Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Vertigem - Emerson Monteiro


Certa vez, em plena manhã de um final de ano, novembro ou dezembro, na brisa fria e suave do sopé da Serra, lia Ilusões (As aventuras de um Messias indeciso), de Richard Bach, quando fui surpreendido no peito por sentimento de abismo que invadiu a alma do mesmo frio lá de fora daquela manhã; extático, entrou pelos corredores do tórax qual visitante calmo e silencioso; e agora retorna para ser lapidado nas palavras que nascem aqui comigo. 

Mexeu, sim, por dentro, e, descuidado, acionou qualquer botão, que abriu fenda descomunal de solidão, espécie de lava gelada dos vulcões cósmicos, escorrendo medo intenso pelas encostas da montanha do ser, extrato das ausências múltiplas, misto de todas as presenças, eco de galáxias sem aparente final, porta de mergulhos individuais distantes, longe, bem longe, fora das distâncias, nos subúrbios de nossa Via Láctea. Esse tal silêncio de solenidade exótica falava nos meus ouvidos de outras eras, outros planos, dimensões estapafúrdias. Confesso medo aterrador naquele momento, vontade enorme de mais companhia, gentes aos milhares, sede das multidões, das festas, zoada, movimento, quermesses animadas, pois a dor contundia numa condição e velocidade incontidas, lâminas cortantes da matéria, espécies de chamamento às origens dos vários elementos, amálgamas de esferas rolando em plenitude. 

Busquei calor, o calor dos sóis abertos lá em cima. As pálpebras da consciência, contudo, fechavam de falta de sentido os cômodos da personalidade, para virar, logo adiante, na energia fluída de calor na pele, sem, no entanto, alimentar novas chances quanto a retornar ao presente, salvar o passado conhecido, durante a só e única Eternidade que cresceu e abraçou o mundo em torno. 

Olhava o horizonte aberto na essência de mim absorto na grandiosidade da total integração, e fatores internos convergiam, crise das individualidades postas na mesa de planície colossal, e inúmeras tradições fugiram qual névoa desfeita. Sumidas as referências até então preservadas a sete chaves, cigano das estrelas, o eu vagava desarmado pelas espirais do salão imenso, no turbilhão da queda livre, através do antigo espaço indiferente que fugiu. Palco aberto e folhas jogadas ao firmamento, mãos sangrando de absurdo e sonhos, recebiam marcas de saudades profundas, emoções avassaladoras, moléculas e perfumes, soltas pelos ares rasgados em Si próprio. Uma dor translúcida e disforme devorou, assim, doces e ferventes reações inúteis de preservação dos valores arcaicos. Guardei das lembranças o inexplicável desse testemunho, notícia maior da experiência de ver bem perto o mistério abissal das idades, razões primeiras e derradeiras dos fundamentais motivos da existência. Naquele instante, isso veio à tona na voz de forte berro aos céus, entre as letras que dançavam soltas na vista do livro, em meio ao pudor das palavras e no clarão poderoso dos raios do Sol.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Crato pede justiça -- por Pedro Esmeraldo

Não é mais de se estranhar. E todos notam a desqualificação que esse governador do Ceará dá ao Crato, uma vez que faz vista grossa aos problemas desta cidade. Haja vista que, ultimamente, nossa cidade vem sendo agastada pela falta de sensibilidade  desse ilustre político cearense.
Tudo faz crer que o eminente homem público faz vista grossa ao desejo de um povo celerado que tem raiva do Crato. Pois não seria com a complacência  do ilustre governador do estado que muita coisa foi retirada de Crato? Que estamos incorrendo – aqui no Cariri –  no mesmo erro da Região Metropolitana de Fortaleza, esta com uma cabeça enorme e o resto do Ceará  formando um corpo raquítico? 

Começa a acontecer aqui uma desigualdade, econômica e  social, visto que há desinteresse desses políticos que vem surrupiar nossos votos em defender o Crato. E a   fraqueza dos nossos eleitores impedem a projeção política da nossa terra, além de baixar a cabeça para a força do poder econômico.

Houve época que um senhor governador do estado, mostrando gabolice, querendo enaltecer o povo do Crato, disse abertamente com toda responsabilidade de homem fanfarrão, em praça pública: “Do Crato cuido eu”. Essas palavras, nunca cumpridas,  mostraram desrespeito. Lembro-me  também que houve outro cidadão – este inimigo número 1 desta cidade – o governador Plácido Castelo. Tudo fez por cidades vizinhas e deu as costas a nossa cidade. Daí se nota que os inimigos do Crato estão acordados; usam de toda artimanha para nos lograr; omitem-se em relação a algumas pessoas detentoras de poder que vivem a provocar intriga, perfídia, e, algumas vezes, até a calúnia.

Essa questão de política desqualificada vem ocorrendo há anos. Observem-se, portanto, que essa medida de desrespeito a nossa cidade é sempre mancomunada por poderosos chefões. Às vezes com palavras mentirosas, dado o aumento descomunal do seu poder, conseguem dilacerar o Crato estimulando o desprezo de algumas autoridades competentes.

Hoje, observa-se que uma horda de inimigos aparecem por aqui, no tempo das eleições, com mentiras esfarrapadas, dizendo que são amigos da cidade e que vão mudar o atual estado de desprezo a que foi relegada nossa terra.

Mas com essa conversa atoleimada pensam eles em enganar o povo com bananas e bolos, o que não entra mais na nossa mente. Já é tempo de dizer:  se não for para trabalhar em favor do Crato pedimos que não venham mais aqui.

Deixem o Crato para os cratenses! Saberemos descascar o abacaxi apodrecido que eles nos legaram. Chega de tanta lenga lenga demagógica. Chega de falsidade. Não queremos mais sofrer tanto desespero e tantas derrotas.

Senhores políticos, não queiram zombar do Crato. Não somos terra de índios. Somos uma cidade de gente civilizada, ordeira e eficiente. Fiquem sabendo senhores políticos que um pai de família quando tem uma prole numerosa, por dever de responsabilidade e cidadania, cuida dos filhos com carinho igual para com todos. Se assim não o fizer não deixará somente sequelas psicológicas nos outros filhos. Provocará um desacerto social em sua família.

Por isso, pedimos um tratamento igual ao que vem sendo dado a outras cidades. O povo do Crato está ficando amargurado com o desprezo, que vem motivando desânimo. Confiamos que isso mude. E que o Crato seja tratado com eficiência e respeito.


