Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sentir a dor alheia - Emerson Monteiro



Isto já ensinam as religiões desde priscas eras, em se colocar no lugar do outro nas horas necessárias, para saber o que ele sentirá diante das circunstâncias que o levaram ao erro de comete delitos graves ou leves quais sejam. Antes dos julgamentos prévios há de haver essa formação de uma consciência da dor que ele amargura, e, só então, agir e condenar.

Tais avaliações anteriores às sentenças previnem o risco das limitações humanas; o impulso dos interesses particulares e injustos. Invés de jogar mais carga nas costas dos semelhantes pela precipitação, buscar, sim, diminuir o peso que outros carregam, porquanto, no solo comum das existências, funcionam bases maiores da justiça que predominam todo tempo.

Inúmeras vezes, o egoísmo dos desejos próprios determina as ações das criaturas, levando-as ao tribunal antes de realizar os julgamentos a que se propõem. No Evangelho, Jesus trata o assunto com extrema clareza quando fala de quem enxerga o argueiro no olho dos outros e não vê a trave que existe no olho de quem julga. Bem humano esse jeito de laborar, no transcorrer dos séculos.

Com isso, aprender a lição da transferência para si mesmo das agruras alheias, o que facilita sobremodo o gesto de viver, orientação dos campos da sabedoria. Observar na distância de algumas braças até compreender e julgar, e procurar a justiça nos armários da consciência individual, pois a lei superior mora gravada no íntimo do ser que somos, a fim de enquadrar os companheiros de viagem nos artigos em que é sujeito lá estarmos escondidos, eis uma norma de real valor, neste mundo ainda contraditório.

O resultado dessa atitude refinada produzirá frutos bons junto ao direito universal da Natureza, nos momentos que virão depois, guardando saldos positivos de bênçãos em forma de saúde perfeita, amizades, respeito coletivo e construção definitiva das esperanças de um paz social duradoura em benefício de todos nós.

Uma jornada republicana (editorial do jornal Estado de S.Paulo)

-- postado por Armando Rafael -- O senador Alfredo Nascimento teve os seus 15 minutos de glória - vá lá a palavra - ao subir à tribuna, 27 dias depois de ser obrigado a deixar o Ministério dos Transportes, para dar o show de indignação de todo político alvejado pela revelação de ilícitos. No caso, a denúncia de contratos superfaturados e cobrança de propinas em benefício do PR que Nascimento preside e que controlava a pasta. Dedo em riste, conforme a expressão corporal dos injustiçados, o notório político amazonense se disse "julgado e condenado sem que pudesse me defender" e acusou a presidente Dilma Rousseff de não lhe ter dado o apoio que prometera quando rebentou a crise.

Aproveitou para assinalar que estava licenciado do Ministério, no ano eleitoral de 2010, quando, na gestão do secretário executivo (e atual titular) Paulo Passos, os gastos do PAC no setor saltaram de R$ 58 bilhões para R$ 72 bilhões. Ao voltar ao cargo, teria informado a presidente do que escolheu chamar de "descontrole". Mas não foi pela dupla insinuação - contra o substituto e sobre o eventual elo entre a campanha presidencial e o "descontrole" - que ele ganhou as manchetes. Foi graças ao achado de criar uma versão particular da canção de Waldick Soriano Eu não sou cachorro, não.
Reagindo com o necessário ardor à faxina empreendida por Dilma nos Transportes, que até o começo da semana já derrubara 27 servidores da área, exclamou: "Eu não sou lixo, meu partido não é lixo, nós somos homens honrados".

O PR está representado no Congresso Nacional por 47 políticos assim qualificados. Pouco depois da fala de Nascimento, os 7 com assento no Senado, decerto para fazer jus à designação, anunciaram o seu desligamento do bloco que faz parte da maioria governista na Casa, integrado pelo PT, PSB, PC do B, PRB e PDT, e liderado pelo petista Humberto Costa. No mesmo tom de ira justa do titular da legenda, o seu líder no Senado, o exuberante Magno Malta, atribuiu a saída do bloco à "execração pública de inocentes que estão sendo arrastados para o esgoto porque alguns estão se fazendo de paladinos da moralidade". Mas, na mesma veia republicana do nome da agremiação, anunciou que "daremos apenas apoio crítico" ao governo.

Ou seja, o preço aumentou. E, além disso, se bem se entendem as palavras do seu colega Blairo Maggi - "Daqui para a frente deixa-se livre quem tem mais afinidade com a matéria" -, cada membro da confraria dos homens honrados terá liberdade de praticar o preço que lhe convier. Como diria o velho Marx, "a cada um segundo as suas necessidades". Rememoram-se os melhores momentos da jornada republicana da segunda-feira porque contêm os ingredientes dessa geleia indigesta que a presidente da República não podia ignorar que lhe seria servida se desse certo o plano do patrono Lula de fazê-la sua sucessora.

Ao longo de julho, ela conquistou a opinião pública com a sua pronta resposta às denúncias da esbórnia nos Transportes. Mas até os companheiros - se não o próprio Lula, de viva voz - já a advertiram para a inconveniência de ser a palmatória do mundo político de que depende. É o que parece explicar a sua decisão de não mais se pautar "por medidas midiáticas" em face da corrupção. Ministros na berlinda devem se explicar no Congresso. Foi o que tocou ao titular peemedebista da Agricultura, Wagner Rossi, ligado ao vice-presidente Michel Temer. Depois de perder a boca na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) por autorizar um pagamento indevido, Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, também do PMDB, acusou Rossi de ser mais corrupto que o pessoal dos Transportes.

No dia em que Nascimento roubou a cena no Senado, a caciquia da legenda decidiu que o problema dos Jucás não era político, porém familiar, e que não há problema algum com Rossi. Como prova de que os costumes da política brasileira não correm perigo de melhorar, o registro se completa com a reflexão do presidente do Senado, José Sarney, sobre o episódio. "Parentes no governo", ensinou, "sempre criam problemas, ou para o governo, ou para o parente." Como se ele tivesse aprendido essa verdade olhando o entorno - e não por alentada experiência própria.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A PEDRA DO ABISMO




























A PEDRA DO ABISMO

O sal das lágrimas no caminho.
O mar estava próximo, com a noite em seu bojo.
A rosa desfolhada, as pétalas sangravam
entre as pedras.
Os pés sangravam.
Dói construir a cor da aurora.

