Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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claude_bloc@hotmail.com

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Filosofia na sala de aula - Revista Literatura (Escala Educacional)

O que as pessoas modernas precisam compreender é que toda discussão começa com um pressuposto


por G.K. Chesterton

O que as pessoas modernas precisam compreender é que toda discussão começa com um pressuposto; isto é, com algo de que você não tem dúvidas. Você pode, é claro, se quiser, duvidar do pressuposto no início do seu argumento, mas nesse caso você está na verdade começando um argumento diferente, com outro pressuposto em seu início. Todo argumento se inicia com um dogma infalível; se você nunca poderá provar sua primeira afirmação, ela não deveria ter sido a primeira. Este é o abecedário do pensamento. E isso é especial e positivo sobre isso: pode ser ensinado na escola, como qualquer abecedário. Não começar um argumento sem afirmar seus pressupostos pode ser ensinado em filosofia em uma escola comum, com um quadro negro, tal qual é ensinado em Euclides. E eu acredito que pode ser ensinado em um nível simples e racional mesmo para as crianças, antes de irem para as ruas e serem expostas à lógica e à filosofia da mídia de massa.
Muito do caos sobre dúvida e religião vem disso: do fato que nosso ceticismo moderno sempre começa por nos dizer para não acreditar. Mas mesmo sobre um cético nós querermos saber em que ele acredita. Antes de argumentar, nós queremos saber se sobre o que não precisaremos argumentar. E toda essa confusão é infinitamente ampliada pelo fato que todos os céticos de nosso tempo são descrentes em diferentes níveis da dissolução do próprio ceticismo.

Agora eu e você temos, espero, esta vantagem sobre todos esses espertos novos filósofos: nós não somos loucos. Todos nós acreditamos na Catedral de São Paulo; a maioria de nós acredita em São Paulo. Mas nos deixe esclarecer esse fato, que nós acreditamos em coisas que são parte de nossa existência, mas não podem ser demonstradas. Deixemos a religião fora da questão por um momento. Todos os homens sãos, eu digo, acreditam firme e inalteradamente em um certo número de coisas que não foram provadas e são improváveis. Vamos falar delas francamente:
1 Todos os homens sãos acreditam que mundo a sua volta e as pessoas nele são reais, e não sonho ou ilusão. Nenhum homem ateia fogo em Londres na crença que seu servo logo irá acordá-lo para o café da manhã. Mas o fato que eu, a qualquer momento, não estou em um sonho, não foi provado e é impossível de ser provado. O fato que qualquer coisa além de mim existe não foi provado e é impossível de ser provado.
2 Todos os homens sãos acreditam que este mundo não apenas existe, como também importa. Todo homem acredita que há algum tipo de obrigação em nós que nos torna interessados em esta visão ou panorama de vida. Ele acharia errado um homem que dissesse "Eu não pedi por esta farsa e ela me deixa entediado. Eu estou ciente que uma mulher idosa está sendo assassinada no andar de baixo, mas estou indo dormir". O fato que há qualquer tipo de obrigação de melhorar as coisas erradas é algo que não foi provado e é impossível de ser provado.
3 Todos os homens sãos acreditam em algo equivalente a um eu, ou ego, que é continuo. Não há uma polegada a mais no meu cérebro que continue a mesma que a de dez anos atrás. Mas se eu salvei um homem em batalha dez anos atrás, eu continuo orgulhoso; se eu fugi de medo, eu continuo envergonhado. Este "eu" soberano não foi provado e é impossível de ser provado. Mas é mais que não comprovado e impossível de ser provado; é um tema definitivamente debatido por muitos metafísicos.
4 Por último, a maior parte dos homens sãos acreditam, e todos os homens sãos dizem acreditar, que possuem um poder de escolha e de responsabilidade por suas ações.
Certamente se podem estabelecer declarações simples e enfadonhas como as acima, para fazer as pessoas verem em que estado se encontram. E se à juventude do futuro não for ensinada qualquer religiosidade, que pelo menos sejam ensinadas, clara e firmemente, as três ou quatro sanidades e certezas do livre pensamento humano.

Daily News, 22 de junho de 1907

Fonte de pesquisa: 
http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/34/filosofia-na-sala-de-aula-207161-1.asp

(IN) INPULSOS - 2001 - Por Wellington Alves


Enclausuro-me
E isto já me basta
Não sou de ouvir tolices
Bobagens, palavras vãs
Coisas sem nada

A engenharia do meu cérebro
Exige passos otimistas
Ideias e ideais
Comprometidos comigo

A arquitetura de minha alma
Dispensa a hipocrisia do mundo

Não vulgarizo pensamentos
Nem penso vulgaridades
Não banalizo coisas
Não coisifico banalidades
Não me animalizo
Na certeza de que sou mortal
Sou intolerante
Talvez intolerável

Mas me basto
Na clausura do meu tempo

Na solidão deste momento.
 .

Texto de Wellington Alves (postado com a autorização do autor)
Texto sem título (pág 181) - Publicado no livro "inpulsos" - Ed. ABC - Edições SOBRAMES

VITRINE FOTOGRÁFICA - Por Samuk



Quando as artes se encontram

 Quando as palavras se encontram


Quando os amigos se encontram


Descobrimos o quanto é belo sonhar
Observar
Sentir.
 A ARTE.
Fotos de Samuk - janeiro de 2011.

Por que não falar de futebol? - Por José de Arimatéa dos Santos

Futebol é a paixão do brasileiro e de muita gente no mundo a fora. E essa paixão começa já na infância quando já ganhamos a nossa primeira bola. A maioria das vezes a escolha do time que vamos torcer para a vida toda depende da fase de determinado clube. Hoje as coisas no futebol estão muito diferentes de quando comecei a a entender de futebol. Naquela época tínhamos os ídolos futebolísticos caracterizados no camisa 10. Todo mundo queria ser o camisa 10, pois representava o craque, ídolo ou melhor jogador. Sou de um tempo de Rivelino, Zico, Roberto Dinamite, ... Só grandes jogadores e jogos com estádios lotados e grandiosos espetáculos. O futebol brasileiro era o único que víamos. Não existia essa coisa de camisa de Barcelona, Inter de Milão ou Milan. As camisas eram de clubes brasileiros e os jogadores jogavam aqui e faziam carreira praticamente num único clube. Ai daquele que se transferisse para o time rival!
Interessante que as torcidas rivais se respeitavam e a violência entre torcedores era mínima. Futebol é um esporte mágico e como tal a torcida deve ser de respeito e brincadeira. Nada de violência. Noventa minutos de espetáculo tanto no campo de futebol e na arquibacanda. Aplauso e reclamação, mas tudo dentro da civilidade e ao final do jogo a confraternização pelo futebol jogado. O futebol é mágico e cheio de lugares comuns como: "o futebol é uma caixinha de surpresa", "a bola pune", "são onze contra onze" e outras maravilhosas pérolas. O futebol une toda uma nação e transforma cada brasileiro num treinador que discute e arma seu time no melhor esquema tático. E todo final de semana ao fim do domingo vai deitar com a alegria da vitória de seu time do coração ou com a cabeça inchada por mais uma derrota. Futebol é vida. Futebol significa empate, derrota ou vitória. Isso é a vida.
Foto: José de Arimatéa dos Santos

