Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

sexta-feira, 24 de julho de 2009

No ho l´etá - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando compreendi o que me dizia, poderia ser, mas não foi uma decepção. De fato estava confuso. Era uma menina de 10 anos, eu tinha 19, não podia admitir, mas ambos nos apaixonáramos. Ela, um pássaro voando, eu penitente no estrado do confessionário. Jamais poderia dizer o que sentia, mas ela não tinha dúvida, enquanto eu negava. Admitia que não pudesse admitir. Hoje sei que estava apaixonado, mas na ocasião desempenhando o papel do adulto ético, um horror à paixão pedófila. Enquanto representações sinceras, eram outros os sentimentos. Trairiam a firmeza ética? Sim.

Mas não de momento, qual fraqueza de ocasião. Uma traição ao longo do tempo.

Irmã de um colega desde os tempos da alfabetização. Lembro quando a família comemorou o nascimento da menina. O seu crescimento, brincado, atrapalhando nossos esforços de estudo, sempre pedindo que eu desenhasse em folhas de papel que roubava do pai, paisagens e interiores de casas para brincar. Com o desenho no chão, as bonecas, carrinhos, miniaturas de animais, daquele cenário tosco, do aprendiz de desenhista, ela fazia um enredo sem igual. Perdi concentrações nas notas de colégio, observando, sem querer admiti-lo, a narrativa fantástica que bordava sentimentos.

No aniversário de sete anos. Eu tinha 16 anos, já me abraçava às adolescentes em boleros de corpos fundidos, nas matinês do clube social. Ludibriava a censura na porta do cinema para assistir os filmes de 18 anos. Fumava, me embebeda, lia romance, ouvia rock, trocava revistas do Carlos Zéfiro. Não fiquei tuberculoso com tamanhos esforços, nem a mão criou cabelos. Mas fui ao aniversário, apesar da pouca oferta naquele mundo infantil. E os olhos hipnóticos do coração retiraram com um simples espinho minha armadura juvenil:

- Eu vou me casar contigo e a teu lado viver a vida toda brincando.

Confissão que provoca riso. Cara de príncipe encantado, piadista de salão, queria disfarçar a intensidade do olhar dizendo tais palavras. Para equilíbrio na cena insegura, contei histórias de contos de fada, mas ela não mudou o olhar. Era firme e certeiro como são as convicções da história. Uma vez dito, aconteceria.

Quando compreendi a cena, a sombra do pecado cobriu meu coração. Viera jantar com a família, pois iria para a capital fazer universidade. O meu colega saiu com a namorada, os pais foram ao cinema, mas a menina, então com 10 anos, pediu-me para ficar um pouco mais e ouvir um disco.

Ela me deu a mão quente e puxou-me na direção da vitrola. Um perfume de paraíso saia dos seus cabelos, os seios nascentes despontavam sob o tecido fino, a cintura afinava e os quadris se avolumavam. Enquanto o mundo girava com as mudanças no corpo da menina, disfarçava de mim mesmo, o que sentia ao observá-las. Levou-me até um sofá junto à janela. Ligou o som, pôs o disco que despencou no prato feito meu sentimentos. Começava a girar e a agulha a correr os sulcos e ela sentou-se a favor da luz da sala, deixando seu rosto iluminado face ao meu. Olhar profundo e muda enquanto a música tocava. Em italiano, na voz de Gingliola Cinquetti, um tom de menina cantando:

Non ho l´etá. Non ho l´etá..per amarte...No ho l´etá... Per uscire solo con té.

Fervia e gelava em ondas sucessivas. Na música a mesma promessa de três anos atrás: Deixe que eu viva um amor romântico, na espera que chegue aquele dia. Não tenho idade. Para amar-te. Se você quiser. Se você quiser. Esperar-me naquele dia. Terá todo o meu amor por ti. A vitrola fez a última volta do compacto e desligou.

Ela foi comigo, sem dizer mais nada, até a porta de casa. Estiquei o braço para despedir-me e ela cobriu meu cumprimento com ambas as mãos. Mas não pronunciou sequer um adeus. Apenas prendia-me na eternidade com seu lindo e profundo olhar verde. Eu balbuciei algo como:

- Esperarei.

Esperei durante todo o curso universitário. Filho de pais pobres, trabalhando, fiquei seis anos sem voltar à cidade. A marca de uma linguagem simbólica, enviava cartas com uma única frase: a cada dia a espera diminui. Uma meizinha para minhas paixões arrasadoras à proporção que recebia a resposta de volta. Não eram letras, bilhetes ou poemas. Dentro do envelope a foto de uma menina virando adolescente, a adolescente se tornando o ente mais lindo que o mundo inventa em natureza de mulher. A vida e suas magnitudes por razão de viver. Apelei ao espiritismo: fôramos amantes em vidas passadas. Amor riscando o zênite da eternidade.

No início do sexto ano da minha ausência, as fotos continuavam afirmando a linda mulher, mas o cenário havia se modificado. Tinha Recife ao fundo. No final daquele ano a beleza dela era irretocável, mas a moda da roupa se modificara. Estilo mais militar, calças, jaquetas, cabelos presos, um ar de masculino feio como se fosse possível. No sétimo ano, assim que completei o curso, tratei de ser contratado na minha cidade.

Viver a prometida plenitude, embora a espera fosse um grande motivo para se viver. Assim que cheguei à cidade, um bilhete para ela: agora terás todo o meu amor. No meio do ano as fotos foram paulatinamente ficando coletivas, ela e um grupo de mulheres e depois com outros homens. Nas férias ela estava atolada de estudos e não veio. No final desse ano a quantidade de fotos diminuiu.

Após a passagem do ano, um bilhete dando-me o horário de chegada à cidade. Com meu carro fui até a rodoviária. Ela desceu iluminando a rodoviária. Mais que as fotos. Não a beijei, continuava encostado à barreira entre a menina e o adolescente. Fui saindo, lentamente, da rodoviária. Ela pediu-me para subir um morro que dominava a cidade e no qual havia um belvedere. Ficamos olhando a nossa cidade, ainda sem dizer palavras, tramando o futuro. Nisso ela foi até o bagageiro e pegou um gravador. Sentou-se ao meu lado e o ligou.

- Caminhando contra o vento. Sem lenço e sem documento...No sol de quase dezembro eu vou.

Olhando para a cidade, nem uma vez para mim, continuou ouvindo a fita, agora em outra música:

- Soy loco por ti América....Soy loco por ti amore.....Estou aqui de passagem, sei que adiante um dia vou morrer, de susto, de bala ou vício...

Agora explico os sentimentos traídos ao longo do tempo. Ela no movimento armado contra a ditadura, foi para o exílio e hoje está casada com um Canadense e mora na Austrália.

