Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É hoje !

Imprensa sabuja dá vexame


Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?

Começa assim, acreditem, com esta pergunta indecorosa, a entrevista de Deborah Berlinck, correspondente de "O Globo" em Paris, com Richard Descoings, diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences- Po, que entregou o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula, na tarde desta terça-feira.

Resposta de Descoings:

"O antigo presidente merecia e, como universitário, era considerado um grande acadêmico (...) O presidente Lula fez uma carreira política de alto nível, que mudou muito o país e, radicalmente, mudou a imagem do Brasil no mundo. O Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula, e ele não tem estudo superior. Isso nos pareceu totalmente em linha com a nossa política atual no Sciences- Po, a de que o mérito pessoal não deve vir somente do diploma universitário. Na França, temos uma sociedade de castas. E o que distingue a casta é o diploma. O presidente Lula demonstrou que é possível ser um bom presidente, sem passar pela universidade".

A entrevista completa de Berlinck com Descoings foi publicada no portal de "O Globo" às 22h56 do dia 22/9. Mas a história completa do vexame que a imprensa nativa sabuja deu estes dias, inconformada por Lula ter sido o primeiro latino-americano a receber este título, que só foi outorgado a 16 personalidades mundiais em 140 anos de história da instituição, foi contada por um jornalista argentino, Martin Granovsky, no jornal Página 12.

Tomei emprestada de Mino Carta a expressão imprensa sabuja porque é a que melhor qualifica o que aconteceu na cobertura do sétimo e mais importante título de Doutor Honoris Causa que Lula recebeu este ano. Sabujo, segundo as definições encontradas no Dicionário Informal, significa servil, bajulador, adulador, baba-ovo, lambe-cu, lambe-botas, capacho.

Sob o título "Escravocratas contra Lula", Granovsky relata o que aconteceu durante uma exposição feita na véspera pelo diretor Richard Descoings para explicar as razões da iniciativa do Science- Po de entregar o título ao ex-presidente brasileiro.

"Naturalmente, para escutar Descoings, foram chamados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático (...). Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado(...).

"Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção", foi a pergunta seguinte. O professor sorriu e disse: "Veja, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o julgamento da História este assunto e outros muito importantes, como a eletrificação das favelas em todo o Brasil e as políticas sociais" (...). Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente, não damos lições de moral a outros países.

"Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da ação afirmativa do Sciences Po. Descoings o observou com atenção, antes de responder. "As elites não são apenas escolares ou sociais, disse. "Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro-mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas".

No final do artigo, o jornalista argentino Martin Granovsky escreve para vergonha dos jornalistas brasileiros:

"Em meio a esta discussão, Lula chegará à França. Convém que saiba que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria exercer o recato. No Brasil, a Casa Grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terra e escravos. Assim, Lula, silêncio por favor. Os da Casa Grande estão irritados".

Desde que Lula passou o cargo de presidente da República para Dilma Rousseff há nove meses, a nossa grande imprensa tenta jogar um contra o outro e procura detonar a imagem do seu governo, que chegou ao final dos oito anos com índices de aprovação acima de 80%.

Como até agora não conseguiram uma coisa nem outra, tentam apagar Lula do mapa. O melhor exemplo foi dado hoje pelo maior jornal do país, a "Folha de S. Paulo", que não encontrou espaço na sua edição de 74 páginas para publicar uma mísera linha sobre o importante título outorgado a Lula pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris.

Em compensação, encontrou espaço para publicar uma simpática foto de Marina Silva ao lado de Fernando Henrique Cardoso, em importante evento do instituto do mesmo nome, com este texto-legenda:

"AFAGOS - FHC e Marina em debate sobre Código Florestal no instituto do ex-presidente; o tucano creditou ao fascínio que Marina gera o fato de o auditório estar lotado".

Assim como decisões da Justiça, criterios editoriais não se discute, claro.

Enquanto isso, em Paris, segundo relato publicado no portal de "O Globo" pela correspondente Deborah Berlinck, às 16h37, ficamos sabendo que:

"O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido com festa no Instituto de Estudos Políticos de Paris - o Sciences- Po _, na França, para receber mais um título de doutor honoris causa, nesta terça-feira. Tratado como uma estrela desde sua entrada na instituição, ele foi cercado por estudantes e, aos gritos, foi saudado. Antes de chegar à sala de homenagem, em um corredor, Lula ouviu, dos franceses, a música de Geraldo Vandré, "para não dizer que eu não falei das flores.

"A sala do instituto onde ocorreu a cerimônia tinha capacidade para 500 pessoas, mas muitos estudantes ficaram do lado de fora. O diretor da universidade, Richard Descoings, abriu a cerimônia explicando que a escolha do ex-presidente tinha sido feita por unanimidade".

Em seu discurso de agradecimento, Lula disse:

"Embora eu tenha sido o único governante do Brasil que não tinha diploma universitário, já sou o presidente que mais fez universidades na história do Brasil, e isso possivelmente porque eu quisesse que parte dos filhos dos brasileiros tivesse a oportunidade que eu não tive".

Para certos brasileiros, certamente deve ser duro ouvir estas coisas. É melhor nem ficar sabendo.

Ricardo Kotscho

terça-feira, 11 de outubro de 2011

BlogHUMOR - Você quer ser político ? Pois veja o dia-a-dia de um Político. Imperdível...


Você quer ser político ? Pois se prepare para a realidade, o dia-a-dia de um político. Depois dessa, você vai pensar 2 vezes, rs rs

Vale a pena ouvir. Um dos melhores textos sobre Política:





E aqui, parte do texto:

Você quer ser político ?

"Eu não! Olhe coroné! Como eu sou um cabra vivido e espromentado nas beira de postulança political, eu vou lhe dizer um retalho de sabença, que é a pronunça mais apronunciada sobre política, que inxeste nesse mundaréu selvageado pelos animá, vegetariado e barrido pelas palha dos coqueiro e aguado pelas onda do mar: Além de sintoma prefeituroso, embocadura deputadal, cancha pra governador e senador e sustança de presidente, o cabra pra ser político no Brasil, precisa no mini-minimóro dos seguintes adjutórios: ( dois pontos )

"Começar a juntar dinheiro, pra depois começar a juntar gente; engolir muita rimunheta de cabra falso, felaputista e pidão; desatar nó-cego de convenção; escutar caquiado dificultoso de partidário que só tem um voto e olhe lá; entrar em embuança de campanha; prometer como sem falta e faltar como sem dúvida; ficar refém da língua do povo; pegar roleta de boca com camumbembe; fazer conchavo com reservista da ditadura; desgaviar o caminho mode os quixó da oposição; receitar pra má-de-monte; desmurmurar mulher falsa e coiseira; acompanhar inrrolamento de papé-de-justiça; levar fama de ter esfrabicado moça donzela; levar fama de ser corno, baitola e ladrão; agüentar fazimento de pouco de eleitor desbriado; botar tamanca pra opositor bom de peia; bater quinhento de bombo com xangozeiro; gritar aleluia em igreja Pegue & Pague; alegrar sessão espírita; assistir meia missa e sair comungado; batizar menino feio com o nome de Dysmeniélisson Jerry; dar dicomer do bom e comer porcaria; almoçar em lata de goiabada; despronunciar discurso má-feito de candidato tabacudo; aplaudir discurso desvirgulado, sem rumo e sem ponto final; cair do palanque e sair todo ralado e se abrindo; aturar converseiro duplicado mesmo depois de banzeiro; aturar gente furona e desconhecida dentro de casa; viver rindo e fumaçando pelo fundo, feito ferro de engomar; acabar sua D-vintezinha na buraqueira; aturar babões civis e militares; botar no braço menino novo do fundo cagado; tomar cerveja quente de espuma murcha; tomar uísque Drury's sem gelo, numa xícara de louça com tira-gosto de canjica; beber naquelas mesona de imbuia, numa saleta escura e abafada, encostado numa cristaleira, e cercado de cabos eleitorais com cada sovaqueira de torar; entregar taça de campeão a time safado;

chorar em velório de desconhecido; escrever bilhete com lápis de ponta quebrada; professorar as iniciais do nome de campanha pra eleitor tapado; escorregar em lama de esgoto; gritar ô-de-casa em casa oca; se abrir pra eleitor desabrido; pagar cana pra pinguço desocupado; farejar poeira de bunda em palanque; levar dedada no cá-pra-nós quando está nos braços do povo; escutar destampatório de foguetão no pé do ouvido; magoar o dedo mindim em passeata; dormir chiqueirado da mulher e dos filho;

apertar mão de cotó; ganhar abraço fedorento; receitar caixão de defunto e ambulânça; enfiar a mão em saco de dentadura pra distribuir com a mundiça; comprar votos em dia de eleição; estelionatar voto em boca de urna; entrar em embuança de apuração; dar cobro de voto roubado; apertar mão de traidor oportunista, e depois de eleito começar essa camumbembage toda de novo... DEUS O LIVE d'eu sair candidato! Chega me faltou suspiração... E eu vou epilogar por aqui, porque conversa de política é feito coceira, só quer um pezim Coroné! "

Autor: Jessié Quirino

O linguajar matuto


Pedro Esmeraldo

De vez em quando, tenho vontade e a sensação de reavivar a memória com o intuito de estudar a origem das palavras primitivas do Nordeste.

