Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Amor na prateleira


Eita geraçãozinha sofrida esta dos anos 60! Não foi brincadeira não, meus amigos! Maio de 68, o movimento Hippye , Woodstock, enfrentamento da ditadura militar. Vá lá que conseguimos usufruir de alguns frutos semeados: a liberdade ainda que tardia depois de Figueiredo e uma rebarbazinha de liberdade depois da pílula. A maior parte da colheita, no entanto, caiu no paiol dos nossos filhos e netos. Assim se faz a vida: plantamos a semente no nosso quintal e a melancia brota no do vizinho. Cá me ponho a matutar com meu zíper, por que diabos não alcançamos as delícias do “fica”; o namoro no motel e não na praça; o final de semana no hotel com a paquera; o desbancamento definitivo da virgindade; a noite que acaba ao amanhecer e não às 21 horas; a iniciação com a namorada e não com a rameira.Claro que, por outro lado, não tínhamos alguns acidentes de percurso como a AIDS, mas , definitivamente, entre prós e contras, perdemos de goleada. Percebo que conversar com os amigos no Orkut, não é a mesma coisa que tê-los junto, numa mesa de bar. Entendo também que, em busca do fruto proibido, os namoros antigos carregavam consigo uma carga de sensualidade incrível: a do desejo impossível de ser saciado. Há grandes possibilidades de que o doce de leite não provado venha a tornar-se eternamente delicioso, mas não substituí, a meu ver, o prazer único de degustá-lo, mesmo com o risco de , com o passar dos dias, transformar-se num doce qualquer , comum e trivial, mesmo tendo saído das mãos de Isabel Virgínia.

Preocupa-me, por outro lado, a transformação gradual do amor num mero bem de consumo. O namoro e o casamento cobriram-se de um forte tom utilitarista.Não muito diferente do que se criticava nas gerações passadas: casamentos escolhidos pelos pais , sem nenhum vínculo amoroso entre o casal. Mudamos? Hoje, procedem-se, novamente, a todos os preparativos da viagem, calculando os mínimos detalhes. Muitas vezes se utiliza mais a contabilidade que o coração. São tantos os critérios a serem preenchidos pelos pretendentes que a cidades se vão inundando de legiões de solitários: com seus rituais, seus temores e suas idiossincrasias.Todos querem segurança e estabilidade, numa viagem onde a beleza e eternidade estão escondidas justamente no instável e no fugaz.As agências de casamentos oferecem parceiros com os ingredientes de uma receita de bolo e escolhem-se companheiros como se cata presentes para um chá de cozinha. Nem se percebe que o encontro de duas pessoas é sempre a fusão de dois abismos perfeitamente insondáveis.

Semana passada li uma notícia que mais que nunca condensa os tempos atuais. Abriram, no Japão -- pasmem vocês-- uma agência para desfazer casamentos. Funciona de maneira muito simples. Um dos parceiros quer finalizar o relacionamento de modo rápido? Contrata a agência e esta manda um funcionário(a) seduzir o marido ou a esposa. Filma-se e documenta-se toda a tramóia e, aí, entrega-se o dossiê ao interessado que,em rito sumário, procede à separação. Segundo a agência , conseguem índices favoráveis em até 90% das contratações.A competência dissolutiva dos funcionários da empresa é testada a todo momento, se não conseguirem desencadear os escândalos necessários acabam demitidos rapidamente. Ou seja , amigos, já temos, no mercado, fábricas de construir e destruir relacionamentos. O amor e o desamor estão estampados na prateleira à espera de qualquer cliente. O dinheiro, como já previra Nélson Rodrigues, compra tudo, até mesmo amor sincero.

Neste ponto, o mundo ficou mais chato. Desapareceram o mistério, a surpresa, a arte do encontro e do desencontro. A sexualidade engoliu a sensualidade. O olhar, o beijo, a palavra, o toque tornaram-se obsoletos. As pessoas , embora mais livres e menos preconceituosas, vão se tornando mais individualistas. A tolerância , artigo de premente necessidade neste mundo de guerras e conflitos, deveria fluir naturalmente do relacionamento cotidiano entre os indivíduos. Mas os homens estão ocupados demais preenchendo fichas e planilhas e não conseguem perceber os outros passageiros que, na mesma nave, empreendem a fantástica viagem que chamamos vida.

