Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Quirinos


“ Porque eu vim pôr em dissensão
o homem contra seu pai, a filha
contra sua mãe, e a nora contra sua
sogra; e assim os inimigos do homem
serão os da sua própria casa.”
Matheus 10:35-36





--- Padre Quirino foi arrastado para o hospício!
Esta notícia estapafúrdia ecoou na praça principal de Matozinho e, como um eco, reverberou por toda a cidade. Difícil acreditar numa loucura daquele tamanho. A reação da mor parte das pessoas era de total incredulidade , só podia ser mais uma fofoca de D. Filó, injetando veneno mundo a fora como uma cascavel de quinze guizos! Aos poucos, no entanto, as diversas versões da história foram confluindo para um ponto comum e -- aparadas as rebarbas e os penduricalhos acrescentados, de língua a língua -- , a notícia, infelizmente, procedia. Há de se convir que , na verdade, parecia muito improvável o ocorrido. Primeiro pela personagem ímpar que era o Padre Quirino, uma figura séria, compenetrada e que, a maior parte da vida, sempre fora mais cérebro que coração. Depois, pela fonte original, bem pouco fidedigna: Fubuia. Ele havia sido a única testemunha do fato ocorrido. Buscando, madrugada a dentro, uma bodega renitente que ainda lhe desse abrigo, testemunhara o fato: o padre retirado à força da casa Paroquial, enfronhado numa camisa de força, sendo arrastado para dentro de uma ambulância, por vários homens : alguns vestidos de branco e outros metidos numas batinas pretas. Confirmada a aparente história fantasiosa de Fubuia, a Vila caiu numa consternação profunda. Haviam aprendido a amar os dois padres Quirinos que viveram em Matozinho. Dois Quirinos? Que história mais atrapalhada é essa? Bem, paciência, vamos explicar detalhadamente, antes que vocês resolvam também meter este escritor no mesmo manicômio.
Pasmem leitores! Apesar do nome esdrúxulo , Matozinho conheceu dois padres Quirinos. Por incrível que possa parecer, para embananar ainda mais a história, estes dois quirinos eram, na verdade, uma só pessoa. Sei que parece coisa da Santíssima Trindade, mas vamos esclarecer definitivamente as coisas. Uns quinze anos antes do fato , o triste desenlace testemunhado por Fubuia, chega a Matozinho o Padre Quirino , recém ordenado e assumiu o cargo de pároco da cidade. Sério, rabugento, o pastor controlava seu rebanho com mão de ferro. Apesar da pouca idade, formara-se à luz da igreja alemã. Impingia penitências homéricas aos confidentes, não dava comunhão a mulheres vestidas de calça comprida ou com decotes e aos amancebados; enxotava meninos danados da igreja como se fossem vendilhões do templo. Nos sermões, pregava contra a ameaça do comunismo, do protestantismo, contra o uso de camisinhas, pílulas. Tinha , por outro lado, uma opção toda especial pelos ricos. As más línguas já haviam observado as diferenças marcantes das exéquias nos enterros de abastados e miseráveis. Segundo D. Filó, no batizado do neto do Cel Sinfrônio Arnaud, Quirino demorou tanto nas orações que quando banhou o menino já estava no tempo de crismá-lo. Politiqueiro, uniu-se ao prefeito Sinderval Bandalheira e , no período eleitoral, subia no palanque e transformava seus sermões em comícios pró-Bandalheira. Quirino cobrava ainda o dízimo dos fiéis e atrelava os serviços da paróquia à adimplência dizimal. Casamentos, missas, batizados, crisma, encomendações só para quem estivesse em dia . A paróquia parecia até um Plano de Saúde. O certo é que Quirino progrediu, contavam-se muitas fazendas já no seu nome, carro novo e várias casas alugadas na rua , pelo sacristão, comentavam serem suas. Boca-torta, o acólito, era apenas um laranja. Quirino tinha enorme prestígio junto ao bispado e à Cúria da capital. Durante dois anos, inclusive, foi enviado a Roma com fins de estudar Direito Canônico, havia propaladas histórias de que futuramente seria bispo. Durante a Ditadura Militar, Quirino fizera-se um grande informante da polícia e havia dedurado muitos estudantes, inclusive tendo sido o responsável direto pela prisão de Toinho Araguaia, um professor de história que perseguido escondeu-se na Casa de um tio em Matozinho, tenho ficado entocado até que a notícia chegou aos ouvidos de Quirino, durante a confissão de uma beata.
Os matozenses terminaram se acostumando com a fleugma quase britânica de Quirino e aprenderam a amá-lo , mesmo percebendo que no evangelho do nosso pároco, havia sido feita uma pequena correção : era mais fácil uma agulha entrar no fundo de um camelo do que um rico entrar no céu. Tanto que toda Matozinho se preocupou muito quando soube do acidente ocorrido com Quirino, quando seu carro sobrou numa curva, próximo à capital. Foram mais de três meses de orações pelo restabelecimento do padre que passara mais de um mês , em coma, na UTI . A vila só respirou aliviada quando soube que Quirino, uns seis meses depois do capotamento, estava voltando à sua paróquia.
Matozinho recebeu-o em festa, com retreta de banda cabaçal e salva de fogos de Juvenal fogueteiro. Só passada uma semana é que descobriu a verdade: o pároco era novo, se tratava do mesmo, mas de um outro : o segundo Quirino. A pancada no toitiço mudara o homem. Chegou bem mais liberal. Acabou com as restrições às vestimentas das mulheres e às brincadeiras dos meninos na missa. Passou a combater, abertamente, os maus políticos e a denunciá-los no púlpito. Nos sermões, pregava a igualdade entre os homens e que havendo amor, tudo era permitido. Casar mais de uma vez , por que não? Deus não haveria de desejar a infelicidade eterna de ninguém. Casar pessoas do mesmo sexo? Por que não? O amor é que importa, dizia ele, todos fomos feitos à imagem e semelhança do Criador e o amor pleno não tem limites , nem fronteiras de qualquer tipo. Os casais deviam determinar eles próprios o número suficiente de filhos para criá-los dignamente, assegurava. Passou, também, a viver, abertamente, com uma religiosa: Irmã Jovelina. O celibato era contra a natureza de Deus, ele dizia, apenas uma invenção para manter o patrimônio da Igreja. Se Deus quisesse o homem sozinho não teria extirpado aquela abençoada costela de Adão. Buscou ainda uma grande aproximação com outras igrejas da Vila, principalmente os kardecistas, a umbanda, os evangélicos. Quirino falava que todos trilhavam caminhos diferentes, a procura do mesmo objetivo e que, portanto, tinham que ter uma convivência fraterna . Quirino II ensinava aos fiéis a se relacionarem diretamente com o Criador: Deus está em tudo , meus filhos, na montanha, na pedra, no rio, na árvore, em vocês próprios, em tudo existe um templo montado para a celebração e adoração do divino. Ninguém precisa de intermediários! Quirino doou todos os seus bens aos pobres e miseráveis e citava Matheus : “ Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre, em vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de alparcas, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.”
Consta que após a brusca transformação em de Quirino II , a Diocese mandou alguns padres para investigar a sua estranha conduta. Os matozenses, se aprenderam a amar o Quirino I, passaram à adoração ao Quirino II. Ainda hoje lembram quando em pleno sermão da Missa do Galo, ele prometeu que na semana seguinte iria ao Cartório passar um imenso terreno da sua igreja para o assentamento de mais de cem famílias da Serra da Jurumenha. Elas viviam como posseiros, miseravelmente. Dois dias depois, coincidentemente, Fubuia, testemunhou quando o arrastaram para o manicômio, sob a justificativa de que endoidara de vez.
O certo é que não mais se teve notícia do Padre Quirino. Alguns dizem que ainda se encontra interno num manicômio da capital; outros sustentam que não resistiu ao tratamento e já deixou o mundo dos vivos. Fubuia , no entanto, mantém sua própria versão. Naquele dia mesmo, uma luz fortíssima envolveu toda a ambulância, na saída da cidade e Padre Quirino , como Elias, alçou vôo aos céus, numa grande carruagem de fogo.

J. Flávio Vieira


O PASSADO DO MELHOR PRESENTE, NAS FOTOS DE CONCEIÇÃO ALMEIDA.

