Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Judas


Malhação AsSUSta ?

Pois é, amigos, contra fatos não há argumentação que se sustente. Este ano o Judas de Crato vai ser o SUS—o Sistema Único de Saúde. A eleição foi aberta e envolveu mais de treze mil eleitores, segundo notícia divulgada amplamente na imprensa regional. O SUS terminou eleito com mais de um terço dos votos apurados, vencendo os Políticos Corruptos, Muammar Kadafi, o Tsunami do Japão e os Candidatos Paraquedistas. Pela concorrência abatida nas urnas, dá para se ter uma idéia da antipatia da população para com o nosso Sistema de Saúde , já com a maioridade dos 21 anos e que simplesmente a vem decepcionando dia após dia. O descontentamento pode ser aferido a todo instante pelos noticiários: filas intermináveis, pacientes internos em macas e corredores, falta de leitos nas UTI´s, emergências superlotadas, gestantes dando à luz nas calçadas e ambulâncias. Os mais otimistas haverão de argumentar que a amostragem da pesquisa foi pequena, mas tenho a plena certeza de que o resultado não seria diferente se ampliássemos o universo a ser pesquisado. O SUS iria para o cadafalso da mesma maneira e teria seus miolos esfacelados em praça pública.

Apropriemo-nos da aura de santidade desses dias e reflitamos um pouco sobre a eleição. O resultado , claro, é indiscutível, mas merecerá, o nosso Sistema Único a pena de morte imposta pelo tribunal popular? Bem, como profissional de saúde há mais de 30 anos, sinto-me no dever de não lavar as mãos. Sei que, historicamente, o povo tem uma certa predisposição para privilegiar os Barrabás dessa vida. Não serei um Pilatos, embora corra o risco de deixarem também alguma cruzinha de sobra também para mim.

Criado com a Constituição de 1989, o SUS foi arrancado a fórceps do ventre do capitalismo. Para que se alcançasse esse benefício foi necessário que muitos fossem torturados, presos, assassinados. Nada nos foi dado, mas conquistado com sangue, suor e lágrimas. De repente, se viu o estado na obrigação legal de prover a saúde da população de forma universal e integral e, mais, tendo, necessariamente, que ouvir os ditames do povo através dos Conselhos de Saúde. O sonho, sabíamos desde então, era vultoso, imenso, quase que inatingível. Mas pela primeira vez, na história, o Brasil se via na imposição legal de assumir a saúde dos brasileiros, como nunca o fizera em quase quinhentos anos. Os avanços não são tão fáceis de se perceber, mas foram enormes e insofismáveis. Acabamos praticamente com todas as doenças de controle vacinal: pólio, sarampo, coqueluche, difteria e tantas outras patologias, sumiram da face do nosso país. As novas gerações não percebem isso porque simplesmente não conviveram com essas doenças que são do passado, hoje, por conta do SUS. A Mortalidade Infantil – uma tragédia nordestina histórica—foi reduzida de maneira drástica: cadê os enterros de anjos? Acabaram-se os indigentes, todos , agora têm acesso ( limitado, eu sei) aos exames dos mais simples aos mais sofisticados e aos tratamentos mais avançados: transplantes, cirurgia cardíaca, Neurocirurgia, hemodiálise, todos hoje existentes já no Cariri. Os medicamentos são distribuídos através das Farmácias Básica e Popular. O Programa de Agentes de Saúde e de Médico da Família aproximaram os profissionais dos seus pacientes e levaram médicos/enfermeiros/dentistas aos mais distantes rincões desse país. E, mais, criamos um imenso banco de dados epidemiológicos que facilitam imensamente as ações estratégicas de saúde. Em Crato, no ano passado, a maior causa de Morte foram as doenças cardiovasculares, em segundo as causas externas ( acidentes, homicídios, suicídios) e, em terceiro os cânceres. Estes dados não são diferentes dos países desenvolvidos.Apesar das seguidas epidemias de Dengue, não tivemos nos últimos anos um óbito sequer pela forma Hemorrágica( só este ano já tivemos três casos). Tudo isso seria impossível sem o rapazinho que vai ser malhado no próximo domingo.

Por que, então, a má fama do SUS? É preciso entender que o sonho de dar saúde integral e universal para duzentos milhões de habitantes bate num empecilho: financiamento. Cadê dinheiro para cobrir essa utopia? Verba limitada, os investimentos são alocados prioritariamente para a prevenção, o que é mais que perfeito. A área de alta complexidade como diálise, transplantes, cirurgias complexas, é cara e não pode ser limitada sob pena de se condenar um mundão de pacientes crônicos. O corte, então, foi feito justamente no setor secundário: o atendimento nos hospitais secundários. Essa limitação redundou no colapso da rede de urgência/emergência, com muitos hospitais fechando as portas e os doentes sendo penalizados todos os dias com desassistência, filas , espera, sofrimento e morte. São justamente esses sofredores e desassistidos que votaram pela malhação do grande vilão que vêem pela frente: o SUS.

Em solidariedade ao sofrimento do povo, até concordo com a malhação. Acredito que a politicagem rasteira ( pai de todos os males) é que mereceria ser enforcada, mas : vá lá ! Temo apenas pelo simbolismo. Pode passar a idéia que o melhor é matar, estraçalhar o SUS. É imprescindível não esquecer os seus avanços e a melhoria na qualidade de saúde da população. Para que tenhamos um SUS realmente eficaz , o caminho já foi descoberto. É luta! Um embate político para fazer com que o tema saia dos palanques e entre na vida real. A continuação da luta de tantos presos, mortos, torturados. E que pode ser encetado como na malhação : pelo voto livre e consciente. Colocar o pé na porta para que ela não se feche novamente para a o povo e empurrar forte para que tenhamos financiamento adequado e gestão eficiente. Precisamos do aperfeiçoamento e financiamento adequado do SUS e não da sua dissolução. Quando a bomba explodir dentro das entranhas do Sistema Único de Saúde, serão os brasileiros mais pobres que serão atingidos por suas farpas e serão eles mais uma vez que serão malhados, como, aliás, já o vem sendo há mais de quinhentos anos.

J. Flávio Vieira

A Reforma do Canal não pode ser usada como MOEDA ELEITORAL DO GOVERNO !


A TÁTICA DE SUCATEAR O CRATO E VENDER NO QUILO...