Ilusões de um cachorro - Emerson Monteiro

Indagado qual a razão de o cachorro ser o melhor amigo do homem, com propriedade um sábio respondeu: - Porque ainda não conhece o dinheiro. Ah! Os bens materiais, quantas cogitações equivocadas podem ocasionar no bloco das vaidades humanas. Tal vê, também, os comportamentos animais, acho que nas fases de preparação de outras vivências da natureza. Sei não, pois há tantos mistérios a desvendar, da terra ao céu, que causa ânsias e vertigem.
O cachorro da minha casa, por exemplo, este apresenta manias bem típicas dos bichos da espécie, com o agravante das arrogâncias dos cachorros de raça, valentões, pretensiosos, dos que olham de cima as pessoas. Sempre que abro a porta para sair na varanda, ali está ele, o verdadeiro dono do pedaço. A segunda coisa que faz depois de balançar o toco do rabo, trazido assim mutilado, segundo explicaram, para manter o padrão da raça, a segunda coisa, mostrar a língua e lamber o focinho, tomando gosto, qual abríssemos a porta toda vez só para lhe levar alimento.
Acha-se o dono absoluto de toda a extensão territorial da casa e do muro que a cerca. Mija por todo canto, costume estudado pelos especialistas caninos que adotam para demarcar o espaço das suas pertenças. Nesse ponto, mora o título deste comentário, o motivo das ilusões dos cachorros, por pensarem possuir o mundo inteiro onde mijam descaradamente. Caso consiga escapar até a rua, sai mijando tudo que aparece à frente, semelhante ao que providencia cada vez que chego com o carro, renovando mijadas nos pneus, parachoques, lataria, reforçando o instinto que alimenta de proprietário exclusivo do transporte que adquirimos com relativa dificuldade. Ele nem de longe imagina o que de antipatia isso acarreta no dono, essa pretensão de garantir só para si um direito que corresponde à família inteira.
Os passarinhos que pastam pelas imediações em volta da casa, a seu modo, sofrem na pele essa inclinação possessiva do cão alienado em constante vigilância. Corre e late desesperado quando sanhaços, sabiás, anuns, garrinchas, griguilins, pardais, vinvins, lavandeiras, aventuram catar insetos e sementes no chão. Vez em quando aparece pássaro morto na varanda, prática parecida com a dos humanos, únicos animais que matam e abandonam a vítima. Os outros assassinam apenas no propósito da sobrevivência.
As ilusões do cachorro chegam ao domínio de causar mais constrangimento aos seus donos. Caso saia a telefonar na varanda, quem aparece, ele, atento na escuta de toda a conversar, quebrando qualquer sigilo, semelhante aos agentes secretos deste mundo. Até hoje, porém, não descobrir de como se beneficia da escuta privilegiada.
Sua agressividade patrimonial, no entanto, restringe as visitas que de raro recebemos, seleção prévia que ele mesmo estabelece. Resultado, alguém bate no portão e eu corro apressado a prender dito chefe provincial, o que deixa a impressão do tanto de analogia dos bichos com os humanos, tão cheios de ilusões de honras e posses, durante a curta jornada desta vida, surpreendidos, inevitáveis, nas folhas que, secas, voam dos calendários.

Será ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Como os "eternamente do contra" não dão trégua e já estão querendo atribuir à administração Dilma Rousseff a responsabilidade pela falta de energia em Estados do Nordeste (por poucas horas), numa dessas noites passadas (comparando-a inapropriadamente com o "verdadeiro apagão" da era FHC), é bom atentar para a notícia abaixo (atentem para os horários das ocorrências).

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A tempestade solar e o blackout no Nordeste

Apesar do recente apagão do Nordeste ter como provável causa o acionamento do sistema de proteção em uma subestação no município de Jatobá, em Pernambuco, as causas que levaram ao apagão podem ter sido provocadas por um repentino pulso eletromagnético ocorrido às 23h36 (hora do Nordeste), provocado por uma tempestade solar. Em boletim recebido do SWPC, Centro de Previsão de Tempo Espacial dos EUA, às 02h36 UTC (23h36 no Nordeste e 00h36 em Brasília), magnetômetros instalados em Boulder, no Colorado, registraram um repentino pulso eletromagnético de 8 nanoTeslas ("Tesla" é a unidade de medição de campos magnéticos). Exatamente nesse mesmo instante, quase toda a região Nordeste do Brasil ficou às escuras. Segundo relatos feitos no site Painel Global, diversos carros e luzes também apresentaram funcionamento errático e intermitente, além de muita interferência nas estações de rádio.
O pulso eletromagnético detectado nos EUA teve origem após uma explosão solar ocorrida no dia 31 de Janeiro, quando uma grande quantidade de massa coronal foi ejetada da estrela. A maior parte dessas partículas seguiu em direção ao espaço, enquanto uma pequena parcela atingiu o campo magnético terrestre e pode ter provocado auroras nas latitudes médias e altas.
Ainda é muito cedo para se afirmar com certeza se de fato o pulso eletromagnético foi o responsável por fazer "cair" o sistema elétrico em diversos Estados, mas os relatos de interferências em estações de rádio associados ao exato momento que o pulso foi detectado contribuem para essa possibilidade.
É importante destacar que o desvio apontado nos magnetômetros de Boulder às 23h36 não são capazes de avaliar a intensidade do campo eletromagnético induzido nas redes de energia elétrica. Eles apenas indicam um desvio anômalo no campo magnético da estação e que este foi provocado por um pulso eletromagnético repentino provocado por uma explosão solar.
Para fins de comparação, o pulso eletromagnético registrado teve intensidade de 8 nanoTeslas. A maior tempestade solar já registrada ocorreu em setembro de 1857 e teve a intensidade estimada em 110 nanoTeslas. Essa tempestade ficou conhecida como "Evento Carrington".

VAGA-LUME - Marcos Barreto de Melo

NA NOITE ESCURA

VEJO UM LUME A VAGAR

UM VAGA-LUME A PASSAR

SINTO FALTA DO LUAR
Labirinto
- Claude Bloc - 
 
Muitas vezes andamos distraídos pela rua. À toa. Olhamos para o nada. Nosso olhar está vazio. Nossas venezianas se fecham, se abrem. Nada nos toca.

Depois, observamos que isso não é só conosco. Que as outras pessoas também, muitas e muitas vezes, já nem se olham. São apenas passageiros/as do tempo que perambulam pela vida, deixando que as horas se escoem por aqui, por ali, inconsequente.

Outras vezes, percebemos que já não se distingue mais, entre todas as pessoas, aquela velha sintonia entre amigos... Aquela que havia antigamente e que nos levava ao deleite por meio de uma boa conversa... Seguem torpedos, voltam e-mails e as pessoas varam noites teclando, usando para se comunicar uma maneira mais segura e menos trabalhosa.

E é aí que sentimos que a cada vez que falhamos, a nossa alma se encolhe, certamente triste diante de tanta precariedade, e em vez de vibrar e se expandir, perde-se num imenso labirinto vazio e seguro de emoções.

Claude Bloc

sábado, 5 de fevereiro de 2011

CONVERSA POÉTICA COM CHAGAS...

*Chagas
*Claude

começarei (Chagas)


começarei por dizer
que um dia te arrependerás
de não teres vindo 
e nos vermelhos olhos captar
teus segredos vertidos
em luz num relance
o que mal cabe nas palavras
começarei por sentir
tua ausência
e de olhos vermelhos
te farei rever os meus segredos
vertidos onde não há mais palavras

palavras não dizem tudo
tu o sabes
o arrepender-se não fará
retornar o que era vidro
talhado com silêncios
parte da frase de árduo significado
amor que coincide com o que pensamos ser
o que todos buscamos
palavras também calam
tu o sabes
e se desmancham em estilhaços
cristal partido em mil pedaços
talhados no silêncio que absorves
porque conheces o significado
do amor que se mistura 
aos sentimentosque buscamos

tua ausência
será presença
paixão que não se traduz
nos subterrâneos da linguagem
o ato de não escutar o tempo
tua presença
na minha ausência
não traduz a linguagem do tempo
e já não me escutas
quando te encontro

o presente é indecifrável
dissolve-se em escritura
adubada de tensão
mas nele plantei meu peito
para o que a tua ausência
inventou com a dor
ameaça às cores das coisas
por não ter compromissos com elas
 o presente é implacável
dissolve-se no tempo
nesse terreno onde plantei meu pranto
onde a dor se estampa na fluidez das cores
por não ter compromissos com elas


JARDIM EM AQUARELA...

 Quando a beleza é viva, nada como manter na retina as imagens, a paz, o clima, a alegria armazenada num só momento.

A beleza natural  deslumbra, transporta, encanta. Tudo vira aquarela na nossa lembrança.

Agradecendo ainda a Vicente Almeida e Valdênia por tanta paz proporcionada.

 
 
Claude Bloc

A PROFECIA ECOLÓGICA-ESPIRITUAL DA MINHA AMIGA IEDA



QUANDO É QUE FINALMENTE ADMITIREMOS QUE TUDO ESTÁ INTERLIGADO: O SOCIAL, O NATURAL-ECOLÓGICO E O ESPIRITUAL?

Os recentes acontecimentos em diversos Estados me fez reprisar esse texto que criei já faz algum tempo.

No início da década de 80 decidi sair da casa de meu pai para ir morar sozinho. Um ano após da minha saída, por questões econômicas, mudei de endereço no mesmo bairro do Flamengo. O Flamengo é um bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Os aluguéis lá eram e ainda são caros. Então, encontrei uma saída econômica que era morar num quarto alugado próximo à praia. E a moradora, uma gaucha de uns 40 anos de idade, me sub-alocou um pequeno quarto confortável para mim e meu irmão mais velho. Ieda era (ou é ainda (?)) uma mulher de convicções firmes e muito simpática. Sempre sorridente, Ieda cativava a todos com sua coragem , força de vontade e fé no processo de superação de uma doença raríssima no mundo. Era muito comum vê-la dopada para suportar as dores dos pequenos nódulos que surgiam por todo o seu corpo.
Num belo dia ela me contou como ficou sabendo, com bastante antecedência, o caminho de sofrimento que teria que passar nessa vida terrena. Contou-me ela que seu avô havia planejado ir à praia (no Rio Grande do Sul onde ela morava quando pequena) com ela e um garotinho. E assim aconteceu. Saíram cedo com o objetivo de voltar um pouco mais tarde. Em dada hora, o avô percebendo que precisava fazer o lanche que levara forrou a areia com um pano e retirou da sacola uma melancia para repartir entre eles. Buscou na sacola uma faca e foi aí que percebeu que havia esquecido a mesma em casa. Por um instante ficou confuso com o fato de ter esquecido a faca. Tentou encontrar uma maneira de executar a ação. Foi aí que de repente surgiu do nada uma figura humana de um velhinho vestido todo de branco. Seus cabelos eram brancos e possuía uma grande barba branca também. O velhinho se aproximou disposto a ajudá-los. Ele fez um sinal da cruz sobre a melancia, e a melancia se repartiu milagrosamente em quatro pedaços. Após esse feito ele se apresentou como sendo Jesus Cristo. E em seguida orientou o avô dela para que não continuasse mais batendo na esposa. E quanto a ela, disse: “Você terá uma doença muito rara no mundo. Mas, não se preocupe porque é para seu próprio bem devido aos karmas adquiridos em outras vidas”. Após essa fala ele profetizou o que iria acontecer com o ser humano devido a sua ação destruidora da natureza. Ele afirmou: “Tudo o que o homem toma ou interfere na natureza provocará uma ação contrária fazendo com que surjam tempestades e todo tipo de catástrofes que envolvem a natureza. A natureza vai querer tudo de volta!”. E segundo minha amiga Ieda ele mencionou algumas cidades onde ocorreriam essas catástrofes (p.ex.: Santa Catarina, Rio de Janeiro etc).
E a partir dessa história contada por Ieda fiquei atento aos desastres naturais. E toda vez que acontece um desastre “natural” lembro-me de Ieda e do velhinho espiritual.

Quando é que finalmente admitiremos que tudo está interligado: o social, o natural e o espiritual? Hoje, se discute quanto tempo temos (se é que temos) ainda para consertar os erros do passado e do presente. O mundo vive apreensivo sobre o destino da humanidade caso ações concretas não sejam realizadas a tempo para mudar o rumo da intervenção desastrosa da vida humana na Terra. Tudo será afetado: água, solo, subsolo, ar, florestas, cidades etc.: “O Sertão virará mar, e o mar virará Sertão” diz a música sertaneja. A conta desses desastres será paga por todos, principalmente os mais pobres e carentes de recursos. No COP-15, em Copenhague, se discutiu um acordo de como repartir as responsabilidades, ônus e bônus. Mas, não houve consenso de quanto cada um deverá investir e doar de si para salvar o planeta. Enquanto isso, continuamos poluindo, desmatando e destruindo o que resta ainda de original e sagrado ao nosso redor.
Bernardo Melgaço da Silva

Pensamento para o Dia 05/02/2011


“Não há necessidade de procurar a Verdade em qualquer outro lugar. Procure-a dentro de você: você é o milagre dos milagres. Tudo o que não está dentro de você não pode ser encontrado em qualquer lugar fora de você. O que é visível exteriormente a você é apenas um reflexo aproximado do que realmente está dentro de você! A crença antiga era a de que Deus (Easwara) governou o Mundo, estando fora dele. Os investigadores indianos puseram isso à prova através do Sadhana (disciplina espiritual) e revelaram que Deus estava e está no mundo e é dele. Essa é a primeira contribuição dos indianos para o mundo espiritual, de que Deus não é exterior ao homem, mas é a sua essência interior. Eles declararam que é impossível removê-Lo do coração onde Ele mesmo se instalou. Ele é o mesmo Atma do nosso Atma, a alma da nossa alma. Ele é a Realidade interna de cada um de nós!”
Sathya Sai Baba

Começou... - José Nilton Mariano Saraiva

Nem bem começou o período legislativo federal e o ex-jogador Romário (um eterno malandro) já começou a aprontar das suas e a nos mostrar como vão ser os próximos quatro anos: farra todo dia, no Rio de Janeiro (bem distante de Brasília), com a turma de sempre. Será que os cariocas, que o elegeram com uma montanha de votos, têm alguma moral pra reclamar da sua atuação ???
No mais, qual a novidade em tal comportamento, se até o político profissional e estrela maior do mesmo partido (PSB), como o Ciro Gomes, passou quase todo o seu mandato faltando às sessões, depois de receber mais de 600 mil votos no Estado do Ceará ??? Romário não estaria apenas e tão somente sendo um aplicado e “bom aluno” ??? Veja a notícia do portal G1, abaixo:
“Romário justifica ter jogado futevôlei em horário de sessão na Câmara”
Jornal 'Extra' publicou foto. Deputado jogava futevôlei em praia do Rio. Ele disse que presença não era obrigatória e que se reuniu com assessores.
O deputado e ex-jogador Romário de Souza Faria (PSB-RJ) usou o Twitter, nesta sexta (4), para justificar o fato de ter sido fotografado jogando futevôlei em uma praia do Rio de Janeiro na quinta-feira, no mesmo horário de uma sessão na Câmara.
A foto foi publicada pelo jornal "Extra". Segundo Romário, a sessão não era deliberativa, e a presença não era obrigatória. Mesmo assim, afirmou, fez reunião com assessores. Ele disse que a partida de futevôlei começou após as 17h30. Na quarta, em entrevista ao G1, Romário disse que se dedicaria ao futevôlei aos sábados e domingos, no Rio. "Aqui em Brasília, é trabalho", afirmou. “Em primeiro lugar, ontem (quinta, 3), não deixei de trabalhar como foi noticiado por um jornal carioca. Ontem, para aqueles que não sabem, não teve plenário e a presença não era obrigatória. Mesmo assim, como eu já havia dito aqui, marquei minha presença e me reuni com meus assessores. Para todos aqueles que votaram e acreditam em mim, vocês podem ter certeza de que eu nunca irei decepcioná-los”, escreveu o deputado em sua página no Twitter.
Romário afirmou que o voto de confiança de recebeu dos eleitores “vale mais que qualquer coisa”, mas deixou claro que é um esportista. “Amo futebol e futevôlei e vou continuar praticando pelo resto da minha vida”, disse. Eu não decepciono as pessoas ! Vocês podem contar comigo e, principalmente, acreditar num político atuante". Em outro trecho, ele escreveu que está longe da perfeição. “Sei que tenho meus defeitos, cometerei alguns equívocos, até porque estamos longe da perfeição."

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O pilão lavrou


O velho Frazão,lá do Belmonte, observou espantado o pilão( o pluviômetro do matuto) transbordando no terreiro, de manhãzinha e concluiu: “ --A chuva foi de lascar, dessas de fazer Noé se benzer em cruz!” Sensação não muito diferente teve o seu Neco Moreno ali nas proximidades do Palmeiral, fitando o estrondo da água rio abaixo: --A chuva foi de fazer cururu gritar “Maria Valei-me!” em cabeça de estaca. O certo é que , sexta-feira passada, boa parte dos cratenses teve a clara certeza de que a Pedra da Batateira tinha, por fim, explodido. As ruas viraram córregos, as casas lagos, o comércio cratense passou a ser submarino. Até os defuntos, no cemitério local, despertaram do descanso eterno, e alguns saíram surfando no topo da onda. Enquanto isso, os cratenses meio abismados, computavam as perdas e os rastros da destruição. Enquanto alguns outros, insensíveis à tragédia, saqueavam casas e lojas com o mesmo apetite dos corvos e urubus.
O que havia despertado tanta fúria no sempre cordato e quietinho rio Grangeiro? Ele que, aparentemente, agüentara sempre resignado a invasão seguida das suas margens; a opressão do seu leito por canais ; a transformação das suas águas translúcidas num esgoto pútrido; o desmatamento criminoso da sua mata ciliar. O que havia despertado a fúria do gigante há tanto tempo adormecido?
Como dizia Brecht : “Criticamos a Violência do Rio e esquecemos a violência das margens que o oprimem”. Aos poucos, à medida que as águas foram baixando, a população começou a digerir a hecatombe. Alguns puseram a culpa em fenômenos naturais episódicos; outros no aquecimento global ; alguns viram até a mão de Deus amparando os cratenses em meio à enxurrada. Como se uma força superior, brincando de fazer tragediazinha, preparasse a calamidade e, depois, se pusesse a proteger os munícipes, meio arrependida. Esta semana, a prefeitura de Crato apresentou a primeira avaliação do prejuízo público, na brincadeirinha celeste, excluídas, claro, as enormes perdas particulares : quase 90 milhões. Quem paga o pato ?
Antes de quebrar os porquinhos e reiniciar a reconstrução é bom pensar nas causas da calamidade que era previsível e anunciada. Anos e anos de impermeabilização do solo por asfaltos, loteamentos sem autorização, desmatamento nas nascentes, ocupação desordenada nas encostas apenas montavam o cenário para a tragédia que seria encenada e mais : em muitos e muitos atos. O Canal do rio já se fazia uma agressão à natureza nos anos 50 quando não existiam bairros populosos como o Pimenta, o Sossego, o Grangeiro, o Lameiro. Desde então a cidade explodiu populacionalmente, na mesma velocidade com que destruía seus recursos naturais da encosta da serra em nome do progresso. Agora que pensamos em começar os reparos é preciso, mais que nunca, discutir amplamente com a população o problema, buscar embasamentos técnico e ambiental e mais: começar ,ainda que tardiamente, a tratar com mão de ferro os abusos e desvios. Simploriamente remendar os estragos feitos, sem mexer nas profundas estruturas que os causaram é como tentar fechar com areia a boca do vulcão em plena erupção.
O Rio Grangeiro , na sexta-feira passada, apenas executou uma promissória há muitos e muitos anos vencida. Existem ainda milhares outras esperando a oportunidade de cobrança, com juros e correção monetária. A violência das suas águas é bem menor que a violência reiterada a que vem se submetendo por muitos e muitos anos.


J. Flávio Vieira

ENCONTRO CULTURAL = Por Edilma Rocha


Aconteceu no dia 30 de Outubro  no Hall do Teatro Municipal do Crato um encontro  dos que fazem  a cultura na nossa cidade por ocasião da Exposição de parte do acervo do Museu de Arte Vicente Leite.
Acima o artista plástico, George Macário, também Presidente da Fundação J. de Figueiredo Filho.


 Claude Bloc, poetisa, artista plástica, contemplada com medalha de prata  em pintura no VI Salão de Outubro 2010.


 Antunes, funcionário do Museu de Arte Vicente Leite e responsável pela emulduração das obras restauradas, grande conhecedor dos pintores que compõem o acervo.

 Gabriela, egípcia, naturalizada italiana, reside em Crato, artista plástica e restauradora, abrilhantou a exposição com sua presença.

 Mana, relações pública do Museu de Arte Vicente Leite, de importante contribuição para o acontecimento do evento.

 Dihelson Mendonça, Maestro, exímio pianista, fotógrafo, escritor, administrador do Blog do Crato, figura importante na vida cultural da nossa cidade.

 Samuk, artista plástico, vencedor do Salão de Outubro 2010 com medalha de ouro e comparado com o pintor holandês, Bran Van Velde, por Bruno Pedrosa.

 Hubert Cabral, nossa maior riqueza em memória histórica, cerimonialista pleno dos importantes eventos culturais do Crato.

Bruno Pedrosa, um cidadão do mundo, um cidadão Cratense, idealizador e fundador do Museu de Arte Vicente Leite, artista internacional de renome, nosso maior orgulho nas artes plásticas.

Obs. Ao lado dos participantes do encontro  Edilma Rocha

O PERFUME DAS UVAS


O PERFUME DAS UVAS


O perfume das uvas sob o sol do outono.
O rio cresce, as águas se avolumam, destroem
                              as barrancas e as locas dos peixes.
As águas correm dentro das árvores, correm dentro de nós.
As nossas raízes se vão com as águas vorazes.
E as uvas perfumam a tarde sob o sol do outono.

Os abismos do mar deságuam por nós a dentro.
No canto selvagem do mar a voz do afogado,
estrangeiro como nós, sem pátria como nós.

O sal do mar nas pétalas caídas no altar.
O grito do gavião nas fauces do mar.
As vagas morrem na areia, os rochedos cobertos
                        de espumas, lágrimas escorrendo.
O mar uiva, as uvas perfumam a montanha.

Vou deixando as minhas pegadas na areia da praia,
pesadas, com sombra.
Cai a sombra na minha alma.
Logo se apagam as pegadas.
Um sino tange o tempo antiqüíssimo e sempre novo.

As gaivotas trazem o mar nas asas.
As árvores em chamas despencam no mar.
Flores voam no ar do verão.
Espumas e sangue escorrem do rochedo dos mariscos.
Um navio joga grossas ondas contra a ilha.
Línguas de fogo elevam-se da terra.

Este é o tempo dos mortos.
As mulheres se abrem aflitas para o céu.
Desfia-se o tecido das coisas.
Não somos. Sombras que a sombra devora.
Ouvi a voz dos mortos, como sementes,
brotando à borda dos poços.
Os vinhedos já não estão ao sol, as uvas
ainda perfumam os pássaros, as águas, os peixes.
O sino tange no horizonte, com sangue.



Igreja e Religião - José Nilton Mariano Saraiva

Por guardar profunda similitude com o que esposamos em termos de religião e Igreja (e porque nos julgamos incompetentes para produzir algo sequer parecido sobre), permitimo-nos “transcrever” o texto abaixo, embora sem conhecer o seu autor (um tal Rubem Alves, para quem tiramos o chapéu).
Apesar de longo, vale a pena conferir (os grifos não nossos).

