Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


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terça-feira, 25 de outubro de 2011

CUBA: a mosca na sopa do IMPÉRIO - José do Vale Pinheiro Feitosa

No século XX a “famosa democracia” americana, essencialmente de brancos europeus, evoluiu para o mais franco imperialismo. A famosa conquista do Oeste que se tornou a essência da alma americana, como bem disse o diretor de cinema John Ford, já era a conquista imperial de um território alheio. Não adianta os olhos rútilos de amor pelo expansionismo americano: está lá, em toda a costa da Califórnia, a presença secular das Missões Jesuíticas espanholas. Durante duzentos anos os espanhóis e depois os mexicanos criaram estruturas por lá. Não era um território abandonado, depois foi invadido pelos “pioneiros”.

O México, a América Central e a América do Sul se tornaram espécies de terreiros das instituições americanas, com estratégias de faxina prévia tipo a Fundação Rockfeller, depois os marines e boinas verdes, para consolidar as empresas americanas com governos dóceis aos desejos comerciais estrangeiros. John Gerassi ainda nos anos 60 traçou um perfil inquestionável do que chamou “A Invasão da América Latina.”

Os americanos estão comprovadamente por trás de todos os golpes efetuados na América Latina, inclusive a queda de João Goulart quando aproximaram navios da costa brasileira para dividir o país em vários territórios de domínio do império (haviam feito com a Coréia e o Vietnã). Recém falecido, o ex-ministro da saúde Wilson Fadul contava da arrogância do embaixador Lincoln Gordon com as autoridades brasileiras. Dr. Fadul descobriu uma enorme e ilegal remessa de lucros através de sobrefaturamento de medicamentos importados pelas filiais americanas da indústria farmacêutica. O ministro determinou a execução da prática de preços internacionais, por vezes dez a vinte vezes menos e o embaixador americano veio para cima dele querendo proteger a prática deletéria para o povo brasileiro. O Ministro não o recebeu, mas o embaixador esteve à frente do golpe contra Jango.

Os EUA treinaram torturadores, treinaram militares brasileiros e desviaram o Brasil de seu destino por mais de 30 anos apenas para exercer o controle sob o guarda chuvas da Guerra Fria. Cuba, uma ilha muito próxima da Flórida, com forte sangue Espanhol, especialmente galego, desde o final do século XIX que tinha um povo nacional que naturalmente brigou sob a liderança do poeta José Martí. O famoso Theodore Roosevelt, ainda hoje objeto de propaganda de culto à personalidade através de inúmeros filmes, voltados para a juventude, invadiu a Ilha e jogou-a sob o capricho do império em franca evolução.

Um império mercantil e industrial, do estilo capitalista, funciona com armas e domínio da produção e comercialização da mesma. E foi isso que ocorreu com Cuba. Viveu uma longa história na primeira metade do século XX sob o tacão da violência e golpes de estados financiados por empresas produtoras de frutas e da cana de açúcar e pasmem sob o controle da máfia americana.

O jornalista T.J. English acaba de publicar um livro, traduzido para o Brasil chamado “Noturno de Havana”. O assunto foi tratado em vários filmes, inclusive na trilogia do “Poderoso Chefão”. Trata-se da máfia americana sob a liderança de Lucky Luciano e Meyer Lansky querendo transformar Cuba numa Monte Carlo do jogo e da prostituição. Logo depois a ilha se tornou uma espécie de porta aviões fixo para o nascente comércio de drogas como a cocaína. Eles queriam tomar um país e subjugar um povo para os caprichos da indústria de entretenimento, bem ao largo do enorme império ávido por bacanais.

É preciso entender que o asco dos moralistas com este tipo de atividade não resolve a grande contradição que vaga em suas almas, tontas da ideologia da guerra fria. O cinema dos musicais, inclusive a nossa Carmem Miranda, o mundo da música como Frank Sinatra e da política como John Kennedy era comensais, protegidos e financiados pela máfia que pretendia dominar Cuba. Mas quando existe um povo, a história nem sempre atende aos interesses do poder dominador e o poder dominador cai. Mas isso é uma nova história para outro texto que pretendo escrever em breve.
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Ainda é cedo


- Aconteceu com Saddam Hussein, Bin Laden e, agora, com Gaddafi. Líderes importantes, como Obama, declararam que o mundo ficou melhor sem eles. É possível. Numa das perseguições aos cristãos durante o Império Romano, um dos Césares mandou erguer uma coluna que até hoje existe, declarando que não havia mais cristão na face da Terra e que o mundo seria melhor.

Não estou comparando nada com ninguém, apenas lembrando que o alívio da humanidade quando morre um ditador criminoso, como Gaddafi, em geral é um alívio mal informado. Quando Júlio César foi assassinado, Brutus comunicou à plebe que o tirano estava morto -e recebeu aplausos. Foi preciso que Marco Antônio, logo em seguida, pronunciasse seu famoso discurso para reverter o sentimento do povo.

E depois do primeiro César (o mais importante deles), vieram outros como Calígula, Nero, Vespasiano etc., que não tinham sequer o passado glorioso do conquistador das Gálias. Mesmo assim, o assassinato de ditadores, segundo Shakespeare, seria uma cena repetida ao longo dos séculos e em países que nem ainda existiam naquele tempo.

Nos impérios orientais, a sucessão de tiranos sanguinários foi quase ininterrupta. A situação na Líbia, mesmo com a queda e a morte de Gaddafi, está longe de ser tranquila. Não é hora de soltar foguetes, muita coisa ruim ainda pode acontecer naquele país sem tradição democrática.

Lembro igualmente aquele tenor que, depois de cantar a ária principal de uma ópera, foi vaiado vergonhosamente pela plateia enfurecida. Atiram-lhe ovos, tomates e sapatos. Resignado, enfrentando de cabeça baixa a irritação e os insultos do público, o tenor limitou-se a dar um aviso que, na realidade, era uma ameaça: "Vocês não viram nada. Esperem pelo barítono!".

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O(s) Cachorro (s) Louco(s) em Ação de Morte - José do Vale Pinheiro Feitosa


Este vídeo foi considerado ofensivo pelo grupo do Youtube. De fato o vídeo é chocante e não aconselhável para quem é sensível. No entanto estou postando para completar aquele texto sobre cachorros loucos que publiquei ontem. Peço desculpas ao leitores do blog que consideram a insistência neste assunto como algo desagradável.

Tudo que é sólido continua se desmanchando no ar - José do Vale Pinheiro Feitosa

Se o universo é um movimento de transformação contínua (embora os profetas do princípio e do fim sejam fortes até na física das partículas) a vida humana, do ponto de vista dela que é o trabalho, é um processo neste movimento. Existe um amplo campo de transformações, seja ela dialógica ou dialética, seja ela ao acaso ou por necessidade, qual uma modernidade consumista ou uma pós-modernidade que a deseja sem mais história, a transformação continua no horizonte dos projetos prontos.

