Alguma vez você já parou pra pensar sobre o impacto demolidor e mortífero de um cruzado de direita na mandíbula, desferido por uma daquelas deformadas montanhas de músculos americanas, tipo Myke Tyson ou Evander Hollifield ??? Já se deu ao trabalho de sequer imaginar qual o potencial descomunal da força liberada por um daqueles “coices”, verdadeiras “patadas” eqüinas, aproveitando a “guarda baixa” do adversário ???
Pois bem, mesmo sem nunca tendo tido a experiência de subir num ringue (embora apreciador de um bom combate), passamos por algo que, imaginamos, deva ter alguma coisa a ver.
Oito anos se passaram (2003, até aqui) e, no entanto, parece que foi ontem.
Após rotineiros exames de sangue, um dos resultados ( PSA ) fugira - e muito - aos padrões culturalmente estabelecidos pela Medicina. Providenciada com urgência a competente biópsia, o “petardo” na cara (ou, se preferirem a linguagem boxeana, aquele golpe sujo, abaixo da linha de cintura), através de um diagnóstico apavorante: “temos um tumozinho maligno na próstata, de um milímetro, que necessita de cuidados especiais”, sentenciou o Doutor, frio, impassível, voz suave, mas segura, sem maiores cerimônias e sem aparentar qualquer surpresa ou sequer mover um músculo da face (como se fosse a coisa mais natural do mundo).
Pois foi assim, abruptamente, que tomamos conhecimento da nossa indesejada “gravidez masculina”, ou melhor, de que em nossas entranhas repousava um “ser vivo”, pulsante e... repulsivo.
E muito embora já estivéssemos um tanto quanto desconfiados com o número apresentado pelo exame, a verdade é que a bordoada foi grande, o golpe dolorido, o impacto demolidor, a dor profunda: fomos a nocaute técnico, literalmente. Tanto é que, dirigindo no trajeto de volta do consultório para casa, cerca de seis quilômetros, simplesmente ignoramos semáforos, limites de velocidade, sinalização esquerdo-direita, o escambau, tantas e tão copiosas eram as lágrimas a rolarem pela face. Mas, chegamos... e vivo.
Adeptos e absolutamente convictos da existência de um “ser superior”, mas um “milenar” descrente de santidades, papas, bispos, diáconos, padres e por aí vai, ao tempo em que um aliado de primeira hora da Igreja Católica em relação ao Padre Cícero Romão Batista (não passa de um grande charlatão), evidentemente que o caminho a seguir não poderia jamais contemplar a excrescência de incluir terços, promessas, figas, orações e rezas (ao contrário de muita gente, “cristão roxo”, que delas só se lembra em tais oportunidades).
Assim, após uma noite insone e reflexiva (se isso era possível naquele momento), a decisão preliminar: poupar os dois filhos (adolescentes), mas abrir o jogo para a esposa (em Fortaleza) e transmitir a notícia para pelo menos um dos membros da família (no Crato); pai e mãe, por motivos óbvios e em razão da idade avançada, nem pensar. E assim foi feito.
Ao contrário da gravidez feminina (onde “ele” é execrado e sequer mencionado) e como o nosso “fetozinho querido” media apenas “um milímetro”, de comum acordo com o Doutor chegamos à conclusão que a opção mais apropriada e recomendável de eliminá-lo seria através do temível “aborto”, via tratamento de choque (paradoxalmente menos invasivo): portanto, “radioterapia” nele, intensiva, maciça, durante ininterruptas trinta e sete seções diárias, de segunda à sexta (dois meses). Religiosamente. Toda manhã.
Durante o processo, dois momentos que marcaram indelevelmente: a) lá pelo meio do tratamento, como que para mostrar a fraqueza do ser humano, um brabo e caudaloso sangramento irrompeu, provocado pelo rompimento de uma artéria atingida pela radiação; haja sangue, expectativa e temor (a medicação prescrita, entretanto, incontinente debelou-o); e b) de partir o coração (numa cena comovente), testemunhar numa mesma sala dezenas de pessoas (políticos de alto coturno, empresários, faxineiras, socialites e por aí vai) repentinamente irmanadas por uma tragédia, tentando se ajudar uma às outras as mostrarem confiança, exercitar a solidariedade em toda a sua essência, extraírem otimismo de quem já se mostrava descrente, mesmo que para tanto tivessem, vez por outra, que recorrer ao uso de uma pitada de humor negro (mas sem nenhuma maldade), através da simplória frase: “onde é o teu” (tumor) ??? E haja detalhamentos (foi aí, por exemplo, que tomamos conhecimento que o ex-prefeito do Crato, Ossian Araripe, por lá houvera passado, meses antes, em tratamento, antes de morrer num incêndio em seu apartamento).
Fato é que já se passaram oito anos e os exames do PSA, antes trimestrais, hoje passaram a ser semestrais, com seus percentuais sempre na faixa tranqüilizadora do zero ponto alguma coisa, indicando que, mui provavelmente, vencemos, sim, o temido câncer (claro que há espaço para uma indesejável recidiva; é torcer para que não pinte no pedaço).
Evidentemente que quem passa por situação tão crítica jamais será o mesmo. A “coisa” marca profundamente, deixando seqüelas e cicatrizes inenarráveis, físicas e psicológicas. Assim, por mais precisa e cirúrgica que haja transcorrido a intervenção radioterápica, a demolidora radiação atingiu o entorno dos órgãos sexuais, limitando a prática da atividade sexual, posteriormente (agora, por exemplo, tanto com uma “ninfeta”, com uma “mulher da vida” ou com uma “miss mundo”, pra conseguir alguma coisa em termos de sexo só com o uso da pílula e se houver o imprescindível “estímulo-complementar” da parceira; e não adianta reclamar, estrebuchar, ficar zangado, porque você fica literalmente a “meio-pau” e tem mesmo é que adaptar-se).
De outra parte, por mais “cabeça” que você seja, por mais arejada que seja sua mente, por mais despreocupado que se pareça, sempre que pinta uma “dorzinha no pé da barriga”, uma simples pontada na região tratada, a tendência é se pensar que a “coisa” acordou, ta viva, ameaça voltar. Há que se controlar os nervos.
Alfim, um esclarecimento que reputamos necessário: como não conhecemos e não somos conhecidos pessoalmente por quase ninguém dos blogs que participamos (Cariricaturas e Cariricult), você, do outro lado da telinha, curioso, há de indagar: o que é que nós temos a ver com o drama do Mariano, pra ele vir com esse papo furado, com esse lero fúnebre, com essa conversa sinistra ???
É que entendemos ser preciso acabar de vez com esse preconceito idiota de que alguém que tem ou teve câncer se acha condenado a viver no isolamento completo, tornar-se um pária social, ser tratado como um leproso incomunicável e evitado a todo custo, além de ter que “guardar segredo” para o resto da vida e mais algum tempo. Como se fosse algo degradante, contagioso, imoral e vergonhoso. E nada melhor para debelar e evitar isso do que exercitar o jogo aberto, limpo, transparente, sem frescuras ou tergiversações, abrindo a mente e o coração (mesmo que para desconhecidos).
Nem que isso implique no iminente risco de, durante a Exposição do Crato, repentinamente alguém mais liberal e expansivo venha a cumprimentá-lo com a exótica saudação: “diga lá, seu canceroso brocha”.
Vida que segue...
Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
"Gravidez masculina" - José Nilton Mariano Saraiva
domingo, 9 de janeiro de 2011
Professorinha
- Claude Bloc -
Sou professora desde que eu tinha 14 anos. Algo a estranhar? Pode ser, para as gerações mais novas que não conhecem e não sabem como era difícil, nessa época, se conseguir um professor que dominasse a Língua Francesa.
Quando comecei a dar aulas, eu tinha estado e na França por um ano - havia pouco tempo – e, estando lá, tinha estudado num colégio de freiras que eram amigas de minha avó Germaine, a quem eu carinhosamente chamava de Mamie Menotte. Isso me trouxe a experiência de conhecer a escrita do Francês e entender as “peripécias” da Língua no que tange às suas peculiaridades. Pois é, chegou o dia de enfrentar a primeira aula. No início, sem experiência tudo era difícil. Eu, professora, aos 14 anos, sozinha diante dos alunos, tentando captar a atenção deles... Bom, mas era uma tentativa. Madre Feitosa havia posto em minhas mãos um voto de confiança e eu teria que superar minha timidez e dar conta do recado.
Felizmente nessa época as salas de aula não pareciam, como hoje, um salão de festas com crianças barulhentas, parecendo “Gremlins” ou coisa assim. Não havia ninguém voando ou gritando pela sala, apenas vários pares de olhos me olhando esperando o desfecho daquele momento. Não posso dizer que foi esse o pior dia de minha vida, pois hoje sei o que pode ser bem pior, mas foi um passo difícil, pois tive que me superar, imitando meus mestres.
