Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Destino do Poeta – Por Enéas Duarte.

Renata Menezes e Ananda na foto
Conduzir tanto amor, tanta amizade,
Na pequenez sutil do coração;
Desprezar o clarim da realidade
Pela sonora flauta da ilusão.

Vagar pelo silencio em direção
À desventura, às magoas, à saudade,
Menoscabando o fausto e a sedução,
Vivendo quase sempre na humildade.

Respondendo às injurias com o desdém
Sem maltratar e sem pungir ninguém,
Caminhando altivo em linha reta.

Lançando roças pelo caminho
E recebendo em troca acerbo e espinho,
Eis o destino de qualquer poeta.

FALANDO DE FLORES - Por Edilma Rocha


CALÊNDULA - Maravilhas - Calêndula Officinalis. A alegria do nascer ao pôr-do-sol.
Uma planta solar cuja energia se equilibra com a força lunar. Suas cores amarelas, laranjas e vermelhas que indicam uma ligação intrínseca com Júpiter, que favorece as aptidões criativas.


Planta ornamental, atinge até 40 cm de altura. Originada do Mediterrâneo, seu nome vem do latim "Calendas" que remete à crença de que florescia sempre no primeiro dia do mês. Cultivada em solo de argila fina, mas aceita quase todos. Semear na primavera. Pode ser cultivada em vaso, desde que exposta ao sol. Floresce quase o ano todo e as flores de cores intensas, se abrem com o nascer do sol e se fecham com o pôr-do-sol. A Calêndula é muitas vezes cultivada junto às especiarias, para afastar uma praga chamada besourinho.

A Calêndula é cicatrizante, anti-inflamatória, anti-séptica, bactericida, fungicida e tonificante da pele. É usada na higiene do bebê, no tratamento da acne, da gengiva, como cicatrizante de feridas e úlceras, fissuras da mama e queimaduras. Tem poderes sedativos, equilibrando o sistema nervoso central e vegetativo.
Na culinária, as flores são usadas para dar cor de açafrão e um leve gosto picante em pratos como arroz, sopas, peixes, carnes, omeletes, queijo, bolos, pães e doces. O óleo vegetal da Calêndula é usado como carreador para óleos essenciais. Aplicado em massagem, aumenta a tonicidade da pele.

Dedico esta postagem a Dihelson Mendonça . Em nossas vidas, a criatividade se manifesta de diferentes formas nas inúmeras expressões artísticas. 

Edilma Rocha

Fonte :  Jardim Interior - Denise Cordeiro

Para pensar um tema - Manuel Fernandes (Nande)

Um tema pode ser qualquer coisa que nos leve de um minúsculo pontinho até o infinito ou pode ser o minúsculo infinito que nos leve ao ponto máximo. Uma simples discussão sobre grandezas já é um tema que daria um samba matemático ou papo geográfico, por exemplo, sobre escalas. Foi com temas geradores que Paulo Freire alfabetizou um bocado de gente. As vezes a partir da palavra tijolo se construía uma cidade de palavras, um arsenal vocabular que fazia as pessoas serem capazes de ler politicamente o mundo.
Um tema não é coisa que se tema, porque ele pode nascer assim... de repente. Pode inclusive, nascer meio guenzo e ir se equilibrando devagarinho - engatinha, anda, corre. Porque a única exigência temática está em fazer as pessoas se sentirem a vontade em seu próprio universo conceitual e vocabular, posto que o fundamental mesmo é desencabular o sujeito e a sujeita; até uma palavra que não consta do dicionário pode ser motivo para se começar uma conversa.
A busca está nas associações mais diversas que podemos ser levados a fazer com os outros - entrou pelo pé do pato saiu pelo pé do pinto e por aí vai. Pato e pinto são bípedes, são aves, têm bico, põe ovos e aí, de saída, antes que um desses bichos voe, já se tem um tema penoso, mas um tema que pode dar uma história para criança ou em discussão sobre os transgênicos.
O importante é se aventurar no mundo das coisas correlatas e também das disparatadas, para fazer as associações já conhecidas e aquelas imaginárias. Para ciência e para arte, porque uma coisa imita a outra, vez ou outra ou outra e vez, e foi assim que começou a história com coisas que ás vezes a gente não acredita, porque parecem não ter pé nem cabeça, mas é tudo coisa das criações humanas e da fantástica imaginação que temos.
Em outros termos nós temos temas para quase tudo aquilo que desejamos discutir. Um tema é a ponta de um novelo. Uma nota musical. Uma data às vezes sem sentido aparente. Uma imagem fotográfica. Um risco na pedra deixada por comunidades de dez mil anos atrás. A visão primeira que os homens tiveram da lua.
Quem sabe não foi isso que nos aventuramos a voar, imitar patos e pintos, imitar peixes e dialogar com a natureza com sua imensa selva de temas e de possibilidades intermináveis? Quem sabe não começamos por onde deveríamos ter terminado e fizemos o contrário?
Um ponto de partida é exatamente a possibilidade de criar as coisas do início e não temer chegar nos lugares inatingíveis. Para os professores talvez seja começar sempre com os outros onde eles estão, por onde já se passou um dia, como um retorno paciente ao lugar das primaveras do que conseguimos aprender.
Um tema deve ser capaz de suscitar debates, levantar questões, despertar preocupações, recuperar a tradição e vislumbrar o futuro. pode ser qualquer coisa assim que aparentemente é coisa alguma.

