Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Rainer Maria von Rilke


Rainer Maria von Rilke (Praga, 4 de dezembro de 1875 — Valmont, Suíça, 29 de dezembro de 1926) foi um dos mais importantes poetas de língua alemã do século XX. Escreveu também poemas em francês.


Canção de Amor

Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua? Como hei-de
elevá-la acima de ti, até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita, quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.

Rainer Maria Rilke

Quero lhe implorar
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar.
As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.
Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.
Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.

Rainer Maria Rilke

- Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

///

- Hora Grave

Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.


Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.

Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.

\\\

Projeto Água pra que te quero!- Nívia Uchôa




"A água de boa qualidade é como
a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba“
João Guimarães Rosa

Se esta rua fosse minha...

Eu mandava ladrilhar...

para o Ano Novo passar...
***
Foto por Claude Bloc

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Receita de lentilha para a ceia do Ano Novo


Ingredientes


• 2 xícaras (chá) de lentilha
• pimenta-do-reino a gosto
• 6 colheres (sopa) de azeite ou óleo
• 150 g de lingüiça fina
• 1 colher (chá) de manjerona
• sal a gosto
• 1 dente de alho amassado
• 5 colheres (sopa) de cebola ralada
• 3 litros de água


Preparo da Receita


Lave bem em água corrente e deixe de molho em 3 litros de água de um dia para outro. Leve ao fogo em uma panela grande com a mesma água que ficou de molho, deixe cozinhar bem sem secar a água.
Lave a lingüiça e coloque em outra panela, cubra com água e deixe ferver um pouco. Leve ao fogo uma frigideira com azeite, deixe esquentar bem, junte a cebola, o alho previamente amassado com sal e MANJERONA e vá mexendo com uma colher de pau até ficar bem dourado.

Acrescente na lentilha cozida, junte a lingüiça com a água, deixe ferver bem até engrossar o caldo, mexendo de vez em quando para não queimar (fogo baixo). A consistência do caldo fica ao seu gosto.

Paulo Tapajós por Norma Hauer



ELE PARTIU EM 29 DE DEZEMBRO
Em 20 de outubro de 1913 ele chegou e nos trouxe muita alegria.
Em 29 de dezembro de 1990 ele partiu.

Seu nome PAULO TAPAJÓS.

Com seus irmãos Haroldo e Oswaldo iniciou sua carreira na pioneira Rádio Sociedade, em 1927. Seu irmão Oswaldo logo abandonou o conjunto e Paulo continuou fazendo dupla com Haroldo, quando gravaram a primeira composição de Vinicius de Moraes, então um nome pouco conhecido, embora sobrinho de Melo Moraes, também compositor.
Essa primeira gravação foi o samba "Loura e Morena".

Paulo Tapajós e Vinicius de Moraes nasceram apenas com um dia de diferença, ambos em 1913. Paulo gostava de dizer que eles "se encontravam" à meia-noite, para um abraço de parabéns recíproco.

Paulo Tapajós continuou sua carreira com o irmão Haroldo, ingressando na Rádio Mayrink Veiga.

Posteriormente, já sozinho, passou à Rádio Nacional (entre 1942 e 1946) , fez uma pequena temporada na Rádio Tupi, regressando à Nacional onde apresentava, no fim
da noite, o"Musica em Surdina".

Com Albertinho Fortuna e Nuno Roland, formou o "Trio Melodia", ainda na Rádio Nacional.

Nessa época gravou várias serestas, a maioria de Catulo, como "Os Olhos Dela";"Tu
Passaste por este Jardim":"Recorda-te de Mim"; "Ao Luar"; Clélia" e várias outras.

Como sua voz era "pequena", mas muito bem colocada, ele foi considerado "modinheiro" ao invés de seresteiro.

Quando a Rádio Nacional praticamente acabou, Paulo Tapajós conseguiu salvar seu acervo que iria ser sucateado.

Hoje, programas da Nacional, como "Rádio Memória", de Gerdal dos Santos ou "História de Osmar Frazão" costumam inserir partes de programas famosos salvos por Paulo Tapajós.
Paulo Tapajós dirigiu o Museu da Imagem e do Som, depois que Almirante o deixou e
ali ouviu e gravou depoimentos de compositores e cantores que passaram por
nossa música e foi a ele que Pixinguinha revelou o nome de Octavio de Souza como
o autor da letra da belíssima composição "ROSA.

No disco original de ROSA, gravado por Orlando Silva, só consta o nome de Pixinguinha, grande músico, mas que não fazia letras.

Em 1990 Paulo Tapajós, como grande pesquisador que ia "fundo" buscar material para seus programas, apresentou, durante cinco terças-feiras, no Teatro do BNDES
a "História do Carnaval no Brasil", desde os primórdios, quando havia muita influência estrangeira, principalmente lembrando o carnaval de Veneza, passando pela primeira música feita para o carnaval , o "Abre Alas" de Chiquinha Gonzaga, até o apogeu das Escolas de Samba.

Vários cantores ali se apresentaram, dando voz e vida aos programas.

Paulo Tapajós estava preparando outra programação para aquele teatro, quando apresentaria a obra de Ataúlfo Alves, mas faleceu em 29 de dezembro daquele mesmo ano (1990) e o projeto não aconteceu.

Paulo Tapajóis teve três filhos, todos ligados à música:Maurício, Dorinha e Paulinho.
Norma Hauer

Soneto- Chico Buarque

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

Chico Buarque

Canção na Plenitude - Lya Luft

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.

Há rugas onde havia sedas,
sou uma estrutura agrandada pelos anos
e o peso dos fardos bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.

A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.

Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força -- que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés -- mesmo se fogem -- retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Poema de Maiakovsky

"Na primeira noite
Eles aproximam-se
E colhem uma Flor
Do nosso jardim
E não dizemos nada.

Na segunda noite,
Já não se escondem:
Pisam as flores
Matam o nosso cão,
E não dizemos nada.

Até que um dia
O mais frágil deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a lua e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada."

Telha de Vidro - Raquel de Queiroz - para Divani Cabral



Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...


Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.


Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

Maurice Joseph Ravel



(1875-1937)
Maurice Joseph Ravel nasceu em Ciboure (França), perto de Saint-Jean-de-Luz, Baixos Pirineus, a 7 de março de 1875. Entrou em 1889 no Conservatório de Paris e era ainda estudante quando apareceram suas primeiras composições. Estas criaram para o jovem compositor a fama de revolucionário perigoso, sendo-lhe negada por três vezes a atribuição do Prêmio de Roma.

