Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Por Leonardo Boff - Colaboração de Nívia Uchôa
Recebido por e-mail
Estamos obcecados com "o melhor".
Não sei quando foi que começou essa mania, mas
hoje só queremos saber do "melhor".
Tem que ser o melhor computador, o melhor carro,
o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor
operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.
Bom não basta.
O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os
outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes,
porque, afinal, estamos com "o melhor".
Isso até que outro "melhor" apareça -
e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.
Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor,
de repente, nos parece superado, modesto, aquém
do que podemos ter.
O que acontece, quando só queremos o melhor,
é que passamos a viver inquietos, numa espécie
de insatisfação permanente, num eterno desassossego.
Não desfrutamos do que temos ou conquistamos,
porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.
Cada comercial na TV nos convence de que merecemos
ter mais do que temos.
Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os
outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor,
comprando melhor, amando melhor, ganhando
melhores salários.
Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás,
de preferência com o melhor tênis.
Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos.
Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.
Se não dirijo a 140, preciso
realmente de um carro com tanta potência?
Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que
subir na empresa e assumir o cargo de chefia que
vai me matar de estresse porque é o melhor cargo
da empresa?
E aquela TV de não sei quantas
polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?
O restaurante onde sinto saudades da comida de
casa e vou porque tem o "melhor chef"?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado
porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?
O cabeleireiro do meu bairro tem
mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca
permanente do melhor tem nos deixado
ansiosos e nos impedido de desfrutar o
"bom" que já temos.
A casa que é pequena, mas nos acolhe.
O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.
A TV que está velha, mas nunca deu defeito.
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos
faz mais felizes do que os homens "perfeitos".
As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu,
mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo...
O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas
das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e
sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?
Ou será que isso já é o melhor e na
busca do "melhor" a gente nem percebeu?
Já dizia Cícero, meu avô materno:
Sonhe com o ÓTIMO mas se satisfaça com o BOM, pois o BOM e melhor que o ÓTIMO.
Concris
Nestes dias, após a eleição do Tiririca, com um recorde de votos e a reação da inconformada elite brasileira querendo a todo custo cassá-lo, sob a acusação de analfabetismo, tomei a velha sopa de volta para Matozinho. Lá já se havia de há muito provado que existem outras universidades na vida além do banco da escola regular. Confunde- se tantas vezes inteligência com informação; ciência com sapiência; conhecimento com honradez. Matozinho, antes do Brasil, já havia provado não existirem tais similitudes.Já falei de Pedro do Rodo que se fizera um dos maiores líderes políticos da cidade. Semi-analfabeto, evoluíra ,de simples crediarista, a ocupar os mais importantes cargos políticos : vereador, prefeito por várias legislaturas, deputado estadual, secretário de agricultura do estado. Sabia falar a doce língua de seu povo, comunicava-se muito bem, sem riquififes, sem ponto-e-vírgula. Nunca perdera uma eleição em Matozinho e enfrentara, por diversas vezes, candidatos embebidos no saber teórico dos rios universitários. Sabedor das mais profundas necessidades do povo, preocupava-se no o arroz-com-feijão, pragmático fugia dos elefantes brancos como o cão do crucifixo. De que adiantava asfalto nas ruas, sem saneamento? Praças bonitas arrodeadas de casebres? Televisão na sala, sem panela no fogo? Pedro sabia de cor e salteado essa cartilha: o supérfluo não podia vir antes do essencial. Estratégico, alimentava esse mito, o mesmo que perpetuou Cancão de Fogo e João Grilo: o do beradeiro, com cara de abestado que dá nó em pingo d´água e piau em professor de faculdade. Aprendera que a esperteza é a única defesa do pobre. Vestia-se e portava-se como um lesado, um Zé-Mané : fingia-se de morto para tomar de graça o caldo do velório e tirar dedada no coveiro.
São muitas as peripécias do nosso Rodo, mundo afora. O povo de Matozinho foi colecionando, nas páginas da oralidade, estas mungangas, como um dia já tinha coletado as de um outro Pedro : o Malasartes. Reuni duas dessas passagens , no intuito de mostrar que existem Tiriricas e mais Tiriricas mundo afora e que geralmente, apesar do nome, não são ervas daninhas.