J. Flávio Vieira

Observador do Invisível - Paulo Viana

Contemplo o silêncio da imensidão escura
Minha perplexidade é alvo das estrelas
Um sentimento profundo de pequenez me atormenta
Bebo a escuridão como se fosse um elixir do improvável
Um confortável sinal da presença espiritual no mundo
Não há limites para a imaginação, para o adentrar-se a universos sombrios
Tenho me recriado a todo instante, me recolocando no espaço cósmico
Nessa inacreditável história de se estar na subseqüência de presentes
Ás vezes sou apenas experimento do caos, outras, desenho espiritual do movimento
E em muitos outros momentos, um solitário observador do invisível
Como se esperasse um lampejo de luz , que pudesse clarear meu próprio sol
Sou ave de um céu inimaginável, flutuante fragmento de uma explosão distante
Um pedaço de nada, vagante, sem fado, pedra faminta de gravidade
Um grão de luz, acesa por um lanterneiro chamado amor
Fagulha pensante, que elege os momentos como únicos
Urgentes oportunidades para triturar o universo e sugar seu néctar
Tragar sua essência, sorver sua lógica, engolir de vez sua razão de ser
Mas o silêncio sideral sempre reverbera em mim
Talvez cada um de nós seja essa ilha universal
Esse reverberador do todo, que se fragmentou na consciência da própria finitude
Vida Viajante
- Claude Bloc -



Não lembro onde li esta frase:”Viajar cura a melancolia”. Creio que, a partir daí, fiz disso um lema, porque acreditei no que li. Eu tinha fases de apatia. Não de depressão, mas de recolhimento. Recordo apenas a impressão que esta frase me causou. Imaginei viagens. Viajei com a poesia. Viajei. Pendurei momentos como esses pelas esquinas do mundo e do tempo e me deixei absorver por esse ensaio de cura. Cura da melancolia.
Os anos se passaram, apagaram-se muitas estrelas na minha vida e, ainda hoje, não sei se viajar realmente é uma cura. No entanto, persiste em mim aquela curiosa impressão de que a frase que li naquele momento foi pura predestinação.

Na verdade, desde então, nunca mais parei de viajar. E a vida foi se pontuando de oportunidades. Até atravessei o país... Fui morar no Rio por oito meses, morei no interior de São Paulo por mais de seis anos e em pensamento me perdi entre mares e desertos, mudei de casa não sei quantas vezes e conheci a poesia mais de perto, perdida na vasta noite da inspiração... Avancei sempre, sem destino certo, tantas e tantas vezes. Mas... com certeza, sempre quis estar de volta aqui, ao Cariri.

O que sei, porém, é que tudo começou nesse dia. Era ainda noite fechada e eu estava na Serra Verde.  Levantei-me e parti em busca de respostas. Fui em direção ao açude Segui a rebentação daquelas ondinhas ali pela margem, apanhei seixos e búzios, contornei a parede do sangradouro; afastei-me de casa o mais que pude. O sono não chegava. Acompanhei a trajetória da lua refletida nas águas. Vi a manhã erguer-se, branca, e envolver o Alto do Caboclo; vi, tudo isso também em outros dias: crepúsculos e noites sobre aquele espelho... e amei a existência com todas as minhas forças.

Nessa noite, adormeci ali, onde calhou: no meio daquela areia granulosa, enroscada em meus próprios braços, como um animalzinho indefeso... Quando regressei, regressei com a ânsia de uma eterna viajante dentro de mim.

Hoje sei que não consigo parar de me locomover prá lá e prá cá. Quantas e quantas cidades conheci assim? Perdi a conta. E aprendi que o/a viajante ideal é aquele/a que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e que viaja mesmo quando executa as tarefas quotidianas. Que posso viver mesmo sem possuir muita coisa, mas nunca sem adquirir meu próprio modo de vida.

É assim que tento conduzir a vida: caminhando, com a leveza de quem abandonou tudo aquilo que nada lhe acrescenta. E viajo sempre deixando o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro dessa caminhada, se recompõe das aflições da cidade.

E foi também dessa forma que, pouco a pouco, aprendi que vejo as coisas de forma diferente do que outros viajantes veem, ao passarem pelos mesmos lugares. Acredito que o olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único.  

