Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dia da Caça


Aí pelos anos 40-50, um dos principais lazeres da cidade era a caça. Época do boom do cinema hollywoodiano, nossos antepassados --- à moda James Dean --- montavam em suas selvagens motocicletas e subiam a Chapada, nos fins de semana. Eram grupos e mais grupos de amigos, acampados na serra, à procura de veados, jacus, tatus e cutias. Imaginavam todos os recursos da natureza como infinitos e, antes dos olhos atentos do IBAMA, o impacto biológico terminou por se fazer inevitável. Profundamente machista, o costume dava um salvo-conduto aos homens por todo o fim de semana, longe dos olhos fiscalizadores das patroas. O esporte praticava-se por mero hobby , muitas vezes matavam-se mais as garrafas de aguardente levadas a tiracolo do que os animais que pretensamente se pretendia caçar.Sem falar que muitas vezes perseguiam-se, às escondidas, outros animais muito mais jeitosos, que estranhamente vestiam saias e usavam perfumes franceses.

Entre tantos caçadores, tínhamos uma das figuras mais emblemáticas do Crato, hoje injustamente esquecido: o Padre Irineu Limaverde. Filho de uma das mais tradicionais famílias caririenses, nosso pároco era uma figura interessantíssima. Bondoso, educado, virtuoso,delicadíssimo com todo seu rebanho, era , por outro lado, uma figura excêntrica. Criava cobras das mais diferentes espécies, fornecendo inclusive muitas para o Instituto Butantã em São Paulo. Além de tudo, mostrava-se onívoro e gostava de provar da carne de muitos bichos , usualmente descartados nas cozinhas : serpentes, morcegos, raposas. Não muito diferente dos chineses. Criado no campo, ali no Sítio Fábrica, próximo à Santa Fé, desde menino aprendeu os mistérios da caça e este esporte o acompanhou até que a indesejada das gentes o tolheu, nonagenário, contemplando a mesma paisagem que viu ao nascer. Há duas histórias do nosso Padre Irineu que gostaria aqui de relembrar, até para trazer de volta à memória do Crato, uma pessoa tão especial.

Num fim de semana, saiu ele e um morador para uma caçada. Subiam da Santa Fé ao topo da serra a pé. Acompanhava-os um jegue levando os apetrechos necessários e os víveres para a jornada de três dias. O sacerdote levava na mão o inseparável Rádio Transglobe que usava para ter informações do mundo, no período em que ficava recluso. O Rádio ia sintonizado em uma estação e executava algumas músicas que ajudavam na estafante subida. Lá para as tantas, já cansados do alpinismo, o morador teve uma idéia que parecia genial. Por que não colocar o rádio no meio da carga do jumento ? Assim iam ouvindo a música e se viam livre do peso. O padre achou a proposta plausível: já ia de língua de fora. Pôs cuidadosamente o rádio na cangalha, entre uma e outra mala e continuaram a subir a ladeira. O problema é que o jumento estranhou aquele barulho, torceu uma orelha para um lado a outra para o lado da cangalha e, de repente, fez parafuso no rabo e saiu em desabalada carreira serra a dentro. O padre e seu acólito ainda tentaram acompanhá-lo, mas foi impossível. Nunca mais viram o jumento, as malas e o rádio. Este caso fez com que o Padre Vieira, no seu fabuloso livro : “O jumento , nosso irmão” , tenha concluído , definitivamente, que o jegue não possuí muitas aptidões musicais.

De outra feita, nosso querido pároco subiu a serra sozinho e escolheu ,cuidadosamente, a árvore para a espera. Colocou a seva abaixo e trepou-se com cuidado. Era tardizinha, próximo ao crepúsculo. Irineu gostava de usar uma capa grande e espessa para protegê-lo do frio e um chapéu xadrez tipo Sherlock Holmes. Ficou lá em cima, acomodado num galho, com o Rádio de um lado e a espingarda do outro. De repente ouviu algum barulho, mato abrindo e fechando. Observou bem e viu que , coincidentemente, se tratava de mais dois caçadores . Chegaram, observando o ambiente e as condições de espera. Um deles achou que ali parecia o lugar ideal, pois até seva já tinha. Combinou com o companheiro que resolveu subir na árvore vizinha. Quando o promotor da caçada fez finca-pé para subir , já anoitecendo, ao levantar a cabeça, observou aquela moqueca lá em cima. Tomou um susto e assoviou para o outro que já ascendia nos galhos de um pequizeiro vizinho. Assustado o promotor pedia uma ajudazinha de coragem ao camarada. Quando o de lá atendeu ao assovio, o de cá mostrou com o dedo a aparição no topo da árvore. Quando o cabra viu aquela arrumação, ao invés de ajudar ao amigo, saiu em desabalada carreira, mato a fora, sendo acompanhado, incontinenti, pelo pedidor de socorro. Ouviam-se apenas os gritos, a mata abrindo e fechando, e as quedas de um e de outro nas ribanceiras. Lá para tantas, Irineu entoou um grito longo e grave :

---- UUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!!

Só ouviu quando um dos cabras gritou arfante, em plena carreira, para o colega :

---- Meu Deus ! E o bicho fala !!!

J. Flávio Vieira

"Cosa nostra" - José Nilton Mariano Saraiva

Em 29 de agosto de 2008 foi publicada a súmula vinculante nº 13, tratando do nepotismo, com o seguinte teor: “A nomeação de cônjuge, companheiro OU PARENTE EM LINHA RETA, colateral ou por afinidade (grifo nosso), até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou ASSESSORAMENTO (grifo nosso) para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública DIRETA E INDIRETA (grifo nosso) em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.”
Portanto, didaticamente e para que não pairem dúvidas: nepotismo é o favorecimento para com parentes ou amigos próximos, especialmente na seara do poder público (até e mesmo que indiretamente).
O que não é divulgado é que, originalmente, o nepotismo tem tudo a ver com a secular Igreja Católica (olha ela aí de novo). Nepos, em latim, significa neto ou descendente. Chamava-se “nepote” o sobrinho do papa. Como os papas não tinham filhos (é bem verdade que alguns tiveram, mas aí é outra história), mas tinham sobrinhos, nomeavam a “sobrinhada” toda para cargos na burocracia da Igreja Católica. Eram bispos, cardeais, membros da Cúria Romana, o escambau. As monarquias católicas praticavam o nepotismo deslavado, porque não havia uma separação nítida entre o público e o privado. O reino pertencia ao rei. E ponto final. Se-fi-ni.
Assim, uma das críticas dos líderes protestantes à Igreja Católica era justamente a prática de os papas considerarem a Igreja “cosa nostra”. Por isso, os países protestantes passaram a combater o nepotismo e a adotar regras de impessoalidade e meritocracia na administração pública.
Na política, o exemplo maior de tão nefasta praga nos foi dado por Napoleão Bonaparte, que se tornou imperador conquistando a coroa na ponta da espada e, em seguida, levou o nepotismo ao paroxismo. Entregou reinos inteiros para os irmãos e generais amigos: José foi coroado rei da Espanha; Luís, rei de Nápoles; o general Bernadotte virou rei da Suécia.
A reflexão acima tem a ver com o ocorrido recentemente aqui na terrinha, quando o Governador Cid Gomes (e a cúpula do PSB), nomeou o irmão (desempregado), Ciro Gomes, assessor da agremiação, percebendo um suculento salário de cerca de R$ 22.000,00. Nepotismo ??? Ética ??? Que vão pro beleléu...
Aliás, não custa lembrar que da outra vez em que esteve desempregado o senhor Ciro Gomes foi convidado pelo senhor Arialdo Pinho, à época um dos donos do Beach Park, para “vender beleza” nos finais de semana, naquele aprazível recanto, em troca de uma mesada mensal. Não se fez de rogado...
Coincidentemente, quando eleito Governador do Estado o primeiro ato do senhor Cid Gomes foi nomear o senhor Arialdo Pinho (indicado pelo irmão ???) para a principal e poderosa Secretaria de Governo (espécie de Casa Civil) do Estado, onde tem se destacado por desacatar a prefeita de Fortaleza (da qual Ciro Gomes é um costumaz crítico).
Temos, aqui, uma mão lavando a outra ???

