Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quarta-feira, 7 de julho de 2010

" O ser integral conhece sem ir,
ver sem olhar
e realiza sem saber".

( Lao-tsé)

É NECESSÁRIO QUE HAJA UMA REAÇÃO – Por Pedro Esmeraldo

Quando nós, simples eleitores, forçados pela lei eleitoral, somos obrigados a comparecer às urnas a fim de escolhermos nossos representantes quer sejam legislativos, quer sejam executivos, esperamos com galhardia e confiança que todos cumpram fielmente os seus compromissos assumidos com fidelidade durante a campanha eleitoral.

Ocorre, portanto que a maioria desses cidadãos esquece de satisfazer as suas obrigações e passa a não executar com fidelidade as promessas postas em práticas durante o período da manobra política.

Por essa razão, esquecem os políticos que o povo não procura mais satisfazer seus agrados e passa a cobrar valores representado por moedas ou papel com a finalidade de eleger um ou mais indivíduos de sua confiança.

Ultimamente, nós os cratenses, sofremos com a síndrome do pânico, pois por motivos alguns ficamos apavorados por causa do desmantelo desses políticos, já que quase todosnão íêerrHníeresses de trabalhar por esta cidade.

Nesse momento, estamos convencidos que há uma horda de aventureiros que se beneficia e nem sequer procura solucionar os problemas da cidade, por mais simples que sejam.

Não possuem coragem de enfrentar a luta. Preferem viver na maré mansa sem levantar ao menos uma palha em defesa do povo. A maioria deles é clientelista e tem a prática de oferecer privilégio a sua clientela com o intuito de beneficiar-se eleitoralmente e por isso esquece de satisfazer a maioria de seus eleitores.

Alguns deles usam viseiras, não têm o costume de olhar para frente, não enxergam um palmo diante do seu nariz. São molengas, não reagem ás intempéries da insalubridade e esperam que venha tudo naturalmente. São subjetivos, se possível entregam facilmente a nossa cidade aos abutres que vêem de fora. Não pensam em lutar pela terra comum, afastam-se ceieremente das encruzilhadas perigosas, cruzam os braços durante a luta e deixam tudo ao Deus dará. Recordamos a falta de apoio que eles não deram ao Crato quando da vinda do Campo Universitário da UFC, visto que tiveram medo de entrar na luta ern defesa do Crato que caia na bancarrota.

Alegaram que não tinham representações políticas no Congresso Nacional, pois avisamos a esses homens locais que a representação política é o próprio povo e junto com ele poderíamos reagir às disparidades, pois, contraria o nosso desenvolvimento.

Não lutam com amor a terra, não reagem com forças contra a desigualdade comunitárista.
Observamos que a cidade está perdendo força e não pode avançar em suas pretensões no campo tecnológico de só erguer literalmente com bom humor, visto que andamos sem força para caminhar no campo sólido da igualdade e da prosperidade.

Olhemos para frente e vejamos o descaso da Ponta da Serra que é um simples distrito que quer se emancipar e que por sua vez vem nos prejudicar, pois não suportamos mais os seus arrufos, que nos envergonham há anos, já que alguns desses políticos são favoráveis a essa luta e se juntam a eles (os pontasserranos) para se movimentarem de corpo e alma e se dedicarem contra o Craío. Isto é uma vergonha, um crime de lesa a pátria.

Cratenses, tomem cuidados, não se deixem levar por essa camada de entorpecentes que vivem querendo enganar o povo com o intuito de angariar votos. Vamos tomar cuidado e partimos para frente porque esses políticos de mau bofe são semelhantes a pregos que só servem para levar pancadas na cabeça.
Crato - CE, 03 de Junho de 2010.

Serra e o genérico de Aécio - Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

Há muitas teorias para explicar a derrota da seleção na África do Sul. Dou a todas o crédito da minha ignorância. Qualquer uma é razoável; o fiasco brasileiro não constitui, provavelmente, a notícia mais enigmática destes dias. Acho mais intrigante o processo de escolha do vice na chapa de José Serra, que deu no deputado Índio da Costa (DEM-RJ). Recapitulando. Foi uma seqüência de rumores e balões de ensaio, de hipóteses e fórmulas mágicas, formando uma verdadeira escalação de futebol: Aécio Neves, Francisco Dornelles e Álvaro Dias; Jarbas Vasconcelos, Itamar Franco e José Roberto Arruda; Kátia Abreu e Tasso Jereissati; Valéria Pires Franco, (ex-vice-governadora do Pará), e Patrícia Amorim (presidente do Flamengo). Não pensaram no Belluzzo? É um time para Dunga nenhum botar defeito. Uns dias a mais e o próprio Dunga poderia ter sido cogitado. Aplaudiram-no em sua volta ao país; é popular; é sério; é realista; sua ficha, ao que consta, é limpa; veste-se com apuro, não gosta de demagogia e já não promete muita coisa. Ademais, Dunga não deve ter críticas à exploração do pré-sal, nunca falou em plebiscito sobre a pena de morte, e há de considerar radical demais a proposta de multar os cidadãos que dêem esmolas na rua. Três pontos que o tornam mais moderado, ou menos exótico, do que Índio da Costa. Multar quem dá esmolas! Em matéria de Estado policial, creio que nunca se imaginou ameaça tão severa contra as classes privilegiadas.
Brincadeiras à parte, o problema da escolha de um vice nunca é fácil de resolver. Há sempre a questão dos palanques estaduais, o tempo na TV, a composição com os demais partidos da aliança. Provavelmente, tudo ficou mais complicado para o PSDB por alguns motivos de ordem política e outros de ordem pessoal. Passo rapidamente pela questão política. A candidatura Serra hesita entre a identidade puramente oposicionista (Álvaro Dias reforçaria isso) e o perigo de confrontar-se com a popularidade de Lula. A situação partidária força uma aliança à direita (Dornelles e Kátia Abreu seriam os nomes adequados), mas o clima predominante é redistributivista e pró-Estado, e o próprio Serra se sente desconfortável quando levado a defender o oposto. O vice do tucano, assim, teria de ser precisamente alguém que não significasse nada, que não inclinasse a balança para nenhum lado. A questão não é apenas política, mas também pessoal. Fulano? Não suporta Serra. Beltrano? Serra não o engole. Ninguém é bom o bastante para que Serra o aceite, e ninguém é tão ruim que não possa rivalizar com ele.
Fico lembrando a velha história do casamento da Dona Baratinha, com fita no cabelo e dinheiro na caixinha, recusando um a um os pretendentes ao noivado. A mensagem psicanalítica do conto infantil não é outra senão a da fobia ao sexo; haveria em Serra, incrivelmente, algo como uma fobia à política, ou pelo menos à negociação política, à convivência política. Não o recrimino; talvez seja apenas um individualismo levado ao extremo. Tanto, que ele se dispõe a acumular o cargo presidencial com o de superintendente da Sudene, e não sei com que outro ministério. Imagino que gostaria também de ser o secretário do Planejamento e presidente do Banco Central. Se a escolha do vice foi tão espinhosa, como haveria de ser a montagem do ministério? Entendo melhor, assim, o estranhíssimo e desastrado conselho de Serra a Índio da Costa, recomendando-lhe que tivesse amantes, desde que com discrição. Traduzindo em termos políticos, Serra não acredita na fidelidade dos aliados, mas espera que não apareçam, que fiquem à sombra, que não existam.
Índio da Costa quase não existe. Olho suas fotos: é um belo rapagão moreno, não muito diferente de Aécio Neves, com a vantagem de não ser Aécio Neves. O enigma se dissolve: é como se ele fosse um similar, ou um genérico, de Aécio. Trata-se do remédio sem marca para os males de Serra. Famoso hipocondríaco, foi o tucano quem criou os medicamentos genéricos, e não por coincidência, nenhum nome próprio, nenhuma marca conhecida, nenhuma singularidade identificável pode subsistir ao lado de Serra. Surge então Índio da Costa, o vice de todos os vices, prontinho do laboratório. É só engolir.
Marcelo Coelho (Folha)