 

domingo, 6 de maio de 2012

Encontro de Zootecnia acontecerá em Crato


“Sua Mãe, minha Mãe” – por Maria Angélica Iamasaki

Quem me contou esta história garantiu-me ser ela verídica. Diz tê-la lido em um jornal alemão sob o título acima. Era noite, todos dormiam na apertada trincheira alemã, em plena Primeira Guerra Mundial. Todos, menos um jovem soldado. Fora extremamente fatigante aquele dia, nada mais desejava ele que descansar como os seus companheiros do batalhão, que caíram num pesado sono. Contudo, uma preocupação o impedia de dormir.

Não o inquietavam os perigos de um ataque noturno do inimigo, nem os riscos da batalha no dia seguinte, mas sim o fato de ter perdido seu escapulário de Nossa Senhora do Carmo, dado por sua mãe quando partia para a guerra.

Ele se lembrava bem que naquela tarde, depois de passar por uma cidade abandonada pelas tropas inimigas, os veículos do batalhão avançaram até uma antiga casa de fazenda localizada nas proximidades, e ali acamparam. Atrás da casa havia uma torneira e um tanque de água, oferecendo ótima oportunidade para lavar-se após um dia inteiro de combates.

O jovem pendurou calmamente a jaqueta ao lado da torneira, pôs em cima o escapulário e começou a ensaboar as mãos quando… soou o alarme, estouraram tiros de morteiro, o batalhão recebeu ordem de avançar e desalojar o inimigo entrincheirado três quilômetros adiante. Mais uma hora de combate, e ei-lo ali, alojado na trincheira recém-conquistada. Mas seu precioso escapulário tinha ficado junto ao tanque.

Voltar agora para buscá-lo, era impensável. Tentou não pensar mais no assunto e dormir um pouco, mas, não conseguindo, decidiu enfrentar o risco: levantou-se discretamente, esgueirou- se por entre as sentinelas e correu até a casa da fazenda. Lá chegando, apalpou, na escuridão da noite, a torneira, os canos e objetos ao redor, o chão… nada encontrou! Quando procurava no bolso a caixa de fósforos, ouviu uma terrível explosão. O inimigo atacava, seu dever era voltar logo ao posto de combate.

Ao chegar junto à trincheira, deparou- se com uma cena espantosa: no exato lugar onde, poucos minutos atrás, dormiam seus companheiros, havia apenas uma enorme cratera. Antes de abandonar o local, o inimigo tinha armado ali uma bomba-relógio de grande poder destrutivo. Do improvisado dormitório restavam apenas objetos irreconhecíveis, lodo e rolos de arame farpado.
Era ali que ele, há pouco, estivera deitado! Se não tivesse saído para procurar seu escapulário, também ele teria sido destroçado. Nossa Senhora do Carmo lhe havia salvo a vida!

* * *
Na manhã seguinte, qual não foi sua surpresa ao encontrar na cozinha do acampamento um companheiro de trincheira.
- Eu pensei que você também tivesse voado pelos ares!
O outro, não menos espantado de vê-lo vivo, explicou:
- De fato, eu já tinha me deitado, mas logo me levantei e fui procurar você. Enquanto andava pelo acampamento à sua procura, ocorreu a explosão.
- Bem, eu escapei por um fio de cabelo também. Mas… por que motivo você me procurava àquela hora da noite?
- Para entregar-lhe isto que você esqueceu junto ao tanque de água ontem à tarde.
Assim dizendo, devolveu ao jovem soldado o escapulário recolhido por ele na velha casa de fazenda…

(Revista Arautos do Evangelho, Agosto/2005, n. 44, p. 47)

São João - Aloísio


São João


Vou fazer uma longa prece
Aos santos do mês junho
Se precisar eu escrevo
Uma carta do próprio punho

Nesta prece eu vou pedir
A volta do meu São João
Com canjica, milho e licor
E a música de Gonzagão

E não esquecer a quadrilha
Que aqui não é palavrão
É muita dança, é festa
Completando a animação

Quero ouvir Luiz Gonzaga,
Dominguinhos e Severino
Jacinto Silva e Jackson,
O primeiro Trio Nordestino

Vamos escutar Maciel Melo,
Targino Godim, Irah Caldeira
Petrúcio Amorim, Elba Ramalho
Que é uma grande cantadeira

Zabumba, triângulo e sanfona
São os instrumentos principais
E um cantador com talento
Fazem a festa boa demais

Por isso vou agradecer
Aos santos, a Mãe Maria,
Aos que fazem o São João
Sem nos deixar nostalgias.


Aloísio 
Foto: Internet

sábado, 5 de maio de 2012

Vernissage em prol da APAE

.


 Três Artistas Plásticos,  que  representam  o  Crato  para  o  mundo sem  receber nada em troca se encontram . Cada um, em seu degrau sabe que foi com muita luta, esforço e perseverança em não desistir nessa profissão digna e tão árdua.


Parabéns pela iniciativa do artista plástico George Macário de Brito em fazer uma vernissage em prol da APAE. 


Parabéns pela  presença, do nosso grande  amigo Artista Plástico " Internacional", Bruno Pedrosa, sempre  nos  dando  força e mostrando que vale a pena acreditar no que fazemos e nunca desistir. 


Parabéns  a  APAE do Crato, pelo seu projeto de vida, que a cada dia nos mostra que  somos  todos  iguais, capazes, mas que cada ser humano é diferente. A apresentação musical dos seus alunos nos mostrou a beleza e sintonia de aprendizagem no compromisso do trabalho desenvolvido e isso nos faz acreditar na dedicação e amor desse trabalho sério.


