Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Eu vi a ExpoCrato nascer! – por Napoleão Tavares Neves (*)




Era 1944, já distante! Fazia eu o 2º ginasial no conceituado e histórico Ginásio do Crato. Certo dia, estando no patamar da Matriz de Nossa Senhora da Penha, vi passar um carro Ford preto na direção ao Pimenta.
Naquele tempo, carro era fruta rara no Crato e a simples presença de um já era sinal de fato inusitado. Assim, de relance, notei que o passageiro da frente do carro era o interventor do Ceará, Francisco de Menezes Pimentel, e os ocupantes do banco traseiro eram o prefeito municipal, Dr. Wilson Gonçalves e o professor Pedro Felício Cavalcanti.

Nisto passou o Zezinho de Abdon dizendo: “Vão inaugurar a Exposição de gado do Crato” (hoje conhecida por ExpoCrato). Com alguns colegas do Ginásio subi a pés para o Pimenta e ali vi a 1ª Exposição de Gado do Crato. Fiquei maravilhado com o que vi: muito gado zebu bonito, sobretudo os dos grandes criadores: Coronel Filemon Teles, Dr. Fernandes Teles, Professor Pedro Felício e Dr. Wilson Gonçalves.
O local da 1º Feira de Gado do Crato era mais ou menos onde hoje fica a Rádio Educadora do Cariri. Naquela amostra não se via mulheres bonitas como nas exposições de hoje, mas somente gado e vaqueiros arranchados em barracas de palha. Também não havia serviço de som. O Crato era uma cidadezinha de dez mil habitantes. A atual Praça da Sé era apenas o Largo da Sé, atapetado de capim de burro somente.
Portanto, ali era a hoje pujante ExpoCrato que dormitava no seu berço no deserto sítio Pimenta, uma lonjura do centro do Crato! Pois bem, o menino daquele tempo já é quase o oitentão de hoje!
Tudo cresceu, tudo mudou, mas me ficou na lembrança tudo o que vi naquele já saudoso dia. Portanto, repito, eu vi a ExpoCrato nascer, inicialmente apenas como Exposição de Gado Crato e há 49 anos realmente como a pujante ExpoCrato de hoje...

(*) Napoleão Tavares Neves é médico, escritor, historiador, memorialista e cronista. Reside em Barbalha (CE)

A POESIA DE AMADO NERVO - (UM POETA DE LÍNGUA ESPANHOLA)



Homem-poeta, Amado Nervo foi um apaixonado pela vida, e de tanto amá-la aprendeu a despedir-se  dela. Morrer era apenas um passo para unir-se ao infinito.

 Esse foi Amado Nervo, o depositário de versos que nos acompanham agora e que se convertem em poemas atemporais... São o grito de um homem, de um poeta que soltou seu eco pela eternidade. .



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Si nadie sabe ni por qué reímos

Ni por qué lloramos;

Si nadie sabe ni por qué vinimos

Ni por qué nos vamos;

Si en un mar de tinieblas nos movemos,

Si todo es noche en rededor y arcano,

¡a lo menos amemos!

¡Quizás no sea en vano!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sabença de caboclo - Emerson Monteiro

Talvez por pretender contrariar o princípio de que cavalo ruim se vende longe, Chico Ivo tratou de camuflar muito bem a deficiência do animal com a instala-ção mais do que perfeita de outro belo rabo no baita cavalo luzidio, untado com esmero numa mistura gosmenta de breu e cola de marceneiro, disfarce primoro-so da alisada vassoura de longos fios selecionados.
Junto ao toco, implantara a nova cauda, recolhida de outros bichos no decorrer de longos meses, cabelo a cabelo, que, de firme, mostrava-se suficiente para confundir os maiores especialistas, como deixará provado. Concedia, inclusive, ao equino ginga do tanto de esboçar ligeiras e saudosas abanadas, qual nos ve-lhos tempos de inteiro.
Bom, foi assim que resolveram desafiar o furdunço da feira de Lavras da Man-gabeira, buscando o pátio dos bichos, onde não teve mesmo quem viesse de no-tar a gauribagem. Tudo limpo no céu do meio-dia.
Interessados não custaram a aparecer com suas pretendências e propostas. E-xaminavam o cardão de cima a baixo, coleando a pelagem, friccionando o lom-bo, sempre cuidando de olhar dentes, cascos, orelhas, na mania dos espertos. Porém foram, de verdade, os ciganos que primeiro se fixaram na intenção explí-cita da compra, seguindo logo, logo, saber do preço.
Conversa vai, conversa vem; regateia daqui, regateia dali; negócio realizado. Ca-bresto na mão, dinheiro no bolso, e, satisfeitos, certos de uma boa transação, restava aos negociantes pegarem estrada e buscarem o destino da tropa nas es-tradas poeirentas do sertão.
...

Passadas se foram algumas luas, ritmo obediente das coisas naturais. A tranquila cidade mudou quase nada em meio à falta de acontecimentos marcantes.
Lá noutro dia, noutra feira de grande movimento, gente muita, muita animação comercial, difícil até de se achar quem se procura entre as tantas caras, eis com quem Chico Ivo se defronta, de imediato reconhecido... Com os mesmos ciga-nos que lhe haviam adquirido o cavalo. Vinham de longe acenando, para garan-tir o encontro casual inevitável:
- Ganjão, ganjão! Aguarde um pouco que seja.
- Não quero nem saber, - reagiu enfático o antigo proprietário do animal. - Ne-gócio feito ninguém desfaz. Fechado está, assim restará.
E quão admirado ficou da resposta que lhe veio do cigano à frente dos demais:
- Se despreocupe, ganjão. Nosso objetivo é outro. O que passou tá pra trás. Vi-emos aqui foi lhe fazer uma outra proposta, de que o senhor aceite, a partir de hoje, seguir com a gente e chefiar nosso bando.