Os 4 Milhões que o prefeito Samuel Araripe conseguiu a duras penas em Brasília poderão ajudar a eleger o seu opositor, o candidato imposto pelo Governador Cid Gomes ???

Quem acompanha o desenrolar das coisas aqui no Crato, já deve ter observado para onde a coisa está indo: No dia 28 de janeiro, uma tromba Dágua caiu sobre o Crato, destruindo grande parte do canal do Rio Grangeiro. O prefeito e sua equipe trabalharam dia e noite num projeto emergencial e foram à Brasília na mesma semana procurar o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, em audiência marcada pelo Dep. Federal Arnon Bezerra. O ministro liberou prontamente 4 milhões de reais para as obras emergenciais do Crato, com base no projeto apresentado, que caíram numa conta do Banco do Brasil. E o que são obras emergenciais ? É por exemplo, salvar o que ainda resta das pontes, que estão para cair, é reforçar as paredes, é cuidar das famílias desabrigadas. Esses 4 milhões eram para isto. Depois seria batalhar pela obra definitiva, algo que aos valores de hoje, gira em torno de 60 milhões de reais.

Briguinhas de cá e de lá, falatórios na imprensa, eis que o Governo do Estado acabou "passando a mão no dinheiro", e é quem irá trabalhar mesmo na parte emergencial das obras do Canal do Rio Grangeiro. Em tese, a verba que veio para a cidade, foi "desviada" ( em certo sentido ), para o controle do estado, que agora faz o que bem quer com o dinheiro, e na hora que bem entender.

A questão toda é: Estamos num ano pré-eleitoral. Sabemos que o governador Cid Gomes já se pronunciou abertamente até em Jornal, na coluna da jornalista de "O povo" sobre apoiar o opositor ao prefeito Samuel Araripe, o candidato Sineval Roque à Prefeitura do Crato, que mal pode esperar para sentar-se na cadeira do salão nobre ( deve sonhar com isso dia e noite ). E se não for o Sineval o candidato do governador, certamente que será outro, até porque apoiar o candidato do prefeito Samuel Araripe, é impensável ( PSDB ).

O que certamente irá acontecer pelo andar da carruagem, é que essas obras irão se arrastar e já estão atrasadas (vejam por exemplo, o Centro de Convenções que se arrasta, teve até as obras paralisadas ). As obras do canal irão se arrastar de forma a serem inauguradas provavelmente num tempo MUITO HÁBIL para que o governador venha ao Crato inaugurar e dizer: "Eu Fiz, votem no meu candidato", e o povo do Crato, tolo como sempre, irá acreditar que tudo isso aconteceu por obra e graça do espírito Santo.

É preciso que os Cratenses que tem um QI acima de 50, não caiam nas artimanhas daqueles que cobiçam a prefeitura do Crato hoje, e já preparam há muito tempo o terreno, promovendo o sucateamento da nossa cidade, levando o que há de bom daqui para outras cidades ( Não estamos esquecidos do SESI, nem de outros órgãos que foram sucateados, que tiveram o aval e a mão daninha de alguns aí para levarem para outras cidades ).

A Tática para conquistar o Crato hoje, é a mesma tática usada pelos invasores da antiga Atenas, na Grécia, é sugar, quebrar e vender aos pedaços, pra ficar mais barato. Só que aqui alertamos o povo do Crato para essas manobras maquiavélicas e eleitoreiras, para que não caiamos no conto daqueles que por anos, negaram recursos, atrasaram obras, e sucatearam nossa cidade, para depois virem aqui empurrar qualquer um como candidato e fazer descer sem cuspe e sem descência, pela garganta muda dos Cratenses !

Em tempo: Cadê os 28 milhões que o Governador prometeu para a reforma da Expocrato ?
Ah já sei! só sairá quando o seu "pupilo" for o prefeito do Crato...

"Apesar de você, amanhã há de ser outro dia" ( Chico Buarque de Hollanda )

Por: Dihelson Mendonça

As Santas Cores de Antônio

UMA ESTRADA VICINAL SÃO JOSÉ - BARBALHA

Por Pedro Esmeraldo

Diante dos constantes acidentes provocados pelo aumento do fluxo de veículos na Rodovia Padre Cícero, pensamos em melhorar esta situação através da construção da estrada vicinal. Queremos solucionar esse problema a fim de contornar esta posição com aberturas paralelas que satisfaçam o crescimento vertiginoso entre as duas maiores cidades do Cariri.

Acalentamos essa idéia há muitos anos. Nunca imaginamos que isto seria viável. Antigamente, era quase impossível falar em construir estradas entre estas duas cidades, Crato – Barbalha, visto que seria uma via desnecessária porque já existia outra estrada que ligava Barbalha a Juazeiro do Norte, que dali tem existência real uma extensão até o Crato e ninguém jamais poderia se opor devido à prepotência dos habitantes de outros municípios que por sua vez desejavam que o progresso fosse tudo para si.

Se alguém por conveniência tentasse expor essa idéia da necessidade da via de acesso ao Crato seria expugnado e distorcido em praça pública, já que as forças brutas dos leões superavam as nossas forças e esses leões dominariam através de palavras inconvenientes, almejando sobrepujar o progresso e elevar-se só para si. Por essa razão seríamos atirados para fora do desenvolvimento equilibrado e nos olhavam com olhos infortúnios em cima dos desventurados filhos do Crato.

Notamos hoje que isso tem de acabar, visto que temos como objetivo de desabafar as mágoas constantes dos desaforos recebidos, provocados por pessoas alheias ao progresso regional.

Houve tempo que o progresso regional seria uma constante e nós receberíamos sufoco desses algozes usurpadores que estão se beneficiando do chapéu alheio e ainda mais impedem que outros povos se desenvolvam por meios de trabalhos e política bem efetuada e de âmbito fraternal, que seria a melhor solução para que surgisse o desenvolvimento espontâneo e com trabalho que faça produzir uma economia satisfatória à geração de empregos e rendas.

Para isto há necessidade de iniciarmos uma campanha de bom procedimento com intuito de prosperar as outras localidades que também merecem o seu ponto de apoio dos governantes do Estado.

Já está na hora de todos pensarem na expansão viária entre as localidades São José até a cidade de Barbalha. Com isto o fluxo de veículos será aliviado, diminuindo o desassossego que ocorre na via hoje existente, com mortes agravadas por causa do excesso de movimento do trânsito dessas duas cidades.