É um linguajar eivado de erros que faz todos nós matutarmos como se fossem palavras modernas e eficientes, mas com atenção pronunciados nesses tempos modernos. Com efeito, há pronunciamento errôneo que vem sendo falado através dos tempos por um povo risonho, mas possuidor de pouca prática do uso do ofício.

Como convivi desde minha infância com o pessoal da roça, habituei-me a dialogar os dizeres desse povo, pois tinha intimidade em ouvir as suas orações provenientes dos costumes antigos.

O matuto caririense era intuitivo, dotado de um saber medieval que às vezes causava admiração quando alguns deles se deparavam nas disputas de violeiros, quando freqüentavam os terreiros da casa grande do patrão do Sertão. Contudo reinava entre eles sabedoria, pronunciando versos elevados, mostrando saber que deixavam todos boquiabertos. Entre meios rústicos havia pessoas cultas que demonstravam loquacidade, deixando muitos admirados, como é entre os homens moradores do Sertão nordestino. Eram estudiosos, narravam com dignidade as histórias dos feitos heróicos dos tempos da dinastia da época de Carlos Magno.

Por isso, desejo contar para reavivar a memória, fatos acontecidos do segundo quartel do século XX. Esta história foi narrada pela minha mãe, visto que durante a costumeira visita à sua terra natal do médico cratense, psiquiatra, professor da Universidade do Brasil, membro de uma ilustre família local, rumou para um outro mundo no início de sua juventude a fim de buscar conhecimentos médicos – para nunca mais morar em sua terra.

Pois bem, certa vez retornando ao Crato com ânsia de matar a saudade e rever seus familiares não estava mais habilitado a observância dos costumes matutos; estranhou quando ouviu os hábitos alimentares dessa gente com pratos elevados de comida, cheios de gordura; então teve a idéia de perguntar ao pobre matuto se essa comida não repugnava. O matuto atoleimado ficou perplexo e não entendeu palavra do médico, respondendo apenas a palavra errada, dizendo: Cuma? Novamente o médico repetiu a pergunta e o matuto não entendeu patavina de suas palavras. Daí minha mãe vendo que o matuto não entendia a pergunta do médico tomou a palavra e disse: espere aí Zaqueu, é assim que se fala: não arripuna não? Aí o matuto entendeu respondendo: arripuna inhô sim. Aí o médico não teve outra coisa senão rir. Por certo, nunca mais esqueceu estas palavras erradas pronunciadas pelo matuto.

Naquela época a civilização ainda não tinha chegado ao interior do Nordeste. Somente em algumas cidades mais evoluídas tinha o desejo de se estudar com mais perfeição. Somente com uma dosinha elevada de sacrifício tinha de se deslocar para os meios maiores procurando com o desejo de aprimorar os seus conhecimentos como foi o caso desse médico que teve que ir para o Rio de Janeiro e lá então foi uma pessoa influente já então na capital federal.

Autor: Pedro Esmeraldo

Pensando bem...

"Sobre os vestibulares:
 

Se eu fizer os exames vestibulares, não passarei.
E se o novo reitor da UNICAMP fizer os vestibulares, não passará.
Se o Ministro da Educação fizer os vestibulares, não passará.
Se os professores das universidades fizerem os vestibulares, não passarão.
Se os professores dos cursinhos que preparam os alunos para passar nos vestibulares fizerem os vestibulares, não passarão (cada professor só passará na disciplina em que é especialista...).
Se aqueles que preparam as questões para os vestibulares fizerem os vestibulares, não passarão.
Então me digam, por favor: por que é que os jovens adolescentes têm de passar no vestibular?
Os vestibulares são um desperdício de tempo, de dinheiro, de vida e de inteligência.
Passados os exames, a memória (inteligente) se encarrega de esquecer tudo
A memória não carrega peso inútil. "

Rubem Alves

Cid Gomes: Personagem Trágico - Por: Douglas de Paula (Professor do Curso de Letras da UECE)

Douglas de Paula (Professor do Curso de Letras da UECE)

Creio que o Pequeno Príncipe Cid Gomes está deixando de ser um personagem infantil para se tornar gente grande, mas, infelizmente, gente grande que não conhece sua própria medida: Cid está se tornando um personagem trágico, uma espécie de Édipo de Sobral. No lugar das pitonisas do Oráculo de Delfos, ele consulta o irmão Ciro Tirésias, um cego que pensa que tudo vê, mas que enxerga somente o próprio umbigo. Como todo personagem trágico, Cid Gomes está cometendo um ato desmedido (hybris), o que irá atrair para si inevitavelmente um erro, gerado por suas próprias ações. Todo personagem trágico erra porque se aferra obstinadamente a seu próprio ponto de vista e não consegue ouvir os outros.

Depois da truculência do Batalhão de Choque na Assembleia Legislativa contra os professores, a sociedade civil do Ceará demonstrou, através da imprensa e da Internet, sua solidariedade aos professores, mas isso em nada abalou os ouvidos do Príncipe (agora estou em dúvida: Cid está mais para o Príncipe de Maquiavel ou para o Pequeno Príncipe de Exupéry?).

O Dr. Mourão, em artigo de seu Blog, é que usou a palavra certa, sem deslizes: o que houve na Assembleia foi AGRESSÃO contra os professores. Enquanto os senhores de-putados se preocupavam com a destruição do “patrimônio público”, os professores eram agredidos pelo Batalhão de Choque, sem ter acesso às galerias da “Casa do Povo”. E a Educação, às portas do Plenário, bem próxima ao “quadrilátero de segurança” do Governa-dor, era agredida em seus pressupostos básicos. O professor precisa de condições materiais para viver. Ninguém trabalha por amor. Pensar que professor trabalha por amor reflete o amadorismo de um Pequeno Príncipe metido a Governador ou a ruptura da máscara ideológica do Príncipe maquiavélico.

Caiu a máscara de Cid? Creio que não. Não dá para esperar mais do irmão de Ciro Gomes. Dá para esperar menos. Menos respeito com os servidores, menos salários para os professores, menos democracia em seu mandato. De mais mesmo só seu orgulho e sua obstinação, pontos centrais de sua hybris trágica e do começo de sua queda. Seu irmão já experimentou tal queda, pois nunca terminou um mandato, foi o deputado federal que mais faltou ao Congresso e atualmente vagueia no limbo da política, assessorando (muito mal) o irmão.

Não sei se Freud explica, mas, inconscientemente, talvez um irmão sonhe com a queda do outro. A disputa entre irmãos é comum na história humana, e René Girard explica bem direitinho essa rivalidade mimética. Um irmão acaba refletindo o outro, tornando-se o outro. Até os nomes contribuem para esse mimetismo: Ciro/Cid, Cid/Ciro. E qual o erro trágico do Pequeno Príncipe?
Resposta: não querer conversa. Cid diz: “Só negocio com o fim da greve”, e estamos conversados. Édipo agiu assim. Antígona também. Creonte idem. Todos os personagens trágicos se julgam maiores do que são e acham que não precisam prestar contas a ninguém. Para eles, dar o braço a torcer é sinônimo de fraqueza. O personagem trágico, como diz Jean-Pierre Vernant, é pego pelas próprias palavras. Não admira que Cid tenha disparado tantas frases esdrúxulas nas últimas semanas. Ele não consegue ficar calado, porque não admite que alguém se lhe oponha resistência. Afinal, foi Ciro que disse, numa greve de médicos, que médico era como sal: branco, barato e se acha em qualquer esquina. Nada há de surpreendente que Cid, o “genérico” de Ciro, solte aos quatro ventos que professor deve trabalhar por amor.

É justamente aí que Cid/Ciro ou Ciro/Cid erram: tornam-se seres obcecados, obstinados. Somente a obstinação não reconhece que tudo flui, e a única coisa permanente do mundo são as mudanças das coisas. Parece que o Governador nem percebeu que, na Internet, seu nome está indelevelmente manchado. O sangue dos professores, que correu na Assembleia Legislativa, suja o assoalho muito limpinho do Palácio da Abolição, numa metonímia direta entre governo/Governador. O único modo de limpar essa sujeira é respeitando os professores, pagando-lhes um salário digno e, o mais importante, obedecendo ao que manda o STF, que concede ao professor 1/3 de sua Carga Horária para preparação de aulas.