Se viajar, não cura a melancolia, pelo menos, percebo que purifica a alma. Traz ao passageiro desta vida a paz de espírito; e deste modo, o corpo reencontra a harmonia perdida - entre o homem e a terra.

Dessa forma tornei-me nômade: ao saber que não fui feita para ficar quieta. Ser sedentário/a me empobrece, mata-me a alma, estagna meu pensamento.

Por tudo isto, como viajante, escolhi caminhar nessa linha. Nela eu canto, escrevo, vivo. Sou uma fagulha que viaja nesse Universo.

Claude Bloc




13 de Maio - Nossa Senhora de Fátima

Nossa Senhora de Fátima (ou Nossa Senhora do Rosário de Fátima) é uma das designações atribuídas à Virgem Maria que, segundo a Igreja Católica, terá aparecido repetidamente a três pastores, crianças na altura das aparições, no lugar de Fátima, tendo a primeira aparição acontecido no dia 13 de Maio de 1917. Estas aparições terão continuado durante seis meses seguidos, sempre no mesmo dia (exceptuando em Agosto). A aparição é associada também a Nossa Senhora do Rosário, sendo portanto aceite a combinação dos dois nomes - dando origem a "Nossa Senhora do Rosário de Fátima" - pois, segundo os relatos, "Nossa Senhora do Rosário" teria sido o nome pelo qual a Virgem Maria se haveria identificado, dado que a mensagem que trazia consigo era um pedido de oração, nomeadamente, a oração do Santo Rosário.
Fecha o ciclo de aparições iniciado em Paris, como Nossa Senhora das Graças, sucedida pela aparição em La Salette e Lourdes

Três crianças, Lúcia de Jesus dos Santos (de 10 anos), Francisco Marto (de 9 anos) e Jacinta Marto (de 7 anos), afirmaram ter visto Nossa Senhora no dia 13 de Maio de 1917 quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Aljustrel, pertencente ao concelho de Ourém, Portugal

Os três pastorinhos de Fátima (1917).
Síntese da Mensagem de Fátima

Segundo a Irmã Lúcia, no seu último livro publicado em 2006, toda a mensagem subjacente às aparições de Nossa Senhora de Fátima é o seguinte:

"No decorrer de toda a Mensagem, a começar pelas aparições do Anjo, encontramos um apelo à oração e ao sacrifício oferecido a Deus por amor e conversão dos pecadores. Para mim, este apelo é como que a norma básica de toda a Mensagem, que começa por introduzir-nos num plano de fé, esperança e amor: "Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos". É aqui que assenta a base fundamental de toda a nossa vida sobrenatural: viver de fé, viver de esperança, viver de amor."
Na Exortação Apostólica Signum magnum, o Papa Paulo VI assim resumiu a mensagem da santa:

"A santa contemplação de Maria incita-os, de facto, à oração confiante, à prática da penitência, ao santo temor de Deus, e recorda-lhes com frequência aquelas palavras com que Jesus Cristo anunciava estar perto o reino dos Céus: Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, bem como a sua severa advertência: Se não vos arrependerdes, perecereis todos de maneira semelhante"
Origem: Wikipédia

A REVOLUÇÃO DA ALMA

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.
AA razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você.
Não coloque o objetivo longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares,e
busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre.
Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo que está "pronto“ para ser feliz.
Trabalhe, trabalhe muito a seu favor. Pare de esperar a felicidade sem esforços. Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.
Critique menos, trabalhe mais. E, não se esqueça nunca de agradecer.
Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor. Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.
A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las.

