Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sábado, 8 de janeiro de 2011

(INTER)TEXTUALIZANDO COM CHAGAS - Por Claude Bloc


* Chagas
* Claude


despe-se na noite
em fuga
e em retalhos se desdobra

nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro
poesia no espaço
céu de cetim em lábios exangues
véus de promessas,
silêncios apagados

olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias
de lembranças opostas
impostas
dispostas
no vazio da obscuridade

com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais
com saudade
escreveria o mistério
os traços, os sinais
dessa chama que arde e
se extingue ao amanhecer


vinho
cigarros
livros
poemas
aí se faz uma morada
acima do tom sombrio
dessa tarde toda de ocre
criando raízes num coração oco
com todos os seus enganos
dúvidas mas também vozes
desfilando canções
porque nem tudo é triste
e a tarde é tudo
nessa sede infinita
nessa “promessa de sol
contra a solidão”.


de tarde II

quando chega a tarde
sobre as palmeiras
e longe gemem pássaros de palha

é certo que os homens
fogem da fome
de amor semeada
nas ruas onde
seus passos ficarão
de fato
na prisão do tempo

nasce um de olhos vermelhos
não do sangue
mas da luz
toda de espadas
e as faces expostas
ao sol insuportável do meio dia

pra onde vou não sei
nuvens abraçadas ao ar
sobre as espáduas

o mundo na oca cabeça oca
os mares na boca
nenhuma palavra
que saiba traçar as linhas
no azul e seus segredos
abrindo o mar
na alma de queixosos peixes

POR ENTRE SAUDADES - Por Edilma Rocha


O meu coração se encheu de expectativas ao entrar no carro rumo a Fazenda Serra Verde depois de tantos anos. Ao meu lado Ricardo e Claude e lá estávamos nós, os três entre sorrisos e prosas ao encontro de Rita, nossa guardiã da infância.
Quando saímos do asfalto e entramos  por uma  estrada de calçamento em Dom Quintino, era realmente o começo dos encontros com os antigos moradores que se instalaram por ali.

As casinhas simples de um colorido vibrante abrigavam os amigos da Fazenda que nos recebiam com alegria novamente. Um delicioso café com bolo de milho lembrava o passado e um picolé de castanha guardado no congelador demonstrava a atualidade. Nos quintais o recanto das flores, das cascas de laranjas ao sol, das galinhas e dos porquinhos como a esperar o clique de nossas máquinas fotográficas.

Registramos tudo. Tudo era festa com a nossa chegada, até o gatinho amarelo brincava de esconde- esconde com um filhote de cão por entre as pernas de Ricardo. A amizade pura entre supostos rivais já representava o caminho para a Fazenda França Livre.
E lá estávamos nós entrando na estrada de terra, antigo caminho para a Serra Verde. Não nos incomodava o sacudir do carro por entre as pedras da estrada sinuosa e empoeirada. Grande foi a emoção quando nos deparamos com o arco que faz a divisa das terras. Dali por diante estávamos na Serra Verde.  A velha estrada até a subida do Morro do Cabloco, passando pelos pastos da engorda e as ruínas do engenho de cana de açúcar.

Coração apertado e chegamos ao sangradouro do açude que nos levava até a antiga escola e depois a Igrejinha de Santa Joana D'arc. Depois da curva logo após a subida, lá estava ela, a casa da Fazenda, ainda de pé desafiando as intempéries do tempo.
Foi um momento de emoção ficar por alguns instantes a contemplar aquele lugar tão cheio de lembranças. Não mais encontrei meu pé de Cajarana com nossos nomes gravados em fantasias infantis e juras de amor e nem o colorido das flores do imponente Buganville que enchia de beleza a frente da casa. A escada rachada, as telhas da varanda que não a protegiam do sol e da chuva por inteiro e a pintura desbotada deixando visível as marcas do tempo. Mas a velha plaquinha de flandre pintada, ainda continuava ali com os dizeres " França Livre".

Escolhi para um ângulo fotográfico um monte de arames jogados num canto tal qual uma trincheira de guerra a proteger dos inimigos a vida ainda viva nos descendentes que ali passeiam. Cada canto uma saudade e a cada passo um pedaço de nossas vidas.

A sala grande com a velha estante cheia de livros, o corredor, os quartos, a sala de jantar e a cozinha com o mesmo fogão a lenha que preparou tantas delícias para nós depois das cavalgadas. Estava tudo a nossa frente, real e palpável. O quarto de Dona Janine com a linda vista para o açude e lá fora a natureza continuava exuberante. Se  lá dentro  os antigos habitantes não estavam mais ali para pintar e consertar os estragos do casarão, lá fora Deus tomou conta de tudo. No azul do açude com o morro do Cabloco refletido nele feito um espelho de luz e cada plantinha, cada flor e cada árvore.

Corri cada canto do lugar e reencontrei os moradores que permaneceram para receber com alegria os meninos das férias do passado, hoje adultos e cheios de sabedoria. Na noite coberta por estrelas a brisa fria que cobria de orvalho o verde da Fazenda como um verdadeiro milagre para preservar a beleza natural. O silencio enchia o coração de paz e tranquilidade numa verdadeira fuga do stress e novamente estávamos os três amigos irmãos sentados no sofá da sala a relembrar antigas histórias. E ao pisar o  assoalho, o ranger da velha madeira nos dava a certeza da presença de Papí, Mamí, Hubert e Janine a nos acolher novamente. A casa era a mesma, mais sem a vida de outrora e a falta das pessoas da família ficou em cada canto. O meu quarto com Dominique já não existia mais, deu lugar à ampliação da sala. Restaram o quarto de Mamí, intacto, perfeito com os mesmos móveis, o quarto de Claude com Teresa, o dos meninos e a galeria dos banheiros que ainda guarda a lembrança dos mais audaciosos fumando escondido.

Ficou a certeza da Serra Verde de antes, com Hubert produzindo com fartura, motivo de orgulho para o Cariri e a Serra Verde de agora, vazia, triste, sem vida, aqui e alí ruínas como marcos de uma história. Uma casa vazia, em dores por entre as suas rachaduras, uma casa que mora a saudade dos tempos da "França Livre", dos tempos da nossa infância ...

