Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Corruptos? Não conheço algum do meu lado. Corruptos são os outros! - José do Vale Pinheiro Feitosa

O professor titular de história da Universidade Federal Fluminense Jorge Ferreira acaba de publicar uma biografia sobre João Goulart. Uma biografia muito interessante, pois trata de desmontar, com fatos e pesquisa, toda uma argumentação à direita e à esquerda para apagar Jango da história. De repente ele se tornou o político que só existiu nos dois últimos anos do seu mandato e até o Golpe que o excluiu da Presidência da República. Jorge Ferreira escreve uma biografia, mostra o político em toda a sua extensão e desmonta todos os preconceitos e a propaganda dos golpistas para justificarem o próprio ato de violência política.

Na introdução do livro ele é revelador de uma das táticas do golpismo e da tentativa de apagar Jango da história. Leiam a seguir.

“Outra questão importante para o desmerecimento de João Goulart são as denúncias sobre as relações, nem sempre pautadas pela ética, entre suas bases de apoio política e as benesses oficiais. As acusações não são destituídas de fundamento, mas criou-se uma imagem distorcida do tema, como se o fisiologismo, empreguismo e o uso da máquina estatal com fins políticos fossem tradições inauguradas por Vargas e tivessem atingido seu apogeu com Goulart. Neste aspecto, Claudio Bojunga, com razão, nos alerta:

Mais do que o autoritário Vargas, muito mais do que Jânio e Goulart, Juscelino distribuiu favores e empregos, e trilhou os caminhos da negociação política nos termos tradicionais da classe política brasileira. Cartórios, nomeações, promoções eram armas prediletas para a cooptação. E continua: Existiam dezenas de maneiras de retribuir, recompensar, garantir, facilitar, agilizar, azeitar e contribuir. Evidentemente que não é o caso saber qual dos presidentes da República mais utilizou recursos desse tipo. Trata-se, sim, de reconhecer que é uma tradição nas relações políticas entre os poderes da República no Brasil, seja nos municípios, seja nos estado, seja em Brasília. – na época de Goulart, antes ou depois dele.”

E concluo: alguém que conhece a realidade das instituições brasileiras, mesmo além dos municípios (por exemplo José Nilton Mariano acaba de fazer uma denúncia contra o prefeito do Crato e não sei se isso tem fundamento ou não), como repartições ou universidades e acha que isso só ocorre na gestão dos adversários ou vive em marte ou tem um olho para uma coisa e outro para coisa diferente.

"Intocáveis" e "inimputáveis" - José Nilton Mariano Saraiva

Não é de hoje que os “intocáveis” membros do nosso poder Judiciário, encastelados em suas redomas, se acham na berlinda, principalmente em razão das decisões pra lá de contestáveis de alguns de seus integrantes (principalmente nos seus “tribunais superiores”).
Tido e havido - em tempos outros - como o último guardião da moralidade, o ícone maior da respeitabilidade, o refúgio dos descamisados, o justiceiro dos desvalidos, na prática diária os seus integrantes apresentam um “modus operandi” que depõe contra tudo isso (embora não se possa provar absolutamente nada contra nenhum deles, vez que as coisas são muito bem “amarradas”). E ai de você, se ousar se meter a besta, e reclamar.
Quem não lembra, por exemplo, que meses atrás o então Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, literalmente “peitou” todos os companheiros de toga, atropelou ritos consagrados do julgamento processualístico e se indispôs com boa parte dos integrantes do Judiciário, com o fito único e exclusivo (e obteve sucesso) de soltar da prisão o banqueiro-bandido Daniel Dantas, “engaiolado” duas vezes por decisão do austero juiz Fausto de Sanctis, em razão das comprovadas falcatruas no mercado financeiro ??? E isso depois que o próprio banqueiro-bandido afirmou calma e peremptoriamente que não estava preocupado, porquanto, quando a ação chegasse às instâncias superiores, teria a prisão revertida. Não deu outra. A troco de quê ???
Quem não recorda que, após ser condenado pela Justiça Federal do Ceará em três julgamentos (em todos eles à pena de 14 (quatorze) anos de reclusão, em regime fechado), em razão das portentosas fraudes processadas na contabilidade da instituição à qual presidida (BNB), e que deixaram um rombo estratosférico (sete bilhões de reais), o senhor Byron Costa de Queiroz deu um jeito de (recorrer) levar a questão pra ser julgada no Tribunal Regional Federal do Recife, onde foi novamente julgado e (incrivelmente) inocentado “por unanimidade” pelos senhores Desembargadores daquela Corte ??? Será que os juizes da Justiça Federal do Ceará se sentiram desmoralizados ??? Hoje, o “coitado” do Byron Queiroz (que é afilhado do senhor Tasso Jereissati) vice a freqüentar as “rodas sociais” de Fortaleza, e não perde a oportunidade de gozar com os funcionários da instituição. A troco de quê ???
Atualmente, aqui em Fortaleza, um fato inusitado envolve (em suspeitas mil) mais um integrante do Judiciário, a saber: conforme determina a lei, é terminantemente proibido desmatar e construir em Áreas de Relevante Interesse Ecológico (Arie) em razão da grave e irreversível lesão ambiental que pode provocar.
Pois bem, o “Parque do Cocó” é uma dessas áreas que funciona como uma espécie de “pulmão” da nossa hoje abrasiva e sufocada Fortaleza, e onde você pode exercitar-se respirando o pouco de ar puro que ainda nos resta (não custa lembrar que, lá atrás, quando a “questão ambiental” não tinha a relevância que tem hoje, o empresário Tasso Jereissati construiu o seu Shopping Iguatemi exatamente no coração daquela imensa e aprazível área verde; e, embora depois tenha havido contestação, como o homem tem grana a coisa ficou o dito pelo não dito).
Fato é que, assim como “sobra” ambição desmedida e “falta” preocupação para com tão relevante tema, tais terrenos virgens foram adquiridos (certamente que a preço de banana) por gente esperta e inescrupulosa, criou-se uma Associação Cearense dos Empresários da Construção e Loteadores (Acecol) e a intenção é desmatar toda a área, passar por cima do que se constituir obstáculo e construir os espigões da vida.
Os mafiosos empresários recorreram a quem, a fim de perpetrar tão acintoso crime ??? Elementar, meu caro Watson: a um dos integrantes do nosso Judiciário. E ali contaram com a compreensão, simpatia e benevolência do juiz Francisco das Chagas Barreto, que já emitiu um parecer favorável ao desmatamento e à construção. A tal “questão ambiental” que se exploda. A troco de quê ???
Há uma luz no fim do túnel, no entanto: lá em Brasília, a ministra Eliana Calmon, do próprio Supremo Tribunal Federal, navegando contra meio-mundo de gente, confirmou, sim, que há “bandidos de toga”, enquanto que uma pesquisa recente mostra que entre onze instituições avaliadas pelo povo, o Poder Judiciário só perde para aquela outra instituição onde a maioria tem pós-graduação e doutorado em “picaretagem”: o Congresso Nacional.
O bicho pega é quando lembramos que eles, além de “intocáveis”, são, também, “inimputáveis” (mas vamos chegar lá).

Café



- Claude Bloc -


Minha mão segue em voo livre,
Num gesto incerto, indeciso
Alongo os dedos, toco a xícara
Enquanto os sonhos se esfumaçam...
Café matinal, café cheiroso
adoçado com sorriso
adoçado com afeto
em mais um dia igual...
(Claude Bloc)

Pensamento para o Dia 27/10/2011


“No momento do nascimento não se tem atributos bons ou maus. As mudanças ocorrem em sua natureza devido ao alimento consumido, à influência dos amigos etc. Desenvolve-se ego e apego através da companhia que se mantém. Na medida em que começa a se educar, você desenvolve orgulho e acolhe pensamentos arrogantes a respeito da sua superioridade sobre os outros. Essa vaidade polui o coração. Quando a água se mistura ao leite, deve-se fervê-lo para torná-lo puro. Da mesma forma, deve-se realizar várias práticas espirituais (Sadhana) para limpar o coração de impurezas. É somente quando o coração se derrete no calor do Amor Divino que você conseguiu remover as más características. Fique claro que você é a causa de seu destino, bom ou mau. Deus não é responsável pela causa do seu sofrimento e você é livre para moldar seu futuro. Assim, você se aproximará de Deus com um passo mais firme e uma mente mais lúcida.”
Sathya Sai Baba

A denúncia de corrupção, a bravata e a carroça vazia – por Armando Lopes Rafael

   Neste recentíssimo episódio da denúncia de corrupção no Ministério do Esporte, tanto   o denunciado, como o senador Inácio Arruda (PCdoB–CE)  como o presidente da sigla comunista, Renato Rebelo, foram à imprensa para  arrotar  a surrada e orquestrada frase:

– “Iremos às últimas consequências para provar a inocência do ministro”.
Bravata fingida!
Sempre que lia (ou ouvia) esta frase orquestrada, pensava com meus botões: querem fazer o povo  de idiota (ora, todo mundo sabia ser verdade as denúncias). E lembrava de um conto da tradição popular conhecido como “A carroça vazia”...
O que é essa Carroça Vazia?