A oposição de má fé - José do Vale Pinheiro Feitosa

A má fé campeia na internet. Hoje a mídia deu destaque para manifestações contra a corrupção no Brasil. Ainda se entenda: uma manifestação seletiva contra os políticos, mas não contra os corruptores inclusive da mídia. Este clima na mídia que passa pela internet tem alguns motes: a impunidade, o corrupto é sempre o adversário e a corrupção é com o dinheiro dos impostos, portanto não pague impostos.

Não estou aqui contra quem denuncia e tem a coragem moral e verdadeira de brigar contra os corruptos seja onde estejam. Especialmente no seu condomínio, no seu bairro e no seu município. Estou falando deste jogo safado de quem perdeu a vez de apresentar politicamente algo melhor e fica com o olho para o outro lado da cerca, enquanto a safadeza corre solta em sua volta.

Então vou apresentar um emblema deste jogo sujo e com o maior empenho de fazer os outros de otário. Isso ninguém gosta. Quando descobre passa a desconfiar até dos amigos. Mas vindo de amigos, que serve de repassador para que a safadeza funcione neste jogo.

Normalmente o e-mail vem de alguém conhecido, amigo nosso, que está pê da vida com alguma sacanagem feita por um político. Pois foi de um amigo, rapaz sério e cuidadoso que recebi o seguinte e-mail: CENA COVARDE... Isto faz pensar sobre a verdadeira intenção do propalado "controle social da mídia"... Vereador Jose Rainha do PT

Bateu na repórter e a cena não saiu em nenhum jornal, rádio ou canal de TV. Divulguem, por um Brasil melhor. Observem, esta é a democracia e a liberdade de Imprensa que o PT conhece e defende. Vamos divulgar pelo Brasil esta cena COVARDE Veja o vídeo. Anexo

Todo mundo foi feito de otário por este FPD que construiu uma mentira com um vídeo verdadeiro. O vídeo mostra uma repórter noticiando que o vereador fulano de tal, conhecido como (um nome estranho, mas que pode, uma vez sendo induzido, a se confundir com Zé Rainha) está sendo ouvido pela justiça. Quando o vereador sai e a repórter se dirige a ele, recebe uma bofetada do covarde. Ela protesta e o vídeo vai para o Youtube.

Um FDP botou o vídeo como sendo do Zé Rainha (militante petista que atua em São Paulo) e depois passou o e-mail para confundir as pessoas. Aliás, fica clara a posição ideológica do camarada e que ele tem interesses contrariados com o chamado controle social da mídia. Então é a mesma campanha.

Agora a verdade sobre o vídeo. Como bem disse a repórter o nome do vereador é Lourivaldo Rodrigues de Moraes. Não é o nome José Rainha Jr, o apelido do covardão é Kirrarinha e foi esta palavra que o dono do e-mail usou para confundir as pessoas. O pior de tudo, o vereador é do partido com o qual o dono do e-mail parece ter afinidade: é do DEM

E tem outra pesada: ele quis deixar subentendido a impunidade. Pois o vereador foi cassado exatamente por esta agressão pela câmara de vereadores de Ponte Lacerda em Mato Grosso. É a mesma manipulação daquelas notícias lá de cima, não nos enganemos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

História do eterno insatisfeito - Emerson Monteiro


Deus do antigo santuário grego, conhecido por Tântalo, lá um dia quis agradar os outros deuses, recebidos em festivo banquete, servindo-lhes carne do próprio filho, isso para testar a ciência deles tudo saber. Tal qual acontece a três por quatro entre seres humanos a fim de obter os favores escorregadios deste chão, vendeu a quem mais gostava numa atitude interesseira... Dominar o mundo e subir nas condições sociais. Matam e arrebentam, pisam a cabeça dos outros e invadem o camarim das vaidades querendo aparecer nas colunas dos jornais.

Pois esse personagem existiu, sim, na cultura grega, passando depois de geração a geração. O deus de nome Tântalo, casado com Dione, possuía três filhos, Níobe, Dascilo e Pélops. Naquele dia do banquete, ofereceu Pélops, aos demais deuses do Olimpo que o visitavam. Na ânsia de obter os favores dos céus, Tântalo antes havia abusado da confiança dos poderosos ao roubar-lhes néctar e ambrosia, substâncias de que necessitava para ser um imortal semelhante a eles.

Nesse caminho de tanta contradição, receberia de troco a punição de jamais poder experimentar o gosto da satisfação dos seus desejos. Após descoberto o delito de Tântalo, Zeus, o principal no comando das hostes superiores, ordenou que o filho oferecido no trágico banquete retornasse a viver, porém que o pai cumpriria, em condenação pelo gesto condenável, a pena de nunca chegar à realização de qualquer sonho que sonhasse. Tão próximo dos objetos do desejo e tão longe do prazer, eis o resumo do que o aguardavam na sequência dos acontecimentos.

Com água no pescoço, não poderia saciar a sede... Olharia frutos deliciosos das árvores da natureza sem, no entanto, desfrutar do direito de saborear-los, forma inominável de suplício, símbolo da insatisfação dos instintos que chamam de a medida do ter que nunca enche. Tântalo e seus descendentes sempre iriam carregar a prova de imaginar ambições, e não vencer o limite que delas o separa, nesta vida material que se desmancha no mar da insatisfação, segundo os gregos de antigamente.

E quantos nadam, nadam, avistando as praias douradas da ilusão, em quimeras fantasiosas, esquecidos que transportam consigo, no íntimo coração, o motivo da felicidade, o Amor, que tudo pode e realiza.

Lua rubra de outubro - Por Heládio Teles Duarte

Foto: Heládio Teles Duarte

Empresário Valdemir Correia de Sousa comenta o fechamento do SESI do Crato


"Iguatu tem 2 indústrias, uma de móveis e outra se não me engano, de calçados. O Crato, só de cerâmicas, tem 10 cerâmicas, quase 3.000 funcionários. A GRENDENE tem mais 3.000 funcionários. Só aí são 6.000 funcionários. O Crato dá quase 3 Iguatu e não pode ter um SESI e Iguatu pode ? Por quê ?"


Valdemir Correia de Sousa


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEisMw2P6HFguD1WTvz_7yGHKRWHi-R5Dtf1QasQm-SPFW4MaYIKPCkRYaaxilswYTNuoc9MeK2xGLDfJR4Cquthtg43IQStYtqakfjTOAQ323xd9zXCCceFFxTixE3Nig1uwPHcuQdBqJyA/s1600/valdemir.jpg

Em entrevista ao Blog do Crato nesta semana, um dos empresários mais bem-sucedidos do Cariri, Sr. Valdemir Correia de Sousa comentou sobre um dos temas que tem causado extrema mágoa aos cratenses, que foi o recente fechamento da unidade do SESI que operava na cidade. Assim se expressou Valdemir Correia:

"O SESI e o SENAI do Crato foram fechados. Em contrapartida, vão abrir outro SESI em Iguatu e outro em Sobral ( NE - gastando 15 milhões de reais, quando o do Crato já estava pronto e funcionando há 40 anos ). Iguatu não tem uma décima parte das indústrias que tem o Crato. Iguatu tem 2 indústrias, uma de móveis e outra se não me engano, de calçados. O Crato, só de cerâmicas, tem 10 cerâmicas, quase 3.000 funcionários. A GRENDENE tem 3.000 funcionários. Só aí são 6.000 funcionários. Ninguém vê isso...

Agora enquanto isso, Iguatu que tem 80.000 habitantes, o Crato tem 130.000, vão botar um SESI no Iguatu e fecharam o do Crato. Porque essa diferenciação de uma cidade pra outra ? O Crato dá quase 3 Iguatu e não pode ter um SESI e Iguatu pode ? Porquê ? Porque aqui tá faltando liderança política que combata esse tipo de perseguição que nós temos.