Cantoras do Rádio - Trailler - Estreou 9 de Junho passado- Quem viu? O que achou ?

Apresentação do Madrigal Intercolegial, na noite do dia 17.07.2009 - Por Joaquim Pinheiro

...E O MONS. MONTENEGRO ESTAVA NA APRESENTAÇÃO DO MADRIGAL

Durante a belíssima apresentação do Madrigal Intercolegial, no último dia 17.07, não me contentei em ver o espetáculo do térreo.

Subi até o primeiro andar para ter visão de outro ângulo. A cena do alto era tão bonita que arrisquei tirar uma foto, mesmo sabendo que a chance de obter imagem nítida era pequena, uma vez que minha máquina é das mais simples, sem muitos recursos. A foto ficou desfocada, mas captou a figura do Monsenhor Montenegro, presente através de banner colocado pelos organizadores. Dá a impressão que o homenageado, falecido há alguns anos, assistia ao show em sua homenagem.

.
Joaquim Pinheiro

Último Encontro

Fiz o papel de bobo
como todo poeta
ao levar um pé na bunda.

Agora que lhe afaguei o ego
e sinto sua autoestima elevada

deixo-a sozinha,
vou galinhar na praça.

Minha lágrima,
o vinho que bebo -

fermenta o peito,
mas logo passa.

Bolinho de Chuva - Por Anita D.Cambuim





Pois é, ainda chove.

Gotinhas prateadas brincam de escorregador na minha vidraça.

O sábado passa.

Tive vontade de comer bolinhos de banana salpicados com açúcar e canela:

bolinhos de chuva.

Ninguém mais me fará bolinhos iguais aos dela.

Observo os pingos de chuva escorrendo... escorrendo...

Sopro a vidraça e desenho um coração,

como fazia quando a gente morava na casa amarela.

Hoje, a casa está vazia e o meu peito repleto de lembranças.

Gotas brotam dos meus olhos e escorrem... escorrem pelas minhas faces...

Chovendo me vejo.

Embaçaram meus óculos... alguém os terá soprado?

Talvez.

Ao retirá-los, percebo algo desenhado.

Reconheci o contorno daqueles lábios:

- Mãe, foi como se mais uma vez você tivesse me beijado!
.
Anita C.Cambuim

UM CONTO SUFI – CONTO TRADICIONAL DA SABEDORIA ÁRABE

(TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)

Conta-se que, numa cidade do interior, um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia: um pobre coitado de pouca inteligência, que vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam à ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 réis e outra menor, de 2.000 réis. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.

Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos:

"Eu sei - respondeu - não sou tão tolo assim. Ela vale cinco vezes menos. Mas, no dia em que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e eu não vou mais ganhar minha moeda."

Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa:

* A primeira: - Quem parece idiota, nem sempre é.
*A segunda: - Quais eram os verdadeiros bobos da história?
*A terceira: - Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.

Mas a conclusão mais interessante é a percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito. Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim o que realmente somos.

”O maior prazer de um homem inteligente é poder bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente.”*

Créditos:
Imagens: Jupiter Images e Google
Música: Cathar Rhythm – Era
*Acervo do Grupo Sintonia Elevada
Formatação: Maristela Ferreira

A Poesia de Ana Cecília de Sousa Bastos







Uma poesia em tom menor, feita de impressões, miudezas, vestígios do dia. É desse modo que vejo a poesia da baiana Ana Cecília de Sousa Bastos. Ela mesma diz: "Acho que faço uma poesia assim, de um canto de jardim, de uma rede na varanda, não dos salões".

Nascida em Salvador, ela vem de uma família cearense. Por isso passou a infância, como diz, entre o mar da Bahia e o pé-de-serra da Chapada do Araripe, no Crato, Ceará. Quem sabe essa vivência entre o mar e o sertão tenha aguçado a observação da menina para ver e sentir coisas e pessoas e transfundi-las em versos, obedecendo "à doce tirania da palavra".

Psicóloga e professora da UFBa, ela escreve desde a adolescência. Fez uma edição de autor aos 22 anos e andou publicando textos esparsos. Em 1999, Ana Cecília conquistou o prêmio Copene/Fundação Casa de Jorge Amado, com o livro Uma Vaga Lembrança do Tempo.

Desse livro extraí os poemas ao lado. Em "Da Dor", a poeta procura entender e até localizar fisicamente o sofrimento moral. Mas, no final, em manobra bem drummondiana, foge para uma lembrança de infância. "Jugo" e "Vestígios" são poemas preocupados com o próprio ofício poético. É a mão do poeta mexendo no formigueiro das palavras. "Agenda", por sua vez, propõe indagações existenciais. "De todas as perguntas", afirma o poema, "só quero reter a centelha".

Carlos Machado



DA DOR

A dor é algo como se não fosse.
Derrapagem à beira do abismo
(aquele como se não estivesse).
Holofote sobre escura porção de sombras.
Eco à revelia do próprio eu
re-ver-be-ra-ção
por sobre o dia.
Fissura aberta minando,
ora esquecida ora sempre,
em alguma parte do corpo
como se fosse o todo.

Dasdô?
Na infância era uma prima
e seus olhos encovados.


JUGO

Obedecer à doce tirania da palavra.
Anular censura, momento, lugar.
Deixar no papel o verso líquido,
esse pálido espelho da alma.
Enquanto deixo-me estar,
impressionada pela cor da palavra
"pálida".


VESTÍGIOS

Estranha pulsão, esta:
derramar no caderno porções de alma.
A mão, captando sinais invisíveis.
Lenta, no formigueiro em marcha.
Absolutamente só,
enquanto todos perseguem a sagrada hora do
[ trabalho
e dos compromissos bancários.

E depois, palavras escondidas em oculto caderno,
papel rasgado, para que delas não sobrem
vestígios.


AGENDA

Decididamente não me interessam as vãs soluções,
nem as posições corretas
— essas respostas que a gente busca na opinião
[ informada,
antes de conferir o próprio desejo;
nem os dados que o banco ou a polícia já guardam por ofício,
nem como envelhecemos igual
— por força não da idade, mas do hábito.

De todas as perguntas,
só quero reter a centelha.

Desejo saber a que horas do dia encontro no céu
[ este azul de agora.
Desejo saber a que horas da vida há este sorriso
[ nos olhos dos filhos.
Desejo saber quanto dura a paixão pela vida.



poesia.net
www.algumapoesia.com.br
Carlos Machado, 2004
Ana Cecília de Sousa Bastos
In Uma Vaga Lembrança do Tempo
Fundação Casa de Jorge Amado/Copene Salvador, 1999

Identidade( II) - Ana Cecília de Sousa Bastos


Somos oceano nas extremidades.
Contemplo minhas unhas,
conchas do mar.
Ver essas partes de nós que tanto brilham traz uma ilusão
de acabamento e completude.
Somos oceano,
peixe e cautela,
flutuação e peso em luta na água,
correnteza e vida.
Somos ave e liberdade.
E nada quero dizer do amor.
Alheio-me, abstraio-me,
ânsia e vertigem,
sonho de profundidades inauditas,
mergulho sem fim.



