Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Casa de Infância
- Claude Bloc -


Volto a este útero macio que me acolhe
Casa da infância
Quase em degredo...
Busco este sentimento
Infinito
Contido em si mesmo
Inesgotável, concêntrico
Revigorado...
Encontro portas abertas
E deixo-me ficar neste abraço
Gentil e materno
Nesta morna e suave acolhida.
Nada é tão forte
Quanto a ânsia de percorrer
Esta obra de arte esculpida em minha saudade...
A cada passo, um gesto, um suspiro
O tímido afago nos recantos queridos
A sensibilidade intuitiva
De poder reconhecer
Dentre as sombras e o abandono
A perfeição
A paz de um momento absoluto.
***
Foto: Bertrand Bloc
Texto: Claude Bloc (2008)

Pensamento para o Dia 08/07/2010


“A vida como renunciante (Sanyasa) não significa a simples aceitação das quatro fases da vida, de seus direitos e deveres, e a retirada para a floresta após romper os contatos com o mundo. Os renunciantes devem mover-se entre as pessoas, devem tornar-se conscientes de suas tristezas e alegrias, e devem transmitir as instruções de que elas enormemente precisam. Eles devem transformar a sociedade para que seja livre do vício e da maldade através de seus ensinamentos.”
Sathya Sai Baba

Dia do Fotógrafo...

Todos temos uma câmera fotográfica , com recurso ou sem recurso.
Poucos conseguem dela tirar o máximo, o extraordinário !
Mas é impressionante como esse Cariri juntou talentos.
Alem de Pachelly, Samuel, Claude, Edilma, Nívia Uchôa,Emerson, Telma Saraiva, Nicodemos,Heládio Teles , Mário Vítor, Alan, Bola, muitos são os outros !


Restam poucos, alguns como eu, que mal sabem disparar a máquina .Clicam com preguiça, querendo registrar a emoção num verso, muitos vezes, nem escrito !


Aos nossos fotógrafos,no dia de hoje, um grande abraço !

Por Artur Gomes


como é possível encarnar o impossível?

diga-me grande deus/pessoa
como é possível encarnar o impossível?
a flauta toca as vértebras
vazando carnes e músculos
antes da chegada aos ossos
a água na pele são rajadas elétricas
como facões no escuro
luz da paixão d/entre o caos
estilhaços da alma sem dó
eu falo do que posso
mar estético mangue estático
e este desejo tântrico de não ser daqui
cacomanga era uma terra intacta
em seus milênios de solidão
cavalos pastam nas cocheiras
esporas na pele borboletas
eu tenho os nervos de nylon
cordões esticados na sala
a língua retesada pra fora
lâmpadas de gás me devoram
faíscas da dor no trovão
o poema vai nascendo outro
explode no ventre/palavras
em intestinos roucos
num temporal de letras
que nunca se completam
nesta cidade de morrer na praia.
Artur Gomes
http://artur-gomes.blogspot.com





Conjugação Da Ausente
Vinicius de Moraes


Foram precisos mais dez anos e oito quilos
Muitas cãs e um princípio de abdômen
(Sem falar na Segunda Grande Guerra,
na descoberta da penicilina e na desagregação do átomo)
Foram precisos dois filhos e sete casas
(Em lugares como São Paulo, Londres, Cascais, lpanema e Hollywood)
Foram precisos três livros de poesia e uma operação de apendicite
Algumas prevaricações e um exequatur
Fora preciso a aquisição de uma consciência política
E de incontáveis garrafas;
fora preciso um desastre de avião
Foram precisas separações, tantas separações
Uma separação...
Tua graça caminha pela casa
Moves-te blindada em abstrações, como um T. Trazes
A cabeça enterrada nos ombros qual escura
Rosa sem haste. És tão profundamente
Que irrelevas as coisas, mesmo do pensamento.
A cadeira é cadeira e o quadro é quadro
Porque te participam. Fora, o jardim
Modesto como tu, murcha em antúrios
A tua ausência. As folhas te outonam, a grama te
Quer. És vegetal, amiga...Amiga! direi baixo o teu nome
Não ao rádio ou ao espelho, mas à porta
Que te emoldura, fatigada, e ao
Corredor que pára
Para te andar, adunca, inutilmente
Rápida. Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
E te amo, te venero, te idolatro
Numa perplexidade de criança.
Postado por Socorro Moreira às 06:26 0 comentários
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Meu primeiro amigo - Para Joaquim Pinheiro Bezerra de Meneses - Socorro Moreira