Reproduzo abaixo, resumidamente  essa tradição popular.
“Certa manhã o meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque.  Deteve-se ele, subitamente, numa clareira e perguntou-me:
– Além dos pássaros, ouves mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos e respondi:
– Estou a ouvir o barulho de uma carroça.
– Isso mesmo, disse o meu pai, de uma carroça vazia.
Perguntei-lhe:
– Como sabe que está vazia, se ainda a não vimos?
– Ora, é fácil! Quanto mais vazia está a carroça, maior é o barulho que faz.
Cresci e hoje, já adulto, quando vejo uma pessoa a falar demais, aos gritos, tratando o próximo com absoluta falta de respeito, prepotente, interrompendo toda a gente, a querer demonstrar que só ele é dono da verdade, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai a dizer:
– Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz!

Olhem aí as dez confusões da semana na cabeça de certa gente - José do Vale Pinheiro Feitosa

1 – A Europa tenta sair da crise com ajuda dos emergentes comprando seus títulos com aval do FMI.

2 – A Europa vai precisar e muito da China. E agora todos os dias vocês verão chefes de estado europeu prestando homenagens ao Dalai Lama e pedindo punição para o comunismo chinês que invade o santuário religioso do Tibete.

3 – Quem vai pagar a conta da OTAN pelo tanto que gastou para matar Kadafi? Fora petróleo a Líbia só tem areia. E aí o petróleo fica com a Europa e EUA e a China com a areia?

4 – E os EUA vão retirar 30 mil soldados do Iraque. Pronto o desemprego nos EUA aumentará algumas frações.

5 – E o acordo que corta 50% da dívida Grega, foi concessão por amor ao próximo ou o próximo estava prestes a corta o pescoço dos líderes europeus? As ruas gregas estão bem violentas e a economia só despenca. As praças de Berlim já se encheram, além da Itália, do quebra-quebra inglês. Ou confusão danada o puro da fé sente.

6 – E o Vaticano minha gente? Este papa não disfarça, é um discípulo de Rosa de Luxemburgo infiltrado nas hostes direitistas da aliança Reagan/João Paulo II. Não é que a Santa Sé quer o pé do Estado na regulação da ambição do sistema financeiro!

7 – A mais antiga do sentimento milenista no Brasil. Nada da sociedade proteger os mais fracos com fundos para financiá-los. A política e o trabalhador que lute para “vender” suas propostas para alguma mão beneficente financiá-los. Aí vai está assim de capitalista querendo financiar comunistas, libertários, o MST entre outros do mesmo naipe (tem uma exceção: camisas t-shirt com a cara de Che pode ser, mas está meio fora de moda). Entre uma proposta do Instituto Millenium (o milênio deles tem terminação latina e é com duplo ele – gente coisa é outra fina) e outra do MST certamente a FIESP financiará a do MST. Isso é que é liberdade de mercado e a democracia do que nos resta.

8 – Não pode pôr comunista no governo. Todos são ladrões. Vide o Orlando Silva que deveria sair algemado para que as máquinas fotográficas da revista Veja se vangloriem pela defesa do patrimônio nacional. Este sentimento inquisitorial e de fogueiras a priori ainda deixará o ar fétido de carnes queimadas.

9 – E o Obama? Todo mês tem um assassinato para comemorar. Uma estatística da economia e da pobreza a chorar. Um recuo nas despesas a amargurar. A última é o medo despertado na dupla estado/indústria armamentista: o orçamento para a defesa será cortado. Agora é que muita gente vai para a rua mesmo.

10 – E a OCDE (organização para a cooperação e desenvolvimento econômico), de perfil liberal e européia, só tem elogios para as políticas brasileiras, especialmente de transferência de renda. Mas quer meter os dedos no gargalo dos aposentados com dois tipos de medida: aumenta a idade e desvincula seus reajustes do reajuste do salário mínimo. Com a economia brasileira em crescimento, é mais ou menos aquela tese de subir e tirar a escada para que outros também não subam. Esta Europa é mesmo ingrata: querem nosso dinheiro por uma mão e na outra não nos querem crescendo.

As propostas políticas na luta nacional - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando temos muitas propostas de soluções para um mesmo problema, dada a dispersão das propostas, poderemos não ter nenhuma. No entanto, quando temos algumas propostas fortes e consistentes, alguma proposta pode dar caminho para o futuro. Ao desenvolvê-la no caminho do futuro esta proposta vencedora sofrerá modificações circunstanciadas pela realidade. Se ela tentar seguir um caminho dogmático, passando um rolo compressor sobre a realidade, irá se esfarelar por rigidez. De qualquer modo o caminho dogmático nem sempre é próprio da proposta, por vezes forças externas de modo estratégico provocam os agentes da proposta a ponto que eles não tenham alternativas de adaptação à realidade. De modo resumido tem sido o que ocorreu na história desde o renascimento, o desenvolvimento da razão, da ciência e do capitalismo.

No Brasil existem duas propostas políticas em prática. Ambas nacionais, com conteúdos programáticos diferentes, com leituras da realidade distintas e com alianças estratégicas dentro e fora do país de natureza própria. Uma proposta tem o núcleo político organizado por uma aliança histórica entre PSDB/DEM/PPS e agora possivelmente em disputa como o novo PSD e a outra proposta formada historicamente pelo PT/PC do B e mais o PMDB e outros partidos como o PDT e o PSB.

Para facilitar o texto vou denominar à primeira proposta de Neoliberal/Ortodoxa e à segunda Progressista/Social. Estas duas propostas galvanizam os discursos do pós guerra que se diferenciavam entre direita, para a primeira proposta e esquerda para segunda. Quando digo galvanizam explico que a história está em movimento e os termos direita e esquerda como são compreendidos estão modificados pela mudança histórica. Os Neoliberais/Ortodoxos se aliam com setores do capitalismo brasileiro internacionalizado, especialmente pelos ganhos com as privatizações, com amplas margens do agronegócio, com setores da classe média tradicional, banqueiros nacionais e internacionais e com alianças estratégicas externas especialmente com lideranças dos EUA e Europa. Os Progressista/Social se aliam com os capitalistas nacionais com pretensões a um protagonismo maior no mundo, com setores dos trabalhadores organizados, com movimentos sociais organizados, setores da pequena agricultura e tem alianças externas com lideranças e países emergentes como ele.

Os Neoliberais/Ortodoxos apresentaram um programa político de enterrar o que chamaram de era Vargas, com flexibilização dos direitos trabalhistas, regulação da vida social realizada pelo mercado, reforma e privatização da previdência, fim de todas as empresas estatais e uma forte aliança com as corporações multinacionais para dali extrair riquezas na oportunidade do que chamavam globalização inevitável. Algumas marcas políticas este pensamento tem: horror ao papel do Estado, desestímulo ao funcionalismo público, políticas de transferência de renda, mercado regulado, movimentos sociais e partidos de esquerda.

Os Progressistas/Sociais praticam governos em que os valores da era Vargas não são enterrados, mas são sensíveis à mudanças em alguns pilares desta era; aceitam o desenvolvimento capitalista, praticam a regulação do mercado, especialmente no mundo financeiro e acreditam num caminho próprio para inserção comercial no mundo atual. As marcas políticas desta proposta não vou repeti-las, pois são exatamente o contrário daquelas anunciadas para o outro grupo.

Não precisaria dizer o que direi, pois acho que ficou claro que as duas propostas são consistentes historicamente. Acontece que elas não se ancoram apenas em discursos de suas lideranças ou em algumas manifestações programáticas, ambas têm instituições por trás delas, formulando e atualizando os dados da realidade para se apoiarem. A proposta Neoliberal/Ortodoxa tem muitos acadêmicos propondo, existem setores predominantes da mídia corporativa formulando e repetindo o mantra todos os dias, além de vários institutos como a Casa do Saber no Rio de Janeiro e o Instituto Milenium em São Paulo. A proposta Progressista/Social igualmente possui setores importantes da academia, como estão no governo federal os órgãos fazem “paper” que acentuam suas teses e vários institutos e fundações trabalham com suas teses.