Ana Cecília de Sousa Bastos


P.S. Para quem não sabe, Ana Cecília é filha do estimado casal Dr. Jose Newton Alves de Sousa e Maria Rute Barreto de Sousa. Saudosos educadores , de suma importância , na formação educacional da geração cratense ( anos 60 e 70) . Diretores do extinto Colégio São João Bôsco ; Professores da Faculdade de Filosofia do Crato ( URCA).

Ele, Diretor fundador.

Devo-lhes o mérito de gostar , e viver a intimidade cultural com todos aqueles que se deliciam com a arte e a cultura.

Estou adentrando na poesia de Ana Cecília com verdadeira admiração !

Sem esquecer que, lembro-a, na meninice e adolêscência, colega de minha irmã Verônica, já destacando-se nas letras. Longe de surpreender-me , sinto-me orgulhosa por conhecê-la , e testemunhar a sua sensibilidade e competência, em todos os versos, que até hoje eram para mim silenciosos.

Socorro Moreira

Dona Almina Arraes - Talento na Maturidade - Por Socorro Moeira


Inútil tentar falar sobre Dona Almina... Não tenho a melhor palavra, embora tenha a melhor das emoções.
Casa linda, personalidade física da Rua Dr. João Pessoa.


Sua prole: Maria Amélia, Joaquim Pinheiro, Maria Edite, José Almino ,Antonio César, Maria Benígna.

Irmãs em sangue e alma: Dona Alda, Dona Anilda, Dona Almina.
(Ausência na foto de Violeteta , Maria Alice, Lais,Miguel)

Aos 84 anos , saúde e lucidez.
Pinta, visita e recebe os amigos, navega na internet, escreve.



"Casa na cidade do Crato-CE, que meu pai passou 10 anos construindo (1938/48) mas morou apenas 10 meses, falecendo no mesmo ano que para ela se mudou. Conhecida como Casa de Vovó - minha residência ".(Almina Arraes)
Delicadeza e fidelidade nos traços ; cores ternas de intensa luminosidade; o frescor da flora; o silêncio e a paz dos mosteiros ; o abrigo de uma família nobre; patrimônio ontológico nosso.
Essa é a alma de Dona Almina.
-Trabalho em tela maravilhoso !!!
P.S. Quem sabe dessa linda mulher, se pronuncie... Postaremos a complementação , na sequência.
.
URGENTE !!!
Entrem no site e deixem comentários e voto, na obra de Dona Almina .



Melodia Imortal - Sessão IV - Por Zélia Moreira


Pra hoje tinha pensado em um filme, mas lendo o artigo de Joaquim Pinheiro, pensei em outro.
Romina Power...Tyrone Power...Melodia Imortal.
Um dos melhores filmes que assisti.
Conta a história do pianista Eddy Duchin que entre as décadas de 1930 e 1940 encantou o mundo musical, mas conheceu o sabor da amargura quando sua mulher e grande amor, morre ao dar à luz ao seu primeiro filho.
Alternado com momentos de alegria e tristeza, tem seu ápice, (afinal somos bairristas), na cena em que Eddy toca" Aquarela do Brasil." Dá um imenso orgulho ser brasileiro.
Dramas à parte, o que tem de melhor em Melodia Imortal, para os apreciadores de uma boa música, é sua trilha sonora ( executada pelo piano de Carmem Cavallaro).
Um significado especial tem pra mim este filme, esta trilha sonora...Foi através dela que fui apresentada e me apaixonei de cara por Noturno de Chopin.
datado de 1956(ano do meu nascimento).Tem no elenco Tyrone Power, no papel de Eddy Duchin e Kim Novak(linda, talentosa, fenomenal!), no papel de Marjorie sua primeira mulher.
Melhor do que ficar falando ou lendo é conferir as cenas! Vamos lá?




Carlos Galhardo - Rapaziada do Brás -Para Norma Hauer

Carlos Galhardo - Por Norma Hauer



24 ANOS SEM CARLOS GALHARDO


Chegar ao dia 25 de julho é trazer toda uma lembrança de algo que preferia que não tivesse acontecido, mas que fazer? Aconteceu!

E se não fosse nessa data, seria em outra. Não podemos fugir a nossos destinos. Todos aqueles que embelezaram nossa infância, nossa adolescência, nossa maturidade já partiram.

Mas foi duro ver Carlos Galhardo partir naquele 25 de julho há 24 anos. É muito tempo...
24 anos sem Carlos Galhardo,24 anos sem aquela presença de uma pessoa amiga, agradável, que só nos proporcionava beleza.

É duro relembrar que já se vão 24 anos!!!

24 anos de um vazio dentro de nosso coração, de uma tristeza em nosso ser, de uma grande mágoa que não nos abandonará.

Ouvi-lo é fácil, basta fazer rodar um disco,seja de 78 rotações, seja um LP ou um CD, até mesmo um MP3; afinal estamos vivendo uma época de grandes transformações que Carlos Galhardo não viveu.

Mas estamos aqui, frente a um computador, onde podemos marcar nossa saudade ao mesmo tempo que podemos ouvi-lo como se aqui estivesse.

E AQUI ELE ESTÁ!!!

Ouço-o, vejo seu retrato, posso vê-lo no vídeo gravado de algum programa de trelevisão.
Pelo menos isso é possível.

Mas, principalmente, posso sentir sua presença!!! E Ouvir seu canto...

"No apartamento azul
Do nosso coração.
Há rosas de Istambul,
Em jarros do Japão..."

Carlos Galhardo, você está presente mesmo passados 24 anos de sua ausência.

OBRIGADA!!!