Passeio





Passeio

A formiguinha passeava
Sobre as pétalas da camélia.
Uma gota de orvalho refletia
A minha cara e o bico de um sabiá.

As pedras eram verdes de limo,
Os caracóis sorriam ao sol.
As samambaias e as avencas pendiam
As folhinhas crespas para a água da mina.

As árvores conversavam comigo,
Contavam casos de raízes e líquenes.
Um ouriço trepava na figueira.
Os guizos da cascavel tilintavam.

O meu cavalo resfolegava na estrada.
O meu cachorro arfava de cansaço.
O sabiá-laranjeira cantava para mim.
Vinham tantos cheiros na minha língua.

_________

Hoje é o dia do FOTÓGRAFO !

Votos de louvor a toda essa galera de artistas , que possue olhar privilegiado !

Cariricaturas, parabeniza !

Acabamos de receber esta notícia para nossa alegria !


Caros Amigos,

Saiu hoje o resultado do Prêmio Literário da SECULT, quando concorremos em Literatura Infantil com o Livro : "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica" . O Projeto traz anexo um Audio-Book e um CD com músicas de personagens míticos do Cariri ( Príncipe Ribamar, Maria Caboré, Tandô, Capela, Zé de Matos, Vicente Finim, Seu Jefferson do Fundão, o Beato Zé Lourenço, Canena, Zé Bedeu, etc) , com músicas compostas por nossos maiores compositores ( Abidoral,Salatiel, Pachelly, Zé Newton, Nicodemos, Lifanco, Ibbertson,Amélia Coelho, Fidelis, luciano Brayner, Ulisses...) ; e o projeto gráfico é do grande Reginaldo Farias. Pois é amigos deu zebra e fomos contemplados. Tou saindo de férias e, quando retornar, vamos tocar este projetinho que envolve tantos artistas e amigos próximos e fala de pessoas tão queridas.

Abraço,

Zé Flávio

Festa do Cariricaturas ! 23 e 24 de Julho de 2010 !

Dia 23.07 - Congraçamento entre escritores/ colaboradores - restaurante  "4  Estações ".
Entrega da quota de livros devida aos escritores.
Almoço literário - 12,00 por pessoa

Dia 24.07 - a partir de 20 h, no Crato Tênis Clube:
-lançamento do livro " Cariricaturas em prosa e verso"
-exposição  de Telma Saraiva
-sorteios de brindes - presente de Elmano Pinheiro
-performances poéticas
-coquetel
-baile ao som da Banda de Hugo Linard.

Mesas à venda por 40,00 ( 4 ingressos e um exemplar do livro)

Reservas pelo telefone : 35232867 ( socorro moreira)

Disponíveis : 25 
Posição em 8.7.2010

Colaboradores, Leitores amigos, a festa é nossa !

quarta-feira, 7 de julho de 2010

By Nívia Uchôa

Procópio Ferreira


Procópio Ferreira, nome artístico de João Álvaro de Jesus Quental Ferreira, (Rio de Janeiro, 8 de julho de 1898 — Rio de Janeiro, 18 de junho de 1979) foi um ator, diretor de teatro e dramaturgo brasileiro. É considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro.

Procópio descobriu cedo o talento de envolver a plateia, arrastando aos seus espetáculos contingentes de público de fazer inveja aos maiores sucessos de hoje. Em 62 anos de carreira, Procópio interpretou mais de 500 personagens em 427 peças.

