Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

As companheiras respeitáveis do Aragão – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Meu irmão Aílton tem um cunhado, Antônio Moreira Aragão, mais conhecido por Aragão, há vários anos residente na Bahia, onde parece haver criado juízo. Enquanto morou no Crato e em Fortaleza, Aragão foi uma fonte de preocupações para seus pais. Aprontou muito, tanto lá, quanto cá.
Como animador de festa, Aragão se transformava na própria festa. Sempre era arrodeado por crianças, que acompanhavam atentas às suas brincadeiras. Em certas ocasiões, ele se transformava em mágico, para encantamento de adultos e crianças.

Numa reunião de aniversário na casa de Aílton, Aragão fez sumir, como que por encanto, uma nota de cem cruzeiros amarrada em um lenço, à vista de todos os presentes. Depois desatava o lenço vazio. Como os mágicos profissionais, ele não deixava ninguém perceber como subtraíra a cédula de dentro do lenço antes de dar o nó. E todos procuravam onde estava a nota, principalmente o dono dela, no caso, o meu irmão Aílton, para em seguida encontrá-la repousando no bolso da calça do Aragão.
Certa vez, Aragão, recém-chegado de Fortaleza, saiu sozinho para se divertir no Aquarius, uma casa noturna do centro da cidade do Crato. Lá chegando, sentou-se a uma mesa, onde já se encontravam quatro adolescentes. Então começou a conversar com as meninas, num desembaraço sem igual, imitando um carioca e se dizendo recém-chegado do Rio de Janeiro. Uma delas, que ainda era criança quando Aragão saiu do Crato para Fortaleza, notou que ele não a havia reconhecido, e disse para as companheiras:
– Esse cara é um enrolão. Ele não é carioca coisa nenhuma. É um roedor de pequi aqui mesmo do Crato.
– Pô, você está muito enganada. Esta é a primeira vez que venho aqui nesta cidade. Não sei nem o que é essa coisa que você falou aí sobre roer. Você deve estar me confundindo com outra pessoa. – disfarçou o pseudo-carioca, procurando carregar mais ainda no sotaque.
– Que nada, você não me engana, não. Eu o conheço. Você é Antônio Aragão, filho de dona Ivone, que mora lá perto do Cine Moderno!
– Ai, é mesmo! – respondeu concordando, admirado e surpreendido pelo flagrante, o roedor de pequi.
Numa época em que a nossa sociedade era mais exigente na pureza da elite e na seletividade de seus membros, ter aceso a um clube social somente sendo sócio. Em dias de festa, era exigido traje passeio completo para os homens. O Crato Tênis Clube, réplica perfeita do Maguari em Fortaleza, realizava as mais memoráveis festas. A da Rainha do Algodão, então, era a mais concorrida.
Segundo meu irmão, que tomou conhecimento do fato algum tempo depois, numa dessas festas a rigor, Aragão saiu direto da boite de Glorinha, uma famosa casa de prostituição, onde se encontravam as mulheres de vida livre, porém não tão fácil, como se dizia. Lembrando-se da festa, convidou duas das mulheres daquela casa para o acompanharem até o Crato Tênis Clube. As mulheres, recém-chegadas da Bahia, aceitaram o convite, achando ser prova de muita consideração e uma delicadeza daquele jovem. Era uma dessas festas na qual a fina flor da sociedade cratense acorria. Ao tentar ingressar no clube, Aragão foi barrado pelo porteiro, que polidamente se dirigiu a ele pelo primeiro nome:
– Antônio, você pode entrar aqui a qualquer hora, mas elas duas não podem entrar.
– Por quê? – quis saber o cunhado do meu irmão.
– Porque estas duas donas que estão com você são suspeitas.
– Suspeitas, uma ova! Suspeitas são aquelas que estão aí dentro do clube. Estas duas aqui são mesmo! Não resta a menor dúvida! – falou indignado Aragão.
Após essa resposta, Aragão saiu com suas companheiras para o Restaurante do Ferrer, em Juazeiro, onde acontecia uma festa bem mais liberal.

Extraido de "Histórias que vi, ouvi e contei" de Carlos Eduardo Esmeraldo, Premius Editora, Fortaleza, 2005

A dor ensina a gemer - Emerson Monteiro

A infinita sabedoria dos povos, colhida numa única frase e no decorrer de tantas eras, apresenta lições que funcionam como remédio de curar as feridas do tempo. Diz São Paulo que ninguém deve confrontar as agulhadas recebidas (Não recalcitreis contra o aguilhão, nas suas palavras textuais, na Bíblia). Isto representa a necessidade de aceitar as contingências humanas quais instrumentos que levam a subir o caminho evolutivo cheio de segredos imensos.
Desesperar jamais, portanto. Integrar, nos elementos da história pessoal de cada um, desafios quais peças da engrenagem que trará crescimento individual. Mesmo porque, a revolta de nada serviria e ainda agravaria as circunstâncias que não pediram licença para vir a campo. Quem se desespera, ou se revolta, sofre de qualquer jeito, e agrava o sofrimento duas vezes, pelo sofrimento e pela ausência da conformação.
Há mistérios que exigem paciência e trabalho, na continuação de viver. Tocar adiante do jeito que as coisas chegarem, até conseguir respostas que satisfaçam as indagações, eis o modo responsável de vencer. Isto face ao que ensinam aqueles que amenizaram as dores com notícias inteligentes, a todo o momento que olharmos na estrada dos demais. Os sábios, santos, vitoriosos da nossa humanidade, buscaram responder às grandes questões da dor através do esforço íntimo de superar os obstáculos com carinho e aceitá-los feitos filhos de um Pai supremo que a tudo supervisiona. Irmã dor, considerava São Francisco de Assis. A religiosidade torna-se, nas horas críticas, bênçãos inigualáveis de cruzar os rios cheios das provas vivas.
Deus, o sagrado de todos nós, o símbolo máximo do coração das gentes, a Este, sim, devemos pedir com ânimo forte, no silêncio reverente dos santuários da existência, nas preces fervorosas que reduzirão, do jeito próprio, as maiores indagações de sentido para viver bem.
Abrir o espaço que só a Ele pertence dentro de nós e deixar, com tranquilidade, chegarem forças de aceitar o que nos reserva o calendário da busca espiritual. Pois o merecimento se apresenta a quem se permite receber. Nessa hora, a conformação iluminará a alma e os frutos do amor virão à tona tais milagres, traduzindo na paz o bem das melhores soluções.
Ao parar e olhar em volta é que se observa o tanto de oportunidades oferecidas aos que sofreram e souberam reunir as inúmeras aulas da humildade produzidas pelo sofrimento, e nos enriquecer do que mais precisamos para sobreviver, feitos superheróis de filmes e quadrinhos.
Por isto, pelos dons da superação que os protagonistas do drama existencial são capazes de vivenciar e disso tirar o sabor mais precioso, a consciência popular criou o conceito de que a dor ensina a gemer, uma filosofia capaz de preencher o vazio das dificuldades naturais com atitude corajosa e confiante.
Seiva
- Claude Bloc -

Muitas vezes me escondo
Me transformo
Me deleito
.
Sinto-me fluida
dentro da árvore,
em seu oco,
em seu silêncio.