Manuel Fernandes, filho de Maria Zélia Correia e de Antônio Arcanjo, neto de Zé Odimar e Balbina Correia.
Professor da área de teoria e método na Universidade de São Paulo (USP)

As emissoras internacionais - Emerson Monteiro

Houve um tempo quando apreciei com intensidade as transmissões da radiofonia mundial em ondas curtas, reservando horas e horas noturnas para ouvir as programações em português e espanhol, elaboradas nos mais diversos países. Esse gosto veio despertado por amigos e colegas de colégio que nutriam interesses ocasionais em colecionar selos, quadros de fitas de cinema, estudar inglês e acompanhar lançamentos cinematográficos, assuntos que preencheram a minha adolescência.
Além de seguir de perto as grades de programação, também escrevia às emissoras, dando notícias das recepções e apresentando ideias e motivos talvez a serem aproveitados pelas estações de rádio.
Era uma época de extrema efervescência e movimentação das forças políticas, na primeira metade da década de 60, auge da Guerra Fria, quando, inclusive, o rádio se prestou à divulgação e propaganda ideológica dos blocos nela envolvidos. De um lado, o capitalismo internacional do Ocidente, liderado pelos Estados Unidos. Do outro, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ponta de lança do que propunha o comunismo, já instalado também na China, desde 1949, com Mao-tsé-tung no poder; em Cuba, após a revolução de Fidel Castro, em 1959; no bloco dos países da Europa Oriental, na Coréia do Norte, como alternativa ao modelo da democracia americana para as outras nações, após a Segunda Guerra.
Recordo que, nessa fase, ouvia com assiduidade transmissões da Rádio Difusão e Televisão Francesa, Rádio Canadá, BBC de Londres, Rádio Havana, Voz da América, Rádio Holanda, Rádio Suíça Internacional, Rádio Suécia, Rádio Praga, Rádio Sofia, Rádio Cairo, Rádio Espanha Internacional, Rádio Pequim, Rádio Central de Moscou, Rádio Tirana, Rádio Vaticano, Voz da Alemanha, dentre outras, que mantinham horários para o Brasil e os demais países de língua portuguesa.
Informações fervilhavam a cruzar os céus logo que chegava a noite, das 19 às 23h, horário de melhor propagação das ondas. O meu receptor, rádio a válvulas, permanecia ligado todo tempo, enquanto promovia anotações e apurava os ouvidos, nas faixas de 16 a 49m, vezes sob chiados e ruídos intensos que dificultavam as audições.
No país, eram as notícias peneiradas pelos órgãos de segurança e que, entretanto, vazavam pelos correspondentes estrangeiros, chegando ao nosso conhecimento pelos departamentos internacionais, época de clandestinidade e repressão, anos de chumbo, quais se dizem.
Remetia cartas aos endereços dessas emissoras, que as respondiam com regularidade e juntavam às respostas publicações dos países; livros, revistas, jornais, postais, selos, broches, flâmulas e outros brindes. Cada recebimento dessas respostas era um dia de festa. Abria o envelope e examinava com cuidado seu conteúdo, estimando o valor em face da distância que percorrera. Nisso, espécie de fetichismo logo invadia a alma de mistério.
Depois, novos apegos surgiriam com a descoberta do prazer da literatura e seus variados autores brasileiros e estrangeiros. Mais adiante, os filmes de Hitchock, do Cinema Novo, os clássicos da Cristandade, os faroestes inolvidáveis, o cinema de arte europeu, além dos festivais da canção, e a MPB, reunidos às emoções dos primeiros namoros, para, assim, excluir em definitivo o pouco espaço que restara entre os estudos e aqueles solitários serões radiofônicos.