A tônica do movimento, até que alguém prove ao contrário, é aquele em que tudo que é sólido se desmancha no ar. Isso vem a respeito das hegemonias. A natureza intrínseca do movimento do capitalismo é a concentração de poder primeiro em classes e depois em corporações. Quando em classes havia uma correspondência social, antropológica e cultural mais palpável, com a corporação isso se perde, pois introduz a tecnoburocracia e os fundos sociais a maior parte formado entre trabalhadores.

De qualquer modo o processo capitalista necessita essencialmente do Estado como moderador da guerra de todos contra todos e ao necessitar deste, passa a ser ampliado pelo processo mais geral de quem não tem fundo social e nem por vezes emprego (veja não falo em trabalho este continua a ser a essência da vida, mas do emprego que é a capacidade de alguém pagar pelo seu trabalho de modo regular). O Estado nas sociedades urbanas mesmo privilegiando classes e corporações, continua a ser a instituição onde a política interfere.

Por isso mesmo o Estado que é a necessidade moderadora, é para a tecnoburocracia e para os grandes detentores de capitais das corporações ao mesmo tempo uma solução e um enorme problema. Isso especialmente após a segunda guerra mundial com os Estados Socialistas e a Social Democracia. O Estado de algum modo ao redistribuir riquezas, reduz a ferocidade do animal acumulativo das corporações.

O que aconteceu nos últimos 30 a 40 anos? Junto com a emergência dos direitos sociais e humanos, as corporações sem possibilidades de continuar no ritmo acumulativo de suas naturezas passaram a fazer um trabalho ideológico sistemático em relação ao poder redistributivo do próprio Estado. O autoritarismo foi uma das mais bem urdidas campanhas a tomar espaço político na sociedade de modo em geral. Assistindo à corrupção dos agentes, ao observar a violência policial, a perda de empregos, os desmandos de autoridades do Estado, ficou fácil para a sociedade ser levada ao conceito do Estado Mínimo do neoliberalismo a partir dos anos 80.

O Estado Mínimo passou a ser a “flexibilização” desejada pelas corporações e com excelentes estratégias da tecnoburocracia a acumulação disparou até o limite em que levou à fragilidade não apenas alguma corporação, mas a todo o sistema capitalista. Recente estudo do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, usando modelos matemáticos fez um painel do quem é quem nas corporações atuais em todo o mundo.

O mundo possui hoje 43.060 corporações transnacionais, mas apenas 1.318 destas corporações formam o núcleo central desta rede transnacional. Estas empresas possuem em média 20 conexões com outras corporações. Aí o estudo revelou algo mais surpreendente, embora este núcleo represente apenas 20% das receitas, ele controla as principais ações do tipo “blue chips” nos mercados de ações do mundo todo. Então a realidade nua e crua: este núcleo controla 60% de todas as vendas realizadas no mundo.

Prosseguindo o estudo chegou-se ao supremo da concentração: 147 transnacionais controlam 40% daquele núcleo central. Ora isso é politicamente muito pior do que apenas dizer que 1% das pessoas controla mais riquezas do que 50% das demais pessoas. Isso significa que com a inteligência da tecnoburocracia as riquezas do mundo são controladas por alguns agendes que combinam ações entre si. Então adeus democracia, estamos diante da pior das ditaduras. E o pior uma ditadura levando a humanidade ao desastre como já se verifica.

As empresas controlando o poder político é que nos apresenta este quadro. Mas sigamos que isso seja uma hipótese, é difícil imaginar uma direção política única quando existem 147 transnacionais disputando posições. Mas aí teremos que considerar duas evidências: um sistema desses tende à instabilidade, pois a acumulação de riquezas não é infinita e os recursos naturais são o seu limite e em segundo lugar, este núcleo efetivamente mantém o interesse comum de não mudar a própria rede.

Como as riquezas reais do mundo são aquelas que fazem o modelo atual de civilização consumista é aí que se entendem todas as “primaveras” do norte da África e todas rebeliões nas ruas de cidades em diversos continentes. Mesmo a evidente ação política de Estados nacionais com interesse no Petróleo como no Iraque e na Líbia, fica claro que o “custo” Iraque e Líbia irá aumentar pelo desejo de maior consumo daquele povo. Aí residirá a segunda onda de contradições no território destes países.

Mas afinal serão ondas nacionais e continentais, pois o centro mesmo da contradição é modelo “concentracionista” a que chegou o capitalismo global.




O "Cachorro Louco" Morreu. Terminou uma Tirania de 40 anos e Bilhões de Dólares no Exterior - Por: Dihelson Mendonça



Finalmente morreu o ditador Muammar Kadafi, 40 anos no poder, responsável por milhares de assassinatos na Líbia. Quem se atrevesse a ir contra o seu poderio, era sumariamente fuzilado. Possuía em contas pessoais em bancos estrangeiros, BILHÕES DE DÓLARES, assim como os seus filhos, enquanto o povo vivia numa pobreza terrível, afinal de contas como ele dizia, "EU SOU A LÍBIA", a mesma demência dos grandes ditadores, a exemplo de Hitler, que do alto do seu delírio, se identificava com a própria nação.

Morreu o Sanguinário, apelidado carinhosamente de "Cachorro Louco" ( Que maldade, comparar Kadafi a um cachorro louco, uma desfeita ao mundo animal ), mas, se assim for, há muitos outros cachorros loucos que ainda precisam morrer. O Diabo recebe mais um dos seus a essa altura...

BRAVO! Aos rebeldes da Líbia, que COM OU SEM OTAN, tiraram esse sanguinário ditador ( como todos os ditadores ) do poder. Não existe ditadura boa. E falando nisso, como vão o Irã e Cuba ? Que sejam os próximos da lista!

Dihelson Mendonça
( Editada )

domingo, 23 de outubro de 2011

PARA QUE SERVE A UTOPIA? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Estou postando esta entrevista com Eduardo Galeano como uma consequência do texto que acabei de postar aqui nos blogs do cariri. Como forma de oferecer opções estou postando o vídeo da entrevista e também o texto com algumas modificações na tradução para o português.

“Se não me deixais sonhar, não os deixarei dormir.”


Para que serve a Utopia? A utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que nunca a alcançarei. Se caminho dez passos em busca dela, ela se afastará mais dez passos. Quanto mais a busque, menos a encontrarei, por que ela vai se distanciando à proporção que me aproxime dela. Boa pergunta não? Para que serve. Pois a utopia serve para caminharmos.

“Que tal se deliramos por um momentinho. Que tal se fixarmos os olhos para além das infâmias para adivinhar outro mundo possível.

O ar estará limpo de todos os venenos que não provenham dos medos humanos e das humanas paixões. Nas ruas os automóveis serão esmagados pelos cachorros. A pessoa não será manejada pelos automóveis e nem será programada pelo computador, não será comprada pelo supermercado e nem será tampouco assistida pela televisão. A televisão deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como o ferro de passar ou máquina de lavar roupas.

Se incorporará aos códigos penais o delito de estupidez que cometem quem lhes vivem por ter ou por ganhar ao invés de viver por viver não mais como canta o pássaro sem saber que canta, como brinca a criança sem saber que brinca. Em nenhum país serão presos os jovens que se neguem a cumprir o serviço militar, se não os que queriam cumpri-los.