...Nós não temos nenhum Deputado Federal. O Crato elegeu 2 deputados ( Estaduais ), e os votos para Deputado federal foram todos para candidatos de Juazeiro. Esse pessoal depois que termina a eleição, batem a malinha deles e vão embora e acabou-se, e a gente fica aqui a ver navios sem ter a quem se pegar.

No caso da Universidade, que o ( prefeito ) Samuel foi para Brasília, ver se conseguia alguma coisa, ficou lá sozinho, sem ter quem desse uma mão política. Os deputados tudo lá com os senadores num canto, e Samuel sozinho noutro, como é que uma andorinha só pode fazer verão, no meio de uma turma daquela, um prefeito contra não sei quantos senadores e deputados todos contra a nossa cidade ? Não tinha condições, não é ?

Eu acho que nós estamos precisando aqui é de força política para fazer valer nossos direitos junto ao congresso nacional e aonde for de direito.

Valdemir Correia de Sousa
Empresário

PARA DESPERTAR A CRIANÇA QUE EXISTE EM NÓS...

 BREGA POR QUÊ?

THE FEVERS - Por causa de você


É hoje !

Imprensa sabuja dá vexame


Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?

Começa assim, acreditem, com esta pergunta indecorosa, a entrevista de Deborah Berlinck, correspondente de "O Globo" em Paris, com Richard Descoings, diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences- Po, que entregou o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula, na tarde desta terça-feira.

Resposta de Descoings:

"O antigo presidente merecia e, como universitário, era considerado um grande acadêmico (...) O presidente Lula fez uma carreira política de alto nível, que mudou muito o país e, radicalmente, mudou a imagem do Brasil no mundo. O Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula, e ele não tem estudo superior. Isso nos pareceu totalmente em linha com a nossa política atual no Sciences- Po, a de que o mérito pessoal não deve vir somente do diploma universitário. Na França, temos uma sociedade de castas. E o que distingue a casta é o diploma. O presidente Lula demonstrou que é possível ser um bom presidente, sem passar pela universidade".

A entrevista completa de Berlinck com Descoings foi publicada no portal de "O Globo" às 22h56 do dia 22/9. Mas a história completa do vexame que a imprensa nativa sabuja deu estes dias, inconformada por Lula ter sido o primeiro latino-americano a receber este título, que só foi outorgado a 16 personalidades mundiais em 140 anos de história da instituição, foi contada por um jornalista argentino, Martin Granovsky, no jornal Página 12.

Tomei emprestada de Mino Carta a expressão imprensa sabuja porque é a que melhor qualifica o que aconteceu na cobertura do sétimo e mais importante título de Doutor Honoris Causa que Lula recebeu este ano. Sabujo, segundo as definições encontradas no Dicionário Informal, significa servil, bajulador, adulador, baba-ovo, lambe-cu, lambe-botas, capacho.

Sob o título "Escravocratas contra Lula", Granovsky relata o que aconteceu durante uma exposição feita na véspera pelo diretor Richard Descoings para explicar as razões da iniciativa do Science- Po de entregar o título ao ex-presidente brasileiro.

"Naturalmente, para escutar Descoings, foram chamados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático (...). Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado(...).

"Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção", foi a pergunta seguinte. O professor sorriu e disse: "Veja, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o julgamento da História este assunto e outros muito importantes, como a eletrificação das favelas em todo o Brasil e as políticas sociais" (...). Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente, não damos lições de moral a outros países.

"Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da ação afirmativa do Sciences Po. Descoings o observou com atenção, antes de responder. "As elites não são apenas escolares ou sociais, disse. "Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro-mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas".

No final do artigo, o jornalista argentino Martin Granovsky escreve para vergonha dos jornalistas brasileiros:

"Em meio a esta discussão, Lula chegará à França. Convém que saiba que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria exercer o recato. No Brasil, a Casa Grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terra e escravos. Assim, Lula, silêncio por favor. Os da Casa Grande estão irritados".

Desde que Lula passou o cargo de presidente da República para Dilma Rousseff há nove meses, a nossa grande imprensa tenta jogar um contra o outro e procura detonar a imagem do seu governo, que chegou ao final dos oito anos com índices de aprovação acima de 80%.

Como até agora não conseguiram uma coisa nem outra, tentam apagar Lula do mapa. O melhor exemplo foi dado hoje pelo maior jornal do país, a "Folha de S. Paulo", que não encontrou espaço na sua edição de 74 páginas para publicar uma mísera linha sobre o importante título outorgado a Lula pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris.

Em compensação, encontrou espaço para publicar uma simpática foto de Marina Silva ao lado de Fernando Henrique Cardoso, em importante evento do instituto do mesmo nome, com este texto-legenda:

"AFAGOS - FHC e Marina em debate sobre Código Florestal no instituto do ex-presidente; o tucano creditou ao fascínio que Marina gera o fato de o auditório estar lotado".

Assim como decisões da Justiça, criterios editoriais não se discute, claro.

Enquanto isso, em Paris, segundo relato publicado no portal de "O Globo" pela correspondente Deborah Berlinck, às 16h37, ficamos sabendo que:

"O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido com festa no Instituto de Estudos Políticos de Paris - o Sciences- Po _, na França, para receber mais um título de doutor honoris causa, nesta terça-feira. Tratado como uma estrela desde sua entrada na instituição, ele foi cercado por estudantes e, aos gritos, foi saudado. Antes de chegar à sala de homenagem, em um corredor, Lula ouviu, dos franceses, a música de Geraldo Vandré, "para não dizer que eu não falei das flores.

"A sala do instituto onde ocorreu a cerimônia tinha capacidade para 500 pessoas, mas muitos estudantes ficaram do lado de fora. O diretor da universidade, Richard Descoings, abriu a cerimônia explicando que a escolha do ex-presidente tinha sido feita por unanimidade".

Em seu discurso de agradecimento, Lula disse:

"Embora eu tenha sido o único governante do Brasil que não tinha diploma universitário, já sou o presidente que mais fez universidades na história do Brasil, e isso possivelmente porque eu quisesse que parte dos filhos dos brasileiros tivesse a oportunidade que eu não tive".

Para certos brasileiros, certamente deve ser duro ouvir estas coisas. É melhor nem ficar sabendo.

Ricardo Kotscho

terça-feira, 11 de outubro de 2011

BlogHUMOR - Você quer ser político ? Pois veja o dia-a-dia de um Político. Imperdível...


Você quer ser político ? Pois se prepare para a realidade, o dia-a-dia de um político. Depois dessa, você vai pensar 2 vezes, rs rs

Vale a pena ouvir. Um dos melhores textos sobre Política:





E aqui, parte do texto:

Você quer ser político ?

"Eu não! Olhe coroné! Como eu sou um cabra vivido e espromentado nas beira de postulança political, eu vou lhe dizer um retalho de sabença, que é a pronunça mais apronunciada sobre política, que inxeste nesse mundaréu selvageado pelos animá, vegetariado e barrido pelas palha dos coqueiro e aguado pelas onda do mar: Além de sintoma prefeituroso, embocadura deputadal, cancha pra governador e senador e sustança de presidente, o cabra pra ser político no Brasil, precisa no mini-minimóro dos seguintes adjutórios: ( dois pontos )