Edilma Rocha

de tarde

a tarde não cumpre a promessa
de sol contra a solidão
de quem espera

nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro

olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias

com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais

vinho
cigarros
livros
poemas
aí se faz uma morada
acima do tom sombrio
dessa tarde toda de ocre
criando raízes num coração oco
com todos os seus enganos
dúvidas mas também vozes
desfilando canções
porque nem tudo é triste
na tristeza que existe

Sísifo

Entrou em casa , à noite, como se trouxesse no corpo as feridas de uma batalha. Os dias todos pareciam uma xerox de um só . Trabalho repetitivo de tabelião de cartório, imerso no cofre da fina burocracia: escrituras, registros civis e de óbitos, reconhecimento de firmas. Olhava para aquele mundão de livros velhos e sobrenadava-lhe a certeza: ali , no cartório, estava depositada a vida perdida de várias gerações. Prazeres que não foram desfrutados, viagens que deixaram de ser feitas, felicidade enfim que acabou encarcerada em páginas esmaecidas, aguardando a sanha feroz dos inventários.O estranho é que, com o passar do tempo, aquela inutilidade armazenada nas prateleiras empoeiradas começou a inundar um pouco a sua própria existência, como se seu mundo, de alguma maneira, fosse sendo também aprisionado entre carimbos e certidões. O patrão, rígido, já tinha aquela cara esquisita de formato partilha. Até mesmo o descanso do domingo adquirira uma feição cartorial: ou Faustão ou Sílvio Santos. Sentia-se, como tantos dos seus clientes, um pouco órfão, ausente e interdito. Pois foi com aquela cara de arquivo morto que entrou em casa, por volta das 20 horas. Dirigiu-se para a mesa da sala em busca do jantar, já olhando , com o rabo do olho, a rede que o esperava atravessada na varanda. Estranhamente não viu pratos , nem talhares. Súbito, a mulher saiu do quarto e, sorridente, andou em sua direção. Estava maquiada, cabelo esticado às custas de uma escovinha de última hora e vestia um longo , preto, ainda com o cheiro da loja. Pensou, rapidamente, que ela devia estar voltando de alguma festinha da escola do filho. Com a barriga protestando, pediu-lhe que servisse o jantar. A esposa franziu o cenho , não deu palavra e retornou cabisbaixa, apagando os próprios passos . Ele recostou-se na rede e ficou imaginando o que poderia ter ocorrido: alguma fofoca de vizinha, um telefonema anônimo, alguma festa em casas de amigos ou na toca daquela jararaca da sua sogra, que havia esquecido ? Antes que chegasse a alguma conclusão, ouviu uns soluços secos que ressoavam a partir das paredes do quarto. Correu para lá e deu com a esposa aos prantos, sentada na cama, com a maquiagem já toda borrada. Que diabos estava acontecendo ? Achegou-se e perguntou, carinhosamente do que se tratava:

--- O que aconteceu ,Terezinha?Você está doente? Está sentindo alguma dor ?Levantaram algum falso contra mim ? Quer que eu lhe ajude a tirar esta roupa de festa ?

Terezinha , muda, apenas chorava convulsivamente e aumentava o tom do pranto, em uma oitava, a cada nova pergunta do marido. Em pouco , a patroa parecia um soprano interpretando uma ópera desconhecida. Ele achou mais sensato parar e voltar à rede da varanda onde tentou , sem êxito, descobrir o enigma. Adormeceu em meio ao cansaço e a fome e sonhou com uma terra em formato de almofada, assolada por uma tempestade de carimbos. Despertou cedinho e retornou para a tarefa de Sífiso. Não adiantava mexer com aquela sensitiva, ressonando ainda com o vestido da véspera na cama. Ao retornar, à noite, encontrou-a ainda trombuda e só , então, descobriu o erro fatal: esquecera seu aniversário de vinte anos de casado. A esposa o aguardara, ontem, para um jantar a luz de velas e algum presentinho que relembrasse a data. Passara batido. Tentou desculpar-se , sabendo de antemão que para tal crime não haveria perdão, não tinha sursis, era inafiançável : estaria condenado ad eternum .
Tentou minar aquele coração pétreo com afagos, com uma posição diferente na cama, com um almoço arrumado de última hora e um perfume francês. Mas tudo parecia exatamente o que era : uma tentativa vã de corrigir um erro imperdoável. Usou então o argumento derradeiro , deslocou-se até uma floricultura e encomendou um bouquê de rosas vermelhas , aquelas que trazem o cor flamejante da paixão . Junto anexou um cartãozinho dourado , com dois pombinhos ,aos beijos em um dos cantos, e sapecou a cantada em letra bonita, com seu linguajar de tabelião:

“ Para Terezinha,
Meu maior bem móvel.
Amo-te
O referido é verdade.
Dou Fé .
Osvaldo"

Depois das flores o clima melhorou um pouco, as coisas foram voltando para o devido lugar. . Qualquer briguinha , no entanto, qualquer arrufo e lá ressuscita o terrível pecado de omissão :

--- Você não lembra, não ? Até nosso aniversário de casamento você esqueceu ...

Aprendeu, tardiamente, que o coração feminino tem arquivos impecáveis e de facílimo acesso. O detalhismo está profundamente entranhado naquelas almas :Terezinha perdoou , mas não esqueceu. Osvaldo comprou agenda eletrônica, marca as datas importantes no calendário sobre seu bureau, usa até a Internet, temendo uma recorrência fatal no mesmo crime hediondo. Contratou até algumas testemunhas que possam falar a seu favor em casos mais melindrosos. Percebe, porém, que como na vida, nos livros de tombo do sentimento não é possível passar procuração e nem substabelecer.


J. Flávio Vieira

Como aprender a escrever?

Manuais de escrita feitos por quem entende do riscado, oficinas literárias, jogar todas as ideias no papel. Afinal, onde e como começa o trabalho de um escritor.