O fato é que acabei conquistando aquela turma e a pouca diferença de idade foi motivo de interação e não de afastamento. Eu e eles havíamos dado um passo à frente, todos aprendemos.
Hoje acredito ser muito importante na vida de um professor o momento em que ele vê que algo deu certo e com isso concluir que pode seguir adiante. Foi isso que fiz e nunca me esquecerei dessa lição e ao mesmo tempo de como trabalhar tão cedo foi útil e benfazejo para mim.
Nunca esquecerei igualmente de como, era nessa época, estar do outro lado da sala, sentada passivamente, como aluna, apenas bebendo da fonte. A simples menção do nome de algum professor mais austero já me provocava medo e fazia as cordas do meu coração darem um nó cego por dentro. Minha timidez era um verdadeiro fardo. Eu por exemplo, morria de medo de Alderico Damasceno. Não conseguia abrir a boca para falar palavra alguma perto dele. Se um dia eu tivesse tido a oportunidade de ter sido sabatinada por esse mestre acho que desabaria desmaiada aos pés dele. Ridículo, mas verdadeiro.
Daí porque decidi nunca agir com firmeza excessiva em relação aos meus alunos. Não quis adotar essa retaliação para não deixá-los exasperados. Creio que a idéia de nunca esquecer como é estar no lugar do aluno fez bem ao meu processo educativo. Mesmo diante de minha pouca experiência tirei minhas próprias conclusões. Aprendi com isso. Sem esquecer de como é gratificante ler o reconhecimento nos olhos de quem nos ouve.
Diante disso, concluí nesse processo, que todo professor não deve entrar em sala sem ter preparado sua aula. Essa é a regra primordial. O resto a gente aprende com o tempo, mas é sempre útil imaginar e supor como será a aula que preparamos e manter os pés no chão. Incentivar a aprender pelo prazer de aprender e não pela obrigação.
Enfim, posso dizer que embora nem tudo sejam flores, amo meu trabalho, sou apaixonada pela minha profissão. Dedico-me. E afirmo: continuo aprendendo, afinal tudo na vida é um aprendizado.
Claude Bloc
Pérola nos Bastidores - por Claude Bloc
Claude Bloc disse... sobre a poesia "Lua Atrevida" de Marcos Barreto de Melo postada aqui no Cariricaturas:
A lua espia de riba
Você espia de baixo
Procurei sua morena
Cacei muito mas não acho
Só a lua atrevida
Sabe onde ela está
Enquanto ela segue a vida
O que lhe resta é sonhar.Claude Bloc
SE AQUELE FUSCA FALASSE - Por Edilma Rocha
Ele chegou nas mãos do Ernesto através de uma grana ganha como prêmio da corrida ciclista "Piocerá". Fusca 1980, branco que mais parecia côr de burro fugido de tanta sujeira. Todo descascado e cheio de rachaduras na pintura, aqui e ali ocorreu um crakelê com descamação que para cobrir a lataria, muitos adesivos do torneio "6 horas de Mountain Bike". A porta do motorista só abria por fora, a alavanca da marcha parecia uma cobra embriagada sem saber onde parar, 1ª, 2ª, 3ª, 4ª ou ré. Quem sabia ? Os bancos detonados pelo calor do sol, mas de couro, um bagaço, o piso mais parecia uma cocada baiana soltando lascas de ferrugem a qualquer contato. O revestimento do teto estava bom e o painel funcionando todas as indicações, mas a direção ficava grudando os pedaços na nossa mão. Tudo original ! Por incrível que pareça, todo durinho e aprumado. De bom mesmo só 4 pneus "Michelym", novinhos. Esta "Pereba" passou 5 anos na garagem exposto a sol e chuva por causa do gerador que comeu 3 baterias zero. Como Ernesto não tinha grana sobrando, abandonou o coitado.
Em 2010 apareceu um maluco disposto a comprar o fusca 1980 para uma reforma total, Celso. Acho que até passará a fazer parte do " Clube do Fusca" em Fortaleza. Dois mil reais foi o preço acertado pelo negócio, mas teria que passar uns dias antes da viagem na oficina do Valdemar para uma rápida revisão no translado do Crato para Fortaleza. Foram feitos uns arranjos, bateria nova e o fusca funcionou.
- Imaginem quem foi a navegadora da corrida maluca?
- Eu, euzinha mesma!
Dia 2 de Janeiro de 2011 às 9:30hs saímos pela Vilalta para pegar a estrada do "Algodão" até o nosso destino. Bagagem até o teto, incluindo: ventilador, lanche, refrigerante, comida de cachorro e o próprio no meio da "fusaca". Tínhamos tudo a bordo, menos: estepe, chave de rodas, macaco e qualquer ferramenta. Foi colocado 20 reais de gasolina para testar algum possível vazamento no tanque e bem sentados na frente Celso e eu amarrados por um só nó pois os cintos não tinham mais as fivelas de segurança. Documento certinho, transferido em Dezembro por ocasião da compra, IPVA em dia, vamos nós e que Deus nos proteja.
Por segurança estávamos escoltados pelo meu filho Pedro Julio com a turma jovem a bordo da "Eco Sport 2010". O "Pereba" corria aos 80 e nem sentia a trepidação da estrada sem asfalto da "Ponta da Serra" até "Dom Quintino". A poeira era enorme e se fechasemos os vidros não suportávamos o calor e se abrisse comia pó e cabelo ao mesmo tempo. Era o jeito seguir fechado mesmo.
De repente um alarme.
- Depressa Edilma, se baixa aí e tenta soltar o cabo do acelerador que emperrou e a ladeira abaixo é grande !
Meu coração cheio de pavor e eu enfiada nos pedais tentando soltar o cabo acelerador...
- Pronto consegui, ufa ! Foi por pouco !
Ao olhar pelo retrovisor vi os faróis e lanternas da "Eco Sport" dando sinal para encostar... O que será agora ? Era para avisar que se continuasse a cair mais pedaços como os da descarga e para-lamas pelo caminho, ia chegar em Fortaleza apenas o chassis, o câmbio e os quatro pneus, pois o para-choques traseiro estava se arrastando já fazia um tempo.
Paramos o "Pereba" e não tínhamos nada para prender o para-choques, nem uma cordinha, nem um arame, nada... Celso rapidamente tirou o cinturão das calças e deu várias voltas até conseguir prender a fivela, e tome estrada de novo... O ponteiro do combustível já dava sinal que era hora de reabastecer e paramos em Iguatú.
- Encha o tanque, é gasolina aditivada. Aqui está a chave!
E no outro carro Pedro Julio recomendou:
- Encha o tanque, é gasolina comum e aquele cara do "Fusca" ali paga a nota.
E saiu para a lanchonete e a moça frentista deu uma risada pensando ser uma piada pois o motorista do "Fusca" depois de se deitar na estrada de barro para o conserto estava um lixo.
Carro abastecido, tanque cheio e vamos nós outra vez. O cheiro forte de gasolina embrulhou o meu estômago e o faro do cachorro o deixou inquieto. O que será agora ? Ora, um carro que fazia tanto tempo que não via tanto combustível azul no seu tanque, vazava por cima dos meus pés e escorria pelo piso. Agora não tinha jeito, era consumir para acabar o vazamento. Nariz entupido com "Vick Vaporub" e a cara coberta com a minha toalha, fazer o que ? Eu cheirava a gasolina da cabeça aos pés que se tivesse alguém por perto dando umas baforadas de fumaça acho que explodiria.
Por onde passava a "Pereba" chamava à atenção. O carro mais feio do Ano Novo correndo feito uma bala: 100, 80, 80, 100.
E entre paradas para prender o capô, os para-lamas, a tampa do motor, o para-choques e soltar o cabo do acelerador, chegamos à Fortaleza precisamente às 16:45 minutos, tempo recorde para um carro que estava parado a cinco longos anos...
- Outra aventura dessas ? Nunca mais !
Se aquele "Fusca" falasse ...
Edilma Rocha
PÉROLA NOS BASTIDORES - POR EDILMA ROCHA
Edilma disse ...
Claude,
Por onde andaste na infância
fui sua sombra amiga
Aprendemos o linguajar do matuto
o dançar buliçoso,
a comer no tacho capitão com farinha
Aprendemos a montar no cavalo
a pescar no açude,
a plantar hoje para colher amanhã
folhas e legumes no lugar do jardim
Aprendemos a ouvir no escuro
historias do outro mundo
a pisar de mansinho e respirar fundo
Aprendemos o gosto da simplicidade
vivida no matuto fora da cidade
na sua roupa surrada
nos seus pés no chão
no seu colo amigo
que ensinou o perdão
Aprendemos que matar é morrer
cada sentimento antes mesmo de nascer
Que a vida é bela
quando se é feliz
e que fica a saudade
plantada no coração
de alguem que viveu a mais pura ilusão.