Ninguém viverá para trabalhar, mas todos trabalharão para viver. Os economistas não chamarão de vida para nível de consumo e nem chamará de qualidade de vida a quantidade de coisas. Os cozinheiros não acreditarão que as lagostas lhes encanta que lhas queiram fervidas. Os historiadores não acreditarão que aos países se lhes encanta serem invadidos. Os políticos não acreditarão que aos pobres se lhes encanta comer promessas. A solenidade deixará de crer que seja uma virtude.

E ninguém e ninguém tomará a sério alguém que não seja capaz fazer crítica a si mesmo. A morte e o dinheirão perderão seus mágicos poderes e nem por morte e nem por sorte se tornará o canalha em virtuoso cavalheiro.

A comida não será uma mercadoria e nem a comunicação será um negócio, por que a comida e a comunicação são direitos humanos. Ninguém morrerá de fome por que ninguém morrerá de indigestão.

As crianças da rua não serão tratadas como lixo por que não haverá crianças nas ruas. Os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, por que não haverá meninos ricos. A educação não será privilégio de quem lhas possa pagar e a polícia não será maldição de quem não lha possa comprá-la. A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viverem separadas, poderão se juntar, bem coladas, costa contra costa.

E na Argentina as Loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, por que elas se negaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória. A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas das tábuas de Moisés e o Sexto Mandamento mandará festejar ao corpo. A igreja mandará editar outro mandamento que se lhes havia esquecido Deus: amarás a natureza da qual fazes parte.
Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma. Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, por que eles se desesperaram de tanto esperar e eles se perderam por tanto buscar.

Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham vontade de beleza e vontade de justiça. Tenham nascido quando hajam nascido e hajam vivido onde hajam vivido sem que lhes importe nem um pouquinho as fronteiras do mapa e do tempo.

Seremos imperfeitos por que a perfeição continuará sendo o aborrecido privilégio dos Deuses. Porém neste mundo e neste mundo atrapalhado e fodido, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última.

Sobre Cachorros Loucos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Tem muitos cachorros loucos prontos a dar mordidas sem qualquer motivo da vítima, apenas por que viu na vítima o sítio preferido de suas mordidas. Esta frase imediatamente remete aos assassinatos em massa, aos linchadores, aos vingadores, aos cachorros loucos que reagem aos simples “xispa” do seu dono.

No primeiro parágrafo me referia aos cachorros loucos sem focinheira. Existem os cachorros loucos contidos e apenas instigados quando necessários e até aqueles cachorros loucos de madame, que mordem enquanto ela se horroriza com o sofrimento de algum personagem na novela das nove.

Os domadores de animais, especialmente de cachorros, não se cansam de dizer: não confundam a agressividade de um cachorro louco com a hidrofobia. A primeira é a projeção da insana e malvada consciência do dono sobre o animal e a segunda é uma doença natural que altera definitivamente a mente do cachorro.

Por isso quando um cachorro louco é morto a tiros, chutado, dando-lhe pauladas e depois de seu suplício é comemorado algo muito grave sempre acontecerá. O insano e malvado de consciência arbitrária que treinou o cachorro louco estará preservado neste ato. E a pior das desgraças: ele continuará a ameaçar os inconseqüentes que não conseguem olhar para a realidade além de seu próprio desvio em comemoração de tão nefasto engano para si.

Neste momento os vingadores se confundirão tanto com o cachorro louco que parecem fazer parte do mesmo canil que desencadeou a insensatez. Enquanto dão pauladas estas já estarão sob o ritmo do dono dos cachorros loucos.


O pior é que os donos destes cachorros loucos são capazes de soltá-los para que eles vigiem outros territórios do interesse do dono. E eles vigiarão, igual àqueles cachorros que controlam as ovelhas, mas se o cachorro fizer algo que contrarie a economia da lã e da carne, ele será abatido sem qualquer piedade. É a ontologia da manutenção do mal de origem.

E tem mais: os vingadores que provam o sangue do cachorro louco destroçado, logo apontam sua violência para outras vítimas. Eles querem mais. Muito mais do que a violência do momento lhes proporcionou. Outros “cachorros loucos”, não importam se reais ou não, desde que pareçam que sejam, logo estarão sob a mira vingativa dos linchadores.

É muito triste quando o humano se resume a este insano desejo de sair de série em série dando pauladas em cachorros loucos, especialmente se alguma revista diga “veja” este é mais um.

Domingo

- Claude Bloc –



Hoje é domingo
 As pessoas se ausentam, se escondem se fecham
para descansar
Descansar o domingo
nas ruas desertas
nas portas abertas
nas horas mais largas
de nada fazer.

Sol descoberto e mais um domingo
na eterna procura de novos cansaços
mas uma caminhada
em estradas mais largas
novas  perspectivas
em largas esperas
onde se difundem os mais  transparentes sonhos
os mais abstratos planos.

É domingo.
e é sempre aos domingos
Que as flores se embelezam nos jardins
Tudo volta ao princípio
de mais uma semana...

Claude  Bloc


"Aditivo" - José Nilton Mariano Saraiva

Na nossa última postagem (“Irã, o próximo”), tentamos mostrar, da forma mais didática possível, os abusos cometidos (recorrentemente) pelos “xerifes” do mundo (os EE.UU.) quando resolve se impor “no peito e na marra”, visando atender suas necessidades imediatas, nem que para isso tenha que atropelar tratados internacionais, soberania de outros povos e por aí vai.
Alertamos, também, com enfase, para o risco que correrá o Brasil quando o nosso fabuloso “pré-sal” estiver produzindo a pleno vapor, já que os “gringos” (preventivamente???) já armaram sua tenda nas cercanias da Bolívia com a Colômbia.
Lamentavelmente, entretanto, andaram tentando desvirtuar o que colocamos, com a canhestra idéia de que estaríamos a defender ditadores sanguinários. Por essa razão, tomamos a liberdade de recolocar as coisas em seus devidos lugares, ao aditar (ou transcrever) o contido na coluna Concidadania, do jornalista Valdemar Menezes, publicada hoje no jornal O POVO, aqui de Fortaleza, e que tem tudo a ver com a nossa postagem (e antes que tentem jogar farofa no ventilador, saibam que os grifos são nossos).
O mais... é perfumaria barata, de quinta categoria.

