Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

domingo, 14 de março de 2010

14 de Março - Dia Nacional da Poesia

Poetas , o convite é da poesia !

Será que ter saudade é ser brega?

Verdade. Músicas marcam. São épocas, momentos, lembranças.

Serenatas ao luar... Violão. (Des)afinação...

A saudade fica, a lembrança volta e o coração bate mais forte quando a memória traz de volta essas coisinhas que fazemos questão de não esquecer...

Afinal, será que ter saudade é ser brega?

Oferenda com Altemar Dutra

Peço desculpas pelos errinhos de digitação que se encontram nesse vídeo,

mas não havia outro no Youtube com esta música.

E esta pra quem será???

ALGUÉM COMO TU - Com Dick Farney

Jura Secreta - com Simone e Zélia Duncan

Recadinho musical - de alguém para alguém com amor e carinho...

Entre risos, drinks e petiscos...

Foi uma noite animada, entre papos e risos, com direito a encontros e reencontros.
Anfitriões gentis, convivas animados.
.
Dona Almina sempre pronta a uma boa conversa, acompanhada por Socorro e Victor

Socorro e Rosineide, belas e plenas de charme...
.
Maria Teresa, Wilolian , Maria Benigna com João Marni
.
Maurilo e Loura (Eleonora)
.
Um papo animado com o anfitrião : José Lívio
.
Estavam presentes:
.
  • Eleonora e Maurilo
  • Joaquim e Dona Almina
  • Maria Teresa e Willian
  • Rosineide
  • Socorro e Victor
  • J. Marni e Fátima
  • Olival e Marcia
... e é claro, os anfitriões Maria Benigna e J. Lívio.
.
Fotos enviadas por Monalisa Figueiredo

Uma amizade eterna - Por Joaquim Pinheiro


Foto Histórica


Esta foto representa solída amizade de 70 anos, de duas personagens marcantes. Na ocasião, a soma das idades das duas chegava a 180 anos. D. Pia Cabral, mãe de Umberto, Sarah, Irene, Bernadete, Divane, Leônia, que moram no Crato, cumprimentava D. Benigna Arraes, mãe de Miguel Arraes, Anilda, Alda, Mª Alice, Laís, Almina e Violeta, pelo 90º aniversário.


Por Joaquim Pinheiro

sábado, 13 de março de 2010

Eita mundão sem cancela! - Emerson Monteiro

Por vezes o atendi na Carteira Agrícola, proprietário e ativo agropecurista era sempre alegre e conversador, buscava seus empréstimos ou acertava suas contas no Banco do Brasil. José Inácio de Lucena, conhecido por Zequinha Chicote, guardava a fama de homem disposto, membro de família tradicional de Brejo Santo, lugar de histórias aguerridas de um passado conhecido pela saga dos seus primeiros habitantes. Dele uma frase característica definia bem o jeito de ser:
- Eita mundão sem cancela! – de longe sabíamos quem chegava, no chiste acompanhado da mais sonora gargalhada que preenchia o recinto, introdução para início de conversa seguida dos assuntos diários, bancários, negociais, técnicos...
Todo colega gostava dele. Ouvíamos tantas vezes narrativas de sua liderança, o respeito que lhe tinham seus pares, as proezas pelas quais houvera de passar nos confrontos dessa vida. Dado ao que desse e viesse, jamais se dobrava às contingências.
Quase todo final de semana me deslocava ao Crato, para a casa de meus pais. Organizava o passeio saudosista preso às amizades que deixara, o gosto por literatura, bebida, rádio, namorada, saídas aos pés de serra, um apego exacerbado à vida adolescente em diminuição. Livrarias, cinemas, bares. Em poucas oportunidades ficava no Brejo, onde tomara posse no banco em junho de 1967. Raras ocasiões permaneci, apenas em dias de festa, de acontecimentos marcantes, ou movido pelo coração, nalguns momentos especiais.
Retornava nas segundas de madrugada, em uma rural azul pertencente a Tércio Siebra, colega que fretava o veículo à turma do Crato, Zé Vicente, Bartolomeu, Seu Zé Siebra, Zé Oton, que ficava em Barbalha, e eu. Certas viagens ocorriam ainda no domingo à noite. Outras, a maioria, nas madrugadas da segunda, ressacados, saudosos, sonolentos, apressados, a fim de chegar no tempo do expediente rigoroso.
Num desses fins de semana, lembro bem, retornei ainda no domingo de tarde. Na véspera, no Bar Alvorada, centro da cidade, bem na frente da praça principal, enquanto bebia com amigos, Zequinha Chicote morrera alvejado com disparos de arma de fogo.
Algo tocara meu sentimento ao saber da notícia. Era dia nublado, desses quase escuros que prenunciam chuvas no sertão, e saí pelas ruas desertas da tarde, a rever na lembrança a figura daquele personagem do nosso cotidiano, um mutuário da Carteira. Alguma coisa restaria a menos diante do universo de funcionários procedentes das variadas origens que ali se encontravam tangidos para o trabalho. Levávamos existência burocrática, meio estrangeira, sobretudo, daí uníamos nossas histórias às dos moradores do lugar.
Com a perda de Zequinha Chicote, dia anterior, se fechara cancela de alegria daquele mundão primoroso, o que cheguei mesmo a pensar alguma cancela houvesse, face ao grito recorrente quantas vezes escutado:
- Eita mundão sem cancela!...