Relembrando ..... Nuvem Passageira - Kleiton e Kledir

La Fontaine


Jean de La Fontaine (Château - Thierry, 8 de julho de 1621 — Paris, 13 de abril de 1695) foi um poeta e fabulista francês.

Era filho de um inspetor de águas e florestas, e nasceu na pequena localidade de Château-Thierry. Estudou teologia e direito em Paris, mas seu maior interesse sempre foi a literatura.

Por desejo do pai, casou-se em 1647 com Marie Héricart, na época com apenas quatorze anos. Embora o casamento nunca tenha sido feliz, o casal teve um filho, Charles.

Em 1652 La Fontaine assumiu o cargo de seu pai como inspetor de águas, mas alguns anos depois colocou-se a serviço do ministro das finanças Nicolas Fouquet, mecenas de vários artistas, a quem dedicou uma coletânea de poemas.

Escreveu o romance "Os Amores de Psique e Cupido" e tornou-se próximo dos escritores Molière e Racine. Com a queda do ministro Fouquet, La Fontaine tornou-se protegido da Duquesa de Bouillon e da Duquesa d'Orleans.

Em 1668 foram publicadas as primeiras fábulas, num volume intitulado "Fábulas Escolhidas". O livro era uma coletânea de 124 fábulas, dividida em seis partes. La Fontaine dedicou este livro ao filho do rei Luís 14. As fábulas continham histórias de animais, magistralmente contadas, contendo um fundo moral. Escritas em linguagem simples e atraente, as fábulas de La Fontaine conquistaram imediatamente seus leitores.

Em 1683 La Fontaine tornou-se membro da Academia Francesa, a cujas sessões passou a comparecer com assiduidade. Na famosa "Querela dos antigos e dos modernos", tomou partido dos poetas antigos.

Várias novas edições das "Fábulas" foram publicadas em vida do autor. A cada nova edição, novas narrativas foram acrescentadas. Em 1692, La Fontaine, já doente, converteu-se ao catolicismo. A última edição de suas fábulas foi publicada 1693.

Antes de vir a ser fabulista, foi poeta, tentou ser teólogo e cafifa. Além disso, também entrou para um seminário, mas aí perdeu o interesse.

Aos 26 anos casou-se, mas a relação só durou onze anos. Depois disso, La Fontaine foi para Paris, e iniciou sua grande carreira literária. No início, escrevia poemas, mas em 1665 escreveu sua primeira obra, chamada “Contos”. Montou um grupo literário que tinha como integrantes Racine, Boileau e Molière.

No período de 1664 a 1674, ele escreveu quase todas as suas obras. Nas suas fábulas, contava histórias de animais com características humanas. Em 1684, foi nomeado para a Academia Francesa de Letras.

Onze anos depois, já muito doente, decidiu aproximar-se da religião. Até pensou em escrever uma obra de fé, mas não chegou a escrevê-la.[carece de fontes?]

A sua grande obra, “Fábulas”, escrita em três partes, no período de 1668 a 1694, seguiu o estilo do autor grego Esopo, o qual falava da vaidade, estupidez e agressividade humanas através de animais.

La Fontaine é considerado o pai da fábula moderna. Sobre a natureza da fábula declarou: “É uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio retrato”.

Algumas fábulas escritas e reescritas por ele são A Lebre e a Tartaruga, O Homem, O Menino e a Mula, O Leão e o Rato, e O Carvalho e o Caniço.

Está sepultado no cemitério Père-Lachaise, em Paris, ao lado do dramaturgo Molière.

wikipédia

Você se lembra?