Se não estava nos planos do Governo aprovar um Plano de Carreira para os professores e, como disse o próprio Governador, por ele, nem Carreira existiria, que ele agora aproveite o momento para mudar de planos. Falta dinheiro? Duvido muito, pois parece que não falta para os escândalos dos banheiros ou do Cartão Único, ou para o famigerado Aquário de Fortaleza. Mas tudo bem: aceitemos a conversa fiada: falta dinheiro. Mas diz a Lei do Fundeb que, se o Estado não tiver condições para arcar com as despesas do Piso, a Federação entrará com a contraparte. Basta “apenas” que o Estado abra suas contas e prove que já investiu o máximo do orçamento em Educação. Onde está o problema, meu povo? Na falta de dinheiro, na sobra de insensatez, na desculpa esfarrapada, na maldade pura e simples ou num projeto político para deixar a Educação Pública sempre precária? Talvez um “malte” de tudo isso junto. Se o Governador não encontrar uma saída madura, será o início do fim de seu governo. Talvez de seu Principado. Talvez do Principado de todos os Ferreira Gomes.

Lembrete ao Pequeno Príncipe, parodiando Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que tu agrides”.

Eliane Carvalho

"Nós amamos as pessoas por aquilo de belo que elas fazem nascer em nós." ( A Selva e o Mar - Rubem Alves).

Pensamento para o Dia 11/10/2011


“Muitas pessoas realizam Sadhana (exercícios espirituais) a fim de perceber a Divindade. Mas, se eles não entendem as qualidades humanas, todos os esforços tornam-se exercícios de futilidade. Sem aprender o alfabeto, como se pode adquirir o significado e o uso de palavras, frases e sentenças? Valores humanos são os alfabetos básicos da espiritualidade. Desenvolva valores humanos e fé inabalável no Divino. Domine isso e seu Sadhana será eficaz. Você também deve compreender que não existe prazer sem dor e que a dor é apenas um intervalo entre dois prazeres. Sempre que tiver uma experiência desagradável, você deveria ter a fé inabalável de que isso é para algo bom que você estará desfrutando em um futuro próximo e, portanto, pare de se preocupar.”
Sathya Sai Baba

"Tem, sim" - José Nilton Mariano Saraiva

Contando com o beneplácito da imprensa cearense – que é pródiga em propagar seus arroubos e pavonadas, mas incapaz de aprofundar e cobrar de forma mais incisiva certos questionamentos - o senhor Ciro Gomes (atualmente desempregado) saiu pela tangente quando questionado “en passant” a respeito da denúncia de um colega de partido (Sérgio Novais) de que teria sido designado pelo irmão-governador Cid Gomes para a função de assessor político do PSB, percebendo remuneração mensal de R$ 22.000,00 (o correspondente aos salários de 41 trabalhadores/mês) ou R$ 264.000,00 anualmente.
Pois bem, mesmo sem desmentir a denúncia (sinal de que tem fundamento ???), segundo o jornal O POVO, de 11.10.11 - “...O ex-deputado federal Ciro Gomes reagiu irritado ao ser questionado pelo O POVO sobre recursos de R$ 22 mil que receberia para dar consultoria política ao PSB cearense – cuja executiva estadual é presidida por seu irmão, o governador Cid Gomes” (ipsis litteris).
Para justificar tamanho descalabro, Ciro Gomes teria declarado simplesmente que “...nunca recebi nenhum centavo ilegal na minha vida...” enquanto um dos áulicos integrantes da executiva estadual (Zezinho Albuquerque) teria confirmado que “...Ciro vem sendo pago pela legenda há cerca de quatro meses, com o consentimento do grupo”.
Segundo ainda o jornal, Ciro Gomes, com cara de poucos amigos, teria afirmado arrogantemente que “...não tenho de dar satisfação a ninguém”, esquecendo que o dinheiro é do contribuinte e este TEM, SIM, interesse em saber como, quando, onde e porque é empregado (e se a imprensa cearense fosse honesta e imparcial, mergulharia fundo na questão).

Doutor Lula – por Ricardo Vélez Rodrígues (*)

Lula, como Brizola, é um grande comunicador. Mas, como Brizola também, é um grande populista.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição.

O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...

Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).

Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.

A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.

Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!

O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
(*) Ricardo Vélez Rodrígues, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora.
e-mail: rive2011@gmail.com
(Transcrito de  “ O Estado de S.Paulo”)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O sol e o tempo

 - Claude Bloc -


Quando pequena, observava as formas assombradoras que as sombras dos galhos das árvores formavam em minha parede. Seguia o movimento moroso dessas imagens. A parede parecia um cenário de personagens medievais: monstros, armaduras, fantasmas que lutavam entre as sombras e a luz do velho gerador...
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O tempo escorria pelo meu quarto sem que eu me desse conta, enquanto eu ouvia o som baixo e, ao mesmo tempo, ensurdecedor da pia gotejando a noite inteira... Seriam passos? Os cangaceiros iriam querer romper o assoalho para virem me assombrar? Medos, medos que metiam na cabecinha inocente daquela criança que fui, criança do tempo em que contavam histórias mal assombradas, para me fazer dormir, ou me manter na cama... Medos que, invariavelmente, povoavam as mentes infantis dessa época, deixando um rastro de cismas tão concretas quanto assustadoras.
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À noite, vez por outra eu ouvia o latido dos cachorros soltos lá fora. Era a única coisa que eu podia fazer naquela escuridão. Ouvir e esperar. Esperar o sono vir ou a luz voltar, mesmo que fosse a luz de uma lamparina a querosene. Esperar o sono vir ou a luz voltar, o que acontecesse primeiro.
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Bem mais tarde o galo cantava. Era um novo dia. Se era julho ou dezembro não importava. Não me ocupava em olhar o calendário para saber se o tempo estava passando, porque para mim isso não fazia diferença. O tempo parecia apenas aderir-se à vida infinitamente. Era sutil, leve e eu não tinha idade suficiente para ocupar-me  com a sua passagem pelos meus dias. Só sabia quando era inverno por causa da chuva e porque era o tempo de fazer canteiros e de plantar feijão e milho no jardim da casa grande da fazenda.  Só sabia que era julho por causa da moagem, do alfenim, da garapa e das rapaduras. Não ligava para o meu crescimento nem  entendia o que aquilo representava diante das marcas que papai fazia, a cada ano, na parede do alpendre, com um lápis de ponta grossa. Mesmo assim eu sabia que ainda era uma criança. Pelo menos na estatura.
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A comida lá em casa era farta. Simples. Tivemos, meus irmãos, amigos e eu, que nos habituar a comer verduras no almoço. Era um hábito herdado dos meus pais. Nas férias, a mesa era sempre uma festa, um mundo de crianças. De vez em quando, Mamy (minha avó) vinha fazer uma supervisão nos nossos hábitos e posturas. Nada de cotovelos na mesa, nem dedos nos pratos. Logo eu que adorava pegar aqueles ossinhos de galinha com os dedos e roer uns bons caroços de pequi!!  Quando a fiscalização cessava, a bagunça recomeçava. Bolinhas de pão voavam pra todo lado e sempre havia um choramingando porque lhe acertavam um olho, uma orelha...
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Não se olhava o relógio nesse tempo. Tudo parecia ser eterno. Horas passavam-se, dias, meses ou quem sabe, anos, isso não importava. Hoje, ainda posso sentir as alegrias que deixei pintadas nas paredes do meu quarto azul. A sombras não mais me assustam. Já não sinto mais a insegurança que tinha e nem o medo. Ao chegar à minha casa, olho para o céu e lá está o sol nem sempre tímido como fui, mas quase sempre saindo detrás das nuvens, para depois dormir no Alto do Caboclo.
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É verão!
 Claude Bloc

Dr. Raimundo Bezerra e o Primeiro Site do Crato na Internet - Por: Dihelson Mendonça


Memórias...


E
m 1993 eu comecei a acessar a internet. Fui das primeiras pessoas do Brasil a usar a grande rede, com os primeiros provedores que existiram em São Paulo. No mesmo ano, implantei no Crato um sistema que fornecia E-mail para os usuários, o primeiro serviço de internet do Cariri, chamado MEGA-STAR BBS. Os BBS, também conhecidos por "Boletim Board Systems", foram os precursores dos atuais serviços de internet. Era uma época primitiva, mas já tínhamos comunicação em tempo real com o resto do mundo, e eu cheguei a ter mais de 120 clientes cadastrados nesse sistema. Anos depois é que surgiu outra BBS aqui no Crato, e 4 anos depois surgia a BaydeJBC em Juazeiro. Em 1996 os sistemas se aperfeiçoaram e fizemos planos para um grande provedor para o Crato em reuniões com Nezim Patrício e outros, a fim de calcular os custos e o material necessário. Crato sempre marcando pioneirismo...