Parabéns ao público presente que prestigiou o Artista plástico George Macário de Brito e sensibilizou - se pela causa da APAE. Eu e os artistas de todos os segmentos são convidados pelo artista plástico George Macário de Brito a doarem uma obra de arte, para ser vendida em nova e futura exposição, com 100% em prol da APAE. Agradeço ao artista fotográfico e advogado, Ricardo Saraiva "Pai Véi", por essa foto acima, e a todos blogs que prestigiam as minhas postagens.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Banda Jardim Suspenso se apresenta no Cariri em comemoração ao Dia das Mães

Banda Jardim Suspenso se apresenta no Cariri em comemoração ao Dia das Mães

A banda cearense Jardim Suspenso, fará seu primeiro show na Região do Cariri, na cidade do Crato no próximo dia 12, a partir das 22h, no Terraçus Bar e Petiscaria. A festa organizada pela Sertão Pop Produções homenageia as mães caririenses, pois acontece na véspera do Dia das Mães. Para isso está trazendo duas bandas onde a mulher é destaque: para abrir o evento Banda Godivas, do Crato, formada por mulheres e o show que elas nos apresentarão é em cima da obra de Roberto Carlos. A outra, de Fortaleza, é a Jardim Suspenso, que faz uma releitura da obra da Rainha Rita Lee. "Naturalmente será um grande evento e em um momento muito especial, pois achamos que as mães são a mola-mestra da família e portanto merecem essa grande homenagem através da música", afirma Kaika Luiz, produtor do evento. A banda Jardim Suspenso está na cena musical cearense desde 2010 e desde então vem realizando show de releitura da obra de Rita Lee e de seu ex-grupo, Os Mutantes. A banda tem se apresentado em importantes espaços culturais, eventos de Fortaleza e programas de TV. Fora da capital, já se realizaram show na Região Metropolitana e na cidade Sobral. O grupo é formado por Joanice Sampaio (vocal), Pedro de Farias (guitarra), Victor Fontenele (baixo) e Carlinhos Perdigão (bateria). Serviço: Festa do Rei e da Rainha Tributo à Rita Lee, com a banda Jardim Suspenso (Fortaleza) Tributo a Roberto Carlos, com a banda Godivas (Crato) Terraçus - Bar e Petiscaria Dia 12 de maio, a partir das 22h Av. Pedro Felício Cavalcanti - 1969, 63106-010 Crato-CE Info: (88) 9666.9666 (88) 3521.5398 (88) 8824.2131

Matéria publicada no blog Sobreart do jornalista Marcus Peixoto.
http://sobrearte-marcuspeixoto.blogspot.com.br/2012/05/banda-jardim-suspenso-se-apresenta-no.html

quarta-feira, 2 de maio de 2012

RECADO DOS PÁSSAROS - Marcos Barreto de Melo


chegado o mês de São João
os pássaros do baião
fizeram uma reunião
pra discutir a questão

procuraram Gonzagão
e numa noite enluarada
o nosso Rei do Baião
recebeu a passarada

estavam lá reunidos
acauã, o assum preto
asa branca, o sabiá
galo campina, o carão
a peitica e o bacurau
todos pra guerra munidos

a prosa foi demorada
e depois de muito acerto
mandaram dar um aperto
nessa turma enjoada
junto com este recado
um tanto desaforado

que pra ser bom forrozeiro
tem que entender do riscado
dançar baião e xaxado
e que esse povo interesseiro
que canta só por dinheiro
respeite o rei do baião

Caixa de boas novidades - Emerson Monteiro






O fotógrafo Augusto
Pessoa, paraibano com trânsito livre e constante pelas terras cearenses, é quem
traz o presente, essa caixa contendo o livro Nordeste desvelado, de fotografias suas colhidas nas andanças nesta
Região do Brasil, e o cd Nordeste oculto,
que contém peças musicais do grupo Crabuêra, da mais fina flor de sonoridade do
âmbito desta parte de mundo, numa embalagem primorosa de cores e desenho.




Eis a Arte em momento apreciável
de real importância. Nordeste desvelado
transmite fiel a face da nossa gente com vigor e propensão, algo no nível
técnico da qualidade dos meios modernos da comunicação gráfica, qual o que se
espera dos artistas em tempo de tecnologia avançada. Isso visto de fora para
dentro, do espectador para a cena posta no palco das imagens recolhidas e do
objeto mercantil. No sentido inverso, do conteúdo ao prazer de quem olha /
escuta, olhará / escutará, grata surpresa lhes aguarda, apreciadores da melhor
Arte (de letra maiúscula e tudo).




Um presente digno de
nota alta revela a caixa do Nordeste Oculto / Desvelado, pelo bom produto que
carrega no seu interior. Do livro de fotografias de Augusto Pessoa, que testifica
a viagem transcendental das visões (Visagens, como o Autor denomina) através do
sagrado das tradições, dos benditos, das festas populares e religiosas, da
religiosidade perene de um povo sertanejo nordestino, virtuoso nos sonhos e na confiança
do Deus dos simples, e doutras partes do mundo, o que se pode viver / ver intensamente,
pela profusão das tonalidades, imagens, dos movimentos e ângulos desse jovem já
reconhecido mestre da fotografia brasileira. 




Augusto César Cunha Pessoa
nasceu em 1974, em Campina Grande PB. Jornalista e fotógrafo, atua
profissionalmente desde 1994, integrando equipes de diversos jornais
nordestinos. Atualmente trabalha como free-lancer para tais revistas National
Geographic
, Vida Simples, Caminhos da Terra, Horizonte
Geográfico
, entre outras. Prêmios: Abril de Jornalismo (2008); Um
olhar sobre a cultura popular nordestina
(2007); Pérsio Galembeck de
Fotografia
(2010); Paraíba dos seus olhos (2007-2009); AETC
Jornalismo
(2006 e 2007). Publicações: Capital iluminada [com a
arquiteta Lis Cordeiro Alves]; INTI (fotografias sobre os Andes, 2009).
Exposições: Casa Grande, uma viagem aos encantos da Chapada do Araripe (Nova
Olinda-CE, 2010); Fotografia em revista (0 anos de fotografia da Editora
Abril) (São Paulo, 2009); Guajás, os últimos nômades (Maranhão, 2008); X
Fenart
(Funesc, 2004). 




Quanto ao grupo
musical Cabruêra, parceiro de Augusto Pessoa nesta caixa de fábulas
inesquecíveis, dele trataremos em breve.


Desejo, por agora, no
entanto, aos agraciados com tamanha oportunidade de viver bom gosto o melhor
dos prazeres culturais...  


