Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um time de futebol "da pesada" - anos 60


Reconheci Hubert Bloc Boris - Felipe Ribeiro da Silva - Seu Orestes - Gutemberg Cariri - Tarcisio Leitim - Dr. Derval Peixoto - Cândido Figueiredo - Seu Elisio Nogueira -

Quem mais? Quem mais?



***
João Marni disse:

Boa noite Claude, acrescento os seguintes nomes dos atletas:
Juvencio Mariano, Cleber Callou,Capitao Ariovaldo, José Maria das lojas pernambucanas, Gessi Correia, Derval Peixoto, Luiz de Borba,Tarciso Leitim Chico Pinheiro e Macario do cine moderno.

abraços.

Por Norma Hauer


STELINHA EGG
Foi em Curitiba-PR que ela nasceu, no dia 18 de julho de 1914, recebendo o nome de Stella Maria Egg, mas que se tornou conhecida como STELLINHA EGG, cantora, compositora, folclorista.

Demonstrou, ainda criança, sua vocação, cantando na Igreja Batista em Curitiba.

Iniciou-se, profissionalmente, na Rádio Clube Paranaense, onde venceu um concurso de folclore. Transferiu-se depois para São Paulo, atuando nas rádios Tupi, São Paulo e Cultura.

Em 1944 veio para o Rio, passando a cantar na Rádio Tupi, nos programas de Sílvio Caldas e de Dorival Caymmi.
Nesse mesmo ano gravou seu primeiro disco, na Continental, com a toada "Uma Lua no Céu...Outra Lua no Mar" e o coco "Tapioquinha de Coco".

Ainda em 1944 passou a atuar na Rádio Mayrink Veiga, onde a conheci. Apresentei-me como natural de Curitiba e ela gostou de conhecer uma conterrânea e me "presenteou" com um bonito autógrafo, que ainda hoje guardo com carinho.

Em 1945 casou-se com o Maestro Gaya, que passou a fazer os arranjos para suas gravações.

Nos anos 50, já atuando na RCA-Victor, gravou Ari Barroso ("Terra Seca"); Dorival Caymmi ("O Mar". "O Vento"): Humberto Teixeira e Lauro Maia("Catolê");Luiz Gonzaga ("Toca Sanfoneiro", de sua co-autoria);Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco ("Luar do Sertão")...

Nessa mesma época tomou parte em um Concurso Internacional de Folclore, em Araxá-MG, sendo classificada em primeiro lugar.

Entre 1955 e 1956 excursionou (com seu marido Maestro Gaya) pela Europa, atuando em Portugal, na França, na Itália e em países menos visitados, como Polônia, Finlândia e a antiga União Soviética.

Nos anos 60, gravou LPs com modinhas "Modas e Modinhas"; com cantigas de roda ("Vamos Todos Cirandar") e com "Músicas do Nosso Brasil".

Afastando-se do meio musical, retornou a Curitiba, onde veio a falecer em 17 de junho de 1971, sem completar 77 anos.

Não tendo sido uma cantora das mais populares, hoje não é muito referendada, como merecia.

Por Norma Hauer

MARINO PINTO
Foi aqui no Rio de Janeiro que ele nasceu em 19 de julho de 1916. Seu nome: MARINO PINTO, um compositor que obteve grandes sucessos em nosso cancioneiro.
Começou compondo em 1938, com Ataúlfo Alves, sendo que sua primeira gravação, na voz de Aracy de Almeida, já "estourou" . Foi o samba "Fale Mal, Mas Fale de Mim".
No ano seguinte,conheceu Wilson Batista e com ele compôs um dos sucessos, no ano seguinte, de Carlos Galhardo:"Deus no Céu e Ela na Terra".
Já um nome consagrado, passou a conhecer vários sucessos, com parceiros e cantores diversos.

Com Alberto Ribeiro, em 1941, compôs para Orlando Silva, o samba "Preconceito". Também com Alberto Ribeiro, um grande sucesso no carnaval de 1941, nas vozes dos "Anjos do Inferno":"Nós os Carecas"...

"Nós,nós os carecas,
Com as mulheres somos maiorais,
pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais".

Foi um carnaval que os carecas ADORARAM.

No ano seguinte, em uma excursão pelo Norte e Nordeste, Orlando Silva lançou um samba de Zé da Zilda,com Marino Pinto, até hoje regravado por vários cantores:"Aos Pés da Cruz".

Luiz Vieira, quando comenta esse samba, gosta de dizer que a cruz não tem "pés"e sim um único pé.

Nesse mesmo ano, Isaurinha Garcia gravou "Teleco-Teco" e Carlos Galhardo, o samba "Largo da Lapa".

"Foi na Lapa, que eu nasci
Foi na Lapa que eu aprendi a ler.
Foi na Lapa que eu cresci
E na Lapa eu quero morrer".


Nos anos seguintes, novamente Carlos Galhardo gravava Marino Pinto, com "Seis Meses Depois" e "Desacordo", ambos Marino teve Waldemar Gomes com parceiro.

Mais uma vez com Wilson Batista, agora na voz de Déo "O Ditador de Sucessos", como foi designado por César Ladeira, gravou "A Morena que eu Gosto". Este samba projetou bem o nome de Déo.

Um grande sucesso de Dalva de Oliveira, foi composto com Herivelto Martins, de nome "Segredo"
. Este samba foi explorado por Dalva durante seu "affaire" com Herivelto, apesar deste ser co-autor da composição.

Nessa época da separação de Dalva e Herivelto, os compositores apoiaram um ou outro. David Nasser, por exemplo, apoiou Herivelto e foi cruel com Dalva, em uma coluna que escrevia no "Diário da Noite".

Já Marino Pinto ficou ao lado de Dalva e, com Paulo Soledade, compôs outro grande sucesso, que também marcou o "affaire" : "Calúnia".