Bom ainda tem a internet com sua prática subversiva e agressiva. A riqueza aí é muito grande e as duas propostas estão plenamente contempladas. De vez em quando alguém quer a prisão de ministro, chama todos os adversários de ladrões e mostram os papers dos seus institutos como se fossem a última palavra da sabedoria humana. A guerra de trincheiras, igual àquela da primeira guerra mundial, se reproduz na internet entre os dois grupos. O que não falta é cachorro doido dando mordida de um lado e outro da trincheira.

Uma pergunta. Tem espaço para outras propostas virem para o palco político nacional? Tem. Algumas mais à direita da direita e outras mais à esquerda da esquerda. Dificilmente haverá uma que ocupará o centro político, pois ambas as propostas hegemônicas no momento político já têm suas bases formadas em partes do centro político. O PSD, por exemplo, no máximo herdará a herança da proposta Neoliberal/Ortodoxa com alguma revisão. Por que penso na radicalização à direita ou à esquerda? Em razão da crise econômica Americana e Européia que pode evoluir para uma crise mundial mais aprofundada. Só para não se imaginar tudo no campo teórico: relatório desta semana aponta que a população americana abaixo da linha de pobreza está crescendo, especialmente nos outrora subúrbios da promessa de uma vida feliz de consumo. Todas as radicalizações (de direita ou esquerda) tiveram o campo fértil da miséria como nascedouro da proposta.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fernando Morais falando do seu novo livro envolvendo Cuba e os EUA no Terra Magazine

O Fernando Morais está com uma entrevista no blog do Terra Magazine falando sobre o novo livro dele: Os últimos soldados da guerra fria. O centro da entrevista é o conteúdo do livro, mas termina por fazer uma avaliação do momento atual dos dois lados dos cubanos em luta: os anti-castristas de Miami e o cubanos que vivem Cuda.

Já no final da entrevista lhe é feita uma pergunta que bem traduz o embate na internet dos nossos dias. Ele responde e depois novas perguntas até o final da entrevista. Segue abaixo pois este clima também se encontra entre nós por aqui:

No Brasil, quando a pessoa faz algum tipo de trabalho ou pesquisa sobre Cuba, já corre o risco de levar paulada de 70% das pessoas, principalmente na área da mídia. Como ficou a relação entre Brasil e Cuba, não no plano diplomático, pois os dois países permanecem próximos, mas naquele das mentalidades? Cuba teve uma relação cultural forte com o Brasil. E hoje, como está? Não houve um refluxo?

Acho que o fato da chamada "grande imprensa" ter dado uma radicalizada ideológica muito grande nos últimos anos...

À direita?

Em direção à direita, contribuiu para isso. As pessoas falam de Cuba com raiva. Você vê na televisão, nas revistas, na internet...

A internet piorou isso?

Piorou muito na internet. Virou uma lixeira. Guardadas as exceções. Então, eu acho que essa gente tem um pouco de vergonha de dizer que foi a favor do golpe militar no Brasil, que é de direita, e usa determinados símbolos. Cuba é um deles. Venezuela é outro. Irã é outro. O próprio Kadafi, a Líbia. A Cristina (Kirchner) é tratada como o Eixo do Mal, no deboche, meio desrespeitoso. A sorte é que, na internet, você não precisa de dinheiro pra ter blog. Antigamente, pra montar um jornal, você precisava de uma fortuna. Pra montar uma estação de televisão, uma fortuna. Hoje você compra um notebook nas Casas Bahia, pagando 60 paus por mês, e compra um telefone por 50 reais, e passa a ser seu próprio Roberto Marinho. Se você tiver o que dizer, vai ter audiência. É uma revolução. Eu achava que a democratização dos meios de comunicação eletrônicos ia se dar nas trincheiras, nas barricadas, nas tribunas. E a tecnologia andou mais rápido que as ideologias.

O que foi desfavorável, em certo sentido, para Cuba, porque aí veio uma blogueira como Yoani Sánchez.

Claro! Claro! Olha, isso aí é absolutamente incontrolável. E é bom que seja. Você joga em igualdade de condições. Os chamados "blogueiros sujos" estão no mesmo patamar de audiência dos "limpinhos", dos cheirosos, dos anti-Lula, anti-Dilma, "anti" tudo que cheire a esquerda. O lado ruim disso é a radicalização desrespeitosa, o anonimato.

Você se sente patrulhado?

Você sabe, rapaz, que eu vi um filminho de Chico Buarque, o da internet (sobre comentários anônimos na rede). Fui dar uma entrevista para Jô Soares e, automaticamente, o programa dele foi para a internet. Foi para o YouTube. Rapaaaaaaz, mas que coisa! Tinha gente dizendo o seguinte: "Mas quem é que manda essa bicha sem vergonha entrevistar essa anta comunista? Por que não vão os dois pra Cuba cortar cana, esses filhos da puta?". Assim mesmo: "bicha sem vergonha" e "anta comunista". Claro que era um anônimo, um José de Souza. Isso é muito ruim. Mas é melhor assim do que não ter. E o Chico, naquele filminho, fala uma coisa engraçada: lá vem esse bêbado velho encher o saco! (risos) E ele não bebe nada... Apesar de ter esse lado ruim, prefiro isso a não ter internet ou ter internet controlada pelas grandes telefônicas. A internet é livre.

Cai o Sexto Ministro de Dilma, sob acusações de Corrupção

NE - Tudo o que é sólido se desmancha no ar...

Brasília, 26 out (EFE).- O ministro do Esporte, Orlando Silva, deixará o cargo devido às denúncias de corrupção em sua pasta, confirmou nesta quarta-feira o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Orlando Silva (PCdoB) é o sexto ministro do Governo a cair ao longo da gestão da presidenta Dilma Rousseff. Segundo Carvalho, Orlando Silva entendeu que a situação era insustentável, mas considerou determinante a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O Supremo investigará Orlando Silva por denúncias de irregularidades no Programa Segundo Tempo, que promove projetos esportivos beneficentes a crianças carentes.

A saída foi decidida em reunião que reuniu nesta quarta-feira líderes do PCdoB e o ministro Carvalho, que tinha antecipado no domingo que a decisão de Dilma de manter Silva no cargo não podia ser considerada definitiva. As denúncias que levaram à queda de Orlando Silva foram feitas pelo ex-policial João Dias Ferreira, que presidia uma fundação de artes marciais que recebia dinheiro do Ministério do Esporte por meio do Programa Segundo Tempo.

Em entrevista à revista "Veja", Ferreira denunciou que, para ter acesso aos recursos do Ministério do Esporte, era obrigado a pagar propinas, que eram recebidas pelo próprio Orlando Silva ou por seus colaboradores mais próximos.

Além de Silva, outros cinco ministros já haviam caído desde o início do Governo Dilma: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo).

Fonte: Yahoo Notícias ( EFE )

Dilma Rousseff condecora Cid Gomes com Medalha Grande Oficial da Aeronáutica


A medalha é uma distinção concedida a militares e civis que se destacaram nas suas áreas de atuação a serviço da Nação Brasileira.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi_OAZwpI0kHcd5kB0iMof682Oa1ZHMMDXqEdRwDLeBJFVuyfSDZRm5IAQZqGFnkmeJtuJc1VpX5qg_cOmpoD2TuZPCM4z_-3z_rGEZ7vvNteXvFCY-hyo7y4RC4Cq34j4JTCRcjrMvw39M/s1600/cidguao.jpg


A presidente Dilma Rousseff condecorou nesta quarta-feira (26) o governador Cid Gomes com a Medalha Grande Oficial da Ordem ao Mérito Aeronáutico. Criada pelo Decreto-Lei nº 5.961, de 1º de novembro de 1943, regulamentada pelo Decreto nº 3.446, de 4 de maio de 2000, a medalha é uma distinção concedida a militares e civis que se destacaram nas suas áreas de atuação a serviço da Nação Brasileira. A solenidade aconteceu na Base Aérea de Brasília.

F - C News ( Via Site O Bom da Boa )

O poder como negócio - Por: Rolf Kuntz



A presidente Dilma Rousseff tenta passar à história não como grande faxineira, mas como gestora de um ambicioso plano de crescimento econômico e de eliminação da miséria remanescente. Só não parou mais cedo a faxina porque a imprensa continuou denunciando bandalheiras na administração federal. Se as denúncias continuarem, e não faltará material para isso, a vassoura só será encostada se ela se render, de uma vez, às pressões de seu partido e dos grupos aliados. Nesse caso, prevalecerá, mais uma vez, o grande pacto político pela predação do Estado. O primeiro passo para romper esse pacto seria uma reforma política para valer – não, é claro, aquela em tramitação no Congresso. O projeto já relatado e provisoriamente posto em banho-maria deixa intocados todos os males e acrescenta alguns ao sistema.