Harmonia da Tarde - Dihelson Mendonça


"Num passeio por um belo jardim, vi coisas maravilhosas"


Voici venir les temps où vibrant sur sa tige,
Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir;
Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir,
Valse mélancolique et langoureux vertige.


borboleta 08



borboleta 07



borboleta 06

Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir,
Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige,
Valse mélancolique et langoureux vertige,
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;


borboleta 05



borboleta 04



borboleta 03

Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige,
Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir!
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;
Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige...

borboleta 02

Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir,
Du passé lumineux recueille tout vestige.
Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige, -
Ton souvenir en moi luit comme un ostensoir.


borboleta 01


( tradução )

Chegado é o tempo em que, vibrando o caule virgem,
Cada flor se evapora igual a um incensório;
Sons e perfumes pulsam no ar quase incorpóreo;
Melancólica valsa e lânguida vertigem!

Cada flor se evapora igual a um incensório;
Fremem violinos como fibras que se afligem;
Melancólica valsa lânguida vertigem!
É triste e belo o céu como um grande oratório.

Freme violinos como fibras que se afligem,
Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório!
É triste e belo o céu como um grande oratório;
O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem.

Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório
Recolhem do passado as ilusões que o fingem!
O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem...
Fulge a tua lembrança em mim qual ostensório!

Fotos: Dihelson Mendonça
Poema: Charles Baudelaire - Harmonie du Soir

Estação Jovem - São Caetano do Sul SP





O Estação Jovem é o Centro de Referência da Juventude de São Caetano do Sul, um equipamento público, organizado pela Coordenadoria Municipal de Juventude, dedicado especialmente aos jovens da cidade, e idealizado como um espaço que se pudesse oferecer cultura, lazer, entretenimento e informação da melhor qualidade a este público.

O ESPAÇO
O espaço possui uma completa estrutura para melhor atender o jovem, contando com pista de skate, quadra poliesportiva, midiateca (composta por um amplo acervo de HQ´s, livros de cultura pop, cd’s, dvd’s, revistas e computadores com acesso gratuito a internet), estúdio para ensaio de bandas, salas de dança, cursos e oficinas, auditório com estrutura audiovisual e um grande espaço aberto para shows.

Fonte: Estação jovem


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Chapada do Araripe:Três Horas de Muita Aventura e Baikes Rasgando a Floresta-Wilson Bernardo.

A floresta do Araripe, a nossa chapada de braços abertos para o esporte radical, bicicletas que durante três horas competiram pelo prazer de qualidade de vida,sentindo na alma o desejo de penetrar dentro da floresta a sabedoria da vida saudável.Viva! A nossa chapada de coração aberto.
Mãos dadas com a confraternização da alma da chapada
Canseira e muito suor a refrescar a lida da floresta
Detalhes e por menores da competição
Velocidade rasgando a chapada com sabedoria
Chuva muita chuva abençoada pelos deuses tribais do Kariri
Beleza simples mas contagiante
Flores no caminho dos pedaladores de emoções
Farpados e fados de um Kariri encantado
O sorriso de alma feminina
Ma não é dela essa orelha que escuta o som da floresta
Wilson Bernardo (Texto & Fotografia)v

RELEMBRANDO O CRATO ANTIGO - Pedro Esmeraldo

Foto capturada do Blog do Crato

Estamos tentando relembrar o Crato antigo. Era uma cidade pequena, mas de aspecto agradável, semelhante a uma cidade civilizada do sul do país. Seu povo vestia-se bem, andava bem trajado, sempre elegante, não fazia vergonha ao se apresentar em qualquer reunião social no cenário de todas as camadas da sociedade. O homem, enfatiotado e circunspecto, não se envergonhava de freqüentar os maiores convívios sociais.

Era uma cidade que quase não tinha indústria, a não ser pequenas indústrias de beneficiamento de arroz e algodão. O algodão, após ser beneficiado, tinha a lã transportada para os grandes centros do país. Também havia duas indústrias de ração para bovinos, satisfazendo o provimento da pecuária leiteira da região.

As suas principais praças eram localizadas no centro da cidade como: Francisco Sá, que é uma das praças mais bonitas do Ceará. Lá está instalada a coluna da hora e a estátua da samaritana, oferecida pelo artista e jogador de futebol Mundinho, grande craque cratense.

Também serviu de palco da antiga fonte luminosa, talvez abandonada por falta de recursos financeiros. Mesmo na parte central da cidade, havia um antigo mercado público, cognominado pela massa popular de arapuca, onde hoje é localizado o Banco do Brasil.

Naquele tempo, o crescimento do Crato era lento, mas digamos, com força de expressão, era uma cidade quase civilizada que tinha aspecto de cidade grande porque seu comércio era bastante intenso, devido a predominância da cana-de-açúcar e do algodão, que se encontrava no apogeu, considerada como um grande centro elevado de economia regional.

Os engenhos, ao redor da cidade, adocicavam a economia com o afago do seu mel, transmitindo um cheiro agradável ao visitante da cidade.

Posteriormente, essas duas culturas, ou seja, da cana-de-açúcar e do algodão arruinaram-se e o agricultor cratense estava totalmente despreparado para outra atividade correlata. Daí surgiu o descrédito econômico do agricultor que não sabe sobressair-se das dificuldades financeiras e ficou arrasado financeiramente, deixando cair no ostracismo social.

Quanto á queda do consumo da rapadura, observamos que, nos tempos modernos, o homem passou a mudar de hábito alimentar, abandonando certos costumes, afastando-se dos costumes regionais, mudando-se de costumes alimentares, esquecendo dos produtos da região, deixando o agricultor arrasado e desinteressado pelo trabalho agrícola.