Em época de Pedro , o principal político do estado era Tranquilino Rubião. Ao contrário dele, Tranquilino era culto, formara-se em ciências políticas na Sorbonne e dominava várias línguas. Talvez, por isso mesmo, criara grande afeição por Pedro, aproximação essa que se fizera também no campo da política partidária. Ambos transitavam no velho PTB, em tempos de Getúlio e de Brizola. Estas duas histórias aconteceram, com intervalo de muitos anos, em tempos em que coincidentemente Rubião era governador e Pedro prefeito de Matozinho.
Um belo dia Pedro adentra o Palácio do Governo, na capital, e se dirige diretamente para o gabinete do governador, onde tinha passagem livre e acesso facilitado. Ao penetrar na sala de Rubião , após os cumprimentos de praxe, “do Rodo” vai direto ao assunto. Estava precisando construir uma creche na Serra da Jurumenha, pois as famílias ,,trabalhando na roça não tinham com quem deixar os filhos. Além de tudo, aquela localidade sempre se mostrara um colégio eleitoral importante na Vila e, ademais, tinha sido promessa de campanha. Rubião comprometeu-se com a causa, pediu, no entanto, que o prefeito trouxesse alguma coisa mais concreta, um projeto ou coisa assim. Pedro explicou que não tinha como fazer esse tal de Projeto que aquilo era especialidade da SUDENE que vivia projetando, projetando e nada fazendo. Tranquilino imaginando a dificuldade para se confeccionar um bicho daquele em Matozinho, resolveu facilitar:
---- Pedro, pois traga ao menos um croquis do local onde você pretende construir a creche, entendeu? A gente calcula , por aqui, o orçamento e eu libero a verba!
Pedro se despediu rápido e agradeceu pela acolhida. Negócio feito !O quanto devia Matozinho a Tranquilino ! Aqui, necessitamos de uma pequena explicação. Nas terras matozenses existiam muitos sofreus. Aquele pássaro bonito, multicolorido e cantador e que em alguns lugares se chama também de Corrupião. Em Matozinho, conhecia-se o bicho como Cronquis. Pois bem, na semana seguinte, Pedro , sorriso nos lábios, salta no gabinete de Rubião, com um cronquis mansinho no dedo e vai logo gritando:
--- Pronto Rubião, taqui o cronquis que você pediu! Foi o bicho mais cantador que eu encontrei em Matozinho! Por falar nisso, rapaz, onde é que eu pego o dinheiro para fazer a creche, hein?
De uma outra feita, Pedro resolvera , finalmente, encanar água em toda cidade, puxando, por gravidade do Açude do Sabugo. As casas ainda eram abastecidas por ancoretas carregadas em burro . Na época da seca, então ,ficava toda a vila a mercê de carros-pipa. “Do Rodo” partiu para a capital, no intuito de pedir, ao governador os canos. Não seria fácil de conseguir, uma vez que a quantidade necessária para a obra era enorme. Após descer na rodoviária da capital, quando se dirigia ao hotel, Pedro viu , no pátio da REFESA, uma montanha de canos, das mais variadas dimensões, aguardando embarque. Informou-se e soube que pertencia ao governo estadual e estavam transportando para um projeto de irrigação no norte do estado.No gabinete do governador, Pedro expôs, então a situação do abastecimento de água em Matozinho e pediu ajuda do governador. Traquilino não negou ajuda, mas por conta da crise , informou : só poderia adiantar alguma coisa no ano vindouro. Pedro, então, humildemente explicou que passando defronte da REFESA tinha visto vários canos pertencentes à administração estadual, jogados a um canto e todos furados. Solicitou, então, ao governador, que liberasse, por enquanto ,aqueles canos furados, que ele aproveitaria, de alguma maneira, em Matozinho e já daria prá ir tocando a obra. Rubião, então, interrogou-o se tinha certeza de que eles estavam nessa situação. “Do Rodo’ confirmou : hoje mesmo havia verificado in loco a questão. Tranquilino conhecia o prefeito e sabia que, na sua simplicidade, não era homem de mentira. Redigiu, então, de próprio punho, um bilhete ao diretor da autarquia, solicitando a liberação dos canos para Pedro.