Não basta mexer no processo eleitoral e no registro de partidos, nem adianta muito adotar uma Lei da Ficha Limpa. Alguns ladrões serão barrados, mas outros logo entrarão em campo, simplesmente porque o jogo do poder, no Brasil, é excepcionalmente lucrativo. Pode ser lucrativo no mundo todo, mas o caso brasileiro é fora do comum.

Para tornar o jogo menos tentador, seria preciso sacramentar alguns princípios simples. Contribuinte não tem de financiar partidos, nem de sustentar sindicatos, nem de entregar dinheiro para ser presenteado a ONGs.

Não deve ser forçado a custear a reeleição de parlamentares. Manter escritórios políticos tem de ser atribuição dos próprios políticos e de seus partidos, assim como as viagens de visita às bases. Não se deve usar a verba indenizatória para essas finalidades. Secretarias, Ministérios e diretorias de autarquias e estatais são funções públicas e nenhum governante deve ter o direito de lotear cargos. Também não deve permitir a formação de feudos partidários em setores da administração. Não pode haver cotas de grupos ou partidos nem, portanto, “cota presidencial”, uma aberração ininteligível no mundo civilizado. A “cota” de quem chefia o governo é todo o Ministério. Isso não exclui a presença de aliados no primeiro escalão, mas não por loteamento. Também é indispensável diminuir o número de postos de livre provimento.

É preciso mudar o processo orçamentário. Sem isso, parlamentares continuarão distribuindo favores e desviando verbas por meio de emendas. Alguns defendem o sistema de emendas arbitrárias e picadinhas como democrático, assim como o presidente do Senado, José Sarney, defendeu os privilégios dos congressistas como “homenagem à democracia”. Não há democracia nenhuma na apropriação de verbas para distribuição de benefícios a indivíduos, grupos, organizações, empresas ou mesmo cidades escolhidas de acordo com interesses pessoais do parlamentar. O dinheiro é público, a tramitação do Orçamento é um ritual da vida pública e o parlamentar ocupa um cargo público. Mas é um abuso chamar de política pública a transformação do Orçamento numa pizza dividida segundo os objetivos privados de cada participante.

Cabe ao Executivo propor políticas e prioridades e submetê-las ao Legislativo. Num país politicamente maduro, a discussão antecede a elaboração do Orçamento e se prolonga, muitas vezes, durante a tramitação da proposta orçamentária. No Brasil, tem havido no máximo caricaturas desse processo. Mesmo sem comércio de emendas, sem dinheiro para organizações de fachada e sem distribuição de favores, o atual sistema resulta em desperdício de bilhões.

Mas o problema não está só nas emendas. Faltam discussão e clareza na elaboração da proposta. A saúde é prioritária? As verbas destinadas ao setor são bem alocadas? Os programas atendem a um esquema bem definido de prioridades? A distribuição total de recursos é compatível com a importância de cada setor? Discussões desse tipo serão mais prováveis quando os parlamentares se interessarem mais pelas questões públicas. Não será impossível chegar lá. Haverá menos mensaleiros e outros malandros, entre os candidatos, quando o Legislativo for menos parecido com um grande mercado. Ingenuidade? Não. Basta reduzir os incentivos errados ao ingresso na vida parlamentar.

O atual projeto de reforma apenas servirá, se aprovado, para reforçar as distorções. Não há um único bom motivo para forçar o eleitor a financiar os partidos – nem com verbas de campanha, nem com o fundo partidário já existente. O ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito e reeleito presidente da República, sempre com financiamento privado. Contribuições de particulares sempre serão disponíveis, se os partidos tiverem atrativo suficiente. Se o dinheiro for entregue de modo claro e dentro dos limites legais, o sistema será mais equilibrado e mais limpo do que aquele em discussão no Congresso. Não se criará mais democracia forçando os cidadãos a financiar interesses privados – como são, em princípio, os interesses partidários.

Rolf Kuntz

Proteção individual e coletiva contra o poder absoluto da mídia corporativa e não corporativa - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vou começar pelo lado da mídia corporativa apresentando um trecho do editorial do jornal O Globo a respeito das últimas eleições argentina: "A reeleição da presidente Cristina Kirchner, com 53,9% dos votos em primeiro turno, foi tão acachapante que a coloca, em termos de poder, em situação similar à de Hugo Chávez em 2005, quando a oposição venezuelana boicotou as eleições e os chavistas ganharam tudo (...)A força política que a presidente ganhou agora, inclusive aumentando as bancadas no Congresso, lhe garante os instrumentos para aprofundar o modelo kirchnerista, caracterizado por autoritarismo, concentração do poder, protecionismo comercial (péssimo para o Brasil), intervenção na economia e ataque sem trégua à imprensa profissional e independente. A ideia é que haja apenas a versão oficial dos fatos".

Qual a idéia por trás deste texto? Que todo poder numa democracia necessita de contrabalanços para reduzir a força deletéria do poder apenas pelo poder. O poder total seria antidemocrático por que extrai substância da sociedade e concentra todas as decisões no núcleo do poder. Para que a sociedade, diga-se sociedade no sentido demográfico, ou seja, todos mesmo, tenha substância é preciso que ela se seja detentora de mecanismos para se contrapor ao núcleo de poder.

Onde o editorial do Globo zera o problema? O “pau que dá em Chico dá em Francisco”. A mídia corporativa na Argentina e especialmente no Brasil é nucleada por famílias tradicionais. No Brasil apenas quatro famílias: Civita, Marinho, Frias e Mesquita (esta dependente de bancos). Estas famílias detentoras de revistas, jornais, televisões, editoras, controle de papéis, telecomunicações, entre outras empresas, formam exatamente aquilo que se queixa na política: o poder pelo poder.

É preciso um contrabalanço para este poder absolutista. E não venham com papo de mercado, do tipo o leitor é quem decide, cai na vala comum dos eleitores, afinal Chávez e Cristina são frutos de eleições livres. Se queremos um debate que saia deste fla x flu ideológico cheirando à “guerra fria”, passemos a olhar para o olho do furacão do poder do mando e desmando. Não todo ele na mídia, compreendam bem, mas ela como parte certamente.

É preciso proteger o cidadão do “julgo da notícia”, do jornalismo declaratório, do jornalismo amigo do submundo com o objetivo de constranger pessoas e governos. Não sei o que se pensa do policial de Brasília que investiu contra Orlando Silva: apresentou um atestado falso de saúde para não comparecer à polícia federal enquanto sentava-se, para escárnio de todos e do Estado, na companhia de políticos oposicionista e agora, quando a oposição o convida para uma audiência na câmara, ele aceita e depois não comparece por que o objetivo de derrubar o ministro já estava concretizado.

Na semana passada um cidadão, exposto pelo jornal a Folha de São Paulo, com enormes prejuízos pessoais, inclusive financeiros, apenas conseguiu, na justiça, o direito de resposta treze anos após. O jornal com seu núcleo de poder pelo poder lhe negou este tempo todo o que afinal era um direito enfim reconhecido pela justiça. O mesmo jornal não compareceu a uma audiência da câmara federal para se posicionar contra a perseguição a um blog que satirizava o jornal.

Por isso o contrabalanço é necessários e, claro, o combate firme e consciente contra todo tipo de manipulação do poder pelo poder.

CONVERSA DE UM CAMPONÊS

Pedro Esmeraldo

Geralmente, no mês de fevereiro, quando aparece sem cair chuva, o homem do campo passa a se preocupar e começa a observar os astros, tentando descobrir algumas nuvens que provoquem chuvas e que venham satisfazer os anseios do bom agricultor que espera a chuva tentando dar continuidade ao seu plantio.

Por isso, quando o camponês não vê nenhuma manifestação que lhe favoreça um bom caminho, a fim de continuar o seu plantio que seria o produto de sua subsistência, tenta beneficiar com grande velocidade a recuperação dos plantios retardados, pois não vem dar oportunidade que lhe deseja (quando a chuva falta).

Por essa maneira, o camponês aparvalhado, perde o rumo técnico e passa a fazer movimentos agressivos vendo a hora de ser desprezado pelas autoridades do país. Há deles, que enfrenta a crise com coragem e apela para os governantes que lhe dêem serviços e que façam pequenas estruturas agrícolas (açudes, irrigação e orientação técnica). Daí então, com a falta de apoio das autoridades, o camponês recorre às igrejas, oram bastante, solicitam a Deus que lhe mande pelo menos algumas gotas de água para não cair no destempero social.

Certo dia, no ano de 1966, havia uma promessa de falta de chuva e toda a população campesina encontrava-se desolada devido a falta desse precioso líquido que ora estava atrasado, que arrasava toda a população, deixando cair no desespero total.