José Nilton Mariano Saraiva

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QUEIMA DE ARQUIVO (Coluna Concidadania, Valdemar Menezes)
A execução de Muammar Kadhafi, segundo é corrente nos meios informados, foi uma operação planejada com muita antecedência. As potências ocidentais não queriam que ele tivesse uma tribuna de onde pudesse falar sobre acertos constrangedores, no passado, com seus atuais carrascos. Quando foram encontrados os arquivos secretos, no seu palácio, revelando as operações conjuntas com serviços de inteligência dos Estados Unidos e países europeus, sua sentença de morte teria sido definida. Não se deveria dar oportunidade para ele revelar tais segredos diante de um Tribunal Penal Internacional. Daí porque os aviões da Otan foram empregados para matá-lo, quando fugia do cerco de seus inimigos num comboio. Caso escapasse, os rebeldes se encarregariam de completar o serviço - como de fato aconteceu. SÓ QUE A AÇÃO DA OTAN FOI TOTALMENTE ILEGAL. ALIÁS, TODA A SUA INTERVENÇÃO, NOS MOLDES EM QUE SE DEU, VIOLOU OS LIMITES DO MANDATO RECEBIDO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU. O CINISMO E O DESCARAMENTO, JÁ OBSERVADOS NO IRAQUE, NO AFEGANISTÃO E NO PAQUISTÃO (VIDE A MORTE E O DESAPARECIMENTO DO CADÁVER DE OSAMA BIN LADEN) REPETIRAM-SE AGORA, NA JUSTIFICATIVA DA OPERAÇÃO CONTRA O DIRIGENTE LÍBIO.
Agora que Kadhafi foi acolhido (quer se queira ou não) no panteão dos mártires da causa árabe, se transformará, provavelmente, numa grande força simbólica a alimentar a luta dos que são movidos pela defesa do interesse nacional. MUITO PIOR (DO PONTO DE VISTA MORAL) DO QUE O PRIMITIVISMO DE SEU REGIME É O ESCÂNDALO DE SE FLAGRAR UM ESTADO QUE SE DIZ DEMOCRÁTICO E CIVILIZADO, COMO OS EUA, TORTURANDO PRISIONEIROS, INSTALANDO PRISÕES CLANDESTINAS, BOMBARDEANDO POPULAÇÕES CIVIS E LIBERANDO SEU SERVIÇO SECRETO PARA ASSASSINAR DESAFETOS (CHEFES DE ESTADO, LIDERANÇAS POLÍTICAS E COMUNITÁRIAS ESTRANGEIRAS) SEM QUE SEUS DIRIGENTES SEJAM JULGADOS POR CRIMES CONTRA A HUMANIDADE, COMO, ALIÁS, PEDE A ANISTIA INTERNACIONAL. POR QUE DEIXAR DE ACENTUAR TAMBÉM QUE A LÍBIA APRESENTAVA O MAIS ALTO IDH DA ÁFRICA (SEM QUE ISSO ABSOLVA OS CRIMES DO REGIME DERRUBADO)?

sábado, 22 de outubro de 2011

AGRADECIMENTO A DOIS BONS AMIGOS - Por Pedro Esmeraldo

Antes, desejo prestar homenagem póstuma a dois grandes intelectuais cratenses: o professor J.de Figueiredo Filho e a minha tia Maria de Lourdes Esmeraldo, a quem devo a permanência nas lides intelectuais do Crato, paradigmas da cultura, visto que me orientaram com cuidado especial a fim de estimular-me na arte em defesa da cidade. A esses dois ilustres filhos cratenses, venho agradecer pela sua bondade e tenho o cuidado de usar a palavra com dedicação e esmero.


Também me recordo de outras configurações gerais pertencentes ao corpo do intelecto desse município que granjearam conhecimentos, fazendo movimentação política em amor à terra comum, instruindo jovens que fizessem um novo Crato, transformando-a em uma cidade relevante, digna de prestígio em um maior Centro Cultural do Cariri. Esses homens difundiram o Crato culturalmente, promovendo a juventude para que soubesse caminhar no ramo cultural.

Querendo dar maior ênfase, cito as figuras dos principais mestres que culminaram com o desenvolvimento desta cidade e estão proliferando até esses dias pessoas relevadas que souberam traduzir o seu pensamento de serenidade e amor à terra. São eles: José Flávio Vieira, os irmãos Carlos e Armando Rafael, Emerson Monteiro de Lacerda, Antônio Vicelmo, Huberto Cabral, dr. Wellingotn Alves de Sousa, dentre outros que souberam traduzir e galgar as montanhas das letras com muita precisão e todos os cientes do dever de defender o torrão natal que está sendo vilipendiado e destratado pelas atuais autoridades do Estado.

Relembro dos grandes sacerdotes intelectuais cratenses que foram notáveis e trasnformaram este município em uma cidade cultural que deram nome ao Crato de Capital da Cultura. Não se deve esquecer da magnitude do Colégio Diocesano a quem devo o meu desenvolvimento cultural e intelectual e a minha presteza de servir à terra. Lembro bem das figuras do padre Gomes (o maior historiador), da direção dedicada de Monsenhor Montenegro e do professor José do Vale Feitosa e muitos outros que passam a relembrar momentos históricos das datas comemorativas, sempre orientando os jovens com a dedicação de seguiram um bom caminho.


Convém lembrar que este colégio foi o principal timoneiro dos movimentos febris, pois conduziam todos a seguirem com dedicação e exaltação do expansionismo cultural do Cariri.

Foi do Crato que surgiu o primeiro grito pela independência no ano de 1817; foi do Crato que surgiu o primeiro grito pela liberdade (Confederação do Equador) no ano de 1824, capitaneada pelo cratense Tristão Gonçalves de Alencar Araripe; foi daqui do Crato que houve o primeiro movimento pela expansão e melhoria do comércio e da agricultura. Por isso, deve-se notar que o Crato está sendo enganado, querem transformá-lo em uma cidade da discórdia e de dormitório moderno, mas ninguém se conforma com este pensamento dúbio, vez que Crato sempre foi uma cidade valente e não aceita ser envolvida pelos algozes e perseguidores.

Felizmente, tenho bons seguidores que me acompanham e me incentivam a marchar para a luta em defesa de minha terra. Noto que a cada dia vem aumentando a minha permanência de defender com unhas e dentes o meu torrão natal com garra e a esses senhores só tenho a agradecer a sua boa vontade e peço, ao mesmo tempo, que orem por mim, pedindo a Deus força, altruísmo, perseverança e um pouquinho de sabedoria.

Muitas vezes fui perseguido por certos jornalistas piegas que vieram me açular co palavras inócuas e ofensivas, mas não dou ouvidos a essas palavras e continuo na luta até hoje sem esmorecimento.

Agora quero agradecer a dois parentes amigos que me presentearam com a impressão deste livro e ao mesmo tempo afirmo, com sinceridade, que serei agradecido e peço aos dois primos amigos Dr. Luciano de Brito Gonçalves e o Jornalista José Esmeraldo Gonçalves que me granjearam com toda atenção a edição desse livro. Não tenho mais palavras para agradecer, a não ser tornar-me fiel a esses dois amigos até a minha morte.

