos atestando a referência ao ponto. Certamente a sala é mais antiga do que o Cenaculum (cruzado - século XII) e, como agora o quarto está subterrâneo a altitude relativa é correta (no primeiro século as ruas de Jerusalém foram, pelo menos, doze pés (3.6 metros) inferiores aos de hoje, de forma que qualquer construção desta época teria os andares superiores atualmente sob a terra). Eles também têm um venerado Ícone da Virgem Maria, sendo reputada a pintura ainda em vida por a São Lucas.

No decurso da Última Ceia, de acordo com as epístolas paulinas e os evangelhos sinóticos (menos o Evangelho de João), Jesus divide o pão, faz uma oração, e pegando um pedaço diz "este é o meu corpo". Ele então toma uma taça de vinho, (conhecido como o Santo Graal), oferece uma outra oração, dizendo "este é o meu sangue da eterna 'aliança', que é derramado por vós". Por último, de acordo com Paulo e Lucas, ele diz aos discípulos "fazei isto em memória de mim". Estas palavras significam o ponto principal da última refeição. Jesus quer que os discípulos lembrem-se dele e de seu caminho, mesmo em caso de morte, porque ele sabe que eles serão novamente reunidos no reino de Deus.
wikipédia

Dia da Mentira



Tudo começou quando o rei da França, Carlos IX, após a implantação do calendário gregoriano, instituiu o dia primeiro de janeiro para ser o início do ano. Naquela época, as notícias demoravam muito para chegar às pessoas, fato que atrapalhou a adoção da mudança da data por todos.

Antes dessa mudança, a festa de ano novo era comemorada no dia 25 de março e terminava após uma semana de duração, ou seja, no dia primeiro de abril. Algumas pessoas, as mais tradicionais e menos flexíveis, não gostaram da mudança no calendário e continuaram fazer tal comemoração na data antiga. Isso virou motivo de chacota e gozação, por parte das pessoas que concordaram com a adoção da nova data, e passaram a fazer brincadeiras com os radicais, enviando-lhes presentes estranhos ou convites de festas que não existiam.Tais brincadeiras causaram dúvidas sobre a veracidade da data, confundindo as pessoas, daí o surgimento do dia 1º de abril como dia da mentira.

Aproximadamente duzentos anos mais tarde essas brincadeiras se espalharam por toda a Inglaterra e, consequentemente, para todo o mundo, ficando mais conhecida como o dia da mentira. Na França seu nome é “Poisson d’avril” e na Itália esse dia é conhecido como “pesce d’aprile”, ambos significando peixe de abril. No Brasil, o primeiro Estado a adotar a brincadeira foi Pernambuco, onde uma informação mentirosa foi transmitida e desmentida no dia seguinte. “A Mentira”, em 1º de abril de 1848, apresentou como notícia o falecimento de D. Pedro, fato que não havia acontecido.

Walt Disney criou uma versão para o clássico infantil Pinóquio, dando ênfase à brincadeira, mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas. Ziraldo, um escritor brasileiro da literatura infanto-juvenil, também conta histórias sobre as mentiras, através do tão famoso personagem, o Menino Maluquinho. Em "O Ilusionista", Maluquinho descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.

Pregar mentiras nesse dia é uma brincadeira saudável, porém o respeito e o cuidado devem ser lembrados, para que ninguém saia prejudicado, afinal, a honestidade é a base para qualquer relacionamento humano.


Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

Moreira da Silva




Antônio Moreira da Silva (Rio de Janeiro, 1 de abril de 1902 — Rio de Janeiro, 6 de junho de 2000) foi um cantor e compositor brasileiro, também conhecido como Kid Moringueira.

Filho mais velho de Bernardino de Sousa Paranhos, trombonista da Polícia Militar e de dona Pauladina de Assis Moreira.

Carioca da Tijuca, criado no Morro do Salgueiro, só iniciou os estudos aos nove anos, mas abandonou a escola aos onze anos, quando o pai falaceu. Foi empregado de fábricas, tecelagens e chofer de praça e de ambulância.

Considerado o criador do samba-de-breque, Moreira da Silva iniciou sua carreira em 1931, com Ererê e Rei da Umbanda. Em 1992, foi tema do enredo da escola de samba Unidos de Manguinhos. Em 1995 gravou "Os 3 Malandros In Concert" com Dicró e Bezerra da Silva, aos 93 anos de idade.

Em 1996, foi tema do livro Moreira da Silva - O Último dos Malandros. Com 98 anos de idade, ainda se apresentava em shows.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A experiência física no acelerador de partículas - Por Celso Alvear

Vivemos a civilização da energia. A trilha da história daqui por diante passa por este assunto. Por isso resolvi fazer esta postagem um tanto longa para um blog e que trata de um fato relevante para a física da partícula e para o trato com altas concentrações de energia. Daí muitas respostas para o futuro tanto em termos de energia quanto da matéria. Matéria significa materiais e, portanto, tecnologia e esta progresso material (ou concentração de renda).

