Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Recebido por e-mail

Carta aberta a Fernando Henrique Cardoso

O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999. Outro mito é que seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Um governo que elevou a dívida pública do Brasil de 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? O artigo é de Theotonio dos Santos.
Theotonio dos Santos

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender por que você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).

Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?

Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.

Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa.

Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.

Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.

Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço

thdossantos@terra.com.br
http://theotoniodossantos.blogspot.com/

(*) Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Abismos - Por Ana Cecília S.Bastos


Algo descama e desce, inevitável e incontrolável como uma menstruação.

Tenho imagens e palavras, poemas que se insinuam, enquanto o tempo escasseia.

Quero escrever, mas estou sem sentidos.

Minha emoção em desterro me abisma na ausência da cidade da Bahia.

Ladeiras, abismos, sinuosidades:
água terra, isso me alaga e me define, a Bahia,
em todos os seus tempos de ser e de não ser.

A dor se extingue, lenta, inexoravelmente, deixando-me tão deserta quanto antes.


Ana Cecília

Saudades de Ana Cecília !




Ana Cecília de Sousa Bittencourt Bastos

Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (1976), mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia (1986) e doutorado em Psicologia pela Universidade de Brasília (1994). Em 2005, realizou um estágio pós doutoral com os professores doutores Jaan Valsiner (Clark University), Ana Maria Almeida Carvalho (USP/UCSAL) e Ângela Branco (UnB). Atualmente é Professora Associada II da Universidade Federal da Bahia, recentemente aposentada, e participa, nessa condição, dos programas de pós-graduação em Psicologia e em Saúde Coletiva, na mesma Universidade. Sua experiência de pesquisa situa-se na interface entre a Psicologia Cultural do Desenvolvimento e a Saúde Coletiva. Ao longo de sua trajetória, sempre interessada no estudo do desenvolvimento em contexto cultural, e apoiada sobretudo em metodologias de cunho etnográfico, trabalhou em duas vertentes principais: (a) a análise de fatores e mecanismos de risco-proteção presentes em trajetórias de desenvolvimento, considerando especialmente a realidade da infância e da adolescência em diversos contextos (família, escola, relacionamento com serviços de saúde e projetos sociais) e (b) a análise de transições desenvolvimentais, considerando a família enquanto contexto cultural de desenvolvimento, focalizando a interligação entre idéias parentais e práticas ligadas à criação de filhos, e propondo a categoria "modos de partilhar" para descrever processos pelos quais a criança torna-se membro da família. Mais recentemente, volta-se para analisar transições desenvolvimentais com uma diferente ênfase, numa perspectiva intercultural e tomando como eixo principal o estudo da memória autobiográfica, com base na narrativa de mulheres de diferentes origens e circunstâncias sobre gravidez e parto. A análise desse material orienta-se para a identificação dos processos semióticos presentes na construção cultural da parentalidade. Esta investigação nasce de uma significativa e continuada parceria com os professores doutores Jaan Valsiner e Roger Bibace (Clark University) e Elaine Rabinovich (UCSAL).


http://lattes.cnpq.br/7406825750662792

Felicidade x Alegria x Risos X Riscos- por Socorro Moreira



Depois de uma noite bem dormida , ao som da canção da chuva, acordei com vontade de fazer... Fazer comidinhas pra quem não tem amor , pelo menos nas proximidades.
E começaram a sair os pratos, nunca planejados: Bobó de camarão ( inhame no lugar do aipim), macarrão caseiro, arroz integral,gelatina de todas as cores, e bolo de laranja com cobertura de chocolate.Certamente receberei convivas inesperados. Que cheguem os carentes amorosos , e se deliciem com os meus doces. Forma singela de arrancar um suspiro satisfeito  de um amigo.
O Vic está numa fase de sorrir à toa. Disse brincando ou falando sério: "os loucos riem sozinhos porque só eles entendem a piada". Serão alegres nesses intervalos ? 
Outro amigo já dizia-me : só dói quando eu rio..""
Eu vejo a felicidade como uma criança , que já nasceu grande, e nunca vai crescer. Tem a inocência  de tudo que seja arriscoso; cantarola, brinca de faz de conta, mama, e dorme !
Eu vejo a felicidade brilhando nos olhos apaixonados. Parece que o tempo não existe, e aquele sentimento nunca vai passar...
Eu vejo a felicidade nos olhos serenos de numa mulher depois dos oitenta. A paz do dever cumprido. A quitação completa dos saques efetuados pela vida,  e o presente  dos créditos arrebanhados.
O presente maior é qualidade de vida. Ver a prole realizada e feliz. Só chorar de alegria.
Ai, meu Deus do Céu... Felicidade é utopia !

O riso que mascara o problema. 
O semblante suave da superação
O cansaço bendito da realização.

Assim encontrei Edilma, na noite de ontem.