Peito Vazio- pérola da MPB

Para Ulisses Germano - por Socorro Moreira

estou no limbo poético
esperando a salvação da paixão
ela já não sabe me iludir
já vestiu todos os seus olhares
pra mim
agora , cega de brilho,
me espia  de óculos escuros,
e eu digo...
bons, aqueles tempos,
em que me consumias !

Correio Musical

Vivien Leigh

Vivien Leigh, Lady Olivier (nascida Vivian Mary Hartley; Darjeeling, 5 de novembro de 1913 — Londres, 7 de julho de 1967), foi uma famosa atriz e lady inglesa nascida na Índia (quando este país ainda pertencia ao Império Britânico), considerada uma das mais belas e importantes personalidades do século XX, presente na lista feita pelo Instituto Americano de Cinema das 50 maiores lendas do cinema.

Apesar de suas aparições no cinema terem sido relativamente poucas, Viv venceu o Oscar de melhor atriz duas vezes. A primeira vez foi interpretando Scarlett O'Hara em E o Vento Levou (1939), e a segunda foi interpretando Blanche DuBois em Uma Rua chamada Pecado (1951) (a mesma personagem que ela interpretara nos palcos da West End, em Londres).

Viv frequentemente fazia colaborações com seu marido, o também ator, e diretor Laurence Olivier. Durante mais de trinta anos como atriz de teatro, ela se mostrou bastante versátil, interpretando desde heroínas das comédias de Noel Coward e George Bernard Shaw às personagens dos dramas clássicos de Shakespeare.

Aclamada por sua beleza, ela sentia que isso às vezes atrapalhava o público de vê-la como uma atriz séria. Afetada por um distúrbio bipolar durante a maior parte de sua vida adulta, o humor de Viv era quase sempre não-entendido pelos diretores, e ela ganhou a reputação de ser uma atriz difícil. Diagnosticada com tuberculose crônica na metade da década de 1940, Viv se tornou uma pessoa enfraquecida a partir de então. Ela e Laurence Olivier se divorciaram em 1960; a partir daí, a atriz continuou a trabalhar esporadicamente no cinema e no teatro até sua morte súbita por tuberculose.

wikipédia

Cazuza



Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza (Rio de Janeiro, 4 de abril de 1958 — Rio de Janeiro, 7 de julho de 1990) foi um cantor e compositor brasileiro que ganhou fama como símbolo da sua geração como vocalista e principal letrista da banda Barão Vermelho. Sua parceria com Roberto Frejat foi criticamente aclamada. Dentre as composições famosas junto ao Barão Vermelho estão "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", "Pro Dia Nascer Feliz", "Maior Abandonado", "Bete Balanço" e "Bilhetinho Azul".

Cazuza tornou-se um dos ícones da música brasileira do final do século XX. Dentre seus sucessos musicais em carreira solo, destacam-se "Exagerado", "Codinome Beija-Flor", "Ideologia", "Brasil", "Faz Parte Do Meu Show", "O Tempo Não Pára" e "O Nosso Amor A Gente Inventa".

Cazuza também ficou conhecido por ser rebelde, boêmio e polêmico, tendo declarado em entrevistas que era bissexual. Em 1989 declarou ser soropositivo e sucumbiu à doença em 1990, no Rio de Janeiro.

wikipédia

Vittorio De Sica


Vittorio De Sica (Sora, 7 de julho de 1901 — Paris, 13 de novembro de 1974) foi um dos mais importantes diretores e atores do cinema italiano.

Como ator estreou em 1932, no filme Dois Corações Felizes. Como diretor sua estréia foi em 1939, com o filme Rosas Escarlates. Em 42 anos de carreira recebeu três prêmios Oscar de melhor filme estrangeiro: em 1946 por Vítimas da Tormenta, em 1948 por Ladrões de Bicicletas, e em 1971 por O Jardim dos Finzi-Contini.