Este foi "forte"..."deixe a calúnia de lado se de fato és poeta...". Mais outro, este com Mário Rossi:"Que Será?", que também foi sucesso na voz de Dalva.

Em 1951 Getúlio Vargas regressou ao poder eleito que fora no final de 50 e Marino Pinto, seguindo a onda, compôs para Francisco Alves gravar, o samba "O Retrato do Velho"

"Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar..."

Marino Pinto ainda fez parceria com Haroldo Lobo e Dalva gravou "Foi Bom"; com Tom Jobim "Aula de Matemática", gravação de Carlos José; outra com Paulo Soledade "Cidade de São Sebastião", gravação dos Anjos do Inferno e com Mário Rossi, gravação de Jorge Goulart, "Quem ainda não Pecou" e "Decisão".

Em 1959, João Gilberto "redescobriu" e regravou "Aos Pés da Cruz".

Encerrando, com chave de ouro, sua carreira, em 1965, Marino Pinto compôs uma obra-prima "Valsa de Uma Cidade", em mais uma parceria com Mário Rossi.

Nesse mesmo ano faleceu, no dia 28 de novembro, deixando uma grande bagagem musical.

Edmar Lima Cordeiro

Um dos escritores  do "Cariricaturas em verso e prosa" chegou , na madrugada de sábado.
Cratense , residente em Paranavaí(PR) há muitos anos , respira de novo os nossos ares .
Chegou com missões especiais:
Espalhar as cinzas de Humberto Lima Cordeiro( irmão, falecido recentemente , no Paraná), na Chapada do Araripe.
Corpo e alma agora desintegrados, se reintegrarão, no espaço natal.
Participar , como escritor , das festividades  do Cariricaturas.
Edmar Cordeiro  é meu primo e amigo. Já está nas vizinhanças , pronto para nos fazer companhia.
Benvindo, querido !

Abraços .

Fotos de Edmar Cordeiro

domingo, 18 de julho de 2010

Correio Musical

O fim do encanto
É o início de outro encanto
Amor em meta(mor)fase  !

(socorro moreira)

Cascata do Crato - foto by Nívia Uchôa

Na Praça Siqueira Campos - fotos by Nilo Sérgio

Faltam 4 dias para as festividades do Cariricaturas !

Colaboradores e leitores, vocês são convidados !

Dia 22.07- no teatro Rachel de Queiroz- 19 h
-Lançamento do livro " Poeiras na Réstia"  do escritor cratense Everardo Norões.
-Amostra " Cascas do Crato" , esculturas  da artista plástica , Sônia Lessa Norões
- Recital de piano "O dom da música" por Dihelson Mendonça
Entrada franca

Dia 23.07- Almoço literário, no Quatro Estações-
12,00 por pessoa

Dia 24.07- Festa de lançamento do Livro "Cariricaturas em prosa e verso "- coletãnea de 33 autores.

- Cerimonial de lançamento
- Performances poéticas
- Coquetel
- Sorteio de brindes ( cortesia de Elmano Rodrigues Pinheiro)
-Baile , animado por Hugo Linard e Banda

Mesas : 40,00 ( 4 ingressos e um exemplar do livro)

Informações pelos telefones : 35232867 ,  88089685  , 99444161 ( socorro moreira)

Aguardamos a presença de todos !

Claude, Socorro, Edilam e Emerson ( coordenação)

A poesia de Maiakovski

DE "V INTERNACIONAL"

Eu
à poesia
só permito uma forma:
concisão,
precisão das fórmulas
matemáticas.
Às parlengas poéticas estou acostumado,
eu ainda falo versos e não fatos.
Porém
se eu falo
"A"
este "a"
é uma trombeta-alarma para a Humanidade.
Se eu falo
"B"
é uma nova bomba na batalha do homem.

(tradução: Augusto de Campos)



ESCÁRNIOS

Desatarei a fantasia em cauda de pavão num ciclo de matizes, entregarei a alma ao poder do enxame das rimas imprevistas.
Ânsia de ouvir de novo como me calarão das colunas das revistas esses que sob a árvore nutriz es-
cavam com seus focinhos as raízes.

(tradução: Augusto de Campos e Boris Schnaiderman)



BLUSA FÁTUA

Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.

Que a terra gema em sua mole indolência:
"Não viole o verde de as minhas primaveras!"
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
"No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!"

Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!

Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!

(tradução: Augusto de Campos)


Vladimir Vladimirovich Mayakovsky (Влади́мир Влади́мирович Маяко́вский) (7 de julho (calendário juliano) / 19 de julho (calendário gregoriano) de 1893, em Bagdadi, Geórgia – 14 de abril de 1930, em Moscou, Rússia) foi um poeta, dramaturgo e teórico russo, frequentemente citado como um dos maiores poetas do século XX, ao lado de Ezra Pound e T.S. Eliot.

Clementina deJesus



Clementina de Jesus da Silva (Valença, 7 de fevereiro de 1901 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 1987) foi uma cantora brasileira de samba. Também era conhecida como Tina ou Quelé.