Outras vezes sou seiva,
estou nas sementes.

Meus pés se misturam com as raízes,
caminham dentro da terra,
reconhecem nela o rumor do tempo
na noite subterrânea.
.
Meus braços balançam no espaço
são galhos,
minhas mãos se espalmam
saboreando o vento
bebendo-lhe o frescor:

eu e a árvore
o mesmo pensamento.
A imobilidade frágil das horas
A vida, os sonhos.

Claude Bloc

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

RESPONDENDO A CHAGAS

Mesmo assim
- Claude Bloc -
Mesmo que a metáfora o afogue
Mesmo que o poema o sufoque
Não deixe a poesia ir embora...

Mesmo de olhos fechados
Mesmo de lábios cerrados
Deixe que os sonhos se acheguem

Deixe que a poesia navegue
No mar de suas queixas
Mesmo que o dia se apague
E que a noite chegue ao fim.

Deguste as alegrias
As saudades benfazejas
Das coisas simples de outrora
E mesmo que seja tarde
E o dia se for na noite
Repita tudo amanhã.

Viu?
Claude Bloc

Um Bonsai de Casa - por João Marni


Um Bonsai de Casa

Pelo menos por três vezes, vi cada um deles: “O pai da noiva” e “ Casamento grego”. Comum aos dois filmes, a alegria em família e a camaradagem, especialmente a dedicação do genitor pela filha única.

Ao final, em ambos, uma festa espetacular de casamento. Hilariantes. No segundo fiquei mais emocionado, pois o velho grego tirou do envelope a certidão de compra de uma casa para o casal. Vizinha à deles! É o que seguramente faria, se pudesse. Moraríamos todos num condomínio em família. Alguém poderia argumentar que proximidades assim não dão certo, e tal... Mas acho que discordâncias e até confusões são melhores trabalhadas, entendidas e resolvidas em consangüinidade. Ainda não consegui essa que seria mais uma das minhas realizações; mas espere! Estou começando! Minha neta Maria Alice havia pedido a mim uma casa de bonecas. Num desses lances de pura sorte, nossos amigos Maurílo e Lôra iriam se desfazer de uma. Fiquei com o melhor que havia dos escombros, desmontada a casa com muito zêlo. Cuidei de escolher o local da construção no nosso jardim, após as discussões de praxe com a avó.

Estou de férias nos primeiros quinze dias do ano novo e a maior parte desse tempo vou dedicar à construção da casa de Maria Alice. Já comprei e instalei a “piscina” da sua morada quando aqui vier em folguedos, porque duvido que ela queira sair: Uma caixa d’água de 250l enterrada até próximo à borda. Seu novo endereço terá cerca de 13m² de um só vão, onde poderá brincar de dona de casa e de professora. Espero que repreenda bem seus bonecos quando esses não lhe obedecerem enquanto mãe de fantasia, e que grite quando seus alunos não estiverem atentos aos seus ensinamentos. Afinal, deixar rolar é dar oportunidade para o arrependimento, no choro depois, na casa grande.

Uma janela e porta na frente, com duas outras janelas, uma em cada lateral. Um luxo! Que cresça assim, feliz da vida, com tantos mimos. Caiu no terreiro certo. Que estude e seja gente grande e independente, e que lhe cause espanto e indignação o que os homens públicos fazem com as pessoas que moram em barracas improvisadas, de paus e lonas de plástico, negras feito os corações daqueles.

Que peça a Deus que me perdoe por esse excesso. É que amo muito a meus netos, presentes e futuros, e nada é caro para a visão do paraíso no sorriso deles. Deus é avô? Se for, estou perdoado.
Crato, 01.01.2011

João Marni de Figueiredo.

desilusão

hoje mudei de ideia:
nunca mais quero saber
de poesia, cansei
de repetir-me assim
nas palavras bolorentas
que recolho nessas ruas
passando em cima de mim

os mesmos muros estão
lá com suas cores frias
emparedando a vida
os mesmos olhos vasados
querendo enxergar o fim
disso que chamamos dia

caramba!

de tarde chove demais
dá para ouvir o barulho
da água estralando dentro
do sonho que se supõe
ser uma forma melhor
de não morrermos de ódio
porque o tédio acaba com...

que merda!

amanhã vou pegar meu
casaco e pôr fogo nele
versos escritos nas mangas
não combinam com as sobras
de otimismo incompatível
comigo, filho do gelo
degustando o flagelo
que nasce nessa paisagem
pesada e tão enganadora

viu?

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


MARGARIDA, Chrysanthemum Leucanthemum, planta herbácea perene, pertencente à família do
Crisântemo, da Dália e do Girasol. Atinge altura média de 60 cm. Origem: Europa.
                                                                      Cultivo:
Em solo argilo-arenoso rico em matérias orgânicas, sob sol intenso. O cultivo é muito fácil. A propagação é feita por sementes ou pela divisão das touceiras. Pode ser cultivada em vaso.


A versátil e alegre a Margarida é uma  das opções mais populares do mundo, dando um toque singelo a diferentes arranjos para qualquer tipo de ambiente e  ocasião, mesmo para uma festa requintada.
 Em vasos com água, duram bastante tempo. Pode-se também cortar as flores bem rente e coloca-las flutuando num aquário de vidro com água. É simples, decorativa e deixa o ambiente de casa ou trabalho mais alegre.