É considerado o precursor do neorrealismo italiano e seu último filme foi A Viagem, com Richard Burton e Sophia Loren, e que estreou dias depois de sua morte, em Paris.

Como ator seus maiores sucessos foram Madalena, Zero em Comportamento, Pão, Amor e Fantasia, Meu Filho Nero, Adeus às Armas, Um Italiano na América e Coisas da Cosa Nostra.

Já como diretor, além dos filmes com os quais ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, Vittorio De Sica também se destacou pela direção de Umberto D., em 1951; Boccaccio 70, de 1962; Ontem, Hoje e Amanhã, de 1963; Matrimônio à Italiana, de 1964; e Os Girassóis da Rússia, de 1970.

Vittorio De Sica tinha prazer em trabalhar com atores como Marcello Mastroianni e Sophia Loren, seus amigos particulares, e os dirigiu em Ontem, Hoje e Amanhã, Matrimônio à Italiana e Os Girassóis da Rússia.
wikipédia

Virgulino Ferreira Lampião



Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião (Serra Talhada, 7 de julho de 1898 — Poço Redondo, 28 de julho de 1938), foi um cangaceiro brasileiro. O seu nascimento, porém, só foi registrado no dia 7 de agosto de 1900.

Uma das versões a respeito de sua alcunha é que ele modificou um fuzil, possibilitando-o a atirar mais rápido, sendo que sua luz lhe dava a aparência de um lampião.

Artur de Azevedo

Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (São Luís, 7 de julho de 1855 — Rio de Janeiro, 22 de outubro de 1908) foi um dramaturgo, poeta, contista e jornalista brasileiro.



Arrufos

Não há no mundo quem amantes visse
Que se quisessem como nos queremos...
Um dia, uma questiúncula tivemos
Por um simples capricho, uma tolice.
— "Acabemos com isto!", ela me disse,
E eu respondi-lhe assim
— "Pois acabemos!"

E fiz o que se faz em tais extremos:
Tomei do meu chapéu com fanfarrice.
E, tendo um gesto de desdém profundo,
Saí cantarolando... (Está bem visto Que a forma, aí, contrafazia o fundo).
Escreveu-me... Voltei. Nem Deus, nem Cristo,
Nem minha mãe, volvendo agora ao mundo,
Eram capazes de acabar com isto!


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Marc Chagall

Marc Chagall

Marc Chagall (Vitebsk, Bielorrússia, 7 de julho de 1887 — Saint-Paul-de-Vence, França, 28 de março de 1985) foi um pintor, ceramista e gravurista surrealista russo-francês.


Nascido Mojša Zacharavič Šahałaŭ' (em bielorrusso Мойша Захаравіч Шагалаў; em russo Мовшa Хацкелевич Шагалов), iniciou a sua formação artística quando entrou para o ateliê de um retratista famoso da sua cidade natal. Lá aprendeu não só as técnicas de pintura, como a gostar e a exprimir a arte. Ingressou, posteriormente, na Academia de Arte de São Petersburgo, de onde rumou para a próspera cidade-luz, Paris.

Ali entrou em contacto com as vanguardas modernistas que enchiam de cor, alegria e vivacidade a capital francesa. Conheceu também artistas como Amedeo Modigliani e La Fresnay. Todavia, quem mais o marcou, deste próspero e pródigo período, foi o modernista Guillaume Apollinaire, de quem se tornou grande amigo.

É também neste período que Chagall pinta dois dos seus mais conhecidos quadros: Eu e a aldeia e O Soldado bebé, pintados em 1911 e em 1912, respectivamente.

Os títulos dos quadros foram dados por Blaise Cendrars. Coube a Guillaume Apollinaire selecionar as obras que seriam posteriormente expostas em Berlim, no ano em que a 1º Grande Guerra rebentou, em 1914.

Neste ano, após a explosão da guerra, Marc Chagall volta ao seu país natal, sendo, portanto, mobilizado para as trincheiras. Todavia, permaneceu em São Petersburgo, onde casou um ano mais tarde com Bella, uma moça que conheceu na sua aldeia.

Depois da grande revolução socialista na Rússia, que pôs fim ao regime autoritário czarista, foi nomeado comissário para as belas-artes, tendo inaugurado uma escola de arte, aberta a quaisquer tendências modernistas. Foi neste período que entrou em confronto com Kasimir Malevich, acabando por se demitir do cargo.

Retornou então, a Paris, onde iniciou mais um pródigo período de produção artística, tendo mesmo ilustrado uma Bíblia. Em 1927, ilustrou também as Fábulas de La Fontaine, tendo feito cem gravuras, somente publicadas em 1952. São também deste ano conhecidas, as suas primeiras paisagens.

Visitou, em 1931, a Palestina e, depois, a Síria, tendo publicado, em memória destas duas viagens o livro de carácter autobiográfico Ma vie (em português: "Minha vida").

Desde o ano de 1935, com a perseguição dos judeus e com a Alemanha prestes a entrar em mais uma guerra, Chagall começa a retratar as tensões e depressões sociais e religiosas que sentia na pele, já que também era judeu convicto.

Anos mais tarde, parte para os Estados Unidos da América, onde se refugia dos alemães. Lá, em 1944, com o fim da guerra a emergir, Bella, a sua mulher, falece, facto que lhe causa uma enorme depressão, mergulhando novamente no mundo das evocações, dos chamamentos, dos sonhos. Conclui este período com um quadro que já havia iniciado em 1931:Em torno dela.

Dois anos depois do fim da guerra, regressa definitivamente à França, onde pintou os vitrais da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Na França e nos Estados Unidos da América pintou, para além de diversos quadros, vitrais e mosaicos. Explorou também os campos da cerâmica, tema pelo qual teve especial interesse.