Lista de escritores do livro "Cariricaturas em prosa e verso"



01. Ana Cecília Bastos /Rute Barreto

02. Armando Lopes Rafael /

03. Assis Lima /
04. Bernardo Melgaço/Claude Bloc

05. Carlos Esmeraldo

06. Carlos Rafael

07. Claude Bloc

08. Corujinha Baiana/Zélia Moreira

09. Dimas de Castro

10. Domingos Barroso/Carlos Rafael

11. Edilma Rocha

12. Edmar Lima Cordeiro

13. Emerson Monteiro

14. Everardo Norões/Joaquim Pinheiro

15. Isabela Pinheiro

16. J. Flávio Vieira/Luis Carlos Salatiel

17. João Marni
18. João Nicodemos

19. Joaquim Pinheiro

20. José do Vale Feitosa/Almina Arraes

21. José Newton Alves de Sousa

22. José Nilton Mariano/Emerson Monteiro

23. Liduína Vilar
24. Magali Figueirêdo
25. Marcos Barreto/Elsa Barreto

26. Olival Honor

27. Rejane Gonçalves/Stela Siebra
28. Roberto Jamacaru
29. Socorro Moreira
30. Stela Siebra Brito

31. Vera Barbosa/Socorro Moreira

32. Wilton Dedê
33.Bruno Pedrosa / Edilma Rocha


O  mais depressa  possível estaremos enviando a quota de livros devida aos  escritores ausentes, através dos seus representantes.

Se alguém desejar um exemplar do livro em lançamento , basta contatar  um dos tais : 
Edilma, Claude, Socorro ou Emerson.

Receita de Brigadeirão - Colaboração de Fátima Figueirêdo

Brigadeirao de nutella

5 ovos
02 latas de leite condensado
01 xic de leite
06 colheres de chocolate do frade
01 colher de sopa de margarina
01 pote de nutella
Bata no liquidificador os ovos ( bater bem) ,o leite condensado e demais ingredientes, coloca em forma untada polvilhada com açúcar Coloca para assar em banho Maria.
Deliciosa!

CLIQUE -Por Edilma Rocha


Everardo Norões e Você - José do Vale Pinheiro Feitosa

Guerrilheiro, andarilho do terceiro mundo, político de seiva, erudito, universal como a cratera de um vulcão, vivente de muitas vidas numa apenas, cratense inconcluso, Everardo Norões é um dos poetas mais maduros da geração do pós guerra. E muito sério.

Isto é, quem olha Everardo na ambiência social, encontra uma sisudez herdada. Aproxime-se e descobrirá um verbo que tem aquilo que Eça de Queiroz dizia do português falado no Brasil: tem a doçura da cana. Mas não procure que se cristalize definitivamente, logo ele se liquefaz e toma outras formas. Por isso tão múltiplo como dito no início.

Ia me esquecendo dizer de quem herdou. De Plínio Norões, o seu pai, quem o mundo movia-se por quereres, mas também por aleatoriedade. Nem acaso apenas como necessidade somente. A sisudez como atenção pelo momento em curso.

Portanto, neste evento que o Cariricaturas promove de lançamento de mais uma edição de Everardo Norões, o livro “Poeira nas Réstias” o pessoal do Crato tem de se desapegar desta preguiça malsã.

A preguiça que não é nossa e nem nos convém como acontecia nas canções de Dorival Caymmi. Peço aos meus que mande para os quintos dos infernos esta preguiça de televisão, da mesmice pequeno-burguesa do Jornal Nacional e que por falta não perderá a alma. Ganhe sua alma e vá ao Teatro Rachel de Queiroz.

Encontre Everardo em companhia de Sonia e Dihelson Mendonça. Verás quão significados existem neste verbo encontrar: frente a frente; descobrir a consciência; recuperar a própria alma escondida atrás dos cristais luminosos das televisivas. Tudo bem que procure a simplicidade própria, não este sonambulismo hipnotizado por tantos lugares comuns e tanta notícia sangrenta.

No Teatro Rachel de Queiroz, neste dia 22, na próxima quinta feira, não deixe sua alma no éter, dê-lhe a chance de ser ela por ela mesma. Abrace esta intenção, supere o umbral desta casa que lhe prende por exaustão. Vá para a rua e encontre-se. Lembre de um poema de Everardo Norões em seu “Retábulo de Jerônimo Bosch”:

Orley

Ele cruzava
as pontes do recife
em direção à Abissínia.

Nós o seguíamos:
havia sempre um cais,
um segredo,
o elixir das noites mortas.
Aprendíamos
a verdade incompleta,
o sortilégio dos desenganos,
as formas de penetrar,
(de leste a oeste)
a pálpebra das coisas.

Sempre um átomo a pulsar
no vidro,
no sexo,
nos móveis da casa:
a substância mais viva
do esquecimento.

Digo:
o silêncio é uma rua
de janelas fechadas.

Uma longa viagem - Por Marcos Barreto de Melo

Lembro-me do tempo em que eu era criança e via o meu pai fazer uma longa e demorada viagem para a fazenda Boqueirão, no município pernambucano de Bodocó. Tudo me parecia muito distante, um mundo desconhecido e quase inatingível. Os preparativos para a viagem começavam cerca de três dias antes da data marcada e seguiam um verdadeiro ritual. O meu pai não falava em viagem, mas era fácil para nós descobrirmos pelas cenas incomuns que ocorriam ao nosso redor.
Via o meu pai ir ao Crato para comprar numa serraria algumas peças de pau d’arco aparelhadas e entregá-las ao mestre Zé Nanor, que em menos de dois dias de labuta preparava uma bela cancela. Em seguida, uma primeira pintura em vermelho era aplicada.
À sombra de uma generosa e frondosa árvore que cobria o oitão da nossa casa, trabalhava o nosso compadre Neco Soares, exibindo toda a sua habilidade no trato de arreios de couro. Fazendo marras de chocalho, cordas de couro, cabeçadas, rédias para animal, consertando celas ou arrumando cangalhas. Estava desfeito todo o segredo. O meu pai iria mesmo viajar nos próximos dias.
Na véspera, com o sol já para se esconder, via os serviçais da fazenda arrumar os “trens” na carroceria da velha picape chevrolet. Sacas de milho e de feijão para semente, algumas bolas de arame farpado, carro de mão, pá , uma enxada bem encaibrada, um esticador de arame farpado, sacas de sal, veneno pra lagarta e remédio para curar bicheira na vacaria.
De madruga, eu acordava com a movimentação dos viajantes entre a sala e a varanda. A minha mãe ia para a cozinha preparar o café da manhã. Eu me levantava em meio àquela madrugada fria, agasalhado num velho e macio pijama de flanela. Não podia deixar de me despedir do meu velho. E quando ele saia, eu pedia a sua benção. Depois de ver o carro virar a curva da estrada e se perder na escuridão, eu voltava a dormir no quentinho da minha rede. Mas antes, ainda rezava e pedia a papai do céu para acompanhá-lo em sua viagem. Pedia também para que ele não demorasse muito a voltar.
Dias depois, imagino que não mais que uma semana, ele voltava sem nos avisar. Era aquela alegria quando víamos a picape coberta de poeira e de lama aproximar-se de nossa casa. Com ela vinha também um cheiro diferente de uma terra distante e desconhecida. Tinha um cheiro agradável, de mato que a gente não conhecia. E quando ele descia do carro, estávamos em fila ao seu redor novamente a lhe pedir a benção.
Na carroceria, logo descobríamos um carneirinho a berrar, cuja mãe morrera de parto. De agora em diante, ele seria criado por nós. Mas, seria também um novo brinquedo, uma diversão. E no dia seguinte, com o meu pai em casa, a vida voltava ao seu normal. Até que viesse a próxima viagem.