Por Rafael Rodrigues

Acrescente popularização da internet nos últimos anos trouxe à tona uma verdade da qual poucos desconfiavam, mas que agora é notória: o número de pessoas que gostam de escrever e querem ser lidas é muito maior do que se imaginava. Prova disso é a quantidade de blogs criados na rede mundial de computadores.

Segundo o site BlogPulse (www.blogpulse.com), existem mais de 143 milhões de blogs no mundo inteiro - até o fechamento desta matéria -, sendo que alguns desses endereços virtuais são mantidos não apenas por uma pessoa, mas por duas ou mais, as chamadas equipes de blogs coletivos. É possível encontrar desde espaços destinados a simples desabafos sobre o dia a dia até blogs que abrigam textos longos e reflexivos sobre temas variados.

Mas o que leva alguém a escrever e publicar na internet? É possível que o grande chamariz seja a possibilidade de ter seus textos lidos por conhecidos e desconhecidos do mundo inteiro, sem muito mais trabalho que o de escrever e clicar no botão de postagem. O ato de escrever repentinamente se tornou um hábito para pessoas que antes nem sequer mantinham um bom e velho querido diário. Com tanta gente escrevendo virtualmente, não demoraria muito para que os autores da internet começassem a sentir necessidade de transformar suas páginas virtuais em páginas impressas.

Também não demorou para que as editoras enxergassem esse filão literário e em pouco tempo vários blogs foram transformados em livros ou, ao menos, seus autores foram convidados a engrossar as fileiras dos que têm livros publicados pelo modo ortodoxo nas prateleiras das grandes livrarias. Entretanto, não é preciso passar as noites rezando para que um funcionário influente de uma grande editora vá parar no humilde endereço do seu blog. Há maneiras mais fáceis de publicar seu livro.

Comparado com o crescimento vertiginoso da internet e dos blogs, pode-se dizer que essa mudança de visão foi lenta, mas na última década os avanços tecnológicos fizeram com que o processo de publicação independente de um livro se tornasse relativamente fácil. O site Clube de Autores (www.clubedeautores.com.br), por exemplo, permite que o escritor edite seu livro sem sair de casa. Basicamente, basta enviar o arquivo do original a ser publicado, definir as preferências de tamanho, montar a capa, dar preço ao volume e pronto: qualquer pessoa pode adquirir a obra através do site. Como a impressão é feita sob demanda, ou seja, o livro só é impresso se alguém fizer o pedido e pagar por ele, não há risco de que o escritor ou a empresa saiam no prejuízo.

No entanto, por mais que tenha ficado cada vez mais fácil escrever e publicar um livro sem sair da frente do computador e ainda que alguns ditos escritores imaginem que para se produzir a obra capital da literatura mundial basta ser alfabetizado, pode-se dizer que o excesso de segurança não é o forte dessa nova geração de escritores. Dessa forma, a procura por oficinas literárias aumentou - e muito. Afinal, quem tem experiência na área sabe bem que escrever não é uma tarefa fácil. 

Assim, surgiram no Brasil cursos destinados à formação de escritores. O problema é que o custo dos tais cursos é relativamente alto. Para cursar a oficina de criação literária da Academia Internacional de Cinema de São Paulo, por exemplo, é preciso desembolsar R$ 1.800,00 por cinco meses de aulas.

Mas se oficinas e cursos estão fora da realidade financeira de muitos aspirantes a novo expoente da literatura brasileira, existem saídas bem mais cômodas e em conta. Há, por exemplo, livros, parte de um gênero que poderia ser chamado de "auto-ajuda para escritores", obras que visam a motivar as pessoas a escrever e, mais que isso, ensinar-lhes a melhor maneira de fazê-lo.

A Conhecimento Prático Literatura inaugura aqui uma série de matérias especialmente voltadas para aspirantes a escritor. Resenharemos as principais obras que querem ensinar e auxiliar àqueles que pretendem se prestar à tão nobre tarefa de escrever e traremos conselhos de escritores que já estão experienciados na labuta do mercado editorial brasileiro. Aspirantes, divirtam-se.

Rafael Rodrigues é editor-assistente e colunista do site Digestivo Cultural, além de colaborador de outros veículos. Mantém o blog Entretantos (http://bravonline.abril.com.br/blogs/entretantos).

Fonte: http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/33/mercado-editorial-como-aprender-a-escrever-194413-1.asp

Ulisses Germano - O poeta no Diário do Nordeste !

Diário do Nordeste

Sábado 8/1/2011


O poeta cearense Ulisses Germano: "O que escrevo faz menção às coisas que leio, vejo e escuto. Não é o erudito pelo erudito, são aprendizados adquiridos que costumo registrar"


8/1/2011

Explorar elementos com teor mais erudito na literatura de cordel é uma das propostas trazidas pelo professor e artista plural Ulisses Germano. Sua poética tem como fonte inspiradora a vida e os sentimentos humanos


Bom de prosa, Ulisses Germano arranca sonoridade das palavras e poesia de tudo aquilo que vê ou sente. Cordelista, artista plástico, professor, músico e poeta, ele tira de suas próprias experiências de vida a inspiração necessária para seus cordéis. "Retiro muitos elementos da cultura nordestina. Escrevi um folheto chamado ´A História do Espinho que Furou os Olhos de Lampião´. Nesse cordel, dou voz e vez ao Espinho que expõe o seu discurso sobre a temática do cangaço que envolve muito lirismo, mas também fraudes, crimes e corrupções. O espinho de quipá encontra no meio de uma cancela um corrupto que começa a execrar a imagem de Lampião".

O cordelista completa: "muita coisa tem sido escrita sobre o cangaço, então eu resolvi escrever essa fábula. O corrupto tenta subornar e comprar o Espinho. Ele se enfurece e depois se acalma tentando explicar para o deputado corrupto que tem muita gente que confunde memória curta com consciência tranquila. No folheto ´A Poética da Indiferença´, eu e Josenir Lacerda defendemos a tese de que o oposto do amor não é o ódio: é a indiferença. No ódio você ainda identifica o objeto odiado: ´Eu lhe odeio!´. Na indiferença o objeto é negado com mais perversidade. É lógico que um assunto tão abrangente como esse não pode ser abordado em sua inteireza nos 32 parágrafos de um folheto, mas o cordel também pode ser catarse".