ARISTÓTELES.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

"Ex" - José Nilton Mariano Saraiva

Com direito a propaganda antecipada, veiculada com insistência nos principais jornais do Estado, em eleição realizada na cidade de Fortaleza, num processo pra lá de democrático, a cidade de Quixeramobim, com respeitáveis 61,20% dos votos apurados, venceu a disputa para sediar o futuro “Hospital Regional do Sertão Central e Inhamuns”, a ser construído pelo Governo do Estado do Ceará. O investimento, compreendendo estrutura física e equipamentos, será da ordem de R$ 96 milhões (afora a manutenção).
O anúncio oficial do resultado foi feito pelo próprio Chefe do Executivo cearense, que, na oportunidade, fez questão de enfatizar a plenos pulmões (encarando de frente os flashs), o caráter democrático da escolha, porquanto resultado da soberana manifestação das autoridades representativas dos municípios da Região (cerca de 20).
Faltou dizer, e ninguém lembrou de perguntar ou questionar publicamente (por conivência, frouxidão, conveniência ou o que mais aprouver), por qual razão o mesmo alardeado critério (democrático) não foi escolhido, usado e adotado quando da definição do local onde foram construídos (e estão prestes a funcionar) os “hospitais regionais” das regiões sul e norte do Estado, respectivamente Juazeiro do Norte e Sobral, onde prevaleceu a decisão “solo” e autocrática do Governador.
Aliás, não deveria causar qualquer surpresa tal desenlace, porquanto, dias antes, em visita à cidade do Crato (“ex” capital da cultura, “ex” princesa do Cariri, “ex” cidade modelo, “ex” detentora do melhor carnaval do interior do Nordeste, “ex” futura capital do futuro Estado do Cariri - e usem o “ex” até não mais querer), o Governador do Estado simplesmente ignorou o protocolo e as formalidades corriqueiras, ao circular na cidade sem que o seu prefeito fosse sequer cientificado, numa prova inconteste do “real prestígio” do chefe da municipalidade cratense para com os escalões superiores do Estado (e, de sobra ou por simples pirraça, a raquítica verba destinada a “dá um trato” na barafunda em que se transformou a cidade após as chuvas de janeiro, foi bloqueada e transferida para a conta do Estado, que a alocará onde e quando achar necessário).
Conclusão: ou o povo do Crato coloca no “trono” municipal alguém que se relacione e tenha transito livre junto a quem usa a “caneta” ou vamos continuar patinando na maionese e afundando na mediocridade.

Encontro de Zootecnia começará amanhã em Crato


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Uma arco de lua que as nuvens se esforçam em esconder - José do Vale Pinheiro Feitosa

Procurei uma frase que não pretendesse oferecer normas a ninguém. Os indivíduos já estão no mundo com a transparência de cada momento do tempo que inventam.

Procurei um pensamento que não fosse conclusão de alguma coisa complexa ou simples. Os sujeitos da história estão sempre começando alguma coisa mesmo que as conclusões tenham já sido enunciadas.

Procurei um estilo físico que não fosse a presença de algum carisma para influenciar os outros. As pessoas já possuem seus dons adquiridos nas incongruências e compatibilidades da vida.

Nada havendo então para expressar, restei-me junto a você olhando este arco de lua crescente, mesmo que as nuvens se esforcem em escondê-lo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Efeito agregador - Emerson Monteiro

Noto que as ideias formam blocos parecidos com a evaporação que forma as nuvens no céu. À medida que essa formação das ideias ganha densidade, tende a produzir palavras e ações. Quais as nuvens carregadas de água da evaporação, as ideias também resultam em resultados novos. As nuvens, na chuva. As ideias, nas palavras e atitudes. Quando chovem, as nuvens perdem suas características iniciais e, já na terra, criam os córregos, rios, reservatórios e mares. As ideias, colhidas pelos que ouvem e leem, geram outras ideias, ações, e seus frutos. No andar de tal raciocínio, lembrei dos versos de Castro Alves, no poema “O livro e a América”, quando dizer: “O livro caindo n'alma / É germe - que faz a palma, / É chuva -- que faz o mar”.
Veja só aonde vou chegar neste raciocínio de agregação das águas em nuvens e das ideias em palavras e praticados. Derivo a considerar o efeito multiplicador da moeda, que antes era só uma ideia, hoje assunto técnico de economia, e aspecto importante das transações sociais. A moeda que gira, e o mundo gira com ela. Lá nos primórdios, quando ela ainda não existia, se dava o contrário, o mundo apenas girava, e a moeda dormia no celeiro inocente das ideais.
Nasceu o dinheiro, inventado, ou descoberto fruto da necessidade das pessoas, ocasionando todo movimento conhecido de portos e navegações, indústrias e mercados. Indústria, comércio, serviços. Patrões e operários.
O dinheiro existe para ser utilizado. Dinheiro guardado representaria água retida, sujeita à estagnação. A poupança pública, tão decantada no tempo do presente, por exemplo, trabalha em mãos dos bruxos financeiros, a fim de gerar a riqueza dos povos e das nações.
Essa moeda, que pode ser de papel, de metal ou, apenas, de números escriturados nas contas das instituições, circula e multiplica a riqueza que representa. Este o denominado “efeito multiplicador da moeda escritural”, estudado nas academias, quando pagamentos e recebimentos passam a acontecer por meio da multiplicação do uso do dinheiro e representa o maior volume da riqueza em circulação nos mercados mundiais.
Bom, cheguei enfim ao instante contar do que me trouxe nesse encaminhamento.
Isso, de falar na lei de acumulação de águas, ideias e moedas, em que funcionam os barcos da coletividade. Ainda que, por vezes, achemos que há dinheiro escuso, mal ganho, sujo, capital não tem pátria, nem mortalha tem bolso, na voz da experiência. Enquanto corrompidos costumes políticos, morais, econômicos, financeiros, ainda assim a riqueza segue seu curso na história e a vida continua. Visto que leis maiores a tudo isso regem, dentro da mais sábia das ordens universais de todos os acontecimentos, aqui nos achamos, sim, no firme propósito de salvar as nossas consciências.