Marcos Barreto de Melo

sábado, 17 de julho de 2010

O dia "D" está chegando ...Cariricaturas em festa !

Colaboradores e leitores,

Atentem para a programação !

Dia 22.07 às 19 h
- Lançamento do livro "Poeiras na Réstia"  de Everardo Norões.
-Amostra da exposição "Cascas do Crato" por Sônia Lessa
-Recital de piano " O dom da música" por Dihelson Mendonça
Entrada franca

Dia 23.07 a partir das 11 h
Almoço literário, no "Quatro Estações"
12,00 por pessoa.

Dia 24.07 , no Crato Tênis Clube - a partir das 20 h.

- Lançamento do livro "Cariricaturas em prosa e verso"
-Performances poéticas
-Coquetel
-Baile

Adquira sua mesa . Ingressos quase esgotados !
Contato : 35232867 ( socorro moreira)

Coquetel de frutas



* Ingredientes
* 1 garrafa de suco de caju
* 1 garrafa de suco de abacaxi
* 1/2 garrafa de suco de maracujá
* 1/2 garrafa de suco de goiaba
* 1 garrafa de guaraná (refrigerante 600ml)
* 1 copo de groselha ou mais
* 1 lata de leite condensado
* 700 ml de água


* Modo de Preparo

1. Bata tudo e coloque para gelar

As delícias da cozinha de Fátima de João Marni


Brigadeirão

* • 1 lata de creme de leite sem soro
* • 1 xícara (chá) de chocolate granulado para decorar
* • manteiga para untar
* • 3 ovos
* • 1 colher (sopa) de manteiga em temperatura ambiente
* • 4 colheres (sopa) de açúcar
* • 1 xícara (chá) de chocolate em pó solúvel
* • 1 lata de leite condensado

Preparo da Receita

Bata no liqüidificador o Leite Moça, o Creme de Leite, o Chocolate em Pó, o açúcar, a manteiga e os ovos. Quando ficar homogêneo, despeje em uma fôrma com furo central (19cm de diâmetro) untada com manteiga. Cubra com papel de alumínio e asse em banho-maria em forno médio (180°C) por cerca de 1 hora e 30 minutos. Desenforme ainda morno e decore toda a superfície com o chocolate granulado. Leve à geladeira por cerca de 6 horas.

Microondas: Prepare o Brigadeirão como no modo de preparo convencional. Leve ao microondas por cerca de 8 minutos na potência alta. Desenforme ainda morno e decore toda a superfície com o chocolate granulado. Leve à geladeira por cerca de 6 horas.
Dica para esta receita

- Para retirar o soro do Creme de Leite, deixe a lata na geladeira por, no mínimo, 4 horas. Em seguida, vire a lata, faça dois furos no fundo e escorra o soro. Caso deseje uma consistênca mais fluída, mantenha o soro.

Congelamento: Querendo, congele o Brigadeirão pronto em recipiente adequado. Deixe por até 3 meses em freezer ou duplex. Para descongelar, retire do freezer e deixe na geladeira.

Fonte: Cozinha Nestlé

Jane Austen


Jane Austen (1775-1817) foi uma escritora inglesa, autora de seis romances (completos): A Abadia de Northanger, Razão e sentimento, Emma, Mansfield Park, Persuasão e Orgulho e preconceito, este último, o mais conhecido deles e, ao que tudo indica, um dos preferidos da autora que referiu-se a ele em uma carta como “querido filho”.

Por quem os sinos dobram ?

17 de Julho - por Ernesto


17 de Julho de 1936

Muitos ainda comemoram (ou não) a vitória da Espanha na Copa do Mundo. Mas no dia 17 de Julho de 1936 o país ibérico entrava em um dos mais negros capítulos da sua história!

As eleições gerais de 1936 acontecem em um cenário de crise social e econômica muito grave. De um lado, os republicanos que se agrupavam dentro de um projeto chamado Frente Popular (grupo que juntava pessoas de diferentes sensibilidades ideológicas: moderados, nacionalistas catalães e bascos, comunistas e anarquistas). O programa a anistia geral, a aplicação da reforma agrária e do estatuto de autonomia da Catalunha, a modificação das leis Municipal , Provincial e da Ordem Pública, e a ampliação do ensino público primário e secundário.

Do outro lado, direita, que unia monárquicos, latifundiários, conservadores e os fascistas da emergente Falange Espanhola.