Por onde andaste na infância
fui sua sombra amiga
Aprendemos o linguajar do matuto
o dançar buliçoso,
a comer no tacho capitão com farinha
Aprendemos a montar no cavalo
a pescar no açude,
a plantar hoje para colher amanhã
folhas e legumes no lugar do jardim
Aprendemos a ouvir no escuro
historias do outro mundo
a pisar de mansinho e respirar fundo
Aprendemos o gosto da simplicidade
vivida no matuto fora da cidade
na sua roupa surrada
nos seus pés no chão
no seu colo amigo
que ensinou o perdão
Aprendemos que matar é morrer
cada sentimento antes mesmo de nascer
Que a vida é bela
quando se é feliz
e que fica a saudade
plantada no coração
de alguem que viveu a mais pura ilusão.
Edilma Rocha
São longos
os dias e as noites
que escondem
meus desejos proibidos.
Ninguém vê
meu corpo despido
do íntimo pudor.
Revela-se a imagem
pura e intocável.
Como por encanto,
cerro os olhos
inundados de lágrimas
por migalhas de amor.
E aguardo
pacientemente
por novas emoções
na descoberta por encanto,
que ainda vive
por debaixo do meu ser.
Cabras Pastando - Sérgio Sampaio

CABRAS PASTANDO
(Letra e música: Sérgio Sampaio)
Eu tenho
um dom de causar consequências
um ar de criar evidências
um sapato novo no lixo
vem cá,
vem me lembrar
que eu venho
de um bando de cabras pastando
de um ninho de cobras me olhando
de herói, de poeta e bandido
Eu vejo
um simples carneiro no pasto
cachorros latindo pra lua
e eu distraído e sem medo
indo pra rua
em tempo
de ver os cordeiros
que amam fechados nos quartos
e pagam pecados a Deus.
(Letra e música: Sérgio Sampaio)
Eu tenho
um dom de causar consequências
um ar de criar evidências
um sapato novo no lixo
vem cá,
vem me lembrar
que eu venho
de um bando de cabras pastando
de um ninho de cobras me olhando
de herói, de poeta e bandido
Eu vejo
um simples carneiro no pasto
cachorros latindo pra lua
e eu distraído e sem medo
indo pra rua
em tempo
de ver os cordeiros
que amam fechados nos quartos
e pagam pecados a Deus.
.
P.S.: Esta letra me veio à memória lendo o texto de Edilma - POR ENTRE SAUDADES, postado mais embaixo.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Ser Transparente
- Claude Bloc -
As vezes me pergunto por que é tão difícil ser transparente... Quando falo “ser transparente” não é simplesmente e apenas ser sincero/a, não enganar os outros. É muito mais do que isso... É a pessoa ter coragem de se expor, de se mostrar frágil, de chorar, de ajudar, de se doar, de perdoar, de ser solidário/a, de falar o que sente...
Ser transparente é desnudar a alma e deixar cair as “máscaras”, baixar as armas, destruir os muros enormes que insistimos tanto em levantar... Ser transparente é ir à luta em busca de um sonho, é permitir que toda a nossa doçura, nosso amor, desabroche e até transborde.
O que podemos perceber é que infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. De um modo geral se prefere a dureza da razão à leveza que exporia toda a nossa fragilidade humana.
Muitas vezes preferimos o “nó na garganta” às lágrimas que vêm nos socorrer trazendo alívio. Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar diante da verdade e admitir que não sabemos de tudo, que temos medo.
Muitas vezes construimos uma “máscara” que nos distancia cada vez mais de quem realmente amamos e preferimos manter essa imagem que nos dá a sensação de proteção, mas que nos esvazia e nos dilacera. E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos. Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas porque somos como folhas secas, nos perdemos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado.
Com o passar do tempo, acabamos por nos envolver num vazio frio e escuro e quando acordamos percebemos que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar: a doçura, a compreensão, o amor, a amizade, a doação, a solidariedade, o perdão, a ajuda...
E, no entanto, tudo isso pulsa e grita dentro de nós, só que já não temos coragem de mostrar, pois aprendemos que é mais fácil simplesmente dizer: “Você está me machucando, me magoando”.
Aprendemos, que ser fraco, é ser bobo, é ser menos. Mas, na verdade o que devemos fazer é deixar explodir toda a doçura que sentimos sem prender o choro, sem conter a gargalhada, sem esconder tanto o nosso medo, sem desejar parecer invencíveis. Simplesmente sendo transparentes.
Claude Bloc
Adaptação do texto de Rosana Braga
http://www.rosanabraga.com.br/index.php?pagina=artigos
Adaptação do texto de Rosana Braga
http://www.rosanabraga.com.br/index.php?pagina=artigos
(INTER)TEXTUALIZANDO COM CHAGAS - Por Claude Bloc
* Claude
despe-se na noite
em fuga
e em retalhos se desdobra
nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro
nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro
poesia no espaço
céu de cetim em lábios exangues
véus de promessas,
silêncios apagados
olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias
olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias
de lembranças opostas
impostas
dispostas
no vazio da obscuridade
com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais
com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais
com saudade
escreveria o mistério
os traços, os sinais
dessa chama que arde e
se extingue ao amanhecer
vinho
cigarros
livros
poemas
aí se faz uma morada
acima do tom sombrio
dessa tarde toda de ocre
criando raízes num coração oco
com todos os seus enganos
dúvidas mas também vozes
desfilando canções
porque nem tudo é triste
e a tarde é tudo
nessa sede infinita
nessa “promessa de sol
contra a solidão”.
de tarde II
quando chega a tarde
sobre as palmeiras
e longe gemem pássaros de palha
é certo que os homens
fogem da fome
de amor semeada
nas ruas onde
seus passos ficarão
de fato
na prisão do tempo
nasce um de olhos vermelhos
não do sangue
mas da luz
toda de espadas
e as faces expostas
ao sol insuportável do meio dia
pra onde vou não sei
nuvens abraçadas ao ar
sobre as espáduas
o mundo na oca cabeça oca
os mares na boca
nenhuma palavra
que saiba traçar as linhas
no azul e seus segredos
abrindo o mar
na alma de queixosos peixes
sobre as palmeiras
e longe gemem pássaros de palha
é certo que os homens
fogem da fome
de amor semeada
nas ruas onde
seus passos ficarão
de fato
na prisão do tempo
nasce um de olhos vermelhos
não do sangue
mas da luz
toda de espadas
e as faces expostas
ao sol insuportável do meio dia
pra onde vou não sei
nuvens abraçadas ao ar
sobre as espáduas
o mundo na oca cabeça oca
os mares na boca
nenhuma palavra
que saiba traçar as linhas
no azul e seus segredos
abrindo o mar
na alma de queixosos peixes
POR ENTRE SAUDADES - Por Edilma Rocha
O meu coração se encheu de expectativas ao entrar no carro rumo a Fazenda Serra Verde depois de tantos anos. Ao meu lado Ricardo e Claude e lá estávamos nós, os três entre sorrisos e prosas ao encontro de Rita, nossa guardiã da infância.
Quando saímos do asfalto e entramos por uma estrada de calçamento em Dom Quintino, era realmente o começo dos encontros com os antigos moradores que se instalaram por ali.
As casinhas simples de um colorido vibrante abrigavam os amigos da Fazenda que nos recebiam com alegria novamente. Um delicioso café com bolo de milho lembrava o passado e um picolé de castanha guardado no congelador demonstrava a atualidade. Nos quintais o recanto das flores, das cascas de laranjas ao sol, das galinhas e dos porquinhos como a esperar o clique de nossas máquinas fotográficas.
Registramos tudo. Tudo era festa com a nossa chegada, até o gatinho amarelo brincava de esconde- esconde com um filhote de cão por entre as pernas de Ricardo. A amizade pura entre supostos rivais já representava o caminho para a Fazenda França Livre.
As casinhas simples de um colorido vibrante abrigavam os amigos da Fazenda que nos recebiam com alegria novamente. Um delicioso café com bolo de milho lembrava o passado e um picolé de castanha guardado no congelador demonstrava a atualidade. Nos quintais o recanto das flores, das cascas de laranjas ao sol, das galinhas e dos porquinhos como a esperar o clique de nossas máquinas fotográficas.
Registramos tudo. Tudo era festa com a nossa chegada, até o gatinho amarelo brincava de esconde- esconde com um filhote de cão por entre as pernas de Ricardo. A amizade pura entre supostos rivais já representava o caminho para a Fazenda França Livre.