Sua vida se resumiu depois em trabalho interrompido apenas pela sua participação na I Guerra Mundial. Em 1920 recusou a legião d'Honneur. Um acidente em 1932 provocou em Ravel um trauma de que jamais se recuperou. A memória foi afetada e também a coordenação dos movimentos. Seus amigos organizaram viagens à Espanha e ao Marrocos, a fim de distraí-lo. Operado em 1837, Ravel morreu em Paris a 28 de dezembro de 1937, ainda inconsciente.

A vida de Ravel foi neutra, sem acontecimentos, a não ser as reações provocadas por sua obra, reações que foram contraditórias, pois Ravel foi julgado revolucionário nos círculos tradicionalistas do Conservatório e conservador pelos círculos vanguardistas da década de 1920.

Ravel contribuiu mais para a extensão e abertura do que para a destruição do sistema tonal clássico. Foi inovador em suas harmonias estranhas e clássico pelo firme contorno de suas linhas melódicas. É nesse ponto mesmo que diverge de Debussy, com quem foi, por equívoco, sempre comparado. Enquanto Debussy foi músico impressionista, pela dissolução da linha melódica (tal como os pintores impressionistas dissolveram o traço em proveito da luminosidade), Ravel foi anti-impressionista na construção da melodia.

Não obstante, há uma atmosfera comum a Debussy, Ravel e outros músicos da época: certo esoterismo da linguagem musical, pela procura de novas harmonias, e um certo preciosismo temático, inspirado pelo Simbolismo, além de atração pelo Oriente e pela Espanha. A influência entre os dois compositores foi recíproca. Ravel, longe de ser um epígono, foi personalidade totalmente original. Sua música é a revelação dessa personalidade, reticente e reservada, ao mesmo tempo irônica e sentimental.

Apesar de ter sido inovador em todos os gêneros musicais e na própria estrutura musical, não é um acaso a grande admiração de Ravel pela música pré-classicista francesa e pelos mestres do Classicismo vienense: ele próprio foi algo como o 'último clássico', antes de Stravinsky e a escola de Schönberg realizarem a grande subversão da música.

Entre as primeiras apresentações públicas das obras de Ravel está a abertura Sherazade, uma ópera não realizada. Ravel foi um mestre da orquestração, na descendência direta de Rimski-Korsakov, mas pouco do que fez foi produzido originalmente para a orquestra.

Orquestrou obras para piano, suas e dos outros. É mesmo famosa a sua transcrição para a orquestra dos Quadros de uma exposição, de Mussorgsky, que pode ser considerada como obra original, raveliana. Escrito para orquestra é o célebre Bolero (1927), que se desgastou pela execução repetida. Mas é obra originalíssima pela sua estrutura rítmica e pela concepção melódica, que o próprio Ravel definiu como 'um estudo em crescendo, com o tema obstinadamente repetido'. Ravel também orquestrou sua obra pianística Pavana para uma infanta morta, de que se falará a seguir.

Famoso são dois concertos, o Concerto para piano em ré maior (1931), também conhecido como Concerto para mão esquerda, e o Concerto para piano em sol maior (1932). Ravel tinha uma concepção clássica do concerto, como obra racional, mas não é possível ignorar a dramaticidade inerente ao Concerto para mão esquerda, escrito para o pianista Wittgenstein, que tinha na I Guerra Mundial perdido o braço direito.

Muito se discutiu a estrutura rítmica da música de Ravel, herdeira dos ritmos de dança dos barrocos franceses (Lully, Couperin, Rameau). Na sua obra mais extensa, o balé Dafne e Cloé (1909-1912), reconhece-se tal sensualidade rítmica, enquanto o poema coreógrafo A valsa (1919-1920) é de marcação propositalmente lenta. Avesso à grandiloqüência, Ravel deixou, na ópera, duas obras de singulares humor e fantasia: A hora espanhola (1907) e A criança e os sortilégios (1925).

No setor de música de câmara, Ravel se revela em sua intimidade, em sua secreta tensão; mas também como músico que, sem assumir qualquer radicalidade estrutural, numa elaboração arquitetônica clássica, explora sensualmente as sonoridades raras. São obras-primas o Quarteto para cordas em fá maior (1903), o Trio para piano, violino e violoncelo (1914) e a Sonata para piano e violino (1923-1927). De rara beleza melódica é a Introdução e Allegro (1906), para harpa, cordas, flauta e clarineta, explorando um jogo singular de contrastes harmônicos.

O primeiro êxito de Ravel foi uma peça pianística, Pavana para uma infanta morta (1899), depois severamente julgada pelo autor, mas que persiste, em seu ritmo elegíaco, como uma de suas produções mais memoráveis. Ravel evoluiu, no piano, do impressionismo ainda sensível em Espelhos (1905), para os ritmos mais ásperos de Gaspard de la nuit (1908) em que persistem, no entanto, arabescos cromáticos fantasiosos.

Mestre do piano na linha de artifício caprichoso de Liszt, explorou a espirituosidade em Valsas nobres e sentimentais (1911), mas tendeu depois para o despojamento de O túmulo de Couperin (1917). Seu estilo pianístico explorou uma aguda definição e acabamento formal, de feição neo-clássica.

Grande mestre da orquestra e do piano, Ravel deixou obra vocal restrita, mas de grande singularidade. Sua escolha de textos era, às vezes, surpreendente, e o compositor seguia estritamente o ritmo da própria linguagem verbal. São assim, o ciclo das Histórias naturais (1906), segundo textos de Jules Renard, e as muito posteriores Canções de Dom Quixote à Dulcinéia (1932) sobre textos de Paul Morand. Música de câmara restrita são os ciclos Três poemas de Stéphane Mallarmé (1913) e Chansons madégasses (1925-1926). Além de outros ciclos eruditos, deixou várias transcrições de melodias populares.

Ravel - Minha coleção

OFICINA da PALAVRA - Cariricaturas, informa !





Oficina da Palavra - por Stela Siebra Brito

“Os leitores são viajantes, circulam nas terras de outras pessoas, nômades que caçam furtivamente nos campos que não escreveram”.
(Michel de Certeau)

Objetivando estimular o prazer e o interesse pelo exercício da leitura de poesia e da contação de histórias, a Oficina da Palavra oportuniza a descoberta de valores individuais e propicia o exercício da autoria através do diálogo entre as linguagens (poesia, histórias, música, dança em roda).