A vitória da Frente Popular foi apertada: 4.654.116 votos contra 4.503.524! Os centristas (os “do muro”) fizeram 526.615 votos. Claramente, a Espanha era um país dividido.

O golpe contra o resultado das urnas teve início na África. Mais precisamente, no Marrocos espanhol.

No dia 17 de Julho de 1936, um contingente de 30 mil homens, mais 12 mil marroquinos sob ordens de militares espanhóis de direita se rebelam. No dia seguinte, o general Francisco Franco (Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco y Bahamonde Salgado Pardo de Andrade) rebela-se nas ilhas Canárias, toma um avião. No dia 19, assume o comando marroquino. Desde o início, conta com a colaboração da Alemanha nazista e da Itália fascista que o ajudam no transporte das tropas da África para a Espanha.

Mas o golpe conseguido com muita facilidade nas colônias africanas não se repete nas principais cidades espanholas. Só Sevilha é controlada. Os grandes núcleos industriais, principalmente Madri e Barcelona, repelem os golpistas, a partir de uma resistência sustentada pelos militantes dos partidos esquerdistas e das centrais sindicais aliados aos militares legalistas. O governo republicano constitucional não controla a situação.

Comitês se organizam nas cidades, para controlar a justiça e a polícia. Cada partido ou sindicato organiza patrulhas de controle e promove prisões. A persistência de ambos os lados transforma a tentativa de golpe em guerra civil.

Em 10 de outubro de 1936, uma junta de militares golpistas nomeia Franco chefe do governo do Estado e generalíssimo dos exércitos, oficializando-o como cabeça da insurreição, apoiado por uma colcha de retalhos direitista batizada como Falange Tradicionalista Espanhola.

Os livros não são claros sobre os resultados. Fala-se de entre meio milhão e um milhão de mortos durante a guerra civil espanhola!

A Europa passa a olhar para a Espanha com muita atenção: a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini apoiaram Franco e os golpistas; os republicano recebem apoio de civis voluntários de diversos países que fizeram parte das “Brigadas Internacionais”.

Em abril de 1937 acontece o bombardeio da cidade basca de Guernica, pela aviação nazista. A representação dos horrores desse ataque é imortalizada em tela por Pablo Picasso, numa das obras de arte mais significativas do século XX. Esse bombardeio deixa 1654 mortos e 900 feridos.

A guerra civil durou três longos anos. Após a vitória dos golpistas de direita, começou o exílio e até um milhão e meio de pessoas do lado perdedor emigraram para a França e diferentes países da América Latina.

A vitória franquista afasta do país artistas e intelectuais. Os pintores Pablo Picasso e Salvador Dalí, o cineasta Luís Buñuel e o violoncelista Pablo Casals viveram no exílio. O poeta Federico Garcia Lorca foi fuzilado por um pelotão falangista.

A paixão pela luta republicana produziu uma vasta literatura de ficção. A mais famosa é Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway, transformada em filme estrelado por Gary Cooper e Ingrid Bergman; mais recente é Terra e Liberdade, do inglês Ken Loach.

“Nenhum homem é uma ilha isolada. Cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra. Se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria. A morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano.

E, por isso, não perguntes por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.”

(John Donnn – no prefácio do livro de Hemingway)

Ernesto

Eliana Macedo


Eliana Macedo, nome artístico de Ely Macedo de Sousa (Itaocara, 21 de setembro de 1926 — Rio de Janeiro, 17 de junho de 1990) foi uma atriz e cantora brasileira.

Nasceu em Portela, terceiro distrito do município de Itaocara. Seu avô incentivou filhos e netos a tocarem algum instrumento musical, formando a banda XV de novembro e tendo Eliana como intérprete da banda.

Sua primeira atuação em filmes foi no E o mundo se diverte, em 1948, sendo dirigida por Watson Macedo (seu tio) ao lado de Carlos Manga, que foi responsável pela época áurea da Atlântida Cinematográfica. Watson Macedo dirigiu Eliana por quase toda a sua vida artística. Nos filmes, em vários números musicais imitou por diversas vezes os trejeitos de Carmen Miranda.

Seu grande momento como atriz foi no filme Carnaval de fogo de 1949, em que ela fez dois papéis (de duas mulheres). Watson Macedo tinha preferência pelas atrizes Maria Della Costa e Cacilda Becker, mas os diretores da Atlântida impuseram Eliana e foi um sucesso.

Estrela das chanchada da Atlântida fez cerca de 26 filmes. Contracenou com artistas que marcaram época tais como Oscarito, Anselmo Duarte, Cyll Farney, Trio Irakitã, José Lewgoy, Grande Otelo, entre muitos outros.

Cantou, gravou e interpretou seus filmes com a Adelaide Chiozzo e seu acordeão, sobressaindo os sucessos Pedalando, de Anselmo Duarte/Bené Nunes, Bate o bombo Sinfrônio, Encosta sua cabecinha e Vem cá sabiá.

Casou-se com o pioneiro do rádio no Brasil, o radialista da rádio Nacional, do Rio de Janeiro,atual CBN, Renato Murce, em 1950, causando muitos comentários devido a grande diferença de idade.

Em 1954 foi agraciada com o Prêmio Saci - de melhor atriz, com o filme A outra face do homem; participou também do filme Malandros em Quarta Dimensão, de Luiz de Barros.

Morreu devido a um infarto.
wikipédia

Raul Cortez


Raul Christiano Machado Pinheiro de Amorim Cortez, conhecido apenas como Raul Cortez (São Paulo, 28 de agosto de 1932 — São Paulo, 18 de julho de 2006) foi um ator brasileiro.

Pai da também atriz Lígia Cortez, fruto do seu casamento com a atriz Célia Helena, e de Maria, essa com Tânia Caldas. O ator teve duas netas, filhas de Lígia: Vitória e Clara.