Trata-se da experiência feita nesta semana no espetacular Colisor de Hádrons em Genebra. O texto foi preparado, a meu pedido e exclusivamente para os blogs da região pelo Professor Celso Alvear, um físico téorico, com doutorado na Inglaterra e pós na Itália, autor de inúmeros ensaios sobre partículas na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Amanhã publicarei uma pequena parte, também escrita por ele sobre ciência e religião. Isso é importante, dada a tendência de muita gente querer traduzir escritos regiliosos através de publicações científicas.

A notícia dos jornais:


GENEBRA - O Grande Colisor de Hádrons (LHC) bateu um novo recorde nesta terça-feira. O acelerador de partículas conseguiu produzir a colisão de dois feixes de prótons a 7 Tera elétron-volts (7 Tev), provocando cerca de 30 colisões nucleares por segundo. Estes choques - que atingem uma temperatura 100 mil vezes superior à do Sol - desencadeiam o surgimento da matéria. Seu estudo permitirá a solução de inúmeros enigmas, como a definição do que compõe 95% da massa do Universo.


O equipamento, cuja construção custou aproximadamente US$ 10 bilhões foi desligado nove dias depois de seu lançamento, em setembro de 2008, por problemas de superaquecimento. O reparo custou mais US$ 40 milhões e o LHC retomou suas atividades em 2009. No fim do ano o equipamento já havia atingido a marca de 2,36 Tev , se tornando então o acelerador de partículas de energia mais alta do mundo.


Dez dias atrás, dois feixes de partículas começaram a percorrer, em direções opostas, o túnel oval, a uma energia de 3,5 Tev (três vezes maior do que o recorde registrado anteriormente).


Objetivos da experiência:


* Recriar condições próximas a formação do universo (Big Bang), segundo as teorias hoje aceitas.
* Encontrar o bóson de Higgs que poderia explicar a origem da massa das partículas conhecidas.
* Explorar o conceito físico de super-simetria que exploraria o fato da matéria visível representar apenas 4% do universo. O restante consiste de 23% de matéria negra e 73% de energia negra.


O histórico da experiência e detalhes teóricos:


Nos últimos 100 anos, os cientistas tem aprofundado seus conhecimentos sobre os constituintes da matéria. Os primeiros passos vieram com as investigações de Thomson sobre o elétron ao final do século 19. Então, no início de 1900, Ernest Ruteford ejetou partículas alfa ( núcleos contendo 2 protons e 2 neutrons) em átomos de ouro a fim de sondar a estrutura do núcleo. Atualmente, os físicos usam aceleradores de partículas para levar estas partículas até velocidades próximas à velocidade da luz antes de colidi-las com outras partículas.


Esses aceleradores cresceram no laboratório e atualmente são construídas em enormes túneis subterrâneos do tamanho de uma pequena cidade. As energias das partículas permitem aos cientistas recriar as condições que existiam perto do início do Universo. Desta forma, eles são capazes de detectar algumas das partículas que existiam antes da ´sopa primordial´ do Universo ter esfriado suficiente de modo a permitir que essas partículas se ligassem para se tornar o que hoje encontramos na natureza. O uso destes aceleradores levou a descrição atual da estrutura de prótons e nêutrons baseado na teoria dos quarks, que os físicos desenvolveram para explicar a existência dos mesmos.

Como funcionam os aceleradores?


Em um acelerador linear, os elétrons passam por uma série de eletrodos. Para os elétrons serem mantidos acelerados eles devem estar sempre deixando um eletrodo negativo e em direção a um positivo. Por conseguinte, as tensões sobre os eletrodos têm de ser mudadas assim que os elétrons passam por cada um deles, ou seja, B tem que se tornar negativo em relação a C e assim por diante.



Os elétrons estão viajando perto da velocidade da luz (300,000 km/s). Assim, as tensões devem ser trocadas muito rapidamente. A frequência da tensão alternada é de algumas centenas de kilohertz (uma freqüência de rádio). Observe que eletrodo D está a uma distância maior do eletrodo B. Isso ocorre porque os elétrons estarão mais rápidos no tempo que eles atingirem D. Então, se eles vão levar o mesmo tempo entre C e D, o percurso tem que ser mais longo.


O maior acelerador linear de Stanford, na Califórnia no E.U.A.. tem 3 km de comprimento e possui uma tensão de aceleração eficaz de apenas 30 de GV (trinta mil milhões de volts). Para obter mais aceleração os aceleradores deveriam ser gigantescos. Vamos ver como podemos acelerar (e manter aceleradas) partículas em um síncrotron usando uma distância muito menor.

Síncrotrons:


Síncrotrons são atualmente os aceleradores de partículas usados para a colisões de alta energia. Eles são extremamente flexíveis em suas aplicações. Elas podem ser usadas para partículas positiva ou negativa e para matéria e antimatéria.


O princípio do síncrotron é bastante simples - embora sua implementação não seja tão simples. A luz síncrotron é como um acelerador linear, que foi torcido em um círculo, formando uma espécie de forma de rosca. As partículas carregadas são forçadas a girar devido a ação de campos magnéticos perpendiculares a trajetória do feixe.