COLÉGIO PIO X - Por Edilma Rocha


Esta menininha de olhar sereno, narizinho pequeno e boquinha apertada não possuía cabelos cacheados, eram produzidos por um "Baby lise" artesanal as custas de brasas de carvão. A sua mãe ficava horas separando as mechas com cuidado para torná-las em lindos cachos e a menininha dura, petrificada de medo até o final do penteado. Tudo isso para depois vestir o uniforme do Colégio Pio X e sair para mais um dia na escola. Usavam saias azuis pregueadas, blusa branca de manguinhas e um enorme laço azul na altura do pescoço. Nos pés sapatinhos pretos e meias brancas. Debaixo do braço um caderno só, que ocupava todas as anotações e deveres de casa, lápis preto e borracha de bolinha.
A casa onde funcionava o educandário era grande demais para os seus pequeninos olhos e lá as primeiras letras eram aprendidas com alegria. Cadeiras e mesinhas destribuidas por salas da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries do primário, tudo tão simples e interiorano. No intervalo para o lanche que se chamava "Hora do recreio", era aguardado com ansiedade para se juntar às amiguinhas e brincar no enorme quintal em baixo das frondosas mangueiras. Cada aluna poderia levar o lanche de casa ou esperar por entre as frestas da pequena mureta que dava para a Praça da Sé a comidinha que vinha de casa. Vilanir, que chegava pontualmente às 9 horas trazendo uma canjica, uma fatia de bolo Luís Filipe acompanhado com suco de fruta, mas ela gostava mesmo era das migalhinhas de pão com leite e mel.
Durante o mês de Setembro as crianças trocavam o recreio no quintal para assistir as montagens do "Parque Maia". A enorme roda gigante  cheia de  luzinhas piscando, o carrossel dos cavalinhos, as cadeirinhas dependuradas pelas  compridas correntes que voavam aos céus. Era um mundo de fantasia montado sob os olhinhos curiosos da criançada. Havia muito respeito entre as professoras e as alunas. Se por acaso fossem chamadas na diretoria, era coisa terrível. Mas as festinhas com dança e representações, era coisa certa todo o final do ano. E assim corria a vidinha das pequenas princesinhas do Colégio Pio X.
Tudo tão diferente das escolas de hoje, com seus transportes escolares, prédios especiais, salas com ar condicionado, lanche da MC Donald com refrigerantes, mochilas nas costas para tantos cadernos e livros acompanhados de canetas e mais canetas coloridas, tudo com a estampa da moda. O comércio na exploração da volta as aulas dividido em parcelas no cartão de crédito. O uniforme, a célebre calça Jeans, ténis e apenas a blusa com o nome do Educandário estampado no peito.
Mas a doçura das pequenas princesinhas continua sendo a mesma no coração de papais e mamães corujas nos tempos atuais.

Edilma Rocha 

Ulisses Germano - Coração Louco - Por: Dihelson Mendonça

De onde nascem os corações dos poetas?
Ninguém jamais saberá responder

Ulisses Germano 04


Ulisses Germano 05

Mesmo o mais poderoso dos profetas
Vasculhando o Universo não vai ler


Ulisses Germano 02



Ulisses Germano 03

A fábula das palavras inauditas
O cheiro e o sabor das biritas

Ulisses Germano 01



Ulisses Germano 06



Ulisses Germano 09



Ulisses Germano 08

Que inverte toda a razão do querer.

Ulisses Germano - Dihelson Mendonça



Ulisses Germano 07


Ulisses Germano - Por: Dihelson Mendonça


Fotografia: Dihelson Mendonça
Poesia: Ulisses Germano ( POEMAS DE ISOPOR III )

Proibida a Reprodução sem Autorização dos Autores

ENCONTRO COM AMIGOS - Por Edilma Rocha


Dr. Humberto Macário e Edilma
Sem palavras ...

