Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

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... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pensamento para o Dia 11/09/2009

“Não há exercício espiritual (Sadhana) maior que o serviço. O serviço é o princípio necessário para alcançar a graça Divina. Sem ser um servidor dedicado, você não pode tornar-se um líder digno. Se não está disposto a fazer serviço, você não pode alcançar a Divindade. Todos precisam compreender essa verdade. O serviço à sociedade é o bem mais elevado. Verdade, Retidão, Paz, Amor e Não-violência concedem a felicidade. Eles são os cinco princípios que sustentam a vida. Esses princípios não devem ser afastados ou abandonados sob circunstância alguma. Preste serviço à sociedade com esses princípios em sua mente e com dedicação generosa ao bem-estar de todos.”

Sathya Sai Baba

A FELICIDADE E A ESCALA DA SANTA MÃE EVOLUTIVA



Para CLAUDE, SOCORRO MOREIRA e LIDUÍNA- em resposta aos seus belos comentários, decidi refletir e comunicar um texto sobre a FELICIDADE de Roberto Shiryashiki, e as minhas percepções mais profundas sobre as duas forças-energias cósmicas ( segundo a minha visão e experiência interior) que guiam ou governam o ser humano.

De Roberto Shiryashiki

“Quando era criança me sentia muito limitado, existiam tantas coisas que queria fazer e não podia. Quando me sentia frustrado pensava que no dia em que entrasse na escola, seria muito feliz. Tudo daria certo, passaria a ser mais respeitado e não teria mais problemas. Quando entrei no primário, percebi que os problemas continuavam e eu não tinha me tornado feliz.

Pensei que ao entrar no ginásio seria totalmente feliz, e constatei também que não era assim. Mais uma vez adiei, joguei para frente a minha expectativa de felicidade total. Imaginei que quando entrasse no colegial então finalmente seria feliz. No colegial os problemas continuaram. Ah! Mas quando eu entrasse na faculdade de Medicina a felicidade seria inevitável! Triste frustração! Os problemas continuavam e a angústia aumentou. Imaginei que quando me tornasse médico seria totalmente feliz. Teria poder, as pessoas me respeitariam e tudo daria sempre certo para mim.

Acabei percebendo que não era desse jeito que a vida funcionava. Não tinha um momento definitivo de felicidade. Imaginei que a felicidade não existia.

Descobri que as pessoas diziam que não existia a felicidade, existem apenas os momentos de felicidade e nós temos que aproveitá-los para poder curtir a vida, o melhor possível!

Então pensei; É isso mesmo! Nos momentos em que vivia o amor com alguém ou conseguia uma vitória no trabalho eu me sentia bem. Felicidade devia ser algo por aí. Esses momentos me davam a sensação de ser uma pessoa feliz, mas depois de algum tempo percebia que faltava alguma coisa mais, não era possível que fosse só isso. Tanta luta para tão pouco prazer.

Em 1986, minha vida funcionava muito bem. Tinha conquistado tudo o que havia imaginado que me tornaria feliz, mas vivia frustrado. Ficava me perguntando se a vida era só isso. Uma coletânea de filmes de momentos...Como sempre fui muito religioso, não acreditava que o criador ia me mandar para essa viagem por tão pouco. Deveria haver algo mais, e assim decidi ir para o Oriente, conversar com os mestres e saber, o que eles pensavam a respeito da felicidade.

Fui para Nepal, mais exatamente para Katmandu, a um mosteiro budista para descobrir o segredo da felicidade.

Chegar em Katmandu, é uma epopéia. Um avião até Londres...outro de Londres para Nova Delhi...e mais até Katmandu.

Sabia através de um amigo de um mestre naquele lugar. Encontrei um homem e fui procurar o mosteiro. A pessoa na portaria que me atendeu disse que o mestre iria me receber na manhã seguinte, às nove horas.

Nessa noite praticamente não dormi, fiquei excitado frente a possibilidade de ter revelado o segredo da felicidade. Saí de madrugada do hotel da esperança do mestre estar disponível e poder conversar comigo mais cedo. Fiquei lá esperando até que ao redor das nove horas uma mulher que falava inglês com sotaque de francesa, entrou na sala.

Exultei imaginando que ela me levaria até o mestre.
Ela me acompanhou até uma sala, estendeu uma almofada e falou-me para sentar. Em frente a mim sentou essa moça francesa. Era uma moça muito bonita, morena, jovem e eu falei:
- Eu quero ver o mestre!
E ela respondeu:
- Eu sou o mestre.

Aí pensei: vou fazer uma pergunta muito difícil para que ela não saiba a resposta, então tenho certeza de que vai me levar até o mestre de verdade.

- Fiz uma pergunta, a mais difícil que pude pensar na hora:
- O que é budismo?
E ela me respondeu tranqüilamente:
- A base do budismo é que todo ser humano sofre.

Pensei comigo mesmo: não é possível, eu saio da nossa cultura ocidental que diz que o sofrimento é a base da purificação e da sabedoria e vim para cá para escutar que a base do budismo é o sofrimento! Mas não satisfeito pensei: vou fazer uma pergunta mais difícil para que ela não saiba a resposta e me leve até o verdadeiro mestre.

- E por que os seres humanos sofrem?
- Porque são ignorantes.

Bem, se eles são ignorantes deve ter alguma coisa que não sabem e que talvez seja a resposta que eu estou procurando.

- E qual é o conhecimento que nos falta?
- O conhecimento que nos falta é a compreensão de que as coisas da nossa vida são dinâmicas e fluidas. Quando ser humano estar feliz, ele bloqueia a felicidade, pois quer a eternidade para aquele momento. Então ele fica rígido com medo do fim do prazer.

Quando está infeliz pensa que o sofrimento não vai terminar nunca e mergulha na sombra e, assim, amplia sua dor.

A vida é dinâmica, como as ondas do mar. É tão certo a subida quanto a descida. Cada momento tem a sua beleza. No prazer nós expandimos e na dor nós evoluímos. Um movimento é complementar ao outro. Saber apreciar a alegria e a dor na sua vida é a base da felicidade. Você não pode ser feliz somente quando tem prazer, pois perderá o maior aprendizado da existência. Você deve descobrir um jeito de ser feliz na experiência dolorida, porque essa experiência carrega dentro dela a oportunidade de muito aprendizado.

Não curta somente o sol, aproveite também a lua. Não curta somente a calmaria, aproveite a tempestade. Tudo enriquece a vida. Ela não pode ser vivida somente dentro de uma casa, a vida tem que ser experimentada dentro do universo.

A felicidade é um jeito de viver, é uma postura de vida, é uma maneira de estar agradecido a tudo, não somente ao sol, mas também a lua; não somente grato a quem lhe estende a mão, mas também a quem lhe abandona, pois certamente nesse abandono existe a força dentro de você.

A felicidade não é o que você tem, mas o que faz com isso. Por isso existem pessoas que têm muitos bens materiais, um grande amor, filhos lindos e apesar disso se sentem angustiadas e depressivas.

Apaixonado por ela, somente consegui balbuciar antes de sair:
- Obrigada mestra! (Quase que o meu preconceito a respeito do sexo do mestre me afasta dessa lição de vida).

A felicidade não é o que acontece em sua vida, mas como você elabora esse episódio. A diferença entre a sabedoria e o desespero, o sábio e o desesperado, é o que o sábio sabe aproveitar as suas dificuldades para evoluir e o desesperado sente-se vítima dos seus problemas.

A felicidade é uma experiência que está diretamente ligada a sua sabedoria, e certamente para nós criarmos um planeta mais feliz, precisamos muito mais de sábios do que de gênios”.

Roberto Shiryashiki - Escritor, consultor e Presidente do Instituto Gente / Artigo publicado na Revista RH em síntese Jan/Fev/97.

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Bernardo Melgaço da Silva

Todos nós devemos estar atentos que a vida nos empurra todos os dias para o crescimento e sucesso (aqui no sentido mais amplo do que o material apenas – sugiro assistir documentário de Deepak Chopra sobre as 7 Leis Espirituais do Sucesso)...mesmo que não tenhamos a mínima consciência disso...a lei da vida criadora e (da Santa- Mãe ver figura acima) evolutiva não espera que fiquemos prontos para entender o que está e vai acontecer....essa lei-mãe só tem um sentido: te empurrar, com seu aval, para frente com dor ou com Amor...mas lhe permite escolher entre um e outro caminho.

A disciplina de cada um material-espiritual é a decisão individual ou coletiva escolhida. Aprendi vivendo diretamente que existem duas forças cósmicas agindo (o TAO dos chineses)no interior humano: as forças da terra (que são nossos impulsos e valores mais instintivos - são os nossos traços-fardos), e as forças do "céu" (supra-física) (que são nosso impulsos e valores supra-humanos - são nossas verdadeiras forças não instintivas e supra-racionais)).

A nossa capacidade de concentração e acumulação de energia é que vai determinar como estamos disciplinados num caminho ou no outro. Assim, se estamos disciplinados em captar e absorver apenas os impulsos do mundo externo a nossa razão estará cativa desses impulsos numa simbiose e círculo vicioso: nos tornamos presos como um pássaro na gaiola...cantamos para o mundo mas esse canto é de angustia, vazio, desespero e pedido de socorro – pois nesse caminho não somos e nunca seremos felizes de fato.

Daí, vem a causa do estresse ontológico (fora do caminho de felicidade) pois nos comportamos como uma galinha desconhecendo o poder que temos de uma águia (idéia de Leonardo Boff em seu livro a águia e a galinha). Ou seja, não vamos a lugar nenhum da felicidade e da transcendência de si. Ficamos a deriva buscando loucamente quem nos diga qual é a seta correta do caminho. Mas, infelizmente, a razão não tem poder para isso....somente a vivência (através da sensibilidade intuitiva) através de um disciplina impecável pode devolver ao homem em sua escuridão da consciência o seu inédito caminho de iluminação, salvação, libertação na transcendência do caminho mal escolhido.

Então, precisamos de sair dessa Crise de Percepção (Fritjof Capra no livro O Ponto de Mutação). Pois, o velho (os impulsos instintivos da "galinha") não morreu, e o novo ainda não nasceu (o poder supra-normal da "águia"). As nossas escolas se afastaram dessa filosofia basicamente oriental. E as nossas universidades esqueceram também da educação para a vida maior - estão preocupadas em revelar o mundo exterior da vida objetiva e do trabalho necessário e pouco se dedicam a revelação do mundo interior e do trabalho (e ciência interior) de sacro-ofício sagrado para a iluminação humana via intuição.