terça-feira, 1 de maio de 2012

Força maior do Universo - Emerson Monteiro

Há, sim, novidades entre o céu e a Terra, dentre as quais uma grandiosa, que se destaca por seu valor descomunal. Maior que tudo, de todas, e maior das imaginações; amálgama e poder agregador infinito nas composições dos ingredientes; o Amor, que nutre as engrenagens desse fluir imenso e monumental Universo.
Na concepção da poesia, das religiões, dos calendários, o Amor bem representa nas palavras esse termo do que não pode ser dito, porém muitos se aventuram no propósito da ânsia incontida do dizer indizível. A porta das tradições, revela o panorama dessa força poderosa, transformadora, que neutraliza inutilidades e contradições dessa raça de sábios impacientes. Amor, luz das emergências, alimento dos deuses, sonho dos profetas. 
Andasse na sombra dos laços e das armadilhas deste mundo, e o Amor sacralizaria o palmilhar das estradas. Salvaria qual nenhuma outra poção por mais mágica fosse e panacéia que servissem de curar todos os males. Viajaria o tempo e mergulharia os mares, transmitindo a vitalidade das vidas, o ordenamento dos sistemas, revelando capacidade indestrutível dos heróis e o carinho abençoado das mães.
Amor, que sobreviverá aos milênios das fugas, na absoluta serenidade dos crentes, e penetrará a órbita dos derradeiros astros das galáxias, sem fronteira que lhe contenha a sede insaciável das distâncias, foco maravilhoso dos sóis. 
Amor, assim, claridade exponencial, perfeita e verdadeira. Esse hálito que envolve as crianças, os anciões e as manhãs da pura transcendência dos santos no instante das iluminações. Fala dos pássaros, perfume das flores, cores maviosas dos nasceres e pores do Sol sempre belo e perfeito. Amor dos seres, das moléculas, do eterno abraço do movimento das marés inesgotáveis.
Algumas frases que só tornariam suficiente contar a história da geração das tantas pessoas, nesse caudal das vivências e suas experiências imortais, caminho das famílias e dos grupos na escola das eras. 
Sentir, por isso, a lembrança do paladar dos melhores sabores, o gosto auspicioso desse alimento Maior de todos eles. O sentimento da excelência, do sucesso. Amor que rompe os inevitáveis e eleva a Esperança nos dias supremos que chegam suaves pelas malhas deliciosas do vento. Simplesmente o Amor, rei das emoções e Senhor dos amores, seus filhos queridos.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A Lira Nordestina (2ª Parte)


    Tomei conhecimento de matéria veiculada pela TV Verdes Mares Cariri, no seu noticiário CETV-1ª. edição, de 27.04,pp., encontrável em arquivo no endereço (http://g1.globo.com/videos/ceara/cetv-1dicao/t/edicoes/v/xilogravuristas-reclamam-de-abandono-de-editora-historica-de-juazeiro-do-norte-ce/1922686/de). Lamentavelmente, isto me leva a retomar considerações sobre a falta de vergonha com a qual a Reitoria da Universidade Regional do Cariri vem tratando a Lira Nordestina. Recordo um pouco a razão que sempre me provoca indignação com respeito a este estado de coisas que foi cronicamente perpetrado desde a segunda administração da URCA, até hoje, especialmente.

    Quando ainda nos momentos iniciais da criação da URCA, a comunidade do Cariri começou a discutir o que seria esta tal de Regionalização de sua Universidade, para que ela não fosse, da forma mais medíocre, um colegião de terceiro grau servindo aos interesses de famílias oligárquicas do Crato, nós do Juazeiro do Norte nos posicionamos em seminário coordenado pelo então reitor prof. José Teodoro Soares para dizer-lhes que não estávamos ali, como se propalava, para impor critérios de distribuição de faculdades e muito menos de equipamentos administrativos, de pró-reitorias, ou o que fosse. Daí porque evoluiu, aparentemente bem, a nossa proposta de que faríamos o possível para ter uma biblioteca setorial, uma casa de cultura portuguesa, a Lira Nordestina, o IPESC-Instituto José Marrocos de Pesquisa e Estudos Sócio-Culturais e um museu.

    Não foi fácil criar e manter quase todas estas instituições, atribuir 40 horas de atividades a uns poucos abnegados professores para tocar os empreendimentos, todos bem amadurecidos e necessários ao que gostaríamos de ver em atividades acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão. Depois de longas batalhas contra toda sorte de dificuldades impostas por ranços que até imaginávamos não coubessem na nova Academia, vimos gradativamente que a má vontade, a má fé, o desrespeito – tudo isso foi se avolumando e determinando o gradual encerramento de atividades. Não vamos entrar em detalhes sobre cada um destes frustrados projetos de interesse de Juazeiro do Norte junto a URCA. Por último, estão fechando o IPESC e planejando a extinção da Lira.

    No texto anterior, tornado público pelo Portal de Juazeiro (07.04), em jornal (Gazeta de Notícias, nº 183, 04.2012) e reproduzido em diversos outros blogs, eu havia manifestado a minha repulsa ao ato recente de desligamento de dois xilógrafos, com os quais se poderia enxergar uma responsabilidade da URCA naquela instituição. Sem eles, agora como será? Como é que fica se não tem pessoal para tocar o necessário? Na referida matéria do link mencionado, aí se pode ouvir de sua reitora que, depois de tantos anos, a instituição tem um projeto onde “a revitalização da Lira passa por sua integração com a Academia, com os departamentos e cursos acadêmicos que tematizam a literatura popular....blá,blá,blá”.

    Diz, concluindo que a Lira “não há de ser um espaço privado de meia dúzia de xilógrafos...” E fiquei pensando comigo mesmo, por que será que é admissível que a URCA seja o espaço de meia dúzia de incompetentes que passaram tantos anos para deixar que estes xilógrafos do Juazeiro, não obstante o grande valor de seu trabalho, ficassem aí, usufruindo de um certo pacto de mediocridade, onde uma das partes se apodera do que não lhe pertence e a outra não está nem aí para o que acontece?
Como sobrevive a Lira, daqui por diante, sem poetas, sem xilógrafos, sem cordelistas, sem artistas, sem gráficos? Que mágica é esta, doutora Reitora? Acho, sinceramente, que a Lira é o último combate. Ainda estaremos vigilantes à sua agonia. Quanto ao IPESC, este já estava morto, coitado. Há poucos dias começaram a transferir seus restos mortais para o Crato. O defunto era dos bons e tinha história. Façam bom proveito com sua memória, coisa que não morrerá diante dos assassinatos imundos que perpetraram aos “negócios do Joaseiro”, abeirados na URCA.

Brasil perde a condição de República – por João Cipriano Nascimento Filho (*)

Todos os parâmetros de democracia, bases de república federativa ou equilíbrio de poder, foram destruídos pela atual onda de corrupção vivenciado nos últimos nove anos. A partir do momento em que os indícios apontam para as autoridades federativas e membros de poderes constituídos, causa a total quebra de confiança entre comandados e comandantes.

