Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Viagem ao rio da infância - Dimas Macedo

Porque acredito que a vida é feita de movimentos incessantes, que modelam a nossa maneira de ser e de agir, proveito o tempo de lazer para viajar, às vezes para conhecer o que existe para além dos muros do Brasil.
Umas férias merecidas, sorvendo a cultura e a linguagem de velhas cidades européias, deixam no espírito, na imaginação e na memória algumas efusões que dificilmente se apagam nas nossas retinas fatigadas.
Hoje, treze de dezembro, estou de retorno da bela cidade de Le Havre, situada na região da Normandia francesa, bem no encontro do estuário do Sena com o Canal da Mancha.
A minha condição de professor convidado da Universidade de Le Havre, onde ministrei conferência sobre o processo eleitoral e os valores da democracia brasileira, me faz pensar na recompensa que a vida nos dá a cada instante.
O que quero registrar nesta crônica, contudo, é o impacto que essa importante cidade portuária exerceu sobre mim, sobre a minha visão e a minha sensibilidade de artista e de viajante.
Enfrentei uma tempestade de neve, há três dias, quando desembarquei em Paris, vindo da Alemanha, mas em Le Havre a temperatura se fez mais generosa com a minha condição de nordestino, acostumado com o calor dos trópicos e com o clima ameno que somente o Ceará sabe transmitir a seus filhos.
Em Le Havre, assim como na França e em toda a Europa, as condições de vida das pessoas são muito diferentes daquelas em que vivem os nordestinos e muitos habitantes do interior do Brasil.
A mente humana aqui foi libertada do processo de escravidão social e do processo de dependência política que vinculam muitos cearenses à manipulação dos seus representantes políticos.
Em qualquer parte do mundo aonde esteja, sempre me vem ao baile das lembranças os encantos da terra onde nasci e assim também o traço natural e a cultura do nosso querido Ceará.
Navegando sobre as águas do Sena, em Paris, ou contemplando o estuário do Sena, em Le Havre, o que me vem à mente, de plano, é o Rio Salgado e a sinuosidade das águas da infância; o que se impõe no percurso da lembrança é o retrato da velha cidade onde nasci.
Lavras está em todas as cidades pelas quais passei em todos em dias de viagem: assim em Londres, como também em Bruges, Amsterdam, Paris, Bruxelas ou Colônia.
É como se o mapa mundi fosse povoado de saudades e lembranças que se deixam gravadas no recesso do sonho. É como se o Reno, o Tâmisa e o Sena refletissem a brisa serena do Salgado, o mais doce de todos os rios que os meus olhos não se cansam de ver.

Paris, 13.12.2010

Uma interrogação acelerada - Emerson Monteiro

A velocidade com que o parque industrial produz automóveis e os lança ao mercado consumidor segue deixando enorme vazio nas respostas ao problema de circulação e estacionamento que isso ocasiona a toda hora, sobretudo nos países de desenvolvimento caótico e duvidoso, semelhantes ao caso brasileiro.
Para imaginar o nível de seriedade do assunto, vale dizer que uma capital do porte de Recife, exemplo aqui perto, também no Nordeste, recebe hoje, a cada dia, o número médio de cem novos veículos, despachados ao burburinho da metrópole de si já saturada dos mais diversos desafios atuais.
Essa civilização do petróleo, grosso modo, impõe regras extremas de obediência aos mercados de sua órbita, através das cláusulas inegociáveis do poder soberano. O carro é a estrela principal da festa, pois gera divisas e paga impostos, contudo reclama longos e intermináveis caminhos asfálticos (o que, só no Brasil, significa 62 mil quilômetros de rodovias federais), além das ruas largas e avenidas de muitas pistas, exclusivo monitoramento através de pessoal técnico, enquanto as políticas oficiais ignoram construção e ampliação das estradas de ferro jogadas no ostracismo.
O tal mundo capitalista ocidental, portanto, aceita bem sobreviver sobre automóveis qual inexistisse alternativa de locomoção. E outras matrizes energéticas são pouco consideradas, a não ser o combustível ora utilizado. Espécie o sistema refreia o avanço das outras energias. As energias solar, hidráulica, elétrica arrastam passos, contidas na ausência quase absoluta de pesquisas ou financiamentos.
Há notícias de iniciativas que, logo consideradas, sumiram como por encanto, na experiência do carro a água, do carro elétrico, este que, por sua vez, só de longe parece despontar nas ilhas japonesas. Tentativas de transportes coletivos movidos à energia solar, ou elétrica, saíram das cogitações. Há estudos, inclusive, de transportes desenvolvidos à base de oxigênio, sem merecer, na obtusidade do trato industrial, maiores possibilidades, ainda em fase preliminar pouco levada a efeito, ou eliminada nos primórdios.
Durante a espera de soluções ao grave enigma de quilométricas distâncias, metrópoles e modelos econômicos, prenuncia-se temporada ativa de caça à genialidade dos tempos, com vistas inventar as respostas coerentes do confronto homem versus automóvel, embate que, até agora, dá vantagem ampla às máquinas superaquecidas.

José Normando Rodrigues






(Farias Brito, 11 de Novembro de 1949- Brasília, 27 de Dezembro de 1997)

Grande artista plástico, genial criatividade.
Deixou-nos uma enorme saudade.
Coração amigo !

Sérgio Sampaio



Sérgio Moraes Sampaio (Cachoeiro de Itapemirim, 13 de abril de 1947 — Rio de Janeiro, 15 de maio de 1994) foi um cantor e compositor brasileiro. Suas composições variam por vários estilos musicais, indo dos folclóricos samba e choro, ao rock'n roll, blues e balada. Sobre a poética de suas composições, em que se vê elementos de Kafka e Augusto dos Anjos, que lia e apreciava, declarou num estudo Jorge Luiz do Nascimento: "A paisagem urbana em geral, e a carioca em particular, na poética de Sérgio Sampaio, possui a fúria modernista. Porém, o espelho futurista já é um retrovisor, e o que o presente reflete é a impossibilidade de assimilação de todos os índices e ícones da paisagem urbana contemporânea."

No dizer do cantor Lenine, Samapaio foi um nome marginalizado que equipara a Tim Maia e Raul Seixas, como um dos "malditos" da música popular brasileira.

wikipédia

Comentário nos bastidores- Por Luis Eduardo

Vi o Cariricaturas hoje.

O Sérgio Sampaio genial. Gosto muito de todo o trabalho dele, mas especialmente de "Sinceramente", o último dele vivo.

