Criadores & Criaturas
"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata."
(Carlos Drummond de Andrade)
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
CHARLES DICKENS - Escritor que contribuiu para a crítica social na literatura de ficção inglesa
Charles John Huffam Dickens, FRSA (Portsmouth, 7 de Fevereiro de 1812 — 9 de Junho de 1870), que também adoptou o pseudónimo Boz no início da sua actividade literária, foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana. A fama dos seus romances e contos, tanto durante a sua vida como depois, até aos dias de hoje, só aumentou. Apesar de os seus romances não serem considerados, pelos parâmetros actuais, muito realistas, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.Dickens nasceu em uma sexta-feira na cidade de Moure ( condado de Hampshire, Inglaterra), filho de John Dickens, funcionário perdulário da Armada, e de sua esposa Elizabeth Barrow. Quando fez cinco anos, a família mudou-se para Chatham, no condado de Kent.
Descrever-se-ia a si mesmo, mais tarde, como uma criança não particularmente muito mimada. Ensinado por sua mãe, passava muito do seu tempo a ler infindavélmente – e, com especial devoção as novelas picarescas de Tobias Smollett e Henry Fielding. Entre os livros da sua infância encontravam-se também obras de Daniel Defoe, Goldsmith, bem como o "Dom Quixote", "Gil Blas" e "As Mil e uma noites". A sua memória fotográfica serviria, mais tarde, para conceber as suas personagens e enredos ficcionais, baseando-se muito nas pessoas e acontecimentos que foram marcando a sua vida.
A sua família era remediada em termos económicos, o que lhe permitiu frequentar uma escola particular durante três anos. A situação piorou, contudo, quando o seu pai foi preso por dívidas, depois de gastar os recursos da família no afã de manter uma posição social periclitante. Com dez anos de idade, a família mudou-se para o bairro popular de Camden Town em Londres, onde ocupavam quartos baratos e, para fazer face aos gastos, empenharam os talheres de prata e venderam a biblioteca familiar que tinha feito as delícias do jovem rapaz. Com doze anos, Dickens já tinha a idade considerada necessária para trabalhar na empresa Warren’s onde se produzia graxa para os sapatos com betume, junto à actual Estação ferroviária de Charing Cross. O seu trabalho consistia em colar rótulos nos frascos de graxa, ganhando, por isso, seis xelins por semana. Com o dinheiro, sustentava a família, encarcerada na prisão para devedores, em Moure onde ia dormir.
Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou consideravelmente, graças a uma herança recebida pelo seu pai. A sua família deixou a prisão, mas a mãe não o retirou logo da fábrica, que pertencia a um amigo. Dickens jamais perdoaria a mãe por essa injustiça. O tema das más condições de trabalho da classe operária inglesa tornar-se-iam, mais tarde, um dos mais recorrentes da sua obra.
Início de carreira
Em agosto Dickens começou a trabalhar num escritório, emprego que lhe poderia valer, mais tarde, a posição de advogado. Não gostou, no entanto, do trabalho nos tribunais e, depois de aprender taquigrafia, foi, por um breve período, estenógrafo do tribunal. Com dezoito anos de idade, começou outro período de leituras intensas tendo-se inscrito na biblioteca do British Museum. Por esta altura, apaixona-se pela filha de um banqueiro, Maria Beadnell. Os pais da menina desaprovaram, contudo, o idílio amoroso devido ao passado dos pais de Dickens. A própria Maria tornar-se-á indiferente a Charles depois de uma viagem "educativa" a França. Dickens levará um ano a superar este desgosto amoroso.Tornou-se, depois, jornalista, começando como cronista judicial e, depois, fazendo relatos dos debates parlamentares e cobrindo as campanhas eleitorais pela Grã-Bretanha fora, de diligência. Os seus Sketches by Boz ("Esboços de Boz" - Boz era a alcunha do seu irmão mais novo que não era capaz de pronunciar devidamente "Moses" - Moisés, em inglês) são fruto desta época e são constituídos por pequenas peças jornalísticas em forma de retratos de costumes, originalmente escritas para o "Morning chronicle". Ao longo da sua carreira, Dickens continuou, durante muito tempo, a escrever para jornais.
Com pouco mais de vinte anos, o seu The Pickwick Papers (Os Documentos Póstumos do Clube Pickwick) estabeleceu o seu nome como escritor. A ideia inicial desta obra era que Dickens escrevesse comentários a ilustrações desportivas. De 1831 a 1834, a New Sporting Magazine comprovou o sucesso desta receita editorial com a sua série "Jorrock´s Jaunts and Jollities" sobre um comerciante cockney que quer a todo o custo ser reconhecido como o bom caçador que não era. Querendo seguir a mesma ideia, Robert Seymour propôs aos editores Chapman and Hall criar uma série semelhante sobre um tal de "Clube Nimrod" (Nimrod é uma personagem bíblica descrita como sendo um grande caçador) onde também se troçaria dos caçadores inexperientes, mas cheios de si mesmos. Procuraram-se escritores para "complementar" as imagens com textos. A terceira opção, perante a recusa dos dois primeiros, era Dickens, que escrevera os seus Esboços para a mesma editora. Dickens rapidamente tomou conta do projecto e rejeitou a ideia de um clube de caçadores - a ideia não lhe agradava. Criou, pelo contrário, um clube de observadores de curiosidades, o que afastou definitivamente o ilustrador que tivera a ideia inicial, Seymour, que viria a suicidar-se na sequência destes acontecimentos. Procurou-se outro ilustrador. É curioso que tenha sido rejeitado um tal de William Makepeace Thackeray que tornar-se-ia outro vulto de importância no romance vitoriano (geralmente colocado logo a seguir a Dickens, na opinião de muitos estudiosos da literatura inglesa - ou mesmo superior a Dickens, na opinião de outros). O novo ilustrador, conhecido pela alcunha de Phiz, deu conta do recado.
A fama
A 2 de Abril de 1836 (três dias depois da publicação do primeiro fascículo de "Pickwick"), casou-se com Catherine Hogarth, de quem teve dez filhos. A recepção do público a Pickwick não foi calorosa desde o início. Só quando aparece a personagem de Sam Weller, o criado de Pickwick e que acompanha as aventuras do seu amo ao jeito de um Sancho Pança ao lado de Dom Quixote, é que as vendas sobem de 400 exemplares para 40 000! Em 1838, em decorrência do sucesso de Pickwick, propõe a publicação de "Oliver Twist" onde, pela primeira vez, apontava para os males sociais da era vitoriana. O romance, divulgado em folhetins semanais, terá também o seu ilustrador: Cruikshank.