Mesmo não querendo admitir, os cidadãos brasileiros ocultamente perdem a confiança nos governantes, mesmo aqueles contribuintes membros e admiradores dos governantes e partidos. Essa quebra de confiança se manifesta nas redes sociais, nos bares, nas prosas no campo, nos coletivos, nas filas dos bancos e principalmente nas ruas, nos protestos cívicos. A velha republica corrupta adoeceu, entrou em coma e chegou a UTI das sombras democráticas. Querer ou tentar justificar as roubalheiras do erário, as maracutaias, com pesquisas populistas, com estabilidade econômica ou com discursos da “governabilidade”, da primeira mulher no poder é falsear a verdade, é encobrir a fedentina do poder, mergulhando a Pátria numa era obscura, longe das bases éticas e com sérios comprometimentos das gerações vindouras.

A memória popular das massas miseráveis e famintas até pode ser manipuladas, haja vista, que as pessoas com fome, são como os viciados, aceitam os cabrestos, até as mentiras sociais dos seus senhorias, como sendo a mais plena verdade. Como tem senhorios nesta falsa república da corrupção! Na verdade as memórias dos oprimidos, dos famintos, dos viciados, agem como os escravos, aceitam os chicotes da vida, sempre com a esperança de que um dia será livre e terá a oportunidade de tocar os seus próprios destinos, trabalhando e produzindo os seus sustentos.

Trocando em miúdo, falando a linguagem do povão, as periferias das cidades acordam e dormem com o medo. Os bairros dos ricos parecem mais mini-presídios, do que residências, pois se os pobres sofrem com as causas e efeitos da corrupção, os ricos já há muito tempo no Brasil não vivem em paz. As drogas tomaram conta das comunidades, das praças, das ruas, da roça e com ela, surgiu um verdadeiro exército de jovens com armas de fogo em punho, atiram para todos os lados, matando sem qualquer temor. A vida das pessoas no Brasil está banalizada, de tal forma, que os bandidos, acostumados com a impunidade dos grandes políticos, também ladrões, mas de colarinho branco do erário, e, nas ruas os marginais agem com extrema violência, entrando nas residências e nos comércios para roubar e matar sem qualquer temor.

As bases familiares, religiosas e sociais perderam em importância, para abrir lugar a essa atual sociedade sem escrúpulos, sem ética e com liberdades sem qualquer controle. A nossa “Republica Federativa” cedeu lugar aos “malfeitos” e caminha para o enforcamento da democracia, dos verdadeiros direitos sociais, do equilíbrio da vida humana e pior, cultuando essa nova era e modelo político, mais parecido com um “fascismo corrupto”. “malfeitos” e de governos do povão. Mataram a república da ética e da justiça social. É certo, que enganaram a muitos por muito tempo. É certo que reconstruíram a republica do pão e circo (de Roma e de Cesar), para iludirem as massas populares e famintas.

Porém, é preciso lutar contra os bandidos e covardes da democracia e da Republica. Esses grupinhos que destroem o nosso Brasil, das esperanças e das oportunidades sociais. O caminho traçado pela (Divina Providência) ao planeta terra, ao Brasil não é esse por todos nós vivenciado.

(*) João Cipriano Nascimento Filho
ciprianoserra@yahoo.com.br
Brasília

sábado, 28 de abril de 2012

O CARIRI TEM SAMBA

O nosso querido e amado Cariri tem artista por tudo que é canto. Como disse certa vez minha querida amiga Izaira Silvino, por onde você anda nessa região esbarra com um artista. Eu diria que, graças a Deus que é mesmo assim. Para todas as tendências de arte, o maior destaque sem dúvida que é a música. Nela estão inseridos diversos ritmos, indo do coco, embolada, forró autêntico, baião, samba, xote, mpb, passando pelo rock, pop-rock, blues, jazz e todas as variações desses ritmos. É um cenário deslumbrante, riquíssimo e de primeira qualidade. Dentre os já citados ritmos, quero aqui dar uma ênfase ao samba, um dos ritmos mais brasileiros e que, durante algum tempo andou meio esquecido pelos nossos músicos. Aqui e acolá, algum artista coloca um samba em seu repertório, mas sem dar maior destaque e importância devida. Agora esse delicioso ritmo está tendo um merecido reconhecimento através de um grupo recém formado aqui no Crato. É o "SAMBA DE MINUTO", formado por jovens artistas e músicos do Cariri, e que vem fazendo a diferença em suas apresentações. O grupo, formado com a maravilhosa voz de Janinha Brito, o delicioso violão de Cidinho, o fino pandeiro de Walesvick Pinho, a batida perfeita da percussão de Rodrigo Moura e o ritimado cavaquinho de Savio Souza, tem animado e muito as noitadas caririenses e nos brinda com deliciosos sambas dos mais respeitados compositores brasileiros. É ouvir e sentir o pulsar do coração chamando para a dança, a festa e a alegria. Samba é o nosso ritmo mais festejado, cultuado e admirado e agora aqui no Cariri o grupo "SAMBA DE MINUTO" está o levando para o nosso prazer.

Se você quer ouvir o "SAMBA DE MINUTO", nesta próxima segunda-feira, dia 30, véspera de feriado, o grupo vai se apresentar no "TERRAÇUS - Bar e Petiscaria", um maravilhoso espaço que fica no triângulo do Grangeiro em Crato. Lá vai rolar o SAMBA DE PÉ (de serra), com o grupo. Começa por volta das 20h, mais cedo para não perturbar tanto a vizinhança, e vai ser cobrado cinco reais por pessoa de couvert artístico. Vai ser uma noitada regada a muito samba, cerveja e feijoada, além da alegria do encontro com pessoas bacanas. Vamos nessa?

Exumados os restos mortais da jovem mártir Benigna Cardoso

     A Diocese de Crato e a Paróquia de Sra. Sant’Ana realizaram neste dia 27 de Abril 2012, a exumação dos restos mortais da jovem Benigna Cardoso, que até então estava sepultada no cemitério São Miguel em Santana do Cariri – CE.
    Com esta exumação foi dado mais um passo referente ao processo de beatificação da jovem Benigna. Agora posteriormente será realizado o translado e o sepultamento na Igreja matriz de Sra. Sant’Ana já marcada para o mês de maio.
    A exumação foi realizada numa cerimônia privada com orações e súplicas. Depois da identificação dos restos mortais de Benigna os mesmos foram lacrados em uma urna que ficou sobre o resguardo da Diocese de Crato – CE, até o dia 26 de maio quando ocorrerá a solenidade oficial de translado e sepultamento na Matriz, em uma grande romaria no município de Santana do Cariri.
 Estiveram presentes na cerimônia os seguintes representantes:
- Monsenhor Vitaliano Mattiolli – Postulador da causa de beatificação e representante da Diocese de Crato.
- Pe. Paulo Lemos Pereira – Pároco de Santana do Cariri.
- Pe. Joaquim Cláudio de Freitas - filho da terra e Pároco da Basílica Menor de Nossa Sra. das Dores em Juazeiro do Norte – CE.
- Ypsilon Rodrigues Félix – representante da comissão Diocesana.
- Terezinha Sisnando e Dulcinéia Sisnando – Irmãs de criação de Benigna.
- Sandra Rodrigues, Marcos Danilo e Geânio Felipe – representantes da comissão paroquial.
Fotos Oficiais da Cerimônia:

Postado por: Ypsilon Félix

Só vendo para crer -- por Pedro Esmeraldo


Estava no meu lazer no Crato Tênis Clube quando de repente apareceu o ex-deputado Ciro Gomes. Fui apresentado ao distinto pelo senhor Boanerges Custódio. Ciro Gomes me abordou: Sua cidade é parecida com a minha! Então eu retruquei: Ultimamente, o Crato tem sofrido das agruras e da perversidade, já que está sendo esvaziada pelas astúcias de um município tenebroso e que, à custa da intriga e da calúnia, quer totalmente desrespeitar o Crato, retirando tudo daqui com a complacência da administração Estadual.

Ele me respondeu: trata-se de questão populacional, pois lá tem 300 mil habitantes e aqui 130 mil.
Respondi: isso eu não acredito, pois se trata de um povo megalomaníaco, traiçoeiro e enganoso, visto que, lá não possui essa quantidade de gente e vive sorrateiramente, com palavras inócuas traçando conversas desconexas, inventando mentiras que não existem. Além do mais, Crato foi o centro propulsor do desenvolvimento nordestino, já que graças a esta cidade trouxe o desenvolvimento equilibrado e firme e que soube equilibrar o progresso com dinamismo e equidade. Agora inventam que tudo que é bom tem que ser colocado naquela URBE, visto que lá o centro da cidade piegas deve ser propagado para psiquismo, com muita sinceridade.

Não esqueça jamais que os outros municípios merecem lugar ao sol e o progresso tem que ser exercido a toda a colônia caririense, acrescenteu eu. Ciro Gomes respondeu: Virão coisas boas para o Crato, não podemos esquecer esta cidade.
Respondi: só vendo pra crer.

Nessa mesma ocasião, aproveitando a presença do deputado Antônio Balmmam, consultei-o sobre o funcionamento do SEBRAE em Crato. Disse-me que ia muito bem e atendendo as anseios da população cratense, dando emprego com tecnologia moderna. Afirmei que havia muito desprezo nesta cidade, pois tudo era transferido para outro município sem a ressonância magnética firme e equilibrada do Crato.

Pois o cratense anda desanimado com a tecnologia governamental, já que as medidas dessas autoridades só cobrem o desejo do povo do outro município e o Crato marche lentamente a ver navio, caindo no arrefecimento. Note que foi do Crato que partiu o primeiro grito de independência; foi o Crato que lutou pela liberdade da província na Confederação do Equador no ano de 1824. Por isso ele merece lugar na região.
Afirmou-me o deputado: veríamos coisas boas quer na educação quer na indústria. Lamentou que sentia dificuldades nas doações dos terrenos para estabelecer esses investimentos em Crato, incluindo
essa implantação de indústria de renome.
Depois, querendo encerrar a conversa, querendo abafar as minhas mágoas disse: Virão para o Crato duas grandes escolas de nível superior, de grande envergadura tecnológica.
Com amargura respondi: Só isto? E o Crato não merece mais? Por que não traz grandes escolas para o Crato que venham contemplar os anseios dessa população? Por que meu Deus, esse desprezo pelo
Crato?
E agora nao querem sequer que a gente grite e reclame. É para ficar de boca fechada, dizendo amém? Não senhor, o cratense não merece isto. Todos partem para a luta, não desprezem o Crato porque também esta cidade merece ser contemplada, pois com a graça de Deus tudo será resolvido com paz e tranquilidade.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

26 de abril -- Dia de Nossa Senhora do Bom Conselho

Havia,  na idade média, numa igreja da cidade de Scutari - Albânia, -- onde o povo venerava com ardor -- uma imagem pintada  de Nossa Senhora do Bom Conselho, (ao lado foto do ícone) a que eram atribuídos  muitos milagres.  A devoção crescia vertiginosamente, até que  no ano de 1467, maometanos turcos invadiram e dominaram a Albânia, culminando em sérias conseqüências aos cristãos. 

A perseguição implacável, colocou a Igreja numa situação dificílima, de forma que muitos cristãos tiveram de abandonar o país e, os que ficaram, tiveram de permanecer na clandestinidade . Foi nessa ocasião,  que dois albaneses de nomes Solavis e Georgi, ao entrarem no santuário,  testemunharam um grande milagre, a princípio, muito intrigante. Uma nuvem divina rodeou a estampa de Nossa Senhora que foi como que retirada da parede e elevou-se ao céu, tomando a direção de Roma,  sobre o Mar Adriático. 

Os peregrinos, impelidos a seguir  sua trajetória,  passaram a  acompanhar a estampa. Com  muita confiança entraram no mar e passaram a caminhar  sobre as ondas a pé enxuto e o atravessaram até chegar às vizinhanças de Roma. Ali, a  estampa rodeada de nuvens foi se afastando até que acabaram  perdendo-a de vista. De acordo com a tradição popular, aos 26 de abril de 1467, esta pintura apareceu em uma das paredes de uma igreja, na cidade de Genazzano, localizada a 50 km de Roma. A devoção a Nossa Senhora do Bom Conselho é, pois,  bastante antiga. 
A pequena e pitoresca cidade de Genazzano é famosa pelo grande número de peregrinações que acontecem no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho.

Abaixo uma foto da cidade de Genazzano  

terça-feira, 24 de abril de 2012

Carybé - Emerson Monteiro







Hector Julio Páride Bernabó,
conhecido por Carybé, foi um artista plástico argentino que viveu na Bahia,
marcando presença com trabalhos de desenhista, ilustrador de livros, pintor, escultor,
gravador, nome expressivo da arte baiana do seéulo XX, ligado à elite que assinalou
fase marcante e trouxe fama internacional ao ricopanorama cultural da Boa
Terra.


Conheci  Carybé nos inícios dos anos 70, ao
desenvolver um programa do Banco do Brasil para divulgação do Cheque Ouro junto
 aos artistas e intelectuais. Abri sua
conta no banco e cuidei do acompanhamento desse novo cliente. Sempre que
precisava de resolver algum assunto na agência, ele subia ao terceiro andar,
indo me encontrar na Secretaria da Gerência.