Segundo SCHUMACHER - Economista e escritor alemão (pouco conhecido aqui no Brasil) que publicou o excelente livro “Um Guia para os Perplexos”- a natureza humana está inserida numa escala evolutiva da vida e da consciência conforme se segue abaixo:

a) Nível 1 – reino mineral = “m”;
b) Nível 2 – reino vegetal = “m + x”;
c) Nível 3 – reino animal = “m + x + y”;
d) Nível 4 – reino humano (consciência racional) = “m + x + y + z”;
e) Nível 5 – reino supra-humano (consciência de si ...supra-racional intuitiva) = m + x + y + z + w”.

Nesse contexto, evoluímos e incorporamos os traços-impulsos dos reinos anteriores ou inferiores, por isso agimos contra as forças ou traços superiores que nos puxam para a subida, e ainda assim temos potencialmente a semente de um novo devir em processo da Santa Mãe Evolução. Não somos ainda, mas estamos construindo uma nova consciência num novo degrau de evolução para sermos o que ainda nem imaginamos o que poderemos ser de fato. E isso, depende de cada um num novo e inédito processo de aprendizado ou disciplina de aprimoramento ético-espiritual com as energias-consciências na passagem de um degrau para outro. O exterior (ciência, religião, filosofia e outros saberes) apenas nos induz racional e culturalmente a possibilidade de crescimento e evolução, mas o esforço e a decisão de seguir ou não depende apenas de cada um em seu propósito de vida e sucesso: material e/ou espiritual.

O Caminho certo é o caminhar consciente da disciplina que está se fazendo – o caminhar é pessoal e só se descobre O CAMINHO caminhando! Por isso, Cristo afirma com sabedoria: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” siga-O! ou então escolha outro guia de sua preferência (p.ex.: Sai Baba).

Essas reflexões são produtos de uma longa experiência com minhas energias físicas e metafísicas. Quem tiver ouvido, ouça – diria o mestre dos mestres Jesus Cristo.

11 de Setembro- Fatos que marcaram a história do mundo contemporâneo- Por: Norma Hauer

Dois 11 de setembro marcaram a história do mundo contemporâneo.

Um no Chile, em 1973 e outro nos Estados Unidos, em 2001.

O Chile ousou "eleger um Presidente comunista e foi castigado" por isso.
Para não se transformar em uma nova Cuba, os "democratas" de então "cortaram o mal pela raiz".

Após meses de tumulto, os militares chilenos, com Augusto Pinochet à frente, deram um golpe, atacaram uma Casa de La Moneda (sede do Governo) e assassinaram o Presidente eleito, Salvador Allende.

Como tudo que se consegue Através de golpe, uma história nunca foi bem contada. Mas anos mais tarde, Pinochet foi condenado na Espanha, preso na Inglaterra e devolvido ao Chile motivos "humanitarios por". Ali morreu, sua pena sem cumprir.
Mas Allende foi morto, Direito sem uma qualquer defesa.

Eu, além do sofrimento de Allende, também passei maus momentos, principalmente por minha mãe, doente, já que, teve de amargar a sorte de meu irmão que naquele 11 de setembro encontrava-se como exilado no Chile.

Ele perdeu tudo que tinha, sua casa foi Invadida, seus filhos foram distribuídos para casas de amigos e ele passou a esconder se, dormindo em lugares diferentes Até que, em janeiro de 74, Através da Anistia Internacional foi asilado na Suécia. Minha cunhada, no mesmo 11 de setembro foi para o Panamá, de onde organizou a saída de meu irmão e seus filhos para a Suécia.
Lá, depois de passarem várias cidades por, sofrendo o frio de janeiro, foram se radicar em Umea, bem ao norte de Estocolmo. ¨
E ficaram lá até a anistia, em 1979 Decretada.

Mas há outro 11 de setembro: o de 2001. O que aconteceu até hoje não foi esclarecido (e, provavelmente, jamais o será). Talvez quando nenhum de nós, viventes do início do século 21, estivermos aqui, um Apareça verdade.

Há quem Afirme Próprios foram os americanos que fizeram aquilo que, para ter um motivo para destruir o Iraque eo Afeganistão: o PETRÓLEO. Verdade? Mentira? ...

Essa versão surgiu na França no próprio ano de 2001.

Que tinham direito os Ianques de enforcar Saddan Hussein?

Mesmo que Bin Laden seja o mentor do 11 de setembro, o que é colocado em dúvida até por Michael Moore (americano) em seu documentário Fahrenheit 11 de Setembro, Saddan Hussein um tinha nada ver com isso.

Morreram pouco mais de 3.000 inocentes no 11 de setembro de 2001?

E quantos milhões de iraquianos, tão ou mais inocentes ainda, os americanos morreram desde que começaram um pais MaSsAcrAr aquele?

Chamar aquilo de guerra é não saber o que é, de fato, uma guerra.
Guerra é homem contra homem para morrer ou matar. O que está havendo nenhum massacre Iraque é.

Por isso, pouquíssimos americanos morreram, no Iraque e no Afeganistão em comparação com o número de iraquianos mortos, além de parte de sua História, é que a própria História da Humanidade ter Sido destruída.

8 anos se passaram.
Mais tempo se passou do que o da segunda guerra mundial, que durou de setembro de 1939 a maio de 1945 (Sem completarem SE 6 anos).
Quantos anos ainda se passarão sem que o Iraque eo Afeganistão fiquem livres de tropas estrangeiras?

Quem viver verá.

Norma Hauer

Projeto "Água pra que te quero!- Um presente de Heládio Teles Duarte para Nívia uchôa


Belíssima foto, Heládio !

O Papel Higiênico do Sertão – por Carlos Eduardo Esmeraldo

Da tia Assunção, apesar de ser uma pessoa que nos revelava a presença de Cristo em seu coração, são muitas as histórias das suas artimanhas, quando menina. (.....)
Uma das histórias de tia Assunção que, mais ouvi a minha mãe contar, foi por ela própria confirmada. Provavelmente é a mais famosa de quantas ela produziu.
Dona Mafalda, uma velha rabugenta, parente afim do meu avô, costumava visitar a casa dele no Sítio São José, por lá demorando-se por mais de quinze dias, como costumavam ser as visitas daquela época. Numa dessas visitas, serviram uma famosa buchada de bode, num dia de domingo. A velha fartou-se de saborear aquela nossa iguaria típica, sem preocupação nenhuma com o colesterol, coisa inventada pelos médicos nos últimos anos para nos encher de preocupação, assim penso eu. Mas o excesso de gordura lubrificou adequadamente o aparelho digestivo daquela visita chata. E os efeitos daquela panelada surgiram lá pelas dez horas da noite, quando todos já dormiam. Naquela época, não havia aparelhos sanitários no interior das residências, mas uma rústica latrina na parte final do quintal da casa. Então, a velha acometida de uma insidiosa cólica intestinal, implorou à minha avó:
– Terezinha, mande uma das suas meninas me acompanhar até a latrina, pois estou sofrendo uma forte dor de barriga.
A minha avó procurou entre as suas filhas uma que estivesse acordada. Encontrou a tia Assunção que demorou a dormir, talvez arquitetando mais diabruras para o dia seguinte.
– Assunção, pegue um candeeiro e acompanhe a dona Mafalda até a latrina. Atenda a tudo que ela lhe pedir.
Então foram as duas, tia Assunção, com muita má vontade, caminhava lentamente à frente, iluminando o caminho e a velha atrás, reclamando por um caminhar mais rápido. Ao chegarem ao local da latrina, tia Assunção colocou o lampião no interior da mesma e ficou do lado de fora, acostumando-se com a claridade furtiva da luz das infinitas estrelas que brilhavam no nosso vasto céu de eterno verão. Enquanto isto, no interior da latrina, a velha resfolegava entre odores de uma mistura de enxofre e amônia. Passados mais de dez minutos, uma eternidade para aquela angustiosa espera ao relento, tia Assunção ouviu a velha a lhe pedir:
– Minha filha, procure umas folhinhas de mamona e traga aqui para eu me limpar.
Tia Assunção que conhecia cada milímetro daquele território sabia que vicejavam por ali, alguns pés de uma variedade de urtiga de folha larga, parecida com a própria folha de mamona e que por lá é conhecida como cansanção. Sem muito esforço e para se vingar da velha, ela colheu várias folhas daquela erva e deu para sua cliente. Esta, ao esfregar as folhas na pele para limpar-se, soltou um lacerante grito, que cortou o silêncio da noite, acordando as pessoas da casa e da vizinhança, a cerca de cem metros de distância. A minha avó correu para verificar se não teria sido uma cobra cascavel que mordera a pobre velhinha. Ao perguntar o que se passara, ouviu a voz chorosa da velha:
– Terezinha, que menina perversa! Ela me deu urtiga para eu me limpar e estou toda queimada.
Por sorte, a tia Assunção não levou uma grande surra, pois a minha avó era muito severa. Graças a intervenção do vovô, a surra foi substituída pelo castigo de preparar para a vítima um meio banho com água morna, servido numa grande bacia, colocada sobre um pequeno tamborete. A pessoa que se submeteria a tal banho deveria sentar-se, numa operação que à época denominava-se apropriadamente de banho de assento. Só que, àquela altura, a raiva de tia Assunção crescera ainda mais e ela misturou à água morna bastante sal grosso, logo dissolvido. Assim que a velha mergulhou o traseiro na bacia, sentiu o ardor do sal a queimar novamente a sua carne já ferida e agora devidamente temperada. Então deu um pulo e novo grito:
– Terezinha, esta menina quer me matar! Não é que ela colocou sal na água morna. Agora é que estou toda queimada, mesmo! Me acuda pelo amor de Deus!
Nova intervenção de vovô e a tia Assunção obteve comutação da pena de uma merecida surra, pelo castigo de lubrificar a parte queimada das adiposas carnes do traseiro da velha Mafalda com uma mistura de manteiga e banha de galinha. Era o ungüento ideal para queimaduras. Em seguida, deitaram a velha em uma rede num quarto de boa largura e como castigo, a tia Assunção deveria balançar a rede, a fim de minorar os efeitos da queimadura que ela maldosamente produzira naquela malfadada velha.
Mas a raiva de tia Assunção, a esta altura, já estava no topo de uma curva parabólica de eixo vertical. Passou a balançar a rede com tanta violência, a ponto de a velha chocar-se contra a parede do quarto, a mais de dois metros do local onde a rede ficaria em repouso. Novo e angustiante protesto da velha, desta vez dirigido ao meu avô.
– Pedro Esmeraldo, dê uma jeito nesta sua filha moleca, antes que ela me mate.
Vovô, que até então rira muito das peripécias da filha, achou que a brincadeira passara dos limites. Levantou-se e deu umas boas chineladas em tia Assunção. Esta entre soluços e lágrimas passou a balançar a rede da velha, como gente grande. Aos poucos, a velha foi acalmando. Passava de uma hora da madrugada, quando a minha avó constatou que a velha dormia e mandou sua filha deitar-se.
No dia seguinte, a velha encerrou a visita. Esqueci de perguntar a mamãe e às suas irmãs se ela voltara no ano seguinte para nova e longa visita.
Que falta faz um utilíssimo rolo de papel higiênico!