Da parceria com a amiga e também cordelista Josenir Lacerda, ele faz emergir belezas como a "Poética da indiferença", a "Poética da inveja" e a "Poética do cangaço". Além das produções individuais: "A quintessência da existência" e o já citado "A história do espinho que furou o olho de Lampião".

Há quatro anos, o professor vem se aventurando pela literatura de cordel. Paixão antiga que lhe segue desde os tempos de menino. "Nunca na vida tinha me atrevido a fazer versos obedecendo à métrica e à rima. Um dia a poetisa Josenir Lacerda lançou um desafio de escrever um folheto de cordel em parceria. No começo eu relutei, mas Josenir tem a maestria do convencimento e eu acabei acreditando que realmente poderia fazer um cordel. Portanto, meu primeiro cordel foi escrito em parceria com ela", explica. Por entre métricas e rimas, Ulisses Germano recupera lembranças ou, simplesmente, solta versos sobre amores, política, seres inanimados e pessoas reais. O cordel é aquilo que o torna leve. É o que lhe faz expurgar as dores e os rancores. Não é literatura inferior, como se apressa em dizer, mas a vida ritmada. De feitura tão difícil como um soneto.

"Uma boa amizade/ irmanada no respeito/ dura uma eternidade/ não deixa marca no peito/ o amor é uma semente/ que nasce dentro da mente/ que ama de qualquer jeito/Não é fácil conviver/ muito menos preservar/ o bom amigo quer ver/ o outro amigo lutar/ sem invejar seu sucesso facilita o processo/ que conduz ao verbo amar" (um trecho de "A quintessência da existência").

Encantamento

Nascido em Iguatu e radicado no Crato, Ulisses Germano herdou dos avós, o clarinetista José Facundo e a bandolinista Ormecinda Correia, o amor pelas artes. Sentimento que lhe fez explorar diferentes áreas artísticas. Já criou na música, na literatura e nas artes plásticas. Uma imersão que o possibilita reinventar sua arte.

A favor de um cordel que fuja do "matutês", como gosta de enfatizar, Ulisses Germano traz para seus cordéis elementos e temáticas mais acadêmicas. "Meus amigos brincam comigo que meus cordéis precisam de notas de rodapé. O que escrevo faz menção às coisas que leio, vejo e escuto. Não é o erudito pelo erudito, são aprendizados adquiridos que costumo registrar".

Para ele, o cordel é um universo cheio de encantamentos. O primeiro, em sua opinião, diz respeito ao formato dos folhetos ilustrados por xilogravuras. "Considero o cordel o nosso primeiro livro de bolso. Os que são produzidos pela Academia dos Cordelistas do Crato e pela Lira Nordestina de Juazeiro do Norte ainda preservam a antiga tradição de confeccionar artesanalmente os folhetos. E isso me encanta. É Arte!".

Quanto aos outros encantamentos apontados por Ulisses, estão a métrica e o ritmo que as palavras rimadas impõem para a cadência de sua leitura. "Um cordel bem lido é pura música. Todos os assuntos podem ser abordados na literatura de cordel. Nunca podemos esquecer que essa arte é fruto da oralidade, e a multiplicidade de temas abordados por esse estilo de escrever ao longo dos anos atestam essa verdade".

Para este ano, o cordelista prepara vários projetos, perpassando diferentes campos artísticos. "Estou também produzindo trilhas para filmes documentários: ´Fundação Romualdo´; ´Um milagre paleontológico de Bola Bantim´; ´Professor Álamo da URCA´; e ´Água pra que te Quero´, da fotógrafa Nívea Uchôa. Todos serão lançados este ano. Meu mais recente cordel é intitulado ´A Proeza do Peixe Pedra´".

Ulisses Germano diz adorar esta alcunha: "Peixe Pedra! E como não poderia deixar de ser, eu também dou voz e vez para o Peixe Pedra que tem a mania de declamar sextilhas: O passado é infinito/ O futuro também é / A origem está no mito /Da Ciência e da Fé / No longo e lento atrito / Da pedra com a maré".

ANA CECÍLIA SOARES

REPÓRTER

Sacerdotisa

para Socorro Moreira

A tua túnica revela-se encantada
quando o teu sorriso atinge
céus, nuvens, pássaros

e mesmo silenciosa
(formulando nova magia)

dançam teus olhos
risonhos e dóceis

ora sobre o dorso de uma andorinha,
ora nas cintilantes curvas do arco-íris.


(beijo carinhoso minha amiga)

Pensamento para o Dia 08/01/2011


“Os tolos que não conseguem compreender a Verdade, que não podem reconhecer a Divindade e o poder de Deus, que não têm fé em Deus, vivem na ilusão de que seus planos vão salvá-los e que podem triunfar pelo seu próprio esforço! O fato é que nem mesmo o menor sucesso pode ser conseguido sem a graça de Deus. Embora isso seja verdade, não devemos ficar com as mãos postas, acreditando que uma coisa acontecerá se e quando Deus quiser. O esforço humano é essencial e todos devem se esforçar. Você deve usar a força e a habilidade que é dotado e ser resoluto para continuar com o trabalho, depositando em Deus a responsabilidade pelo sucesso. Pois, sem a graça de Deus, todo o esforço será infrutífero.”
Sathya Sai Baba

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“Quando você alcançar a realização, sua vida será saturada de inexcedível bem-aventurança Divina (Ananda) e experimentará a unicidade de pensamento, emoção e conhecimento com todos. Você estará em êxtase, imerso no primeiro e único, o Eterno Princípio Divino, pois somente isso pode conferir a alegria. Essa é a verdadeira alegria, não há outra. Deus é a personificação da alegria eterna, pura. Os fiéis a Deus aceitam o axioma de que "Deus é a maior fonte de alegria".”
Sathya Sai Baba

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

DIÁLOGO ENTRE POEMAS

 Chagas postou um poema de Octávio Paz e cometi a ousadia de exercitar a intertextualidade (conversa entre textos) procurando não sair do ritmo nem do tom, mas enxugando a amargura expressa pelo autor.