O tempo vai e vem
como as ondas,
como um pêndulo.
A brasa do medo acesa no vazio
dos olhos.
Uma faca contra
o grito,
a que nem o eco responde.
O pássaro do silêncio cai morto no fundo do poço.

A lua dos mortos acena do alto.
É o vale do esqueleto,
o cemitério dos ratos brancos.
Caminho sobre o restolho
apodrecido.
Os meus pés afundam no barro ancestral.

Já nenhum resíduo
de herança:
marfim,
argola de ferro,
a ferrugem
e a pátina cinza.
O corpo de ninguém no recife das estrelas.
Uma pedra no meio do abismo do universo. 


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Veja os Campos de trigo de Gregório Vaz.


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Ver... pra crer - José Nilton Mariano Saraiva

Os que trafegam pelo litoral cearense certamente se depararão, em algumas das suas belas praias (Aquiraz, Mucuripe e Pecém, por exemplo) com aqueles enormes “cata-ventos”, de apenas três pás (hélices ou palhetas), fincados lá na parte mais alta das dunas. São as tais “centrais-eólio-elétricas”, produtoras da energia gerada pela força dos ventos (e que colocam o nosso Ceará no panteão de maior produtor nacional de tal espécie de força-motriz).
O que é difícil de observar, já que normalmente as vislumbramos de passagem, ao longe e em movimento (normalmente, de dentro do próprio carro), é a dimensão ou o tamanho da “coisa”.
Pois bem, ontem, durante a corriqueira caminhada matinal, vislumbramos três enormes carretas estacionadas no acostamento do final da Avenida Aguanambi/ começo da BR-116, na saída/entrada de Fortaleza; fomos lá conferir, já que realmente chamavam a atenção. Para se ter idéia do tamanho delas (na verdade, composta de apenas uma “boléia”, ou cabina do motorista, mas com vários “estrados” de carrocerias, conjugados), basta que se diga que cada uma tinha “APENAS” e tão somente 34 (trinta e quatro) pneus (daqueles enormes, quase do tamanho de uma pessoa mediana).
O mais substantivo, no entanto, capaz de deixar qualquer um boquiaberto (ou de queixo-caído), era a carga que cada uma transportava: as “pás” (hélices ou palhetas) dos tais “cata-ventos”: uma peça única, corrida (sem emendas ou sequer parafusada), medindo incríveis 45 (quarenta e cinco) metros de comprimento (correspondente à altura de um prédio de 15 andares, sim) por cerca de 02 a 03 metros de largura (na base), e cerca de 1,5 metros na sua parte final. Só vendo... pra crer (assustador, até).
Curioso, pedimos licença, nos identificamos e abordamos educadamente aquele que nos pareceu ser o chefe do grupo (e fomos muito bem recepcionados), quando tomamos conhecimento, também, que cada uma delas pesava “APENAS” e tão somente 10 (DEZ) TONELADAS (cada carreta carregava duas) e que a velocidade máxima do veículo, na estrada (num retão) atingia “incríveis” (???) 40 (quarenta) quilômetros por hora (imaginem numa subida). Estavam vindo de São Paulo (evidentemente que já há vários dias), se dirigiam para a cidade de João Câmara, no Rio Grande do Norte e contavam com uma escolta (lá presente) de quatro carros (de marca Fiat), conduzindo “seguranças” de uma empresa privada.
Agora, vocês, aí do outro lado da telinha, botem a imaginação pra funcionar: se cada uma dessas “pás” (hélices ou palhetas) tem esse tamanho e pesa esse absurdo (e nós vimos, ao vivo), e cada “cata-vento” recebe três delas (ou trinta toneladas) qual será o diâmetro e peso dessa “base de sustentação” em que serão instaladas, sabendo-se que sua altura é de 50 (cinqüenta) metros; imaginemos, também, o grau de dificuldade de se descarregar (como já o fora carregar) tal “brinquedo”, transportá-lo, tanto ao longo da estrada como lá pra parte mais alta de uma duna, içá-lo a 50 metros de altura e, finalmente, acoplá-lo à base (que tipo de guindaste se presta pra tal tipo de serviço e qual o “parafuso” capaz de sustentar ou agüentar o tranco ???); imaginemos, ainda, a força descomunal que deve ter o vento pra mover não só uma, mas três “geringonças” desse porte, a fim que o gerador seja acionado e a energia produzida; e, o mais importante, imaginemos qual o critério técnico usado para se determinar em que parte desse imenso Brasilzão tais tipos de projetos são viáveis (onde tem vento com força e constância capaz de), já que, além de toda uma logística de produção e transporte, e o conseqüente custo exorbitante, naturalmente há que se obedecer a rígidos critérios técnicos que não admitem falhas de avaliação e escolha do local a ser instalado.
E saibam, de quebra, que no Ceará se encontra não só a primeira “usina-eólio-elétrica” do mundo construída sobre dunas de areia, bem como a maior usina do gênero, da América Latina; a primeira, se acha instalada na Praia da Taíba, no município de São Gonçalo do Amarante (55 quilômetros de Fortaleza), e a segunda, na Prainha (em Aquiraz, 30 quilômetros da capital). Além delas, está em pleno funcionamento o Parque Eólico do Mucuripe, com os aerogeradores instalados na Praia Mansa, zona leste da Capital. Juntos, parque e “usinas-eólio-elétricas” do Estado produzem atualmente 17,4 Megawatts (no Brasil são 22,6 MW), sendo 2,4 Megawatts na Praia Mansa, 05 MW na central da Taíba e 10 MW na usina da Prainha.
Enfim, um lembrete: quando você passar por uma dessas gigantescas “usinas- eólio-elétricas”, não custa lembrar de que não se pode mudar um país de dimensões continentais, como o é o Brasil, de uma hora pra outra, ou da noite pro dia, ao toque de uma varinha de condão, antecedido da pronúncia de algumas palavras mágicas. A coisa não funciona assim. E que, inquestionavelmente, perdemos muito tempo, no passado, mas, no presente, estamos alicerçando as bases que nos tornarão, indubitavelmente, numa potência mundial, no futuro (este, mesmo ali, na esquina). Necessário, pois, o esforço de todos pra chegarmos lá.
E a energia, como se sabe, é a mola propulsora ou fator determinante pra que isso aconteça (mas aí teríamos que nos reportar ao Pré-sal, e o espaço não comporta).