Assim escutei Abidoral  e o seu violão, abrindo exceção para umas bossas, e umas músicas de Cartola.
Somos todos felizes?
Vamos engrossar o caldo das nossas alegrias. vamos  plasmar a felicidade por horas, por dias, até o fim das nossas vidas, no mínimo do País !.

Texto  também dedicado a uma pessoa que sabe passar alegria : Fátima Figueirêdo !


Correligionários começam a jogar pedras no candidato da oposição - José do Vale Pinheiro Feitosa

Na verdade a decisão das eleições acontecerá apenas no domingo. Os candidatos, a militância e toda máquina montada da campanha continuarão ativos até o domingo à noite. Depois a militância de um dos lados comemora, a outra lamenta, mas vida que segue. Apenas quero dizer que nada ainda decidiu-se. Isso o eleitor é quem dirá e não a opinião de quem quer que seja.

De qualquer modo não deixa de ser estranho que um articulista da Folha de São Paulo, que tanto agrediu a situação nesta disputa, publique o que publica. Além de quase afirmar o que ocorrerá no próximo domingo, ele começa a pôr a culpa em José Serra. Que por ser o candidato se torna o alvo, mas não é apenas ele: é o PSDB e os partidos coligados. Além dele são os mecanismos criados pela internet, são instituições ou partes delas escolhendo temas e veiculando, são as pessoas que acreditam na prática, enfim, é uma imensidão que caberia em tal qualifação do Fernando de Barros, que pega mal este tipo de jogar pedra no Serra.

Aliás isso já será a antecipação do que os correligionários dirão do candidato caso ele não vença. Leiam o artigo da Folha:

Da Folha

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Jogo estranho

SÃO PAULO - Este foi um segundo turno estranho. Digo "foi" porque há a sensação de que, além de estranho, já acabou. Por exaustão. Por carência de ideias. Por excesso de chatice. Pelas falsas polêmicas...

Acabou, antes de mais nada, porque Dilma Rousseff deve ser eleita no domingo, a não ser que José Serra produza em cinco dias o milagre que não foi capaz de fazer desde que se lançou, em abril.

Tem-se, hoje, a impressão de que o tucano não encontrou o tom da campanha e esgotou suas armas. Quais foram elas? Um capacete na cabeça e um crucifixo na mão.

Insistência no tema do aborto, com o trololó religioso que durou semanas, e a valorização estridente da agressão de que foi vítima no Rio são sintomas de um candidato sem foco, desesperadamente em busca de algo em que se agarrar.

Só isso explica, também, o acesso populista do tucano austero, que promete elevar o salário mínimo a R$ 600, aumentar em 10% o valor da aposentadoria e pagar 13º para os beneficiários do Bolsa Família. Serra quis parecer o Lula do Lula.

Mobilizando a agenda conservadora ou mimetizando a pauta petista, o tucano apostou sempre e tão somente em si mesmo, na sua capacidade de fazer, mandar, decidir.

Pode soar estranho, porque se trata de um personagem doente de tão racional, mas Serra é um candidato com forte traço messiânico.

Mas o que ou quem ele quer salvar? Os pobres? A democracia? Os valores da família? A nossa fé? Apesar de ser mais aparelhado do que sua adversária, o tucano se desvirtuou no processo eleitoral, sem, no entanto, conseguir romper o encanto do lulismo nem propor uma discussão séria do país, que fosse além da sua obsessão pessoal.

Parece mais fácil (é essa a inclinação da maioria) atribuir a provável derrota tucana aos "erros" do candidato, e não às dificuldades objetivas de enfrentar a escolhida de Lula na conjuntura atual. Serra colaborou para que as pessoas cometessem essa injustiça com ele.

Esses "inquebrantáveis" laços afetivos - José Nilton Mariano Saraiva

Ainda sobre o tal Paulo Preto, um dos principais arrecadadores da campanha do José Serra (que o PSDB agora tenta “esconder/blindar” de qualquer maneira) e que, distraida e inadvertidamente, teria surrupiado/desviado “irrelevantes” R$ 4 milhões da campanha tucana: o genro querido, Fernando Cremonini, é dono – em São Paulo - de uma empresa de aluguel de mega-guindastes de 30 toneladas, que aluga 24 horas por dia. Para quem ? Para as empreiteiras da Rodoanel, portentosa obra que até poucos dias atrás era comandada pelo sogrão. Basta conferir. A empreiteira chama-se PESO POSITIVO e tem entre seus clientes apenas as empreiteiras que trabalham na Rodoanel, além da marginal do Tiete e a obra conhecida por Jacu Pêssego (todas supervisionadas pelo sogro). Vejam a data de fundação da empresa na Junta Comercial e a assunção do cargo na Dersa pelo Paulo Preto. Arquivos da Junta Comercial de São Paulo mostram que a empresa foi constituída em 30 de julho de 2003, com capital social de R$ 100 mil. Os dois únicos sócios da Peso Positivo são o empresário Fernando Cremonini (o dileto genro do homem), dono de 99% do capital - e a excelentíssima senhora Maria Osminda Vieira de Souza, mãe de Paulo Preto (ô filhão magnânimo), que detém o restante 1% das ações da empresa. Isso, SIM, é que é uma família que reza (e age) unida.
Nunca é demais lembrar (só pra refrescar a memória dos que sofrem lapsos de amnésia), que Paulo Preto recentemente foi preso e chegou a dormir na cadeia em razão da receptação de uma jóia roubada (um "braceletesinho", cravejado de brilhantes, pelo qual pagou “módicos” - para ele - R$ 20 mil reais), e que seria presenteado à espôsa no dia dos namorados.
Conclusão ??? São esses inquebrantáveis "laços afetivos" que às vezes atrapalham.
Né, não ???