Wladimir Soares

Há toda uma geração de artistas brilhando na música popular brasileira. Muitas vezes esse brilho torna-se ocasional e dura pouco. Na hora de se mencionar os artistas importantes da MPB, os nomes citados são os que brilham há mais de 30 anos. Os nossos ídolos ainda são os mesmos. A fotógrafa Conceição Almeida guardou todos os negativos das importantes fotos que ela tirou registrando o nascimento de alguns desses ídolos. E mais uma vez ela abre o baú e traz essas relíquias ao Photozofia no mês de fevereiro em exposição da história fotográfica da MPB dos anos 70.

Conceição é um dos seres privilegiados que estava no lugar certo na hora certa. No começo de sua carreira, Conceição era fotógrafa de gravadoras e revistas. Sua missão: registrar o aparecimento de novas estrelas, de Raul Seixas a Marina, de Cazuza a Simone, de Zé Ramalho a Zizi Possi. Conceição não registrou o nascimento de estrelas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Elis Regina porque ela não é tão precoce assim. Mas, nos seus guardados Conceição tem fotos preciosas dessa turma que compõe a seleção titular da MPB. Impossível não se emocionar diante de tanta preciosidade.

Com esta exposição documental e descontraída Conceição se inspirou numa exposição de Linda Mc Cartney em Londres nos anos 70, com uma apresentação despojada esteticamente mas com conteúdo precioso. Salta aos olhos a simplicidade que reinava no período de ouro da moderna MPB, um deleite a espontaneidade de Chico Buarque trocando de camisa para as lentes de Conceição. Impossível não se encantar com o despojamento de Caetano Veloso em sua fase mais andrógena, que logo iria encontrar mais ressonância em Ney Matogrosso, também aqui exposto. E a beleza plástica do beijo assexuado entre Gal Costa e Sonia Braga revela ainda mais o talento e o senso de oportunismo da grande fotógrafa. Nove entre dez artistas que começaram seu reinado nos anos 70 foram captados pela objetiva da fotógrafa que já fez exposições individuais no MIS, Museu da Imagem e do Som com o seu acervo de Raul Seixas o que levou a Revista Rolling Stones fechar a sua edição em homenagem aos 20 anos de morte de Raul com suas fotografias em capa e interior da revista e revelar a atemporalidade da expressão do artista. Conceição soube ter paciência para aguardar o momento certo para expor suas fotos. Revelando ao mundo seu acervo, Conceição também inscreveu seu nome no panteão de importantes e famosos.

CONVITE !


Pandora - por Socorro Moreira




Um velho baú foi aberto com facilidade. Nem foi preciso forçar a fechadura. Embora enferrujada, cedeu ao primeiro tato. Um cheiro esquisito espalhou-se no ar. Os feixes de alfazema já tinham perdido a validade, e o baú estava completamente lotado de quinquilharias e/ou preciosidades... Impulsivamente, todos mergulharam suas mãos, pensamentos, olhares, naquele achado. Não podiam perder tempo... O jeito era explorá-lo. Os objetos eram todos identificáveis: um missal de madrepérola, terço de prata, pacote de cartas amarradas com fita de cetim azul, álbum de retratos, caderno de canções, livro de receitas, caixinha de música, um leque, brincos descasados, um crucifixo de prata e uma medalhinha de Nossa Senhora das Graças. Era a caixa de Pandora, com todas baratas e lagartas, em saltos olímpicos, ora despertadas! Na parede, um relógio centenário tictaqueava insistente. Um cheiro delicioso de café, no ar se espalhara... Chega Brigite, gata preta, de olhos verdes... Visão cinematográfica! Ela, e a rosa cor da tarde, esperando o luar de Janeiro ... No fundo, todos são loucos!-Eu, minha gata e o meu cachorro!

O Carnaval das nossas saudades - por Socorro Moreira


Na minha infância, dançar carnaval era pecado mortal. Meu pai comprava lança-perfume, e a gente aspergia no povo da rua, até o tubo secar... Até o cheiro ficar fora do ar!
Os corsos eram fantásticos. Corria para as esquinas... Era o desenho animado dos meus contos de fadas! Nos jipes e automóveis sem capotas, cabia mais gente, do que se podia contar! Máscaras... Elas permitiam a mistura, no mesmo espaço, de moças de vida presa, e moças de vida fácil... Achava o máximo!
Na década de 60, já adolescente, carnaval continuou proibido... Fugia para a concentração dos blocos, nas calçadas. Suspirava de vontade de brincar, mas só podia cantar e dançar um frevo, se pudesse imaginá-lo!
Em 70,80... Participei dos meus primeiros bailes, no Crato Tênis Clube. Meu pai, por anos seguidos, foi Diretor Artístico, e cabia-lhe a missão de decorar o clube. Pintava todas as paredes com imagens de colombinas, pierrôs, arlequins, ciganas, piratas... e o diabo a 4!
Ficava lindo! Era muito bom dançar com todos, e não ficar com nenhum!
Geralmente, debaixo de chuva, na quarta-feira de cinzas, acompanhávamos a orquestra até a Praça Siqueira Campos, dançando e cantando a marcha da quarta-feira ingrata, que chegara depressa demais!
Depois, ainda de fantasia, entrávamos na Igreja pra receber a "cinza". Nosso lado profano fora alimentado, até os pés ficarem cheios de calos, e a voz rouca, sem proferir som algum.
"Saudade é isso que a gente sente, saudade é falta que faz a gente alguém que partiu, alguém que morreu, alguém que o coração não esqueceu..."
Pois é... Carnaval comum, nos dias de hoje é ficar plantada na frente da televisão, e assistir o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Pipocas, sem risos...!
" Vou beijar-te agora/ não me leve a mal... Hoje é Carnaval"!

29 de Janeiro - Dia do Jornalista

Homenagem aos profissionais que arriscam com a palavra , dufundir , formar e informar assuntos de interesse geral.
Abraços especiais nos colaboradores :Vera Barbosa , Rosa Guerrera e Herminia , jornalistas de carteirinha , que abraçaram com exclusividade essa nobre profissão.
Por oportuno lembramos alguns dos notáveis do Crato : Vicelmo, Jurandyr Timótheo e Lindemberg de Aquino .

OS GURIS DA RUA CORONEL SECUNDO Por João Marni


Didaticamente, a vida pode ser dividida em três fases: o passado - que já acabou; o presente - em extinção; e o futuro - mera expectativa. Sempre que a vida nos aborrece quando estamos já adultos, sentimos uma necessidade urgente de sorrir e aí recorremos ao passado, se tiver sido bom.


Felizmente, todos nós, da rua Coronel secundo, nos anos cinqüenta, dourados, mesmo os de poucos recursos, gozamos de uma infância feliz, pois tivemos o básico para acharmos a vida prazerosa: um teto, uma família, alimentação suficiente, ótimo ensino público e uma rua, berço e palco do talento de cada um.
Acordávamos cedo e nos recolhíamos pouco depois do anoitecer. Nada havia de mais interessante a fazer do que dormir e sonhar.
Quanto verde havia: o bosque (hoje a Praça Alexandre Arrais), as matas ciliares do rio Granjeiro (das piabas), a mata de Seu Jéferson e o Sítio Lameiro. Sob essas árvores, sombras queridas se foram e vozes se calaram. A beleza simples, suprema benção das coisas e das criaturas, encontramo-la na memória da infância, no areal do bosque e da nossa rua mais bonita, ainda descalça feito nós, local de matanças hoje inconcebíveis, de borboletas, com nossas camisas, e aos gritos de " alô boy, matalê um"!...
Que falta faz a lama e o cheiro desses lugares que pisamos e que nos inundaram até o espírito, a ponto de nenhum banho, ainda hoje, ser capaz de nos lavar. Vejo, admirado, que muitos meninos de agora não mancham as suas roupas com nódoas de caju... Que vida sem graça!
Nos reencontros dos amigos da rua não catamos os sinais de decadência do outro, mas procuramos amavelmente as marcas dos nossos pequenos pés na areia... Usamos a imaginação e viajamos ao tempo em que as águas do rio eram claras, onde lavávamos até nossas almas e voltávamos alegres e felizes pela rua da qual fizemos estribo para a vida.
Hoje as pessoas têm pressa. Não param mais para conversar, como fazem as formigas... mas nós da rua Coronel Secundo, não; pois sempre valorizamos o toque interpessoal, antenados que somos com base nos pilares da formação humana, quais sejam: o amor, o respeito e humildade, da grande família parquense pelo bom Deus.
O escritor João do Rio, em sua obra " A alma encantadora das ruas", faz uma citação belíssima: "...Eu amo a rua; e esse amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos nós. Nós somos irmãos, nos sentimos parecidos e iguais porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este sentimento impertubável e indissolúvel, o único que , como a própria vida, resiste às idades e às épocas".
Assim somos os filhos da Coronel Secundo: Os Bantim, Correia, Figueirêdo, Lóssio, Dantas, Siebra, Martins, Paletó, Chagas, Alencar, Barbosa, Matos, Policarpo, Abath, Pinheiro, Jamacaru...