Condensado do livro: “Histórias que vi, ouvi e contei.” de Carlos Eduardo Esmeraldo

Bom dia, Abidoral Jamacaru - Por Socorro Moreira


Da rua da Penha para a rua José Carvalho são dois quarteirões. Tão fácil achá-lo , tocá-lo, abraçá-lo... Esse doce de pessoa , um dos maiores artistas do Crato!
O Brasil todo o conhece , e nas suas músicas, a sua alma.
Outro dia, recente, nos encontramos e ele perguntou-me sobre o Cariricaturas. Eu disse que o blogue tem vitalidade, e oxalá vida longa.
Vitalidade mesmo, quem tem é você, meu amigo Abidoral, numa vida de disciplina sem forçar a barra: alma livre, ego serenado, inspirador do amor , respirador da arte !
E a gente busca o tempo todo , algo que nos preencha , um exemplo, um entretenimento, quando você é tudo isso, e mais ainda !
Em todas as suas fases , em todas as suas composições, em todas as suas caminhadas, em todo olhar amigo ( compreensivo), você nos ensina, um poema de amor à vida.
Reluto em falar sobre ti. Não sei falar de seres como você,São Francisco, Deus, duendes, Merlin, Zé Flávio, magos de luz... Só sei ficar muda ou dizer o insuficiente, tal e qual a minha condição terrena.
Hoje quero começar o dia , ouvindo Abidoral Jamacaru , em companhia de uma legião de fãs, que desejam ser anjos como ele.





*Esse vídeo foi produzido pelo Dr. Zé Flávio , um dia , quando a minha casa foi muito feliz. Vejo a escada que eu subo e desço a toda hora ...A porta esperando o amigo- o coração repleto de amigos !
E pra ser sincera só tenho algo a dizer: amo vocês!

Cântico para um mundo em dissolução

[in Jornal OPOVO, 09.05.2005]


Nascido no Ceará e radicado em Recife, ele é contista, dramaturgo e roteirista de filmes e documentários. Nesta conversa, a literatura dá o mote para sua visão de mundo e a compreensão do Brasil

Na casa que foi do Barão do Icó, nos ermos dos Inhamuns, em Saboeiro, nasceu Ronaldo Correia de Brito. Corria o ano de 1950. Os primeiros cinco anos ele passou ali, entre os cuidados de pai e mãe e as primeiras descobertas do mundo. E o mundo não tinha tamanho. Quando o menino fez cinco anos, a família mudou-se para uma cidade maior, o Crato. Ali completou a infância, entre histórias contadas por sábias bocas analfabetas e maravilhas insuspeitas que se revelavam a cada novo livro. Um devorador de histórias, o que ele era, é. Até, bem depois, impregnado até o osso, comecar também a escrevê-las. ''Aprendi a ler numa História Sagrada, que é uma seleta da Bíblia. Quando tinha sete anos de idade, meu pai pediu que lesse em voz alta, para toda a família, um trecho da história de José do Egito. Foi a minha diplomação''. Devorou, depois, Machado de Assis e José de Alencar. ''Li e reli tudo. A literatura mais contemporânea não chegava até nós. Li-a bem depois. Fiquei com os clássicos. Com treze anos, deixaram que eu freqüentasse a biblioteca da Faculdade de Filosofia. Nunca esqueço o meu deslumbramento diante de tantos livros. Por um feliz acaso, escolhi a Ilíada e a Odisséia, logo na primeira visita. Foi o começo da minha paixão pelos gregos. Depois vieram os russos, que ainda hoje leio com devoção. E muito cedo tomei gosto por ler peças de teatro: Shakespeare, Moli?re, Sófocles, Ésquilo...''. Cheirando a leite, com 17 anos, Ronaldo foi embora para Recife. Formou-se médico, casou com uma colega de faculdade, os filhos vieram. Escrevendo, sempre. Contos, roteiros, peças de teatro. Em 1977, ele faz o filme Lua Cambará, com Assis Lima, Horácio Carelli e o músico armorial Antônio José Madureira. Com Madureira e Assis Lima, lança a Trilogia das Festas Brasileiras: O Baile do Menino Deus, Bandeira de São João e Arlequim - que viraram livros, discos e espetáculos teatrais, ainda hoje encenados. Todos temas nascidos em mescla com a fonte generosa da tradição oral. ''Acredito na supremacia da narrativa. As narrativas só perderão a função quando os homens perderem a fala, a audição e o dom de mentir. Costumo lembrar o quanto eram importantes os velhos narradores que tinham por única função na vida andar pelas casas interioranas, repassando conhecimentos que eles adquiriram e guardaram na memória. Acho que nenhum deles se perguntou algum dia sobre o valor do seu trabalho. Como também acredito que os aedos gregos não se fizeram esta pergunta, enquanto fixavam o idioma, a mitologia e a épica grega'', disse, antes desta conversa de logo mais. Por seus temas, esta permanência visceral à terra e a sua gente ancestral, Ronaldo é enquadrado, muito equivocadamente, nesta moldura estreita de autor regional. Ela não o contém nem o abarca. ''Se você elabora uma personagem complexamente neurótica, feminista, com todos os anseios urbanos, e se você senta esta mulher numa cadeira de couro, olhando uma paisagem desolada do sertão, há quem enxergue apenas o cenário, e três ou quatro substantivos locais. Embora essa mulher fale da mesma dor e da mesma solidão de uma negra americana do Harlem''. Apaixonado pelo poeta americano Walt Whitman (''ele é quase Deus para mim''), Ronaldo reina no conto. Agora, o escritor está sendo publicado pela editora CosacNaify, que editou Faca (2003), O Pavão Misterioso (infanto-juvenil, 2004) e agora O Livro dos Homens. Agora, está preparando um romance, o primeiro. Os fundamentos da obra, cravados no Sertão dos Inhamuns. Para onde ele sempre volta - na memória e na imaginação, pra fazer arte.

O POVO - Antes de você cair no mundo, recorde a vida, na flor dos anos, em Saboeiro, nos Inhamuns, e depois no Crato, neste Ceará entranhado em sua alma, espinho de cardeiro com o qual você escreve e encarna seus textos.

Ronaldo Correia de Brito - Quando fui embora do Crato para estudar medicina em Recife, já levava na bagagem o meu projeto de vida. Ao longo dos anos não fiz mais do que dar polimento nele. Nasci numa fazenda por nome de Lajedos, em Saboeiro. Meu pai era de Várzea Alegre e minha mãe, uma professora, do Crato. Eles se casaram e foram habitar esse mundo desterrado. Havia um açude/barragem, construído de blocos de pedra, como as pirâmides, e uma casa alpendrada. A propriedade pertencera ao Visconde do Icó, diziam. Vivi ali apenas cinco anos, mas este tempo marcou de forma irremediável toda a minha vida. Fui iniciado na literatura oral, através dos contadores de história que corriam as fazendas, pernoitando nas casas e retribuindo a hospitalidade com o saber de que eram depositários. Além das histórias tradicionais, eles narravam os mitos locais, a vasta epopéia do sertão dos Inhamuns. Eu era uma criança sensível e deslumbrada. Aprendi a ler com meu pai, numa História Sagrada, uma seleta de textos da Bíblia. Não tinha a menor vocação para vaqueiro, nem administrador de terras. Meus pais reconheceram isto, e nos mudamos para o Crato, uma cidade que lembrava a Rimini de Fellini. Nesta época, éramos apenas quatro irmãos. Depois nasceram mais quatro. Sobre os Inhamuns, penso como Capistrano de Abreu - que nunca se escreveu a história do desbravamento dos sertões. Os historiadores ficaram pelo litoral. Apesar dos romances e ensaios de Nertan Macedo e da poesia de Gerardo Mello Mourão, muito ainda precisa ser feito. Tivemos um ciclo épico e de tragédias nesse vasto sertão cearense. Nada disso foi representado até o esgotamento, como o ciclo do faroeste americano, a conquista do Oeste. Cadê os nossos John Huston, John Ford, Roberto Leone? Glauber e os diretores do ciclo do cangaço fizeram uma leitura sobretudo do social. Os acontecimentos foram bem mais transcendentes. O romance regionalista de 30 foi apenas um ensaio deste período. A nova geração de escritores prefere escrever sobre os dramas urbanos.

OP - Recife: você com 17 anos, vindo do interior. O que o encantou logo de cara? Como foram seus primeiros tempos lá? Do que mais sentia falta?

Ronaldo Correia de Brito - Recife foi um alumbramento, como a visão de uma mulher nua tomando banho no poema de Manoel Bandeira. Cheguei em 1969, tempo brabo da ditadura militar. A cidade ainda possuía quase toda a sua arquitetura colonial. Era muito bonita. Ainda é hoje, apesar de tão maltratada. Cheia de pontes, desenhada pelo rio Capibaribe, com uma infinidade de igrejas, parecia um outro mundo. Fui morar num apartamento pequeno, com mais seis colegas, todos cearenses. Nós, do sul do Ceará, sempre preferimos migrar para Recife, ao invés de Fortaleza. Temos ligações históricas com Pernambuco. Eu me senti feliz nesse primeiro ano, apesar do nervosismo do vestibular. Sentia falta apenas do humor cearense, da cordialidade sertaneja.

OP - Quando você partiu, levou o quê na mala? Quero dizer, no começo, talvez sair do Ceará tenha sido um alívio, como é um alívio para todo jovem sair de casa e encarar o mundo. Depois é que a gente faz as pazes...

Ronaldo Correia de Brito - Existia um sentimento de que Recife era a capital do sul do Ceará, desde a Confederação do Equador e a Revolução de 1817, quando tentamos ser independentes do resto do país. Acho que este sentimento foi acentuado pela perseguição que o clero e a sociedade de Fortaleza fizeram ao Padre Cícero. Nosso Padrinho viajava a Roma pelo porto de Recife. Lembre-se, Eleuda, de que a guerra de 14, para nós, não foi a guerra européia Mas a que nós fizemos lá no sul do Ceará. Nossos romeiros tomaram Fortaleza e depuseram o governador Franco Rabelo. De forma que Recife parecia uma extensão do Cariri. Eu nunca perdi o meu apreço pelo Ceará, nem me desfiz dos meus vínculos. Minha mulher e meus filhos, todos pernambucanos, protestam contra esse apego, porque, afinal, moro em Recife há 36 anos.

OP - Sua relação com a narrativa veio da infância. Mas e o teatro, o cinema, a música? Em Recife, 1970, nascia o Movimento Armorial. Você participou?