E lá estávamos nós entrando na estrada de terra, antigo caminho para a Serra Verde. Não nos incomodava o sacudir do carro por entre as pedras da estrada sinuosa e empoeirada. Grande foi a emoção quando nos deparamos com o arco que faz a divisa das terras. Dali por diante estávamos na Serra Verde. A velha estrada até a subida do Morro do Cabloco, passando pelos pastos da engorda e as ruínas do engenho de cana de açúcar.
Coração apertado e chegamos ao sangradouro do açude que nos levava até a antiga escola e depois a Igrejinha de Santa Joana D'arc. Depois da curva logo após a subida, lá estava ela, a casa da Fazenda, ainda de pé desafiando as intempéries do tempo.
Coração apertado e chegamos ao sangradouro do açude que nos levava até a antiga escola e depois a Igrejinha de Santa Joana D'arc. Depois da curva logo após a subida, lá estava ela, a casa da Fazenda, ainda de pé desafiando as intempéries do tempo.
Foi um momento de emoção ficar por alguns instantes a contemplar aquele lugar tão cheio de lembranças. Não mais encontrei meu pé de Cajarana com nossos nomes gravados em fantasias infantis e juras de amor e nem o colorido das flores do imponente Buganville que enchia de beleza a frente da casa. A escada rachada, as telhas da varanda que não a protegiam do sol e da chuva por inteiro e a pintura desbotada deixando visível as marcas do tempo. Mas a velha plaquinha de flandre pintada, ainda continuava ali com os dizeres " França Livre".
Escolhi para um ângulo fotográfico um monte de arames jogados num canto tal qual uma trincheira de guerra a proteger dos inimigos a vida ainda viva nos descendentes que ali passeiam. Cada canto uma saudade e a cada passo um pedaço de nossas vidas.
A sala grande com a velha estante cheia de livros, o corredor, os quartos, a sala de jantar e a cozinha com o mesmo fogão a lenha que preparou tantas delícias para nós depois das cavalgadas. Estava tudo a nossa frente, real e palpável. O quarto de Dona Janine com a linda vista para o açude e lá fora a natureza continuava exuberante. Se lá dentro os antigos habitantes não estavam mais ali para pintar e consertar os estragos do casarão, lá fora Deus tomou conta de tudo. No azul do açude com o morro do Cabloco refletido nele feito um espelho de luz e cada plantinha, cada flor e cada árvore.
Corri cada canto do lugar e reencontrei os moradores que permaneceram para receber com alegria os meninos das férias do passado, hoje adultos e cheios de sabedoria. Na noite coberta por estrelas a brisa fria que cobria de orvalho o verde da Fazenda como um verdadeiro milagre para preservar a beleza natural. O silencio enchia o coração de paz e tranquilidade numa verdadeira fuga do stress e novamente estávamos os três amigos irmãos sentados no sofá da sala a relembrar antigas histórias. E ao pisar o assoalho, o ranger da velha madeira nos dava a certeza da presença de Papí, Mamí, Hubert e Janine a nos acolher novamente. A casa era a mesma, mais sem a vida de outrora e a falta das pessoas da família ficou em cada canto. O meu quarto com Dominique já não existia mais, deu lugar à ampliação da sala. Restaram o quarto de Mamí, intacto, perfeito com os mesmos móveis, o quarto de Claude com Teresa, o dos meninos e a galeria dos banheiros que ainda guarda a lembrança dos mais audaciosos fumando escondido.
Ficou a certeza da Serra Verde de antes, com Hubert produzindo com fartura, motivo de orgulho para o Cariri e a Serra Verde de agora, vazia, triste, sem vida, aqui e alí ruínas como marcos de uma história. Uma casa vazia, em dores por entre as suas rachaduras, uma casa que mora a saudade dos tempos da "França Livre", dos tempos da nossa infância ...
Edilma Rocha
Escolhi para um ângulo fotográfico um monte de arames jogados num canto tal qual uma trincheira de guerra a proteger dos inimigos a vida ainda viva nos descendentes que ali passeiam. Cada canto uma saudade e a cada passo um pedaço de nossas vidas.
A sala grande com a velha estante cheia de livros, o corredor, os quartos, a sala de jantar e a cozinha com o mesmo fogão a lenha que preparou tantas delícias para nós depois das cavalgadas. Estava tudo a nossa frente, real e palpável. O quarto de Dona Janine com a linda vista para o açude e lá fora a natureza continuava exuberante. Se lá dentro os antigos habitantes não estavam mais ali para pintar e consertar os estragos do casarão, lá fora Deus tomou conta de tudo. No azul do açude com o morro do Cabloco refletido nele feito um espelho de luz e cada plantinha, cada flor e cada árvore.
Corri cada canto do lugar e reencontrei os moradores que permaneceram para receber com alegria os meninos das férias do passado, hoje adultos e cheios de sabedoria. Na noite coberta por estrelas a brisa fria que cobria de orvalho o verde da Fazenda como um verdadeiro milagre para preservar a beleza natural. O silencio enchia o coração de paz e tranquilidade numa verdadeira fuga do stress e novamente estávamos os três amigos irmãos sentados no sofá da sala a relembrar antigas histórias. E ao pisar o assoalho, o ranger da velha madeira nos dava a certeza da presença de Papí, Mamí, Hubert e Janine a nos acolher novamente. A casa era a mesma, mais sem a vida de outrora e a falta das pessoas da família ficou em cada canto. O meu quarto com Dominique já não existia mais, deu lugar à ampliação da sala. Restaram o quarto de Mamí, intacto, perfeito com os mesmos móveis, o quarto de Claude com Teresa, o dos meninos e a galeria dos banheiros que ainda guarda a lembrança dos mais audaciosos fumando escondido.
Ficou a certeza da Serra Verde de antes, com Hubert produzindo com fartura, motivo de orgulho para o Cariri e a Serra Verde de agora, vazia, triste, sem vida, aqui e alí ruínas como marcos de uma história. Uma casa vazia, em dores por entre as suas rachaduras, uma casa que mora a saudade dos tempos da "França Livre", dos tempos da nossa infância ...
Edilma Rocha
de tarde
a tarde não cumpre a promessa
de sol contra a solidão
de quem espera
nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro
olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias
com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais
vinho
cigarros
livros
poemas
aí se faz uma morada
acima do tom sombrio
dessa tarde toda de ocre
criando raízes num coração oco
com todos os seus enganos
dúvidas mas também vozes
desfilando canções
porque nem tudo é triste
na tristeza que existe
de sol contra a solidão
de quem espera
nuvens desenham um céu
que mal cabe no coração
de quem escreve por temor
de que o dia resulte em palavras estropiadas
poesia no escuro
olhos castanhos de um nada casto
no horizonte não vislumbram
senão a certeza de uma cidade
toda feita de memórias
com a palavra saudade
escreveria seu nome
mas saudade é uma coisa que consome
e deixa marcas dessas que se fazem com fogo
para nunca mais
vinho
cigarros
livros
poemas
aí se faz uma morada
acima do tom sombrio
dessa tarde toda de ocre
criando raízes num coração oco
com todos os seus enganos
dúvidas mas também vozes
desfilando canções
porque nem tudo é triste
na tristeza que existe
Sísifo
Entrou em casa , à noite, como se trouxesse no corpo as feridas de uma batalha. Os dias todos pareciam uma xerox de um só . Trabalho repetitivo de tabelião de cartório, imerso no cofre da fina burocracia: escrituras, registros civis e de óbitos, reconhecimento de firmas. Olhava para aquele mundão de livros velhos e sobrenadava-lhe a certeza: ali , no cartório, estava depositada a vida perdida de várias gerações. Prazeres que não foram desfrutados, viagens que deixaram de ser feitas, felicidade enfim que acabou encarcerada em páginas esmaecidas, aguardando a sanha feroz dos inventários.O estranho é que, com o passar do tempo, aquela inutilidade armazenada nas prateleiras empoeiradas começou a inundar um pouco a sua própria existência, como se seu mundo, de alguma maneira, fosse sendo também aprisionado entre carimbos e certidões. O patrão, rígido, já tinha aquela cara esquisita de formato partilha. Até mesmo o descanso do domingo adquirira uma feição cartorial: ou Faustão ou Sílvio Santos. Sentia-se, como tantos dos seus clientes, um pouco órfão, ausente e interdito. Pois foi com aquela cara de arquivo morto que entrou em casa, por volta das 20 horas. Dirigiu-se para a mesa da sala em busca do jantar, já olhando , com o rabo do olho, a rede que o esperava atravessada na varanda. Estranhamente não viu pratos , nem talhares. Súbito, a mulher saiu do quarto e, sorridente, andou em sua direção. Estava maquiada, cabelo esticado às custas de uma escovinha de última hora e vestia um longo , preto, ainda com o cheiro da loja. Pensou, rapidamente, que ela devia estar voltando de alguma festinha da escola do filho. Com a barriga protestando, pediu-lhe que servisse o jantar. A esposa franziu o cenho , não deu palavra e retornou cabisbaixa, apagando os próprios passos . Ele recostou-se na rede e ficou imaginando o que poderia ter ocorrido: alguma fofoca de vizinha, um telefonema anônimo, alguma festa em casas de amigos ou na toca daquela jararaca da sua sogra, que havia esquecido ? Antes que chegasse a alguma conclusão, ouviu uns soluços secos que ressoavam a partir das paredes do quarto. Correu para lá e deu com a esposa aos prantos, sentada na cama, com a maquiagem já toda borrada. Que diabos estava acontecendo ? Achegou-se e perguntou, carinhosamente do que se tratava:--- O que aconteceu ,Terezinha?Você está doente? Está sentindo alguma dor ?Levantaram algum falso contra mim ? Quer que eu lhe ajude a tirar esta roupa de festa ?