Jacques (Daniel) Boris - um artista plástico sediado em Crato

Para mim ele é Jacques (meu mano). Desde pequeno demonstrou o gosto pelo desenho e seguiu a tendência de alguns dos nossos familiares: a arte (desenho e pintura).

Jacques, porém, aprimorou e diversificou seu dom. Hoje faz trabalhos em MDF (madeira) e executa trabalhos belíssimos com cacos de cerâmica com os quais elabora desenhos diversificados aplicando-os a formatos diferentes.

É um artesão habilidoso e cuidadoso.
Seus trabalhos revelam sensibilidade e delicadeza

Capricha na realização da sua arte e recebe encomendas para trabalhos conforme o pedido.

Detalhe do ateliê - com mural apresentando alguns de seus trabalhos.


Trabalho em MDF (Madeira vazada)

Console sobre tronco. (Trabalho em ceâmica)

Tampo de mesa em cerâmica
Desenho abstrato de sua autoria produzido e MDF
.
***
.
Jacques tem um ateliê - ARTESSETRA - em Juazeiro do Norte - CE - na Av. Leão Sampaio - 102
(Triangulo Juazeiro do Norte)
Trabalha em Crato na rua José Carvalho - 502 - Centro
.

Raimundo de Oliveira Borges - Por Emerson Monteiro

Isso que dizem de ser a vida humana mera fagulha ao vento exige comprovação, sobretudo diante da existência deste amigo, Raimundo de Oliveira Borges, que ora demonstra de perto a experiência firme de viver durante cem anos uma idade plena de realizações. Ele, sim, pode falar do existir e contar da tradição e da peleja de três gerações sucessivas que testemunha com fidelidade e coragem.
Escritor emérito, publicou mais de uma dúzia de livros. Advogado e professor, marcou de jeito indelével a consciência das centenas de alunos, dentre os quais sou, com satisfação, um deles. Tribuno de rara qualidade, porfiou no júri, praticando fala rica, profícua, no êxito de momentosos processos. Líder comunitário, efetivou importantes funções, em Crato, havendo exercido a direção das Faculdades de Filosofia, de Direito e de Ciências Econômicas. Presidente do Instituto Cultural do Cariri, sobreviveu a nossa simpática academia de letras numa fase das mais dificultosas, quando ao seu lado estive. Se bem que cabe, ainda, considerar o seu desempenho virtuoso de pai extremado, fino de trato e humor, tranqüilo, de espírito desarmado, palestrante versado na melhor literatura, poeta dotado de sensibilidade, pessoa exemplar, afeita sob os princípios dignos e imprescindíveis da civilização que usinou durante todo tempo, conhecendo a história do povo, bem relacionado, cordial e valoroso paladino das causas essenciais, na prática política e nos penhores da liberdade consciente.
Doutor Borges, por tudo isto e outros predicados, marca a sociedade cearense interiorana com personalidade ímpar de quem merece privar o convívio honrado e fértil dos justos. Elencar qualidades que lhe são de dever torna-se tarefa leve, aos moldes do estilo e da pena que maneja no exercício da escrita, por meio dos livros que subscreve, dotados de emoção, memórias produzidas no fogo da responsabilidade social que a isto se obrigou exercitar.
Eu, ainda menino, tomei conhecimento de seu talento através dos júris que, na década de 60, de comum, eram retransmitidos através dos microfones da Rádio Araripe de Crato. Admirado, ouvia seus discursos deveras impressionantes, tanto pela cultura vasta, quanto pela facilidade na argumentação, demonstrações de sapiência jurídica e ilustre universalidade. Fora eleito orador da sua turma de 1937, na Faculdade de Direito do Ceará, contemporâneo de figuras destacadas na vida pública posterior do nosso Estado.
Instalou-se em Crato desde 1942 e aqui até hoje permanece conquistando espaço próprio, ao lado da gente boa, ordeira e laboriosa deste lugar abençoado.
No dia 02 de julho do corrente ano de 2007, época exata do transcurso de um século de sua vida, o doutor Raimundo de Oliveira Borges se nos afigura querido em face de todos os que lhe privam da convivência, ele que representa, em breves traços, um desses personagens inesquecíveis e marcantes dos romances imortais, ricos dos atributos puros e sublimes das almas vitoriosas.

P. S. EM 28 DE JANEIRO DE 2010: Ser humano de reconhecida capacidade para a concretização dos seus ideais. Profissional de sucesso como advogado, administrador de instituições universitárias, professor, escritor, intelectual, líder comunitário, pai de família. Em tudo desenvolveu raros modelos de exemplares conquistas. Sempre jovial, bem humorado, otimista, alegre, laborioso, amigo, dotado de sentimentos benfazejos, valiosos, Raimundo de Oliveira Borges significou dignidade para sua geração e passa à história cearense qual pessoa de ricas e nobres virtudes.

Recordando David N, de "O Cruzeiro" (Brasil)


.
.
O semanário O Cruzeiro foi uma das mais conhecidas e divulgadas revistas brasileiras, também muito popular em Portugal.
Pertencente ao grupo dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand (o Chatô), publicou-se entre 1928 e 1975.
Pela suas páginas desfilaram nomes e figuras como Carlos Lacerda, Rachel de Queiroz, Carlos Estêvão, Millôr Fernandes, O Amigo da Onça, Jean Manzon e muitos, muitos mais...
.
... tal como David Nasser (foto abaixo), fantástico jornalista, repórter, cronista - e, também, compositor musical (Nêga do Cabelo Duro...).
Filho de imigrantes libaneses, nasceu em 1917 e faleceu em 1980.
Distinguiu-se sobretudo pelas suas crónicas polémicas, de uma coragem, contundência e paixão incomuns.
Profissional controverso, usando métodos por vezes pouco ortodoxos, acabou por tornar-se figura incontornável do jornalismo brasileiro.
Continua a ser hoje um prazer passar os olhos pelo seu estilo vergastante e inconfundível.
.
Publica-se adiante uma prosa de homenagem que José Cândido de Carvalho (grande escritor!) lhe dedicou em 1964. Respeita-se a grafia brasileira.
.

.
David Nasser
.
"Uma tarde, lá pelos tempos de 1937, dava entrada na redação de “A Noite” um moço de andar marinheiro, meio adernado no vestir, de fala mansa e olhar de relâmpago. O velho Castelar de Carvalho, com suas longas barbas de judeu das Escrituras, disse mais ou menos assim:
- Se eu fôsse dono desta baiúca (a baiúca era o seu querido jornal) botava êsse sujeitinho de 20 anos na balança e pagava o pêso dêle em ouro. Vale por uma redação inteira e equipada.
Olhei para o lado. O sujeitinho que Castelar de Carvalho queria contratar, a poder de barras de ouro do Banco do Brasil, era David Nasser em pessoa, de paletó-saco e jornal na mão.
Agora o velho Castelar é uma saudade e o ano de 1937 apenas uma lembrança de calendário. Mas a frase ficou:
- Vale por uma redação inteira.
.
É claro que outros anos passaram e outras tardes morreram. A profecia do velho Castelar havia de ganhar corpo e alma. David Nasser firmou nome como um dos grandes mestres do jornalismo nesta e noutras praças nacionais e mundiais, incluindo Europa, Paris e Bahia.
Sua geografia perdeu a noção de fronteiras – o mundo passou a viajar na mala de David, ao lado de suas escôvas e passaportes.
Uma noite estava em Lisboa, na Havaneza de Eça de Queiroz. Outra noite, ao lado de uma fogueira, num naco do Saara, entrevistando um rei do areal qualquer.
O assunto às vezes não prestava. Mas o talentão de David recauchutava tudo, emprestava tonalidades de ouro (e ouro de lei) ao latão mais desmoralizado.
Nessas suas andanças de Marco Pólo há bilhetes e cartas de príncipes com trono e sem trono, de milionários, de mágicos, de ministros, de poetas e bandidos.
.
Pergunto a David, num dia de confidências, quais os tipos de sua predileção:
- Os vagabundos.
Sim, ele tem um fraco todo especial, todo davidiano pelos vagabundos, pelos andarilhos, pelos humildes. As melhores histórias que gosta de contar são as histórias simples do povo, dos joões da silva, dos joaquins pereiras que falam maravilhosamente pela pena dêsse mestre da crônica e do panfleto.
Nisso, David está com a Bíblia: o reino dos céus não foi feito para os comerciantes de atacado, nem para os açambarcadores de feijão e açúcar. E nem para os burros.
.
Com o tempo, excelente mestre de estilo e vivência, David perdeu certas asperezas e mandacarus. Sua prosa de hoje tem claridades de cristal lavado. Cintila. É um poderoso escritor a serviço do jornalismo.
Sua crônica semanal é lida, e guardada, por milhões de brasileiros. No seu elenco há figuras de drama e de circo-de-cavalinho. A injustiça funciona nêle como mordida de cobra. Seja a injustiça no varejo ou no atacado, feita a um pequeno funcionário do montepio mais municipal ou ao político caído em desuso. Os moinhos de vento de Dom Quixote estão sempre às ordens de David Nasser. Sancho Pança não faz parte de sua família espiritual. Nunca comeu de seu pão nem bebeu de seu vinho.
.
Certo político caixa-baixa, esperto como um esquilo, queria por fôrça ser destratado, em prosa ou em verso, por David Nasser. Procurei saber os motivos. O homenzinho, piscando o olhinho miúdo, foi taxativo:
- Levo uma sova, meu caro, mas todo mundo vai tomar conhecimento da minha existência. Viro vedete nacional.
Engano do pobre político municipal. David não bate em gente de meio metro. Suas paradas, as mais ruidosas do Brasil, são na base dos jotas: JK, Jânio ou João Goulart. Não faz por menos. Sua pólvora não é para passarinho de vôo curto. Ou águia, ou tiro ao alvo.
Cá entre nós: gosto de ver David Nasser nessas batalhas campais. Há nelas cintilar de espadas, brilho de aço em noites de lua cheia. David é um mestre perfeito no ataque-arte que êle domina como ninguém neste país. Desmonta o adversário como um velho relojoeiro desmonta um relógio.
O tal político municipal, um esquilo de esperteza, tinha razão. Levava meia dúzia de brilhantes sarrafadas, mas comprava lugar na glória. Mesmo a poder de arnica e esparadrapo.
.
Pois vos digo que são essas as minhas pequenas memórias de David Nasser. Todos nós, jornalistas de pequena cabotagem ou das largas navegações, temos um pouco de D’Artagnan, de personagem de capa e espada. Alguns, no rolar dos anos, deixam o chapéu de plumas e o florete. Vão ser funcionários do Fomento Rural ou do Instituto da Piaçava. David não. Nasceu herói de Alexandre Dumas e vai até ao fim dos tempos, assim, cada vez mais mosqueteiro, cada vez mais D’Artagnan.
.
Um dia, que espero em Deus esteja longe, baterá David às portas de São Pedro. O velho chaveiro, já um tanto gasto em anos e em santidade, não tirará as trancas do reino eterno com a presteza que merece uma figura e a sensibilidade de David Nasser. E já estou vendo o mosqueteiro sacar da espada e gritar bem alto:- Pedro, acautelai-vos!
É assim, glorioso e armado, que David entrará no céu." (*)
.
(*) - Autor: José Cândido de Carvalho (Publicado em O Cruzeiro, Rio de Janeiro, Brasil, 18 de Julho de 1964).

Lembrando David Nasser

Correio musical - Cheiro de Saudade com Lúcio Alves

David Nasser - por Norma Hauer


Iniciando o ano novo de 1917, nasceu em Jaú,no interior de São Paulo , o jornalista e compositor David Nasser.

Ainda muito criança, mudou-se com sua família para São Paulo, viveu algum tempo em Mato Grosso e em 1935 já se encontrava no Rio, onde exerceu a função de jornalita no jornal "O Globo".

Mais tarde ingressou em "O Jornal", no "Diário da Noite e em "O Cruzeiro".

Como jornalista gostava de explorar as desavenças alheias numa verdadeira imprensa marrom.

Nessa posição, explorou dois casos rumurosos acontecidos com artistas conhecidos: o de Herivelto Martins com Dalva de Oliveira e o de Franscisco Alves , em relação a seus filhos. Pura "imprensa marrom".

Como compositor, teve sucesso logo em seu primeiro samba, composto em 1935, mas só gravado, por Aracy de Almeida, em 1939:"Chorei, Quando o Dia Clareou".

Daí partiu para "Canta Brasil"; "Minha Sombra"; Todo Mundo Reclama"; Camisola do Dia", Algodão"; "Mãe Maria"; "Coroa do Rei"; "A Mulher e a Rosa"; "Confete" e inúmeras outras música, quase sempre sucesso.

Gravou com todos os cantores famosos em sua época e fez parceria com quase todos os compositores, mas só vou destacar aqui a valsa "Exilado", lindíssima, gravada por Carlos Galhardo e feita em parceria com o compositor russo Georges Moran.

David Nasser faleceu em 10 de dezembro de 1980, aos 63 anos.
por Norma Hauer

Lúcio Alves por Norma Hauer


Ele nasceu no dia 28 de janeiro de 1927,em Cataguases-MG, mas apenas com 7 anos já estava no Rio .
Nessa época já tocava violão, que aprendera com o pai, integrante da Banda de Guataguases.

Seu nome Lúcio Cinbelli Alves, que ficou conhecido como LÚCIO ALVES.

Fez parte, ainda com 14 anos, do grupo "Namorados da Lua", que se apresentava nos Cassinos Copacabana e Urca.

No Teatro República, cantando "Nós os Carecas" venceu um concurso de carnaval e
foi ainda premiado no programa de calouros de Ary Barroso, sendo, assim, convidado para atuar na Rádio Tupi.

Nessa época, com Haroldo Barbosa teve seu samba "De Conversa em Conversa", gravado por Isaurinha Garcia, obtendo seu primeiro grande sucesso.

Vários outros compositores deram sucessos para Lúcio Alves, como Caymmi; Dolores Duran; Alcyr Pires Vermelho;até Flávio Cavalcanti, co-oautor de "Manias", um samba que marcou sua carreira.

Em 1947 o grupo se desfês e sozinho passou a ser mais conhecido, obtendo, no decorrer de sua vida, inúmeros sucessos, como "Manias"; "Solidão" (versão do bolero Sim`Palabras"); "Bolinha de Papel"; "Nunca Mais";"Sábado em Copabcabana"; "Na Paz do Senhor"; "Tereza da Praia";"Nova Ilusão" e seu maior sucesso :"Valsa de Uma Cidade".

Nos anos 60, 70 fez parte das produções da TV Educativa, onde liderou um programa de entrevistas que, em, 1972, entrevistou Carlos Galhardo, ao lado de Nássara e Luiz Cláudio.

Gravou vários LPs, um de músicas só com nomes de mulhjeres,: "Rosa";"Carolina";"Maria": "Januária" e outros.

Em 1978 fez parte do Projeto Pixinguinha, ao lado de Doris Monteiro.

Em 1988 lançou outro LP denominado "Há Sempre um Nome de Mulher", em benefício do programa nacional de aleitamento, patrocinado pelo Banco do Brasil.

Lúcio Alves faleceu em 3 de agosto de 1993, aos 66 anos.
por Norma Hauer

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Receita de Dona Cacilda - colaboração de Altina Siebra



Receita da Dona Cacilda

Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo dia às 8 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão.

E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução.

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela.

Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Ah, eu adoro essas cortinas...
- Dona Cacilda, a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um pouco....
- Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa.

E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.

Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...
Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

- Simples assim?
- Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência, os sentimentos.

Calmamente ela continuou:
- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.

Depois me pediu para anotar:
COMO MANTER-SE JOVEM

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade,o peso e a altura.
Deixe que os médicos se preocupem com isso.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.
(Lembre-se disto se for um desses depressivos!)

3. Aprenda sempre:
Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja.. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.

'Uma mente preguiçosa é oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!

4. Aprecie mais as pequenas coisas.



5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar.
E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele ou ela!

6. Quando as lágrimas aparecerem, aguente, sofra e ultrapasse.
A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios.
VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama:
Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
O seu lar é o seu refúgio.

8. Tome cuidado com a sua saúde:
Se é boa, mantenha-a.
Se é instável, melhore-a.
Se não consegue melhorá-la , procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa

10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade.

E, se não mandar isto a pelo menos quatro pessoas - quem é que se importa?
Serão apenas menos quatro pessoas que deixarão de sorrir ao ver uma
mensagem sua.