DESENVOLVIMENTO DA OFICINA

A ação terá como prioridade atingir um público formado por pessoas que amam a poesia e/ou a contação de histórias. A oficina acontecerá, na cidade do Crato, nos dias 29 e 30 de dezembro/09 e nos dias 6, 7 e 8 de janeiro/10.
O encerramento da Oficina da Palavra será no sábado, dia 9, com um Recital de Poesias e Contação de Histórias, feitos pelos participantes.
Todas as dinâmicas serão realizadas em círculos, já que no círculo se trabalha o equilíbrio entre o indivíduo e o coletivo. Na roda, somos convidados a estarmos presentes, a participarmos de maneira plena dos processos de transformação social.
Cada encontro será iniciado com uma atividade de expressão corporal - para aquecimento e relaxamento das tensões musculares - e com uma dinâmica de aquecimento vocal - para relaxar e ativar, especialmente, os órgãos da fala.
Entendemos que estas duas atividades conduzem a um relaxamento não só do corpo, mas também da mente, favorecem o equilíbrio físico e emocional, possibilitando uma respiração mais livre e consciente, o que, inevitavelmente, conduz a uma maior concentração e encontro pessoal com sua essência.
Os exercícios de voz facilitam o desempenho da leitura, com a boa articulação das palavras, sonorização, entonação e pontuação adequadas, além de permitirem uma maior soltura das pessoas, que passam a ler e a narrar de forma mais espontânea e confiante. Para complementar os exercícios de voz, brincaremos com parlendas e trava-língua. A música e a dança estarão presentes através de dinâmicas diárias de danças circulares e de atividades com poemas musicados.

Colocados em círculo, percebemos a nossa identificação com o outro. O círculo é essencialmente inclusivo. Ignorar um componente ou a manifestação de um componente da roda seria, num certo sentido, ir contra a tendência natural do círculo.
A produção escrita será estimulada através da brincadeira da remessa de cartões postais no final da oficina, o que será uma oportunidade para os participantes exercitarem a imaginação e a criatividade, registrando, por escrito, a memória desta experiência e de outras memórias guardadas com eles. Neste caso, o lembrar não será apenas reviver, mas, sobretudo, recriar.

Stela Siebra Brito


Vr. do Investimento : 50,00
Local : SCAC
Cronograma : 29 e 30.12; 06 a 08.01.2010.
09.01.2010- Recital de encerramento ( Teatro Raquel de Queiroz)
Horário : das 19 às 21 h.
Mestra : Stela Siebra Brito
Coordenação : Socorro Moreira
Parceria : SCAC (Divani Cabral)

Lista de Participantes :
Socorro Moreira
Rosineide Esmeraldo,
Fátima Esmeraldo ,
Abidoral Jamacaru,
Roberto Jamacaru
Fanca Jamacaru,
Eleonora Figueiredo,
Fabiana Vieira,
Poliana Esmeraldo,
Blandino,
Divani Cabral,
Hermógenes Teixeira,
Olival Honor
Márcia
João do Crato
Zélia Moreira
Ida Figueirêdo

Vagas limitadas ! Inscrições até 29.12.2009

Maiores informações, fale conosco !
Tel : 35232867
Socorro Moreira

O Livro do Cariricaturas - Edição e Lançamento




Um livro escrito por muitas mãos: uma coletânea com nossos escritores e artistas.

Detalhes :

. Release com fotografia de cada escritor ( 01 página)
• 4 textos por escritor (máximo de 7 páginas - fonte : garamond - altura : 12) - Temática livre ( crônicas, contos e poemas).
• Os textos serão escolhidos pelos próprios escritores;
• um contingente de 200,00 por escritor
• O pagamento poderá ser feito em 4 x 50,00 ( fev-mar-abr-maio)

. O livro será dedicado aos mestres de todos os tempos, representados por Dr. José Newton Alves de Sousa.
- A capa será a foto de Pachelly- essa que já caracteriza o Cariricaturas.
- O título é: "Cariricaturas em prosas e versos"
- Edição: Emerson Monteiro ( Editora de Sonhos - Crato-Ce)
- Dedicatória ( Assis Lima e Ana Cecília)
- Prefácio/ Apresentação ( José do Vale e Zé Flávio)

-Já estão confirmadas 31 adesões:

01. Claude Bloc
02. Magali Figueirêdo
03. Carlos Esmeraldo
04. Maria Amélia de Castro
05. Ana Cecília Bastos
06. Assis Lima
07. Socorro Moreira
08. Stela Siebra de Brito
09. Wilton Dedê
10. João Marni
11. Rejane Gonçalves
12. Rosa Guerrera
13. Heladio Teles Duarte
14. Edilma Rocha
15. Emerson Monteiro
16. José Flávio Vieira
17. João Nicodemos
18. José do Vale Feitosa
19. Liduina Vilar
20. Elmano Rodrigues
21. Carlos Rafael
22. Armando Rafael
23. Bernardo Melgaço
24. Domingos Barroso
25. Roberto Jamacaru
26.Dimas de Castro
27.Joaquim Pinheiro
28.Edmar Lima Cordeiro
29.Hermógenes Teixeira de Holanda
30.Olival Honor

31.José Nilton Mariano


Lembrem-se:

O envio dos textos será até 21.01.2010.


Outras informações :
Tiragem : 1.000 exemplares
Distribuição entre autores : 620 ( 20 para cada)
Saldo : 380 ( será transformados em ingressos para cobrir as despesas da festa de lançamento : coquetel, convites, divulgação, banda,decoração, etc);
Se houver saldo de livros será redistribuído entre os autores.
Preço do livro por unidade : 20,00
A edição foi orçada em 6.000,00 ( já considerados todos os descontos possíveis).
Número de páginas : 260 ( aproximadamente).
O valor da contribuição por escritor ( 200,00) será sepositado numa cta do Editor (Emerson Monteiro) a ser informada por e-mail. Em contrapartida será enviado respectivo recibo.
Atentar para as datas limite de envio do material ,e de pagamento :
Envio do material : até 21.01.2010
Pagamento: até 31.05.2010
Claude e Socorro Moreira

As barbas de Papai Noel - por Claude Bloc

Será que Papai Noel perdeu a sua barba?