Em sua homenagem, em 1973, foi inaugurado o Museu da Mensagem Bíblica de Marc Chagall, na famosa cidade do sul da França, Nice. Em 1977 o governo francês condecorou-o com a Grã-cruz da Legião de Honra.

Tendo sido um dos melhores pintores do século XX, Marc Chagall faleceu em Saint-Paul-de-Vence, no sul da França, em 1985.
wikipédia
Lápis e papel
- Claude Bloc -




É um ritual como todos os outros. A folha de papel, o lápis, depois. E o pensamento fluindo rápido.

No papel os borrões e as falhas. O rascunho se enovelando na trama... No fim, uns poucos riscos e o efeito na alma.

Minha folha não tem linhas. Não há nela limitações. Preencho-a com palavras de cima a baixo, da esquerda para a direita. Palavras boas de ler, com sorrisos esboçados num desfolhar contínuo.

Neste mundo de papel e caneta, somos o que queremos ser: da loucura à sensatez. Somos, no entanto, a verdade! Aquela verdade mágica que nos traz a alforria e que se faz com lápis e papel.

Claude Bloc

terça-feira, 6 de julho de 2010

Lençol Bege

Tenho medo de esquecer o caminho de casa.
Tenho medo de não saber mais voltar.

Esquecer o nome da minha mãe
e da minha irmã.

Ficar com os olhos entreabertos
e aquele risinho patético no canto.

Não quero mansidão.
Eu quero é confusão mental.

Lembro-me sempre sozinho com minhas vozes.
Desde criança no quintal.
Adolescente na cela.

A estas vozes devo o que sou:
um fantasma delicado.

Tenho medo da minha delicadeza.
De esquecer de chorar e de odiar certas pessoas.

Tenho medo de morrer dormindo.
Não tenho medo da morte.

Tenho ainda mais medo de esquecer o caminho de casa.
Esquecer os rostos da minha mãe e da minha irmã.
As mais próximas e bondosas.

Por enquanto me arrumo como posso.
Pensando.

Com Clarice Lispector.



"Nem tudo o que escrevo resulta numa realização, resulta mais numa tentativa. O que também é um prazer. Pois nem tudo eu quero pegar. Às vezes, quero apenas tocar. Depois, o que toco às vezes floresce e os outros podem pegar com as duas mãos."

O arcaico e o moderno na vida das tias Hig-Tech - José do Vale Pinheiro Feitosa

Esta história demorou a chegar. As minhas tias Raimunda, Rosinha e Maria, com telefone celular, antena parabólica e internet vivem no mundo sem sair do velho e arcaico sertão do Potengi. Os sobrinhos netos dela nem tomarão pulso do que isso significa. E que no tempo deles definitivamente a vida rural que já foi o centro da civilização brasileira, haverá se tornado mais um compartimento urbano, com ar campestre.

Mas isso é apenas para contextualizar que elas, ao contrário vivem uma vida dual: ora acham que a vida real é no mundo e noutra a virtual no sertão. Invertem, por assim dizer, a equação. Resulta em algo diferente esta inversão?

Claro! Pensam em deletar a seca e dar um boot no calor na hora de dormir. Outro dia foi seu Chagas, com o velho caminhão que veio pegar uma carga de milho e deu problema no virabrequim. Tia Rosinha não disse nada para ninguém. Desde a varanda onde se sentava, ouvindo a carga de palavrões que seu Chagas acumulava no rol de seus pecados, pensava em dar um enter na ignição do velho Mercedes. Pelo menos aquela maquinação barulhenta esconderia tantas interjeições do velho motorista.

Outro dia pediram a Chico Véi para ir ao Potengi completar algumas coisas em falta na despensa. Deram o telefone celular de uma delas para se comunicar caso precisasse. Pois bem, de motocicleta, 15 minutos para ir, uma hora para malandrar e comprar e mais 15 minutos para voltar. Após uma hora e meia, tia Maria confirmou no relógio e resolveu ligar para Chico Véi.

Mandou brasa naquele botão verde do celular com tanta força que pensou até ter ouvido “luar do sertão” que era a chamada do telefone que estava com Chico. Foi rápido, dois toques e Chico atendia:

- Pronto!
- Chico?
- Ninhora!
- Onde tu tá?
- Aqui!

Tia Maria virou-se e viu Chico ao seu lado. E pensava que o telefone dela estava com defeito provocando eco na voz de Chico. Esta era a prova fatal de que tinham, pelo meio, modificado a mensagem. Não conheciam Mc Luhan, mas poderiam ir a Wikipedia e tudo se resolveria.

Reunião de emergência. Onde estaria o moderno e o arcaico? Qual o papel do mundo e o do sertão?

A discussão foi acalorada, com consultas ao computador e até telefonemas para os sobrinhos. Finalmente chegaram à sentença:

- Nem o mundo e nem o sertão são arcaicos. – Já haviam chegado às mesmas conclusões que chegaremos no futuro. Não tem mais diferença entre estes compartimentos.
- E o arcaico não existe mais?
- Existe sim senhor. Nem fique avexado.
- O arcaico somos nós. Quando este momento aí se equilibrar não vão entender nada de nós.

As Tias High-tech@arcaico.br.

Festa do Cariricaturas !

Consultamos/informamos:
Colaboradores e leitores distantes, que já haviam comprado e/ou reservado mesas para o dia 23.07 , tendo em vistas a alteração da data para o dia 24.07,
(Carlos Esmeraldo e Magali- Fort
Wilson Dedê- Fort.
Edilma Saraiva-Fort
Assis Lima-Recife
Stela Siebra-Recife
Camila Arraes-Fort
Joaquim Pinheiro-Recife
Rosineide Esmeraldo-Recife
Ismênia Maia-Fort
Everardo Norões-Recife
Marcos Barreto-Salvador
Dr. José Newton e Dona Rute
João Nicodemos-João Pessoa
José Nilton Mariano-
Edmar Cordeiro-Paranavaí)

Confirmem presenças !

Contamos com a compreensão de todos !
Cariricaturas, agradece !