Descendente de espanhóis, Raul era o mais velho de seis irmãos: Rui Celso, Lúcia, Pedro, Regina e Jô Cortez.

Tem um impressionante currículo que inclui 66 peças teatrais, 20 telenovelas, seis minisséries, 28 filmes e vários prêmios, entre eles cinco Molière - a mais importante premiação do teatro brasileiro.
wikipédia

Ontem, a patroa inventou de ir à Expocrato. BENDITA SORTE ! - Por: Dihelson Mendonça


As Manadas Humanas


Aonde eu estava com a cabeça, que após 6 dias de jejum da maior festa popular do Nordeste eu decidi fazer esse sacrifício de ir junto ? Pois bem. Telefonei para a "patroa": "Tá afim MESMO de ir à Expocrato?" Ela respondeu com um sorridente SIM. Sabe como são as mulheres, não perdem uma só oportunidade de ir a uma festa, por pior que seja. Eu avisei logo que não poderíamos nos atrasar muito. Nem adianta...Pra começar muito bem, passei o dia pensando se levaria minha câmera nova, valiosa, ou não. Ouvi dizer que por dia, passam cerca de 50.000 pessoas na Expocrato, e que a quantidade de bandidos, assaltantes, picaretas, trombadinhas, pilantras, vigaristas por metro quadrado aumenta bastante no sentido de assaltar os turistas distraídos que vêm para as merecidas férias do meio do ano. Então, pensando no enorme pêso que iria ter que carregar noite adentro, resolvi levar uma câmera compacta, mais leve. Até porque eu tenho tido fortes dores na coluna, e uma possível hérnia que me impede de ficar muito tempo de pé carregando pêso.

Conforme o combinado, cheguei à casa da "patroa" às 18:30. É desnecessário dizer que ela ainda não estava pronta. Mulheres nunca estão. Depois de gastar uma parte da gasolina do tanque parado em frente à residência e buzinando, irritado e irritando a vizinhança, resolvi descer para ver se a dita cuja ainda estava viva. Um olho no gato e outro no peixe, isto é, um na casa e outro no equipamento fotgráfico dentro do carro.

Ao adentrar pela casa, aquele silêncio. De súbito, avisto uma das piores cenas que um homem nunca se habitua: Sentada numa cadeira estava ela, enquanto outra colega escovava os cabelos e tagarelavam sobre 1001 bobagens.

"É só um minutinho", ela me diz."
"Mas o combinado... " - STRESS...

Meia-hora depois, o cabelo estava pronto, ao que me diz "Olha só, o cabelo ficou horrível, tudo por causa dessa sua ( minha ) pressa. Pressa, eu ??? - Foi pegar os sapatos. Mais meia-hora para escolher entre o sapato de salto alto de bico fino prateado, e o sapato ainda mais alto prateado de salto alto de bico fino prateado. Após mais de uma centena de pares testados, me pede opinião:

"É melhor esse ou esse ?"
"Pra mim, todos são bonitos, é tudo igual"
"Tá vendo que homem não sabe dar palpite ? não entende o gosto feminino...bla bla bla...você nunca me compreende, você não procura saber do que eu gosto... bla bla bla"
"Ok, então porque você me perguntou ? Escolhe qualquer um e vamos embora"

Ela escolheu então, o super-hyper-mega sapato de salto alto de bico fino prateado. Quase não conseguia caminhar. Eu falei: "Olha, para o lugar que a gente vai, é muito deselegante andar de salto alto...até a esposa do Tasso Jereissati estava lá com sapatinho baixo..." "Não interessa, eu só sei andar chique". "OK não se fala mais nisso!"

Depois de um atraso de uma hora, e um calor que me transformou numa chaleira ambulante,, depois que o perfume evaporou, conseguimos sair de casa. Apenas sair de casa, porque ainda teve de voltar mais 3 vezes porque esqueceu de por isto e aquilo, e ainda queria trocar o sapato porque achava que não estava bom.

Finalmente, dei a partida no carro, e saímos em direção à Expocrato. O primeiro engarrafamento que enfrentei foi logo próximo ao parque municipal. Centenas ou milhares de outros loucos iguais a mim tiveram a mesma idéia de ir de carro próprio para a exposição. Resultado: engarrafamentos kilométricos. Depois de muito procurar um lugar para estacionar, e após 45 minutos vagando nas ruas que dão acesso à expocrato, o motor começou a esquentar muito, ponteiro beirando a marca do vermelho. Uma catinga de cão queimado começou a se fazer sentir no carro, e o engarrafamento não andava nem pra frente, nem pra trás. Resolvi desligar para esfriar o motor: Pior ficou, porque o carro não quis pegar mais, e tive de aguentar os palavrões dos motoristas mais estressados. Quase hora e meia depois de sair de casa, estava voltando pelo mesmo lugar que fui sem achar vaga para estacionar. Resolvi parar então na Rua Dr. João Pessoa, certo dos perigos de assalto e da distância. Para as coisas ficarem melhores, assim que parei, uma parte da rua ficou às escuras, dando-nos aquele friozinho gostoso na barriga, ao que uma pessoa com um dedo muito longo me deu um cutucão nas costas. Pensei comigo "Deve ser um assalto". Era um amigo e aquelas brincadeiras mais idiotas do mundo, de cutucar a pessoa de um lado e se esconder do outro. Brincadeira sem graça à parte, fiquei com vontade de mandar o cara à merda, mas estava sem tempo pra isso. Seguimos a pé para a Expocrato, que a essa altura já não tinha mais graça nenhuma. A "patroa" e seu sapato bico fino logo começou a reclamar:

"Ande mais devagar, que eu to de salto alto, tá fazendo calos nos pés, não tá vendo?"
"Ah é, e porque você veio com essa porcaria pra exposição? Pra subir ladeira ? Tomara que atole o pé numa poça de lama lá"
"Meu filho, você não sabe o que é ser chique"
"Sei. Se for chique andar com um salto alto desses e o pé cheio de bolhas, tô fora..."