Belo Xote

Afinal
- Claude Bloc -


entre o começo e o final de tudo
que há em mim
essa espiral vai
consumindo
o sonho
até
o
fim
.

Claude Bloc

Belchior

Uma canção que se eternizou !



Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (Sobral, 26 de outubro de 1946) é um cantor e compositor brasileiro. Foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional, em meados da década de 1970.
Faz tempo ele desapareceu  das nossas preferências musicais .....

26 de Outubro - Aniversário do Milton Nascimento!





Quem sabe isso quer dizer amor
Milton Nascimento
Composição: Márcio Borges e Lô Borges

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar

Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

Caririando - Por Tânia Peixoto




Deslumbrei-me ao ver o céu do meu Cariri ontem, com o anúncio do crepúsculo. Cores intensas nos céus das nuvens e do sol.
‎

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

MILTON NASCIMENTO


Milton Nascimento (Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1942), cantor e compositor brasileiro, reconhecido mundialmente como um dos mais influentes e talentosos cantores e compositores da música popular brasileira. Nascido no Rio de Janeiro, mudou-se para Três Pontas, em Minas Gerais, antes dos dois anos e aos treze anos já cantava em festas e bailes da cidade.

Entre tantos sucessos, destacam-se Travessia, Beco do Mota, Para Lennon e McCartney, Nada Será como Antes, Sentinela, Maria, Maria, Caçador de Mim e Coração de Estudante que se tornou o hino das Diretas Já em 1984.

Participou do coro de 155 vozes que cantou uma versão brasileira de We are the world, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África. O projeto Nordeste Já (1985) abraçou a causa da seca nordestina, e numa criação coletiva, surgiu o compacto com as canções Chega de Mágoa e Seca d´Água.


Coração Civil
(Milton Nascimento / Fernando Brant)

Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria, muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país

Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver

São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal

Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça, viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida
Eu viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso, um dia se realizar.

Correio Musical

Noite Chuvosa - Por Socorro Moreira



Noite de chuva. Crato suando, e respingando nas folhas do caju. Bendito fruto, bendita chuva. As mangueiras também agradecem. Receberam  seiva, copularam a terra.
Saímos por aí, atrás de uma sopinha quente com torradas. A de casa  é destemperada em certas horas, onde os ares  vencem a disputa. Tudo em riba. Tudo na pauta das concretizações , prontos para os imprevistos sejam abacaxis ou sapotis.
Pensei nas chuvas de verão. Título poema da Edilma.A canção de Fernando Lobo anuncia um desfecho feliz.
Prospecta o novo amor, e fecha com chave de ouro um amor do passado; "podemos ser amigos, simplesmente..." 
Que nada !
As coisas do amor ...Quão difíceis  tornarem-se eternas  ardências.. Mas o amor é um mar e um céu aberto, serenados pelo azul turquesa. A melhor parte da nossa alegria é descobrir o amor pulando no nosso coração, e suavizando os nódulos mal concebidos.
Proclamar o amor é deixá-lo livre dentre de nós. Como planta regada , protegida nas raiizes, enfeitando a nossa casa.
Tem cheiro bom nesta noite molhada.. Tem lua cheia brilhante , gorda de poesia, e oferecendo -nos uma das suas fatias. 
Um raio, basta !
Ele chega em teu olhar, passeia no teu pensamento, e volta num recado. 
Esse correio anonimado  é a experiência  mais nova dessa nossa velha vida. 

Sinto um tilintar de alegria. Cansou-me a desesperança.Ela também ficou enjoada de mim. Vai parir outros sonhos... Sua feminilidade permite !