Vejamos:
*Octávio Paz
*Claude Bloc

Dá-me, chama invisível, espada fria,
tua persistente cólera
para acabar com tudo,
ó mundo árido,
ó mundo exausto,
para acabar com tudo.
Dá-me a tua calma, tua palma
tua aparente agonia
para aliviar tua aflição
ó mundo ávido
 ó mundo atávico
para aliviar tua aflição.


Arde sombrio, arde sem chamas,
apagado e ardente,
cinza e pedra viva,
deserto sem beira.
Arde a alegria, arde em chamas
Acesa e ardente
Alegria em terra viva
Aberta, sem parelhas

Arde no vasto céu, laje e nuven,
sob a cega luz que desaba
entre estéreis rochas
Ardem os sorrisos, ternos, fagueiros
Sob os sonhos que despertam
Entre as férteis cercanias.

Arde na solidão que nos desfaz,
terra de pedra ardente,
de raízes congeladas e sedentas
Arde a saudade que se desfaz
Nos rios e nas suas nascentes
Nos sentimentos sensatos, iminentes

Arde, furor oculto,
cinza que enlouquece,
arde invisível, arde
Arde o amor oculto
Amor que enlouquece
Arde invisível, arde
como o mar impotente parindo nuvens,
onda como o rancor e espumas pétreas.
Entre meus ossos delirantes, arde;
arde na oquidão do ar,
forno invisível e puro;
arde como arde o tempo,
arde como arde a vida
como caminha o tempo entre a morte,
com seus mesmos passos e alento,
arde como a solidão que te devora,
arde em ti mesmo, ardor sem chama
arde a ansiedade e o  silêncio
arde a alegria e o lamento
solidão sem imagem, sede sem lábios.
Para acabar com tudo,
ó mundo árido,
para acabar com tudo.

Mas eis que os ventos mudam de repente
E nada mais será como era antes...
Volta o sorriso complacente
Arde a alegria nesse instante
E novamente brota a semente
E a felicidade tão somente.
Faz um tempo
que não tenho o aperto dos seus braços,
o calor do seu corpo.
Que não sinto sua respiração ofegante
e o sabor dos seus beijos molhados.
Procuro em vão
seus sussuros
e me entorpeço nas lembranças
com um desejo,
queimando meu corpo de prazer.
E na solidão,
toco as saliências devagar
em busca de carícias
desejando seu corpo outra vez.
Procuro sentir seu perfume,
seu suor,
seu cheiro nas cobertas.
Preciso de você.
Quero prender sua alma
em correntes de paixão,
quero sentir você.
Faz um tempo...

Preocupante esta nota jornalística, do Ceará Agora.

04/01/2011 - 14:30
Crato entre as cidades com risco muito alto na dengue, segundo Sesa
Por: Márcio Dornelles

O município do Crato está entre as cidades classificadas pela Secretaria de Saúde do Estado com o risco muito alto no mapa da dengue do Ceará. Em 2010, foram notificados no Crato 1.700 casos suspeitos de dengue, sendo 1.400 positivos.

A coordenadora do programa de combate à doença, Aline Franca, acrescenta que a preocupação é maior porque, com a chegada do período chuvoso, o risco de incidência aumenta. O maior número de focos, segundo a Secretaria de Saúde do Crato, está localizado nas residências da periferia. Estão mobilizados 196 agentes de saúde que realizam as ações preventivas em todos os bairros da cidade.

Do acordo com levantamento feito pela Secretaria da Saúde do Estado, dos 184 Municípios cearenses, 41 estão classificados com risco alto de epidemia em 2011 e 45 com risco muito alto. Na macrorregião do Cariri, são classificados como de risco alto os Municípios de Altaneira, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Cedro, Jardim, Jucás, Nova Olinda, Orós, Piquet Carneiro, Salitre e Santana do Cariri.

*Texto da correspondente Nina Luiza.

E eu escrevi no comentário que, nada contra o ungido secretário, mas que o Crato tem, de sobra, grandes profissionais na área de saúde pública e que, como cidadão, não entendi a preocupação do poder público local em escolha de gerência técnica para um pasta que requer conhecimento profissional de especificidade médica. E disse que, no Crato, as coisas parecem fora do lugar.

Nota !

Em 2011 , permaneço no Cariricaturas como eventual colaboradora.
Estamos todos em boas mãos , sob a administração de Claude Bloc.
Que o nosso blog continue primando pela harmonia e qualidade de pensamentos.
Abraços em todos os amigos leitores e colaboradores.


Socorro Moreira

“Àqueles que ...” - José Nilton Mariano Saraiva

...sempre se posicionam acima do bem e do mal.
...sempre desrespeitam as invidualidades.
...sempre priorizam o “ter” em detrimento do “ser”.
...sempre se portam como... “reis da cocada preta”.
UMA CERTEZA:
...sempre serão uns “vazios inconsequentes”.

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A Banca do Distinto
Dolores Duran - (Compositor: Billy Blanco )

Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
TODO MUNDO É IGUAL QUANDO A VIDA TERMINA
COM TERRA EM CIMA E NA HORIZONTAL

Acabar Com Tudo - Poema de Octavio Paz

Dá-me, chama invisível, espada fria,
tua persistente cólera
para acabar com tudo,
ó mundo árido,
ó mundo exausto,
para acabar com tudo.

Arde sombrio, arde sem chamas,
apagado e ardente,
cinza e pedra viva,
deserto sem beiras.

Arde no vasto céu, laje e nuven,
sob a cega luz que desaba
entre estéreis rochas

Arde na solidão que nos desfaz,
terra de pedra ardente,
de raízes congeladas e sedentas

Arde, furor oculto,
cinza que enlouquece,
arde invisível, arde
como o mar impotente parindo nuvens,
onda como o rancor e espumas pétreas.
Entre meus ossos delirantes, arde;
arde na oquidão do ar,
forno invisível e puro;
arde como arde o tempo,
como caminha o tempo entre a morte,
com seus mesmos passos e alento,
arde como a solidão que te devora,
arde em ti mesmo, ardor sem chama,
solidão sem imagem, sede sem lábios.
Para acabr com tudo,
ó mundo árido,
para acabar com tudo.