Os homens de outrora, principalmente os da classe política encontravam-se totalmente despreparados para enfrentar o trabalho efetivo e ponderando com muita reflexão, não procuravam pormenores para descobrir a causa da queda da nossa economia, cruzavam os braços e não observavam os prós e os contras, a fim de qualificar o homem para exercer, com dignidade, novas profissões com trabalho que lhe fosse favorável ao seu sustento.

Lembramos ainda que o procedimento negativo do agricultor trouxe péssimas consequências para a economia cratense.

Não recorremos aos melhores métodos que fossem apropriados ao homem, sem aflição, verificar qual seria a sua melhor inclinação que adiantasse o seu trabalho de acordo com o seu capital, procurando a parte favorável e preferida pelo povo.

Crato-CE, 17 de fevereiro de 2011.

INDIOS CARIRIS - Por Edilma Rocha


Se fala  tanto em "Cariri" e pouco se escreve sobre estes nossos antepassados por falta de mais  dados da historia dos índios Cariris bem antes da conquista dos Portugueses no Brasil.  Sabemos muito pouco sobre este território que se estende da Chapada do Araripe. Mesmo nos fósseis  de peixes, animais petrificados, ossadas Mastodonte, são para nós como livros difíceis de decifrar.
Originários da Ásia, chegaram ao nosso mundo pelos rios Amazonas e Tocantins. Dois tipos étnicos chegaram a América no período neolítico, os Sudésticos e os Brasílicos, a procura de um lugar que lhes dessem melhores condições de vida. Alguns prosseguiram migração que só foram detidos pelas águas calidas do Rio São Francisco e se assentaram nesta vasta região. Uma das tribos foi a Nação Cariri que chegou ao Sul do Ceará nos séculos IX e X da era cristã em busca de terras férteis, úmidas, quentes e de fácil plantio, melhorando a vida das suas tribos. Encontraram no Cariri, mais precisamente no Crato, o ambiente propício às suas aspirações, com suas fontes e riquezas naturais. A Região propiciou-lhes uma vida fácil e primitiva retirando da natureza em abundância, uma diversidade de alimentos como a macaúba, o babaçú, o pequi, o araçá, dentre outros. Plantaram a mandioca, o milho e a caça e a pesca farta nas matas faziam do ambiente um verdadeiro paraíso tropical onde suas famílias podiam viver em paz durante muito tempo. Suas casas eram construídas com palhas de palmeiras e usavam utensílios como, cabaças, cuias e coités. Construíram o pilão de socar, a urupemba, o abano, esteiras de palha e artigos feitos de barro como, vasos, pratos, panelas onde cozinhavam comida proveniente da farinha de mandioca e do milho. O beijú, a tapioca, a puba, a canjica, o cuscus e muitas outras, vieram dos nossos antepassados indígenas.
Os Índios Cariris foram nações indígenas como muitas outras que povoaram o nosso Brasil, mas tinham uma particularidade de serem propensos a obedecer e o seu aldeamento era feito sem nenhum  custo logo que a voz evangélica dos missionários se chegou até eles. Os "Cariús" habitavam ao Norte do Araripe, os "Calabaças" habitavam as margens do rio Salgado e os "Inhamuns" eram inimigos e viviam em guerra habituais e sempre mantinham ocupações ordinárias.
O descobrimento da data exata dos índios Cariris ainda é uma indagação, sabe-se que foram descobertos por aventureiros baianos que partiram do São Francisco por volta de 1660 à 1680, antes do Governo de Sebastião de Sá, no Ceará.
Um "negro"escravo da Fazenda Várzea, além do rio São Francisco, do Senhor da Torre, caiu em poder dos índios Cariris, ainda rapaz novo e ao longo do tempo se tornou um forte Capitão dessa tribo. O negro aconselhou os índios a recorrer o auxílio dos brancos mediante a descoberta do País. Foi este escravo que ensinou aos Portugueses o caminho dos Cariris, nas selvas e ribeiras. Estas foram as notícias deixadas por pessoas que viveram na última metade do século passado, como o Coronel  Leandro Bezerra Monteiro. Os primeiros invasores vindo do rio São Francisco, eram descendentes de Diogo Alves Correia, "O Caramurú", que socorreu os Cariris contra os Cariús. Sendo difícil dizer quem foi o chefe da primeira batalha, talvez João Correia Arnaud ou  Medrado, vaqueiro e procurador da Fazenda Várzea.
Em 1590, com a ajuda de 200 homens, o negro e 5 índios, chegaram na Cachoeira de Missão Velha e dominaram do rio Salgado até o Icó. Em 1610, veio o Coronel João Mendes Lobato e um filho, o padre António Mendes Lobato com cerca de 100 homens identificados com a tribo "Calabaça", conseguindo que recebessem o Batismo e estabelecendo relações com os Cariris. O padre Lobato mandou uma comissão a Pernambuco pedir ao Bispo Dr. Estêvão Brioso, um missionário, que mandou para a catequese dos índios o Italiano Frei Carlos de Ferrara, do Convento da Penha. Frei Carlos abriu a missão de Missão Velha e depois, Missão Nova e Miranda, onde passou para Crato. A vinda de Frei Carlos se deu em 1678 até 1683. No Cariri não havia uma grande população, apenas uns raros brancos, mas além das aldeias de Missão Velha, Missão Nova e Crato, existiam fazendas de gado com colonos estabelecidos. Vestígios de uma casa-forte tem sido descoberto em Cachoeira e parece a primeira edificação no solo Cariri.
Alguns frades Capuchos vieram do Pernambuco logo depois do Descobrimento servindo de chefes a essas nascentes populares e catequizaram os índios, primeiro em Missão Velha, depois no Miranda, sítio onde o riacho desse nome faz barra na corrente Batateira. Ali fizeram aldeamento e os índios mais adiante atravessando o rio das Piabas, no lugar em que hoje está a cidade do Crato, muito tempo conhecida como Missão do Miranda. Os índios homens e mulheres trabalhavam por tarefas sob as ordens de um  feitor índio e um diretor branco. Havia ordem da Corte Portuguesa de 1764, que ninguém saia da aldeia sem permissão e eram subordinados pelo Senado da Câmara do Icó. Um índio de 15 à 60 anos ganharia anualmente 4$800 rs e os de 12 à 18 anos 3$00 rs, obrigados a amos que lhes dava de comer, beber e vestir, tinha que cura-los das moléstias, ensina-los a doutrina cristã e a se fazerem confessar 5 vezes por ano. O índio que aprendesse o ofício de mecânico, trabalhava 6 anos para o mestre, depois ganharia 100 rs diários. As mulheres a única obrigação do amo era as prendas domésticas e de pois casa-las.
E assim aconteceram os abusos e foram reduzidos a escravidão pela avareza dos locatários sendo esta a vida dos senhores exclusivos do Brasil.

Edilma Rocha

Fonte -  Ceará Homens e fatos - por João Brígido.

Uma anfitriã em pânico - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Em l995, nosso apartamento estava lotado de irmãos e alguns sobrinhos de Carlos, que vieram à Fortaleza para apoiar uma irmã dele que ia se submeter a uma operação de ponte de safena. A cirurgia era de risco, o que fez com que os irmãos e todos os familiares ficassem preocupados. Estávamos todos unidos em oração e torcendo para que tudo desse certo. E eu, no meu papel de anfitriã, organizava tudo a tempo e a hora para que todos se sentissem bem acolhidos e confortáveis.

Nessa época o prédio em que moramos, estava sem síndico, pois ninguém queria assumir tal missão. Sem nenhuma liderança, já que nem o subsíndico quis se responsabilizar, não foi tomado nenhuma medida para que fosse realizada a dedetização. Por mais que colocássemos isca em nossa casa, apareciam algumas baratas voadoras e outras que vinham dos esgotos do edifício.

Em determinado momento, ao entrar na despensa com a minha cunhada ao mesmo tempo, para pegarmos alguma coisa, passaram por cima de nossas cabeças duas enormes baratas voadoras vindas da varanda. Na hora, em pânico e sem pensar no meu papel de anfitriã acolhedora e educada, saí correndo e tranquei a porta da despensa deixando minha hóspede lá com as duas baratas. Corri o mais longe possível daquele local. Depois que passou o susto e as baratas já estavam mortas, envergonhada fui pedir desculpas a minha cunhada, justificando minha atitude pelo medo que tenho de baratas. Ainda bem que ela perdoou. Passado o meu constrangimento, demos boas risadas.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Bispos nordestinos vêm ao Cariri apresentar solidariedade a dom Fernando Panico



Na sequência, da esquerda para a direita: Dom Antônio Muniz Fernandes, Dom jaime Vieira Rocha e Dom Genival Saraiva França

O Arcebispo de Maceió, dom Antônio Muniz Fernandes e os bispos de Campina Grande (PB), dom Jaime Vieira Rocha e de Palmares (PE), dom Genival Saraiva de França estarão chegando a Crato na próxima segunda-feira, dia 28, para hipotecar solidariedade a dom Fernando Panico, alvo de acusações infundadas – numa matéria veiculada através da Internet, no Blog Juanorte – na qual foram publicadas aleivosias contra sua pessoa e, por extensão, contra a Diocese de Crato e a população cratense.
Quando da publicação da matéria ofensiva a sua pessoa, dom Fernando Panico encontrava-se hospitalizado para tratamento de saúde. Ele permanece em repouso, na sua residência, por recomendação médica.
Os três prelados nordestinos – pastores de expressivas populações católicas nos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco – concederão, no dia 1º de março, entrevista coletiva à imprensa caririense. A entrevista será transmitida por um pool de emissoras da Região Metropolitana do Cariri -- a partir da Rádio Educadora do Cariri -- ocasião em que ratificarão a solidariedade prestada a dom Fernando Panico.
Texto: de Armando Lopes Rafael

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


Salete Liborio, Antunes Filho e Edilma
Sem palavras...

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


MAGNÓLIA - Magnólia Lilifloma. As flores de Magnólia são exelentes presentes quando a intenção é mandar mensagens de força, amor a natureza, simpatia, dignidade, perseverança e nobreza. A Magnólia é uma flor proveniente de plantas do género "Magnólia L", a família Magnoliaceas, também é o nome popular das plantas desse género nativas das zonas temperadas do Hemisfério Norte. As Magnólias são árvores, arbustos ou arvoredos semidecíduas ou decíduas, apreciadas como ornamentais nos jardins, principalmente em locais de clima temperado ou subtropical.


As Magnólias produzem abundantemente flores brancas ou rosadas, grandes e perfumadas. A ciência Botânica tem um interesse especial pelas Magnólias por representarem estruturas reprodutivas e anatómicas que se acredita serem extremamente primitivas em relação a todas as outra flores, apresentando semelhança com Gimnospermas primitivos. Alguns fósseis mais antigos de anginiospermas conhecidos apresentam flores semelhantes às Magnólias. Existem 48 espécies de Magnólias cientificamente catalogadas.


São flores nativas do Himalaia ao Japão, Oeste da Malásia, Leste da América do Norte, México e regiões Tropicais. Para o cultivo dessa planta, faz-se necessário solo rico e fresco. O plantio é feito em sombra parcial e em espaços amplos para desenvolver as raízes e copas. A reprodução é feita por sementes no outono ou mergulha-se os galhos para ganharem raízes. Além da sua utilização ornamental, são cultivadas pelo comércio de sua madeira e por suas cascas que podem ser aproveitadas na medicina. No Oriente se utiliza a Magnólia para tratar doenças respiratórias e resfriados. E na China são usadas para proteger o "Buda",ficando ao redor dos templos Budistas.

Edilma Rocha

Fonte: Flores-Guia e Mundo das flores, na Internet.

Renovações...

Magnólia


Temos uma nova colaboradora no Cariricaturas.

Magnólia, com nome de flor, é procedente do Blog Sanharol e está aqui para embelezar nossa página.

Seja bem vinda, Magnólia.

O Cariricaturas lhe abraça.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sabedoria... Poema de Uma história de amor

Era uma vez uma ilha onde moravam os sentimentos: a ALEGRIA, a TRISTEZA, a SABEDORIA e todos os sentimentos, por fim o AMOR.
Mas um dia, foi avisado aos namorados que a ilha iria afundar. Todos os sentimentos se apressaram para sair da ilha, pegaram os seus barcos e partiram.
Mas o AMOR ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha , antes que ela afundasse. Quando por fim, estava se afogando, o AMOR começou a pedir ajuda.
Nesse momento, estava passando a RIQUEZA em lindo barco e o AMOR disse:
- RIQUEZA, leva-me com você?
- Não posso . Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para você.
Então, pediu ajuda à VAIDADE que também vinha passando:
- VAIDADE por favor me ajude!
- Não posso ajudar, AMOR, você está todo molhado e poderia estragar todo meu barco.
Veio passando a TRISTEZA e o AMOR pediu ajuda:
- TRISTEZA, deixe-me ir com você?
- Ah!... AMOR, estou tão triste que prefiro ir sozinha!
- Também passou a ALEGRIA, mas ela estava tão alegre que nem viu o AMOR chamar.
- Venha AMOR, eu levo você!
- Era um velhinho.
- O AMOR, ficou tão feliz que se esqueceu de perguntar o seu nome. Chegando do outro lado do morro, ele perguntou á SABEDORIA:
- SABEDORIA, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?
- Era o TEMPO.
- O TEMPO? Mas por que o TEMPO me trouxe?
- Porque somente o TEMPO é capaz de entender um grande amor.

ENCONTROS E REENCONTROS... Por Claude Bloc



Um dia fui aluna do "Madre Ana Couto". Lembro-me de quando papai e seu Pedro Libório foram falar com Madre Feitosa para que Darci e eu fôssemos estudar lá. Era uma escola direcionada para pessoas sem muito recurso financeiro e seu Pedro, parente direto de Madre Feitosa, foi conversar com a Madre para que ela nos aceitasse ( a mim e a Darci) na escola.

Os professores que assistiam a escola eram convidados pela direção dentre aqueles que praticavam o magistério na cidade. Creio que a maioria era composta de voluntários. Assim sendo, Madre Feitosa, sempre empreendedora, também buscava dentre suas alunas aquelas que tinham alguma habilidade em determinada matéria para colaborar com a escola.

Foi assim que, em primeiro lugar e em primeiríssima mão, fui convidada (aos 14anos) a empreender essa missão em tão tenra idade: enfrentar minha primeira turma - (dando aulas de Francês)... e foi aí também que se delineou meu caminhar em direção a esta profissão que abraço até hoje.

Depois de muitos e muitos anos, fui conduzida, através de Ulisses Germano, a rever Madre Feitosa. Para minha surpresa e alegria encontrei-a com o mesmo pique. A mesma disposição. A mesma força.
A conversa foi longa e animada. A felicidade, nesse reencontro, recíproca. A dívida, eterna.


Claude Bloc

Divagação - Aloísio




Divagação

Não sei se ouço
Instrumento ou voz
Nesse tempo veloz
Ouço o som do vento
Que me (e)leva às alturas
Aí me lembro de criaturas
Límpidas demais
Vivendo em outras planuras

Mas é hora de aterrissar
Pois toda divagação
Uma hora vai terminar

Aloísio

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Sonhos


Não sei se vejo
O cenário, a cena
Nesse tempo que me acena...
Vejo a luz, sinto o vento
Sinto graça, o alento
Que me (re)veste de sonhos
Luzentes, risonhos
Límpidos demais
Vivendo nas alturas


Mas é hora de voltar
Pois cada sonho
Tem sua hora de acordar...






Claude

RESPOSTAS AO VENTO... Chagas X Claude


*CHAGAS

por isso é melhor que eu fique
acredite
essas ruas são mulheres nuas
enfeitiçando o vento
que passaria no milharal
e traria o perfume para dentro
da roda em que estamos
seres desatinados
destino incerto
corações tão longe
onde parece tão perto



*CLAUDE

por isso é melhor que venhas
acredite
essas ruas são lembranças nuas
enfeitiçadas pelo vento
em meio ao canavial
e trariam toda a saudade para dentro
da conversa que mantemos
seres predestinados
destino (in)certo
almas distantes

Dueto: Chagas / Claude

FEIRA DE SONHOS - Xico Bizerra

O matuto acordou de seus sonhos e foi à cidade grande. Seu saco reservado para as boas prendas voltou vazio. Não encontrou sorrisos, amizades, esperança. Poucos lhe deram ouvidos e ninguém tinha as mercadorias que ele queria levar. Voltou pra roça e percebeu a desnecessidade de ter ido à cidade. No seu roçado, pés de alegrias, montes de afagos, plantações de carinhos. E ali ficou até que lhe procuraram para terem suas mercadorias. Ele as deu, assim como as tinha recebido, pela graça divina. E sorriu, alegre e feliz, por poder repartir o que tanto lhe sobrava. Apenas não entendeu por que o que tinha de tanta fartura não encontrou naquele lugar grande, sem sorrisos, sem amizades, sem esperanças. Também não entendeu o que foi fazer lá se já tinha tudo na sua aldeia. Nunca mais voltou à cidade grande e plantou, e regou, e colheu safras de dias felizes, repartindo-os com o povo da cidade grande.