Ronaldo Correia de Brito - Quando entrei na Faculdade de Medicina, em 1970, fui morar na Casa do Estudante Universitário. Dividia quarto com Assis Lima, um cearense do Crato, meu parceiro desde o científico, e com o poeta armorial Ângelo Monteiro. Nessa época, comecei a freqüentar o DEC, Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal, dirigido por Ariano Suassuna. Foi um tempo de aprendizado. O DEC era um mundo à parte na escura repressão. Muita gente famosa circulava por lá: Francisco Brennand, Gilvan Samico, o poeta César Leal, os músicos do Quinteto Armorial, entre eles os meus futuros parceiros Antônio Madureira e Antônio Nóbrega, Marcus Accioly, Cussy de Almeida, em suma, era um mundo de resistência, o celeiro armorial. Eu era um fedelho, só fazia olhar e ouvir. Ariano lia trechos do Romance d'A Pedra do Reino, e nós escutávamos deslumbrados. Eu começava a rabiscar os meus primeiros escritos, mas supondo que seria como Tomazzo de Lampedusa, morreria com os meus papéis inéditos. Eu freqüentava tudo o que se fazia em arte, em Recife. Orientava-me pelo conselho de um amigo: a todos conhecer e a nenhum pertencer. Era uma cabeça bem aberta. Via os concertos do Quinteto Armorial e os shows de Caetano; as apresentações do Boi do Capitão Antônio Pereira e a peça Hair; lia Cervantes e Cortázar, Moli?re e Fernando Arrabal; escutava Villa-Lobos e Bob Dylan. A primeira encenação de um texto meu só aconteceria em 1983, depois de muita maturação. Tinha a medicina, uma profissão que ocupa todo o nosso tempo, jornadas de trabalho semanal de pelo menos 60 horas. Apesar dessa escassez, em 1977, teve o filme Lua Cambará

OP - Voltemos aos tempos de estudante. Como era a boemia, as farras, desses verdes anos? Você se engajou em algum grupo de esquerda, à época?

Ronaldo Correia de Brito - Toda a universidade vivia tempos negros de repressão. Medicina não fugia à regra, embora aparentemente nada acontecesse. Nosso professor de anatomia, Bianor da Hora, a qualquer bagunça da turma ameaçava chamar o Quarto Exército. Eu sofri muito, porque era tímido, pobre, e além de estudar os dois expedientes, ainda trabalhava o terceiro, à noite. Meus pais tinham uma família grande, oito filhos. Já no primeiro ano eu dispensei a mesada e passei a me custear. Uma doideira, isto. Não sei como escapei. Mas tinha muita diversão, sim Porque nós éramos jovens, libertários, cheios de engenho e arte. Eu sempre acompanhei os movimentos estudantis, mas nunca me engajei em nenhum partido, em nenhuma ideologia extremista, graças a Deus. Eu saíra do Crato determinado a estudar, me formar, trabalhar, ganhar dinheiro para ajudar a família. Era uma meta traçada por mim e meu pai, sem direito a extravios. A idéia de família, a responsabilidade com os irmãos e os pais, é muito estruturadora no sertão. Meus amigos que entraram para a luta armada se deram mal, alguns foram exilados, outros presos. Cândido Pinto, aquele célebre estudante da UNE, que levou o tiro na coluna e ficou paraplégico para o resto da vida, eu o conheci bem, e sei que preço alto ele pagou. Eu era um estudante de esquerda, mas sabendo até onde podia ir.

OP - Teve o assassinato daquele jovem padre Henrique, ligado a D. Hélder Câmara (Patativa do Assaré contou a história num folheto, a pedido do próprio D. Hélder). Detalhe um pouco mais esta época de exceção.

Ronaldo Correia de Brito - Havia medo, muito medo. Recife sempre se caracterizou pelas revoluções libertárias e pagou caro por isto, a ponto de perder a maior parte do seu território. Aqui, havia as Ligas Camponesas, a luta no campo. A repressão foi muito forte. E nós sofremos muito com a censura, com a perda da liberdade de expressão. Mas havia resistência, de todas as formas. Acho que ainda hoje Recife paga por 64.

OP - Falemos de afetos. Da sua família pernambucana.

Ronaldo Correia de Brito - Sou casado com Avelina, há trinta anos. Ela nasceu em Arcoverde, a entrada do sertão de Pernambuco. Tem uma história parecida com a minha, veio morar em Recife para estudar. Também fez medicina e foi com ela que tomei gosto pela profissão. Eu era um tipo rebelde, quase revoltado. O poder do feminino me acalmou, como naquela carta do Tarô de Marselha, em que uma mulher sem qualquer esforço doma um leão, apenas com a energia sutil. Avelina é uma mulher culta, concentrada, que gosta de estudar profundamente a medicina que faz, e não apenas a medicina, tudo o que diz respeito à arte da cura, no sentido mais amplo. Um achado. Temos três filhos, dois homens e uma mulher. Um advogado, uma quase médica, e um vestibulando de direito. É uma família estudiosa, que aprecia música, cinema, que gosta de ler. O mais novo toca guitarra. Todos curtem rock. É ótimo porque me atualizo no repertório. Aqui em casa as escolhas são bem livres. Mas não fugimos ao padrão de uma família nordestina, lutamos pelos filhos, desejamos que eles sejam felizes e bem sucedidos, e há muita alegria na nossa convivência.

OP - Você é um homem intrinsecamente amoroso, mas um escritor anti-lírico. Seus contos tratam de sentimentos além da pele, mais fundos, densos. Como se enraizados no chão cristalino da caatinga. Quando o inverno vem, tudo é flor.

Ronaldo Correia de Brito - Acho que existe lirismo em ''Da morte de Francisco Vieira'', um dos contos do Livro dos Homens, o preferido pelo meu editor, Rodrigo Lacerda. Eu gostaria de falar do meu encontro com a CosacNaify. A editora vem apostando nessa coleção que publica autores de vários estados do Brasil, muitos desconhecidos do grande público, como eu. É uma aposta de Augusto Massi no fôlego da literatura brasileira. Rodrigo Lacerda trabalhou junto comigo nos três livros que editei. Um verdadeiro acompanhamento editorial, indo às minúcias das minúcias, com um cuidado e uma gentileza que muito nos honra como autores. Além de editores, Rodrigo é romancista e Augusto poeta. Já pensou quanta honra?

OP - Seus contos, tanto em Faca quanto no recente O Livro dos Homens, trazem o Sertão naquilo que ele tem de universal: o ser humano e seus paradoxos. Você constrói sobre o atemporal, aquilo que não passa, nem passará.

Ronaldo Correia de Brito - Escrevo a partir de uma memória inventada. Como Salústio, afirmo que essas coisas não aconteceram nunca, mas nunca deixaram de existir. Portanto, o meu sertão é a paisagem através da qual eu interpreto o mundo, o de hoje, o globalizado, o que rompeu com as tradições. Interessa-me a decadência, a dissolução. Meus personagens migram, sofrem o embate com as outras culturas. Tenho sido vítima de preconceitos pela escolha dessa paisagem. Depois do romance de 30, criou-se uma cartilha única para a leitura do que escrevemos, mesmo passados tantos anos. Uma verdadeira condenação para os artistas posteriores a esse ciclo regionalista, que não abriram mão da sua geografia como cenário. Se você elabora uma personagem complexamente neurótica, feminista, com todos os anseios urbanos, e se você senta esta mulher numa cadeira de couro, olhando uma paisagem desolada do sertão, há quem enxergue apenas o cenário, e três ou quatro substantivos locais. Embora essa mulher fale da mesma dor e da mesma solidão de uma negra americana do Harlem.

OP - Qual foi o primeiro texto que você escreveu? Era um conto, um poema, uma peça de teatro?

Ronaldo Correia de Brito - Era um conto misturado com poesia, vergonhosamente influenciado por Lorca.

OP - Marco Lucchesi escreveu, nas orelhas do Livro dos Homens, sobre seu texto como assentado numa paisagem bíblica onde não cabe Deus. Uma mística seca. Em Faca, temos também este sentimento, de fúria e fé. Você acredita em quê?

Ronaldo Correia de Brito - Eu sou um cara religioso, embora não freqüente nenhuma igreja. Costumo rezar, como os antigos hebreus, como Jó, aos impropérios, brigando com Deus. O mundo sertanejo lembra o da Bíblia, sim, sendo que Deus foi desterrado dele.

OP - Entre o exaustivo ofício da medicina, qual o tempo da literatura?

Ronaldo Correia de Brito - Faço muitas coisas ao mesmo tempo, e não saberia viver de outra maneira. Já não trabalho em consultório e a cada dia reduzo as minhas atividades como médico clássico, aquele que vive correndo de um lugar para outro, dando plantões, estressado e mal pago. De um modo geral, tenho a idéia para um conto ou novela, e fico ruminando durante muito tempo. Um dia, sento e escrevo. O conto ''Qohélet'', do Livro dos Homens, ficou comigo uns vinte anos. Quando li o Eclesiastes transcriado por Haroldo de Campos, foi como uma centelha. Tive a sensação de que os textos bíblicos possuíam aquele ritmo, aquela respiração cheia de pausas Aí foi ligeiro. O conto fluiu numa boa. ''Brincar com veneno'', o quarto conto do livro, deu um trabalho que quase desisto. É um conto todo armado como uma partida de xadrez. Nada pode revelar o final, mas ao mesmo tempo todo o conto deve ser escrito revelando o final. É um paradoxo. Segundo Ricardo Piglia, todo conto anuncia o seu desfecho já nas primeiras frases. E eu sei que é verdadeiramente assim.

OP - E quanto ao romance que você está escrevendo. Como é que veio a idéia? Primeiro vem uma imagem, um personagem, um nome, uma paisagem, algo estranho, um pesadelo, um incômodo, um engasgo. O quê?

Ronaldo Correia de Brito - Estou escrevendo um romance ambientado aonde? Adivinhe? No sertão cearense. Só que para lá convergem pessoas de todo o mundo. Trato das questões do nosso tempo, os conflitos de cultura, as migrações, a dissolução da família tradicional. Jogo na mesa os conflitos insolúveis entre cidade e campo. Não posso revelar mais. É segredo de estado.

OP - E o teatro, outros planos, sonhos, desejos. O que é que deixa você totalmente feliz?

Ronaldo Correia de Brito - Se você fala de felicidade como um sentimento de plenitude, sinto-me assim lá na serra de Taquaritinga, onde possuo um pequeno sítio. E isto acontece porque não preciso fazer nenhum esforço de convivência, esforço de nada. Estou ali, no silêncio absoluto, olhando a imensidão de terras sem gente, sozinho comigo e Avelina. Lemos, escutamos música, caminhamos, escutamos o silêncio, que é o mais caro dos bens. Tenho escrito pouco para o teatro, porque precisei cuidar de publicar meus textos, o que significa reescrevê-los. No ano passado encenamos o Baile do Menino Deus, no formato de uma cantata natalina, na praça do Marco Zero, no bairro do Recife. Foi uma bela montagem. No último dia tivemos um público de vinte mil pessoas, que não quis ir embora quando o espetáculo acabou. Eu subi ao palco, para os agradecimentos. Quando vi o rosto daquela gente, pessoas de todas as idades, cantando e dançando um Baile que está em cartaz há 21 anos, eu me senti feliz. Curioso, eu lembrei a minha trajetória do Crato para Recife e achei que tinha valido a pena.