Carmen Costa - por Norma Hauer

CARMEN COSTA
Há dúvidas sobre a data de nascimento de CARMEN COSTA, alguns sites dão como nascida em 5 de janeiro e outros em 5 de julho de 1920. Sempre tive esta última data como sendo a real, inclusive Luiz Vieira, em seu programa "Minha Terra, Nossa Gente", transmitido de 2ª a 6ª feira na Rádio Carioca, tem como certa a data de 5 de julho.
Bom, mas se há dúvida, ela merece ser relembrada hoje e também em 5 de janeiro.
Ela nasceu com o nome de Carmelita Madriaga em Trajano de Moraes (RJ) de onde saiu com 15 anos, vindo para o Rio de Janeiro onde trabalhou como doméstica na casa do cantor Francisco Alves.
Na mesma época passou a se apresentar em programas de calouros, mas somente em 1937, quando conheceu o compositor Henricão, teve sua chance de se transformar na grande cantora que ficou conhecida com o nome de CARMEN COSTA, dado pelo compositor.
No ano seguinte, apresentou-se em um arraial do rancho fundo, em Juiz de Fora e em 1939 regressou ao Rio, apresentando-se na então Feira de Amostras que, anualmente, era montada no local onde hoje se encontram as Avenidas Churchill e Roosevelt, no Castelo.
Ali cantaram as irmãs Carmen e Aurora Miranda, bem como as Irmãs Pagãs, Carlos Galhardo e outros. Na Feira de Amostras era também montado um parque de diversões, conhecido como Parque Shangai.
Em 1942, com Henricão gravou seu primeiro disco , com o samba "Onde Está o Dinheiro?" e foi nesse mesmo ano que "estourou" com "Está Chegando a Hora", uma adaptação do mesmo Henricão para a melodia mexicana "Cielito Lindo". Esse foi seu carro-chefe e ela era sempre chamada a cantá-lo em qualquer parte onde se apresentava.
Separando-se de Henricão, em1945 foi para os Estados Unidos, onde se casou com um americano de nome Hans van Koehler (de ascendência holandesa) e se apresentou em vários "shows", em casas como o Teatro Triboro, em Nova York e em outras cidades, como Nova Jersey e Los Angeles.
Regressando ao Brasil, aqui marcou seus verdadeiros sucessos, regravando,principalmente a adaptação de “Está Chegando a Hora”:

"Quem parte leva saudade de alguém,
que fica chorando de dor.
Por isso não quero chorar,
quando partir meu grande amor.

Ai, ai, ai, ai, está chegando a hora.
O dia já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir embora".

Exatamente, o dia acabara de raiar, quando Carmen partiu,desta vez sem volta.

Carmen ainda conheceu sucessos com "Cachaça; "Só Vendo que Beleza" e "Eu Sou a Outra"
...Ele é casado e eu sou a outra na vida dele....

Ela viveu algum tempo nos Estados Unidos e, em Los Angeles, apresentou-se no famoso "Carneggie Hall".

Coloco aqui a letra de "CACHAÇA" para "matar a sede" da turma do Buteco

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça nasce do alambique
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz, feijão e pão
Pode me faltar manteiga
Isso não faz falta não
Pode me faltar o amor
Disto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça.

A Carmen Costa, meu preito da saudade, de quem nos deixou há apenas 3 anos, em 25 de abril de 2007, aos 87 anos
Norma

Atenção, colaboradores e leitores do Cariricaturas !

Alteração na programação da nossa festa !

Dia 23.07 - almoço literário, no "4 Estações" - 12,00 p/pessoa- entrega da quota de livros devida aos escritores.

Dia 24.07- a partir das 20 h, no Crato Tênis Clube :

- lançamento do livro "Cariricaturas em prosa e verso".
-performances poéticas
-sorteio de brindes- presente de Elmano Pinheiro
-exposição de Telma Saraiva
-coquetel ao som do sax de João Nicodemos
-Baile( 4 hs dançantes com Hugo Linard e Banda)

Mesas à venda por 40,00 ( 4 ingressos e um exemplar do livro Cariricaturas...).
Façam reservas pelo telefone 35232867 ou pelos e-mails:



“Emancipação” distrital - Por: José Nilton Mariano Saraiva

Um estudo isento e criterioso, livre da deletéria e viciada politicagem praticada por alguns, certamente constatará que a maioria dos 5.564 municípios brasileiros depende e sobrevive, fundamentalmente, das institucionais verbas e transferências da União e Estados, já que suas “receitas próprias” sequer chegam para as despesas geradas pela pesada e onerosa estrutura legislativa e executiva municipal.
Especificamente, em relação ao nosso Ceará, tendo por base o exercício de 2009, dos 184 municípios existentes apenas raquíticas 05 (cinco) unidades municipais conseguiram gerar arrecadação própria acima dos 20% necessários ao custeio da máquina administrativa, em comparação às suas receitas totais (conforme parecer do Tribunal de Contas dos Municípios - TCM).
A reflexão acima tem a ver com a “febre” emancipatória de diversos distritos de alguns municípios cearenses, incrivelmente estimulada por ninguém menos que o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, um desses políticos que, quer queiram ou não, antevê e visa apenas e tão-somente futuros benefícios pessoais de tal empreitada (além de deputado estadual é candidato à vice-governadoria e a esposa e um dos filhos também na política já militam).
“Distritos”, como sabemos, são áreas contíguas às cidades, mas localizadas fora do seu perímetro urbano, cujos habitantes, organizados em pequenas e produtivas comunidades, carregam a “naturalidade” da sede-mãe original. Portanto, é da umbilical junção da cidade e distrito(s) que se compõe qualquer município (teoricamente, quanto mais “distritos”, maior e mais pujante o município).
A emancipação de um “distrito” à condição de “município” deveria, pois, revestir-se de muita seriedade e prudência, assim como ser analisada de forma criteriosa e objetiva, em razão da “involução” ou penúria que tal medida tende a acarretar. Isso porque, ao contrário do que imagina a “maioria” desinformada (em contraste com “uns poucos” que sabem, mas escondem, por pura conveniência ou mero interesse político), o valor dos recursos institucionais transferidos pela União e Estados não aumentará ou terá qualquer acréscimo em função do surgimento de um novo município; consequentemente, a vigente e sempre defasada verba institucional será dividida com mais gente, mais cidades, mais municípios, provocando a abrupta queda das quotas de todos eles, indistintamente. Um verdadeiro e autêntico retrocesso, em termos de perspectiva desenvolvimentista ou, se preferirem, uma espécie de socialização da miséria, com todas as maléficas conseqüências daí advindas.
A propósito da questão municipalista, um testemunho pessoal: no alvorecer do ano 2009 (aí pelo mês de fevereiro), em reunião promovida pela Associação dos Filhos e Amigos do Crato (AFAC), num dos auditórios da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), aqui em Fortaleza, o prefeito da nossa cidade, visivelmente incomodado com as cobranças e desconfianças sobre o marasmo e timidez da sua administração no tocante à atração de investimentos – oficiais ou particulares - geradores de emprego e renda (contrastando com o incontestável progresso da cidade vizinha), categoricamente soltou a seguinte pérola (ipsis litteris): “O Crato é final de linha; só vai ao Crato quem tem negócios lá”. Estupefatos e decepcionados, muitos dos presentes (em conversas informais, após o evento) interpretaram tal declaração como um atestado insofismável e eloqüente de capitulação, de impotência, de falta de poder e prestígio político, imprescindíveis à alavancagem desenvolvimentista que se pretende para qualquer urbe.
Pois bem, agora, quando um dos nossos principais e importantes distritos – a aprazível Ponta da Serra – desfralda a bandeira da “emancipação”, somos tentados a imaginar que aquela comunidade não pensaria em se desmembrar do Crato se o prefeito da cidade tivesse consciência do compromisso do cargo para o qual foi eleito, através do atendimento aos justos anseios dos munícipes lá residentes (e, não tenham dúvidas, o efeito pedagógico de tal “rebeldia” há que se espalhar celeremente, com outros distritos – Dom Quintino, Lameiro e por aí vai - enveredando pela mesma e improdutiva rota divisionária).
Portanto, um bom prefeito jamais seria favorável à castração territorial do seu município, com a conseqüente diminuição da arrecadação municipal, assim sem mais nem menos, de mão-beijada, como se fora um alívio a implementação de tal medida. E, no entanto, demagogicamente o nosso Prefeito não só afirma peremptoriamente ser favorável à emancipação de Ponta da Serra, como estimula tal atitude (numa mistura de incompetência administrativa e (pseuda) esperteza política), objetivando se eximir de sua responsabilidade de administrar bem o município, como um todo.
Enquanto isso, em pleno “coração” da nossa decadente (há quem não goste da expressão) e sofrida cidade, em sua área mais valorizada, a “pocilga” a céu aberto em que se transformou um dos nossos principais cartões-postais, a Praça da Sé, bem como a dantesca visão “hiroshimesca-nagasakiana” de destruição do nosso logradouro mais concorrido, o calçadão da Siqueira Campos (já há anos literalmente entregue às baratas e ratos, por conta da demolição praticada por um irresponsável, sem que a prefeitura o acione judicialmente, se possível até desapropriando a área, a bem do interesse público), denotam, de forma absolutamente cristalina, o abandono e o descaso a que a cidade se acha relegada. Daí o constrangimento dos cratenses ao ter que circular com os que nos visitam, por e através daquela área de aparência apocalíptica e tenebrosa.
Pra dissimular, a saída do poder municipal é ofertar “pão e circo” aos acomodados munícipes, através da maciça divulgação de premiações fajutas, ofertadas por colunistas sociais sem qualquer credibilidade.
A que ponto chegamos.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

URGENTE ! - À especial atenção dos colaboradores e leitores do Cariricaturas !

Por motivos de ordem superior precisamos fazer uma pequena alteração, nas datas da FESTA DO CARIRICATURAS !

Dia 23.07- Almoço literário, no Restaurante "4 Estações "- entrega da quota de livros, devida aos escritores.
Preço por pessoa : 12,00( almoço, sobremesa, suco ou refrigerante)

Dia 24.07- Festa de lançamento do Livro "Cariricaturas em verso e prosa "
Programação:
20 h- cerimonial de lançamento
21 h - performances poéticas
coquetel
música de João Nicodemos
(sorteio de brindes- presente de Elmano Rodrigues Pinheiro)
22 h - Baile ( 4 hs dançantes com Hugo Linard e banda)

Mesas: 40,00 ( 4 ingressos e um exemplar do livro do Cariricaturas)

Ingressos à venda pelos e-mails:
sauska_8@hotmail.com ou cbbloc@uol.com.br
Telefone : 35232867 ou 99444161 (socorro moreira)



OBS:As mesas vendidas e/ou reservadas , permanecem com a mesma numeração.

PRA RECORDAR ...

Do Pecador para o Santo por João Marni

Como é complexa, diversificada e única, a imprevisível personalidade do gênero humano! Na busca da felicidade no horizonte perdido de cada um, há os que se socorrem do próprio isolamento a meditar; há aqueles que pensam consegui-la apenas se fizer fortuna; os altruístas e empáticos parecem tê-la; os caridosos e humildes como São Francisco, tudo indica possuí-la; os que se dedicam ao conhecimento (seja da matéria ou da alma), asseguram que é possível obtê-la. Há quem a veja numa rosa, num dia chuvoso no Nordeste do Brasil, num dia de sol na sombria Londres, na reconciliação do amor ou ao final de mais uma guerra. Mas os dias do hoje escondem este sentimento de tal modo que o sonho de ser feliz, direito de todos, torna-se cada vez mais utópico, razão pela qual se explique em parte o uso indiscriminado de drogas, inclusive, de forma alarmante, entre os muito jovens. Observamos corriqueiramente garotos e garotas de pouca idade para qualquer coisa que não seja dar recado ou brincar de boneca, em festinhas de “som de bate estaca”, desacompanhados de um anjo adulto da família, a tomar porres de variações do álcool, com conseqüências imprevisíveis.