"Mais do que cantar para o mundo inteiro / Eu quero cantar primeiro / Só para o seu coração / Mais do que esse palco iluminado / Eu quero esse delicado contato da sua mão / É você que me fica fazendo os mais doces carinhos / Pousando esses dedos macios assim em meus lábios / Fazendo com que eu fique quente depois de tão frio / Ah como eu desejo esses seus movimentos tão sábios / Emoção é o lado mais doce da nossa energia / E em mim é você que alimenta esta forma de luz / Você é a mulher que me faz infinito na vida / Estrela que me orienta, ilumina e conduz!)

O Van Der Graaf - a música tem uma tonalidade meio sombria, mas também momentos de muita beleza.
Luis


Para Aloísio




Carro de Boi
Milton Nascimento
Composição: Maurício Tapajós e Cacazo

Que vontade eu tenho de sair
Num carro de boi ir por aí
Estrada de terra que
Só me leva, só me leva
Nunca mais me traz
Que vontade de não mais voltar
Quantas coisas eu vou conhecer
Pés no chão e os olhos vão
Procurar, onde foi
Que eu me perdi
Num carro de boi ir por aí
Ir numa viagem que só traz
Barro, pedra, pó e nunca mais

Maurício Tapajós




Maurício Tapajós Gomes (Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1943 — Rio de Janeiro, 21 de abril de 1995), ou simplesmente Maurício Tapajós, foi um compositor, instrumentista, cantor e produtor musical brasileiro.

Era filho de Paulo Tapajós e irmão de Paulinho Tapajós e Dorinha Tapajós.
wikipédia






Marlene Dietrich




Marlene Dietrich (nome artístico de Marie Magdelene Dietrich von Losch; Berlin-Schöneberg, 27 de Dezembro de 1901 — Paris, França, 6 de Maio de 1992) foi uma atriz e cantora alemã, naturalizada estadunidense.

Gérard Depardieu




Gérard Xavier Marcel Depardieu (Châteauroux, 27 de Dezembro de 1948) é um actor francês.
Com origens humildes, filho de um operário metalúrgico, fugiu de casa aos treze anos. Após uma juventude delinquente, é encaminhado por uma assistente social a trabalhar no teatro, iniciando-se no grupo Café de la Gare, onde conhece Patrick Dewaere e Miou-Miou.



Pensamento para o Dia 27/12/2010


“Para lutar contra a tendência de identificação com o corpo e para conquistar a graça de Deus como o único meio de vitória, os exercícios espirituais, tais como a investigação filosófica, foram estabelecidos, além do controle dos sentidos (Dama) e de outras disciplinas dos seis tipos de Sadhana (disciplina espiritual). Essas práticas garantirão a purificação da consciência. Ela, então, se tornará um espelho limpo que pode refletir o objeto, de modo que o Atma será revelado claramente. Para a realização da mais alta sabedoria (Jnanasiddhi), a purificação da consciência (Chitthashuddhi) é o caminho Real. Para os puros de coração isso é fácil de realizar. Essa é a verdade central da busca pela Realidade Suprema.”
Sathya Sai Baba

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“É essencial ao homem a unidade de cabeça, coração e mãos. Esse é o significado verdadeiro por trás dos cristãos fazerem o sinal da cruz. Instale Deus em seu coração. Reflita sobre Ele e realize boas obras. Considere todas as atividades como obra de Deus e aja em conformidade. Simplesmente alimentar os pobres e distribuir roupas aos necessitados não constituem serviço altruísta (Seva). Junto com isso, é preciso cultivar o amor, que é eterno. Desde o amanhecer até o anoitecer, todas as nossas ações devem estar impregnadas de amor. Comece o dia com amor, preencha o dia com amor, passe o dia com amor, termine o dia com amor. Esse é o caminho para Deus.”
Sathya Sai Baba

Cultura cearense como aquelas letras sobre raparigas do forró eletrônico? - José do Vale Pinheiro Feitosa

A questão da cultura não se encontra no artista. Ela é da sociedade. Que não é um ser isolado: recebe pressões externas o tempo todo.

A rigor o Cariri é um encontro entre uma classe média globalizada (ou semi) e uma média cultural popular do interior nordestino. Não apenas a cultura de classe média recebe pressões externas, a cultura popular, mesmo a religiosa, pertence ao universo em transformação do interior brasileiro.

O dado pessimista é que em países continentais bem sucedidos como os EUA, a cultura permaneceu poderosa nos extremos do leste e do oeste e o interior estagnou-se num plasma ressentido. O Brasil da face dinâmica do litoral repete o mesmo, igual ocorre no Ceará: Fortaleza galvaniza os meios, mas tem um dom de banalizar o que recebe do interior. Igual não ocorre em Recife. Talvez a cidade nordestina mais importante em termos de cultura.

Se pegarmos uma referência em música, por exemplo, é melhor o Mangue Beat de Recife do que o Forró Eletrônico de Fortaleza. Enquanto o primeiro atrai a cultura popular para o caldo do encontro de classes e constrói a personalidade de uma sociedade, a segunda é apenas a criatividade apelativa para o prazer turístico da dança.

Pelo que leio nos blogs da região, o Salatiel, José Flávio, Cacá, Pachelly, Abidoral, José Nilton, entre tantos para não cometer esquecimento de nomes importantes, buscam esse encontro. Por vezes com certa ingenuidade de volta às raízes, em busca de um encantado que se revelará. Por certo se revelará, pois entremeia cada segundo da região. A verdade é que precisam mesmo fazer o que fazem e cada vez com mais ousadias: praticar a “antropofagia” das raízes da cultura popular.

Praticar o coletivismo, expressar-se muitas e várias vezes ao ano. Fazer isso que fazem: buscar financiamento, ocupar os espaços culturais da classe média tradicional e como o Cacá ir para os espaços da periferia das cidades médias e para as praças centrais das cidades interioranas.

Na região tem blog, televisão, rádio, jornais, editoras e gravadoras. Este coletivo cultural além de atrair nomes representativos da cultura popular, tem de pensar sobre a existência destes meios e construírem um plano estratégico para a ocupação dos mesmos. Não existem (ainda) condições de apropriá-los, mas de ocupá-los com uma expressão tão necessária da qual este meios não possam se desprender.