Pensamento para o Dia 10/05/2011


“É o amor puro que concede a libertação. Você deve esforçar-se para atingir esse amor holístico. Para alcançar a libertação, as pessoas empreendem todos os tipos de práticas espirituais, mas o amor é o anseio profundo de todos os esforços espirituais. Bhakti (devoção) é uma prática espiritual baseada no amor. A devoção não é apenas entoar cânticos (Bhajans) ou realizar rituais sagrados. A verdadeira devoção é um fluxo direto de amor gratuito e incondicional do seu coração para Deus. Na prática espiritual que as pessoas empreendem, há um certo egoísmo. Ofereça o seu amor a Deus sem o menor traço de egoísmo ou desejo. A aniquilação do desejo é, na verdade, libertação.”
Sathya Sai Baba

O tempo é o Senhor da razão -- por Armando Lopes Rafael




O falecido general Olympio Mourão Filho não era apenas um homem inteligente e visionário. Era um profeta! Pensando nele, me vêm agora à lembrança dois provérbios: “O tempo é mesmo o Senhor da razão” (como diz a Bíblia) e “Nada como um dia atrás do outro”, como diziam nossos avós...

Quantas vezes, nos últimos oito anos, uma minoria ínfima de brasileiros – que não engrossou o bloco do ôba-ôba reinante no Brasil no governo Lula – foi criticada pelos deslumbrados petistas. Estes achavam que o ex-presidente era mesmo O Cara e a partir dele a história do Brasil começara a ser reescrita. Aquela minoria apenas enxergava e alertava quanto ao rumo errado que nosso país começava a mergulhar fundo. Debalde! Falou mais alto a bajulação. Prevaleceu o achincalhamento aos que pensavam diferente.

Amizades foram desfeitas porque fazer restrição a algumas decisões do “Cara” era crime de lesa-pátria!

Esta semana li – não com prazer, mas preocupado – artigo publicado no Estadão, de onde pincei as frases a seguir transcritas:

“Agora, às voltas com renitente inflação gerada pela farra fiscal que fez Lula popular e elegeu Dilma, vivem (os governistas) momento difícil e não têm bode expiatório para execrar”...) “Lula melou as mãos de petróleo, alardeando autossuficiência que jamais houve. Mágico de circo, "trouxe" o pré-sal para o presente, dando a impressão de que os benefícios seriam para o hoje, quando mil dúvidas, a começar pelo marco regulatório, rondam o êxito das operações” (...) “Hoje a dívida pública é mais que o dobro da que herdaram (os petistas em 2003): R$ 1,7 trilhão” (...) “Temo turbulências. Que a democracia saia vencedora de qualquer desafio que se anteponha à sua consolidação plena”.

Tudo isso me fez lembrar o livro “A verdade de um Revolucionário”, publicado em 1978, de autoria do general Olympio Mourão Filho, que escreveu: "Ponha-se na Presidência da República qualquer medíocre, louco ou semianalfabeto, e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso".
Algo mais precisa ser acrescentado?
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

BÁRBARA DE ALENCAR na Revista Overmundo, com os meus agradecimentos aos amigos do Crato

Quero agradecer aqui aos amigos do Crato que me enviaram colaborações para um texto sobre Bárbara de Alencar.

A intenção era enriquecer o texto com depoimentos de moradores, artistas, historiadores... Mas o tempo passou, não saiu a verba do Minc para fazer a revista impressa, saiu apenas a do Prêmio Sesc de Incentivo à Cultura para a edição digital.