José Nilton Mariano Saraiva

*************************
Sobre Deuses, Pássaros e Gaiolas (Rubem Alves)

Eu não tenho religião. Não vou a igrejas, não participo de rituais, não acredito nos seus dogmas. Preciso não ter religião para amar a Deus sem medo, com alegria e, principalmente, sem nada pedir. Não tenho religião porque não concordo com as coisas que elas dizem de Deus. Deus é um Grande Mistério. Está além das palavras. Diante do Grande Mistério a gente emudece. Fica em silêncio. Discordo a partir do pronome “ele”. Deus “ele”, masculino? Onde foi que aprenderam sobre o sexo de Deus? Deus tem sexo? Se tem sexo, por que não ela, Deus mulher? Como a mulher do Cântico dos Cânticos? A Igreja Católica não conhece a mulher. Conhece apenas a “mãe” que foi mãe sem ter sido mulher. Deus: por que não uma flor, a mais perfumada? Por que não um mar sem fim onde a vida navega? Místicos houve que disseram que Deus é uma criança que nos convida a brincar... Mas pode ser também que Deus seja música, como pensaram os místicos pitagóricos.
Ter uma religião é falar as palavras sagradas daquela religião e acreditar nelas. As religiões se distinguem e se separam pelas diferenças das palavras que usam para se referir ao sagrado. Se elas nada falassem, se houvesse apenas o silêncio diante do Grande Mistério, a Babel das religiões não existiria. Diante do Grande Mistério apenas uma palavra é permitida, a palavra poética, porque a poesia não o diz, mas apenas aponta para ele. O Grande Mistério está além das palavras.
Se tenho uma religião e ela se chama poesia. Por isso, amo a Cecília Meireles, sacerdotisa profana, que quando queria se referir a Deus falava sobre um mar sem fim, misterioso e selvagem. Quem em silêncio contempla o mar sem fim ouve vozes em meio ao barulho das ondas. Também Fernando Pessoa sabia disso. Mas, prestando bem atenção, é possível ver, a voar sobre o mar sem fim, um pequeno pássaro que canta: “Leve é o pássaro: e a sua sombra voante, mais leve. E a cascata aérea de sua garganta: mais leve. E o que lembra, ouvindo-se deslizar seu canto, mais leve...”
Os poetas escrevem em transe: não sabem sobre que estão escrevendo. Faz muitos anos, escrevi um livro para minha filha. Ela tinha 4 anos. Eu iria fazer uma demorada viagem pelo exterior e ela ficou com medo de que eu morresse e não voltasse. Apareceu-me, então, uma estória, “A menina e o pássaro encantado”. Resumida, era assim: era uma vez uma menina que amava um pássaro encantado que sempre a visitava e lhe contava estórias; o pássaro a fazia imensamente feliz. Mas sempre chegava um momento quando o pássaro dizia: “Tenho de ir”. A menina chorava porque amava o pássaro e não queria que ele partisse. “Menina”, disse-lhe o pássaro, “aprenda o que vou lhe ensinar: EU SÓ SOU ENCANTADO POR CAUSA DA AUSÊNCIA. É NA AUSÊNCIA QUE A SAUDADE VIVE. E A SAUDADE É UM PERFUME QUE TORNA ENCANTADOS A TODOS OS QUE O SENTEM. QUEM TEM SAUDADES ESTÁ AMANDO. TENHO DE PARTIR PARA QUE A SAUDADE EXISTA E PARA QUE EU CONTINUE A AMÁ-LA, E VOCÊ CONTINUE A ME AMAR...” E partia. A menina, sofrendo a dor da saudade, maquinou um plano: quando o pássaro voltou e lhe contou estórias e foi dormir, ela o prendeu numa gaiola de prata dizendo: “Agora ele será meu para sempre”. Mas não foi isso que aconteceu. O pássaro, sem poder voar, perdeu as cores, perdeu o brilho, perdeu a alegria, não mais tinha estórias para contar. E o amor acabou. Levou tempo para que a menina percebesse que ela não amava aquele pássaro engaiolado. O pássaro que ela amava era o pássaro que voava livre e voltava quando queria. E ela soltou o pássaro que voou para longe. A estória termina na ausência do pássaro e a menina se enfeitando para a sua volta.
Minha intenção, ao escrever esta estória, era simples: consolar a minha filha. Mas quando foi publicada ganhou um sentido que não estava nas minhas intenções: começou a ser usada em terapia, com casais possuídos pela ilusão de que, engaiolado, o amor seria posse eterna.... Desde então passei a presentear noivos com uma gaiola da qual eu arrancava a porta. Mas, passado algum tempo, uma pessoa me disse: “Que linda estória você escreveu sobre Deus!” “Sobre Deus?”, eu perguntei sem entender. “Sim”, ela me respondeu. “O PÁSSARO ENCANTADO NÃO É DEUS? E AS GAIOLAS NÃO SÃO AS RELIGIÕES NAS QUAIS OS HOMENS TENTAM APRISIONÁ-LO?” APRENDI, ENTÃO, DA MINHA PRÓPRIA ESTÓRIA, ALGO QUE NÃO SABIA: DEUS COMO UM PÁSSARO ENCANTADO QUE ME CONTA ESTÓRIAS. AMO O PÁSSARO. ODEIO AS GAIOLAS. O Pássaro Encantado: não pousa em galhos para cantar. Não é possível fotografá-lo. Canta enquanto voa. Dele, o que temos é apenas a sua leve sombra voante e a cascata aérea de sua garganta... Quando ouço o seu canto, ele já passou. Só é possível vê-lo em seu vôo, por trás. Vai-se o Pássaro. Fica a memória do seu canto.
Um pássaro voando é um pássaro livre. Não serve para nada. Impossível manipulá-lo, usá-lo, controlá-lo. Pássaro inútil. E esse é, precisamente, o seu segredo: a sua inutilidade; ele está além das maquinações dos homens. Sua única dádiva é o seu canto. Só faz um milagre, um único milagre: quando, chorando, lhe peço “Passa de mim esse cálice”, ele canta e o seu canto transforma a minha tristeza em beleza. Por isso eu nada lhe peço. Sei que ele não atende a pedidos. O seu canto me basta: ao ouvi-lo transformo-me em pássaro. E vôo com ele...
MAS AÍ VÊM OS HOMENS COM AS SUAS ARAPUCAS E GAIOLAS CHAMADAS RELIGIÕES. E cada uma delas diz haver conseguido prender o Pássaro Encantado em gaiolas de palavras, de pedra, de ritos e magia. E cada uma delas afirma que o seu pássaro engaiolado é o único Pássaro Encantado verdadeiro...
Por que prenderam o Pássaro? Porque o seu canto não lhes bastava. Não lhes bastava a beleza. Na verdade, não o amavam. O QUE OS HOMENS DESEJAM NÃO É A BELEZA DE DEUS. O QUE ELES DESEJAM É MANIPULAR O SEU PODER. O que eles querem é o milagre. O canto do pássaro poderia lhes dar asas para voar. Mas não é isso que querem. O que desejam é o poder do pássaro para continuar a rastejar: Deus, transformado em ferramenta. Ferramenta é um objeto que se usa para se atingir um fim desejado. Assim são os martelos, as tesouras, as panelas... O QUE AS RELIGIÕES DESEJAM É TRANSFORMAR DEUS EM UMA FERRAMENTA A MAIS. A MAIS PODEROSA DE TODAS. A ferramenta que realiza os desejos. Como o gênio da garrafa. Pois não é isso que é o milagre, a realização de um desejo por meio da manipulação do sagrado? Só é canonizada santa uma pessoa que realizou milagres: o milagre é o atestado do seu poder para manipular o divino.
E é assim que as religiões se multiplicam, porque os desejos dos homens não têm fim, e os seus santuários se enchem de santos de todos os tipos, os santos milagreiros são nossos despachantes espirituais, todos eles a serviço dos nossos desejos, atenderão nossos desejos a preço módico, se rezarmos a reza certa e prometermos publicar o milagre em jornal, e pela televisão se anunciam fórmulas, sessões de descarrego, águas bentas milagrosas, exorcismo de demônios, os DJs de cada religião têm uma música na fala que lhes é própria...
Assim, a poesia do canto do Pássaro Encantado se transforma em manipulação do pássaro engaiolado. E não percebem que aquele pássaro que têm dentro de suas gaiolas não é o Pássaro Encantado, que não se deixa engaiolar, porque é como o vento, e voa como quer, e tem uma única dádiva a oferecer aos homens: a beleza do seu canto. À TRANSFORMAÇÃO DA POESIA EM MANIPULAÇÃO MILAGREIRA OS PROFETAS DERAM O NOME DE IDOLATRIA.

De quem é a Culpa ? - Por: Dihelson Mendonça

garotos da enchente

Se as catástrofes tivessem missa de sétimo dia, hoje à noite haveria uma na Igreja da Sé, em Crato:

De quem é a Culpa ?

( Monólogo dedicado a Cacá Araújo )

A oposição acha que a culpa é do prefeito e não da chuva.
O prefeito diz que a mão divina passou sobre o Crato
Os ambientalistas acham que a culpa é do homem, que não cuida da natureza
Os crentes, acham que são os desígnios de Deus!
A vereadora, num ataque de histeria, não sabe em quem por a culpa
Os desabrigados não têm tempo nem de pensar em quem por a culpa
A Rádio Princesa procura pessoas na rua que queiram por a culpa no prefeito
Os pobres acham que a culpa é dos ricos
Os Ricos dão graças a deus morarem no Grangeiro
Os juazeirenses dão graças a Padre Cícero por não morarem no Crato
Os filósofos procuram uma causa que ainda não sabem bem o que é
O artista fotografa e tranforma em obra-de-arte
As crianças aproveitam para olhar e brincar na cheia
Os gatos e cães de rua não fazem a mínima idéia...
Os velhos ficam comparando as muitas enchentes que já viram na vida
Os vagabundos discutem e brigam nos bares e na Praça Siqueira Campos
Os escritores aproveitam para escrever longas crônicas sobre o problema
Os jornalistas ficam felizes porque tem uma boa reportagem
O advogado faz conjecturas com base nas leis de responsabilidade do estado
As meninas passam o dia trocando fotos da tragédia no twitter
Os cantadores de viola encontram um novo mote
O artista estrangeiro se espanta, se espanta, se espanta...
A feira muda de lugar
Os comerciantes praguejam ao céu e retiram a lama das suas lojas
Os políticos aproveitam para aparecer na TV e prestar solidariedade
O gari lamenta, porque vai trabalhar em dobro
Os que não puderam se mudar, passam a noite vigiando o canal
Os candidatos aproveitam para fazer campanha antecipada às próximas eleições
Os desabrigados dormem nos novos abrigos lembrando-se do que perderam
O homem do Teatro resolve criar uma peça sobre a pedra da batateira
O músico da terra pega o violão e compõe novo tema sobre a água, fonte de inspiração

Enquanto isso...
Enquanto isso...

Os Cratenses olham para o céu desconfiados, pensando "quando será a próxima enchente ?".

Santo! Santo Santo! - Rogai por nós que recorremos a vós!


Texto e Foto: Dihelson Mendonça

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pelas fibras da alma - Emerson Monteiro

Essas tardes cinzentas que emolduram o tempo chuvoso mexem com a gente. Mexem por dentro da gente feitas brocas revirando as entranhas onde transitam escondidos pensamentos de querer ver coisas diferentes acontecerem invés de algumas outras que sacudiram os derradeiros dias, na semana anterior. Entortar os acontecimentos, eis o tal desejo principal desses bichos vivos mexendo por dentro, a querer dominar a natureza, uma espécie de coisa animada impacientando as outras coisas vivas que moram nas entranhas da pessoa. Ondas de coisas vivas invisíveis, imateriais até, digamos assim, sem ter medo de errar, são o que, por que quiséssemos dominar os momentos fugitivos, a gente, parece perseguir, como quem corre atrás de sombras, e não consegue agarrar, que vai embora na correnteza barrenta; e o velho costume de procurar fantasmas apressados nas lamas escorregadias do passado; ou mesmo estirar o pescoço, pretendendo enxergar lá adiante, depois da linha do horizonte; longe; muito longe para obter o menor sucesso. Isto é, esquecer o momento especial do presente, único ser acontecimento que, na verdade, tem valor, nos interessaria com certeza, perante todas as demais frioleiras deste mundo de passados mortos e futuros ainda de vez, na semente.
Caso haja boa vontade para concentrar esforços no presente, acham-se todos os demais fatores que empurram a manada para o curral, nas jornadas individuais ou coletivas dos rebanhos. Ninguém permanece no passado, nem pisará o futuro por conta própria antes da hora. O minuto seguinte já ficou atrás quando virou presente. Essas intenções desesperadas dos ledores da sorte habitam só as casas de jogos, nas travessas da ilusão. Quem, não fossem os filmes, garantirá, um instante depois, o placar final do jogo, deixando de lado o polvo alemão da Copa do Mundo. Quem garantirá com a absoluta segurança isso de depois?
Apertar o cinto do agora, no entanto, qualquer cidadão pode, fora de cair da cama ou botar burros na água. Reger a valsa do instante torna-se, pois, a profissão universal do senso do realismo, nas empresas produtivas.
Diga-se bem isso tudo, quando perguntarem pelo pai da criança em face das tragédias da história. Alguém houvesse de sair na dianteira e as coisas mostrariam outra cara. Pisar maneiro, ordenhar as vacas na hora certa; fechar as portas e janelas antes do pior acontecer; saber escolher as opções ideais; bater na bola da vez; substituir peças e cuidar da revisão no prazo; essas ações inevitáveis aos bons resultados servem de aviso, nos casos posteriores.
Aprender, por isso, as lições, às vezes de preços elevados, porém ainda com os pés no caminho e no tempo do presente, oferece os braços aos estudantes atenciosos. Dias melhores virão, no suor da reconstrução. E a casa pertencerá sempre aos que souberem dela utilizar as oportunidades da milenar sabedoria.

Uma lição de civilidade – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Vivíamos no Crato, em outubro de 1958, eleições disputadíssimas. Concorriam ao cargo de prefeito o senhor Pedro Felício Cavalcante pelo PSD e José Horácio Pequeno pela UDN. Os comícios eram concorridíssimos de cada lado. Os udenistas chamavam os pessedistas de “gogó”, e eu nunca soube o porquê, e estes replicavam que os udenistas eram os “carrapatos”, talvez numa referência a esse partido ter vencido várias e sucessivas eleições. O meu pai concorria ao cargo de vice-prefeito na chapa da UDN. Era a primeira vez que esse cargo, desnecessário ainda hoje, era disputado.

Gerson Moreira, um dos meninos mais udenistas que conheci, desde criança um líder natural, organizou um comício dos meninos que a cada dia ganhava mais adeptos. À medida que as eleições se aproximavam mais gente acorria ao comício dos futuros políticos da nossa cidade. Surgiram palanques, sistema de som, todo requinte que os comícios dos políticos de verdade tinham.

Pedro Felício concorria pela quarta vez e compuseram uma paródia musical cujo refrão eu guardo na memória: (“hei Pedro Felício, hei seu teimosão, hei esta será a quarta decepção...”).

Certa noite, houve um desses comícios dos meninos defronte a casa do senhor José Honor de Brito, na Rua José Carvalho, bem perto de onde eu morava. Gerson, quando me viu, me convidou para o palanque e após alguns oradores falarem muito bem, me surpreendeu dizendo: “Agora vamos ouvir o filho do futuro vice-prefeito do Crato!” E de súbito, eu me vi engasgado, com o microfone nas mãos, todo trêmulo e sem saber o que falar. Então cochichei para o Gerson: “O que é que eu digo?” E alguém não identificado respondeu: “Diga que Pedro Felício é um ladrão!” Repeti como uma marionete esse recado, sem ao certo imaginar o que estava dizendo e fui muito aplaudido pela platéia que enchia a rua defronte do palanque.

Ao final daquele comício mirim que se encerrava cedo, provavelmente às oito horas da noite, voltei para casa satisfeito, crente que havia colaborado para eleição do meu partido. Mas por cerca das dez horas daquela mesma noite, eu fui bruscamente acordado pelo meu pai. Após a aplicação do corretivo usual para a educação daquele tempo, uma expressão que meu pai usou ficou para sempre no meu íntimo: “Pedro Felício é um homem de bem, é muito honesto e meu amigo. Eu não admito que você volte a falar o que falou dele! E está proibido de ir a esses comícios.” Realmente observava que papai se dava bem com todos os políticos do PSD e com seus eleitores também. Certa vez ele viajou com Pedro Felício, Jósio Araripe e outros amigos a Minas Gerais para comprarem gado da raça gir e nelore, ainda não existentes na nossa região. Muitos dos primos e primas do meu pai, da família Pinheiro eram do PSD e jamais houve inimizade entre eles.

Terminada a apuração da cidade, naquela época apuravam-se em primeiro lugar os votos das urnas da cidade e depois a votação dos distritos, Pedro Felício vencia o pleito com uma boa maioria, algo em torno de mil votos, se não me falha a memória. Para vice-prefeito, votava-se em separado, meu pai tinha quase a mesma votação que seu Pedro. Os “pessedistas” já comemoravam a eleição como certa. Diziam que aquela diferença não daria para os currais udenistas desfazerem.

Assistíamos ansiosos os resultados dos distritos e zona rural. Estávamos nas últimas urnas e a diferença cada vez mais sendo desfeita. Encerrada a apuração registrou-se a vitória do prefeito José Horácio Pequeno por uma pequena maioria, creio que 58 ou 63 votos, não lembro ao certo, só que foi por um valor muito pequeno. Eu estava presente ao encerramento daquela apuração, observando de longe a reação dos derrotados. Pedro Felício colocou o chapéu na cabeça, desceu humildemente as escadas da antiga prefeitura, onde hoje fica o museu do Crato, e se dirigiu à Rua Nelson Alencar, residência de José Horácio Pequeno.