Cada vez que os prótons vão ao redor do círculo, os eletrodos os aceleram (assim como em um acelerador linear). As tensões sobre esses eletrodos têm que ser trocados constantemente ao longo de modo que os prótons estão sempre viajando de um eletrodo positivo para uma imagem negativa . No entanto, a taxa na qual as tensões são trocadas não pode ser constante. A medida que os próton são acelerados, eles gastam menos tempo entre os eletrodos. Assim as tensões têm que ser trocados mais rapidamente. Além disso, o campo magnético tem que ser maior porque uma maior força é necessária para manter os elétrons mais rápidos na mesma órbita.


Tanto o aumento da freqüência da tensão e aumentar o campo magnético têm de ser sincronizados com os prótons de alta velocidade. Assim, este acelerador é chamado um síncrotron.


A busca por novas partículas:


O objetivo de aceleradores de partículas é sondar mais profundo e mais profundo no assunto. Às vezes, os pesquisadores estão tentando encontrar novas partículas que têm sido propostos pela teoria. Quando as partículas de alta energia colidem em um acelerador, eles se quebram e formam novas partículas .

Os físicos monitoram as trajetórias das partículas que são produzidas na região das colisões .



Observe que algumas das faixas são curvas. Estas são as faixas de partículas carregadas que se movem através de um campo magnético. A partir da curvatura das pistas, os físicos podem detectar os diferentes tipos de partículas. Eles podem então deduzir quais partículas fizeram as outras trajetórias. Às vezes, eles têm de realizar milhares de experiências antes da colisão desejadas acontecerem. Eles usam computadores para analisar os resultados e descartar aquelas que não mostram nada de novo.


Uma das razões para a utilização de grandes quantidades de energia é tentar transformar essa energia em novas partículas massivas. No início do século 20, Alberto Einstein mostrou que massa e energia são equivalentes e estão relacionadas pela equação E = mc2


Quando duas partículas colidem entre si, eles vão quebrar e muitas vezes formam novas partículas. Surpreendentemente, as novas partículas podem às vezes ter uma massa maior que as partículas originais. Isso acontece porque parte da energia da colisão se tornou parte da massa das novas partículas.


Isto é como disparar um ovo contra um outro e produzir um omelete de três ovos (as energias combinadas cinética dos ovos teria de ser enorme - o equivalente à massa de um ovo extra multiplicado pela velocidade da luz ao quadrado - cerca de 10 16joules ).


Por exemplo, a teoria da força fraca inclui partículas chamadas partículas de campo W. Estas partículas têm uma massa cerca de 90 a 100 vezes a de um próton. Na natureza, elas existem como partículas virtuais por um tempo extremamente curtos durante um decaimento beta (quando um nêutron se transforma em um próton). O desafio para os físicos, foi para tentar criar estas partículas como partículas reais em um acelerador. Eles fizeram isso colidindo prótons com antiprótons usando enormes energias.


Utilizando alvos se movendo em direções opostas, eles foram capazes de aumentar a energia da colisão. Assim, na analogia de ovo, se a energia dos ovos é dobrada então seria possível produzir uma omelete de quatro ovos.


A energia cinética na colisão teve de ser equivalente à massa-energia das partículas W. Eles conseguiram produzir W (e Z) partículas no início de 1980. Isto confirmou a teoria de que havia previsto sua existência e para uma melhor compreensão da física de partículas.


A razão pela qual se busca uma energia tão grande no LHC é porque agora eles estão em busca de uma partícula muito mais evasiva.


O boson de Higgs:


O bóson de Higgs foi predito primeiramente em 1964 pelo físico britânico Peter Higgs, trabalhando as idéias de Philip Anderson. O bóson de Higgs é uma partícula elementar escalar com massa entre 115 e 150 GeV/c2 , sendo a única das partículas, previstas pelo modelo padrão da física, ainda não detectada até o momento.


(O modelo padrão da física de partículas é uma teoria que descreve as forças fundamentais fortes, fracas, e eletromagnéticas, bem como as partículas fundamentais que constituem toda a matéria. Desenvolvida entre 1970 e 1973, é uma teoria quântica de campos, consistente com a mecânica quântica e a relatividade especial. Para demonstrar sua importância, quase todos os testes experimentais das três forças descritas pelo modelo padrão concordaram com as suas predições)


Sua detecção experimental poderia explicar a origem da massa no universo. O bóson de Higgs explicaria a diferença entre o fóton, sem massa, que media o eletromagnetismo, e os bósons massivos W e Z que mediam a força fraca. Caso ele exista, terá um efeito enorme no nosso mundo. Até hoje, nenhuma experiência detectou diretamente a existência do bóson de Higgs, mas já existe alguma evidência indireta de sua existência.

Musa

Não peço a deus um tostão
mas confesso já chorei
por seu corpo

nunca vem,
nunca se desencanta
da rachadura da parede.

Perdi minha moeda faz tempo
desde então a mesma montanha
sobre o teto.

Um peso horrível,
uma assombração.

Seu perfume bebo todas as manhãs
penso que é água mas é das nuvens.

Seu rosto é redondo ou oval
um ovo de páscoa na poncheira.

Seu colo lânguido fugidio
para não esquecermos
Casimiro de Abreu.

Eu me planto na varanda
olhando novas andorinhas
com seus gravetos nos bicos
atentas às minhas rugas da testa.