Crato-CE, 17/10/2011
Discurso proferido no lançamento do livro Contra o Vento

Pensamento para o Dia 22/10/2011


“Você fará rápido progresso no caminho espiritual se superar os obstáculos difíceis de raiva, orgulho, vaidade, da tendência para procurar defeitos nos outros, etc. Estes operam inconscientemente, como as correntes nas profundezas do oceano. Você deve ser vigilante para não perder a calma, mesmo nas pequenas coisas, pois isso obstruirá seu progresso. A raiva é a mãe de todo o comportamento errado e pode levar qualquer pessoa a maus caminhos, a qualquer momento e sob qualquer forma. Então, em primeiro lugar, sublime-a pelo esforço sistemático. Acolha alegremente qualquer um que aponte seus defeitos; seja grato a eles. Nunca nutra ódio por eles, pois isso é tão ruim quanto odiar o bom. Você deve amar o "bom" e rejeitar o "mau". Lembre-se, o "mau" não deve ser odiado, mas abandonado ou evitado. Cultive a humildade e o amor para com todos; hábitos indesejáveis desaparecerão de você.”
Sathya Sai Baba

Para o PCdoB, Orlando Silva e Kadafi são homens exemplares – por Gabriel Castro (*)

Enquanto se esforça para manter Orlando Silva no cargo, o PCdoB lamenta a morte do ditador líbio Muamar Kadafi. Fiel às origens stalinistas, a legenda sempre esteve ao lado do tirano -- que se dizia socialista. Uma ginástica argumentativa que transforma a defesa do indefensável ministro do Esporte em brincadeira infantil.

Para os integrantes do PCdoB, os levantes populares que deram início à derrubada de Kadafi foram um teatro. “É um crime do imperialismo e dos seus agentes na Líbia”, diz, em vídeo divulgado na página do partido, o secretário de Comunicação comunista, José Reinaldo Carvalho -- que aproveita para lamentar a morte de Saddam Hussein, Osama bin Laden (“o suposto autor dos atentados de 11 de setembro”) e do genocida sérvio Slobodan Milosevic.

“Muamar Kadafi será pelo tempo afora recordado como um herói pelos líbios que amam a independência e a liberdade. E também por muitos milhões de muçulmanos”, afirma outro texto divulgado pelo site da legenda. Protógenes Queiroz, deputado pelo PCdoB, também exaltou a figura do tirano: “A vitória foi dele. Ele guerreou até o final, ele nasceu guerreando e morreu guerreando”.
Aparentemente, Kadafi -- que financiou terroristas e trucidou opositores por quatro décadas -- era uma referência moral para os comunistas. Mais ou menos como Orlando Silva.

(*) Gabriel Castro é jornalista em Brasília. (Transcrito de Veja on line).

Nota do Postador –. Qualquer pessoa medianamente informada sabe, por exemplo,  que o ditador Saddam Hussein mandava torturar, estuprar e matar os seus opositores, independente de serem crianças, mulheres ou velhos. Centenas de milhares de pessoas morreram como resultado dessas ações de Saddam,  aí incluídos 40 pessoas da sua própria família. Não vamos nem nos deter nos genocídios praticados por Saddam – entre 1987-1988 –  quando aquele  sanguinário usou agentes químicos em ataques contra pelo menos 40 aldeias curdas. Somente na aldeia de Halabja os asseclas do ditador mataram aproximadamente 5.000 civis inocentes.

Quanto a Kadafi, este,  por 42 anos, foi um déspota tirânico,  uma figura psicótica e assassina mais próxima de outro genocida, Saddam Hussein. O excêntrico ditador líbio usou sua polícia  secreta para torturas, assassinatos, estupros, sequestros, deportações, desaparecimentos forçados, sem detalhar  os atos de terrorismo que promoveu, a exemplo da derrubada de um avião da extinta companhia aérea Pan Am  que explodiu sobre  a cidade escocesa de Lockerbie, na Escócia matando 259 civis inocentes. O próprio Kadafi admitiu ter ordenado a explosão desse avião.
E ainda existe quem defenda esses facínoras. Vade retro...

Vereador inelegível jogando jogando gasolina no fogo dos políticos - José do Vale Pinheiro Feitosa

O vereador Rodson Lima do Partido Progressista de Taubaté tomou ao pé da letra e para si o progresso da sigla. “Eu descobri que o hotel é três estrelas, mas pra mim é como se fosse um palácio. Eu tô conversando com você na janela e tem uma piscina de 40 metros com cachoeira, é brincadeira? Vivo a vida de príncipe há 15 anos. Dois motoristas, assessores, celular, assessoria jurídica, gabinete com ar condicionado... Inclusive até postei assim: engenheiros que são formados por Harvard, Yale, Michigan não desfrutam disso que eu desfruto. É muita honra que o povo me dá. Eu sou eternamente agradecido” – assim expressou-se o progressista.

O Jornal Nacional chamou o ato do vereador de excesso de sinceridade. Mas tudo leva a crer que o vereador é muito articulado e provocador e não corresponde à humildade que parece demonstrar. O vereador, igual a este policial de Brasília que denunciou o esquema da ONGs no Ministério do Esporte por que foi cobrado das próprias falcatruas e atirou para cima, no caso o vereador mirou todos os políticos: vereadores, deputados, senadores e até conselheiros dos tribunais de conta.

Com a esperteza de alpinista social e econômico que Deus lhe deu ele bem sabe do sentimento popular, especialmente nas redes sociais da internet, com os políticos e uma vez estando proibido de ser reeleito o ano que vem, vai na jugular dos políticos e suas benesses. Até ao aparentemente se explicar para o povo ele ataca os políticos amplamente: “Hoje estou aqui, no meio de senadores, conselheiros do Tribunal de Contas. As autoridades me chamam de excelência. Foi isso que eu quis dizer. Passei de vassalo para uma vida de príncipe. Estou num hotel três estrelas, mas para mim, homem humilde, isso parece o Palácio de Buckingham. E devo isso ao povo. Agradeço muito. Claro. Tenho minha prole. Quero que eles ocupem meu lugar. Isso é tradição no Brasil, né? E eles querem trabalhar pelo povo. Um deles trabalha na ambulância que eu comprei. É o motorista."

Certamente que ao expressar a vontade dos filhos seguirem a “carreira de político” ele levanta outro “podre” da vida política, este nepotismo eletivo de pai para filho que acontece no processo eleitoral. Enfim estamos todos muito confusos. No Piauí um Juiz de Direito queria mil reais para liberar uma estrada para circularem estudantes da zona rural. Onde se encontra o verdadeiro sentido da vida honrada e solidária?

Não basta apenas trabalhar uma vez que a ética do trabalho não acoberta o sicário. É preciso realmente esclarecer esta confusão do cipoal de contradições. O processo eletivo está em julgo feroz e todos desejam a democracia, exatamente por isso, mas muitos criticam o processo eleitoral e a representação. Os gregos não gostam do seu parlamento com certeza e a troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas teve que ser decretada pela Justiça, uma vez que o Knesset não foi suficiente.

A enorme concentração da renda, tornando apenas 1% da humanidade dona estratégica da riqueza mundial, acobertada pelos Estados Nacionais, é um bom exemplo da crise da representatividade na democracia ocidental. Aliás, toda a aparentemente insanável crise moral tem origem nesta concentração de renda e a brutal mercantilização da vida em todos os sentidos. Vai dos transplantes de órgãos ao filhós na segunda feira.

Há como uma bruma de mudanças violentas fruto deste cipoal de contradições não resolvidas, a pergunta é saber como ela se dissipará. Vidas se perderão até a clareza da visão e se perderão absolutamente por nada, apenas pela confusão que está em curso.

Irã, o próximo - José Nilton Mariano Saraiva

Como não encontra uma maneira de reduzir seu irresponsável e perdulário consumo, o colapsar da produção americana de petróleo dar-se-á em muito breve, devido à exaustão das suas reservas; para evitar esse verdadeiro caos, os “xerifes” do mundo inescrupulosamente radicalizam (e jogam sujo), sem nenhum constrangimento, ao “fabricarem” guerras sangrentas naqueles países que literalmente “nadam” (ou repousam) em reservatórios abarrotados do “ouro negro” (leia-se Golfo Pérsico).
Os pretextos são os mais estapafúrdios possíveis, começando pela desestabilização dos respectivos governos (via campanhas difamatórias intensas, onde só um lado da moeda é mostrado ao distinto público), normalmente pregando o iminente perigo de a humanidade ser dizimada por um ditador ensandecido (ou possuído pelo capeta); nessa toada, nada mais “natural” que “eliminar” de forma humilhante tal personagem, mesmo que ignorando os mais elementares princípios que regem os direitos humanos ou tratados internacionais de não agressão a países independentes; num segundo momento, há que se encontrar um motivo que justifique tal assassinato, a fim que a “coisa” não pareça o que realmente é: uma execução sumária, objetivando o “apoderar-se” de uma riqueza finita, mas que ainda hoje “move o mundo”.
Ou não foi assim no Iraque, invadido sem maiores cerimônias pelos “gringos”, sob a alegativa de ser fabricante de "armas químicas" com potencial de aniquilar meio-mundo, o que foi comprovado não ser verdade, isso depois do enforcamento de Saddam Hussein, mostrado pela televisão ao vivo e a cores ???
Hoje, na (“encharcada de petróleo”) Líbia, de Kadhafi, o script ou modus operandi foi o mesmo: satanização midiática do “ditador”, estímulo e militarização dos rebeldes, caça incessante ao mesmo e, enfim, a tomada do poder, após o assassiná-lo sem complacência, dó ou piedade (e tudo isso sob os holofotes magnânimos de uma mídia tanto orquestrada como corrupta).
Isto posto, você, aí do outro lado da telinha, tem alguma dúvida de que o Irã (do “abusado” Mahmoud Ahmadinejad), será o próximo ??? De que vão usar o mesmíssimo argumento usado no Iraque e na Líbia ??? De que irão assassiná-lo sem maiores cerimônias, vapt-vupt ???
Mas... e quando o nosso fabuloso “pré-sal” tiver a pleno valor, será que teremos o mesmo fatídico destino ??? Ou você já esqueceu de que os “xerifes” do mundo já montaram uma bem estruturada “base militar” na fronteira da Bolívia com a Colômbia, sob o pretexto de combaterem os terroristas das “Farc” (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) ???
Preventivamente ??? Esta é a pergunta que não quer calar.

BRUNO PEDROSA - Imagem de todo canto

O POVO Online - Vida e Arte -  www.opovo.com.br

Em Presságios, sua terceira exposição em Fortaleza, o artista plástico Bruno Pedrosa



Presságios traz desenhos e pinturas que formam uma espécie de jogo de ligar os pontos entre o passado e o presente do artista (CAMILA CAMPOS)
 
Uma conversa mais demorada com Bruno Pedrosa e é possível perceber uma inflexão italiana sobre o modo de falar tipicamente nordestino. O sotaque único é resultado de 20 anos morando em Bassano del Grappa, Itália, mas sempre com o coração voltado para as raízes fincadas às margens do Riacho do Machado, em Lavras da Mangabeira, no interior do Ceará. Artista plástico desde sempre, segundo o próprio, é das muitas influências e andanças que ele tira o sumo que usa para compor seu trabalho.

Isso pode ser comprovado na exposição itinerante Presságios, aberta hoje no Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza (Unifor) e que fica em cartaz até o próximo 22 de dezembro, com visitação gratuita. Em seguida, parte para o Lucca Center of Contemporary Art (LuCCA), na Itália, e o Museu do Ingá, Rio de Janeiro. Aos 61 anos, Bruno Pedrosa já conta inúmeras exposições pelo mundo, incluindo Estados Unidos, Portugal, Espanha e Alemanha. Em Fortaleza, esta é sua terceira mostra e, segundo ele, a mais importante. “Com o tempo que eu tenho de trabalho, digo que essa é a mais importante porque é a mais madura”, explica ele, durante um passeio entre as obras.

Entre-lugares
Presságios traz desenhos e pinturas que formam uma espécie de jogo de ligar os pontos entre o passado e o presente do artista. Segundo o curador da mostra, o crítico de arte e museólogo italiano Maurizio Vanni, é possível perceber o que existe de brasileiro e o que existe de italiano nas obras de Bruno Pedrosa. “A forma, a luz, a superfície, tem algo bem do italiano. Mas as cores fortes e a tinta espessa, isso é bem brasileiro”. Para o artista, essas misturas são necessárias, desde que venham naturalmente. “Você não nasce como um cogumelo. Tudo vem no subconsciente. É como assoviar caminhando na chuva”.

Mesmo que tenha se afastado há tantos anos de sua terra natal, Bruno procura levá-la de alguma forma por onde vai. Tanto é que toda a exposição é dedicada ao seu pai, Manoel Pinheiro Pedrosa. Da mesma forma, as lembranças do interior nordestino também caminham entre as telas. Assim, é possível ver parte de uma coleção de 70 peças batizadas com nomes de praias cearenses, e seis bicos de pena (técnica de desenho) com os nomes das seis fazendas do pai. “Até os 12 anos, eu queria ser vaqueiro. Lembro bastante da minha convivência com os trabalhadores das fazendas do meu avô. Não tenho dúvida que tenho alma de vaqueiro”.

Não concordando com o termo “abstrato”, Bruno Pedrosa prefere usar “neo-figurativo”, para explicar seu trabalho. “Eu poderia fazer literatura sobre o meu trabalho, mas não quero. Eu vejo a tela no cavalete e me boto ali”. Quanto às misturas de tantas culturas impressas entre as cores, ele explica com uma filosofia dita pelo avô quando viu o neto triste de saudade por saber que iria partir para o Rio de Janeiro para estudar Artes Plásticas, e se afastar fisicamente da família. “Um homem pode viver acima ou abaixo do Equador, mas o mundo é mundo em toda a dimensão da sua bola”.