Feliz 2010 a todos que compõem e embelezam o Cariricaturas.

Claude Bloc


domingo, 27 de dezembro de 2009

PIOR PODERIA TER SIDO - Por Mundim do Vale

Respeitando as devidas proporções. O 06 de outubro, em Várzea Alegre, teve semelhança com o 11 de setembro, em Nova York.

Era festa de aniversário da emancipação política da cidade e o prefeito promoveu atividades culturais e esportivas para comemorar. Entre as atividades estava o ciclismo.

Para a corrida se inscreveram: Antônio Negrão, Baixinho da Cadeiras, Zaqueu Guedes e outros mais. Os torcedores ficavam nas esquinas, para jogar água nos atletas, Mas Zé Bobô fez diferente, passou a semana juntando lavagem numa lata de querosene para fazer a brincadeira...
Quando Zaqueu fazia a primeira volta os outros atletas já estavam na terceira, foi nessa hora que Zé Bobô jogou a lata de lavagem nele. Zaqueu parou a bicicleta e foi descendo enquanto tirava uma casca de banana da cabeça e alguns macarrões do ombro. Olhou Para Zé e falou:

- Jogue mais não meu bichim. Isso é um atentado contra a minha saúde. Eu tou com o corpo quente e posso estuporar. Em seguida montou na bicicleta e saiu pedalando para tentar recuperar o tempo perdido. Pedalou uns 100 metros e a corrente caiu. Enquanto ele colocava os outros atletas deram mais duas voltas. Quando ele terminou de colocar a corrente, olhou para as mão e a roupa suja de graxa e disse:

- Arre égua. Nessa corrida já aconteceu de tudo comigo. Só falta agora eu chegar por derradeiro.
O Baixinho das cadeiras com 03 voltas na frente de Zaqueu e 03 atrás dos outros, foi a fazer a curva na rua do juazeiro para entrar na Av. Figueredo Correia, deu uma sobrada e caiu com bicicleta e tudo no terraço de Petronila, quebrou o varal, um pé de peão roxo, 02 gaiolas, amassou um bule e ficou mais arranhado do que capador de gatos. A bicicleta ficou com a roda traseira encostada da dianteira e a garupa foi ficar colada nos guidões. De tão compactada que ficou a bicicleta, deu para ser colocada num saco de farinha.

Levaram a bicicleta para a oficina de Punduru pra ver se dava para aproveitar pelo menos os raios. E o Baixinho foi colocado numa padiola e levado para a farmácia de Nelinho para fazer os curativos. Nessa ocasião chegou Zé de Bogim e falou:

- Mas que tragédia em Baixinho!
O Baixinho entre um ai e um ui falou:

- Pior poderia ter sido.
- Como poderia ter sido pior? Se você perdeu a bicicleta, a corrida e quase perde a vida?
- Tinha sido pior se dona Petrolina tivesse catando arroz no terraço.
- E qual a diferença dela tá catando arroz, para tá estendendo roupas ou aguando plantas?
- É porque se ela tivesse catando arroz, tava entretida com a cabeça baixa e não dava tempo de correr.
.
Mundim do Vale

Feliz 2010 - Por Cláudio Teixeira

Que neste NOVO ANO sejamos capazes de diferenciar as coisas boas das ruins para que possamos esta sempre juntos às novas mudanças, estando sempre dispostos para aprender ALGO NOVO de NOVO e de NOVO...

"FELIZ 2010"
.
--
Cláudio Teixeira (Caricaturas. )

Café da manhã ? CASA do CARIRI de Múcio Duarte !

Só alegria. Beira da estrada . Tempo verde . Azul molhado !
Cardápio aprovadíssimo. Atendimento vip, amigo !
Omeletes deliciosos, tapioca, bolos, sucos, cuscuz, queijo de coalho assado... e o tradicional café com leite ! Ambiente criativamente decorado... Tudo lindo ! Adorei o espaço, e recomendo !


Depois do café, regado a papos , Rosineide posa , num cantinho feminino e esspelhado.

Traço fino - por Claude Bloc


Traço a traço
desenhei minha saudade.
Primeiro um traço fino
curvando meus dedos
entortando o silêncio
se enroscando na brisa
tocando a linha reta
na cumeeira da casa.
.
Na terra frouxa
pétalas descuidadas
saudade (re)desenhada
na folha dourando o chão,
nos restos de pó e mágoa.
.
Claude Bloc
.

Diversidade


Têm muitas coisas que a gente vai deixando, vai deixando, vai deixando de ser e nem percebe.
Quando viu, babau, já não é mais.
.
Mocidade é isso aí, sabia?
.
Caio Fernando Abreu

====================================

“Sinto-me um pouco intrusa vasculhando minha infância.
Não quero perturbar aquela menina no seu ofício de sonhar.”

Lya Luft

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"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo."
.
Guimarães Rosa
.
===================================

"Todos os dias ela acorda e não reconhece a própria casa, não reconhece os filhos, não reconhece os netos. Quando olha no espelho, enxerga uma menina.
.
O espelho é o único que não mente."
.
Flávio Machado

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"Existem muitos caminhos dentro de mim que me chamam para esse agitado mar.
Um caminho que leva à verdade, outro me tira a liberdade.
Outro faz meu EU se perder do fim.
.
Escolho um e tento guardar, memorizar, porque se precisar saberei voltar"
.
Débora Gross


=====================================

"Na arte, a inspiração tem um toque de magia, porque é uma coisa absoluta, inexplicável. Não creio que venha de fora pra dentro, de forças sobrenaturais. Suponho que emerge do mais profundo "eu" da pessoa, do inconsciente individual, coletivo e cósmico."

Clarice Lispector

====================================

"A beleza está além das palavras, exceto quando as palavras se transformam em música, como na poesia."
.
Rubem Alves

====================================

"Derramei três lágrimas: a primeira escorreu pela face e perdeu-se na boca;
a segunda morreu achatada contra o assoalho;
a terceira caiu na tua mão.
.
E foi a que mais doeu. "
.
Caio Fernando Abreu

À flor dos dedos - Por Claude Bloc



Claude Bloc

Poema feito fantasmas - por Ana Cecília S.Bastos


Os dias se esgarçam e sigo,

às vezes incólume,

às vezes tardia.