Nesse ano, estando meu pai enfermo, um dia apareceu por lá um senhor baixo, constituído de uma loquacidade que não parava de falar de jeito nenhum e a conversação prolongada ia até tarde, ficando todos os outros que estavam ao redor tristes, provocados pelo cansaço, deixava todo mundo desconsertado com tanta falação que ia até tarde da noite.

O assunto era chuva e seca. E não deixava ninguém falar. Só ele era o verdadeiro mentor de todas as conversas.

Seu nome completo era Pedro Figueiredo, natural da cidade de Milagres, Ceará. Veio para cá com o intuito de procurar trabalho em uma fazenda pertencente ao médico cratense Dr. Fábio Esmeraldo, para ser feitor desse senhor no sítio Cabeça da Vaca, no município de Juazeiro do Norte.

Pedrinho, como era conhecido na roda dos amigos, possuidor de uma palestra jocosa, vez por outra, dizia coisas engraçadas e inadequadas. Todo mundo ria de tantos efeitos malabaristas na palestra desse senhor.

Nesse tempo, como havia falta de chuva, a população campesina do Crato e da redondeza permanecia na expectativa. Todos sem rumo ficavam sem saber apelar, para quem se dirigir e por isso recorriam às igrejas pedindo a Deus graças de mandar chuva suficiente para o plantio.

O povo do Crato, muito católico, tinha o hábito de orar com intensidade e recorrer às igrejas. O assunto versado no momento era sobre as enchentes do Rio de Janeiro, devido a uma forte tromba d’água que deixou toda a população desanimada devido ao prejuízo.

Pedrinho, agnóstico e eloqüente, contava histórias ao pessoal que muitas vezes saia do rumo, dizendo: ora, que coisa tola: esse negócio de dizer: o pecado empata chuva e reza faz chover, isso é muito do lero-lero, pois observo que nem pecado empata chuva, nem reza faz chover. Haja vista, que aqui no Crato o povo reza demasiadamente e não chove, e no Rio de Janeiro o povo peca por brincadeira e chove tanto que deixa todo mundo arrasado com o prejuízo causado pela chuva. Concluiu: nem pecado empata chuva, nem reza faz chover.

Todos os que estavam presentes não tiveram outra alternativa senão rir.

Crato-CE, 24/10/2011

Autor: Pedro Esmeraldo

HALLOWEEN DO TERRAÇUS BAR E PETISCARIA




O Halloween do Terraçus está chegando. Será neste dia 29 de outubro, um sábado, onde teremos a presença das maravilhosas bandas HOLYWOOD e REI BULLDOG, tocando grandes sucessos das décadas de 70 a 90, muito som dos Beatles com a banda Rei Bulldog, e muita alegria da galera que sempre comparce em massa a esse maravilhoso local que é o TERRAÇUS. O HALLOWEEN DO TERRAÇUS será uma festa a fantasia (não obrigatória). Vista a sua fantasia, você pode ser um dos destaques da festa e ganhar um concurso que faremos lá na hora. Será um concurso sem desfiles, onde as pessoas serão observadas por uma comissão que irá julgar. Serão três categorias: Masculino, Feminino e Casal. Para cada ganhador vai rolar um prêmio surpresa. Vá a caráter e participe dessa maravilhosa festa.

O TERRAÇUS BAR E PETISCARIA está localizado na Av. Pedro Felício Cavalcanti, no triângulo do Grangeiro, a 2km do Clube Recreativo Grangeiro

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O "golpe do calendário" - José Nilton Mariano Saraiva

Não se trata de nenhuma descoberta da pólvora: pra que haja desenvolvimento, em qualquer cidade que se preze (ou numa comunidade minimamente organizada), a geração de emprego e renda é uma premissa básica, obrigatória; assim, se o seu gestor maior (prefeito, líder ou coisa que o valha) não conseguir atrair investidores particulares em potencial (através da oferta de certas facilidades – doação de um terreno, por exemplo - ou isenções tributário-fiscais para que se instalem no município), ou até mesmo cair na besteira de entrar em conflito com o governo do Estado, a tendência é que se processe um esvaziamento progressivo daquela localidade. A cidade do Crato, por exemplo. Verdade ou mentira ??? Certo ou errado ???
E aí, o próprio poder municipal tende a, obrigatoriamente, funcionar como uma espécie de imenso guarda-chuva gerador de emprego e renda, através das suas diversas secretarias (cada uma com uma atividade específica, evidentemente), a fim de que o cidadão (munícipe/empregado) tenha condição de pelo menos fazer a “roda girar” (ou seja, “consumir”, a fim de que a economia não entre em colapso). Verdade ou mentira ?? Certo ou errado ???
Pois bem, meses atrás, exatamente nessa época do ano (vésperas do Natal/Ano Novo), sob a alegativa da premente necessidade de enxugar a máquina (ou podar seus custos), a prefeitura da cidade do Crato resolveu presentear quase trezentas (300) pessoas com um mimo inusitado: o “bilhete azul” ou demissão sumária, sem choro nem vela (assim, pais de família de repente ficaram sem condição de sequer comprar o presente de Natal da garotada, além do comprometimento do próprio ganha pão diário). Verdade ou mentira ??? Certo ou errado ???
Estranhamente, hoje, embora não se tenha notícia de que a prefeitura do Crato haja conseguido agregar novas fontes de renda (além das tradicionais dotações orçamentárias), a administração municipal do Crato anuncia a abertura de um concurso para preencher, coincidentemente, cerca de 300 vagas nos quadros da prefeitura.
Agora, observemos um “pequeno-grande detalhe” (mas de suma importância) em tudo isso: as inscrições para o tal concurso serão realizadas já nesse final de ano (nov-dez/2011); como, de praxe, as provas deverão se realizar três meses após as inscrições (aí pelo mês de março/2012); a terceira etapa, da divulgação do resultado, normalmente se dará entre 60/90 dias depois (final de junho/2012, aproximadamente); e então, a prefeitura estará apta a convocar os aprovados a tomarem posse (a partir de julho/2012).
E aí é que pinta no pedaço o tal do “golpe do calendário”: todo mundo tá careca de saber que em outubro/2012 se realizará a eleição pra escolha do sucessor do atual mandatário (após uma sofrível administração), que quebrará lanças pra eleger o respectivo afilhado. Convocando (ou dando emprego) às vésperas da eleição, a 300 pessoas, teoricamente o ungido se beneficiará de tal handicap (obterá mais votos), mesmo que ele mesmo não saiba como ou o que fazer pra arcar com os imensos custos futuros (e se o vencedor for um oposicionista, que se vire pra desativar essa autêntica “bomba-relógio”).
Como se vê, a desfaçatez e irresponsabilidade imperam na arena política: lá atrás, a prefeitura do Crato mandou para o olho da rua cerca de 300 pessoas e, agora, às vésperas de uma eleição, e na tentativa de se beneficiar eleitoralmente, abre concurso pra preencher exatamente as tais 300 vagas (mesmo que suas receitas não tenham tido nenhum acréscimo), desde que consiga que os desavisados sufraguem seu candidato. Quando o povo irá acordar ???

A Rajada e o Tiro Certeiro - Alberto Dines

O Alberto Dines é um jornalista da velha guarda. Liberal, conservador, mas com uma virtude essencial: sabe o que é ser o jornalismo. Aquele que apresenta a informação, confronta os contraditórios e só então apresenta a própria versão (análise). Se não concordamos com a versão dele, não perderemos a viagem, ainda estão intactas a informação e as contradições. Acontece que a grande imprensa brasileira tomou partido. Por isso apenas tem a própria versão e esvaziou o conteúdo da informação e o contraditório. O episódio do ministro do Esporte é bem este tipo e como sempre um dos grandes veículos: a revista Veja.

Nesta análise do papel da revista Veja no episódio Orlando Silva Alberto Dines consolida uma visão da notícia. Inclusive parte do que circulou que atinge o PC do B na unidade mais sensível a ele que o jogo fora da corrupção burguesa. O partido tem que fazer muita autocrítica e apresentar à Sociedade algo convincente.

por Alberto Dines

Balística e jornalismo investigativo têm algo em comum: independente do calibre da arma e da força do projétil, é crucial avaliar o ângulo do disparo e a vulnerabilidade do alvo.

As denúncias da Veja contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, publicadas no fim de semana 15-16 de outubro (edição 2239) devem demorar a derrubá-lo ou talvez nem o derrubem. Foram formuladas canhestramente. São ineficazes.

Para começar: o denunciante é réu. Portanto, suspeito. Tem ficha de truculento, negocista, policial-bandido, miliciano típico. Esteve envolvido no mesmo esquema que agora tenta demolir. Faz parte do mesmo bando que agora está sendo investigado. O desvio de verbas do ministério para ONGs que promovem o esporte assistencial já estava sendo investigado há mais de dois anos pelas polícias de Brasília e Federal, pela CGU e pelo Ministério Público.