Ainda em 1996 me tornei webdesigner, trabalhava também com programas gráficos como o photoshop ( que era novidade ), retoques de fotos antigas, etc, e me associei a outras pessoas, como Josane Garcia, Sérgio Bastos e Haoni Caiena, que na época, era um garotinho inteligente.

Um dos nossos primeiros trabalhos além do design de um site para uma indústria de Mel da região, foi a criação do site da cidade do Crato. Levamos a idéia ao Dr. Raimundo Bezerra ( então prefeito ), que ficou muito empolgado para que o Crato fosse pioneiro ( Vejam que essa história de "O Crato na Internet" que o Blog do Crato utiliza, vem desde aquela época ). Dr. Raimundo foi um homem visionário, tinha grande noção das potencialidades que a internet traria ao futuro. Assim é que com a equipe acima mencionada, e com revisões de Huberto Cabral, surgia em meados de 1997, o primeiro "Crato na Internet", que foi o site Crato Virtual.

Numa época em que ele foi criticado por alguns retrógrados da cidade, que achavam que "esse negócio de internet não ia dar em nada", e investia numa "coisa sem futuro", ele, que sempre me tratou carinhosamente de "O professor", escreveu a seguinte mensagem de abertura para nosso o site há 14 anos atrás:

"Temos a responsabilidade de criar condições favoráveis para nossa gente, garantindo a todos o pleno direito de exercício da cidadania, buscando o objetivo maior, que é a vida tranquila, de boa qualidade. A plenitude desse direito é revigorada no acesso do homem aos meios da saúde, a educação e ao mercado de trabalho. Crato por tradição histórica, política, social e cultural, sempre se destacou por seu potencial natural e sua exuberante paisagem que encanta quantos o visitam. É nosso dever como poder público manter acesa a chama da história deste município que sempre se destacou como geo-centro do Nordeste do Brasil com suas particularidades e seu forte potencial produtivo. O reconhecimento do cidadão nas ações públicas está na segurança de poder nascer, crescer e construir uma família com a certeza de demonstrar, que lhe foi permitido garantias reais a esse mister, e, finalmente justificar seu dever como cidadão participativo que contribui para o engrandecimento da sociedade. Cabe a todos esse direito de participar, para que o futuro seja o resultado do nosso presente. O Crato, no seu histórico pioneirismo, não poderia ficar de fora dos modernos avanços da tecnologia das comunicações eletrônicas e do já existente aldeamento global. Com o advento da Internet, podemos projetar ao mundo de maneira rápida, realista, e moderna, o legado dos nossos antepassados gloriosos de suas causas nobres, que tornam o Crato um ponto referencial único dentro da história sócio - política do nordeste brasileiro, e as suas projeções altivas para a cultura e a CyberCultura do próximo milênio. Sejam bem vindos, "nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade. "

Aqui está uma imagem da página de abertura do nosso primeiro site do Crato, o "Crato Virtual":
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnrjdXfe8aMKpFACQ4okMymLTi0caLjLw_zirRkcB1jcDmry1sKxL_lwBzftgsM2VagLiLIw3n-AcSofO7BFLS51S_8M6KqpiGrJlttWrq1JzQsLTlHHCoh5iEtqiti2_xtCaNrRD-90ST/s1600/crato_virtual.jpg

Aproveito aqui para saudar esta grande figura da sociedade cratense, Dr. Raimundo Bezerra, um homem de muita visão, que sempre teve por mim, um tratamento e aprêço especiais, sempre que nos encontrávamos. Nos deixou saudades.

Por: Dihelson Mendonça

Filhos, dádivas de Deus - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Muitos pais e mães esquecem dos valores morais recebidos de suas famílias na infância e adolescência. E criam seus filhos bem distantes do mais importante na educação, que é a formação integral. A responsabilidade dos pais é preparar o homem como um todo, sem separar o corpo da alma. Será incompleta a orientação dos filhos, se os pais se preocuparem somente com a formação física, intelectual e social, esquecendo de incutir nos filhos o amor e o respeito ao próximo, a honestidade, a ausência de preconceito e discriminação de qualquer tipo. Esse conjunto de valores deve fazer parte do aprendizado das crianças, desde os primeiros anos.

Os filhos são dádivas de Deus. Portanto, os pais têm o dever de colocar na sociedade pessoas de bem para que o mundo seja transformado. Educar os filhos no amor, no diálogo é o caminho para construção de uma família ajustada e uma sociedade mais humana e mais justa. No lar onde existe tudo isso, com os pais sabendo impor limites, dizendo “não” quando necessário, com certeza se formarão adultos ajustados.

Vivemos em uma sociedade em que predomina o TER, em lugar do SER. Os meios de comunicação social através da propaganda incentivam o consumismo e levam as pessoas a acharem que a felicidade está no dinheiro, numa roupa cara, num carro do ano. Muitos para ter dinheiro e adquirir esses bens de consumo, procuram acumular riqueza desonestamente. Em consequência vemos aí uma sociedade injusta, violenta cheia de problemas: como as drogas, a corrupção e a injustiça social. Cabe aos pais darem testemunho aos filhos e colaborarem com uma sociedade onde exista justiça e paz.

De acordo com as palavras proferidas por Dom Rafael Lhano Cifuentes, Bispo Emérito de Nova Friburgo, no VII Congresso Nacional da Pastoral Familiar, realizado em Belém do Pará, em 1996: "A tarefa educacional dos filhos deve ser solidária. A firmeza e disciplina própria do homem têm que fundir-se à ternura e a amabilidade própria da mulher, de tal modo que a autoridade não parta somente do pai, e o carinho exclusivamente da mãe. A melhor pedagogia é o exemplo. Os pais devem ser para os filhos, guias que indiquem as passagens mais seguras. Têm que experimentar antes, as virtudes que os filhos devem encarar depois."

Dom Cifuentes acrescentou ainda em sua palestra, trechos de uma carta, que um delinquente juvenil alemão enviou aos seus pais. "Porque sois fracos no bem, nos destes o nome de fortes no mal... nós vos concedemos dois decênios para nos fazerdes fortes no amor, vós porém nos fizestes fortes no mal, porque sois fracos no bem."

A missão dos pais como colaboradores de Deus em sua infinita obra criadora é colocar no mundo pessoas honestas, ajustadas e que possam fazer os outros felizes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