Texto de Xico Bizerra
Publicado com autorização do autor.

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


ALECRIM, Rosmarinus Offinalis - Estimulante da mente e do corpo e um delicioso tempero  para inúmeros pratos. Também chamada Orvalho-do-mar, é uma planta solar, apreciada desde os tempos mais remotos, tanto na culinária como na forma de medicamentos para ativar a memória, também tida como símbolo da fidelidade.


Arbusto com cerca de 50cm de altura, originada do Mediterrãneo. O Alecrim aceita qualquer tipo de terreno, desde que bem drenado, mas o ideal é o solo de natureza calcária. Semear sob o sol de verão ou na primavera em condições aquecidas. Na antiguidade, era usado contra as forças do mal. Na tradição católica era abençoado no Domingo de Ramos e enfeitava andores levados nas procissões da Semana Santa. Foi introduzido no Brasil no século XVII pelos portugueses.
Utilizado em quantidade moderada para temperar carnes, especialmente, cordeiro e porco. O alecrim ajuda na digestão de gorduras. As flores frescas podem ser misturadas às saladas ou ainda esmagadas com açúcar e natas para temperar purês e frutas. As folhas são exelentes para aromatizar batatas assadas e temperar manteiga. O cheiro de Alecrim mantém a pessoa alegre e arrefece o ar. O óleo  essencial de Alecrim é antidepressivo, revigorante e refrescante, pode ser usado em infusão, banhos, escalda-pés, massagem e travesseiros aromáticos.

Edilma Rocha

Fonte: Jardim Interior - Denise Cordeiro

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha

Edilma, Sra. Ruth Barreto e Dr. José Newton Alves de Sousa
Sem palavras...

Algumas noites da Bahia - Emerson Monteiro

Havia sempre o que agitar nas noites de Salvador, no tempo em que lá vivi e posso contar, anos da década de 70. Eram ocasiões plenas dos chamamentos de uma cidade maior e cheia das diversões e alternativas mais diversas. Visitei pessoas, lugares; assisti a espetáculos teatrais, musicais, folclóricos; percorri festas de largo, exposições artísticas, palestras, festivais de música, cursos, museus, filmes, gama de permanentes novidades inesgotáveis. Em movimentos contínuos, sobremodo aos finais de semana, jamais reclamaria de rotina ou monotonia, caso avaliasse o período, considerando, no entanto, a saudade que mexia comigo, por dentro, na ausência que sentia de minha família, dos amigos caririenses e das belezas que aqui deixara, o que marcava as lembranças, quisesse ou não. Agora isso acontece no sentido contrário, ao rever pela memória aqueles tempos de tantas presenças marcantes e alegres, súbito deixadas para trás no turbilhão das circunstâncias, ao regressar e aqui permanecer.
Enumerar os principais argumentos das histórias passadas chega como instrumento de analisar algumas delas. Uma noite, no Teatro Castro Alves, por exemplo, assisti ao Balé da China, mostra de música e dança que, de tão longe, veio ao Brasil com grupo formado por mais de 200 figurantes, festa de cores e movimentos que preservo nos arquivos das maiores emoções. Enormes figuras mitológicas chinesas e evoluções impressionantes envolveram a platéia entusiasmada, numa apresentação sem termos comparativos.
Por volta dessa mesma oportunidade, chegaria também o Balé do Senegal, que utilizou as dependências do ginásio de esportes Antônio Balbino, trazendo danças típicas africanas, executadas por centenas de homens e mulheres, em trajes, ritmos autênticos e quadros sucessivos, superlotando e sacudindo o público feliz, turnê que viajaria o mundo inteiro naquela ocasião.
Outras dessas gratas reminiscências ficam por conta de peças e shows musicais montados no Teatro Vila Velha, sempre palco de apreciados eventos, onde se encontravam os amigos e conhecidos da época, pessoas que se relacionavam através dos interesses artísticos e culturais, quando pude admirar grandes valores da nossa música popular, quais Milton Nascimento, Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ivan Lins, Jorge Mautner, Gonzaguinha, dentre outros.
Visto gostar de cinema, usufrui ao máximo as chances de ver filmes raros, no Cine Clube da Bahia, no Instituto Brasil - Alemanha e no circuito comercial, comparecendo a exibições, festivais e seminários.
Então, nestas pinceladas rápidas, quis resumir a rica gama do que experimentei de um turno baiano e suas situações, o que preservo com afeto no íntimo depósito da memória, resultado de caminhadas vividas, e bem vividas, da existência.

O agora - Por José de Arimatéa dos Santos

Hoje em dia parece que tudo tem que ser resolvido no exato momento e no afogadilho. Não se pode mais esperar. A paciência mandou lembranças já faz um bom tempo. Será que essa pressa nossa de todo dia é o sinal desse nosso tempo? A ligeireza de tudo atinge até as pequenas cidades atualmente. Não é coisa mais de grande centro. Tudo tem que ser corrido e as filas em bancos, lotéricas e órgãos públicos só aumentam e o que se nota cada vez mais é o stress presente em todos nós. Quando saímos de casa e estamos na rua vem a pressa de motoristas de carro e principalmente de motoqueiros. É difícil de ver um motoqueiro que pilote sua motocicleta numa velocidade razoável. A gente vê uma moto lá longe e quando menos espera já passou por nós. Atravessar uma rua é uma aventura perigosa devido a velocidade de carro e moto. Ah! Tem ainda o cidadão de bicicleta que teima em andar na contramão. Já aconteceu comigo e quase fui atropelado por uma bicicleta quando estava a atravessar uma rua e me preocupava somente com os carros e motos. De repente uma bicicleta freia em cima de mim. Foi por pouco!
Um fato curioso é que a pressa em resolver tudo nos atinge em cheio. Só que nem sempre podemos solucionar nossos problemas devido a muitas das vezes que na hora que estamos para ser atendidos o atendente fala que o sistema caiu ou saiu fora do ar. E haja paciência. E nessa pressa quando estamos enfrentando fila o pior que acho é quando a pessoa que está à frente resolve pagar seus compreomissos e mais ainda do amigo, do vizinho e de mais alguém. Tudo naquele dia e justamente naquele horário. A gente fica impregnado com a pressa que ela nos acompanha até no jogo de futebol no domingo na hora de comprar ingresso e vê o tamanho da fila. Desanima. Só fica na fila pelo amor ao clube do coração e ao charme e bem estar de ir para a arquibancada para gritar, xingar e torcer pelo bom futebol. Engraçado é que quando nosso time está perdendo o tempo é apressado e parece que passa mais rápido. Pois é, essa é a pressa de todos os dias.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Uma vila qualquer


Passados tantos anos já ia ficando difícil saber o que realmente acontecera . O limo do tempo fôra recobrindo os detalhes mais importantes e a verdade se fizera fluída e escorregadia. O certo é que fragmentos da história eram narradas pelos mais velhos nas rodinhas de praça e, os mais novos, foram preparando suas as versões pessoais, nem sempre congruentes, como se montassem um quebra-cabeças. Havia porém, pontos de consenso: A Vila fôra muito próspera, encruzilhada necessária onde confluíam ( como numa foz), mascates e peregrinos, foi aos poucos formando um comércio próprio, que foi se robustecendo com o passar dos meses. Mergulhada a Vila numa terra fértil, foi aos poucos desenvolvendo uma agricultura que passou da subsistência à produção em escala quase industrial. O povo feliz, trazendo no sangue a seiva de índios, negros e brancos colonizadores , mantinha a sua cultura a ferro e fogo e a pequena Vila passou a próspera Cidade, sem nunca deixar de carregar consigo aquele doce ar provinciano. Metamorfoseara-se , geograficamente, em cidade, mas historicamente ainda era uma Vila: ganhara o conforto da metrópole, sem perder a ingenuidade e placidez de Vila. Até este ponto todas as versões terminam por desembocar. A partir daí perde-se o fio da meada, as estórias tendem a divergir sistematicamente. O certo é que a Vila ,no seu apogeu, sem causas visíveis, entrou, rapidamente, em franca decadência. Era como se tivesse sido sorvida por um buraco negro, como se houvesse caído sobre ela o Cometa que se diz Ter destruído os dinossauros.O comércio minguou, os engenhos passaram a não mais safrejar e o povo foi pouco a pouco jogando fora suas tradições e destruindo seus sítios históricos.A cidade foi , paulatinamente, se tornando vazia e oca, parecia até aquelas cidades abandonadas dos filmes de faroeste, só faltavam os rolos de feno carregados, no meio da rua, pela ventania. O povo, no entanto, montado no fausto de outrora e em meio à decadência, ia cada vez mais empinando o queixo, se tornando pábulo e contador de vantagem. Qualquer pequena obra no município era comemorada como se inaugurasse a Estátua da Liberdade.
Os motivos da hecatombe eram muitos e davam munição para discussões acaloradas em todos os logradouros. Havia um outro aspecto, porém, que era consenso entre todos: velhos e novos. A causa principal do declínio era política. Alguns, mais supersticiosos, achavam até que era "coisa botada", um caié, uma urucubaca encomendada. Por quase cinqüenta anos o município se submeteu a administrações péssimas. Sempre que se elegia um prefeito, repetia-se sempre a mesma coisa: arrodeava-se de apaniguados, indicava os familiares para os cargos mais importantes e estava montada a quadrilha. Era um não mais parar de roubar, de apropriar-se dos bens da população, coisa de fazer Ali Babá indignar-se. Acabado o mandato, o povo respirava aliviado, pensando: --- Ainda Bem ! Pior que este é impossível! O diabo é que o mal não tem fronteiras e , na sua infinitude, sempre conseguia arranjar um edil pior e mais ardiloso que o outro e aí o ciclo se fechava. É certo que numa das gestões apareceu um sujeito do bigodão , com cara mais séria que fundo de touro , cabra pontos nos ii . O diabo é que o homem morreu no meio do mandato aí.... O Vice, sedento, faminto, Assumiu! Este ponto era, inclusive, o que mais alimentava as especulações dos supersticiosos , que achavam que alguém tinha costurado a boca de um sapo e enterrado na prefeitura da cidade.
Dias desses, em meio à Festa da Padroeira, os maior fofoqueiro da Cidade, Zé Gallup, resolveu fazer uma enquete. Saiu , travestido de pesquisador do Ibope, fazendo a seguinte pergunta: --"Qual o melhor Prefeito desta cidade nos últimos cinqüenta anos ? Depois da consolidação dos dados, Zé Gallup, reuniu , na praça, os amplificadores de boatos da cidade e divulgou o vencedor. O resultado não podia ser mais surpreendente:
--- Zuca Mingau!!
Antes que todos protestassem, já que Zuca, era um simples gari, um dorme-sujo que jamais sequer sonhou em ser nem vereador; Gallup , com a seriedade dos pesquisadores renomados, explicou:
--- O resultado tá certo cambada! Vocês lembram que o penúltimo prefeito desta porcaria, não tendo conseguido eleger seu sucessor, ficou com raiva e não quis passar o cargo ao inimigo político eleito? Entregou, então, as chaves do paço municipal a Zuca Mingau, que tava capotado ali por perto, numa ressaca danada. Pois bem, Zuca ficou ali esperando o novo prefeito, para entregar as chaves. Foi então(queira-se ou não!) Prefeito por duas horas. Ele, na sua curtíssima administração, varreu o pátio da Prefeitura, limpou as escadarias, não roubou nada e nem deixou que ninguém roubasse, embora estivesse de posse das chaves e , também, não chamou os filhos e a mulher para chafurdar o paço. Pois bem, nas duas horas apenas que passou como Prefeito, Zuca Mingau, foi o melhor administrador desta cidade, nos últimos 50 Anos!

O rio e o poder do paraíso - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um rio magoa nossas lembranças. Não tanto pelo leito domado de um canal, mas pelo leito pretendido que suas águas eventuais podem ocupar. Os rios têm disso: estão numa calha traiçoeira apenas revelada pelos sedimentos geológicos. Os animais sedentos chegam às suas margens e pensam num leito de inverno, sem imaginar que nas procelas muito mais largos serão.

Para um olhar urbano, desejoso das bucólicas paisagens marinhas, aquele conjunto de seis casinhas de pescadores à beira mar era o mais próximo que suas imagens chegariam do paraíso. Por isso mesmo eram forte objetos dos seus desejos. De ouvir a chegada e o recuo das marés. Olhar os horizontes do mar com todas as aquarelas dos dias. Examinar seus ares com as formações de azuis e temporais.

Os rios, riachos ou levadas têm o leito compreendido como personalidade. O leito que é, ao mesmo tempo, muito mais do que o estático conceito, é a expressão da dinâmica, o curso e suas paisagens. É sua forma serpeante no revelo que traduz tudo de sua metafísica.

E foram estes olhares gordos, cheios de poupança, que voraz compraram as casinhas à beira mar. Numa época de inflação o pescador magoou-se com a rápida desvalorização do seu capital, restando-lhe palhas por moradia em terrenos afastados. Naqueles belos sítios à beira mar surgiu a pretensão de pequenos palácios. Com suas piscinas, pérgulas, churrasqueiras, varandões e um desejo enorme de mostrar o poder do progresso material.

Mas eis que o curso personalizado das águas, com suas margens educadas ou pretendidas, encontra o volume das águas marinhas. O volume de contra fluxo, o arrastar em sentido oposto aos rios, riachos e levadas. E estes se tornam um manto raso de águas, espalhadas como um véu a beira mar, não pela força das procelas que lhes dão pretensão, mas pela concentração de muito mais água que eles.

Um dia, numa agonia de cancro ou um podre que se perde aos pedaços, os pequenos palácios foram caindo no embate das marés. Os sonhos de poder se desmancharam aos bocados e estes em retalhos que afinal são migalhas da conquista do paraíso roubado a outro. Que nem era paraíso, apenas o temporário lar de pescadores próximos ao ofício da pesca.

decisão

                        a claude bloc


devo ficar antes dessa estrada
o medo de lá quebra a espada
que eu teria de erguer um tanto
assim assim assim 

se fosse por amor 
a quem me ouve
algo mais do que o perigo
vivo diariamente
perigo latente
no caminho da gente

é melhor que eu fique
acredite
a esquina é cega e aponta
por cima dos ombros 
o que nela fere 
corte na crosta do sonho
e
tudo o que sobra é um sonho

luto a cada a hora feito um tolo
para mantê-lo ainda aceso
todo de linhas de segredo
um jeito que tinha de ser 
e permanece 

por isso é melhor que eu fique
acredite
essas ruas são mulheres nuas
enfeitiçando o vento
que passaria no milharal
e traria o perfume para dentro
da roda em que estamos
seres desatinados
destino incerto
corações tão longe
onde parece tão perto

Divagando -- por Napoleão Tavares Neves (*)



Divagar é preciso, sobretudo nos dias de hoje frente ao utilitarismo do mundo moderno. Pois bem, vamos divagar um pouco para afastar o imediatismo da vida hodierna.
Era 1944. Eu, ginasiano do saudoso Ginásio do Crato, saudoso dos meus verdes pés de serra de Porteiras e Jardim, subi na direção do Lameiro, a pés. Queria ver o verde dos canaviais. Fui subindo, subindo, subindo até que cruzou por mim o Ford preto do Dr. Joaquim Fernandes Teles, na direção da cidade.
De repente, vi-me rodeado por verdes canaviais, do Lameiro, do Belmonte, da Luanda, da Bebida Nova, do Grangeiro. Era cana a perder de vista! De repente, o apito do locomóvel do engenho do Sítio Belmonte. Era o aviso do meio dia. Retrocedi na minha caminhada. Senti-me satisfeito por manter o meu desejo infantil de ver canaviais como os dos sítios de meu pai.
Pois bem, todo aquele canavial sugava nas suas raízes as águas pluviais dos pés de serra do Crato, do Coqueiro às Guaribas. E haja sucção das águas das chuvas! Aquilo tudo era um verdadeiro sumidouro das águas pluviais que hoje descem escorrendo pelo asfalto para as ruas do Crato e quem paga o pato é o Canal do Grangeiro.
O homem perdoa às vezes!
A natureza, ferida, nunca perdoa!
E aí a gente tem que cantar como o poeta José Peixoto Júnior:

Embalançou-se o telhado,
À noite toda choveu,
Beira de Serra cedeu,
Foi muito pau arrancado;
Rio das Piabas lotado
De água, virou um prato”
Água solta não faz trato,
Veio da Serra até pequi,
O miolo do Cariri
Desceu nas águas do Crato.

(*) Napoleão Tavares Neves é médico, escritor, historiador, memorialista e cronista. Reside em Barbalha (CE)

Interfaces - Por Claude bloc



Interpretar
Interpelar
Interromper

Nesse mar interno
O que fazer para
interpor
palavras
nesse discurso que
interfere
no uso abusivo
da internet ???

Claude Bloc

Poemeto(s) - Por Claude Bloc


 I

O sonho cala
A palavra estala
Na boca insone

II

A alegria fala
O sorriso exala
O cheiro e o tom


(De um sonho bom)


Dedicado a Aloísio
Claude Bloc