Para Jacques
- Claude Bloc -


O tempo está aí. Sempre mastigando a história da gente. Os bons momentos vão ficando perdidos pelas escadarias... mas a cada degrau voltamos a eles nas lembranças e na saudade.
Tenho saudade de Jacola. Aquele menininho sempre esperto e gentil. Sempre pronto a receber meu fraterno gesto de amor. Sempre pronto a servir e a viver com um sorriso relampejando nos seus brancos dentinhos de leite.
Tenho saudade sim dele crescendo e sinto falta dos nossos elos quando me lembro que por tanto tempo nossas vidas caminharam paralelas.
Coisas da vida, eu poderia dizer. Sim e seria verdade. Permeados ao tempo vivemos cada um nossa história, mas nunca nos faltou o bem querer.
Abraço, mano...
Claude

Ausência - Ednardo




Ausência
Ednardo

Tu lembras a rua estreita estrada tão antiga, e eu mostrava a ti uma cantiga
Uma cantiga antiga do lugar
Na rua, na paz da lua o som não se fazia, e sem querer então eu esquecia
Que já não temos tempo pra sonhar

Sorrias e a tua voz a cada instante amiga, a um só tempo em um abraço estreito
Fazia à vida, um violão, um jeito de se fazer amar

Sorrias e a tua voz estranha estrada antiga, perdeu-se ao longe na partida
E não ficou ninguém no seu lugar
La La Laia.....

Cortinas

Antes de dormir
faço uma última oração:

destrincho uma maçã
e não escovo os dentes.

Pérola da MPB

Neve

A melancolia é a minha menina.
Beijo-lhe os olhos quando quero.
Ela sorri sem jeito mas feliz por mim.

A melancolia é gostosa ao sair do banho.
Pingando. Molhando o piso do quarto.

E eu com as faces rubras
espero seu corpo na cama.

A melancolia tem um corpo exuberante.
Parte de ninfeta outra parte madura.

Adoro ambas as partes.
Provo ao mesmo instante
do tempo e do destempero
da sua alma.

A melancolia (acredito)
gosta de ouvir minha voz.

Se não gosta
por que se deita
com os ouvidos
(ainda molhados do chuveiro)
na direção da minha boca?

Talvez porque apenas queira
sentir aquele frêmito gostoso
da minha língua dentro
e rodopiando.

A melancolia é a minha menina.
E ninguém lhe tira dos meus braços.

Principalmente quando durmo
estrangulando seu pescoço.

Pessoas.


O meu livro você já leu várias páginas...Já adentrou bastante no meu jeito de ser. As outras páginas restantes, depende apenas da sua pessoa: abrí-las ou não.Por outro lado, o seu livro, não cheguei a ler nem o prefácio completo. Quem é você? Como é sua persona? De que forma vivencia o ser livre?... Vida que se vive a cada dia.Relacionamentos humanos...

COMPOSITORES DO BRASIL


Régua, compasso,
matemática e loucura:
a Antropologia de

FAUSTO NILO

Por Zé Nilton

Um eminente antropólogo urbano – Carlos Nelson Ferreira dos Santos – de saudosa memória, um dia escreveu bela página sobre como teria migrado da arquitetura para a antropologia. Muito fácil, concluiu: arquitetos e antropólogos findam enaltecendo os elementos simbólicos em ambas as artes.

Fausto Nilo é arquiteto urbanista. Melhor ainda, é de Quixeramubim cá do meu Ceará. Estas duas qualidades por si só dizem do muito que ele é. Simples, inteligente, honesto com as suas artes. Desenha espaços com a mesma leveza com que desenha palavras.

Simplicidade. O arquiteto esteve em Crato, não faz muito tempo. Andou por suas ruas feito um da terra. Ninguém o estranhou. Tinha a nossa cara. Era daqui. Mas alguém o seguia de longe. Seu olhar direcionava-se para o poeta com seus passos cadenciados sob uma roupa branca. E o seguia catando a poesia que entornava no chão de minha cidade.

Tenho dificuldades em chamar Fausto Nilo de letrista. Melhor será dizê-lo poeta da música. Ninguém nunca chamou Vinícius de letrista, foi sempre o poeta ou o poetinha seguindo seus carinhos em diminutivo.