O quebrar das ondas, o açoite do vento,

De novo o sol do verão, arrulhos do mar.


E silencio.

E silencio.


Procurar os objetos perdidos na casa, que foi deles?

Onde existem que não os vejo?

Procurar os filhos que se fazem, que fiz deles?
eu que só posso vê-los?
.
Ana Cecília
Amanhã
- Por Claude Bloc -
.
Amanhã a cidade se abrirá
com cores renovadas
procurando a perfeição em tudo
sem sombra, sem mágoa.

Te buscarei, então,
no fundo de minh’alma
não medirei esforços
nem lancearei anseios antigos
nos preparativos de muitas horas
de última hora...


Espalharei por toda a cidade
as réstias de alegria
que vibram pelas ruas
e as que levaste contigo
na última revoada
nas asas do vento.


Claude Bloc

A leveza do sábado passado ...

Bianca e Sofia, curtindo as alegrias da praça ... É tempo de brincar !

Sofia é filha do meu caçula , o André . Sem dúvidas, o sorriso mais gostoso da minha vida !

Maria Alice rouba a cena... Quando fala , o grupo silencia. Transforma em risos a seriedade do mundo. É linda, graciosa, inteligente, e diz cada uma ...!


Foi aqui que o meu dia começou: na hospitalidade de João Marni , e na simpatia das mulheres da família : Fátima, Rosineide, Mona e Ida ... Mesa farta, boa música , e fartura de amor, no coração de todos !

O Turbo Véio do João - por Zé Flávio Vieira


Caros amigos,

Recentemente o nosso querido companheiro João Marni se tornou sexy(agenário) e publicou um texto muito bonito sobre a nova situação por que estava passando: se transformara num motor turbo 6.0. . Amigos de todos, nós pensei em homenageá-lo, mas não tendo o dom da poesia, pedi a um poeta popular do Arajara , conhecido por "Jacu da Imbiribeira", para fazer alguns versos sobre o Motor do nosso João que não parece estar em estado tão perfeito como ele vive a se vangloriar. Aí vão os versos para o Turbo 6.0 do nosso querido João.
Abraço,
Zé Flávio


O TURBO VÉIO DO JOÃO

O turbo véio do João
Dá um trabalho do cão,
Só anda no solavanco,
Pelo cano ele fumega,
E na chave já não pega,
Só vira se for no tranco.



O filtro tá entupido,
Cem grilo com seus zumbido
Pedem um pouco de graxa.
E Baixa um óleo danado,
Os dois farol tão queimado
E ta saltando de marcha.


O rolamento não morga,
A porta tem uma folga,
As roda tão empenada.
Tem batida na biela,
Tão suja todas as vela,
A direção ta quebrada.


Pois o relé já pifou,
A bateria secou,
E a barra da direção
Quebrou em mais de cem tora.
Estanca a toda hora
O turbo véio do João.


O tanque de gás secou,
O fundo dele furou
E o eixo ta sem bitola.
Tem falha no retentor,
Golpa pelo radiador,
Quebrou o feixe de mola.


O véu não tem quem destape,
Lascou o cano de escape
E a bobina bem no meio.
O trinco não há quem mova,
Queimou o benzo e a escova,
Secou o óleo do freio.


Modelo quarenta e nove,
Não há mais quem renove
Um carro fora de linha.
Ele mora na oficina,
Mesmo assim inda buzina
Como uma Ferrari novinha.


Falhando a carburação,
O turbo velho do João
Já não queima a espoleta.
Só pega com um remendo:
Com Dona Fátima metendo
O dedo na borboleta.


O turbo ta mei dolente,
Já não anda mais pra frente,
Até já disse o Zezé:
Se é pra ter serventia
Pegue a carta de alforria
Engatando a marcha ré.

Jacu da Imbiribeira

Arajara - 21/12/09

Sombras ... por Socorro Moreira


(LUA)
.
esperei sonhos
e o sono voltou
delicadeza tal,
meu corpo até vibrou:
ela chegou!
Vestida de prata
No rastro do amor
Casa na penumbra,
aconchegante ficou!
--------------------------
Sempre vivi lentamente
Morro, intempestivamente
Durmo, quando canso
E morro de ser feliz,
quando sonho!
------------------------
Garra dos felinos
falta em mim
Não entendo a linguagem dos que dizem
Encontro entendimento no silêncio
Perco-me na direção do Luar
Evito todos os nós
Me amarro no pão de cada dia
Um dia tudo será vazio ...
Até de poesia!
----------------------
Apaixonada e sem jardim
sinto de memória
Perfume de amor em mim
Ventos trazem e levam
Tocatas nas Nuvens
Balanço das folhas
Decoros no corpo ...
Sem tesão,
belisco tanto pão!
Um beijo sem amparo
tranco em minha mão.

sábado, 26 de dezembro de 2009

1968 - Honey



Bobby Goldsboro foi o primeiro a cantar esta canção.

HONEY

See the tree, how big it's grown
But friend it hasn't been too long
It wasn't big
I laughed at her and she got mad
The first day that she planted it, was just a twig
Then the first snow came
And she ran out to brush the snow away
So it wouldn't die
Came runnin' in all excited
Slipped and almost hurt herself
And I laughed till I cried
She was always young at heart
Kinda dumb and kinda smart and I loved her so
And I surprised her with a puppy
Kept me up all Christmas Eve two years ago
And it would sure embarrass her
When I came in from workin' late
'Cause I would know
That she'd been sittin' there and cryin'
Over some sad and silly late, late show

And honey, I miss you
And I'm bein' good
And I'd love to be with you
If only I could

She wrecked the car and she was sad
And so afraid that I'd be mad
But what the heck
Though I pretended hard to be
Guess you could say she saw through me
And hugged my neck
I came home unexpectedly
And caught her cryin' needlessly
In the middle of the day
And it was in the early Spring
When flowers bloom and robins sing
She went away

And honey, I miss you
And I'm bein' good
And I'd love to be with you
If only I could

One day while I was not at home
While she was there and all alone
The angels came
Now all I have is memories of Honey
And I wake up nights and call her name
Now my life's an empty stage
Where Honey lived and Honey played
And love grew up
And a small cloud passes overhead
And cries down on the flower bed
That Honey loved

And see the tree how big it's grown
But friend it hasn't been too long
It wasn't big
And I laughed at her and she got mad
The first day that she planted it, was just a twig

The Golden 60's



1967 - Bom ano, boa safra musical como todos os anos 60.