AMADO NERVO - Por Armando Rafael

Amado Nervo (pseudônimo de Juan Crisóstomo Ruiz de Nervo) nasceu em Tepic, Nayarit (México) em 27 de agosto de 1870 e faleceu em Montividéu (Uruguai) em 24 de maio de 1919. Além de grande poeta, ele foi também educador, jornalista e Embaixador do México na Argentina e no Uruguai.

Dele, a poesia que mais me encante é “Em Paz”.
Apresento abaixo uma tradução livre de “Em Paz” feita por mim, mas que pode ser melhorada. A ver:

Bem perto do meu ocaso, eu te bendido ó vida
Porque nunca me deste esperança falida,
Nem trabalhos injustos, nem penas imerecidas.

Porque vejo que ao final do meu áspero caminho
Que fui o arquiteto do meu próprio destino:
Quando tirei o mel e o fel das coisas
Foi porque nelas pus fel ou mel.
Quando plantei roseiras, colhi sempre rosas.

É verdade: a minha altivez vai se seguir o inverno,
Mas tu nunca disseste que o maio era eterno!

Achei, sem dúvida, longas as noites de minhas penas.
Mas tu não me prometeste somente noites tranquilas
E em troca tive algumas plenamente serenas.

Amei, fui amado, o sol acaricicou meu rosto.
Vida, nada me deves! Vida estamos em paz!


Enviado por Armando Rafael - por e-mail

Eu vi a ExpoCrato nascer! – por Napoleão Tavares Neves (*)




Era 1944, já distante! Fazia eu o 2º ginasial no conceituado e histórico Ginásio do Crato. Certo dia, estando no patamar da Matriz de Nossa Senhora da Penha, vi passar um carro Ford preto na direção ao Pimenta.
Naquele tempo, carro era fruta rara no Crato e a simples presença de um já era sinal de fato inusitado. Assim, de relance, notei que o passageiro da frente do carro era o interventor do Ceará, Francisco de Menezes Pimentel, e os ocupantes do banco traseiro eram o prefeito municipal, Dr. Wilson Gonçalves e o professor Pedro Felício Cavalcanti.

Nisto passou o Zezinho de Abdon dizendo: “Vão inaugurar a Exposição de gado do Crato” (hoje conhecida por ExpoCrato). Com alguns colegas do Ginásio subi a pés para o Pimenta e ali vi a 1ª Exposição de Gado do Crato. Fiquei maravilhado com o que vi: muito gado zebu bonito, sobretudo os dos grandes criadores: Coronel Filemon Teles, Dr. Fernandes Teles, Professor Pedro Felício e Dr. Wilson Gonçalves.
O local da 1º Feira de Gado do Crato era mais ou menos onde hoje fica a Rádio Educadora do Cariri. Naquela amostra não se via mulheres bonitas como nas exposições de hoje, mas somente gado e vaqueiros arranchados em barracas de palha. Também não havia serviço de som. O Crato era uma cidadezinha de dez mil habitantes. A atual Praça da Sé era apenas o Largo da Sé, atapetado de capim de burro somente.
Portanto, ali era a hoje pujante ExpoCrato que dormitava no seu berço no deserto sítio Pimenta, uma lonjura do centro do Crato! Pois bem, o menino daquele tempo já é quase o oitentão de hoje!
Tudo cresceu, tudo mudou, mas me ficou na lembrança tudo o que vi naquele já saudoso dia. Portanto, repito, eu vi a ExpoCrato nascer, inicialmente apenas como Exposição de Gado Crato e há 49 anos realmente como a pujante ExpoCrato de hoje...

(*) Napoleão Tavares Neves é médico, escritor, historiador, memorialista e cronista. Reside em Barbalha (CE)

A POESIA DE AMADO NERVO - (UM POETA DE LÍNGUA ESPANHOLA)



Homem-poeta, Amado Nervo foi um apaixonado pela vida, e de tanto amá-la aprendeu a despedir-se  dela. Morrer era apenas um passo para unir-se ao infinito.

 Esse foi Amado Nervo, o depositário de versos que nos acompanham agora e que se convertem em poemas atemporais... São o grito de um homem, de um poeta que soltou seu eco pela eternidade. .



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Si nadie sabe ni por qué reímos

Ni por qué lloramos;

Si nadie sabe ni por qué vinimos

Ni por qué nos vamos;

Si en un mar de tinieblas nos movemos,

Si todo es noche en rededor y arcano,

¡a lo menos amemos!