Recebido por e-mail



Banco do Brasil demite 50 mil funcionários
28 suicidam-se

São números de um período difícil do funcionalismo do BB, entre 1995 a 2002, quando o candidato a presidente José Serra era ministro do Planejamento de FHC e responsável pelo controle das estatais. Em menos de dois anos o BB reduziu mais de 41 mil funcionários. Muitos foram transferidos à revelia para regiões longínquas. Período difícil para pais e mães de família do BB. Ainda hoje muitos demitidos estão vivendo em condições sub-humanas país afora. Veja o quadro.
Funcionários
em 1995 Funcionários : 119.400
em 2002                         77.600
Governo FHC/Serra
São informações que muitos funcionários pós 2002 sabem pouco, pois nos últimos oito anos a história no BB tomou outro rumo. O funcionalismo viu o banco crescer, manter-se como líder de mercado. Muitos direitos foram reconquistados. O Governo Lula mudou os rumos do banco, contratou mais de 20 mil empregados, incorporou bancos, evitando a privatização e demissão de empregados.
Funcionários
em 2003 Funcionários : 77.600
em 2010                      108.000
Governo Lula 77.600 108.000
Agora reflita: dá para acreditar que esse pessoal tem boas intenções para o BB? A decisão é sua.


Movimento defenda o BB

Três assuntos descosturados sendo cerzidos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Pelé, Tiririca e Segundo Turno das Eleições.

Pelé com setenta anos. De longe o brasileiro mais famoso que o Brasil já teve. Era famoso entre os grandes por que representava o sucesso e entre os pequenos por que era de um país igualmente subdesenvolvido e não era ariano. De país alegre, sem aquelas colunatas de aço a sustentar uma altivez tumular. Pelé podia ser indiano que o indiano gostaria, ser nepalês, chinês, japonês, somali ou etíope. Um amigo trabalhando para OMS foi seqüestrado pela guerrilha no deserto do Ogaden e sua identidade foi empática por causa de Pelé. É um nome sem igual, só ele tem. Não é de família como um Maradona, é coisa de brasileiro e todo o mundo é brasileiro com uma palavra desta seja qual sotaque tenha.

Tiririca ao contrário do que pensam os ignorantes letrados, a rosnar com os dentes, em algum bar sobre o ser e o nada, não é um fenômeno brasileiro isolado. A racionalidade popular não funciona com o finesse acadêmico. Com seus sais para acordar de desmaios e a anosmia ao cheiro do povo. Na Alemanha o humorista Hape Kerkeling inventou um personagem virtual e ele teve o voto de 18% dos eleitores. A lógica por trás disso: se é para não melhorar a vida do povo, qual o significado da eleição?

No dia 31 de outubro, quando estivermos nas urnas, a considerar o fuso horário, estaremos com 493 anos que Martinho Lutero pregou na porta da catedral de Winteberg as suas 95 teses para a reforma da igreja. Datas cerzidas pelo calor arcaico de teses mortas na campanha eleitoral em contraponto à abertura do mundo das pessoas. Seu progresso material e sua prodigalidade espiritual. Lutero: a primazia da bíblia, o sacerdócio inerente do crente e a primazia da fé. Nesta data a confiança e o compromisso assumido com a continuidade do bem estar em vida.

Como fugir do corte de gastos - Ivan Lessa no site BBC Brasil

O jornal foi tão expressivo na vida nacional que até mesmo as novas gerações um pouco mais escolarizadas já ouviram falar no Pasquim. Era um jornal tipicamente carioca. Feito por cariocas ou “acariocados” e costumava gozar paulista. Grandes jornalistas e escritores freqüentaram suas páginas e as entrevistas sensacionais. Eram entrevistas que a gente morria de inveja por não estar nelas, ao menos como ouvintes. Eles não apenas expressavam as perguntas e respostas, descreviam a cena como um cinema.

Um dos articulistas mais espetacular era o Ivan Lessa que se tornou, na prática, um Inglês. Trabalha para a BBC e até hoje tem uma coluna no site da BBC Brasil. Hoje reproduzo um artigo dele sobre os cortes nos benefícios sociais na Inglaterra, dentro do clima da crise que já conturba a vida dos franceses com a classe operária em revolta. Vejam como escreve bem este senhor:

Foi o assunto da semana passada. E desta. Continuará sendo.

O governo da Grã-Bretanha anunciou o maior pacote de cortes de gastos públicos do país desde a Segunda Guerra. Os cortes incluem cerca de 7 bilhões de libras, ou, para nós, R$18,7 bilhões em benefícios sociais.

Até 2015, 490 mil postos de trabalho irão para a cucuia. Em quatro anos, o governo deverá chegar a 81 bilhões de libras, ou, em moeda nossa, perto de R$ 214 bilhões. O pau está comendo.
Nada que se compare à atual balbúrdia francesa, mas as sementes foram plantadas.

Na imprensa, a discussão é acalorada e chega a ser interessante acompanhar. Mesmo não entendendo nada a não ser da navalhada na carne de quem levou uma e procura estancar a sangria.

Eu não entendi nada. Procurei, como todo mundo, saber em que pé esse apertado sapato fiscal me virá doer.