Something Stupid

I know I stand in line, until you think you have the time
To spend an evening with me
And if we go someplace to dance, I know that there's a chance
You won't be leaving with me

And afterwards we drop into a quiet little place
And have a drink or two
And then I go and spoil it all, by saying something stupid
Like: "I love you"

I can see it in your eyes, that you despise the same old lies
You heard the night before
And though it's just a line to you, for me it's true
And never seemed so right before

I practice every day to find some clever lines to say
To make the meaning come true
But then I think I'll wait until the evening gets late
And I'm alone with you

The time is right your perfume fills my head, the stars get red
And oh the night's so blue
And then I go and spoil it all, by saying something stupid
Like: "I love you"
("I love you, I love you,...")

I Will Wait For You



Uma grande canção do maestro francês Michel Legrand na interpretação de Astrud Gilberto.

Direito - Justiça e Verdade por Edmar Lima Cordeiro



“SÓ PALAVRAS ABSTRATAS, AQUELAS QUE REFLETEM E REGEM NÃO AS NECESSIDADES MAS AS RELAÇÕES, QUE NÃO SE REFEREM AOS OBJETOS MAS AOS HOMENS, CONSERVAM INTACTA TODA A SUA CARGA DE MISTÉRIO. ELAS SE IMPÕEM SEM OFERECER NADA, RECEBEM SEM DAR NADA, E ACOMPANHAM A ESPÉCIE HUMANA EM SUAS PROVOCAÇÕES, EM SUAS CONQUISTAS, EM SEUS DESASTRES. CONSTITUEM A ARMADURA INFLEXÍVEL E DURÁVEL DAS SOCIEDADES. ATRAVÉS DOS AGENTES QUE BATEM, SÃO AS PALAVRAS QUE OPRIMEM. SÃO ELAS AS GUARDIÃS SAGRADAS DA REPRESSÃO, QUE TODOS INVOCAM, DIVINDADE SECRETA, MESTRE CUJO ROSTO NINGUÉM VIU SEM MÁSCARA.”
SEMPRE REPAREI A IMPORTANCIA E A FUNDAMENTAÇÃO DAS PALAVRAS DIREITO, VERDADE E JUSTIÇA, NA CONCEPÇÃO DOS TRABALHOS E NO ENSINAMENTO DA GLORIFICAÇÃO DESTAS PALAVRAS ABSTRATAS QUE REFLETEM E REGEM NOSSO COMPORTAMENTO COMO HOMENS JUSTOS E PERFEITOS.
SENDO ASSIM, BUSQUEI O ENTENDIMENTO DA GLORIFICAÇÃO DESSA DIVINDADE SECRETA NA PESQUISA.
PRIMEIRO FALAREI DO DIREITO, DOS SEUS PRINCIPIOS E DA SUA EXISTENCIA E DO SEU FIM, COMO SEGUE:
O DIREITO É UM TRABALHO INCESSANTE, NÃO SOMENTE DOS PODERES PÚBLICOS, MAS AINDA DE UMA NAÇÃO INTEIRA.
IHERING EM SUA OBRA “A LUTA PELO DIREITO”, EDITORA FORENSE, ENSINA QUE: “O DIREITO NÃO É UMA PURA TEORIA, MAS UMA FORÇA VIVA”.
INSTITUIÇÕES NA SUA GRANDE MAIORIA SÃO SOBREMANEIRA LEGALISTAS, A LUTA PELA ORDEM E PELA LIBERDADE DOS HOMENS SEMPRE FOI A FORÇA HISTÓRICA DELAS, GRANDES PENSADORES E LÍDERES EMPUNHARAM A FORÇA DO DIREITO PARA GARANTIR O SENTIDO HUMANISTA DA AÇÃO DESSAS NA DEFESA DAS LIBERDADES.
A MANUTENÇÃO DA ORDEM JURÍDICA, DA PARTE DO ESTADO, NÃO É SENÃO UMA LUTA INCESSANTE CONTRA A ANARQUIA QUE O ATACA, NO ENSINAMENTO DE IHERING.
MONTESQUIEU, EM 1726, DEIXOU A JUDICATURA EM SUA TERRA, FOI PARA PARIS E O EXTERIOR. E POR TODA PARTE ELE, BARÃO E RICO, ERA IGUALMENTE BEM RECEBIDO. TANTO ASSIM QUE LOGO INGRESSOU NA ACADEMIA FRANCESA (1726); E A SEGUIR, AO MORAR NA INGLATERRA (1729-1731) TAMBÉM INGRESSOU NA LOJA MAÇÔNICA DE WESTMINSTER E NA REAL SOCIEDADE DE LONDRES.
ESTE EMINENTE FILOSÓFO O ESCREVEU “O ESPIRITO DAS LEIS”, (1748) NO QUAL EXPÕE SUA DOUTRINA SOBRE AS FORMAS DE GOVERNO E RESPECTIVOS PRINCÍPIOS. MAS A TEORIA GERAL DO DIREITO DE MONTESQUIEU PODE ESQUEMATIZAR-SE ASSIM:
DIREITO NATURAL:- SÃO AS LEIS DA NATUREZA, “ASSIM DENOMINADAS POR DERIVAREM UNICAMENTE DA CONSTITUIÇÃO DO NOSSO SER”. NÃO É ELABORADO PELO HOMEM. É UM DITAME DA RETA RAZÃO.
DIREITO POSITIVO:- SÃO NORMAS JURÍDICAS ELABORADAS PELO HOMEM. É A RAZÃO HUMANA APLICADA AO GOVERNO.
ESSA DOUTRINA PERMANECE SEM NENHUMA NOVIDADE NA SUA EXTRUTURA E A LUTA DO HOMEM LIVRE É DE CONSERVÁ-LA INTACTA.
AINDA, DA PRODUÇÃO INDUTIVA DE MONTESQUIEU VERSA NO LIVRO DÉCIMO PRIMEIRO DE “O ESPIRITO DAS LEIS” A DIVISÃO DOS PODERES.
LIBERDADE POLÍTICA EXISTE, CONFORME MONTESQUIEU, QUANDO NINGUÉM PODE SER “CONSTRANGIDO A FAZER AS COISAS QUE A LEI NÃO OBRIGA, OU A NÃO FAZER AS QUE A LEI PERMITE”.
ORA, “TODO HOMEM QUE TEM PODER É LEVADO A ABUSAR DELE; VAI ATÉ ENCONTRAR OS LIMITES”.CHAVES, NA VENEZUELA,TEM PROCURADO SE MANTER NO LIMITE PELA CONSULTA POPULAR DANDO CARA DE LEGALIDADE AO SEU ATO.
POR ISSO NECESSÁRIA A DIVISÃO DOS PODERES. PARA QUE CADA PODER FREIE O OUTRO; IMPEÇA O ABUSO POR PARTE DESTE.
ELE CONSTATOU QUE EXISTEM NO ESTADO TRÊS PODERES: O LEGISLATIVO, O EXECUTIVO E O JUDICIÁRIO.
MAIS UMA VEZ AFIRMOU-SE COMO O CAMPEÃO.
ANTES DELE, A CONFUSÃO DOS PODERES IMPERAVA POR TODA PARTE E SEMPRE. DEPOIS DELE OS ESTADOS, UNS APÓS OUTROS, ADOTARAM SUA DOUTRINA. DE SORTE, QUE, HOJE, TODO PAÍS, SALVO EXCEÇÕES, TEM OS TRÊS PODERES.