O prefeito de Matozinho, de posse do documento, se avexou. Contratou três scanias truncadas, encheu com os canos da REFESA, apresentando o bilhete do governador e partiu para a vila. Uma semana depois, recebeu um telefonema de um governador chateado. Tinha sido enganado por Pedro, que havia descaradamente mentido para ele, os canos eram todos novos e iam para o Projeto de Irrigação.
--- Você mentiu para mim, Pedro ! Eu confiei em você, você me prometeu que os canos eram velhos e imprestáveis e são novinhos em folha!
Pedro , não se alterou e respondeu de lá:
--- Num se avexe não, homem de Deus! Eu não menti de jeito nenhum! Eu nunca disse prá vocimicê que os canos eram novos, eu disse que os canos eram furados !
Rubião, irritado, saltou do lado de lá:
--- Pois é! Esses canos que eu liberei são novinhos em folha, não são furados de jeito nenhum!
Pedro, então, fechou o firo:
--- Governador, todo cano é furado! Se num for furado, Cuma é que corre água pro dentro dele, homem de Deus?
J. Flávio Vieira
Claude Bloc
Só- Edgar Allan Poe
Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.
Meu coração está de luto - Morre um grande amigo : Edilson Sobreira !
Trouxeram o Aborto para a Campanha - José do Vale Pinheiro Feitosa
Daí que mesmo sendo uma questão artificial ela entrou na pauta. Vai crescer e radicalizar posições. Neste sentido o debate na campanha não é boa para aqueles que são contra o aborto, pois dar oportunidade para que o tema saia do espaço esquecido (interditado) para o oxigênio das ruas. E isso é relevante no momento atual no mundo todo.
Qual o motivo para assim pensar? Nesta semana mesmo o jornalista e intelectual Emerson Monteiro, publicou um texto seminal sobre as razões para que nem o tema e menos a sua prática venha à tona. Acontece que a banalização do debate nesta campanha porá em visão uma série de coisas que não são abertas neste momento.
Assim como era nos anos 40, 50 e 60 a questão do divórcio. Nada mais “grosseiro” para o senso da época do que a dissolução da família. Por isso mesmo a conquista do divórcio no país foi uma das mais lentas no mundo e esteve inteiramente submersa pelas posições religiosas da igreja católica.
O que acontecerá? O tema exposto. Serão abertos os motivos para se ter uma legislação mais liberalizante sobre o aborto no Brasil. Uma coisa que marca a modernidade e a revolução capitalista é a globalização comportamental. Todas as culturas estão sendo alteradas com padrões comuns a várias nações.
Segundo matéria publica na BBC Brasil: “ao menos 20 países aprovaram leis de aborto mais liberais entre 1996 e 2009.” Estudos demonstram que muitos países introduziram mudanças nas suas legislações sobre aborto com regras mais permissivas. Segundo a mesma matéria: “21 países que adotaram leis mais abertas que as do Brasil, entre as razões em que prática abortiva é autorizada estão o caso de haver má-formação fetal, de a mãe não ter condições socioeconômicas para criar o filho ou de a mãe solicitar o procedimento.”
O que acontecerá? Ficam expostos os motivos para se permitir o aborto: “para salvar a vida das mulheres.” Em Portugal e na Espanha se legalizou o aborto sem restrições até a 10ª semana de gestação e, depois desse período, em casos de má-formação fetal, de estupro ou de perigos à vida ou à saúde da mãe. No México, a Cidade do México passou a permitir, em 2007, o aborto sem restrições de motivos até 12 semanas de gravidez. Na Colômbia, a Corte Constitucional determinou em 2006 que o aborto é legítimo em casos de estupro, má-formação fetal ou de riscos para a vida da mãe. Há ainda países em que o aborto era totalmente ilegal, mas passou a ser aceito nos últimos anos se a mãe correr riscos ou se houver má-formação fetal (caso do Irã) ou de estupro (caso de Togo).