Norma Hauer

Paixão Fulminante - Por Joaquim Pinheiro




Início dos anos 70, apartamento de dois quartos no bairro da Torre, Recife, 6 acadêmicos, todos cratenses, assistiam um festival de músicas italianas numa TV preto e branco. Exceto o Dr. Cori, os demais eram primos entre si. O papo rolava solto, nem as músicas nem os intérpretes monopolizavam a atenção do pequeno grupo de telespectadores. De repente, um primo deu um salto e exclamou: Que coisa linda!!! Pregou os olhos no monitor e acompanhou a apresentação até o final como se estivesse em transe. Paixão fulminante. No dia seguinte, o primo percorreu as lojas de disco da cidade em busca do LP daquela musa, da qual só sabia o primeiro nome. Recorreu a um vizinho jornalista com trânsito na Rádio Jornal do Comércio para conseguir fotos da cantora. Dois ou três meses depois da aparição na TV, o “Romeu” cratense, então morador da Rua Conde de Irajá, entrou em casa com semblante de ganhador de medalha de ouro mostrando, como troféu, uma página de revista italiana com a foto preto e branco da cantora que arrebatou seu coração. A ilustração permaneceu algumas semanas afixada na parede ao lado do beliche do apaixonado e depois desapareceu. Ignoro como e quem deu fim à ilustração.

Há poucos dias, recebi um e-mail com endereço eletrônico do youtube e, para minha surpresa, a personagem era a artista responsável pela perturbação amorosa do primo. Trata-se de Romina Power, filha do famoso artista de filmes épicos de Hollywood, Tyrone Power. Para os padrões dos anos 60/70, era realmente linda. Confiram.





Joaquim Pinheiro

Laboratório dos repentes - Magali, Carlos,Claude, Socorro, César e Zé do Vale- (Foto de Pachelly Jamacaru)


Pequi é fruto gostoso
Da Chapada do Araripe
Quem come dele é formoso
E nunca pega uma gripe ( rindo)

No painel da alegria
meus amigos se agregam
o amor dessa magia
Junta os afins que se apegam.

Feliz estou, vendo só?
Comi arroz com pequi.
Para ninguém de mim ter dó
Sirvo doce de buriti.

O cratense que se preza
Toma banho na nascente
A água é limpa e desprega
Toda a sujeira da gente. ( rindo)

A saudade que eu sinto
é de mim e de você
dessa gente que não vejo
e que é meu bem querer

choveu tanto nessa noite
que gripou o Cariri
vejo brumas lá na serra
eu só não vejo é pequi.

O luar na Serra Verde
É o mesmo que eu vi
Quando chego lá no Crato
no Vale do Cariri

Lá de cima da chapada
O luar então se encanta
Se espalha na madrugada
Até quando o sol se levanta

Água doce em rocha escura
é seiva viva pra mim
no encanto da roseira
existe também capim.

Não há outro abraço como o teu,
perfurante com a flor dos teus olhos,
tantos braços, dores, tanto ardor,
Não há outro abraço como o teu,
doce como juá, sumarento feito caju,
disfarçando teus abraços de mandacaru.

Neste mundão de meu Deus
Todos nós somos irmãos
Não se despreza ninguém
Nem o Pedro Cabeção

Coração vermelho forte,
como retalhos de panos
tem pontes, pontos e pregas
e garantia de anos.

cigana que lê a sorte
no faz de conta da vida
não enxerga a nossa estrela
mas pensa que tem um guia

Deus me deu esse pendor
pois não ganhei de Tandor
de cantar as minhas loas
aqui pro nosso doutor.

Maria Caboré (Mote)

As perseíades de Agosto

Imortalizados em duas constelações , Perseu e Andrômeda, no céu se observam, mas choram a separação. As lágrimas caem como chuva de estrelas - são as perseíades . Ocorre todos os anos em meados de Agosto, vindas da constelação de Perseus .

"Situada a Sul da Cassiopeia, entre o Pégaso e o Perseu, Andrómeda é uma constelação que teve origem na mitologia grega. Neste mito são referidas outras constelações relacionadas com ele, como a Cassiopeia, Cefeu, Perseu e Baleia.
Segundo essa lenda, Cassiopeia era rainha e mulher do rei Cefeu. Juntos, reinavam no então chamado reino da Etiópia (note-se que esta Etiópia é lendária e não coincide com o actual país, do mesmo nome, sendo que este reino incluía territórios que constituem, nos nossos dias, Israel, Jordânia e Palestina).
Juntos tiveram uma filha, de seu nome Andrómeda. Cassiopeia, que era mãe de Andrómeda, era uma mulher muito bela, mas tinha um grande defeito: era muito vaidosa. E, um dia, ao pentear os seus longos cabelos, vangloriou-se de ser ainda mais bela que as cinquenta ninfas do oceano, chamadas Nereides (filhas de Nereu e Dóris).
Ao saberem disto, as Nereides foram queixar-se a Posedion (Deus dos mares, na mitologia grega), pedindo a este que desse uma lição à rainha da Etiópia.
Posedion enviou então um monstro (representado pela constelação da Baleia) com o objectivo de devastar as costas do reino de Cefeu e Cassiopeia.
Preocupados, os súbditos do rei pediram-lhe uma solução, pelo que Cefeu se dirigiu ao oráculo de Ámon, a fim de obter uma resposta. Ao recebê-la, ficou aterrorizado: para que a fúria do monstro fosse amainada, Cefeu teria de oferecer a sua filha Andrómeda, como sacrifício, à Baleia.
Não vendo outra alternativa, Cefeu decidiu amarrar Andrómeda a um rochedo, à espera que esta fosse devorada pela Baleia.
Porém, Perseu, herói conhecido por ter morto a Medusa (monstro cujos cabelos eram serpentes e que tinha o poder de petrificar quem olhasse para ela) viu Andrómeda naquele tormento e perguntou-lhe o que se passava, pelo que esta lhe contou a triste história que a envolvia.
Perseu dirigiu-se então aos pais de Andrómeda e, depois de a ter pedido em casamento, usou a cabeça da Medusa para petrificar a Baleia.
De seguida, Perseu libertou Andrómeda do rochedo a que estava presa e acabaram por se casar, sendo que, desta união nasceram seis filhos, dos quais se salientam Perses (antepassado dos reis persas) e Gorgófone (mãe de Tíndaro, futuro rei de Esparta). "

quinta-feira, 23 de julho de 2009

As estrelas por nomes de mulheres - Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Os pequenos fazendeiros do nordeste eram tudo: pecuaristas, criadores de bode, galinha no terreiro, porco no chiqueiro, legumes e algodão, alguma tarefa de maneio e a feira por dinheiro. Por isso mais do que singela, é sincera a estrofe do boiadeiro: são dez vaquinhas é muito pouco é quase nada...

E aquele homem rico como o pretendente de Xanduzinha, dava nomes ao seu rebanho. Assim como os primeiros observadores dos céus. Quando a visão do universo afinal desmedido ainda se fixava em constelações e estas em estrelas. E como eram lindos os nomes das estrelas, pela inteligência da civilização árabe, pela filosofia dos gregos e dos arautos do império romano. Quem sabe algo da Pérsia, talvez do Hindustão ou do Império Chinês.