Alegre e extrovertida, a singela MARGARIDA é um exemplo de amor a vida.
Ela se abre ao sol cheia de energia, iluminando nossos jardins.
Um lembrete de que a luz volta depois de uma noite escura.
Celebre com entusiasmo a vida que florece a cada nova manhã.


Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro 

As Manobras de Deus. Liduina Belchior.

Hoje, quinta dia 6, amanheci com saudades...Saudades do bom, do bém, do friozinho na alma, saudades dos meus filhos quando pequenos, saudades de mim ainda criança, das minhas férias nos sítios : Jaburu e Pai Mané...Saudades de Socorro Moreira (está fazendo muita falta).Saudades das primeiras flores do meu jardim e saudades de VOCÊ ! Você, viu?
Mas falando agora sobre o Divino, Ele faz manobras inimagináveis em nossas vidas. Nos proporciona a alegria de viver, sentido para existir, nos ama acima de tudo e do jeito que somos, com nossas devidas falhas... E ainda assim, nos acolhe. Ele coloca o sorriso nos nossos lábios, enxuga todas as nossas lágrimas e ainda permite uma comunicação cósmica, simbólica e energética conosco. Nos põe diante de uma labuta aprazível, de novas aquisições de amizades caras e do AMOR em todas as suas formas. Amar é a melhor das experiências na vida; É um mistério maravilhoso, "é infinito enquanto dura" e quando não dura também. Não sei distinguir bém se sorrir é amar, ou se é amar que é sorrir. Ás vezes costumo dizer que choro com um olho e sorrio com o outro. Gargalhar então, é o conjunto de muitos sorrisos juntos. E essa prática nos rejuvenesce, faz bém a circulação, por conseguinte ao coração. Só me resta agradecer ao Senhor por tudo isso e pela primeira grande graça ocorrida já este ano. Confirmo portanto, que para quem crê, nada é impossivel diante de sua onipotência. Acreditemos Nele, em nós mesmos e na esperança.

Dedico este texto a amiga Tatiana Figueiredo e ao trabalho que estou prestando no Colégio Paraiso.

FESTA DOS REIS MAGOS - DIA DO ASTRÓLOGO












Astrologia
Mário Quintana

Minha estrela não é a de Belém:
A que, parada, aguarda o peregrino.
Sem importar-se com qualquer destino
A minha estrela vai seguindo além...

Meu Deus, o que é que esse menino tem?
já suspeitavam desde eu pequenino.
O que eu tenho? É uma estrela em desatino...
E nos desentendemos muito bem!

E quando parecia a esmo
E nesses descaminhos me perdia
Encontrei muitas vezes a mim mesmo...

Eu temo é uma traição do instinto
Que me liberte, por acaso, um dia
Deste velho e encantado Labirinto.

LUA ATREVIDA - Marcos Barreto de Melo

Eu de cá a te espiar
Tu de riba me olhando
Com tua beleza a espalhar
Sinto d’eu estar mangando
Como quem diz, vai passear
Aproveita o meu clarão
Leve seu bem pelo braço
Que a noite é pra se amar

Olhe aqui, lua atrevida
Tenha respeito comigo
Se é isto que estás falando
Escute agora o que eu digo
Em vez de ficar mangando
Por que não vem me ajudar?
Já conhece o meu segredo
Sabe bem o que fazer

Por que não traz a morena
Com quem eu vivo a sonhar?
Traga essa nêga depressa
Jogue ela em meus braços
Nem que seja por um dia
Pro meu viver alegrar
E depois, venha e repare
Se ainda tem do que mangar

E pra eu não ter saudade
Nem ter que lhe aperrear
Aumente logo esse prazo
Esqueça de calendário
Deixe nós dois sem horário
E eu lhe digo com firmeza
Nunca mais vou dar motivo
Pra você me caçoar

Marcos Barreto de Melo

RESPONDENDO A JOSÉ NILTON FIGUEIREDO


Por que João e não José?
E a música como é que fica?
Mais bela, muito mais rica...
Sabemos como ela é...

Suave a melodia
Mais forte a emoção
Mais bela a sinfonia
Sem solo, sem solidão...

Acordes são dissonantes
Voz e timbre e violão
Cordas de aço vibrantes
Mais perto da perfeição

Acordes, doces instantes
Música solta no ar
Não será mais como antes
Desse poeta cantar...
Claude Bloc

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Na Rádio Educadora do Cariri programa Cultural - COMPOSITORES DO BRASIL


Apresentação:Zé Nilton


Quem ouvir verá, nesta quinta-feira, na Rádio Educadora do Cariri, no COMPOSITORES DO BRASIL, programa dedicado aos festejos de Dia de Reis, com músicas de compositores que homenagearam este culto português no Brasil. Muito rica a musicalidade brasileira que evoca festa, folia, danças e devoção aos três visitantes do menino deus, seguindo a estrela guia.

Nós aqui no Nordeste conhecemos muito bem este ciclo de lapinhas, pastoris e muitas danças em homenagem ao reis magos.

Pois bem, no nosso programa na Rádio Educadora do Cariri, 1020 khz, nesta quinta de 14 às 15 horas estaremos recordando e atualizando as manifestações musicais através de compositores brasileiros que produziram obras primas sobre o assunto.

Como o nosso vizinho de Saboeiro, o escritor Ronaldo Correia de Brito, que escreveu e produziu o auto de natal chamado – Baile do Menino Deus – consagrada peça musical que ganhou notoriedade no Brasil pela sua singeleza e expressividade cultural.


Muitas músicas de compositores consagrados sobre este dia marcante na memória do catolicismo popular do Brasil estaremos apresentando e comentado.

Serviço:

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Sintonize: www.cratinho.blogspot.com
Telefone: (88)3523-2705
Todas as quintas de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Operador high tech: Iderval Dias
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga

De Margarita Lecuona - ECLIPSE - Com João Gilberto


Ilustrando o texto de Aluísio

RESPONDENDO A ULISSES - Por Claude Bloc

¿¿ ... DESCULPAS ... ??


Peço desculpas à Matemática
Por não contar as sílabas
Quando escrevo meus versos.
Com números primos, não rimo(s)!
Nem acho a solução
Para somar meus sonhos
Ou multiplicar as idéias
Que divido num poema.