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha

                         LÍRIO - Lilium longiflorum - A flor Divina.
Celestial e cósmico é o Lírio.  A flor presente na visita do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria, simboliza a pureza do coração. É também um prenúncio de boas-vindas. Usado na decoração de casamentos dando um toque de nobreza e sofisticação. Na antiga Grécia as noivas usavam uma coroa de Lírios como símbolo de pureza. Na Judeia eram conhecidos como " Dádivas da Natureza".

 Planta ornamental, chega a atingir 1,5m de altura. Originada da China.  Eterna inspiração de grandes pintores, o Lírio foi usado na obra "Anunciação" para simbolizar a virgindade de Maria. Jesus de acordo com o Evangelho segundo Mateus, teria dito no Sermão da Montanha : " Vejam como crescem os Lírios dos campos, eles não trabalham e nem fiam, no entanto eu vos digo que mesmo Salomão, em toda a sua glória, nunca esteve vestido como um deles". Na tradição católica, a flor também está ligada a Santo António e, portanto, ao casamento, à doçura, à inocência, à pureza da alma.


O Lírio floresce em Outubro e Novembro e tem uma variedade de cores. Egípcios e gregos usavam o Lírio, principalmente para uso externo, em queimaduras, ferimentos e úlceras. Por suas propriedades terapêuticas também era indicado para tratamentos de rugas e manchas da pele, dores de garganta, problemas renais e da vesícula.

                                                                                               Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro

As companheiras respeitáveis do Aragão – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Meu irmão Aílton tem um cunhado, Antônio Moreira Aragão, mais conhecido por Aragão, há vários anos residente na Bahia, onde parece haver criado juízo. Enquanto morou no Crato e em Fortaleza, Aragão foi uma fonte de preocupações para seus pais. Aprontou muito, tanto lá, quanto cá.
Como animador de festa, Aragão se transformava na própria festa. Sempre era arrodeado por crianças, que acompanhavam atentas às suas brincadeiras. Em certas ocasiões, ele se transformava em mágico, para encantamento de adultos e crianças.

Numa reunião de aniversário na casa de Aílton, Aragão fez sumir, como que por encanto, uma nota de cem cruzeiros amarrada em um lenço, à vista de todos os presentes. Depois desatava o lenço vazio. Como os mágicos profissionais, ele não deixava ninguém perceber como subtraíra a cédula de dentro do lenço antes de dar o nó. E todos procuravam onde estava a nota, principalmente o dono dela, no caso, o meu irmão Aílton, para em seguida encontrá-la repousando no bolso da calça do Aragão.
Certa vez, Aragão, recém-chegado de Fortaleza, saiu sozinho para se divertir no Aquarius, uma casa noturna do centro da cidade do Crato. Lá chegando, sentou-se a uma mesa, onde já se encontravam quatro adolescentes. Então começou a conversar com as meninas, num desembaraço sem igual, imitando um carioca e se dizendo recém-chegado do Rio de Janeiro. Uma delas, que ainda era criança quando Aragão saiu do Crato para Fortaleza, notou que ele não a havia reconhecido, e disse para as companheiras:
– Esse cara é um enrolão. Ele não é carioca coisa nenhuma. É um roedor de pequi aqui mesmo do Crato.
– Pô, você está muito enganada. Esta é a primeira vez que venho aqui nesta cidade. Não sei nem o que é essa coisa que você falou aí sobre roer. Você deve estar me confundindo com outra pessoa. – disfarçou o pseudo-carioca, procurando carregar mais ainda no sotaque.
– Que nada, você não me engana, não. Eu o conheço. Você é Antônio Aragão, filho de dona Ivone, que mora lá perto do Cine Moderno!
– Ai, é mesmo! – respondeu concordando, admirado e surpreendido pelo flagrante, o roedor de pequi.
Numa época em que a nossa sociedade era mais exigente na pureza da elite e na seletividade de seus membros, ter aceso a um clube social somente sendo sócio. Em dias de festa, era exigido traje passeio completo para os homens. O Crato Tênis Clube, réplica perfeita do Maguari em Fortaleza, realizava as mais memoráveis festas. A da Rainha do Algodão, então, era a mais concorrida.
Segundo meu irmão, que tomou conhecimento do fato algum tempo depois, numa dessas festas a rigor, Aragão saiu direto da boite de Glorinha, uma famosa casa de prostituição, onde se encontravam as mulheres de vida livre, porém não tão fácil, como se dizia. Lembrando-se da festa, convidou duas das mulheres daquela casa para o acompanharem até o Crato Tênis Clube. As mulheres, recém-chegadas da Bahia, aceitaram o convite, achando ser prova de muita consideração e uma delicadeza daquele jovem. Era uma dessas festas na qual a fina flor da sociedade cratense acorria. Ao tentar ingressar no clube, Aragão foi barrado pelo porteiro, que polidamente se dirigiu a ele pelo primeiro nome:
– Antônio, você pode entrar aqui a qualquer hora, mas elas duas não podem entrar.
– Por quê? – quis saber o cunhado do meu irmão.
– Porque estas duas donas que estão com você são suspeitas.
– Suspeitas, uma ova! Suspeitas são aquelas que estão aí dentro do clube. Estas duas aqui são mesmo! Não resta a menor dúvida! – falou indignado Aragão.
Após essa resposta, Aragão saiu com suas companheiras para o Restaurante do Ferrer, em Juazeiro, onde acontecia uma festa bem mais liberal.

