* Claude
despe-se na noite
em fuga
e em retalhos se desdobra
nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro
nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro
poesia no espaço
céu de cetim em lábios exangues
véus de promessas,
silêncios apagados
olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias
olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias
de lembranças opostas
impostas
dispostas
no vazio da obscuridade
com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais
com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais
com saudade
escreveria o mistério
os traços, os sinais
dessa chama que arde e
se extingue ao amanhecer
vinho
cigarros
livros
poemas
aí se faz uma morada
acima do tom sombrio
dessa tarde toda de ocre
criando raízes num coração oco
com todos os seus enganos
dúvidas mas também vozes
desfilando canções
porque nem tudo é triste
e a tarde é tudo
nessa sede infinita
nessa “promessa de sol
contra a solidão”.