Claude Bloc §(*!*)§

Sina de marginal - Emerson Monteiro

Tarde dessas, caririenses, molhadas, quando as matas, sonoras de passarinhos cantores, parecem prenunciar o início da temporada das chuvas, nas notícias do rádio ouve-se contar da morte de um jovem de 17 anos, assassinado com oito tiros de pistola, em Fortaleza, na Barra do Ceará. Usuário de droga, fora morto por dois homens, que fugiram em uma moto. No dia anterior, abordado por traficante, que cobrava dívida atrasada, respondera atirando. Um nome a menos, uma estatística a mais, solucionando o conflito.
Situações desse tipo viraram casos de rotina nos dias atuais, multiplicados pelos noticiários feitos erva daninha que invade a paz social, rasgando de exemplos melancólicos o tempo tumultuado de cidades inteiras.
Pessoas, as menos endinheiradas das periferias, fora das tradições patrimoniais e dos festejos, arrastam fama de alimentadoras sensacionalistas de escândalos apagados pelos rastros dos rabecões enegrecidos. Outras, possuidoras de futuro, filhas dos nobres, esperançosas, viajantes do exterior nos trens de luxo da facilidade, esperam de olhos alegres o preço do sucesso.
E as tardes silenciosas proclamam a graça deste mundo em forma de normalidade e cifras reveladoras do êxito administrativo dos gabinetes oficiais, enquanto a norma rígida dos códigos reclama vagas nas penitenciárias superlotadas de moradores inúteis jogados às traças dos eleitos da sociedade.
Qualquer coisa assim que pede resposta urgente aos pontos de vista da euforia bem vestida. Indignações estridentes, armas acesas que matam às escondidas, depois tornadas públicas nos cadernos volumosos das páginas policiais, gritos de socorro a quem, e a quantos, ninguém aceita querer responder.
Nisso, os passos fora da estrada daqueles moços, filhos como outros, netos como outros, farrapos das toalhas de mesa da casa dos pais, dos irmãos; lágrimas quentes, dores amargas. Folhas nacionais largadas ao vento das agruras familiares de mães envelhecidas lá antes da hora, restos de banquetes e confraternizações, atores rebaixados nos campeonatos da terceira divisão da juventude perdida.
Chegou aos pensamentos, devagar, meio fora de hora, o alento de saber que nas barras infalíveis do tribunal das existências todos responderão em nível de igualdade, porquanto aos que muito têm mais lhes será dado; e aos que nada têm até o que pensam que têm lhes será tirado, equação definitiva das palavras de Jesus.
Longe, pois, de imaginar houvesse apenas frieza crua na justiça eterna quanto, vezes tantas, presenciamos nas histórias dessas tardes ingratas para os simples, desvalidos, nas pontas de ruas espalhadas, neste chão marginal dos becos infectos e seus barracos sórdidos.

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha

A rosa silvestre, de cinco pétalas, representa o fogo espiritual do sol no coração do homem.
A relação entre Vênus e a rosa de cinco pétalas simboliza o nascimento virginal e a ressureição.
Cinco é o número do homem que, de braços e pernas abertos,
forma o pentágono regular, a estrela de cinco pontas.
Cinco é o número da vontade humana.
O número do artista que deixa sua marca na matéria.


         A rainha das flores é também uma perfumada rainha na decoração de ambientes.
         Na culinária, suas pétalas perfumadas podem ser usadas em saladas, compotas, vinagres, sorvetes e doces. Na Pérsia antiga, era comum o vinho de rosas. Na cosmética e na medicina tem delicadas propriedades curativas, sendo usada como tônico, anti-séptico e adstringente. os frutos, cuja forma lembra os dentes dos cães, são ricos em vitamina C.

Arbusto rústico de raiz fibrosa, atinge 1,20m de altura.
 Origem: Pérsia e Hemisfério Norte.
 O Gênero das rosas é muito amplo com milhares de variedades.
Rosa rainha das flores.
A flor do amor, da beleza, do perfume inigualável.
Inspiração dos artistas, guerreiros e amantes de todos os tempos.
Cleópatra seduziu Marco Antonio mergulhada em pétalas de rosas.
O conquistador Saladino, ao entrar em Jerusalém, fez com que a mesquita de Omar fosse purificada com água de rosas.
A massagem com óleo essencial de rosas é tão reconfortante e inspirador.
Óleo afrodisíaco, restaura a confiança nos relacionamentos e despertam o amor.   


Fonte : Jardim Interior - Oráculo das flores - Denise Cordeiro

Pensamento para Hoje: Tranquilidade. Liduina Belchior.

Cada dia alguem necessita de nós,
Nós necessitamos de alguém,
cada dia intensifica nossa crença e
esperança no hoje que se faz presente
e no amanhã que é desconhecido.
Cada dia lutamos, insistimos,
seguimos adiante sabendo que
jamais estaremos sozinhos.
O Criador caminha ao nosso lado,
e contamos com o carinho especial
dos ESPECIAIS amigos.

Dedicado a Claude e a sua nova vida no Crato.