"tão moço, mas já tem 44..."

Não sei o que essas andorinhas
nesta hora da noite têm a ver
com meu silêncio
e com minhas rugas.

Estou envelhecido,
certamente.

Mas as musas não, ora.
Suas saias esvoaçantes.

Seus collants,
ocasiões especiais.

Seus batons,
bem, seus batons
são demais.

Passagem

Sinceramente o duende
meteu-se floresta adentro.

Encantou-se.

Aquele odre de vinho
aquela longa fileira
de açúcar

aqueles uivos
aquelas vidraças quebradas

distante dos meus olhos
toda epifania triste.

Assopro para longe a formiga
sem que lhe afogue a alma
na privada.

Basta que o vento
ensine ao seu frágil abdome
cuidado com os azulejos do banheiro.

"Sonho Domado" - Thiago de Mello

Sonho Domado

Sei que é preciso sonhar.

Campo sem orvalho,
seca a frente de quem não sonha.

Quem não sonha o azul do vôo
perde seu poder de pássaro.

A realidade da relva
cresce em sonho no sereno
para não ser relva apenas,
mas a relva que se sonha.

Não vinga o sonho das folhas
se não crescer incrustado
no sonho que se fez árvore.

Sonhar, mas sem deixar nunca
que o sol do sonho se arraste
pelas campinas do vento.

É sonhar, mas cavalgando
o sonho e inventando o chão
para o sonho florescer.

Biografia
Thiago de Mello é o nome literário de Amadeu Thiago de Mello, nascido a 30 de março de 1926, na cidade de Barreirinha, no coração do Amazonas. Em Manaus, capital do Estado, fez seus primeiros estudos. Mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ), onde cursou a Faculdade de Medicina até o quarto ano. Acabou optando por deixar os estudos médicos e dedicou-se à poesia.


Conhecido internacionalmente por sua luta em prol dos direitos humanos, pela ecologia e pela paz mundial, o autor foi perseguido pela ditadura militar implantada no Brasil em 1964. Foi obrigado a deixar sua terra, tendo se exilado no Chile, até a queda de Salvador Allende. Seus trabalhos foram publicados no Chile, Portugal, Uruguai, Estados Unidos da América, Argentina, Alemanha, Cuba, França e outros mais. Traduziu para o português obras de Pablo Neruda, T. S. Elliot, Ernesto Cardenal, César Vallejo, Nicolas Guillén e Eliseo Diego.

Algumas obras do autor:
Poemas: Silêncio e Palavra, 1951 Narciso Cego, 1952 A Lenda da Rosa, 1956 Vento Geral, 1960 (reunião dos livros anteriores e mais dois inéditos: Tenebrosa Acqua e Ponderações que faz o defunto aos que lhe fazem o velório)Faz Escuro, mas eu Canto, 1965A Canção do Amor Armado, 1966Poesia comprometida com a minha e a tua vida, 1975Os Estatutos do Homem, 1977 (com desenhos de Aldemir Martins)Horóscopo para os que estão Vivos, 1984Mormaço na Floresta, 1984Vento Geral – Poesia 1951-1981, 1981Num Campo de Margaridas, 1986 De uma Vez por Todas, 1996


Prosa:Notícia da Visitação que fiz no Verão de 1953 ao rio Amazonas e seus Barrancos, 1957A Estrela da Manhã, 1968;Arte e Ciência de Empinar Papagaio, 1983Manaus, Amor e Memória, 1984Amazonas, Pátria da Água, 1991 (edição de luxo, bilíngüe (português e inglês), com fotografias de Luiz Cláudio Marigo).Amazônia — A Menina dos Olhos do Mundo, 1992O Povo sabe o que Diz, 1993Borges na Luz de Borges, 1993.

Discos:Poesias de Thiago de Mello, 1963Die Statuten des Menschen. Cantata para orquestra e coro. Música de Peter Jansens, 1976Thiago de Mello, Palabra de esta América. Casa de las Américas. La Habana, 1985Mormaço na Floresta. Locução do autor, 1986Os Estatutos do Homem e Poemas Inéditos, 1992.

Imagem
Google Imagens
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UM HOMEM CHAMADO JESUS por Rosa Guerrera





Um dia, um homem se dispôs a cumprir uma missão. A maior missão de amor e de verdade que até hoje o mundo conheceu.
E muita gente não aceitou sua proposta em construir nos mínimos detalhes uma passagem para que o amor sempre prevalecesse.
E foi zombado, caluniado, preso e crucificado. Mas por onde andou, onde pregou a sua Missão, todas as suas sementes lentamente se espalharam, germinaram, e brotaram muitos e muitos frutos.
E assim, depois de morto, esse Homem conseguiu o milagre da ressurreição desse amor que tanto pregou aos mais endurecidos corações.
Já se vão dois mil anos que isso aconteceu! E infelizmente o sofrimento e a angustia ainda perduram em muitos corações sem Fé .
Talvez por isso tenha sido escolhida uma data no calendário para que se festeje a Páscoa!
Não essa Páscoa com coelhinhos e ovos, não essa Páscoa com envios de cartões coloridos e votos repetidos. Mas a Páscoa Ressurreição. A Páscoa que traz no seu verdadeiro significado, a finalidade de fazer renascer em todos os corações o amor abafado, a amizade e o companheirismo necessário a uma vida melhor e mais digna.
Que juntos possamos pensar melhor no sentido da missão Daquele Homem que não relutou em dar a sua própria vida para a construção de um mundo com mais VERDADE e mais Amor!
Um homem chamado Jesus!