Terezinha , muda, apenas chorava convulsivamente e aumentava o tom do pranto, em uma oitava, a cada nova pergunta do marido. Em pouco , a patroa parecia um soprano interpretando uma ópera desconhecida. Ele achou mais sensato parar e voltar à rede da varanda onde tentou , sem êxito, descobrir o enigma. Adormeceu em meio ao cansaço e a fome e sonhou com uma terra em formato de almofada, assolada por uma tempestade de carimbos. Despertou cedinho e retornou para a tarefa de Sífiso. Não adiantava mexer com aquela sensitiva, ressonando ainda com o vestido da véspera na cama. Ao retornar, à noite, encontrou-a ainda trombuda e só , então, descobriu o erro fatal: esquecera seu aniversário de vinte anos de casado. A esposa o aguardara, ontem, para um jantar a luz de velas e algum presentinho que relembrasse a data. Passara batido. Tentou desculpar-se , sabendo de antemão que para tal crime não haveria perdão, não tinha sursis, era inafiançável : estaria condenado ad eternum .
Tentou minar aquele coração pétreo com afagos, com uma posição diferente na cama, com um almoço arrumado de última hora e um perfume francês. Mas tudo parecia exatamente o que era : uma tentativa vã de corrigir um erro imperdoável. Usou então o argumento derradeiro , deslocou-se até uma floricultura e encomendou um bouquê de rosas vermelhas , aquelas que trazem o cor flamejante da paixão . Junto anexou um cartãozinho dourado , com dois pombinhos ,aos beijos em um dos cantos, e sapecou a cantada em letra bonita, com seu linguajar de tabelião:
“ Para Terezinha,
Meu maior bem móvel.
Amo-te
O referido é verdade.
Dou Fé .
Osvaldo"
Meu maior bem móvel.
Amo-te
O referido é verdade.
Dou Fé .
Osvaldo"
Depois das flores o clima melhorou um pouco, as coisas foram voltando para o devido lugar. . Qualquer briguinha , no entanto, qualquer arrufo e lá ressuscita o terrível pecado de omissão :
--- Você não lembra, não ? Até nosso aniversário de casamento você esqueceu ...
Aprendeu, tardiamente, que o coração feminino tem arquivos impecáveis e de facílimo acesso. O detalhismo está profundamente entranhado naquelas almas :Terezinha perdoou , mas não esqueceu. Osvaldo comprou agenda eletrônica, marca as datas importantes no calendário sobre seu bureau, usa até a Internet, temendo uma recorrência fatal no mesmo crime hediondo. Contratou até algumas testemunhas que possam falar a seu favor em casos mais melindrosos. Percebe, porém, que como na vida, nos livros de tombo do sentimento não é possível passar procuração e nem substabelecer.
J. Flávio Vieira
Como aprender a escrever?
Por Rafael Rodrigues
Acrescente popularização da internet nos últimos anos trouxe à tona uma verdade da qual poucos desconfiavam, mas que agora é notória: o número de pessoas que gostam de escrever e querem ser lidas é muito maior do que se imaginava. Prova disso é a quantidade de blogs criados na rede mundial de computadores.
Segundo o site BlogPulse (www.blogpulse.com), existem mais de 143 milhões de blogs no mundo inteiro - até o fechamento desta matéria -, sendo que alguns desses endereços virtuais são mantidos não apenas por uma pessoa, mas por duas ou mais, as chamadas equipes de blogs coletivos. É possível encontrar desde espaços destinados a simples desabafos sobre o dia a dia até blogs que abrigam textos longos e reflexivos sobre temas variados.
Mas o que leva alguém a escrever e publicar na internet? É possível que o grande chamariz seja a possibilidade de ter seus textos lidos por conhecidos e desconhecidos do mundo inteiro, sem muito mais trabalho que o de escrever e clicar no botão de postagem. O ato de escrever repentinamente se tornou um hábito para pessoas que antes nem sequer mantinham um bom e velho querido diário. Com tanta gente escrevendo virtualmente, não demoraria muito para que os autores da internet começassem a sentir necessidade de transformar suas páginas virtuais em páginas impressas.
Também não demorou para que as editoras enxergassem esse filão literário e em pouco tempo vários blogs foram transformados em livros ou, ao menos, seus autores foram convidados a engrossar as fileiras dos que têm livros publicados pelo modo ortodoxo nas prateleiras das grandes livrarias. Entretanto, não é preciso passar as noites rezando para que um funcionário influente de uma grande editora vá parar no humilde endereço do seu blog. Há maneiras mais fáceis de publicar seu livro.
Comparado com o crescimento vertiginoso da internet e dos blogs, pode-se dizer que essa mudança de visão foi lenta, mas na última década os avanços tecnológicos fizeram com que o processo de publicação independente de um livro se tornasse relativamente fácil. O site Clube de Autores (www.clubedeautores.com.br), por exemplo, permite que o escritor edite seu livro sem sair de casa. Basicamente, basta enviar o arquivo do original a ser publicado, definir as preferências de tamanho, montar a capa, dar preço ao volume e pronto: qualquer pessoa pode adquirir a obra através do site. Como a impressão é feita sob demanda, ou seja, o livro só é impresso se alguém fizer o pedido e pagar por ele, não há risco de que o escritor ou a empresa saiam no prejuízo.
No entanto, por mais que tenha ficado cada vez mais fácil escrever e publicar um livro sem sair da frente do computador e ainda que alguns ditos escritores imaginem que para se produzir a obra capital da literatura mundial basta ser alfabetizado, pode-se dizer que o excesso de segurança não é o forte dessa nova geração de escritores. Dessa forma, a procura por oficinas literárias aumentou - e muito. Afinal, quem tem experiência na área sabe bem que escrever não é uma tarefa fácil.
Assim, surgiram no Brasil cursos destinados à formação de escritores. O problema é que o custo dos tais cursos é relativamente alto. Para cursar a oficina de criação literária da Academia Internacional de Cinema de São Paulo, por exemplo, é preciso desembolsar R$ 1.800,00 por cinco meses de aulas.
Mas se oficinas e cursos estão fora da realidade financeira de muitos aspirantes a novo expoente da literatura brasileira, existem saídas bem mais cômodas e em conta. Há, por exemplo, livros, parte de um gênero que poderia ser chamado de "auto-ajuda para escritores", obras que visam a motivar as pessoas a escrever e, mais que isso, ensinar-lhes a melhor maneira de fazê-lo.
A Conhecimento Prático Literatura inaugura aqui uma série de matérias especialmente voltadas para aspirantes a escritor. Resenharemos as principais obras que querem ensinar e auxiliar àqueles que pretendem se prestar à tão nobre tarefa de escrever e traremos conselhos de escritores que já estão experienciados na labuta do mercado editorial brasileiro. Aspirantes, divirtam-se.
Rafael Rodrigues é editor-assistente e colunista do site Digestivo Cultural, além de colaborador de outros veículos. Mantém o blog Entretantos (http://bravonline.abril.com.br/blogs/entretantos).
Fonte: http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/33/mercado-editorial-como-aprender-a-escrever-194413-1.asp
Fonte: http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/33/mercado-editorial-como-aprender-a-escrever-194413-1.asp
Ulisses Germano - O poeta no Diário do Nordeste !
Diário do Nordeste
Sábado 8/1/2011
O poeta cearense Ulisses Germano: "O que escrevo faz menção às coisas que leio, vejo e escuto. Não é o erudito pelo erudito, são aprendizados adquiridos que costumo registrar"
8/1/2011
Explorar elementos com teor mais erudito na literatura de cordel é uma das propostas trazidas pelo professor e artista plural Ulisses Germano. Sua poética tem como fonte inspiradora a vida e os sentimentos humanos
Bom de prosa, Ulisses Germano arranca sonoridade das palavras e poesia de tudo aquilo que vê ou sente. Cordelista, artista plástico, professor, músico e poeta, ele tira de suas próprias experiências de vida a inspiração necessária para seus cordéis. "Retiro muitos elementos da cultura nordestina. Escrevi um folheto chamado ´A História do Espinho que Furou os Olhos de Lampião´. Nesse cordel, dou voz e vez ao Espinho que expõe o seu discurso sobre a temática do cangaço que envolve muito lirismo, mas também fraudes, crimes e corrupções. O espinho de quipá encontra no meio de uma cancela um corrupto que começa a execrar a imagem de Lampião".