Ao mesmo tempo vem a tona o debate sobre as razões pelas quais vários países andaram em sentido contrário, endurecendo a legislação já existente sobre o tema como Nicarágua, República Dominicana Argentina, Equador, Nicarágua, Iraque e Japão, entre outros.
Há uma questão interessante. Neste mesmo período, coincidindo com a maior liberalização do aborto, os números de abortos praticados caíram: da estimativa de 46 milhões em 1995 para 42 milhões em 2003. A metade deles foi feita de maneira insegura ou clandestina, estima-se. E está maneira insegura e clandestina está na raiz do debate, pois abortar é uma questão técnica complicada e implica em risco para a mulher.
Segundo a BBC: “Estudos mostram que a chance de uma mulher fazer um aborto é praticamente a mesma onde o aborto é liberado e onde é restrito”, explicou por e-mail Iqbal Shah, do Departamento de Pesquisas e Saúde Reprodutiva da OMS. “Diversas pesquisas em países que legalizaram o aborto indicam que a prática pode inicialmente aumentar, mas depois é reduzida. Isso não ocorre por causa da legalização, mas porque abortos que antes seriam realizados clandestinamente passam a ser contabilizados (oficialmente) quando a lei muda.”
Em outras palavras: os conservadores ao darem luz ao tema, terminam por produzir efeito contrário à sua visão sobre ele.
Jogo sujo e pesado - José Nilton Mariano Saraiva
Atitude Nobre - Colaboração de Joaquim Pinheiro
BAILA COMIGO - Festa Retrô

Chegou o momento de você usar novamente a velha calça desbotada, boca-de-sino, a camisa Cacharrel (nesse calor?), sapato cavalo-de-aço, cordão-de-são-francisco, camisa Hang Ten, polaina, anel de brucutu, colar com o símbolo paz e amor e tamanco Dr. School. Não exagerem no perfume Lancaster, para os homens, e Contouré, para as mulheres. Vocês certamente vão escutar shame, shame, shame, Lady Marmalade, don't let me down, “Baila Comigo” e outros grandes sucessos das paradas. Não levem o lança perfume, pois não estamos no carnaval e ainda é proibido rsrsr
Eu vou de macacão LEE, procurar uma menina pra "tirar um sarro" e, quem sabe, tomar uma cuba libre dançando "My mistake"! rsrsrsr
Essa festa vai ser um barato! Venha à caráter para o espetáculo ficar mais bonito. Faça parte da decoração e do encantamento da noitada! (a vestimenta não á obrigatória, mas certamente vai ficar "de cinema" se você for vestido(a) com a moda dos anos 60, 70 ou 80).
Se ( Rudyard Kipling )

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.
Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.
Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling
Símbolo da Estupidez - Confundir a Pessoa Humana com a Preferência Política

As eleições estão nos trazendo o que de pior o ser humano tem dentro de si: O ódio desenfreado por aqueles que têm opinião política contrária. É notório aqui neste Blog ( como em todos os outros Blogs ), bem como na Internet de maneira geral, nos bares, nas lanchonetes, as inúmeras demonstrações de ódio não apenas pela opinião política ou religiosa, mas pelo próprio ser que a manifeste em público.
Carcomidos pela mais profunda intolerância Política, essas pessoas são capazes de destruir amizades aparentemente sólidas que atravessaram décadas, por uma simples divergência de pensamentos. Isso me lembra a velha Inquisição, quando aqueles que não concordavam com os ditames da época, eram incinerados vivos.
Quantas e quantas amizades já não foram desfeitas nos últimos meses apenas porque uma pessoa vota no partido Azul e outra vota no partido vermelho ? Será que a vida humana e os valores tão pregados por alguns se resumem a isto ? Nestas eleições vi jovens se degladiando, vi velhos quase se matando, vi pessoas que eu considerava inteligentes, como médicos, advogados, pessoas que têm até um bom nome na cidade, descerem do salto e ir brigarem no meio do povo, numa mais profunda demonstração de vileza, de baixaria, e de loucura!
Será que o Ser Humano não vale mais que a sua mera opinião política ?