Piadas...quase santas - José Nilton Mariano Saraiva

01) Um jovem vai à igreja se confessar:
- Padre, eu toquei nos seios da minha namorada.
- Você tocou por cima ou por baixo da blusa dela?
- Foi por cima da blusa dela, padre.
- Ô, macho véi, tu é muito babaca e abestado! Por baixo da blusa a penitência é a mesma.
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02) O velho acaba de morrer. O padre encomenda o corpo e se rasga em elogios: - O finado era um ótimo marido, um excelente cristão, um pai exemplar!!...
A viúva se vira para um dos filhos e lhe diz ao ouvido: - Vai até o caixão, AGORA, e veja se é mesmo o seu pai que ta lá dentro.
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03) Na hora do almoço, a madre superiora anuncia:
- Irmãs, hoje teremos bananas de sobremesa!!
- Ehhhhhhhhh!!!! Vibram as freiras.
- Em rodelas!!!, avisa a superiora.
E as freiras, decepcionadas:
- Uhhhhhhhhh!!!!....
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04) O paciente está na capital para um exame periódico da saúde e mantém o seguinte diálogo com o médico.
- Você bebe??? - Dois ou três copos de vinho pela manhã, um uisquinho à noite...
- Fuma??? - Dois ou três charutos por dia.
- E sexo??? - Duas ou três vezes por mês.
- Sóóóóó ??? Com a sua idade e a sua saúde, era prá ser duas ou três vezes por dia.
- Sabe como é, né, doutor??? Se eu fosse bispo na capital até que dava, mas numa diocese pequenininha, no interior...
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05) A freira vai ao médico:
- Doutor, tenho tido um ataque de soluço, que não me deixa viver. Não durmo, não como e uma dor no corpo de tanto movimento compulsivo e involuntário.
- Tenha calma, irmã, que vou examiná-la.
Ele a examina e avisa: - Irmã, a senhora está grávida!
A freira se levanta e sai correndo do consultório, com cara de pânico.
Uma hora depois o médico recebe uma chamada da madre superiora do convento: - Doutor, o que o senhor disse pra irmã Carmem?
- Cara madre superiora, como ela tinha uma forte crise de soluço, eu disse que ela estava grávida. Espero que com o susto ela tenha parado de soluçar!
- Sim, a irmã Carmem parou de soluçar, mas o padre Epitácio pulou da torre da igreja!!!
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06) Um padre está em missão em pleno pantanal mato-grossense, quando surge uma baita onça, faminta. A fera lambe os lábios e se prepara pra dar o bote.
O padre se ajoelha e diz em voz alta: - Ó Senhor incute nesta fera sentimentos cristãos!
E a onça, religiosa que só, não deixa por menos: - Senhor abençoe este alimento que vou receber agora!!!
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07) - Padre, ontem eu dormi com meu namorado.
- Mas isso é pecado, e pecado mortal minha filha.
- Reze cinco Pai Nosso de penitência!
A jovem fica mais algum tempo ajoelhada, pensa um pouco, e depois pergunta:
- Padre, e se eu rezar dez Padres Nossos? Será que posso dormir com ele hoje de novo? - Sua tarada, responde o padre.
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08) A campainha toca na casa de um camarada muito pão-duro.
Quando ele atende dá de cara com duas freiras pedindo donativos.
- Meu filho, nós somos irmãs de Cristo e...
- Nossa!!! Como vocês estão conservadas!!!
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09) Um burro morreu bem em frente de uma Igreja e, como uma semana depois, o corpo ainda estava lá, insepulto, o padre resolveu reclamar com o Prefeito.
- Prefeito, tem um burro morto na frente da Igreja há quase uma semana!
E o Prefeito, grande adversário político do padre, alfinetou:
- Mas, Padre, não é o senhor que tem a obrigação de cuidar dos mortos?
- Sim, sou eu! Mas também é minha obrigação avisar aos parentes!
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10) Tarde da noite, o padre passa perto de um cemitério e leva o maior susto quando escuta: - Hum, hum, hum!
O padre pára, reza um pai-nosso, faz o sinal da cruz, enche-se de coragem e pergunta: - Do que é que essa pobre e sofrida alma está precisando?
- De papel higiênico !!! - responde-lhe o bêbado....

Autores: desconhecidos
Compassos
- Claude Bloc -


Colhi o pó do tempo
em dó maior.
Sonhei sem pausas
em pleno ritmo
em claves de sol..

Ouvi a voz cantante da manhã
e em surdina solfejei
um doce sustenido...
em si, em mim.

Fecundei-me em som
em cordas plenas
em harpa,
em violino,
em violão.

Fiz-me fértil
e nesse solo
marquei compassos
nos contornos das tardes mornas..
...e à noite, em bemol
adormeci...


Claude Bloc

Literatura de Cordel (em pinceladas) II

Poética

Podemos distinguir vários tipos de composições poéticas que caracterizam o CORDEL.

Quadra

Estrofe de quatro versos. A quadra iniciou o cordel, mas hoje não é mais utilizada pelos cordelistas. Porém as estrofes de quatro versos ainda são muito utilizadas em outros estilos de poesia sertaneja, como a matuta, a caipira, a embolada, entre outros.

A quadra é mais usada com sete sílabas. Obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas). Cada poeta tem seu estilo. Um usa rimar a segunda com a quarta. Exemplo:

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá (2)
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá (4).

Outro prefere rimar todas as linhas, alternando ou saltando. Pode ser a primeira com a terceira e a segunda com a quarta, ou a primeira com a quarta e a segunda com a terceira. Vejamos estes exemplos de Zé da Luz:
(ABAB ou ABBA)

E nesta constante lida
Na luta de vida e morte
O sertão é a própria vida
Do sertanejo do Norte
Três muié, três irimã,
Três cachorra da mulesta
Eu vi nun dia de festa
No lugar Puxinanã.

Sextilha

É a mais conhecida. Estrofe ou estância de seis versos. Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião. Exemplo:

Quem inventou esse "S"
Com que se escreve saudade
Foi o mesmo que inventou
O "F" da falsidade
E o mesmo que fez o "I"
Da minha infelicidade

Septilha

Estrofe (rara) de sete versos; setena (de sete em sete). Estilo muito usado por Zé Limeira, o Poeta do Absurdo.
Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraiba falada
Cantando nas escrituras
Saudando o pai da coaiada
A lua branca alumia
Jesus, Jose e Maria
Três anjos na farinhada.
Napoleão era um
Bom capitão de navio
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio.

Na septilha usa-se o estilo de rimar os segundo, quarto e sétimo versos e o quinto com o sexto, podendo deixar livres o primeiro e o terceiro.

Oitava

Estrofe ou estância (grupo de versos que apresentam, comumente, sentido completo) de oito versos: oito-pés-em-quadrão. Oitavas-a-quadrão.

Como o nome já sugere, a oitava é composta de oito versos (duas quadras), com sete sílabas. A rima na oitava difere das outras. O poeta usa rimar a primeira com a segunda e terceira, a quarta com a quinta e oitava e a sexta com a sétima.

Quadrão

Oitava na poesia popular, cantada, na qual os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo, e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si.
Todas as estrofes são encerradas com o verso: Nos oito pés a quadrão. Vejamos versos de uma contaria entre José Gonçalves e Zé Limeira: - (AAABBCCB)
Gonçalves:

Eu canto com Zé Limeira
Rei dos vates do Teixeira
Nesta noite prazenteira
Da lua sob o clarão
Sentindo no coração
A alegria deste canto *
Por isso é que eu canto tanto *
NOS OITO PÉS A QUADRÃO
Limeira:
Eu sou Zé Limeira e tanto
Cantando por todo canto
Frei Damião já é santo
Dizendo a santa missão
Espinhaço e gangão
Batata de fim de rama *
Remédio de velho é cama *
NOS OITO PÉS A QUADRÃO.