O cordelista completa: "muita coisa tem sido escrita sobre o cangaço, então eu resolvi escrever essa fábula. O corrupto tenta subornar e comprar o Espinho. Ele se enfurece e depois se acalma tentando explicar para o deputado corrupto que tem muita gente que confunde memória curta com consciência tranquila. No folheto ´A Poética da Indiferença´, eu e Josenir Lacerda defendemos a tese de que o oposto do amor não é o ódio: é a indiferença. No ódio você ainda identifica o objeto odiado: ´Eu lhe odeio!´. Na indiferença o objeto é negado com mais perversidade. É lógico que um assunto tão abrangente como esse não pode ser abordado em sua inteireza nos 32 parágrafos de um folheto, mas o cordel também pode ser catarse".
Da parceria com a amiga e também cordelista Josenir Lacerda, ele faz emergir belezas como a "Poética da indiferença", a "Poética da inveja" e a "Poética do cangaço". Além das produções individuais: "A quintessência da existência" e o já citado "A história do espinho que furou o olho de Lampião".
Há quatro anos, o professor vem se aventurando pela literatura de cordel. Paixão antiga que lhe segue desde os tempos de menino. "Nunca na vida tinha me atrevido a fazer versos obedecendo à métrica e à rima. Um dia a poetisa Josenir Lacerda lançou um desafio de escrever um folheto de cordel em parceria. No começo eu relutei, mas Josenir tem a maestria do convencimento e eu acabei acreditando que realmente poderia fazer um cordel. Portanto, meu primeiro cordel foi escrito em parceria com ela", explica. Por entre métricas e rimas, Ulisses Germano recupera lembranças ou, simplesmente, solta versos sobre amores, política, seres inanimados e pessoas reais. O cordel é aquilo que o torna leve. É o que lhe faz expurgar as dores e os rancores. Não é literatura inferior, como se apressa em dizer, mas a vida ritmada. De feitura tão difícil como um soneto.
"Uma boa amizade/ irmanada no respeito/ dura uma eternidade/ não deixa marca no peito/ o amor é uma semente/ que nasce dentro da mente/ que ama de qualquer jeito/Não é fácil conviver/ muito menos preservar/ o bom amigo quer ver/ o outro amigo lutar/ sem invejar seu sucesso facilita o processo/ que conduz ao verbo amar" (um trecho de "A quintessência da existência").
Encantamento
Nascido em Iguatu e radicado no Crato, Ulisses Germano herdou dos avós, o clarinetista José Facundo e a bandolinista Ormecinda Correia, o amor pelas artes. Sentimento que lhe fez explorar diferentes áreas artísticas. Já criou na música, na literatura e nas artes plásticas. Uma imersão que o possibilita reinventar sua arte.
A favor de um cordel que fuja do "matutês", como gosta de enfatizar, Ulisses Germano traz para seus cordéis elementos e temáticas mais acadêmicas. "Meus amigos brincam comigo que meus cordéis precisam de notas de rodapé. O que escrevo faz menção às coisas que leio, vejo e escuto. Não é o erudito pelo erudito, são aprendizados adquiridos que costumo registrar".
Para ele, o cordel é um universo cheio de encantamentos. O primeiro, em sua opinião, diz respeito ao formato dos folhetos ilustrados por xilogravuras. "Considero o cordel o nosso primeiro livro de bolso. Os que são produzidos pela Academia dos Cordelistas do Crato e pela Lira Nordestina de Juazeiro do Norte ainda preservam a antiga tradição de confeccionar artesanalmente os folhetos. E isso me encanta. É Arte!".
Quanto aos outros encantamentos apontados por Ulisses, estão a métrica e o ritmo que as palavras rimadas impõem para a cadência de sua leitura. "Um cordel bem lido é pura música. Todos os assuntos podem ser abordados na literatura de cordel. Nunca podemos esquecer que essa arte é fruto da oralidade, e a multiplicidade de temas abordados por esse estilo de escrever ao longo dos anos atestam essa verdade".
Para este ano, o cordelista prepara vários projetos, perpassando diferentes campos artísticos. "Estou também produzindo trilhas para filmes documentários: ´Fundação Romualdo´; ´Um milagre paleontológico de Bola Bantim´; ´Professor Álamo da URCA´; e ´Água pra que te Quero´, da fotógrafa Nívea Uchôa. Todos serão lançados este ano. Meu mais recente cordel é intitulado ´A Proeza do Peixe Pedra´".
Ulisses Germano diz adorar esta alcunha: "Peixe Pedra! E como não poderia deixar de ser, eu também dou voz e vez para o Peixe Pedra que tem a mania de declamar sextilhas: O passado é infinito/ O futuro também é / A origem está no mito /Da Ciência e da Fé / No longo e lento atrito / Da pedra com a maré".
ANA CECÍLIA SOARES
REPÓRTER
Sábado 8/1/2011
O poeta cearense Ulisses Germano: "O que escrevo faz menção às coisas que leio, vejo e escuto. Não é o erudito pelo erudito, são aprendizados adquiridos que costumo registrar"
8/1/2011
Explorar elementos com teor mais erudito na literatura de cordel é uma das propostas trazidas pelo professor e artista plural Ulisses Germano. Sua poética tem como fonte inspiradora a vida e os sentimentos humanos
Bom de prosa, Ulisses Germano arranca sonoridade das palavras e poesia de tudo aquilo que vê ou sente. Cordelista, artista plástico, professor, músico e poeta, ele tira de suas próprias experiências de vida a inspiração necessária para seus cordéis. "Retiro muitos elementos da cultura nordestina. Escrevi um folheto chamado ´A História do Espinho que Furou os Olhos de Lampião´. Nesse cordel, dou voz e vez ao Espinho que expõe o seu discurso sobre a temática do cangaço que envolve muito lirismo, mas também fraudes, crimes e corrupções. O espinho de quipá encontra no meio de uma cancela um corrupto que começa a execrar a imagem de Lampião".
O cordelista completa: "muita coisa tem sido escrita sobre o cangaço, então eu resolvi escrever essa fábula. O corrupto tenta subornar e comprar o Espinho. Ele se enfurece e depois se acalma tentando explicar para o deputado corrupto que tem muita gente que confunde memória curta com consciência tranquila. No folheto ´A Poética da Indiferença´, eu e Josenir Lacerda defendemos a tese de que o oposto do amor não é o ódio: é a indiferença. No ódio você ainda identifica o objeto odiado: ´Eu lhe odeio!´. Na indiferença o objeto é negado com mais perversidade. É lógico que um assunto tão abrangente como esse não pode ser abordado em sua inteireza nos 32 parágrafos de um folheto, mas o cordel também pode ser catarse".
Da parceria com a amiga e também cordelista Josenir Lacerda, ele faz emergir belezas como a "Poética da indiferença", a "Poética da inveja" e a "Poética do cangaço". Além das produções individuais: "A quintessência da existência" e o já citado "A história do espinho que furou o olho de Lampião".
Há quatro anos, o professor vem se aventurando pela literatura de cordel. Paixão antiga que lhe segue desde os tempos de menino. "Nunca na vida tinha me atrevido a fazer versos obedecendo à métrica e à rima. Um dia a poetisa Josenir Lacerda lançou um desafio de escrever um folheto de cordel em parceria. No começo eu relutei, mas Josenir tem a maestria do convencimento e eu acabei acreditando que realmente poderia fazer um cordel. Portanto, meu primeiro cordel foi escrito em parceria com ela", explica. Por entre métricas e rimas, Ulisses Germano recupera lembranças ou, simplesmente, solta versos sobre amores, política, seres inanimados e pessoas reais. O cordel é aquilo que o torna leve. É o que lhe faz expurgar as dores e os rancores. Não é literatura inferior, como se apressa em dizer, mas a vida ritmada. De feitura tão difícil como um soneto.
"Uma boa amizade/ irmanada no respeito/ dura uma eternidade/ não deixa marca no peito/ o amor é uma semente/ que nasce dentro da mente/ que ama de qualquer jeito/Não é fácil conviver/ muito menos preservar/ o bom amigo quer ver/ o outro amigo lutar/ sem invejar seu sucesso facilita o processo/ que conduz ao verbo amar" (um trecho de "A quintessência da existência").