Pensamento para o Dia 31/03/2010



“Atualmente, busca-se a educação para garantir um meio de subsistência. O empenho de muitos pais e filhos é para o aprendizado de algumas habilidades que resultem em um bom emprego em uma empresa, com um salário decente. Evidentemente, o homem precisa viver, e viver confortavelmente. Assim, é necessário que se domine alguma habilidade. Mas o homem precisa de coisas muito mais gratificantes, muito mais essenciais do que conforto. Ele deve ter fé em si mesmo para que possa respeitar a si mesmo. Essa confiança no Eu Superior (Atma Vishwasa) encontra-se na origem do contentamento.”
Sathya Sai Baba

COMPOSITORES DO BRASIL


ZÉ CLEMENTINO

Por Zé Nilton

Um dos sites mais respeitados sobre MPB – o Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira – deixa a gente querendo saber mais sobre nosso ilustre vizinho, ali de Várzea Alegre, o compositor José Clementino do Nascimento Sobrinho, ou como todo bom artista que não tem medo de cair na boca do povo, e de ver seu nome pichado no muro da popularidade, assume-se como Zé Clementino, assim como Francisco Buarque de Hollanda igualmente se assume como Chico Buarque.

Pois bem, quase não se fala do valor desse menestrel da terra do arroz, responsável pela volta à sonoridade de um dos maiores artistas da música brasileira de todos os tempos, o insubstituível Luiz Gonzaga.

O grande Zé Clementino nasceu no sítio Juzeirinho, distrito de Canindezinho, no município de Várzea Alegre, no dia 02 de fevereiro de 1936.

Morou em Crato quando trabalhou na agência local do INSS. Por aqui o compositor sem dúvida desenvolveu sua maestria na arte de letrista e compositor nos encontros com o (do banco) Hildelito Parente e o folclorista Correínha.

Uma vez, lá pelos meus 16 anos, contínuo de “A Cratense”, de Euclides Francelino de Lima, estive frente a frente com Zé Clementino, quando este fazia um jovem experimentar uma sanfona de 120 baixos. Estava acompanhado do Sr. Hélio Barros, irmão de dona Neném Barros, esposa do Sr. Euclides. Nunca me passou pela cabeça ter atendido o homem que mais tarde praticamente reabilitou para a vida artística o excelente Luiz Gonzaga.
Mais de 200 músicas gravadas, eis o acervo de Zé Clementino. Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino (de quem era amigo de Lindolfo), Zé Nilton, o forrozeiro... e muitos novatos da MPB gravaram suas músicas.

Lembro-me do Padre Vieira, outro ilustre varzealegrense, dizer da simpatia e da singularidade musical de Zé Clementino. A música “o jumento nosso irmão” concretizou o sonho do padre mestre em criar a confraria do jumento. Grandes autoridades foram agraciadas com títulos do “CLUBE MUNDIAL DOS JUMENTOS – PRIMA COCHEIRA IGUATUVINA”, criado pelo magnífico Pe. Antonio Vieira. Um diploma em latim subscrevia a status do agraciado numa sequencia que ia de asinus minor, a asinus medius chegando a asinus máximo. Dizia o texto do diploma:

“Ego, Pater Antonius Vieira, Primus et Maximus Fundator et Praesidens Clubis Jumentorum, admitto, ut Frater in Cocheira Nostra Iguatuvina, Jumentum... (o nome do agraciado) post accuratum examem suas qualitates asininas et jumentinas. Etiam concedo jus universale et aeternum pascendi, ornejandi, excoiceandi, atque vacandi per totum territorum brasiliense, sine bronca aliorum animalium. Datum et passatum, ad perpetuam rei memoriam, in nostra iguatuvina civitate, anno MCMLXVI”.

Sábios e loucos esses varzealegrenses de hoje e de sempre.

Nesta quinta feira vamos homenagear o grande compositor brasileiro Zé Clementino, apresentado pelo seu conterrâneo, o folclorista e diretor de um dos blogues mais visitados do Cariri, o Blog do Sanharol, afiliado do Blog do Crato, Antonio Alves de Morais, ao mesmo tempo em que ouviremos um pouquinho de seus grandes sucessos, na sequencia:

Estou roendo sim, de Zé Clementino, com Trio Nordestino
Eu sou do banco, de Zé Clementino e Hildelito Parente, com Dominguinhos.
Não deixo não, de Zé Clementino, com Trio Nordestino.
O jumento nosso irmão, de Zé Clementino e Luiz Gonzaga, com Luis Gonzaga.
Capim Novo, de Zé Clementino, com Luiz Gonzaga
Chinelo de Rosinha, de Zé Clementino, com Trio Nordestino.
Contrastes de Várzea Alegre, de Zé e Paulo Clementino, com Luiz Gonzaga.
Fazenda corisco, de Zé Clementino, com Dominguinhos.
Xote Dos Cabeludos, de Zé Clementino, com Luiz Gonzaga.
Mais uma dose pros cabeludo, de Zé Clementino, com Zé Nilton
Contrastes de Várzea Alegre, de Zé Clementino, Luiz Gonzaga.