¡Quizás no sea en vano!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sabença de caboclo - Emerson Monteiro

Talvez por pretender contrariar o princípio de que cavalo ruim se vende longe, Chico Ivo tratou de camuflar muito bem a deficiência do animal com a instala-ção mais do que perfeita de outro belo rabo no baita cavalo luzidio, untado com esmero numa mistura gosmenta de breu e cola de marceneiro, disfarce primoro-so da alisada vassoura de longos fios selecionados.
Junto ao toco, implantara a nova cauda, recolhida de outros bichos no decorrer de longos meses, cabelo a cabelo, que, de firme, mostrava-se suficiente para confundir os maiores especialistas, como deixará provado. Concedia, inclusive, ao equino ginga do tanto de esboçar ligeiras e saudosas abanadas, qual nos ve-lhos tempos de inteiro.
Bom, foi assim que resolveram desafiar o furdunço da feira de Lavras da Man-gabeira, buscando o pátio dos bichos, onde não teve mesmo quem viesse de no-tar a gauribagem. Tudo limpo no céu do meio-dia.
Interessados não custaram a aparecer com suas pretendências e propostas. E-xaminavam o cardão de cima a baixo, coleando a pelagem, friccionando o lom-bo, sempre cuidando de olhar dentes, cascos, orelhas, na mania dos espertos. Porém foram, de verdade, os ciganos que primeiro se fixaram na intenção explí-cita da compra, seguindo logo, logo, saber do preço.
Conversa vai, conversa vem; regateia daqui, regateia dali; negócio realizado. Ca-bresto na mão, dinheiro no bolso, e, satisfeitos, certos de uma boa transação, restava aos negociantes pegarem estrada e buscarem o destino da tropa nas es-tradas poeirentas do sertão.
...

Passadas se foram algumas luas, ritmo obediente das coisas naturais. A tranquila cidade mudou quase nada em meio à falta de acontecimentos marcantes.
Lá noutro dia, noutra feira de grande movimento, gente muita, muita animação comercial, difícil até de se achar quem se procura entre as tantas caras, eis com quem Chico Ivo se defronta, de imediato reconhecido... Com os mesmos ciga-nos que lhe haviam adquirido o cavalo. Vinham de longe acenando, para garan-tir o encontro casual inevitável:
- Ganjão, ganjão! Aguarde um pouco que seja.
- Não quero nem saber, - reagiu enfático o antigo proprietário do animal. - Ne-gócio feito ninguém desfaz. Fechado está, assim restará.
E quão admirado ficou da resposta que lhe veio do cigano à frente dos demais:
- Se despreocupe, ganjão. Nosso objetivo é outro. O que passou tá pra trás. Vi-emos aqui foi lhe fazer uma outra proposta, de que o senhor aceite, a partir de hoje, seguir com a gente e chefiar nosso bando.

Harmonia da Tarde - Dihelson Mendonça


"Num passeio por um belo jardim, vi coisas maravilhosas"


Voici venir les temps où vibrant sur sa tige,
Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir;
Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir,
Valse mélancolique et langoureux vertige.


borboleta 08



borboleta 07



borboleta 06

Chaque fleur s'évapore ainsi qu'un encensoir,
Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige,
Valse mélancolique et langoureux vertige,
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;


borboleta 05



borboleta 04



borboleta 03

Le violon frémit comme un coeur qu'on afflige,
Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir!
Le ciel est triste et beau comme un grand reposoir;
Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige...

borboleta 02

Un coeur tendre, qui hait le néant vaste et noir,
Du passé lumineux recueille tout vestige.
Le soleil s'est noyé dans son sang qui se fige, -
Ton souvenir en moi luit comme un ostensoir.


borboleta 01


( tradução )

Chegado é o tempo em que, vibrando o caule virgem,
Cada flor se evapora igual a um incensório;
Sons e perfumes pulsam no ar quase incorpóreo;
Melancólica valsa e lânguida vertigem!

Cada flor se evapora igual a um incensório;
Fremem violinos como fibras que se afligem;
Melancólica valsa lânguida vertigem!
É triste e belo o céu como um grande oratório.

Freme violinos como fibras que se afligem,
Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório!
É triste e belo o céu como um grande oratório;
O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem.

Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório
Recolhem do passado as ilusões que o fingem!
O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem...
Fulge a tua lembrança em mim qual ostensório!

