Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


Caminhos

- Claude Bloc - 

Sigo caminhos
que seguem feito um rio
e acabam onde não sei

Caminhos que se encontram,
ou simplesmente se veem
em alguma estação
nas  sendas que escolherei...

Caminhos que eu faço
Caminhos por onde andei
E ainda me pergunto:
Por onde eu passarei?

Claude Bloc

Talvez
- Claude Bloc  -
Talvez eu nem possa
Talvez eu nem queira
Talvez não entenda
A intenção primeira.

Talvez eu nem saiba
Talvez eu nem queira
Talvez não entenda
A razão verdadeira

Vivo o momento
Vida bem ligeira
Talvez eu nem possa
Sair dessa inteira

Sei que é tão difícil
O ofício do dever
Será que eu devo
De tudo esquecer?

Claude Bloc

De profundis




                   DE PROFUNDIS


Um pequeno poema sobre o fim do mundo
com imagens a Crusoé, a terra desolada
e o claro enigma da máquina do mundo.

E agora, José? Você marcha, para onde?
Assassinado pelo céu, sob o tamarindeiro,
no poente como um paciente anestesiado.

A educação pela pedra no mar-canavial,
A estrela tão alta na minha vida vazia
e o seu grande coração transverberado.

Toca essa música de seda nessa noite,
noite, noite após noite, uma outra noite,
oh, lá onde o belo devora e gera o belo.

O dono da tabacaria sai à porta e boceja,
nós somos os homens ocos, empalhados,
mas que coisa, que fome é um homem?

Os cavalos da aurora derrubando pianos,
mas tudo é eterno quando nós o vemos
e sete rosas mais tarde rumoreja a fonte.

(Flui entre as pedras o silêncio de Deus.)

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Homenagem a Georg Trakl, Paul Celan, Czeslaw Milosz, Saint-John Perse, T.S. Eliot, García Lorca, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Augusto dos Anjos, Cecília Meireles, Mário Faustino, Fernando Pessoa, Murilo Mendes, Alberto da Costa e Silva, e mesmo aos não citados diretamente como Jorge de Lima e Raul Bopp (além dos inevitáveis esquecimentos), que participam de uma forma ou de outra da minha poética.

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CONVERSA NA BEIRA DO RIO - Por Cacá Araújo



Um grupo de pessoas discutia à beira de uma das enormes crateras abertas pela força das águas do Rio Grangeiro, no centro da cidade do Crato. 

O religioso atribuía o caos aos castigos divinos em virtude dos pecados humanos nesta parte do mundo. Um político que se opunha ao prefeito, vendo que muitos circunstantes os ouviam, soltou, com aquela característica empolgação de palanque, depois de pigarrear ridículo de canastrão, um discurso em que se comprometia a honrar suas responsabilidades de homem público buscando soluções junto a seus aliados nos governos do estado e do país. 

Já um bêbado, ainda segurando um pedaço de casca de laranja na ponta dos dedos, disse que não acreditava nessa cambada de vereadores, deputados, senadores e nem no governador, pois se eles gastassem a metade do que investiram comprando votos daria para amenizar ou quem sabe resolver o problema. 

Depois de mais uma golada de cachaça, olhou em volta e perguntou pelo governador. Veio um desses aduladores de plantão e informou que sua excelência estava de férias no exterior, mas que havia mandado seu vice visitar a cidade, e, inclusive, ordenando que despachasse cem mil reais para ajudar no prejuízo catastrófico sofrido pelas famílias e comerciantes. 

Um estudante ia passando e de imediato protestou alegando que o governador não tinha contrato de trabalhador, mas função de gestor público e que esse negócio de férias não estava correto. Alfinetou, ainda, dizendo ser uma piada, insuficiente e humilhante o valor que o governo havia liberado. 

Com lágrimas nos olhos, uma professora alertou para a situação das famílias desabrigadas, das crianças e velhos sem agasalho e comida, e conclamou todos a se unirem numa campanha de solidariedade, até que os que se acham donos do poder resolvam ouvir o clamor da sociedade que agoniza e espera. 

Convicto, o ambientalista afirmou que eram necessárias a completa desocupação e revitalização das áreas onde outrora fora o leito original do rio, construção de moradias em localidades seguras para as famílias removidas, e urgente o combate ao desmatamento da Floresta Nacional do Araripe, proteção de morros e eficiente educação ambiental. Refeito um pouco de sua embriaguez, o bêbado gritou de seu canto afirmando que dinheiro para fazer tudo isso existe, sai do Cariri em forma de vil arrecadação para os cofres estaduais e federais e para retornar em benefício do povo é uma novela sem fim. 

A prefeitura não tem recursos e eles só liberam considerando a filiação partidária do administrador municipal, somou o nosso ébrio questionador. 

Um poeta que a tudo assistia tomou a palavra e deu o mote para a conquista do merecido respeito e do atendimento às reivindicações populares: o povo tem que sair às ruas, protestar, exigir a execução de medidas corretas para a reconstrução da cidade e prevenção de novos desastres. 

Ao redor dos debatedores já estava se reunindo uma multidão de populares, quando recomeçou a chuva e todos se dispersaram temendo a fúria das águas. 

O religioso se benzeu, segurou forte seu terço, correu e se trancou na igreja ao som de trovoadas retumbantes.

Cacá Araújo

Em comentário ao texto de Dihelson Mendonça: "  De quem é a culpa?"

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os Pés na Baixa Rasa...Wilson Bernardo.

Mulheres em busca de crenças
as cores que fazem o sentido da vida
alegria de encontrar as virtudes
Senhoras penitentes ao som das ladainhas
chuva para graça alcançada
flores invernadas no fruto doce das aves
piqui
laranjais
maracujás
A festa da crença e a fartura garantida
para os que morrem de fome e sede.

Wilson Bernardo(Poema & Fotografia)

OLHA O MENINO - (JORGE BEN)

Interpretação de Caetano Veloso


*Ilustrando a postagem de CHAGAS (abaixo)

A pluralidade de idéias nos Blogs do Cariri e as suas vocações - Por: Dihelson Mendonça


Vejo com muita alegria, que finalmente as pessoas estão retornando a todos os Blogs da Região do Cariri e escrevendo de forma diferenciada. Afinal de contas, cada um deles hoje em dia, possui sua própria personalidade. Cada Blog especializou-se, possui uma identidade, um motivo, um meio e um fim. Os membros podem até serem quase os mesmos, mas escrevem com diversidade abordando temas semelhantes, em linguagens ora jornalísticas, ora poéticas, ora de crônicas. E é isso que ao leitor que está distante, fornece um panorama geral e diverso do que representa o Cariri hoje. Não visto sob um olhar apenas, pois a verdade sempre possui muitos lados, mas sob o olhar à partir de diversos ângulos.

E cada um desses Blogs é valioso naquilo que apresentam, no tratamento da informação, mesmo enfocando um mesmo tema, uma mesma matéria. Resta ao leitor, o luxo cada vez maior de um prisma de visão. Do poder da interpretação; De alinhar-se como na própria filosofia, aos questionamentos, à aquelas que mais se adaptam à visão de mundo, de verdade que cada um, quer por sua história, ideologias e experiência de vida, já possuem, e formar a partir daí a sua própria opinião diversa e conceito de verdade, independente da vastidão diferenciada dos escritos e dos escritores.

Saudações a todos os Blogs e que continuem de forma diferenciada. Esse e o "molho", o "tempero" que cada um adiciona no caldeirão da diversidade.

Por: Dihelson Mendonça

PENSAMENTO NO CIMENTO DE UM CANTEIRO DE OBRAS - por Ulisses Germano


Foto do engenheiro e irmão Waldeberto Júnior

A Academia não ensina sabedoria
Patativa que o diga
No labutar de sua enxada
A Academia não ensina sabedoria
Louis Althusser que o diga
No matutar de sua jornada

Ulisses Germano



CHARLES DICKENS - Escritor que contribuiu para a crítica social na literatura de ficção inglesa


Charles John Huffam Dickens, FRSA (Portsmouth, 7 de Fevereiro de 1812 — 9 de Junho de 1870), que também adoptou o pseudónimo Boz no início da sua actividade literária, foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana. A fama dos seus romances e contos, tanto durante a sua vida como depois, até aos dias de hoje, só aumentou. Apesar de os seus romances não serem considerados, pelos parâmetros actuais, muito realistas, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.

Dickens nasceu em uma sexta-feira na cidade de Moure ( condado de Hampshire, Inglaterra), filho de John Dickens, funcionário perdulário da Armada, e de sua esposa Elizabeth Barrow. Quando fez cinco anos, a família mudou-se para Chatham, no condado de Kent.

Descrever-se-ia a si mesmo, mais tarde, como uma criança não particularmente muito mimada. Ensinado por sua mãe, passava muito do seu tempo a ler infindavélmente – e, com especial devoção as novelas picarescas de Tobias Smollett e Henry Fielding. Entre os livros da sua infância encontravam-se também obras de Daniel Defoe, Goldsmith, bem como o "Dom Quixote", "Gil Blas" e "As Mil e uma noites". A sua memória fotográfica serviria, mais tarde, para conceber as suas personagens e enredos ficcionais, baseando-se muito nas pessoas e acontecimentos que foram marcando a sua vida.

A sua família era remediada em termos económicos, o que lhe permitiu frequentar uma escola particular durante três anos. A situação piorou, contudo, quando o seu pai foi preso por dívidas, depois de gastar os recursos da família no afã de manter uma posição social periclitante. Com dez anos de idade, a família mudou-se para o bairro popular de Camden Town em Londres, onde ocupavam quartos baratos e, para fazer face aos gastos, empenharam os talheres de prata e venderam a biblioteca familiar que tinha feito as delícias do jovem rapaz. Com doze anos, Dickens já tinha a idade considerada necessária para trabalhar na empresa Warren’s onde se produzia graxa para os sapatos com betume, junto à actual Estação ferroviária de Charing Cross. O seu trabalho consistia em colar rótulos nos frascos de graxa, ganhando, por isso, seis xelins por semana. Com o dinheiro, sustentava a família, encarcerada na prisão para devedores, em Moure onde ia dormir.

Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou consideravelmente, graças a uma herança recebida pelo seu pai. A sua família deixou a prisão, mas a mãe não o retirou logo da fábrica, que pertencia a um amigo. Dickens jamais perdoaria a mãe por essa injustiça. O tema das más condições de trabalho da classe operária inglesa tornar-se-iam, mais tarde, um dos mais recorrentes da sua obra.

Início de carreira

Em agosto Dickens começou a trabalhar num escritório, emprego que lhe poderia valer, mais tarde, a posição de advogado. Não gostou, no entanto, do trabalho nos tribunais e, depois de aprender taquigrafia, foi, por um breve período, estenógrafo do tribunal. Com dezoito anos de idade, começou outro período de leituras intensas tendo-se inscrito na biblioteca do British Museum. Por esta altura, apaixona-se pela filha de um banqueiro, Maria Beadnell. Os pais da menina desaprovaram, contudo, o idílio amoroso devido ao passado dos pais de Dickens. A própria Maria tornar-se-á indiferente a Charles depois de uma viagem "educativa" a França. Dickens levará um ano a superar este desgosto amoroso.

Tornou-se, depois, jornalista, começando como cronista judicial e, depois, fazendo relatos dos debates parlamentares e cobrindo as campanhas eleitorais pela Grã-Bretanha fora, de diligência. Os seus Sketches by Boz ("Esboços de Boz" - Boz era a alcunha do seu irmão mais novo que não era capaz de pronunciar devidamente "Moses" - Moisés, em inglês) são fruto desta época e são constituídos por pequenas peças jornalísticas em forma de retratos de costumes, originalmente escritas para o "Morning chronicle". Ao longo da sua carreira, Dickens continuou, durante muito tempo, a escrever para jornais.

Com pouco mais de vinte anos, o seu The Pickwick Papers (Os Documentos Póstumos do Clube Pickwick) estabeleceu o seu nome como escritor. A ideia inicial desta obra era que Dickens escrevesse comentários a ilustrações desportivas. De 1831 a 1834, a New Sporting Magazine comprovou o sucesso desta receita editorial com a sua série "Jorrock´s Jaunts and Jollities" sobre um comerciante cockney que quer a todo o custo ser reconhecido como o bom caçador que não era. Querendo seguir a mesma ideia, Robert Seymour propôs aos editores Chapman and Hall criar uma série semelhante sobre um tal de "Clube Nimrod" (Nimrod é uma personagem bíblica descrita como sendo um grande caçador) onde também se troçaria dos caçadores inexperientes, mas cheios de si mesmos. Procuraram-se escritores para "complementar" as imagens com textos. A terceira opção, perante a recusa dos dois primeiros, era Dickens, que escrevera os seus Esboços para a mesma editora. Dickens rapidamente tomou conta do projecto e rejeitou a ideia de um clube de caçadores - a ideia não lhe agradava. Criou, pelo contrário, um clube de observadores de curiosidades, o que afastou definitivamente o ilustrador que tivera a ideia inicial, Seymour, que viria a suicidar-se na sequência destes acontecimentos. Procurou-se outro ilustrador. É curioso que tenha sido rejeitado um tal de William Makepeace Thackeray que tornar-se-ia outro vulto de importância no romance vitoriano (geralmente colocado logo a seguir a Dickens, na opinião de muitos estudiosos da literatura inglesa - ou mesmo superior a Dickens, na opinião de outros). O novo ilustrador, conhecido pela alcunha de Phiz, deu conta do recado.

A fama

A 2 de Abril de 1836 (três dias depois da publicação do primeiro fascículo de "Pickwick"), casou-se com Catherine Hogarth, de quem teve dez filhos. A recepção do público a Pickwick não foi calorosa desde o início. Só quando aparece a personagem de Sam Weller, o criado de Pickwick e que acompanha as aventuras do seu amo ao jeito de um Sancho Pança ao lado de Dom Quixote, é que as vendas sobem de 400 exemplares para 40 000! Em 1838, em decorrência do sucesso de Pickwick, propõe a publicação de "Oliver Twist" onde, pela primeira vez, apontava para os males sociais da era vitoriana. O romance, divulgado em folhetins semanais, terá também o seu ilustrador: Cruikshank.

Em 1842 viajou com a sua esposa para os Estados Unidos da América. A viagem foi descrita, depois, no curto relato de literatura de viagens American Notes, existindo também influências da mesma em alguns episódios de Martin Chuzzlewit. Ao entusiasmo com que foi recebido, de início, nos Estados Unidos, seguiu-se uma estadia menos calorosa, devido às críticas que teceu à política editorial deste país, acusando os editores de plágio em relação à literatura produzida na Grã-Bretanha.

Em 1843, publicava o seu mais famoso livro de Natal, "A Christmas Carol" ("Canção de Natal"), ao qual se seguiriam outros, com a mesma temática, como "The Chimes" (1844), que escreveu em Génova na sua primeira grande viagem ao estrangeiro (se descontarmos a breve incursão aos Estados Unidos). Em 1845, "The Cricket on the Hearth" ("O Grilo da lareira") torna-se também um dos seus maiores sucessos natalícios. Em 1848 publicava "Dombey and Son", escrito principalmente no estrangeiro, onde descreve o meio dos transportes ferroviários - outro tema estreitamente relacionado com a Revolução Industrial que conformava a sociedade vitoriana.

Em 1849 publicou aquele que viria a ser o mais popular dos seus romances, David Copperfield, onde se inspirava, em grande parte, na sua própria vida. As amizades literárias de Dickens incluíam, em 1854, Thomas Carlyle, a quem dedicará o seu romance "Tempos Difíceis". A revista semanal Household Words, onde viria a publicar, em folhetins, alguns dos seus romances, foi fundada também por ele, em 1850. A revista seria reformulada em 1859, mudando de nome para "All the year round". Os livros de Dickens tornaram-se extremamente populares na época e eram lidos com grande expectativa por um público muito fiel à sua escrita. O seu sucesso permitiu-lhe comprar Gad’s Hill Place, perto de Chatham, em 1856. Esta casa fazia parte do imaginário de Dickens, desde que por ela tinha passado, em criança – sonhando que um dia poderia lá viver. O local tinha ainda um significado especial porque algumas cenas do Henrique V de Shakespeare localizam-se nesta mesma área. Essa referência literária agradava de sobremodo a Dickens.

Últimos anos de vida

Dickens separou-se da sua mulher em 1858. O divórcio era um acto altamente reprovável durante a era vitoriana, principalmente para alguém com a notoriedade dele. Continuou, contudo, a pagar-lhe casa e sustento durante os restantes anos em que ela viveu. Ainda que tivessem sido felizes no seu início de vida conjugal, Catherine parecia não partilhar a energia de viver sem limites de Dickens. O trabalho de cuidar dos dez filhos do casal, aliado à pressão resultante de ser a esposa e dona de casa de um romancista mundialmente reconhecido não ajudava. A sua irmã, Georgina, tinha mudado para casa de Dickens, para ajudar Catherine no seu trabalho doméstico – há, contudo, rumores de que teve um caso amoroso com o cunhado. Georgina manteve-se com Dickens após a separação para cuidar dos filhos do casal. Podemos encontrar um indício da insatisfação marital de Charles num encontro que este teve em 1855 com Maria Beadnell, o seu primeiro amor.

A 9 de Junho de 1865, estando de regresso de França, onde fora visitar Ellen Ternan, Dickens viu-se envolvido no acidente ferroviário de Staplehurst, em que as seis primeiras carruagens do comboio caíram de uma ponte em reparação. A única carruagem de primeira classe que se manteve na linha foi, por coincidência, aquela onde seguia Dickens. O escritor mostrou-se ativo a cuidar dos feridos e moribundos antes de chegarem os esforços de salvamento. Quando se preparava para abandonar o lugar trágico lembrou-se, ainda a tempo, de que tinha deixado dentro do comboio o manuscrito inacabado do seu romance Our Mutual Friend (O nosso amigo comum) e voltou à carruagem para o buscar. Dickens sofreu um acidente, já que se tornaria público que seguia viagem com Ellen Ternan e a sua mãe – o que seria escandaloso – até porque como tinha conhecido a actriz em 1857, a opinião púbica rapidamente a apontaria como a causa da separação de Catherine. Ellen foi, para todos os efeitos, a mulher que acompanhou Dickens até ao final dos seus dias, apesar de a união nunca ter sido reconhecida oficialmente.

Ainda que tivesse escapado ileso do acidente, nunca chegou a recuperar totalmente do choque. Isso é evidente no ritmo da sua produção que decresce bastante depois deste episódio. Levará algum tempo a completar Our Mutual Friend e a começar a sua obra incompleta, The Mystery of Edwin Drood, onde se notam influências de Wilkie Collins, que fazia parte do círculo de amigos de Dickens e que é considerado um dos pioneiros do romance policial. A partir de 1858, os seus últimos anos de vida serão ocupados principalmente com leituras públicas. Esse género de espectáculos, que consistia apenas em ouvir Dickens a ler as suas suas obras mais conhecidas, tornaram-se incrivelmente populares. Note-se que na altura era comum ler em voz alta em família ou em grupos – a leitura expressiva era muito valorizada. E Dickens, com a sua interpretação apaixonada e a forma como se entregava à narração, não só arrebatava gargalhadas (e, principalmente, lágrimas) das audiências, como se arrebatava a si mesmo, exaurindo as suas forças. O esforço dispendido nestes espectáculos é, muitas vezes, apontado como uma das causas da sua morte. Em 1867 foi convidado a voltar aos Estados Unidos para uma digressão das suas leituras.

Morreu de morte cerebral em junho de 1870. Foi sepultado no Poets' Corner ("Esquina dos Poetas"), na Abadia de Westminster. Na sua sepultura está gravado: "Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo." Na década de 1980, a histórica Eastgate House (casa Eastgate), em Rochester, no Kent, foi convertida num museu dedicado a Charles Dickens. Anualmente realiza-se na cidade o Festival Dickens. A casa onde nasceu, em Portsmouth é, também, um museu actualmente.

Fonte: Wikipedia

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Homenagem:Ao Senhor dos Pinceis e da Arte de Fotografar-Wilson Bernardo.

EDILSON ROCHA...Quando o tempo de flores agrestes,sua maquina que ao provável se fazia ao certo!

POEMA PARA AS LENTES FOTOGRÁFICAS.
O homem concebe ao tempo
da idade
O prazer de envelhecer
Na sabedoria do que se faz
A tela e a imagem

O revelar e a perspectiva
das cores desconstruidas
em pinturas
em fotografias
Nos revelando a pureza do olhar
No envelhecimento magico das retinas.

Wilson Bernardo(Poema & Fotografia)

deixa o menino brincar














OLHA O MENINO

Eu só quero que Deus me ajude
E o menino muito mais também
Pois a rosa é uma flor
A flor é uma rosa
E o menino não é ninguém

Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui

Há seis mil anos 
o homem vive feliz 
fazendo guerra e asneiras
Há seis mil anos 
Deus perde tempo 
fazendo flores e estrelas

Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui

Eu sou um homem sincero 
porque nasci cresci e vivo livre
Eu sou um homem sincero 
que quero morrer nascer 
e viver livre

Olha o menino ui
Olha o menino ui, ui, ui, ui

(Jorge Ben)

Foto: Chagas. Menino no Largo de São Bento. 

A estética que salvou o cangaço - (Dedicado a Manoel Severo)


Pesquisador mostra que a linguagem fez o levante ficar na memória, apesar dos esforços oficiais de riscá-lo do mapa 



A derrota militar jamais capou o brilho do cangaço. Brilho de estrela em chapéu de couro, bem entendido, preservado na memória popular, setenta anos após o ocaso do movimento, com a morte de Corisco, em 1940. O historiador recifense Frederico Pernambucano de Mello acaba de lançar uma obra para mostrar que grande parte do fascínio e da mística do cangaço, que fez dele um raro movimento de insurgência popular a não ser apagado pela história oficial brasileira, vem de sua estética e de sua linguagem.

Estrelas de Aço: A estética do cangaço (Escrituras Editora, 258 páginas, R$ 150, 2010) é livro de arte com mais de 300 fotos. A obra, que tem fotos inéditas, prefácio de Ariano Suassuna e ilustrações do arquiteto Antônio Montenegro, é resultado de 13 anos de pesquisa e 25 anos de estudo. Historiador e advogado, Pernambucano de Mello foi procurador federal em Recife e, de 1972 a 87, integrou a equipe do sociólogo Gilberto Freyre na Fundação Joaquim Nabuco. Especializou-se nos conflitos da história nordestina, em particular os levantes populares que não se sujeitavam aos valores coloniais, como os "guerreiros do sol", como chama os cangaceiros.

Dono de um acervo com mais de 160 objetos do cangaço, Pernambucano de Mello pretende um dia criar um museu. Até lá, acredita que a vingança do cangaço à derrota militar está em sua estética, expressa em seu vestuário simbolizado pelo chapéu em meia-lua com estrela e na linguagem popular nordestina, que até hoje se instala na fala e na cultura da região.

A suntuosidade das roupas do cangaço fez Mello reiterar a análise antecipada por Língua em 2006, pelos pesquisadores Leandro Cardoso Fernandes e Antonio Amaury Corrêa de Araújo, segundo a qual a imponência da indumentária no cangaço só encontra paralelo na história dos conflitos humanos nas figuras do samurai japonês e do cavaleiro medieval europeu.

 A riqueza de vestuário e linguagem forma, para o historiador, o traço arcaico do homem ligado ao místico e ao divino. Para os cangaceiros, os elementos estéticos faziam com que ultrapassassem a sua condição, criavam uma blindagem alegórica que os descolava de seus crimes.

Sua indumentária cheia de adereços era versão das roupas de vaqueiros, adaptada ao meio e ao cenário. As abas do chapéu de couro permitiam visão lateral, o que evitava emboscadas. Aberta na frente, a alpercata de rabicho protegia o pé de espinhos e do calor. Para carregar até 30 quilos de peso, o cangaceiro usava bornais na lateral, enquanto os "macacos" (soldados) eram obrigados a usar mochilas concentrando todo o peso nas costas, tirando seu ponto de equilíbrio.

A importância da palavra no cangaço integrava a imagem que os bandos queriam transmitir de si mesmos. Para Fernandes e Araújo, novos membros do bando ganhavam um "vulgo" (apelido) a que deviam honrar. Em caso de morte, quem o substituía herdava o vulgo, para perpetuar e imortalizar a reputação do cangaceiro.

Imponência
Os cangaceiros foram donos de uma riqueza vocabular própria, mais rica que os manjados termos a eles associados, como "volante" (equipe móvel de perseguição policial) e "macaco" (soldado). Para Fernandes e Araújo, muitos termos usados pelos bandos não eram conhecidos do sertanejo comum e formavam um jargão militar próprio. Com o fim do movimento, parte dos termos passou a ser usado de maneira corrente no sertão. Nem sempre de forma duradoura - algumas palavras terminaram esquecidas, como "gargulina" (enjoo), "desaprecatado" (desprevenido), "jabiraca" (lenço de pescoço).

Para Pernambucano de Mello, a estética do cangaço tornou o cangaço um mito primordial brasileiro. Em sua opinião, os cangaceiros não eram criminosos comuns, que tentam se misturar ao ambiente para não serem notados.

Não se camuflavam, nem se escondiam: faziam do estardalhaço visual, e verbal, seu cartão de visita.

Partes das armas brancas e punhais dos cangaceiros: nomenclatura própria Esquema da cartucheira, por Antonio Montenegro, e modelo usado no Ombro por Lampião (foto), em 1938: linguagem ornamental



Detalhe dos nomes dados pelos cangaceiros às partes do chapéu de estrela e os protetores de Lampião: aprumo vocabular era também visual
Cantil de viagem longa de Lampião, em 1932: cores vivas
Cangaço triunfou mesmo com morte de Lampião, com vestuário e traços na linguagem popular




Utensílios como os de Lampião recebiam nomes do cangaço e faziam sua reputação

Maria Bonita e seus adereços, com a jabiraca(lenço) e suas joias: léxico requintado



Nomeclatura dos bornais, acima, e roupas e armas de Maria Bonita (foto), abaixo

Vocabulário da cartucheira
Arreiado - Cangaceiro ou soldado bem equipado. "Arreio" é cartucheira.
Botada - Ataque surpresa.
Brigada - Combate.
Carrego - Bagagem do cangaceiro/soldado, derivado de "carregamento".
Costureira - Metralhadora. Também "fuzil de gancho".
Coito - Acampamento de cangaceiros. Deu origem a "coiteiro", pessoa que ajudava cangaceiros, quem lhes dava coito.
Corta rastro - Expressão tirada do vocabulário dos vaqueiros à caça de reses desgarradas, nomeava a técnica de comparar pegadas para achar o rastro de cangaceiros (muitos usavam sapatos com falsas solas invertidas).
Papo de ema - Reservatório perto das cartucheiras para guardar dinheiro.
Rastejador - Guia das volantes que decifrava os rastros na terra.
Rua - Cidade.
Russeio - Barulho.
Torneira - Casa com buraco na parede para pôr fuzil e reagir a ataque.
Tracação, melodia - Nomes dados ao coito, à diversão sexual.


Fonte de pesquisa:

http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=12223

"Por que somos tão desprezados como professores?"

Faça uma enquete, professor: quantos dos seus alunos pretendem se dedicar ao magistério?


Por Fábio dos Santos*

"Peraí, nada de desânimo, caro colega, cada um pensa o que bem quiser, somos ou não donos de um país livre?", disse o professor de Matemática, Carlos, dirigindo-se à professora de Biologia, Cláudia. Eu apurei os ouvidos. Estávamos no intervalo. De todos naquela sala, eu era o mais jovem e novato professor. "Não se trata de uma apologia contra o magistério", continuou, sempre incisivo. "Mas, que dá vontade de largar tudo de uma vez, isso ninguém pode negar."

"Então, por que somos tão desprezados como professores?", queixou-se Cláudia. E a questão pairou no ar.

Dentro da sala de aula, os alunos percebem o que se passa com o professor a cada dia. Eles se inteiram de tudo, graças à velocidade das e ao acesso fácil às informações. O que é mais prático aprender: o quanto é investido na educação, por exemplo, ou na segurança etc. ou funções, equações de 2º grau, polinômios? Como alunos, chega até ser irritante o quanto somos obrigados a ver um assunto que nunca utilizaremos em nossas vidas. Por isso o desinteresse de Afonsinho ou de Joãozinho por determinadas matérias
.
Em detrimento às dificuldades apresentadas por algumas disciplinas, ouvimos das bocas rasas dos alunos uma aversão exacerbada pela profissão de professor. Quer ver: faça uma enquete, caro colega, em sala de aula, sem compromisso, e conte quantos alunos sonham em ser professor. Não desanime nem faça muxoxos com o resultado se as profissões campeãs forem na área jurídica ou médica. O sistema é bruto, todos nós sabemos. O que não justifica cochichar pelos cantos, reclamar feito louco, passando-se por coitado, sem ao menos tomar uma atitude.

Quando era aluno do fundamental, me perguntaram o que eu gostaria de ser. Imaginem a profissão! Escritor. E olha o que me tornei: professor. Desanimar? Nunca. Mas fica aquela sensação de que quem não tem talento ou dom para fazer qualquer outra coisa na vida se não lecionar estará condenado a sonhar pequeno.


(*) É poeta e professor de Literatura e Língua Portuguesa da Escola Estadual Dr. Edson dos Santos Bernardes, que fica no bairro do Vergel, Maceió-Alagoas.

Fonte de Pesquisa: 
http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/gramatica-ortografia/21/retratos-158393-1.asp