Uma nota coletiva, por exemplo, para o jornal O Povo é necessária a respeito daquele artigo que apenas enxerga o umbigo cultural do litoral. Que tal um manifesto de intenções deste coletivo se já não fizeram? Que tal tornar conhecido alguns pontos de promessa para a sociedade?

As eleições municipais se aproximam: construam políticas e estratégias de ocupação junto com candidatos progressistas. Nunca esqueçam que a cultura não é meramente para lazer e para artistas: ela está nos programas de saúde pública, na educação básica, na universidade, nos meios de comunicação social, no lazer e, claro, no modo de se comportar da sociedade em face da enorme pressão externa por transformação.

Recebido por e-mail





UMA MENSAGEM DE NATAL DO CONSELHO
Canalizada por William LePar


O Conselho:

Deixem-nos tomar uns poucos momentos e pedirmos a cada um de vocês para viver o significado desta festa, o renascimento do Cristo e a comemoração do Nascimento d'Ele.

Levem para sua mente consciente e para seu coração o Amor que estava envolvido ao trazer este tipo de experiência para o mundo.

Tentem perceber o tremendo esforço previamente feito e olhem para o resultado.

Captem este Amor que o Bebê representa.

Levem-no para seus corações e permitam que este mesmo Amor, que esta mesma Doação, se expresse através de cada um de vocês, para si mesmos em primeiro lugar, e então para os seus entes queridos, aqueles que estão perto de vocês.

O Cristo Criança foi um presente do Divino porque Ele significou a entrada oficial da Consciência Divina no reino criativo, no plano terreno, em toda a criação.

Vocês chamam isto de Consciência Crística, mas é Deus em Ação.

É isto o que a Consciência Crística significa, é isto que quer dizer, é isto que é.

É Deus em Doação, é Deus em uma manifestação externa de amor.

Nós pedimos que cada um de vocês aceite este conceito em seu coração e doe àqueles que o cercam, dê amor, dê compreensão, dê compaixão, dê solidariedade, mas acima de tudo, doe-se àqueles que estão ao seu redor.

Que cada um de vocês e suas famílias desfrutem um ano novo muito próspero.

Que vocês desfrutem um Natal muito Abençoado e Sagrado.


fonte: http://lightworkers.org Tradução: SINTESE http://blogsintese.blogspot.com

domingo, 26 de dezembro de 2010

Conversa nos batidores com o novo colaborador Luis Eduardo





Aproveito a oportunidade agora para isto! Não de tão importante, mas tudo importa também...
Conversávamos mais cedo hoje, me ocorreu esclarecer algumas coisas para você. O assunto principal para mim Socorro é música. A música transformadora da realidade, a música que faz a flor perfumar o ambiente, a vida. O "rock" surgiu para mim como rebeldia, como a contestação do status quo, anos 70 - nos 60s, eu (ou)via não entendia, criado na roça, a música caipira, a Folia de Reis. Na cidade, a jovem guarda, mas tanto doce nas letras que eu não via um sentido que me comovesse. "Pobre menina, não tem ninguém..." "Eu sou um negro gato de arrepiar..." Achava melhores aquela do E. Carlos "Sentado à beira do caminho", do R. Carlos "Detalhes", por suas construções poéticas mais realistas, mas a música que procurava tinha cheiro de mato, de coisa da terra... Quando via alguma coisa diferente, gostava. A música caipira me oferecia isso, com seu ideário heróico, as histórias navegadas no carro de bois, os cavalos, os amores puros da gente mais simples. A vida era muito simples.

Quando falo em rock, falo mais portanto de VAN DER GRAAF GENERATOR (procure no 4shared.com, que você faz ótimos downloads, para conhecer - se você não conhece, claro!), ouvi muito YES, GENESIS, KING CRIMSON, JETHRO TULL, mas também muito Blues, muito HENDRIX, JOPLIN, IGGY POP, ERIC BURDON, além dos BEATLES e STONES, e no Brasil Mutantes, Raul Seixas, Sérgio Sampaio. Naquele tempo ouvi alguma coisa dos baianos C. Veloso, G. Gil, mas logo perdi o gosto pela história deles, que não vi a coerência que sintonizasse, só sua adesão mesmo ao stablishment. Não é verdade? (Cadê a proposta revolucionária necessária deles, não é mesmo?) (Será que exagero, deliro, vacilo, erro, injusto?...)

Queria chegar a que dancei esses sons, mas aquilo era realmente louco, tribal, viajante. Hoje não tem sentido para mim dançar daquele jeito que dancei. E as danças do pessoal anterior, que sei que você gosta, além do samba, da seresta - você já me disse -, do bolero, esses não me atraíram. Compreendo que se goste, mas meus movimentos são mais mentais, os físicos, só em momentos de muita intimidade - acho que você me entende.
Antes, gostarei que você participe comigo da música de que lhe falei, geralmente intitulada progressive rock - que alguns entendem que só existiu nos 60s e 70s, a produção de 80 para cá tivesse perdido sua função transgressora, mas na verdade alguma coisa sobreviveu, sim, e é [para mim] o melhor da festa. Lembro especialmente a maravilha do trabalho de PETER HAMMILL, que é o poeta-cantor-pianista-guitarrista do Van Der Graaf Generator, além da resistência também de Robert Fripp, o guitarrista do King Crimson, a resistência também, com um trabalho extraordinário, excelente, de PETER GABRIEL, que foi Genesis, mas há alguma coisa mais ainda, se bem que o "gênero" se esvai, restam poucas representações.

A música que me atrai hoje principalmente é WORLD MUSIC, em que as diversas etnias musicais se misturam, realizando uma música pacífica, de solidariedade, além do que remanesce da NEW AGE, a música elaborada com a intenção meditativa. Vivemos num grande caldeirão planetário, e a música da urbanidade, de quase todos os lugares, perdeu sua originalidade. No Oriente sei que se faz boa música, mas lá praticamente todos os shows são acompanhados de orquestras, de naipes completos. Aqui infelizmente não temos isso, a música que sobrevive, ou faz o que o mercado exige, com seu baixo nível, ou que se banque. Não é assim? Aí existem sei coisas maravilhosas no Crato, que perambulam certamente pelas cercanias, mas é muito raro virem aqui. Aqui da mesma maneira acontecem coisas, mas que não têm oportunidade de viajar pelo Brasil - se não aceitarem a tutela do patrão dinheiro, do mercado, não é mesmo?