Extraido de "Histórias que vi, ouvi e contei" de Carlos Eduardo Esmeraldo, Premius Editora, Fortaleza, 2005

A dor ensina a gemer - Emerson Monteiro

A infinita sabedoria dos povos, colhida numa única frase e no decorrer de tantas eras, apresenta lições que funcionam como remédio de curar as feridas do tempo. Diz São Paulo que ninguém deve confrontar as agulhadas recebidas (Não recalcitreis contra o aguilhão, nas suas palavras textuais, na Bíblia). Isto representa a necessidade de aceitar as contingências humanas quais instrumentos que levam a subir o caminho evolutivo cheio de segredos imensos.
Desesperar jamais, portanto. Integrar, nos elementos da história pessoal de cada um, desafios quais peças da engrenagem que trará crescimento individual. Mesmo porque, a revolta de nada serviria e ainda agravaria as circunstâncias que não pediram licença para vir a campo. Quem se desespera, ou se revolta, sofre de qualquer jeito, e agrava o sofrimento duas vezes, pelo sofrimento e pela ausência da conformação.
Há mistérios que exigem paciência e trabalho, na continuação de viver. Tocar adiante do jeito que as coisas chegarem, até conseguir respostas que satisfaçam as indagações, eis o modo responsável de vencer. Isto face ao que ensinam aqueles que amenizaram as dores com notícias inteligentes, a todo o momento que olharmos na estrada dos demais. Os sábios, santos, vitoriosos da nossa humanidade, buscaram responder às grandes questões da dor através do esforço íntimo de superar os obstáculos com carinho e aceitá-los feitos filhos de um Pai supremo que a tudo supervisiona. Irmã dor, considerava São Francisco de Assis. A religiosidade torna-se, nas horas críticas, bênçãos inigualáveis de cruzar os rios cheios das provas vivas.
Deus, o sagrado de todos nós, o símbolo máximo do coração das gentes, a Este, sim, devemos pedir com ânimo forte, no silêncio reverente dos santuários da existência, nas preces fervorosas que reduzirão, do jeito próprio, as maiores indagações de sentido para viver bem.
Abrir o espaço que só a Ele pertence dentro de nós e deixar, com tranquilidade, chegarem forças de aceitar o que nos reserva o calendário da busca espiritual. Pois o merecimento se apresenta a quem se permite receber. Nessa hora, a conformação iluminará a alma e os frutos do amor virão à tona tais milagres, traduzindo na paz o bem das melhores soluções.
Ao parar e olhar em volta é que se observa o tanto de oportunidades oferecidas aos que sofreram e souberam reunir as inúmeras aulas da humildade produzidas pelo sofrimento, e nos enriquecer do que mais precisamos para sobreviver, feitos superheróis de filmes e quadrinhos.
Por isto, pelos dons da superação que os protagonistas do drama existencial são capazes de vivenciar e disso tirar o sabor mais precioso, a consciência popular criou o conceito de que a dor ensina a gemer, uma filosofia capaz de preencher o vazio das dificuldades naturais com atitude corajosa e confiante.
Seiva
- Claude Bloc -

Muitas vezes me escondo
Me transformo
Me deleito
.
Sinto-me fluida
dentro da árvore,
em seu oco,
em seu silêncio.

Outras vezes sou seiva,
estou nas sementes.

Meus pés se misturam com as raízes,
caminham dentro da terra,
reconhecem nela o rumor do tempo
na noite subterrânea.
.
Meus braços balançam no espaço
são galhos,
minhas mãos se espalmam
saboreando o vento
bebendo-lhe o frescor:

eu e a árvore
o mesmo pensamento.
A imobilidade frágil das horas
A vida, os sonhos.

Claude Bloc

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

RESPONDENDO A CHAGAS

Mesmo assim
- Claude Bloc -
Mesmo que a metáfora o afogue
Mesmo que o poema o sufoque
Não deixe a poesia ir embora...

Mesmo de olhos fechados
Mesmo de lábios cerrados
Deixe que os sonhos se acheguem

Deixe que a poesia navegue
No mar de suas queixas
Mesmo que o dia se apague
E que a noite chegue ao fim.

Deguste as alegrias
As saudades benfazejas
Das coisas simples de outrora
E mesmo que seja tarde
E o dia se for na noite
Repita tudo amanhã.

Viu?
Claude Bloc

Um Bonsai de Casa - por João Marni


Um Bonsai de Casa

Pelo menos por três vezes, vi cada um deles: “O pai da noiva” e “ Casamento grego”. Comum aos dois filmes, a alegria em família e a camaradagem, especialmente a dedicação do genitor pela filha única.

Ao final, em ambos, uma festa espetacular de casamento. Hilariantes. No segundo fiquei mais emocionado, pois o velho grego tirou do envelope a certidão de compra de uma casa para o casal. Vizinha à deles! É o que seguramente faria, se pudesse. Moraríamos todos num condomínio em família. Alguém poderia argumentar que proximidades assim não dão certo, e tal... Mas acho que discordâncias e até confusões são melhores trabalhadas, entendidas e resolvidas em consangüinidade. Ainda não consegui essa que seria mais uma das minhas realizações; mas espere! Estou começando! Minha neta Maria Alice havia pedido a mim uma casa de bonecas. Num desses lances de pura sorte, nossos amigos Maurílo e Lôra iriam se desfazer de uma. Fiquei com o melhor que havia dos escombros, desmontada a casa com muito zêlo. Cuidei de escolher o local da construção no nosso jardim, após as discussões de praxe com a avó.

Estou de férias nos primeiros quinze dias do ano novo e a maior parte desse tempo vou dedicar à construção da casa de Maria Alice. Já comprei e instalei a “piscina” da sua morada quando aqui vier em folguedos, porque duvido que ela queira sair: Uma caixa d’água de 250l enterrada até próximo à borda. Seu novo endereço terá cerca de 13m² de um só vão, onde poderá brincar de dona de casa e de professora. Espero que repreenda bem seus bonecos quando esses não lhe obedecerem enquanto mãe de fantasia, e que grite quando seus alunos não estiverem atentos aos seus ensinamentos. Afinal, deixar rolar é dar oportunidade para o arrependimento, no choro depois, na casa grande.

Uma janela e porta na frente, com duas outras janelas, uma em cada lateral. Um luxo! Que cresça assim, feliz da vida, com tantos mimos. Caiu no terreiro certo. Que estude e seja gente grande e independente, e que lhe cause espanto e indignação o que os homens públicos fazem com as pessoas que moram em barracas improvisadas, de paus e lonas de plástico, negras feito os corações daqueles.