Muito de antropologia em sua poética de ritos, de mitos, de simbologias, ressignificando a dureza das histórias do cotidiano. Escutem novamente Meninas do Brasil, Paroara, Baião da Rua, Amor nas Estrelas... Ou leiam seus poemas sem a música e os musiquem novamente. Claro que pode. As letras da poesia soltam toadas.

Vamos falar um pouquinho do nosso conterrâneo Fausto Nilo no programa Compositores do Brasil desta quinta feira. Dentre seu vasto repertório escolhemos para nos deliciarmos:

ZANZIBAR, de Fausto Nilo e Armandinho, com A Cor do Som
RETRATO MARROM, de Fausto Nilo e Rodger Rogério com Ney Matogrosso
BLOCO DO PRAZER, de Fausto Nilo e Moraes Moreira com Gal Costa
MIL E UMA NOITES DE AMOR, de Fausto Nilo, Pepeu Gomes_e_Baby Consuelo com Pepeu Gomes
JARDIM DOS ANIMAIS, de Fausto Nilo e Fagner com Fagner
DOROTHY LAMOUR, de Fausto Nilo e Petrúcio Maia com Ednardo
TUDO COM VOCÊ, de Fausto Nilo e Lulu Santos com Lulu Santos
AMOR NAS ESTRELAS, de Fausto Nilo e Roberto de Carvalho com Nara Leão
PAROARA, de Fausto Nilo, Chico Buarque e Fagner com Fausto Nilo
O ELEFANTE, de Fausto Nilo e Robertinho do Recife com Robertinho do Recife
BAIAO DA RUA, de Fausto Nilo e Nonato Luiz com Fausto Nilo
PEQUENINO CÃO, de Fausto Nilo e Caio Silvio com Simone
MENINAS DO BRASIL, de Fausto Nilo e Moraes Moreira com Moraes Moreira


Quem ouvir verá!

COMPOSITORES DO BRASIL
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Quintas-feiras, de 14 às 13 horas
Retransmissão: www.cratinho.blogspot.com

Fim de tarde em Barbalha , sob o olhar de Nívia Uchôa

Pérola da MPB

Percebendo a cor do carinho- por Socorro Moreira ( foto de João Nicodemos)

A natureza troca carinho ,
no olhar do artista
Se encosta a flor,
na palmeira que dança,
quando o vento toca...
E as cores  se misturam,
numa emoção vibrante...
Nada faz falta 
na hora em que os olhos 
se desfocam da vida
e apreciam o dia !
             Foto de João Nicodemos

As Palavras

Por mais que eu ame o silêncio
as palavras amo imensamente.
Sinto o atrito dos fonemas
esculpidos pelo vácuo.
Vejo a sombra raivosa
de algumas sílabas
deixadas para trás.
As palavras são criaturas
vingativas e gentis
quando querem.
Boa parte do tempo
não querem compromisso.
Saem e entram no meu estômago
com a mesma veemência do cafezinho.
E nem sempre o cafezinho está quente
e nem sempre labaredas as palavras.
Às vezes as palavras são cubos de gelo
dentro de um copo de vidro.
Amo tanto (meu deus)
como amo enlouquecido as palavras.
Sobretudo sem argumentações estéticas.
As palavras são crianças e idosos
em um mesmo estágio de vida.
Acompanham apenas os meus dedos
como se estes fossem cajados
nunca muletas.
As palavras não servem
para suportar o peso de uma derrota.
As palavras não parecem com travesseiros.
Pedras. As palavras são pedras ovais. Lisas.
De acordo com a posição do sol
até refletem encanto.
Quando chove não perdem o encanto.
As palavras têm mais encanto
que a minha antiga moeda encantada.
Tudo visível ou extraordinário
as palavras são testemunhas.
Acompanham meu espanto.
Meu sorriso. Minhas lágrimas.
Não se apiedam nem se glorificam
com o que escrevo.
Pois as palavras não sabem ler.
Prostram-se em um canto do quarto
e se norteiam pelo barulho das teclas.
Não leem. Apenas distinguem
o que é verídico do espetacular.
Dentro do caixão (elas sabem disso)
conviverei melhor com elas.
Estaremos todos unidos
pela escuridão do teto de madeira.
Não quero ser cremado.
As palavras não gostam
de ser reduzidas a cinzas.
As palavras sonham
em virar adubo de minhocas.
Eu também.