Nesse instante, a bendita sandália quebrou o rabicho.
"Tá vendo o que você fez ?"
"Eu que fiz ?"
"Sim, com essa pressa besta!"
"Ah é, eu mereço..."

Após dar uma de sapateiro em plena Miguel Limaverde enquanto os outros passaram dando risadas, fomos pela praça da sé e começamos a subir a ladeira que dá acesso à expocrato, quando 2 amigos da "patroa" a abordam e começam a conversar longamente. como se eu não existisse. Boa noite pra mim ? nem de longe. "Ah! Eu devo ser invisível"

"Mulher, como tu tá bonita! ( disse um deles ). "Quando é que nós vamos marcar pra ir lá na tua casa, criatura?" E eu pensando comigo "Que papo besta! olha só esse imbecil, tá fazendo de conta que não tá me vendo"...

Pra cortar caminho resolvi aplicar uma tática infalível: Fiquei entre os dois, dando as costas ao mão de boiola, e disse "Patroa, eu estive pensando...quando a gente chegar lá, eu quero visitar minhas primas na expocrato..." INCRÍVEL - Bom, vocês sabem, o "Bofe" tinha algum simancol e conseguimos seguir em frente. Cheguei ao parque de exposições esbaforido e me recompondo de carregar as câmeras fotográficas ladeira acima. Caminhei 10 metros e uma excelente topada no portão da entrada me deu as boas vindas à expocrato, que quase fui de cara ao chão. A patroa disse apenas "caminhe com classe, meu filho, as pessoas estão nos observando! Boa noite A, boa noite B" "Ora, que as pessoas vão para a Pu......" Nisso passa um fotógrafo meio bêbado por mim, dá aquela cutucada do lado esquerdo e se esconde no direito ( de novo ? )O mundo deve estar cheio desses idiotas, pensei". Quando já ia reclamar o cara se voltou e disse:

"Tá me reconhecendo cara?"
"Deixa eu ver...sua fisionomia não me é estranha, agora sinceramente eu não estou lembrando"
"Arri-Égua, macho, tu já elogiou minhas fotos e não me rconhece ?"
"Sim, meu amigo, ver uma foto é uma coisa. Ver o fotógrafo é outra coisa"
"Cara, mas tu é falso mesmo, hein! Tu não conhece o Sebastião Salgado, o maior fotógrafo do Brasil ?"
"Conheço sim, mas não é você"
"Então, cara, tu conhece o Sebastião Salgado e não me conhece ?"
"Olha, meu amigo, dá licença que eu tenho que ir resolver umas coisas...( e fui saindo )
O cara inda ficou lá atrás gritando: "Você é um falso, viu ? não me reconheceu"

Encontrei o amigo Wilson Bernardo e relatei o caso. Wilson, quem é aquele idiota ? Wilson disse: "Ah! Aquele cara é xarope, véio, sempre arruma confusão com quem encontra..."

Saindo desse aperreio, resolvi esfriar a cabeça e tentar pensar somente em coisas boas. Olhar a paisagem, as pessoas conhecidas. Muitos passavam e queriam atualizar a conversa de 10 anos em 10 minutos. Eu não conseguia caminhar por mais de 10 metros sem encontrar um conhecido. Já estava pensando em comprar uma máscara para me disfarçar a fim de pelo menos chegar ao outro lado. Um dizia:

"Hey, cara, cadê as minhas fotos?"
"Você pode mandar as fotos pra meu e-mail ?
"Olha, eu sou um cara meio sem tempo, o Blog já me toma um tempo..."

A essa altura, olhei pra patroa e falei: "Amiga essa sua idéia de vir pra ExpoCrato foi a coisa mais maravilhosa...Parabéns, EINSTEIN ! - No inferno se tem mais PAZ"

Encontrei até uns bons amigos, mas o som das barracas estava tão alto, aquela balbúrdia imensa, que ninguém se entendia. Percebi que estava ficando afônico e surdo de tanto gritar. A poeira era incrível, e a quantidade de bêbados esbarrando em nós, absurda! Ainda brigava com a patroa, quando sem querer enfiei o pé numa lama preta que saía por debaixo de uns currais. O odor era algo assim parecido entre merda de porco e criolina. Tentei esfregar o pé num pedaço de madeira, quando nisso chega um sujeito querendo vender à força aquelas bugigangas luminosas.

"Eu não quero, meu amigo!
"Mas o Sr. pode pagar, custa apenas 1 real"
"Eu não quero, meu amigo"
"Olha, eu faço 2 por 1 real"
"Eu não quero, meu amigo"
"Porque o Sr. tá esfregando esse seu pé aí, por acaso pisou em cocô?"
( Nisso vai passando uma antiga paixão de colégio que eu sempre fui a fim, e a infeliz ouviu apenas a última frase "Pisou em Cocô" ). Ela olha pra mim com uma carinha de riso, e eu penso cá comigo "olha, não é isso que você tá pensando..."

Afinal, consegui me livrar do vendedor e para voltar à paz, chamei a patroa para comer alguma coisa, afinal, naquela pressa de sair, nem jantamos. Chegamos a uma barraca de cachorro-quente.

"Meu amigo, esse cachorro-quente é de hoje?"
"Foi feito agora, patrão!"
"Então, quero 2 cachorros-quentes e dois refrigerantes"
Após sermos assaltados no preço, comemos e saímos. Depois de rodar mais meia-hora junto com a manada que circula em volta do picadeiro, o "famoso" cachorro-quente começou a fazer um efeito purgativo no intestino. "maldita hora, pensei eu". E agora, achar um banheiro por aqui ? Naquela pressa, a solução foi correr para um matinho que havia por ali. O pior foi perceber depois que aquela água que circulava não era água e sim, urina acumulada de muita gente que por ali já tinha passado, e meu sapatinho engraxado e já cheio de poeira, agora estava nadando em pleno rio de mijo.