Temos um neto de 15 anos, “BBB” (Breno, Bom e Bonito) e o monitoramos de perto sempre que podemos. Nossas conversas são francas e abertas, para que esse monitoramento não exija nossa presença física ostensivamente, na tentativa de contribuir na organização de um superego razoável e sensato, que nos liberte de tanta preocupação.

Orientá-lo para que não ceda à força do grupo de sua idade em assuntos “perigosos” é uma tarefa do dia a dia, já que eles, nessa fase, imitam instintivamente e querem emoções novas que os levem logo à vida adulta, lugar em que julgam coexistirem irmanadas, liberdade e felicidade. Sobre a ilusão de encontrar alegria e auto-confiaça com ajuda de bebida alcoólica ou de outras drogas ditas mais conflitantes, disse-lhe que é a saída dos fúteis e pouco inteligentes, e que cada indivíduo reage diferentemente a elas, pois todos nós carregamos na mente os animais com os quais nos identificamos:

- Alguns liberam pássaros (ficam cantantes, sinfônicos, até);

- Outros deixam sair cães tipo poodles ou labradores (só diversão)

- Há os que soltam lagartixas e lagartos (palavras vãs, palavrões);

- Há aqueles que se livram de macacos (e haja palhaçada) ou de porcos (quando então perdem o estilo);

- Infelizmente existem os que também nos brindam com cascavéis e pittbuls (e aí é pura dinamite: quando não matam, machucam demais);

Mas se você liberasse apenas pombas brancas, daquelas da Paz de Jesus após tomar vinho com seus amigos apóstolos, então prometo acompanhá-lo em suas “bicadas”! O ideal é não iniciar, pois todos esses bichos podem pertencer a um só indivíduo, que os vai soltando um a um em dias incertos, seguindo ou não a ordem que citei.
Procure, meu neto, a felicidade no coração de quem de fato queira o seu bem.
Com certeza ela lá se encontra se você acreditar. Afinal, nenhum de nós que amamos a você, deseja-lhe a outra face dessa utopia.

Um beijo do seu Vozinho.

A Serra - por José Newton Alves de Sousa



A serra! Mãe geradora do vale.
De suas entranhas, mana a vida.

O flóreo revestimento, que a imprevidência, 
a desídia e a ignorância dilaceram, 
entremostra as manchas de arenito, sangrando ao sol.

Os cortes quase horizontais apontam rumos 
e guiam as almas para encontros sem calendário.

O teor da clorofila, nas roças dos sopés,
assume todos os matizes.
Destaca-se um casarão de múltiplas janelas, numa insólita alvinitência.

Contêm-se as águas nas piscinas azuis.

A geometria monotoniza-se na linha da planura.

A serra, nestes sítios, não tem a inquietude das ascensões fascinantes, 
mas a providente disposição de um receptáculo.

Em seu largo e fundo seio, dormem as águas do céu.

Na piscina de biquini em 5 de julho de 1946. - José do Vale PInheiro Feitosa

Entre 1939 e 1945 (menos que o tempo dos dentes de leite de uma criança) o mundo viveu uma guerra concentrada no tempo e espalhada no espaço como nunca vivera. Neste período foram mobilizados 100 milhões de militares, toda a capacidade científica, industrial e econômica foi empregada na atividade de destruição e morte. Num crescente que já acontecia, mas ali explodiu a morte civil em geral, sendo o paradigma Hiroshima e Nagasaki, morreram mais de 70 milhões de pessoas. Estima-se que quase 4% da população do mundo teve morte direta pela guerra e aconteceu duas mortes civis para cada uma de militar.

Agora vocês imaginem o desejo de libertar-se deste trauma no verão do ano seguinte. Era o verão de 1946, era preciso inventar o consumo de vida, alegria e liberdade para expressar o real sentimento após o pesadelo, especialmente na Europa Ocidental. E um núcleo fundamental foi a moda. Na moda a liberdade se manifestou com todos os estilistas demonstrando o senso geral. Era preciso desnudar o corpo de todos os trastes de destruição e morte.

E não foi num salão especial, numa iluminara como estes grandes eventos fashion. Foi numa piscina popular de Paris, a piscina Molitor, onde o estilista francês Louis Reard, em 5 de julho de 1946, fez a garota de show Micheline Bernardini vestir o seu traje. Na prática um soutien cobrindo os seios e dois triângulos invertidos amarrados por um cordel em baixo (tinha 75 centímetros de pano). Ali nasceu o biquíni.

Não distante da guerra e sob o efeito da guerra fria. Naquele mesmo verão outro estilista Jacques Heim fez um modelo um tanto maior e não tão ousado quanto de Reard e a este denominou “atômico” (e teve sorte do Obama não ter nascido ainda, pois faria com ele o mesmo que faz ao Irã). Então, duas peças estilizadas mesmo foi o de Reard e ele o denominou biquíni por um motivo bem letal. Era uma homenagem ao atol Bikini no Pacífico sobre o qual os EUA fizeram um teste com bomba atômica.

O estilista escolheu Michele Bernardini por que esta era uma dançarina do Casino de Paris e não tinha qualquer problema de aparecer seminua em público. A reação do público foi entusiástica, ele recebeu mais de 50 mil cartas, especialmente do público masculino ávido por reproduzir vida ao invés de morte. Mesmo assim os bons costumes ainda reagiram e as “autoridades” proibiram o biquíni nas praias públicas, mas rapidamente retornaram ao mofo de seus preconceitos, quando quatro após, no verão de 1950 as praias européias se encheram com a moda. E contemplem que naqueles anos a vontade do Europeu de ir à praia era enorme, por muitos anos elas se tornaram apenas zonas militares vigiadas para embarques e desembarques.