E a revista precisou editar os textos, para deixá-los uniformes – com isso metade do meu texto foi cortada, especialmente o meu poema sobre o cárcere de Bárbara de Alencar, a letra da canção de Ednardo, e vários depoimentos, como o da Edilma Rocha, com os meus comentários. Senti falta porque eu não sou historiador, e era a parte mais pessoal do meu texto, que lhe dava certa graça, se é que tinha alguma.

Peço ainda aos amigos que me desculpem alguma impropriedade. Estou escrevendo à distância, e, repito, a História não é o meu campo.

Deixo aqui o link da Revista Overmundo, que foi lançada no Rio, neste 9 de maio de 2011: http://overmundo.com.br/revista/revista_overmundo_1.pdf

O PDF demora um pouco para abrir... Aguardem.

O meu texto está nas páginas 27 e 28 do PDF, sob o título A NOSSA PRIMEIRA PRESIDENTE.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

PENSAMENTO DO DIA - Por Dihelson Mendonça



"Se formos parar para refletir um pouco, veremos que nesta terra, nada nos pertence. Somos meros guardiães temporários de tesouros alheios".

Dihelson Mendonça

Profissão Repórter:Sem Sofisma e Fantasia,a Vida Como Ela É...E Era Só-Wilson Bernardo.

Para alguns a pronuncia se torna uma estreita amizade,de quem se escuta a mais d quarenta anos de radio..."Seu Vicelma!eita é seu vicelma da radio!"É o que se ouve e falam dele quando andamos,em nossas caminhadas de reportagens,a fala mansa dos caboclos do cariri quando se deparam com o que eles acham parecido com um mito,a voz e o mito do radio caririense.Modéstia aparte,e o que não é do seu perfil,já que o mesmo é muito humilde e correto,mas o mito fica por denominação minha e da caboclada,que o reconhece pelas estradas desse velho e maravilhoso cariri.Estávamos em porteira cobrindo a maior chuva dos últimos anos daquela cidade,e Vicelmo atolou o pé na jaca,no leito do rio,onde foi uma das imagens engraçadas da viagem.Falar de Vicelmo,teria que ser um livro,pois tem muitas historias e uma única reportagem não seria suficiente,um grande comunicador,poeta e filosofo,que matuta como só os grandes mestres da cultura nordestina,o saber ouvir e degustar o tempo transformando em ideais suas sabedorias conceituais.
No leito do rio perdeu a bota,enquanto o moleque brincava de fotografo com sua maquina
A dura vida de repórter em campo em busca da melhor noticia fiel a realidade
Na volta a satisfação de rever amigos na caldeira do inferno em Brejo Santo
Refrescando a garganta a base de suco de laranja, enquanto eu registrava tudo
Wilson Bernardo(Texto & Fotografia)

Pérola nos Bastidores- Jacques Bloc Boris

Jacques Boris disse...


A- Dor que gera tristeza

C- Flor que gera alegria

J- O sol nasce com a beleza

A- Transformada em poesia

C- A dor logo se esvazia

J- Com a caneta do coração

A- E assim vai o poeta

C- Dia e noite, noite e dia

J- Perdido com seus amores

A- Levando seu dia-a-dia

Programa Cariri Encantado Sonoridades - 11/05/2011

Conexões musicais: A Cor do Som e o som da cor

A Cor do Som foi um dos mais importantes conjuntos musicais brasileiros de todos os tempos. Formado no Rio de janeiro, no ano de 1977, pelos irmãos Maurício Magalhães, o Mu, tecladista, e Dadi, contrabaixista, que já tinha integrado a lendária banda Os Novos Bahianos, - A Cor do Som contava com o virtuoso guitarrista Armadinho, filho de Osmar Macedo, fundador do pioneiro trio elétrico carnavalesco Dodô & Osmar; além de uma “cozinha” rítmica das mais competentes, formada pelo baterista Gustavo e o percussionista Ary.

O programa Cariri Encantado Sonoridades traz uma seleção de 11 músicas da banda, que constam dos discos Frutificar, de 1979, e Transe Total, de 1980. São composições refinadas e algumas delas foram sucessos radiofônicos e comerciais, como Abri a porta, de Gilberto Gil e Dominguinhos; Beleza pura, de Caetano Veloso, Palco, de Gilberto Gil, Zanzibar, de Armadinho e Fausto Nilo) e Semente de amor, de Mu e Moraes Moreira.