Em 1842 viajou com a sua esposa para os Estados Unidos da América. A viagem foi descrita, depois, no curto relato de literatura de viagens American Notes, existindo também influências da mesma em alguns episódios de Martin Chuzzlewit. Ao entusiasmo com que foi recebido, de início, nos Estados Unidos, seguiu-se uma estadia menos calorosa, devido às críticas que teceu à política editorial deste país, acusando os editores de plágio em relação à literatura produzida na Grã-Bretanha.
Em 1843, publicava o seu mais famoso livro de Natal, "A Christmas Carol" ("Canção de Natal"), ao qual se seguiriam outros, com a mesma temática, como "The Chimes" (1844), que escreveu em Génova na sua primeira grande viagem ao estrangeiro (se descontarmos a breve incursão aos Estados Unidos). Em 1845, "The Cricket on the Hearth" ("O Grilo da lareira") torna-se também um dos seus maiores sucessos natalícios. Em 1848 publicava "Dombey and Son", escrito principalmente no estrangeiro, onde descreve o meio dos transportes ferroviários - outro tema estreitamente relacionado com a Revolução Industrial que conformava a sociedade vitoriana.
Em 1849 publicou aquele que viria a ser o mais popular dos seus romances, David Copperfield, onde se inspirava, em grande parte, na sua própria vida. As amizades literárias de Dickens incluíam, em 1854, Thomas Carlyle, a quem dedicará o seu romance "Tempos Difíceis". A revista semanal Household Words, onde viria a publicar, em folhetins, alguns dos seus romances, foi fundada também por ele, em 1850. A revista seria reformulada em 1859, mudando de nome para "All the year round". Os livros de Dickens tornaram-se extremamente populares na época e eram lidos com grande expectativa por um público muito fiel à sua escrita. O seu sucesso permitiu-lhe comprar Gad’s Hill Place, perto de Chatham, em 1856. Esta casa fazia parte do imaginário de Dickens, desde que por ela tinha passado, em criança – sonhando que um dia poderia lá viver. O local tinha ainda um significado especial porque algumas cenas do Henrique V de Shakespeare localizam-se nesta mesma área. Essa referência literária agradava de sobremodo a Dickens.
Últimos anos de vida
Dickens separou-se da sua mulher em 1858. O divórcio era um acto altamente reprovável durante a era vitoriana, principalmente para alguém com a notoriedade dele. Continuou, contudo, a pagar-lhe casa e sustento durante os restantes anos em que ela viveu. Ainda que tivessem sido felizes no seu início de vida conjugal, Catherine parecia não partilhar a energia de viver sem limites de Dickens. O trabalho de cuidar dos dez filhos do casal, aliado à pressão resultante de ser a esposa e dona de casa de um romancista mundialmente reconhecido não ajudava. A sua irmã, Georgina, tinha mudado para casa de Dickens, para ajudar Catherine no seu trabalho doméstico – há, contudo, rumores de que teve um caso amoroso com o cunhado. Georgina manteve-se com Dickens após a separação para cuidar dos filhos do casal. Podemos encontrar um indício da insatisfação marital de Charles num encontro que este teve em 1855 com Maria Beadnell, o seu primeiro amor.A 9 de Junho de 1865, estando de regresso de França, onde fora visitar Ellen Ternan, Dickens viu-se envolvido no acidente ferroviário de Staplehurst, em que as seis primeiras carruagens do comboio caíram de uma ponte em reparação. A única carruagem de primeira classe que se manteve na linha foi, por coincidência, aquela onde seguia Dickens. O escritor mostrou-se ativo a cuidar dos feridos e moribundos antes de chegarem os esforços de salvamento. Quando se preparava para abandonar o lugar trágico lembrou-se, ainda a tempo, de que tinha deixado dentro do comboio o manuscrito inacabado do seu romance Our Mutual Friend (O nosso amigo comum) e voltou à carruagem para o buscar. Dickens sofreu um acidente, já que se tornaria público que seguia viagem com Ellen Ternan e a sua mãe – o que seria escandaloso – até porque como tinha conhecido a actriz em 1857, a opinião púbica rapidamente a apontaria como a causa da separação de Catherine. Ellen foi, para todos os efeitos, a mulher que acompanhou Dickens até ao final dos seus dias, apesar de a união nunca ter sido reconhecida oficialmente.
Ainda que tivesse escapado ileso do acidente, nunca chegou a recuperar totalmente do choque. Isso é evidente no ritmo da sua produção que decresce bastante depois deste episódio. Levará algum tempo a completar Our Mutual Friend e a começar a sua obra incompleta, The Mystery of Edwin Drood, onde se notam influências de Wilkie Collins, que fazia parte do círculo de amigos de Dickens e que é considerado um dos pioneiros do romance policial. A partir de 1858, os seus últimos anos de vida serão ocupados principalmente com leituras públicas. Esse género de espectáculos, que consistia apenas em ouvir Dickens a ler as suas suas obras mais conhecidas, tornaram-se incrivelmente populares. Note-se que na altura era comum ler em voz alta em família ou em grupos – a leitura expressiva era muito valorizada. E Dickens, com a sua interpretação apaixonada e a forma como se entregava à narração, não só arrebatava gargalhadas (e, principalmente, lágrimas) das audiências, como se arrebatava a si mesmo, exaurindo as suas forças. O esforço dispendido nestes espectáculos é, muitas vezes, apontado como uma das causas da sua morte. Em 1867 foi convidado a voltar aos Estados Unidos para uma digressão das suas leituras.
Morreu de morte cerebral em junho de 1870. Foi sepultado no Poets' Corner ("Esquina dos Poetas"), na Abadia de Westminster. Na sua sepultura está gravado: "Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo." Na década de 1980, a histórica Eastgate House (casa Eastgate), em Rochester, no Kent, foi convertida num museu dedicado a Charles Dickens. Anualmente realiza-se na cidade o Festival Dickens. A casa onde nasceu, em Portsmouth é, também, um museu actualmente.
Fonte: Wikipedia
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Homenagem:Ao Senhor dos Pinceis e da Arte de Fotografar-Wilson Bernardo.
EDILSON ROCHA...Quando o tempo de flores agrestes,sua maquina que ao provável se fazia ao certo!
POEMA PARA AS LENTES FOTOGRÁFICAS.
O homem concebe ao tempo
da idade
O prazer de envelhecer
Na sabedoria do que se faz
A tela e a imagem
O revelar e a perspectiva
das cores desconstruidas
em pinturas
em fotografias
Nos revelando a pureza do olhar
No envelhecimento magico das retinas.
Wilson Bernardo(Poema & Fotografia)
deixa o menino brincar
OLHA O MENINO
Eu só quero que Deus me ajude
E o menino muito mais também
Pois a rosa é uma flor
A flor é uma rosa
E o menino não é ninguém
Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui
Há seis mil anos
o homem vive feliz
fazendo guerra e asneiras
Há seis mil anos
Deus perde tempo
fazendo flores e estrelas
Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui
Eu sou um homem sincero
porque nasci cresci e vivo livre
Eu sou um homem sincero
que quero morrer nascer
e viver livre
Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui
(Jorge Ben)
Pois a rosa é uma flor
A flor é uma rosa
E o menino não é ninguém
Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui
Há seis mil anos
o homem vive feliz
fazendo guerra e asneiras
Há seis mil anos
Deus perde tempo
fazendo flores e estrelas
Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui
Eu sou um homem sincero
porque nasci cresci e vivo livre
Eu sou um homem sincero
que quero morrer nascer
e viver livre
Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui
(Jorge Ben)
Foto: Chagas. Menino no Largo de São Bento.
A estética que salvou o cangaço - (Dedicado a Manoel Severo)
Pesquisador mostra que a linguagem fez o levante ficar na memória, apesar dos esforços oficiais de riscá-lo do mapa
Estrelas de Aço: A estética do cangaço (Escrituras Editora, 258 páginas, R$ 150, 2010) é livro de arte com mais de 300 fotos. A obra, que tem fotos inéditas, prefácio de Ariano Suassuna e ilustrações do arquiteto Antônio Montenegro, é resultado de 13 anos de pesquisa e 25 anos de estudo. Historiador e advogado, Pernambucano de Mello foi procurador federal em Recife e, de 1972 a 87, integrou a equipe do sociólogo Gilberto Freyre na Fundação Joaquim Nabuco. Especializou-se nos conflitos da história nordestina, em particular os levantes populares que não se sujeitavam aos valores coloniais, como os "guerreiros do sol", como chama os cangaceiros.
Dono de um acervo com mais de 160 objetos do cangaço, Pernambucano de Mello pretende um dia criar um museu. Até lá, acredita que a vingança do cangaço à derrota militar está em sua estética, expressa em seu vestuário simbolizado pelo chapéu em meia-lua com estrela e na linguagem popular nordestina, que até hoje se instala na fala e na cultura da região.
A suntuosidade das roupas do cangaço fez Mello reiterar a análise antecipada por Língua em 2006, pelos pesquisadores Leandro Cardoso Fernandes e Antonio Amaury Corrêa de Araújo, segundo a qual a imponência da indumentária no cangaço só encontra paralelo na história dos conflitos humanos nas figuras do samurai japonês e do cavaleiro medieval europeu.
A riqueza de vestuário e linguagem forma, para o historiador, o traço arcaico do homem ligado ao místico e ao divino. Para os cangaceiros, os elementos estéticos faziam com que ultrapassassem a sua condição, criavam uma blindagem alegórica que os descolava de seus crimes.
Sua indumentária cheia de adereços era versão das roupas de vaqueiros, adaptada ao meio e ao cenário. As abas do chapéu de couro permitiam visão lateral, o que evitava emboscadas. Aberta na frente, a alpercata de rabicho protegia o pé de espinhos e do calor. Para carregar até 30 quilos de peso, o cangaceiro usava bornais na lateral, enquanto os "macacos" (soldados) eram obrigados a usar mochilas concentrando todo o peso nas costas, tirando seu ponto de equilíbrio.
A importância da palavra no cangaço integrava a imagem que os bandos queriam transmitir de si mesmos. Para Fernandes e Araújo, novos membros do bando ganhavam um "vulgo" (apelido) a que deviam honrar. Em caso de morte, quem o substituía herdava o vulgo, para perpetuar e imortalizar a reputação do cangaceiro.
Imponência
Os cangaceiros foram donos de uma riqueza vocabular própria, mais rica que os manjados termos a eles associados, como "volante" (equipe móvel de perseguição policial) e "macaco" (soldado). Para Fernandes e Araújo, muitos termos usados pelos bandos não eram conhecidos do sertanejo comum e formavam um jargão militar próprio. Com o fim do movimento, parte dos termos passou a ser usado de maneira corrente no sertão. Nem sempre de forma duradoura - algumas palavras terminaram esquecidas, como "gargulina" (enjoo), "desaprecatado" (desprevenido), "jabiraca" (lenço de pescoço).
Para Pernambucano de Mello, a estética do cangaço tornou o cangaço um mito primordial brasileiro. Em sua opinião, os cangaceiros não eram criminosos comuns, que tentam se misturar ao ambiente para não serem notados.
Não se camuflavam, nem se escondiam: faziam do estardalhaço visual, e verbal, seu cartão de visita.
| Partes das armas brancas e punhais dos cangaceiros: nomenclatura própria | Esquema da cartucheira, por Antonio Montenegro, e modelo usado no Ombro por Lampião (foto), em 1938: linguagem ornamental | |
Detalhe dos nomes dados pelos cangaceiros às partes do chapéu de estrela e os protetores de Lampião: aprumo vocabular era também visual | ||
| Cantil de viagem longa de Lampião, em 1932: cores vivas | ||
Cangaço triunfou mesmo com morte de Lampião, com vestuário e traços na linguagem popular | Utensílios como os de Lampião recebiam nomes do cangaço e faziam sua reputação | |
Nomeclatura dos bornais, acima, e roupas e armas de Maria Bonita (foto), abaixo | ||
| Vocabulário da cartucheira | |
| Arreiado - Cangaceiro ou soldado bem equipado. "Arreio" é cartucheira. Botada - Ataque surpresa. Brigada - Combate. Carrego - Bagagem do cangaceiro/soldado, derivado de "carregamento". Costureira - Metralhadora. Também "fuzil de gancho". Coito - Acampamento de cangaceiros. Deu origem a "coiteiro", pessoa que ajudava cangaceiros, quem lhes dava coito. Corta rastro - Expressão tirada do vocabulário dos vaqueiros à caça de reses desgarradas, nomeava a técnica de comparar pegadas para achar o rastro de cangaceiros (muitos usavam sapatos com falsas solas invertidas).Papo de ema - Reservatório perto das cartucheiras para guardar dinheiro. Rastejador - Guia das volantes que decifrava os rastros na terra. Rua - Cidade. Russeio - Barulho. Torneira - Casa com buraco na parede para pôr fuzil e reagir a ataque. Tracação, melodia - Nomes dados ao coito, à diversão sexual. Fonte de pesquisa: http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=12223 |
"Por que somos tão desprezados como professores?"
Faça uma enquete, professor: quantos dos seus alunos pretendem se dedicar ao magistério?
Por Fábio dos Santos*
"Peraí, nada de desânimo, caro colega, cada um pensa o que bem quiser, somos ou não donos de um país livre?", disse o professor de Matemática, Carlos, dirigindo-se à professora de Biologia, Cláudia. Eu apurei os ouvidos. Estávamos no intervalo. De todos naquela sala, eu era o mais jovem e novato professor. "Não se trata de uma apologia contra o magistério", continuou, sempre incisivo. "Mas, que dá vontade de largar tudo de uma vez, isso ninguém pode negar."
"Então, por que somos tão desprezados como professores?", queixou-se Cláudia. E a questão pairou no ar.
Dentro da sala de aula, os alunos percebem o que se passa com o professor a cada dia. Eles se inteiram de tudo, graças à velocidade das e ao acesso fácil às informações. O que é mais prático aprender: o quanto é investido na educação, por exemplo, ou na segurança etc. ou funções, equações de 2º grau, polinômios? Como alunos, chega até ser irritante o quanto somos obrigados a ver um assunto que nunca utilizaremos em nossas vidas. Por isso o desinteresse de Afonsinho ou de Joãozinho por determinadas matérias
.
Em detrimento às dificuldades apresentadas por algumas disciplinas, ouvimos das bocas rasas dos alunos uma aversão exacerbada pela profissão de professor. Quer ver: faça uma enquete, caro colega, em sala de aula, sem compromisso, e conte quantos alunos sonham em ser professor. Não desanime nem faça muxoxos com o resultado se as profissões campeãs forem na área jurídica ou médica. O sistema é bruto, todos nós sabemos. O que não justifica cochichar pelos cantos, reclamar feito louco, passando-se por coitado, sem ao menos tomar uma atitude.
Quando era aluno do fundamental, me perguntaram o que eu gostaria de ser. Imaginem a profissão! Escritor. E olha o que me tornei: professor. Desanimar? Nunca. Mas fica aquela sensação de que quem não tem talento ou dom para fazer qualquer outra coisa na vida se não lecionar estará condenado a sonhar pequeno.
(*) É poeta e professor de Literatura e Língua Portuguesa da Escola Estadual Dr. Edson dos Santos Bernardes, que fica no bairro do Vergel, Maceió-Alagoas.
Fonte de Pesquisa:
http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/21/retratos-158393-1.asp
Fonte de Pesquisa:
http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/21/retratos-158393-1.asp
Filosofia na sala de aula - Revista Literatura (Escala Educacional)
O que as pessoas modernas precisam compreender é que toda discussão começa com um pressuposto
por G.K. Chesterton
O que as pessoas modernas precisam compreender é que toda discussão começa com um pressuposto; isto é, com algo de que você não tem dúvidas. Você pode, é claro, se quiser, duvidar do pressuposto no início do seu argumento, mas nesse caso você está na verdade começando um argumento diferente, com outro pressuposto em seu início. Todo argumento se inicia com um dogma infalível; se você nunca poderá provar sua primeira afirmação, ela não deveria ter sido a primeira. Este é o abecedário do pensamento. E isso é especial e positivo sobre isso: pode ser ensinado na escola, como qualquer abecedário. Não começar um argumento sem afirmar seus pressupostos pode ser ensinado em filosofia em uma escola comum, com um quadro negro, tal qual é ensinado em Euclides. E eu acredito que pode ser ensinado em um nível simples e racional mesmo para as crianças, antes de irem para as ruas e serem expostas à lógica e à filosofia da mídia de massa.
Muito do caos sobre dúvida e religião vem disso: do fato que nosso ceticismo moderno sempre começa por nos dizer para não acreditar. Mas mesmo sobre um cético nós querermos saber em que ele acredita. Antes de argumentar, nós queremos saber se sobre o que não precisaremos argumentar. E toda essa confusão é infinitamente ampliada pelo fato que todos os céticos de nosso tempo são descrentes em diferentes níveis da dissolução do próprio ceticismo.
Agora eu e você temos, espero, esta vantagem sobre todos esses espertos novos filósofos: nós não somos loucos. Todos nós acreditamos na Catedral de São Paulo; a maioria de nós acredita em São Paulo. Mas nos deixe esclarecer esse fato, que nós acreditamos em coisas que são parte de nossa existência, mas não podem ser demonstradas. Deixemos a religião fora da questão por um momento. Todos os homens sãos, eu digo, acreditam firme e inalteradamente em um certo número de coisas que não foram provadas e são improváveis. Vamos falar delas francamente:
Agora eu e você temos, espero, esta vantagem sobre todos esses espertos novos filósofos: nós não somos loucos. Todos nós acreditamos na Catedral de São Paulo; a maioria de nós acredita em São Paulo. Mas nos deixe esclarecer esse fato, que nós acreditamos em coisas que são parte de nossa existência, mas não podem ser demonstradas. Deixemos a religião fora da questão por um momento. Todos os homens sãos, eu digo, acreditam firme e inalteradamente em um certo número de coisas que não foram provadas e são improváveis. Vamos falar delas francamente:
1 Todos os homens sãos acreditam que mundo a sua volta e as pessoas nele são reais, e não sonho ou ilusão. Nenhum homem ateia fogo em Londres na crença que seu servo logo irá acordá-lo para o café da manhã. Mas o fato que eu, a qualquer momento, não estou em um sonho, não foi provado e é impossível de ser provado. O fato que qualquer coisa além de mim existe não foi provado e é impossível de ser provado.
2 Todos os homens sãos acreditam que este mundo não apenas existe, como também importa. Todo homem acredita que há algum tipo de obrigação em nós que nos torna interessados em esta visão ou panorama de vida. Ele acharia errado um homem que dissesse "Eu não pedi por esta farsa e ela me deixa entediado. Eu estou ciente que uma mulher idosa está sendo assassinada no andar de baixo, mas estou indo dormir". O fato que há qualquer tipo de obrigação de melhorar as coisas erradas é algo que não foi provado e é impossível de ser provado.
3 Todos os homens sãos acreditam em algo equivalente a um eu, ou ego, que é continuo. Não há uma polegada a mais no meu cérebro que continue a mesma que a de dez anos atrás. Mas se eu salvei um homem em batalha dez anos atrás, eu continuo orgulhoso; se eu fugi de medo, eu continuo envergonhado. Este "eu" soberano não foi provado e é impossível de ser provado. Mas é mais que não comprovado e impossível de ser provado; é um tema definitivamente debatido por muitos metafísicos.
4 Por último, a maior parte dos homens sãos acreditam, e todos os homens sãos dizem acreditar, que possuem um poder de escolha e de responsabilidade por suas ações.
Certamente se podem estabelecer declarações simples e enfadonhas como as acima, para fazer as pessoas verem em que estado se encontram. E se à juventude do futuro não for ensinada qualquer religiosidade, que pelo menos sejam ensinadas, clara e firmemente, as três ou quatro sanidades e certezas do livre pensamento humano.
Daily News, 22 de junho de 1907
Fonte de pesquisa:
http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/34/filosofia-na-sala-de-aula-207161-1.asp
(IN) INPULSOS - 2001 - Por Wellington Alves
E isto já me bastaNão sou de ouvir tolicesBobagens, palavras vãsCoisas sem nada
A engenharia do meu cérebroExige passos otimistasIdeias e ideaisComprometidos comigo
A arquitetura de minha almaDispensa a hipocrisia do mundo
Não vulgarizo pensamentosNem penso vulgaridadesNão banalizo coisasNão coisifico banalidadesNão me animalizoNa certeza de que sou mortalSou intoleranteTalvez intolerável
Mas me bastoNa clausura do meu tempo
Na solidão deste momento..
Texto de Wellington Alves (postado com a autorização do autor)
Texto sem título (pág 181) - Publicado no livro "inpulsos" - Ed. ABC - Edições SOBRAMES
VITRINE FOTOGRÁFICA - Por Samuk
Quando as artes se encontram
Quando as palavras se encontram
Quando os amigos se encontram
Descobrimos o quanto é belo sonhar
Observar
Sentir.
A ARTE.
Fotos de Samuk - janeiro de 2011.
Por que não falar de futebol? - Por José de Arimatéa dos Santos
Interessante que as torcidas rivais se respeitavam e a violência entre torcedores era mínima. Futebol é um esporte mágico e como tal a torcida deve ser de respeito e brincadeira. Nada de violência. Noventa minutos de espetáculo tanto no campo de futebol e na arquibacanda. Aplauso e reclamação, mas tudo dentro da civilidade e ao final do jogo a confraternização pelo futebol jogado. O futebol é mágico e cheio de lugares comuns como: "o futebol é uma caixinha de surpresa", "a bola pune", "são onze contra onze" e outras maravilhosas pérolas. O futebol une toda uma nação e transforma cada brasileiro num treinador que discute e arma seu time no melhor esquema tático. E todo final de semana ao fim do domingo vai deitar com a alegria da vitória de seu time do coração ou com a cabeça inchada por mais uma derrota. Futebol é vida. Futebol significa empate, derrota ou vitória. Isso é a vida.
Foto: José de Arimatéa dos Santos
Ilusões de um cachorro - Emerson Monteiro
Indagado qual a razão de o cachorro ser o melhor amigo do homem, com propriedade um sábio respondeu: - Porque ainda não conhece o dinheiro. Ah! Os bens materiais, quantas cogitações equivocadas podem ocasionar no bloco das vaidades humanas. Tal vê, também, os comportamentos animais, acho que nas fases de preparação de outras vivências da natureza. Sei não, pois há tantos mistérios a desvendar, da terra ao céu, que causa ânsias e vertigem.
O cachorro da minha casa, por exemplo, este apresenta manias bem típicas dos bichos da espécie, com o agravante das arrogâncias dos cachorros de raça, valentões, pretensiosos, dos que olham de cima as pessoas. Sempre que abro a porta para sair na varanda, ali está ele, o verdadeiro dono do pedaço. A segunda coisa que faz depois de balançar o toco do rabo, trazido assim mutilado, segundo explicaram, para manter o padrão da raça, a segunda coisa, mostrar a língua e lamber o focinho, tomando gosto, qual abríssemos a porta toda vez só para lhe levar alimento.
Acha-se o dono absoluto de toda a extensão territorial da casa e do muro que a cerca. Mija por todo canto, costume estudado pelos especialistas caninos que adotam para demarcar o espaço das suas pertenças. Nesse ponto, mora o título deste comentário, o motivo das ilusões dos cachorros, por pensarem possuir o mundo inteiro onde mijam descaradamente. Caso consiga escapar até a rua, sai mijando tudo que aparece à frente, semelhante ao que providencia cada vez que chego com o carro, renovando mijadas nos pneus, parachoques, lataria, reforçando o instinto que alimenta de proprietário exclusivo do transporte que adquirimos com relativa dificuldade. Ele nem de longe imagina o que de antipatia isso acarreta no dono, essa pretensão de garantir só para si um direito que corresponde à família inteira.
Os passarinhos que pastam pelas imediações em volta da casa, a seu modo, sofrem na pele essa inclinação possessiva do cão alienado em constante vigilância. Corre e late desesperado quando sanhaços, sabiás, anuns, garrinchas, griguilins, pardais, vinvins, lavandeiras, aventuram catar insetos e sementes no chão. Vez em quando aparece pássaro morto na varanda, prática parecida com a dos humanos, únicos animais que matam e abandonam a vítima. Os outros assassinam apenas no propósito da sobrevivência.
As ilusões do cachorro chegam ao domínio de causar mais constrangimento aos seus donos. Caso saia a telefonar na varanda, quem aparece, ele, atento na escuta de toda a conversar, quebrando qualquer sigilo, semelhante aos agentes secretos deste mundo. Até hoje, porém, não descobrir de como se beneficia da escuta privilegiada.
Sua agressividade patrimonial, no entanto, restringe as visitas que de raro recebemos, seleção prévia que ele mesmo estabelece. Resultado, alguém bate no portão e eu corro apressado a prender dito chefe provincial, o que deixa a impressão do tanto de analogia dos bichos com os humanos, tão cheios de ilusões de honras e posses, durante a curta jornada desta vida, surpreendidos, inevitáveis, nas folhas que, secas, voam dos calendários.
O cachorro da minha casa, por exemplo, este apresenta manias bem típicas dos bichos da espécie, com o agravante das arrogâncias dos cachorros de raça, valentões, pretensiosos, dos que olham de cima as pessoas. Sempre que abro a porta para sair na varanda, ali está ele, o verdadeiro dono do pedaço. A segunda coisa que faz depois de balançar o toco do rabo, trazido assim mutilado, segundo explicaram, para manter o padrão da raça, a segunda coisa, mostrar a língua e lamber o focinho, tomando gosto, qual abríssemos a porta toda vez só para lhe levar alimento.
Acha-se o dono absoluto de toda a extensão territorial da casa e do muro que a cerca. Mija por todo canto, costume estudado pelos especialistas caninos que adotam para demarcar o espaço das suas pertenças. Nesse ponto, mora o título deste comentário, o motivo das ilusões dos cachorros, por pensarem possuir o mundo inteiro onde mijam descaradamente. Caso consiga escapar até a rua, sai mijando tudo que aparece à frente, semelhante ao que providencia cada vez que chego com o carro, renovando mijadas nos pneus, parachoques, lataria, reforçando o instinto que alimenta de proprietário exclusivo do transporte que adquirimos com relativa dificuldade. Ele nem de longe imagina o que de antipatia isso acarreta no dono, essa pretensão de garantir só para si um direito que corresponde à família inteira.
Os passarinhos que pastam pelas imediações em volta da casa, a seu modo, sofrem na pele essa inclinação possessiva do cão alienado em constante vigilância. Corre e late desesperado quando sanhaços, sabiás, anuns, garrinchas, griguilins, pardais, vinvins, lavandeiras, aventuram catar insetos e sementes no chão. Vez em quando aparece pássaro morto na varanda, prática parecida com a dos humanos, únicos animais que matam e abandonam a vítima. Os outros assassinam apenas no propósito da sobrevivência.
As ilusões do cachorro chegam ao domínio de causar mais constrangimento aos seus donos. Caso saia a telefonar na varanda, quem aparece, ele, atento na escuta de toda a conversar, quebrando qualquer sigilo, semelhante aos agentes secretos deste mundo. Até hoje, porém, não descobrir de como se beneficia da escuta privilegiada.
Sua agressividade patrimonial, no entanto, restringe as visitas que de raro recebemos, seleção prévia que ele mesmo estabelece. Resultado, alguém bate no portão e eu corro apressado a prender dito chefe provincial, o que deixa a impressão do tanto de analogia dos bichos com os humanos, tão cheios de ilusões de honras e posses, durante a curta jornada desta vida, surpreendidos, inevitáveis, nas folhas que, secas, voam dos calendários.
Será ??? - José Nilton Mariano Saraiva
Como os "eternamente do contra" não dão trégua e já estão querendo atribuir à administração Dilma Rousseff a responsabilidade pela falta de energia em Estados do Nordeste (por poucas horas), numa dessas noites passadas (comparando-a inapropriadamente com o "verdadeiro apagão" da era FHC), é bom atentar para a notícia abaixo (atentem para os horários das ocorrências).
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A tempestade solar e o blackout no Nordeste
Apesar do recente apagão do Nordeste ter como provável causa o acionamento do sistema de proteção em uma subestação no município de Jatobá, em Pernambuco, as causas que levaram ao apagão podem ter sido provocadas por um repentino pulso eletromagnético ocorrido às 23h36 (hora do Nordeste), provocado por uma tempestade solar. Em boletim recebido do SWPC, Centro de Previsão de Tempo Espacial dos EUA, às 02h36 UTC (23h36 no Nordeste e 00h36 em Brasília), magnetômetros instalados em Boulder, no Colorado, registraram um repentino pulso eletromagnético de 8 nanoTeslas ("Tesla" é a unidade de medição de campos magnéticos). Exatamente nesse mesmo instante, quase toda a região Nordeste do Brasil ficou às escuras. Segundo relatos feitos no site Painel Global, diversos carros e luzes também apresentaram funcionamento errático e intermitente, além de muita interferência nas estações de rádio.
O pulso eletromagnético detectado nos EUA teve origem após uma explosão solar ocorrida no dia 31 de Janeiro, quando uma grande quantidade de massa coronal foi ejetada da estrela. A maior parte dessas partículas seguiu em direção ao espaço, enquanto uma pequena parcela atingiu o campo magnético terrestre e pode ter provocado auroras nas latitudes médias e altas.
Ainda é muito cedo para se afirmar com certeza se de fato o pulso eletromagnético foi o responsável por fazer "cair" o sistema elétrico em diversos Estados, mas os relatos de interferências em estações de rádio associados ao exato momento que o pulso foi detectado contribuem para essa possibilidade.
É importante destacar que o desvio apontado nos magnetômetros de Boulder às 23h36 não são capazes de avaliar a intensidade do campo eletromagnético induzido nas redes de energia elétrica. Eles apenas indicam um desvio anômalo no campo magnético da estação e que este foi provocado por um pulso eletromagnético repentino provocado por uma explosão solar.
Para fins de comparação, o pulso eletromagnético registrado teve intensidade de 8 nanoTeslas. A maior tempestade solar já registrada ocorreu em setembro de 1857 e teve a intensidade estimada em 110 nanoTeslas. Essa tempestade ficou conhecida como "Evento Carrington".
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A tempestade solar e o blackout no Nordeste
Apesar do recente apagão do Nordeste ter como provável causa o acionamento do sistema de proteção em uma subestação no município de Jatobá, em Pernambuco, as causas que levaram ao apagão podem ter sido provocadas por um repentino pulso eletromagnético ocorrido às 23h36 (hora do Nordeste), provocado por uma tempestade solar. Em boletim recebido do SWPC, Centro de Previsão de Tempo Espacial dos EUA, às 02h36 UTC (23h36 no Nordeste e 00h36 em Brasília), magnetômetros instalados em Boulder, no Colorado, registraram um repentino pulso eletromagnético de 8 nanoTeslas ("Tesla" é a unidade de medição de campos magnéticos). Exatamente nesse mesmo instante, quase toda a região Nordeste do Brasil ficou às escuras. Segundo relatos feitos no site Painel Global, diversos carros e luzes também apresentaram funcionamento errático e intermitente, além de muita interferência nas estações de rádio.
O pulso eletromagnético detectado nos EUA teve origem após uma explosão solar ocorrida no dia 31 de Janeiro, quando uma grande quantidade de massa coronal foi ejetada da estrela. A maior parte dessas partículas seguiu em direção ao espaço, enquanto uma pequena parcela atingiu o campo magnético terrestre e pode ter provocado auroras nas latitudes médias e altas.
Ainda é muito cedo para se afirmar com certeza se de fato o pulso eletromagnético foi o responsável por fazer "cair" o sistema elétrico em diversos Estados, mas os relatos de interferências em estações de rádio associados ao exato momento que o pulso foi detectado contribuem para essa possibilidade.
É importante destacar que o desvio apontado nos magnetômetros de Boulder às 23h36 não são capazes de avaliar a intensidade do campo eletromagnético induzido nas redes de energia elétrica. Eles apenas indicam um desvio anômalo no campo magnético da estação e que este foi provocado por um pulso eletromagnético repentino provocado por uma explosão solar.
Para fins de comparação, o pulso eletromagnético registrado teve intensidade de 8 nanoTeslas. A maior tempestade solar já registrada ocorreu em setembro de 1857 e teve a intensidade estimada em 110 nanoTeslas. Essa tempestade ficou conhecida como "Evento Carrington".
VAGA-LUME - Marcos Barreto de Melo
NA NOITE ESCURA
VEJO UM LUME A VAGAR
UM VAGA-LUME A PASSAR
SINTO FALTA DO LUAR
VEJO UM LUME A VAGAR
UM VAGA-LUME A PASSAR
SINTO FALTA DO LUAR
Labirinto
- Claude Bloc -
Muitas vezes andamos distraídos pela rua. À toa. Olhamos para o nada. Nosso olhar está vazio. Nossas venezianas se fecham, se abrem. Nada nos toca.
Depois, observamos que isso não é só conosco. Que as outras pessoas também, muitas e muitas vezes, já nem se olham. São apenas passageiros/as do tempo que perambulam pela vida, deixando que as horas se escoem por aqui, por ali, inconsequente.
Outras vezes, percebemos que já não se distingue mais, entre todas as pessoas, aquela velha sintonia entre amigos... Aquela que havia antigamente e que nos levava ao deleite por meio de uma boa conversa... Seguem torpedos, voltam e-mails e as pessoas varam noites teclando, usando para se comunicar uma maneira mais segura e menos trabalhosa.
E é aí que sentimos que a cada vez que falhamos, a nossa alma se encolhe, certamente triste diante de tanta precariedade, e em vez de vibrar e se expandir, perde-se num imenso labirinto vazio e seguro de emoções.
Claude Bloc
sábado, 5 de fevereiro de 2011
CONVERSA POÉTICA COM CHAGAS...
*Chagas
*Claude
começarei (Chagas)
começarei por dizer
*Claude
começarei (Chagas)
começarei por dizer
que um dia te arrependerás
de não teres vindo
e nos vermelhos olhos captar
teus segredos vertidos
em luz num relance
o que mal cabe nas palavras
começarei por sentir
tua ausência
e de olhos vermelhos
te farei rever os meus segredos
vertidos onde não há mais palavras
palavras não dizem tudo
tu o sabes
o arrepender-se não fará
retornar o que era vidro
talhado com silêncios
parte da frase de árduo significado
amor que coincide com o que pensamos ser
o que todos buscamos
palavras também calam
tu o sabes
e se desmancham em estilhaços
cristal partido em mil pedaços
talhados no silêncio que absorves
porque conheces o significado
do amor que se mistura
aos sentimentosque buscamos
tua ausência
será presença
paixão que não se traduz
nos subterrâneos da linguagem
o ato de não escutar o tempo
tua presença
na minha ausência
não traduz a linguagem do tempo
e já não me escutas
quando te encontro
o presente é indecifrável
dissolve-se em escritura
adubada de tensão
mas nele plantei meu peito
para o que a tua ausência
inventou com a dor
ameaça às cores das coisas
por não ter compromissos com elas
o presente é implacável
dissolve-se no tempo
nesse terreno onde plantei meu pranto
onde a dor se estampa na fluidez das cores
por não ter compromissos com elas
JARDIM EM AQUARELA...
Quando a beleza é viva, nada como manter na retina as imagens, a paz, o clima, a alegria armazenada num só momento.
A beleza natural deslumbra, transporta, encanta. Tudo vira aquarela na nossa lembrança.
Agradecendo ainda a Vicente Almeida e Valdênia por tanta paz proporcionada.
Claude Bloc
A PROFECIA ECOLÓGICA-ESPIRITUAL DA MINHA AMIGA IEDA

QUANDO É QUE FINALMENTE ADMITIREMOS QUE TUDO ESTÁ INTERLIGADO: O SOCIAL, O NATURAL-ECOLÓGICO E O ESPIRITUAL?
Os recentes acontecimentos em diversos Estados me fez reprisar esse texto que criei já faz algum tempo.
No início da década de 80 decidi sair da casa de meu pai para ir morar sozinho. Um ano após da minha saída, por questões econômicas, mudei de endereço no mesmo bairro do Flamengo. O Flamengo é um bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Os aluguéis lá eram e ainda são caros. Então, encontrei uma saída econômica que era morar num quarto alugado próximo à praia. E a moradora, uma gaucha de uns 40 anos de idade, me sub-alocou um pequeno quarto confortável para mim e meu irmão mais velho. Ieda era (ou é ainda (?)) uma mulher de convicções firmes e muito simpática. Sempre sorridente, Ieda cativava a todos com sua coragem , força de vontade e fé no processo de superação de uma doença raríssima no mundo. Era muito comum vê-la dopada para suportar as dores dos pequenos nódulos que surgiam por todo o seu corpo.
Num belo dia ela me contou como ficou sabendo, com bastante antecedência, o caminho de sofrimento que teria que passar nessa vida terrena. Contou-me ela que seu avô havia planejado ir à praia (no Rio Grande do Sul onde ela morava quando pequena) com ela e um garotinho. E assim aconteceu. Saíram cedo com o objetivo de voltar um pouco mais tarde. Em dada hora, o avô percebendo que precisava fazer o lanche que levara forrou a areia com um pano e retirou da sacola uma melancia para repartir entre eles. Buscou na sacola uma faca e foi aí que percebeu que havia esquecido a mesma em casa. Por um instante ficou confuso com o fato de ter esquecido a faca. Tentou encontrar uma maneira de executar a ação. Foi aí que de repente surgiu do nada uma figura humana de um velhinho vestido todo de branco. Seus cabelos eram brancos e possuía uma grande barba branca também. O velhinho se aproximou disposto a ajudá-los. Ele fez um sinal da cruz sobre a melancia, e a melancia se repartiu milagrosamente em quatro pedaços. Após esse feito ele se apresentou como sendo Jesus Cristo. E em seguida orientou o avô dela para que não continuasse mais batendo na esposa. E quanto a ela, disse: “Você terá uma doença muito rara no mundo. Mas, não se preocupe porque é para seu próprio bem devido aos karmas adquiridos em outras vidas”. Após essa fala ele profetizou o que iria acontecer com o ser humano devido a sua ação destruidora da natureza. Ele afirmou: “Tudo o que o homem toma ou interfere na natureza provocará uma ação contrária fazendo com que surjam tempestades e todo tipo de catástrofes que envolvem a natureza. A natureza vai querer tudo de volta!”. E segundo minha amiga Ieda ele mencionou algumas cidades onde ocorreriam essas catástrofes (p.ex.: Santa Catarina, Rio de Janeiro etc).
E a partir dessa história contada por Ieda fiquei atento aos desastres naturais. E toda vez que acontece um desastre “natural” lembro-me de Ieda e do velhinho espiritual.
Quando é que finalmente admitiremos que tudo está interligado: o social, o natural e o espiritual? Hoje, se discute quanto tempo temos (se é que temos) ainda para consertar os erros do passado e do presente. O mundo vive apreensivo sobre o destino da humanidade caso ações concretas não sejam realizadas a tempo para mudar o rumo da intervenção desastrosa da vida humana na Terra. Tudo será afetado: água, solo, subsolo, ar, florestas, cidades etc.: “O Sertão virará mar, e o mar virará Sertão” diz a música sertaneja. A conta desses desastres será paga por todos, principalmente os mais pobres e carentes de recursos. No COP-15, em Copenhague, se discutiu um acordo de como repartir as responsabilidades, ônus e bônus. Mas, não houve consenso de quanto cada um deverá investir e doar de si para salvar o planeta. Enquanto isso, continuamos poluindo, desmatando e destruindo o que resta ainda de original e sagrado ao nosso redor.
Bernardo Melgaço da Silva
Pensamento para o Dia 05/02/2011

“Não há necessidade de procurar a Verdade em qualquer outro lugar. Procure-a dentro de você: você é o milagre dos milagres. Tudo o que não está dentro de você não pode ser encontrado em qualquer lugar fora de você. O que é visível exteriormente a você é apenas um reflexo aproximado do que realmente está dentro de você! A crença antiga era a de que Deus (Easwara) governou o Mundo, estando fora dele. Os investigadores indianos puseram isso à prova através do Sadhana (disciplina espiritual) e revelaram que Deus estava e está no mundo e é dele. Essa é a primeira contribuição dos indianos para o mundo espiritual, de que Deus não é exterior ao homem, mas é a sua essência interior. Eles declararam que é impossível removê-Lo do coração onde Ele mesmo se instalou. Ele é o mesmo Atma do nosso Atma, a alma da nossa alma. Ele é a Realidade interna de cada um de nós!”
Sathya Sai Baba
Começou... - José Nilton Mariano Saraiva
Nem bem começou o período legislativo federal e o ex-jogador Romário (um eterno malandro) já começou a aprontar das suas e a nos mostrar como vão ser os próximos quatro anos: farra todo dia, no Rio de Janeiro (bem distante de Brasília), com a turma de sempre. Será que os cariocas, que o elegeram com uma montanha de votos, têm alguma moral pra reclamar da sua atuação ???
No mais, qual a novidade em tal comportamento, se até o político profissional e estrela maior do mesmo partido (PSB), como o Ciro Gomes, passou quase todo o seu mandato faltando às sessões, depois de receber mais de 600 mil votos no Estado do Ceará ??? Romário não estaria apenas e tão somente sendo um aplicado e “bom aluno” ??? Veja a notícia do portal G1, abaixo:
“Romário justifica ter jogado futevôlei em horário de sessão na Câmara”
Jornal 'Extra' publicou foto. Deputado jogava futevôlei em praia do Rio. Ele disse que presença não era obrigatória e que se reuniu com assessores.
O deputado e ex-jogador Romário de Souza Faria (PSB-RJ) usou o Twitter, nesta sexta (4), para justificar o fato de ter sido fotografado jogando futevôlei em uma praia do Rio de Janeiro na quinta-feira, no mesmo horário de uma sessão na Câmara.
A foto foi publicada pelo jornal "Extra". Segundo Romário, a sessão não era deliberativa, e a presença não era obrigatória. Mesmo assim, afirmou, fez reunião com assessores. Ele disse que a partida de futevôlei começou após as 17h30. Na quarta, em entrevista ao G1, Romário disse que se dedicaria ao futevôlei aos sábados e domingos, no Rio. "Aqui em Brasília, é trabalho", afirmou. “Em primeiro lugar, ontem (quinta, 3), não deixei de trabalhar como foi noticiado por um jornal carioca. Ontem, para aqueles que não sabem, não teve plenário e a presença não era obrigatória. Mesmo assim, como eu já havia dito aqui, marquei minha presença e me reuni com meus assessores. Para todos aqueles que votaram e acreditam em mim, vocês podem ter certeza de que eu nunca irei decepcioná-los”, escreveu o deputado em sua página no Twitter.
Romário afirmou que o voto de confiança de recebeu dos eleitores “vale mais que qualquer coisa”, mas deixou claro que é um esportista. “Amo futebol e futevôlei e vou continuar praticando pelo resto da minha vida”, disse. Eu não decepciono as pessoas ! Vocês podem contar comigo e, principalmente, acreditar num político atuante". Em outro trecho, ele escreveu que está longe da perfeição. “Sei que tenho meus defeitos, cometerei alguns equívocos, até porque estamos longe da perfeição."
No mais, qual a novidade em tal comportamento, se até o político profissional e estrela maior do mesmo partido (PSB), como o Ciro Gomes, passou quase todo o seu mandato faltando às sessões, depois de receber mais de 600 mil votos no Estado do Ceará ??? Romário não estaria apenas e tão somente sendo um aplicado e “bom aluno” ??? Veja a notícia do portal G1, abaixo:
“Romário justifica ter jogado futevôlei em horário de sessão na Câmara”
Jornal 'Extra' publicou foto. Deputado jogava futevôlei em praia do Rio. Ele disse que presença não era obrigatória e que se reuniu com assessores.
O deputado e ex-jogador Romário de Souza Faria (PSB-RJ) usou o Twitter, nesta sexta (4), para justificar o fato de ter sido fotografado jogando futevôlei em uma praia do Rio de Janeiro na quinta-feira, no mesmo horário de uma sessão na Câmara.
A foto foi publicada pelo jornal "Extra". Segundo Romário, a sessão não era deliberativa, e a presença não era obrigatória. Mesmo assim, afirmou, fez reunião com assessores. Ele disse que a partida de futevôlei começou após as 17h30. Na quarta, em entrevista ao G1, Romário disse que se dedicaria ao futevôlei aos sábados e domingos, no Rio. "Aqui em Brasília, é trabalho", afirmou. “Em primeiro lugar, ontem (quinta, 3), não deixei de trabalhar como foi noticiado por um jornal carioca. Ontem, para aqueles que não sabem, não teve plenário e a presença não era obrigatória. Mesmo assim, como eu já havia dito aqui, marquei minha presença e me reuni com meus assessores. Para todos aqueles que votaram e acreditam em mim, vocês podem ter certeza de que eu nunca irei decepcioná-los”, escreveu o deputado em sua página no Twitter.
Romário afirmou que o voto de confiança de recebeu dos eleitores “vale mais que qualquer coisa”, mas deixou claro que é um esportista. “Amo futebol e futevôlei e vou continuar praticando pelo resto da minha vida”, disse. Eu não decepciono as pessoas ! Vocês podem contar comigo e, principalmente, acreditar num político atuante". Em outro trecho, ele escreveu que está longe da perfeição. “Sei que tenho meus defeitos, cometerei alguns equívocos, até porque estamos longe da perfeição."
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