"A política é dinâmica" - José Nilton Mariano Saraiva

O então Governador do Ceará, Luiz de Gonzaga Fonseca Mota, que fora ungido ao cargo por indicação dos “coronéis” políticos cearenses Virgílio Távora, César Cals e Adauto Bezerra, acabou traindo-os espetacularmente ao escolher o então desconhecido empresário Tasso Ribeiro Jereissati para sucedê-lo; para justificar seu ato ignóbil e traiçoeiro, Gonzaga Mota cunhou uma expressão (ou raciocínio) que passou a fazer parte dos anais (ou do folclore) da política cearense: como “a política é dinâmica”, comportaria quaisquer atos, desabonadores ou não, a fim de alcançar os objetivos colimados (posteriormente, ele provaria do próprio remédio, quando Tasso Jereissati o “aniquilou” politicamente, transformando-o sem dó nem piedade em algo parecido com “sulfato de merda”).
Pois bem, eleito, reeleito, padrinho e responsável pela eleição do sucessor e, posteriormente, sucedâneo deste em mais uma eleição, o senhor Tasso Ribeiro Jereissati passou incríveis dezesseis (16) como Governador do Estado do Ceará (12 efetivos e 04 do afilhado, já que este o consultava sempre nas questões substantivas); pra não largar o osso, já que quem se acostuma com o poder encontra dificuldades em largá-lo, tantas são as benesses, vantagens e mordomias (mesmo para um empresário podre de rico), referido senhor ainda passou oito (08) anos como Senador da República; foram, portanto, 24 anos na “crista-da-onda”, quando mandou e desmandou, casou e batizou, traficou influência e impôs seu estilo arrogante e prepotente. Tanto é que durante todo esse tempo Tasso Jereissati dirigiu o PSDB com mão-de-ferro, não permitindo que ninguém lhe fizesse sombra ou atrapalhasse seus planos, a ponto de ser comum se dizer que, tal qual a sombra de uma frondosa mangueira, aonde ele pisava também não nascia mais grama.
Toda uma família interiorana, no entanto, caiu nas graças e privou do afeto de Sua Excelência: os Ferreira Gomes, de Sobral. À frente o senhor Ciro Gomes (o mais velho dos irmãos), seu “líder” na Assembléia Legislativa e a seguir eleito Governador do Estado por sua influência (chegou até a assumir o Ministério da Fazenda, num ato insano do exótico presidente Itamar Franco), também foram beneficiados os irmãos Cid Gomes e Ivo Gomes (transformados em apagados Deputado Estadual) e até a mulher do próprio Ciro, a inexpressiva Patrícia Gomes, eleita primeiramente vereadora de Fortaleza, depois Deputada e, alfim, Senadora da República (que se notabilizou pela improdutividade, por onde passou). E já se fala que a filha Lívia Gomes (desempregada ???) será candidata a vereadora em Fortaleza, nas próximas eleições
Pois bem, após o término (08 anos) do seu mandato de Senador da República, o senhor Tasso Jereissati houve por bem candidatar-se à reeleição, certo de que levaria fácil, fácil (afinal, já estava mamando há 24 anos e no horizonte as nuvens aparentemente eram tranqüilas e o céu de brigadeiro). E aí, como uma praga avassaladora, o “A POLÍTICA É DINÂMICA” de Gonzaga Mota (que fora traído por Tasso), se fez presente: os Ferreira Gomes traíram “com gosto de gás” aquele que os lançara e os construíra politicamente, ao optarem por um bancário e sindicalista desconhecido (José Pimentel) atendendo a um pedido do presidente Lula da Silva (a rigor, como eram duas vagas de Senadores, os Ferreira Gomes, se gratos fossem, bem que poderiam apoiar um deles e descarregar os demais votos no antigo aliado). A derrota foi humilhante, doída e acachapante (dizem até que o insensível Tasso Jereissati chegou ás lágrimas ante tamanha “consideração”).
Hoje, pra tirar o braço da seringa e tentar uma reaproximação com o ex-tutor, o espertalhão Ciro Gomes soltou a seguinte pérola, numa manifestação pública em Quixeramobim: “O Tasso não merecia passar o que está passando, por tudo que fez pelo Ceará. Não merecia ficar com dois deputados estaduais, um porque é parente e outro porque é doido e ninguém quer” (observação: o parente é o João Jaime e o “doido” o Fernando Hugo).
Só esqueceu de dois pequenos detalhes: 1) que, a debandada de deputados (do PSDB, de Tasso Jereissati) é rumo ao partido que os Ferreira Gomes de apossaram (PSB), certamente que em razão das vantagens oferecidas; 2) que, como a traição perpetrada é de conhecimento público, Ciro Gomes bem que poderia questionar o ex-aliado Fernando Hugo, que o rotulou de “desocupado profissionalmente” e que “Tasso Jereissati foi apunhalado traiçoeiramente pelos Judas Escariotes que estão no poder” (aqui, leia-se família Ferreira Gomes).
E aí, Ciro, vai encarar ??? Ou faltam argumentos ???

domingo, 9 de outubro de 2011

Se Ligue !

"Cão de Briga" - José Nilton Mariano Saraiva

O “click” do destravamento da estranha coleira mecânica (e sua posterior remoção do pescoço) representava a senha para que aquele aparentemente tímido e frágil ser humano se transmutasse numa fera ensandecida, capaz de aniquilar quem encontrasse à frente. Na verdade, desde a meninice o pacato e “desligado” Danny (Jet Li) que experimentara precocemente a orfandade, fora exaustivamente treinado e programado (por um suposto “tio”) com um objetivo específico: nas arenas da vida, tornar-se uma potente arma de guerra, autentico matador profissional, capaz de trucidar o adversário em segundos, em troca de algum dinheiro. Ao final de cada combate, dinheiro no bolso do “empresário” e o retorno à jaula que lhe servia de moradia, à comida racionada e às humilhações de sempre. Um cachorro vadio e desprezível, na completa acepção do termo.
Mas quando, em razão de um grave acidente (e a presumível morte do seu “tutor-tio”), o “encoleirado” Danny se vê sozinho no mundo, perambulando sem rumo pelas ruas, repentinamente é atraído pelo som de um piano; e aí ele conhece Sam (Morgan Freeman) que, apesar de cego, é um exímio afinador do instrumento.
Desprovido da visão, mas dono de uma apurada acuidade extra-sensorial, Sam detectara a presença de Danny no ambiente, estimulara-o a aproximar-se, pedira sua ajuda no manuseio de algumas teclas do piano e, ao final da conversa que fizera questão de provocar, convencido de que tratava de alguém de boa índole (mas sozinho no mundo, sem eira e nem beira), convidara-o para ir morar em sua casa. Lá, o encontro com Victória, enteada de Sam, aluna-concludente de um dos mais respeitáveis conservatórios de música (piano) dos Estados Unidos.
Pacientemente, os dois deixam que Danny aos poucos se liberte dos seus medos e apreensões, das suas angústias e temores e finde por integrar-ser à “nova família”, até porque, segundo ouviria de Sam a posteriori, “as famílias devem permanecer unidas”; e assim, aos poucos, acompanhado por Sam ou Victória, Danny começa a descobrir os prazeres da vida, em coisas e situações aparentemente banais ao mortal-comum: tomar um sorvete e saber que é gelado, ir a um supermercado, detectar quando uma fruta se acha madura e, até, que um beijo na face, lhe dado por Victória em forma de saudação, é “molhado” e “gostoso”. Definitivamente, aquela era a “sua família”.
De outra parte, os ensaios de Victória ao piano, em pleno recinto familiar, além de deixá-lo embevecido e extasiado, repentinamente o levam de volta ao passado e, via fragmentos memoriais, imagens começam a “pintar no pedaço”. E aí ele obtém a resposta do “porque” da sua atração pelo piano: sua mãe fora pianista. Ajudado por Sam e Victória (através de um “retrato” que guardara e pesquisas posteriores), descobre não só a identidade materna, mas que fora uma pianista consagrada e famosa.
Nisso, numa prosaica visita a um supermercado, eis que Danny é reconhecido por um dos comparsas do “tio” (que ele julgara morto e que o transformara num autentico animal); descobre, então, que o próprio havia sobrevivido ao acidente e se vê “convidado” a comparecer à sua presença, imediatamente (sob a ameaça de que, não o fazendo, descobririam seu endereço e seus atuais protetores sofreriam as conseqüências).
Volta, é obrigado a recolocar a coleira e, mesmo afirmando não mais querer matar ninguém, é jogado numa arena onde cinco profissionais, usando instrumentos contundentes, começam um autentico “massacre”; por instinto de sobrevivência, a “fera” ressurge em todo o seu esplendor e assim Danny acaba com todos eles. Foge e, ferido, arquejante e cambaleante procura o abrigo de Sam e Victória, até porque “as famílias devem permanecer unidas”.
Surpreso, descobre que os velhos amigos (o “tio” à frente), já haviam descoberto seu “esconderijo” e, agora, subiam os lances de escada dispostos a trucidar com todos eles. Após colocar Sam e Victória num local presumivelmente seguro, dá-se a última batalha: um a um os comparsas são abatidos, impiedosamente, só restando o “tio”; já caído ao chão após uma luta sangrenta, incitando-o a que ele (Danny) mostre ser o que realmente é - “só um assassino” – provoca-o mais ainda ao afirmar que sua mãe fora uma prostituta que lhe servira sexualmente em ocasiões diversas; e aí, em feedback Danny revive a cena em que o “tio” matara sua mãe, à queima roupa, com um tiro na cabeça. Ainda assim, naquele momento crucial, o humano se sobressai, a fera sucumbe e Danny terminantemente se recusa a assassiná-lo; não, ele não é “aquilo”. Pressentindo o perigo, Sam sai do esconderijo e acaba com o marginal, ao acertá-lo com um vaso de plantas, na cabeça.
Cena final: no conservatório, ao receber seu diploma de melhor pianista, Victória, ao ser convidada pra mostrar suas habilidades, toma do microfone e anuncia que a música a ser executada é dedicada a alguém muito especial, que se encontra na platéia; alguém cuja vida transformou-se quando encontrou a música.
Haja coração.
Um filmão !!!

A Brisa do Salgado - Emerson Monteiro


Este o título de outro livro do autor Dimas Macedo, telúrico lavrense de quatro costados e raízes fincadas às margens do rio de nosso querido rincão. Devotado à vida de Lavras da Mangabeira de tantos acontecidos e personagens, aprofunda ação no amor à terra, em estudos e registros do universo que lhe convida a momentos definitivos das páginas que escreve com ânimo acendrado. Prolífico, incansável, preserva as relíquias desse lugar, consagrado aos irmãos de uma terra reconhecida pelas letras, de inúmeros títulos, poetas, contistas, cronistas, romancistas, memorialistas, nascidos ou vividos no seio do tórrido continente.