Encantamento
Nascido em Iguatu e radicado no Crato, Ulisses Germano herdou dos avós, o clarinetista José Facundo e a bandolinista Ormecinda Correia, o amor pelas artes. Sentimento que lhe fez explorar diferentes áreas artísticas. Já criou na música, na literatura e nas artes plásticas. Uma imersão que o possibilita reinventar sua arte.
A favor de um cordel que fuja do "matutês", como gosta de enfatizar, Ulisses Germano traz para seus cordéis elementos e temáticas mais acadêmicas. "Meus amigos brincam comigo que meus cordéis precisam de notas de rodapé. O que escrevo faz menção às coisas que leio, vejo e escuto. Não é o erudito pelo erudito, são aprendizados adquiridos que costumo registrar".
Para ele, o cordel é um universo cheio de encantamentos. O primeiro, em sua opinião, diz respeito ao formato dos folhetos ilustrados por xilogravuras. "Considero o cordel o nosso primeiro livro de bolso. Os que são produzidos pela Academia dos Cordelistas do Crato e pela Lira Nordestina de Juazeiro do Norte ainda preservam a antiga tradição de confeccionar artesanalmente os folhetos. E isso me encanta. É Arte!".
Quanto aos outros encantamentos apontados por Ulisses, estão a métrica e o ritmo que as palavras rimadas impõem para a cadência de sua leitura. "Um cordel bem lido é pura música. Todos os assuntos podem ser abordados na literatura de cordel. Nunca podemos esquecer que essa arte é fruto da oralidade, e a multiplicidade de temas abordados por esse estilo de escrever ao longo dos anos atestam essa verdade".
Para este ano, o cordelista prepara vários projetos, perpassando diferentes campos artísticos. "Estou também produzindo trilhas para filmes documentários: ´Fundação Romualdo´; ´Um milagre paleontológico de Bola Bantim´; ´Professor Álamo da URCA´; e ´Água pra que te Quero´, da fotógrafa Nívea Uchôa. Todos serão lançados este ano. Meu mais recente cordel é intitulado ´A Proeza do Peixe Pedra´".
Ulisses Germano diz adorar esta alcunha: "Peixe Pedra! E como não poderia deixar de ser, eu também dou voz e vez para o Peixe Pedra que tem a mania de declamar sextilhas: O passado é infinito/ O futuro também é / A origem está no mito /Da Ciência e da Fé / No longo e lento atrito / Da pedra com a maré".
ANA CECÍLIA SOARES
REPÓRTER
Sacerdotisa
para Socorro Moreira
A tua túnica revela-se encantada
quando o teu sorriso atinge
céus, nuvens, pássaros
e mesmo silenciosa
(formulando nova magia)
dançam teus olhos
risonhos e dóceis
ora sobre o dorso de uma andorinha,
ora nas cintilantes curvas do arco-íris.
(beijo carinhoso minha amiga)
A tua túnica revela-se encantada
quando o teu sorriso atinge
céus, nuvens, pássaros
e mesmo silenciosa
(formulando nova magia)
dançam teus olhos
risonhos e dóceis
ora sobre o dorso de uma andorinha,
ora nas cintilantes curvas do arco-íris.
(beijo carinhoso minha amiga)
Pensamento para o Dia 08/01/2011

“Os tolos que não conseguem compreender a Verdade, que não podem reconhecer a Divindade e o poder de Deus, que não têm fé em Deus, vivem na ilusão de que seus planos vão salvá-los e que podem triunfar pelo seu próprio esforço! O fato é que nem mesmo o menor sucesso pode ser conseguido sem a graça de Deus. Embora isso seja verdade, não devemos ficar com as mãos postas, acreditando que uma coisa acontecerá se e quando Deus quiser. O esforço humano é essencial e todos devem se esforçar. Você deve usar a força e a habilidade que é dotado e ser resoluto para continuar com o trabalho, depositando em Deus a responsabilidade pelo sucesso. Pois, sem a graça de Deus, todo o esforço será infrutífero.”
Sathya Sai Baba
-------------------------------
“Quando você alcançar a realização, sua vida será saturada de inexcedível bem-aventurança Divina (Ananda) e experimentará a unicidade de pensamento, emoção e conhecimento com todos. Você estará em êxtase, imerso no primeiro e único, o Eterno Princípio Divino, pois somente isso pode conferir a alegria. Essa é a verdadeira alegria, não há outra. Deus é a personificação da alegria eterna, pura. Os fiéis a Deus aceitam o axioma de que "Deus é a maior fonte de alegria".”
Sathya Sai Baba
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
DIÁLOGO ENTRE POEMAS
Chagas postou um poema de Octávio Paz e cometi a ousadia de exercitar a intertextualidade (conversa entre textos) procurando não sair do ritmo nem do tom, mas enxugando a amargura expressa pelo autor.
Vejamos:
*Octávio Paz
*Claude Bloc
Dá-me, chama invisível, espada fria,
tua persistente cólera
para acabar com tudo,
tua persistente cólera
para acabar com tudo,
ó mundo árido,
ó mundo exausto,
para acabar com tudo.
ó mundo exausto,
para acabar com tudo.
Dá-me a tua calma, tua palma
tua aparente agonia
para aliviar tua aflição
ó mundo ávido
ó mundo ávido
ó mundo atávico
para aliviar tua aflição.
Arde sombrio, arde sem chamas,
apagado e ardente,
cinza e pedra viva,
deserto sem beira.
para aliviar tua aflição.
Arde sombrio, arde sem chamas,
apagado e ardente,
cinza e pedra viva,
deserto sem beira.
Arde a alegria, arde em chamas
Acesa e ardente
Alegria em terra viva
Aberta, sem parelhas
Arde no vasto céu, laje e nuven,
sob a cega luz que desaba
entre estéreis rochas
Arde no vasto céu, laje e nuven,
sob a cega luz que desaba
entre estéreis rochas
Ardem os sorrisos, ternos, fagueiros
Sob os sonhos que despertam
Entre as férteis cercanias.
Arde na solidão que nos desfaz,
terra de pedra ardente,
de raízes congeladas e sedentasArde a saudade que se desfaz
Arde na solidão que nos desfaz,
terra de pedra ardente,
de raízes congeladas e sedentasArde a saudade que se desfaz
Nos rios e nas suas nascentes
Nos sentimentos sensatos, iminentes
Arde, furor oculto,
cinza que enlouquece,
arde invisível, arde
Arde o amor oculto
Amor que enlouquece
Arde invisível, arde
como o mar impotente parindo nuvens,
onda como o rancor e espumas pétreas.
Entre meus ossos delirantes, arde;
como o mar impotente parindo nuvens,
onda como o rancor e espumas pétreas.
Entre meus ossos delirantes, arde;
arde na oquidão do ar,
forno invisível e puro;
forno invisível e puro;
arde como arde o tempo,
arde como arde a vida
como caminha o tempo entre a morte,
com seus mesmos passos e alento,
arde como a solidão que te devora,
arde em ti mesmo, ardor sem chama
como caminha o tempo entre a morte,
com seus mesmos passos e alento,
arde como a solidão que te devora,
arde em ti mesmo, ardor sem chama
arde a ansiedade e o silêncio
arde a alegria e o lamento
solidão sem imagem, sede sem lábios.
Para acabar com tudo,
ó mundo árido,
para acabar com tudo.
Para acabar com tudo,
ó mundo árido,
para acabar com tudo.
Mas eis que os ventos mudam de repente
E nada mais será como era antes...
Volta o sorriso complacente
Arde a alegria nesse instante
E novamente brota a semente
E a felicidade tão somente.
Faz um tempo
que não tenho o aperto dos seus braços,
o calor do seu corpo.
Que não sinto sua respiração ofegante
e o sabor dos seus beijos molhados.
Procuro em vão
seus sussuros
e me entorpeço nas lembranças
com um desejo,
queimando meu corpo de prazer.
E na solidão,
toco as saliências devagar
em busca de carícias
desejando seu corpo outra vez.
Procuro sentir seu perfume,
seu suor,
seu cheiro nas cobertas.
Preciso de você.
Quero prender sua alma
em correntes de paixão,
quero sentir você.
Faz um tempo...
Preocupante esta nota jornalística, do Ceará Agora.
04/01/2011 - 14:30
Crato entre as cidades com risco muito alto na dengue, segundo Sesa
Por: Márcio Dornelles
O município do Crato está entre as cidades classificadas pela Secretaria de Saúde do Estado com o risco muito alto no mapa da dengue do Ceará. Em 2010, foram notificados no Crato 1.700 casos suspeitos de dengue, sendo 1.400 positivos.
A coordenadora do programa de combate à doença, Aline Franca, acrescenta que a preocupação é maior porque, com a chegada do período chuvoso, o risco de incidência aumenta. O maior número de focos, segundo a Secretaria de Saúde do Crato, está localizado nas residências da periferia. Estão mobilizados 196 agentes de saúde que realizam as ações preventivas em todos os bairros da cidade.