Programa Cariri Encantado Sonoridades - 03/08/2011

Conexões musicais: João Gilberto & todas as bossas

João Gilberto nasceu em Juazeiro da Bahia em 10 de junho de 1934. Ele é a síntese da Bossa Nova com sua voz e seu violão inconfundíveis. Foi o maior influenciador de outros músicos que já apareceu na MPB, a exemplo de Chico Buarque e Caetano Veloso. Sem falar de quase todos os cantores, compositores e instrumentistas da primeira geração da Bossa Nova.

Com seu jeito tranquilo, aliado a um trabalho que faz questão de ser impecável, por onde ele passou criou histórias pitorescas. Ninguém entendia como algum artista poderia ser tão difícil quanto ele. É conhecida de todos a história do show em que ele dispensou a orquestra e exigiu que se desligasse o ar condicionado. Quem não entendeu o chamou de chato ou excêntrico. Só quem sabe o som que vem da música, o compreendeu.

João Gilberto é aquele que chamamos de Mago ou de Mito. Um dos poucos músicos que carregam o som em suas entranhas - não permitindo distorções, meras invencionices ou truques de estúdio. João percebe qualquer semitom fora de lugar, pois é um perfeccionista, um verdadeiro gênio musical.


Base do texto de Carô Murgel.

As músicas que irão tocar no programa

1. Eu vim da Bahia (Gilberto Gil)
2. Palpite infeliz (Noel Rosa)
3. Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), com Stan Getz e Astrud Gilberto
4. Besame mucho (Consuelo Velasquez)
5. Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida)
6. Corcovado (Tom Jobim) - com Stan Getz e Astrud Gilberto
7. Doralice (Dorival Caymmi e Almeida) - com Stan Getz
8. Desafinado (Tom Jobim e Newton Mendonça) - com Stan Getz
9. Pra machucar meu coração (Ary Barroso), com Stan Getz
10. Falsa Baiana (Geraldo Pereira)
11. Ave Maria do morro (Herivelto Martins)

Serviço
O programa Cariri Encantado Sonoridades é produzido pelas Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – OCA, e transmitido todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.
Pesquisa, redação e apresentação de Carlos Rafael Dias.
Operação de áudio de Iderval Silva.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Comentário importante.

Claude Bloc, boa tarde

Sou ativista do Garbo e fiquei muito feliz com a iniciativa da reunião na Fazenda Serra Verde, inclusive com a presença de representantes da família Boris. Infelizmente não pude participar do evento.

Sabemos da importância de divulgarmos a história desta fazenda, sobretudo pela sua influencia econômica e cultural na região do Cariri.

Pouca gente sabe da ligação da Fazenda Boris - como também é chamada -, com os fatos que ocorreram no Cariri durante o auge desta instituição agrícola, como exemplo: A Sedição do Juazeiro; A cantoria de Cego Aderaldo na casa do Coronel Botelho; O período que o beato José Lourenço viveu na Fazenda – a pedido do Padre Cícero.

Vivi minha infância nos sítios São Lourenço e Cacimbas. Conheço um pouco desse povo, sinto orgulho dessa vida sertaneja.

Agradeço de coração a família Bloc-Boris pela atenção com que recebeu o Grupo de Amigos Admiradores do Rei do Baião – Garbo.

 Pedro Cunha

FIM DE FÉRIAS - No Terraçus Bar e Petiscaria




Desfilando sucessos do rock das décadas de 60 a 90, as bandas "HOLYWOOD" e "REI BULLDOG" prometem festejar o final das férias no seu melhor estilo nessa sexta-feira, dia 5 de agosto, no TERRAÇUS BAR E PETISCARIA. A Holywood com o seu repertório voltado para as músicas que fizeram parte das trilhas sonoras dos comerciais do Cigarro Holywood e que já tem uma fantástica legião de fãs pelo Cariri afora, vai abrir a noitada. É a hora de esquentar o friozinho gostoso do sopé da Chapada do Araripe para ouvir as belas canções que a banda nos apresenta, para, em seguida, curtir o maravilhoso som da nova banda caririense que já conquistou o coração da moçada: a REI BULLDOG. Formada por roqueiros que veneram os Beatles, a banda cover dos garotos de Liverpool deverão completar a noitada, com sucessos inesquecíveis e muito som nessa noite que promete ser maravilhosa.

Atenção Beatlesmaníacos! Vamos viver esse fim de férias com toda a alegria e energia que essa noite de sexta-feira promete!

Vamos nessa Cariri!

INFORMAÇÕES:

SERTÃO POP PRODUÇÕES
KAIKA LUIZ
(88) 3521.5398 / 9666.9666 / 88242131

"O Mistério das 13 Portas"... no DN

Livro reúne ícones do Cariri

Publicado em 10 de julho de 2011

Diário do Nordeste


Lançamento do livro ofereceu uma identificação com o público infantil, envolvido com as tradições do lugar

Ilustrações da obra infantil "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica", de autoria do médico José Flávio Vieira, lançado na cidade do Crato

Obra infantil aborda tradições e histórias que povoaram a região, enfatizada por apresentar-se em áudio

Crato. Lançado, nesta cidade, o livro "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica", de autoria do médico José Flávio Vieira, com Ilustrações de Reginaldo Farias. A solenidade de lançamento aconteceu no Cine Teatro Salviano Arraes, antigo Cine Moderno, localizado no calçadão da Rua Bárbara de Alencar.

O livro, engenhosamente, faz uma tessitura dos mitos caririenses e acompanha um CD com 15 Músicas e um Áudio-Livro com a exposição da história. A narração do livro na voz de Luiz Carlos Salatiel é destinada a deficientes visuais, justifica o autor, destacando que é o primeiro livro cearense com áudio.

O projeto foi vencedor do I Prêmio Rachel de Queiroz da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult). Na oportunidade, foi promovido um show com a presença de vários músicos e compositores cearenses que participaram do projeto, entre os quais Luiz Carlos Salatiel, Lifanco, Ibbertson Nobre, Luiz Fidelis, Pachelly Jamacaru, Amélia Coelho, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, João do Crato, Leninha Linard, Abidoral Jamacaru, Fatinha Gomes, André Saraiva, Elisa Moura, João Neto, Bonifácio Salvador, Rodrigo e o Coral Mensageiros de Cristo.

Alusão

Zé Flávio faz questão de dizer que a produção contou com a participação de mais de 60 pessoas que deram sua colaboração, a partir de sua neta, Thais, de 13 anos de idade, que leu o livro com o objetivo de indicar se o texto estava à altura do público infantil. Com base nesta leitura, o autor teve que fazer algumas correções antes de liberar o trabalho para impressão.