Fotos: Dihelson Mendonça
Poema: Charles Baudelaire - Harmonie du Soir

Estação Jovem - São Caetano do Sul SP





O Estação Jovem é o Centro de Referência da Juventude de São Caetano do Sul, um equipamento público, organizado pela Coordenadoria Municipal de Juventude, dedicado especialmente aos jovens da cidade, e idealizado como um espaço que se pudesse oferecer cultura, lazer, entretenimento e informação da melhor qualidade a este público.

O ESPAÇO
O espaço possui uma completa estrutura para melhor atender o jovem, contando com pista de skate, quadra poliesportiva, midiateca (composta por um amplo acervo de HQ´s, livros de cultura pop, cd’s, dvd’s, revistas e computadores com acesso gratuito a internet), estúdio para ensaio de bandas, salas de dança, cursos e oficinas, auditório com estrutura audiovisual e um grande espaço aberto para shows.

Fonte: Estação jovem


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Chapada do Araripe:Três Horas de Muita Aventura e Baikes Rasgando a Floresta-Wilson Bernardo.

A floresta do Araripe, a nossa chapada de braços abertos para o esporte radical, bicicletas que durante três horas competiram pelo prazer de qualidade de vida,sentindo na alma o desejo de penetrar dentro da floresta a sabedoria da vida saudável.Viva! A nossa chapada de coração aberto.
Mãos dadas com a confraternização da alma da chapada
Canseira e muito suor a refrescar a lida da floresta
Detalhes e por menores da competição
Velocidade rasgando a chapada com sabedoria
Chuva muita chuva abençoada pelos deuses tribais do Kariri
Beleza simples mas contagiante
Flores no caminho dos pedaladores de emoções
Farpados e fados de um Kariri encantado
O sorriso de alma feminina
Ma não é dela essa orelha que escuta o som da floresta
Wilson Bernardo (Texto & Fotografia)v

RELEMBRANDO O CRATO ANTIGO - Pedro Esmeraldo

Foto capturada do Blog do Crato

Estamos tentando relembrar o Crato antigo. Era uma cidade pequena, mas de aspecto agradável, semelhante a uma cidade civilizada do sul do país. Seu povo vestia-se bem, andava bem trajado, sempre elegante, não fazia vergonha ao se apresentar em qualquer reunião social no cenário de todas as camadas da sociedade. O homem, enfatiotado e circunspecto, não se envergonhava de freqüentar os maiores convívios sociais.

Era uma cidade que quase não tinha indústria, a não ser pequenas indústrias de beneficiamento de arroz e algodão. O algodão, após ser beneficiado, tinha a lã transportada para os grandes centros do país. Também havia duas indústrias de ração para bovinos, satisfazendo o provimento da pecuária leiteira da região.

As suas principais praças eram localizadas no centro da cidade como: Francisco Sá, que é uma das praças mais bonitas do Ceará. Lá está instalada a coluna da hora e a estátua da samaritana, oferecida pelo artista e jogador de futebol Mundinho, grande craque cratense.

Também serviu de palco da antiga fonte luminosa, talvez abandonada por falta de recursos financeiros. Mesmo na parte central da cidade, havia um antigo mercado público, cognominado pela massa popular de arapuca, onde hoje é localizado o Banco do Brasil.

Naquele tempo, o crescimento do Crato era lento, mas digamos, com força de expressão, era uma cidade quase civilizada que tinha aspecto de cidade grande porque seu comércio era bastante intenso, devido a predominância da cana-de-açúcar e do algodão, que se encontrava no apogeu, considerada como um grande centro elevado de economia regional.

Os engenhos, ao redor da cidade, adocicavam a economia com o afago do seu mel, transmitindo um cheiro agradável ao visitante da cidade.

Posteriormente, essas duas culturas, ou seja, da cana-de-açúcar e do algodão arruinaram-se e o agricultor cratense estava totalmente despreparado para outra atividade correlata. Daí surgiu o descrédito econômico do agricultor que não sabe sobressair-se das dificuldades financeiras e ficou arrasado financeiramente, deixando cair no ostracismo social.

Quanto á queda do consumo da rapadura, observamos que, nos tempos modernos, o homem passou a mudar de hábito alimentar, abandonando certos costumes, afastando-se dos costumes regionais, mudando-se de costumes alimentares, esquecendo dos produtos da região, deixando o agricultor arrasado e desinteressado pelo trabalho agrícola.