Vejo muitas coisas suas no Cariricaturas, você posta muita coisa, quer dizer, você realmente é uma das pessoas mais presentes ali. Vejo então muitas vezes Roberto Carlos - além daquela infância tão distante, e tão cheia de falta de opções, não mais me interessou seu trabalho -, mas não vejo seu conterrâneo Sérgio Sampaio (Eu quero é botar meu bloco na rua...). Pesquise ache logo você vai colocar coisas maravilhosas do Sérgio Sampaio no blog, tenho certeza. O samba que ele faz, o bolero que ele faz, são da melhor qualidade do mundo, porque são revolucionários, progressistas (não sei se poderia dizer assim...)...


Esteja muito bem!


Luis Eduardo

O Cariricaturas é música ...Também !
Sons remanescentes , outros permanentes.
Já não danço boleros como antigamente, nem tão pouco o nosso forró.
Curto ouvir o que não se pode dançar.
Só frevo, na época do Carnaval, ou fora de época , instiga alguns passos...Pouco espaço !
Não lembrava a obra de Sérgio Sampaio.Música bem cantada, em décadas passadas.
Valeu!
Vou pras pesquisas. Extrair qualquer coisa que seja prazer lembrar, partilhar, conviver.

Abraços.
Socorro Moreira



As cidades pela música - José do Vale Pinheiro Feitosa

As grandes cidades do mundo ocidental renderam música à indústria fonográfica. Canções belíssimas que se tornaram patrimônio não mais destas cidades, mas de todos os povos que tinham acesso àquelas músicas e aprenderam a gostar delas. Certamente que tais músicas deram um sentido interior às pessoas para ter as próprias cidades como patrimônio de si. Mesmo quando nunca visitaram aquela cidade.

Hoje vou apresentar músicas para quatro cidades e mostrando como estas foram importantes para nos doar cada uma delas. A primeira é Paris. São tantas as canções feitas para a cidade que não existe possibilidade de listá-las sem uma profunda pesquisa não apenas na canção francesa. Os americanos fizeram uma belíssima canção, encontrável no youtube chamada “Last time a saw Paris” que foi fundo musical num belíssimo filme com Elizabeth Taylor e Van Johnson, de 1954, cujo título foi este mesmo. Aqui com a orquestra de Frank Chackfield.




Sem contar detalhes da cidade como a canção para “Moulin Rouge”, ou “Last Tango in Paris” do escandaloso filme do mesmo nome, com Marlon Brando e Maria Schneider, ou o “Is Paris Burning” com uma lenda de que Hitler mandou incendiar a cidade durante a invasão aliada. Ou o “I Love Paris” com Frank Sinatra. Ou a belíssima canção “A Paris, dans chaque faubourg” gravado por vários cantores, com este passo a passo dos bairros da cidade.

Mas ficarei com SOUS LE CIEL DE PARIS e na voz de Yves Montand, mas poderia ter igualmente escolhido as versões de Edith Piaf, Juliette Gréco ou Mireille Mathieu entre tantas versões.





Nova York não nos deixa dúvida. A canção New York, New York, composta por John Kander e Fred Ebb feita para o filme do mesmo nome, de Martin Scorsese com Liza Minelli e Robert De Niro, que não é tão velha, de 1977, como parece ecoar na nossa mente com a duração de um século. Os compositores, John o músico e Fred o letrista, trabalharam muito para os musicais da Broadway e para o cinema: Cabaret, Chicago e Funny Lady entre vários. Consta que a música não foi bem aceita por De Niro e sofreu modificações, tornando-se tema de Liza. Não fez sucesso até o lançamento do filme. Tornou-se sucesso com Frank Sinatra em 1979.




Fica difícil, em se falando de N. York, fugir da belíssima Manhattan com a voz de Dinah Washington.




Roma. Tem uma cadeia de montanhas cercando o vale do Tibre onde a música inventou uma cidade. Uma vechia cittá, de tanto charme no pós guerra, uma cidade bela e profunda nas raízes de nossa língua. Vou ficar com um clássico: Arrivederci Roma, que foi gravada por tantos. Entre os quais: Mario Lanza, Johnny Mathis, Nat King Cole, Dean Martin, e muitos mais. Aqui com a versão em italiano de Renato Rascel de 1955 que é o compositor da música e a letra de Pietro Garinei and Sandro Giovannini. Foi lançada no filme "As sete colinas de Roma".




A quarta cidade é São Francisco. Com tantas músicas, especialmente esta San Francisco com Scott Mackenzie.





Mas aquela mais representativa é I Left My Hearth in San Francisco e voz icônica da canção é Tony Bennett. Não tem apelação. Escutem o piano machucando cada fibra da matéria prima do amor.




Elegia à palavra
- Claude Bloc -


Peço a palavra
quando nas horas tardias
semeio harmonia
e devolvo canções
em novelos de luz
em cordões de alegria...

Peço a palavra
dos poetas e das musas
e o sortilégio inspirador
das mais distintas horas...
A eloquência da palavra
na rua deserta
como a palavra que me mata a sede
ao me acordar.

Peço a palavra
aos arremedos do sol
aos milagres da lua
e à sua magia
ao anoitecer .

Peço a palavra
aquela que sente
a minha própria ausência
a palavra que me chama
quando te ausentas
A palavra que grita
quando o sono
me vence...
A palavra
clandestina na leitura
de todos os dias.

Claude Bloc
Fotos do por do sol do dia 26/12/2010.
(partilho essa beleza com vocês)

BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
...
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

Pérola da MPB

Esperas- Por Socorro Moreira


Cabeça sem amor é nó com dor
Amor sem cabeça é catavento
Coração alado
É fuga desassossego
Espere o amor
Nas asas do tempo
Espere na janela
O sinal de um duende

No giro imaginável
Irreal é ilusão
Desejo é quase ação
O amor é reação

Lua minguante brilhante
Enche os meus olhos de mel
Crescente cheia beleza
Destila todo meu fel
Estrela azul não esqueça
O anjo da minha espera
Não importa que ele esteja
Na pauta de outra era

Pôr Do Sol

A minha cabeça não está boa
mas prometo que logo mais
subirei ao telhado e pegarei
algumas estrelas.

O meu pégaso fugiu
quando eu dormia.

Tomei dois comprimidos
e ao abrir os olhos
ainda senti no rosto
suas asas.

Engraçado,
não conhecia o perfume
das asas do meu pégaso.

Agora entendo por que
diziam-me os duendes
que era eu um sujeito
de sorte.

Aquele perfume era toda a minha infância.