"Começar a juntar dinheiro, pra depois começar a juntar gente; engolir muita rimunheta de cabra falso, felaputista e pidão; desatar nó-cego de convenção; escutar caquiado dificultoso de partidário que só tem um voto e olhe lá; entrar em embuança de campanha; prometer como sem falta e faltar como sem dúvida; ficar refém da língua do povo; pegar roleta de boca com camumbembe; fazer conchavo com reservista da ditadura; desgaviar o caminho mode os quixó da oposição; receitar pra má-de-monte; desmurmurar mulher falsa e coiseira; acompanhar inrrolamento de papé-de-justiça; levar fama de ter esfrabicado moça donzela; levar fama de ser corno, baitola e ladrão; agüentar fazimento de pouco de eleitor desbriado; botar tamanca pra opositor bom de peia; bater quinhento de bombo com xangozeiro; gritar aleluia em igreja Pegue & Pague; alegrar sessão espírita; assistir meia missa e sair comungado; batizar menino feio com o nome de Dysmeniélisson Jerry; dar dicomer do bom e comer porcaria; almoçar em lata de goiabada; despronunciar discurso má-feito de candidato tabacudo; aplaudir discurso desvirgulado, sem rumo e sem ponto final; cair do palanque e sair todo ralado e se abrindo; aturar converseiro duplicado mesmo depois de banzeiro; aturar gente furona e desconhecida dentro de casa; viver rindo e fumaçando pelo fundo, feito ferro de engomar; acabar sua D-vintezinha na buraqueira; aturar babões civis e militares; botar no braço menino novo do fundo cagado; tomar cerveja quente de espuma murcha; tomar uísque Drury's sem gelo, numa xícara de louça com tira-gosto de canjica; beber naquelas mesona de imbuia, numa saleta escura e abafada, encostado numa cristaleira, e cercado de cabos eleitorais com cada sovaqueira de torar; entregar taça de campeão a time safado;

chorar em velório de desconhecido; escrever bilhete com lápis de ponta quebrada; professorar as iniciais do nome de campanha pra eleitor tapado; escorregar em lama de esgoto; gritar ô-de-casa em casa oca; se abrir pra eleitor desabrido; pagar cana pra pinguço desocupado; farejar poeira de bunda em palanque; levar dedada no cá-pra-nós quando está nos braços do povo; escutar destampatório de foguetão no pé do ouvido; magoar o dedo mindim em passeata; dormir chiqueirado da mulher e dos filho;

apertar mão de cotó; ganhar abraço fedorento; receitar caixão de defunto e ambulânça; enfiar a mão em saco de dentadura pra distribuir com a mundiça; comprar votos em dia de eleição; estelionatar voto em boca de urna; entrar em embuança de apuração; dar cobro de voto roubado; apertar mão de traidor oportunista, e depois de eleito começar essa camumbembage toda de novo... DEUS O LIVE d'eu sair candidato! Chega me faltou suspiração... E eu vou epilogar por aqui, porque conversa de política é feito coceira, só quer um pezim Coroné! "

Autor: Jessié Quirino

O linguajar matuto


Pedro Esmeraldo

De vez em quando, tenho vontade e a sensação de reavivar a memória com o intuito de estudar a origem das palavras primitivas do Nordeste.

É um linguajar eivado de erros que faz todos nós matutarmos como se fossem palavras modernas e eficientes, mas com atenção pronunciados nesses tempos modernos. Com efeito, há pronunciamento errôneo que vem sendo falado através dos tempos por um povo risonho, mas possuidor de pouca prática do uso do ofício.

Como convivi desde minha infância com o pessoal da roça, habituei-me a dialogar os dizeres desse povo, pois tinha intimidade em ouvir as suas orações provenientes dos costumes antigos.

O matuto caririense era intuitivo, dotado de um saber medieval que às vezes causava admiração quando alguns deles se deparavam nas disputas de violeiros, quando freqüentavam os terreiros da casa grande do patrão do Sertão. Contudo reinava entre eles sabedoria, pronunciando versos elevados, mostrando saber que deixavam todos boquiabertos. Entre meios rústicos havia pessoas cultas que demonstravam loquacidade, deixando muitos admirados, como é entre os homens moradores do Sertão nordestino. Eram estudiosos, narravam com dignidade as histórias dos feitos heróicos dos tempos da dinastia da época de Carlos Magno.

Por isso, desejo contar para reavivar a memória, fatos acontecidos do segundo quartel do século XX. Esta história foi narrada pela minha mãe, visto que durante a costumeira visita à sua terra natal do médico cratense, psiquiatra, professor da Universidade do Brasil, membro de uma ilustre família local, rumou para um outro mundo no início de sua juventude a fim de buscar conhecimentos médicos – para nunca mais morar em sua terra.

Pois bem, certa vez retornando ao Crato com ânsia de matar a saudade e rever seus familiares não estava mais habilitado a observância dos costumes matutos; estranhou quando ouviu os hábitos alimentares dessa gente com pratos elevados de comida, cheios de gordura; então teve a idéia de perguntar ao pobre matuto se essa comida não repugnava. O matuto atoleimado ficou perplexo e não entendeu palavra do médico, respondendo apenas a palavra errada, dizendo: Cuma? Novamente o médico repetiu a pergunta e o matuto não entendeu patavina de suas palavras. Daí minha mãe vendo que o matuto não entendia a pergunta do médico tomou a palavra e disse: espere aí Zaqueu, é assim que se fala: não arripuna não? Aí o matuto entendeu respondendo: arripuna inhô sim. Aí o médico não teve outra coisa senão rir. Por certo, nunca mais esqueceu estas palavras erradas pronunciadas pelo matuto.

Naquela época a civilização ainda não tinha chegado ao interior do Nordeste. Somente em algumas cidades mais evoluídas tinha o desejo de se estudar com mais perfeição. Somente com uma dosinha elevada de sacrifício tinha de se deslocar para os meios maiores procurando com o desejo de aprimorar os seus conhecimentos como foi o caso desse médico que teve que ir para o Rio de Janeiro e lá então foi uma pessoa influente já então na capital federal.

Autor: Pedro Esmeraldo

Pensando bem...

"Sobre os vestibulares:
 

Se eu fizer os exames vestibulares, não passarei.
E se o novo reitor da UNICAMP fizer os vestibulares, não passará.
Se o Ministro da Educação fizer os vestibulares, não passará.
Se os professores das universidades fizerem os vestibulares, não passarão.
Se os professores dos cursinhos que preparam os alunos para passar nos vestibulares fizerem os vestibulares, não passarão (cada professor só passará na disciplina em que é especialista...).
Se aqueles que preparam as questões para os vestibulares fizerem os vestibulares, não passarão.
Então me digam, por favor: por que é que os jovens adolescentes têm de passar no vestibular?
Os vestibulares são um desperdício de tempo, de dinheiro, de vida e de inteligência.
Passados os exames, a memória (inteligente) se encarrega de esquecer tudo
A memória não carrega peso inútil. "

Rubem Alves

Cid Gomes: Personagem Trágico - Por: Douglas de Paula (Professor do Curso de Letras da UECE)

Douglas de Paula (Professor do Curso de Letras da UECE)

Creio que o Pequeno Príncipe Cid Gomes está deixando de ser um personagem infantil para se tornar gente grande, mas, infelizmente, gente grande que não conhece sua própria medida: Cid está se tornando um personagem trágico, uma espécie de Édipo de Sobral. No lugar das pitonisas do Oráculo de Delfos, ele consulta o irmão Ciro Tirésias, um cego que pensa que tudo vê, mas que enxerga somente o próprio umbigo. Como todo personagem trágico, Cid Gomes está cometendo um ato desmedido (hybris), o que irá atrair para si inevitavelmente um erro, gerado por suas próprias ações. Todo personagem trágico erra porque se aferra obstinadamente a seu próprio ponto de vista e não consegue ouvir os outros.

Depois da truculência do Batalhão de Choque na Assembleia Legislativa contra os professores, a sociedade civil do Ceará demonstrou, através da imprensa e da Internet, sua solidariedade aos professores, mas isso em nada abalou os ouvidos do Príncipe (agora estou em dúvida: Cid está mais para o Príncipe de Maquiavel ou para o Pequeno Príncipe de Exupéry?).

O Dr. Mourão, em artigo de seu Blog, é que usou a palavra certa, sem deslizes: o que houve na Assembleia foi AGRESSÃO contra os professores. Enquanto os senhores de-putados se preocupavam com a destruição do “patrimônio público”, os professores eram agredidos pelo Batalhão de Choque, sem ter acesso às galerias da “Casa do Povo”. E a Educação, às portas do Plenário, bem próxima ao “quadrilátero de segurança” do Governa-dor, era agredida em seus pressupostos básicos. O professor precisa de condições materiais para viver. Ninguém trabalha por amor. Pensar que professor trabalha por amor reflete o amadorismo de um Pequeno Príncipe metido a Governador ou a ruptura da máscara ideológica do Príncipe maquiavélico.