Do acordo com levantamento feito pela Secretaria da Saúde do Estado, dos 184 Municípios cearenses, 41 estão classificados com risco alto de epidemia em 2011 e 45 com risco muito alto. Na macrorregião do Cariri, são classificados como de risco alto os Municípios de Altaneira, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Cedro, Jardim, Jucás, Nova Olinda, Orós, Piquet Carneiro, Salitre e Santana do Cariri.
*Texto da correspondente Nina Luiza.
E eu escrevi no comentário que, nada contra o ungido secretário, mas que o Crato tem, de sobra, grandes profissionais na área de saúde pública e que, como cidadão, não entendi a preocupação do poder público local em escolha de gerência técnica para um pasta que requer conhecimento profissional de especificidade médica. E disse que, no Crato, as coisas parecem fora do lugar.
Crato entre as cidades com risco muito alto na dengue, segundo Sesa
Por: Márcio Dornelles
O município do Crato está entre as cidades classificadas pela Secretaria de Saúde do Estado com o risco muito alto no mapa da dengue do Ceará. Em 2010, foram notificados no Crato 1.700 casos suspeitos de dengue, sendo 1.400 positivos.
A coordenadora do programa de combate à doença, Aline Franca, acrescenta que a preocupação é maior porque, com a chegada do período chuvoso, o risco de incidência aumenta. O maior número de focos, segundo a Secretaria de Saúde do Crato, está localizado nas residências da periferia. Estão mobilizados 196 agentes de saúde que realizam as ações preventivas em todos os bairros da cidade.
Do acordo com levantamento feito pela Secretaria da Saúde do Estado, dos 184 Municípios cearenses, 41 estão classificados com risco alto de epidemia em 2011 e 45 com risco muito alto. Na macrorregião do Cariri, são classificados como de risco alto os Municípios de Altaneira, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Cedro, Jardim, Jucás, Nova Olinda, Orós, Piquet Carneiro, Salitre e Santana do Cariri.
*Texto da correspondente Nina Luiza.
E eu escrevi no comentário que, nada contra o ungido secretário, mas que o Crato tem, de sobra, grandes profissionais na área de saúde pública e que, como cidadão, não entendi a preocupação do poder público local em escolha de gerência técnica para um pasta que requer conhecimento profissional de especificidade médica. E disse que, no Crato, as coisas parecem fora do lugar.
Nota !
Em 2011 , permaneço no Cariricaturas como eventual colaboradora.
Estamos todos em boas mãos , sob a administração de Claude Bloc.
Que o nosso blog continue primando pela harmonia e qualidade de pensamentos.
Abraços em todos os amigos leitores e colaboradores.
Socorro Moreira
Estamos todos em boas mãos , sob a administração de Claude Bloc.
Que o nosso blog continue primando pela harmonia e qualidade de pensamentos.
Abraços em todos os amigos leitores e colaboradores.
Socorro Moreira
“Àqueles que ...” - José Nilton Mariano Saraiva
...sempre se posicionam acima do bem e do mal.
...sempre desrespeitam as invidualidades.
...sempre priorizam o “ter” em detrimento do “ser”.
...sempre se portam como... “reis da cocada preta”.
UMA CERTEZA:
...sempre serão uns “vazios inconsequentes”.
***************************
***************************
A Banca do Distinto
Dolores Duran - (Compositor: Billy Blanco )
Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
TODO MUNDO É IGUAL QUANDO A VIDA TERMINA
COM TERRA EM CIMA E NA HORIZONTAL
...sempre desrespeitam as invidualidades.
...sempre priorizam o “ter” em detrimento do “ser”.
...sempre se portam como... “reis da cocada preta”.
UMA CERTEZA:
...sempre serão uns “vazios inconsequentes”.
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A Banca do Distinto
Dolores Duran - (Compositor: Billy Blanco )
Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
TODO MUNDO É IGUAL QUANDO A VIDA TERMINA
COM TERRA EM CIMA E NA HORIZONTAL
Acabar Com Tudo - Poema de Octavio Paz
Dá-me, chama invisível, espada fria,
tua persistente cólera
para acabar com tudo,
ó mundo árido,
ó mundo exausto,
para acabar com tudo.
Arde sombrio, arde sem chamas,
apagado e ardente,
cinza e pedra viva,
deserto sem beiras.
Arde no vasto céu, laje e nuven,
sob a cega luz que desaba
entre estéreis rochas
Arde na solidão que nos desfaz,
terra de pedra ardente,
de raízes congeladas e sedentas
Arde, furor oculto,
cinza que enlouquece,
arde invisível, arde
como o mar impotente parindo nuvens,
onda como o rancor e espumas pétreas.
Entre meus ossos delirantes, arde;
arde na oquidão do ar,
forno invisível e puro;
arde como arde o tempo,
como caminha o tempo entre a morte,
com seus mesmos passos e alento,
arde como a solidão que te devora,
arde em ti mesmo, ardor sem chama,
solidão sem imagem, sede sem lábios.
Para acabr com tudo,
ó mundo árido,
para acabar com tudo.
tua persistente cólera
para acabar com tudo,
ó mundo árido,
ó mundo exausto,
para acabar com tudo.
Arde sombrio, arde sem chamas,
apagado e ardente,
cinza e pedra viva,
deserto sem beiras.
Arde no vasto céu, laje e nuven,
sob a cega luz que desaba
entre estéreis rochas
Arde na solidão que nos desfaz,
terra de pedra ardente,
de raízes congeladas e sedentas
Arde, furor oculto,
cinza que enlouquece,
arde invisível, arde
como o mar impotente parindo nuvens,
onda como o rancor e espumas pétreas.
Entre meus ossos delirantes, arde;
arde na oquidão do ar,
forno invisível e puro;
arde como arde o tempo,
como caminha o tempo entre a morte,
com seus mesmos passos e alento,
arde como a solidão que te devora,
arde em ti mesmo, ardor sem chama,
solidão sem imagem, sede sem lábios.
Para acabr com tudo,
ó mundo árido,
para acabar com tudo.
FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha
LÍRIO - Lilium longiflorum - A flor Divina.
Celestial e cósmico é o Lírio. A flor presente na visita do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria, simboliza a pureza do coração. É também um prenúncio de boas-vindas. Usado na decoração de casamentos dando um toque de nobreza e sofisticação. Na antiga Grécia as noivas usavam uma coroa de Lírios como símbolo de pureza. Na Judeia eram conhecidos como " Dádivas da Natureza".
Planta ornamental, chega a atingir 1,5m de altura. Originada da China. Eterna inspiração de grandes pintores, o Lírio foi usado na obra "Anunciação" para simbolizar a virgindade de Maria. Jesus de acordo com o Evangelho segundo Mateus, teria dito no Sermão da Montanha : " Vejam como crescem os Lírios dos campos, eles não trabalham e nem fiam, no entanto eu vos digo que mesmo Salomão, em toda a sua glória, nunca esteve vestido como um deles". Na tradição católica, a flor também está ligada a Santo António e, portanto, ao casamento, à doçura, à inocência, à pureza da alma.
O Lírio floresce em Outubro e Novembro e tem uma variedade de cores. Egípcios e gregos usavam o Lírio, principalmente para uso externo, em queimaduras, ferimentos e úlceras. Por suas propriedades terapêuticas também era indicado para tratamentos de rugas e manchas da pele, dores de garganta, problemas renais e da vesícula.
Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro
Celestial e cósmico é o Lírio. A flor presente na visita do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria, simboliza a pureza do coração. É também um prenúncio de boas-vindas. Usado na decoração de casamentos dando um toque de nobreza e sofisticação. Na antiga Grécia as noivas usavam uma coroa de Lírios como símbolo de pureza. Na Judeia eram conhecidos como " Dádivas da Natureza".
Planta ornamental, chega a atingir 1,5m de altura. Originada da China. Eterna inspiração de grandes pintores, o Lírio foi usado na obra "Anunciação" para simbolizar a virgindade de Maria. Jesus de acordo com o Evangelho segundo Mateus, teria dito no Sermão da Montanha : " Vejam como crescem os Lírios dos campos, eles não trabalham e nem fiam, no entanto eu vos digo que mesmo Salomão, em toda a sua glória, nunca esteve vestido como um deles". Na tradição católica, a flor também está ligada a Santo António e, portanto, ao casamento, à doçura, à inocência, à pureza da alma.
O Lírio floresce em Outubro e Novembro e tem uma variedade de cores. Egípcios e gregos usavam o Lírio, principalmente para uso externo, em queimaduras, ferimentos e úlceras. Por suas propriedades terapêuticas também era indicado para tratamentos de rugas e manchas da pele, dores de garganta, problemas renais e da vesícula.
Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro
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