Imagina então querida
como está minha cabeça
uma vez que não tenho mais coração
fantasias trotes de cavalo mágico
no alto das nuvens.

Imagina bem querida
como está minha cabeça
sem aquela música alegre
toda vez que meu pégaso
tocava a flauta doce.

Mas por favor não pense
que estou a preparar a forca
ou a cortar a mangueirinha
do botijão de gás.

Quem sabe o meu deus imaginário
apiede-se desse homem tolo
e lhe ofereça outro pégaso
(também uma namorada)

Agora sei por que meu pégaso encantou-se:
poeta sem amor é um fardo sobre
o dorso de todo cavalo alado.

Afinal os pégasos
apenas sonham
com a felicidade
dos seus senhores.

E eu jamais serei senhor
nem de asnos com asas
nem de mulheres cruéis.

Imagina então querida
como está minha cabeça.

A Mão e a Flor. Pensamento para este final de Dezembro.Liduina Belchior.


Uma mão aberta encerra doação, amizade, perplexidade. A folha centrada na própria, é a natureza retirada do seu galho com a licença do Senhor. As duas são obras sagradas do pastor.
E quanto ao AMOR ele necessita ser por inteiro:transparente e intenso. Não importa se vem em goteira, em enxurrada, em pingos ou oculto. O AMOR é simplório e nada complicado. Ele apenas É! Meditem nisso... Feliz ano novo, novo, o ano inteiro.

Fortaleza - Final dos anos 70


Meia noite
Antonio Carlos & Jocafi
Composição: Antonio Carlos & Jocafi

Se quer saber, eu vou mal, bem pior que você deixou...
Tem mais:
Se você faz questão de saber se me liquidou...
Meus parabéns...atesto pra todos os fins: perdi!

Tudo ao redor por pirraça me faz recordar você...
Tem mais:
Se aliaram e fizeram um complô contra mim...
Meus parabéns...atesto pra todos os fins: perdi!


Meia noite e os meus braços me cobrando um abraço...
Meia noite e eu de porre, bebendo as lembranças, mentindo que já te esqueci...
Meia noite e o meu corpo, me cobrando o teu corpo...
Meia noite e eu de porre, bebendo as lembranças, mentindo que já te esqueci...

Tudo ao redor por pirraça me faz recordar você...
Tem mais:
Se aliaram e fizeram um complô contra mim...
Meus parabéns...atesto pra todos os fins: perdi!

Meia noite e os meus braços me cobrando um abraço...
Meia noite e eu de porre, bebendo as lembranças, mentindo que já te esqueci...
Meia noite e o meu corpo, me cobrando o teu corpo...
Meia Meia noite e eu de porre, bebendo as lembranças, mentindo que já te esqueci


Existia um cantor, que fazia sucesso nos bares de Fortaleza, cantando os sucessos da dupla.
Branco !
Ele tinha qualquer coisa de Sivuca , no biotipo.
Pedia-lhe sempre essa música: Meia Noite.
O texto de José do Vale trouxe-me esta lembrança.

Olhos de ver - Emerson Monteiro

Nestes tempos libertos e comunicativos, acham-se destravadas milhões de portas ao sabor do conhecimento de dentro da humanidade e do universo, na história dos tempos idos e das possibilidades dos tempos que virão. Ninguém pode reclamar de sonegação de informações. O trabalho das eras chegou ao nível dos desejos avassaladores das oportunidades, nos diversos campos do saber, e torna o viver contemporâneo em um oceano de ofertas, no que diz respeito à quase totalidade técnica de pesquisas, emoções, religião, lugares, personalidades, artes, palco luminoso de luzes e movimentos, posse absoluta das gerações inteiras, sertão, mar, geografia, física, música, ciências.
Aos habitantes coloniais do Planeta bastam: levantar a vista, apertar uns dois ou três botões e fixar o ponto em que a empanada revelará os segredos das origens, mostrando as previsões futuristas dos cálculos infinitesimais. Verdadeira festa de proporção desconhecida limpa as carências, sem contar somas fabulosas acumuladas nos gabinetes e as próximas ações de governo, que melhorarão os recordes obtidos, tudo a favor do patrimônio da raça dos sonhos e da imaginação.
Visão objetiva indica caminhar livre dos interesses exclusivos de só alguns, fora das intenções apenas individuais. O barco pertence ao coletivo, queiram ou não queiram apostadores da grande obra, que questionavam o sentido dessas evoluções. Quando lá nos primórdios apareceram os primeiros hominídeos, antigos resquícios dos atuais seres humanos, por volta de dois a três milhões de anos, já havia na semente o projeto aqui trazido ao campo das multidões. Nada melhor do que ouvi no tempo a existência dessas provas provadas.
Cabe hoje, no entanto, aos protagonistas da cena, valorizar o patrimônio obtido, horas, ar, claridade, energia, que alimenta a condição da grande massa no seu crescimento. Letras pulam acesas na frente dos atores todo momento indicando permanência e generosidade, através das consciências, numa opção de selecionar o lado positivo das duas alternativas de viver e agir.
Longe, pois, tirar de ninguém as chances de pensar maior, desestimular a felicidade de ver as paisagens boas, ler os roteiros alegres trazidos nos braços perfeitos de Quem que nos criou para uma trajetória de benções e que conduzirá o processo justo a bom termo, mantendo o ritmo ideal do vasto espetáculo onde habitaremos para sempre. A todos um Ano Novo de plenas realizações.

O Mistério do Natal- Por José Carlos Brandão






O MISTÉRIO DO NATAL


E o anjo do Senhor anunciou a Maria
E ela concebeu do Espírito Santo.
Dois mil anos se passaram
E ainda se ouvem as trombetas da alegria.
A estrela brilha no alto da montanha
E ilumina o universo de esperança.

A terra inteira festeja o Mistério.
O primeiro milagre de Jesus
Não foi mudar a água no vinho em Caná,
Mas tornar-se homem no ventre de Maria.
Sem deixar de ser Deus,
Jesus se esvaziou da divindade,
Ganhou carne e alma humana para a Redenção.

O homem não se salvaria
Se o Salvador não nascesse de Maria.
Os pastores e os reis adoraram o Menino
Envolto em panos e deitado na palha,
Deitado no leito de madeira como a cruz do Amor.

Maria é a nova Eva,
com a maçã na mão e a serpente aos pés,
Jesus é o novo Adão
Da aliança eterna, sempre nova.
O pão e o vinho são a carne e o sangue
Da ação de graças de toda a Criação.