A obra destinada ao público infantil trata de um Reino Encantado com o nome de Aimará, localizado no pé de uma serra, com árvores grandes e frondosas, cercado de fontes perenes que banhavam o vale. Ali, nasciam flores e cresciam muitas fruteiras. Era o paraíso dos pássaros, entre eles uma ave especial que era o guardiã do Reino e se chamava Soldadinho. Aimará era governada pelo Rei Tristão e a Rainha Bárbara. Com tantas fruteiras e caças, os habitantes não precisavam trabalhar muito. O Reino criado pelo autor é uma alusão à região do Cariri.

Ao lado, havia outro Reino com o nome de "Trono do Altar", governado pelo Rei Joaquim que, ao contrário do Rei Tristão, era guerreiro, perverso e invejoso. Terminou invadindo o Reino de Aimará. Com o tempo, o Reino foi destruído em consequência do pipoco da pedra da Batateira que inundou a região. Os sobreviventes se refugiaram na serra do Horto, onde se encontra a estátua do Padre Cícero, fundador de Juazeiro.

Ao longo da história, o autor lembra as lendas que povoam o imaginário popular do Cariri. Entre elas, uma baleia que morava embaixo da Igreja da Sé, o boi misterioso, a cobra da lagoa encantada, a pedra de Nova Olinda e outras crendices que construíram e povoaram o mundo do Cariri encantado. No trajeto místico em busca de decifrar o mistério que envolveu a destruição do Reino, o autor denuncia os crimes ambientais, o progresso avassalador e a ganância do homem. Por fim, depois de uma longa caminhada, um dos personagens encontra as 13 portas do Castelo Encantado, que são representadas por 13 mitos que escreveram com o seu jeito de ser a história do Cariri.

Maldição

Uma história construída por gente simples como Canena, uma mulher que vendia tapioca com fígado no Crato antigo. Tandô, um moreno metido a cangaceiro que carregava na cartucheira, ao invés de balas, fragrâncias dos mais diversos perfumes silvestres do Reino.

O Rei da Serra, um ermitão que fez da floresta do Araripe a sua morada e única propriedade. Capela, um travesti valente que se tornou o defensor dos injustiçados. Vicente Finim, o filho ingrato que, por maldição da mãe, virava lobisomem nas noites de lua cheia. Maria Caboré, uma serviçal que morreu de peste bubônica, enquanto tratava dos pais. O Príncipe Ribamar da Beira Fresca, que inventou uma fábrica de descaroçar fumaça. Noventa, um chapeado, um profeta que foi alfabetizado enquanto trabalhava. Zé Bedeu, um boêmio que fez das praças do Crato o seu lar. Padre Verdeixa, um missionário irreverente que arranjava um pé-de-briga por onde passava. Zé de Matos, um poeta que vagava, fazendo poesias nas feiras do Crato. O Beato Zé Lourenço, um líder espiritual que foi perseguido pelos poderosos e Jeferson da Franca Alencar, o ecologista que conseguiu salvar alguma coisa do Reio Encantado.

Identidade

O autor justifica que a história de uma região nem sempre é escrita por nobres. Estes mitos que alimentam conversas de mesas de bares, nos alpendres das fazendas e nos terreiros das casas sertanejas são os verdadeiros símbolos da identidade da Nação Cariri.

Com estes personagens, mitos e crendices, o médio José Flávio com a ajuda de músicos e intérpretes regionais, consegue transformar um elenco de lendas numa denúncia contra a devastação da natureza, alimentada pela ignorância de muitos, pela ganância especulativa ou pela cegueira política.

MAIS INFORMAÇÕES
Secretária de Cultura, Esporte e Juventude do Crato
Centro Cultural do Araripe
Telefone: (88) 3523.2365


ANTONIO VICELMO
Repórter

Cusco


Quando viajamos empreendemos sempre duas viagens. Uma nos afasta geograficamente do lugar onde habitamos e o deslocamento nos transporta, magicamente, para paragens desconhecidas, para novos costumes, novas línguas, novas culturas. Simultaneamente, fazemos uma excursão por nossas trilhas internas percebendo a existência de novas verdades, novos modos de sentir o mundo , outras formas de conviver com miragem estonteante da vida. Viajar de alguma maneira nos completa e , quando retornamos, é como se trouxéssemos as gavetas da alma rearrumadas, os armários do espírito com cada coisa reposta no seu devido lugar. Talvez, por isso mesmo, é que a ida seja tão prazerosa quanto a volta, como se o ir e o vir fossem, exatamente, os cíclicos movimentos de um mesmo pêndulo.

Senti exatamente isso quando visitei o Peru nestas férias. Foi como se voltasse para casa. A desértica paisagem do sul peruano, com sua pluviosidade rara e eventual, fez-me imergir novamente no Nordeste brasileiro, como se daqui nunca tivesse me ausentado. A placidez do humilde povo do Peru se assemelha enormemente à resignação do nordestino frente às adversidades climáticas e sociais. As roupas de cores vivíssimas e alegres, a música farta e escorreita que fluem das flautas fazem-se um contraponto à aridez da paisagem, às intempéries da natureza. Não tão diferente das vestimentas estampadas nas roupas do nosso povo mais simples, de forte influência afro. O peruano, no entanto, é profundamente orgulhoso da sua cultura e do seu país no que difere cabalmente do povo brasileiro, que ainda carrega consigo, mesmo nos tempos atuais, aquele complexo de cão rabugento, de raposa hidrofóbica.

Perambulando pelas ruínas do Império Inca em Paracas, Nazca e Cusco tem-se à nossa frente o filme da destruição de uma das mais avançadas culturas dos Séculos XII ao XV pela ganância do Colonialismo Espanhol, bem mais predatório do que o Português em terras de Pindorama. Os Incas que no seu auge ocupavam um território gigantesco de mais de 1.800.000 Km2, englobando o Peru, o Equador, a Bolívia, o Chile, Colômbia e norte da Argentina, foram dominados, estranhamente, por algumas caravelas espanholas com pouco mais de 200 soldados. Como terá sido possível ? A pólvora? A guerra biológica ? Quem sabe a ingenuidade Inca em acolher o satanás no seio do seu povo, como se enviado de Deus. O certo é que a Espanha perpetrou um dos maiores crimes da história da humanidade em nome da sua ganância incontrolável.