E Dimas se entregou à função de maestro da orquestra multiforme... Escriba primoroso, dedicado, proficiente, recolhe peças elaboradas pelo esmero daqueles heróis da pena, e constitui o acervo da literatura que descobre aos filões na alma dessa gente... Traça rumos, pesquisa, referenda, artífice intelectual da Academia Lavrense de Letras, exemplo vivo de cultor da arte a quem oferta sonhos de inteira devoção.

O livro que hoje nos traz, edição da Imprece Editorial, Fortaleza CE, 2011, consolida posições por meio de crônicas e ensaios inspirados, visando significar o rumo saboroso dos quintais férteis do Rio Salgado, cujas águas acariciam os morenos pés das musas da pátria ressequida. Ainda que envolto nos afazeres profissionais, se permite a instantes preciosos de laborar espelhos de sapiência e monta e totalidade lógica dos discursos textuais coletivos.

Converge, pois, linhas do tempo e do espaço lavrenses na colcha de retalhos dos filhos próximos ou distantes, vivos ou eternos, presentes ou para sempre destacados pela fraternidade, instrumentos afeitos à batuta do grande amigo que resolveu doar genialidade aos amantes das letras interioranas, literatura ao natural.

Um inesquecível cronista das terras alencarinas, poeta, ensaísta e historiógrafo, Dimas Macedo assim subscreve a legenda de que Lavras da Mangabeira se reveste qual cidade fenômeno das letras cearenses, pela incidência privilegiada na relação autores/habitantes no decorrer da sua história, satisfação e honra dos apreciadores da cultura.

CRATO - Um Tesouro que nunca poderão tirar de nós !


Pensamento do Dia

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEbTMpqNf0_7-EWOLL3S2auJaWklWhyonpqEviUrUDzrDmlKXZczrUQcjb00q2cmNDem2ohegfL0N9UVu7hcO0Ur4ArtRR9mrg-XOx1QGKXArAC7is2sqJMznLFof6itHajRgtR3mwjLvO/s1600/chapada_do_araripe_Crato400.jpg


"O Crato tem belezas naturais, tem a linda Chapada do Araripe, tem verde, tem fontes, balneários... Coisas que cidade nenhuma pode tirar de nós. Eles podem até levar o SESI, podem levar o SENAI, podem levar as nossas Universidades. Os governos podem negar verbas para que nossa cidade possa crescer como deveria, mas eles jamais poderão tirar os nossos maiores tesouros: Primeiro, a nossa dignidade, e a nossa querida Chapada do Araripe. Hoje é Domingo: Nós Cratenses, como fazemos há mais de 200 anos, vamos para nossos pés de Serra tomar Banho nas Nascentes, nessa agradável temperatura que o Crato possui. Enquanto isso, certas cidades gananciosas, que não tem sequer qualidade de vida, num belo dia de Domingo como esse vão amargar no calor, e tomar banho só se for de AREIA ou numa poça de lama. Salve a nossa Chapada do Araripe, um patrimônio que cidade nenhuma pode tirar dos Cratenses!"

Por: Dihelson Mendonça

Eu Vou Pro Crato
( Luiz Gonzaga
)

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Tomar banho na nascente
Na subida do Lameiro
Tomo uns trago de aguardente

Eu vou pro Crato
Comer arroz com pequi
Feijão com rapadura
Farinha do Cariri

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Pois a coisa melhorou
A luz de Paulo Afonso
O Cariri valorizou

Eu vou pro Crato
Já não fico mais aqui
Cratinho de açucar
Coração do Cariri

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Vou pra casa de seu Pedro
Seu Felício é velho macho
Tô com Pedro, tô sem medo

Eu vou pro Crato
Vou viver no Cariri
Cratinho de açucar
Tijolo de buriti

sábado, 8 de outubro de 2011

Continuam as Privatizações - CUT faz protesto contra privatização de aeroportos


CUT é contra a Privatização dos Aeroportos Brasileiros

São Paulo – A Central Única dos Trabalhadores (CUT) fez uma manifestação na tarde de hoje (7), no Aeroporto Internacional de Guarulhos, contra a transferência parcial de parte dos aeroportos brasileiros à iniciativa privada. A privatização dos terminais de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas) e Brasília deve começar em dezembro. Em agosto deste ano, o Aeroporto de São Gonçalo do Amarente, na região metropolitana de Natal, foi privatizado. O governo também estuda transferir para o setor privado a exploração de outros aeroportos, como o Galeão, no Rio, e Confins, em Minas Gerais.

“Entendemos que isso vai encarecer as tarifas e piorar a qualidade dos serviços. Com certeza, poderíamos atrair o capital privado para expandir os aeroportos sem a necessidade de privatizar a Infraero [Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária]”, disse o presidente da CUT, Artur Henrique. Mais de 100 pessoas participaram da manifestação. Entre elas, delegados da CUT de quase todo o país, que estavam reunidos em uma plenária em Guarulhos, funcionários da Infraero e de sindicatos de aeroportuários e aeroviários.

De acordo com os sindicalistas, o governo precisa manter o controle acionário da Infraero, mesmo que decida abrir o capital da empresa estatal. O governo quer que a iniciativa privada fique com 51% de participação dos aeroportos privatizados. As entidades sindicais consideram alto esse percentual.

“O ganhador da licitação terceiriza ou quarteiriza e diminui a qualidade do serviço. Estamos vendo o que está acontecendo em várias obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, disse o presidente da CUT. Os manifestantes percorreram todos os terminais do aeroporto gritando palavras de ordem contra a privatização. Por alguns instantes, as duas faixas de acesso ao desembarque do aeroporto foram fechadas.

“A privatização vai trazer a elitização dos aeroportos e o aumento das tarifas. O que incomoda a elite do país é que os aeroportos começaram a ser frequentados pelo povão. Um governo eleito pelos trabalhadores com discurso contra a privatização não pode privatizar um patrimônio do país como é a Infraero”, disse o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Fentac), Celso Klafke.

Edição: João Carlos Rodrigues
Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil

Um caririense no vácuo - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Armando Rafael bem que pegou no pulso deste caririense de quatro costados. Que olha para o amanhecer e já pensa o quanto o dia tem de possibilidades, que se emociona no crepúsculo emoldurado pela chapada, olha para o sul como o mais profundo dos sertões e para o norte assim como para o sentimento do imenso. A imensidão da Amazônia.

Aí ele me deixa de papilas paladares a buscar os sabores ancestrais. Os sabores de uma era inteira. Aqueles sabores que se juntam do local e todo o hinterland do qual somos o umbigo: os sertões semi-áridos. Não pensamos no caririense sem as manadas de gado vindas da caatinga, que as cargas de queijo cheguem, sem que os caminhões subam a ladeira levando mercadoria.

Eu quase que dizia as cargas de rapadura transportadas para os sertões, mas a moagem anda tão escassa e o açúcar refinado é mais do gosto. O queijo dos currais históricos ficou uma coisa meio assim, o colesterol entope e a velhice moderna tem que comer o queijo de outros lugares. Aí você passa numa esquina e vê uma panela de mugunzá salivando deste a tampa até nossas bocas, convida o amigo e ele olha apavorado com o rosto cheio do veneno da comida.

Há um ano, senti muito, o Armando estava convalescente e não o vi. Mas me fartei da genuína gente do cariri. Da melhor estirpe num Buffet de alto nível todo à moda internacional. Tome whisky, cervejas importadas, algumas canções da nossa época todas em língua estrangeira, mas o caririense há muito que gosta disso.

Aí para o máximo que um dia é capaz vou a um dos restaurantes mais lindo que conheço. Fica acima da nascente e dele se descortina todo o lindo vale do Cariri. E estávamos no regime das chuvas tinha tanto verde que Deus nem sabia que havia criado tal variedade. O panorama era comparável a qualquer outro acidente geográfico do mundo de igual natureza. Falo da beleza.

E tinha algo mais intenso. Era um restaurante com varanda, juntando todos os elementos das varandas que vêm desde os trezentos anos avocados pelo Armando. Aquelas varandas que não apenas nossos olhares contemporâneos esfriaram a vida, mas toda a nossa geração de avós. E as plantas em volta com babaçuais, mangueirais, sirigueleiras, cajaraneiras e um intrincado de matos e suas flores gentis a emoldurar toda a alma do olhar caririense.