E tudo começou na estrebaria,
O Menino nascendo de Maria.
Cantamos a primeira igreja: Jesus, Maria e José.
Na sagrada família de Nazaré
O amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém.

José Carlos Brandão

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando se pega a história de alguém a partir do seu momento, geralmente se esquece que muito daquela trajetória poderia ser outra. Antes como possibilidade e depois como fato consumado.

Uma das maiores “dores de parto” do século XX, em termos de história, teve um ano como referência: a revolta estudantil de 1968. Ali o velho mundo pós guerra era testado, sobre as liberdades, o progresso material e direitos sociais, como à educação.

No Brasil, em 1969, vivia-se uma ditadura que engrossava a repressão. O Presidente Militar morreu, dizem que não foi por causas naturais e sucedeu-lhe uma Junta Militar. Com Atos Institucionais que tiravam a liberdade das pessoas e no meio estudantil, o alvo estratégico do regime, um decreto que perseguia estudantes em militância política.

Vincou a repressão e logo nasceu o movimento de resistência. Seja pela guerrilha ou no meio cultural. Foi aí que surgiu um dos jornais mais importantes do Brasil no referido século. O Pasquim. Um jornal iconoclasta para a época, que nem se engessava na disciplina do PCB e nem prestava loas aos donos da grande imprensa que ajudavam o regime.

Na contramão desta contra-reação, meio por acaso para eles, mas determinístico para os interesses do regime, surgiu, no V Festival de Música Popular Brasileira uma dupla de baianos: Antônio Carlos Marques Pinto e José Carlos Figueiredo. Cantava uma música popular, que caía rapidamente no gosto das rádios e toda ela em espírito meloso, bem sambado, com melodias e refrões que colavam na memória do ouvinte.

Era a dupla Antonio Carlos & Jocafi contra a qual o Pasquim “mandava brasa”. Naquele tempo de música de protesto, politizada, vinha aquela dupla com o passivo escapista. No meio daquele perigo todo, tentando escapar da polícia nas madrugadas de pichação, a ditadura não vinha abaixo e ainda tomávamos umas caipirinhas ouvindo a dupla melosa.

O que fazer? Era gostosinha aquela música. Lembrava o velho Brasil dos sambas canções, por vezes indo lá no fundo daquele samba meio amaxixado ou marchas típicas da época de Sinhô. Este aliás se envolveu em muitas polêmicas com seus pares, acentuou a famosa pirataria das autorias de sambas, tão comum com Chico Alves, numa polêmica com Heitor dos Prazeres que acusava Sinhô de ter-lhe “roubado um samba”, respondeu este respondeu-lhe: “Sam é como passarinho. É de quem pegar”. Isso veremos sobre um roubo com a dupla de baianos.

Antonio Carlos casou-se com cantora Maria Creuza que fazia muito sucesso na época. Por uma conjuntura da época começaram a carreira nos festivais: em 1969 no V Festival de Música Popular Brasileira" com a música "Catendê" gravado por Maria Creuza com grande sucesso. Aqui a música com ela, Vinícius e Toquinho. O poetinha vivia sua era baiana, quando fez o gostoso Tarde em Itapuã.





Em 1971, o pau comia para cima dos estudantes e os Festivais perderam o viço rebelde e viraram o circo para desviar a politização da juventude. Antonio Carlos e Jocafi classificaram a canção “Desacato” em segundo lugar no VI Festival Internacional da Canção.





A canção de maior sucesso da dupla até hoje foi “Você Abusou”, de 1973, que fazia parte do LP Mudei de Idéia, cuja canção título teve sucesso, mas não como a citada. Esta canção teve sucesso internacional, foi gravada na França com nome de “Fais comme l'oiseau", de Michel Fugain e virou hino do Partido Socialista francês. O compositor francês assinou como sendo o autor da música e a dupla teve que entrar na justiça, ganhando a causa. Ela tem versões em espanhol e japonês, além de gravações de Célia Cruz, Sérgio Mendez e Stevie Wonder.




Vejam como o Francês Michel Fugain de fato teve um lapso de memória sobre a autoria do Você abusou: o "Fais comme l'oiseau", sou como um pássaro é cópia fiel do você abusou. Ainda hoje ao se buscar a lírica da música está nos sites internacionais como de autoria dele.



Aqui um sabor muito especial com este Toró de Lágrimas. É como muitos corações se sentem na solidão do amor perdido.





Com o Pasquim indo para cima, a dupla fez esta música com todos os ingredientes do movimento estudantil.




E por último esta Teimosa com os suspiros ritmados de voz tão próprios da dupla.


Arte de João Nicodemos



Releitura Digiral- "Flor no Tecido"

Téc. Releitura digital "Dança"

Técnica:releitura digital "Dança".

xilogravura - Releitura 2004, 10x10cm


Mãos delicadas para pintar
Coração delicado para sonhar
Mente especial para criar
Jeito especial para tocar
Talento reconhecido para poetar
lAlma reconhecida pra se eternizar !
(Socorro Moreira)


Felicitações- Por Domingos Barroso

Preparo humildemente
tua mesa - frutas, chás, biscoitos.

À noite espero teu cerrar de cílios
então visto tuas meias
e te agasalho os pulmões.

Renovo minha vida
cuidando da tua bronquite
e a cada longo suspiro teu
tão contente me vejo no espelho.

Todos os dias
e todas as noites
zelo por tua alma -

acendo incensos
rogo aos anjos mais elevados
a tua felicidade sem motivos aparentes.

Ouço bater à tua porta
uma cavalaria de bons presságios.

Talvez nem percebas
que de fininho passo por tua sombra

e sequer espero outra pancada -
abaixo a ponte movediça.

Adentram cavalos encantados
com bufões mediúnicos
tocando trombetas -

Eia, eia, eia.

por Domingos Barroso

Tá perdoado!(Recado a um amor que já morreu)- Por Vera Barbosa

Criação do Homem - Michelangelo

Vim para lhe dizer que já lhe perdoei, porque me perdoei antes. Por ter acreditado, apostado, me entregado. Não sei se muda alguma coisa na sua vida saber, mas fez toda a diferença na minha.

Foi um processo longo, exaustivo e bastante doloroso. Mas estou refeita e não há por que alimentar sentimentos que não me fazem bem. E, com o Natal, algo mais profundo toca o coração da gente, impossível ficar apática a essa comoção. Até porque não sou uma pessoa rancorosa, só preciso de um tempo para diregir os fatos e compreender o propósito das coisas.