Os jesuítas chegaram com os espanhóis e promoveram a devassa religiosa do Império Inca, destruindo os inúmeros templos e construindo suas igrejas justamente em cima dos antigos monumentos religiosos , boa parte das vezes utilizando as mesmas pedras que estruturavam as paredes antigas. Os próprios Incas já tinham anteriormente procedido de forma igual com as culturas pré-incas. É que os deuses , amigos, são tão mortais como nós humanos. Onde hoje se encontram os poderosos deuses de outrora ? Zeus, Júpiter, Thor, Osíres , Viracocha, Inti ? “Estão todos dormindo, dormindo profundamente...” Que destino aguarda as sumidades do momento : Jeová, Buda, Maomé ?

Em meio as montanhas andinas, viajando pelo Vale Sagrado dos Incas, tem-se imediatamente uma imersão transcendental. Dos pícaros é quase que impossível olhar para baixo, acima tudo parece estranhamente familiar. Em quitchua, a língua oficial dos Incas, Cusco significa umbigo do mundo. Alguma coisa dá à luz dentro de nós quando visitamos a cidade. Bate-nos a solidão de Pachacuti, em Macchu Picchu, esperando candidamente a destruição final do sonho, pelas hostes inexoráveis do senhor Tempo.

J. Flávio Vieira

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ainda a "Exposição" - José Nilton Mariano Saraiva

Conhecemos o sensato e equilibrado Emerson Monteiro (embora sem uma maior proximidade, naquela ocasião) desde os bancos escolares, quando cursávamos o antigo “primário” no saudoso Grupo Dom Quintino, ainda ali onde é hoje, esquinas das ruas São Francisco e Monsenhor Esmeraldo, no bairro Pinto Madeira; depois, levados pelo colega comum José Newton Agostinho (outro “pedra noventa”), também militamos juntos numa espécie de clube de serviço (composto de adolescentes), de nome Interact Club, que ficou conhecido em razão dos seus integrantes saírem pelas ruas do Crato (do comércio aos bairros de gente com poder aquisitivo capaz de), à busca de donativos para distribuição com os menos favorecidos (portanto, já ali, aos 13, 14 anos, o Emerson mostrava sua preocupação com o “social”).
Depois, o Emerson Monteiro conseguiu aprovação no concurso do Banco do Brasil (BB) e de nossa parte fomos aprovados no do Banco do Nordeste (BNB) e, assim, cada um seguiu caminhos outros, desconhecidos, diferentes. Ficou, no entanto, a lembrança da sua inteligência, da sua sensatez, da firmeza das suas ações, do caráter retilíneo já definido, da sua preocupação com as “questões sociais”, de par com certa timidez (ainda hoje uma de suas características).
Muito tempo depois, já morando em Fortaleza e o Emerson de volta ao Crato, tomamos conhecimento, através de familiares, de um “azedo” artigo publicado no Jornal do Cariri, de autoria de um determinado advogado da cidade (que não nos conhece e o qual não conhecemos), no qual fomos citados mais de uma vez, de maneira um tanto quanto desrespeitosa; de imediato, resolvemos que não ficaríamos calados e, quando soubemos que o Emerson Monteiro era um dos diretores da publicação, imediatamente entramos em contato, via e-mail, solicitando o mesmo espaço, à mesma página, a fim de exercer o competente “direito de resposta”; como esperado, ele nos escancarou as portas e assim o texto de nossa lavra “Ao mestre, com carinho”, foi publicado na íntegra (o tal advogado preferiu não treplicar, ao constatar que não estava lidando com algum irresponsável).
O preâmbulo acima é só pra que nos reportemos sobre um recente artigo do Emerson Monteiro (“O parque de exposições de Crato”, veiculado nos blogs do Cariri) tratando da delicada e discutível “relocalização” do Parque de Exposições da cidade; ali, ao nos segredar que “...coça por dentro uma vontade de falar qualquer palavra de cidadão no quadro que se estabeleceu”, o nosso educado Emerson mostra-se visivelmente desconfortável, já que “...a querela estabelecida virou domínio público”; aproveita pra discorrer sobre o crescimento do evento, do caos do trânsito no período da festa, da judiação provocada pela selvageria das alturas do som ensurdecedor (pra humanos e animais, conforme o seu depoimento) e, alfim, sobre a formação de “...uma espécie de cabo de guerra entre os gestores do Município cratense e o Executivo estadual quanto ao jeito certo de resolver, daqui para adiante, onde funcionará o Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti”.
Como estivemos na cidade durante os últimos quatro dias do evento (e de conhecido, lamentavelmente, só encontramos o Pedro Esmeraldo), vamos abordar alguns “detalhes” que não constam do texto do Emerson: 1) há, sim, embora as partes não admitam, interesses “não tão republicanos” por trás de toda essa querela; 2) como o atual presidente do “grupo gestor”, responsável pela organização do evento, é “sogro” do atual Governador do Estado, não há a menor chance de alguém tomar-lhe o lugar (pelo menos enquanto o “genro” estiver dando as cartas; 3) como o Governador do Estado e o prefeito da cidade de há muito não falam o mesmo idioma, é notório o progressivo esvaziamento da nossa cidade (devidamente “escondido” por trás de uma farsa grotesca, a criação de uma tal Região Metropolitana do Cariri, maneira “legal” de direcionar os recursos e empreendimentos estaduais para uma única cidade da região); 4) embora haja espaço suficiente, sim, pra ampliar o atual “Parque de Exposição” (já que apenas 1/3 da sua área é usada/utilizada), bem como para a criação de largas vias de acesso em seu entorno, capazes de resolver de vez o problema da trafegabilidade, o desinteresse do governador do Estado em “bancar” tal idéia (ou projeto) parece ter a ver com a pretensão, externada publicamente pelo próprio querido “genro”, de adquirir – COINCIDENTEMENTE DE UM DOS COLEGAS INTEGRANTES DO TAL “GRUPO GESTOR”, uma enorme área, a preço exorbitante, distante da cidade e certamente de difícil acesso à população, para sediar o “novo” parque (mesmo que no “..Sítio Palmeiral, NAS BANDAS DOS BREJOS, entorno da Avenida do Contorno”, conforme assegura o Emerson).
No mais, seria bastante interessante e certamente esclarecedor se saber o “nome” (ou “nomes”) de quem patrocina e a quem se destina a polpuda “bilheteria” dos dois shows (“noite do brega” e “jovem guarda”) realizados no recinto do atual parque, antes do início oficial do evento, já que, não constando da programação oficial, só pode ter “particular” usufruindo da farra.
Um picolé de chocolate (recheado de morango), pra quem desvendar a charada.
FESTA NA FAZENDA SERRA VERDE EMBALA LEMBRANÇAS DE TEMPOS IMEMORIAIS
Por Claude Bloc
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A coisa foi meio improvisada e talvez por isso tenha dado certo. Desde os tempos imemoriais da Serra Verde, nada do gênero havia sido feito para ter tanta semelhança com as festas de Seu Hubert.
Naqueles tempos áureos de algodão e rapadura em abundância, era costume se fazer "sambas" na casa grande que era carinhosamente chamada de França Livre (denominação concebida por papai).  Manuel Dantas o "fiel escudeiro", fiscal da Fazenda, preparava as festas dando um novo colorido aos dias de férias que passávamos por ali.