Como é bom abrir a porteira da noite e ficar pastoreando as estrelas do firmamento. Tão lindos nomes femininos que gostaria de procriar tantas mulheres só para lhes dar os nomes das estrelas. Ficar na beira do universo pronunciando a cada sílaba os seus nomes. Chamar uma delas de Acamar, aquela que habita a Constelação de Eridam; ou Adara em Cão Maior; Al Nair no Cruzeiro do Sul; Albireo, Alcor, Aldebaran a alfa da Constelação do Touro. E em Perseu achar Algor; seguir adiante com Alhena e Alpha Centauros. Corre o olhar até Altair, Alzir, Antares na Constelação do Escorpião.

Quando encontramos Atlas e temos uma que se chama b.u.n.d.a uma sigla na grafia certa. Betelgeuse em Orion; Canopus, Casto, Chara, Decrux, Diadem, Electra, Furud, Gianfar, Grumium, Hadar, a nossa pequenina, miudinha quase nada Intrometida do Cruzeiro do Sul. Jih, Kaus australis; Lys, Lúcida Anseris; Mayara na Constelação do Touro. Megrez, Merga, Mimosa, Miram, Muscida, Naos, Nashira, Nusakan; Pleione, Praecipua e Prócion que é a Alfa de Cão Menor. Rana, Rasala, Sargas, Shaula, Sualocin, Tania Borealis e a Tania Autralis, Terebellum, Tyl e Zavijava.

Mas os rebanhos cresceram tanto, os telescópios foram ao limite da máquina e são tantas galáxias, mais do que pensávamos das estrelas, que tudo deixou de ser nomeado. Agora são códigos incompreensíveis e áridos como a linguagem binária dos computadores.

Início

O tempo me olha
com os cílios caindo.

Nem tempo tive
de fazer mágica
com os dedos.

Falta o sonho
umedecer.

Pensamento para o dia


PENSAMENTO PARA O DIA – 23/07/2009
"O homem deveria manter sob controle a fonte do prazer e da dor. Mais que o prazer, é a dor que desperta a sabedoria no homem. Se estudar as vidas dos grandes homens, você descobrirá que foi a partir da dificuldade e da dor que eles obtiveram a sabedoria. Sem tristeza não pode haver sabedoria. É a dor que ensina muitas lições ao homem. Não percebendo essa verdade profunda, o homem procura incessantemente o prazer. Sem dúvida, o homem precisa ser feliz. Mas, como essa felicidade pode ser alcançada? O homem percebe a felicidade somente quando a tristeza é superada. Portanto, todos deveriam dar boas-vindas à tristeza com o mesmo espírito que saúdam a felicidade. Dor e prazer estão misturados e ninguém pode separá-los. O prazer nunca é encontrado separadamente. Quando a pessoa é aliviada da dor, ela experimenta o prazer".
SATHYA SAI BABA
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NOTA: É verdade...no rio da Vida existem duas margens existenciais...temos que ter sabedoria para transmutar do lado negativo para o positivo da existência: da dor para o prazer, da tagarelice da mente para o silêncio de Deus, do homem para a Divindade. Esse é o caminho..
Existem técnicas orientais que nos ajudam nessa travessia.
Em 1988 durante a minha crise de identidade-existencial pude experienciar as duas margens e sou testemunha de que somos os dois lados simultaneamente. Mas, através de técnicas específicas podemos visitar por mais tempo a margem positiva...e assim descobrir todos os valores nobres, inclusive o AMOR MAIOR.

"Mim, e umas noites" - Por Socorro Moreira


Até a poesia do teu silêncio , me preenche !
O mar ... Beber ou atravessar ?
O céu ... da Terra se aproximar ?
E o encontro, na linha do hoizonte ,
em que janeiro será ?
Você me oferece um prato de si e uma noite
Eu te devolvo , num prato vazio,
cheio de mim e umas noites !

Ícaro

Olhos fitos na avenida, tudo parecia inimaginavelmente diminuto. Dali de cima, as coisas se desencadeavam em slow-motion, como se à distância a vida não tivesse pressa. Os homens e os veículos se deslocavam lentamente, como se adivinhassem premonitoriamente que a correria é um anzol lançado pelo abismo. Soava, em meio a tudo ,um silêncio grávido e perturbador. Seria essa a idêntica visão que teria desse mundo, quando já não fizesse parte dele? Desfeito o zoom , tudo parecia tão perfeito! As ruas traçavam paralelas e perpendiculares quase geométricas; os carros transitavam com excessivo cuidado e as pessoas marchavam com passos simétricos e aparentemente calculados. Até o mais céptico dos homens , àquela distância, terminaria por concluir que deveria haver um maestro, de batuta erguida, dirigindo, ao longe, aquele espetáculo. O tabuleiro de xadrez , estendido lá em baixo, com suas casas traçadas e divididas pelos fios elétricos, pareciam aguardar a mão gigantesca pronta a marcar a próxima jogada. Súbito, a aguda simetria da paisagem lhe feriu a alma, como se ,de repente, fizesse um contraponto com seus caóticos conflitos interiores. Aos cinqüenta anos, caminho estreito à frente, os dias todos exatamente iguais , como se clonados por um anjo mau; um casamento que se findara por decurso de prazo mas que teimava em apodrecer no meio do povo; um emprego num Banco onde era ameaçado diuturnamente : "-- Sabe como é seu Ermano, o mercado anda muito exigente, essas máquinas todas fazem o serviço do senhor, com a vantagem de não reclamar e nem Ter cara de ressaca...ou o Senhor produz ou vai plantar batatas! ". A solução para todos os seus problemas estava bem ali, diante dos seus olhos, alguns poucos segundos e..... Tumm! Resumiria-se tudo na perplexidade curiosa dos transeuntes, nas lágrimas de crocodilo da família, na fingida cara de tristeza do chefe e dos colegas e na tranquilizadora franja do esquecimento. Ali , porém , estava a contemplar a paisagem e o mundo daquela altura parecia tão perfeito, tão harmonioso, que por um momento se afastaram todas as suas amarguras e frustrações , como se a exatíssima vastidão do universo sorvesse suas mesquinhas pequenezes. Fechou um pouco os olhos para recobrar as forças e caminhou em direção ao abismo. Estancou , novamente, quando, como numa miragem, foi despertado: viu surgir no edifício ao lado, num salão de festas de cobertura, um palhaço, puxando a roda com várias crianças e entoando o "Atirei o Pau no Gato". Como numa projeção de slides, retornou ao aniversário dos seus cinco anos, quando a vida aparecia para ele igualzinho à Casa de João e Maria : paredes de bolo, telhas de chocolate, ladrilhos de bombons. Aquela certamente era a trilha sonora perfeita , para o seu vôo de Ícaro: suas frágeis asas tostadas apelo sol da realidade . Observou, porém, antes da decolagem, mais detidamente o palhaço, com sua máscara, seu nariz de framboesa e sua maquiagem carregada. Então, foi como se baixasse o santo. Somos todos tantos dentro de nós mesmos, personagens sem conta neste palco da vida..., pensou, se um não vem desempenhando bem o seu papel, elimina-se este personagem, ao invés de incinerar toda a peça e destruir o teatro. Deu meia volta, desceu as escadas. Em casa mandou a mulher à merda, no trabalho mandou o chefe à PQP e só parou quando teve a certeza absoluta que havia suicidado completamente o Ermano. A partir daí, renasceu em meio aos seus eus tantas vezes confusos , loucos , contraditórios, mas redivivos.