Quem ouvir, verá!
Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas de 14 às 15 horas
Apoio Cultural: CCBN.

Caldeirão das Artes



Hoje, dia 31 de Março, as 20 horas, na comemoração de aniversário de 10 anos do Teatro do SESC Emiliano Queiroz, será apresentado o espetáculo convidado “Navalha na Carne” (SP), dramaturgia de Plínio Marcos com Gero Camilo, Gustavo Machado e Paula Cohen

Após o espetáculo, às 22 horas, teremos a festa de aniversário de 10 anos do Teatro SESC Emiliano
Queiroz com coquetel e show do grupo Dona Zefinha.

Entrada Franca!!!

Reflexo
- Claude Bloc -



Revejo-me no teu olhar
uma e outra vez
tento procurar-me
em ti
mero reflexo de mim mesma.

Quem sabe eu não seja para ti
o que eu gostaria de ser
aquela por quem gritas de desespero
e que te percorre nas veias.
quem sabe?

Talvez, talvez, quem sabe
eu seja para ti,
apenas
aquilo que eu me vejo em ti,
esse simples reflexo,
um simples reflexo de mim mesma.


Claude Bloc

La Fontaine - Colaboração de Glória Pinheiro

Jean de La Fontaine (1621-1695) nasceu na França, numa família que não chegava a ser rica, mas tinha posses. O pai queria que ele fosse advogado. Mas alguns mecenas (homens ricos e nobres que patrocinavam os artistas) se interessaram por ele. Assim, La Fontaine pode se dedicar a carreira literária. Os livros de literatura adulta não sobreviveram. Suas fábulas, entretanto, escritas em versos elegantes, deram-lhe enorme popularidade. "Sirvo-me dos animais para instruir os homens", dizia. Os animais simbolizavam os homens, suas manias e seus defeitos.

La Fontaine reeditou muitas das fábulas clássicas de Esopo, o pai do gênero. Da vida de Esopo, pouco se sabe. Provavelmente viveu na Grécia no Século VI a.C.. Ele seria escravo, corcunda e gago. Teria sido executado por haver cometido o crime de blasfêmia. Suas fábulas são curtas, bem humoradas e trazem sempre uma moral no final.

As mais famosas são: "A gansa dos ovos de ouro" (e não a galinha), e "A lebre e a tartaruga".

A reunião geral dos ratos

Uma vez os ratos que viviam com medo de um gato, resolveram fazer uma reunião para acabar com aquele transtorno. Muitos planos foram discutidos e abandonados. No final, um rato jovem levantou-se e deu a idéia de pendurar uma sineta no pescoço do gato, assim, sempre que o gato chegasse perto eles ouviriam a sineta e poderiam fugir correndo. Todo mundo bateu palmas. O problema estava resolvido. Vendo aquilo, um rato velho que tinha ficado o tempo todo calado levantou-se de seu canto. O rato falou que o plano era muito inteligente, que com toda certeza as preocupações deles tinham chegado ao fim. Só faltava uma coisa: quem iria pendurar a sineta no pescoço do gato?
Moral: Inventar é uma coisa, fazer é outra.


Fonte: http://www.portaldascuriosidades.com/

Filó Machado



http://www.filomachado.com.br/

Compositor, instrumentista, cantor, arranjador e produtor.
Nascido em Ribeirão Preto em 3 de fevereiro de 1951.
Aos dez anos começou a atuar em grupos de baile, como New Boys, Acadêmicos de Marília, Birutas do Ritmo e Conjunto Icaraí.

Fez turnê por todo o Canadá com o show "Rendez-vous Brésil Cuba" ao lado de Jane Bunnet, Celso Machado, Hilário Duran, Carlito Del Puerto e Larry Crammer.
Em 1997 assinou a direção musical e os arranjos do CD "Vocalise" do grupo A Três, com produção de Jun Itabashi (Bossanovalogia). Também produziu e fez arranjos do CD "Num Tom Delicado", de Bia Mestriner.

Em 2004 dividiu o palco do Sesc Pompéia com Johnny Alf, Alaíde Costa, Carmem Costa e José Domingos num show em homenagem à "Noite Paulista".
Acaba de lançar pela gravadora Maritaca, com produção de Léa Freire, o CD "Jazz de Senzala", com as participações de Toninho Horta, Arismar do Espírito Santo, Théo de Barros, Teco Cardoso, Vinicius Dorin e Thiago do Espírito Santo, além da própria Léa Freire.
Em 2005 lançou pela gravadora Lua Music em parceria com a cantora Cibele Codonho o CD “Tom Brasileiro”. Fez uma tournée pelo Japão, se apresentando nas cidades de Tókio, Nagoya, Osaka, Yamagata, Rathinohe.
Em 2006 Filó Machado volta a fazer uma tournée ao lado de Tetsuo Sakurai (baixista do Cassiopéia) por várias cidades do Japão. Em seguida, se apresentou encerrando o Festival Internacional de Quito, Equador, no mesmo Festival se apresentaram John Arbecombie, Rosa Passos e Nico Wayne.