Mas se puder pelo menos partilhe com alguém!


"De nada vale a pena se não tocarmos o coração das pessoas."

'Seu" Lunga responde ... - colaboração de Altina Siebrab

PARA DESCONTRAIR... Tolerância zero!

"Seu" Lunga foi ourives em Juazeiro do Norte, Ceará, vendedor de sucatas, pai de 13 filhos, quase analfabeto.

Candidatou-se uma vez a vereador e perdeu. Ganhou fama pela língua solta e afiada.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-..

"Seu" Lunga descansava na rede. Mandou o sobrinho trazer-lhe um pouco de leite.

O garoto pergunta: - No copo?

Ele responde: - Não. Bota no chão e vem empurrando com o rodo, fio de rapariga!!!

****************************************************************************

O funcionário do banco veio avisar:

- "Seu" Lunga, a promissória venceu.

- Meu filho, por mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória.

**************************************************************************

"Seu Lunga", no elevador (no subsolo-garagem).

Alguém pergunta: - Sobe?

Ele: - Não, esse elevador anda de lado.

******************************************************************

"Seu" Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta:

- Tá doente?

- Ele: Por quê? Quer dizer que se eu fosse saindo do cemitério, eu tava morto?

****************************************************************

"Seu" Lunga dava uma tremenda surra no filho e o menino gritava:

- Tá bom, pai! Tá bom, pai! Tá bom, pai!

- Tá bom, é? Quando tiver ruim, você me avisa, que eu paro.

***************************************************************

O amigo de "seu" Lunga o cumprimenta:

- Olá, tá sumido! Por onde tem andado?

- Pelo chão, não aprendi a voar ainda...

******************************************************************

Na década de 70, "seu" Lunga chega num bar e fala pro atendente:

- Traz uma cerveja e bota o disco de Luiz Gonzaga pra eu ouvir!

- Desculpe, "seu" Lunga, não posso botar música hoje...

- Mas por quê?

- Meu tio morreu!

- Ah, sei, e ele levou os discos, foi?

**************************************************************

Durante a madrugada, a mulher do "seu" Lunga passa mal:

- Lunga! Tá me dando uma coisa...

- Receba!

- Mas é uma coisa ruim!

- Então devolva!

**************************************************************

"Seu" Lunga entrando em uma loja especializada.

-Tem veneno pra rato?

-Tem! Vai levar? - pergunta o balconista.

-Não, vou trazer os ratos pra comer aqui! - responde seu Lunga.

*******************************************************

O telefone toca. "Seu" Lunga:

- Alô!

- Bom dia! Quem está falando?

- Você!

****************************************************************

Metrô de Superfície - por Heládio Teles Duarte





O metrô do Cariri, já opera em fase experimental, entre Juazeiro do Norte e Crato. Um projeto pioneiro no Nordeste, totalmente fabricado em Barbalha ( máquinas locomotivas ), para posteriormente ser exportado para todo o pais.O povo caririense agradece, mais um empreedimento do governador Cid Gomes.

Heladio Teles Duarte

Insone - Por Edilma Rocha


O produto de noites mal dormidas muitas vezes resulta em pérolas....

------------------------------------


Duas horas da manhã...
O silêncio cobre a casa vazia
Lençois , travesseiros...
Revirados, solitários...
Lá fora a chuva bate fria

A ânsia do beijo
Que não foi satisfeito...
O relógio da Matriz bate outra vez
E a solidão sufoca
Despertando sentimentos
De dor outra vez

A cama vazia
Não me prende mais...
Desço, tomo um café
E ainda sufoca a agonia..

Perambulo pela casa...
E comigo meus fantasmas
Ouço vozes na calçada...
Ou são gritos da minha alma ?

As horas passam...
Lentas e solitárias
A chuva cessa lentamente
O frio invade o corpo aquecido
Cansado e mal dormido

Amanhece o dia
Sinto o sol aparecer...
Retorno ao quarto vazio
Arrumo a cama outra vez
Vai recomeçar a agonia
De um só coração
Sentimento perdido
Solidão reviver


Edilma

DEDÉ DE ZEBA - O poeta do Crato - Parte IV - CRATO ANTIGO

Com muita garra e audácia,
tento descrever assim;
me recordo da farmácia,
do grande Doutor Rolim.
E tudo me vem bem perto;
o café de João Gualberto,
a grande Casa Abraão,
as marchinhas de Audizio,
quiosque de seu Anfrizio,
lá na praça da Estação.

O velho Zeba alfaiate!
ninguem esquece jamais;
um general no combate,
na luta dos carnavais.
Animava com bravura,
o Clube da Rapadura;
quando eu era menino.
Meu velho pai, um gigante
naquela luta incessante,
ao lado de Balduino.

A pensão de Hermes Lucas,
a feiura de Ramiro,
seu Sá e suas sinucas,
fecho os olhos e admiro.
Embora nada mais tendo,
inda hoje vou vivendo,
pois me foi um tempo bom.
E agora é que alguem se assusta:
a velha Maria Augusta,
Zé Alves e Odilon.

De tanta coisa me lembro,
e a tudo dou importância;
e com saudade relembro,
tudo que vi na infância.
Essas belezas do Crato,
que com saudade retrato,
não me saem da memória,.
E esse peito, bem meu,
é um verdadeiro museu,
do que ficou na memória.

A Provincia Edições - por Jurandir Temóteo

Encerro aqui estes versos de improviso do poeta Dedé, gravados para uma publicação de um livro intitulado, DEDÉ DE ZEBA o poeta do Crato, no ano de 2006.

Programa Cariri Encantado entrevistará Lupeu Lacerda


Lupeu Lacerda, poeta, ex-carteiro e ex-crooner do Fator RH, pioneira banda de rock caririense, está de férias na região (ele reside em Juazeiro da Bahia há um tempão). E Lupeu na área é sinônimo de farra e curtição. Portanto, o convite para ele ser entrevistado no programa Cariri Encantado é inevitável. Nesta sexta, 29 de janeiro, portanto, Lupeu ao vivo no Cariri Encantado, das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri AM 1020, que por sinal estar totalmente renovada com novos e modernos equipamentos, com mais potencia e maior qualidade. O programa também é transmitido pela Internet através do blogue cratinho.blogspot.com. Apresentação de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias e participação especial de Huberto Cabral, que fará uma homenagem ao maestro padre David Moreira, cujo aniversário de nascimento transcorreu no último dia 18. Para quem não sabe, padre David Moreira é irmão do monsenhor Ágio Moreira, fundador da Orquestra Padre David Moreira, da Sociedade Lírica do Belmonte, localizada no Crato.

Se ligue!

Desapaixonada - por Socorro Moreira

A dor me acordou.
A dor da rejeição provoca uma dor,
que é rejeitada por mim.
Afora esse sentimento,
de certa forma pequeno,
só resta a dor.
Claro que fui ao Doutor !

Janeiro das desistências
das distâncias
das conveniências
dos amores ímpares...

- Tomara que já chegue fevereiro !

Mas, se o tempo correr
o tempo ficará sem energia pra viver
E a morte chegará mais cedo...
Que fazer?
Viver estoicamente
e sobretudo esquecer...
Esquecer de vez
aquela "história de amor"...
ou desamor ? !


Bolo de Ricota



Bolo de Ricota
Ingredientes

1 ricota de 500 g

1 lata de leite condensado

2 latas de leite de vaca

4 ovos

1 colher (sopa) bem cheia de maizena


Modo de Preparo

Bater tudo no liquidificador e colocar em uma forma grande e quadrada (não precisa untar a forma)
Não vai fermento
O bolo vai crescer e depois abaixar
Assar até ficar dourado

São Tomás de Aquino




São Tomás de Aquino, por Fra Angelico (1395 - 1455)

Doutor da Igreja católica, que foi por ela santificado, o italiano Tomas de Aquino (1227-1274) foi um grande filósofo da Idade Média, um expoente da escolástica. Ele descreveu e analisou os princípios básicos do pensamento lógico-científico. Apoiando-se em preceitos do cristianismo, ele desenvolveu sua obra filosófica.

No entanto, há partes dela que não têm como objeto a religião ou a crença em Deus. Por exemplo, São Tomás fez considerações a respeito da divisão e do método ou modo de proceder das ciências teóricas. Trata-se de reflexões que permanecem atuais.

O filósofo partiu do princípio de que os seres humanos, ao contrário dos animais, têm a capacidade do "intelecto" ou "entendimento" (em latim intellectus). A palavra latina intellectus deriva do verbo intelligire e se traduz, vulgarmente, por "entender", mas, no latim de Tomás de Aquino, é um verbo de uso muito mais geral que corresponde, aproximadamente, ao nosso "pensar".

Aquino faz a distinção entre "entender" e "pensar" como dois "actos" diferentes do intelecto. Há, por um lado, a intelligentia indivisibilium, que significa literalmente o "entendimento das coisas que não são complexas"; e por outro a compositio et divisio, que quer dizer "juntar e separar" - é aqui que se inicia o pensar para o filósofo. Vamos examinar passo a passo seu raciocínio.


Duas faculdades do intelecto
Como operam essas duas faculdades do intelecto para produzir o conhecimento? Em um primeiro momento, ocorre a compreensão das formas indivisíveis do ser, que são os que determinam as suas categorias - substância, quantidade, qualidade e relação. Ou seja, tem lugar a "inteligência dos indivisíveis pelo qual se conhece o que é alguma coisa" (a natureza das coisas). Trata-se de uma etapa de simples apreensão.

O passo seguinte consiste em "compor e dividir", ou seja, formar juízos afirmativos ou negativos. Isto é: formam-se enunciados afirmativos ou negativos a respeito do próprio ser (da coisa). Portanto, a primeira operação do intelecto que entra na composição do raciocínio é a simples apreensão, o "acto" pelo qual a inteligência percebe a essência de uma coisa, sem afirmar ou negar o que quer que seja a seu respeito.

Essa primeira operação do intelecto, portanto, se caracteriza pela simplicidade. O objeto da simples apreensão é sempre encarado como uma unidade. Assim, é muito pertinente o modo pelo qual Tomás de Aquino definiu essa operação, a inteligência dos indivisíveis.

O "acto" pelo qual o espírito percebe essa essência indivisível das coisas é ele próprio simples; quer dizer, não implica nenhuma síntese, nenhum juízo julgamento. O conhecimento das coisas individuais e particulares precede a dos universais.


Segunda operação do intelecto
Depois da operação realizada pelas duas faculdades do intelecto acima mencionadas, realiza-se uma segunda operação que se refere ao conhecimento dos universais. Ela se dá pelo conhecimento da quididade (ou seja, o que uma coisa é) das coisas materiais, que representa a natureza de uma coisa em geral, independentemente de suas condições de realização. Por exemplo, designa-se o homem e não um homem em particular, como Sócrates ou Platão.

Essa faculdade do intelecto se distingue de toda e qualquer visão particular dos seres em sua existência concreta atual. O conhecimento dos universais pode ser extraído de muitas coisas em particular e é isso o que possibilita o ato de julgar.


A capacidade de abstrair
O processo cognitivo do nosso intelecto também é capaz de realizar a atividade de abstração, isto é: a "consideração à parte do que está unido nas coisas". Essa faculdade é própria da primeira atividade do intelecto, a inteligência dos indivisíveis. A abstração é uma faculdade que sucede, que vem após a inteligibilidade de algo, a abstração só é possível quando se distingue, anteriormente, a natureza de alguma coisa.

Na primeira operação é possível abstrair o que não está separado nas coisas. Dito de outro modo: o intelecto só abstrai depois de determinar a natureza da coisa, depois de definir o objeto e considerá-lo elemento do conhecimento. As formas das coisas materiais não existem na natureza separadas de sua matéria, no entanto, o intelecto, ao abstrair, só possui as formas, não a matéria.

A abstração de coisas que não podem existir independentemente na natureza só implicará falsidade, se o intelecto considerar que as formas existam separadas de sua matéria, o que não tem necessariamente motivo de ocorrer. Embora para compreender seja necessário que as formas existam no intelecto separadamente da matéria, isto não significa que o intelecto considere que elas também existam assim no mundo exterior, na natureza.

A forma que obtém o intelecto não é compreendida sem algo por meio do qual o objeto externo é compreendido. Portanto, de acordo com Tomás de Aquino, podemos afirmar que existe uma relação entre os processos característicos do conhecimento intelectual humano e a natureza das coisas. Sendo assim, a própria divisão das ciências está relacionada ao procedimento que o intelecto realiza no processo cognitivo.

Em outras palavras: a distinção entre intelecto teórico ou especulativo e intelecto operativo ou prático "corresponde a uma divisão entre o que é matéria das ciências práticas (as coisas que podem ser feitas por nossa obra) e o que é matéria das ciências especulativas" (coisas que não são feitas por nossa obra).


As ciências teóricas
As ciências especulativas (teóricas) se diferenciam pela propriedade de seu objeto, enquanto é objeto de especulação. O conhecimento intelectual possibilita que a mente perceba as coisas sem ser afetada pela materialidade dos objetos físicos.

A abstração se processa de dois modos para que isso seja possível: abstração do todo em relação à parte e da forma em relação a matéria. O intelecto recebe a forma das coisas sem sua matéria, como é o caso da matemática.

Os objetos do que trata a matemática dependem da matéria quanto à sua existência, mas não dependem da matéria quanto ao conhecimento que se pode ter de tais objetos, pois não incluí a matéria sensível. Como exemplos, podemos mencionar: a linha e o ponto.

Por outro lado, é possível abstrair as particularidades individuais e contingentes dos objetos. Contudo, os objetos não podem existir nem ser percebidos sem sua matéria sensível. Nesse aspecto, está implicada a matéria sensível, que constitui o objeto próprio da física ou ciência da natureza.

Por último, a separação consiste em considerar as coisas independentemente de todas as suas condições materiais, tem-se então o objeto da metafísica, o qual é totalmente separado da matéria e forma, como é o caso de Deus. São Tomás pensou que a metafísica tem por objeto o estudo das causas primeiras. A causa real e radicalmente primeira é Deus.


O objeto da especulação
A divisão das ciências especulativas é realizada mediante as distinções do que é o objeto da especulação, do especulável. O objeto do especulável pelo intelecto humano tem que necessariamente estar destituído de movimento (ou seja, é imutável). Suas propriedades podem ser descritas assim: a) especuláveis que dependem da matéria e do movimento para ser, b) especuláveis que não dependem da matéria no que se refere ao ser.

O primeiro pode ser subdividido em duas classes distintas: aqueles que dependem da matéria para ser e para ser inteligíveis (os especuláveis da física e ciência natural, por exemplo) e aqueles que dependem da matéria para ser, mas não para ser inteligíveis (por exemplo, os especuláveis da matemática).


Síntese
Podemos elaborar um quadro esquemático para compreender as operações do intelecto no processo de abstração. Definimos anteriormente dois modos de abstração: do todo em relação à parte e da forma em relação à matéria. Resta descrever que critérios tornam isso possível.

O intelecto pode abstrair qualquer tipo de forma cuja determinação essencial não depende de tal matéria, a matemática trata destes abstratos. O intelecto abstrai as formas das imagens por meio do qual se compreende o objeto em repetidas ocasiões. As qualidades sensíveis e mesmo a quantidade de matéria que acompanham o objeto podem ser abstraídas, ou melhor, não precisam existir na mente.

Partiremos agora para abstração do todo em relação à parte. Já foi exposto que o processo de abstração só é operacional quando se determina a priori a natureza da coisa (quididade). Disso decorre que devemos determinar quais partes do objeto são considerados acidentes (partes não essenciais) na sua composição.

Se definirmos uma "sílaba", esta é composta de "letras", não podemos abstrair desmembrando-a em letras, pois "letra" é um componente essencial do todo denominado "sílaba". Essas partes definem o "todo" em questão (objeto do especulável). Ou seja, o "todo" (sílaba) depende da "parte" (letra).

Mas também existem partes que são acidentais à definição do "todo" em questão. Quando definimos "ser humano", não o compreendemos como composto de membros distintos (pé, mão, dedo, etc.); ao contrário, são justamente essas partes que entram na definição do "todo" denominado "ser humano". A dupla operação do intelecto corresponde e está articulada à natureza das coisas que são os objetos do conhecimento humano.
* Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais, é autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política -1972-1985" (Edufscar).


uoleducação
Entre as nuvens (de volta ao Crato).
- Claude Bloc -





Estava nos ares. Lençóis de nuvens se estendiam à minha frente: brancos, macios, ensolarados. Franjas delicadas enfeitavam a passagem da carruagem alada e pareciam se rasgar ao contato com o avião que deslizava na seda azul do céu. Minha alegria não tinha limites e parecia saltitar entre os travesseiros de imagens entalhadas nas nuvens alcochoadas. Alegria infantil, alegria-menina, alegria, alegria! Eu ali era alegria apenas, apenas alegria.

Na verdade, eu me sentia entre duas terras, e, acima das nuvens, meus pensamentos pareciam perder-se em algum recanto de pura felicidade. Que significado tinha o tempo naquele momento? Que significado tinha o ensejo de retornar ao Crato mais uma vez. Que sentido teria esse sentimento tão forte que me toma a cada vez que posso estar de volta ao meu torrão querido? Fazer o que? Eu havia saído numa hora e chegaria 50 minutos depois... o voo curto e rápido tinha a dimensão desse sonho esculpido em nuvens em meio aos céus azuis.

Pensava nessas coisas. Na minha chegada ao Crato, mais uma vez, e na alegria concreta que isso sempre me proporciona. O resto era pensar em tudo o mais. Nas oportunidades, na felicidade que me faz vibrar, na energia poética, lírica, pura e simples que me faz abraçar a vida nesses momentos e nessa roda-viva que torna o tempo tão relativo. Esse eterno fingir não aceitar o que aceitamos, nos momentos de sentir mais uma vez o brilho no olhar, como uma declaração de amor à terra da gente.

Nesses retornos, o tempo se desvela ao desenrolar seu fio. Com isso, já fiz muitos intervalos na minha vida: questionamentos para entender esses sentimentos enormes que me movem, essas demonstrações metafísicas do meu pensamento. Imaginar como poderia eu ser assim tão instintiva? Por que acreditava nos sonhos e na minha voz interior, que só eu julgo ouvir? Por muitas vezes eu mesma me considerei uma contradição entre a inteligência racional e a intuição. Que agora era o epicentro. Pensamentos dispersos a inventar um sonho novo, verde e profundo como a chapada. Ouro sobre verde... Deslumbrante!

O avião já desacelerava. Olhei no espelho os meus olhos escuros e alegres. Olhei o vale lá embaixo e a emoção sorriu comigo. Olhei pela janela. As nuvens raspavam minhas lembranças. O vácuo me mostrava as entranhas da terra, verde e bela. Meu chão!

Depois, o pouso. O ranger do freio. A escada. Passos apressados. Ansiosos. Mala. Taxi. E finalmente o Crato, mãe gentil. Baixei a vista emocionada. Na minha frente a luz imensa do sol do Cariri. O solo. O cheiro de chuva. Apanhei a mochila. Meus dedos tocaram suavemente meus pés. Estava em Crato e guardava essa emoção como se guardasse um tesouro precioso. E era. Já não havia que pensar no tempo... A viagem tinha acabado. Mais um sonho havia começado.

Claude Bloc

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Grande homenagem - colaboração de Edmar Cordeiro


À Redação de O GLOBO (RJ, 13/01/2010) -
Tendo em vista matéria publicada em “O Globo” de hoje (p.4), intitulada “Comissão aprovará novas indenizações” e na qualidade de filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, devo esclarecer o seguinte: Luiz Carlos Prestes sempre se opôs à sua reintegração no Exército brasileiro, tendo duas vezes se demitido e uma vez sido expulso do mesmo. Também nunca aceitou receber qualquer indenização governamental; assim, recusou pensão que lhe fora concedida pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Sr. Saturnino Braga. A reintegração do meu pai ao Exército no posto de coronel e a concessão de pensão à família constitui, portanto, um desrespeito à sua vontade e à sua memória. Por essa razão, recusei a parte de sua pensão que me caberia. Da mesma forma, não considerei justo receber a indenização de cem mil reais que me foi concedida pela Comissão de Anistia, quantia que doei publicamente ao Instituto Nacional do Câncer. Considerando o direito, que a legislação brasileira me confere, de defesa da memória do meu pai, espero que esta carta seja publicada com o mesmo destaque da matéria referida.

Atenciosamente,

Anita Leocádia Prestes

COMPOSITORES DO BRASIL

NOEL ROSA
Parte I

“O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezastes esta lei de Augusto Comte
E fostes ser feliz longe de mim”.
Positivismo, Noel Rosa, 1933.

Por Zé Nilton

Muito já se falou e se fala como igualmente se cantou e se canta Noel Rosa.
A atualidade de sua música se deve, a meu ver, pela expressividade das letras e seu perfeito encaixamento melódico, formando um todo bem arrumado, seja nas músicas de gozação, nas paródias ou nas de puro lirismo e seriedade. Tudo muito bem ao gosto do povo e aos ouvidos mais requintados.

Diz-se que a permanência por gerações ad eternum das músicas dos Beatles se deve ao estilo pop, letras simples e harmonia de fácil execução, embora prazerosa a todos os gostos. Em Noel é tudo isto e, por ser coisas nossas, o estilo é samba, ritmo culturalmente assimilado pelo povo.

Noel Rosa viveu pouco, mas viveu intensamente o universo musical de seu tempo. Suas raízes musicais vieram do Nordeste, com João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense e demais músicos chegados à Capital Federal, nos começos da década de 1920.

Suas primeiras composições estão de acordo com essa premissa, e vamos encontrar o poeta da Vila criando emboladas, cateretês e outros ritmos sertanejos, tão em voga naqueles tempos de uma cidade com profundas feições rurais.

O samba havia assumido o status de música urbana, como resultado de uma mistura de ritmos que vinha se processando deste os fins do século 19, havia pouco tempo, e a área cultural de seu domínio ficava longe, mais para o centro da cidade.

Paulatinamente Noel vai palmilhando o caminho do samba e, para tanto, muito contribuiu o Bando de Tangarás, grupo do qual fez parte, formado por músicos de outros lugares do Rio, como Almirante (Henrique Foreis Domingues), Carlos Braga (Braguinha), Henrique Brito (inventor do violão elétrico), e outros.

A partir de 1908, até a década de 1930, vários grupos musicais vão alicerçar a MPB, agregando-a valores de todas as tendências, resultando num complexo cultural de corpo e alma bem brasileiros. Um dos mais antigos era os Oito Batutas, à frente o grande Pixinguinha e seu irmão; Os Turunas Pernambucanos (comandados por Jararaca e Ratinho); os Turunas da Mauricéia (a frente Augusto Calheiros), entre outros. Os grupos iram se refazendo e muitos músicos passaram por vários deles como Donga, Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, Caninha...

Em apenas 10 anos de total dedicação à música, à bebida, à boêmia e à falta de cuidados com sua saúde debilitada desde a infância, Noel constrói uma obra exemplar na História da Música Popular Brasileira.

Em Compositores do Brasil desta quinta, 28, no primeiro programa de uma série de três, vamos falar e ouvir Noel Rosa. No primeiro e no segundo apresentaremos suas canções e os motivos de sua inspiração; no terceiro, as músicas que ele fez para seus amores correspondidos ou não, os que lhe trouxeram alegria e sofrimento.

Abriremos a primeira sequencia com:

Minha viola – de Noel Rosa, com o Bando de Tangarás.
Nega, de Noel e João de Barro (Braguinha), com o Bando de Tangarás
Lataria – de Noel, Almirante, com o Bando de Tangarás
Com Que Roupa , de Noel Rosa, com Doris Monteiro
Malandro medroso, de Noel Rosa, com Roberto Paiava
Eu vou pra Vila, de Noel Rosa com Roberto Paiva
Gago Apaixonado - João Nogueira, de Noel Rosa
Cordiais saudações, de Noel Rosa, com Noel Rosa e o Bando de Tangarás
Até amanhã, de Noel Rosa, com Almirante
Vitória, de Noel Rosa, com Roberto Paiva
Cem mil Réis, de Noel Rosa e Vadico, Chico Buarque e Luiza Buarque
Qual foi o mal que eu te fiz, de Noel Rosa e Cartola, com Chico Alves
Positivismo, de Noel Rosa, com Noel Rosa
Filosofia, de Noel Rosa, com Chico Buarque

Quem ouvir, verá!

Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri
Apoio. CCBN


NOEL ROSA

“O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezastes esta lei de Augusto Comte
E fostes ser feliz longe de mim”.

Positivismo, Noel Rosa, 1933.

Por Zé Nilton

Muito já se falou e se fala como igualmente se cantou e se canta Noel Rosa.
A atualidade de sua música se deve, a meu ver, pela expressividade das letras e seu perfeito encaixamento melódico, formando um todo bem arrumado, seja nas músicas de gozação, nas paródias ou nas de puro lirismo e seriedade. Tudo muito bem ao gosto do povo e aos ouvidos mais requintados.

Diz-se que a permanência por gerações ad eternum das músicas dos Beatles se deve ao estilo pop, letras simples e harmonia de fácil execução, embora prazerosa a todos os gostos. Em Noel é tudo isto e, por ser coisas nossas, o estilo é samba, ritmo culturalmente assimilado pelo povo.

Noel Rosa viveu pouco, mas viveu intensamente o universo musical de seu tempo. Suas raízes musicais vieram do Nordeste, com João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense e demais músicos chegados à Capital Federal, nos começos da década de 1920.

Suas primeiras composições estão de acordo com essa premissa, e vamos encontrar o poeta da Vila criando emboladas, cateretês e outros ritmos sertanejos, tão em voga naqueles tempos de uma cidade com profundas feições rurais.

O samba havia assumido o status de música urbana, como resultado de uma mistura de ritmos que vinha se processando deste os fins do século 19, havia pouco tempo, e a área cultural de seu domínio ficava longe, mais para o centro da cidade.

Paulatinamente Noel vai palmilhando o caminho do samba e, para tanto, muito contribuiu o Bando de Tangarás, grupo do qual fez parte, formado por músicos de outros lugares do Rio, como Almirante (Henrique Foreis Domingues), Carlos Braga (Braguinha), Henrique Brito (inventor do violão elétrico), e outros.

A partir de 1908, até a década de 1930, vários grupos musicais vão alicerçar a MPB, agregando-a valores de todas as tendências, resultando num complexo cultural de corpo e alma bem brasileiros. Um dos mais antigos era os Oito Batutas, à frente o grande Pixinguinha e seu irmão; Os Turunas Pernambucanos (comandados por Jararaca e Ratinho); os Turunas da Mauricéia (a frente Augusto Calheiros), entre outros. Os grupos iram se refazendo e muitos músicos passaram por vários deles como Donga, Pixinguinha, Heitor dos Prazeres, Caninha...

Em apenas 10 anos de total dedicação à música, à bebida, à boêmia e à falta de cuidados com sua saúde debilitada desde a infância, Noel constrói uma obra exemplar na História da Música Popular Brasileira.

Em Compositores do Brasil desta quinta, 28, no primeiro programa de uma série de três, vamos falar e ouvir Noel Rosa. No primeiro e no segundo apresentaremos suas canções e os motivos de sua inspiração; no terceiro, as músicas que ele fez para seus amores correspondidos ou não, os que lhe trouxeram alegria e sofrimento.
Abriremos a primeira sequencia com:

Minha viola – de Noel Rosa, com o Bando de Tangarás.
Nega, de Noel e João de Barro (Braguinha), com o Bando de Tangarás
Lataria – de Noel, Almirante, com o Bando de Tangarás
Com Que Roupa , de Noel Rosa, com Doris Monteiro
Malandro medroso, de Noel Rosa, com Roberto Paiava
Eu vou pra Vila, de Noel Rosa com Roberto Paiva
Gago Apaixonado - João Nogueira, de Noel Rosa
Cordiais saudações, de Noel Rosa, com Noel Rosa e o Bando de Tangarás
Até amanhã, de Noel Rosa, com Almirante
Vitória, de Noel Rosa, com Roberto Paiva
Cem mil Réis, de Noel Rosa e Vadico, Chico Buarque e Luiza Buarque
Qual foi o mal que eu te fiz, de Noel Rosa e Cartola, com Chico Alves
Positivismo, de Noel Rosa, com Noel Rosa
Filosofia, de Noel Rosa, com Chico Buarque

Quem ouvir, verá!

Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri
Apoio. CCBN

A poesia de Ana Cecília S.Bastos


Um gato chamado Milk
Como tem gente aqui em casa reclamando - por que uma homenagem a Shake e não a Milk? - completo o registro sobre essa dupla inseparável.
Milkinho é um gato persa amarelo muito inteligente e elegante. Desde que era um filhote, ele é absolutamente convicto de que é o rei dos animais. Porisso atravessa o espaço em direção aos lugares mais altos, seus por direito natural, de onde pode nos olhar de cima e observar tudo o que se passa em seus domínios - que por vezes incluía inadvertidos versos...
E aqui termina a felina saga poética, prometo!



Definição do gato.


Contato portátil com a natureza.
Nuvem atravessando a mesa
e outros espaços imprevistos.

Nova casa se revela
na fotografia
felina,
em ângulos de precisão
e neblina.

O mundo visto em sobressaltos:
O desafio e o salto,
sempre mais alto,
sempre mais belo,
o gato amarelo.
Elo.


Imagens de Salvador sitiada

O silêncio felino nestas noites em que o absurdo nos toma.
As fotos de Salvador tomada pela violência.
Em Pituaçu, o artista palmilha silencioso e melancólico os vestígios da destruição.
Perplexo, atônito.

A criança chora sem nada compreender.
O desconexo das imagens e o longo caminho
da cidade.
A cidade submersa, a cidade ao sol.
O corpo ferido da cidade.
A cidade viva e violenta.
A morte.
Busco a sintonia possível com seu movimento sempre tão dentro
da minha própria pele.

A cidade emudece, paralisada.
Silêncio onde havia gritos e algazarra.
Gritos onde tudo era murmúrio.
O gato passa silencioso e atravessa o opaco em luvas de algodão e espinho.



por Ana Cecília

José Martí - "Apóstolo da Independência de Cuba"

( 28 de janeiro de 1853 - Havana / 19 de maio de 1895 - Dos Ríos - Cuba )
*
Patriota, POETA e escritor cubano, "Apóstolo da Independência de Cuba", última colônia espanhola na América. O fato de haver morrido em uma batalha, o transformou em mártir das aspirações cubanas pela independência.
*
José Julian Martí Pérez nasceu a 28 de janeiro de 1853 em, Havana. Por suas idéias revolucionárias, e a participação na Guerra dos Dez Anos, aos 16 anos foi condenado a 6 anos de prisão, cumprindo pena de trabalhos forçados nas pedreiras de Havana. Com a saúde debilitada teve a sua pena comutada em exílio e em 1871, segue para a Espanha. Em Madrid publica " A Prisão política em Cuba ", o primeiro de muitos folhetos em defesa da independência cubana.
*
Entendia a literatura como "expresión y forma de la vida de un pueblo", defendendo uma poesia
com "raiz en la tierra, y base de hecho real ".
*
José Martí foi um dos precursores do Modernismo ibero americano, sendo considerado um dos maiores poetas latino- americanos. Acreditava que a liberdade e a justiça deveriam ser as principais bases para um governo, e seus escritos condenam todo e qualquer regime autoritário, daí a importância de sua obra publicada de 1936 a 1953, em 73 volumes.
*
São de grande valor seus "Versos Libres" ( 1878 -1882 ), "La Edad del Oro" ( 1889 ) e "Versos Sencillos", esta última decididamente modernista e onde predominam as anotações autobiográficas e de caráter popular.
*
Cultivo Una Rosa Blanca

Cultivo una rosa blanca
En Junio como en Enero,
Para el amigo sincero,
Que me dá su mano franca.
*
Y para el cruel que me arranca
El corazón con que vivo,
Cardo ni ortiga cultivo,
Cultivo una rosa blanca.
*
Versos Sencillos ( 1891 )
Poesia I

Yo soy un hombre sincero
de donde crece la palma.
Y antes de morirme quiero
Hechar mis versos del alma.
*
Yo vengo de todas partes,
Y hacia todas partes voy.
Arte soy entre las artes,
En los montes, monte soy.
*
Yo sé los nombres estraños,
De las yerbas y las flores
Y de mortales engaños,
Y de sublimes dolores.
*
Yo le visto en la noche oscura,
Llover sobre mi cabeza
Los rayos de lumbre pura,
De la divina belleza.
*
Mi verso es de un verde claro
Y de un carmin encendido
Mi verso es de un ciervo herido
Que busca en el mundo amparo.
*
Con los pobres de la tierra
Quiero yo mi suerte echar
El arroyo de la sierra
Me complace más que el mar.
*
PS . Fragmentos dos "Versos Sencillos" foram adaptados em "Guantanamera", uma das canções cubanas mais conhecidas mundialmente.
*
No filme "La Ciudad Perdida", dirigido e protagonizado por Andy Garcia, os "Versos Sencillos", de José Martí são declamados pelo próprio Andy Garcia ( ator cubano que reside nos Estados Unidos).
*
Fontes