Caiu a máscara de Cid? Creio que não. Não dá para esperar mais do irmão de Ciro Gomes. Dá para esperar menos. Menos respeito com os servidores, menos salários para os professores, menos democracia em seu mandato. De mais mesmo só seu orgulho e sua obstinação, pontos centrais de sua hybris trágica e do começo de sua queda. Seu irmão já experimentou tal queda, pois nunca terminou um mandato, foi o deputado federal que mais faltou ao Congresso e atualmente vagueia no limbo da política, assessorando (muito mal) o irmão.

Não sei se Freud explica, mas, inconscientemente, talvez um irmão sonhe com a queda do outro. A disputa entre irmãos é comum na história humana, e René Girard explica bem direitinho essa rivalidade mimética. Um irmão acaba refletindo o outro, tornando-se o outro. Até os nomes contribuem para esse mimetismo: Ciro/Cid, Cid/Ciro. E qual o erro trágico do Pequeno Príncipe?
Resposta: não querer conversa. Cid diz: “Só negocio com o fim da greve”, e estamos conversados. Édipo agiu assim. Antígona também. Creonte idem. Todos os personagens trágicos se julgam maiores do que são e acham que não precisam prestar contas a ninguém. Para eles, dar o braço a torcer é sinônimo de fraqueza. O personagem trágico, como diz Jean-Pierre Vernant, é pego pelas próprias palavras. Não admira que Cid tenha disparado tantas frases esdrúxulas nas últimas semanas. Ele não consegue ficar calado, porque não admite que alguém se lhe oponha resistência. Afinal, foi Ciro que disse, numa greve de médicos, que médico era como sal: branco, barato e se acha em qualquer esquina. Nada há de surpreendente que Cid, o “genérico” de Ciro, solte aos quatro ventos que professor deve trabalhar por amor.

É justamente aí que Cid/Ciro ou Ciro/Cid erram: tornam-se seres obcecados, obstinados. Somente a obstinação não reconhece que tudo flui, e a única coisa permanente do mundo são as mudanças das coisas. Parece que o Governador nem percebeu que, na Internet, seu nome está indelevelmente manchado. O sangue dos professores, que correu na Assembleia Legislativa, suja o assoalho muito limpinho do Palácio da Abolição, numa metonímia direta entre governo/Governador. O único modo de limpar essa sujeira é respeitando os professores, pagando-lhes um salário digno e, o mais importante, obedecendo ao que manda o STF, que concede ao professor 1/3 de sua Carga Horária para preparação de aulas.

Se não estava nos planos do Governo aprovar um Plano de Carreira para os professores e, como disse o próprio Governador, por ele, nem Carreira existiria, que ele agora aproveite o momento para mudar de planos. Falta dinheiro? Duvido muito, pois parece que não falta para os escândalos dos banheiros ou do Cartão Único, ou para o famigerado Aquário de Fortaleza. Mas tudo bem: aceitemos a conversa fiada: falta dinheiro. Mas diz a Lei do Fundeb que, se o Estado não tiver condições para arcar com as despesas do Piso, a Federação entrará com a contraparte. Basta “apenas” que o Estado abra suas contas e prove que já investiu o máximo do orçamento em Educação. Onde está o problema, meu povo? Na falta de dinheiro, na sobra de insensatez, na desculpa esfarrapada, na maldade pura e simples ou num projeto político para deixar a Educação Pública sempre precária? Talvez um “malte” de tudo isso junto. Se o Governador não encontrar uma saída madura, será o início do fim de seu governo. Talvez de seu Principado. Talvez do Principado de todos os Ferreira Gomes.

Lembrete ao Pequeno Príncipe, parodiando Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que tu agrides”.

Eliane Carvalho

"Nós amamos as pessoas por aquilo de belo que elas fazem nascer em nós." ( A Selva e o Mar - Rubem Alves).

Pensamento para o Dia 11/10/2011


“Muitas pessoas realizam Sadhana (exercícios espirituais) a fim de perceber a Divindade. Mas, se eles não entendem as qualidades humanas, todos os esforços tornam-se exercícios de futilidade. Sem aprender o alfabeto, como se pode adquirir o significado e o uso de palavras, frases e sentenças? Valores humanos são os alfabetos básicos da espiritualidade. Desenvolva valores humanos e fé inabalável no Divino. Domine isso e seu Sadhana será eficaz. Você também deve compreender que não existe prazer sem dor e que a dor é apenas um intervalo entre dois prazeres. Sempre que tiver uma experiência desagradável, você deveria ter a fé inabalável de que isso é para algo bom que você estará desfrutando em um futuro próximo e, portanto, pare de se preocupar.”
Sathya Sai Baba

"Tem, sim" - José Nilton Mariano Saraiva

Contando com o beneplácito da imprensa cearense – que é pródiga em propagar seus arroubos e pavonadas, mas incapaz de aprofundar e cobrar de forma mais incisiva certos questionamentos - o senhor Ciro Gomes (atualmente desempregado) saiu pela tangente quando questionado “en passant” a respeito da denúncia de um colega de partido (Sérgio Novais) de que teria sido designado pelo irmão-governador Cid Gomes para a função de assessor político do PSB, percebendo remuneração mensal de R$ 22.000,00 (o correspondente aos salários de 41 trabalhadores/mês) ou R$ 264.000,00 anualmente.
Pois bem, mesmo sem desmentir a denúncia (sinal de que tem fundamento ???), segundo o jornal O POVO, de 11.10.11 - “...O ex-deputado federal Ciro Gomes reagiu irritado ao ser questionado pelo O POVO sobre recursos de R$ 22 mil que receberia para dar consultoria política ao PSB cearense – cuja executiva estadual é presidida por seu irmão, o governador Cid Gomes” (ipsis litteris).
Para justificar tamanho descalabro, Ciro Gomes teria declarado simplesmente que “...nunca recebi nenhum centavo ilegal na minha vida...” enquanto um dos áulicos integrantes da executiva estadual (Zezinho Albuquerque) teria confirmado que “...Ciro vem sendo pago pela legenda há cerca de quatro meses, com o consentimento do grupo”.
Segundo ainda o jornal, Ciro Gomes, com cara de poucos amigos, teria afirmado arrogantemente que “...não tenho de dar satisfação a ninguém”, esquecendo que o dinheiro é do contribuinte e este TEM, SIM, interesse em saber como, quando, onde e porque é empregado (e se a imprensa cearense fosse honesta e imparcial, mergulharia fundo na questão).

Doutor Lula – por Ricardo Vélez Rodrígues (*)

Lula, como Brizola, é um grande comunicador. Mas, como Brizola também, é um grande populista.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição.

O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...

Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).

Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.

A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.

Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!

O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
(*) Ricardo Vélez Rodrígues, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora.
e-mail: rive2011@gmail.com
(Transcrito de  “ O Estado de S.Paulo”)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O sol e o tempo