Para Domingos em pleno Sábado - Por Claude Bloc


Sei que domingas
Em todos os dias da semana
Segundeias pelos ares
Terceias pelas ruas
Quarteias quando a noite chega
E nas quintas aspiras mais forte
Os perfumes da madrugada
Te encantas com as sextas
Que te acalmam,
Pois depois vem o sábado
Para de novo domingares
E nos trazeres
os prazeres de Domingos.
Por Claude Bloc

Pérolas dos bastidores


Nicodemos disse...

Cultura é o que sobra
de uma civilização
que soçobra...
.
.

quando sobra...

13 de março de 2010

Rousseau

Uma chuvinha
de encontro
ao rosto
entrando nos olhos
até as calçadas
mudam de cor
e não é ácido.

Borboletas
com seu pozinho mágico
que pode causar cegueira
(mito?).

Formigas com sua valentia
patas decepadas

lutando contra
ondas do chuveiro
o ralo aberto.

os pássaros nos galhos
e nos fios de alta tensão:

gravetos no bico,
outros caem eletrocutados.

A árvore balança a cabeça,
desapontada.

Os postes gracejam:
"à noite
a lâmpada de mercúrio
exala enxofre."

SITE DA URCA (CE) INFORMA: Inscrições abertas para Especialização em Ciências das Religiões

(http://www.urca.br/portal/index.php/noticias-e-eventos/14-lista-de-noticias/621-especializacao-em-ciencias-das-religioes)

Qui, 11 de Março de 2010 12:52

A Universidade Regional do Cariri (URCA), informa aos interessados que estão abertas as matrículas para o Curso de Especialização em Ciências das Religiões. As aulas estão previstas para serem iniciadas no próximo mês de abril.

Aulas presenciais são realizadas em um final de semana por mês, nos seguintes horários:

Sexta-feira: de 18h30 às 21h30

Sábado e domingo: de 08 horas às 12horas e 13h30 às 17 horas

PÚBLICO ALVO: profissionais graduados em cursos de licenciatura ou Bacharelados, reconhecidos pelo MEC.

CARGA HORÁRIA: 420h/a

LOCAL DE REALIZAÇÃO: URCA CAMPUS PIMENTA
INÍCIO: PRIMEIRA QUINZENA DE ABRIL

VALOR DA MATRÍCULA: R$50,00

VALOR DA MENSALIDADE: 17 parcelas de R$ 150,00

INFORMAÇÕES: (88) 3102-1212-RAMAL 2607
(88)9621-1742 (ANA FELÍCIA)

A poesia de Cacaso




HÁ UMA GOTA DE SANGUE
NO CARTÃO POSTAL

eu sou manhoso eu sou brasileiro
finjo que vou mas não vou minha janela é
a moldura do luar do sertão
a verde mata nos olhos verdes da mulata

sou brasileiro e manhoso por isso dentro
da noite e de meu quarto fico cismando na beira
de um rio
na imensa solidão de latidos e araras
lívido
de medo e de amor



EX (3)

A minha ex-namorada
inundou minha vida de coisas belas demais
evitava que eu tivesse qualquer aborrecimento
impedia que eu saísse no sereno
me conduzia pela mão ao atravessar a rua
velava enternecida pelo meu futuro

a minha ex-namorada usurpou o lugar
onde floria, exuberante, a esposa atual
de meu pai onipresente


De Beijo na Boca (1975)

JOGOS FLORAIS I

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.



CINEMA MUDO IV

Neste retrato de noivado divulgamos
os nossos corpos solteiros.
Na hierarquia dos sexos, transparente,
escorrego
para o passado.
Na falta de quem nos olhe
vamos ficando perfeitos e belos
tão belos e tão perfeitos
como a tarde quando pressente
as glândulas aéreas da noite.


De Grupo Escolar (1974)



INFÂNCIA (2)

Eu matei minha saudade mas depois
veio outra


De Mar de Mineiro (1982)


poesia.net
www.algumapoesia.com.br
Carlos Machado, 2007
Cacaso
In Beijo na Boca e Outros Poemas
Brasiliense, São Paulo, 1985
____________
* W.H. Auden, "Em Memória de Sigmund Freud",
in Poemas, trad. de José Paulo Paes

Bidu Sayão



Balduína de Oliveira Sayão, mais conhecida como Bidu Sayão, (Itaguaí, 11 de maio de 1902 — Rockport, Maine, 13 de março de 1999) foi uma célebre intérprete lírica brasileira.

Bidu Sayão começou estudando canto com Elena Teodorini, uma romena que então vivia no Brasil, e que a levou para a Romênia, onde ela continuou seus estudos. Mais tarde foi para Nice na França onde foi aluna de Jean de Reszke, um tenor polonês que ajudou a consolidar sua técnica vocal. Bidu Sayão estreou em 1926 no Teatro Costanzi de Roma, no papel de Rosina em O Barbeiro de Sevilha de Rossini. Sua estréia no Metropolitan Opera House de Nova Iorque se deu em 1937 no papel de Manon na ópera de Massenet. Foi parte do elenco do Metropolitan durante muitos anos. Arturo Toscanini era seu admirador, referindo-se a ela como la piccola brasiliana. Em fevereiro de 1938 cantou para o casal Roosevelt na Casa Branca. Roosevelt lhe ofereceu a cidadania estadunidense, mas ela recusou na hora. De acordo com a mesma, "no Brasil eu nasci e no Brasil morrerei". Entretanto ela morreu de pneumonia nos Estados Unidos em 1999, antes de completar 97 anos, sem realizar um de seus desejos: rever a Baia de Guanabara. Havia uma viagem agendada para este propósito no ano de seu centenário, mas a soprano faleceu antes disso. Ao morrer morava na cidade de Lincolnsville, no estado americano do Maine, onde residiu grande parte de sua vida.
Consta que Bidu Sayão se apresentou pela última vez no Rio de Janeiro em 1937, bem antes do término de sua carreira, porque ali foi vaiada durante a apresentação ao cantar Pelléas et Mélisande no Municipal do Rio. Diz-se que a vaia teria sido organizada pela claque da meio-soprano Gabriella Besanzoni Lage, cujo sucesso na Carmen eles não desejavam que fosse empanado pela carioca que vinha dos Estados Unidos coberta de louros. Entretanto neste mesmo ano, 1937, arrebatou a platéia do Metropolitan de Nova Iorque com a sua interpretação da Manon de Jules Massenet. O país onde nasceu não soube entender aquilo que o país que a acolheu recebeu com entusiasmo, e a amargura desse fato talvez só tenha sido abrandada na comovente homenagem que no Brasil recebeu em 1995.

Além da baixa estatura, Bidu Sayão tinha uma voz que a tornava mais adequada para os papéis femininos mais delicados e graciosos. Entre os papéis nos quais ela mais se destacou, podemos mencionar Mimì em La Bohème de Puccini, Susanna em As Bodas de Fígaro de Mozart, Zerlina em Don Giovanni, Violetta em La Traviata de Verdi, Gilda em Rigoletto, Zerbinetta em Ariadne auf Naxos de Richard Strauss, e os papéis femininos principais em Roméo et Juliette de Gounod e Pelléas et Mélisande, a única ópera de Debussy.

Bidú Sayão foi homenageada pela Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis em 1995. Ela veio no último carro alegórico, O Cisne Negro, sentada num trono cuidadosamente preparado para ela.

wikipédia

Silêncio do Corpo - por Ana Cecília S.Bastos





O campo é um centauro, dizia o professor. Uma encruzilhada hermenêutica que construo mas me incorpora definitivamente em seu intransponível horizonte de equívocos. A análise é um centauro. Eu sou um centauro, às vezes sem existência real, só mitologia, torrentes de palavras neste momento.
Contemplo minhas patas e garras, a cauda do dragão no átrio da Igreja. Seu incenso. Que me açoita e revela o meu eu, minha pertença, o mim. Algo muito fundo.
Do profundo do tempo me amaste, Senhor.
Eu vã, eu louca e ausente, mas ali estou e sou eu, e não sou, fora desse átrio, origem e destino, nenhuma dúvida jamais nesse lugar. Do profundo do tempo esse sintoma me toma e define. Asma como eu. Ana como eu. Que me trava quando contra mim para que eu talvez caminhe em meu favor, mas pelo avesso, e me silencia, me paralisa quando preciso. E como preciso, desesperadamente.
O mundo contra mim, o fluxo contra mim, o eu ignoto remoto no pátio da Igreja, no vão da porta, no átrio.
A Nave.
Asma, unha cravada na pele da alma.
Nenhum sangue.

.
Desenho de Ígor Souza.

Atalhos e Veredas - Por Marcos Barreto de Melo

ATALHOS E VEREDAS



PELOS CAMINHOS DA VIDA
MUITAS FLORES ENCONTREI
NEM TUDO FOI DESPEDIDA
NOS LUGARES ONDE ANDEI

MAS, NEM SEMPRE FOI POSSÍVEL
POR ENTRE FLORES CAMINHAR
A VIDA ÀS VEZES NOS FAZ
OUTROS CAMINHOS TRILHAR
E AÍ, SÓ RESTA MESMO O ATALHO
PRA QUEM QUER CONTINUAR

NOS ATALHOS E VEREDAS
CAMINHOS TÃO TORTUOSOS
POR ENTRE PEDRAS E ESPINHOS
CRUZEI ABISMOS TENEBROSOS
NÃO ENCONTREI O PERFUME
NEM A BELEZA DAS FLORES

MAS, FOI PASSANDO POR VEREDAS
QUE A VIDA MAIS ME ENSINOU
COM TODA A DIFICULDADE
ENCONTREI NESSE CAMINHO
SENTIMENTOS, OS MAIS RAROS
CARINHO, AMOR E AMIZADE
QUE FIZERAM-ME ESQUECER
DE QUALQUER PEDRA OU ESPINHO



Marcos Barreto de Melo

RECADO PRA SÃO JOSÉ - Por Mundim do Vale


São José, meu São José
Escute o recado meu,
Eu rezei cum muita fé
Mais por aqui num chuveu.
Se o Sinhô tá ocupado,
Preste atenção no recado
E arranje um ajudante.
Mande ele descê pra cá,
Mode vê seu Ceará
Cuma tá istravagante.

Se alembra aquela capela
Qui eu butei o nome seu?
Eu rezei foi muito nela
Mais nem um pingo chuveu.
Se São Pedo é seu amigo,
Faça um apelo sufrido
No nome desse fiel.
Amostre o nosso sofrê,
Prumode ele distrocê
As torneiras aí do céu.

Os pé de mi qui prantei
Já secou tudo no chão,
E agora eu tombém sei
Qui vou perdê meu feijão.
O meu arroz já tá mucho,
Já sinto um ronco no bucho
Num posso nem trabaiá.
Já tá chegando o seu dia,
Peça licença a Maria
E olhe pro Ceará.

Nosso povo quando ora
O Sinhô é o prifirido,
Mais agora a gente chora
Vendo o ligume perdido.
Mais se meu Santo subé,
O tamãe da nossa fé
Talvez quebre o nosso gái.
Mode nóis do Ceará,
Num pricisá saquiá
Nem a ninguém dá trabái.

Meu Santo nóis agradece
Se o Sinhô atendê,
O Ceará num isquece
De uma prece oferecê.
Se São Pedo é coerente,
Bondoso e eficiente
A você sei qui num nega.
Mais sem querê abusá,
Vá dipressa precurá
Esse Santo seu colega.

Não quero qui o Sinhô pense
Qui é nóis qui somo inzigente,
É pruquê o cerense
Já veve muito carente.
Nóis só pede a sua mão,
É pruquê o nosso chão
Tá quente qui nem braseiro.
Se meu recado chegá,
Faça o favo de oiá
Meu São José padroeiro.


Mundim do vale

sexta-feira, 12 de março de 2010

À Baco

Sinto mãos em meu corpo
que não conheço.
Tantas bocas
para poucos beijos.

Nus,
os corpos derretidos
se misturavam.

Carícias rudes
tapas suaves.

O cheiro de alccol
ganhava cor.

Nossos olhos
se perdiam
me meio há tantos
movimentos.

Uma noite
que durou todo o dia.

12 de Março de 2010

Phelipe B. Braga

VEM CONHECER RECIFE por Rosa Guerrera


O cantor e compositor Reginaldo Rossi prestou uma homenagem a cidade de Recife , dentro do seu estilo bem peculiar . E eu , aproveitando o ensejo , parabenizo a minha cidade pelos seus 473 anos , transcrevendo a letra dessa música que todo recifense sabe cantar .

Recife Minha Cidade
(Reginaldo Rossi)

Hei! Vem cá que eu quero te mostrar
Hei! A minha cidade, o meu lugar
Hei! Recife tem um coração
Hei! Tem muito calor, muita emoção

O povo daqui gosta de cantar
Tem religião, gosta de rezar
Tem cristianismo, tem candomblé
Tem muita cachaça e muita mulher

Tem Luiz Gonzaga, Rei do Baião
Tem Alceu Valença, anunciação
E em Olinda o carnaval
É o melhor do mundo
É sensacional

Recife tem encantos mil
É... É um pedacinho do Brasil
É um paraíso tropical
Tem... Tem um acervo cultural

Ela é a Veneza desse Brasil
É entrecortada por muitos rios
A capital do meu Pernambuco
Capitania que deu mais lucro

Ela é a cidade que viu surgir
grandes heróis da nossa nação
O negrão Henrique e o branco Negreiros
O índio Felipe e o Camarão

De Porto Alegre até Boa Vista
De Porto Velho até Natal
Em diagonal até Fortaleza
O Brasil, eu sei, tem muita beleza
Mas sou de Recife e devo cantar
A minha cidade, o meu lugar
Você não entende se não quiser
Tem muita cachaça e muita mulher



ANIVERSÁRIO DE RECIFE ! 473 ANOS ! por Rosa Guerrera


A História da região inicia-se em 1534, quando Portugal criou as capitanias hereditárias.
A Capitania de Pernambuco foi dada a Duarte Coelho Pereira; no mesmo ano de 1534, foram fundadas as vilas de Igaraçu e Olinda. Pernambuco foi uma das poucas capitanias que prosperaram, graças à boa adaptação que a cana-de-açúcar teve ao solo da região.
Recife, por décadas, foi apenas o porto utilizado para escoar a produção local e receber peças da metrópole; o nome Recife deriva da faixa de recifes que acompanha boa parte do litoral da região. Essa situação alterou-se a partir de 1630, quando os holandeses (atraídos pela riqueza da cana-de-açúcar) ocuparam Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Acostumados que estavam às terras planas da Holanda, os holandeses preferiram estabelecer-se em Recife. Em 1637, o conde Maurício de Nassau assume o governo das possessões holandesas no Brasil. Culto, Nassau conduziu uma revolução urbanística na cidade: ruas foram planejadas e traçadas, várias pontes foram construídas; Nassau trouxe da Europa grandes arquitetos, engenheiros e paisagistas que deram um ar de metrópole à cidade do Recife.
A infra-estrutura que se criou ao longo dos séculos para receber os comerciantes foi adaptada para receber turistas de todas as partes do Brasil que chegam, atraídos pela riqueza cultural e pelas belezas naturais da região.
Hoje , completando os seus 473 anos Recife salta aos olhos dos visitantes a riqueza de culturas, mistura de elementos europeus, índios e negros, que se reflete nos ritmos e sabores da cidade. E essa riqueza vem rodeada por algumas das mais belas praias do Brasil.. Parabéns Recife !

Na última hora

Quando me atingiram na face
No dia que eu cantava nos prados
Fugi...
Fugi pisando nas pétalas de rosas
E meu sangue, tingindo-as de rubro
As feridas, arrancadas nos trocos
Das árvores caíram ao chão,
Expondo as chagas? Jamais
Expondo o perfume que exala
Meus poros...
Quando no último salto,
De um abismo para o outro,
Alvejado no peito.
A bomba quase (e) terna parou
E infestou de azul,
(A cor que foi possível)
O céu... já que pelo menos
Nas pétalas já tinha deixado
Minhas pegadas.

Foto: Sónia Cristina Carvalho



Ame e dê vexame aborda is dificuldades de uma vida amorosa numa sociedade voltada para o que está em oposição aos sentimentos. São textos que, ao relatar experiências pessoais, encerram lições valiosas para quem precisa assumir a precariedade de uma existência que não descarte o amor. Eles funcionam como um roteiro leve e bem humorado em favor da gratificação permanente, apesar das advertências de uma sociedade baseada na exploração e no consumo. Na série de textos sobre assunto tão candente, o autor explica as vantagens de mergulhar profundamente naquilo que pode causar escândalo em determinado momento, mas que revela-se, com o tempo, corno a única grande motivação de se continuar vivo.

.
Editora: Novo Paradigma
Autor: ROBERTO FREIRE

Muito estranho


(Cuida Bem de Mim)
Composição: Cláudio Rabello / Dalto



Hum!
Mas se um dia eu chegar
Muito estranho
Deixa essa água no corpo
Lembrar nosso banho...

Hum!
Mas se um dia eu chegar
Muito louco
Deixa essa noite saber
Que um dia foi pouco...

Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho...

Hum!
Minha cara prá que
Tantos planos
Se quero te amar e te amar
E te amar muitos anos...

Hum!
Tantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma lua
A brincar no teu rosto
Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho...(2x)

Literatura de Cordel - As proezas de João Grilo



João Martins de Athayde


João Grilo foi um cristão
que nasceu antes do dia,
criou-se sem formosura,
mas tinha sabedoria
e morreu depois da hora
pelas artes que fazia.
E nasceu de sete meses,
chorou no bucho da mãe;
quando ela pegou um gato
ele gritou: "não me arranhe
não jogue neste animal
que talvez você não ganhe".

Na noite que João nasceu
houve um eclipse da lua
e detonou um vulcão
que ainda continua,
naquela noite correu
um lobisomem na rua.

Porém João Grillo criou-se
pequeno, magro e sambudo
as pernas tortas e finas
a boca grande e beiçudo.
No sítio onde morava,
dava notícia de tudo.
João perdeu o pai
com sete anos de idade.
Morava perto de um rio,
ia pescar toda tarde.
Um dia fez uma cena
que admirou a cidade.
O rio estava de nado,
vinha um vaqueiro de fora,
perguntou: “dará passagem?”
João Grilo disse: “inda agora,
o gadinho de meu pai
passou com o lombo de fora”.

O vaqueiro botou o cavalo
com uma braça deu nado,
foi sair já muito em baixo,
quase que morre afogado!
Voltou e disse ao menino:
“você é um desgraçado!”

João Grilo foi ver o gado
para provar aquele ato,
veio trazendo na frente
um bom rebanho de pato:
os patos passaram n’água.
João provou que era exato.

Trovinhas despretensiosas - por Socorro Moreira


Tomara que chegue Maio
Pra Julho chegar também
Enquanto isso eu me escondo
De mim, e de ti também !
.
Se antes eu não te via
Agora te vejo bem
Somos velhos conhecidos
Agora te quero bem !
.
Passado a gente discute
Presente quer se dar bem
Futuro é sempre o novo
Do velho que se deu bem !
.
Não choro a minha tristeza
Tão ligeira , sempre passa
Comemoro a alegria
De te encontrar por acaso
.
Os amores bem lembrados ...
São sempre os aventurados
No "Auto da Compadecida"
Permanecem os consagrados !
.
Aqui termino esses versos
Na fumaça , na tragada
Tua lembrança é clara
Não duvides, tá na cara !
Entre alhos e bugalhos
- Claude Bloc -
Vou assim
entre alhos e bugalhos.

Encontro-te
em tantos dos meus sentimentos
que me perco
na velocidade dos meus sonhos.

Eu, eu apenas
querendo simplesmente
ser o sopro ou o estro
o ar que te faz navegar pelo tempo.

Nesse espaço,
sou um corpo feito de brisas.

Olhar-te, eu o faço
em todos os momentos
com olhos de vento
... e quero
nos dias iluminados

trazer-te para perto
e ser absolutamente
a tua parte
e minha contraparte.


Claude Bloc

Não me lembro de ti - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Logo tu, esse sinônimo de lembrança,
Esta exuberância de Chapada do Araripe,
De acordar a sonolência da preguiça,
De mover as moendas do engenho,
E depois aproveitar as águas levadas.

Como me esqueceria desta presença?
Capaz de flutuar no mais escuro da tristeza,
Submergir no manto inconcluso desta vida mutante,
E como as baleias esguichar alto as lágrimas sentidas,
Colhidas, firmes como o frutos de buriti da segunda-feira.

Não me lembro de ti,
Como nem lembro de mim,
De nós, deles, daqueles minutos selecionados,
Como o relógio da estação de trens,
A estátua da samaritana,
O Cristo de braços abertos,
A cidade a brincar de golfinho,
Fugidia, pulando e mergulhando nos abismos da lembrança.

Não me lembro de ti,
E mesmo que me digas,
mas eu me lembro de ti!

Juntemos a afirmação à minha “deslembrança”
Ambas se anularão como a antimatéria,
E ao final teremos:
Inteiros, destacados, com todos ângulos e lados,
Nós os deslembrados,

A nossa própria natureza.
A natureza que não precisa de lembranças,
Sobretudo energia a gerar no presente,
As lembranças quando o presente se tornar futuro.
Mas aí o futuro já será presente e tudo se resolve.

Eu fui ao Crato - por José do Vale Pinheiro Feitosa

O Cariri continua lindo. Com seu verde hidratado, seus babaçus arrojados, quintais floridos e toda a curvatura que se posta respeitosa ao talude magno da Chapada do Araripe. Este vale é mais ainda, pois se abre sobre a planície das léguas tiranas dos sertões. Não é como aqueles vales acanhados, apertados entre saliências que estão ali para dizer-lhe: és vale pelo meu poder permissionário. O Cariri é vale a desafiar o semi-deus da caatinga circundante.

Logo no primeiro dia andei pelo centro da cidade do Crato. Fervilhante centro. Tão comercial como se reduziu tudo aquilo que antes fora sociedade e política. As famílias migraram, as praças perderam a ambiência do debate, confesso que senti certa vergonha de, na madrugada de uma sexta-feira, encontrar a Praça da Sé coalhada de copos descartáveis e sobre suas calçadas as varetas de ferro das barracas da “camelotagem”. Tudo só comércio.

Um comércio sem peias. Apenas propaganda e uma vontade imensa de vender. Uma espécie de “crack” fumado todas as manhãs ao se abrirem as caixas registradoras. Um vício a matar a cidade. A cidade se reconhece pelas suas ruas e suas ruas apenas existem pelas suas edificações. E as edificações? Estão escondidas, aprisionadas, humilhadas pelas placas um tanto imbecis da mercancia. A maior demonstração de que tudo anda sem medidas se vê por uma placa imensa “deletando” a visão do prédio do Coronel Antonio Luiz. A cidade foi adonada por uma volúpia que apenas pode ser controlada por fora, talvez pelo poder público se ele se manifestar. Pois não se manifesta. Como aquele biombo que esconde um dos prédios mais representativos da alma da cidade e que faz uma propaganda de uma coisa esdrúxula: DENTISTA POPULAR.

Dentista popular. Lembrou-me um incidente do grande Advogado Sobral Pinto com um coronel nos idos da ditadura militar. O Coronel: Dr. Sobral nós estamos inventando a democracia à brasileira. Ao que o mestre rebateu: não exista tal, o que existe é peru à brasileira. Não existe dentista popular, pois se é dentista apenas existe para atender ao povo. O comércio do centro do Crato parece que inventa a fachada colorida sem história e sem vida, apenas loucura de droga.

Neste mesmo centro não se precisa ir ao Chile e nem ao Haiti. O terremoto aconteceu ali mesmo. No que antes era a quadra central da vida social, política e histórica da cidade. Alguma decisão sem humanidade derrubou todo um quarteirão, deixando os escombros como prova cabal de que a propriedade privada sobrepõe-se a tudo, inclusive ao interesse histórico, social e, portanto, histórico. Mata-se a alma do Crato como os fumadores de “crack” fazem com a própria, em caráter particular.

À noite um grupo de pessoas da cidade me deu o sentido de que tudo existe, tudo ainda acontece. Na casa de Roberto Jamacaru, tive inveja de quem lá não esteve. O Crato ainda existe. O Cariri é lindo. Esta beleza é mais que a fugacidade “daqueles fumos inebriantes”.

Quem será a próxima vítima - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Este texto o fiz pensando no Ceará, sem saber da morte do Clauco em São Paulo. Mesmo assim o mative já que faz parte da mesma questão.

O surto de violência que de algum modo atingiu todos os países centrais, se alastrou pelo Brasil, chegou primeiro às capitais e se instalou no interior do país. Como toda “pandemia” existe variações locais, a depender de fatores sociais, políticos e econômicos, mas tem algumas características bem comuns.

Entre as características mais comuns, ele atinge com maior incidência aos jovens, pobres e do sexo masculino. A natureza básica ainda continua tomando por ódio as diferenças sociais e econômicas, recebendo as variações locais como sociedade de consumo, bebidas alcoólicas, drogas, corrupção política e no aparelho de Estado. A considerar a materialidade dos meios com os quais se realiza o ato violento: armas de fogo leve, veículos motorizados para evasão rápida e rádios de comunicação à distância (celulares).

A natureza das políticas públicas tem muito peso na forma como a violência se dissipa no tecido social. No Ceará, por exemplo, a percepção da sociedade é que a violência se amplia, que o governo não consegue implementar uma política adequada ao tamanho do problema e que a própria sociedade se encontra num estágio confuso que pode levar a diversos efeitos.

Uma abordagem rápida destas três questões: percepção, política de segurança do governo atual e o trato político (social) da questão. A percepção é paralisante. Há uma sensação generalizada que todos já foram acometidos pelo surto, que o surto está fora de controle, que o modo como uma pessoa pode se vitimar é duplamente contraditório: certo e aleatório. Assim como a morte, certo que vem só não se sabe como. É o próprio limite da paralisia.

A mídia ajuda a formar esta sensação paralisante sem dúvida alguma. Muita gente ganha a vida a criar um “clima” de que tudo descambou e que a resposta se encontra na própria violência. Assim como um Canudos em suas guerras terminais. Outro dia num velório de uma empresária vítima de assalto, uma professora de sociologia, com pesar de sua ciência dizia: tem que matar alguns para que outros se assustem e se inibam. Assim como o Barão de Jeremoabo pensava do Conselheiro.

Sobre a política do governo do Ceará com o assunto? O governo está perdendo o debate por uma série de fatores. Não apresenta e discute as estatísticas de violência em face desta política. Valorizou excessivamente o efeito externo, com veículos caríssimos, jovens bem vestidos e há uma crítica que tais “carrões” se tornaram apenas meios de locomoção e passeio destes jovens. Enfim, o governo perde na comunicação social. Quem já sofreu algum tipo de agressão traduz a política de segurança do governo Cid Gomes como a polícia do pós fato. Apenas existe para registrar o acontecido. E tem algo mais grave: dentro das corporações de segurança há um enorme descontentamento salarial e, certamente, uma autofagia que redunda em sabotagem das ações táticas e estratégicas.

Se o Cid Gomes pode, politicamente, pagar caro por sua política, não menos as soluções desta mesma sociedade, paralisada e crítica da política do governo deixa de ser um desastre. Ampliam-se os esquemas privados de segurança. Cria-se a pior espécie de “sociedade policial”, aquela que não é mais republicana, se forma por “milícias” avulsas e armadas como se todos vivessem aqueles velhos esquemas do sistema feudal. Se tivermos juízo faremos o debate correto sobre o assunto.

E certamente pensar o assunto é criar um pacto social que traga não a paz das armas, nem a sociedade do medo (é flagrante como os ricos, agastados pelas investidas de jovens assaltantes desejam implantar o medo entre os mais pobres), mas a paz do debate, da divergência como método de apreensão do que já diferente e a convergência como sistematização de políticas públicas e republicanas.

Glauco Villas-Boas




O cartunista Glauco Villas-Boas - o criador do personagem "Geraldão" - foi assassinado com quatro tiros nesta madrugada, durante um assalto na casa em que morava, em Osasco, São Paulo. O filho dele, Raoni, de 25 anos, também morreu, a caminho do hospital Albert Sabin. Glauco e o filho foram baleados ao tentar convencer os dois bandidos a desistir do assalto. O cartunista tinha 53 anos.

Segundo o advogado da família, Ricardo Handro, dois ladrões renderam uma filha de Glauco, que chegava de carro em casa, por volta de 0h20m da madrugada desta sexta-feira, e forçaram a entrada na residência, que fica em um bairro de chácaras, em Osasco, perto do Pico do Jaraguá, Zona Oeste de São Paulo.

Dentro da residência, segundo o advogado, os ladrões passaram a ameaçar a família e agrediram Glauco e a mulher dele com coronhadas.

Leia mais em: Cartunista Glauco, criador do 'Geraldão,' é morto durante assalto em SP