Quem

ENTENDA A NOTÍCIA

Nascido em Lavras da Mangabeira, Ceará, o artista plástico Bruno Pedrosa formou-se em Belas Artes, Arqueologia e Filosofia. Morando há 20 anos na Itália, seus trabalhos fazem parte de acervos públicos e privados em São Paulo, Nova York, Madri e outras cidades

Serviço

Presságios
O quê: exposição de obras do artista plástico cearense, radicado na Itália, Bruno Pedrosa.
Quando: de hoje (20) a 22 de dezembro, visitação de terça a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados e domingos das 10h às 18h.
Aberto ao público
Outras informações e agendamento de visitas: 3477 3319
Estacionamento próprio e gratuito no local


Marcos Sampaio
marcossamapaio@opovo.com.br

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Show da banda Al Capone Tá Bebo: sexta, 28

Al Capone não vê mais sentido em armar o circo para os outros. Agora Al Capone quer diversão e rock’n’roll. Na presente data Al Capone não quer resgatar nem cultura e nem arte. Isso não é problema dele. AL Capone não pertence a nenhuma ONG; a nenhuma milícia; a nenhum coletivo; e muito menos a nenhum fundamentalismo religioso. Al Capone não reconhece nenhuma espécie de gueto e acredita que as fronteiras devem ser destituídas de seus ícones, dos seus poderes e de suas glórias. Enquanto isso ele está lendo, nas horas sagradas do banheiro, uma tese sobre o poder enigmático das páginas de relacionamentos sociais na rede mundial de computadores. Diante da pós-modernidade e da horda constante de imigrantes tudo anda meio confuso e reduplicado. Assim, Al Capone não encontra sobriedade suficiente na realidade nem mesmo para conceituar o que é patrimônio da humanidade, mas ele se sente como tal. Essa é uma urgência, a outra é tocar rock’n’roll e se divertir muito no circo armado pelos outros.


Banda Al Capone Tá Bebo: show imperdível

A Importância do Ato de Ler‏ - Por Paulo Viana


O mundo é a expressão da Natureza, sua linguagem, mensagens, discurso, enfim, a forma como ela se comunica. Nós humanos, embora façamos parte dessa expressão, temos a capacidade de decodificar esses dados sensíveis, para, não só enxergá-los, mas compreendê-los. Portanto, temos a capacidade de ler o mundo.

Considerando, no entanto, que essa leitura, em um primeiro momento, é muito limitada, faz-se necessária a complementação dela através da interpretação dos outros, para, em um consenso de várias impressões, ter-se a melhor leitura possível.

A melhor leitura possível vem com a inclusão dos sentimentos, da experiência, a sensibilidade e profundidade inerentes a cada um. Cada visão é enriquecida pelas outras, acumulando informações, ampliando contextos, incrementando conhecimentos, revelando segredos, acrescentando, sobretudo, à expressão da natureza, a forma como os humanos a recebem e a transmitem.

E assim nasceu a escrita. O registro da experiência intelectual e emocional, em sua forma original, sem as perdas da oralidade, servindo definitivamente como reserva de aprendizado, documentação histórica e informações que facilitariam a vida de todos.

Leio o mundo, em minha individual capacidade. Preciso ler o mundo lido também por outros. Por isso é importante ler. Estimular o intelecto, o pensamento, a imaginação. Incutir na alma o desejo de evoluir, de saber, compreender, descobrir, realizar e, principalmente, sentir.

Ler é quase uma necessidade natural. É um alimento indispensável ao espírito. Sem leitura o espírito é ansioso, faminto, grudado na superfície, como uma pedra, que, em sua imobilidade, necessita de forças alheias para movê-la. Falta-lhe a liberdade. É dependente da energia e do saber de outros. Está, permanentemente, suscetível ao engano.

Uma das mais maravilhosas criações dos homens é a literatura. A história, a ficção, os estudos científicos, a mitologia e a poesia. A trajetória humana, em sua amplitude de sentimentos, de feitos, de desejos e realizações. A grandeza, as contradições, as epopéias, as sagas de toda a civilização em seu transcurso pelas linhas do tempo. Todo um complexo de alimentos para o engrandecimento da alma. Ler é procurar-se no mundo e encontrar-se em si mesmo.

Paulo Viana

Curimã


Zé Curimã, matuto do pé rachado, começou a sentir umas coisas estranhas quando ia para roça. Pelo olho direito via a imagem duplicada. No início, até brincava, apontando para o órgão defeituoso: “Este olho aqui é para cubar moça bonita e receber o apurado do patrão no fim de semana”. Com o passar dos dias, no entanto, começou a se preocupar: a vista começou a ficar meio borrada e depois de umas três topadas em bico do toco, no roçado, resolveu procurar ajuda. Morava nos canfundós do Judas, numa cidadezinha do Rio Grande do Norte, de nome poético e voluptuoso : Caiçara do Rio do Vento. Dirigiu-se ao boticário Filismino, homem versado nos mistérios das raízes de pau e contou suas queixas. O homem lhe receitou uma garrafada que englobava um sem número de meizinhas : malva, jalapa, boldo, carqueja, jurubeba,alecrim, alfavaca,arnica, babosa, capim santo, marcela, meio litro de aguardente, tudo isso colocado junto em uma garrafa e enterrado no chão por quatro dias. Depois de exumada a beberagem foi tomado parcimoniosamente em jejum: uma colherinha no primeiro dia, duas no segundo, três no terceiro, indo num crescendo até o nono dia, quando deveria fazer o movimento contrário pelo mesmo período, subtraindo uma medida do medicamento a cada tomada. Curimã assim o fez, mas ao final, sabe-se lá porque, não teve melhora. Valeu-se, então, de um sobrinho que trabalhava em Recife e para lá partiu, pegando carona em caminhões, até que, uns cinco dias depois, chegou à Veneza Brasileira. Quase não encontra a casa do parente que se escondia em Brasília Teimosa.

Valderedo, o sobrinho, já vivia há mais de dez anos por lá e era fiteiro com uma pequena banquinha próximo ao Mercado São José. Versado nos ínvios caminhos da pobreza, encaminhou Curimã ao Hospital Pedro II que , na época, era o hospital escola da Universidade Federal de Pernambuco. Zé , talvez por conta do estranho da sua doença, teve um atendimento muito humanizado. Os estudantes o internaram e começaram a fazer uma quantidade enorme de exames, até chegar ao diagnóstico. Um tumor benigno que comprimia o nervo óptico do lado direito e que precisava ser operado. Zé teve a sorte de ter como neurocirurgião a sumidade nordestina da época : Dr. Manoel Caetano de Barros. Recuperou-se bem e uns dois meses depois Valderedo o encaminhou de volta à sua Caiçara.

Lá chegou um pouco mais magro e mais falante, com o cocuruto ainda pelado, mas já empenando. Cidadezinha sem meios de comunicação, rapidamente Curimã se transformou na celebridade do lugar : uma espécie de Neymar na Vila Belmiro. Recolheu-se um pouco, fez mistério, mas à noite, não pode resistir à tietagem. Reuniu uma centena de curiosos no oitão da casa e começou a narrar sua peregrinação às terras de Manuel Bandeira. Botou um pouco de tempero na história, exagerou daqui, esticou dacolá. Às duas horas da manhã não tinha chegado nem em Recife ainda. A seção foi então suspensa e, no dia seguinte, reabriram-se os trabalhos, com a mesma audiência. Como não temos a intenção de fazer um romance, vamos resumir a história de Curimã, centrando no mais interessante do relato: os detalhes da investigação diagnóstica e do tratamento.

Curimã necessitou fazer vários exames especializados. Dentre eles, uma punção na coluna para recolher e estudar o líquido que por ali existe e que tem o nome complicado de Céfalo-Raquidiano. Assim descreveu Zé , suas agruras naquele dia, para uma platéia volumosa e boquiaberta.