Já do lado das jovens Américas aconteceu o contrário. Levou 14 anos para que finalmente o biquíni fosse povoar as praias da região. Apenas nos EUA ele chegou na década de 60 e aí já por força do cinema e da música popular da juventude. Foi aquele período que o cinema passou a ter um novo formato, que juntava bandas de rock como o Beach Boys à vida livre e solta nas areias dançantes, sol e ondas de surf. O Rio de Janeiro não ficou atrás, por aqui começou como uma avalanche o que é hoje esta banalidade.

O Absoluto

De acordo com o livre arbítrio
és o senhor do teu destino.

Mas entre tua liberdade
e o que sucede

paira o escárnio
de outra Grandeza.

Acontecimentos caem
sobre teus ombros

sem que tenhas posto em ação
pernas, braços, sequer pensamentos.

Então te devo precaver
que humanos ligados
à tua mente ou alma
podem elaborar outro
o teu destino.

Faze o seguinte:
vive ciente da loucura
que ora abarca este mundo
em outras situações nos espanta.

Não serás pego de surpresa
tampouco te sentirás pequeno.

Oferece o quinhão de direito
a esta tal Força.

E somente te preocupes
com o dia de amanhã

quando levares uma topada
ou roubarem tuas asas de fogo.

O Reencontro – por Carlos Eduardo Esmeraldo

Os casais Roberto e Lia, Abreu e Gilda se conheceram na famosa praia Porto das Galinhas. Eram vizinhos de chalés alugados com antecedência para os feriados da Semana Santa. Ao se cumprimentarem com um protocolar bom dia, ocorreu entre os dois uma grande empatia. Ambos tiveram a sensação de já se conhecerem há bastante tempo. Roberto, 68 anos, aposentado do Banco do Brasil e juntamente com Lia, eram alagoanos e residentes nos Aflitos. Abreu e Gilda residiam no bairro Apipucos, bem próximo do Convento dos Irmãos Maristas. Eram servidores públicos aposentados, com todos os filhos casados e espalhados por esse Brasil afora.

A amizade entre os dois casais brotou nesses breves dias em que traçaram uma rotina comum. Banho de sol e mar aos primeiros raios solares, almoçavam juntos e repartiam um animado carteado durante a tarde, estendendo-se até quase meia-noite. Ambos eram exímios jogadores de canastra.

No domingo à noitinha, os dois casais se despediram, retornaram para Recife com promessas de trocarem visitas e planos de retornarem àquela praia nas férias do final de ano.

Algumas semanas depois, Gilda caminhava pela calçada da Praça Treze de Maio, para retirar algum dinheiro na agência da Caixa Econômica da Rua do Hospício. Qual não foi o seu espanto quando encontrou Roberto. Pararam e começaram a conversar animadamente defronte a um banco da praça, no qual estava sentado um senhor já bastante idoso que observava a conversa dos dois.

Gilda estranhou que as pessoas que passavam pela mesma calçada se viravam para ela e começavam a rir. E mais gente passava rindo da cara dela e parava a pouca distância formando um grupo que a observa, e ria dela sem parar. Ficou muito intrigada com aquela atitude das pessoas. Tão logo se despediu do amigo Roberto, indagou de alguns adolescentes que faziam parte desse grupo que dela ria: “Por que vocês estavam rindo tanto da minha conversa com aquele meu amigo?” “Xi, pessoal, a coroa tá pirada! Conversava com um amigo invisível?” Exclamou e em seguida indagou um deles. “É, a senhora estava falando sozinha. E aquele velhinho sentado no banco de frente foi o único que não riu de coisa tão estranha.” Disse-lhe outra adolescente. “Eu não estava falando sozinha. Aquele senhor que está sentado naquele banco ouviu toda nossa conversa. Vamos lá para provar isso.” Respondeu Gilda.

Retornou sozinha e indagou do velho: “O senhor viu se eu estava falando sozinha aqui na sua frente?” E o senhor respondeu: “Não senhora. A senhora estava conversando com um senhor de óculos, bigode, vestido numa camisa azul. Ao se despedir enviou lembranças para Lia, a mulher desse seu amigo”.

Intrigada com o fato, Gilda, tão logo retirou o dinheiro da Caixa, resolveu ir até a casa da amiga Lia para contar o que sucedera e saber se Roberto havia saído naquela tarde. Então entrou no primeiro táxi e rumou para os Aflitos.

Ao chegar no endereço que o casal amigo lhe fornecera, foi surpreendida com a saída de um caixão de defuntos. Chegou a tempo de ver a amiga Lia abraçada por uma mulher ainda jovem. Ao vê-la, Lia, em prantos, disse-lhe: “Eu pensei em lhe avisar da morte do Roberto, mas fiquei tão sem planos... Ainda bem que você veio.” E se abraçaram por algum tempo, dividindo aquela imensa dor.

Presença do sobrenatural? Reencontro com o amigo morto que veio avisar da sua partida definitiva? Essas indagações povoavam a cabeça de Gilda e as deixaram várias noites insones. Antes que enlouquecesse, procurou um médico amigo e este lhe recomendou uma consulta com frei Joaquim, um frade português, residente no Recife, que era parapsicólogo.

O parapsicólogo frei Joaquim explicou a Gilda que, ela, a amiga Lia e o velho que estava sentado no banco da praça possuíam uma percepção extra-sensorial e receberam uma comunicação telepática da amiga Lia, quando esta pensou em lhe comunicar a morte do marido. Nós, indivíduos ditos humanos, somente conhecemos dez por cento da nossa capacidade mental. Há nela poderes que para nós são ainda inexploráveis.

Nota: A história é real e os nomes dos casais são fictícios. O parapsicólogo Frei Joaquim esteve em Crato há mais de 20 anos e narrou esse fato no Auditório do Teatro Rachel de Queiroz.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo