Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bispos nordestinos vêm ao Cariri apresentar solidariedade a dom Fernando Panico



Na sequência, da esquerda para a direita: Dom Antônio Muniz Fernandes, Dom jaime Vieira Rocha e Dom Genival Saraiva França

O Arcebispo de Maceió, dom Antônio Muniz Fernandes e os bispos de Campina Grande (PB), dom Jaime Vieira Rocha e de Palmares (PE), dom Genival Saraiva de França estarão chegando a Crato na próxima segunda-feira, dia 28, para hipotecar solidariedade a dom Fernando Panico, alvo de acusações infundadas – numa matéria veiculada através da Internet, no Blog Juanorte – na qual foram publicadas aleivosias contra sua pessoa e, por extensão, contra a Diocese de Crato e a população cratense.
Quando da publicação da matéria ofensiva a sua pessoa, dom Fernando Panico encontrava-se hospitalizado para tratamento de saúde. Ele permanece em repouso, na sua residência, por recomendação médica.
Os três prelados nordestinos – pastores de expressivas populações católicas nos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco – concederão, no dia 1º de março, entrevista coletiva à imprensa caririense. A entrevista será transmitida por um pool de emissoras da Região Metropolitana do Cariri -- a partir da Rádio Educadora do Cariri -- ocasião em que ratificarão a solidariedade prestada a dom Fernando Panico.
Texto: de Armando Lopes Rafael

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


Salete Liborio, Antunes Filho e Edilma
Sem palavras...

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


MAGNÓLIA - Magnólia Lilifloma. As flores de Magnólia são exelentes presentes quando a intenção é mandar mensagens de força, amor a natureza, simpatia, dignidade, perseverança e nobreza. A Magnólia é uma flor proveniente de plantas do género "Magnólia L", a família Magnoliaceas, também é o nome popular das plantas desse género nativas das zonas temperadas do Hemisfério Norte. As Magnólias são árvores, arbustos ou arvoredos semidecíduas ou decíduas, apreciadas como ornamentais nos jardins, principalmente em locais de clima temperado ou subtropical.


As Magnólias produzem abundantemente flores brancas ou rosadas, grandes e perfumadas. A ciência Botânica tem um interesse especial pelas Magnólias por representarem estruturas reprodutivas e anatómicas que se acredita serem extremamente primitivas em relação a todas as outra flores, apresentando semelhança com Gimnospermas primitivos. Alguns fósseis mais antigos de anginiospermas conhecidos apresentam flores semelhantes às Magnólias. Existem 48 espécies de Magnólias cientificamente catalogadas.


São flores nativas do Himalaia ao Japão, Oeste da Malásia, Leste da América do Norte, México e regiões Tropicais. Para o cultivo dessa planta, faz-se necessário solo rico e fresco. O plantio é feito em sombra parcial e em espaços amplos para desenvolver as raízes e copas. A reprodução é feita por sementes no outono ou mergulha-se os galhos para ganharem raízes. Além da sua utilização ornamental, são cultivadas pelo comércio de sua madeira e por suas cascas que podem ser aproveitadas na medicina. No Oriente se utiliza a Magnólia para tratar doenças respiratórias e resfriados. E na China são usadas para proteger o "Buda",ficando ao redor dos templos Budistas.

Edilma Rocha

Fonte: Flores-Guia e Mundo das flores, na Internet.

Renovações...

Magnólia


Temos uma nova colaboradora no Cariricaturas.

Magnólia, com nome de flor, é procedente do Blog Sanharol e está aqui para embelezar nossa página.

Seja bem vinda, Magnólia.

O Cariricaturas lhe abraça.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sabedoria... Poema de Uma história de amor

Era uma vez uma ilha onde moravam os sentimentos: a ALEGRIA, a TRISTEZA, a SABEDORIA e todos os sentimentos, por fim o AMOR.
Mas um dia, foi avisado aos namorados que a ilha iria afundar. Todos os sentimentos se apressaram para sair da ilha, pegaram os seus barcos e partiram.
Mas o AMOR ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha , antes que ela afundasse. Quando por fim, estava se afogando, o AMOR começou a pedir ajuda.
Nesse momento, estava passando a RIQUEZA em lindo barco e o AMOR disse:
- RIQUEZA, leva-me com você?
- Não posso . Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para você.
Então, pediu ajuda à VAIDADE que também vinha passando:
- VAIDADE por favor me ajude!
- Não posso ajudar, AMOR, você está todo molhado e poderia estragar todo meu barco.
Veio passando a TRISTEZA e o AMOR pediu ajuda:
- TRISTEZA, deixe-me ir com você?
- Ah!... AMOR, estou tão triste que prefiro ir sozinha!
- Também passou a ALEGRIA, mas ela estava tão alegre que nem viu o AMOR chamar.
- Venha AMOR, eu levo você!
- Era um velhinho.
- O AMOR, ficou tão feliz que se esqueceu de perguntar o seu nome. Chegando do outro lado do morro, ele perguntou á SABEDORIA:
- SABEDORIA, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?
- Era o TEMPO.
- O TEMPO? Mas por que o TEMPO me trouxe?
- Porque somente o TEMPO é capaz de entender um grande amor.

ENCONTROS E REENCONTROS... Por Claude Bloc



Um dia fui aluna do "Madre Ana Couto". Lembro-me de quando papai e seu Pedro Libório foram falar com Madre Feitosa para que Darci e eu fôssemos estudar lá. Era uma escola direcionada para pessoas sem muito recurso financeiro e seu Pedro, parente direto de Madre Feitosa, foi conversar com a Madre para que ela nos aceitasse ( a mim e a Darci) na escola.

Os professores que assistiam a escola eram convidados pela direção dentre aqueles que praticavam o magistério na cidade. Creio que a maioria era composta de voluntários. Assim sendo, Madre Feitosa, sempre empreendedora, também buscava dentre suas alunas aquelas que tinham alguma habilidade em determinada matéria para colaborar com a escola.

Foi assim que, em primeiro lugar e em primeiríssima mão, fui convidada (aos 14anos) a empreender essa missão em tão tenra idade: enfrentar minha primeira turma - (dando aulas de Francês)... e foi aí também que se delineou meu caminhar em direção a esta profissão que abraço até hoje.

Depois de muitos e muitos anos, fui conduzida, através de Ulisses Germano, a rever Madre Feitosa. Para minha surpresa e alegria encontrei-a com o mesmo pique. A mesma disposição. A mesma força.
A conversa foi longa e animada. A felicidade, nesse reencontro, recíproca. A dívida, eterna.


Claude Bloc

Divagação - Aloísio




Divagação

Não sei se ouço
Instrumento ou voz
Nesse tempo veloz
Ouço o som do vento
Que me (e)leva às alturas
Aí me lembro de criaturas
Límpidas demais
Vivendo em outras planuras

Mas é hora de aterrissar
Pois toda divagação
Uma hora vai terminar

Aloísio

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Sonhos


Não sei se vejo
O cenário, a cena
Nesse tempo que me acena...
Vejo a luz, sinto o vento
Sinto graça, o alento
Que me (re)veste de sonhos
Luzentes, risonhos
Límpidos demais
Vivendo nas alturas


Mas é hora de voltar
Pois cada sonho
Tem sua hora de acordar...






Claude

RESPOSTAS AO VENTO... Chagas X Claude


*CHAGAS

por isso é melhor que eu fique
acredite
essas ruas são mulheres nuas
enfeitiçando o vento
que passaria no milharal
e traria o perfume para dentro
da roda em que estamos
seres desatinados
destino incerto
corações tão longe
onde parece tão perto



*CLAUDE

por isso é melhor que venhas
acredite
essas ruas são lembranças nuas
enfeitiçadas pelo vento
em meio ao canavial
e trariam toda a saudade para dentro
da conversa que mantemos
seres predestinados
destino (in)certo
almas distantes

Dueto: Chagas / Claude

FEIRA DE SONHOS - Xico Bizerra

O matuto acordou de seus sonhos e foi à cidade grande. Seu saco reservado para as boas prendas voltou vazio. Não encontrou sorrisos, amizades, esperança. Poucos lhe deram ouvidos e ninguém tinha as mercadorias que ele queria levar. Voltou pra roça e percebeu a desnecessidade de ter ido à cidade. No seu roçado, pés de alegrias, montes de afagos, plantações de carinhos. E ali ficou até que lhe procuraram para terem suas mercadorias. Ele as deu, assim como as tinha recebido, pela graça divina. E sorriu, alegre e feliz, por poder repartir o que tanto lhe sobrava. Apenas não entendeu por que o que tinha de tanta fartura não encontrou naquele lugar grande, sem sorrisos, sem amizades, sem esperanças. Também não entendeu o que foi fazer lá se já tinha tudo na sua aldeia. Nunca mais voltou à cidade grande e plantou, e regou, e colheu safras de dias felizes, repartindo-os com o povo da cidade grande.

Texto de Xico Bizerra
Publicado com autorização do autor.

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


ALECRIM, Rosmarinus Offinalis - Estimulante da mente e do corpo e um delicioso tempero  para inúmeros pratos. Também chamada Orvalho-do-mar, é uma planta solar, apreciada desde os tempos mais remotos, tanto na culinária como na forma de medicamentos para ativar a memória, também tida como símbolo da fidelidade.


Arbusto com cerca de 50cm de altura, originada do Mediterrãneo. O Alecrim aceita qualquer tipo de terreno, desde que bem drenado, mas o ideal é o solo de natureza calcária. Semear sob o sol de verão ou na primavera em condições aquecidas. Na antiguidade, era usado contra as forças do mal. Na tradição católica era abençoado no Domingo de Ramos e enfeitava andores levados nas procissões da Semana Santa. Foi introduzido no Brasil no século XVII pelos portugueses.
Utilizado em quantidade moderada para temperar carnes, especialmente, cordeiro e porco. O alecrim ajuda na digestão de gorduras. As flores frescas podem ser misturadas às saladas ou ainda esmagadas com açúcar e natas para temperar purês e frutas. As folhas são exelentes para aromatizar batatas assadas e temperar manteiga. O cheiro de Alecrim mantém a pessoa alegre e arrefece o ar. O óleo  essencial de Alecrim é antidepressivo, revigorante e refrescante, pode ser usado em infusão, banhos, escalda-pés, massagem e travesseiros aromáticos.

Edilma Rocha

Fonte: Jardim Interior - Denise Cordeiro

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha

Edilma, Sra. Ruth Barreto e Dr. José Newton Alves de Sousa
Sem palavras...

Algumas noites da Bahia - Emerson Monteiro

Havia sempre o que agitar nas noites de Salvador, no tempo em que lá vivi e posso contar, anos da década de 70. Eram ocasiões plenas dos chamamentos de uma cidade maior e cheia das diversões e alternativas mais diversas. Visitei pessoas, lugares; assisti a espetáculos teatrais, musicais, folclóricos; percorri festas de largo, exposições artísticas, palestras, festivais de música, cursos, museus, filmes, gama de permanentes novidades inesgotáveis. Em movimentos contínuos, sobremodo aos finais de semana, jamais reclamaria de rotina ou monotonia, caso avaliasse o período, considerando, no entanto, a saudade que mexia comigo, por dentro, na ausência que sentia de minha família, dos amigos caririenses e das belezas que aqui deixara, o que marcava as lembranças, quisesse ou não. Agora isso acontece no sentido contrário, ao rever pela memória aqueles tempos de tantas presenças marcantes e alegres, súbito deixadas para trás no turbilhão das circunstâncias, ao regressar e aqui permanecer.
Enumerar os principais argumentos das histórias passadas chega como instrumento de analisar algumas delas. Uma noite, no Teatro Castro Alves, por exemplo, assisti ao Balé da China, mostra de música e dança que, de tão longe, veio ao Brasil com grupo formado por mais de 200 figurantes, festa de cores e movimentos que preservo nos arquivos das maiores emoções. Enormes figuras mitológicas chinesas e evoluções impressionantes envolveram a platéia entusiasmada, numa apresentação sem termos comparativos.
Por volta dessa mesma oportunidade, chegaria também o Balé do Senegal, que utilizou as dependências do ginásio de esportes Antônio Balbino, trazendo danças típicas africanas, executadas por centenas de homens e mulheres, em trajes, ritmos autênticos e quadros sucessivos, superlotando e sacudindo o público feliz, turnê que viajaria o mundo inteiro naquela ocasião.
Outras dessas gratas reminiscências ficam por conta de peças e shows musicais montados no Teatro Vila Velha, sempre palco de apreciados eventos, onde se encontravam os amigos e conhecidos da época, pessoas que se relacionavam através dos interesses artísticos e culturais, quando pude admirar grandes valores da nossa música popular, quais Milton Nascimento, Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ivan Lins, Jorge Mautner, Gonzaguinha, dentre outros.
Visto gostar de cinema, usufrui ao máximo as chances de ver filmes raros, no Cine Clube da Bahia, no Instituto Brasil - Alemanha e no circuito comercial, comparecendo a exibições, festivais e seminários.
Então, nestas pinceladas rápidas, quis resumir a rica gama do que experimentei de um turno baiano e suas situações, o que preservo com afeto no íntimo depósito da memória, resultado de caminhadas vividas, e bem vividas, da existência.

O agora - Por José de Arimatéa dos Santos

Hoje em dia parece que tudo tem que ser resolvido no exato momento e no afogadilho. Não se pode mais esperar. A paciência mandou lembranças já faz um bom tempo. Será que essa pressa nossa de todo dia é o sinal desse nosso tempo? A ligeireza de tudo atinge até as pequenas cidades atualmente. Não é coisa mais de grande centro. Tudo tem que ser corrido e as filas em bancos, lotéricas e órgãos públicos só aumentam e o que se nota cada vez mais é o stress presente em todos nós. Quando saímos de casa e estamos na rua vem a pressa de motoristas de carro e principalmente de motoqueiros. É difícil de ver um motoqueiro que pilote sua motocicleta numa velocidade razoável. A gente vê uma moto lá longe e quando menos espera já passou por nós. Atravessar uma rua é uma aventura perigosa devido a velocidade de carro e moto. Ah! Tem ainda o cidadão de bicicleta que teima em andar na contramão. Já aconteceu comigo e quase fui atropelado por uma bicicleta quando estava a atravessar uma rua e me preocupava somente com os carros e motos. De repente uma bicicleta freia em cima de mim. Foi por pouco!
Um fato curioso é que a pressa em resolver tudo nos atinge em cheio. Só que nem sempre podemos solucionar nossos problemas devido a muitas das vezes que na hora que estamos para ser atendidos o atendente fala que o sistema caiu ou saiu fora do ar. E haja paciência. E nessa pressa quando estamos enfrentando fila o pior que acho é quando a pessoa que está à frente resolve pagar seus compreomissos e mais ainda do amigo, do vizinho e de mais alguém. Tudo naquele dia e justamente naquele horário. A gente fica impregnado com a pressa que ela nos acompanha até no jogo de futebol no domingo na hora de comprar ingresso e vê o tamanho da fila. Desanima. Só fica na fila pelo amor ao clube do coração e ao charme e bem estar de ir para a arquibancada para gritar, xingar e torcer pelo bom futebol. Engraçado é que quando nosso time está perdendo o tempo é apressado e parece que passa mais rápido. Pois é, essa é a pressa de todos os dias.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Uma vila qualquer


Passados tantos anos já ia ficando difícil saber o que realmente acontecera . O limo do tempo fôra recobrindo os detalhes mais importantes e a verdade se fizera fluída e escorregadia. O certo é que fragmentos da história eram narradas pelos mais velhos nas rodinhas de praça e, os mais novos, foram preparando suas as versões pessoais, nem sempre congruentes, como se montassem um quebra-cabeças. Havia porém, pontos de consenso: A Vila fôra muito próspera, encruzilhada necessária onde confluíam ( como numa foz), mascates e peregrinos, foi aos poucos formando um comércio próprio, que foi se robustecendo com o passar dos meses. Mergulhada a Vila numa terra fértil, foi aos poucos desenvolvendo uma agricultura que passou da subsistência à produção em escala quase industrial. O povo feliz, trazendo no sangue a seiva de índios, negros e brancos colonizadores , mantinha a sua cultura a ferro e fogo e a pequena Vila passou a próspera Cidade, sem nunca deixar de carregar consigo aquele doce ar provinciano. Metamorfoseara-se , geograficamente, em cidade, mas historicamente ainda era uma Vila: ganhara o conforto da metrópole, sem perder a ingenuidade e placidez de Vila. Até este ponto todas as versões terminam por desembocar. A partir daí perde-se o fio da meada, as estórias tendem a divergir sistematicamente. O certo é que a Vila ,no seu apogeu, sem causas visíveis, entrou, rapidamente, em franca decadência. Era como se tivesse sido sorvida por um buraco negro, como se houvesse caído sobre ela o Cometa que se diz Ter destruído os dinossauros.O comércio minguou, os engenhos passaram a não mais safrejar e o povo foi pouco a pouco jogando fora suas tradições e destruindo seus sítios históricos.A cidade foi , paulatinamente, se tornando vazia e oca, parecia até aquelas cidades abandonadas dos filmes de faroeste, só faltavam os rolos de feno carregados, no meio da rua, pela ventania. O povo, no entanto, montado no fausto de outrora e em meio à decadência, ia cada vez mais empinando o queixo, se tornando pábulo e contador de vantagem. Qualquer pequena obra no município era comemorada como se inaugurasse a Estátua da Liberdade.
Os motivos da hecatombe eram muitos e davam munição para discussões acaloradas em todos os logradouros. Havia um outro aspecto, porém, que era consenso entre todos: velhos e novos. A causa principal do declínio era política. Alguns, mais supersticiosos, achavam até que era "coisa botada", um caié, uma urucubaca encomendada. Por quase cinqüenta anos o município se submeteu a administrações péssimas. Sempre que se elegia um prefeito, repetia-se sempre a mesma coisa: arrodeava-se de apaniguados, indicava os familiares para os cargos mais importantes e estava montada a quadrilha. Era um não mais parar de roubar, de apropriar-se dos bens da população, coisa de fazer Ali Babá indignar-se. Acabado o mandato, o povo respirava aliviado, pensando: --- Ainda Bem ! Pior que este é impossível! O diabo é que o mal não tem fronteiras e , na sua infinitude, sempre conseguia arranjar um edil pior e mais ardiloso que o outro e aí o ciclo se fechava. É certo que numa das gestões apareceu um sujeito do bigodão , com cara mais séria que fundo de touro , cabra pontos nos ii . O diabo é que o homem morreu no meio do mandato aí.... O Vice, sedento, faminto, Assumiu! Este ponto era, inclusive, o que mais alimentava as especulações dos supersticiosos , que achavam que alguém tinha costurado a boca de um sapo e enterrado na prefeitura da cidade.
Dias desses, em meio à Festa da Padroeira, os maior fofoqueiro da Cidade, Zé Gallup, resolveu fazer uma enquete. Saiu , travestido de pesquisador do Ibope, fazendo a seguinte pergunta: --"Qual o melhor Prefeito desta cidade nos últimos cinqüenta anos ? Depois da consolidação dos dados, Zé Gallup, reuniu , na praça, os amplificadores de boatos da cidade e divulgou o vencedor. O resultado não podia ser mais surpreendente:
--- Zuca Mingau!!
Antes que todos protestassem, já que Zuca, era um simples gari, um dorme-sujo que jamais sequer sonhou em ser nem vereador; Gallup , com a seriedade dos pesquisadores renomados, explicou:
--- O resultado tá certo cambada! Vocês lembram que o penúltimo prefeito desta porcaria, não tendo conseguido eleger seu sucessor, ficou com raiva e não quis passar o cargo ao inimigo político eleito? Entregou, então, as chaves do paço municipal a Zuca Mingau, que tava capotado ali por perto, numa ressaca danada. Pois bem, Zuca ficou ali esperando o novo prefeito, para entregar as chaves. Foi então(queira-se ou não!) Prefeito por duas horas. Ele, na sua curtíssima administração, varreu o pátio da Prefeitura, limpou as escadarias, não roubou nada e nem deixou que ninguém roubasse, embora estivesse de posse das chaves e , também, não chamou os filhos e a mulher para chafurdar o paço. Pois bem, nas duas horas apenas que passou como Prefeito, Zuca Mingau, foi o melhor administrador desta cidade, nos últimos 50 Anos!

O rio e o poder do paraíso - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um rio magoa nossas lembranças. Não tanto pelo leito domado de um canal, mas pelo leito pretendido que suas águas eventuais podem ocupar. Os rios têm disso: estão numa calha traiçoeira apenas revelada pelos sedimentos geológicos. Os animais sedentos chegam às suas margens e pensam num leito de inverno, sem imaginar que nas procelas muito mais largos serão.

Para um olhar urbano, desejoso das bucólicas paisagens marinhas, aquele conjunto de seis casinhas de pescadores à beira mar era o mais próximo que suas imagens chegariam do paraíso. Por isso mesmo eram forte objetos dos seus desejos. De ouvir a chegada e o recuo das marés. Olhar os horizontes do mar com todas as aquarelas dos dias. Examinar seus ares com as formações de azuis e temporais.

Os rios, riachos ou levadas têm o leito compreendido como personalidade. O leito que é, ao mesmo tempo, muito mais do que o estático conceito, é a expressão da dinâmica, o curso e suas paisagens. É sua forma serpeante no revelo que traduz tudo de sua metafísica.

E foram estes olhares gordos, cheios de poupança, que voraz compraram as casinhas à beira mar. Numa época de inflação o pescador magoou-se com a rápida desvalorização do seu capital, restando-lhe palhas por moradia em terrenos afastados. Naqueles belos sítios à beira mar surgiu a pretensão de pequenos palácios. Com suas piscinas, pérgulas, churrasqueiras, varandões e um desejo enorme de mostrar o poder do progresso material.

Mas eis que o curso personalizado das águas, com suas margens educadas ou pretendidas, encontra o volume das águas marinhas. O volume de contra fluxo, o arrastar em sentido oposto aos rios, riachos e levadas. E estes se tornam um manto raso de águas, espalhadas como um véu a beira mar, não pela força das procelas que lhes dão pretensão, mas pela concentração de muito mais água que eles.

Um dia, numa agonia de cancro ou um podre que se perde aos pedaços, os pequenos palácios foram caindo no embate das marés. Os sonhos de poder se desmancharam aos bocados e estes em retalhos que afinal são migalhas da conquista do paraíso roubado a outro. Que nem era paraíso, apenas o temporário lar de pescadores próximos ao ofício da pesca.

decisão

                        a claude bloc


devo ficar antes dessa estrada
o medo de lá quebra a espada
que eu teria de erguer um tanto
assim assim assim 

se fosse por amor 
a quem me ouve
algo mais do que o perigo
vivo diariamente
perigo latente
no caminho da gente

é melhor que eu fique
acredite
a esquina é cega e aponta
por cima dos ombros 
o que nela fere 
corte na crosta do sonho
e
tudo o que sobra é um sonho

luto a cada a hora feito um tolo
para mantê-lo ainda aceso
todo de linhas de segredo
um jeito que tinha de ser 
e permanece 

por isso é melhor que eu fique
acredite
essas ruas são mulheres nuas
enfeitiçando o vento
que passaria no milharal
e traria o perfume para dentro
da roda em que estamos
seres desatinados
destino incerto
corações tão longe
onde parece tão perto

Divagando -- por Napoleão Tavares Neves (*)



Divagar é preciso, sobretudo nos dias de hoje frente ao utilitarismo do mundo moderno. Pois bem, vamos divagar um pouco para afastar o imediatismo da vida hodierna.
Era 1944. Eu, ginasiano do saudoso Ginásio do Crato, saudoso dos meus verdes pés de serra de Porteiras e Jardim, subi na direção do Lameiro, a pés. Queria ver o verde dos canaviais. Fui subindo, subindo, subindo até que cruzou por mim o Ford preto do Dr. Joaquim Fernandes Teles, na direção da cidade.
De repente, vi-me rodeado por verdes canaviais, do Lameiro, do Belmonte, da Luanda, da Bebida Nova, do Grangeiro. Era cana a perder de vista! De repente, o apito do locomóvel do engenho do Sítio Belmonte. Era o aviso do meio dia. Retrocedi na minha caminhada. Senti-me satisfeito por manter o meu desejo infantil de ver canaviais como os dos sítios de meu pai.
Pois bem, todo aquele canavial sugava nas suas raízes as águas pluviais dos pés de serra do Crato, do Coqueiro às Guaribas. E haja sucção das águas das chuvas! Aquilo tudo era um verdadeiro sumidouro das águas pluviais que hoje descem escorrendo pelo asfalto para as ruas do Crato e quem paga o pato é o Canal do Grangeiro.
O homem perdoa às vezes!
A natureza, ferida, nunca perdoa!
E aí a gente tem que cantar como o poeta José Peixoto Júnior:

Embalançou-se o telhado,
À noite toda choveu,
Beira de Serra cedeu,
Foi muito pau arrancado;
Rio das Piabas lotado
De água, virou um prato”
Água solta não faz trato,
Veio da Serra até pequi,
O miolo do Cariri
Desceu nas águas do Crato.

(*) Napoleão Tavares Neves é médico, escritor, historiador, memorialista e cronista. Reside em Barbalha (CE)

Interfaces - Por Claude bloc



Interpretar
Interpelar
Interromper

Nesse mar interno
O que fazer para
interpor
palavras
nesse discurso que
interfere
no uso abusivo
da internet ???

Claude Bloc

Poemeto(s) - Por Claude Bloc


 I

O sonho cala
A palavra estala
Na boca insone

II

A alegria fala
O sorriso exala
O cheiro e o tom


(De um sonho bom)


Dedicado a Aloísio
Claude Bloc

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

RELATOS SÔBRE BÁRBARA DE ALENCAR - Por Edilma Rocha

Dedicado a José Carlos Brandão

A naturalidade de Bárbara de Alencar foi erro histórico por mais de um século, quando se acreditava que ela nascera no Crato. Em 1951 o Padre Antonio Gomes de Araújo publicou um livro sobre a heroína com toda a documentação esclarecedora.
Bárbara Pereira de Alencar, nasceu na Fazenda "Caiçara", Cabrobó, Pernambuco, aos 11 de Fevereiro de 1760. Filha de, Joaquim Pereira Alencar e Teodora Rodrigues da Conceição. Bárbara era bisneta do casal português, Martinho do Rego e Dorotéia de Alencar e do casal baiano de Salvador, Antonio de Sousa Gularte e Maria da Encarnação de Jesus. Seus avós paternos foram o Tenente Coronel Leonel de Alencar Rego, filho do citado casal português e Maria da Assunção de Jesus, filha do casal baiano. Os pais de Teodora Rodrigues da Conceição, mãe de Bárbara, são desconhecidos. O bisavô baiano, Antonio de Sousa Gularte foi quem batizou de Salamanca ao sítio nas proximidades de Barbalha. Daí o nome daquele rio. Leonel, avô de Bárbara de Alencar, fundou a fazenda "Caiçara". Ali nasceram todos os seus filhos, inclusive, Joaquim Pereira de Alencar, pai de Bárbara que continuou com a fazenda por herança. Lá nasceu Bárbara e viveu até 1782  ano de seu casamento com José Gonçalves dos Santos e o seu primeiro filho, José Gonçalves Pereira de Alencar nasceu em 1783. O pai de Bárbara só deixou a fazenda Caiçara, muito velho, viúvo e doente para a casa da filha no sítio Pau Seco, Município do Crato. Foi a primeira mulher Republicana no Brasil, de muita coragem cívica incorporando-se a  historia do Crato e do Ceará. Rompendo a tradição Legalista, torna-se defensora do  ideal Republicano, quando a Capital da Província era Realista. Tinha muitos inimigos e era caluniada frequentemente e a sua personalidade era desfigurada no conceito geral. Foi mãe de figuras políticas notáveis e acompanhou os filhos em todos os movimentos históricos de emancipação e por isso foi presa com eles nos cárceres do Crato, Fortaleza e Salvador. Exerceu um papel importante na Revolução de 1817 que se iniciou em Pernambuco e colidiu no Crato por proclamação do seu filho, José Martiniano de Alencar em 3 de maio do mesmo ano. Mal vista a Revolução, Bárbara Pereira de Alencar e seus filhos, José Martiniano de Alencar, Tristão Gonçalves de Alencar, Padre Carlos Pereira de Alencar e seu irmão, Leonel Pereira de Alencar e mais vários parentes, foram presos e conduzidos para a Capital do Estado, sendo vítimas de maus tratos, inclusive da população miserável que se agrupavam nas estradas para insultar as suas desgraças. Foi presa com os filhos e esteve na cadeia da Bahia até a ordem do Rei em Outubro de 1820. Sempre esteve ao lado dos filhos, pregou com eles a Revolução, fez viagens e acendeu o espírito Patriota no povo. Adotou o sobrenome "Araripe" por sentimentos nativistas e era uma perfeita mãe de família e administradora das propriedades no Pernambuco, Piauí e Ceará. Seu corpo foi sepultado em "Poço de Penas", hoje Itaguá, Município de Campos Sales. Bárbara de Alencar foi incorporada na História Revolucionária do Crato junto aos seus filhos, Martiniano de Alencar e Tristão Gonçalves, que figurarão para sempre nas histórias das lutas dos guerreiros Cariris.