--- Me botaram dobrado dentro de uma cumbuca. Aí chegou um carcará com uma suvela e começou a enfiar no meu cangote, sem pena, meu sinhô!Parecia que enviava a gaita em saco de milho. Vuco-vuco-vuco ! Só não caguei porque não tinha merda pronta! Quando ele parou, pensei que tinha acabado , mas nada ! Começou a chupar um negócio do meu Tum-tum, tanto, tanto que até os cabelos arrepiados se pentearam em procura do xunxo! Quando terminou parece que eu tinha botado Brilhantina Glostora na cabeleira !

No dia seguinte, Curimã foi encaminhado a uma Clínica Radiológica especializada em exames neurológicos. Fico na sala de espera, meio cabreiro, observando a clientela: um com a boca torta, outro com a banda morta, aquele cego, este mouco, aquele tresvariando. Pelo carrego dos companheiros imaginou que sua situação não era das melhores. Lá para as tantas, saiu uma mocinha numa maca, da sala de radiologia, toda se contorcendo, em plena crise convulsiva. Zé, espantado, fez a pergunta que lhe pareceu mais cabível naquelas horas:

--- Espere ! Todo que entra lá dentro, sai assim ?

Curimã teceu loas intermináveis ao Dr. Manoel Caetano. Aquilo sim é que era um médico ! Salvou minha vida, sem qualquer pagamento! Deus te dê fartura e felicidade e te livre do mal vizinho! Perguntado como estava pela multidão de curiosos, disse que estava muito bem, graças a Deus e ao Dr. Manoel Caetano. Precisava agora só pagar a promessa que havia feito com os Nove Reis Magros. Algum dos circunstantes achou aquilo estranho :

--- Ainda bem que você se recuperou, Zé ! Devia ser muito chato aquilo de tá vendo tudo duplicado. Mas você não tá enganado, rapaz ? Os Reis Magros são apenas três !

--- Três ? Mas rapazes , é mesmo ? Pois acho que foi isso! Eu tava vendo tudo dobrado, pois depois da cirurgia do Dr. Manoel Caetano , curei : comecei a ver tudo triplicado !

J. Flávio Vieira

CONVITE - União das Associações dos Filhos e Amigos do Cariri em Fortaleza

 CONVITE

A União das Associações dos Filhos e Amigos do Cariri convida Vossa Senhoria e Excelentíssima família para o II ENCONTRO (BAILE DE CONFRATERNIZAÇÃO)

Data: 05.11.2011
Local: Náutico Atlético Cearense
Hora: 22:00h
Banda: Brasas Seis
Convite: R$ 15,00

Contatos:

Wagner Dantas - 9603-2220
Wilton Soares(DEDÊ) (85) 9613-3936
Pedro Jorge: 8785-6582
José Alexandre:8872.8308
Delano Freitas: 9903.2283
Paceli Luna:8895.9032
Leto Rocha: 9603.0750

PRESSÁGIOS - a Exposição de Bruno Pedrosa no Espaço Cultural UNIFOR

O momento foi de alegria pura. Bruno Pedrosa repartiu-se entre sorrisos e atenções. Vindo da Itália, debulhou suas obras mais recentes entre os que admiram sua arte e aportou em Fortaleza para essa exposição denominada "PRESSÁGIOS". 

Até dezembro, seus trabalhos estárão expostos no Espaço Cultural da UNIFOR. Portanto, ainda será possível, para quem não viu a mostra de sua arte, ter a oportunidade de apreciar os trabalhos abstratos, banhados das cores quentes que percorrem a alma desse sempre nordestino - Bruno Pedrosa.

Admiração e respeito pelo trabalho no corredor do tempo
A sempre presente Ignez Fiuza

O entusiasmo de Bruno Pedrosa
George Macário e João Cândido Portinari
A reflexão diante da obra
A amizade de sempre - Edilma e Bruno Pedrosa - dois artistas plásticos irretocáveis
A admiração evidente pelo trabalho de um gigante em seus Presságios


Claude Bloc

Junto com Kadhafi quem mais morrerá? José do Vale Pinheiro Feitosa

De todas as conveniências e soluções que o assassinato de Muammar Kadhafi resultar, uma é inegável. Existe uma população armada pelas potências ocidentais, Europa, mais a Inglaterra e os EUA. A morte de Kadhafi foi uma ação de intervenção estrangeira na Líbia.

A intervenção estrangeira foi executada pelos povos mais envolvidos neste tipo de ação desde o século XV. A base do colonialismo é Européia e a estrutura do imperialismo é da junção pós-segunda guerra dos EUA com a Europa ocidental, até o fim da União Soviética.

A destruição física da Líbia promovida pela OTAN e com o armamento entregue aos rebeldes por ela não é um capítulo terminal de uma ditadura. Pelo contrário é o capítulo mais evidente do princípio de guerras em consequência da crise do capitalismo. Quem acompanhou o fim das colônias na África e os movimentos de libertação da Ásia bem sabe o quanto são processos destrutivos e pendulares. Situações políticas contraditórias se sucedem em hegemonia em questão de horas.

A morte de Kadhafi já deu o réquiem deste momento: o assassinato dos inimigos políticos do império. Só em 2011 os EUA e a Europa estiveram envolvidos em três grandes e evidentes assassinatos. Esta prática pode se ampliar de modo a tornar a política algo parecido com as máfias em luta. Nada impede, por exemplo, que um presidente americano ou europeu sofra atentado.

O outro lado é o cinismo que todo assassinato “mafioso” trás e o quanto afasta a sociedade da democracia e da construção de síntese nos ambientes contraditórios. Ora a morte comemorada do inimigo é a mesma comemorada pelo inimigo sobre nossos mortos. Quem não tem medida para evitar tais assassinatos, sabe disso tudo, resta-lhe o cinismo.

Querem observar algo cínico? A Arábia Saudita e o Marrocos, alguém tem visto alguma catilinária televisiva ou jornalista contra tais regimes? Está bem podem alegar que o povo não se encontra nas ruas, mas o Yemen? Qual a razão da sobrevivência do regime? Há uma aliança entre EUA e o regime, tai a morte eleitoral daquele líder da Al Qaeda. As imagens na televisão são absolutamente cínicas: a multidão na rua e o presidente restabelecido dos tiros levados, cercado por uma enorme assembléia de membros do regime.

Retornando ao efeito pendular e instável desta ordem. Como ficam os interesses da China, do Brasil e de muitos outros países que foram estimulados a investir na unidade territorial e produtiva da Líbia? Vão ter que pagar pedágio para Europeus e Americanos? E aí todo mundo vai aceitar barato tais medidas?

Quem acompanhou toda emergência do fim destes regimes fechados e a longo prazo, especialmente em populações ávidas por uma boa qualidade de consumo, sabe o quanto são instáveis. Existe em todo o norte da África, a rondar as forças em luta, a possibilidade que desta primavera logo surja um outono, com o crescimento de regimes religiosos fundamentalistas. A possibilidade de regimes autoritários de viés fascista aumenta muito nestes momentos. Além, é claro, uma desagregação nacional como ocorreu na Somália, por exemplo.