“NORBERTO BOBBIO, FILOSOFO E JURISTA ITALIANO, NA SUA “TEORIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO, LECIONA QUE ” O DIREITO, COMO ELE É, É EXPRESSÃO DOS MAIS FORTES, NÃO DOS MAIS JUSTOS”. “TANTO MELHOR, ENTÃO, SE OS MAIS FORTES FOREM TAMBÉM OS MAIS JUSTOS.”
“AFIRMA MAIS QUE O DEVER DE OBEDECER AO PODER CONSTITUIDO DERIVA DE UMA CONVENÇÃO ORIGINÁRIA, DA QUAL O PODER TIRA A PRÓPRIA JUSTIFICAÇÃO”.
“AO LONGO DE TODO O CURSO DO PENSAMENTO POLÍTICO, DESDE A ANTIGUIDADE ATÉ A ERA MODERNA, O FUNDAMENTO DO PODER FOI ACHADO AMIÚDE NO ASSIM CHAMADO CONTRATO SOCIAL, ISTO É, NUM ACORDO ORIGINÁRIO ENTRE AQUELES QUE SE REÚNEM EM SOCIEDADE, OU ENTRE OS MEMBROS DE UMA SOCIEDADE E AQUELES AOS QUAIS É CONFIADO O PODER.”
“AQUI A VONTADE COLETIVA TEM A MESMA FUNÇÃO DE DEUS NAS DOUTRINAS TEOLÓGICAS E DA RAZÃO NAS DOUTRINAS DOS JUSNATURALISTAS.”
A PALAVRA ABSTRATA JUSTIÇA É TAMBÉM GLORIFICADA. É POSSIVELMENTE A MAIS DESAFIANTE DISCUSSÃO FILOSÓFICA,TEOLÓGICA, DO PENSAMENTO DO HOMEM. OS TERMOS MAIS FREQUENTEMENTE USADOS PELOS JURISTAS NO ELOGIO OU NA CONDENAÇÃO DO DIREITO, OU DA SUA APLICAÇÃO, SÃO AS PALAVRAS “JUSTO” E “INJUSTO” E MUITO FREQUENTEMENTE ELES EXPRIMEM-SE POR ESCRITO COMO SE AS IDEIAS DE JUSTIÇA E MORAL FOSSEM COEXTENSIVAS.
HÁ, PORTANTO UMA CERTA COMPLEXIDADE NA ESTRUTURA DA IDEIA DE JUSTIÇA. PODEMOS DIZER QUE CONSISTE EM DUAS PARTES: UM ASPECTO UNIFORME OU CONSTANTE, RESUMIDO NO PRECEITO “TRATAR DA MESMA MANEIRA OS CASOS SEMELHANTES”, E UM CRITÉRIO MUTAVEL OU VARIÁVEL USADO PARA DETERMINAR QUANDO, PARA UMA DADA FINALIDADE, OS CASOS SÃO SEMELHANTES OU DIFERENTES.
PARA SOCRATES, “A JUSTIÇA ERA PARTE INTEGRANTE DA VIRTUDE E SABEDORIA E A INJUSTIÇA DO VÍCIO E IGNORÂNCIA” (Platão no Livro A Republica).
HART, NO SEU LIVRO “O CONCEITO DO DIREITO”, ENSINA: “A JUSTIÇA CONSTITUI UM SEGMENTO DA MORAL QUE SE OCUPA PRIMARIAMENTE, NÃO COMO CONDUTA INDIVIDUAL, MAS COM OS MODOS POR QUE SÃO TRATADAS CLASSES DE INDIVIDUOS. É ISTO QUE DÁ À JUSTIÇA A SUA ESPECIAL RELEVÂNCIA NA CRÍTICA DO DIREITO E DE OUTRAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E SOCIAIS. TRATA-SE DA MAIS JURÍDICA DAS VIRTUDES E DA MAIS PÚBLICA DELAS. MAS OS PRINCÍPIOS DE JUSTIÇA NÃO EXAUREM A IDEIA DE MORAL; E NEM TODA A CRÍTICA DO DIREITO COM FUNDAMENTOS MORAIS É FEITA EM NOME DA JUSTIÇA”.

PARA HERMES LIMA, NO LIVRO “INTRODUÇÃO À CIENCIA DO DIREITO”, “A CONCEITUAÇÃO ABSTRATA DA JUSTIÇA É COMPLEXA. JUSTIÇA É IDEIA-VALOR; JUSTIÇA É SENTIMENTO; JUSTIÇA É RETRIBUIÇÃO”. ”JUSTIÇA COMO SENTIMENTO É A VIRTUDE, A QUALIDADE DO HOMEM JUSTO”.
PARA TOMÁS DE AQUINO, “JUSTIÇA IMPLICA IGUALDADE, E A RAZÃO DA JUSTIÇA ESTÁ NO QUE DIZ RESPEITO AO OUTRO: NADA É IGUAL A SI MESMO, MAS AO OUTRO.” (Suma Teológica).
“EU SOU ATENTO ÀS CONSEQUENCIAS DAS MINHAS DECISÕES!”, DISSE BARBOSA(JOAQUIM), MINISTRO DO STF. “TODOS NÓS SOMOS!”, RESPONDEU MENDES(GILMAR)PRESIDENTE DO STF. ESSA APARENTE CONCORDANCIA RETÓRICA ENCOBRE UM NECESSÁRIO DEBATE.
NA VERDADE, O MUNDO JUDICIAL, AQUI E ALHURES, ESTÁ DIVIDIDO ENTRE CONSENQUENCIALISTAS E FORMALISTAS. AFIRMA JOAQUIM FALCÃO, MESTRE EM DIREITO, É DIRETOR DA ESCOLA DE DIREITO DA FGV-RJ, EM ARTIGO DOMINGO DIA 24 DE MAIO DE 2009, NA FOLHA DE SÃO PAULO, REVELANDO A TENDÊNCIA DA POLITIZAÇÃO DA JUSTIÇA, NOS ESTADOS UNIDO TAMBÉM.
BARACK OBAMA, AO ESCOLHER O SUCESSOR DO JUIZ DAVID SOUTER, DA SUPREMA CORTE NORTE-AMERICANA, DISSE QUE LEVARÁ EM CONTA QUE:” A DECISÃO JUDICIAL NÃO É APENAS UMA QUESTÃO DE TEORIAS JURÍDICAS ABSTRATAS E DE NOTAS DE RODAPÉ EM MANUAIS DE DIREITO”. “ELA TEM A VER COM AS CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS PARA O COTIDIANO DO POVO”.
ESSA SERÁ A NOVA TENDENCIA DA JUSTIÇA NA QUAL S SOCIEDADE TERÁ QUE PARTICIPAR DOS DEBATES PARA COMPREENDER SUA ATUAÇÃO NO MUNDO MODERNO.
NA BIBLIA, EM ESDRAS HÁ UM ENIGMA APRESENTADO A ZOROBABEL PELO REI DARIO DA PÉRSIA NO QUAL CONSISTIA NA QUESTÃO QUE ZOROBABEL DEVERIA RESPONDER A ESTE PARA OBTER PERMISSÃO PARA RECONSTRUIR O TEMPLO DO ALTISSÍMO EM JERUSALÉM.

ZOROBABEL DEVERIA RESPONDER: “ QUAL DELAS É A MAIS FORTE, A FORÇA DO VINHO, A FORÇA DOS REIS OU A FORÇA DAS MULHERES”.
DO SÉQUITO DE ZOROBABEL O PRIMEIRO SÁBIO DISSE QUE O VINHO ERA O MAIS FORTE PORQUE ELE PODIA ALTERAR A MENTE E O HUMOR DE QUALQUER UM QUE BEBÊ-LO; O SEGUNDO SÁBIO DISSE QUE O REI ERA O MAIS FORTE, POIS, MESMO OS SOLDADOS ERAM OBRIGADOS A OBEDECÊ-LHE. NA VEZ DE ZOROBABEL ESTE FALOU:

- “Ó, SENHORES, É VERDADE QUE O VINHO É FORTE, BEM COMO OS HOMENS E O REI; MAS QUEM CONTROLA A TODOS? CERTAMENTE, AS MULHERES. O REI É O PRESENTE DE UMA MULHER. AS MULHERES SÃO AS MÃES DAQUELES QUE TRABALHAM NOS VINHEDOS QUE PRODUZEM OS VINHOS. SEM AS MULHERES, OS HOMENS NÃO PODEM EXISTIR. UM HOMEM FAZ DE FATO COISAS TOLAS PELO AMOR DE UMA MULHER; DÁ A ELA VALIOSOS PRESENTES E, ALGUMAS VEZES, MESMO VENDE-SE A SI MESMO À ESCRAVIDÃO POR SUA SAÚDE. UM HOMEM DEIXARÁ O LAR, O PAÍS E OS TÍTULOS DE NOBREZA PELO SEU BEM.
- Ó, SENHORES, NÃO SÃO AS MULHERES FORTES, HAJA VISTA O QUE ELAS PODEM FAZER?
MAS NEM AS MULHERES, O REI OU O VINHO SÃO COMPARÁVEIS À PODEROSA FORÇA DA VERDADE. COMO TODAS AS OUTRAS COISAS, ELES SÃO MORTAIS E TRANSITÓRIAS; MAS SOMENTE A VERDADE É IMUTÁVEL E ETERNA. OS BENEFICIOS QUE DELA RECEBEMOS NÃO VARIAM COM O TEMPO E COM A FORTUNA. EM SEU JULGAMENTO NÃO HÁ A INJUSTIÇA; E ELA É A SABEDORIA, A FORÇA, O PODER E A MAJESTADE DE TODAS AS ÉPOCAS. E, DISSE MAIS FINALIZANDO:
- ABENÇOADO SEJA O DEUS DA VERDADE.
- GRANDE É A VERDADE E PODEROSA É SOBRE TODAS AS COISAS!”
POR ÚLTIMOS A PALAVRA NOBRE E ABSTRATA GLORIFICADA PELOS HOMENS É A VERDADE. ESSA VIRTUDE QUE FUNDAMENTA AS RELAÇÕES SOCIAIS MAIS AMPLAS E COTIDIANAS DA NOSSA CONDUTA COMO HOMENS DE TRANSPARÊNCIA E FIDELIDADE. POUCO IREI DISCUTIR SOBRE A VERDADE, DEIXAREI A REFLEXÃO DESSA PALAVRA PARA QUE CADA LEITOR POSSA POR SI ENCONTRAR SUA ESSENCIA, POIS QUE APRENDEMOS AS VERDADES MAIS PROFUNDAS ATRAVÉS DOS NOSSOS RELACIONAMENTOS.
EIS O ENIGMA QUE LHES OFEREÇO CARO LEITOR PARA NOSSA REFLEXÃO:
“EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA” (João 14;6).


Coração Cortado - Edmar Lima Cordeiro

Vou cortar teu coração
Para enxergar seu conteúdo.
Examinar canto por canto dele
Estudar seu ritmo
Suas batidas.
Conhecer os caminhos de suas artérias
Revirar tudo dele
Para encontrar a alma que pulsa nele
Assim sentir sua legitima essência.
Não usarei lâminas, lanças, navalhas, bisturis!
Usarei a força do amor
Para rasgar e entender
Seus sonhos,
Sua vida,
Suas paixões,
Suas dores.

EDCOR