Estou em paz. Desejo que também esteja.

Se me permite, só para elucidar... a forma como aconteceu ainda me causa tristeza, não vou mentir. Às vezes, lembro de tudo - e choro. Mas já entendi e aceitei o fim. "Não há por que chorar por um amor que já morreu". A vida segue seu curso, e a gente vai se adaptando. Um dia, uma semana, um mês...

Se foi feito, não há volta. São as escolhas de cada um, que só lhes dizem respeito, e sobre as quais terceiros não têm controle nem podem interferir. Cada um, somente cada um, pode saber o que é melhor para si.

A refação é lenta, milimétrica, requer cuidado e silêncio. Eu parei para escutar no silêncio que havia em mim, e onde seu silêncio gritava muito alto! E tudo, aos poucos, se transformou e voltou ao seu lugar.

De minha parte, não dá para ser amiga depois de tudo o que foi vivido, dito, sonhado e prometido. Não vim aqui com essa intenção. Apenas para lhe trazer votos de uma vida feliz.

Boas Festas junto dos seus!

Adeus.

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P.S. Hoje, eu sei "quando foi que a luz do poste se apagou".
vera barobosa

As três irmãs criadoras do mundo- Por Ronaldo Correia Lima



Getty Images

Com as três irmãs fadas aprendi o sentido da palavra dádiva. Durante onze meses elas se entregavam à construção da lapinha, que podia encher uma sala ...
"Com as três irmãs fadas aprendi o sentido da palavra dádiva. Durante onze meses elas se entregavam à construção da lapinha, que podia encher uma sala inteira", conta Ronaldo Correia de Brito

Ronaldo Correia de Brito
Do Recife (PE)

Havia três misteriosas senhoras no Crato, a linda cidadezinha que só existiu em minha infância e se transformou num feio aglomerado urbano. Os rios Granjeiro e Batateiras deixaram de ser rios e viraram canais, latrinas mal cheirosas onde despejam esgotos e lixo. E a floresta da serra do Araripe, tão longe e misteriosa, queima a cada ano. As onças, os veados, os tatus e as antas, seus antigos moradores, são animais que as crianças conhecem apenas nos desenhos dos livros.

Mas eu falava de três mulheres que sempre imaginei serem fadas, daquelas com varinha de condão, criando e transformando o mundo em volta delas. As três fadas possuíam nomes sem nenhum encanto. Todos na cidade se referiam a elas como as irmãs do alfaiate Zé de Rita. Simplesmente assim. O alfaiate não costurava bem, tinha o juízo alvoroçado e botava as roupas a perder. As pessoas deixavam os panos, ele tomava as medidas e na data de entregar as encomendas nunca estavam prontas e sempre ficavam frouxas ou apertadas.

Apesar da má fama do costureiro, eu teimava em fazer minhas roupas com ele, pelo encantamento de entrar na casa antiga de terraço e jardim laterais, no estilo árabe das mil e uma noites. Até as fruteiras evocavam o oriente de Sherazade: romãzeiras, laranjeiras e figueiras. As costuras eram pretexto para poder conversar com as três irmãs do alfaiate, perguntar como iam os trabalhos da lapinha, o presépio mais encantador e criativo de todos os que montavam no Crato. Elas se ocupavam o ano inteirinho criando anjos, pastores, pastoras, ciganas, borboletas, beija-flores, céus estrelados, desertos com oasis e camelos, lagos cheios de patinhos, cisnes e gansos, casinhas com terreiros de galos, galinhas, guinés, perus e pintinhos, cidade medieval que lembrava uma suposta Jerusalém, rios, pontes, igrejas, torres, florestas, moinhos e, em meio a todo esse esplendor, no lugar de maior destaque, o Menino Jesus deitado na manjedoura, ladeado pelo pai e pela mãe.

Eu suspirava todas as vezes que passava em frente à casa, ansioso para que chegasse o primeiro dia de dezembro, quando as portas se abririam e o mistério se revelaria aos meus olhos de criança. As três irmãs fadas sentavam em cadeiras e recebiam as pessoas, felizes em poder representar o milagre do nascimento de Cristo.

Curioso e inquieto, planejava minhas visitas diárias, querendo usufruir ao máximo o teatro imóvel, que se oferecia apenas até a festa de Reis. Num dia, me detinha nos lagos e pontes. Noutro, queria ver apenas os anjos, arcanjos, querubins e serafins, a corte celeste em adoração ao Menino Deus, arrumada contra um céu azul de pano, bordado com lua, estrelas, sol e cometa. Nunca vi cenário mais bonito em toda vida.

Com as três irmãs fadas aprendi o sentido da palavra dádiva. Durante onze meses elas se entregavam à construção da lapinha, que podia encher uma sala inteira. Nunca soube se ganhavam algum dinheiro com isso. Com certeza, não. O único pagamento era o brilho dos olhos das pessoas, o encantamento, os gritos de alegria. Bastava para compensar as noites sem dormir, os ferimentos nos dedos, as dores nas costas. As três irmãs do alfaiate Zé de Rita eram dadivosas como o próprio Cristo, me ensinava mamãe.

Nunca pagarei o que essas três mulheres fizeram por mim. Todo Natal imagino-as montando um grande presépio lá no céu, com anjos de verdade e o próprio cristo transformado em Menino, deitado nas palhas da manjedoura. Deve ser assim mesmo. E o compositor Bach, certamente prepara uma linda cantata natalina, que os anjos entoam com suas vozes de anjo. As três irmãs sentam em cadeiras sobre as nuvens, olham a criação de suas vidas e sentem-se divinas.

Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca, Livro dos Homens e Galiléia.

ronaldo_correia@terra.com.br

Terra Magazine

Por Everardo Norões





No caos, a compaixão

(sobre Retratos imorais, de Ronaldo Correia de Brito)

Um homem de meia-idade, de costas, metade do corpo emergindo de uma água parada, mergulhado em si mesmo, indiferente a uma escada fincada à sua direita e a algumas rochas à esquerda. É a capa de Retratos imorais, o mais recente livro de Ronaldo Correia de Brito. O homem esquece a salvação – escada e pedras – e olha para baixo: talvez o próprio reflexo no espelho da água. Não uma água ameaçadora; no entanto, nela há algo de putrefato, alguma coisa que nos faz pensar no padecimento ou na resignação. O fio de prumo dos contos de Retratos repousa sobre essa superfície plana de um líquido sob a qual perpassa a ‘imoralidade’ dos retratos de seus personagens, aparentemente – mas só aparentemente – tão díspares quanto o médico do conto intitulado Catana ou o paraplégico de Homem folheia álbum de retratos imorais.
Capa e título do livro anunciam um con-texto julgado desconfortável por algumas resenhas, pois é susceptível de tocar quem não se acostumou aos golpes do mal e do absurdo distribuídos, desde muito, por autores como Dostoievski, Camus ou Kafka. Não é por acaso que o autor de O processo é sempre lembrado para apadrinhar livro que se desvie da tutela de certa literatura déjà vu e de cujo núcleo infernal fazem parte o ‘imoral’ ou o ‘absurdo’ Retratos imorais certamente intimidará alguns leitores, porque se situa nessa órbita de contaminação, de infecção.
Depois de olhar a capa e de ler o livro, vem a pergunta: de onde nasce a aflição desses contos, esse ‘desconforto’ que toca a susceptibilidade de alguns resenhistas? Choca a constatação de que o absurdo se parece demais com nosso cotidiano, as situações vividas pelos personagens brotam diretamente de nossas ruas, apartamentos ou hospitais, talvez de nossas próprias casas. Além disso, essas circunstâncias são transfiguradas na narrativa por uma espécie de ótica que inverte as imagens e depois as tinge de cores bizarras: fotografias feitas para nos alcançar com um soco de direita, não para serem pregadas nas paredes, à guisa de lembrança.
No último conselho de seu decálogo sobre a construção do conto, um de seus mestres, o uruguaio Horácio Quiroga, escreveu assim: “Conta como se teu relato não tivesse mais interesse do que para o pequeno ambiente de teus personagens, dos quais tu poderias ter sido um. De nenhum outro modo se obtém a vida do conto”. De fato, somente num ‘pequeno ambiente’ é possível situar o leitor, transformá-lo num cúmplice. A vida nos contos de Retratos imorais transcorre nesses espaços exíguos, onde personagens se debatem em situações quase sempre violentas, até esbarrarem numa forma de impotência ou de resignação. Quando o narrador, no conto Pai abençoa filho, lembra que “todas as experiências do homem são de algum modo análogas”, essa única frase justifica as referências recorrentes do autor ao Eclesiastes, a Shakespeare ou ao Livro das mil e uma noites. Se não há novidade no que diz respeito aos grandes temas que perpassam as histórias humanas, se estamos fadados a nos debater entre a incapacidade de revolta e o infortúnio, resta ao filho mais novo repetir ao pai o pedido da bênção ancestral, que é a repetição do ciclo, a espiral que finda em si mesma. Essa impotência, percebida nas entrelinhas de cada conto, é algo intolerável ao individualismo burguês, que se imagina infenso a qualquer contágio e só consegue se abismar com o inevitável quando lhe chega a ponte de safena ou alguma forma de câncer. Pois, para ele, é imperdoável a história sem herói, o conto que se inicia com um personagem derrotado.
Avanço o olhar na perspectiva dos personagens, para não tratar do autor; ele pode restar à sombra quando o livro está pronto e assume destino próprio. É nesse instante que ele, o autor, deve se sentir feliz: seus personagens passam a caminhar com tanta autonomia que as interpretações biográficas deixam de ter papel relevante. Milan Kundera escreveu que existe apenas um método para compreender os romances de Kafka: lê-los, não tentando buscar nos personagens o retrato do autor, mas se esforçando para acompanhar esses personagens com o máximo de atenção, através de seus comportamentos, opiniões, pensamentos. Creio que esse é um bom método a seguir no caso de Retratos imorais. O sertão desfigurado do romance Galileia, de um ‘regionalismo’ às avessas, é mero cenário para permitir uma sorte de fuga de Bach entre vozes destoantes. Em Retratos, a arquitetura urbana da casa do psicanalista Rodolfo, atravessada por uma rede, pode ser percebida como oficina onde se fermenta a alienação de uma intelectualidade provinciana, da qual nem sequer escapa o serviçal Francisco.
Encontramos em alguns dos textos de Retratos imorais uma linguagem de toque híbrido – pequenos retalhos de teatro ou de cinema – em contos como Mães em fuligem de candeeiro ou Homem-sapo. Esse hibridismo, que nada tem a ver com questões de gênero, auxilia a organização de nosso olhar, o olhar do leitor, em torno de episódios aparentemente simples, mas que transcorrem numa circunscrição do espaço que confere ao conto sua conformação esférica, para utilizar a ideia de Cortázar. Nessa esfera, penetramos; nela, quedamos presos, como quase todos os personagens, sem claraboias de onde enxergar a salvação.
E aí se encontra, a nosso ver, o nó górdio da literatura do autor de Retratos imorais: a busca da salvação de quem está inexoravelmente fadado a sucumbir. No final de cada conto, o leitor depara com uma espécie de perplexidade, de interrogação, que o ameaça como lâmina ao sol. Mas se nada tem resposta é porque – maktub – tudo está escrito. Como no texto Mãe numa ilha deserta, quando a luz do farol se apaga de repente, falta petróleo, a escuridão desaba sobre a mãe e o filho e não resta mais do que, ao longe, o registro de um acordeom. O cristianismo tolstoiano dessa literatura abre com brutalidade a ferida para nos acordar a compaixão.
Tem alguma coisa a ver com a natureza dos contos de Retratos imorais a frase com que Albert Camus abre seu ensaio Filosofia e romance: “Todas essas vidas mantidas no ar avaro do absurdo não saberiam como se sustentar sem algum pensamento profundo e constante que as anima com sua força”. E, em seguida, o autor de O mito de Sísifo conclui que ao sermos obrigados a conviver com esse absurdo, a alegria absurda por excelência é a criação. Talvez a alegria da criação de Ronaldo Correia de Brito consista em ressuscitar personagens de seu dia a dia, para os quais, se não há a salvação, pelo menos poderá haver alguma espécie de misericórdia.

(in Correio Braziliense, 02.10.2010)

Mendelssohn



Arnold Ludwig Mendelssohn (Racibórz, Silésia, 26 de Dezembro de 1855 – Darmstadt, 18 de Fevereiro de 1933) foi um compositor e professor de música alemão.

Depois da sua morte, a sua obra foi proibida na Alemanha Nazi devido à sua ascendência judia.

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