Décima

Estrofe de dez versos, com dez ou sete sílabas, cujo esquema rimático é, mais comumente, ABBAACCDDC, empregada sobretudo na glosa dos motes, conquanto se use igualmente nas pelejas e, com menos frequência, no corpo dos romances.

Geralmente nas pelejas é dado um mote para que os violeiros se desdobrem sobre o mesmo. Vejamos e exemplo com José Alves Sobrinho e Zé Limeira:

• Mote:
VOCÊ HOJE ME PAGA O QUE TEM FEITO
COM OS POETAS MAIS FRACOS DO QUE EU.

• Sobrinho:
Vou lhe avisar agora Zé Limeira B
Vou lhe amarrar agora a mão e o pé ;B
E lhe atirar naquela capoeira
C
Você hoje se esquece que nasceu ;C
E se lembra que eu sou bom e perfeito ;D
Você hoje me paga o que tem feito ;D
Com os poetas mais fracos do que eu. ;C

• Zé Limeira:

Mais de trinta da sua qualistria
Não me faz eu correr nem ter sobrosso
Eu agarro a tacaca no pescoço
E carrego pra minha freguesia
Viva João, viva Zé, viva Maria
Viva a lua que o rato não lambeu
Viva o rato que a lua não roeu
Zé Limeira só canta desse jeito
Você hoje me paga o que tem feito
Com os poetas mais fracos do que eu.

Galope à beira-mar

Estrofe de 10 versos hendecassílabos (que tem 11 sílabas), com o mesmo esquema rímico da décima clássica, e que finda com o verso "cantando galope na beira do mar" ou variações dele. Termina, sempre, com a palavra "mar".

Às vezes, porém, o primeiro, o segundo, o quinto e o sexto versos da estrofe são heptassílabos, e o refrão é "meu galope à beira-mar". É considerado o mais difícil gênero da cantoria nordestina, obrigatoriamente tônicas as segunda, quinta, oitava e décima primeira sílabas.

• Sobrinho:

Provo que eu sou navegador romântico
Deixando o sertão para ir ao mirífico
Mar que tanto adoro e que é o Pacífico
Entrando depois pelas águas do Atlântico
E nesse passeio de rumo oceânico
Eu quero nos mares viver e sonhar
Bonitas sereias desejo pescar
Trazê-las na mão pra Raimundo Rolim
Pra mim e pra ele, pra ele e pra mim
Cantando galope na beira do mar.

• Limeira:

Eu sou Zé Limeira, caboclo do mato
Capando carneiro no cerco do bode
Não gosto de feme que vai no pagode
O gato fareja no rastro do rato
Carcaça de besta, suvaco de pato
Jumento, raposa, cancão e preá
Sertão, Pernambuco, Sergipe e Pará
Pará, Pernambuco, Sergipe e Sertão
Dom Pedro Segundo de sela e gibão
Cantando galope na beira do mar.

Martelo

Estrofe composta de decassílabos, muito usada nos versos heroicos ou mais satíricos, nos desafios. Os martelos mais empregados são o gabinete e o agalopado.

Martelo agalopado - Estrofe de dez versos decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios.

Martelo de seis pés, galope - Estrofe de seis versos decassilábicos. Também se diz apenas agalopado

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_de_cordel
.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Literatura de Cordel – (em pinceladas)

A literatura de cordel no Brasil

Devido ao atraso da chegada da imprensa por aqui e seu acesso pelo público, as produções literárias de populares tiveram seu apogeu apenas no século XX.

Nossa literatura de cordel é caracterizada, principalmente, pela poesia popular. A prosa aparece muito mais na forma oral, que passa de geração para geração.

Como é uma manifestação muito mais cultural do que intelectual, destaca-se em regiões onde a cultura é mais valorizada e delineada. Aqui no Brasil essas regiões são a Nordeste e a Sul.

Afinal, temos ou não um país de leitores?

Não, não temos. Com o caos social que vivemos hoje, a urbanização e, sim, a marginalização dos antigos camponeses, a literatura de cordel mudou bastante, refletindo agora a nova realidade que o povo vive.

Tudo isso não significa que o brasileiro lê mais ou menos. Significa que a literatura popular está longe de desaparecer e continua aí para, talvez, ser uma primeira opção na luta pela difusão da leitura no Brasil.

Fonte: http://www.lendo.org/o-que-e-literatura-de-cordel-autores-obras/

A cirurgia do jogador Washington

Washington Stecanela Cerqueira (Brasília, 1 de abril de 1975) é um futebolista brasileiro que atua como atacante. Atualmente, joga pelo Fluminense.
Washington ficou famoso por ter se sagrado artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2004, pelo Atlético Paranaense, com trinta e quatro gols depois de superar um problema cardíaco, que poderia ter encerrado a sua carreira.
Problemas no coração
Depois de chegar no Atlético Paranaense, em 2003, Washington foi reprovado nos exames cardiovasculares, e precisou submeter-se a uma cirurgia de cateterismo.
Nesta época muitos consideraram que sua carreira havia acabado. Entretanto, acreditando em sua força de vontade de voltar aos gramados, o presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia, apostou em sua recuperação, dando todo o apoio e disponibilizando toda a estrutura do clube para acompanhar o retorno do goleador. Um ano depois, o clube e sua torcida seriam recompensados com a campanha de Washington e do Atlético no Campeonato Brasileiro de 2004. Graças a esse evento de garra e superação, ficou conhecido como Washington "Coração valente".

Fonte Wikipédia.