De imediato, sem pé nem cabeça alguma. Mas, como tudo mais por aqui, como no ponto do ônibus, parece que o negócio é esperar. Ver como minha administração regional vai aplicar-me os golpes e se serão fatais ou não. Uma coisa ficou claro: os bancos se safaram de boa. O que não é novidade. Banco cria não poucas mas muitas e, depois, vive de escapar – numa boa, para variar.

Catando aqui e ali nos jornais, nas seções mais levianas, que não só de cacete na cabeça e navalha na carne vive o homem, mesmo o britânico, fui descobrindo maneiras de driblar os políticos que decidem como correrão as coisas com meu “rico dinheirinho” e minguadas posses.

No caso de algum bolo aí no Brasil vir a reverter todo esse processo social de enriquecimento (e que, tudo indica, terá prosseguimento com o próximo governo), conforme constato na Internet, passo adiante, como bom amigo e velho conterrâneo sempre solidário, embora distante, algumas dicas de como escapar de um corte na fachada financeira.

Se for resultado de briga com malandro armado de navalha, esquece. Tente chamar a polícia e dar entrada no pronto-socorro.

Segurai-vos, irmãos, e, a seguir, pois são grátis, segurai algumas dicas protetoras:

* Não vá ao teatro ou ópera. Um ensaio dessas funções artísticas é grátis e dá quase na mesma.

* Abra o jornal ou o computador. Procure achar conferências. O assunto é secundário. Pode ser sobre pensadores franceses ou cinema novo. O importante é ter alguma coisa a fazer que não custe nada a não ser a encheção de saco.

* Vá a uma vernisssage. Muitas, além de arte, metida a besta mas arte, oferecem salgadinhos grátis. Se houver vinho, mesmo nacional, considere-se um crítico sagaz. Observe tudo com ar interessado.

* Pegue um de seus seis livros velhos e comece a ler de novo. Uma página de cada vez. Sim, o assassino continua a ser o médico que mora ao lado da vítima, mas renovar uma emoção é o mesmo que revivê-la, conforme disse o Paulo Coelho que você – que pena – nunca chegou a folhear.

* Vá ver se eu estou na esquina. Vá a qualquer esquina. Só pelo passeio. Não precisa partir em busca de ninguém nem de nada. Um saudável exercício.

* Evite o assalto das quartas e quintas-feiras. No caso de você ser o assaltado, é evidente. Os de sábado, esses, todo mundo sabe, são inevitáveis e fazem parte do fino tecido de nossas vidas.

* Assobie um samba. Batuque na caixa de fósforo (antes pare de chamar de “fosqui”). Cantarole junto com o rádio do vizinho. Vox populivox Dei: quem canta seus cortes nos benefícios sociais espanta.
* Pare com essa mania de comer. A comida engorda e faz mal ao coração, além de provocar aftas.

* Comece a parar de respirar. Um pouco de cada vez. Devagar se vai longe. Dois minutos hoje, três amanhã e assim por diante até, finalmente, você partir desta para melhor. Não se esqueça nunca: morrer é a grande solução, é o melhor remédio.

Esses rejeitados suburbanos - Emerson Monteiro

Segunda-feira, 25 de outubro de 2010. As estatísticas da Grande Fortaleza dão conta da cifra de 21 homicídios durante o final de semana que passou. Algo alarmante para época de paz social. Números atípicos de um mundo injusto. Enquanto que seres humanos da mesma civilização ocidental circulam silenciosos pelas avenidas, ruas e praças, qual se nada acontecesse além dos programas sensacionalistas, próprios dos horários do almoço da classe média com isso preocupada.
Ninguém nasce marginal e a sociedade transforma seus herdeiros em monstros aterrorizadores pecaminosos, armados até os dentes, raquíticos, tatuados, esqueléticos, olhos fundos, feições agressivas, usuários e traficantes de drogas, menores infratores, protagonistas de boletins e ocorrências, algarismos arábicos, denunciados pelo sofrimento de mães desesperadas, aflitas, filhos sem pais, reconhecidos de apelidos torpes, xingados, sobejos da mídia e menores enjeitados da sorte oficial. Uma sanha grita aos quatro ventos, do alto dos morros e linhas vermelhas do desencanto, o arrepio dos poderosos que, ano após ano, se sucedem juntos de tronos bem conservados. Desempregados, subempregados, informais consumidores crônicos de crack, pixotes versados na ordem seletiva de magnatas e políticos trajando grifes cativantes, frutos podres das tecnocracias de conveniência, dentes cariados de regimes e práticas.
Vez em quando surgem idealistas que protestam de cartilhas em punho. Reclamam para esses rejeitados suburbanos das periferias sociais, assassinados, exterminados de si mesmos. Programam políticas públicas que pretendem encampar os déficits nos projetos futuros, que se arrastam nas marcas tortas da distribuição de renda.
Quando calarmos, até as pedras clamarão... Independente das providências paliativas, dos reforços de efetivos, mais armas e munições, guerra surda se instalou nos becos e terrenos vazios, nas distantes favelas e nos córregos poluídos, de zumbis à procura da lua. Tropel silencioso percorre guetos, exército surreal de nossos irmãos, sobrinhos, filhos nossos, soldados desconhecidos no orçamento, esfaqueados, fuzilados, triturados, fora dos olhos das câmeras e dos quadrantes da caridade pública, desassistidos da ganância, raça da nossa raça, ainda imberbes, sangue do nosso sangue, negros, pardos, índios, prostitutas, alcoólatras, dependentes químicos, que perderam o bonde da história desde o berço e a inocência criminal desde a primeira infância, ou ainda no útero materno, largados nos lixões da glória do mundo... Caldo grosso da mesma humanidade escore fétido de cães e muralhas, estádios e edifícios acrílicos faiscantes, abortos largados sob as marquises, nos mangues, canteiros e viadutos, bandidos da economia de escala... Enquanto isso, balas perdidas ricocheteiam criminosas pelas copas das árvores, nas calçadas da fama e veias solitárias dos aidéticos degenerados...
Quem, pois, pranteará a verdade dos tantos perdidos na mocidade em flor, atirados quentes às estatísticas mornas deste tempo sem amor?