Edilma Rocha

Fontes - Livro Bárbara de Alencar de autoria de Padre Antonio Gomes de Araújo
              Livro Roteiro Biográfico  de autoria de J. Lindemberge de Aquino

A melhor notícia para o Crato - Prefeito Samuel Araripe consegue em Brasília, 4 milhões de reais para as obras emergenciais do Canal do Rio Grangeiro


A notícia que todos os Cratenses de Boa Vontade tanto esperavam


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Técnicos discutem soluções para o Canal do Rio grangeiro e Encosta do Seminário

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Dr. Nivaldo Soares e o Sec. de Desenvolvimento Econômico Duda Alencar

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Pref. Samuel Araripe em ligação para Brasília. Engenheiro analisa problemas

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E finalmente aconteceu. A melhor notícia que os Cratenses poderiam receber no momento: O Prefeito do Crato, Samuel Araripe consegue em Brasília, com a ajuda do deputado Arnon Bezerra, os primeiros 4 milhões de reais para a recuperação emergencial do Canal do Rio grangeiro. O dinheiro já foi credidado na conta da prefeitura na noite do último dia 17 de fevereiro, sendo uma primeira remessa, e será usado para a construção de 30 casas destinadas às pessoas que ficaram prejudicadas por conta da enxurrada que se abateu sobre a cidade no último dia 28 de janeiro. A quantia também será utilizada para a recuperação das pontes principais da cidade, que ficaram comprometidas, além das áreas com erosão, no Canal do Rio Grangeiro.

O Plano Emergencial havia sido enviado esta semana por meio do deputado federal Arnon Bezerra, depois de elaborado pelos técnicos da prefeitura municipal. Conforme se sabe, existem 2 etapas distintas: A recuperação emergencial e a reconstrução total do canal do rio grangeiro, que seguem por projetos diferentes. Numa primeira fase, é preciso resolver os problemas mais urgentes, como o auxílio aos desabrigados, e a recuperação das pontes e áreas afetadas, a fim de que a cidade volte a ter uma vida normal. Numa segunda etapa, a reconstrução completa do canal, que exigirá uma verba federal ainda maior, seguindo um projeto que está sendo elaborado, diante de uma nova realidade para o Crato, gerada à partir dos eventos do último dia 28 de janeiro, que exigirá que se reconstrua de modo maior e melhor, o antigo canal.

Sobre as soluções para a segunda fase, a reconstrução completa, fala-se em aumento do volume do canal, tanto em largura quanto em profundidade, como há outras idéias, reveladas pelo secretário de meio-ambiente e controle urbano, Nivaldo Soares, como por exemplo, um desvio das águas para o rio batateiras, por fora da cidade, a começar na famosa "ponte de bia", além de outro duto, por baixo do leito do canal atual. Mas tudo isso ainda está sendo estudado por técnicos, e o projeto de reconstrução total, ainda irá ser apresentado.

Embora persista um quadro de indefinição quanto à vinda do Ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho ao Crato, o que verdadeiramente importa agora aos cratenses, é esta primeira vitória, das muitas que ainda se espera obter, de que o próprio ministro já liberou os primeiros 4 milhões de reais ao Crato. Isso em si, já é uma grande vitória para os Cratenses.

Dihelson Mendonça
( Com informações da Assessoria de Imprensa da PMC )

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


Dihelson Mendonça e Edilma
Sem palavras...

Cortando o cordão – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O acaso sempre esteve presente na minha vida. Sem que eu planejasse muita coisa, como muitos o fazem, deixei que a vida me levasse e, ela me conduziu por caminhos retilíneos e belos. Em janeiro de 1964, eu pensava que iria continuar estudando no Crato, na minha zona de conforto, sob a proteção dos meus pais, entre meus familiares e colegas de estudos, uma turma unida e muito amiga. Dizem que o destino sabe traçar a estrada daqueles que sem querer, a ele se entregam. Talvez tenha sido esse o meu caso.

Um primo que estudava engenharia no Recife, estava de férias e visitava nossa casa, no São José. Ao vê-lo, fui conversar com ele, saber como era o curso de engenharia, suas dificuldades e sobre o vestibular. Sabedor de que eu desejava cursar engenharia, ele me aconselhou a ir estudar no Recife durante o curso científico. Disse-me que se eu ficasse no Crato, correria o risco de não ser aprovado no vestibular. Respondi que não dependia de mim. E então ele foi falar com o meu pai. E o fez de uma forma tão convincente, que eu senti naquele contato a concordância do meu pai. Mas este não disse nem sim e nem não. Para mim dizia ser impossível, pois não estava podendo arcar com as despesas.

Dias depois, um parente do meu pai, diretor da Escola de Engenharia de Minas de Ouro Preto, visitava meus pais, sempre que vinha ao Crato em suas férias. Ao saber do meu desejo de cursar engenharia, aconselhou-me que eu fosse estudar em Ouro Preto, colocando sua casa à minha disposição. Fiquei receoso de meu pai aceitar aquele convite protocolar, pois além de não ter nenhuma intimidade com aquele parente distante, Ouro Preto, para mim, era um fim de mundo.

No inicio do mês de fevereiro daquele ano, nada estava definido. Pensava tranquilamente que iria continuar no velho Colégio Diocesano e isso me dava certo alento, pois por ser o filho caçula, eu era muito apegado aos meus pais e irmãos. Entretanto, dias depois, o meu pai recebeu uma carta de uma irmã dele, a tia Anete, que residia em Salvador, dizendo que já reservara a minha matrícula e que eu poderia ir estudar na Bahia. Olhei no sobrescrito o meu futuro endereço: Avenida Beira Mar 404. Na minha imaginação surgiu, como que de repente, a avenida de mesmo nome que eu vira em Fortaleza na única visita que fizera até então a uma cidade maior que o Crato, além do Juazeiro, é claro! E imaginava que iria viver num paraíso. Fiquei ainda mais contente, quando soube que o meu primo e companheiro de brincadeiras, José Esmeraldo Gonçalves também iria.

Tudo então ficou decidido e às pressas, mamãe preparou um enxoval que fez minhas lembranças recuarem cinco anos, quando fui estudar no Seminário. Um medo disfarçado se apoderou de mim. Era a primeira vez que iria sair do Crato e debaixo das asas e da proteção dos meus entes queridos.