O fato novo, bombástico, é a entrega de dinheiro vivo na mão do ministro ou de seu motorista. E esta tremenda novidade não colou porque carece de provas. Veja embarcou em nova aventura denuncista sem ter qualquer comprovante. Saiu atirando.

Fora dos holofotes

Na ânsia de ganhar o campeonato nacional de tiro-aos-ministros, o semanário fez escolhas estratégicas erradas. Quando a Folha de S.Paulo atirou em Antonio Palocci, mirou apenas em seu incrível e vertiginoso enriquecimento. Não pensou no PT nem em alvos próximos. Apontou, atirou, acertou na mosca, Palocci estrebuchou um bocadinho e emborcou.

O frenesi ideológico dos atiradores de Veja leva-os a optar pela rajada e esta nem sempre é mais letal do que o tiro único, certeiro. Queriam pegar o ministro e também o seu partido, fazer o trabalho completo. Não pegaram nem um nem outro.

O PCdoB, tal como uma porção significativa da base aliada, está envolvido em bandalheiras. Sua imagem de estoicismo e idealismo há muito evaporou. A vigorosa reação dos familiares das lideranças comunistas históricas em seguida à propaganda televisiva do partido (Anita Leocádia Prestes e Victoria Grabois, por exemplo) é prova de uma indisfarçável degradação.

São consistentes muitas das revelações sobre o que acontece dentro e em torno do Ministério do Esporte não apenas porque já vinham sendo investigadas, mas porque agora passarão a ser monitoradas também pela Procuradoria Geral da República. É da natureza da PGR relutar, não dispersar-se em muitas ações e trabalhar longe dos holofotes. Mas quando anuncia publicamente que vai apurar malfeitorias é porque pressente o que deve encontrar.

Esporte perigoso

A editoria de denúncias do semanário da Editora Abril não levou em conta as chamadas “circunstâncias ambientais”: a destituição do ministro do Esporte quando faltam três anos para o início da Copa do Mundo só poderia ocorrer diante de colossais ilícitos. Comprovados cabalmente. Também não levou em conta que naquele momento o ministro Orlando Silva não poderia ser facilmente sacrificado porque representava uma ala do governo que tenta oferecer resistências ao poderio conjugado dos abutres Fifa-CBF.

Para ser eficaz, o jornalismo de cruzadas deve evitar fúrias, ser preciso. A grande mídia está apostando para ver quem derruba mais ministros até o fim do ano. Trata-se de um esporte radical, cansativo e perigoso. Corre o risco de ficar desacreditado.

CUBA: a mosca na sopa do IMPÉRIO - José do Vale Pinheiro Feitosa

No século XX a “famosa democracia” americana, essencialmente de brancos europeus, evoluiu para o mais franco imperialismo. A famosa conquista do Oeste que se tornou a essência da alma americana, como bem disse o diretor de cinema John Ford, já era a conquista imperial de um território alheio. Não adianta os olhos rútilos de amor pelo expansionismo americano: está lá, em toda a costa da Califórnia, a presença secular das Missões Jesuíticas espanholas. Durante duzentos anos os espanhóis e depois os mexicanos criaram estruturas por lá. Não era um território abandonado, depois foi invadido pelos “pioneiros”.

O México, a América Central e a América do Sul se tornaram espécies de terreiros das instituições americanas, com estratégias de faxina prévia tipo a Fundação Rockfeller, depois os marines e boinas verdes, para consolidar as empresas americanas com governos dóceis aos desejos comerciais estrangeiros. John Gerassi ainda nos anos 60 traçou um perfil inquestionável do que chamou “A Invasão da América Latina.”

Os americanos estão comprovadamente por trás de todos os golpes efetuados na América Latina, inclusive a queda de João Goulart quando aproximaram navios da costa brasileira para dividir o país em vários territórios de domínio do império (haviam feito com a Coréia e o Vietnã). Recém falecido, o ex-ministro da saúde Wilson Fadul contava da arrogância do embaixador Lincoln Gordon com as autoridades brasileiras. Dr. Fadul descobriu uma enorme e ilegal remessa de lucros através de sobrefaturamento de medicamentos importados pelas filiais americanas da indústria farmacêutica. O ministro determinou a execução da prática de preços internacionais, por vezes dez a vinte vezes menos e o embaixador americano veio para cima dele querendo proteger a prática deletéria para o povo brasileiro. O Ministro não o recebeu, mas o embaixador esteve à frente do golpe contra Jango.

Os EUA treinaram torturadores, treinaram militares brasileiros e desviaram o Brasil de seu destino por mais de 30 anos apenas para exercer o controle sob o guarda chuvas da Guerra Fria. Cuba, uma ilha muito próxima da Flórida, com forte sangue Espanhol, especialmente galego, desde o final do século XIX que tinha um povo nacional que naturalmente brigou sob a liderança do poeta José Martí. O famoso Theodore Roosevelt, ainda hoje objeto de propaganda de culto à personalidade através de inúmeros filmes, voltados para a juventude, invadiu a Ilha e jogou-a sob o capricho do império em franca evolução.

Um império mercantil e industrial, do estilo capitalista, funciona com armas e domínio da produção e comercialização da mesma. E foi isso que ocorreu com Cuba. Viveu uma longa história na primeira metade do século XX sob o tacão da violência e golpes de estados financiados por empresas produtoras de frutas e da cana de açúcar e pasmem sob o controle da máfia americana.

O jornalista T.J. English acaba de publicar um livro, traduzido para o Brasil chamado “Noturno de Havana”. O assunto foi tratado em vários filmes, inclusive na trilogia do “Poderoso Chefão”. Trata-se da máfia americana sob a liderança de Lucky Luciano e Meyer Lansky querendo transformar Cuba numa Monte Carlo do jogo e da prostituição. Logo depois a ilha se tornou uma espécie de porta aviões fixo para o nascente comércio de drogas como a cocaína. Eles queriam tomar um país e subjugar um povo para os caprichos da indústria de entretenimento, bem ao largo do enorme império ávido por bacanais.

É preciso entender que o asco dos moralistas com este tipo de atividade não resolve a grande contradição que vaga em suas almas, tontas da ideologia da guerra fria. O cinema dos musicais, inclusive a nossa Carmem Miranda, o mundo da música como Frank Sinatra e da política como John Kennedy era comensais, protegidos e financiados pela máfia que pretendia dominar Cuba. Mas quando existe um povo, a história nem sempre atende aos interesses do poder dominador e o poder dominador cai. Mas isso é uma nova história para outro texto que pretendo escrever em breve.
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Ainda é cedo


- Aconteceu com Saddam Hussein, Bin Laden e, agora, com Gaddafi. Líderes importantes, como Obama, declararam que o mundo ficou melhor sem eles. É possível. Numa das perseguições aos cristãos durante o Império Romano, um dos Césares mandou erguer uma coluna que até hoje existe, declarando que não havia mais cristão na face da Terra e que o mundo seria melhor.

Não estou comparando nada com ninguém, apenas lembrando que o alívio da humanidade quando morre um ditador criminoso, como Gaddafi, em geral é um alívio mal informado. Quando Júlio César foi assassinado, Brutus comunicou à plebe que o tirano estava morto -e recebeu aplausos. Foi preciso que Marco Antônio, logo em seguida, pronunciasse seu famoso discurso para reverter o sentimento do povo.

E depois do primeiro César (o mais importante deles), vieram outros como Calígula, Nero, Vespasiano etc., que não tinham sequer o passado glorioso do conquistador das Gálias. Mesmo assim, o assassinato de ditadores, segundo Shakespeare, seria uma cena repetida ao longo dos séculos e em países que nem ainda existiam naquele tempo.

Nos impérios orientais, a sucessão de tiranos sanguinários foi quase ininterrupta. A situação na Líbia, mesmo com a queda e a morte de Gaddafi, está longe de ser tranquila. Não é hora de soltar foguetes, muita coisa ruim ainda pode acontecer naquele país sem tradição democrática.

Lembro igualmente aquele tenor que, depois de cantar a ária principal de uma ópera, foi vaiado vergonhosamente pela plateia enfurecida. Atiram-lhe ovos, tomates e sapatos. Resignado, enfrentando de cabeça baixa a irritação e os insultos do público, o tenor limitou-se a dar um aviso que, na realidade, era uma ameaça: "Vocês não viram nada. Esperem pelo barítono!".

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O(s) Cachorro (s) Louco(s) em Ação de Morte - José do Vale Pinheiro Feitosa


Este vídeo foi considerado ofensivo pelo grupo do Youtube. De fato o vídeo é chocante e não aconselhável para quem é sensível. No entanto estou postando para completar aquele texto sobre cachorros loucos que publiquei ontem. Peço desculpas ao leitores do blog que consideram a insistência neste assunto como algo desagradável.