Que peça a Deus que me perdoe por esse excesso. É que amo muito a meus netos, presentes e futuros, e nada é caro para a visão do paraíso no sorriso deles. Deus é avô? Se for, estou perdoado.
Crato, 01.01.2011

João Marni de Figueiredo.

desilusão

hoje mudei de ideia:
nunca mais quero saber
de poesia, cansei
de repetir-me assim
nas palavras bolorentas
que recolho nessas ruas
passando em cima de mim

os mesmos muros estão
lá com suas cores frias
emparedando a vida
os mesmos olhos vasados
querendo enxergar o fim
disso que chamamos dia

caramba!

de tarde chove demais
dá para ouvir o barulho
da água estralando dentro
do sonho que se supõe
ser uma forma melhor
de não morrermos de ódio
porque o tédio acaba com...

que merda!

amanhã vou pegar meu
casaco e pôr fogo nele
versos escritos nas mangas
não combinam com as sobras
de otimismo incompatível
comigo, filho do gelo
degustando o flagelo
que nasce nessa paisagem
pesada e tão enganadora

viu?

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


MARGARIDA, Chrysanthemum Leucanthemum, planta herbácea perene, pertencente à família do
Crisântemo, da Dália e do Girasol. Atinge altura média de 60 cm. Origem: Europa.
                                                                      Cultivo:
Em solo argilo-arenoso rico em matérias orgânicas, sob sol intenso. O cultivo é muito fácil. A propagação é feita por sementes ou pela divisão das touceiras. Pode ser cultivada em vaso.


A versátil e alegre a Margarida é uma  das opções mais populares do mundo, dando um toque singelo a diferentes arranjos para qualquer tipo de ambiente e  ocasião, mesmo para uma festa requintada.
 Em vasos com água, duram bastante tempo. Pode-se também cortar as flores bem rente e coloca-las flutuando num aquário de vidro com água. É simples, decorativa e deixa o ambiente de casa ou trabalho mais alegre.

Alegre e extrovertida, a singela MARGARIDA é um exemplo de amor a vida.
Ela se abre ao sol cheia de energia, iluminando nossos jardins.
Um lembrete de que a luz volta depois de uma noite escura.
Celebre com entusiasmo a vida que florece a cada nova manhã.


Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro 

As Manobras de Deus. Liduina Belchior.

Hoje, quinta dia 6, amanheci com saudades...Saudades do bom, do bém, do friozinho na alma, saudades dos meus filhos quando pequenos, saudades de mim ainda criança, das minhas férias nos sítios : Jaburu e Pai Mané...Saudades de Socorro Moreira (está fazendo muita falta).Saudades das primeiras flores do meu jardim e saudades de VOCÊ ! Você, viu?
Mas falando agora sobre o Divino, Ele faz manobras inimagináveis em nossas vidas. Nos proporciona a alegria de viver, sentido para existir, nos ama acima de tudo e do jeito que somos, com nossas devidas falhas... E ainda assim, nos acolhe. Ele coloca o sorriso nos nossos lábios, enxuga todas as nossas lágrimas e ainda permite uma comunicação cósmica, simbólica e energética conosco. Nos põe diante de uma labuta aprazível, de novas aquisições de amizades caras e do AMOR em todas as suas formas. Amar é a melhor das experiências na vida; É um mistério maravilhoso, "é infinito enquanto dura" e quando não dura também. Não sei distinguir bém se sorrir é amar, ou se é amar que é sorrir. Ás vezes costumo dizer que choro com um olho e sorrio com o outro. Gargalhar então, é o conjunto de muitos sorrisos juntos. E essa prática nos rejuvenesce, faz bém a circulação, por conseguinte ao coração. Só me resta agradecer ao Senhor por tudo isso e pela primeira grande graça ocorrida já este ano. Confirmo portanto, que para quem crê, nada é impossivel diante de sua onipotência. Acreditemos Nele, em nós mesmos e na esperança.

Dedico este texto a amiga Tatiana Figueiredo e ao trabalho que estou prestando no Colégio Paraiso.

FESTA DOS REIS MAGOS - DIA DO ASTRÓLOGO












Astrologia
Mário Quintana

Minha estrela não é a de Belém:
A que, parada, aguarda o peregrino.
Sem importar-se com qualquer destino
A minha estrela vai seguindo além...

Meu Deus, o que é que esse menino tem?
já suspeitavam desde eu pequenino.
O que eu tenho? É uma estrela em desatino...
E nos desentendemos muito bem!

E quando parecia a esmo
E nesses descaminhos me perdia
Encontrei muitas vezes a mim mesmo...

Eu temo é uma traição do instinto
Que me liberte, por acaso, um dia
Deste velho e encantado Labirinto.

LUA ATREVIDA - Marcos Barreto de Melo

Eu de cá a te espiar
Tu de riba me olhando
Com tua beleza a espalhar
Sinto d’eu estar mangando
Como quem diz, vai passear
Aproveita o meu clarão
Leve seu bem pelo braço
Que a noite é pra se amar

Olhe aqui, lua atrevida
Tenha respeito comigo
Se é isto que estás falando
Escute agora o que eu digo
Em vez de ficar mangando
Por que não vem me ajudar?
Já conhece o meu segredo
Sabe bem o que fazer

Por que não traz a morena
Com quem eu vivo a sonhar?
Traga essa nêga depressa
Jogue ela em meus braços
Nem que seja por um dia
Pro meu viver alegrar
E depois, venha e repare
Se ainda tem do que mangar

E pra eu não ter saudade
Nem ter que lhe aperrear
Aumente logo esse prazo
Esqueça de calendário
Deixe nós dois sem horário
E eu lhe digo com firmeza
Nunca mais vou dar motivo
Pra você me caçoar

Marcos Barreto de Melo

RESPONDENDO A JOSÉ NILTON FIGUEIREDO


Por que João e não José?
E a música como é que fica?
Mais bela, muito mais rica...
Sabemos como ela é...

Suave a melodia
Mais forte a emoção
Mais bela a sinfonia
Sem solo, sem solidão...

Acordes são dissonantes
Voz e timbre e violão
Cordas de aço vibrantes
Mais perto da perfeição

Acordes, doces instantes
Música solta no ar
Não será mais como antes
Desse poeta cantar...
Claude Bloc