Um novo mundo se descortinava à minha frente, o desconhecido, a sensação de uma nova vida. Viajar de avião, coisa impensada, conhecer a cidade de Salvador e suas inúmeras igrejas e tantas outras belezas das quais ouvia falar com insistência.

Viajei com meus primos que lá já estudavam e residiam com minha tia Anete. Por causa de um defeito no DC3 que nos levaria, esperamos um dia inteiro no velho Aeroporto de Fátima, sem nada para enganar o estômago e sem comunicação. Somente no dia seguinte é que conseguimos voar num DC6 que veio em substituição ao avião danificado. O DC6 era um avião grande, com assentos com três cadeiras de cada lado e capacidade para mais de cem passageiros. Ao chegarmos a Salvador, uma Kombi da Varig levou os passageiros de porta em porta até a residência de cada um. O aeroporto distava mais de trinta quilômetros da cidade. Fomos os últimos a chegar ao destino, pois onde tia Anete morava era na Ribeira, final de uma península na cidade baixa.

Senti um misto de arrependimento e tristeza. A Avenida Beira Mar não era nada daquilo que eu imaginara. Era uma rua larga, às margens da Baia de Todos os Santos, sem calçamento, cheia de poças d’água, muita lama e enormes amendoeiras no meio, cujas folhas caídas se misturavam e recobriam as poças de lama. O bairro era triste, composto por um monte de casas velhas. Onde íamos morar era numa escola, o Educandário Pio XII, alojado num velho casarão de três andares, com piso de tábua corrida, que ecoava sob nossos passos. No terceiro andar havia um pequeno apartamento composto de três quartos, um banheiro, um vestíbulo com guarda-roupa coletivo e uma ante-sala ao lado da escada, onde estudávamos. Ao todo éramos seis pessoas que morávamos neste pequeno apartamento, eu, e os primos João Barreto, José Esmeraldo, Luciano Gonçalves, além do cratense Dailton, professor do Pio XII e dois jovens de Alagoinhas: Wedner e Ananias. Daílton era o mais velho do grupo. Ele tinha na época 26 anos, e por causa disso recebeu o apelido de “O Velho”.

A tia Anete ao nos receber, entregou a mim a Zé Esmeraldo uma chave da porta de entrada e nos disse: “vocês saem e entram na hora que quiserem e não precisam me avisar nada.” Senti um enorme peso, pois lá em casa, eu vivia sob certo controle e acompanhamento. Mas aos poucos aprendi a usar minha independência e isto me foi de grande importância para meu amadurecimento pessoal.

Ainda hoje, eu sou grato a essa minha querida tia por ter tornado possível a realização de um sonho. Se não fosse sua solicitude não teria oportunidade de estudar num grande centro. Por isso eu tenho por ela um enorme carinho e gratidão. Ela é a única das minhas tias ainda viva. Reside no Crato, com bastante lucidez e invejável memória, aos oitenta e nove anos. Em julho próximo, esperamos festejar seus 90 anos.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Pesquisa sobre Bárbara de Alencar


Caros amigos,

fui convidado para fazer um artigo sobre Bárbara de Alencar. Lembram-se do poema “O cárcere de Bárbara de Alencar”, que postei aqui? Fui convidado por causa desse poema.

Estou fazendo uma pesquisa. Gostaria que respondessem umas perguntinhas para enriquecer a matéria que vou escrever:

1)   O que representa Bárbara de Alencar para vocês do Crato?

2)   O que representa Bárbara de Alencar para a valorização da mulher?

3)   Gostaria de dar mais algum testemunho sobre Bárbara de Alencar, algum fato histórico talvez desconhecido, algum fato conhecido só regionalmente? Ou de falar o que tiver vontade...

Agradeço-lhes muitíssimo pela colaboração. O meu objetivo é engrandecer e divulgar o valor de Bárbara de Alencar.

Poderão responder aqui, nos “comentários”. Ou então pelo meu e-mail: jcmbrandao@gmail.com

Um grande abraço,

Brandão.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O gosto de escrever - Emerson Monteiro

À medida que os hábitos passam a integrar a personalidade, eles se revertem numa segunda natureza, agindo por conta própria, arrastando consigo os impulsos e as disposições pessoais. Isto quanto aos maus ou bons hábitos. Daí quanto difícil largar um vício de qualquer naipe. O aprendizado adota, por isso, tal mecanismo de automação da vontade, nas profissões, nos processos de administração das circunstâncias, ou nas inúmeras e complexas atividades que formam os dias das criaturas humanas. Escrever também pode bem representar desses mecanismos, na prática das rotinas, que as transformam numa segunda natureza.
Por mais frequente a ocupação, e na medida em que cresçam as facilidades nela desenvolvidas, o subconsciente age no segundo plano da atenção, propiciando resultados surpreendentes de aprimorar o método escolhido. Dirigir automóvel, pilotar aeronave, praticar esporte, pedalar, cantar, trabalhar, ler, estudar, escrever, além dos milhares de outros exercícios físicos e mentais, alimentam e planificam os costumes da alma humana, identificando-a no que lhe cabe desenvolver. O que antes parecia sacrifício e exigia dedicação, reverte num prazer sem conta ou tamanho.
A força, por isso, aplicada para desenvolver o hábito traz satisfação até então desconhecida por quem desconhece as reações do organismo, em termos de realização particular.
A título de comparação, faz anos que eu avisto, na estrada do Grangeiro, em Crato, o professor Alberto Teles praticar corrida, dias constantes. Às vezes, sob sol intenso; às vezes, debaixo de chuva. Sozinho, suado, nu da cintura para cima, pés descalços, concentra-se na atividade qual fosse pela primeira vez. Um atleta modelo, toca adiante hábitos esportivos reunidos no tempo em que serviu às forças armadas, na Marinha do Brasil. Depois, ensinou educação física nos colégios cratenses. Para mantê-se em forma, corre alguns quilômetros, todo santo dia, exemplo dos que atendem à evolução do corpo físico, no disciplinamento dos hábitos salutares que adquiriu.
Para mim, escrever condiciona as práticas de frases e períodos na busca do sentido, e preserva a memória da leitura e da existência, coisas que gosto de realizar. Algo que arrasta ao exercício físico ou mental, alimento das alegrias interiores, desejos de levar aos outros a disposição das idéias construtivas e as lembranças mais queridas da minha história pessoal.
Conquanto positivos hábitos, que os vivamos nós. Porém, na adversidade dos chamados vícios, que os substitua, pelo esforço reverso, no contrário da força do hábito, e descubra ocupações benfazejas, a fim de preencher o ranço dos inquilinos antigos com sabores novos e agradáveis.