Centenário de Luiz Barbosa - por Norma Hauer


Em 7 de julho de 1910, nasceu, em Macaé, o cantor e compositor LUIZ BARBOSA, irmão do humorista Barbosa Júnior e do compositor Paulo Barbosa.
Bem antes de Moreira da Silva, criou sambas de breque, nos quais se acompanhava com seu instrumento "chapéu de palha".

Luiz Barbosa estreou no rádio, em 1931, no programa Valdo Abreu, na Rádio Mayrink Veiga. Esse programa foi, talvez, o primeiro montado no rádio, antes do famoso Programa Casé. Neste programa, ele também atuou.

Quando Cesar Ladeira assumiu a direção artística da Mayrink, deu a Luiz Barbosa a denominação de "Chevalier do Samba". Isso porque ele cantava de modo sinclopado, como o cantor e ator francês Maurice Chevalier, famoso na época.

Sua primeira gravação ocorreu no próprio ano de 1931,com "Meu Santo"; "Silêncio" (de Vadico, sozinho, sem seu companheiro Noel Rosa) e "Sou Jogador, de sua autoria.

Começou a fazer sucesso quando gravou, de Nássara e Orestes Barbosa, o samba "Caixa Econômica". Por causa desse samba, no Centenário de Orestes (em 1994) a Caixa Econômica apresentou, em sua agência no Boulevard, um "show" com composições de Orestes, ao qual compareceu, pela última vez aqui no Rio, o cantor Sílvio Caldas.

Bom, mas vamos a Luiz Barbosa. Sua carreira (e sua vida) foram curtas, mas ele gravou vários sucessos, como "Lalá e Lelé";"Risoleta";"Perdi a Confiança";"Já Paguei Meus Pecados"e duas inspiradas em ditos populares:"Quem Nunca Comeu Melado" e "Cadê o Toucinho?".
Na época áurea do Programa Casé havia uma drogaria no Largo de São Francisco, de nome "Drogaria Sul Americana", que fazia propaganda assim:"Ó, Ó, Ó Não!-A Drogaria Sul Americana é a mais barateira do Brasil". Utilizando esse anúncio, Luiz Barbosa gravou um samba intitulado "Oh, Oh Oh, Não!".

Foram dois os grandes sucessos de Luiz Barbosa:o samba de Braguinha e Alberto Ribeiro "Seu Libório" e o de Ari Barroso, "No Tabuleiro da Baiana ", em dupla com Carmen Miranda
O samba "Seu Libório" marcou muito sua carreira. Em todos os lugares onde ele se apresentava tinha de cantar "Seu Libório", chegando a ficar conhecido por esse nome.
Mas, por um desses motivos sem explicação que ocorriam no meio radiofônico, Luiz Barbosa não gravou "Seu Libório". Quem o fez, alguns anos, depois foi Vassourinha, outro cantor que viveu pouco.

No filme "Alô, Alô Carnaval" Luiz Barbosa aparece cantando "Seu Libório", sendo esse o único registro que se tem desse samba em sua voz.

Antes de gravar o samba "No Tabuleiro da Baiana", Luiz o cantava em um show no Teatro Carlos Gomes, para onde foi levado por Jardel Járcolis.

Esse samba ("No Tabuleiro da Baiana" ) que representou grande sucesso na voz de Luiz Barbosa em dupla com Carmen Miranda, "deu" seu nome ao abrigo que era o ponto final dos bondes da Zona Sul, ali entre a Avenida Treze de Maio e a Rua Senador Dantas.
Demolido após o fim do serviços de bondes aqui no Rio.