Estava completo e examinei o cardápio. Como nossos cardápios. Uma lista imensa de possibilidades. Fica até difícil escolher. Desço o olhar de cima abaixo da lista e retorno ao topo. O quê escolher? Vou matar uma fome cubana. Pensei eu. Para melhorar o clima peço uma cerveja gelada de quebrar os dentes da ex-governadora Sarah Palin do Alasca.

Pronto eu estava pachorrento como o espírito de Fernando Henrique Cardoso. Não digo satisfeito, afinal com aquele cardápio à minha frente a pachorra era apenas aparente, igual ao “ex” quando sente o cargo ocupado por outro que não ele. E tem mais apesar da variedade, eu não me perdi no cipoal de ofertas. Havia algo a se destacar no todo e meu espírito caririense foi certeiro sobre ele: eu quero esta buchada anunciada no cardápio.

Comemorei com outra gelada e o entusiasmo da paisagem tomou um vigor novo. A lábia estava molhada e poderia falar à vontade sobre tudo. Absolutamente tudo, daí a pouco a santidade que guarda toda esta chapada iria me servir uma buchada. Uma buchada a me transportar ao original ser qual era antes destas transmigrações urbanas. Uma buchada com sabores capazes de reconhecer todo o meu corpo como aquele mesmo que a provou pela primeira vez e jamais esqueceu
.
Aí vem o prato fumegante da buchada. Meus olhos eram faróis de reconhecimento. A moça depositou a iguaria bem no centro da mesa e nem bem o prato se assentara sobre a tábua, já estava com faca e gafo pronto para partir o sabor de um mundo vasto e apenas explicado pelo gosto. Avancei mais que os outros e já tinha meu quinhão sobre o meu prato.

A antecipação era tão forte que qualquer suspeição ficaria relegada ao rabo da fila das negações. Os bocados estavam prontos para se transformar na comunhão do meu espírito caririense.

Hummmmm. Ihhhhh. Não. Não. Não. Que gosto estranho. Uma antítese de se perder o rumo. Olho para o prato dos companheiros de mesa e os rostos eram iguais em decepção. O que havia?

Minha filha que buchada é essa?

Senhor?

Que buchada é essa?

Buchada? – a expressão de incompreensão da moça que nos servia.

Essa que você nos serviu.

Ah! É de tilápia.

A paisagem desabou. A moldura rachou. Eu quase saia correndo de ladeira abaixo e me abraçava à carcaça do motor da luz.

Mas tem mais. Não saia ainda não. No restaurante não tinha piqui e estávamos na safra. Meu marido não tem comprado o povo não pede mais, explicou-me a dona. Bom eu vou ao mais tradicional dos tradicionais do meu querido Crato e como piqui no Pau do Guarda. Qual o quê!

O Pau do Guarda é uma steak house, piqui o povo não gosta. Quase que corro para o Juazeiro. Esperem um pouco que o mesmo poderia acontecer por lá. Era para pegar o avião e me refugiar na Feira de São Cristóvão. Aqui no Rio.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Caririensidade -- por Armando Lopes Rafael

   O povoamento do Cariri, dizem os historiadores, teve início provavelmente por volta de 1703. Foi quando criadores baianos e sergipanos – seguindo o caminho dos rios –  chegaram a esta região vindo – com seus rebanhos – pela ribeira do Rio Salgado e Riacho dos Porcos. Alguns desses colonizadores se fixaram inicialmente na povoação de São José dos Cariris Novos, atual cidade de Missão Velha.
Só depois apareceu por aqui o lendário frei Carlos Maria de Ferrara, responsável pelo surgimento da Missão do Miranda do Brejo Grande, atual cidade de Crato. São, portanto, mais de 300 anos.  Tempo no qual a população sul-cearense construiu sua história, saberes e fazeres, usos e costumes, enfim plasmou uma identidade cultural própria. 
  
Temos raízes. A mim me parece, no entanto, que o atual e  globalizado caririense ainda conserva – lá no recôndito da alma – quando nada, a nostalgia dessa caririensidade.  Perguntinha ingênua: existiria ainda –  num mundo tão globalizado como o nosso – e, particularmente, numa região tão eclética como o Cariri, espaço para defendermos a existência do sentimento que se convencionou chamar de “caririensidade”?
   
Hoje falamos o linguajar que nos foi imposto pela televisão gerada a partir do sudeste. Vestimo-nos como a população se veste nas demais regiões do mundo: calça jeans, camisa polo ou xadrez. Calçamos o tênis. Igualzinho ao palestino, ou ao arqui-inimigo deste, o israelense. Este, por sua vez, traja igualzinho aos manifestantes que derrubaram as ditaduras no Egito, na Tunísia e na Líbia. Sabemos todos, que o sonho de consumo da paupérrima população cubana é vestir-se igual aos “decadentes” capitalistas norte-americanos. Por isso, o promissor comércio da prostituição cubana fez da calça jeans uma  moeda de conversão.
   
 E as comidas que consumimos no Cariri? Se formos a um restaurante caro (ou mesmo a um bom self service) o cardápio destaca logo: Pizza, Spaghetti, lasanha, risoto, Paella... Se optamos por um fast-food, existem dezenas de sugestões, que vão desde o sandwich de salsicha simples,  ao hambúrguer com batatas fritas e a inevitável Coca-Cola (e aí meu chefe? vai de light, diet ou KS?).
Sem esquecer outras sugestões como o Beirute, ou as esfihas. As de bacon são as mais consumidas. Como sobremesa, uma boa pedida  é o  mousse de maracujá. Suprema humilhação: hoje no Cariri se vende mais queijo mussarela do que o de coalho.
              
Agora experimente numa festa tocar um autêntico forró Pé-de-Serra. A pista de dança fica logo cheia! Ou mande um caririense escolher entre as sugestões do cardápio e um sarapatel... Sugira uma panelada, galinha cabidela, cozido com pirão de farinha, paçoca pilada no pilão com cebola roxa, buchada de bode, baião-de-dois com carne de sol e queijo de coalho...
               
Aí, meu irmão, prevalecerá a caririensidade...
(Texto e postagem: Armando Lopes Rafael)

Edilma Rocha - em resposta ao texto "A Casa Grande" de Claude Bloc

Eu sou...
- Edilma Rocha -


Fiquei ali quieta a esperar, sem me dar conta das luzes que se iam e vinham num tempo infinito.

Mesmo de longe, sabia do sentimento que chegava de mansinho no pisar de cada passo quieto. Na volta todos são crianças à procura de algum brinquedo esquecido em algum canto da casa. Ficar quieta e sentir o respirar compassado na subida de cada batente antigo, é reviver os momentos de alegria de um passado distante. Sinto o bater apressado de um coração latente a procura de alívio para o sentimento sufocado, me faz bem...

Ao chegar no alpendre cada passo reviveu um momento nos olhos fechados da menina do passado, tateando com as mãos feito brincadeira de cobra-cega. Era hora de ser criança outra vez e procurar pelo cheiro bom da memória das coisas que não voltam mais.

Procurei em cada canto um objeto querido para sentir novamente o toque de suas mãos. E eles se foram, levando um pedaço de cada vida, no seu destino misterioso. Se ainda restou uma lembrança num pedaço qualquer, foi como se reunisse todos os sentimentos em um só objeto.

Os papeis se foram no vento levando palavras que não foram escritas. Mas ficaram os ecos dos medos da noite em que corria para os braços maternos à procura de alento. Na antiga banheira os mesclados da estampa se empregnaram na louça esquecida.

E na poltrona da sala, continuo ali à espera de cada um, que de vez em quando penetra no passado de mil silencios. Estou a esperar poemas e contos no relato do livro dos sonhos embalados pelo murmurar das águas do açude e no bailar das lembranças da menina feliz por estar de volta mais uma vez na casa grande.

Eu sou a saudade...

Digníssimo Povo do Crato - Por Helder Macário


Eu não sou filho do Crato, mas considero-me tão cratense quanto os que aqui nasceram.

Não sou político, nem candidato, mas gostaria de lhes falar um pouco sobre política.

Tampouco sou escritor, mas gostaria de escrevendo, lhes dizer algo que, considero de suma importância para todos nós.

Meus amigos e amigas – acho e, com certeza, muitos também acharão que o nosso município já teve em sua já um tanto longa existência, momentos de glória, momentos históricos, momentos outros quando éramos considerados referência em educação, em saúde, em cultura, em comércio, enfim, em muitas e importantes atividades. Já fomos um município que dominou uma vasta região, que já contou com fortes lideranças políticas, tinha deputado estadual, federal e até senador nós já tivemos, teve força política, poder, prestígio, influência e autonomia e, por isso, teve condições de conseguir junto aos governos o tudo que precisava e queria. Dispunha, realmente de tudo e aparecia no topo, às vistas dos governos e isto porque um município só é bem visto pelos governos quando dispõe de tudo o que o Crato dispunha: força política, poder, autonomia e por isso, muito prestígio e influência.