Nicodemos coleciona nuvens , e isso é maravilhoso ! - por Socorro Moreira


Nicodemos coleciona nuvens .... Ah, se eu soubesse disso um pouco antes de hoje!
Tenho tantas na memória , e posso vê-las , nas viagens interiores .Imagens fugazes, que a gente não procura ... Surgem do nada , e se desmancham, antes que possamos retratá-las . Meu olhar sempre se perdeu entre elas . Esse costume foi se firmando até compor um filme de longa metragem.Os personagens humanos, mitológicos, flores, animais são inonimados, mas totalmente animados por condições inexplicáveis.
Quer saber? Eu vejo você , o tempo todo, nas nuvens do meu céu!
Nas tardes de mormaço eu te sopro devagar ; nos dias azuis , ensolarados, eu te chamo baixinho; e nos dias bonitos pra chover, eu espero o relãmpago e a chuvarada dos teus pensamentos, que às vezes me alcançam, mesmo quando não conhecem o endereço do meu ninho.
Tenho uma coleção de nuvens, como o Nicodemos , e nelas encontro sempre o teu sorriso, e uma palavra, nos escritos, que eu teimo em descobrir a língua.

A madrugada de ontem - por Socorro Moreira

A prosa foi crescendo, crescendo, despropositadamente, e desejou ser manhã. Pediu café pra não adormecer pensamentos. Uma roda pequena de grandes figuras : Nocodemos, Rogério, Gaby, Dihelson , Aucy, e eu na escuta , interferindo com lembranças musicais , e um tom de desafino. É que viajo , e me acho, nas discussões que me embalam.
Olha que parecia uma lombra de vinho, de wisque de um ópio qualquer, imaterial. Todo mundo no café com bolo, e as conversas conectadas com o resultado dos nós.
daria pra reproduzir ou comentar, se eu pudesse tocar essa canção que continua omissa e misteriosa.

Alô, alô pessoal... O dia já começou. Tem lasanha gelada , que a noite do ontem deixou.
Zé do Vale, Claude, Magali e Carlos ( tão perto da gente)... Por que o encontro nunca pode ser com toda gente ?
Em Julho ? Oxalá !

Correio Musical

O encontro de Sofia com o mundo - por José do Vale Pinheiro Feitosa

O olhar de Sofia contém o movimento do mundo. Quando fazemos algo e rapidamente ela se vira seus olhos dizem de contradições, misturas, sínteses e uma doçura misturada a uma curiosidade quase perplexa. Têm tanto brilho aqueles olhinhos pretos que desmancha todos os conceitos e preceitos sobre a vida. Tipo assim o preto como opositor do branco ou representante do escuro que contradiz o brilho.

É a forma de Sofia se encontrar no mundo. Que não é a mesma coisa de ela viver. Este é a mistura entre nós e o mundo. Já se encontrar no mundo é a forma de nos identificarmos como algo próprio. Não se trata apenas da individualidade solitária, mas da individualidade ao encontro do mundo e suas circunstâncias.

Sofia e penso que todos, têm um modo de se encontrar no mundo. Este modo se compõe de ligações permanentes que ao mesmo tempo em que nos conecta ao mundo, nos promove o desejo de modificá-lo. É o encontro de canal duplo, um que vai ao encontro do mundo como ele e outro que extrai do mundo o que ele poderia ser de diferente.

Por isso mesmo os conceitos, as normas e as visões são todos mutantes ou objetos misturados de outros. E quando Sofia nos dirige o olhar tudo isso se encontra nele. Esta fluidez da sentença. Aquele derreter do juízo final. E tudo isso já embutido do próprio amolecimento do que se diz. Mas mesmo assim não retornaria ao estado de solidez. De congelamento permanente no cosmo.
Mas o que faz Sofia se encontrar no Mundo? Agora e pode ser que por outras vias com pessoas distintas. Pois bem, falando de agora, este encontrar-se no mundo de Sofia é a mãe e o pai. Esta com maior intensidade. Afinal é no útero da mulher que o indefinido se define. Que ele se torna parte do mundo, ou melhor, se encontra no mundo.

A primeira ponte verdadeira entre Sofia e o mundo foi seu cordão umbilical com a mãe e desta com o mundo em geral. Mas considere-se que ambas, mãe e filha, já se encontravam no mundo nesta fase. Este mesmo cordão que depois se transpôs ao peito, à mamadeira, às mãos que limpam e ao colo que aquece.

Ontem à noite este simbólico do encontrar-se no mundo de Sofia se pôs em prática. Ela, nos braços do avô, choramingando: mamãe, mamãe, papai, papai. Sofia agasalhada ao colo do avô, ali adormecia, mas acordava em busca do seu encontrar-se no mundo.