O "pequeno-grande" detalhe - José Nilton Mariano Saraiva

Vladimir Souza de Carvalho, natural do Estado do Sergipe, responde, hoje, pela nobre e invejada função de Desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, localizado em Recife e com ascendência sobre vários estados dessas bandas do Brasil.
Helder Monteiro de Carvalho, também natural do Estado do Sergipe, guarda mais que o sobrenome do Desembargador: é filho do dito-cujo e terminou o curso de Direito já há algum tempo, lá na terra natal. Só que, muito embora graduado, não se encontra habilitado a exercer a profissão, em razão de um “pequeno-grande” detalhe: nas quatro oportunidades em que se submeteu ao exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), não obteve aprovação.
Certamente que sensível ao constrangimento do filho e atuando preventivamente no resguardo de uma sua nova participação efêmera, o ilustre Desembargador houve por bem conceder liminar ao pedido apresentado pelos senhores Francisco Cleuton Maciel e Everardo Lima de Alencar, cearenses bacharéis em Direito e que pleiteavam exercer a advocacia independentemente de serem aprovados no exame da OAB (evidentemente que o “vil metal” deve ter rolado alto em tal decisão).
Fato é que, se entrasse em vigência tal decisão, certamente que “carradas” de ações seriam impetradas por todos aqueles que não conseguiram aprovação (inclusive o filho do ilustre), bem como estaria em jogo a própria sobrevivência do exame da OAB, já que restaria desmoralizado.
Além do que, no entender do Conselho Federal da OAB, se mantida a decisão do “paizão-coruja-zeloso”, se escancararia uma oceânica brecha para que bacharéis sem a formação competente e adequada exercessem a advocacia, porquanto desprovidos dos mínimos conhecimentos técnico-jurídicos.
Em razão do exposto, é merecedora de encômios a sábia decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro César Peluso, em cassar a liminar apresentada por um “pai com o coração de mãe” (onde todos têm proteção e arrimo).
Agora, já pensaram se a presidência do Supremo Tribunal Federal estivesse sendo exercida pelo Gilmar Mendes (aquele que, mesmo nunca tendo sido “Juiz” chegou a “Ministro” e à presidência do Supremo Tribunal Federal, por obra e graça de FHC, quando aproveitou a oportunidade para, atropelando ritos processualísticos e desrespeitando os colegas de profissão, num só dia conceder dois habeas-corpus para livrar da prisão o maior bandido do país, Daniel Dantas).
Esses nossos magistrados...

Eclipse - Aloísio


Eclipse


“Eclipse de luna en el cielo” (1)
Esta música nos meus tímpanos,
Não desaparece mesmo dia claro,
Dedilhada nas teclas do piano

Houve um eclipse total do sol
Faz tempo, minha mãe contou
De repente tudo virou noite
“E o mundo não se acabou” (2)

Este fenômeno natural a despertar
Temores numa população inculta
O burburinho de gente a comentar
“Silêncio na cidade não se escuta” (3)

E assim neste vai e vem
Claro, escuro, de novo o clarão
Agora paro, danço e ouço
“Nas voltas do meu coração”
(4)


(1) Eclipse (Margarita Lecuona)
(2) E o Mundo Não Se Acabou (Assis Valente)
(3) Cálice (Gilberto Gil / Chico Buarque)
(4) Roda-viva (Chico Buarque)


Aloísio

Afinal qual foi a primeira mulher? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Jornais, Rádio e Televisão apregoam que agora nós temos a primeira mulher como Presidente da República. Que nada! Somente agora é que resolvemos mostrar a cara, nos despir de nosso encardido machismo e assumir definitivamente que há muito vivemos num reino do matriarcado. O que os meios de comunicação social deveriam propagar é que agora não temos mais necessidade de usar intermediários. A maioria dos brasileiros, cansada dos “paus mandados” resolveu colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Antes de uma mulher assumir pessoalmente pela primeira vez o cargo da Presidência da República, nós tivemos um número bastante elevado de mulheres que igualmente mandaram nesse país. Lembremo-nos de algumas daquelas senhoras que, nos últimos sessenta anos comandaram nossos destinos, quase sempre às caladas da noite: Darcy Vargas, Carmela Dutra, Sarah Kubitschek, Eloá Quadros, Maria Tereza Goulart, Iolanda Costa e Silva, Scila Médici, Dulce Figueiredo, Marly Sarney, Rosana Collor, Ruth Cardoso e Marisa Letícia. Aos respectivos maridos, a quem nós apelidávamos de Presidentes da República cabiam sempre a última palavra: “A pois tá certo, minha querida.”

A propósito desse assunto, havia na época do Regime Militar um prefeito de uma capital que além da sua própria mulher, recebia ordens da mulher do governador. Certo dia, um jornalista quis saber dele se era verdade que ele fazia tudo que a mulher do governador mandava. “É sim, se ela mandar eu faço e, antes que ela mande eu já estou fazendo.”

Agora eu acredito que assumimos de fato nossa real condição, pois uma mulher foi eleita pelo povo brasileiro como a primeira Presidenta da República. Espero que ela use a sensibilidade da qual toda mulher é possuidora para olhar pelos pobres, e reduzir ainda mais as enormes desigualdades sociais e conduzir nosso país para dias melhores ainda.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo
O fascínio pelas palavras
- Claude  Bloc -


No decorrer desses últimos anos, tenho (re)descoberto, não só um novo amor pelos livros, mas também por palavras. Falei em redescobrir porque as palavras sempre me fascinaram e também me fascina o poder que elas exercem. Não me refiro apenas a palavras soltas, mas mais concretamente ao uso delas na linguagem que utilizamos. Observar, por exemplo, como as palavras rolam em sua/minha boca e sente quando você/eu quer/o dizê-las. Como uma frase pode soar poética enquanto fere como faca.

Eu tenho um verdadeiro fascínio por palavras, sobretudo as incomuns e seus significados interessantes. Tenho também o hábito de colecionar coisas que me surpreendem e encantam. Bem antigamente eu escrevia meus diários e exercitava neles uma linguagem polida. Lapidava meus pobres sonetos de adolescente deslumbrada pela métrica e pelos sons repetitivos da rima. Isso para mim era causa de descobertas fantásticas que se completavam com a ajuda de um dicionário. Rimas tinham ritmo, sonoridade e soavam para mim como música, pois transportavam meus sonhos mais delicados. Eu me sentia desafiada a “ter um caso” com palavras e saia de fininho de volta à vida em circulação, curtindo as palavras novas, buscando nelas seus mais diversos sentidos.

Hoje eu prefiro muito mais ouvi-las como num disparate. Insensato talvez. Ouvir falar bobagem até; nonsense usados na vida cotidiana como, por exemplo, outra pessoa dizendo "eu sei" – o que se sabe da vida? Ou... o que você sabe de mim? Sei que nos dias de hoje usamos uma linguagem simplificada quando falamos e por isso, talvez estejamos perdendo a oportunidade de usar palavras expressivas ao sermos sucintos demais e espirituosos de menos.