Cremos que as nossas autoridades ouvirão nossos apelos, fazendo o planejamento para que possam diminuir o número exorbitante de veículos nessa via.

Crato-CE, 20.04.2011.

Dois lados que se completam - Emerson Monteiro


Essa mania de confrontar, em tudo, por tudo, sujeita encher de tormentas o mar das embarcações, nos movimentos de tornar cinzentas as manhãs até doer nos ossos, a ponto de reverter em drama aquilo que deverá ocorrer de modo sadio, auspicioso. Insistir na tecla de viver em paz consigo e com os colegas chega a parecer teimosia, quando, na verdade, ser alegre e sonhar querendo calma muda o instinto da miséria humana, já que quase esqueceram isso jogado fora, nas ribanceiras do caminho.
Conquanto o mundo às vezes ofereça cantos de carroceria aos circunstantes, a história fala diferente e confirma sequências de acontecimentos suficientes para acreditar nos aspectos positivos, todo tempo. Quanto de heroísmo oculto nos lugares improváveis. Quanta esperança na juventude, nas escolas. Luzes acesas em noites escuras, clareando prosperidades nos céus.
Ver isto, o que a natureza equilibra em forma de organizar condições, nos momentos desencontrados. Olhar aspectos que definam o seguimento das variações, permitindo sorrir e continuar, independente das opiniões contrárias e dos desistentes empedernidos, endurecidos.
Somar pontos favoráveis; significar transposição dos obstáculos, desde que firmes os pensamentos no sucesso dessa longa estrada. Contar, sempre, com as estações felizes, que alternam viagens, no jeito dos alimentos gostosos, repousos e sonos tranqüilos nas madrugadas silenciosas, prazeres familiares e conquistas obtidas. Deixar de fixar os fracassos apenas quais dolorosas perdas, enquanto podem representar lições de esquecer e aprender os efeitos neles contidos. Ninguém, que se preze, repetirá erros dolorosos, no mínimo por instinto de conservação e amor próprio.
A religião de viver elabora, destarte, frutos na casa das consciências, livros abertos da condição das criaturas. Trazer para si dias dourados em jeito de sabedoria. Crescer sobre raízes que estabelecem passos em sentido da formação de novos seres dentro do mesmo ser. Plataformas de progresso. Visões brilhantes, portas abertas ao gosto de conhecer pessoas e descobrir amigos, nas muitas diversas oportunidades. Mundo feliz de existências. Cura de males antigos. Visualizar possibilidades a todo instante, no trabalho, nas ruas, nos pensamentos e sentimentos; estabelecer formulações de imagens mentais qual revelar o mistério da fé nos planos maiores das maiores circunstâncias.
Isto, sim, fomentar mudanças no universo dos objetos de aparentes contradições, no meio das quais circulam pessoas e instintos de satisfação, pois a perfeição dos elementos pulsa na mão tal matéria prima do desejo harmonioso de paz. Gestos e falas que elevam e jamais escondem a eterna força da criação aos protagonistas desta cena, diante do palco infinito das oportunidades, boas e semelhantes às maravilhas.

"Fetiche" - José Nilton Mariano Saraiva

Grosso modo e sem maiores delongas, sob a ótica da Ciência Econômica “fetichismo” seria o artifício de se “dourar a pílula”, valorizando um determinado produto ou mercadoria (aplicando-lhe um caprichado “banho de loja”), agregando-lhe, consequentemente, um valor simbólico ou irreal, calcado na mais pura fantasia, e estimulando, assim, pessoas dos mais diferentes extratos sociais (mesmo aqueles que não têm onde cair morto) a o adquirirem avidamente (pra consumo ou pra presentear alguém), em conformidade com a bem elaborada ditadura do marketing.
O exemplo acabado e perfeito de tal definição se nos apresenta exatamente nesta época de Semana Santa, quando as grandes redes de supermercado literalmente bombardeam os consumidores, via telinha, apresentando-lhes desde o “suculento” processo de produção até a exibição de gôndolas apinhadas de “ovos-de-pascoa” dos mais diferentes e variados matizes, privilegiando: embalagens chamativas e atraentes, tamanhos variados, ovos com com recheio ou não (normalmente um vagabundo “sonho de valsa” de R$ 0,50), e por aí vai. E haja exploração em cima do pobre e indefeso coitado.
E, no entanto, se nos déssemos ao trabalho de friamente analisar a relação “custo-benefício” embutida em transações da espécie, constataríamos a mais absoluta e pura “enrolação”, a desonestidade em essência, bastando para tanto nos darmos conta que uma simplória barra de chocolate, também embalada com esmêro, com o mesmo peso do tal “ôvo-de-pascoa” e de valor nutrivo semelhante, poderá custar a metade do dito-cujo.
Isto posto, não há como deixar de reconhecer que sábio foi o Marx, que lá atrás já profetizara, definitivo: “...o fetiche relaciona-se à fantasia (simbolismo) que paira sobre o objeto, projetando nele uma relação social definida, estabelecida entre os homens”.
E aí, vai um ôvo-de-pascoa, no capricho (de 100 gramas e custando os olhos da cara) ??? Com ou sem recheio especial ??? Quer embalado pra presente ou vai deglutí-lo aqui mesmo ???

terça-feira, 19 de abril de 2011

SER "NORMAL"

“E aqueles que foram vistos dançando, foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música" ( Friedrich Nietzsche)


NORMOSE - A doença de ser normal

"Todo mundo quer se encaixar num padrão.
Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema. Quem não se "normaliza", quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento que "exercem" tanto poder sobre nossas vidas?
Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados.

A normose não é brincadeira.
Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer ser o que não se precisa ser. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer a quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Então, como aliviar os sintomas desta doença?
Um pouco de auto-estima basta.
Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo.
Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original.
Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais e tentam viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações.
Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.

Por isso divulgue o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes."
(Michel Schimidt Psicoterapeuta)

"Cabeça Vermêi" do Parque Ibirapuera - Magnolia

Este é o famoso escavador de arroz nos roçados
Para aqueles que como eu já "pastorei" muitas roça de arroz!
 Galo de Campina do Parque Ibirapuera em São Paulo

19 de Abril - Dia do Índio


Comemoramos todos os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data comemorativa foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540. Mas porque foi escolhido o 19 de abril?