Para os meus amigos poetas ... - por Socorro Moreira

Notívagos irmãos, a madrugada nos clama , e nos agrega , num verso não dito, desfazendo todos os malditos pensamentos de solidão e esquecimento.
Gosto quando o sono me domina, e toma conta do meu corpo... Entro num campo literalmente onírico , onde o real deixa de ser, e o imaginário encontra razão pra viver.
Mas, até nessas circunstâncias diárias não me pertenço, p0rque me entrego aos encantamentos. E o meu coração " uruculado" , volta a bater descompassado...
Tem gente que é um céu e um punhado de estrelas, no nosso sentimental. Tem gente que nos fantasia de lua, sendo o sol da meia-noite ... É flor , em todos os momentos , mesmo doando a semente do amor.
Nem vou reler o que escrevi, pois meu lado babaca se esconderia ... Claro !
Ontem ouvi de Nicodemos uma frase mágica, que completei numa impulsiva sintonia :
"Não desnude o platonismo do meu amor "cratônico". A poesia reina , gosta de uns bocados de versos extras... Do contrário, me limitaria a não ter nenhum dos sentidos, exceto o próprio sentir perpetuário !

Se um dia eu me achar no limbo das almas perdidas, quero achar por lá : Zé do Vale, Domingos, Claude, Nicodemos... e os poetas amigos, que descobri por cá !

Nesse 31 de março, deixo o meu sentimento revolucionário , porque aprendi a não parar de navegar .

"Abraço apertado, suspiros dobrados... "

Help.

Programa Instrumental & Qual - O Som da Terra nº 7 recheado de sons brasileiros


Todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas, os aficionados por música instrumental têm encontro marcado com o Instrumental & Qual – O Som da Terra, programa especializado no ramo, cuja característica é a diversificação no tocante a gêneros, ritmos, tendências e origens. Mas, cada vez mais, o programa dá destaque à música brasileira por acreditar na excelência dos compositores e músicos aqui surgidos. Das quinze músicas selecionadas para o programa desta quarta, dia 31 de março, nada mais nada menos do que onze são brasileiras ou executadas por músicos brasileiros. Isso é apenas um dos sintomas que indicam que a música brasileira é uma das mais ricas e apreciadas do mundo.

Salve o Brasil! Salve a música brasileira!


Roteiro musical

1. Abertura: Head For Backstage Pass (Wilbur Bascomb), com Jeff Beck
2. Honeysuckle Rose (F. Walter e A. Razart), com Toots Thielemans
3. Saudade da Bahia (Dorival Caymmi), com Raul de Barros
4. Mestre Bimba (Luiz Eça, Bebeto e Hélcio Milito), com Michel Legrand
5. La Mer (C. Trenet e Bretton), com Ray Conniff
6. Pedacinho do Céu (Waldir Azevedo)
7. La Cumparsita (Paulo Moura)
8. Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), com Orquestra Tabajara
9. Água de Beber (Tom Jobim e Vinícius Moraes), com Quarteto Maogani
10. Perto do Céu (Ulisses Rocha)
11. Amigo (Lula Cortes e Lailson)
12. O Passeio da Boa Vista (Dado Villa-Lobos e Renato Russo), com Legião Urbana
13. Malacaxeta (Pepeu Gomes), com Pepeu e Armadinho
14. Maria Bonita (Agustin Lara), com Orquestra Super OARA
15. Encerramento: Mr. Funky Samba (Jamil Joanes), com Banda Black Rio

O programa Instrumental & Qual é transmitido às quartas-feiras, 14 horas, pela Rádio Educadora do Cariri AM 1.020 e Internet (cratinho.blogspot.com), e retransmitido pela Web-Rádio Chapada do Araripe (http://www.chapadadoararipe.com/), às sextas-feiras, 21 horas.

Fique ligado!

Ficha Técnica
O programa Instrumental & Qual – O Som da Terra é uma produção das Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA) e revista virtual Cariricult, com apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste em parceria com a Rádio Educadora do Cariri AM 1.020.
Redação e programação musical: Luiz Carlos Salatiel, Dihelson Mendonça e Carlos Rafael Dias.
Apoio logístico: Guilherme Farade e Amilton Som - CDs, DVs e Acessórios.
Apresentação: Carlos Rafael Dias.
Operador de Áudio: Iderval Silva.
Operador de transmissão: Iran Barreto.
Gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri: Lenin Falcão.
Diretor da Rádio Educadora do Cariri: Geraldo Correia Braga.

Acordando - a Domingos Barroso por José do Vale

Que no primeiro tremor dos cílios,
Assim que os ruídos vierem do exterior,
E as luzes já forem deste mundo,
Eu queria ser como o Domingos Barroso.

Acordado,
E declarando ao mundo que nada tenho,
Nem posses, troços, paredes e telhados.

O teu sorriso não é meu,
Este colorau do teu coração também,
Nem a placenta da minha embriogênese.

Sabe aqueles minutos de loteria,
Que pingam chances remotas,
Estão no cesto da posse pública.

Pois como dizia,
Eu queria ser como Domingos Barroso,
Dizendo-me desprovido de posses.

Só para poder falar de tudo,
Do silêncio e segredo do relicário,
Do vazio que nem mundo o é.

Nem experiências para descobrir o Big-Bang.