Tudo que é sólido continua se desmanchando no ar - José do Vale Pinheiro Feitosa

Se o universo é um movimento de transformação contínua (embora os profetas do princípio e do fim sejam fortes até na física das partículas) a vida humana, do ponto de vista dela que é o trabalho, é um processo neste movimento. Existe um amplo campo de transformações, seja ela dialógica ou dialética, seja ela ao acaso ou por necessidade, qual uma modernidade consumista ou uma pós-modernidade que a deseja sem mais história, a transformação continua no horizonte dos projetos prontos.

A tônica do movimento, até que alguém prove ao contrário, é aquele em que tudo que é sólido se desmancha no ar. Isso vem a respeito das hegemonias. A natureza intrínseca do movimento do capitalismo é a concentração de poder primeiro em classes e depois em corporações. Quando em classes havia uma correspondência social, antropológica e cultural mais palpável, com a corporação isso se perde, pois introduz a tecnoburocracia e os fundos sociais a maior parte formado entre trabalhadores.

De qualquer modo o processo capitalista necessita essencialmente do Estado como moderador da guerra de todos contra todos e ao necessitar deste, passa a ser ampliado pelo processo mais geral de quem não tem fundo social e nem por vezes emprego (veja não falo em trabalho este continua a ser a essência da vida, mas do emprego que é a capacidade de alguém pagar pelo seu trabalho de modo regular). O Estado nas sociedades urbanas mesmo privilegiando classes e corporações, continua a ser a instituição onde a política interfere.

Por isso mesmo o Estado que é a necessidade moderadora, é para a tecnoburocracia e para os grandes detentores de capitais das corporações ao mesmo tempo uma solução e um enorme problema. Isso especialmente após a segunda guerra mundial com os Estados Socialistas e a Social Democracia. O Estado de algum modo ao redistribuir riquezas, reduz a ferocidade do animal acumulativo das corporações.

O que aconteceu nos últimos 30 a 40 anos? Junto com a emergência dos direitos sociais e humanos, as corporações sem possibilidades de continuar no ritmo acumulativo de suas naturezas passaram a fazer um trabalho ideológico sistemático em relação ao poder redistributivo do próprio Estado. O autoritarismo foi uma das mais bem urdidas campanhas a tomar espaço político na sociedade de modo em geral. Assistindo à corrupção dos agentes, ao observar a violência policial, a perda de empregos, os desmandos de autoridades do Estado, ficou fácil para a sociedade ser levada ao conceito do Estado Mínimo do neoliberalismo a partir dos anos 80.

O Estado Mínimo passou a ser a “flexibilização” desejada pelas corporações e com excelentes estratégias da tecnoburocracia a acumulação disparou até o limite em que levou à fragilidade não apenas alguma corporação, mas a todo o sistema capitalista. Recente estudo do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, usando modelos matemáticos fez um painel do quem é quem nas corporações atuais em todo o mundo.

O mundo possui hoje 43.060 corporações transnacionais, mas apenas 1.318 destas corporações formam o núcleo central desta rede transnacional. Estas empresas possuem em média 20 conexões com outras corporações. Aí o estudo revelou algo mais surpreendente, embora este núcleo represente apenas 20% das receitas, ele controla as principais ações do tipo “blue chips” nos mercados de ações do mundo todo. Então a realidade nua e crua: este núcleo controla 60% de todas as vendas realizadas no mundo.

Prosseguindo o estudo chegou-se ao supremo da concentração: 147 transnacionais controlam 40% daquele núcleo central. Ora isso é politicamente muito pior do que apenas dizer que 1% das pessoas controla mais riquezas do que 50% das demais pessoas. Isso significa que com a inteligência da tecnoburocracia as riquezas do mundo são controladas por alguns agendes que combinam ações entre si. Então adeus democracia, estamos diante da pior das ditaduras. E o pior uma ditadura levando a humanidade ao desastre como já se verifica.

As empresas controlando o poder político é que nos apresenta este quadro. Mas sigamos que isso seja uma hipótese, é difícil imaginar uma direção política única quando existem 147 transnacionais disputando posições. Mas aí teremos que considerar duas evidências: um sistema desses tende à instabilidade, pois a acumulação de riquezas não é infinita e os recursos naturais são o seu limite e em segundo lugar, este núcleo efetivamente mantém o interesse comum de não mudar a própria rede.

Como as riquezas reais do mundo são aquelas que fazem o modelo atual de civilização consumista é aí que se entendem todas as “primaveras” do norte da África e todas rebeliões nas ruas de cidades em diversos continentes. Mesmo a evidente ação política de Estados nacionais com interesse no Petróleo como no Iraque e na Líbia, fica claro que o “custo” Iraque e Líbia irá aumentar pelo desejo de maior consumo daquele povo. Aí residirá a segunda onda de contradições no território destes países.

Mas afinal serão ondas nacionais e continentais, pois o centro mesmo da contradição é modelo “concentracionista” a que chegou o capitalismo global.




O "Cachorro Louco" Morreu. Terminou uma Tirania de 40 anos e Bilhões de Dólares no Exterior - Por: Dihelson Mendonça



Finalmente morreu o ditador Muammar Kadafi, 40 anos no poder, responsável por milhares de assassinatos na Líbia. Quem se atrevesse a ir contra o seu poderio, era sumariamente fuzilado. Possuía em contas pessoais em bancos estrangeiros, BILHÕES DE DÓLARES, assim como os seus filhos, enquanto o povo vivia numa pobreza terrível, afinal de contas como ele dizia, "EU SOU A LÍBIA", a mesma demência dos grandes ditadores, a exemplo de Hitler, que do alto do seu delírio, se identificava com a própria nação.

Morreu o Sanguinário, apelidado carinhosamente de "Cachorro Louco" ( Que maldade, comparar Kadafi a um cachorro louco, uma desfeita ao mundo animal ), mas, se assim for, há muitos outros cachorros loucos que ainda precisam morrer. O Diabo recebe mais um dos seus a essa altura...

BRAVO! Aos rebeldes da Líbia, que COM OU SEM OTAN, tiraram esse sanguinário ditador ( como todos os ditadores ) do poder. Não existe ditadura boa. E falando nisso, como vão o Irã e Cuba ? Que sejam os próximos da lista!

Dihelson Mendonça
( Editada )

domingo, 23 de outubro de 2011

PARA QUE SERVE A UTOPIA? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Estou postando esta entrevista com Eduardo Galeano como uma consequência do texto que acabei de postar aqui nos blogs do cariri. Como forma de oferecer opções estou postando o vídeo da entrevista e também o texto com algumas modificações na tradução para o português.

“Se não me deixais sonhar, não os deixarei dormir.”


Para que serve a Utopia? A utopia está no horizonte. Eu sei muito bem que nunca a alcançarei. Se caminho dez passos em busca dela, ela se afastará mais dez passos. Quanto mais a busque, menos a encontrarei, por que ela vai se distanciando à proporção que me aproxime dela. Boa pergunta não? Para que serve. Pois a utopia serve para caminharmos.

“Que tal se deliramos por um momentinho. Que tal se fixarmos os olhos para além das infâmias para adivinhar outro mundo possível.

O ar estará limpo de todos os venenos que não provenham dos medos humanos e das humanas paixões. Nas ruas os automóveis serão esmagados pelos cachorros. A pessoa não será manejada pelos automóveis e nem será programada pelo computador, não será comprada pelo supermercado e nem será tampouco assistida pela televisão. A televisão deixará de ser o membro mais importante da família e será tratada como o ferro de passar ou máquina de lavar roupas.

Se incorporará aos códigos penais o delito de estupidez que cometem quem lhes vivem por ter ou por ganhar ao invés de viver por viver não mais como canta o pássaro sem saber que canta, como brinca a criança sem saber que brinca. Em nenhum país serão presos os jovens que se neguem a cumprir o serviço militar, se não os que queriam cumpri-los.

Ninguém viverá para trabalhar, mas todos trabalharão para viver. Os economistas não chamarão de vida para nível de consumo e nem chamará de qualidade de vida a quantidade de coisas. Os cozinheiros não acreditarão que as lagostas lhes encanta que lhas queiram fervidas. Os historiadores não acreditarão que aos países se lhes encanta serem invadidos. Os políticos não acreditarão que aos pobres se lhes encanta comer promessas. A solenidade deixará de crer que seja uma virtude.

E ninguém e ninguém tomará a sério alguém que não seja capaz fazer crítica a si mesmo. A morte e o dinheirão perderão seus mágicos poderes e nem por morte e nem por sorte se tornará o canalha em virtuoso cavalheiro.

A comida não será uma mercadoria e nem a comunicação será um negócio, por que a comida e a comunicação são direitos humanos. Ninguém morrerá de fome por que ninguém morrerá de indigestão.

As crianças da rua não serão tratadas como lixo por que não haverá crianças nas ruas. Os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, por que não haverá meninos ricos. A educação não será privilégio de quem lhas possa pagar e a polícia não será maldição de quem não lha possa comprá-la. A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viverem separadas, poderão se juntar, bem coladas, costa contra costa.

E na Argentina as Loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, por que elas se negaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória. A Santa Madre Igreja corrigirá algumas erratas das tábuas de Moisés e o Sexto Mandamento mandará festejar ao corpo. A igreja mandará editar outro mandamento que se lhes havia esquecido Deus: amarás a natureza da qual fazes parte.
Serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma. Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, por que eles se desesperaram de tanto esperar e eles se perderam por tanto buscar.

Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham vontade de beleza e vontade de justiça. Tenham nascido quando hajam nascido e hajam vivido onde hajam vivido sem que lhes importe nem um pouquinho as fronteiras do mapa e do tempo.

Seremos imperfeitos por que a perfeição continuará sendo o aborrecido privilégio dos Deuses. Porém neste mundo e neste mundo atrapalhado e fodido, seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última.

Sobre Cachorros Loucos - José do Vale Pinheiro Feitosa

Tem muitos cachorros loucos prontos a dar mordidas sem qualquer motivo da vítima, apenas por que viu na vítima o sítio preferido de suas mordidas. Esta frase imediatamente remete aos assassinatos em massa, aos linchadores, aos vingadores, aos cachorros loucos que reagem aos simples “xispa” do seu dono.

No primeiro parágrafo me referia aos cachorros loucos sem focinheira. Existem os cachorros loucos contidos e apenas instigados quando necessários e até aqueles cachorros loucos de madame, que mordem enquanto ela se horroriza com o sofrimento de algum personagem na novela das nove.

Os domadores de animais, especialmente de cachorros, não se cansam de dizer: não confundam a agressividade de um cachorro louco com a hidrofobia. A primeira é a projeção da insana e malvada consciência do dono sobre o animal e a segunda é uma doença natural que altera definitivamente a mente do cachorro.

Por isso quando um cachorro louco é morto a tiros, chutado, dando-lhe pauladas e depois de seu suplício é comemorado algo muito grave sempre acontecerá. O insano e malvado de consciência arbitrária que treinou o cachorro louco estará preservado neste ato. E a pior das desgraças: ele continuará a ameaçar os inconseqüentes que não conseguem olhar para a realidade além de seu próprio desvio em comemoração de tão nefasto engano para si.

Neste momento os vingadores se confundirão tanto com o cachorro louco que parecem fazer parte do mesmo canil que desencadeou a insensatez. Enquanto dão pauladas estas já estarão sob o ritmo do dono dos cachorros loucos.


O pior é que os donos destes cachorros loucos são capazes de soltá-los para que eles vigiem outros territórios do interesse do dono. E eles vigiarão, igual àqueles cachorros que controlam as ovelhas, mas se o cachorro fizer algo que contrarie a economia da lã e da carne, ele será abatido sem qualquer piedade. É a ontologia da manutenção do mal de origem.

E tem mais: os vingadores que provam o sangue do cachorro louco destroçado, logo apontam sua violência para outras vítimas. Eles querem mais. Muito mais do que a violência do momento lhes proporcionou. Outros “cachorros loucos”, não importam se reais ou não, desde que pareçam que sejam, logo estarão sob a mira vingativa dos linchadores.

É muito triste quando o humano se resume a este insano desejo de sair de série em série dando pauladas em cachorros loucos, especialmente se alguma revista diga “veja” este é mais um.

Domingo

- Claude Bloc –



Hoje é domingo
 As pessoas se ausentam, se escondem se fecham
para descansar
Descansar o domingo
nas ruas desertas
nas portas abertas
nas horas mais largas
de nada fazer.

Sol descoberto e mais um domingo
na eterna procura de novos cansaços
mas uma caminhada
em estradas mais largas
novas  perspectivas
em largas esperas
onde se difundem os mais  transparentes sonhos
os mais abstratos planos.

É domingo.
e é sempre aos domingos
Que as flores se embelezam nos jardins
Tudo volta ao princípio
de mais uma semana...

Claude  Bloc


"Aditivo" - José Nilton Mariano Saraiva

Na nossa última postagem (“Irã, o próximo”), tentamos mostrar, da forma mais didática possível, os abusos cometidos (recorrentemente) pelos “xerifes” do mundo (os EE.UU.) quando resolve se impor “no peito e na marra”, visando atender suas necessidades imediatas, nem que para isso tenha que atropelar tratados internacionais, soberania de outros povos e por aí vai.
Alertamos, também, com enfase, para o risco que correrá o Brasil quando o nosso fabuloso “pré-sal” estiver produzindo a pleno vapor, já que os “gringos” (preventivamente???) já armaram sua tenda nas cercanias da Bolívia com a Colômbia.
Lamentavelmente, entretanto, andaram tentando desvirtuar o que colocamos, com a canhestra idéia de que estaríamos a defender ditadores sanguinários. Por essa razão, tomamos a liberdade de recolocar as coisas em seus devidos lugares, ao aditar (ou transcrever) o contido na coluna Concidadania, do jornalista Valdemar Menezes, publicada hoje no jornal O POVO, aqui de Fortaleza, e que tem tudo a ver com a nossa postagem (e antes que tentem jogar farofa no ventilador, saibam que os grifos são nossos).
O mais... é perfumaria barata, de quinta categoria.

José Nilton Mariano Saraiva

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QUEIMA DE ARQUIVO (Coluna Concidadania, Valdemar Menezes)
A execução de Muammar Kadhafi, segundo é corrente nos meios informados, foi uma operação planejada com muita antecedência. As potências ocidentais não queriam que ele tivesse uma tribuna de onde pudesse falar sobre acertos constrangedores, no passado, com seus atuais carrascos. Quando foram encontrados os arquivos secretos, no seu palácio, revelando as operações conjuntas com serviços de inteligência dos Estados Unidos e países europeus, sua sentença de morte teria sido definida. Não se deveria dar oportunidade para ele revelar tais segredos diante de um Tribunal Penal Internacional. Daí porque os aviões da Otan foram empregados para matá-lo, quando fugia do cerco de seus inimigos num comboio. Caso escapasse, os rebeldes se encarregariam de completar o serviço - como de fato aconteceu. SÓ QUE A AÇÃO DA OTAN FOI TOTALMENTE ILEGAL. ALIÁS, TODA A SUA INTERVENÇÃO, NOS MOLDES EM QUE SE DEU, VIOLOU OS LIMITES DO MANDATO RECEBIDO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU. O CINISMO E O DESCARAMENTO, JÁ OBSERVADOS NO IRAQUE, NO AFEGANISTÃO E NO PAQUISTÃO (VIDE A MORTE E O DESAPARECIMENTO DO CADÁVER DE OSAMA BIN LADEN) REPETIRAM-SE AGORA, NA JUSTIFICATIVA DA OPERAÇÃO CONTRA O DIRIGENTE LÍBIO.
Agora que Kadhafi foi acolhido (quer se queira ou não) no panteão dos mártires da causa árabe, se transformará, provavelmente, numa grande força simbólica a alimentar a luta dos que são movidos pela defesa do interesse nacional. MUITO PIOR (DO PONTO DE VISTA MORAL) DO QUE O PRIMITIVISMO DE SEU REGIME É O ESCÂNDALO DE SE FLAGRAR UM ESTADO QUE SE DIZ DEMOCRÁTICO E CIVILIZADO, COMO OS EUA, TORTURANDO PRISIONEIROS, INSTALANDO PRISÕES CLANDESTINAS, BOMBARDEANDO POPULAÇÕES CIVIS E LIBERANDO SEU SERVIÇO SECRETO PARA ASSASSINAR DESAFETOS (CHEFES DE ESTADO, LIDERANÇAS POLÍTICAS E COMUNITÁRIAS ESTRANGEIRAS) SEM QUE SEUS DIRIGENTES SEJAM JULGADOS POR CRIMES CONTRA A HUMANIDADE, COMO, ALIÁS, PEDE A ANISTIA INTERNACIONAL. POR QUE DEIXAR DE ACENTUAR TAMBÉM QUE A LÍBIA APRESENTAVA O MAIS ALTO IDH DA ÁFRICA (SEM QUE ISSO ABSOLVA OS CRIMES DO REGIME DERRUBADO)?