Origem da data 

Para entendermos a data, devemos voltar para 1940. Neste ano, foi realizado no México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste contimente foram convidados para participarem das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.

No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, após entenderem a importância daquele momento histórico. Esta participação ocorreu no dia 19 de abril, que depois foi escolhido, no continente americano, como o Dia do Índio.

Comemorações e importância da data 

Neste dia do ano ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições e os minicípios organizam festas comemorativas. Deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais. 

Devemos lembrar também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.
 
Fonte:www.suapesquisa.com
Adquirido de uma postagem de Magnólia para o Blog do Sanharol

Programa Cariri Encantado Sonoridades: Banda de Pau e Corda, matéria-prima puramente nordestina

A Banda de Pau e Corda, conjunto musical pernambucano, existe há quase quarenta anos. Durante todo esse tempo fez vários shows, lançou diversos discos e tem mostrado por este Brasil afora as suas melodias, poesias e arranjos apoiados nas nossas raízes, contribuindo, assim, para que Pernambuco se mantenha com a imagem que tem: um dos grandes celeiros culturais do país.

A banda já lançou quinze discos, os quais tiveram abrangência nacional e mereceram comentários elogiosos da crítica pertencente aos mais importantes jornais e revistas do país. Todos os discos trazem músicas que falam das tradições e realidade, merecendo destaque tanto o lado social como o cultural. As músicas, trabalhadas nos arranjos da banda de forma a mostrar ao público a riqueza de ritmos que há em Pernambuco, renovam-se e somam-se, a cada disco gravado, ao acervo cultural daquele estado.

O sociólogo Gilberto Freire, em 1973, escreveu na contracapa do primeiro disco da Banda de Pau e corda: "O novo e admirável grupo de jovens do Recife que cantam sua poesia acompanhada de música, os jovens da Banda de Pau e Corda, cantam pelo Nordeste de sempre. É novo e é de sempre. Todo um conjunto marcado pelo amor às águas e às mulheres do Nordeste, sem que sejam esquecidos Vitalinos e Caruarus tão das terras menos úmidas, mas também tão nordestinas, desta parte do Brasil. Um Brasil, este, o Nordeste, de onde tem brotado tanta música junto com tanta poesia".

Programação Musical
1. Vivência (Roberto Andrade / Waltinho)
2. Pai de barro (Paulo Fernando / Roberto de Andrade)
3. Recado (Waltinho / Sérgio Andrade)
4. Lampião (Roberto Andrade / Waltinho)
5. Banco e feira (Waltinho / Roberto Andrade)
6. Vida de vaqueiro (Waltinho / Roberto Andrade)
7. Só de brincadeira (Waltinho) – Instrumental
8. A seca chegou (Waltinho / Sérgio Andrade)
9. Mestre mundo (Bandeira / Julinho)
10. Redenção (Waltinho)
11. Caminhada (Rezende / Andrade)
12. Lavadeira (Waltinho / Andrade)
13. Encontro (Matias) – Instrumental
14. Têmpera (Waltinho / Andrade)

Serviço
O programa Cariri Encantado Sonoridades é produzido pelas Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – OCA, e transmitido todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e http://www.radioeducadoradocariri.com/. Apresentação de Carlos Rafael Dias. Operação de áudio de Iderval Silva.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

PARABÉNS, LUÍ - Por Daniel Boris

 .
Filhona

Para nós pais, nossos filhos nunca crescem
Apenas nós envelhecemos
Sabemos, anos após anos
Que vocês (nossos filhos)
O que mais gostam
O que os fazem sorrir
Conhecemos seus corpos pintinha por pintinha
Seus mimos
Seus sabores de guloseimas
Sabemos dar carinhos, afagos na hora certa
Sabemos dar conselhos
Mesmo sabendo que está entrando em uma orelha
 e saindo na outra
Mas que no futuro, vai lhe servir
A vida é assim mesmo
Criamos nossos filhos como se nunca fossem partir
Mas eles como nós somos feitos para o Mundo
Hoje filha nesses seus 18 anos
Não posso estar juntinho de ti
Isso dói muito no meu coração
Tem coisas nas nossas vidas
Que não sabemos explicar
Mesmo assim agradecemos a Deus
Por que há de ter algum motivo especial
Mais saiba filha, por mais longe que esteja
Você sempre estará bem guardada no meu coração
Porque você é o meu melhor de mim
Perdoa teu velho pai pela minha ausência
Que meu amor por você e minha Neta
Cubra-lhe de carinho, afeto
Te escrevo isso com lágrimas nos olhos
Com muitas saudades e amor
Feliz Aniversário meu amor
Te amo,te amo te amo
Como dizia teu avô, um grande beijo do teu pai tolo.


Daniel Boris

O MENINO AZUL




O MENINO AZUL

A mulher saiu do esgoto,
olhou para a multidão
e gritou a sua loucura:
– Eu quero o menino azul!

A mulher olhou os homens
como quem olha um espelho,
e gritou a sua angústia:
– Eu quero o menino azul!

A mulher sumiu-se no ar,
no meio da multidão.
Resta o seu grito de pedra:
– Eu quero o menino azul!

– Onde está o menino azul?