Saindo da "moita", ainda levantando as calças, e sem mais papel higiênico para limpar as mãos, encontro a patroa com uma turma de amigos finos, todos bem vestidos, que me esperavam para conhecer a "celebridade" do Blog do Crato. Apertos de mãos...( Ah! mal sabem eles aonde essas mãos estavam há poucos instantes e que sufoco! ).

Depois, passando por perto da entrada dos shows, fui surpreendido por diversos vendedores de ingressos: "Vai um ingresso aí, Patrão ? É só 10 reais" "Quero não senhor! Eu não gosto desse estilo." "Mas patrão, se o Sr. quiser eu lhe vendo até de "Aviões do Forró" "Tá louco, meu amigo ? Eu quero lá essa porcaria de aviões do Forró, eu quero é que esse tal de aviões do forró pegue fogo, meu estilo é outro. Eu gosto de Jazz". Ele respondeu "Eu tenho CDs de Jazz, quer comprar ?" - Pensei comigo: Aonde esse cara foi encontrar CDs de Jazz AQUI ?????

Daqui a pouco vem o sujeito com um monte de CDs na mão:
"Eu não disse, patrão, que eu tinha CDs de Jazz, olha aqui:"
Eu olhei e tava escrito: "ZEZO - Forró do ZEZO " - Deixa pra lá...

"Patroa, o divertimento nessa expocrato é mesmo maravilhoso, mas minha hérnia está me matando, minhas costas não aguentam mais e eu quero ir pra casa"

Foi o suficiente: "O quê ? Casa ? como é que eu passo o ano inteiro intocada dentro de casa, e na única chance do ano pra me divertir você já quer voltar pra casa ? Você precisa comprar um presente pra mim! vamos ver as bijouterias". Oh meu Deus!

Depois de uma hora contada no relógio olhando bijouterias, e eu com os pés me matando sem um só lugar pra sentar, quase desmaiando, ela volta e diz:

"Não comprei nada. É tão complicado decidir! Você nem me ajuda!"

OK. OK. OK. Minha querida! Eu sei que a expocrato é a maior festa popular do nordeste, que movimenta 50 milhões todo ano, que vem gente do Brasil todo ver esta coisa, mas eu quero uma coisa simples, pode ser ? EU QUERO IR PRA CASA! NÃO AGUENTO MAIS !

Ela diz:

"Ora, deixa de ser mole, eu que to aqui com os pés cheios de bolhas não estou reclamando desse jeito..."

VAMOS EMBORA

Finalmente, após um caldo de cana com recheio de moscas, ela decidiu seguir a minha sugestão e resolvemos descer a ladeira em direção ao carro. Antes, uma parada para aliviar, e sentei numa pedra, ao que passa um colega de trabalho e diz "Eita Dihelson Paidégua, tá chegando agora e não deve perder uma só noite, o bacana só se divertindo, porque na Segunda-Feira já voltamos todos ao trabalho duro!" - Dou meia volta e saio correndo, e nem me despeço. Vamos, mulher, corra, corra..."

Na descida da ladeira a sandália da patroa quebrou de novo, desta vez sem conserto, teve de caminhar descalça pelas ruas do centro e furou o pé com um prego. Sangue...todo mundo olhando e pensando "Olha aquela mulher, deve estar muito doida...". Sorriso na cara para disfarçar. Enquanto a gente descia, uma multidão subia para os shows: meninas cheias de Vodka e levando mais nas mãos, morenos de chapeu de argentino e corrente grossa no pescoço, bêbados puxando briga, mototaxistas oferecendo corrida, taxistas desrespeitando o trânsito, baianas vendendo dor-de-barriga, guardas de trânsito impacientes, gente que sobe, gente que desce...

Enfim, chegamos ao BENDITO Carro. Quando peguei na maçaneta, um negão pulou não se sabe de onde e disse "Não é assim não, patrão..." Frio na espinha. Pois não, Senhor ? "O Patrão vai pagar pelo "estacionamento" ? "Amigo, mas que estacionamento, isso aqui é a Rua Miguel Limaverde, não tem estacionamento." "Tem sim, patrão, e custa 20 reais". "Ah é ? e se eu não pagar ?" "Patrão, é melhor o senhor me pagar tá ligado?" - Imediatamente tirei os benditos 20 reais e entreguei para o sujeito. Entrei na BELINA, acionei a ignição e nem olhei pra trás.

Ao chegar em casa, meia-noite, na Vilalta, tirei os sapatos - Pés cheios de bolhas - Um hprojeto de homem, um semi-homem, acabado, cansado, morto e sepultado. Dores em cada centímetro do corpo. Caí de ponta na cama e tentei pensar sobre o valor que tem mesmo essa tal de EXPOCRATO. E afinal de contas, cheguei à conclusão de que nesta coisa toda, o errado sou eu mesmo. O mundo, afinal, deve estar certo, e eu não quis seguir a manada que entrava na expocrato como ovelhas para a matança. O que tanto as pessoas procuram? Procuram dar sentido às suas míseras existências ? Acham que o sentido da vida está apenas na busca do prazer fútil e imediato ?

E pensando assim, tentei adormecer ao som estridente, e altíssimo que vinha de lá de longe, da Expocrato até a Vilalta, kilômetros de distância, por uma falta de controle urbano, som que entrava pelos meus ouvidos adentro como uma faca amolada. Mas aí, o cansaço já era tão grande que a esta altura, morrer e matar já não fazia a menor diferença.

Por: Dihelson Mendonça