J. Flávio Vieira

P.S. - Esta é para Socorro e foi inspirada numa vôo real acontecido com o Normando.




Gadé- Nos tempos do Almirante - Por Norma Hauer


GADÉ
É um nome estranho para quem nasceu em 23/07/1904,sendo batizado como Oswaldo Chaves Ribeiro. Mas foi como GADÉ que ficou conhecido em nossa música popular,como pianista e compositor.

Nasceu em Niterói, onde se apresentava como pianista, vindo mais tarde para o Rio de Janeiro para exercer um cargo no extinto Lóide Brasileiro, de saudosa memória.

Como compositor, teve suas músicas gravadas pelos grandes vultos de sua época, como Carmen Miranda, Joel e Gaúcho, Almirante...

Com Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, esteve na inauguração da Rádio Inconfidência de Belo Horizonte e aqui no Rio foi pianista nas Rádios Clube, Mayrink Veiga, Tupi e Nacional.

Suas músicas mais famosas eram todas de um humorismo sutil.

Assim, com Joel e Gaúcho, gravou "Estão Batendo"(estão batendo, se for comigo diga que não estou,é a mulata que há muito tempo você abandonou. Está zangada, de cara feia trás um vassourão na mão...") ou, com Almirante,"Que Barulho é Esse"? oh Juracy, aí no corredor...meu chatô não é pomar de amor". Com Odete Amaral gravou "Quem é que Paga a Gasolina" p'ra você andar"pelas ruas da cidade a bancar o lorde, bancando Pintacuda, a 120 a hora"....

Pintacuda era um corredor italiano que fez parte do "Circuito da Gávea", vencendo-o duas vezes.

Imaginar o que foi aquele Circuito nos anos 30 e compará-lo com as atuais corridas de Fórmula 1 é o mesmo que comparar água com vinho.

Em compensação, nenhum carro com a velocidade dos atuais poderia correr no Circuito da Gávea, cheio de curvas perigosas.

Voltando a GADÉ, lembremos que Almirante foi quem gravou as mais bem humoradas de suas composições, como:

FAUSTINA

"Faustina
corre aqui depressa,
vai ver quem está no portão.
É minha sogra com as malas,
ela vem resolvida a morar no porão.
Vai ser o "diabo", vamos ter sururu com o vizinho
Por causa disso eu vou dar o fora,
Decididamente eu vou morar sozinho"...
Almirante gravou também "Vou-me Casar no Uruguai", naquele tempo em que não havia divórcio no Brasil e era comum os "desquitados" irem "casar no Uruguai", para dar satisfação à sociedade hipócrita da época.

VOU-ME CASAR NO URUGUAI

Autores: Gadé e Walfreido Silva
Gravação de Almirante e Carmen Miranda

Se eu fico em casa, você está falando
Se eu vou pra rua, você quer brigar
O nosso gênio não está combinando
Isso não é vida, eu vou me separar!
Se você teima, eu também sou teimoso
O nosso tempo vai em discussão
Se você acha que não sou bondoso
Arranje um palacete e saia do meu barracão!

Vou lhe dizer que já gastei muitos mil réis
Que estou tratando dos papéis
Para me separar
Estou arranjando um divórcio camarada
Porque nossa amizade, hoje em dia, não é nada
Nossa união vai ter o fim que eu queria
Que é sem ter tiro e correria
Vai ser bem melhor
Você se vista e vai pra casa de seu pai
Que vou comprar minha passagem
E vou casar lá no Uruguai"

Assim era Gadé, sempre fazendo humorismo em suas composições e aproveitando fatos marcantes de sua época.

Gadé faleceu em outubro de 1969 .

Casamento Perfeito- Sessão III - Por Zélia Moreira


Neste espaço o cinema brasileiro também tem destaque.
Trago pra vocês o filme "Deus é Brasileiro". Comédia de 2003, dirigida por Cacá Diegues, baseado no conto de João Ubaldo Ribeiro," O santo que não acreditava em milagres", e adaptado por Cacá Diegues, João Emamuel Carneiro e Renata de Almeida. Tem no elenco Antônio Facundes, no papel de Deus, que resolve tirar férias e vem ao Brasil para conversar com seu substituto, mas tem dificuldade de encontrá-lo( claro!) e na busca, viaja pelo país.
Tem portanto um lado cômico/irônico, na abordagem de problemas do cotidiano brasileiro. Mas o que quero enfatizar mesmo é o lado poético.
Em algumas cenas e principalmente na cena final - o que vemos é poesia pura!

Cenário perfeito: um casal apaixonado, um barquinho à deriva num lago sob a luz do luar, tendo como fundo musical Melodia Sentimental de Heitor Villa-Lobos/Dora Vasconcelos, na voz de Djavan.
Pronto! Independente de qualquer deslize ocorrido no decorrer do filme, esta cena é impagável.
Vamos conferir?



ENERGIA E CONSCIÊNCIA: AS NOVAS DESCOBERTAS DA CIÊNCIA MODERNA – FÍSICA E METAFÍSICA



(Trecho da minha dissertação de mestrado defendida em 1992 na COPPE/UFRJ)

“O avanço tecnológico na presente era da informatização se apóia sobre uma "sutilização da sensibilidade" física dos instrumentos de captação e medição. Os aparelhos científicos estão cada vez mais sensíveis às formas de energia de velocidades cada vez mais elevadas (os aceleradores de partículas são aqui um exemplo notável). Por outro lado, aos cientistas se coloca a tarefa de corresponder "interpretativamente" a essa sutilização evitando um crescente descompasso e um cumulativo desequilíbrio. Isso implica maior disponibilidade e abertura à intuição.