 - Claude Bloc -


Quando pequena, observava as formas assombradoras que as sombras dos galhos das árvores formavam em minha parede. Seguia o movimento moroso dessas imagens. A parede parecia um cenário de personagens medievais: monstros, armaduras, fantasmas que lutavam entre as sombras e a luz do velho gerador...
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O tempo escorria pelo meu quarto sem que eu me desse conta, enquanto eu ouvia o som baixo e, ao mesmo tempo, ensurdecedor da pia gotejando a noite inteira... Seriam passos? Os cangaceiros iriam querer romper o assoalho para virem me assombrar? Medos, medos que metiam na cabecinha inocente daquela criança que fui, criança do tempo em que contavam histórias mal assombradas, para me fazer dormir, ou me manter na cama... Medos que, invariavelmente, povoavam as mentes infantis dessa época, deixando um rastro de cismas tão concretas quanto assustadoras.
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À noite, vez por outra eu ouvia o latido dos cachorros soltos lá fora. Era a única coisa que eu podia fazer naquela escuridão. Ouvir e esperar. Esperar o sono vir ou a luz voltar, mesmo que fosse a luz de uma lamparina a querosene. Esperar o sono vir ou a luz voltar, o que acontecesse primeiro.
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Bem mais tarde o galo cantava. Era um novo dia. Se era julho ou dezembro não importava. Não me ocupava em olhar o calendário para saber se o tempo estava passando, porque para mim isso não fazia diferença. O tempo parecia apenas aderir-se à vida infinitamente. Era sutil, leve e eu não tinha idade suficiente para ocupar-me  com a sua passagem pelos meus dias. Só sabia quando era inverno por causa da chuva e porque era o tempo de fazer canteiros e de plantar feijão e milho no jardim da casa grande da fazenda.  Só sabia que era julho por causa da moagem, do alfenim, da garapa e das rapaduras. Não ligava para o meu crescimento nem  entendia o que aquilo representava diante das marcas que papai fazia, a cada ano, na parede do alpendre, com um lápis de ponta grossa. Mesmo assim eu sabia que ainda era uma criança. Pelo menos na estatura.
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A comida lá em casa era farta. Simples. Tivemos, meus irmãos, amigos e eu, que nos habituar a comer verduras no almoço. Era um hábito herdado dos meus pais. Nas férias, a mesa era sempre uma festa, um mundo de crianças. De vez em quando, Mamy (minha avó) vinha fazer uma supervisão nos nossos hábitos e posturas. Nada de cotovelos na mesa, nem dedos nos pratos. Logo eu que adorava pegar aqueles ossinhos de galinha com os dedos e roer uns bons caroços de pequi!!  Quando a fiscalização cessava, a bagunça recomeçava. Bolinhas de pão voavam pra todo lado e sempre havia um choramingando porque lhe acertavam um olho, uma orelha...
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Não se olhava o relógio nesse tempo. Tudo parecia ser eterno. Horas passavam-se, dias, meses ou quem sabe, anos, isso não importava. Hoje, ainda posso sentir as alegrias que deixei pintadas nas paredes do meu quarto azul. A sombras não mais me assustam. Já não sinto mais a insegurança que tinha e nem o medo. Ao chegar à minha casa, olho para o céu e lá está o sol nem sempre tímido como fui, mas quase sempre saindo detrás das nuvens, para depois dormir no Alto do Caboclo.
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É verão!
 Claude Bloc

Dr. Raimundo Bezerra e o Primeiro Site do Crato na Internet - Por: Dihelson Mendonça


Memórias...


E
m 1993 eu comecei a acessar a internet. Fui das primeiras pessoas do Brasil a usar a grande rede, com os primeiros provedores que existiram em São Paulo. No mesmo ano, implantei no Crato um sistema que fornecia E-mail para os usuários, o primeiro serviço de internet do Cariri, chamado MEGA-STAR BBS. Os BBS, também conhecidos por "Boletim Board Systems", foram os precursores dos atuais serviços de internet. Era uma época primitiva, mas já tínhamos comunicação em tempo real com o resto do mundo, e eu cheguei a ter mais de 120 clientes cadastrados nesse sistema. Anos depois é que surgiu outra BBS aqui no Crato, e 4 anos depois surgia a BaydeJBC em Juazeiro. Em 1996 os sistemas se aperfeiçoaram e fizemos planos para um grande provedor para o Crato em reuniões com Nezim Patrício e outros, a fim de calcular os custos e o material necessário. Crato sempre marcando pioneirismo...

Ainda em 1996 me tornei webdesigner, trabalhava também com programas gráficos como o photoshop ( que era novidade ), retoques de fotos antigas, etc, e me associei a outras pessoas, como Josane Garcia, Sérgio Bastos e Haoni Caiena, que na época, era um garotinho inteligente.

Um dos nossos primeiros trabalhos além do design de um site para uma indústria de Mel da região, foi a criação do site da cidade do Crato. Levamos a idéia ao Dr. Raimundo Bezerra ( então prefeito ), que ficou muito empolgado para que o Crato fosse pioneiro ( Vejam que essa história de "O Crato na Internet" que o Blog do Crato utiliza, vem desde aquela época ). Dr. Raimundo foi um homem visionário, tinha grande noção das potencialidades que a internet traria ao futuro. Assim é que com a equipe acima mencionada, e com revisões de Huberto Cabral, surgia em meados de 1997, o primeiro "Crato na Internet", que foi o site Crato Virtual.

Numa época em que ele foi criticado por alguns retrógrados da cidade, que achavam que "esse negócio de internet não ia dar em nada", e investia numa "coisa sem futuro", ele, que sempre me tratou carinhosamente de "O professor", escreveu a seguinte mensagem de abertura para nosso o site há 14 anos atrás:

"Temos a responsabilidade de criar condições favoráveis para nossa gente, garantindo a todos o pleno direito de exercício da cidadania, buscando o objetivo maior, que é a vida tranquila, de boa qualidade. A plenitude desse direito é revigorada no acesso do homem aos meios da saúde, a educação e ao mercado de trabalho. Crato por tradição histórica, política, social e cultural, sempre se destacou por seu potencial natural e sua exuberante paisagem que encanta quantos o visitam. É nosso dever como poder público manter acesa a chama da história deste município que sempre se destacou como geo-centro do Nordeste do Brasil com suas particularidades e seu forte potencial produtivo. O reconhecimento do cidadão nas ações públicas está na segurança de poder nascer, crescer e construir uma família com a certeza de demonstrar, que lhe foi permitido garantias reais a esse mister, e, finalmente justificar seu dever como cidadão participativo que contribui para o engrandecimento da sociedade. Cabe a todos esse direito de participar, para que o futuro seja o resultado do nosso presente. O Crato, no seu histórico pioneirismo, não poderia ficar de fora dos modernos avanços da tecnologia das comunicações eletrônicas e do já existente aldeamento global. Com o advento da Internet, podemos projetar ao mundo de maneira rápida, realista, e moderna, o legado dos nossos antepassados gloriosos de suas causas nobres, que tornam o Crato um ponto referencial único dentro da história sócio - política do nordeste brasileiro, e as suas projeções altivas para a cultura e a CyberCultura do próximo milênio. Sejam bem vindos, "nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade. "

Aqui está uma imagem da página de abertura do nosso primeiro site do Crato, o "Crato Virtual":
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhnrjdXfe8aMKpFACQ4okMymLTi0caLjLw_zirRkcB1jcDmry1sKxL_lwBzftgsM2VagLiLIw3n-AcSofO7BFLS51S_8M6KqpiGrJlttWrq1JzQsLTlHHCoh5iEtqiti2_xtCaNrRD-90ST/s1600/crato_virtual.jpg

Aproveito aqui para saudar esta grande figura da sociedade cratense, Dr. Raimundo Bezerra, um homem de muita visão, que sempre teve por mim, um tratamento e aprêço especiais, sempre que nos encontrávamos. Nos deixou saudades.

Por: Dihelson Mendonça

Filhos, dádivas de Deus - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Muitos pais e mães esquecem dos valores morais recebidos de suas famílias na infância e adolescência. E criam seus filhos bem distantes do mais importante na educação, que é a formação integral. A responsabilidade dos pais é preparar o homem como um todo, sem separar o corpo da alma. Será incompleta a orientação dos filhos, se os pais se preocuparem somente com a formação física, intelectual e social, esquecendo de incutir nos filhos o amor e o respeito ao próximo, a honestidade, a ausência de preconceito e discriminação de qualquer tipo. Esse conjunto de valores deve fazer parte do aprendizado das crianças, desde os primeiros anos.

Os filhos são dádivas de Deus. Portanto, os pais têm o dever de colocar na sociedade pessoas de bem para que o mundo seja transformado. Educar os filhos no amor, no diálogo é o caminho para construção de uma família ajustada e uma sociedade mais humana e mais justa. No lar onde existe tudo isso, com os pais sabendo impor limites, dizendo “não” quando necessário, com certeza se formarão adultos ajustados.