OP - Qual é o canto predileto de sua casa? A melhor diversão? E a paisagem que mais toca você?

Ronaldo Correia de Brito - Nós possuímos um escritório em casa, um lugar de trabalho. Lá estão os livros, a janela que abre para o quintal com bananeiras e coqueiros. Eu só consigo trabalhar na frente de um computador. Não sei escrever à mão, faltam idéias. Temos o pedaço de serra no interior, mas lá eu não trabalho, só leio, penso, contemplo, respiro. Sempre gostei de ouvir música. Tenho preferido os compositores do barroco. Mas escuto rádio e discos no carro. Sim, minha memória olfativa é tirânica. Os cheiros me transportam para os lugares, verdadeiras viagens no tempo.

http://www.secrel.combr/jpoesia/ecarvalho2.html

A Bênção do Pai - Ronaldo Correia Brito

No dia em que vim embora para o Recife senti um aperto no coração, a garganta travou, e os olhos encheram-se de lágrimas. Era lei na nossa casa que os filhos homens não podiam chorar. Eu tinha razões de sobra para abrir o berreiro: vinha para uma cidade grande e desconhecida, não tinha onde morar, nem matrícula eu havia feito no colégio. Tudo incerto para um menino de 17 anos que deixava a casa paterna, o paraíso verdejante do Cariri e sua gente acolhedora. Como na canção de Torquato Neto, minha mãe e meus sete irmãos me acompanharam até a porta. Abracei-os sem dizer uma única palavra, os dentes trancados. Se pronunciasse um singelo adeus, o açude represado de lágrimas romperia. Meu pai olhava-me firme, vigilante. Com ele planejara largar a vidinha feliz, conhecer outro mundo, arriscar a sorte. Tínhamos um projeto em comum: eu me formaria em medicina, traria os irmãos mais novos para estudar no Recife e ajudaria a educá-los.
Desde o ciclo migratório da década de 50, quando as fazendas sertanejas se esvaziaram dos seus moradores, meus pais compreenderam que não existia mais futuro no campo. Largaram o plantio de algodão, os criatórios de gado, as lavouras, e tomaram para si a tarefa de iniciar os filhos numa outra realidade. No que dependesse deles, todos nós freqüentaríamos a universidade. Sábia escolha do nosso pai, um homem que aprendeu a ler sozinho, e atravessou noites acordado, brigando com os enigmas do português e da aritmética. Por algum mistério que nunca desvendei, os livros eram objetos de fetiche na família, prestando-se verdadeiro culto aos tios letrados, homens sábios e faladores.
Foi meu pai quem me acompanhou até a garagem do ônibus, pois não existia rodoviária nesse tempo. Caminhava ao meu lado, solene e silencioso. Um carregador transportava na cabeça minha parca mudança, uma mala de couro e uma caixa de papelão amarrada com cordas de barbante. A mais franciscana pobreza. Não enxergava nada à minha frente, os olhos cegos de lágrimas. Lembrava a história que minha avó contava, dos três irmãos que abandonam o lar em busca de fortuna. A todos eles o pai perguntou na hora da despedida: – Você prefere muito dinheiro e minha maldição ou pouco dinheiro e minha bênção? Apenas o mais novo escolheu a bênção e pouco dinheiro, alcançando sucesso.
Eu não podia despedir-me do meu pai sem balbuciar o adeus, e sem pedir a bênção. Precisava ouvir de seus lábios a fórmula protetora do “Deus te abençoe”. Atravessava a cidade a pé, com a sensação de que me empurravam para o desterro. Nunca um trajeto me pareceu tão longo. Chegamos, o carregador instalou as bagagens no ônibus, recebeu o pagamento e deixou-nos sozinhos com meia hora de espera e constrangimento. Foi uma eternidade. Meu pai apertou minha mão, o máximo de afeto permitido entre nós, não me olhou, de modo que nunca soube o que sentiu naquela tarde. Na família, não existiam trocas de afagos e confidências, apesar dos fortes vínculos que nos uniam. Apertei a mão dele, e consegui pedir a bênção sem chorar. Ele me abençoou e parti sozinho. Sozinho, eu chorei horas seguidas e tive a primeira de muitas consciências, uma delas a de que era senhor do meu pranto.
As velhas fórmulas caíram em desuso, já não se pede a bênção a ninguém. Ah!, o poder mágico dessa invocação. Todas as noites, antes de dormir, escutava os irmãos gritarem dos seus quartos, para o quarto dos pais: “A bênção!”. Só calavam depois que ouviam o “Deus te abençoe”. As três palavras pareciam com o pano que nossa mãe estendia sobre as redes, nos protegendo dos respingos das chuvas, na casa de telhado alto. A fórmula não se referia ao Deus de nenhuma instituição religiosa, era apenas uma graça pacificadora, um sonífero sem droga. Todos te aplacavam ao ouvir um “Deus te abençoe”.
Chegaram os dias em que desprezei os costumes da família, virei o rosto para os velhos que cobravam o pedido de bênção, senti nojo das mãos descarnadas das tias, estendidas para que eu as beijasse. Morreu a geração de bisavós, depois caíram os avós, e já começaram as baixas nos tios paternos. Quando não restarem mais vivos na fileira dos pais, assumirei a linha de frente. Ninguém mais protegerá a minha retaguarda. Todos estarão depois de mim, ninguém mais antes de mim para abençoar-me. Agora, sou eu a abençoar.
Por esses dias, meu filho mais novo viajou para estudar na Inglaterra. Achei que a minha história se repetia em condições diferentes e por uma estrada bem mais comprida. Conversei com ele sobre seus projetos para o futuro. Ajudei-o a comprar as passagens, o curso, o seguro-saúde, a arrumar a mala. Levei-o ao aeroporto na companhia festiva dos amigos, da namorada, e de dos irmãos. Eu e minha mulher éramos as únicas pessoas graves na comitiva.
Meu filho transpôs o portão de embarque, tudo estava certo, não faltava mais nada. De repente, ele voltou até junto de mim, me estendeu a mão e pediu: “A bênção, pai!” Pronunciei o “Deus te abençoe” e a ordem do mundo se refez, uma ordem em que se recompõem os elos com o passado, sem nenhuma culpa pelas formas que o presente assume. Não sei o que meu filho sentia, nem em que pensava quando me pediu a bênção. Talvez tenha lembrado a história dos três irmãos, a que minha avó me contava, e contei para ele. Todas as experiências do homem são de algum modo análogas, está escrito no Eclesiastes, o livro em que aprendi a ler, ajudado por meu pai.


*Ronaldo Correia de Brito nasceu em 1950, no Ceará. Formou-se em Medicina no Recife, onde reside. Além de atuar como crítico e jornalista, é autor de várias peças de teatro, inspiradas no teatro popular nordestino. Pela Cosac Naify publicou a história infanto-juvenil O pavão misteryozo (2004) e os livros de contos Faca (2003) e Livro dos homens (2005).

Crônica publicada na revista Continente Multicultural nº66, em junho de 2006, em Recife, Pernambuco.

Bandeira de São João -Vocês conhecem esse CD ?


Bandeira de São João - 1987 - Antonio Nobrega - Antonio José Madureira - Francisco Assis Lima e Ronaldo Correia de Brito
Obra de Francisco Assis Lima (letra), Antônio José Madureira (Música) e Ronaldo Correia de Brito (letra), com Antonio Nóbrega, Bandeira de São João. Lançado originalmente em 1987
Relançamento em Ano: 2006 - pela Label: Distribuição Independente - ISSN: 7899083313267
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Músicas:

01 Sertão alegre (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
02 São João menino (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
03 Boneca de milho (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
04 Acorda, povo (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
05 Jaci-Coraci (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
06 Pastoreio (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
07 Louvação (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
08 Adivinha (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
09 Algodão (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
10 Xangô São João (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
11 Balão-ão (Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
12 Quadrilha(Francisco Assis Lima - Antônio José Madureira - Ronaldo Brito)
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“Este trabalho não recobre apenas São João que todos conhecemos, em sua forma tradicional regionalizada e que define uma espécie de “perfil junino” do mundo rural e urbano brasileiro. Os elementos especificamente juninos estão aí tematizados, mas o trabalho transcende o puramente regional, dando ao tema de São João a dimensão abrangente que lhe é devida.”
junho 29, 2009 · Posted in Antonio Madureira, Antônio Nóbrega, Festa Junina, Francisco Assis Lima, Ronaldo Correia de Brito      Capitais do Brasil - Geografia Cantada

Uma foto de Nívia Uchôa


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Mulher Rendeira", no "Caminho das Índias " - Por Socorro Moreira



É claro que assisti ao penúltimo capítulo de Caminho das Índias. A cena na Estudantina com Bibi Ferreira cantando "Minha palhoça" de J. Cascata foi impagável.
Esse povo que não assiste novela , mas gosta do que é bom, nem sabe o que perdeu.
A gente que mora no Cariri perde Bibi , em tantos atos...! Perde Bibi , e ganha a vista da Chapada, e um rítmo de vida leve ...de vez em quando, a voz do Abidoral , o violão de Pachelly , e outros tantos astros que clareiam a nossa esfera. Mas, falando sério, se eu pudesse, eu veria Bibi Ferreira, mais vezes !
Lembro que , quando chegou televisão por aqui, ela tinha um programa semanal, na TV Tupi, nos dias de segunda-feira. Ficou tão íntima nossa, que deu trabalho esquecer que ela é do palco, que é do Rio de Janeiro. Algumas vezes a vi por lá : em Gota D'água, em Piaf... Maravilhosa ! Hoje eu a vi, num pedacinho da novela , e o capítulo cresceu tanto, que a cena engoliu a trama.

Ah, tinha razão um amigo, quando me dizia : " Mulher, para de se emocionar com os dramas da ficção. Vive a tua emoção. Rasga teu coração, solta tuas águas , molha quem está por perto , toma banho de chuva com o povo !".

Eu não chego a envolver-me , depois dos meus tantos janeiros, mas não nego que me ligo na telinha, principalmente , em se tratando dos últimos capítulos de novela, quando tudo enfim, se concretiza , se esclarece, e vive o final feliz .
Acabei de dar uma espiada no céu . Cantarolei "Minha Palhoça" , numa interpretação tímida e silenciosa.
Bom é Moreira da Silva ou Bibi Ferreira !