POR QUE TANTAS FLORES ? - Por Edilma Rocha


Acho que essa pergunta passeia por entre pensamentos dos leitores do Cariricaturas.
Quando criança, vivi cercada por canteiros floridos com Hortências, Rosas, Amores-perfeitos, Margaridas, Miosótis e Gladíolos, cultivados pelo meu avô. Era era um amante das flores, de todas elas... Mandava buscar em São Paulo as sementes e bulbos para plantar, cultivar e estudar seus comportamentos no clima do Crato. Depois disso, eram transferidas para as praças embelezando seus jardins. Daí esse meu amor pelas flores.
Uma casa sem jardim não é uma casa completa. Plantar mesmo em vasos, regar e vê-las crescerem e florirem é uma magia que tem o dom de nos transportar para os nossos sonhos mais secretos. Encontro nas flores a beleza das formas e cores que a Natureza oferece de presente na minha vida. Os diversos tons enchem os meus olhos e as formas variadas me inspiram a reproduzir nas telas com as tintas e pincéis em meu poder.
Se todos pudessem olhar com mais frequência as flores  que nos rodeiam, possivelmente passariam a integrar a verdadeira Natureza. Mesmo o mais sério e ocupado dos homens, tem o anseio de pelo menos uma vez na vida, largar tudo e correr feito criança por aí...
Quem de nós não sentiu a vontade e o prazer de sentar num gramado, contemplar o cair das águas das cachoeiras, deixar lavar o corpo nos riachos e oferecer a alguém do seu lado, aquela flor que está ao alcance de  suas mãos ? Nesses momentos somos donos do mundo e não precisamos possuir nada. Procuramos algo adormecido dentro de nós mesmos. Algo que certamente ficou nos sonhos da infância.
As flores são um presente da Natureza como um caminho de volta para junto de Deus. E para isso acontecer, temos que parar, calar e contemplar a beleza das flores no silencio e ouvir a nossa voz interior.
É tão prazeroso caminhar por entre as flores e descobrir os seus segredos, suas magias e suas curas. Cada uma tem uma forma, uma cor, um tamanho. Quando se abrem ao sol, oferecem uma viagem ao desconhecido mundo dos mais puros segredos envolvendo sabedoria e mistério. Como coisinhas tão pequenas como as sementes, podem se transformar em tantas formas e cores e produzirem novas sementes e assim sucessivamente até o fim dos tempos ? Precisamos lembrar que todas as vezes que arrancamos uma planta e no seu lugar colocamos uma construção, uma rua, estamos destruindo nossa qualidade de vida.
Certa vez, me deparei num jardim maravilhoso de um palácio. Eram tantas flores que seria impossível conta-las e sentir todos os seus perfumes. Mas estavam ali fileiras de cadeirinhas coloridas a nos esperar para apenas sentar, sentir o perfume e contemplar as flores. E ao chegar, respirei profundamente, fechei os olhos e me senti totalmente envolvida pelo lugar que me conduziu ao verdadeiro encontro com o mundo das flores.
Senti-me plena e feliz !

Edilma Rocha

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha

ACÔNITO - Aconitum napelllus. Uma flor com a energia de Saturno. Sua forma aristocrática e introvertida sugere os pensadores e eremitas, procurando na solidão encontrar os seus próprios pensamentos. Na antiguidade, os gauleses e germanos envenenavam suas setas com Acônito. Especialistas dizem que a flor do Acônito, com sua forma defensiva de elmo, sugere algo neurótico; se fosse pessoa, seria alguém magoado e introspectivo, por isso atua de forma terapêutica em neuvragias do nervo trigémeo que, no homem, se estende do pescoço até a face e o crânio. Exatamente para onde a pessoa magoada e introvertida direciona sua tensão.


Planta perene, com raízes tuberosas, caule ereto e folhas alternadas, atinge de 45cm a 1 metro de altura. É originada da Europa. O acônito, floresce em solos férteis, tem alto teor venenoso e é cultivado exclusivamente para fins farmacêuticos e utilizado na homeopatia. A planta é usada como componente de misturas medicinais analgésicas no tratamento de reumatismos, gota, ciática, dor de dentes. É também eficaz contra as dores e as afecções causadas por resfriamentos, sempre mediante prescrição médica.


Tudo que é excessivo prejudica. Nem tanta festa, nem tanto recolhimento. Dose suas atividades, saia, divirta-se, dance, jogue conversa fora. Mas, depois, relaxe o corpo e a mente e ouça apenas a sua voz interior. Você vai acabar descobrindo que ela tem muito a lhe falar.

Fonte : Jardim Interior - Denise Cordeiro

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


João do Crato e Edilma
Sem palavras...

Xixá... Por Claude Bloc

O tempo, a vida, a hora...


O mundo das pequenas coisas


A natureza que vibra


O tempo que passa


A resposta do fruto


O tempo, a vida, a hora...
O ciclo se fecha.

Claude Bloc
Retalhos
- Claude Bloc -


Ultrapasso-me
Em mero louvor aos meus sonhos
Com a promessa de solucionar possíveis males...
Uso palavras, versos
Através dos sons da noite em agonia
Brinco de compor a madrugada
Com os retalhos de tua poesia
E me supero a cada luz do dia
E me recomponho a cada amanhecer.

Pouco a pouco
Refaço o tempo das noites caladas
Canto o teu canto, cito o teu soneto
E vem, com o dia, o poema pronto
O canto lento que a chuva apaga
O fim, o ritmo
O triste fado.

Dedicado a Chagas

Claude Bloc