Criadores & Criaturas



"Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
"

(Carlos Drummond de Andrade)

ENVIE SUA FOTO E COLABORE COM O CARIRICATURAS



... Por do Sol em Serra Verde ...
Colaboração:Claude Bloc


FOTO DA SEMANA - CARIRICATURAS

Para participar, envie suas fotos para o e-mail:. e.
.....................
claude_bloc@hotmail.com

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pérola nos bastidores...



Armando Rafael disse...

Sou avô, e meus três netos constituem a parte mais gratificante da minha existência.


Outro dia li uma poesia de Valci Maria Mattos, poetisa de Cascavel (PR) que peço licença para transcrever abaixo:

Canção para meu Neto


Já chegando o entardecer,
Eis que grata surpresa.
Uma vida pequenina
Pedaços de um viver.
Parece que foi tirado o molde
De um velho retrato.
Contornos iguais,
Diferenças sutis.
Da infância, volta a festa,
Folguedos, felicidade!
Se finita é a existência,
Não importa.
De agora será medida,
Por sorrisos e abraços,
Palavras a balbuciar.
Instantes furtados àqueles que um dia,
Já distante, foram nossos.
Se pais agora, não liguem.
Deixem que este afeto,
Por tempo adormecido, renasça
Em sentimento maior.
Assim somos nós: os avós.

CONCURSO ZOOMCARIRI TEMA: MÃOS


Inscrevam-se e boa sorte!

Este concurso tem apoio lojístico de SANDRA FOTOGRAFIA, AMILTON-SOM e LOCALFOTO.

Pensou em revelar seus filmes, fazer um Book à capricho, adquirir equipamentos fotográficos, SANDRA FOTOGRAFIAS é a melhor opção.


Mas se for para um relax ao som do que há de melhor no mercado musical, CDs, DVDs, aí você procura AMILTON SOM... A grande opção!


Fotos: Dihelson Mendonça e Pachelly J.
Proibido replicação.

Raízes da violência - Emerson Monteiro

Vive-se período extremo de criminalidade violenta, isso em todo o mundo, com ênfase nos países mais atrasados, dentre eles o Brasil e toda a América Latina. Antes, o motivo alegado se voltava para as revoluções, na época da chamada Guerra Fria.
Hoje, qualquer motivo preenche as justificativas das convulsões sociais, desde a delinquência juvenil ao tráfico de drogas, passando pelos bolsões de pobreza e guerras tribais, lutas raciais, onde o padrão da cultura indica descompasso, perversidade e miséria.
Houve tempo quando era mais fácil encontrar as razões da insegurança. O atraso das mentalidades, as conquistas coloniais, disputas imperialistas, domínio das terras, fanatismo religioso. Tudo servia de pretexto, no decantado anseio do homem lobo do próprio homem. Ou de querer a paz e se preparar para a guerra.
Acham as autoridades que o problema se revolverá mediante a ampliação dos órgãos de segurança, aquisição de armamentos, modernização e ampliação das penitenciárias, maior remuneração dos efetivos policiais, etc., etc.
Contudo a questão possui raízes mais profundas. Suas causas merecem detalhamento, porquanto procedem das origens, que acumulam estudos e pouquíssimo tratamento.
Conceitos de que falta educação ao povo e que a tradição nacional dos degredados, escravos e índios, sem amadurecimento suficiente, formaram país aleijado, por si não justificam a violência das ruas, o clima tenso em que se transformou o sonho urbano.
De suas causas mais evidentes cabe citar o desemprego, sem esperança de redução para a juventude, que, todo dia, chega ao mercado de trabalho. A excessiva concentração da riqueza nas mãos de poucos, há séculos donos de bens. E a pobreza infinita das massas alienadas pela educação burguesa.
Enquanto sofre a nacionalidade esse atraso crônico na moralidade e competência dos dirigentes responsáveis pela administração pública, em todos os segmentos eles jamais se comprometem com mudanças substanciais e inadiáveis.
Como se não bastassem ditas origens, persiste, na estrutura mundial, um conceito voltado aos interesses das nações ricas, que investem pesado na manutenção do poder através dos sistemas de exploração financeira. Gastam fortunas para técnicas de preservação dos territórios da ordem injusta.
Portanto, para neutralizar o clima superlativo desse drama, cabem atitudes aos que precisam se livrar das nuvens escuras dessa história reacionária, com criatividade, maior comprometimento e participação coletiva dos grupos prejudicados, união das classes exploradas e conscientização política.
Abrir o olho e enxergar que só a educação trará mudanças significativas, após os esforços da sociedade, que será instrumento da democracia através do voto consciente que fala alto neste assunto, desde que assim pretendam os eleitores, bola da vez na decisão de cada eleição.

Curtas IV - Por Aloísio

Partindo...
Saudades
Chegando

Por Roberto Jamacaru...

A Rede Social no contexto da política


Desde que foram criados, os meios de comunicação via internete (as redes sociais dos tipos e-mail, Orkut, MSN, Twitter, Mensseger, Face book e similares) têm sido objetos de melhorias nos relacionamentos humanos, encurtando distâncias e definindo, em tempo recorde, as trocas de idéias e demais informações entre seus usuários parceiros.

Nos cinco continentes os acessos já somam mais de 1,5 bilhões de pessoas dividindo, junto com a telefonia, a responsabilidade de interagir a massa humana com mais presteza e competência.

Já não se concebe mais que o indivíduo tenha uma sobrevivência social desejada sem o uso desses instrumentos interativos que tanto facilitam nossas vidas, ora fazendo nascer, reatar ou finalizar um relacionamento sentimental, ora ampliando nossos conhecimentos cultural-mercantis e ora nos pondo, em tempo real, diante dos fatos recentes registrados na sociedade no contexto mundial.

A liberdade de expressão usada nesses meios, com vista ao bom entendimento entre as pessoas, é algo que tem levado alguns desses utilizadores do sistema a crescerem na suas condições humanas. Porém, há de se convir, que essa mesma navegação tem gerado discórdia e constrangimento entre as partes usuárias por, às vezes, empregar, inapropriadamente, os chamados bullyngs, o dolo, a inverdade, o aliciamento e a tentativa, por exemplo, das imposições ideológicas dos tipos política e religião.

Nos tempos atuais de eleição para Presidente da República, estamos em 2010, vez por outra somos agredidos nas nossas concepções quando alguns dos nossos correspondentes nos enviam mensagens agressivas, cheias de chacotas e tendências partidárias, desrespeitando, grosseiramente, nossos posicionamentos políticos. È aí que tudo muda deixando as redes sociais de serem instrumentos de interações úteis e educativas, portanto agradáveis de se ver e ouvir, tornando-se algo fomentador da discórdia.
É de direito de todos os cidadãos o exercício da prática política pelo boca a boca ou pelos meios de comunicações, como são os casos dos jornais, ondas do rádio e da TV. No entanto achamos estranho, para não dizer constrangedor, recebermos de um correspondente de uma rede social, a quem respeitamos e que goza da nossa inteira confiança, alguns com alto grau de intimidade, tentativas de imposição de suas preferências político/partidárias, muitas vezes cheias de chacotas e inverdades contra nossas lideranças. O desconforto gerado tem levado muita gente deletar seu parceiro de comunicação da rede.

Anunciar uma verdade comprovada, repito, comprovada, seja ela de cunho político ou religioso, é algo perfeitamente cabível num canal social, desde que não venha embutido, nas entrelinhas da comunicação, o desejo da manipulação que vise aliciar nossas concepções.

Existem gostos que não se discutem: autores, crença, religião, parceiros gordos ou magros; bicho de estimação, esportes, hobbes, carnaval, programas de rádio e de TV, cinema, música, bebidas, etc. A política, que muitas vezes é confundida com a paixão e cultuada por muitos como uma obsessão, essa, por excelência, é preciso ter muito cuidado ao discutirmos sobre ela. Devemos sempre manifestar nossas tendências e preferências por assuntos diversos, mas tendo o máximo cuidado de não subestimarmos, infringirmos e sobrepormos à regra do respeito pelo que pensam as outras pessoas.

Portanto, parceiros e parceiras, para evitarmos de cairmos no descrédito e no rol dos correspondentes chatos, preponderantes e indesejáveis, todo cuidado sobre este assunto é pouco... Aliás, muito pouco!


Roberto Jamacaru de Aquino
Circulando por aí...
- Claude Bloc -



Eu sempre gostei de perambular a pé pelo centro das cidades por onde circulo. Não sei bem se é um hábito que adquiri quando ainda pequena moradora do Crato, ou se é um gosto próprio meu, este de andar a pé explorando os lugares e descobrindo-lhes os segredos e a essência. Só sei que gosto. E faço-o com prazer infantil.

Hoje, por exemplo, dei aula de Francês de 7h às 8h. Depois, fui resolver algumas tarefas burocráticas (papéis) no centro da cidade de Sobral. Estacionei o carro na Praça da Igreja São Francisco e comecei a jornada. Apesar do que eu imaginava (morosidade) foi tudo muito rápido. Como estava no centro, a seguir, fui “bater perna” e “lamber” as vitrines.

Andar em Sobral desanima o “freguês”. O “solzão” na cabeça começa a queimar desde cedo e o calor intenso faz a gente procurar a calçada da sombra e evitar a exposição direta aos raios solares. Mas... é inevitável o suor e a busca refrescante por um copo d’água geladinho. Água, sim!

Pois é, descobri que gosto de Sobral e, apesar de seu comércio caro e limitado, é bom estar na cidade. O comércio de pequenas proporções fecha as portas a empresas de “outras terras” para não abafar o sucesso do pequeno comerciante. Mesmo assim, nesses passeios pelo centro, percebi que meu gosto de andar por ali é proporcionado por motivos bem pessoais: é no centro das cidades que a História do lugar parece estar preservada indefinidamente, sem muita mudança. Dá pra sentir a vibração antiga das casas, das fachadas rebuscadas, das igrejas, das ruas estreitas e mal desenhadas. Dá pra sentir a alma da cidade, do seu povo, a dinâmica da vida citadina.

No mais, o moderno, representa crescimento e progresso. Louvável, mas não romântico. É esta minha visão alienada a respeito das cidades. O centro ferve. O resto vive.

Sobral, porém, não é minha cidade. Assim como não são minhas cidades as outras por onde perambulo. Em Sobral convivo com muita gente – alunos - uns 300 por semestre. Encontro-os pelo centro, trabalhando no comércio ou vagueando com as famílias. Mas... em Sobral não há minha gente. Nem os sorrisos que recebo aqui e ali quando estou no Crato. Aqui nesta cidade, sou uma estrangeira que a ela se incorporou desde 2003. Nada mais. Por isso, tive que criar vínculos através do trabalho, fazendo meu melhor.

Mas, por favor, não me tirem a esperança de morar no Crato, pois circular pelo Crato é pura magia. Esteja como estiver.


Claude Bloc

A Família de Edilson Sobreira (Tenente), convida !

Missa de Sétimo Dia.
Local :Igreja da  Matriz de  Juazeiro do Norte
Horário : 17 h
Antecipadamente, agradecem carinhosas presenças.

“Não cometam esse erro” - José Nilton Mariano Saraiva

No debate da Bandeirante, ao ser fustigado por Dilma Rousseff sobre suas ligações com um certo Paulo Vieira de Souza, mais conhecido por Paulo Preto (ex-diretor da Dersa, estatal rodoviária de São Paulo) e suposto arrecadador de verbas para a sua campanha junto às grandes empreiteiras prestadoras de serviço ao governo paulista (“Você deveria responder sobre Paulo Vieira de Souza, seu assessor, que fugiu com R$ 4 milhões de sua campanha”), o candidato José Serra, visivelmente incomodado, embasbacou, e... deu o silencio sepulcral como resposta.
Dia seguinte, em Goiânia/GO, acossado por jornalistas sobre referido personagem, o tucano foi assertivo e peremptório em sua fala (abre aspas): “EU NÃO SEI quem é o Paulo Preto. NUNCA ouvi falar. Ele foi um factóide criado para que vocês (repórteres)
fiquem perguntando” (fecha aspas).
No mesmo dia, à repórter Andréa Michael, o senhor Paulo Preto afirmou ter se reunido com José Serra “pelo menos uma dezena de vezes”, que Serra o “conhece muito bem” e, mais importante, que “ninguém nesse governo (de São Paulo) deu condições das empresas
apoiarem mais recursos politicamente do que eu...” (aqui, claramente, ele sugere ser um dos grandes arrecadadores da campanha), concluindo, um tanto quanto ameaçador:
"Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. NÃO COMETAM ESSE ERRO".
Ao tomar conhecimento de tão forte e contundente declaração, José Serra tratou de mudar o discurso e, mais que apressadamente, saiu em defesa do Paulo Preto (demonstrando até uma certa intimidade), ao afirmar que “A acusação contra ele é injusta", que ele é "totalmente inocente", que "Ele é considerado uma pessoa muito competente e ganhou até o prêmio de Engenheiro do Ano, no ano passado” e que “Nunca recebi nenhuma acusação a respeito dele DURANTE SUA ATUAÇÃO NO GOVERNO".
Para quem se auto-proclama sério e coerente, a pergunta que se impõe (e respondível com um dos simplórios monossílabos, SIM ou NÃO) é: afinal, o candidato José Serra sabe ou não sabe quem é o Paulo Preto ??? Conhece ou não conhece o Paulo Preto ??? Paulo Preto é ou não um mero "factóide", criado pela Dilma Rousseff ???
Que tal aproveitar o próximo debate "global" e prestar tais esclarecimentos para milhões de telespectadores/eleitores ???

AFAC CONVIDA:LANÇAMENTO DO LIVRO DA CRATENSE RITA GUEDES

CONVITE

A Livraria Oboé convida para o lançamento do livro
"SOBRE AS ONDAS", de autoria da cratense Rita Maria Lopes Guedes Santos
Será no dia: 26 de outubro de 2010 (terça-feira) às 19:30 h.
Local: LIVRARIA OBOÈ
Shopping Center Um - Loja 207
Av. Santos Dumont -Fortaleza -Ce

Um forte abraço.

Rita Guedes

FEIJOADA COM PEQUI EM FORTALEZA

A ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO CONVIDA:

É neste Sábado dia 16/10/2010

PARTICIPE!!!

Feijoada & Pequizada da AFAC com muito Samba de mesa!!!

Será no SITIO MAPURA no bairro Lagoa Redonda em Fortaleza.

VEJA O CAMINHO
Segue pela Av. Maestro Lisboa(avenida do Beach Park), dobra à direita (antes da lagoa) na Av. Recreio Clube de Campo, dobra novamente à direita na primeira rua, pronto...chegou!!

Dia 16/10/2010 a partir de 12:00h Adesão: R$ 10,00
contamos com a sua presença.
leve a família.
convide os amigos.

contatos:
DEDÊ - (85) 9613-3936
LUIZ CARLOS - (85) 9621-7016
PEDRO JORGE - (085) 9988-9911

Os mineiros do Chile - José do Vale Pinheiro Feitosa

A semântica da distração planta sono nas nossas mentes,
Deturpa os fatos, engana, fantasia, desvia.
Os hipnotizadores da televisão chamam os mineiros de heróis.
Aqueles mesmo de pele acobreada, da cara de Índio.

A mídia que empulha, que tergiversa, que serpenteia,
Nas circunvoluções dos nossos cérebros,
Não ouve a canção de Victor Jara:

“Con él, con él, con él, con él.
Son cinco minutos.
La vida es eterna en cinco minutos.

Suena la sirena. De vuelta al trabajo
y tœ caminando lo iluminas todo,
los cinco minutos te hacen florecer.”


Os mineiros do Chile não são heróis,
São mártires da ganância das mineradoras.
São vítimas da exploração que destrói gente,
Torna o deserto de Atacama num solo lunar.

De outra forma como um “herói” de 63 anos,
Desempregado, que necessita renda para sobreviver,
Permaneceu um buraco insalubre mesmo dizendo:
Aquela mina não é segura vou procurar outro emprego.

E quase vai! para o desespero de nossas indignações,
Buscar junto às asas do condor, como um Aimara nos Andes,
Sobre o torpor das consciências bêbadas de tanta mídia,
Que mija e caga na alma e muitos se acalmam como manjar.

É preciso que rebeldes construam uma “fênix” da liberdade,
Que se erga desta poeira ideológica que no pisam os comunicadores,
E da altura em que consiga voar,
Sopre para bem longe a névoa que turva a alma de todos.
Manuel Bandeira

Teresa


A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna


Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)


Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

Paisagem Noturna - Manuel Bandeira

A sombra imensa, a noite infinita enche o vale . . .
E lá do fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
— Em noss'alma criminosa,
O pavor se insinua . . .
Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
Corta a amplidão que a amplidão continua . . .
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
— Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.


Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
A sombria massa
Das serranias.


O plenilúnio via romper . . . Já da penumbra
Lentamente reslumbra
A paisagem de grandes árvores dormentes.
E cambiantes sutis, tonalidades fugidias,
Tintas deliqüescentes
Mancham para o levante as nuvens langorosas.


Enfim, cheia, serena, pura,
Como uma hóstia de luz erguida no horizonte,
Fazendo levantar a fronte
Dos poetas e das almas amorosas,
Dissipando o temor nas consciências medrosas
E frustrando a emboscada a espiar na noite escura,
— A Lua
Assoma à crista da montanha.
Em sua luz se banha
A solidão cheia de vozes que segredam . . .


Em voluptuoso espreguiçar de forma nua
As névoas enveredam
No vale. São como alvas, longas charpas
Suspensas no ar ao longe das escarpas.
Lembram os rebanhos de carneiros
Quando,
Fugindo ao sol a pino,
Buscam oitões, adros hospitaleiros
E lá quedam tranqüilos ruminando . . .
Assim a névoa azul paira sonhando . . .
As estrelas sorriem de escutar
As baladas atrozes
Dos sapos.


E o luar úmido . . . fino . . .
Amávico . . . tutelar . . .
Anima e transfigura a solidão cheia de vozes . . .

A Família de Edilson Sobreira (Tenente), convida !

Missa de Sétimo Dia.
Igreja da Sé, em Juazeiro do Norte
Horário : 16 h

Manuel Bandeira




Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

Considera-se que Bandeira faça parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira, sendo seu poema Os Sapos o abre-alas da Semana de Arte Moderna de 1922. Juntamente com escritores como João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Nélson Rodrigues, Carlos Pena Filho e José Condé, representa a produção literária do estado de Pernambuco.

wikipédia

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Para Victor e Natália no dia das crianças...


Victor & Natália



Ele ou ela?
Ela ou ele?
Nos trilhos curvos do tempo
O que importa...
Se meu coração bate sempre acelerado
Nessa sensação ímpar?
Vovó!
(Eu que ontem fui criança)
Olho nos rostos de
Victor e Natália
E vejo minhas porções perdidas
Finalmente (re)encontradas...

Cortinas de renda...
Cadeira de balanço,
Cantigas de ninar!
E o tempo fica ali
no cenário
zombando de mim...
Vovó!

Coração pequenino
emoção
lágrimas teimosas...
riso
Não, não sei explicar
essa emoção que sinto..

Claude Bloc



Somos mais que nossos preços - José do Vale Pinheiro Feitosa

Frases da idiotice acusam alguém de não valer o preço que se atribui. É que a etiqueta é da mercadoria, apenas colocada no braço dos escravos do consumo

O pior comentário é aquele sobre algo do qual não se tem a referência. Falo de um final de filme que assisti estes dias com a Emma Thompson no papel e uma professora universitária com um câncer terminal. Não lembro o título. Está num destes canais a cabo.

As cenas que vi são um soco no estômago. De todos os modos de morrer o mais dramático e vivenciado é da doença crônica, especialmente o das neoplasias malignas. Doenças que desde o diagnóstico já condenam as pessoas à morte e que abrem uma expectativa de desespero, esperança e frustrações. O desespero do termo irremediável. A esperança de uma cura improvável, por vezes de fé, noutras alternativas e as não menos perversas dos “experimentos” científicos, além do pior de todos: aqueles para a máfia de branco ganhar dinheiro.

No filme, do momento que assisti, estava o diálogo da professora, uma grande erudita, a meditar sobre si mesma em face de sua erudição. Como tornar racional os momentos terminais quando a grande dor, esperada no seu caso, surgisse. Ela discute isso com uma enfermeira que fala das drogas que cessam a dor, irão adormecê-la, poderá provocar uma parada cardíaca, mas que será ressuscitada pois, recursos existem para tal.

A professora pede que se o coração parar não seja ressuscitado artificialmente. Assina que não quer continuar viva. E se torna, no jargão do hospital, uma sigla com a qual o paciente manifesta sua vontade. A vida continua alguns dias, na fase terminal são horas e a dor inicia.

A professora resiste à dor. Prefere manter o sofrimento, mas está exausta. A dor é demais. Chega o médico principal, acompanhado do residente e indica o uso de morfina. Estabelece-se um contraditório entre o médico e a enfermeira, incluindo os gemidos da paciente. Finalmente o médico diz: é preciso lhe dar um momento de descanso.

É feita a aplicação e ela dorme. Acorda e tem um diálogo com a jovem enfermeira e brinca com a ignorância dela com uma palavra. Depois vem o residente, enquanto a paciente dorme, e traça o perfil complexo, orgulhoso e incisivo da professora em sala de aula.

Numa cena chega uma senhora idosa para visitá-la e a encontra arrasada, mas consciente. Tem medo da morte. Sofre com a solidão de sua situação. A senhora explica que a procurou e indicaram este lugar. Diz que tinha vindo a Londres para visitar o bisneto e faz referência a recitar alguns poemas de um determinado autor. Ela pede que não e então, no mesmo ato a professora pega um livro infantil que levava para os bisnetos, senta-se na cama abraçando a amiga e começa a ler.

A história de um filho que queria se transformar em algo diferente para que a mãe não o achasse. A mãe diz que se transformará igualmente e o reencontrará. Tudo que o filho desafia em transformação, a mãe igualmente transformada lá também estará. Se ela for um passarinho, a mãe será uma árvore para que nela ele pouse. A alegoria é que a amiga sempre seria achada, na interpretação da amiga: por Deus. Ou melhor, dizendo a amiga não fazia uma viagem solitária.

A última cena é o residente encontrando a professora em parada cardíaca e acionando a equipe de ressuscitação a qual é impedida pela enfermeira. Em seguida um poema que não consigo reproduzir, mas traduz isso: a morte nos parece a vencedora sobre a vida. Ela nos ameaça, nos mostra o inexorável. Mas ao final ela é a perdedora quando já não pode mais nada quando estamos mortos.

Por isso mesmo, com todas estas mesquinharias da sobrevivência, o ser humano é sempre maior do que ele mesmo e suas circunstâncias históricas.

Um texto de Raquel de Queiroz para finalizar o dia da criança....

A ARTE DE SER AVÓ
(Raquel de Queiroz )

Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Quarenta anos, quarenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações — todos dizem isto embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto — mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meus Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis — aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que os netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos.

No entanto — no entanto! — nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela , em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser mãe do garoto. Não importa que ela, hipocritamente ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café — café! — mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parece com o lápis dizendo que foi sem querer — e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna.

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto.

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade...

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho — involuntariamente! — bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois, o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Por Norma Hauer

MAIS DOIS ANIVERSARIANTES DE HOJE
Um está vivo, em atividade no rádio e em "shows".
Em seu programa radiofônico sempre homenageia os aniversariantes do dia. Vivos ou mortos.
Seu nome: LUIZ VIEIRA, completando 82 anos.
Cantor, compositor, radialista, conhecido como "menino passarinho", devido ao sucesso de uma de suas músicas.

Seu programa radiofônico é transmitido pela Rádio Carioca (atualmente conhecida como Rádio Sucesso) em 700 khz AM.
Vai ao ar de segunda a sexta-feira das 6 às 8 da manhã.


Outro aniversariante (já falecido) seria JOÃO DIAS , que foi considerado por Francisco Alves como seu "herdeiro musical". E por Francisco Alves foi levado para a Rádio Nacional. Ali obteve algum sucesso, mas jamais como seu "padrinho".


Norma


Dia infantil - por Socorro Moreira



Minhas crianças estavam surpreendentemente lindas ! 
Sofia é   irresistível ! Olho pra ela e vejo o André, sempre  feliz !
Hoje resolvi olhar a criança de todas as pessoas que encontrei. Valda, Caio, Victor, Bianca ...Um riso, e uma lágrima escorrendo na face.
A minha escorre por dentro, mas engoli  um refrigerante e chupei uma bala, por rebeldia !
As lojas estavam lotadas. Eu quis também um brinquedo. Depois de pegar e largar, optei por um cofrinho, pra juntar moedas. O Caio chegou  e foi perguntando : cadê meu presente? Repassei o "porquinho," e incentivei mais uma vez , juntar os trocados pra comprar o  sustentável. !
Eu tento não enxergar  a maioria das tristezas. Eu tento me apoiar , em qualquer tipo de brinquedo... Mas fui ficando séria demais.
Vamos brincar do sério?
A gente se olha, se olha, até um dos dois piscar !
Ah, só  pode sorrir  depois... Quem sorrir  por último ganha um beijo !
A AFAC-ASSOCIAÇÃO DOS FILHOS E AMIGOS DO CRATO CONVIDA:



CONVITE

A Livraria Oboé convida para o lançamento do livro
"Sobre as Ondas", autoria de Rita Maria Lopes Guedes Santos
Dia: 26 de outubro de 2010 (terça-feira) às 19:30 h.
Local: LIVRARIA OBOÈ
Shopping Center Um - Loja 207
Av. Santos Dumont -Fortaleza -Ce
Um forte abraço. Rita Guedes

Uma biblioteca em cada coração - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Elmano Rodrigues tem uma dimensão excelsa e que felizmente não é rara aos brasileiros. Ele sempre esteve na vida com senso de igualdade. Tem a alma daquelas diversas gerações que acreditam no progresso das pessoas, na autonomia do individuo e na liberdade coletiva. Ao mesmo tempo, Elmano Rodrigues, é militante. Não se resume ao tédio das tardes de fastio.

Isso que faz no Cariri com a Fundação Enock Rodrigues é coisa de gente grande. Elmano não caiu na arapuca dos azedumes regionais, que selecionam aliados como inimigos dos últimos dias. Ele não caiu na facilidade de falar mal, destratar só por que não gosta do partido, do sujeito ou da prática. Ele tem um objetivo maior. Dar razão à Fundação Enock Rodrigues que leva o nome de um morto pela intolerância política.

Isso é importante, pois muita gente se arvora em passar lições de ética e costumes aos outros com tanta raiva e mágoas que parece discursar defronte ao espelho. O Elmano Rodrigues faz um projeto síntese e que ousa experimentar complexidade. De cara tire logo a impressão que é uma piedosa distribuição de livros para os pobres. O projeto do Elmano é de desenvolvimento institucional e do indivíduo.

Vejam bem como isso é feito: numa só manobra ele envolve a Universidade com o Curso de Biblioteconomia, as Prefeituras, as comunidades e por óbvio, os indivíduos. Isso é o que fazem os grandes países. Não tornam a biblioteca apenas num depósito de livros: as livrarias não mostruários, mas as bibliotecas são uma dinâmica do saber.

Se junto a isso a escola se envolver, mesmo considerando, à distância, que a biblioteca esteja no bairro do aluno. Ao mesmo tempo se a Secretaria de Cultura desenvolver o exercício da leitura como um exercício para cidadania. A oportunidade que tem as comunidades, os pais, os jovens, os trabalhadores de transformarem o ambiente em alvo da compreensão do mundo.

Elmano Rodrigues: tenho orgulho de conhecê-lo. De encontrá-lo sem idade, com o mesmo vigor com o qual renascia no pátio do Diocesano daquele pesadelo que hoje leva o nome da Fundação.

Ao contrário do que a ignorância pensa: a vida é quem vence a morte.

Sobre Dilma pelo Ex-Marido - José do Vale Pinheiro Feitosa

Conheci Carlos Araújo e Dilma Roussef na militância do PDT nacional. O mais importante, não sou amigo deles, mas na convivência pública não eram pessoas superficiais, que fazem tipo. Acreditavam no que falavam, tinham base no que diziam e viviam para o que acreditavam. Durante a campanha eleitoral do primeiro turno não forcei a barra de ninguém sobre o voto, não pretendo fazer o mesmo agora, mas não poderei ficar omisso à onda de boatos da extrema direita envolvida no Golpe Militar de 64, na TFP e nas práticas errôneas da campanha adversária à da Dilma. Enquanto escrevia este abriu uma janela de e-mail avisando que acabara de receber um SPAM com um texto de Reinaldo Azevedo da VEJA parece que sobre o aborto. Por isso posto esta entrevista feita no Jornal O Globo com o Carlos Araujo ex-marido de Dilma:

Em casa nunca teve murro na mesa'

O advogado Carlos Araújo, de 72 anos, é só elogios à ex-mulher, Dilma Rousseff; inclusive sobre seu temperamento forte

ENTREVISTA
Carlos Araújo

Um casarão às margens do lago Guaíba, em Porto Alegre, as únicas reminiscências dos tempos de militância e da luta armada do casal Vanda e Max são quadros na parede com fotos do comunista Mao Tsé-Tung. A casa foi dividida pelos dois por 30 anos. Hoje, está tomada por fotos da filha dos dois, Paula, e pilhas de cartazes de propaganda da campanha da agora ex-mulher de Max, que, na verdade, se chama Carlos Araújo: Dilma Rousseff, a Vanda.

A rotina do advogado de 72 anos, que se levanta às 3h para ir ao escritório, onde defende causas de operários, em nada se parece com o glamour da vida de Dilma em Brasília. De hábitos simples, Carlos sofre de enfisema.

Vive acompanhado de dois cachorros e, atualmente, da ex-sogra, dona Dilma Jane, e de uma tia da candidata, dona Arilda. Apesar do tubo de oxigênio na sala e da proibição de fumar, não foi desautorizado pelos médicos a tomar uma cervejinha diária, “não muito gelada”.

Há dez dias, ele relembrou sua história com a ex-mulher, que acompanha da sala com dois telões de LCD — um para o noticiário e outro para os jogos de futebol.

Carlos diz que não ajuda na campanha por causa da doença, que o impede de suportar o clima seco de Brasília. A última vez que visitou a ex-mulher foi quando ela teve câncer, no ano passado. Ficou com ela uns 10 dias no início do tratamento. Em setembro, voltaram a se encontrar, quando ela esteve no Rio Grande do Sul: — Não faço nada na campanha. Gostaria muito de estar em Brasília, na retaguarda, ajudando em algo. Mas não posso.

Após a separação, no fim da década de 90, Dilma comprou um apartamento no mesmo bairro para que os dois continuassem próximos, por causa de Paula. Dilma não se casou novamente.

Carlos tem uma namorada, que diz dar-se muito bem com Dilma.

— Presidente tem essa coisa da primeira-dama. Se um dia a Dilma precisar, estarei a seu lado — diz Carlos.

Viveram 30 anos juntos e até hoje Carlos tem admiração inequívoca pela ex-mulher. O temperamento forte dela não é negado por ele. Mas “aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa”, diz ele sobre a fama da ex-ministra em Brasília. Em entrevista ao GLOBO, Carlos relembra o passado e diz acreditar na vitória de Dilma.

Maria Lima* e João Guedes
PORTO ALEGRE

O GLOBO: Quando e onde o senhor conheceu Dilma?

CARLOS ARAÚJO: Em 1969, no Rio, numa reunião. Ela era da Colina, e meu grupo não tinha nome. Com a fusão, virou o Var-Palmares. Ela tinha 19 anos e eu, 30. Na segunda reunião, já estava apaixonado. Um mês após, estávamos morando juntos.

Ela era linda, um espetáculo! Esse negócio que falam de amor à primeira vista, né?

O que mais chamou sua atenção em Dilma?

CARLOS: Ela ser tão jovem e tão entregue à luta política.

Uma inteligência muito forte e pujante. E sua beleza.

Que música marcou a relação?

CARLOS: Rita, do Chico Buarque.

Namorávamos, às vezes, no apartamento em que a gente ia, mas a gente não podia ficar por questão de segurança. Namorávamos em praças, bairros mais retirados. De vez em quando ali por Ipanema, Jardim de Alá.

Mas ela já era casada (com Claudio Galeno Linhares)...

CARLOS: Mas só formalmente, o casamento já estava se desfazendo, não conviviam mais, viviam foragidos.

Quando nos conhecemos, ela falou para o marido que íamos viver juntos. Eu e o marido dela ficamos amigos, militamos juntos. Ele foi para o exterior, se casou, teve filhos. Em 76, voltou e veio morar na minha casa. Eu o abriguei por um bom tempo.

Moraram os três nesta casa?

CARLOS: Eu e Dilma morávamos aqui. Ele veio com a mulher e os filhos.

Não tinha ciúmes?

CARLOS: Podia ter ciúmes de outra situação, não dele, cada um já tinha seu rumo. Sou um bom ex-marido. Falo bem da Dilma, não é? Não falo mal.

Nesses 30 anos de convivência, em que momentos ela era mais brava e mais delicada?

CARLOS: Não existe pessoa mais ou menos brava. Dilma sempre teve temperamento forte, é da personalidade dela. O que tirava ela do sério era deslealdade, falta de companheirismo, a pessoa não ter palavra, dar bola nas costas. Não sei como ela faz lá (em Brasília). Aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa.

Quem mandava na casa?

CARLOS: Nossos parâmetros não eram esses, de quem manda, não manda. Éramos companheiros.

Não era nosso estilo um mandar no outro. Foi uma bela convivência. Tivemos uma vida boa juntos, tenho recordação boa, não é saudade.

Como foram as prisões?

CARLOS: A dela foi em São Paulo.

Ela foi presa sete meses antes de mim. Eu estava no Rio.

Como ficou sabendo?

CARLOS: Quando ela foi presa, a primeira coisa que fiquei sabendo foi seu nome verdadeiro, que não sabia durante o ano que vivemos juntos. Naquele tempo, eles publicavam o nome, de onde era, filho de quem, logo em seguida. Soube que ela se chamava Dilma porque vi lá: filha de fulano, mineira. Até então, a única coisa que sabia dela era que era mineira. Pela regra de segurança, ninguém sabia nada de ninguém. Ela também não, sabia que eu era Carlos.

Se encontraram na prisão?

CARLOS: Fui para São Paulo.

Antes, ficamos incomunicáveis.

Era uma loucura! Tinha cartazes nas ruas, aeroportos, rodoviárias, com nossos nomes e foto escrito “procurados”. Depois que fui preso, passei por um lugar por onde ela já tinha passado, na Rua Tutoia, na tortura.

Depois fui para o Dops e para o presídio. Ela já estava no presídio, mas não nos vimos. Três meses depois, ia ser transferido para o Rio, me botaram num camburão e eu vi, de longe, que ela estava no outro camburão.

Íamos ser ouvidos no Rio e fomos para a frente do juiz. Nos abraçamos rapidamente e logo nos separaram. E só fomos nos ver de novo um ano depois, no presídio de Tiradentes, em São Paulo, onde tínhamos direito a receber visita da família juntos.

Três anos depois ela foi solta e o senhor não...

CARLOS: Sim. Ela foi a Minas, visitar os pais e veio morar nesta casa, com meus pais. Depois que fui solto, moramos juntos 30 anos.

O senhor foi para o presídio da Ilha da Pólvora..

CARLOS: Eu ficava na prisão e ela aqui. Não dava para fugir de lá, era uma ilha pequena. A gente não ficava na casa da pólvora. Só à noite. A prisão era a ilha.

Naquele momento, achava que ela ia chegar tão longe?

CARLOS: Ninguém achava, né? Não fazia parte dos projetos: ah, quero ser presidente! Não tinha ambição nenhuma. Ela queria se formar em economia e fazer política.

(Quando Lula a escolheu) Acho que ela estava no lugar certo na hora certa. E o Lula escolheu muito bem. Que presidente pode contar com uma pessoa como a Dilma, confiar cegamente que não vai ter bola nas costas? Ela tem o sentimento profundo da lealdade.

Foi difícil para ela passar por essa transformação? Plástica, cabelo, voz...

CARLOS: Não foi nenhum sacrifício.

Fui até enfermeiro dela quando fez a plástica. Dilma nunca se preparou para ser presidente e teve que encarar. A plástica foi bem, não foi aquela coisa exagerada, ela assimilou bem, acho que gostou.

E o guarda-roupa, o senhor acha que melhorou?

CARLOS: Está bom. Melhorou.

Antigamente, a Dilma era como eu. Sou atirado nas cordas. Ela também era meio atiradona mas, depois de um certo momento, ela tomou gosto. Gostou de se pintar. Gostou de se arrumar bem, de ir no cabeleireiro toda a semana, fazer as unhas.

O senhor é confidente dela?

CARLOS: Não. Sou amigo. Minha vida com a Dilma é uma vida não-política. Quando o Lula acenou para ela, ela veio conversar comigo e Paula. O que vocês acham? Ela não tinha dúvida, queria conversar. Disse que estava em condições, que ia se preparar da melhor forma possível.

Não titubeou, nem tinha receio.

Pelo menos, não revelou.

Aí veio a doença...

CARLOS: Nos pegou desprevenidos.

Quando ela falou a primeira vez, ficamos muito emocionados, sensibilizados, preocupados.

Mas ela disse: tudo indica que é benigno. Ela disse que tudo indicava que não era maligno, mas sentia energia de enfrentar a situação mesmo que fosse o pior. A gente só pensou em dar carinho e ser solidário.

Temeram pela campanha?

CARLOS: Não. Mesmo porque quando vieram os resultados, que era benigno, que era curável rapidamente, com equipe de bons médicos... Não era maligno.

Ela fez quimioterapia para cortar aquele quisto, para não se tornar maligno.

O que o senhor sente ao ver na internet que a Dilma é uma perigosa ex-terrorista?

CARLOS: É a baixaria dos que apoiavam a ditadura para prejudicá-la, para ganhar no tapetão.

O que ela tem de perigosa? A Dilma nunca pegou em armas.

Não era o setor dela.

E qual era o setor dela?

CARLOS: Era o mais político, de organizar movimentos, preparar o pessoal, fazer propaganda.

Desde quando pegar em armas é terrorismo? A gente tem orgulho do que viveu, era uma jovem corajosa, desprendida, entregando sua juventude, sua dor. Foi para a luta achando que ia morrer.

Muita coisa que fizemos foi equivocado politicamente, tudo bem. Mas isso é outra coisa.

Que sobrará de tudo isso - Emerson Monteiro

Às vezes me pego a cogitar quanto ao meu aprendizado desta vida. São momentos estimulantes, que abrem veredas graúdas no bucho da imaginação. Percorro assim meio cabreiro os pensamentos e, paciente, analiso cada feixe reunido nessa liberdade ocasional. Quero fugir dos erros cometidos no passado, mas ainda não posso, descendo e subindo as ladeiras da recordação, apalpando respostas que recebem impulsos naturais do uso. Experimento por dentro o peso da justiça e dos julgamentos, como examinando matérias que pertencem a outras criaturas. Nessas oportunidades ninguém age à toa e as provas das ações grudaram estreita ligação com a sentença dos processos, onde somos réu e juiz. Não alimento dúvidas de que existe Ser Maior que a tudo observa e repõe no devido lugar.
E essa alegria que sujeita de mimos a gente, nas horas agradáveis, vira uma fera, na hora em que o panorama muda. Fecha o tempo, cai o pano da euforia e um fastio angustioso invade a cena, parecendo batalhão de madrastas irritadas saindo à farra.
Mas o que restará mesmo desse cuidado constante em querer sempre o bom para comer, enquanto milhões morrem de fome? Juntar coisas descartáveis e inúteis para satisfazer o ego, e, na pressa em garantir o futuro, preencher revoadas inquietas em bandos nos finais de semana prolongados, em busca do vazio? Do desejo de emitir opiniões, enquanto aos outros não se deixa falar perto da gente sem que nos empolguemos e queiramos falar mais alto, doce engano de chegar primeiro a lugar nenhum?
O gosto de sorrir com alegria, invés de rir de qualquer atitude dos outros, quase num gesto de humilhação a quem parece menor aos olhos das nossas vadiações. Seres que somos, andando para o inevitável de dentes à mostra, feitos hienas desesperadas.
Transformar este palco na festa da solidariedade humana, quantos disseram isto e poucos compreenderam, presos ao cipoal da inconsciência. O traçado representa o mapa da revelação para vencer a ganância do prazer que as vidas renovam todo tempo. Achar a palavra certa de agarrar o mistério de amar e ser, com isso responsável para fertilizar o mundo inteiro, cheio de gente esperta a conciliar dor e beleza, no meio da simplicidade.
Força para isso, convidar os outros nossos vizinhos para exercitar os ensinos que se aprender com esperança nos livros sagrados, geração a geração, paladinos da possibilidade.
Pisar o caminho com o espírito desarmado, qual quem sabe correr o trilho da certeza, superar a solidão e juntar cada centavo de sabedoria em favor da amabilidade, junto dos irmãos da salvação. É isto.

Tragédia

Uma andorinha nada confiável
segundo as más línguas
tudo que vê ela fala

entrou pela janela
do banheiro
e sentou sobre o teclado
com as patinhas cruzadas.

Sinto lhe dizer,
querida (perdoe-me)
essa infame andorinha
viu sua fotografia,
leu nossos e-mails
e até os versos
que nem você
em sonhos
imaginava.

Tentei segurá-la pelas asas
mas arisca e zombando
da minha aflição
pela área de serviço
safou-se.

Nesta hora,
todo o céu da minha aldeia
sabe do nosso segredo
certamente: as borboletas,
os vaga-lumes, as estrelas
e a lua (em todas as fases) .

Mas não se desespere,
eu tenho um flagrante
dessa pervertida andorinha
em uma manhã de verão
entre os jarros da varanda
atracada a um canário belga
faziam horrores
e delícias.

Tirei algumas fotos

(meu bem,
você não sonha
como os pássaros
são voluptuosos
e febris) .

Portanto não se preocupe.
Agora mesmo mexo no baú antigo
da minha vozinha à procura de um frasquinho

cujo líquido precioso (alquimia)
assim que bebo dois golinhos
na posição de lótus
transformo-me em ave
(um pelicano) .

Não demora encontrarei
a metida andorinha
e serei maquiavélico:

ou ela se contradiz
pede desculpas
e se justifica a todos
do céu da minha aldeia
(borboletas, vaga-lumes,
estrelas e a lua (em todas
as fases) tratar-se apenas
uma pegadinha ou mostro
feliz da vida as fotos dela
com seu canário belga
entre os jarros
no maior pega
e sarros.

Também falam as más línguas
que essa indiscreta andorinha
tem fama de querer ser beata,
cheia de pudores
e zelos.

Ela aceitará.
Aliás, aproveitarei
(já que sou pelicano)

e vou levá-la
pra varanda
entre os jarros
pra ver se ela
é de fato
incrível.

Farei miséria,
só de mal (afinal
sou um pelicano) .

Não sinta ciúmes,
querida:

é pra que a intrusa
aprenda de vez
a não ser tão

curiosa,
enxerida
e faceira.

Juazeiro lança projeto Uma Biblioteca em Cada Comunidade

O projeto Uma Biblioteca em Cada Comunidade será lançado, no dia 15 de outubro, às 19h, no Pólo de Atendimento do Bairro João Cabral, pelo Prefeito de Juazeiro do Norte, Manoel Santana, e pelo Secretário de Cultura, Fábio Carneirinho. Na oportunidade será inaugurada a primeira Biblioteca Comunitária denominada de Padaria Espiritual Enock Rodrigues, com um acervo de mais de três mil livros. “Esta será um protótipo para as 19 bibliotecas que serão criadas pela Administração até o Centenário de Juazeiro. A Secretaria de Cultura pretende, até o final do ano, criar mais seis, nas seguintes localidades: bairros Vila Nova, Frei Damião, Parque Antônio Vieira, Sítio Gavião, ONG Juriti e Socorro”, enfatiza Franco Barbosa, Assessor Técnico da Secretaria de Cultura, autor do projeto.
Os livros foram doados pela Fundação Enock Rodrigues, através de Elmano Rodrigues, que se fará presente à abertura dessa primeira biblioteca. A seleção do acervo para cada comunidade está sendo realizada pela Empresa Junior da Universidade Federal do Ceará, com os alunos do curso de Biblioteconomia. Uma parte das 12 toneladas de livros doados pela Fundação será destinada ainda aos sítios Malhada e Assentamento 10 de Abril, em Crato, como também a comunidades de Barbalha, Antonina do Norte, Mauriti e Caririaçu.
Neste sentido, Fábio Carneirinho está convidando você e sua família para se fazer presente ao evento, e solicita a todos doação de livros para as próximas bibliotecas, não importa a quantidade, pode ser um livro e pode ser uma caixa, ou mais. Dê um presente a Juazeiro neste Centenário.
Poemas
- Claude Bloc-

***

Os poemas são momentos


Que como as fotos,
registram os sentimentos


e mais que as palavras
falam das cores


que tocam
e mexem
e gritam
e dizem
da emoção da gente...

Claude Bloc

José Gonçalves - por Norma Hauer

DEIXEI PASSAR...
A data de falecimento de Zé da Zilda: 10 de outubro de 1954.

JOSÉ GONÇALVES

Quem terá sido JOSÉ GONÇALVES?
Ele era, nada mais, nada menos, que o ZÉ DA ZILDA, falecido em 10 de outubro de 1954, aqui no Rio de Janeiro.
Casado com Zilda Gonçalves, desde 1938, formou com ela uma dupla que começou a atuar na Rádio Transmissora, exatamente onde se conheceram e atuavam com o nome de “Dupla da Harmonia”.
Passando, nesse mesmo ano para a Rádio Cruzeiro do Sul, a dupla foi ali “batizada” por Paulo Roberto de ZÉ E ZILDA. Assim, mantiveram-se juntos até que Zé faleceu prematuramente

Em 1946, Jorge Veiga gravou, da autoria de ambos, “Caboclo Africano “; Emilinha Borba: “Nosso Amor” e Marlene , da co-autoria de Adelino Moreira e Zé, o samba “Quebra-Mar”.
O primeiro sucesso da dupla, como cantores, foi em 1954, no carnaval, com o samba “Ressaca”
“Tá todo mundo de ressaca,
Ressaca, ressaca, ressaca”...
Nesse mesmo ano, com o coro artístico da Odeon, fizeram outro sucesso:”Império do Samba”.
No ano seguinte, saiu a gravação de “As Águas Continuam”, embora ZÉ já houvesse falecido..
Com o falecimento de Zé, Zilda compôs em sua homenagem, o samba :”Vai, Que Depois Eu Vou” e “Meu Zé” .
Em 1958. outro samba:”Amor, Vem me Buscar”, dela com Ricardo Galeno.
Em 1961 gravou, de Paquito e Romeu Gentil, ainda em homenagem ao Zé, o samba “Vem Amor”.
Ela não se conformou com a morte de Zé mostrando o grande amor que os uniam.
Isso é muito bonito, principalmente tratando-se de dois artistas unidos na vida e hoje na morte.
Assim, ambos merecem nossa Saudade.


norma