Vivemos em uma sociedade em que predomina o TER, em lugar do SER. Os meios de comunicação social através da propaganda incentivam o consumismo e levam as pessoas a acharem que a felicidade está no dinheiro, numa roupa cara, num carro do ano. Muitos para ter dinheiro e adquirir esses bens de consumo, procuram acumular riqueza desonestamente. Em consequência vemos aí uma sociedade injusta, violenta cheia de problemas: como as drogas, a corrupção e a injustiça social. Cabe aos pais darem testemunho aos filhos e colaborarem com uma sociedade onde exista justiça e paz.

De acordo com as palavras proferidas por Dom Rafael Lhano Cifuentes, Bispo Emérito de Nova Friburgo, no VII Congresso Nacional da Pastoral Familiar, realizado em Belém do Pará, em 1996: "A tarefa educacional dos filhos deve ser solidária. A firmeza e disciplina própria do homem têm que fundir-se à ternura e a amabilidade própria da mulher, de tal modo que a autoridade não parta somente do pai, e o carinho exclusivamente da mãe. A melhor pedagogia é o exemplo. Os pais devem ser para os filhos, guias que indiquem as passagens mais seguras. Têm que experimentar antes, as virtudes que os filhos devem encarar depois."

Dom Cifuentes acrescentou ainda em sua palestra, trechos de uma carta, que um delinquente juvenil alemão enviou aos seus pais. "Porque sois fracos no bem, nos destes o nome de fortes no mal... nós vos concedemos dois decênios para nos fazerdes fortes no amor, vós porém nos fizestes fortes no mal, porque sois fracos no bem."

A missão dos pais como colaboradores de Deus em sua infinita obra criadora é colocar no mundo pessoas honestas, ajustadas e que possam fazer os outros felizes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

"A política é dinâmica" - José Nilton Mariano Saraiva

O então Governador do Ceará, Luiz de Gonzaga Fonseca Mota, que fora ungido ao cargo por indicação dos “coronéis” políticos cearenses Virgílio Távora, César Cals e Adauto Bezerra, acabou traindo-os espetacularmente ao escolher o então desconhecido empresário Tasso Ribeiro Jereissati para sucedê-lo; para justificar seu ato ignóbil e traiçoeiro, Gonzaga Mota cunhou uma expressão (ou raciocínio) que passou a fazer parte dos anais (ou do folclore) da política cearense: como “a política é dinâmica”, comportaria quaisquer atos, desabonadores ou não, a fim de alcançar os objetivos colimados (posteriormente, ele provaria do próprio remédio, quando Tasso Jereissati o “aniquilou” politicamente, transformando-o sem dó nem piedade em algo parecido com “sulfato de merda”).
Pois bem, eleito, reeleito, padrinho e responsável pela eleição do sucessor e, posteriormente, sucedâneo deste em mais uma eleição, o senhor Tasso Ribeiro Jereissati passou incríveis dezesseis (16) como Governador do Estado do Ceará (12 efetivos e 04 do afilhado, já que este o consultava sempre nas questões substantivas); pra não largar o osso, já que quem se acostuma com o poder encontra dificuldades em largá-lo, tantas são as benesses, vantagens e mordomias (mesmo para um empresário podre de rico), referido senhor ainda passou oito (08) anos como Senador da República; foram, portanto, 24 anos na “crista-da-onda”, quando mandou e desmandou, casou e batizou, traficou influência e impôs seu estilo arrogante e prepotente. Tanto é que durante todo esse tempo Tasso Jereissati dirigiu o PSDB com mão-de-ferro, não permitindo que ninguém lhe fizesse sombra ou atrapalhasse seus planos, a ponto de ser comum se dizer que, tal qual a sombra de uma frondosa mangueira, aonde ele pisava também não nascia mais grama.
Toda uma família interiorana, no entanto, caiu nas graças e privou do afeto de Sua Excelência: os Ferreira Gomes, de Sobral. À frente o senhor Ciro Gomes (o mais velho dos irmãos), seu “líder” na Assembléia Legislativa e a seguir eleito Governador do Estado por sua influência (chegou até a assumir o Ministério da Fazenda, num ato insano do exótico presidente Itamar Franco), também foram beneficiados os irmãos Cid Gomes e Ivo Gomes (transformados em apagados Deputado Estadual) e até a mulher do próprio Ciro, a inexpressiva Patrícia Gomes, eleita primeiramente vereadora de Fortaleza, depois Deputada e, alfim, Senadora da República (que se notabilizou pela improdutividade, por onde passou). E já se fala que a filha Lívia Gomes (desempregada ???) será candidata a vereadora em Fortaleza, nas próximas eleições
Pois bem, após o término (08 anos) do seu mandato de Senador da República, o senhor Tasso Jereissati houve por bem candidatar-se à reeleição, certo de que levaria fácil, fácil (afinal, já estava mamando há 24 anos e no horizonte as nuvens aparentemente eram tranqüilas e o céu de brigadeiro). E aí, como uma praga avassaladora, o “A POLÍTICA É DINÂMICA” de Gonzaga Mota (que fora traído por Tasso), se fez presente: os Ferreira Gomes traíram “com gosto de gás” aquele que os lançara e os construíra politicamente, ao optarem por um bancário e sindicalista desconhecido (José Pimentel) atendendo a um pedido do presidente Lula da Silva (a rigor, como eram duas vagas de Senadores, os Ferreira Gomes, se gratos fossem, bem que poderiam apoiar um deles e descarregar os demais votos no antigo aliado). A derrota foi humilhante, doída e acachapante (dizem até que o insensível Tasso Jereissati chegou ás lágrimas ante tamanha “consideração”).
Hoje, pra tirar o braço da seringa e tentar uma reaproximação com o ex-tutor, o espertalhão Ciro Gomes soltou a seguinte pérola, numa manifestação pública em Quixeramobim: “O Tasso não merecia passar o que está passando, por tudo que fez pelo Ceará. Não merecia ficar com dois deputados estaduais, um porque é parente e outro porque é doido e ninguém quer” (observação: o parente é o João Jaime e o “doido” o Fernando Hugo).
Só esqueceu de dois pequenos detalhes: 1) que, a debandada de deputados (do PSDB, de Tasso Jereissati) é rumo ao partido que os Ferreira Gomes de apossaram (PSB), certamente que em razão das vantagens oferecidas; 2) que, como a traição perpetrada é de conhecimento público, Ciro Gomes bem que poderia questionar o ex-aliado Fernando Hugo, que o rotulou de “desocupado profissionalmente” e que “Tasso Jereissati foi apunhalado traiçoeiramente pelos Judas Escariotes que estão no poder” (aqui, leia-se família Ferreira Gomes).
E aí, Ciro, vai encarar ??? Ou faltam argumentos ???

domingo, 9 de outubro de 2011

Se Ligue !