Certos fenômenos humanos que fazem parte do nosso dia-a-dia são muitas das vezes traduzidos por expressões tais como "vibrações más", "energias negativas" ou "forças ocultas". O uso dessas expressões é visto no meio intelectual como algo não-convencional, uma espécie de linguagem "marginal" ou gíria. No entanto, não percebemos o contéudo que estas palavras expressam. Vejamos o que diz BRENNAN (Mãos de Luz, 1990):

"A proporção que nos permitimos desenvolver novas sensibilidades, principiamos a ver o mundo inteiro de maneira muito diferente. Começamos a prestar mais atenção a aspectos da experiência que antes nos pareciam periféricos. Surprendemo-nos a usar uma nova linguagem para comunicar as novas experiências. Expressões como "vibracões más" ou "a energia ali era grande" estão se tornando comuns. Principiamos a notar e dar mais crédito a experiências como a de encontrar alguém e a de gostar ou desgostar desse alguém, num instante, sem nada saber a seu respeito. Gostamos de suas "vibrações"" (p.39).

Continuando a análise de BRENNAN (Mãos de Luz) temos:

"Todas essas experiências têm realidade nos campos de energia. O nosso velho mundo de sólidos objetos concretos está rodeado e impregnado de um mundo fluido de energia radiante, em constante movimento, em constante mutação, como o oceano"(p.39).

A vibração é um fenômeno de sinalização da vida. Tudo vibra, nada está absolutamente parado. Um cientista chegou afirmar: "quando um elétron vibra todo universo balança". Mas cabe aqui uma pergunta: "vibração" e "frequência" são a mesma coisa? A consciência é também uma forma de energia e, entanto que tal, possui um espectro de "frequências" que pode ser captado de acordo com o grau de sensibilidade do "instrumento" humano. O ser humano é uma criatura capaz de captar formas de energia com um amplo espectro de "frequência", variando desde baixas vibrações, como por exemplo o som, até altíssimas vibrações, como o pensamento e a emoção.

O Ocidente moderno se caracteriza por profunda ignorância a respeito das formas de energia ativas em nível metafísico. Quando não por até mesmo negar-lhes a existência. Quando recentemente se inicia um progressivo reconhecimento de que o pensamento pode, ou deve, ser percebido como forma de energia (e não apenas como um conceito), isso tem conseqüências tremendas. O problema aumenta quando referida a uma sociedade inconsciente de tais fenômenos. Nesse contexto os "nossos pensamentos" podem deixar de ser "nossos": são formas de energia captadas ocasionalmente por nós. Esta situação chegou a ser descrita por Jung através da categoria "inconsciente coletivo"”.

Ainda me lembro de quando era professor de pós-graduação da Universidade Cãndido Mendes. As aulas aconteciam aos sábados. E num desses sábados ao terminar minha aula estava andando pelo corredor quando uma senhora veio correndo em minha direção e disse:
- Quero agradecer sua excelente aula. Gostei muito do que o senhor falou da energia do Amor Divino. Eu tenho uma vivência muito forte que mudou a minha vida. Eu estava com câncer e numa bela noite fui transportada para um plano superior de muita luz e Amor. Assim, quando voltei para o meu corpo me senti muito bem. No dia seguinte fui conversar com meu médico e contei o que havia acontecido. Ele me passou alguns exames. Uma semana depois ele disse que eu estava completamente curada: milagre!

Hoje , comemora-se ...


Flávio Venturini
Cantor, músico e compositor brasileiro

Nascimento:23/07/1949

Flávio Venturini, nascido em Belo Horizonte, é cantor, músico e compositor brasileiro.

Foi revelado pelo chamado Clube da Esquina nos anos 60. Participou do grupo musical O Terço, antes de se formar o 14 Bis e pelo qual fez sucesso durante o inicio dos anos 80. Posteriormente seguiu carreira solo.

Compôs ou interpretou sucessos como Linda Juventude, Planeta Sonho, Nuvens, Caçador de Mim e Clube da Esquina. Espanhola, composta em conjunto com Guarabyra, da dupla Sá & Guarabyra, é sua música mais conhecida e foi um grande hit em 1986/1987, sendo gravada por um grande número de cantores em vários países. Da carreira-solo, destacam-se, entre outras músicas, Princesa, além de participações mais recentes em trilhas-sonoras de novelas, como Paisagem da Janela, Mais uma Vez (com Renato Russo) e Todo Azul do Mar.

- Informações retiradas da Wikipédia



Nomofobia - por: Liduina Vilar.


Nomofobia é a mais nova síndrome da vida moderna.
É o medo de estar incontactável ou seja, medo de não está contactado pelo celular.
Pesquisa revela que 53% dos entrevistados se sentem ansiosos por causa da falta de bateria, ou créditos de celular.
Um estudo realizado pelos correios no Reino Unido entrevistou 2 mil pessoas, afirmou que a cada 5 pessoas uma delas considera que não esta contactado por celular é mais estressante que mudar de casa ou romper um relacionamento amoroso.
a estimativa é que 13 milhões de britânicos sofrem dessa síndrome.
NOMOFOBIA = Nomo seria a abreviação de "no mobili" que significa sem.

Tomemos cuidado para não inserir essa febre no nosso dia-a-dia.
O único costume que nos é saudável é o maravilhoso "vício" em contactar com gente.
Onde necessitamos curtir as pessoas, grudar nelas, ama-las e mantê-las sempre pertinho da nossa energia.

Repentes - Socorro , Claude , César,Magali, Carlos, e José do Vale




Trilha cidade do Crato
Onde a Chapada impera
A ponta é da nossa Stela
Do Vale ao sopé da serra
A caixa é da dona Zélia.


Se Joaquim e Magali
Apostam na brincadeira
Gostaria que fizessem
Alguma trova também

Naquele anel da ciranda
Onde a roda se concentra

Cada um sabe seu posto
Alem do seu próprio topo.
Ressalto os bem dispostos,
Inclusive os que não pensam...
Rabiscos pra todo gosto
Indulgência não convém
Como a máscara do rosto
Aquela que muitos têm
Tempo de fazer repentes
Um átimo de tempo tem
Riso, e muita inspiração
Alguma lição também
Seja logo,seja aqui ...Seja no ano que vem
.
Os tempos passam depressa
Os dias passam voando
A vida passa correndo
Que nem rio, serra abaixo
A saudade se dispersa
Quando chegamos ao Crato
E chega como um boato
Se espalhando pelo Vale
Dos nossos sonhos amados.



.
Da ponta dos meus dedos e
lembranças,
fluem letras a granel,
hoje mais do que nunca
ainda com grandes dores
tentam formar conceitos
em uma folha de papel.
(Ou seria um Email? )

O amor de Deus seduz
É verdade e esperança
É caminho, vida e luz.
Para o mundo trás a paz
Para nós muita bonança
Quem amar será capaz


Nem emprego, nem dinheiro
Constroi a felicidade.
Basta uma mulher fagueira
Não importa sua idade
Ninguém pode ser feliz
Se lhe falta uma
amizade.

Ser cratense é ser feliz
tomar água da Nascente
Ser protegido da Penha
Não importa se o tronco
É Moreira ou Esmeraldo.


Desconsidere as patentes,
irreverência das novidades,
desobedeça aos castigos,
desacatos da soberba,
não morra nas homenagens,
o retrovisor do respeito.

Na ladeira das Guaribas
caminho da Batateira
tem uma casa bonita
florida com trepadeira
lá se escondem muitos sonhos
e lembranças verdadeiras
Tem também filosofia
Nas prosas com o “Totonho”
seus causos, a gente sabe...
Derramam lições de vida
que nos freiam na ladeira
CHAPADA DO ARARIPE ( próximo mote)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Casamento perfeito- Sessão II - Por: Zélia Moreira



"Amar é ter um pássaro pousado no dedo...qualquer hora ele pode voar!"

Esta frase de Rubem Alves ilustra muito bem a cena final de um clássico do cinema mundial.
Dispensa explicações. Qualquer pessoa pode perceder que falo de Casablanca, considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.
Quais os ingredientes que fizeram de Casablanca tão fascinante? Uma história de amor impossível, (somente na impossibilidade os amores são eternos), um casal de protagonistas formado pelo carisma, charme, talento de Humphey Bogart,( uma das lendas de Hollywood, vivendo Rick, cínico, inescrupuloso, mas também nobre , generoso) e Ingrid Bergman, no papel de Lisa , com toda sua beleza e ar enigmático. Por fim, sem dúvida, o grande trunfo deste filme, a maravilha de As Time Goes By - música inesquecível !





O filme é dos anos 40, época da segunda guerra mundial, ambientado em Marrocos, ganhou 03 Oscars:Melhor filme, melhor roteiro e melhor direção (Michael Curtiz)

Vamos reviver um trechinho deste filme? Vale a pena!

Grande, grande,grande - Mina Mazzini

Grande, Grande, Grande - Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma canção que não deve às sujeições do amor da nossa brega canção de quermesse. Composta por A. Testa - T. Renis - 1972 e também cantada por Mina Mazzini e Vikki Carr: Grande, Grande, Grande. Sem categorias de lutas políticas e sociais. Sobretudo a sujeição ao amor, o mais dramático, injusto e verdadeiro ato da humanidade em sua marcha de permanente superação, perdas e reencontros.

Con te dovrò combattere,
non ti si può pigliare come sei.
I tuoi difetti son talmente tanti
che nemmeno tu li sai.

Sei peggio di un bambino capriccioso,
la vuoi sempre vinta tu.
Sei l'uomo più egoista e prepotente
che abbia conosciuto mai.

Ma c'è di buono che al momento giusto
tu sai diventare un altro.
In un attimo tu
sei grande grande grande, le mie pene
non me le ricordo più.

Io vedo tutte quante le mie amiche
son tranquille più di me.
Non devono discutere ogni cosa
come tu fai fare a me.

Ricevono regali e rose rosse
per il loro compleanno.
Dicon sempre di si,
non hanno mai problemi, son convinte
che la vita è tutta lì.

E invece no, invece no
la vita è quella che tu dai a me.
In guerra tutti i giorni,
sono viva, sono come piace a te.

Ti odio e poi ti amo,
poi ti amo, poi ti odio
e poi ti amo.

Non lasciarmi mai più.
Sei grande grande grande, come te
sei grande solamente tu.

Ti odio e poi ti amo,
Poi ti amo, poi ti odio
e poi ti amo.

Non lasciarmi mai più.
Sei grande grande grande, come te
sei grande solamente tu.

Non lasciarmi mai più.
Sei grande grande grande, come te
sei grande solamente tu.

Com esta tradução em Português quase ao pé da letra. Diferente da feito por Zizi Possi:

Contigo deverei combater,
não posso aceitar-te como és.
E teus defeitos são tal modo tantos
que nem mesmo tu o sabes.

És mais que um menino caprichoso,
Queres que sempre vença tu.
És um homem mais egoísta e prepotente
que jamais hei conhecido.

Mas tem de bom que no momento justo
sabes tornar-te um outro.
Num átimo tu
és grande grande grande, minhas penas
não as recordo mais.

Eu vejo tudo quanto minhas amigas
são mais tranqüilas do que eu.
Não devem discutir cada coisa
como tu me obrigas a fazer.

Recebem presentes e rosas rubras
pelos seus aniversários.
Dizem sempre que sim,
não tem nunca problemas, são convictas
que a vida é toda ali.

E ao invés não, ao invés não,
a vida é aquela que tu me dás.
Em guerra todos os dias,
sou viva, sou como agradas a ti.

Te odeio e após te amo,
após te amo, após te odeio
e após te amo.

Não me deixes nunca mais.
És grande grande grande, grande como tu
és grande somente tu.

Te odeio e após te amo,
após te amo, após te odeio
e após te amo.

Não me deixes nunca mais.
És grande grande grande, como tu
és grande somente tu.

Não me deixes nunca mais.
És grande grande grande, igual a ti
és somente tu.


Se um pouco mais, nada como a canção na voz de Mina ou do próprio Tony Renis, nele invertendo o papel do homem pelo de uma mulher. No Youtube é fácil a de Mina.

Poemas de César Vallejo , traduzidos para o Português


Poesia Latina traduzida para o português
O pão nosso (César Vallejo)



Bebe-se o café da manhã…úmida terra
de cemitério cheira a sangue amado.
Cidade de inverno…A mordaz cruzada
de uma carreta que arrastar parece
uma emoção de jejum encadeada!
Quisera bater em todas as portas,
e perguntar por não sei quem, e logo
ver aos pobres, e, chorando quietos
dar pedacinhos de pão fresco a todos.
E saquear aos ricos seus vinhedos
com as duas mãos [...]

Pedra preta sobre pedra branca (César Vallejo)


Morrerei em Paris com aguaceiro,
um dia do qual tenho já a lembrança.
Morrerei em Paris - e não me apresso -
talvez em uma quinta-feira, como é hoje, de outono.
Quinta-feira será, porque hoje, quinta, que proseio
estes versos, os úmeros hei posto
a mau e, jamais como hoje, hei voltado
com todo meu caminho, a ver-me só.
César Vallejo há morto, [...]

Os mensageiros negros (César Vallejo)


Há golpes na vida, tão fortes… eu não sei!
Golpes como o ódio de Deus; como se ante eles,
a ressaca de todo o sofrido
se estagna na alma… eu não sei!
São poucos; mas são… abrem poças escuras
no rosto mais feio e no lombo mais forte,
serão talvez os potros de bárbaros atilas;
os mensageiros negros que nos manda a [...]