Será que as amizades não deveriam estar sempre acima das convicções políticas e até religiosas ?
Porque afinal, o homem no seu íntimo se mostra tão ruim ? Essa pode ser até uma perguntinha infantil, tola, que se poderia fazer. É preciso todos percebermos o momento atual, e saber que tudo isso irá passar em poucos dias. Que as convicções que temos hoje, nos servem ocasionalmente, e que no futuro, poderemos mudar de opinião. Então, porque sacrificar nossas amizades por uma simples divergência de idéias ? A política deixa muita gente cega, é verdade. Pode fazer amigos brigarem, mas até certo ponto. Lembro-me de um ditado antigo, que já dizia que "As idéias brigam, mas as pessoas não deveriam brigar". Que tenhamos opiniões diversas. Nossos pensamentos não precisam ser concordantes em tudo. Mas há que permanecer sempre o respeito, a amizade, porque afinal, estamos tratando de seres humanos.
Parece-me incrível que alguns possam ainda nutrir um ódio tão mortal, tão descabido, e tão desproporcional pelos outros seres, a ponto de querer ver a aniquilação do próximo, somente pelo fato de não comungarem das suas idéias políticas. É provar para o mundo a grande estupidez que guardam dentro de si próprios, e a criticam nos outros. É mostrar que não são capazes de aceitar os que pensam de forma diferente, por desejarem a sua morte. É mostrar que aquilo de bom que fazem no dia-a-dia, vira fumaça, perdidos na noite escura da loucura, na mais absurda das insanidades humanas.
"Que valor há numa amizade incapaz de sobreviver a uma simples diferença de opinião política ou Religiosa ?"
Por: Dihelson Mendonça
( Após presenciar um quebra-quebra num bar da Vilalta por uma discussão politiqueira )
Quais as práticas dos candidatos? - José do Vale Pinheiro Feitosa
Não existem pessoas adjetivadas, pois, definitivamente, as pessoas são o que são deixando de ser. A vida é um movimento, tão intenso e claro, que deu origem a toda a filosofia alemã, especialmente à dialética hegeliana. A própria “lutas dos contrários”, a afirmação, a negação e a negação da negação; mostrava claramente este devir na história.
Mas em assim sendo como fica a ética, se tudo poderia cair na tabula rasa do movimento que a tudo justificaria? É que o movimento ocorre sobre as coisas substantivadas, modificando-as, mas estas modificações existem como muitas alternativas. Não apenas como aquela de fato acontecida. E que por isso mesmo não necessitam se tornar padrão e nem bandeira de ninguém.
Não existem pessoas do bem e do mal, mas existem práticas que já se conhecem no que dão. São as práticas que precisam ser confrontadas com a crítica e com a vontade coletiva, confrontadas com a razão dos exemplos apreendidos. Por isso mesmo não acho que ninguém seja bandido, prostituta, político, mau caráter ou outro modo de adjetivar, pois como pessoas, sempre serão muito mais que as suas práticas.
Mas as práticas, estas sim, serão sempre alvo da potência crítica. Mas sempre considere que a crítica é combustível da história, que muda de natureza, se elastece ou se reduz, que se expande e pode se encolher de tal modo que seu conteúdo não foge do próprio umbigo.
Ao trazer o tema, apenas pondero, que na fase de um segundo turno eleitoral as práticas, muito mais que os candidatos, estarão sobre a tutela do eleitor. Inclusive o modo como um lado ataca o outro, especialmente se por vias (práticas) já por demais usadas e abusadas.
Desafio: Voto - Por Aloísio
Sempre que decido meu voto
Procuro o melhor pro país
Sempre tenho que escolher
Se faço uma escolha infeliz
Vou pagar pelo meu erro
Não adianta choro nem berro
Nem também me desavim
Por isso eu aviso a vocês
Se eu não voto pra decidir
Alguém vai decidir por mim
Votos existem aos montes
Votos disso, votos daquilo
Há os votos de castidade
Há também os de pobreza
Mas os votos de que trato
São os que decidem de fato
Os destinos do meu país
Das capitais aos confins
Se eu não voto pra decidir
Alguém vai decidir por mim
Eu fui chamado pra falar
De um assunto que eu gosto
De uma palavra que decide
Às vezes causando desgosto
E também muita decepção,
Mas vingo na próxima eleição
Mas também não deixo assim
Mas não vou ficar parado
Se eu não voto pra decidir
Alguém vai decidir por mim
Aloísio
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
COMPOSITORES DO BRASIL

NOEL ROSA X WILSON BATISTA
A Peleja Musical do Século XX
Por Zé Nilton
Prefiro chamar de peleja e não de polêmica a refrega musical ocorrida no começo dos anos 30 entre Noel Rosa e Wilson Batista. Peleja é melhor que polêmica. Peleja é assim como uma teima. Um teima daqui, o outro teima dali, e a coisa se desembesta ficando cada vez mais interessante. Peleja conota um sentido musical e está mais pras coisas se saírem de um jeito alegre e em paz. Já polêmica, bom, o certo é que a Música Popular Brasileira ficou mais robusta e marcou toda uma geração de grandes sambistas o encontro desses dois titãs na velha/nova Rio de Janeiro.
Wilson Batista é de Campos e Noel carioquíssimo. Este é três anos mais novo que aquele. Interessante é que no plano da musicalidade ambos falam a mesma linguagem do samba urbano. A questão não está posta em termos do contraste rural x urbano, e sim do espaço físico, musical e o enfoque da época em cima de temas como a malandragem, a vadiagem, o bamba do não trabalho etc.
Nesta perspectiva fica demarcada a questão de classe na escrita e na temática. As letras de Noel são mais rebuscadas e de fino acabamento. Noel filho da classe média, branco e estudante de medicina. Wilson Batista vem de uma família pobre, preto e seu aprendizado do mundo se dá nos lugares da boemia e da marginalidade. Sua escrita é rica em conteúdo, direta é por vezes agressiva, sem perder o encanto.
Mas tudo começou quando Wilson Batista sob o pseudônimo de Mário Santoro lançou a música “Lenço no Pescoço”. Na época estava havendo um movimento dentro da MPB no sentido de (re) valorizar temas mais poéticos em detrimento dos atuais insistentemente focados em orgias, gandaias e nas “delícias do não trabalhar”, no dizer de Almirante. Noel ouviu bem e retrucou Wilson Batista com a música “Rapaz Folgado”, aconselhando-o a trilhar por outro caminho na estética e na vida.
Então, é toda esta conversa em torno do assunto embalada pelas músicas de ambos que apresentaremos nesta quinta feira no Compositores do Brasil, programa radiofônico levado ao ar pela Rádio Educadora do Cariri, de Crato.
Na sequencia:
LENÇO NO PESCOÇO, de Wilson Batista com Sílvio Caldas e Diabos do Céu
RAPAZ FOLGADO, de Noel Rosa com Mart´nália e Martinho da Vila
MOCINHO DA VILA, de Wilson Batista com Jorge Veiga
FEITIÇO DA VILA, de Noel Rosa com Aracy de Almeida
CONVERSA FIADA, de Wilson Batista Moreira da Silva
PALPITE INFELIZ, de Noel Rosa com João Gilberto
FRANKENSTEIN DA VILA, de Wilson Batista com Jorge Veiga
JOÃO NINGUÉM, de Noel Rosa com Antônio Carlos Jobim
TERRA DE CEGO, de Wilson Batista com Jorge Veiga
DEIXA DE SER CONVENCIDA, de Noel Rosa e Wilson Batista com Roberto Paiva
Quem ouvir verá!
Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri(www.radioeducadoradocariri.com)
Acesse: www.blogdocrato.com
Quintas-feiras. De 14 às 15 h.
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga
O crime do aborto - Emerson Monteiro
Houvesse leis pela preservação da vida em soberbas características de contenção dos desmandos praticados em redor do mundo e, decerto, a história mostraria inegáveis oportunidades de felicidade a esses tontos mortais esfomeados de prazer imediato.
Jamais, senão agora, demonstrações de ausência de lucidez parecerem crescer no horizonte esfumaçado da destruição na flor da idade, em meio aos escombros da barbárie que toma conta dos séculos. Símbolos de paz viraram motivos de ausência de critério, nas promoções desencontradas de minorias vencidas.
Mas falávamos da covardia do aborto... Que pouca honestidade para com os semelhantes a nascer essa atitude dos legisladores lusitanos... Nem de longe se deve imaginar uma coisa dessas para o Brasil, povo originário dos avôs do outro lado das marés, que desta vez desistem de querer renovar a espécie. Exemplos melhores já nos deram, com certeza... Lições práticas de vida, a língua, o sentimento latino, o fervor, a musicalidade. Agora, contudo, quebraram a cara e nós nos negamos a segui-los.
Tirar a vida, como querer? Não sabemos repor o viver de quem morre, por isso não se devem eliminar os seres humanos que aguardam as mesmas chances de brotar, crescer e conhecer.
A morte dos inocentes em gestação clama consciência, portanto. Falar na esperança dessas vidinhas em sumidouro, desejos de viver na lama dos ausentes, dói e requer disposição de ânimo aos que lutam pela paz. Aquilo que seria a festa das famílias, chegar de novos filhos, torna-se chama apagada no vento abusivo de vazias palavras soltas, derramadas.
E falar em amor exige coerência a uma civilização bandida, revirada nos laços das armadilhas, caminhos tortuosos, vilã matreira de poucas luzes. Gritos de promessas, entretanto, rasgam o espaço de sombra. A força de sobreviver, falando alto nas entranhas das gentes, indica o valor carinhoso de novos sonhos.
Quisessem reverter os quadros fantasmagóricos da indigência e praticassem hábitos justos e alegres de salvar os que, mais que antes, precisam nascer...
Colaboração de Lídia Batista
Todos os anjos passeiam pela noite
Soprando-te sonhos lindos
Vigiando teu sono...
E eles acariciam tua pele
Pra curarem todo teu cansaço,
Sussurram palavras de coragem
Pra te ajudarem a ter forças,
Conduzem teus pensamentos
Para planejar tuas tarefas...
Jorram muita paz em tua alma
Para enfrentar tua missão;
E quando o dia nasce
Eles adentram teu peito
E ficam bem quietinhos
Cuidando do teu coração.
Edgar Allan Poe
Os bisnetos de Moreirinha e Valda- Fotos de Zélia Moreira
![]() |
| Valda(22 anos) e Moreirinha( 26 anos) ( 1950) |
![]() | ||
| Camila, Maria Clara, Valda( 82 anos), Ruan, Giorgio e Eduardo.( | 5.10.2010) |
![]() | |
| Da esquerda para a direita: | Pedro ( 2 anos), Bianca ( 5 anos), Sofia(2 anos), Maria Clara(2 anos , Camila( 8 anos), Eduardo( 2 anos) e Ruan( 11 anos). |
Valeu a pena ter nascido deles , ter sido mãe, e hoje viver a alegria de ser avó de Bianca e Sofia.
Camila, Pedro , Ruan e Eduardo são netos de Zélia.
Maria Clara é neta de Catarina.
Sofia, Camila, Eduardo e Bianca
![]() |
| Pedro e maria Clara |
A “dispersão” de votos na eleição do Crato – José Nilton Mariano Saraiva
Amália Rodrigues
Que queres tu de mim ?
POESIA NUNCA É DEMAIS
Hino ao Cariri
No Cariri tudo é belo
Tudo é galas e primores
É belo no sítio ameno
Ver-se flores multicores.
É belo o cantar das águas
Que vem de encontro à pedreira
A brisa a gemer nas folhas
Da majestosa mangueira.
Soluça a patativa
Na folha da bananeira
A juriti tão saudosa
Chamando a companheira.
Vê-se a beleza que tem
Os grandes canaviais
O canto dos passarinhos
Na fronde dos laranjais.
Ouve-se o rumor nas folhas
Do coqueiro pelo vento
Fitar os círios eternos
Que habitam no firmamento.
Que primavera meu Deus
Desponta no mês de abril
Maio, um altar a Maria
Coberto de flores mil.
Eu como sou filho desta
Terra cheia de delícias,
Quero viver no seu seio
Gozando suas carícias.
Pérola da MPB
(Babaú e Cyro de Souza)
Ai.. ai.. meu Deus! Tenha pena de mim
Todos vivem muito bem só eu que vivo assim.
Trabalho e não tenho nada, não saio do "miserê"
Ai.. ai.. meu Deus! Isso é pra lá de sofrer.
Sem nunca ter, nem conhecer felicidade,
Sem um afeto, um carinho ou amizade
Eu vivo tão tristonho fingindo-me contente
Tenho feito força pra viver honestamente
(estribilho)
O dia inteiro eu trabalho com afinco
E à noite volto pro meu barracão de zinco
E pra matar o tempo e não falar sozinho
Amarro essa tristeza com as cordas do meu pinho.
Passado x Trabalho ( Aloísio x Socorro)
Bom dia, Crato !
Deu Tiririca na Cabeça de Alguns - José do Vale Pinheiro Feitosa
Se não é o Cacareco e nem o Macaco Tião, menos ainda o é um Clodovil? É que a música até que é semelhante, mas cada canção é diferente. A revolta, o protesto, o momento histórico, a fama, o conhecimento, a incerteza sobre o verdadeiro papel da representação política entre tantas outras coisas.
Por isso mesmo a votação estrondosa do Tiririca ainda deixa tanta gente perplexa. Teve gente que viu o Brasil como um navio adernando. Outros que aproveitaram para colocar o Lula no “credo”, como exemplo perfeito da jactância analfabeta. E quantos mais ficam perplexos - os letrados - mais confusão se planta naquilo que a educação não lhe deu: liberdade de pensar, criatividade frente às normas, profunda acuidade sobre o panorama a sua frente.
O debate sobre o papel de Lula no Brasil e da eleição do Tiririca, por via transversa, tem o pavoroso dom de expor o pior analfabetismo de todos que circulam sobre certos segmentos da sociedade. O analfabetismo político. A política, aquilo que representa o coletivo humano, desta humanidade que até pode ter um projeto deturpado, como a questão do “destroçamento” ambiental, mas é como se apresenta.
O sentimento “pedante” de certas declarações, como se estivesse à sombra refrigerada de algum Shopping Center, com um charuto na mão e uma taça borbulhante de champagne na outra, compõe aquele momento fugaz que nasce e morre ali mesmo. Política é algo como um temporal: dura, molha e cria.
Para mim é claro que as pessoas podem dizer o que bem pensam. Isso é a regra mais ampla até para os limites das próprias besteiras que dizemos. Mas uma coisa é certa, se achamos que os outros nos são importantes, comecemos a nos colocar como outro sujeito da crítica.
Não votaria no Tiririca, mas isso é um modo de me comportar politicamente. Mas quero bem entender a mensagem viva e vibrante de quem votou nele. Aliás, para me colocar melhor, embora possa até piorar: o tal “voto evangélico” não é meramente um voto sem sujeito social.
É voto da nova classe média, aquela que não existia que passa a existir e ter no “movimento evangélico” um espaço em que caibam. Acontece que o catolicismo, quer se queira ou não, se tornou a religião das elites e das classes médias tradicionais, mais letradas e de maior tradição intergeracional de melhor renda.
O “voto evangélico” tem raiz social e representa este novo político no Brasil. Ande em qualquer periferia pobre que percebera milhares de pequenas salas, com algumas cadeiras de plástico, um som e um pastor a falar numa “ordem” de coisas que prometem um espaço para emergência desta nova sociedade.
Eleições no Crato – José Nilton Mariano Saraiva
Presidente:
Dilma – 40.574 votos
Serra – 11.679 votos
Marina – 6.512 votos
Senado:
Eunício – 38.899 votos
Pimentel – 35.762 votos
Tasso Jereissati – 20.969 votos
Governador:
Cid Gomes – 42.302 votos
Marcos Cals – 8.090 votos
Lúcio Alcântara – 3.936 votos