Minha Palhoça
J. Cascata


Mas se você quisesse, morar na minha palhoça – Lá tem troça e se faz bossa –
Fica lá na roça, à beira de um riachão – E à noite tem violão –
Uma roseira, cobre a banda da varanda e
Ao romper da madrugada, vem a passarada, abençoar nossa união.
Tem um cavalo, que eu comprei à prestação e que não estranha a pista
Tem jornal; lá tem revista.
Uma Kodak para tirar nossas fotografias – Vai ter retrato todo dia –
Um papagaio, que eu mandei vir do Pará.
Um aparelho de rádio batata, e um violão que desacata.
Meu Deus do céu que bom seria…
Mas se você quisesse, morar na minha palhoça – Lá tem troça e se faz bossa –
Fica lá na roça, à beira de um riachão – E à noite tem violão –
Uma roseira, cobre a banda da varanda e
Ao romper da madrugada, vem a passarada, abençoar nossa união.
Tem um pomar, que é pequenino, é uma beleza - É mesmo uma gracinha –
Criação, lá tem galinha –
Um rouxinol, que nos acorda ao amanhecer – Isso é verdade, podes crer –
A patativa quando canta faz chorar,
Há uma fonte na encosta do monte, a cantar – chuá… chuá…

E com essa encerro o dia, pois é quase madrugada , e eu quero dormir pra sonhar !

Socorro Moreira

Rubem Alves - A leitura como puro prazer.

.
De repente veio-me a frase. A seguir, a curiosidade de rever o trabalho de Rubem Alves. E ei-lo vibrante em um pensamento vigoroso e aberto. Instiga-nos a ler. Arrasta-nos do marasmo...
Vale a pena ver:

“Pelo poder da palavra ela pode agora navegar nas nuvens, visitar as estrelas, entrar, no corpo de animais, fluir com a seiva das plantas, investigar a imaginação da matéria, mergulhar no fundo de rios e de mares, andar por mundos que há muito deixaram de existir, assentar-se dentro de pirâmides e de catedrais góticas, ouvir corais gregorianos, ver os homens trabalhando e amando, ler as canções que escreveram, aprender das loucuras do poder, passear pelos espaços de literatura, da arte, da filosofia, dos números, lugares onde seu corpo nunca poderia ir sozinho... Corpo espelho do universo! Tudo cabe dentro dele!”


Rubem Alves

A leitura como puro prazer.

Joel Rocha - Revista da Cultura - Março de 2007

.Para o educador e escritor Rubem Alves, a convivência com a literatura deve ser sempre prazerosa. Do prazer vem o gosto; do gosto, o hábito. “Não esqueço a primeira história de Monteiro Lobato que ouvi meu pai contar. Jeca Tatuzinho. Eu era pequeno, vivia na roça. Fiquei encantado especialmente pelo murro que o Jeca Tatuzinho deu na cara da onça papuda. Tantas vezes me leram essa história que acabei por decorá-la.”

“Das aventuras de Robinson Crusoé, me lembro até da ilustração – ele vendo espantado a pegada na areia. Também me lembro com alegria das aulas de leitura na escola, da professora lendo para os alunos por puro prazer, sem exercícios de compreensão. Ela leu a obra inteira de Monteiro Lobato. E nós ouvíamos extasiados. Essas experiências talvez expliquem um pouco como, aos 8 anos, li espontaneamente a coleção inteira de literatura que meu pai assinava – Guy de Maupassant, Flaubert, Émile Zola...”

Pedagogo, psicanalista e autor de mais de 40 livros para adultos e mais de 30 para crianças, entre eles O velho que acordou menino (memórias), Se eu pudesse viver minha vida novamente... e Perguntaram-me se acredito em Deus, além de artigos para jornal e revista, Rubem Alves não se cansa de recomendar a leitura como prazer, nunca como obrigação. A seu ver, não adianta enumerar razões práticas para convencer as pessoas a ler. Também não adianta obrigá-las a ler, como ocorre freqüentemente nas escolas. É preciso ler por gosto. E afinal, como bem argumentou o escritor Jorge Luis Borges, por que ler um livro chato se há tantos livros deliciosos a serem lidos?

“Ler, para mim, é importante porque dá alegria”, diz. “Resolvi reler os Cem anos de solidão. Mentiras do princípio ao fim. Invenções da imaginação do Gabriel García Márquez! Mas fiquei possuído, mais possuído do que na primeira vez. Lembrei-me do que disse o poeta Paul Valéry: ‘Que seria de nós sem o socorro daquilo que não existe?’. Nos livros encontramos as coisas que não existem, que nos podem socorrer.”

Na introdução de O velho que acordou menino, ele fala do significado das ‘estórias’ inventadas: “O corpo se alimenta do que não existe. Temos saudade do que nunca aconteceu. Os gramáticos tiraram a palavra ‘estória’ do dicionário. Mas o que ‘história’ tem a ver com ‘estória’? A estória não quer tornar-se história, dizia Guimarães Rosa.A história acontece no tempo que aconteceu e não acontece mais. A estória mora no tempo que não aconteceu para que aconteça sempre.”

Sua receita de como saborear um livro: “Leia vagarosamente, bovinamente, ruminando, brincando com as palavras, sem querer chegar ao fim, como se estivesse fazendo amor com a pessoa amada. A leitura nos leva por mundos que nunca existiram e nem existirão, por espaços longínquos que nunca visitaremos. É desse mundo diferente, estranho ao nosso, que passamos a ver o mundo em que vivemos de uma outra forma.”

“A literatura desenvolve nossa capacidade de imaginar e propicia experiências emocionais que não poderíamos ter no cotidiano”, observa. “Sempre que nos identificamos com um personagem, sentimos o que ele sente: tristeza, saudade, esperança, raiva, amor. E ficamos mais ricos interiormente. Como disse o escritor Daniel Pennac, a virtude paradoxal da leitura está em fazer-nos abstrair do mundo para lhe reencontrarmos um sentido. Muitas pessoas encontram sentido para sua vida lendo um livro.”

Leitura prazerosa, no seu entender, é a que se faz de forma antropofágica, compartilhando vivências e sensações, comungando com o autor. Nada como o faro para reconhecer quando isso é possível. “É preciso fazer como um cachorro. Um cachorro nunca abocanha um pedaço de carne de uma vez. Ele primeiro cheira, testa para ver se a coisa é boa... Se a comida é ruim, a gente deixa no prato. Depois – e digo isso em especial para professores – é preciso que se leia por pura vagabundagem, sem ter pela frente testes de compreensão a serem respondidos. Está no Manifesto Antropofágico: ‘A alegria é a prova dos nove’. Essa é a marca da leitura!”

Ele conta que nunca imaginou nem premeditou ser escritor. Foi uma escolha feita por acaso. “Eu me sentia entediado com a aridez literária da universidade. Só livros eruditos. Aí resolvi brincar com as palavras. Os leitores gostaram e percebi então que poderia me dedicar à escrita. O primeiro livro publicado foi minha tese
de doutoramento, Teologia de Libertação. Foi editado nos Estados Unidos, virou best seller... Levei um susto. Aliás, a reação de meus leitores, adultos e crianças, até hoje me comove muito”.

Em sua trajetória pelo universo literário, Rubem Alves ressalta algumas descobertas que foram fundamentais e deixaram marcas definitivas: “Nietzsche, com quem me identifiquei imediatamente. Em Fernando Pessoa, descobri a poesia. Eu já tinha mais de 40 anos... Foram encontros mansos.”

Entre os autores e livros que mais ama, cada um de um jeito, como enfatiza, ele cita: “O eterno menino Mario Quintana. Adélia Prado, que faz poesia de uma formiga subindo na parede e de um quiabo, chifre de veado. Gabriel García Márquez: Cem anos de solidão, O amor nos tempos do cólera. Guimarães Rosa: Sagarana. Nikos Kazantzakis, autor de Zorba, o grego. Meu querido amigo Carlos Rodrigues Brandão. Manoel de Barros. Octavio Paz. Pablo Neruda: Confesso que vivi. Mia Couto: O outro pé da sereia. José Saramago: Memorial do convento, As intermitências da morte. O eterno Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll. Toda Mafalda, de Quino.”

.www.blogdogaleno.com.br/texto_ler.php?id=2868...

" AO MESTRE COM CARINHO" - Prof. José Nilton e Ana Cecília

Retomando a linha do discurso que provocou vossa intervenção em comentário pleno de sentido e contemporaneidade, permita-me acrescentar, que o fenômeno da cura estará ainda por muito tempo excluído da ciência médica enquanto os pesquisadores se limitarem a uma linha estruturalista conceituAl que não lhes permita lidar com a interação biopisicosocial do sujeito. Em outras palavras, continuarem afastados das Ciencias Sociais e da Filosofia.
A visão cartesiana influenciou a tal ponto a prática da assistencia a saúde que dividiu a profissão em dois campos opostos pelo vértice, distintos e quase sem comunicação entre si. Os médicos ocupam-se do "tratamento do corpo" e os psiquiatras e psicólogos, da "cura da mente".
Essa divisão no meu entender só trouxe desvantagem para a compreensão da maioria das doenças importantes, porque impediu os pesquisadores médicos de estudarem o papel do "stress" e dos "estados emocionais" no curso das doenças. Não faz muito tempo que se reconheceu o stresse como fonte significativa de um amplo leque de enfermidades e disturbios, e o vínculo entre entre estados emocionais e doença, embora conhecido através dos tempos recebe pouca atenção da ampla maioria dos colegas médicos.
Essa divisão cartesiana influenciou a tal ponto este universo que hoje existem dois corpos de literatura na pesquisa de saúde, fato que a Dra. Ana Cecília tão bem conhece. A literatura em psicológia ressalta com amplitude a importãncia dos estados emocionais para a doença. Enfatiza o debate e se documenta sobre os fatos. Os psicologos experimentais colocam a disposição nas Universidades e Centros de Pesquisa esses resultados, mas os cientistas biomédicos raramente tomam conhecimento delas. A literatura biomédica se fundamenta na fisiologia mas jamais se ocupa dos aspectos psicológicos das doenças. Só para lembrar: os estudos sobre o Câncer são um caso típico. Desde o final do século XIX a ligação entre estados emocionais e câncer se encontra estabelecidas em incontáveis estudos da literatura psicológica com provas substanciais. É triste constatar que os dados dessas pesquisas não são incorporadas pelos médicos às suas pesquisas.
Um outro fenômeno caracteriza bem este triste hiato. Persiste uma grande incapacidade dos nossos cientistas de integralizarem elementos físicos e psicológicos ao fenômeno da dor. Os pesquisadores ainda não sabem precisamente o que causa a dor simplesmente por não entenderem os mecanismos de comunicaçlão entre corpo e mente. Da mesma forma que a doença, como um todo, tem aspectos físicos e psicológicos, o mesmo ocorre com a dor que frequentemente esta associada a ela. Pergunto como "mote" para a ampliar a discussão: quem pode me afirmar quais são as fontes de dor e quais as psicológicas? Exemplo: Dois pacientes com idêntica sintomatologia física, um apresenta dores insuportáveis, enquanto o outro não sente absolutamente nada. Se quisermos entender a dor e sermos capazes de alivia-la no processo da cura, "devemos considera-la num contexto amplo que abarca as atitudes e expectativas mentais do paciente, seu sistema de crenças e valores e apoio emocional da família e dos amigos e, obviamente outras circunstâncias", já me alertava em seus ensinamentos o Prof. Fernando Gonzalez. Em outra oportunidade gostaria de abrir uma discussão com o Prof. José Nilton, Dra. Ana Cecília, Dr. José do Vale, Liduina Belchior e Dr. João Marni sobre o fenômeno da DOR e da MORTE.