Histórias de vida, um livro - Emerson Monteiro

Com este subtítulo e o título de O voo do zabelê, às 19h30 desta terça-feira, 19 de abril de 2011, o advogado José Vanderlei Landim trará ao público leitor caririense o seu primeiro livro, isto nas dependências do Rotaty Club, no Parque Grangeiro, em Crato.
Obra de cunho etnográfico e memorialista, reúne vivências do escritor durante uma trajetória rica de ocasiões dignas e saborosas, através de estilo espontâneo e correto. Em textos claros, mosaicos de estudos, viagens, rotinas profissionais, amizades adquiridas pelo mundo, lugares, travessuras, instantes familiares, esse autor contextualiza páginas que o Pe. Raimundo Elias Filho avalia qual um legado que fica não somente para os seus filhos e netos, mas, igualmente, à disposição de todo e qualquer ser humano de boa vontade, capaz de aprender com outro ser humano.
A força da escrita sempre condicionará as melhores tradições pessoais nas mãos dos que nutrem essa verve de proporção infinita da literatura. Cantar os valores eternos da vida, os dotes do aprendizado, as riquezas do inesperado e das conquistas individuais, pela mágica das palavras a formularem sentidos e montar circunstâncias na transmissão dos conceitos e pensamentos naturais dos indivíduos.
Vanderlei Landim resolveu, pois, partilhar sua herança intelectual no tanto que arrecadou das tantas estradas percorridas, e trabalhou, no livro, os painéis interioranos e heróicos de um sertanejo a braços com a civilização urbano-industrial, indo longe nas suas disposições. Saído de Brejo Santo, Ceará, ligado às histórias do interior desconhecido, estendeu redes às plagas europeias, de onde colheu jóias que transportou ao belo trabalho gráfico editado pela Diz Editoração e confeccionado pelas oficinas da Expressão Gráfica, da Capital cearense.
Landim esquadrinhou planos diversos até consolidar o saber que ora repassa aos seus contemporâneos. Estudou em Triunfo, Pernambuco, com frades franciscanos; depois no Seminário Santo Antônio, Ipuarana, Campina Grande, na Paraíba; e em Fortaleza, até se bacharelar em Direito pela Universidade Federal do Ceará, em que fez ainda curso de Desenvolvimento Econômico. Seguiu à Europa, e na França estudou na Escola Prática de Altos Estudos, Sorbonne, Universidade de Paris. Além de outras funções, foi professor do curso de Direito da Universidade Regional do Cariri e Juiz Federal do Trabalho, em Sergipe.
José Vanderlei Landim repassará o produto da venda deste seu trabalho literário à Sociedade Lírica do Belmonte, SOLIBEL, instituição criada pelo Pe. Ágio Augusto Moreira para propagar a boa música entre os habitantes do sopé da Serra do Araripe, no município cratense.
Todos os apreciadores da arte e da cultura acham-se, pois, convidados a esta solenidade, quando ocorrerá a noite de autógrafo de O voo do zabelê.

Lançamento do livro de José Vanderley Landim será neste dia 19/04 no Rotary Club de Crato

José Vanderley Landim, sócio representativo do Rotary Club de Crato, lançará, neste dia 19 de Abril, as 19:30 horas, na sede daquele clube, situado no Parque Grangeiro, o seu livro de memórias O Voo do Zabelê.

Landim disse que o livro surgiu de pedidos feitos pelos seus netos e inicialmente sua ideia era editar um livro com tiragem doméstica, visando atender estes apelos. Mas, ao submeter o manuscrito ao seu amigo e orientador espiritual Padre Elias, este o incentivou a divulgá-lo também a um público maior.

No livro, que Landim define como "histórias de vida", consta lembranças da infância alegre vivida no seu Brejo Santo até causos que se passaram quando o autor exerceu o cargo de juiz federal do Trabalho.

A renda da venda dos livros será destinada à Sociedade Lírica do Belmonte, a conhecida Orquestra do Padre Ágio, do qual Landim é um dos benfeitores.

"Amor e Revolução" - José Nilton Mariano Saraiva

Fecha-se o cerco. Abrem-se as cortinas. Começa o espetáculo. De forma lenta, gradual e segura (parodiando um nauseabundo ex-general, já falecido), aos poucos as coisas vão mudando na programação televisiva brasileira. Agora, por exemplo, em contraponto aos melosos e comumente imorais folhetins globais, veiculados no horário nobre, se acha em exibição no SBT, já há cerca de duas semanas, a corajosa e esclarecedora novela “Amor e Revolução”, abordando de forma bem objetiva e contundente os tempos duros, difíceis e sombrios da “redentora” (Ditadura Militar, no período 1964-1985, no Brasil).
Baseada em fatos reais (e os historiadores estão aí mesmo para confirmá-los), trata-se, sem favor nenhum, do retrato emblemático daquela longa noite de horrores da história brasileira (povoada de fatos degradantes e abomináveis), quando milhares de jovens idealistas (homens e mulheres) foram exaustivamente perseguidos, torturados e, posteriormente, sumariamente eliminados (e suas famílias destroçadas), sob o pretexto de atuarem como emissários responsáveis por implantar o regime “comunista/socialista” por essas bandas.
Apesar de exibida em horário um tanto quanto inconveniente (22:30 horas), vale a pena conferir a produção do SBT, a fim de se constatar a inaceitável hediondez e bestial “desumanidade” da tortura (cavalo-de-pau, afogamento, choque elétrico, sufocamento, abuso sexual e por aí vai).
Que a novela do canal do Sílvio Santos está incomodando muita gente, disso não tenham quaisquer resquício de dúvidas. Tanto é verdade que alguns saudosistas “generais-de-pijama” já acionaram recorrentemente os Tribunais Judiciários visando sustar sua veiculação.
Como, entretanto, os tempos definitivamente são outros, vamos esperar que não haja solução de continuidade, a fim de que todos possam – principalmente a jovem geração “shopping center” – pesar e aquilatar o caro preço pago para que hoje possamos nos manifestar democraticamente (e que culminou com a outrora impensável eleição de um “trabalhador” para a Presidência da República, posteriormente sucedido por uma mulher, fato nunca dantes experimentado neste país continental).
Convém ainda não esquecer, que também se acha em curso (estimulada, sim, pelo atual governo), a instalação da “Comissão da Verdade” e uma possível revisão da Lei da Anistia (claramente beneficiária dos torturadores), contemplando aquele negro período. Como o SBT (canal 12) se acha a apenas um simplório click da Globo, que tal mudar sua frequência ??? Vá lá, experimente. Você só tem a ganhar.

QUINTA DA PAIXÃO - no Pink Floyd Bar



Na Semana Santa vamos viver a paixão de uma forma diferente. Com a alegria
da música e do encontro. Com a alegria de podermos viver esse momento
na sua plenitude. Essa é a proposta que a produtora Sertão Pop criou, em
parceria com o Pink Floyd Bar, para unir as pessoas em um evento também
de união da região do Cariri através da música, com profissionais das
cidades de Crato, Juazeiro e Barbalha. O evento terá a participação
especial das bandas: Suzane & Lucas (POP-ROCK de Barbalha), Banda
Hollywood (toca sucessos das propagandas dos cigarros Hollywood) e a
Nightlife (ROCK-POP, anos 79, 80 e 90).