Tipo alto, magro, de tez clara,
olhos acesos, roupas folgadas de características irreverentes, por vezes
manchadas de tinta ou cimento, isto quando produzia o célebre
painel que existe na confluência da Avenida Sete com a Rua Chile, em frente à
Praca Castro Alves. Usava sandálias japonesas ou andava de pés descalços,
alegre, simpático; merecia dos baianos afetivo carinho e continuado respeito;
amigo de Jorge Amado, de quem ilustrou o livro Gabriela, Cravo e Canela; de Floriano Teixeira, Mário Cravo Júnior ,
Dorival Caymmi, doseleto clã no qual fulgurava nos encontros da boemia consagrada
de seu tempo.


Já no Cariri, época do Navegarte,
em Crato, na década de 90, eu visitei exposição do artista, promovida pelo País
atrravés da Fundação Banco do Brasil, com desenhos retratanto os costumes e
pessoas representativos do povo da Bahia, com destaque para as dancas, a música,
a religiosidade, a capoeira, a pesca e as mulatas, fixação constante da obra de
Carybé, nas imagens pitorescas com que perenizou a vida comunitária rica em
cores e movimentos, tema bem próprioao talento dos gênios de seu porte.


Assim, paro e revejo de memória a
produção eclética de Hector Barnabó, Carybé, argentino de nascimento e baiano
de coração, um marco indelével das belas artes no Brasil da segunda metade do séculoque
passou.


24 de abril, dia de São Fidelis de Sigmaringa-- o co-padroeiro de Crato (por Armando Lopes Rafael)

Todo mundo sabe que Nossa Senhora da Penha é a padroeira principal da cidade de Crato. Poucos, no entanto, sabem que Crato também tem um co-padroeiro. Trata-se de São Fidelis de Sigmaringa, que antes de adotar este nome – ao se tornar franciscano – era conhecido advogado com o nome civil de Marcos Rey.

Segundo seu biografo Afonso Souza: “Inteligente e aplicado, Marcos Rey fez com sucesso seus estudos na católica Universidade de Friburgo, na Suíça. De elevada estatura, bela presença, semblante sério e sereno, Marcos era respeitado pelos professores e admirado pelos condiscípulos que, por sua ciência e virtude cognominaram-no de o Filósofo Cristão”. São Fidelis foi escolhido pelo fundador de Crato– frei Carlos Maria de Ferrara– há 272 anos – como co-padroeiro da primitiva capelinha de taipa, coberta de palha, erguida em 1740 no centro da então Missão do Miranda, embrião da atual cidade de Crato.
À esquerda A Mãe do Belo Amor, primeira devoção mariana do sul do Ceará. À direita, São Fidelis de Sigmaringa, co-padroeiro de Crato (Vitral da Capela do Santíssimo da Catedral de Crato)

Ainda segundo o seu biografo: “Como em tudo brilhante, em breve adquiriu fama e clientela. O Dr. Marcos Rey, no entanto, preferia as causas dos pobres às dos ricos, para poder defendê-los gratuitamente. Em suas defesas, jamais utilizou recurso algum que pudesse tisnar a honra da parte contrária”. Entretanto, Marcos Rey decepcionou-se com a advocacia e decidiu a abandoná-la, ingressando na ordem franciscana. Percorreu a Espanha, França, Itália convertendo multidões e passou a ser perseguido pelos radicais protestantes.

Foi à sombra do castelo de Sigmaringa, às margens do Danúbio, na Alemanha, que frei Fidelis encontrou refúgio, quando perseguido. Mas no dia 24 de abril de 1622, após celebrar uma missa, de volta ao castelo caiu nas mãos de soldados protestantes que o assassinaram. Foi beatificado em 1729, e canonizado 17 anos depois. O Vaticano o escolheu como o Protomártir da Sagrada Congregação da Propaganda Fidei.

sábado, 21 de abril de 2012

O simulacro de um julgamento -- por Armando Lopes Rafael

(capítulo do livro -- inédito -- "Pinto Madeira, o Caudilho do Cariri", de Armando Lopes Rafael)
Na foto abaixo, o que resta da antiga Casa do Senado da Câmara da Vila Real do Crato, onde houve o julgamento de Pinto Madeira, a maior farsa de um júri já realizada no Ceará
Recordemos que tanto o agora presidente da Província do Ceará, José Martiniano de Alencar, como o general Labatut deixaram oficialmente registrado que a Comarca de Crato não possuía juízes preparados e imparciais para julgarem os réus. Naquela época, era comum também o fato de os juízes serem ligados aos partidos políticos que disputavam o poder.

Alencar, em 1º de março de 1832, escreveu uma representação ao Ministro dos Negócios do Império, na qual constou esta frase: “Além disso, conviria despachar quanto antes um Ouvidor para a Comarca do Crato, pois não havendo ali um só Juiz letrado, nem haverá quem faça processo aos réus, caso sejam presos”. Já o general Labatut, em ofício escrito ao Ministro da Guerra do Brasil, em 14 de outubro de 1832, escreveu: “Como, pois, poderão ser julgados os réus por juízes inçados da mesma opinião dos partidos que assolam a província? Por isso rogo a V.Excia. se digne de atender ao meu último oficio do Icó, em que, conhecendo cabalmente os males que acabrunham a nova comarca do Crato, eu pedia juízes íntegros, justos e sábios por não haver um só letrado, em toda ela, os de paz e ordinários são mui leigos e pertencem a um e outro partido”.
José Martiniano de Alencar conhecia, pois, com profundidade, o despreparo e a precariedade do aparelhamento jurídico da Comarca do Crato, comandada por pessoas a quem faltava – além do conhecimento jurídico específico – o necessário discernimento e equilíbrio para o exercício do múnus do Juízo.

Pois foi nesse ambiente que, em 26 de novembro de 1834, Pinto Madeira compareceu perante um tribunal popular para ser julgado. Em 14 de abril de 1830, quatro anos e sete meses antes do seu último julgamento, Pinto Madeira tinha enviado ao Ouvidor de Crato um requerimento no qual nominava seus inimigos. No requerimento de 1830, ele relacionou diversas pessoas, pedindo que não as convocassem para testemunhar, na devassa que estava sendo movida contra sua pessoa. Da antiga relação quatro nomes agora participavam do julgamento do caudilho: o tenente-coronel José Vitoriano Maciel, atuando como juiz leigo que presidiu ao júri; Romão José Batista, José Ferreira Castão e Antônio Ferreira de Lima, como integrantes do Conselho de Sentença. Os demais jurados – José Gregório Tavares, Raimundo José Camelo, Manoel Joaquim Carneiro, Raimundo Gonçalves Parente, Manoel Carlos da Silva, Roque de Mendonça Barros, Antônio de Oliveira Carvalho, Raimundo Pedroso Batista e Antônio Luís do Amaral – eram todos inimigos do réu.