Como todo "bom farrista", de noitadas no bairro da Lapa, Luiz Barbosa adquiriu a doença então na moda: tuberculose e faleceu em 8 de outubro de 1938, com apenas 28 anos

Norma

Por Norma Hauer


LAMPIÃO E MANEZINHO ARAÚJO
Foi a 7 de julho de 1898 que nasceu Virgulino Ferreira da Silva, no interior de Alagoas. Tomou parte no que se chamou de "cangaço", ficando conhecido como LAMPIÃO.

Foram criadas muitas lendas a seu respeito e jamais se saberá o que era realidade ou o que seria lenda.

Uma das mais divulgadas é a que dizia que o famoso Padre Cícero (conhecido como Padre Ciço") prometendo anistia a Lampião, convidou-o a perseguir a Coluna Prestes, ato que Lampião não aceitou.

Não vou aqui comentar a vida de Lampião, de quem já ouvira falar em criança, quando não entendia do que se tratava, mas me lembro que citavam muito umas tais "volantes", que perseguiam Lampião por todo o Nordeste, até massacrá-lo (e a seu bando) em 28 de julho de 1938. Lampião tinha então 40 anos.

Tivemos um cantor que lançou "emboladas" quando aqui chegou no começo dos anos 30, indo atuar na Rádio Mayrink Veiga. Seu nome MANEZINHO ARAÚJO, cognominado por César Ladeira de "Rei das Emboladas".

Uma que muito o marcou tinha estes versos em sua primeira estrofe:

"É Lampi, é Lampi, é Lampi...
É Lampi ,é Lampi é Lampião.
É o filho do cangaço,
Interventor lá no sertão."

Naquela época era arriscado exaltar Lampião. Afinal era o "grande vilão" que amedrontava o nordeste.

Mais tarde, o cinema explorou, com um filme de nome "O Cangaceiro", a vida de Lampião e sua mulher Maria Bonita, tudo ao som de uma melodia folclórica de nome "Muié Rendera", que afirmavam ser da autoria de Lampião.

O pior é que as cabeças de ambos ficaram expostas por muito anos no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, onde as vi em 1959 (21 anos depois de suas mortes). Incrível, como levaram tantos anos expondo aquilo como um troféu !!!

Somente em 6 de fevereiro de 1969, depois de lutas das famílias de Lampião e Maria Bonita o Governo mandou sepultar aquelas cabeças.

Os tempos eram outros. Imagine-se hoje, todos os perseguidos e mortos pela Polícia, terem suas cabeças expostas em Museus! ...

Norma

Festa do Cariricaturas - 23 e 24 de Julho de 2010 !

 Dia 22.07- programação surpresa, em construção. 
- Fiquem ligados !


Dia 23. Encontro de escritores e colaboradores - Almoço literário, no "4 Estações" - a partir das 12 h.
12,00 por pessoa.-( entrega da quota de livros dos escritores).

Dia 24 .07 - Festa de lançamento, no Crato Tênis Clube do livro "Cariricaturas em prosa e verso", a partir das 20 h.

- cerimonial de lançamento - com Edilma Rocha

- exposição de Telma Saraiva  

-performances poéticas - com Divani Cabral, Stela Brito, Regina Vilar, Poliana Esmeraldo, João do Crato, Salatiel, Salete Libório.

-sorteio de brindes especiais - presente de Elmano Pinheiro Rodrigues  

-coquetel ao som da música de João Nicodemos.
- 22h :Baile  com a Banda de Hugo Linard

Mesas à  venda por 40,00 ( 4 ingressos e um exemplar do livro)

Reservas pelo telefone : 35232867 ( socorro moreira)

Anticaleidoscópio - por Ana Cecília S.Bastos

Branco branco muito branco
isso é a morte

Nesses dias sem devir
assim aurora é feita

Nessas noites de tragédia expectantes
em que me demoro inerte

morta