Não é que eu pense que devamos ser tão sutis ou pomposos como se costumava ser antigamente, na maneira de falar... nem acredito que possamos trazer de volta o tempo em que não éramos tão dependentes abreviações como no caso das mensagens de texto na internet e dos e-mails. Mas eu bem que gostaria de poder trazer de volta a arte de escrever, usando palavras que hoje estão perdidas e que precisariam voltar a viver.

Claude Bloc

UMA CURIOSIDADE QUE SEMPRE TIVE


Símbolos do Alfabeto Grego

Nas aulas utilizamos muitas vezes símbolos do alfabeto grego. Uma vez que nem sempre estes são bem conhecidos aqui vai uma lista, ordenada alfabeticamente, com o nome dos respectivos símbolos.

(Pergunta minha: Como soam as letras do alfabeto grego quando se juntas às outras?)

Tabela 1. Alfabeto Grego



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"E agora? O que será do vazio sem a lixa, os ferros e os martelos?
Como serão as noites sem a solução do inacabado da tarde?
E as manhãs acordadas para experimentar as soluções urdidas nas noites silenciosas?

Será uma outra arte?
A de fazer a madeira ecoar as vibrações das cordas de aço?
A rabeca revirar este mundo que se esconde na música dos astros?"
(José do Vale )


Estou cheia de atividades domésticas. Aproveitarei o mês de Janeiro pra colocar em ordem a minha vida.
A vantagem de um blog coletivo é que ele não perde por esperar siêncios e ausências.

Voltarei depois de um pequeno intervalo.Voltarei em Fevereiro !

Abraço com carinho todos os meus amigos.


AS PERIPÉCIAS DE UM JORNALISTA

Pedro Esmeraldo

Fim de ano! Foi horrível para mim. Tive um comportamento assombrado, estimulado por pessoa maldosa, de baixo nível social.

Fiquei deveras magoado e continuarei com mágoas até o fim com uma figura estóica que permanece com asas sustentadas por alguém que deveria ser uma pessoa notável no meio político, pois se iguala a outra figura semelhante, dando prioridade a suas doutrinas de homem de comportamento desequilibrado.

Mas o que fazer? Essa figura notável se diz filho do Crato, deveria comportar-se como político de alta linhagem democrática, mas que “perde as estribeiras”, assemelhando-se aos seus comparsas e trazer boas maneiras com boas perspectivas para o Crato. Mas não, essa figura se perde no espaço vazio, aloja-se a pessoas perversas que só sabem esmaecer os amigos, pretendendo anuviar o bom procedimento dos cidadãos de bem.

Parei de escrever por uns dias a fim de equilibrar-me emocionalmente, fugindo das forças negativas que invadem o Crato.

Graças a Deus, volto à luta, enfrento o batente tenebroso para mostrar aos amigos que os considero indigestos, (porque não sabem o que dizem), não sou pessoa de esmorecer por pouca crise, visto que “o que vem de baixo não me atinge”, vou em frente, permanecerei na luta com muita garra, enfrento dissabores e cairei em cima dos erros que surgem constantemente.

Saibam senhores cheios de idéias fantasiosas (que cheiram mal), Crato não comporta esse tipo de pessoas dúbias e que pensam que o mundo é deles e entorpecem o desenvolvimento da cidade com palavras maldosas.

Neste presente momento, volto a dizer a esses homens apáticos que só sabem debochar de suas companheiras, se quiserem viver em paz, não repita mais esses atos grosseiros e deixem de dizer asnice ofendendo seus amigos. Seria melhor calarem com essa boca, dando abraço de tamanduá, aquietando-se, deixando-nos em paz.

A leitura como finalidade - Emerson Monteiro

Dentre outros resultados da leitura como hábito saudável, ler com frequência ativa funções cerebrais necessárias para viver consciente e com maior durabilidade no tempo.
Um conhecimento, que é de todos, repete os ditos da ciência de que o que não se usa atrofia. Em vista de serem os neurônios células vitais do sistema nervoso, à medida que se apagam, levam consigo a vitalidade essencial do bom andamento das demais atividades do corpo. Enquanto que a constância da leitura mantém a sobrevivência dessas células, e ocasionam saúde ao corpo inteiro.
Há um livro intitulado A arte de ler ou como resistir à adversidade, escrito pela pesquisadora francesa Michèle Petit, que desenvolve o tema da leitura do modo utilitário, sob o ponto de vista psicológico. Ela considera o ato de ler nos momentos críticos da vida, diante das desilusões amorosas, morte de pessoas da família, doenças, crises ou catástrofes coletivas, qual instrumento poderoso de restabelecimento dos aspectos pessoais positivos. Naquelas ocasiões, o livro apresenta sua fidelidade ao leitor, de modo a permitir energias suplementares para vencer os embates difíceis da existência.
Amigo incondicional, o livro conduz as pessoas a lugares mentais que lhes permitem chegar aos meios da calma, apaziguando distúrbios e conflitos ocasionais.
Em todos os cantos, leitores utilizam o poder da leitura para reverter situações adversas, mostra a pesquisadora, desde a Europa à América Latina, Brasil, Argentina, México, Colômbia. Ela viajou pelas diversas localidades estudando experiências de professores, psicólogos, artistas, escritores, editores, trabalhadores sociais, considerando diferentes públicos, crianças, adolescentes, mulheres, homens, escolarizados, marginalizados, sempre com a visão essa interpretativa da leitura e sua utilidade revitalizadora.
Na concepção dessa estudiosa francesa, a leitura conduz ao esquecimento temporário da dor, do medo e da humilhação (...) para despertar a interioridade, colocar em movimento o pensamento, relançar a atividade de simbolização, de construção de sentido e incita trocas inéditas. Conclui, então, que o hábito de ler permite intercalar momentos de paz nas realidades dolorosas, ofertando uma sobrevida aos leitores. Invés de fuga do mundo real, ler permite uma pausa, um intervalo necessário para curar as feridas de uma realidade demasiado dolorosa, nas suas palavras.
Segundo Michèle Petit, apropriar-se dos livros é reencontrar o eco longínquo de uma voz amada na infância, a relembrança dos entres queridos e suas sonoridades em que as palavras são bebidas como se fossem leite ou mel.
Resta a todos, também por isso, valorizar o hábito da boa leitura e o privilégio de se ser alfabetizado entre tantos que ainda não obtiveram esse direito.