A molecada acompanhava cantando o hino do “teimosão”. Vi quando ele entrou na casa do prefeito eleito, cumprimentou-o efusivamente, desejou os maiores êxitos para sua administração, bebeu o que lhe foi oferecido pelo anfitrião, participou da alegria dos vitoriosos por alguns minutos e, em seguida rumou para nossa casa para cumprimentar meu pai. Aquela atitude foi uma das maiores demonstração de urbanidade que eu já presenciei num homem público.

Quatro anos mais tarde, a UDN foi derrotada, e o Senhor Pedro Felício elegeu-se prefeito do Crato, na quinta tentativa.
Em 1972, candidatou-se uma segunda vez e mais foi reconduzido à prefeitura.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Do baú de Stela







Por de sol ao som de Bolero de Ravel

Ontem eu vi o sol se deitar diferente do que vejo todo dia. Foi de um jeito muito especial: o sol foi se deitar ao som do Bolero de Ravel. O homem vestido de branco, em pé dentro de um barco remado por um pescador, tocava no sax aquela música bela, tornando o momento mais grandioso. A música, o sol, as águas do rio, a vegetação, estavam unidos na doce harmonia do universo, reverenciando o Sagrado.

Ao som da melodia o sol se despedia, espalhando nas águas do rio seu brilho dourado. O céu também estava dourado. E aquela luz amarela tão especial era mensageira da luz divina maior, de amor, de cura, de fé, do brilho que aquece e que banha, que dá nova cor ao céu, às águas e aos corações contemplativos.
Quando o sol se deita no poente, levando sua luz e seu calor, a terra vai aos pouquinhos mudando de cor. As águas refletem novos tons, a luz se vai aos poucos, o crepúsculo matiza o mundo com nova cara. As cores vão escurecendo para dar lugar à senhora das sombras. A noite pede passagem com seu manto de escuridão. É hora de silenciar, aquietar o coração, contemplar, apenas contemplar. Unir-se a este momento de sagrada beleza e deixar que o silêncio se faça na alma, que assim, calada, escutará a voz interior, para que a ausência da luz externa acenda nossa luz interna, possibilitando ouvirmos outra canção. O silêncio e as sombras são caminhos para dentro da alma. Ela precisa silenciar, contemplar, receber a dádiva divina da beleza curativa do por do sol. É o momento de guardar a luz dentro de nós, para que no silêncio ele retorne no outro dia com um brilho maior, mais intenso, irradiando o amor que alimentamos no silêncio do recolhimento.
Momento de silêncio, momento de reverência, momento de gratidão.
(Olinda, 08/12/2003)


Quase 10 anos depois lembro esse momento de beleza com muita alegria.

Dedico esta postagem ao amigo Zé Nilton Figueiredo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS - Artista Internacionalmente reconhecido, Bruno Pedrosa recebeu o título de Cidadão Cratense no Teatro Municipal Salviano Saraiva


George Macário condena o DESCASO da Imprensa do Cariri por não divulgar informações culturais e reclama do pouco público presente

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Acima: Bruno Pedrosa posa para fotos ao lado do Pres. da Câmara Florisval Coriolano

Aconteceu ontem ( 2 ) às 19 horas, no Teatro Municipal Salviano Saraiva, uma sessão especial da Câmara de vereadores de Crato, que concedeu o título de cidadão Cratense ao artista internacionalmente reconhecido Bruno Pedrosa, nascido em Lavras da Mangabeira, que há muitos anos reside na Europa, onde tem mais de 200 trabalhos expostos em galerias, e é dos principais artistas cearenses a brilhar no mundo das artes.

Bruno Pedrosa está no Crato também por ocasião da exposição dos trabalhos restaurados do Museu de Arte Vicente Leite, que acontece de 30 de janeiro até o dia 03 de Fevereiro. A idéia do título de cidadão cratense foi proposta pelo ex-vereador "Tutu", que também se fez presente na solenidade. Após uma Sessão do ICC - Instituto Cultural do Cariri, presidida por Manoel Patrício de Aquino ( Nezim ) , que criou a cadeira Bruno Pedrosa e empossou o então Presidente da Fundação J. de Figueiredo Filho, George Macário ( foto abaixo ), como seu primeiro ocupante, a câmara de vereadores do Crato, presidida por Florisval Coriolano outorgou o título de cidadão Cratense a Bruno Pedrosa, que agora o é de fato e de direito.

O Pres. da Fundação J de Figueiredo Filho George Macário, reclamou em seu discurso, da escassez de público no teatro, e do DESCASO com que a imprensa caririense, principalmente o Rádio e a TV dão aos eventos culturais da região, questionando que o título "Crato, Capital da Cultura" não é um título outorgado pelo poder Público, mas uma consequência das manifestações do povo. George lamentou profundamente a falta de interesse do público em frequentar os museus, em interessar-se por arte em geral, e enfatizou a própria decadência tão apregoada pelo mau gosto musical das estações de Rádio não só do Cariri, mas do Ceará.

Na solenidade, alguns vereadores da oposição criticaram a escassez de representantes do governo Municipal, alegando que a administração não estaria dando a seriedade necessária aos eventos culturais, muito embora estivesse presente representando o prefeito Samuel Araripe, o seu vice Raimundo Bezerra Filho, que em discurso, rebateu todas as críticas sozinho, já que a bem da verdade, não haviam secretários de governo na reunião, justificado pelo vice-prefeito pelo fato de esta coincidir com outra reunião a acontecer no mesmo dia e horário promovida pelo Prefeito do Crato Samuel Araripe, a fim de tratar de assuntos relativos às últimas chuvas e à enchente do canal do Rio Grangeiro.

Já em seu discurso emocionado, Bruno Pedrosa disse entre outras coisas, que desde cedo aprendeu que quando se falava em Cultura e Arte no Cariri, estava associado à palavra Crato, e que o valor desta comenda era incomensurável. Visivelmente emocionado, confessou não saber fazer discursos, muito embora seu discurso foi um dos que mais emocionou a platéia. O artista Bruno Pedrosa se revela um ser humano de grande inteligência e excepcional humildade. Segundo o Vice-Prefeito Raimundo Bezerra Filho, é o tipo de solenidade em que o valor da pessoa supera em muito o valor da própria comenda recebida. A cerimônia foi conduzida pelo memorialista Huberto Cabral. Estiveram presentes na mesa de honra, a restauradora Edilma Rocha, o escritor Emerson Monteiro, e diversos vereadores do Crato.

Mais informações, logo mais no Blog do Crato, inclusive com a cobertura fotográfica completa e parte transcrita dos discursos dos vereadores e do próprio Bruno Pedrosa. O Blog do Crato gravou toda a solenidade em áudio e parte em vídeo.

Edição: Dihelson Mendonça
Para o Blog Cariricaturas