Moagens à parte, a animação era grande. No terreiro da frente o chão era preparado para receber os dançarinos da noite: chão batido, molhado para evitar a poeira excessiva, latada de lona ou palha de coqueiro abrigando os bancos dos tocadores e em cada canto um cacho de riso para enfeitar a noite festiva.
À noite as estrelas disputavam o espetáculo e a lua brechava lá de cima, a alegria espalhada em cada rosto. Era realmente o auge dos auges. Um alegria que banhava a gente de felicidade.
Muitos anos se passaram desde então. Seu Hubert e Dona Janine foram passear em outras esferas. Seu Manuel Dantas e Dona Hermínia também foram se encontrar com eles lá em cima, mas, mesmo assim, deixaram plantado nos corações de seus descendentes um grande amor à Serra Verde e uma harmoniosa amizade entre todos.
Nesta feita, os Blocs Boris que estavam no Cariri resolveram se encontrar na fazenda com os Dantas. Filhos netos, sobrinhos, foram arrebanhados para animar o momento de festa. Levamos, em panelas, uma jantar sertanejo, bebidas ao gosto do freguês e muita garra e alegria para soltar pela casa relembrando os tempos de nossos pais.
A energia tomou posse de nossos passos. Luiz Dantas levou um sanfoneiro de Milagres (Seu Pedro) e toda a nossa força de reserva se fez valer. Manuel Dantas (filho) levou a brincadeira e a macaquice do pai. Dinha levou a emoção, a criatividade e a inteligência do Velho Mané... Foram anos de uma ausência total dessa convivência, dessa marca da amizade que ficou para sempre...
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Lula (proseando), Lorena e Alessandra (sentadas), Luis Neto (na janela) vieram de Fortaleza para conhecer o calor verdadeiro de uma amizade sincera. Na foto, dois Dantas por parte de Maria entraram no roda de causos. (Pitchuca e Junim).
O sanfoneiro Pedro, e seus contrapesos: o zabumbeiro bonequeiro e exigente e o rapaz do triângulo que substituia o sanfoneiro na hora do famoso mote: 
"o tocador quer beber!"
Na hora da dança, os Dantas estavam sempre na pista.
Na hora da brincadeira todos estavam nela (até o rapaz do cofrinho - risos)
Othon, Melo, Bloc, Dantas? Que diferença faz na hora da brincadeira?
Num momento de pausa, as amigas Dinha de Mané Danta, Claude de seu Hubert, e Iza de seu Valdimiro se abraçam e sorriem para o tempo:
o de hoje e o de ontem - unidos nesta festa.
Dinha e Luiz cantam as músicas de tanto tempo atrás. A emoção nessa hora é lágrima de alegria e saudade.
François Bloc sai do limbo da timidez e dança com Regina Bloc
Lula e Alessandra se encantam com a alegria e a simplicidade dessa gente.
Silvanira, Claude e Adriana tomam posse dos instrumentos.
Vocês já viram Bertrand dançando? Eu também não - mas ó aí, ó!!!!!!



Claude (dá uma pausa) - e libera um dedo de prosa com Nina
Mas Mundinha e Toim têm gás pra noite inteira...


Pensam que a festa acabou aí? Depois tem mais!!!
(Para uma melhor visualização, clique nas fotos para vê-las em tamanho maior)
Claude Bloc

Crônicas cangaceiras - Emerson Monteiro


Em dias recentes, com satisfação recebi o livro Cariri: cangaço, coiteiros e adjacências, de Napoleão Tavares Neves, publicado pela Thesaurus Editora, de Brasília DF, em 2010. Sob o ordenamento das memórias recolhidas de suas observações e escutas, Dr. Napoleão descreve as presenças do cangaço na região do Cariri cearense e entorno através de crônicas bem narradas, fotografias primorosas de um passado que ainda perdura no seio desta humanidade, inclusive nos interiores sertanejos.

Capítulo a capítulo, vemos desfilar episódios marcantes que nutriram as histórias repassadas dos ancestrais da primeira metade do século XX, nas salas, varadas e bagaceiras de sítios e engenhos, dotes imorredores daquilo que praticaram coronéis, polícias e cangaceiros, desfilar de casos que apavoraram o imaginário social antes de chegar o tão propalado desenvolvimento da indústria moderna.

Enquanto escorrem das letras filmes desse acervo de rifles e punhais dos tempos em sobressalto, nas maldades dos Marcelinos, de Sabino, Antônio Silvino, Lampião, cenas horripilantes de crimes impunes dos dois lados do feudalismo em decadência, transcorria também a história do mesmo homem e das dimensões trágicas que carrega consigo na busca da perfeição.

Quando criança, ouvia, na escola, apenas o lado romântico das vitórias, nos acontecimentos históricos. Esse aspecto escabroso de cores amargas pouco aparecia na movimentação das tropas e dos confrontos. Achava até que o pior restava só na memória. No entanto ainda se anda longe dos dias de paz plena.

As versões escutadas pelo autor barbalhense, ora transmitidas através dessa obra literária que leio, atende às necessidades do conhecimento de assuntos ocorridos aqui por perto, lugares conhecido no desfilar dos calendários. As marcas cruéis da violência campeavam nas quebradas das serras, no meio dos marmeleiros das campinas esturricadas, nos brejos. Tiros, incêndios, cavalgadas, talhes de facões, medo, destruição, em época de ninguém obedecer aos ditames da Lei nas ações, fosse qual banda fosse que a executasse, casos típico dos fuzilados do Leitão, nos arredores de Barbalha, e do fogo das Guaribas, em Brejo Santo, para executar Chico Chicote.

Esse tropel de cenas guardadas pelo escritor transmite com maestria o panorama daquela fase rude que parece não ter fim diante das injustiças que pouco mudaram nos dias de hoje. A diferença mais forte, porém, é que as histórias tristes deixaram de ocupar as conversas noturnas das varandas brejeiras de sítios e fazendas, e repontam frescas na guerra aberta de extermínio a plena luz do dia nos programas televisivos dos horários de almoço da atualidade cangaceira.

Pérola nos bastidores - Por Aloísio


Saudade precisa de tempo
Saudade de coisa à toa
Saudade a qualquer momento
Lembranças de coisas boas...

Aloísio

domingo, 31 de julho de 2011

A SETA DA ESTRADA - Marcos Barreto de Melo

Inerte na encruzilhada
Apontando o caminho
Mas, sem mostrar o espinho
Que trazia em sua ponta
De plantão por todo o dia
Exposta ao sol e ao calor
Roubando a nossa alegria
Sem com nada se importar
Sempre pronta a indicar
Uma morada, uma dor


Aqueles que não lhe viram
Pelas estradas se perderam
Mas, quem viu a seta e seguiu
Comigo também chorou
Por certo que ainda viu
Resquícios de um tempo alegre
Que tão cedo se perdera
Sentiu a falta do abraço
De quem teimou em viver
Apenas com o que restou


MARCOS BARRETO DE MELO

"Perdidos no espaço" - José Nilton Mariano Saraiva

Tanto quanto a inquestionabilidade que o avião é o meio de transporte mais rápido e seguro do mundo, existe agora a apavorante comprovação (vide diálogo abaixo) de que na operacionalização dos seus comandos (mesmo nos portentosos e luxuosos vôos transcontinentais) às vezes se encontram pessoas flagrantemente despreparadas para lidar com situações de emergência, não convencionais, ou que ultrapassam os ditames manualísticos.
È o que lamentavelmente constatamos ao tomar conhecimento do relatório dado a conhecer nessa sexta-feira (29) pelo BEA, órgão do governo francês que investiga o acidente com o vôo 447, da Air France, contendo a transcrição das caixas-pretas, onde nos é revelada a tensão na cabine do avião nos minutos finais que antecederam a tragédia.
Tal qual cego em tiroteio, na conversa os dois co-pilotos (Bonin e Robert) e o comandante (Dubois) DISCUTEM POR NÃO SABEREM COM PRECISÃO SE O AVIÃO SUBIA OU DESCIA ( INCRÍVEL, NÃO ??? ). Veja, abaixo, a íntegra da conversa na cabine:
23h 10min 51 - Alarme de estol (ou perda de sustentação) - 54 seg;
23h 10min 56 - Bonin: TO/GA (aceleração máxima);
23h 11min 00 – Robert: Tente tocar o menos possível nos comandos laterais;
23h 11min 03 – Bonin: Eu estou em TO/GA (aceleração máxima);
23h 11min 06 – Robert: Ele vem ou não ?
23h 11min 21 – Robert: A gente tem ou não os motores, o que está acontecendo ?
23h 11min 32 – Bonin: Eu não tenho o controle do avião. Eu não tenho o controle;
23h 11min 38 – Robert: Vire à esquerda;
23h 11min 41 – Bonin: Tenho impressão que a gente conseguiu velocidade;
23h 11min 43 – (Barulho na porta da cabine);
23h 11min 43 – Dubois: O que é que vocês estão fazendo ?
23h 11min 45- Robert:O que está acontecendo? Eu não sei o que está acontecendo;
23h 11min 52 – Dubois: Então pega isso logo;
23h 11min 53 – Alarme de estol (ou perda de sustentação);
23h 11min 55 – Alarme de estol (ou perda de sustentação);
23h 11min 58 – Bonin: Tenho um problema; o variômetro não tá funcionando;
23h 11min 58 – Dubois: Ta certo;
23h 11min 59 – Bonin: Eu não tenho mais nenhum dado;
23h 12min 04 – Bonin: Tenho a impressão que estamos com uma velocidade louca, o que você acha ?
23h 12min 07 – Robert: Não sei, mas não solte;
23h 12min 08 – Alarme de estol (ou perda de sustentação);
23h 12min 10 – Alarme de estol (idem);
23h 12min 13 – Robert: O que você acha? O que você acha que devemos fazer?
23h 12min 15 – Dubois: Então não sei, está caindo;
23h 12min 19 – Bonin: Agora está bom, conseguimos estabilizar as asas;
23h 12min 19 – Dubois: As asas estão estabilizadas:
23h 12min 20 – Robert: Horizonte seguro;
23h 12min 26 – Robert: A velocidade ?
23h 12min 27 – Robert: Você está subindo;
23h 12min 27 – (Alarme de estol);
23h 12min 27 – Robert: Você está caindo, caindo, caindo:
23h 12min 30 – Bonin (co-piloto): MAS EU ESTOU CAINDO ?
23h 12min 30 – Robert (co-piloto): CAINDO;
23h 12min 32 – Dubois (comandante): VOCÊ ESTÃO SUBINDO;
23h 12min 33 – Bonin: Estou subindo ? Ok, vou descer;
23h 12min 34 – (Alarme de estol);
23h 12min 39 – Bonin: Ok, estamos em TO/GA (aceleração máxima);
23h 12min 40 – (Alarme de estol – 6 seg);
23h 12min 42 – Bonin: A GENTE SUBIU OU O QUÊ ?
23h 12min 44 – Dubois: Não é possível;
23h 12min 45 – Bonin: A GENTE SUBIU OU O QUÊ ?
23h 12min 45 – Robert: Qual é nossa altitude ?
23h 12min 46 – Bonin: UÉ, EU ESTOU CAINDO OU NÃO ?
23h 12min 46 – Robert: Agora você está caindo;
23h 12min 46 – Dubois: Anh, coloque as asas na horizontal;
23h 12min 46 – Robert: Coloque as asas na horizontal;
23h 12min 47 – Bonin: É o que estou tentando fazer;
23h 12min 47 – Dubois: Coloque as asas na horizontal;
23h 12min 49 – (Alarme de estol – 8 seg);
23h 12min 59 – Bonin: Eu estou tentando virar o máximo à esquerda;
23h 12min 59 – Dubois: O pedal;
23h 13min25 - Bonin: O que será que está acontecendo que o avião continua caindo?
23h 13min 28 – Robert: Tente ver o que você consegue fazer com seus comandos lá em cima, os básicos, etc;
23h 13min 32 – Bonin: No nível 100;
23h 13 min 36 – Bonin: 9.000 pés;
23h 13min 32 – Dubois: Acelere devagar;
23h 13min 39 – Robert: Sobe, sobe, sobe, sobe;
23h 13min 40 – Bonin: Mas estou subindo muito há algum tempo:
23h 13min 40 – Dubois: Não, não, não, não sobe;
23h 13min 40 – Robert: Agora caindo;
23h 13min 45 – Robert: Então me dê os comandos, me dê os comandos;
23h 13min 45 – Bonin: Vai lá, você tem os comandos. Ainda estamos em TO/GA;
23h 13min 55 – (Alarme de estol – 8 seg);
23h 14min 05 – Dubois: Atenção, você está subindo;
23h 14min 06 – Robert: Estou subindo ?
23h 14min 06 – Bonin: Bem, é isso que precisamos, acho que estamos a 4.000 pés;
23h 14min 17 – Alarme “pull up” (três vezes);
23h 14min 18 – Dubois: Vamos lá, vai;
23h 14min 21 – Bonin: Vamos lá, vai, vai, vai, vai;
23h 14min 21 – Alarme “pull up” (quatro vezes);
23h 14min 26 – Dubois: Dez graus de subida;
23h 14min 28 – Fim dos registros.