Como promotor de justiça, atuou o major Antônio Raimundo dos Santos. Funcionou como advogado de defesa, o padre Manuel dos Santos Brígido, vigário de Exu, município pernambucano vizinho a Crato. O escrivão foi Antônio Duarte Pinheiro. Pesava contra Pinto Madeira a acusação de crime de rebelião contra a ordem constituída. Não foi este, porém, o delito apresentado contra ele, no julgamento de 26 de novembro de 1834. Pediram sua condenação à pena última, “pela morte feita ao bom cidadão Joaquim Pinto Cidade, que desgraçadamente foi preso pelas tropas do malvado, na ocasião em que marchavam contra os habitantes desta vila (de Crato), no dia 27 de dezembro de 1831”. Foi isso o que foi relatado no ofício assinado pelo juiz leigo José Vitoriano Maciel, e enviado ao presidente da Província do Ceará, padre José Martiniano de Alencar, no dia seguinte à condenação do réu.



Ao deixarem o libelo político, optando pela acusação da morte de Joaquim Pinto Cidade, o objetivo dos inimigos de Pinto Madeira era julgá-lo por um crime comum, ficando assim o réu sem justificativa nem escapatória. Na sua defesa, Pinto Madeira não negou que liderava as tropas revoltosas. Afirmou, no entanto, que não conhecia Joaquim Pinto Cidade. Nunca o tinha visto e negou qualquer participação na morte do liberal cratense. Declarou, ainda, que ao chegar ao Sítio Brejão, já o encontrou morto, mas ainda teve tempo de impedir outra morte: a de um companheiro do liberal cratense assassinado antes da sua chegada.

“Das trinta testemunhas de acusação vinte depuseram que sabiam do fato somente por ouvir dizer; três disseram nada saber; duas ouviram os tiros que mataram Pinto Cidade. Duas afirmaram que ele foi morto pela tropa de Pinto Madeira; uma assegurou conhecer o caso, por ser de domínio público. E unicamente uma presenciou e viu o comandante da vanguarda, (Francisco Xavier Matos, vulgo Veneno), e seus soldados atirarem na vítima, depois de aquele ter estado com Pinto Madeira... Testis Unus, Testis nullus” (Uma testemunha, nenhuma testemunha).

“Compareceram somente três testemunhas de defesa. O juiz não permitiu que se transcrevessem por escrito os depoimentos de duas. O da terceira foi totalmente invertido. Ela protestou com energia. Ao sair do tribunal, deram-lhe tão bárbara surra que deitou sangue pela boca! “a visto disso, o réu pediu ao seu advogado que desistisse da inquirição das outras”.

“Ao conselho de sentença o juiz logo apresentou os seguintes quesitos: 1 – Existe crime no fato ou objeto da acusação? 2 – O acusado é criminoso? 3 – em que grau de culpa tem incorrido? As perguntas, capciosas em si, não deixavam margem a evasivas. Era pão-pão, queijo-queijo. O conselho respondeu sim às duas primeiras e capitulou o crime, com circunstâncias agravantes, no art. 192 do Código Criminal, o que correspondia à pena máxima. O presidente do tribunal leu, por conseguinte, a sentença de morte.

Quando terminou a leitura, Pinto Madeira disse calmamente:
– Apelo!
O juiz José Vitoriano replicou-lhe com arrebatamento:
– Não tem apelo nem agravo, senhor coronel, prepare-se para morrer que morre sempre – conforme foi testemunhado pelo Dr. Leandro de Melo Ratisbona – (30)
Pinto Madeira foi levado de volta ao cárcere. Às seis horas da tarde, os sinos da Igreja de Nossa Senhora da Penha começaram a dobrar finados. Perguntou por quem eram aqueles dobres. O comandante da guarda, sargento Manoel José Braga Coelho, respondeu com crueldade:
– São pelo senhor que vai morrer amanhã de manhã.

Pinto Madeira não deu uma única palavra.
(Depoimento da testemunha presencial Amaro Ferreira da Silva, cfe. citação no livro “História Secreta do Brasil”, volume II, Gustavo Barroso, página 153).

Abaixo placa colocada no que resta da Casa do Senado da Câmara da Vila Real do Crato


Notas de “ O simulacro de um julgamento”
(30) FIGUEIREDO FILHO, José de. História do Cariri–Volume III. Edição da Faculdade de Filosofia do Crato, 1966. pag. 41-42

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Faleceu o advogado e bancário aposentado Hélio Teles Pinheiro


Faleceu o bancário aposentado do Banco do Brasil e advogado cratense Hélio Teles Pinheiro, filho Dona Ester e de Gilberto Dummar, saudoso radialista, que se notabilizou como um dos apresentadores do programa Juca e Jeremias, pela Rádio Araripe do Crato.

Hélio cresceu sob as sombras dos oitizeiros do antigo Parque Municipal, hoje Praça Alexandre Arraes, no bairro do Pimenta, em Crato, quando, na adolescência, integrou os movimentos artísticos cratenses e participou dos lendários festivais da canção que ocorreram em Crato na década de 1970.  

Funcionário aposentado do Banco do Brasil e advogado militante, também conhecido, entre os amigos mais próximos, pelo carinhoso apelido de “Manga Rosa”, devido à cor de sua face, - era uma pessoa que amava a vida em toda sua plenitude. Violonista, era um boêmio que alegrava os ambientes que frequentava, como o Restaurante Guanabara (O Neném) e, ultimamente, o Cantinho do Pimenta.

Pessoa amiga e amável, caridosa e prestativa, sempre tinha uma palavra de apoio e de carinho para com os seus interlocutores. Nos últimos anos, passou a frequentar assiduamente o Terço dos Homens, que acontece todas as quintas-feiras na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

O seu exemplo de pessoa íntegra, honrada e ética foi motivador da construção de um enorme leque  de amizades sinceras e perenes. Portanto, sua partida desta dimensão física, deixa uma profunda tristeza e uma imensa saudade em todos aqueles que tiveram o privilégio do seu convívio.