Os homens de outrora, principalmente os da classe política encontravam-se totalmente despreparados para enfrentar o trabalho efetivo e ponderando com muita reflexão, não procuravam pormenores para descobrir a causa da queda da nossa economia, cruzavam os braços e não observavam os prós e os contras, a fim de qualificar o homem para exercer, com dignidade, novas profissões com trabalho que lhe fosse favorável ao seu sustento.

Lembramos ainda que o procedimento negativo do agricultor trouxe péssimas consequências para a economia cratense.

Não recorremos aos melhores métodos que fossem apropriados ao homem, sem aflição, verificar qual seria a sua melhor inclinação que adiantasse o seu trabalho de acordo com o seu capital, procurando a parte favorável e preferida pelo povo.

Crato-CE, 17 de fevereiro de 2011.

INDIOS CARIRIS - Por Edilma Rocha


Se fala  tanto em "Cariri" e pouco se escreve sobre estes nossos antepassados por falta de mais  dados da historia dos índios Cariris bem antes da conquista dos Portugueses no Brasil.  Sabemos muito pouco sobre este território que se estende da Chapada do Araripe. Mesmo nos fósseis  de peixes, animais petrificados, ossadas Mastodonte, são para nós como livros difíceis de decifrar.
Originários da Ásia, chegaram ao nosso mundo pelos rios Amazonas e Tocantins. Dois tipos étnicos chegaram a América no período neolítico, os Sudésticos e os Brasílicos, a procura de um lugar que lhes dessem melhores condições de vida. Alguns prosseguiram migração que só foram detidos pelas águas calidas do Rio São Francisco e se assentaram nesta vasta região. Uma das tribos foi a Nação Cariri que chegou ao Sul do Ceará nos séculos IX e X da era cristã em busca de terras férteis, úmidas, quentes e de fácil plantio, melhorando a vida das suas tribos. Encontraram no Cariri, mais precisamente no Crato, o ambiente propício às suas aspirações, com suas fontes e riquezas naturais. A Região propiciou-lhes uma vida fácil e primitiva retirando da natureza em abundância, uma diversidade de alimentos como a macaúba, o babaçú, o pequi, o araçá, dentre outros. Plantaram a mandioca, o milho e a caça e a pesca farta nas matas faziam do ambiente um verdadeiro paraíso tropical onde suas famílias podiam viver em paz durante muito tempo. Suas casas eram construídas com palhas de palmeiras e usavam utensílios como, cabaças, cuias e coités. Construíram o pilão de socar, a urupemba, o abano, esteiras de palha e artigos feitos de barro como, vasos, pratos, panelas onde cozinhavam comida proveniente da farinha de mandioca e do milho. O beijú, a tapioca, a puba, a canjica, o cuscus e muitas outras, vieram dos nossos antepassados indígenas.
Os Índios Cariris foram nações indígenas como muitas outras que povoaram o nosso Brasil, mas tinham uma particularidade de serem propensos a obedecer e o seu aldeamento era feito sem nenhum  custo logo que a voz evangélica dos missionários se chegou até eles. Os "Cariús" habitavam ao Norte do Araripe, os "Calabaças" habitavam as margens do rio Salgado e os "Inhamuns" eram inimigos e viviam em guerra habituais e sempre mantinham ocupações ordinárias.
O descobrimento da data exata dos índios Cariris ainda é uma indagação, sabe-se que foram descobertos por aventureiros baianos que partiram do São Francisco por volta de 1660 à 1680, antes do Governo de Sebastião de Sá, no Ceará.
Um "negro"escravo da Fazenda Várzea, além do rio São Francisco, do Senhor da Torre, caiu em poder dos índios Cariris, ainda rapaz novo e ao longo do tempo se tornou um forte Capitão dessa tribo. O negro aconselhou os índios a recorrer o auxílio dos brancos mediante a descoberta do País. Foi este escravo que ensinou aos Portugueses o caminho dos Cariris, nas selvas e ribeiras. Estas foram as notícias deixadas por pessoas que viveram na última metade do século passado, como o Coronel  Leandro Bezerra Monteiro. Os primeiros invasores vindo do rio São Francisco, eram descendentes de Diogo Alves Correia, "O Caramurú", que socorreu os Cariris contra os Cariús. Sendo difícil dizer quem foi o chefe da primeira batalha, talvez João Correia Arnaud ou  Medrado, vaqueiro e procurador da Fazenda Várzea.
Em 1590, com a ajuda de 200 homens, o negro e 5 índios, chegaram na Cachoeira de Missão Velha e dominaram do rio Salgado até o Icó. Em 1610, veio o Coronel João Mendes Lobato e um filho, o padre António Mendes Lobato com cerca de 100 homens identificados com a tribo "Calabaça", conseguindo que recebessem o Batismo e estabelecendo relações com os Cariris. O padre Lobato mandou uma comissão a Pernambuco pedir ao Bispo Dr. Estêvão Brioso, um missionário, que mandou para a catequese dos índios o Italiano Frei Carlos de Ferrara, do Convento da Penha. Frei Carlos abriu a missão de Missão Velha e depois, Missão Nova e Miranda, onde passou para Crato. A vinda de Frei Carlos se deu em 1678 até 1683. No Cariri não havia uma grande população, apenas uns raros brancos, mas além das aldeias de Missão Velha, Missão Nova e Crato, existiam fazendas de gado com colonos estabelecidos. Vestígios de uma casa-forte tem sido descoberto em Cachoeira e parece a primeira edificação no solo Cariri.
Alguns frades Capuchos vieram do Pernambuco logo depois do Descobrimento servindo de chefes a essas nascentes populares e catequizaram os índios, primeiro em Missão Velha, depois no Miranda, sítio onde o riacho desse nome faz barra na corrente Batateira. Ali fizeram aldeamento e os índios mais adiante atravessando o rio das Piabas, no lugar em que hoje está a cidade do Crato, muito tempo conhecida como Missão do Miranda. Os índios homens e mulheres trabalhavam por tarefas sob as ordens de um  feitor índio e um diretor branco. Havia ordem da Corte Portuguesa de 1764, que ninguém saia da aldeia sem permissão e eram subordinados pelo Senado da Câmara do Icó. Um índio de 15 à 60 anos ganharia anualmente 4$800 rs e os de 12 à 18 anos 3$00 rs, obrigados a amos que lhes dava de comer, beber e vestir, tinha que cura-los das moléstias, ensina-los a doutrina cristã e a se fazerem confessar 5 vezes por ano. O índio que aprendesse o ofício de mecânico, trabalhava 6 anos para o mestre, depois ganharia 100 rs diários. As mulheres a única obrigação do amo era as prendas domésticas e de pois casa-las.
E assim aconteceram os abusos e foram reduzidos a escravidão pela avareza dos locatários sendo esta a vida dos senhores exclusivos do Brasil.