Pura poesia...


Obs. Não é sugerido o autor

http://novoshowoffofmanuela.blogspot.com/2009/02/fractais-belissimo.html

Adeus em vida. Liduina Belchior.


Nós seres humanos não conhecemos profundamente a cisão entre o viver e o morrer.Não somos suficientemente preparados para esta situação.
Mas fui á Fortaleza desperdir-me de um tio com menos de 70 anos com metástase óssea, sem visão e em seus últimos tempos. É difícil dizer Adeus a um Profeta, tio e pai ao mesmo tempo. Ele não me viu com seus olhos, mas ouviu minha alma, me olhou com o coração,com seu tato e recebeu infinitamente meu carinho e gratidão derradeiros.
Homem forte cujos sobrinhos o chamam de TOURO! Pois sobrevive a mais de 5 anos uma enfermidade tão séria quanto a vida.
Meu coração chora e ri. Explico: O seu exemplo e missão ficarão para sempre gravados em meu viver como crescimento de existência.
Valeu, José Belchior Silva (Tio Bó)por você ter nascido e nos ter dado tanta lição de Moral, de Cidadania e sobretudo de AMOR!

Beijo-te eternamente: Liduina.

Colaboração de Edmar Cordeiro

POEMA À AMIZADE

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade reaproximar-nos-á.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:

Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein

A poesia de Everardo Norões



Sertão


As nuvens são baixas,
mas alto é o céu.

O que parece passar,
permanece.

O verde, no cinza
se descobre.

A luz,
da escuridão se tece.


O verbo afia,
a faca desafia:
no oculto de mim,
tudo é Sertão.


Fractais


Pelo mergulho
das sombras
calculo o itinerário da luz.

Meço
os contornos de nossas ruínas
na matemática particular
dos desesperos.

Abro a janela
Da página do sonho:
Soletro devagar, o Aywu rapitá:
o ser do ser da palavra
(flor pronunciada
entre as estrelas.)


A noite

Desaba sobre as telhas
Na explosão de um meteoro.

Conto estilhaços,
recomponho parábolas:
um mínimo do que sou
lembra as fronteiras
do Universo.


RETÁBULO DE JERÔNIMO BOSCH

Arroz à piemontese



* Ingredientes
* 2 canecas de arroz lavado
* 1/2 colher de óleo
* 1 colher de alho
* Sal
* 1 lata de champignon
* 100 g de queijo mussarela
* 1 lata de creme de leite



* Modo de Preparo

1. Frite o arroz no óleo e alho até ficar solto como uma farofa
2. Coloque água dois dedos acima do arroz e tampe até secar
3. Despeje o creme de leite, a mussarela e o champignon e deixe no fogo até a mussarela derreter e o arroz ficar como um risoto, bem molhadinho

Sirva com filés ao molho madeira  ou  grelhados ,e salada verde.

"O Importante é a Rosa" - por Socorro Moreira



Os dias não são fáceis, mas passam rápidos. Ontem a febre me pegou, e eu sonhei , delirei, e quase entreguei os pontos. Parece que, quando a vida  deseja fugir, a gente faz de conta que não vê, e permite a fuga.
Mas o dia de ontem era especial : aniversário de 5 anos de Bianca.Ela estava lá ,toda  de roupa nova , de saltos, esperando os primos convidados. O quebra-cabeça  fez o maior sucesso. As peças misturadas, e ela só sossegou , quando compôs o modelo original. Bianca gosta de brincar com a razão !
Entre as guloseimas , nada provei.Parecia que estava sendo privada dos doces da vida.
Hoje, segunda-feira, resolvi compensar-me numa floricultura. Não tenho jardim, nem quintal, mas preciso do frescor floral.. São 6 jarros grandes. Dois  na varanda, e quatro na área de serviço.
Batizei-os : Edilma (  roseira), Do Vale ( palmeira), Liduína (  lírio da paz), Domingos( gerânios), Bernardo(Espada de S. Jorge),  Stela   ( violetas). Depois  apresento-lhes a evolução de cada um.
A vontade é ter um pé de flor para cada amigo do Cariricaturas ...Quem sabe ?
Tenham todos uma semana de luz. Boas surpresas, belos presentes da vida. 
Que o amor transborde em seus corações.