"Cão de Briga" - José Nilton Mariano Saraiva

O “click” do destravamento da estranha coleira mecânica (e sua posterior remoção do pescoço) representava a senha para que aquele aparentemente tímido e frágil ser humano se transmutasse numa fera ensandecida, capaz de aniquilar quem encontrasse à frente. Na verdade, desde a meninice o pacato e “desligado” Danny (Jet Li) que experimentara precocemente a orfandade, fora exaustivamente treinado e programado (por um suposto “tio”) com um objetivo específico: nas arenas da vida, tornar-se uma potente arma de guerra, autentico matador profissional, capaz de trucidar o adversário em segundos, em troca de algum dinheiro. Ao final de cada combate, dinheiro no bolso do “empresário” e o retorno à jaula que lhe servia de moradia, à comida racionada e às humilhações de sempre. Um cachorro vadio e desprezível, na completa acepção do termo.
Mas quando, em razão de um grave acidente (e a presumível morte do seu “tutor-tio”), o “encoleirado” Danny se vê sozinho no mundo, perambulando sem rumo pelas ruas, repentinamente é atraído pelo som de um piano; e aí ele conhece Sam (Morgan Freeman) que, apesar de cego, é um exímio afinador do instrumento.
Desprovido da visão, mas dono de uma apurada acuidade extra-sensorial, Sam detectara a presença de Danny no ambiente, estimulara-o a aproximar-se, pedira sua ajuda no manuseio de algumas teclas do piano e, ao final da conversa que fizera questão de provocar, convencido de que tratava de alguém de boa índole (mas sozinho no mundo, sem eira e nem beira), convidara-o para ir morar em sua casa. Lá, o encontro com Victória, enteada de Sam, aluna-concludente de um dos mais respeitáveis conservatórios de música (piano) dos Estados Unidos.
Pacientemente, os dois deixam que Danny aos poucos se liberte dos seus medos e apreensões, das suas angústias e temores e finde por integrar-ser à “nova família”, até porque, segundo ouviria de Sam a posteriori, “as famílias devem permanecer unidas”; e assim, aos poucos, acompanhado por Sam ou Victória, Danny começa a descobrir os prazeres da vida, em coisas e situações aparentemente banais ao mortal-comum: tomar um sorvete e saber que é gelado, ir a um supermercado, detectar quando uma fruta se acha madura e, até, que um beijo na face, lhe dado por Victória em forma de saudação, é “molhado” e “gostoso”. Definitivamente, aquela era a “sua família”.
De outra parte, os ensaios de Victória ao piano, em pleno recinto familiar, além de deixá-lo embevecido e extasiado, repentinamente o levam de volta ao passado e, via fragmentos memoriais, imagens começam a “pintar no pedaço”. E aí ele obtém a resposta do “porque” da sua atração pelo piano: sua mãe fora pianista. Ajudado por Sam e Victória (através de um “retrato” que guardara e pesquisas posteriores), descobre não só a identidade materna, mas que fora uma pianista consagrada e famosa.
Nisso, numa prosaica visita a um supermercado, eis que Danny é reconhecido por um dos comparsas do “tio” (que ele julgara morto e que o transformara num autentico animal); descobre, então, que o próprio havia sobrevivido ao acidente e se vê “convidado” a comparecer à sua presença, imediatamente (sob a ameaça de que, não o fazendo, descobririam seu endereço e seus atuais protetores sofreriam as conseqüências).
Volta, é obrigado a recolocar a coleira e, mesmo afirmando não mais querer matar ninguém, é jogado numa arena onde cinco profissionais, usando instrumentos contundentes, começam um autentico “massacre”; por instinto de sobrevivência, a “fera” ressurge em todo o seu esplendor e assim Danny acaba com todos eles. Foge e, ferido, arquejante e cambaleante procura o abrigo de Sam e Victória, até porque “as famílias devem permanecer unidas”.
Surpreso, descobre que os velhos amigos (o “tio” à frente), já haviam descoberto seu “esconderijo” e, agora, subiam os lances de escada dispostos a trucidar com todos eles. Após colocar Sam e Victória num local presumivelmente seguro, dá-se a última batalha: um a um os comparsas são abatidos, impiedosamente, só restando o “tio”; já caído ao chão após uma luta sangrenta, incitando-o a que ele (Danny) mostre ser o que realmente é - “só um assassino” – provoca-o mais ainda ao afirmar que sua mãe fora uma prostituta que lhe servira sexualmente em ocasiões diversas; e aí, em feedback Danny revive a cena em que o “tio” matara sua mãe, à queima roupa, com um tiro na cabeça. Ainda assim, naquele momento crucial, o humano se sobressai, a fera sucumbe e Danny terminantemente se recusa a assassiná-lo; não, ele não é “aquilo”. Pressentindo o perigo, Sam sai do esconderijo e acaba com o marginal, ao acertá-lo com um vaso de plantas, na cabeça.
Cena final: no conservatório, ao receber seu diploma de melhor pianista, Victória, ao ser convidada pra mostrar suas habilidades, toma do microfone e anuncia que a música a ser executada é dedicada a alguém muito especial, que se encontra na platéia; alguém cuja vida transformou-se quando encontrou a música.
Haja coração.
Um filmão !!!

A Brisa do Salgado - Emerson Monteiro


Este o título de outro livro do autor Dimas Macedo, telúrico lavrense de quatro costados e raízes fincadas às margens do rio de nosso querido rincão. Devotado à vida de Lavras da Mangabeira de tantos acontecidos e personagens, aprofunda ação no amor à terra, em estudos e registros do universo que lhe convida a momentos definitivos das páginas que escreve com ânimo acendrado. Prolífico, incansável, preserva as relíquias desse lugar, consagrado aos irmãos de uma terra reconhecida pelas letras, de inúmeros títulos, poetas, contistas, cronistas, romancistas, memorialistas, nascidos ou vividos no seio do tórrido continente.

E Dimas se entregou à função de maestro da orquestra multiforme... Escriba primoroso, dedicado, proficiente, recolhe peças elaboradas pelo esmero daqueles heróis da pena, e constitui o acervo da literatura que descobre aos filões na alma dessa gente... Traça rumos, pesquisa, referenda, artífice intelectual da Academia Lavrense de Letras, exemplo vivo de cultor da arte a quem oferta sonhos de inteira devoção.

O livro que hoje nos traz, edição da Imprece Editorial, Fortaleza CE, 2011, consolida posições por meio de crônicas e ensaios inspirados, visando significar o rumo saboroso dos quintais férteis do Rio Salgado, cujas águas acariciam os morenos pés das musas da pátria ressequida. Ainda que envolto nos afazeres profissionais, se permite a instantes preciosos de laborar espelhos de sapiência e monta e totalidade lógica dos discursos textuais coletivos.

Converge, pois, linhas do tempo e do espaço lavrenses na colcha de retalhos dos filhos próximos ou distantes, vivos ou eternos, presentes ou para sempre destacados pela fraternidade, instrumentos afeitos à batuta do grande amigo que resolveu doar genialidade aos amantes das letras interioranas, literatura ao natural.

Um inesquecível cronista das terras alencarinas, poeta, ensaísta e historiógrafo, Dimas Macedo assim subscreve a legenda de que Lavras da Mangabeira se reveste qual cidade fenômeno das letras cearenses, pela incidência privilegiada na relação autores/habitantes no decorrer da sua história, satisfação e honra dos apreciadores da cultura.

CRATO - Um Tesouro que nunca poderão tirar de nós !


Pensamento do Dia

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"O Crato tem belezas naturais, tem a linda Chapada do Araripe, tem verde, tem fontes, balneários... Coisas que cidade nenhuma pode tirar de nós. Eles podem até levar o SESI, podem levar o SENAI, podem levar as nossas Universidades. Os governos podem negar verbas para que nossa cidade possa crescer como deveria, mas eles jamais poderão tirar os nossos maiores tesouros: Primeiro, a nossa dignidade, e a nossa querida Chapada do Araripe. Hoje é Domingo: Nós Cratenses, como fazemos há mais de 200 anos, vamos para nossos pés de Serra tomar Banho nas Nascentes, nessa agradável temperatura que o Crato possui. Enquanto isso, certas cidades gananciosas, que não tem sequer qualidade de vida, num belo dia de Domingo como esse vão amargar no calor, e tomar banho só se for de AREIA ou numa poça de lama. Salve a nossa Chapada do Araripe, um patrimônio que cidade nenhuma pode tirar dos Cratenses!"

Por: Dihelson Mendonça

Eu Vou Pro Crato
( Luiz Gonzaga
)

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Tomar banho na nascente
Na subida do Lameiro
Tomo uns trago de aguardente

Eu vou pro Crato
Comer arroz com pequi
Feijão com rapadura
Farinha do Cariri

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Pois a coisa melhorou
A luz de Paulo Afonso
O Cariri valorizou

Eu vou pro Crato
Já não fico mais aqui
Cratinho de açucar
Coração do Cariri

Eu vou pro Crato
Vou matar minha saudade
Ver minha morena
Reviver nossa amizade

Eu vou pro Crato
Vou pra casa de seu Pedro
Seu Felício é velho macho
Tô com Pedro, tô sem medo

Eu vou pro Crato
Vou viver no Cariri
Cratinho de açucar
Tijolo de buriti