Edilma Rocha

Fonte -  Ceará Homens e fatos - por João Brígido.

Uma anfitriã em pânico - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Em l995, nosso apartamento estava lotado de irmãos e alguns sobrinhos de Carlos, que vieram à Fortaleza para apoiar uma irmã dele que ia se submeter a uma operação de ponte de safena. A cirurgia era de risco, o que fez com que os irmãos e todos os familiares ficassem preocupados. Estávamos todos unidos em oração e torcendo para que tudo desse certo. E eu, no meu papel de anfitriã, organizava tudo a tempo e a hora para que todos se sentissem bem acolhidos e confortáveis.

Nessa época o prédio em que moramos, estava sem síndico, pois ninguém queria assumir tal missão. Sem nenhuma liderança, já que nem o subsíndico quis se responsabilizar, não foi tomado nenhuma medida para que fosse realizada a dedetização. Por mais que colocássemos isca em nossa casa, apareciam algumas baratas voadoras e outras que vinham dos esgotos do edifício.

Em determinado momento, ao entrar na despensa com a minha cunhada ao mesmo tempo, para pegarmos alguma coisa, passaram por cima de nossas cabeças duas enormes baratas voadoras vindas da varanda. Na hora, em pânico e sem pensar no meu papel de anfitriã acolhedora e educada, saí correndo e tranquei a porta da despensa deixando minha hóspede lá com as duas baratas. Corri o mais longe possível daquele local. Depois que passou o susto e as baratas já estavam mortas, envergonhada fui pedir desculpas a minha cunhada, justificando minha atitude pelo medo que tenho de baratas. Ainda bem que ela perdoou. Passado o meu constrangimento, demos boas risadas.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo