Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Digníssimo Povo do Crato - Por Helder Macário


Eu não sou filho do Crato, mas considero-me tão cratense quanto os que aqui nasceram.

Não sou político, nem candidato, mas gostaria de lhes falar um pouco sobre política.

Tampouco sou escritor, mas gostaria de escrevendo, lhes dizer algo que, considero de suma importância para todos nós.

Meus amigos e amigas – acho e, com certeza, muitos também acharão que o nosso município já teve em sua já um tanto longa existência, momentos de glória, momentos históricos, momentos outros quando éramos considerados referência em educação, em saúde, em cultura, em comércio, enfim, em muitas e importantes atividades. Já fomos um município que dominou uma vasta região, que já contou com fortes lideranças políticas, tinha deputado estadual, federal e até senador nós já tivemos, teve força política, poder, prestígio, influência e autonomia e, por isso, teve condições de conseguir junto aos governos o tudo que precisava e queria. Dispunha, realmente de tudo e aparecia no topo, às vistas dos governos e isto porque um município só é bem visto pelos governos quando dispõe de tudo o que o Crato dispunha: força política, poder, autonomia e por isso, muito prestígio e influência.

Que governo irá prestigiar um município que não tenha suas lideranças, seus próprios deputados, que não tenha união, nem autonomia e por isso não terá também força política? Realmente nenhum! Pois foi exatamente quando o Crato deixou de eleger os seus próprios deputados, votando em candidatos de outros lugares que começamos a cair, a perder prestígio, chegando ao ponto de não termos quem “levante uma palha” por nós, quem dê “uma mãozinha” sequer, ao prefeito para que, pelo menos, resolvamos problemas urgentes e simples, imaginem os grandes ou os que nos tragam benefícios, sejam quais forem.

Sim porque aqueles em que votamos não tem o mínimo interesse por nós, desejam mesmo é que o Crato se esvazie cada vez mais, se torne, por completo, dependente de outras plagas e deles mesmos que, naturais de outros lugares, aqui encontraram guarida, receberam o respaldo que precisavam, em votos, que lhes deram poder e prestígio, utilizados, não a nosso favor, mas ás vezes, contra nós, como é o caso atual, quando alguém quer nos presentear com algo que, dizem, de grande benefício mas que, ao invés de benefício nos trará literalmente o sobejo, as migalhas, os restos, o lixão dos outros municípios do Cariri, verdadeiro “presente de grego.”

Nenhum cratense de sã consciência deixará de se indignar por isso e eu lhes pergunto: qual daqueles candidatos aqui votados já se empenhou em conseguir, para nós algum benefício? Qual deles, por exemplo, se empenhou na luta pela vinda da Universidade Federal para o Crato? Qual deles teve interesse em nos defender, quando daqui tiraram tantos órgãos importantes, há muito aqui instalados? Qual deles interferiu na resolução do gravíssimo problema do nosso canal do Rio Granjeiro? Em qual deles deveremos confiar quando falam em retirar a nossa Exposição do seu parque atual? Qual deles já agradeceu pelos votos que aqui receberam? Qual deles ainda merece o nosso voto? Qual deles merece o nosso respeito? Sinceramente, eu acho que nenhum. Mas existe um ponto que precisa ser considerado. É que eles aqui gastaram dinheiro, algum cratense negociou votos e se os candidatos pagaram, não restou nenhum compromisso. Então, não deveríamos mesmo esperar nada deles. Eles pagaram os votos ou em dinheiro ou em favores para alguém e em contrapartida não nos trouxeram o que atenderia ao município e seu povo, de maneira geral.

Temos que ter consciência e pensar, que votar em candidato de fora, nesses que compram votos, é votar contra o Crato, é votar contra nós mesmos, é, antes de tudo um contra-senso.

Então, em quem votaremos para deputados nas próximas eleições? Não é nada fácil responder a esta pergunta, por algumas razões: uma é que os políticos andam mesmo em muito baixa cotação, outra, é que nós não contamos realmente com nomes fortes que possam ser apontados como candidatos a deputado estadual e federal ou porque, desde muito tempo ninguém preparou-se suficientemente para isso ou porque não houve interesse por alguém que tivesse condições ou porque tal interesse foi prejudicado (este foi o caso do nosso amigo e conterrâneo Valberto) pelo interesse de alguém que só desejava ver o Crato dependente ou ainda e isto é muito importante, porque não tivemos consciência de que teremos que fazer valer a nossa autonomia.

Aliás, povo do Crato, onde anda a nossa autonomia? Precisamos tê-la de volta, precisamos, nós mesmos, resolver os nossos problemas domésticos, precisamos, nós mesmos, tomar as nossas decisões, precisamos, nós mesmos, escolher os nossos candidatos, sejam a prefeito ou deputados e, estes, que sejam pessoas do nosso meio, pessoas sérias, dignas, honestas, capazes, prudentes, empreendedoras, que conheçam os nossos problemas e anseios, comprometidas com o nosso município, em quem reconheçamos sinceridade nos pronunciamentos e atitudes. Nunca pessoas que, com dinheiro ou demagogia tentem ludibriar a consciência dos mais ingênuos, pessoas impostas por quem quer que seja, que nos sejam colocadas de “goela abaixo” como se fossem purgante, no que, de fato, eles sempre se tornam.

Teremos que tomar muito interesse pelas próximas eleições municipais, porque, além de estarmos elegendo pessoas que dirigirão os nossos destinos durante alguns anos, delas poderão depender medidas que venham solucionar, a meu ver, o maior problema do nosso município, que é o de não termos representantes legítimos, nem a nível estadual, nem federal, o que, diga-se de passagem, é uma grande vergonha.

Os deputados, são elos de ligação entre o prefeito e os governos, através deles que por sua vez são muito úteis aos interesses, tanto do governo estadual como do federal, inclusive permitindo a eles o poder da barganha, os prefeitos conseguem fazer as suas reivindicações. Então, se o município não conta com deputados legítimos ou em quem possa confiar, fica marcando passo, vendo a “carruagem passar” rumo a outros municípios que contem com seus representantes.

Ainda bem que surgem, às vezes, oportunidades de o governo e o próprio prefeito conseguirem algo, como por exemplo, o calçadão da Rua Dr. João Pessoa, e reforma das praças, a Escola Profissionalizante e a recuperação de parte do canal do Rio Granjeiro, que, por sinal, teria que ser uma obra de prioridade máxima, que estivesse pronta antes das primeiras enxurradas, os cratenses sabem por quê.

Se nós eleitores pensarmos bem, acabaremos concluindo que a nossa responsabilidade é muito grande, de nós depende a eleição de cada candidato, de nós, portanto, dependerá o nosso próprio destino e se a nós cabe tamanha responsabilidade, temos a obrigação e o dever de nos empenharmos de corpo e alma no processo.

No meu entender o ideal seria participarmos com absoluta seriedade de uma união (A UNIÃO PELO CRATO) que seria formada entre nós eleitores mas, também, antes e principalmente entre candidatos e lideranças partidárias que tomariam a frente de tudo, acolhendo a importante, necessária e indispensável participação de todos os segmentos da sociedade, esquecendo questões de qualquer ordem em favor do propósito de ser formado um grande grupo que, marchando junto e forte, indicaria, já nas próximas eleições municipais, o nome do candidato a prefeito, aliás, já estão surgindo nomes, alguns muito bons, realmente. Juntos a este o nome do vice-prefeito e vereadores, nomes estes que seriam ratificados por nós, eleitores, nas eleições e depois, na eleição seguinte, para deputados se procederia da mesma maneira com relação a deputado estadual e federal para, então, o grupo e nós cratenses, cheios de confiança e otimismo, termos aquela força política, há algum tempo perdida, finalmente renovada, o que nos daria poder, prestígio, influência e por isso, nos daria condições para conseguirmos junto aos governos o tudo que precisamos e queremos, aquilo que hoje não conseguimos, exatamente porque, desorientados, sem a devida união, sem a mínima noção de dimensão da nossa responsabilidade, votamos em pessoas erradas para deputado, alheios a nosso municípios, a nossa gente e o pior, sem compromisso para conosco, daí porque, já deixamos de receber muito do que precisávamos, perdemos muito do que tínhamos e corremos o risco de perder ainda mais, inclusive a nossa Exposição, ela que ainda nos promove, criada pelo povo do Crato, orgulho para todos nós e muito ambicionada por outros municípios.

A quem falei sobre a idéia da união, quase todos foram unânimes em dizer que é muito difícil acontecer mas, seria o ideal e eu, o que possa até parecer um sonho, me arrisco a publicar, na esperança que algum outro sonhador como eu, concorde comigo, ache que nem tudo o que é difícil, é impossível de acontecer, principalmente, quando se trata de assunto tão importante e sério, que diz respeito ao futuro do nosso município, da nossa cidade, da nossa gente, que deverá ser tratado por pessoas de alto nível, a quem interessa também, e muito diretamente.

Realmente, temos que acordar, temos que encarar o grande problema que temos por não contar com representantes legítimos nem na Assembléia Legislativa, nem na Câmara Federal, com muita seriedade e a meu ver, mesmo que possa realmente parecer um sonho, só através da união teremos a solução e ela nos trará força política, com esta, o poder,  a influência e o prestígio para conseguirmos o que desejarmos e precisarmos.

Eu torço, então, para que os nossos líderes se entendam e façam do que tantos acham ser difícil, mas ideal, a grande “UNIÃO PELO CRATO”, uma realidade para o bem de todos.

 Sou o visionário que assina.

 Helder Macário.

Crato-CE, 27/09/2011.

Porque deixamos nosso partido

Pedro Esmeraldo

Porque somos democráticos e patriotas. Não desejamos usar acordos escusos. Não comungamos com os pensamentos negativos de seus dirigentes, visto que aceitam com passividade, sem reagir, o desgaste político do Crato.

Fiquem sabendo senhores, saímos de um partido porque nós, cratenses, não concordamos com as atitudes discriminatórias, visto que somos considerados “um município desprezado” pela corrente administrativa do Estado do Ceará. Com certeza empregam contra nós palavras amarguradas, como sendo uma cidade inexpressiva, isto é, fora da orla do poder executivo do Estado.

Antes, nunca pensamos que esses políticos fossem tão passivos assim, procuram nos acomodar num quadro sombrio, jogando-nos para o lado da discórdia, da intriga e do desprezo.

A maioria desses homens públicos contempla-se com o progresso de somente um município que desejem fortalecer, e apenas um, que é o município de Juazeiro do Norte. Os outros municípios que caiam na cesta do lixo.

Esperávamos que os filhos desta terra reagissem e empurrassem o barco para o caminho da concórdia e compreensão mútua. Precisamos criar coragem e ir em frente com o pensamento positivo, a fim de convencer as autoridades governamentais que todos os outros municípios merecem ser enaltecidos com obras avançadas através de uma tecnologia que satisfizesse o cidadão comum, galgando o píncaro da glória.

Infelizmente, a maioria desses políticos cratenses entrega facilmente os pontos. Não enxergam um palmo diante de seu nariz, só criam discordância entre si. Mesmo assim, há deles que tem um pouquinho de coragem de enfrentar o barco, mas caem numa traição fora do comum, já que, vêem-se homens perversos e egoístas impedindo o crescimento econômico do nosso município.

Vêm sempre nos procurar nos tempos de maré baixa, mas quando conseguem alguma coisa, dão com os burros n’água, fogem da terra e levam tudo para si.

Vejamos bem, não culpamos somente os políticos. A maioria do povo tem sua parcela de culpa, pois muitos dizem que votam em pessoas de fora porque estes deram-lhe apoio com facilidade e os da “terrinha” não têm dinheiro para gastar.

Por isso, estamos lutando para ver se mudamos a mente desse povo, que anda distorcida. Seria bom que todos nos ouvissem e compreendessem que, segundo o ditado popular, “ruim com eles, pior sem eles”.

Mas, depois de tanta luta, perguntamos aos imprudentes: que podemos fazer?, visto que esses ditos eleitores desvairados não nos trazem alegrias, apenas descontentamento, já que preferem entregar o barco ao município de Juazeiro do Norte, que não nos traz nada a não ser espinhos de mandacaru. Nós cratenses seremos enganados pela massa faminta e desconexa que só deseja nos empurrar o barco, com o fito de nos afundar nas águas revoltas do desespero.

Agora tornamos a perguntar: e o cratense permanecerá triste, desconcertado, esperando que algum dia apareça um superhomem que venha reagir e mude o nosso destino?

Autor: Pedro Esmeraldo

Encontro da SOBRAMES - Programação Hoje !


P R O G R A M A Ç Ã O



Sala J u a z e i r o



07 de outubro , 6ª. feira



09:30-10:15h – Palestra: “Bárbara de Alencar”


Presidente: Dr. José Maria Chaves


Palestrante: Dr. Geraldo Bezerra



10:15-11:00h – Palestra: “O ritmo na criação do soneto”


Presidente: Paulo Camelo (PE)


Palestrante: Prof. Lucarocas



11:00-12:00h - Palestra: “O Príncipe da Medicina”


Presidente: Dr. Francisco Tomaz Ribeiro Ramos


Palestrante: Dr. Vladimir Távora Fontoura Cruz



12:00-14:00h - Intervalo para o almoço



14:00-15:30h - Temas Livres


Presidente: Jorn. Vicente Alencar


Secretária: Jorna. Margarida Alencar



15:30-15:45h - Cafezinho



15:45-16:45h - Conferência: “Ritmo na Poesia”


Presidente: Dr. Walter Gomes de Miranda Filho


Conferencista: Dr. Paulo Camelo (PE)



16:45-17:45h – Temas Livres


Presidente: Dr. José Maria Chaves


Secretário: Dr. Luiz de Araújo Barbosa



20:00h - Conferência Magistral: “Mozart Cardoso de Alencar – Vida e Obra”


Presidente: Dr. Francisco Flavio Leitão de Carvalho


Conferencista: Dr. Gualter Alencar


Coquetel

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Porque Steve Jobs foi Genial - Por: DIhelson Mendonça



Steve Jobs não inventou o computador, decerto. Ele já havia sido inventado décadas antes, nos longínquos anos 40. Mas eram máquinas gigantescas que funcionavam apenas para as grandes corporações. Coube ao gênio singular de Jobs a tarefa de inventar as formas como o mundo moderno passou a funcionar, quando criou o primeiro computador pessoal portátil do mundo.


Poderíamos separar a história contemporânea em duas fases distintas, antes e depois de Steve Jobs ( AJ - DJ ). Jobs foi o cara que criou o primeiro computador estritamente direcionado para o POVO, revolucionando o mundo. O seu legado para a modernidade é incomensurável e acima de qualquer consideração trivial. Trabalhando em uma garagem com poucos sócios na década de 70, Jobs conseguiu quebrar a hegemonia da toda-poderosa IBM quando criou a primeira máquina portátil inteligente que o grande público era capaz de levar para casa, ligar a um TV qualquer e usar. Algo impensável para a época. Com isso ele iniciou uma revolução tecnológica que persiste até os dias de hoje, e mudou para sempre a forma como vemos o mundo.

Steve Jobs praticamente reinventou o computador. Ele fez o que ninguém antes havia feito. E não parou por aí; Seus inúmeros projetos posteriores, como o Imac, o Iphone, o iPod, e agora o iPad continuam mudando drasticamente a tecnologia da informação e com isso, a vida do ser humano no planeta. Porque outros não inventaram essas coisas antes dele ? - Muitos querem desmerecer a obra de Jobs, mas falar depois que algo é inventado, é sempre fácil. Difícil é criar algo novo, ou reinventar-se. Isso fez Steve Jobs durante toda a sua vida, e a sua grande paixão, a Apple.

Jobs não foi apenas um tecnólogo. Foi um verdadeiro artista da Informática. Perfeccionista ao extremo em cada detalhe dos seus projetos, queria sempre unir tecnologia à arte.

Sem ele, talvez alguém em um dado ponto da história poderia até ter criado um computador pessoal, décadas mais tarde, não se sabe, como também da mesma forma, alguém poderia ter inventado a lâmpada elétrica sem Thomas Edison, ou sem Einstein, a Teoria da Relatividade. Mas depois que Steve Jobs fez o que ninguém mais fez antes, qualquer um pode dizer que foi fácil.

Em 1988 eu mesmo participei e assisti com um amigo, da criação de um microprocessador para um computador pessoal que possuía 1Kbyte de memória, coisa grande para a época, mas nem de longe poderíamos comparar aquilo com o que a APPLE havia feito uma década atrás nos Estados Unidos. Portanto, a César o que é de César. Steve Jobs tem o mérito de ter trazido a público o primeiro computador portátil que realmente funcionou.

E se isso em si não for genial, não temos mais qualquer definição que possa caber nesse lugar. Salve grande Steve Jobs! Obrigado por todo o legado da informática que você nos deixou, que sem isso, nem estaríamos aqui agora escrevendo esta mensagem a fim de que milhares de pessoas possam ler, partilhar e interagir no conforto dos seus lares por todo o planeta! Isso não é Fantástico ? Que invenção maior para o mundo moderno poderia ser, além do computador pessoal ???

Por: Dihelson Mendonça

O Samba do Galego Doido

O Brasil tem um código de regras próprio que se foi solidificando com o passar dos anos e que, hoje, é praticamente impossível revogar. O costume do cachimbo terminou por entortar a boca do país. É como se, em pleno Século XXI , ainda folheássemos o Código de Hamurabi para solucionar as querelas do dia a dia. Basta observar os nossos políticos, todos afeitos a obras de fachada, onde possam dependurar o nome em alguma placa comemorativa e, com certeza, levar de quebra alguma comiçãozinha -- que ninguém é de ferro! Todos fogem de obras de saneamento, como o satanás da água benta. Que importância tem uma coisa enterrada, invisível aos olhos comuns da população? Que relevância tem isso, mesmo com todo benefício que traria à saúde da população, se não tem onde sapecar o nome e dar visibilidade ao trabalho realizado? Vade retro Belzebu ! Vamos asfaltar as ruas, mesmo com que o excrementos fluam, livremente, ladeira abaixo! Vamos reconstruir o Canal do Rio Grangeiro , sem qualquer interferência sanitária, para que corte toda a Cidade—residências, Escolas, Mercado Público--- como uma chaga aberta, exalando o mesmo cheiro que rescende da consciência da nossa classe política !

Estas disparidades são visíveis nas três esferas de Governo. Agora mesmo o Congresso Nacional se vê na premente necessidade de votar a Emenda 29 da Saúde que já bola pelo Planalto , de gaveta em gaveta, há mais de 20 anos. Esta Emenda é simplesmente imprescindível para minorar o terrível caos que é a Saúde brasileira. Ela determina com quanto deve arcar o Governo Federal, os Estados e Municípios com o financiamento do SUS. Criado há mais de duas décadas, com a brilhante perspectiva de dar uma Saúde Universal e Integral a todos os brasileiros, o SUS nunca pode se firmar por conta de sub-financiamento e vive assoberbado de denúncias contínuas em todos os meios de comunicação. Hoje, gastamos menos de R$ 2,00 por habitante / dia para proporcionar à população o que está garantido na Carta Magna. Já pensaram numa loucura dessas? Na hora de resolver o problema, no entanto, cadê o Congresso? Cadê a agilidade que se vê na hora de votar os próprios aumentos de salário ou as emendas de orçamento? Ou tiramos o SUS da inanição ou acabamos, definitivamente, com essa obra de ficção que é a Saúde Pública Brasileira.

Stanislaw Ponte Preta, nos anos 60, criou o “Samba do Crioulo Doido”. Pois bem, no Ceará, atualmente, entoamos o “Samba do Galego Doido”. Basta observar o atual governo para perceber que é pródigo em obras: Estádios construídos para a Copa, Hospitais Regionais, Escola Profissionalizante, Centro de Convenções, CEASA de Barbalha, Centro de Exposições de Sobral e projeto de mudança para o do Crato, apenas para citar alguns. Aparentemente o estado está nadando em dinheiro, acompanhando o boom no ritmo de crescimento brasileiro dos últimos anos. Pois bem, amigos, os professores estaduais estão em greve há mais de sessenta dias, em luta por salários minimamente dignos e até agora o que conseguiram foi serem massacrados pela polícia militar dentro da casa deles próprios : A Assembléia Legislativa. Mas a loucura não pára aí. Os professores estão na rua reivindicando o Piso Salarial que já foi determinado legalmente pelo Supremo Tribunal Federal. O governo do Ceará se nega a pagar. Isso não configura crime de responsabilidade ? Parece que não, meus amigos, porque, pasmem vocês, a Greve foi considerada pela justiça estadual, como ilegal. O juiz determinou multa diária aos que não retornarem ao trabalho e o governador ameaça abrir processo administrativo e demitir os grevistas que já foram esmurrados e esbofeteados dentro da própria casa. Mesmo que sujigados e escoriados sejam obrigados a retornar, que educação teremos? Os mais capacitados mudarão rapidamente de profissão : concursos pululam por todo lado, país afora. Os que precisarem permanecer terão que motivação? Como esperaremos melhorar os terríveis níveis educacionais do estado, tratando professores , como nem marginais podem ser tratados ? O pior é que atingimos um estágio de desenvolvimento no país, nos últimos dez anos, que só poderemos saltar, através do estilingue da educação. O estado sobrevive sem governador, sem deputado, sem prefeito e sem vereador; país nenhum do planeta , no entanto, jamais será nação, sem uma educação de qualidade.

Num dos seus reiterados destemperos, o governador soltou uma frase antológica: “ Professor tem que trabalhar é por amor e não por salário”. Pois já trabalham sim, por amor ! Não fosse isso não estariam alguns enfurnados trezentas horas por mês, em escolas, ganhando um salário que mal lhes cobre a sobrevivência. O problema está justamente do outro lado, do lado dos nossos políticos que , na sua maioria, não conhece essa palavrinha e trabalha sempre por verbas obscuras, por propinas, por comissõezinhas escusas, por falsas promessas. A grande diferença é que os professores , se assim o quiserem e suportarem, serão mestres por toda a vida. Já os políticos não! Precisam sempre de um filtro chamado eleição e quem controla a malha do filtro é a educação que é proporcionada justamente por aqueles que hoje estão sendo maltratados e espancados no meio da rua.

J. Flávio Vieira
A casa grande
 - Claude Bloc -


Voltei à casa grande. A pouca luz interior de um fim de tarde dava-me a sensação de nunca ter saído dali.

Ainda na estrada sentia-me livre e com uma alegria inexplicável. Como uma criança que volta pra casa. Mas a casa, minha casa de infância, a cada vez que chego, ela me emociona e sempre que a vejo ali quieta, fica me fazendo perguntas que não sei responder. Aliás, tudo ali me faz sentir uma grande saudade e nenhum remédio poderia curar a falta que muita gente que circulou por essa casa me faz.

Dessa vez, subi os degraus do alpendre, um a um, bem devagar. Ao atingir o batente da porta fechei os olhos. Tateei a porta sentindo-me pequena. Segui de olhos quase fechados caminhando casa adentro. As paredes me diziam coisas que eu ia traduzindo aos poucos, passo a passo. Carinho, lembranças, histórias. Não achei quase nada de outras épocas pelos poucos móveis ali dispostos. As louças de minha mãe devem estar dispersas por aí, sabe-se lá nas mãos de quem. Há muita gente das redondezas que apostou que a casa ficaria abandonada depois da partida de minha mãe e foi entrando, e se apossando das coisas até não ficar quase nada. Só mesmo lembranças por entre a gente.

No canto do quarto de Mamy (minha avó) encontrei um pedaço do que foi meu guarda-roupa, sem mais gavetões, nem puxadores. Nada de envelopes quadrados, postais, letras de músicas, caligrafias de aparo - ouros raros – lá dentro. Há quanto tempo não escrevo uma carta? Perdi até o jeito...

Lembrei-me dos dias e das noites em que mamãe pacientemente tentava espantar meus medos noturnos. E do dia em que, eu esqueci as roupas no suporte da banheira, onde a água, gota a gota deslizava sorrateira empapando tudo, manchando a bela estampa florida que eu adorava, à medida em que a água perdia densidade com o calor do dia. Coisas de menina sonhadora, desligada, simples... Coisas de um tempo que não esqueço.

Na sala da frente, ainda obscura, a luz do quarto se refletia sobre  as duas almofadas cor de vinho. Postei-me lá quase imóvel, de lábios entreabertos, respiração forçada, esperando pelo cheiro da noite nesse lugar de mil silêncios.

Por que não escreveste um livro sobre a casa? Pergunto a mim mesma: essa alma sem asas, em arco, em queda... E não acho resposta. Apenas uma música que se denuncia – uma valsa longa e longínqua nas margens noturnas do açude.

No céu da madrugada chega a poesia, miríades, e, sob as pálpebras, a vontade de ficar ali.

Claude Bloc

A morte e a morte de Steve Jobs - José do Vale Pinheiro Feitosa

A morte de Steve Jobs da Apple no tempo da crise americana é bastante simbólica do ponto de vista histórico. Mas antes uma explicação: nem toda crise leva a mudanças radicais, os EUA já passaram por várias crises antes, fizeram algumas mudanças e tudo continuou até com mais vigor. Mas sigamos no raciocínio.

A morte de Steve Jobs não é apenas física, é a superação de um tempo de abertura nos EUA, da consolidação da indústria de tecnologia na Califórnia, do desejo expansionista de ultrapassar fronteiras. É como disse um usuário da Apple na china: foi a morte de um líder espiritual. Quando falamos em espiritual no caso, falamos em perda de norte, de orientação para navegar.

Basta tomarmos algumas frases emblemática do Steve Job para termos o pulso deste espírito: “É mais divertido ser um pirata do que entrar para a marinha”. Ou, “Nós apostamos em nossa visão, preferimos fazer isso do que fazer produtos do tipo “eu também”. Ou, “O único problema da Microsoft é não ter bom gosto. Eles absolutamente não têm bom gosto. Digo isso de uma forma geral, no sentido de que eles não constroem idéias originais, não colocam sua própria cultura nos produtos”. Ou esta para encerrar e chegar ao espírito deste texto: “O iMac é o computador do ano que vem por 1 299 dólares, não o computador do ano passado por 999 dólares”.

A questão básica é que ao criar uma cultura numa produção que mudou muita coisa, ele estava na linha da inovação tecnológica de produtos e, portanto, na expansão capitalista do negócio. Enquanto esta expansão acontecia, um mercado mesmo que alavancado à base de crédito barato, as pessoas compravam, Steve Jobs deu certo. O espírito coincidente entre a criatividade técnica e o consumismo movido a uma expansão que desde muito é fictícia.

Por isso os produtos da Apple sempre tiveram muito apelo de consumo, têm enorme capacidade de formar consumidores fieis à suas propostas, afinal existia quem financiasse os consumidores. Mas aí vem outro dado dos produtos desta inovação que fez a festa das grandes corporações multinacionais a montar empresas na Ásia e a retirar empregos da Califórnia. A fórmula, uma área de baixa renda a produzir e uma área de alta renda a consumir, não fechou a conta. A de baixa renda pouco se modificou e a de alta renda quebrou.

Entre todos os apelos da Apple tem um que é fatal num tempo de crise: ao criar a fidelidade, passa a se confrontar com a sua própria proposta inovadora que é certa obsolescência programada. Aí tome um IPhone a cada ano, um IPAD a cada semestre, tome uma rede dedicada e on-line de softwares e a fidelidade termina por criar gargalos quando dinheiro não há para comprar o inovado.

Enfim, a morte de Steve Job é a morte física de um símbolo da América que ganhou a hegemonia a partir dos anos 80. E quem diria que isso aconteceria com os quadros das rebeliões hippies e contra a guerra do Vietnã.


Se lutarmos com amor e paciência chegaremos lá

PEDRO ESMERALDO

Após o tsunami provocado pela tempestade no dia 28 de janeiro de 2011 que acarretou sérios danos materiais e deixou o povo totalmente acabrunhado devido os descasos causados pelas autoridades anteriores, pois já que não tiveram a capacidade de construir um canal a altura do modernismo técnico, visto que sempre nos transtorna com as constantes cheias nas épocas chuvosas. Resolvemos hoje que fazer vista grossa a melhoria do sistema hídrico da cidade, visto que observamos as autoridades do estado alheias aos problemas do Crato. Viemos observar in locu exigindo a recuperação dessas obras com mais tenacidade desse processo que nos deixa totalmente desanimados e sem métodos contemplativos.
Hoje, numa manhã de sol, resolvemos dar uma volta na margem do canal e saímos de lá completamente animados pelo serviço da empresa prestado ao povo do Crato.
Foi uma manhã que nos fez permanecer completamente embriagados com as belezas naturais deste município.
Estamos entusiasmados, já que deslumbramos com as belezas do pé-de-serra do Araripe, que nos deixam totalmente embevecidos e ao mesmo tempo não podemos compreender a fraqueza do povo que nos deixa estarrecidos com um clima desfavorável às obras d’artes da beleza sopedânea. Por isso, com muita vibração, pedimos a Deus que ilumine esse povo a fim de empregar uma engenharia hidráulica com mais eficiência, tentando refazer com obras monumentais com fito de recuperar o descaso político e econômico que faz todo cratense perder o ânimo de crescer para o futuro econômico desse município.
É preciso que haja competência e traga bons técnicos que nos correspondam e deixem para que eles saibam praticar com altos desempenhos os trabalhos técnicos e que todos tenham a faculdade de apreciar esse trabalho que é de muita responsabilidade e pedimos ao mesmo tempo, que todos saibam julgar com dignidade e amor.
Percorremos por muitas vezes as margens do canal desse rio e encontramos faixas solicitando às autoridades que recuperem as pontes metálicas que foram arrastadas pelas águas.
Por isso, pedimos às autoridades municipais que satisfaçam o desejo do povo que há tantos anos é solicitado para facilitar o transporte a pé dos transeuntes.
Devemos mostrar aos inimigos do Crato que esse município não é tão submisso assim, pois querem fazê-lo uma cidade sem brio, considerando-a “terra de ninguém”.
Não queremos andar à toa, sem direção dos ventos, visto que tudo que se adquire com dignidade será transbordado pelas correntes tempestuosas que serão as correntes dos castigos de Deus. Não, isso não se deve deixar correr quando todos trabalham em amor ao próximo, obedecendo e sempre cumprindo o seu dever de cidadão, de homem sério e obediente a Deus.
Avisamos: Crato é livre, é ufanante, por isso todos nós devemos com paciência lutarmos com amor telúrico à terra comum.

Autor: Pedro Esmeraldo

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lendo e Ouvindo o Mistério das Treze Portas - José do Vale Pinheiro Feitosa

Por gentileza da Socorro Moreira, recebi de presente em Paracuru o livro “O Mistério das Treze Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica”, do José Flávio e ilustrações de Reginaldo Farias. Foi uma das minhas leituras dadivosas dos meus dias naquela cidade, como já comentei no Cariricaturas a outra foi o livro do Armando Rafael “Os Dois Leandros”. Aliás, faço saber que recebi o exemplar que seria do Edmar e ele recebeu o autografado para mim, mas o produto não está fora de lugar.

Mas quando falo em leitura digo menos do que o produto que me foi presenteado: na verdade é um produto multimídia. Música, poesia, narrativa e imagens. Portanto mais do que José Flávio é um projeto coletivo, além do Reginaldo Farias tem Amélia Coelho, Lifanco, João Nicodemos, Abidoral Jamacaru, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, Luiz Carlos Salatiel além de um pessoal que produziu o CD entre direção, arranjos, instrumentos, vozes e produção do CD.

Este pessoal todo se expressa nos blogs da região do cariri e tem uma vida na atividade cultural além fronteiras muito intensa. O produto final demonstra o quanto a arte é realizada com baixos custos no país e tenho quase certeza que a manutenção dele numa dinâmica que contemple o seu público infantil preferencial ainda é um dos elos presos da nossa divulgação cultural.

Se as secretarias de educação da região estiverem preparando professores para dinâmicas de aprendizado com os alunos tendo este produto como base eu ficarei tomado de surpresa e muito satisfeito pela boa notícia. Normalmente o produto cultural, mesmo que de excelência como este, pára entre nós numa esteira sem energia para espalhá-lo no meio do público beneficiado por ele.

Mas estou fugindo muito da leitura. Volto a ela. E o que leio e ouço? A proposta de uma geração de artistas e intelectuais do cariri em expor os valores encantados de uma forte cultura acontecida ai neste umbigo do nordeste como bem lembrou Padre Gomes. Como é de se esperar uma geração soterrada por enorme volume de produtos externos, promovendo modificações na geografia política da região, só poderia enfrentar dificuldades excedentes para suas forças locais.

O Salatiel, o Marcondes Leonel, o Carlos Rafael, o Zé Flávio, Lupeu, Zé Nilton, o Abidoral, Pachelly entre tantos e tantas, tinham preso na garganta o que o primeiro traduziu tão bem, apesar das dificuldades inerentes no rádio e no blog Cariri Encantado. A geração deles sabe que sobre a volúpia transformadora da região, a cada dez anos muitas coisas começam e tantas outras desaparecem, existe um magma ainda morno de uma “realidade mágica” que torna a cultura em algo inato.

O inato se faz por duas coisas essenciais: a ancestralidade e a universalidade. Não existe universalidade sem que uma ancestralidade crie a sabedoria para firmar o corpo universal. A universalidade, até por paradigma de um universo de espaço-tempo, é o momento do movimento de expansão com a poeira cósmica do passado. É isso que as treze portas escondem nestas ruas coalhadas de universitários, de consumistas de shopping, das vantagens econômicas que apagam coisas belas, como, por exemplo, o ser humano.

A narrativa das Treze Portas é uma mistura da historicidade do cariri desde o princípio do século XIX e trás inúmeras referências às lutas do passado. Fala de povos, de lendas, de visões de mundo onde a engrenagem roda muito além dos tempos modernos e o desespero de Chaplin apertando parafusos. Por isso esta geração que se junta neste produto, tem um ponto de mirada à leste com os tempos da narrativa oral e oeste com as próprias histórias que viveram desde a infância.

Zé Flávio neste projeto faz uma das coisas que mais gosta de fazer, contrariando seu metódico processo intelectual. Abandona os alfarrábios como gostava de falar o Professor Alderico Damasceno (o livro capa de couro) e passeia na sua memória afetiva. Como o conheço peguei várias: a ponte quebrada do Rio Batateira, algumas cenas de paisagem e até Paracuru que me mobilizou, mas não ficou bem revelado como ele chegou ao Lagarto do Mar (ou sei e ainda não percebi?).

Como as histórias da tradição oral, com reis, princesas, monstros e lutas míticas, as treze portas vão atravessadas por danças populares como o boi e o reisado. Nisso este produto multimídia vai fundo num modo de narrar e num universo narrativo com sua composição ancestral. Quando o leitor chegar ao ponto de término da história de Trancoso ao luar, eles dão a guinada em direção aos trezes elementos culturais que unificariam o “cariri encantado” ou a este desencantado.

Estou falando das treze portas: o sabor e o cheiro da terra; o Rei da Serra, Capela e a coragem de defender os oprimidos, Vicente Finim e as noites de luar, Maria Caboré a milagreira, o poder político com a mudança de lado no rio, Noventa e os segredos dos moinhos que movimentam as coisas, Zé Bedeu e os cuidados dos espaços públicos; Padre Verdeixa e o humor; Zé de Matos o poeta da crítica aos costumes; o Beato Zé Lourenço o organizador social/espiritual; Seu Jéfferson e o Pai-da-Mata na ecologia.

Enfim, para o encanto da vida tendo como centro o ser humano universal (portanto ancestral) são necessários, em face das treze portas: os sentidos, a coragem de agir, ultrapassar os limites das agruras, mudar o objeto da política, compreender o mundo, cuidar da ambiência coletiva, brincar com as normas, criticar a rigidez, organizar as pessoas e defender a vida no planeta.

Ao final numa apoteose nasce o filho gestado a longo tempo no útero da Catirina e este filho é você no espelho que acompanha o livro. O Cariri pode nem perceber as portas, mas é certo que este pessoal já demonstrou que elas existem.


Observação: acabei de entrar no site para postar este texto e vi que o livro será lançado no dia da criança. Foi coincidência, enquanto escrevia, desconhecia o lançamento

"O Mistério das 13 Portas... "


Lançamento no CCBN em Juazeiro do Norte
Dia 12 de Outubro
( Dia da Criança)

15:30 Horas
.




Estaremos lançando o livro infantil "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica" no Centro Cultural Banco do Nordeste, no Dia da Criança. Ótima oportunidade para quem não viu ainda o Show sensacional que contará com a presença de gigantescos nomes da música caririense:

Abidoral Jamacaru
Luiz Carlos Salatiel

Lifanco
Pachelly Jamacaru

Amélia Coelho
Ulisses Germano
Leninha Linard

João Nicodemos

André Saraiva

Luiz Fidelis

Elisa Moura

Fatinha Gomes
Zé Newton Figueiredo

Ibbertson Nobre
João Neto
Rodrigo
e o Coral Mensageiros de Cristo.

Além da intervenção cênica dos atores :

Cacá Araújo
Orleyna Moura


Não Percam !

Liberdade (Quero...) - Aloísio

Ai, eu quero, quero tanto
Que você me aceite do jeito que eu sou”
(Quero Quero - Cláudio Nucci / Mauro Assumpção)



Liberdade (Quero...)


Quero ser a asa
Não o avião
Não quero ser a casa
Mas o seu portão

Quero a palavra
Não quero o poema
Quero ser o livro
Mas não ser o tema

Quero a fogueira
Do meu São João
Não quero o trabalho
Mas a diversão

Quero experiência
E não ter idade
Fazendo muitas coisas
Com toda liberdade

Quero realizar
Os sonhos de menino
Com todos devaneios
Sendo bem traquino

Quero ver o sol saindo
Pela madrugada
Ver a luz chegando
Na minha caminhada...

Aloísio

Belle- Notre Dame De Paris

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Fausto Nilo: luar, estrelas e muito azul - José do Vale Pinheiro Feitosa

No último mês de agosto fiz uma viagem ao meu passado. Encontrei Fausto Nilo num encontro familiar na casa do meu irmão Vicente Ricardo em Fortaleza. Aquele mesmo Fausto que não revolucionava nas evidências da canção de protesto, mas fazia uma letra que pinçava fragmentos do subconsciente e assim transformava na cultura. Mas não naquele território impreciso que a psicanálise e muitos traduziram como ID.

Fausto Nilo não se esconde no esnobismo da poesia incompreensível, mas também não se esvazia em soluções banais. Quando fiz uma entrevista gravada com ele e com ela editei um programa para a Rádio Mar Azul de Paracuru, ambos concordamos que as letras dele não eram de fácil compreensão. Mas mesmo assim mobilizavam as multidões.

Na rádio Mar Azul fazemos, junto com Hélder Gurgel, Lúcio Damasceno, Flávio Sampaio e outros, um programa chamado Paracuru Minha Terra Minha Gente que conta a vida de personagens da cidade e incluímos o Fausto Nilo. Ficou um programa legal, trouxemos o Raimundo Cabirote para cantar e tocar quatro jóias do Fausto Nilo, junto com o texto que fiz e mais a entrevista. É um programa agradável. Algumas pessoas acharam o programa um tanto intelectual, mas é difícil falar em arte sem considerar a fronteira entre o universo abstrato e a realidade histórica em que se encontra. Aliás, estes programas podem ser ouvidos na internet aos sábados ao meio dia: www.radiomarazul.com.br.

O Fausto Nilo pegou aquela nossa praia desconhecida, com nome esquisito para os padrões do palavreado nacional e pôs na música Zanzibar que ele compôs junto com o Armandinho. Com isso Paracuru se tornou uma referência nacional, a música fez sucesso e tudo se espalhou.

Fausto Nilo só virou um programa Paracuru Minha Terra, Minha Gente, por conta desta inclusão. Aí fomos falar sobre isso: deve-se apenas à prosódia? E prosódia como é compreendida na rubrica música: adaptação da métrica de um texto à da música. Nisso o Fausto Nilo é perfeito, procurem pela música dele, escutem e sintam como isso é quase que obrigatório.

Mas aí é que está a grandeza deste letrista das altas esferas: a prosódia é uma necessidade na música com letra (que saudade quando ouço estes discursos quilométricos para meia dúzia de notas musicais dos dias atuais), mas as letras em Fausto têm um discurso do tamanho do Nilo, frutuoso como uma das suas famílias e perfeitamente fáustico no sentido da revelação do mundo.

O Dorothy Lamour com Petrúcio Maia é isso. Os fragmentos daquele ID dotado de historicidade. Nos cinemas de sua Quixeramobim, nos experimentos da bebida com sabor de império, a primeira coca-cola e, claro, um sentimento mítico da vida quem sabe nascido nas vozes familiares que revelaram as paredes da casa em que nasceu: a casa onde fora aparado Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro.

Fausto Nilo não faz associação de idéias, não brinca com os sons, ele parece que faz tudo isso, mas trabalha com um universo que é típico da sua geração. De leituras dos modernos filósofos, especialmente os franceses, da base intelectual da sua profissão que é a Arquitetura e claro da estética como algo antes de tudo. Lá pelas tantas na entrevista ele é radical: as pessoas buscam mais soluções éticas do que estética. Mas é na arte que milito. É nela que busca fazer para que ela o faça.

Na temática de Fausto circulam vários canais do cotidiano, daquilo que acontece numa conversa de esquina, se misturando com leituras de coisas mais amplas que explicam a cena do botequim. Ele conta na entrevista que o pessoal da Cor do Som já estava no estúdio para gravar o Zanzibar e ele andando aqui embaixo, na Rua Jardim Botânico, em busca de duas palavras para completar a letra. Ele andava com um gravador ouvindo a fita do Armandinho.

Foi quando passando num bar, que fica na esquina da Lopes Quintas, um cara sai do bar onde se encontra e vem até o meio da rua para cuspir e grita para os amigos com quem conversa: aliás. Pronto viera a solução. Ele liga para o estúdio, chama o Armandinho e diz: a palavra é “aliás”. O Armandinho repete em dúvida: aliás? Vira-se para o pessoal que estava no estúdio e comenta: ele disse que a palavra é “aliás”. O Fausto do outro lado da linha diz: é “aliás” mesmo, pode confiar.

Paracuru na letra de Zanzibar é o tipo da Prosódia com história. Não entra na letra apenas como uma mera solução para a métrica da canção. Em Paracuru Fausto ia com frequência. Fizera o projeto para uma piscina de um amigo que é uma beleza: de certo ângulo a água da piscina se mistura com a água do mar. E em Zanzibar tem estrelas e muito azul como em Dorothy Lamour.

Fausto Nilo tem muitas evidências em suas letras sobre o luar, as estrelas e o azul. Existem todas as cores em Fausto, mas o azul é predominante. Em 52 letras que examinei aleatoriamente, o azul aparece em 12 canções. E por falar em luar e estrelas, o azul da noite é o sentimento noturno deste homem de visões oníricas. Mas o azul pode ser um lago azul como em “Amor nas estrelas”, pode ser um azul que nunca se imagina como em “Periga Ser”, ou ficar tudo azul quando a noite cai em “Baião de Rua”.

O azul pode ser algo para diferenciar, assim como um olhar para distinguir as coisas do mundo como na música “Cartaz”: o azul do céu e o verde do mar. Em “Dorothy Lamour” ele dialoga com seu mundo e a história deste usando o azul: O teu sabor azul Estranho como a primeira / A primeira coca-cola. Fantasia de um mundo blues (aí fala da música americana que adora, mas é azul da noite, langoroso) E eu fui naufragar / Em teus olhos de mar azul / A tua cor / O teu nome mentira azul / Tudo passou Teu veneno teu sorriso blues


“Em Esquina do Brasil”: A noite é mais azul / Na esquina do Brasil. Na letra de “Horas Azuis”, ou em “Letras Negra”: No paraíso amor / um dia Imaginamos cidades azuis. Puro sentimento interpretativo do amor com em “Retrato Marrom”: O nosso amor é um escuro lar / Suspiro azul das bocas presas. Em “Sobre a Terra” ele diz: No azul mais azul do espaço / Até sonhar. Como um cultor da música e do cinema ele foi relembrar Marlene Dietrich na letra da música “Você se Lembra”: Entre as estrelas do meu drama / Você já foi meu anjo azul.

Em Zanzibar aconteceu assim. O Fausto Nilo morou muitos anos aqui no Rio, mas costumava passar o carnaval na Bahia. Ele estava na praia quando o Armandinho chegou, tocou a melodia para ele ouvir e lhe deu uma fita. Na volta para o Rio, o Fausto ligou o gravador e veio ouvindo a canção e da janela do avião olhou para fora e viu aquele imenso azul de céu e mar sobre a baia de Todos os Santos. “Zanzibar” é pleno de azul: O azul de Jezebel no céu de Calcutá, / Az de Maracatu no azul de Zanzibar / Ai, mina, aperta a minha mão Alah, meu only you no azul da estrela! / Aliás, bazar da coisa azul, meu only you É muito mais que o azul de Zanzibar / Paracuru, o azul da estrela, / o azul da estrela.

Só uma coisa importante. Sabe aquela separação entre melodia e letra em que o músico fica num lado e o letrista no outro? Duvido que em Fausto Nilo tudo se resuma a isso. A letra ao se adequar na métrica da canção, termina por modificá-la de modo que os limites músico e poeta terminam se confundindo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Será verdade ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Na briga intestina (e mau cheirosa) pelo poder, entre os integrantes do PSB do Ceará (agremiação que abriga atualmente o Excelentíssimo Senhor Cid Gomes, Governador do Estado), a novidade – segundo o ex-presidente (???) do partido, Sérgio Novais - é que o irmão do governador, senhor Ciro Gomes, atualmente desempregado, seria nomeado “consultor político” da agremiação, percebendo um salário de mais de R$ 22.000,00 (vinte dois mil reais) mensais.
Em represália, aliados do Governador acusam o senhor Sérgio Novais de ter sacado da conta bancária do partido mais de R$ 100.000,00 (cem mil reais) sem que se saiba para que.
Será verdade ???
Será ÉTICO E MORAL tudo isso ???

Vixe : Agora é a Polônia !


O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quinta-feira (29), em Gdansk (norte da Polônia), um prêmio criado por Lech Walesa, líder histórico do sindicato polonês Solidariedade

O prêmio de 100 mil euros (cerca de R$ 249 mil), acompanhado por um diploma e uma medalha, que foi entregue em uma cerimônia exibida pela televisão, foi atribuído a Lula para recompensar "sua ação em favor de um entendimento pacífico e de uma cooperação solidária entre os povos", segundo um comunicado da Fundação Lech Walesa, Prêmio Nobel da Paz em 1983 e ex-presidente da Polônia (1990-1995).

Walesa disse durante a cerimônia que ele e o ex-presidente escolheram caminhos opostos entre o socialismo e a economia de mercado .

- Na Polônia, nós consideramos que não havia uma terceira via, que agora tampouco existe, mas então não tínhamos alternativa. Atualmente o capitalismo está aqui, mas acredito que não tem o sabor esperado.

Ao agradecer o prêmio, o ex-presidente brasileiro destacou as muitas semelhanças entre Lech Walesa e ele. Segundo Lula, ambos nasceram em famílias modestas, não puderam estudar e assumiram espontaneamente o comando de movimentos de protesto antes de chegar aos maiores cargos em seus respectivos países.

- Nós, cada um a sua maneira, enfrentamos desafios para transformar nossos países no espírito da democracia e do diálogo.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, que participou na cerimônia, também elogiou Lula.

- Temos a honra de nos inclinarmos ante o homem que para mitos de nós prolongou este grande sonho que nós tornamos realidade e do qual Lech Walesa foi e continua sendo o símbolo.


O prêmio anual Lech Walesa, criado em 2008, pretende "recompensar os que militam a favor do entendimento e da cooperação solidária dos povos, em nome da liberdade e dos valores do movimento Solidariedade".

SOBRE ESCOLAS



Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Rubem Alves
(http://pensador.uol.com.br/autor/rubem_alves)