Que governo irá prestigiar um município que não tenha suas lideranças, seus próprios deputados, que não tenha união, nem autonomia e por isso não terá também força política? Realmente nenhum! Pois foi exatamente quando o Crato deixou de eleger os seus próprios deputados, votando em candidatos de outros lugares que começamos a cair, a perder prestígio, chegando ao ponto de não termos quem “levante uma palha” por nós, quem dê “uma mãozinha” sequer, ao prefeito para que, pelo menos, resolvamos problemas urgentes e simples, imaginem os grandes ou os que nos tragam benefícios, sejam quais forem.

Sim porque aqueles em que votamos não tem o mínimo interesse por nós, desejam mesmo é que o Crato se esvazie cada vez mais, se torne, por completo, dependente de outras plagas e deles mesmos que, naturais de outros lugares, aqui encontraram guarida, receberam o respaldo que precisavam, em votos, que lhes deram poder e prestígio, utilizados, não a nosso favor, mas ás vezes, contra nós, como é o caso atual, quando alguém quer nos presentear com algo que, dizem, de grande benefício mas que, ao invés de benefício nos trará literalmente o sobejo, as migalhas, os restos, o lixão dos outros municípios do Cariri, verdadeiro “presente de grego.”

Nenhum cratense de sã consciência deixará de se indignar por isso e eu lhes pergunto: qual daqueles candidatos aqui votados já se empenhou em conseguir, para nós algum benefício? Qual deles, por exemplo, se empenhou na luta pela vinda da Universidade Federal para o Crato? Qual deles teve interesse em nos defender, quando daqui tiraram tantos órgãos importantes, há muito aqui instalados? Qual deles interferiu na resolução do gravíssimo problema do nosso canal do Rio Granjeiro? Em qual deles deveremos confiar quando falam em retirar a nossa Exposição do seu parque atual? Qual deles já agradeceu pelos votos que aqui receberam? Qual deles ainda merece o nosso voto? Qual deles merece o nosso respeito? Sinceramente, eu acho que nenhum. Mas existe um ponto que precisa ser considerado. É que eles aqui gastaram dinheiro, algum cratense negociou votos e se os candidatos pagaram, não restou nenhum compromisso. Então, não deveríamos mesmo esperar nada deles. Eles pagaram os votos ou em dinheiro ou em favores para alguém e em contrapartida não nos trouxeram o que atenderia ao município e seu povo, de maneira geral.

Temos que ter consciência e pensar, que votar em candidato de fora, nesses que compram votos, é votar contra o Crato, é votar contra nós mesmos, é, antes de tudo um contra-senso.

Então, em quem votaremos para deputados nas próximas eleições? Não é nada fácil responder a esta pergunta, por algumas razões: uma é que os políticos andam mesmo em muito baixa cotação, outra, é que nós não contamos realmente com nomes fortes que possam ser apontados como candidatos a deputado estadual e federal ou porque, desde muito tempo ninguém preparou-se suficientemente para isso ou porque não houve interesse por alguém que tivesse condições ou porque tal interesse foi prejudicado (este foi o caso do nosso amigo e conterrâneo Valberto) pelo interesse de alguém que só desejava ver o Crato dependente ou ainda e isto é muito importante, porque não tivemos consciência de que teremos que fazer valer a nossa autonomia.

Aliás, povo do Crato, onde anda a nossa autonomia? Precisamos tê-la de volta, precisamos, nós mesmos, resolver os nossos problemas domésticos, precisamos, nós mesmos, tomar as nossas decisões, precisamos, nós mesmos, escolher os nossos candidatos, sejam a prefeito ou deputados e, estes, que sejam pessoas do nosso meio, pessoas sérias, dignas, honestas, capazes, prudentes, empreendedoras, que conheçam os nossos problemas e anseios, comprometidas com o nosso município, em quem reconheçamos sinceridade nos pronunciamentos e atitudes. Nunca pessoas que, com dinheiro ou demagogia tentem ludibriar a consciência dos mais ingênuos, pessoas impostas por quem quer que seja, que nos sejam colocadas de “goela abaixo” como se fossem purgante, no que, de fato, eles sempre se tornam.

Teremos que tomar muito interesse pelas próximas eleições municipais, porque, além de estarmos elegendo pessoas que dirigirão os nossos destinos durante alguns anos, delas poderão depender medidas que venham solucionar, a meu ver, o maior problema do nosso município, que é o de não termos representantes legítimos, nem a nível estadual, nem federal, o que, diga-se de passagem, é uma grande vergonha.

Os deputados, são elos de ligação entre o prefeito e os governos, através deles que por sua vez são muito úteis aos interesses, tanto do governo estadual como do federal, inclusive permitindo a eles o poder da barganha, os prefeitos conseguem fazer as suas reivindicações. Então, se o município não conta com deputados legítimos ou em quem possa confiar, fica marcando passo, vendo a “carruagem passar” rumo a outros municípios que contem com seus representantes.

Ainda bem que surgem, às vezes, oportunidades de o governo e o próprio prefeito conseguirem algo, como por exemplo, o calçadão da Rua Dr. João Pessoa, e reforma das praças, a Escola Profissionalizante e a recuperação de parte do canal do Rio Granjeiro, que, por sinal, teria que ser uma obra de prioridade máxima, que estivesse pronta antes das primeiras enxurradas, os cratenses sabem por quê.

Se nós eleitores pensarmos bem, acabaremos concluindo que a nossa responsabilidade é muito grande, de nós depende a eleição de cada candidato, de nós, portanto, dependerá o nosso próprio destino e se a nós cabe tamanha responsabilidade, temos a obrigação e o dever de nos empenharmos de corpo e alma no processo.

No meu entender o ideal seria participarmos com absoluta seriedade de uma união (A UNIÃO PELO CRATO) que seria formada entre nós eleitores mas, também, antes e principalmente entre candidatos e lideranças partidárias que tomariam a frente de tudo, acolhendo a importante, necessária e indispensável participação de todos os segmentos da sociedade, esquecendo questões de qualquer ordem em favor do propósito de ser formado um grande grupo que, marchando junto e forte, indicaria, já nas próximas eleições municipais, o nome do candidato a prefeito, aliás, já estão surgindo nomes, alguns muito bons, realmente. Juntos a este o nome do vice-prefeito e vereadores, nomes estes que seriam ratificados por nós, eleitores, nas eleições e depois, na eleição seguinte, para deputados se procederia da mesma maneira com relação a deputado estadual e federal para, então, o grupo e nós cratenses, cheios de confiança e otimismo, termos aquela força política, há algum tempo perdida, finalmente renovada, o que nos daria poder, prestígio, influência e por isso, nos daria condições para conseguirmos junto aos governos o tudo que precisamos e queremos, aquilo que hoje não conseguimos, exatamente porque, desorientados, sem a devida união, sem a mínima noção de dimensão da nossa responsabilidade, votamos em pessoas erradas para deputado, alheios a nosso municípios, a nossa gente e o pior, sem compromisso para conosco, daí porque, já deixamos de receber muito do que precisávamos, perdemos muito do que tínhamos e corremos o risco de perder ainda mais, inclusive a nossa Exposição, ela que ainda nos promove, criada pelo povo do Crato, orgulho para todos nós e muito ambicionada por outros municípios.

A quem falei sobre a idéia da união, quase todos foram unânimes em dizer que é muito difícil acontecer mas, seria o ideal e eu, o que possa até parecer um sonho, me arrisco a publicar, na esperança que algum outro sonhador como eu, concorde comigo, ache que nem tudo o que é difícil, é impossível de acontecer, principalmente, quando se trata de assunto tão importante e sério, que diz respeito ao futuro do nosso município, da nossa cidade, da nossa gente, que deverá ser tratado por pessoas de alto nível, a quem interessa também, e muito diretamente.

Realmente, temos que acordar, temos que encarar o grande problema que temos por não contar com representantes legítimos nem na Assembléia Legislativa, nem na Câmara Federal, com muita seriedade e a meu ver, mesmo que possa realmente parecer um sonho, só através da união teremos a solução e ela nos trará força política, com esta, o poder,  a influência e o prestígio para conseguirmos o que desejarmos e precisarmos.

Eu torço, então, para que os nossos líderes se entendam e façam do que tantos acham ser difícil, mas ideal, a grande “UNIÃO PELO CRATO”, uma realidade para o bem de todos.

 Sou o visionário que assina.

 Helder Macário.

Crato-CE, 27/09/2011.