Palestra sobre a política externa contemporânea dos EUA


Pelo Prof. Virgílio Arraes
(Catedrático de História da Universidade de Brasília - UNB)

Dia 1 de agosto de 2011 (próxima segunda-feira), as 19 horas
No Salão de Atos da URCA (Campus do Pimenta, Crato)

Promoção: Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA

Breve currículo do palestrante - O professor Virgílio Caixeta Arraes é graduado em história pela UNB, com mestrado e doutorado na mesma universidade. Tem título de doutor, obtido em 2005, com a tese "Relações internacionais da Santa Sé: da fragilidade à busca de autonomia". É especialista em Relações Internacionais contemporâneas e política externa do Brasil. Foi consultor do Exército Brasileiro no estudo prospectivo "Construção de cenários para o ano 2.030” e assessor de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, em 2006 e 2007. É consultor do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Possui 103 trabalhos publicados em revistas especializadas, 155 matérias veiculadas em jornais e periódicos e cinco livros publicados. Foi orientador de várias teses de mestrado e cinco de doutorado na UNB.




Fim do dia - Por José de Arimatéa dos Santos

Foto: José de Arimatéa dos Santos
O sol vai descansar
E a noite começa a cair na cidade
Lá no horizonte ainda poucas luzes
De mais um dia tão produtivo
Teimam em colorir o céu
Assim também é nossa vida
A alegria está presente em tudo
Basta cada ser humano saber encontrá-la
Não tem coisa melhor da nossa existência
Se não viver e conviver em alegria...
E felicidade!

sábado, 30 de julho de 2011

Depois do PR–Partido da República, agora é a vez do PP–Partido Progressista




Excertos de matéria da revista Istoé, que circula hoje.

(Postado por Armando Rafael)
PP tem esquema de corrupção no Ministério das Cidades, diz revista
Segundo reportagem da 'IstoÉ', políticos favoreciam empreiteiras que contribuíram com campanhas eleitorais do partido no ano passado
O tesoureiro do Partido Progressista (PP), Leodegar Tiscoski, e outros executivos ligados ao partido liberavam recursos para obras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU), algumas delas com recomendação de "retenção dos pagamentos", segundo reportagem da edição desta semana da revista IstoÉ.
A reportagem afirma que, dos gabinetes do Ministério das Cidades, comandado pelo PP, os políticos favoreciam empreiteiras que contribuíram financeiramente com campanhas eleitorais do partido no ano passado.
Segundo a revista, Tiscoski é secretário de saneamento do ministério desde 2007 e no ano passado atuou também na função de tesoureiro nacional do PP. Documentos do Tribunal Superior Eleitoral mostram que, em dezembro de 2010, Tiscoski assinou a prestação de contas do partido. Ele afirmou à revista que não assina mais cheques ou ordens bancárias como tesoureiro, mas admitiu que "encaminhou" a prestação de contas ao Tribunal. O PP informou que as finanças do partido estão a cargo do primeiro tesoureiro, o ex-deputado Feu Rosa, que, segundo a revista, é assessor especial da pasta, cuidando do relacionamento do ministério com o Congresso.
A reportagem diz que as empreiteiras contribuíram oficialmente com R$ 15 milhões nas campanhas do PP em 2010, sendo a maior parte (R$ 8,7 milhões) na forma de doações ocultas. "Isso significa que o dinheiro foi para a conta do partido, durante a campanha eleitoral, e imediatamente distribuído entre seus candidatos", diz a publicação. A revista afirma que três grandes construtoras, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, repassaram legalmente um total de R$ 7,5 milhões para as campanhas do PP.
Entre as obras com suspeitas apontadas pela reportagem e questionadas pelo TCU estão às relacionadas aos trens urbanos de Salvador (BA), a cargo da Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez; aos trens urbanos de Fortaleza (CE), sob responsabilidade da Camargo Corrêa e Queiróz Galvão; à implementação da linha 3 do metrô do Rio de Janeiro, tocada pela Queiroz Galvão e Carioca Christiani-Nielsen; e o complexo viário Baquirivu-Guarulhos, em São Paulo, a cargo da construtora OAS.
Segundo a IstoÉ, apesar das investigações e dos alertas de irregularidades emitidos pelo TCU, os responsáveis pelo Ministério das Cidades liberaram recursos para essas obras no crédito suplementar que reforçou as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em julho do ano passado.
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Sem tempo...
Claude Bloc




Andei com o tempo sem tempo
Andei com o tempo vazio
À tarde não tinha tempo
À noite sentia frio
De vocês senti saudade
Saudade é meu desafio...
Claude Bloc

Pérola dos Bastidores - Aloísio X Claude Bloc

A- Um sorriso
C- Um gesto
A- Um querer
C- Um manifesto

A- É preciso
C- É precioso
A- Pra viver
C- Pra sobrevi
ver!

A- Aloísio
C- Claude Bloc