PENSAMENTOS PARA O DIA....


Pensamento para o Dia 25/10/2010
“Quando a pessoa que está presa confia em quem está livre, ela pode livrar-se de seus vínculos e movimentar-se livremente. A pessoa que está em profunda tristeza deve procurar refúgio naquele que está flutuando na bem-aventurança espiritual (Ananda), cheio de alegria. A escravidão mergulha a pessoa na tristeza; o Senhor é a total Bem-aventurança personificada. Portanto, a pessoa pode ser completamente curada da dor somente recorrendo à fonte inesgotável de deleite, o Senhor. E o que exatamente é a libertação (Moksha)? É a libertação do sofrimento, a ausência de dor e a realização da bem-aventurança espiritual (Ananda-Praapti). O Ser Supremo, o soberano Senhor, é a personificação da doçura indivisível (Rasa), a casa do tesouro da Bem-aventurança (Ananda Nilaya). Assim, aqueles que buscam e asseguram Sua Graça obtêm a própria eternidade.”
Sathya Sai Baba

Pensamento para o Dia 24/10/2010
“Aqueles que estão concentrados nos prazeres sensoriais passam seus dias em preocupação, ansiedade, angústia, dor e lágrimas, por um longo período da vida; eles se desenvolvem como pássaros e bestas. Comem boa comida e a jogam fora como lixo. Essa é a vida sem propósito que a maioria das pessoas leva. Você pode chamar esse processo de viver? Um número enorme de seres vivos existe na terra. Viver não é suficiente. Isso não tem valor por si só, para si mesmo. Pode-se considerar-se vivo somente se as motivações, os sentimentos, os pensamentos, as atitudes que incitam a pessoa revelarem as qualidades divinas internas.”
Sathya Sai Baba

Pensamento para o Dia 23/10/2010
“Cada um de vocês necessita de fé em si mesmo mais do que da maioria das outras qualidades. A ausência de auto-confiança marca o início de nossa decadência. Atualmente, o mundo está à beira da ruína e do desastre porque as pessoas perderam a confiança em si mesmas. A auto-confiança é a única capaz de conceder paz e prosperidade para cada pessoa. Se você cultivar a auto-confiança, receberá afeição em todos os lugares. Você será homenageado em todos os lugares. Tudo o que você tocar se tornará de ouro!”
Sathya Sai Baba

Pensamento para o Dia 22/10/2010
“Libertação é a realização da consciência, é unir-se ao Divino. Cada um e cada ser vivo deve atingir essa consumação, esse objetivo, o Brahman. Esse é seu verdadeiro destino. Mais cedo ou mais tarde, a ânsia de ganhar liberação das amarras da tristeza e da alegria, dos laços de "eu" e "meu" vai despertar e emergir. Então, o caminho tomado conduz inevitavelmente à libertação (Moksha). A busca pelo caminho é o sinal da pessoa inteligente. Em vez dessa busca, quando uma pessoa considera o mundo objetivo como completamente importante e se sente atraída por seu charme, a vida torna-se estéril e sem nenhum significado.”
Sathya Sai Baba

Pensamento para o Dia 21/10/2010
“Olhos que vêem o mal, orelhas que gostam do mal, língua que almeja o mal, nariz que desfruta do erro e mãos que se deleitam com o mal—isso deve ser totalmente evitado. Quem quer que possua qualquer dessas características deve corrigi-las imediatamente. Ou seu futuro está fadado a ser desastroso. Os erros dos cinco sentidos (Indriyas) resultarão na destruição dos cinco tipos de energia vital (Pranas) e na morte das cinco camadas sutis (Koshas). Naturalmente, os sentidos fornecem prazer e alegria momentâneos, mas, como diz o ditado, "a senilidade está à espreita." Prazeres sensuais resultam em grande pesar muito em breve.”
Sathya Sai Baba

Pensamento para o Dia 20/10/2010
“É uma ocorrência bastante comum que as histórias do Divino sejam narradas e ouvidas por grupos de até milhares de pessoas. Mas a Sabedoria (Jnana) só pode ser alcançada colocando fé absoluta no que se ouve. Essa fé deve resultar em uma mente limpa e um coração puro. Quem escuta a narrativa do Senhor e absorve seu néctar com o coração borbulhando, ansiando pelo Divino e com fé inabalável em Deus, alcança uma alegria constante e a auto-realização. Isso está além do reino da dúvida.”
Sathya Sai Baba

Liberdade de Expressão - José do Vale Pinheiro Feitosa

No Brasil existem leis que tipificam os crimes contra a honra: calúnia, injúria e difamação. Existem crimes contra a descriminação racial e agora uma em discussão que trata do mesmo quanto aos homossexuais. Em outras palavras os costumes da sociedade apontam para a liberdade de expressão, mas condenam certas expressões. Isso significa que o termo expressão por palavras e gestos está sob a guarda da sociedade mediante normas punitivas para quem os pratica.

Quando a expressão se aplica à imprensa, a liberdade além de condicionada no Código Penal pode ser avaliada pelo julgamento público. Que tanto pode ser a de mercado pela escolha do melhor produto, quanto à livre manifestação contra o agente agressor. Além disso, o assunto está em evolução, especialmente com a queda da antiga e draconiana Lei de Imprensa de 1967.

Por isso ninguém pode se eximir de debater o assunto. Mesmo neste clima de disputa eleitoral, ou melhor, especialmente pelo poder mobilizador que ele tem. Isso é fundamental, pois as sociedades democráticas o são pela tendência à igualdade entre todos e não pela concentração de potência sobre alguns, especialmente editores e donos de empresas jornalísticas.

Gostaria de discutir dois casos que estão no fulcro de campanhas eleitorais.

O primeiro é da psicanalista Maria Rita Kehl demitida como colunista do Estado de São Paulo por que teria escrito fora do seu assunto, quando neste artigo criticava a posição de setores mais ricos que desqualificam publicamente o voto dos pobres. O motivo alegado pelo jornal não contempla a explicação para o ato, uma vez que o assunto é relevante e presente, especialmente pela internet e e-mails. A demissão dela se tornou bandeira da campanha política situacionista.

O segundo é Juan Williams, dos EUA, que trabalhava há mais de 10 anos na NPR (National Public Radio) que é mantida com verbas públicas, inclusive federais. O jornalista participou de um programa da Fox News, ferrenha opositora dos democratas, de perfil conservador e expressou-se assim: “quando eu entro em um avião e vejo muçulmanos a bordo, e eles são facilmente identificáveis pelas roupas que usam, confesso a você que fico preocupado, fico nervoso”. A outra foi: “os muçulmanos nos atacaram em 11 de setembro.” Como se vê generaliza como se o ato terrorista do cristão Timothy McVeigh pudesse ser atribuído a todos os cristãos. Por isso ele foi demitido e virou bandeira política oposicionista.

A pergunta que se faz: feriu-se a liberdade de expressão nos dois casos ou apenas em um deles? Em caso da segunda opção, em qual deles se feriu? Tenho respostas a estas perguntas, mas não vou dá-las, pois o que quero demonstrar é que o debate está aberto e é preciso qualificá-lo ainda mais. Muito mais do que este mero discurso da “liberdade de imprensa ameaçada” a partir do ponto de vista somente dos donos de empresas de mídia. O jurista e professor Fábio Konder Comparato entra no STF com uma “adin da omissão” cobrando do Congresso Nacional a regulamentação de três artigos da Constituição Federal relativos à área de comunicação social.

AGRADECIMENTO A JOSÉ DO VALE PINHEIRO FEITOSA


Me pego de surpresa com uma matéria aqui no Blog Cariricaturas postada pelo Dr. poeta, escritor, José do Vale Pinheiro Feitosa. A sua matéria enaltece dois grandes fotógrafos da nossa cidade – Crato: Pachelly Jamacaru e Dihelson Mendonça, como também a mim, Jacques Bloc Boris (Artista Plástico), fiz meus agradecimentos! Mas diante das gentis palavras que foram ditas, me vi no dever de postar os agradecimentos sinceros e verdadeiros ao mesmo.

Grande Zé, as suas palavras foram recebidas, como as palmas que aplaudem os atores, depois do ato, como um copo com água fresca, vindo da quartinha, quando se está com sede. Massageias os nossos egos e corações nos dando forças para continuarmos os nossos trabalhos.

Somos pessoas iguais a você, que sabem valorizar e respeitar os artistas e profissionais “prata-da-terra”. Todo artista precisa de dinheiro para sobreviver, mas melhor que o dinheiro é o reconhecimento do seu trabalho, e isso meu amigo, você fez e nos deixa orgulhosos e com o pensamento de que estamos seguindo pelo caminho certo e tentando colocar o Crato no patamar do celeiro de grandes artistas.

Em meu nome e com toda certeza também, em nome de Pachelly Jamacaru e Dihelson Mendonça, os nossos AGRADECIMENTOS: OBRIGADO!


Jacques Bloc Boris