Onde escutar
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com

Alceu Valença defende Chico Cézar contra o "Forró de Plástico"

O Forró Vivo!

Vejo com muito bons olhos – olhos atentos de quem há décadas observa os movimentos da cultura em nosso país – a iniciativa do Secretário de Cultura do Estado da Paraíba, Chico César, de “investir conceitualmente nos festejos juninos”, segundo comunicado oficial divulgado esta semana. Além de brilhante cantor e compositor, Chico tem se mostrado um grande amigo da arte também como um dos maiores gestores da cultura desse país.

A maneira mais fácil de dominar um povo – e a mais sórdida também – é despi-lo de sua cultura natural, daquilo que o identifica enquanto um grupamento social homogêneo, com linguagens e referências próprias. Festas como o São João e o carnaval, que no Brasil adquiriram status extraordinariamente significativo, tem sido vilipendiadas com a adesão de pretensos agentes culturais alienígenas mancomunados com políticas públicas mercantilistas sem o menor compromisso com a identidade de nosso povo, de nossas festas, e por que não, de nossas melhores tradições, no sentido mais progressista da palavra.

Sempre digo que precisamos valorizar os conceitos, para que a arte não se dilua em enganosas jogadas de marketing. No que se refere ao papel de uma secretaria ou qualquer órgão público, entendo que seu objetivo primordial seja o de fomentar, preservar e difundir a cultura de seu estado, muito mais do que simplesmente promover eventos de entretenimento fácil com recursos públicos. É preciso compreender esta diferença quando se fala de gestão de cultura em nosso país.

Defendo democraticamente qualquer manifestação artística, mas entendo que o calendário anual seja largo o suficiente para comportar shows de todos os estilos, nacionais ou internacionais. Por isso apóio a iniciativa de Chico em evitar que interesses mercadológicos enfiem pelo gargalo atrações que nada tem a ver com os elementos que fizeram das festas juninas uma das celebrações brasileiras mais reconhecidas em todo o mundo.

Lembro-me que da última vez que encontrei o mestre Luiz Gonzaga, num leito de hospital, este me pedia aos prantos: “não deixe meu forrozinho morrer”. Graças a exemplos como o de Chico César, o velho Lua pode descansar mais tranquilo. O forró de sua linhagem há de permanecer vivo e fortalecido sempre que houver uma fogueira queimando em homenagem a São João.


Alceu Valença

MÃES SÓ MORREM QUANDO QUEREM

"Em geral, as mães, mais que amar os filhos, amam-se nos filhos."
(Friedrich Nietzsche)

"Eu tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez.
Eu não a queria junto a mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula.
Me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me trazer.
Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam, como das dificuldades intransponíveis da tabuada.

Quando fiz 14 anos eu a matei novamente.
Não a queria me impondo regras ou limites, nem que me impedisse de viver a plenitude dos vôos juvenis.
Mas logo no primeiro porre eu felizmente a redescobri viva.
Foi quando ela não só me curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.

Aos 18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente.
Entrara na faculdade, iria morar em república, faria política estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese.
Ledo engano.
Quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir, voltei à casa materna. Único espaço possível de guarida e compreensão.

Aos 23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, porém requereria muita lentidão...
Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui viagem.
Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho mãe se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado AVÓ.
Apesar de tudo, continuei acreditando na tese de que a morte seria bem demorada,
e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares, ela reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos. Papéis que somente ela poderia protagonizar...

Mas o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem definiu:
Quando eu menos esperava, ela decidiu morrer...
Assim... sem mais nem menos... sem pedir licença ou permissão... sem data marcada ou ocasião para despedida, minha tese da morte bem demorada ruiu.
Ela simplesmente se foi, deixando a lição que mães não são para sempre.
Ao contrário do que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto esta eternidade pode durar em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade..."

Autor desconhecido

Pérola nos Bastidores - Claude Bloc

Claude Bloc disse...


A - Dor que gera tristeza
C - Flor que gera alegria
A - transformada em poesia
C - a dor logo se esvazia
A- e assim vai o poeta
C - dia e noite, noite e dia
A - levando o seu dia-a-dia.



A - Aloísio
C - Claude Bloc