domingo, 17 de abril de 2011

As portas do abismo - Emerson Monteiro

O ser humano vive para responder a desafios, sendo esses ainda mais variados nos dias atuais, desde doenças transmitidas nas relações íntimas até as desigualdades sociais, expressas nos lances da violência urbana que predominam, sobretudo nas maiores cidades, sem, no entanto, isentar dos crimes bárbaros menores comunidades, em parte originários na ausência de formação moral, nos índices de crescente agressividade e na utilização indiscriminada de substâncias bloqueadoras da racionalidade, os tais entorpecentes avassaladores.
Neste ponto histórico da raça humana, exageros se apresentam com tamanha dominação que muitos se deixam abandonar ao impacto desses desafios, quais meros escravos das destruições em série; o crack, a cocaína, a maconha, a nicotina e o álcool.
O senso crítico bem que pode prevenir a vacilação comprometedora. Já desde a infância que os jovens devem dispor de estrutura para superar o sugadouro em que se transformou a vida mundana, tendo no comando das instituições do entretenimento os meios de comunicação de massa, por vezes inconscientes do seu poder destruidor, espécie de tóxico permitido à luz do dia, com força inimaginável, instrumentos do desequilíbrio, outro tipo de droga quase sempre usada de modo equivocado para vender o sensacionalismo e tolerada acima de qualquer suspeita.
Assim, dizíamos, os jovens têm de descobrir desde cedo como criar a firmeza de atravessar o largo pântano do Planeta em chamas, independente da opinião de terceiros, pois a peleja é, na verdade, uma missão individual fora do juízo alheio dos demais, considerando-se saúde mental como a peça chave desse equilíbrio naquilo que irá cumprir, no rumo da realização pessoal.
Quando sabem como agir, fruta rara, os moços exercitam a superioridade no embalo de todos esses fatores adversos. Põem-se a par do valor das coisas simples, dentre elas a lucidez de construir um sonho novo dentro do coração, a esperança dos tempos futuros.
O jovem, contudo, nem sempre possui as condições de vencer o mar tormentoso das tentações, porém deve fazê-lo, custe o que custar de sacrifício e vaidades, em favor da própria sobrevivência, porque assim trará consigo respostas plenas à Humanidade. Avalie com carinho essa perspectiva de manter a sobriedade no decorre da vida e verá como as reservas obtidas serão suficientes para vencer todos os obstáculos. Só então perceberá o quanto de sabedoria existe nos infindáveis mistérios da natureza interior das criaturas humanas.

sábado, 16 de abril de 2011

16 de Abril - DIA NACIONAL DA VOZ

VOCÊ JÁ SE IMAGINOU SEM VOZ?

A voz é importante na expressão artística de atores e cantores; como instrumento de trabalho (70% trabalhadores): Vendedores, Recepcionistas, Radialistas, Professores, Operadores de telemarketing, Médicos, etc.
Otorrinolaringologista e o Fonoaudiólogo são os profissionais especializados em cuidar da voz, caso ela apresente algum tipo de alteração, tais como: rouquidão persistente por mais de 2 semanas, perda súbita da voz, sem um quadro gripal associado e outros sintomas provenientes do fumo.
A maioria das doenças da voz tem tratamento com medicamentos, fonoterapia ou cirurgia, quando o o problema é diagnosticado mais cedo, maiores são as chances de preservação da voz, principalmente em casos de câncer.
São inúmeros os mitos e crendices em relação aos cuidados com a voz: tomar conhaque para “aquecer” a voz, dar um grito antes de falar em público libera as tensões, pigarrear ajuda na limpeza das cordas vocais, cochichar é bom pois poupa a voz, chupar pastilhas é bom para a voz.
Os especialistas em cuidar da voz recomendam que não se deve: gritar, cochichar, pigarrear ou tossir à toa, forçar a voz, principalmente quando gripado, fumar, consumir álcool em excesso, praticar exercícios físicos falando, falar em demasia ( em ambiente de fumantes, em ambientes barulhentos ou abertos, em período pré-menstrual e após ingerir grandes quantidades de aspirinas, calmantes ou diuréticos). Assim, para preservar a boa voz deve-se evitar os alimentos derivados do leite e achocolatados antes do uso intenso da voz, os alimentos que causem azia e má-digestão e os ambientes com muita poeira, mofo e cheiros fortes.
Cuidados que ajudam a preservar a voz: articular bem as palavras, falar pausadamente, descansar a voz (fazer momentos de repouso vocal), ingerir muito líquido em temperatura ambiente (1 a 2 litros/dia), cuidar da saúde geral (sono, alimentação, atividades anti-stress).


Dicas do Comitê de Voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia para Pais e Professores