Ότι η επιστήμη ανοίγει τις πόρτες της γνώσης για το καλό της ανθρωπότητας και την δόξα του Θεού
..
( Trad. - Que a Ciência abra as portas do conhecimento para o bem da humanidade e a Glória de Deus).



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Conversando Sobre Fotografia... Por Pachelly Jamacaru


DIREITOS AUTORAIS
Importante saber.



É comum pensar que uma foto que uma vez esteja na internet, esteja disponível para uso indiscriminado sem autorização consensual ou expressa de seu autor. Pessoas ou instituições, órgãos públicos, federais, empresas, que inadvertidamente, inocentemente ou intencionalmente se apropriam ou utiliza de produções autorais, correm o risco de responder nos termos da lei a um possível processo.

Este artigo não vem com intuito de amedrontar ninguém e nem está correlacionado a algum fato desta natureza aqui nos blogs, que tenha conhecimento, muito pelo contrário, o posto imbuído da intenção prestar esclarecimentos.

A coisa é séria! Ultimamente ocorreu um congresso em Minas Gerais unicamente com este propósito, discutir sobre a Lei: 9.610 de: 19 de fevereiro de 1998. Vale ressaltar que um fotógrafo é reconhecido como um artista, igualmente a um Pintor, um Escultor, enfim a aqueles que materializam a sua criatividade.

Em geral, não sabem os leigos os custos que envolvem a produção de uma fotografia. Por exemplo: Vai desde o investimento em conhecimento profissional que demanda tempo e compras de materiais ou mesmo desembolso com cursos correlatos; aquisição de equipamento de altos custos; Deslocamento que implicam gastos com combustível, alimentação e planejamento; Fator de risco de todos os gêneros, que vão desde quebra de equipamentos a todo tipo de adversidade que um fotógrafo enfrenta!

Então, é muito cômodo que uma foto maravilhosa postada em qualquer que seja o veículo, venha a ser utilizada sem o prévio consentimento do autor, sem o seu crédito de autoria e/ou sem um contrato firmado a termos!

A sugestão básica é que quem for se utilizar de qualquer produção artística, que procure o autor, peça permissão, argumente, talvez lhe ceda com maior boa vontade, talvez não, mas seja como for, respeite o seu poder de decisão!

Sugestão aos fotógrafos que publicam na Net:
Usem baixa resolução e se possível com Marca D’água!

Pachelly Jamacaru em colaboração.

Veja o que diz a lei:
Título II
Das Obras Intelectuais
Capítulo I
Das Obras Protegidas

Art. 7º.
São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como:

I - os textos de obras literárias, artísticas ou científicas; II - as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; III - as obras dramáticas e dramático-musicais; IV - as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma; V - as composições musicais tenham ou não letra; VI - as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; VII - as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia; VIII - as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética; IX - as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza; X - os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência; XI - as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova; XII - os programas de computador; XIII - as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual.

Pesquisa na internet.

Sem Sexo até 2010- Luis Fernando Veríssimo - Colaboração de Ismênia Maia

Eu nunca havia entendido porque as necessidades sexuais dos homens e das mulheres são tão diferentes. Nunca tinha entendido isso de 'Marte e Vênus'. E nunca tinha entendido porque os homens pensam com a cabeça e as mulheres com o coração.

Uma noite, na semana passada, minha mulher e eu estávamos indo para a cama. Bem, começamos a ficar a vontade, fazer carinhos, provocações, o maior 'T' e, nesse momento, ela parou e me disse:
- Acho que agora não quero, só quero que você me abrace...

Eu falei: - O QUEEE???

Ela falou: - Você não sabe se conectar com as minhas necessidades emocionais como mulher.

Comecei a pensar no que podia ter falhado. No final, assumi que aquela noite não ia rolar nada, virei e dormi. No dia seguinte, fomos ao shopping. Entramos em uma grande loja de departamentos. Fui dar uma volta enquanto ela
experimentava três modelitos caríssimos. Como estava difícil escolher entre um ou outro, falei para comprar os três. Então, ela me falou que precisava de uns sapatos que combinassem a R$ 200,00 cada par. Respondi que tudo bem.
Depois fomos a seção de joalheria, onde gostou de uns brincos de diamantes e eu concordei que comprasse. Estava tão emocionada!!! Deveria estar pensando que fiquei louco. Acho até que estava me testando quando pediu uma raquete
de tênis, porque nem tênis ela joga. Acredito que acabei com seus esquemas e paradigmas quando falei que sim. Ela estava quase excitada sexualmente depois de tudo isso. Vocês tinham que ver a carinha dela, toda feliz!

Quando ela falou: - Vamos passar no caixa para pagar, amor?

Daí eu disse: - Acho que agora não quero mais comprar tudo isso, meu bem...Só quero que você me abrace. Ela ficou pálida. No momento em que começou a ficar com cara de querer me matar, falei: - Você não sabe se conectar com as
minhas necessidades financeiras de homem.

Vinguei-me! Mas acredito que o sexo acabou pra mim até o Natal de 2010.......................

Luis Fernando Veríssimo

A ÁRVORE E A SEMENTE DE UM NOVO DEVIR



Bernardo Melgaço da Silva
Certa vez um pássaro pousou sobre um galho de uma enorme árvore numa floresta. Em seu bico carregava uma pequena semente, e por um descuido deixou-a cair lá de cima. A pequena semente ao cair se chocou contra o chão. E meio atordoada procurou se refazer do susto. Em seguida, ainda assustada olhou para a árvore imensa e disse: “Senhora árvore, por favor me ajude. Eu não sei me defender. Tenho medo de ser comida e morrer. Vejo que a senhora é muito alta, forte e experiente”.

Então a árvore respondeu dizendo: “Querida semente tu és muito pequenina, mas não tenhas medo que farei balançar os meus galhos de modo a saltar algumas folhas sobre ti e assim estarás salva dos predadores que existem nessa floresta. Eu tenho mais de um século de experiência”. E assim fez se balançar e várias folhas cairam sobre a semente de tal forma que ainda sobrou um pequeno buraco para a semente respirar e olhar para a grande árvore.

A semente agradeceu e dirigiu-se novamente para a árvore e disse: “Puxa vida – cem anos! Por favor, gostaria que me dissesse como é ser um dia uma árvore grande, forte e bonita como a senhora?”. A árvore com muita doçura respondeu: “Querida semente és muito pequenina ainda para compreender essas coisas. Mas, mesmo assim direi algo de instrutivo. Eu sou uma espécie de árvore entre milhares e milhares delas que existem por aí na floresta. Mas, todas - inclusive você será também assim um dia! - são constituídas de três partes básicas: a raíz, o tronco e a copa. Todas elas têm um duplo crescimento: um em direção às profundezas do chão e o outro em direção ao firmamento do céu.

Em outras palavras, uma parte sua estará enraizada na escuridão do mundo do chão-terra e a outra estará buscando luz, energia e claridade na imensão do cosmos. Somos assim, ou seja, temos dois impulsos de crescimento. Um nos puxando para baixo que é individual e o outro nos puxando para cima que é universal e holístico. Essa situação nos põe em conflito porque são duas forças que nos remetem para lados opostos.


O mundo do chão é escuro, ás vezes úmido, ás vezes seco, muitas das vezes duro, sofrido e bastante concreto. Esse crescimento é a base de nossa estrutura física. Por isso, temos que escolher com cuidado e prudência as substâncias e os alimentos que a natureza desse mundo nos oferece. Terás momento de fome, sede, calor, frio e solidão. A noite ficarás no escuro e de dia serás aquecida pelo sol; no verão serás alagada pelas águas da chuva; no inverno serás coberta de neve. O cupim e o homem são os nossos maiores predadores, por isso não guarde seu tesouro na terra mas no céu. Mas, não se preocupe porque o nosso criador nos criou com sensibilidade para nos protegermos e selecionarmos as coisas boas sem errar. Nada é dado, mas tudo é conquistado com perseverança, disciplina e mérito. O teu esforço pessoal é o caminho para a sua fortaleza no mundo interior do chão. Nunca se esqueça de cuidar da parte superior da copa que liga você ao mundo transcendente do céu. Ela é extremamente importante tanto quanto a parte de baixo da raíz.

Terás um desafio muito grande que é alimentar a raíz fortalecendo-a a cada dia, e ao mesmo tempo voltar-se – através da contemplação interior - constantemente para a luz transcendente do sol da vida maior. Agradeça sempre esse aprendizado porque é uma síntese da lei da vida criadora. Terás momentos difíceis e penosos principalmente quando a espécie humana se aproximar de ti.

Muitos deles perderam a sensibilidade e não nos enxergam como fonte sagrada da mãe-natureza, mas apenas como objetos de uso e troca para o crescimento de suas riquezas egoístas. E mesmo que os homens lhe ataquem com serras, martelos, foices, facôes e palavras de ordem agressivas entenda que a sua missão é servir com Amor e morrer em vida dando sombras, frutos, alimentos, abrigos e água através de suas raízes e copas. Fazemos parte de um grande sistema da vida em busca do equilíbrio cósmico.

A vida é uma árvore que deverá dar bons frutos; os homens são também como árvores. Muitos deles vivem presos dentro do chão na escuridão da consciência e não percebem o valor da copa e da luz do céu. Um dia o homem perceberá um pouco tarde que todo o mal que pratica está na raiz da consciência. Nesse dia, novas sementes crescerão orientadas pelo céu de um novo tempo e devir. Aceite ser transformada no altar da vida amorosa: é a Lei Dhármica!.

Assim, se conscientize de uma vez por toda que uma árvore evoluída precisa se fundir com a imensidão da floresta conquistando assim a sua nova identidade, salvação e libertação das raízes do limitado ego. E não existe outra forma que nos explique porque precisamos servir e vir-a-ser nesse mundo: ser essência divina criadora.

Pensamento para o Dia 10/09/2009


“Pegue o arco, a grande arma fornecida pelos Upanishads, e coloque nele uma flecha afiada pela meditação. Direcione-o com a mente concentrada em Brahman (Deus) e, sem perder o objetivo, acerte no alvo: o imortal Brahman. O Pranava (o som do “Om”) é o arco, o Atma (alma) é a flecha e Brahman é o alvo. Assim, o aspirante espiritual, assim como o arqueiro hábil, não deve afetar-se por coisas que agitem a mente. Ele deveria prestar atenção exclusivamente ao alvo. Então, ele alcança a unidade com o objeto da meditação.”
Sathya Sai Baba

Sobre a lua ...


"A Lua, na Astrologia, é o regente de Câncer. Ela representa nossas necessidades emocionais mais profundas, nossas reações e hábitos instintivos e o inconsciente. É alma, lembrança, memória, passado, voltar-se para dentro.
Seu posicionamento no mapa natal, signo e casa que se encontra indica como e onde o indivíduo gostaria de se sentir emocionalmente seguro na vida. Ela representa a mãe, a forma como foi a relação com ela – principalmente na primeira infância – e o que se herda dessa união.
Mostra a nossa base emocional que foi consolidada na infância, os nossos reflexos emocionais condicionados, os nossos hábitos e costumes instintivos.
Enquanto o Sol age, a Lua reage. Como reagimos instintivamente às circunstâncias? Aquele momento em que você “perde a cabeça” tem influência lunar. Podemos exemplificar essa reação através daquela pergunta que nos vem primeiro à mente assim que algo ocorre. Para a Lua em Áries, por exemplo, essa pergunta poderia ser: “O que eu devo fazer?”. Para a Lua em Virgem, “O que isso significa?”. Em Libra, “Isso é justo?”. Em Escorpião: “O que realmente está acontecendo?”.
A Lua, ao contrário do Sol, possui uma polaridade negativa e feminina. Deste modo, representa tanto questões do feminino como o instinto maternal, a fecundidade e a nutrição; como também mostra como será a nossa reação emocional imediata diante das mulheres. É uma das nossas imagens internas do feminino, representando a imagem da Deusa Mãe.
Este astro também simboliza onde nos sentimos emocionalmente seguros e o que precisamos para que possamos nos sentir incluídos, seguros e confortáveis.
De forma resumida, o signo que se encontra a Lua mostra:
Como você vivencia ou vê a mãe, como é como mãe, como cuida e gosta de ser cuidada.
Como nutrimos as necessidades emocionais, ou como precisamos ser nutridos ou complementados
A expectativa de complementação emocional em um relacionamento
A natureza emocional, o modo como respondemos instintivamente ou reagimos aos eventos e ao ambiente
A maneira de ser que nos dá conforto e segurança, o modo como nos afastamos quando é necessário descansar.
O que é necessário para nos sentirmos emocionalmente seguros na própria pele, nos ambientes e no lar.
A casa ocupada pela Lua descreve a área da vida em que preferimos nos apoiar em hábitos e condicionamentos para nos sentirmos emocionalmente seguros. "
Fonte: http://www.manualcontemporaneo.com/

Lâminas do Tarot -Arcano XVIII – A Lua

Esta lâmina mostra em sua representação clássica (Tarô de Marselha) uma lua no céu guardada por dois cães. Abaixo da Lua, duas torres somem no horizonte. Em primeiro plano, encontramos um caranguejo parado na água. A Lua parece sugar a energia que vem da Terra. Assim como a sua luz não torna as imagens que vemos muito definidas, A Lua representa no Tarô as ilusões, tudo o que não é claro para nós. Apesar da Lua ser o regente de Câncer na astrologia, no Tarô ela está associada ao signo de Peixes. Tudo o que tira nossa mente do contato com a realidade, tudo aquilo que altera nossa consciência, como: drogas, álcool ou algum tipo de transe. Os cães na carta são os guardiões da Lua (nossos medos e inseguranças): eles estão prontos a destroçar qualquer um que tente passar por eles. No entanto, precisamos enfrentar esse perigo a fim de continuarmos em nossa caminhada.

Lembremos que as horas mais escuras da noite são aquelas que antecedem o amanhecer.

Palavras-chave: ilusão, entorpecimento dos sentidos, medo do que está além, transe, alterações da consciência de um modo geral, intuição aguçada, superação dos próprios limites, angústia, magia.

Encantamento com a Lua
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Na Mitologia e na Wicca, a lua, representa a força feminina que reflete a força masculina do sol. Na mitologia romana é Diana e na tradição grega é Perséfone e também Afrodite. Na tradição egípcia é Ísis, a parte feminina mais poderosa de Osíris,Ísis e Hórus.
Na wicca, ela é Brid, deusa-virgem da lua crescente; Diana, deusa-mãe da lua cheia, e Morrigan, deusa-anciã da lua minguante. Os versos que seguem, foram extraídos de um ritual associado à Deusa da Lua:
"Contemple a deusa de três formas;
Ela que é sempre três- virgem,mãe e anciã.
Embora seja sempre uma só;
Contida em todas mulheres, que também nela estão.
Contemple-a, lembre-se dela,
Não esqueça nenhuma de suas faces".

P/Lua lhe conceder um desejo: - Numa noite de lua cheia,pegue uma folha de papel azul, escreva nele o pedido, e acenda uma vela branca.Diante da vela, repita: "Sobre esta vela escreverei
o que peço esta noite à tua face.
Dedico este rito à ti,
Ó adorável Deusa-Lua".
Agradeça à Deusa, e deixe a vela queimar até o fim.

*Extraído e adaptado do artigo "Magic by the Stars", de K.D.Spitzer,

"Mani - deus da lua
.
Mani é o deus da lua, irmão gêmeo da deusa Sigel, por serem irmãos gêmeos são muito comparados com Artemis e Apolo (deuses do sol e da lua da mitologia grega) que também são gemeos.
Filho dos gigantes Mundilfari e Glaur, assim como sua irmã Sigel, Mani é constantemente perseguido por um lobo sangrento chamado Hati que o persegue durante a noite com o objetivo de matá-lo e libertar seu pai Fenrir.
De acordo com a profecia durante o Ragnarok Hati alcançará Mani, o matará e o devorará criando um eclipse junto com seu irmão Skoll, assim libertando seu pai Fenrir que está aprisionado pela corrente Gleipnir. "


A Lua Cheia de Setembro, no Carircaturas - Por Socorro Moreira

(foto de Heládio Teles Duarte)

Armando colheu no universo poético, esses versos:

"A Lua Cheia se aproxima
e com ela seu feitiço
fará brilhar nossos olhos
na magia do sorriso.
Rogar-lhe-ei pelo encontro
telúrico toque, me leve
eterno, profundo, dialético,
doce, singelo, leve... "

Heládio nos enviou essa foto-poema da sua autoria.

E eu fiquei espreitando a noite, na tarde , querendo antecipar a magia de uma noite de lua.
Mas a lua nasce também dentro da gente.Principalmente no colo feminino, que condensa o seu mistério.
Quando a gente olha pro céu , seja lá qual for a idade do olhar, procuramos por ela. Os homens , por ela se encantam; os mais sensíveis até com ela conversam.
Essa é a mulher que nunca sai do porta-retrato do amante.Poetas, músicos, andarilhos, gente de todos os signos , banham-se nas suas réstias. A lua quase me enlouquece ; o amor quase me entontece; a saudade quase me entristece; a espera por ela, lua cheia , em seu esplendor , quase me deixa esquecida de todos os meus elos... Eu quase adormeço, esperando por ela... E ela vem, some, retorna, em todos os meus anos de paciente espera... Toque leve, nos meus pequenos mistérios , que riem de mim , quando o decifro chega , no dorso do verso.
-Aos amigos , que nos fazem viver a lua, numa tarde quente de setembro, dedico !

Everardo Norões segundo Ronaldo Correia de Brito (Ana Cecília)

Que alegria ver aqui o texto de Ronaldo Correia de Brito sobre Everardo Norões!

Everardo é poeta extraordinário, de grandeza tal que dispensa adjetivos.
Não por coincidência, foi através de meu pai que recentemente encontrei Everardo e Sônia - primeiro, em Salvador, depois, em sua poética residência em Recife.

Imediatamente, a sensação de estar diante de amigos que por toda a vida tivéssemos conhecido. Momentos preciosos, inesquecíveis, que me fazem compreender que a poesia é capaz, de fato, de abraçar vidas, mesmo que seu ofício exija outros percursos e viagens. Talvez as circunstâncias da vida inviabilizem o ofício do poeta, se pensado com referência a outros ofícios. No entanto, qualquer que seja a estrada percorrida, há aquelas raras situações em que a poesia abraça a vida do poeta, sejam quais forem as circunstâncias, tão forte se impõe. É o caso de Everardo.

Partilho com a comunidade do Cariricaturas, no link abaixo, esta bela página, o número 268 do Poesia Net (A Rua do Padre Inglês), sobre Everardo Norões, editado por Carlos Machado, poeta baiano radicado em São Paulo e também um amigo querido.

http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet268.htm

Wilson Bernardo no Cariri Encantado (tremei, incautos!)


Por Carlos Rafael Dias

Amanhã, sexta-feira, é dia do programa Cariri Encantado; ainda sem a participação do seu apresentador titutlar Luiz Carlos Salatiel, que ainda está em Fortaleza e só aportará por aqui no Sábado.

E o programa de amanhã não tocará música, só poesia. Portanto, um poeta será o nosso convidado. Ele, o polêmico, incompreendido, famigerado, marginal e marginalizado, contudente, incisivo, cáustico, corrosivo; mas também doce, meigo e suave. Afinal, uma metamoforse poética ambulante. Sim, ele mesmo: WILSON BERNARDO.

Será que ele fará uma revelação bombástica? Será que ele fará tremer o chão da praça? O que ele dirá, afinal?

Portanto, não percam. Amanhã, sexta-feira, no programa Cariri Encantado, das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri AM, 1020, com o apoio do Centro Cultural BNB Cariri.

Vagueios - Por : Edilma Rocha

O caminho é longo
Coração desperto
Frio, aconchego
E não amedronta
Chegada certa

Reencontros esperados
Rotineiros outra vez
Usados, rasgados
Restaurados todo mês

Sonhos meninice
Anseios perdidos
Na crendice da ilusão
Vagueiam unidos
Em novo coração

Reencontro meu torrão
Esquecido largado
Pelos anos solidão

Olhos ternos magoados
Sem cores
Pelo tempo usados
Vida amores

Brilho reluzente
Luz que reacende
Alegrias tristes
No cansaço
Como entorpecente

Viver mais uma vez
Alegria momentânea
Ligeira perdida
No tempo da ilusão

Esperar novamente
O pulsar do coração
Edilma Rocha