Fonte: Sóleis, Portal São Francisco

Antônio Marcos - Emerson Monteiro


Por volta de 1968, quando os primeiros sinais de televisão chegaram ao interior cearense pelas ondas da TV Tupi, estação líder em audiência e carro-chefe dos Diários Associados, me achava trabalhando na agência do Banco do Brasil em Brejo Santo, onde permaneceria até 1971. Nesse período, Flávio Cavalcanti apresentava dois programas de sucesso na emissora, “Um Instante Maestro” e “Esta Noite Se Improvisa”.
Em “Um Instante Maestro”, vi pela primeira vez Antônio Marcos. Mostrava composições suas sob a égide daquele famoso apresentador. Magro, de cabeça raspada, expressão agressiva, originava-se do Movimento Artístico Universitário – MAU, grupo teatral que sofrera consequências repressoras do desmonte cultural de anos anteriores.
Feições ainda adolescentes, cantava e se acompanhava ao violão, inspiração talentosa e letras sentimentais, com personalidade deixava notar o êxito que conseguira no mercado fonográfico, conquistando a Jovem Guarda, junto de Roberto e Erasmo Carlos.
Suas aparições se repetiriam nos programas da Tupi, enquanto sua produção ganhava o rádio no País inteiro, levando-o ao estrelado, um dos símbolos da juventude, na década de 70. Quem viveu nesse tempo lembra de “Meninas de Trança”, “Porque Chora a Tarde”, “Sempre no Meu Coração”, “Seu Eu Pudesse Conversar com Deus”, “Como Vai Você”, “Namorada”, “Sonhos de um Palhaço”, “Sou Eu”, “Última Canção”, “Vamos Dar as Mãos e Cantar”, “O Homem de Nazaré”, “Tenho um Amor Melhor do que o Seu” e outras mais.
Em 1969, Marcos deixaria o grupo “Os Iguais”, com quem gravara compactos e um lp de canções estrangeiras (“Yesterday”, “Califórnia Dreaming” e “Yellow Submarine”, dentre outras), para começar carreira solo no disco “Antônio Marcos”, responsável por vender mais de 300 mil cópias.
Depois, faria cinema como ator (“Pais Quadrados, Filhos Avançados”, de J. B. Tanko) e teatro (“Hair”, peça dirigida por Altair Lima), em 1970.
Uniões amorosas intensas caracterizariam a imagem do artista. Casaria com Débora Duarte, atriz de reconhecida fama e, após tempestuoso romance desfeito, seria o marido da cantora Vanusa, e, por fim, de uma filha do rei Roberto Carlos, Ana Paula.
Nos inícios da década de 80, eu retornara ao Crato, e vim a conhecer Antônio Marcos, no Hotel Municipal de Juazeiro do Norte, apresentado por Francis Vale. Realizara um “show” no Cariri e conversamos longamente à beira de uma piscina numa residência situada na Lagoa Seca, enquanto ele bebia e cantava.
Na oportunidade ouvi dele algumas revelações pessoais, ao revelar que usara cocaína durante 17 anos. E seus amigos lhe diziam: - Tu és um verdadeiro cavalo, cheirar coca todo esse tempo e ainda estar aqui para contar a história.
Já havia vencido a batalha contra aquela droga terrível, porém cairia sob as garras do álcool, de quem se tornaria vítima, alguns anos depois. Antes disso, ainda visitaria o Cariri, dando vexame, cantando embriagado e fora de si na Iguatemi Shows, no Triângulo Crajubar, aonde planejei comparecer, mas que não pude fazê-lo, a fim de rever o ídolo popular de tão notória consagração.
Eram os meses finais e melancólicos da brilhante carreira artístico-musical do “moço triste”, que eu conhecera através do vídeo menos de um quarto de século atrás. Em 05 de abril de 1992, vítima de parada cardíaca em função de uma “insuficiência hepática fulminante”, morreria em São Paulo, com apenas 47 anos de idade.

Pedro Cabeção – por Manoel Patrício de Aquino (*)


Há alguns anos (não muitos) viveu em Crato um mendigo chamado Pedro Cabeção. Jamais se soube o seu completo nome de batismo. Ou jamais se quis sabê-lo...

Mas Pedro era popularíssimo. Mormente entre a criançada, a quem sempre fazia rir (em especial quando metia o dedo polegar na boca, ou o fura-bolo, comprimindo-o para, em seguida, puxa-lo de repente a fim de conseguir sons engraçados (estampidos) com que agradecia as esmolas recebidas, ou simplesmente cumprimentar as pessoas.


Pedro andava sempre só, apoiado num velho cajado de “frei–Jorge”. Caxingando. Gemendo... Mas passava a maior parte do tempo “estacionado” numa calçada qualquer do centro da cidade, de preferência perto das esquinas ou nas proximidades da casa de Seu Mário Limaverde. Forrava o local com velhos e rotos panos e com pedaços de papelão. Tinha um banquinho de madeira, de um palmo de altura, onde, às vezes, se sentava ou expunha a desbotada lata de manteiga: seu caça-níqueis.


Apresentava, além da macrocefalia, outras bem visíveis deformações anatômicas, as quais, no entanto, não despertava a mínima curiosidade de ninguém, pois o importante mesmo era a sua enorme cabeça, que lhe valera a alcunha.


Pois bem, meu caro leitor. O Ceará de hoje, mais do que nunca, lembra-me o miserável Pedro Cabeção. Estado pobre. Paupérrimo. Com sua enorme e disforme cabeça (Fortaleza e a Região Metropolitana) e aleijões pelo resto do sofrido corpo. Mendigando pela televisão. E o seu homem do campo caxingando, gemendo, chorando... morrendo.


Desde a promessa do último brilhante da coroa do Imperador Dom Pedro II, que seria vendido, se preciso, para que ninguém aqui passasse fome, pouca – muito pouca coisa –mudou. Quanto ao Cariri, que ninguém se engane: inobstante algumas aparências e apesar da propaganda enganosa, está perdendo, e feio a corrida do progresso. Ah! velho Pedro Cabeção, faz pena! E dá vergonha!!!

(*) Manoel Patrício de Aquino, advogado, é Presidente do Instituto Cultural do Cariri
Divagar devagar...
- Claude Bloc -


De repente um fio de ar mais fresco entrou pela janela da sala. Eu nem havia notado que a tarde estava se despedindo... Olhei pro relógio na hora em que batiam na igreja as 17 horas. O sol estava baixando. Na calçada cadeiras aguardavam um dedo de prosa .

Saí pelo portão entreaberto e me vi em frente à pracinha. Pracinha do Jambo. As cadeiras pareciam companheiras de sempre, uma ao lado da outra, juntinhas. Percebi nesse momento que o Crato fez da vida um cuidar de mim, dos meus sentimentos e estou contente porque o Pimenta é o bairro de minha infância e adolescência e a Françalegre ainda está lá quietinha, como quando era a casa era de papai.


Da rua, meu olhar atento se ocupa, como se fosse o dono dela. Vejo-me debruçada plantando manjericão, malva, cidreira, babosa e brigando com o vento para que deixe as calçadas limpinhas. Cenários se misturam. Tempo se embaraça. Horas tardam.

Há muito tempo minha rotina era a mesma. Eu precisava mudar. Se não aqui no Crato, na fazenda: assistindo ao tempo. Um tempo lento eu sei, tipo aquele que faz as crianças da rua crescerem um pouco a cada ano – e assim me vi pensando em como mudam as brincadeiras, as estaturas, os namoricos. Hoje as crianças são enormes, precoces e não brincam mais como eu fazia antigamente.

Penso nesse tempo. Nessa nesga de minha história. Um tempo que quase pára quando estamos proseando sobre a vida... Uma prosa tão boa como um bolo de puba saindo do forno. Tão boa que nem pela fome é interrompida. E então, nessa hora, paramos por um instante. Olhamos para o céu e já anoiteceu. Tá na hora de encostar a cabeça num sonho qualquer...
.

Nessa hora, eu entro em casa e só me levanto dessa cadeira porque sei que amanhã me sentarei aqui mais uma vez, para sentir esse sereno do Crato e absorver as energias da Chapada. Para sentir que o bonito da vida é poder olhar para ela e olhar com essa simplicidade que adoça a nossa existência. Melhor ainda se for da calçada da minha casa. Onde eu abrigo a saudade de você.
Claude Bloc

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Rasga-Mortalha


--- D. Betilde , de novo ?

A velhinha , ao ouvir aquelas palavras insidiosas e enigmáticas, ficou amuada pelos cantos da casa. Tinha plena consciência : o destino é que havia traçado aquelas linhas sinuosas da sua vida. Mas, que jeito? Por outro lado, também, carregava consigo a certeza de que o temor da solidão a havia impelido a tantas reincidências, além, claro do charme pessoal e de um estranho fogo que ainda teimava em lhe arder pelas veias, mesmo sob o gelo inexorável do tempo. O certo é que os casamentos se foram sucedendo. O primeiro marido, Afonso, caixeiro-viajante, dormiu na direção do carro e despertou no paraíso. Deixou-a viúva nova e sem filhos. Botelho, homem sisudo, coletor de impostos, engraçou-se de uma Betilde fogosa, na flor dos anos, e arriou por ela os quatro pneus. Casou-se, viveu com a esposa uma felicidade fulminante de cinco anos, tão fulminante que acabou o fulminando, de um enfarte, nas portas dos quarenta. Betilde balzaquiana, novamente solteira, passados dois anos de luto oficial, começou a sofrer assédio de um tal de Leontino. O homem era dono de um pequeno armarinho e também enviuvara há poucos meses. Betilde achou o assédio precipitado, mas entendeu o pretendente: já se encaminhando para os setenta, era material perecível e que não podia ficar exposto às intempéries da solteirice por muito tempo. Terminaram no altar. Leontino, por incrível que possa parecer, foi um marido exemplar e resistente: manteve-se vivo, nas garras da mulher, por uns vinte anos, até que um belo dia dormiu na terra e acordou no firmamento. A partir desse velório, a fama de Betilde como rasga-mortalha começou definitivamente a se firmar. Fama que, se diga de passagem, os anos mostraram nada ter de exagero.

A partir da viagem celestial de Leontino, os casamentos de Betilde se sucederam. Com ela já beirando os sessenta, os novos pretendentes já não pagavam IPVA. Homem maduro só cata mulher nova. O que lhe ia sobrando eram aqueles já idosos, passados na casca do alho e que temiam as mocinhas com medo de não se refestelarem sozinhos, mas num banquete coletivo. Zivaldo, Geronildo e Marcelino seguiram a mesma sina dos seus antecessores, apenas desfrutaram dos prazeres e achaques matrimoniais por pouco tempo. A famosa frase : --- D. Betilde, de novo ? Foi pronunciada justamente por Salustiano, um antigo conhecido da rasga-mortalha, ante o caixão do sexto marido da nossa serial-killer: o tabelião aposentado Marcelino Florentino Parahyba, homem versado em almofadas, carimbos e reconhecimentos de firmas. Betilde, oitentona, já parecia não ter mais lágrimas para derramar: secara o veio . Talvez, por isso mesmo, tenha se amuado ante a insinuação algo maldosa de Salustiano: faltava-lhe água para lavar tantas máguas. De tantos enlaces, restara-lhe, no entanto, apenas um filho, nascido da mira certeira de Leontino , o menino carregava oficialmente o nome viril do pai, mas era chamado carinhosamente de Júnior.

Betilde decidiu baixar o facho após a partida do sexto esposo. Já era tempo ! E mais: quem diabo iria querer uma oitentona e ainda pior: com um cartel terrível de nocautes ? Aquietou-se, fez-se beata, botou para debulhar terços e mais terços: alma no purgatório para sua intercessão é o que não faltava! A multi-viúva esqueceu apenas um detalhe. Os tempos tinham passado e a modernidade viera com seus milagres. Fora-se o tempo em que homens maduros pronunciavam aquela frase famosa : “Enquanto houver língua e dedo, mulher não me mete medo!” Pois bem, a modernidade havia trazido consigo o viagra e o adiamento da morte viril. Imaginem, pois, impulsionado pelo novo espinafre do Popeye, quem começou a arriar uma asa para Betilde ? Nada mais nada menos que o fofoqueiro do Salustiano. Entre dentes, ele prometeu aos amigos que mandaria a serial killer desta para melhor. Vingaria seus seis antecessores. Betilde refugou no primeiro momento: Vade retro satanás! Não esquecia a frase famosa dele diante do esquife do pobre do Marcelino. Mas o assédio perdurou, a solidão falou mais alto ( Júnior fora tentar a sorte em São Paulo) e a matrimoniomania de Betilde reacendeu. Depois de uns seis meses, voltou ao altar agora ao lado de um grande e turbinado Salustiano.

Seis meses depois, os amigos choravam o passamento do amigo. O vingador batera catolé. Qual a causa mortis de Salustiano ? Ninguém sabe ao certo, mas existem algumas evidências. À noite, no velório todos notaram um volume excessivo elevando a mortalha na altura dos países baixos do noivo. Parecia o mastro central de um circo forçando a lona para cima, em direção aos céus. Vendo a mortalha prestes a se romper no meio, enquanto uma Betilde chorosa fungava num canto, um amigo comentou:

--- Menino, pelo visto, não é só D. Betilde que merece o apelido de Rasga-Mortalha, não ! Salustiano, também, manda ver !


J. Flávio Vieira

Coralie Clément - L'ombre et la Lumière

Círculo - Aloísio



Círculo


As mãos se dão
E formam um círculo
Que se abre
Num verão

No verão
Havendo chuva
E semeando
Brota o grão

Do grão brotado
A esperança
De alimento
Pras crianças

E as crianças
Unindo as mãos
Um novo círculo
Formarão


Texto: Aloísio
Imagem: Internet

O MASSACRE DE REALENGO


 
Disse que ia fazer uma palestra
e puxou dois revólveres
– as armas falam mais alto que a língua.

Atirou sessenta e seis vezes:
doze crianças caíram mortas na hora.
e outras doze foram feridas, algumas gravemente,

Um policial lhe deu um tiro na barriga,
ele suicidou-se em seguida.

Na mochila um papel com instruções
de como devia ser enterrado:
sem que mãos impuras o tocassem.

A dor nem a loucura justifica.
As crianças morreram na flor da vida,
como flores cortadas antes da hora.



Poesia das flores... Por Claude Bloc





Quem disse que as flores não escrevem poesia?